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Pandemia leva 20% de agentes de saúde nas Américas à depressão

A crise da Covid-19 está afetando o sistema de saúde na região das Américas especialmente a área de saúde mental.

Na semana passada, uma pesquisa da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, e da Organização Mundial da Saúde, OMS, revelou que a grande maioria dos países não está financiando a assistência a casos de transtornos mentais. 

Opas

A pesquisa examinou o comportamento do pessoal de saúde e problemas enfrentados por causa da crise neste primeiro ano da pandemia.

Sacrifício

O estudo Heróis da Covid-19 foi compilado pela Universidade do Chile e de Columbia, nos Estados Unidos, incluindo Argentina, Guatemala, Peru, México, Chile e Venezuela.

Pelo menos 20% dos agentes de saúde relataram que passaram a sofrer de depressão após surgimento da pandemia.

De acordo com o diretor-assistente da Opas, o médico brasileiro Jarbas Barbosa, dos 29 países analisados, apenas dois financiam de forma adequada o atendimento.

Segundo ele, em seis nações das Américas, a situação é preocupante. 

Barbosa elogiou o sacrifício dos agentes de saúde que estão se desdobrando e se arriscando para enfrentar a pandemia.

Vídeo Opas

De acordo com o diretor-assistente da Opas, o médico brasileiro Jarbas Barbosa, dos 29 países analisados, apenas dois financiam de forma adequada o atendimento.

Família

No caso do Chile, quase 10% dos trabalhadores da saúde já pensaram em suicídio após a Covid-19. E mais de 75% dos agentes estão preocupados com contrair o novo coronavírus e acabar infectando familiares e amigos.

A pesquisa examinou o comportamento do pessoal de saúde e problemas enfrentados por causa da crise neste primeiro ano da pandemia. Jarbas Barbosa lembrou que a doença interrompeu a vida de milhões de pessoas, causou desemprego, perdas econômicas, isolamento, sofrimento e uma quantidade inimaginável de mortes.

O médico ressaltou que a Covid-19 elevou os níveis de estresse para muitos na região das Américas gerando ansiedade e depressão.
Jarbas Barbosa contou que planos de aumentar o atendimento por telemedicina e consultas a distância não foram realizados por todos. 

Pilares

O atendimento a doentes mentais em iniciativas comunitárias, integradas na saúde primária, é um dos pilares dos serviços de saúde mental. Para o vice-diretor da Organização Pan-Americana da Saúde, este atendimento tem que continuar sendo apoiado pelas autoridades.

A Opas informa que mais de 20 milhões já foram infectadas com o Covid-19 nas Américas e mais de 655 mil perderam a vida.  A região tem um terço de todas as mortes de coronavírus no mundo.

A semana passada foi uma das piores em aumento de infecções. Foram mais de 1 milhão de novo casos em apenas sete dias.

Chile, Paraguai e Uruguai

Jarbas Barbosa disse que não se deve baixar a guarda. É preciso continuar a lavar as mãos, usar álcool em gel, máscara e manter a distância de pelo menos um metro do interlocutor. 

Ele citou os exemplos do Chile, que reduziu a taxa de novas infecções em quatro vezes desde julho. 

O Paraguai também baixou o número de novos casos desde setembro. E apesar de algumas notificações no Uruguai, o país conseguiu evitar a transmissão comunitária.

ONU aposta em mais estudos sobre partículas de poeira e tempestades de areia 

Um relatório das Nações Unidas revela que cerca de 2 bilhões de toneladas de poeira são lançadas para a atmosfera a cada ano. 

O Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, recomenda mais pesquisas para entender as fontes e emissões de tempestades de areia e poeira. Outra meta seria avaliar a origem da erosão naturalmente causada pelo vento ou influenciada pela ação humana. 

Limite  

Nas recomendações, os autores sugerem que sejam criadas redes em diversos oceanos para medir a longo prazo os níveis de poeira presente na camada limite atmosfera planetária.  

Nuvem de poeira chegou no Caribe., by OMM

Para a agência, iniciativas como a Grande Muralha Verde da África podem restaurar ecossistemas e mitigar as fontes de tempestades de areia e poeira ao fornecer proteção contra a erosão do vento em solos suscetíveis ao problema. 

O estudo Impactos das tempestades de areia e poeira nos oceanos: uma avaliação ambiental científica para formuladores de políticas destaca que, mesmo as mais pequenas partículas podem ter efeitos significativos no ecossistema marinho ou terrestre.

A deposição de poeira também pode influenciar em “flores grandes de esteiras flutuantes de algas marinhas”. Desde 2011, um gênero de algas castanhas de nome Sargassum tem sido observado no Mar do Caribe e no Oceano Atlântico, ao longo das costas da África Ocidental e do Brasil.  

Algas  

Embora a causa seja um assunto que merece discussão, os autores do estudo realçam que os nutrientes da poeira do deserto podem aumentar o crescimento dessas algas presentes em áreas tropicais e subtropicais. 

As esteiras flutuantes servem de habitat para várias espécies em mar aberto. Mas perto da costa, elas podem interromper o transporte marítimo, a pesca e turismo, e criar impactos negativos consideráveis nas economias das comunidades costeiras. 

A poeira tem efeitos sobre a relação entre os componentes da Terra e a vida marinha, o armazenamento do carbono e a sedimentação em alto mar. Quando a poeira pousa traz nutrientes para as águas superficiais do oceano e o fundo do mar, em locais que aumentam a produção primária tendo impactos sobre os ciclos de nitrogênio, carbono e enxofre globais.  

Saúde 

Em águas costeiras, em particular, os nutrientes na poeira do deserto podem algumas vezes criar algas floridas. Embora estas possam alimentar grande parte da vida marinha, também podem prejudicar a vida selvagem marinha, saúde humana e atividade econômica. 

O estudo chama a atenção para possíveis associações entre componentes da poeira do deserto e algumas mudanças observadas em recifes de coral de várias partes do mundo. 

Banco Mundial/ Tom Perry

Elementos de poeira podem impactar vida selvagem marinha, saúde humana e atividade econômica.

Equipes da ONU na América Central ajudam na resposta ao furacão Eta

Trabalhadores humanitários das Nações Unidas estão cooperando com autoridades da América Central para socorrer as vítimas do furacão Eta.

O furacão de categoria 4 atingiu a Nicarágua na terça-feira com ventos de até 225 km/h.

Avaliação

Nesta sexta-feira, o Eta perdeu força, mas continua causando fortes chuvas na maior parte da região.
Com a alta dos rios, existem chances de enchentes em partes de Honduras, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, El Salvador e Guatemala.

As equipes da ONU estão ajudando na resposta ao desastre natural e na avaliação dos estragos após a passagem do furacão.

Segundo o Escritório para Assistência Humanitária da ONU, Ocha, pelo menos 30 mil pessoas foram evacuadas na Nicarágua, onde se tenta resgatar agora os serviços básicos.

Agências de notícias informam que pelo menos 50 pessoas morreram durante deslizamentos de terra na Guatemala.

PMA/David Fernandez

Em maio, milhares de pessoas em El Salvador perderam seus meios de subsistência como resultado da tempestade tropical Amanda.

Alerta vermelho

Já em Honduras, todo o país está em estado de alerta vermelho após 3,6 mil pessoas terem sido postas em abrigos de proteção da tempestade.

Uma hondurenha de 13 anos morreu quando uma das paredes do quarto em que dormia veio abaixo com as chuvas.

Há relatos de perda de vidas também em El Salvador, onde o governo está evacuando os moradores para abrigos de emergência. No Panamá mais de 600 pessoas foram retiradas das áreas inundadas pelo furacão Eta.

Na Costa Rica, várias regiões afetadas pelas fortes chuvas entram em estado de alerta laranja e vermelho.
 

Como erradicar a fome até 2030?

 A Agenda 2030 das Nações Unidas é um plano global de objetivos sociais, económicos e ambientais, defensora da paz, da justiça e das instituições eficazes. Erradicar a fome do planeta é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável desta agenda, que destacamos neste mês de novembro.

“Num mundo de abundância, é uma afronta grave que centenas de milhões de pessoas se deitem com fome todos os dias” – António Guterres, secretário-geral da ONU

Em 2019, 690 milhões de pessoas passaram fome – mais 10 milhões do que em 2018. Ao mesmo tempo, de acordo com as Nações Unidas, mais de 3 mil milhões de pessoas não tiveram capacidade para sustentar uma dieta saudável, verificando-se um aumento global na desnutrição, subnutrição e obesidade. A situação agravou-se com a pandemia da covid-19, que colocou 130 milhões de pessoas em risco de fome no último trimestre de 2020.

Em 2020, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas foi laureado com o Prémio Nobel da Paz. Esta agência de assistência alimentar das Nações Unidas é a maior organização humanitária do mundo dedicada à segurança alimentar e ao combate à fome, fornecendo, todos os anos, alimentos a uma média de 91,4 milhões de pessoas em 83 países. O PMA reflete, pelo seu trabalho, a prioridade das Nações Unidas em erradicar a fome do mundo.

No quadro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, erradicar a fome até 2030 significaria garantir o acesso de toda a Humanidade a uma alimentação de qualidade, nutritiva e suficiente ao longo de todo o ano. Para tal, é necessário também pôr fim a todas as formas de desnutrição, como, por exemplo, o nanismo em crianças, e atender às necessidades nutricionais dos adolescentes, das mulheres grávidas e pessoas idosas.

Em que fase do caminho estamos?

Os dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) são claros: mesmo antes da pandemia, o mundo estava longe de erradicar a fome até 2030. A crise global de saúde, cujo impacto se faz sentir nas economias mundiais, apenas veio agravar o panorama da fome. De acordo com a presidente da Federação dos Bancos Alimentares contra a Fome, Isabel Jonet, “Portugal não escapa a essa realidade dura. A pandemia colocou muitas pessoas em situação de pobreza, com carências alimentares graves, dado que ficaram privadas de rendimento ou renumeração” – refletindo esta tendência global.

Num contexto em que a produção alimentar mundial já supera em larga medida as necessidades da Humanidade, há, portanto, que agir no sentido de transformar os sistemas alimentares – resolver os “problemas de distribuição e logísticos”, nas palavras de Isabel Jonet -, que estão na origem deste flagelo global. A FAO estima que um terço de todos os alimentos produzidos no mundo sejam deitados para o lixo. Erradicar a fome passará, portanto, por transformar estes sistemas alimentares e agrícolas e pelo combate ao desperdício.

No sentido de mobilizar a atenção dos líderes mundiais em torno desta urgência, o secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou a Cimeira de Sistemas Alimentares para 2021, com grande ênfase na urgência de promover sistemas alimentares eficazes, resilientes e sustentáveis.

Só assim será possível cumprirmos o objetivo de erradicar a fome do mundo até ao final da década.

Guterres quer urgência para prevenir conflitos associados a recursos naturais 

Neste 6 de novembro, a ONU marca o Dia Internacional para a Prevenção da Exploração do Meio Ambiente em Guerra e Conflitos Armados. 

Nos últimos 60 anos, pelo menos 40% de todos conflitos internos tiveram alguma relação com a exploração de recursos naturais. Estes produtos podem ser valiosos, como madeira, diamantes, ouro e petróleo, mas também ser recursos escassos, como água e terras férteis. 

Controle de recursos valiosos, como diamantes, podem motivar conflitos, by Irin/David Hecht

Mudança climática 

Em mensagem, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirma que “o conflito e o meio ambiente estão profundamente interligados.” 

Segundo ele, “o aumento das temperaturas devido às mudanças climáticas ameaça amplificar ainda mais os estresses e tensões ambientais.” 

O chefe da ONU conta que, com muita frequência, o meio ambiente está entre as vítimas da guerra, devido a atos deliberados de destruição, danos colaterais ou porque os governos deixam de controlar os recursos naturais. 

Guterres explicou que embora o clima não seja a causa direta do conflito, pode aumentar os riscos. Para o secretário-geral, “seus impactos combinados minam os meios de subsistência, a segurança alimentar, a confiança no governo, a saúde e a educação e a igualdade social.” 

Estados afetados por conflitos têm menos probabilidade de alcançar suas metas de desenvolvimento sustentável

Países 

A degradação dos recursos naturais e dos ecossistemas aumenta os desafios de comunidades vulneráveis. Mulheres e meninas são afetadas de forma desproporcional. 

O chefe da ONU lembra que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, são inspirados na ideia de que ninguém deve ser esquecido, mas “o conflito violento impede que muitos países sigam em frente.” 

Estados afetados por conflitos têm menos probabilidade de alcançar suas metas de desenvolvimento sustentável. Em 2030, mais de 80% das pessoas mais pobres do mundo poderão viver em nações afetadas por fragilidade, conflito e violência. 

Para Guterres, melhor gestão de recursos pode abrir caminho para a paz, Reprodução

Segundo Guterres, “uma melhor gestão dos recursos naturais e ecossistemas pode abrir um caminho para a paz em sociedades arrasadas pela guerra.” 

Futuro 

Os recursos naturais facilitam a entrega de muitos serviços básicos, como água ou eletricidade, mas seus ​benefícios também podem ser divididos para unir grupos adversários. 

O secretário-geral diz que isso requer colaboração entre governos, sociedade civil, setor privado e instituições especializadas. Ele também citou tecnologias digitais, investimento nas mulheres como agentes de mudança e fortalecer as discussões jurídicas e políticas.  

Atualmente, uma em cada cinco pessoas vive numa área afetada por fragilidade, conflito ou violência. 

Para António Guterres, se o mundo quiser alcançar os ODS, a comunidade internacional precisa “agir com ousadia e urgência” para proteger “o planeta dos efeitos debilitantes da guerra.” 

Corpo Nacional de Escutas promove exposição sobre os ODS em parceria com o UNRIC 

O Corpo Nacional de Escutas inaugurou a exposição “Escutismo e ODS”, uma iniciativa organizada pelo Departamento Nacional dos ODS do Corpo Nacional de Escutas (CNE), em colaboração com o Museu do CNE e que conta com o apoio do Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC). 

Nesta exposição podem ser encontradas 17 telas informativas sobre cada Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, bem como três ações possíveis de realizar por escuteiros que contribuem diretamente para o alcance de cada um dos ODS.  

A ligação entre o Escutismo e as Nações Unidas também é abordada, através de uma contextualização histórica, e existem ainda diferentes jogos pedagógicos. Para além disso, estão expostas duas obras criadas – o cartaz dos ODS e um mapa de Portugal – que registam as ações de sensibilização realizadas em torno dos ODS, cada uma delas feita a partir de materiais reutilizados: lixo recolhido na praia e trapos, alertando para a necessidade de salvaguardar o futuro ao planeta. 

Esta exposição é uma das iniciativas do Compromisso 2030 do CNE, um programa criado em 2018 que visa promover a prossecução da Agenda 2030 das Nações Unidas e que já chegou a milhares de escuteiros. O Compromisso 2030 tem quatro eixos de ação: mobilizar e sensibilizar crianças e jovens para a importância dos ODS e dos desafios que o planeta atravessa; agir em prol de um futuro sustentável, reforçar e criar parcerias em torno do desenvolvimento sustentável e garantir políticas mais sustentáveis a nível local, regional, nacional e internacional, desde os agrupamentos aos decisores políticos.

Um em cada três alunos em todo o mundo foi vítima de bullying 

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, um em cada três alunos em todo o mundo foi vítima de bullying, com consequências arrasadoras no desempenho escolar, na saúde física e mental. 

Pra chamar atenção para este problema e buscar soluções, a agência das Nações Unidas criou o Dia Internacional contra a Violência e o Bullying na Escola, que é celebrado pela primeira vez este 5 de novembro. 

Nas Honduras, menino que perdeu amigo para suicídio, Unicef/Adriana Zehbrauskas

Impacto 

Segundo a Unesco, a violência escolar seja ela física ou verbal,  priva milhões de jovens do direito fundamental à educação. Uma das formas mais comuns deste tipo de agressão é o bullying.   

De acordo com a Unesco, todas as crianças podem ser vítimas de bullying, mas evidências mostram que as crianças que são percebidas como “diferentes” de alguma forma correm mais risco.   

O psicólogo clínico Nuno Henriques, baseado em Lisboa, Portugal, falou sobre as dificuldades que alguns alunos estrangeiros podem enfrentar. 

“Sinto que pode existir, fundamentalmente, quando há diferença de língua. Migrantes dos Palop, não tem praticamente nenhum tipo de dificuldade, a maioria deles ate são muito bem recebidos e integrados. Já se vierem de outros países que tenham uma língua muito diferente e não dominarem o inglês, ai acrescente algum problema. Mas, inevitavelmente, o problema que pode balancear isto é o estatuto ou condições socioeconômicas desses migrantes.” 

Pandemia

O bullying digital permite gravar as conversas, gravar as mensagens, fazer coisas horríveis

O fechamento das escolas devido à pandemia de Covid-19 levou os alunos a ficarem mais o tempo na frente do computador, aumentando a exposição ao cyberbullying, uma forma de bullying psicológico ou assédio que acontece online.  

“O bullying digital permite gravar as conversas, gravar as mensagens, fazer coisas horríveis que, para todos os efeitos, são provas de uma fragilidade de uma das pessoas, quase sempre a vítima e que depois é alavancado e utilizado pelos opressores para terem domínio sobre ela.” 

Aquelas que sofrem bullying com frequência têm maior probabilidade de se sentirem estranhas na escola e de quererem abandonar os estudos. Elas também têm desempenho acadêmico mais baixo.  

O bullying também está associado a taxas mais altas de sentimento de solidão e suicídio, uso de tabaco, álcool e drogas.  

Em situações extremas, o cyberbullying pode levar ao suicídio, Unicef /Anush Babajanyan VII Photo

Eventos 

Junto com o Ministério da Educação, Juventude e Esportes da França, a Unesco realiza uma conferência internacional para criar um impulso global para acabar com o bullying nas escolas, aumentando a conscientização, trocando as melhores práticas e mobilizando governos, especialistas e a comunidade educacional. 

O evento incluirá mesas-redondas com ministros, especialistas e representantes da comunidade educacional. Também contará com depoimentos e uma série de recomendações de especialistas especializados no combate ao bullying. 

ONU: preparativos para eleições na República Centro-Africana estão adiantados 

Uma delegação da ONU, da União Africana e da Comunidade Económica dos Estados da África Central, Ceeac, esteve na República Centro-Africana, RCA, para avaliar os preparativos para as eleições presidenciais e legislativas de 27 de dezembro.  

Em declarações a jornalistas, o subsecretário-geral das Operações de Paz, Jean-Pierre Lacroix, disse que “os preparativos estão adiantados.” 

Jean-Pierre Lacroix e Smail Chergui no aeroporto de Bangui, Minusca/Charles Bambara

Confiança 

Segundo Lacroix, “os eleitores foram registrados em condições muito melhores do que na última eleição, com técnicas sofisticadas e meios para conferir e reavaliar quem está nas listas e quem não está.” 

O chefe das Operações de Paz disse que está “confiante de que o processo pode ser concluído.” 

Para Lacroix, “é essencial” que os cidadãos possam votar. Ele afirmou que “quanto mais forte for a participação, mais o processo terá marcado o alicerce da democracia na RCA e o apego do povo centro-africano ao processo democrático.” 

Já o presidente da Comissão da Ceeac, o embaixador angolano Gilberto da Piedade Veríssimo, disse à ONU News* que “o desejo é que realmente se realizem as eleições”, que são vistas “como o único caminho para que a paz possa voltar a este país.” 

“Foram muitos avanços. O processo de desarmamento está a desenvolver-se, estão registrados cerca de 2 milhões, um pouco mais de 1,8 milhão, de eleitores, quase o mesmo que em 2015, e, portanto, há um avanço. Há um avanço significativo. Há aspetos a resolver, mas está-se no bom caminho.” 

Quanto mais forte for a participação, mais o processo terá marcado o alicerce da democracia na RCA e o apego do povo centro-africano ao processo democrático

Piedade Veríssimo também destacou a importância da estabilidade neste país para os vizinhos. Segundo ele, na RCA “julga-se a questão da paz e segurança na região.”  

“Há um estado de guerra, podemos dizer. Começa a haver intervenções de pessoas que não são nem da região nem da RCA. Começamos a sentir algum efeito de atividade terrorista na região. A RCA pode ser uma porta de entrada para o terrorismo na região. Então viemos aqui com as Nações Unidas, com a União Africana, porque somos o garante do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional entre o governo e 14 grupos armados.” 

Durante a visita, os delegados tiveram encontros com o presidente da República e presidente da Assembleia Nacional, o primeiro-ministro e o governo. 

A delegação também se reuniu com partidos políticos, sociedade civil, plataformas religiosas, mulheres líderes e diplomatas. 

Paz 

A RCA tem sofrido com episódios de violência desde 2012. 

Boinas-azuis patrulham nordeste da República Centro-Africana, Foto ONU/Herve Serefio

Combates entre a maioria cristã da milícia anti-Balaka e a coligação rebelde, sobretudo muçulmana, causaram a morte de milhares de pessoas e deixaram dois em cada três civis dependentes da ajuda humanitária. 

Em 2013, grupos armados tomaram a capital e o então presidente François Bozizé foi forçado a fugir. Após um breve período de redução da violência em 2015 e eleições realizadas em 2016, os combates intensificaram novamente no final de 2019. 

Em 6 de fevereiro deste ano, foi assinado o Acordo Político para Paz e Reconciliação entre o governo e 14 grupos armados não-estatais. O tratado permitiu o estabelecimento de um governo no país no final de março. 

As conversações de paz foram conduzidas pela União Africana com o apoio da ONU. 

Há mais de três anos que Portugal contribui com uma força de reação rápida para a Missão da ONU no país, Minusca. Nesse momento, cerca de 180 militares portugueses estão destacados nessa missão.  

*Reportagem da Missão da ONU na República Centro-Africana, Minusca. 

Guterres condena ataques em Viena que causaram pelo menos dois mortos 

De acordo com agências de notícias, homens armados abriram fogo na noite de segunda-feira; pelo menos 14 feridos estão em hospitais, alguns graves; secretário-geral e alto representante para a Aliança das Civilizações afirmam solidariedade das Nações Unidas.

Boina-azul no Sudão do Sul ganha Prêmio da ONU para Policial Mulher

A boina-azul Doreen Malambo, da Zâmbia, é a vencedora do Prêmio da ONU para Mulher Policial do Ano.

A anúncio ocorre às vésperas da Semana da Polícia, marcada pelas Nações Unidas a partir deste 2 de novembro.  Apenas 10% dos profissionais atuando nas forças policiais da ONU são mulheres.

Unmiss

Malambo trabalha na Missão da ONU no Sudão do Sul, Unmiss, com políticas proteção de meninas e mulheres, crianças e pessoas com deficiência.

Experiência

Malambo trabalha na Missão da ONU no Sudão do Sul, Unmiss, com políticas proteção de meninas e mulheres, crianças e pessoas com deficiência. Ela tem 24 anos de experiência como policial na Zâmbia, onde alcançou o posto de inspetora-chefe.

A policial chegou à Missão em 2019 atuando com a comunidade local para combater e prevenir a criminalidade.

Como boina-azul já trabalhou na Libéria investigando violência doméstica e sexual. Ao chegar ao Sudão do Sul, Malambo buscou obter o apoio dos homens nas comunidades para evitar a violência de gênero.

Com isso, fundou um grupo liderado por policiais homens para levar informação sobre os direitos de meninas e mulheres. Ela também ajudou outros militares a estabelecer redes femininas pelo país africano.

Unmiss

Malambo chegou à Missão em 2019 atuando com a comunidade local para combater e prevenir a criminalidade.

Mensagem forte

A inspetora-chefe afirma que se sente motivada de poder ajudar as mulheres a fazerem a diferença em sua participação na sociedade.

Ela receberá o Prêmio do chefe do Departamento de Operações de Paz, Jean-Pierre Lacroix, na terça-feira, 3 de novembro, numa cerimônia virtual. Em comunicado, Lacroix afirmou que Doreen Malambo incorpora o melhor que existe no policiamento da ONU através de suas ideias e ações. 

Momento crucial

Para ele, o trabalho da boina-azul representa uma mensagem forte de proteção e empoderamento de outros ainda mais crucial num momento de pandemia.

O Prêmio da ONU Mulher Policial da Ano foi criado em 2011. 

Este ano, a edição tem um significado especial por ser também o aniversário de 20 anos da histórica resolução 1325 do Conselho de Segurança sobre Mulheres, Paz e Segurança e os 60 anos do primeiro envio da Polícia da ONU à operação no Congo.

Atualmente, cerca de 11 mil policiais, 1,3 mil deles mulheres, estão atuando em 16 missões das Nações Unidas pelo mundo.

ONU adverte para possibilidade de crimes de guerra em Nagorno-Karabakh 

Em comunicado, alta comissária de direitos humanos, Michelle Bachelet, se disse alarmada com ataques contra áreas densamente povoadas; conflito reacendeu em setembro após tensão entre Armênia e Azerbaijão. 

ONU diz que 90% dos assassinatos de jornalistas, desde 2006, não forma punidos 

As Nações Unidas marcam neste 2 de novembro o Dia Internacional sobre o Fim da Impunidade para Crimes contra Jornalistas. Em todo o mundo, eventos virtuais e presenciais assinalam a data com a participação dos profissionais do setor. 

Segundo a ONU, 1,2 mil jornalistas foram assassinados por divulgar notícias e levar informações ao público entre 2006 e 2019. Nos últimos 14 anos, 90% dos casos ficaram impunes.  

Proteja jornalistas

No ambiente online, o assédio e outros atos prejudiciais são cada vez mais prevalentes. , by ONU/Rick Bajornas

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura , Unesco, lançou a publicação Proteja jornalistas, proteja a verdade: um folheto para o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade para Crimes contra Jornalistas. O estudo alerta que 156 profissionais do setor foram mortos em todo o mundo entre 2018 e 2019.  

A agência realça ainda que na última década um jornalista foi assassinado, em média, a cada quatro dias. O ano de 2019 mostra o número mais baixo do período analisado com 57 vítimas fatais. 

O estudo alerta, no entanto, que continuam prevalecendo os crimes contra jornalistas apesar de este ano ter havido “uma ligeira redução na taxa de impunidade, com um percentual de 13% dos casos relatados que foram resolvidos em todo o mundo”. Em 2019, o índice foi de 12%, mais um ponto percentual que no ano anterior. 

O estudo realça ainda que em 2019, o maior número de ataques fatais ocorreu na região da América Latina e Caribe, com 40% do total de assassinatos registrados em todo o mundo. A seguir esteve a região da Ásia e do Pacífico com 26% mortes.  

Sistemas judiciais  

A impunidade revela frequentemente “um sintoma de agravamento do conflito, do colapso da lei e dos sistemas judiciais”. 

Pelo menos 131 casos de assassinatos de jornalistas foram elucidados desde 2006., by Artículo 66

Para o secretário-geral, quando os jornalistas são atacados, as sociedades como um todo pagam o preço. António Guterres diz que sem proteção dos profissionais, “a capacidade de manter as pessoas informadas e contribuir para a tomada de decisões é severamente prejudicada”.  

Para o chefe da ONU, sem jornalistas capazes de fazer seu trabalho com segurança, o mundo mergulha em confusão e desinformação. 

A data foi proclamada pela Assembleia Geral em resolução apelando os países a implementar medidas definitivas contra a atual cultura de impunidade. A data foi criada um ano após o assassinato de dois jornalistas franceses no Mali, em 2 de novembro de 2013. 

Violência  

Esta resolução condena “todos os ataques e violência a jornalistas e trabalhadores da mídia” e exorta os Estados-membros a fazerem o possível para prevenir a violência a jornalistas e trabalhadores dos meios de comunicação. 

Uma das exigências é garantir a prestação de contas, levar à justiça os autores de crimes contra os profissionais de comunicação e garantir que as vítimas tenham acesso aos recursos adequados.  

Imagem do local onde embaixadores falam a jornalistas fora do Conselho de Segurança, by Foto ONU/Ryan Brown

O documento também apela aos Estados a promover um ambiente seguro e favorável para os jornalistas “realizem seu trabalho de forma independente e sem interferência indevida”. 

Dados das Nações Unidas apontam que 495 jornalistas foram mortos entre 2014 e 2018, um aumento de 18% em relação aos cinco anos anteriores. 

Prisão e tortura 

Pelo menos 131 casos de assassinatos de jornalistas foram elucidados desde 2006, representando uma taxa geral de impunidade de 88%. Além dos ataques fatais, estes profissionais sofreram outras violações, como ataques físicos, sequestros, desaparecimento forçado, prisão e tortura. 

No ambiente online, o assédio e outros atos prejudiciais são cada vez mais prevalentes e particularmente graves para as jornalistas. 

Pelas estatísticas da organização, a Síria é o país mais perigoso para jornalistas, seguida pelo México e Afeganistão. A região dos Estados Árabes, da América Latina e Caribe e da Ásia e Pacífico ocorrem mais de 75% dos assassinatos. 

Foto ONU/Laura Jarriel

Jornalistas cobrem debate da Assembleia Geral

Acnur apoia envio de seis atletas refugiados para Jogos Paralímpicos em Tóquio 

As Olimpíadas Paralímpicas de Tóquio contarão com uma delegação de atletas refugiados. A iniciativa é resultado de uma cooperação do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur e do Comitê Paralímpico Internacional.   

O envio de atletas refugiados aos Jogos Olímpicos ocorreu durante os Jogos no Rio de Janeiro em 2016. A delegação paralímpica de refugiados ainda não anunciou os nomes, mas pretende enviar até seis atletas para o evento no Japão.   

Competição   

Segundo o Acnur, o grupo será liderado pela ex-refugiada e atleta paralímpica, Ileana Rodriguez, que participou dos Jogos em Londres, em 2012.   

Acnur/Benjamin Loyseau

Durante uma aula de judô, criança brasileira posa para foto com Yolande Mabika, refugiada congolesa que se tornou atleta olímpica e competiu nas Olimpíadas do Rio em 2016.

O objetivo é enviar uma mensagem de esperança a cerca de 80 milhões de pessoas obrigadas a abandonar suas casas em todo o mundo.    

O Comitê Paralímpico Internacional informou que o envio dos atletas contará com apoio financeiro para as etapas de qualificação, preparação para a competição, acompanhamento devido às limitações de treinos impostas pela Covid-19 sobre os atletas refugiados.   

Além disso, o Comitê quer apoiar a formação de um legado ao ajudar os atletas paralímpicos a competir em outros eventos até o final de 2021.   

Federações   

Para competir na equipe paralímpica, os atletas terão que confirmar o status de refugiado com base nas leis nacional e internacional.    

Os atletas deverão ser submetidos pelo Comitê Paralímpico e pelas respectivas federações internacionais.  Até o momento, ninguém foi selecionado para os Jogos Paralímpicos 2020. 

Dentre os parceiros que já ofereceram apoio estão as empresas Airbnb e Panasonic.   

O Acnur lembra que as pessoas refugiadas com deficiência correm riscos maiores e enfrentam barreiras ao acessar serviços, oportunidades e assistência.   

A chefe da delegação, que nasceu em Cuba e cresceu nos Estados Unidos, afirmou ser uma honra liderar a equipe e representar o legado do médico Ludwig Guttmann, que criou o movimento paralímpico após ele mesmo se tornar refugiado pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial quando conseguiu escapar do nazismo.  

Banco Mundial/Antony Tran

Até o momento, ninguém foi selecionado para os Jogos Paralímpicos 2020.

Unicef divulga guia sobre as futuras vacinas contra a pandemia; saiba o que fazer 

A vacina contra a Covid-19 será uma ferramenta vital para ajudar a controlar a pandemia, se combinada a testes eficazes e às medidas de prevenção em curso. Especialistas em todo o mundo estão trabalhando, arduamente, para acelerar o desenvolvimento e a fabricação de uma vacina segura e eficaz. 

A ameaça desta pandemia às crianças é enorme e vai muito além dos efeitos físicos imediatos da doença. Com a continuação das restrições, dos bloqueios ou com a nova imposição dessas medidas, o acesso das crianças aos serviços essenciais de saúde fica gravemente afetado.  

Geração 

As reduções nos exames de rotina e os efeitos de uma iminente recessão ameaçam a saúde e o futuro de toda uma geração. Acompanhe a seguir as respostas para as perguntas mais frequentes feitas pelos pais sobre uma possível vacina contra a Covid-19. 

Unsplash

Pesquisas para desenvolver uma vacina contra o coronavírus estão em andamento

 

Quando uma vacina contra a Covid-19 estará pronta? 

O desenvolvimento de uma vacina segura e eficaz leva tempo. Existem atualmente mais de 200 candidatas a vacinas em andamento, muitas delas ainda em testes clínicos. Várias estão na Fase 3 dos ensaios, que é a última etapa antes da aprovação de uma vacina. Devido aos cronogramas acelerados com os quais se trabalha em nível global, a expectativa é que algumas vacinas sejam aprovadas para uso já em 2021. 

Mas é importante lembrar que ainda é longa a jornada desde o desenvolvimento de uma vacina até o licenciamento do produto, posterior produção em série e uso amplo. Logo que uma vacina tiver a aprovação necessária, será essencial que ela seja disponibilizada, de maneira oportuna e equitativa, para alcançar aos que mais precisam. É aí que entram em ação o Unicef e seus parceiros. 

A agência da ONU se fará valer da experiência única como o maior comprador individual de doses de vacinas do mundo, colaborando com o Fundo Rotativo da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, e a Iniciativa Covax dedicada à aceleração e à alocação global de recursos contra o novo coronavírus. Esta pode se tornar a maior e mais rápida aquisição e fornecimento de vacinas do mundo. 

Como está sendo desenvolvida a futura vacina contra a Covid-19? 

As vacinas atuam imitando um agente infeccioso, seja ele um vírus, uma bactéria ou um outro micro-organismo causador de doenças. Essa reação “ensina” o sistema imunológico a responder de forma rápida e eficaz à ação desse agente. 

Tradicionalmente, as vacinas provocam essa ação ao introduzir uma forma enfraquecida de um agente infeccioso que permite ao sistema imunológico estabelecer uma memória dessa atividade. Dessa forma, o sistema imunológico pode rapidamente reconhecer e combater esse agente antes de ele provocar a doença. É assim que algumas vacinas candidatas contra a Covid-19 atuais estão sendo projetadas. 

Outras vacinas potenciais em desenvolvimento também usam novas abordagens: as chamadas vacinas de RNA e DNA. Em vez de introduzir antígenos, uma substância que faz com que o sistema imunológico produza anticorpos, as vacinas de RNA e DNA fornecem ao corpo o código genético necessário para permitir que o próprio sistema imunológico produza o antígeno.  

Unrwa/Khalil Adwan

Distribuíção de vacinas será fundamental no combate à pandemia

 

Uma potencial vacina contra o coronavírus será segura? 

Cada país tem órgãos reguladores que supervisionam a segurança e eficácia das vacinas antes de serem usadas amplamente. Em nível global, a Organização Mundial da Saúde, OMS, coordena diversos órgãos técnicos independentes que analisam a segurança das vacinas antes e mesmo depois de terem sido introduzidas. A agência aprova vacinas que tenham passado por rigorosos testes e ensaios clínicos para atestar que são seguras e eficazes no controle de doenças. Mesmo com as vacinas contra a Covid-19 sendo desenvolvidas de forma acelerada, elas só podem receber as aprovações regulamentares necessárias se atenderem aos rígidos padrões de segurança e eficácia. 

O Unicef prioriza a segurança das crianças e de suas famílias. Desse processo também faz parte a aplicação de uma vacina segura. 

O que é a Covax? 

O Acelerador de Acesso às Ferramentas da Covid-19, ACT, é uma colaboração global para acelerar o desenvolvimento, a produção e o acesso equitativo aos testes, tratamentos e vacinas contra a Covid-19. A Iniciativa Covax é o pilar de vacinas do Acelerador ACT, visando acelerar o desenvolvimento e a fabricação de vacinas contra a Covid-19. Outra meta é garantir o acesso justo e equitativo para todos os países do mundo. 

O papel da Iniciativa Covax  é monitorar de forma contínua o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19 para identificar as mais adequadas candidatas à vacina. Esta iniciativa atua junto de fabricantes para incentivá-los a expandir sua capacidade de produção antes que as vacinas recebam a aprovação regulamentar. 

Essas ações estão ocorrendo porque, normalmente, os fabricantes são relutantes em fazer os investimentos significativos para aumentar as instalações de fabricação de vacinas até que recebam a aprovação para uma vacina. Mas, no contexto da atual pandemia, esse processo levaria a atrasos e à escassez de vacinas logo que estas fossem licenciadas. 

Universidade de Oxford/John Cairns

Cientistas em todo o mundo continuam trabalhando em vacina.

 

Quando uma vacina contra a Covid-19 estará disponível em meu país? 

Uma vez que qualquer uma das atuais candidatas à vacina contra a Covid-19 tenham obtido sucesso nos ensaios clínicos, provada sua segurança e eficácia e recebam a aprovação regulatória, as doses disponíveis serão alocadas a todos os países participantes da Iniciativa Covax usando uma fórmula de alocação padronizada, de forma proporcional ao tamanho total da população. 

Com a enorme demanda global, nem todos os países serão capazes de receber a vacina ao mesmo tempo. Estima-se que levem meses ou até anos para se criar as doses de vacina suficientes para todo no mundo. 

A prioridade será vacinar os trabalhadores da saúde para limitar o impacto da Covid-19 no funcionamento dos sistemas sociais e de saúde.  

O lote seguinte da futura vacina permitirá que os países participantes imunizem grupos de alto risco, incluindo idosos e pessoas com maior risco de contrair doenças graves e morte após serem infectadas pela Covid-19. Os números para cada etapa variam de acordo com o país.  

Quem terá acesso à vacina contra o coronavírus? 

A meta da Covax é colocar 2 bilhões de doses da vacina ao dispor até o final de 2021. Essas doses devem bastar para proteger os trabalhadores de saúde e de assistência social, bem como pessoas em maior risco de contrair doenças graves ou morrer. Apesar dessa conquista ser considerada significativa, ainda é provável que as doses não sejam suficientes para uso mais generalizado. Por isso, será importante continuar tomando outras precauções para proteção em nível individual, familiar ou comunitário, incluindo a prática de distanciamento físico, lavagem regular das mãos e uso de máscaras. 

University of Oxford/John Cairns

Cientistas fazem testes em amostras no Instituto Jenner, da Universidade de Oxford, durante desenvolvimento de uma vacina contra o novo coronavírus.

 

Poderão as crianças tomar a vacina contra a Covid-19? 

De acordo com o plano da Iniciativa Covax, as doses iniciais das futuras vacinas enviadas aos países serão administradas a profissionais de saúde, assistentes sociais e pessoas com alto risco de contrair doenças graves causadas pelo vírus. Entre elas: idosos ou pessoas com doenças preexistentes, e provavelmente não serão administradas para crianças. Esses grupos populacionais foram priorizados para ajudar a reduzir a morbidade pela Covid-19 e para ajudar a proteger os sistemas de saúde que atendem a todos os pacientes. A orientação e a disponibilidade podem ser atualizadas à medida que se aprender mais, por isso se recomenda verificar fontes confiáveis, como a OMS, bem como o Ministério da Saúde de seu país. 

É importante, no entanto, se certificar que a criança continue recebendo a vacinação de rotina para essa etapa.  

Como proteger a família até que uma vacina contra a Covid-19 esteja pronta? 

Siga a lista de cuidados a tomar com a família para ajudar a evitar uma infecção: 

  • Lavar as mãos com frequência usando água e sabão ou um álcool em gel  
  • Manter pelo menos um metro de distância de outra pessoa 
  • Procurar atendimento médico o quanto antes em caso de febre, tosse, dificuldade para respirar ou outros sintomas da Covid-19 
  • Evitar locais lotados, espaços confinados e fechados com pouca ventilação e tentar praticar o distanciamento físico em público 
  • Usar máscaras de tecido em locais públicos onde haja transmissão comunitária e onde o distanciamento físico não seja possível. Lavar a máscara com água e sabão com frequência. 
  • Manter todos os espaços internos bem ventilados. 

*Adaptado do Unicef. 

Unicef/Ahed Izhiman

Enfermeira prepara uma vacina em centro hospitalar de Ramallah, Territórios Palestinos.

Enfermeira prepara uma vacina em centro hospitalar de Ramallah, Territórios Palestinos., by Unicef/Ahed Izhiman

FAO: África tem potencial para vencer batalha contra a pobreza e fome

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, apontou o potencial da África como forma de vencer a batalha contra a pobreza e fome. Qu Dongyou falava na abertura da reunião ministerial da 31ª Sessão da Conferencia Regional da África.

FAO/Giuseppe Carotenuto

Diretor-geral da FAO, Qu Dongyu

Prioridades

A videoconferência, realizada pelo Governo do Zimbabué, em parceria com a FAO, juntou 95 responsáveis ministeriais de 48 nações, países observadores e entidades doadoras, entre outras. A maior reunião da FAO na África decorreu num momento de fome crescente no continente. As razões seriam as mudanças climáticas, conflitos e consequências da Covid-19 .

As oportunidades que perfilam no horizonte dão à FAO esperança. Qu Dongyu disse que “a Africa, sua principal prioridade, é o continente do potencial inexplorado. “O desenvolvimento rural e agrícola são as chaves para se vencer a luta contra a pobreza e fome no continente”.

Ele realçou as oportunidades para transformar o sistema agroalimentar africano, destacando novos empregos, decorrentes do mercado alimentar em crescimento, classe media urbana, e a rápida adoção das tecnologias digitais em particular pelos jovens. 

FAO/Luis Tato

Mulheres que pertencem a cooperativa de agricultores, no Quênia, apanham feijão

Quatro Melhores

O chefe da FAO mencionou a agenda de ação transformativa para construir uma organização ágil, dinâmica e inclusiva que permita aos membros alcançarem o que designou de quatro melhores: produção, nutrição, ambiente e vida. Como parte da solução, Dongyu defendeu a igualdade do género ao afirmar que deve-se consentir iguais oportunidades e direitos as mulheres rurais”.

Parcerias como a da Ação Global para o Controle da Lagarta de cereais podem reverter o quadro dos desafios existentes, garantir uma abordagem coordenada e robusta ao nível local, regional e global e desenvolver mecanismos de controle dos gafanhotos do deserto.

O diretor-geralreconheceu a liderança africana por ter priorizado a agenda do desenvolvimento agrícola, através do Programa Abrangente de Desenvolvimento da Agricultura em África, e a Declaração Malabo 2014 sobre a Transformação Agrícola. 

Pnud/Slingshot

Painéis solares no Hospital Rural de Bulawayo, no Zimbabwe.

Eixos digitais

O chefe da Agência elogiou a contribuição dos membros no Fundo Fiduciário de solidariedade da África, e convidou as delegações a designarem os locais que vão concorrer para o novo Projeto da FAO, mil aldeias digitais. A iniciativa pretende converter povoações ou cidades em eixos digitais.

Acredita-se que a ligação digital e o turismo rural possam impulsionar o aumento da resiliência e diversificar o rendimento dos agricultores.

Qu Dongyu convidou ainda as delegações a apresentarem contribuições para enriquecer o Novo Quadro Estratégico da FAO e expectativas da Cimeira dos Sistemas Alimentares da ONU 2021. Referiu as prioridades nacionais para a transformação dos sistemas agroalimentares e defendeu um compromisso político robusto como forma de se alcançar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável 2 e 1.

Efeitos Secundários

A FAO vem ajudando os governos na execução de análises dos potenciais impactos secundários da Covid-19 nos sistemas de alimentação, mercados e agricultura. Segundo a Agência, os esforços beneficiaram 12 milhões de pessoas graças ao Programa de Recuperação e Resposta à Covid-19.

O Programa permite a FAO desenvolver ações para fazer face a pandemia de uma forma holística e compreensiva. A finalidade é mitigar os impactos imediatos e fortalecer a resiliência, a longo prazo, dos sistemas de alimentação e sustento. Está alinhado a abordagem da ONU: construir para transformar, e ligado a iniciativa da FAO, de Mãos Dadas.

Na África de Leste, a abordagem de ação antecipatória permitiu governos nacionais em colaboração com a FAO e parceiros, arrecadar mais de US$ 580 milhões em colheitas. O montante é suficiente para cobrir as necessidades anuais em cereais para 13 milhões de pessoas.