Site Página 158

Secretário-geral da ONU sobre o Dia Mundial da Estatística

Em 2020, a ONU celebra o Dia Mundial da Estatística num contexto global de crise de saúde pública. Neste quadro, a importância do recurso a informação actual, fidedigna e oportuna afirma-se com particular relevância.

Veja, na íntegra, a mensagem de António Guterres, secretário-geral da ONU.

Chefe da ONU felicita Bolívia por eleições “participativas e pacíficas” 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, felicitou nesta segunda-feira o povo boliviano pela realização de “eleições altamente participativas e pacíficas.” 

Cidadãos do país da América do Sul foram às urnas neste 18 de outubro para escolher seu próximo presidente, vice-presidente e mais 166 deputados. O processo foi adiado duas vezes devido ao coronavírus.  

Guterres pede compromisso com a democracia, ONU News

Democracia 

Uma crise após o pleito realizado em outubro de 2019 levou à renúncia e ao exílio do presidente Evo Morales, que governou o país desde 2006. 

Em nota emitida por seu porta-voz, o chefe das Nações Unidas “encoraja todos os líderes políticos e sociais a trabalharem juntos com o mesmo compromisso com a democracia, o respeito pelos direitos humanos e a reconciliação nacional.” 

Para António Guterres, essas condições são necessárias “para enfrentar os atuais desafios políticos, econômicos, sociais e de saúde.” 

Segundo agências de notícias, os resultados preliminares apontam uma vitória do ex-ministro Luis Arce, candidato do partido do ex-presidente Evo Morales, o Movimiento al Socialismo, MAS. 

Nagorno-Karabakh: ONU reitera que é preciso poupar e proteger civis de operações militares

O secretário-geral das Nações Unidas emitiu uma nota condenando todos os ataques a áreas povoadas afetadas pelo conflito envolvendo a Armênia e o Azerbaijão em Nagorno-Karabakh. 

António Guterres deplora a perda de vidas de civis, incluindo de crianças, em nota emitida pelo porta-voz.  O chefe da ONU considera “totalmente inaceitável” o último ataque registrado entre sexta-feira e sábado na cidade de Ganja, assim como atos indiscriminados em áreas povoadas de localidades como Stepanakert/ Khankendi situadas dentro e ao redor da zona de conflito.

Combates

Guterres lamenta profundamente que as partes tenham continuamente ignorado os repetidos apelos da comunidade internacional pedindo o fim imediato dos combates. 

Número de crianças e famílias com traumas psicológicos extremos e sofrimento causados nas últimas semanas é incontável.

Em telefonemas aos ministros das Relações Exteriores da Armênia e do Azerbaijão, o chefe da ONU disse ter reiterado que é obrigação de ambos os lados, de acordo com o Direito Internacional Humanitário, “tomar cuidado constante” para poupar e proteger as populações e a infraestrutura civil em  operações militares. 

Com o início da nova trégua humanitária deste domingo, Guterres espera que os envolvidos “cumpram o compromisso em pleno e retomem negociações substanciais sem demora” sob os auspícios dos copresidentes do Grupo de Minsk da Osce.
Ainda este fim de semana, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, disse que para as crianças é “terrível e inaceitável” o peso do conflito dentro e fora de Nagorno-Karabakh.

Para a agência, além do número crescente de mortes e feridos menores existem dezenas de casas e escolas danificadas ou destruídas. O número de crianças e famílias com traumas psicológicos extremos e sofrimento causados das últimas semanas é incontável. 

Interesse

O Unicef lançou um apelo “nos termos mais fortes possíveis” para que as partes implementem de imediato o cessar-fogo humanitário de 9 de outubro. 

A nota aponta ainda que crianças, famílias e instalações civis de que dependem devem ser protegidos como ditam leis de direitos humanos internacionais e o direito humanitário. A agência destaca ainda que o fim dos confrontos é do interesse de todas as crianças.

Em Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, ONU ressalta haver “dupla crise”  

As Nações Unidas apontam a pandemia como uma “dupla crise” para os mais pobres do mundo, em mensagem marcando o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. O tema “Agindo juntos para alcançar justiça social e ambiental para todos” foi escolhido para o 17 de outubro deste ano.  

A organização ressalta que o mundo reconhece, de uma forma crescente, que a pobreza tem vários níveis e as duas questões estão interligadas.  

Ajuda  

Para a ONU é impossível que seja alcançada a justiça social plena sem que, ao mesmo tempo, sejam corrigidas as injustiças ambientais de forma vigorosa. 

Foto: Unicef/Roger LeMoyne

Cerca de 736 milhões de pessoas viviam abaixo da linha de pobreza de US$ 1,90 por dia.

Em mensagem de vídeo, o secretário-geral destaca que em momento de pandemia é preciso fortalecer a ajuda aos mais necessitados. 

Para António Guterres, primeiro, eles correm um maior risco de exposição ao vírus e têm menos acesso a cuidados de saúde de qualidade. Em segundo lugar, o chefe da ONU lembra estimativas recentes, mostrando que a Covid-19 pode levar 115 milhões de pessoas à pobreza este ano, sendo o primeiro aumento em décadas.  

O secretário-geral ressaltou que as mulheres correm um maior risco porque têm maior probabilidade de perder os seus empregos e menos possibilidade de ter proteção social. 

Economia informal 

Unicef Angola/2016/Simancas

Covid-19 pode levar 115 milhões de pessoas à pobreza este ano.

O líder das Nações Unidas realça que “diante de tempos extraordinários, é preciso realizar esforços extraordinários para combater a pobreza”. 

Guterres aponta ainda que “a pandemia exige uma forte ação coletiva”. O apelo feito aos governos é que “acelerem a transformação econômica, investindo numa recuperação verde e sustentável”. 

Entre as principais necessidades para o momento atual, o chefe da ONU destaca “uma nova geração de programas de proteção social, que também alcancem as pessoas que trabalham na economia informal.” 

Covid-19

O representante fez um apelo em favor da união internacional como sendo “a única maneira de se sair com segurança da pandemia”. Ele realçou que as pessoas carenciadas também precisam de ajuda depois da Covid-19. 

Rocío Franco

Pessoas sem abrigo no Paraguai.

A  celebração do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza foi proclamada pela Assembleia Geral em 1992. Nesta data, o padre francês Joseph Wresinski fez uma Chamada à Ação que inspirou a ONU a consagrar a data. 

De acordo com as Nações Unidas, o mundo tem 736 milhões de pessoas vivendo abaixo do limiar internacional da pobreza de US$ 1,90 por dia.  

Ásia e África

Em 2018, quase 8% dos trabalhadores e suas famílias viviam com menos desse limite. A maioria estava concentrada ao sul da Ásia e África Subsaariana.  

A ONU realça que as mais altas taxas de pobreza são geralmente encontradas em países pequenos, frágeis e afetados por conflitos.  

A organização destaca ainda o fato de cerca de 55% da população mundial não ter qualquer benefício monetário do sistema de proteção social.  


Remdesivir e interferon têm pouco ou nenhum efeito para prevenir morte por Covid-19 

Resultados provisórios de um estudo da Organização Mundial da Saúde, OMS, mostram que os medicamentos remdesivir e interferon têm pouco ou nenhum efeito na prevenção da morte por Covid-19 ou na redução do tempo no hospital. 

A iniciativa da OMS, conhecida como Ensaio Solidariedade, é o maior estudo clínico do mundo sobre tratamentos contra o novo coronavírus, envolvendo quase 13 mil pacientes em 500 hospitais em 30 países. 

Laboratório em Damasco, na Síria, onde testes à Covid-19 são realizados, Unicef Síria

Resultados  

A agência revelou que os resultados completos serão publicados em breve em uma revista científica. 

Em junho, a OMS já tinha interrompido os estudos sobre hidroxicloroquina. No mês seguinte, anunciou que não aceitaria mais pacientes para receber a combinação de lopinavir e ritonavir. 

O Ensaio Solidariedade continua recrutando cerca de 2 mil pacientes por mês e irá avaliar outros tratamentos, incluindo anticorpos monoclonais e novos antivirais. 

Por enquanto, o corticosteroide dexametasona é o único terapêutico que se mostra eficaz contra a Covid-19, para pacientes graves. 

Esforços 

Falando aos jornalistas, em Genebra, diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que a agência “acolhe todos os esforços para expandir o acesso aos testes, tratamentos e vacinas.” 

Tedros destacou a recente proposta da África do Sul e da Índia à Organização Mundial do Comércio, OMC, de renunciar às patentes de produtos médicos para o vírus até o fim da pandemia. 

De acordo com a OMS, a vacina para a gripe sazonal é segura e eficaz, Opas/OMS/Jane Dempster

À medida que o inverno do Hemisfério Norte se aproxima, os casos estão aumentando globalmente, especialmente na Europa. Na semana passada, as notificações na Europa foram quase três vezes maiores do que durante o primeiro pico em março. 

Tedros disse que os países estão ampliando as medidas de contenção do vírus, mas contou que “muitas pessoas estão compreensivelmente cansadas da interrupção que a pandemia está causando em suas vidas e meios de subsistência.” 

Embora o número de mortes ocorridas na Europa na semana passada seja muito menor do que em março, as hospitalizações aumentam e muitas cidades relatam que atingirão o limite de leitos de cuidados intensivos nas próximas semanas. 

O chefe da OMS afirmou que “cada leito hospitalar ocupado por um paciente com Covid-19 é um leito indisponível para outra pessoa com outra condição ou doença, como a gripe.” 

Gripe 

Todos os anos, ocorrem até 3,5 milhões de casos graves de influenza sazonal, conhecida como gripe, em todo o mundo. No mesmo período são registradas até 650 mil mortes relacionadas a doenças do sistema respiratório. 

Durante o inverno deste ano do Hemisfério Sul, o número de casos e mortes de gripe sazonal foi menor do que o normal por causa das medidas implementadas para conter a Covid-19. 

Tedros afirma, no entanto, que não se pode presumir que o mesmo acontecerá no Hemisfério Norte. 

Em todo o mundo, 1,13 bilhão de pessoas vivem com essa hipertensão, Foto: Opas

Ele lembra que muitas das mesmas medidas que são eficazes na prevenção do novo coronavírus também são eficazes na prevenção da gripe, incluindo distanciamento físico, higiene das mãos, cobertura de tosse, ventilação e máscaras. 

Além disso, embora ainda exista uma vacina para a Covid-19, existem vacinas seguras e eficazes contra a gripe. 

A OMS recomenda a vacinação para cinco grupos-alvo: mulheres grávidas, pessoas com problemas de saúde preexistentes, idosos, profissionais de saúde e crianças. 

Hipertensão  

Esta sexta-feira, 16 de outubro, é o Dia Mundial da Hipertensão. Em todo o mundo, 1,13 bilhão de pessoas vivem com essa condição. 

Globalmente, nove em cada 10 pessoas com hipertensão não têm a doença controlada. Duas em cada cinco nem sabem que vivem com esse problema. 

Pessoas com hipertensão têm maior risco de doenças cardíacas, danos renais e derrames, bem como doenças graves e morte por Covid-19. 

A pandemia também interrompeu os serviços para hipertensão em mais da metade dos países. 

Guterres desapontado com violações de cessar-fogo em Nagorno-Karabakh 

Secretário-geral considera relatos “inaceitáveis” e lembra partes de obrigações de proteger civis e infraestrutura; chefe das Nações Unidas diz que organização continua pronta para responder a qualquer necessidade humanitária; acordo entre as partes foi anunciado na sexta-feira. 

Secretário-geral saúda cessar-fogo entre Azerbaijão e Armênia.

O conflito em Nagorno-Karabakha eclodiu nas últimas duas semanas; António Guterres apela a que o cessar-fogo seja respeitado e que as partes cheguem a um acordo rápido sobre os parâmetros específicos do regime.

Programa Alimentar Mundial da ONU ganha Prémio Nobel da Paz

O Programa Alimentar Mundial entrega comida em campos de refugiados a norte de Darfur. Dez camiões do Programa Mundial Alimentar (WFP) viajaram de El Fasher a Shangil Tobaya para entregar 350 toneladas de alimentos nos campos de Nifasha e Shaddad para Pessoas Deslocadas Internamente. Foto ONU/Albert González Farran

O Comité Norueguês do Nobel anunciou hoje que o Programa Mundial Alimentar receberá o Prémio Nobel da Paz de 2020.

O Programa Alimentar Mundial recebe o Prémio “pelos seus esforços no combate à fome, pela sua contribuição para melhorar as condições de paz em áreas afetadas por conflitos e por atuar como uma força motriz nos esforços para prevenir o uso da fome como arma de guerra e de conflito, explicou o presidente do Comité do Prémio Nobel da Paz, Berit Reiss Andersen.

O PAM entrega alimentos nos acampamentos de deslocados internos de Darfur do Norte. Dez caminhões do Programa Mundial de Alimentos (WFP), com dois contentores cada, entreguem 350 toneladas de alimentos (óleo e sorgo) aos acampamentos de Nifasha e Shaddad. A viagem levou mais de oito horas devido às difíceis condições da estrada e aos desafios de segurança para o comboio, que foi protegido por tropas da Etiópia e de Ruanda da Operação Híbrida União Africana-Nações Unidas em Darfur (UNAMID). Foto: ONU/Albert González Farran

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) é o braço de assistência alimentar das Nações Unidas e a maior organização humanitária do mundo que trata da fome e promove a segurança alimentar. De acordo com o PMA, todos os anos, fornece assistência alimentar a uma média de 91,4 milhões de pessoas em 83 países.

A erradicação da fome é um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável adotados pelos 193 Estados-Membros das Nações Unidas em 2015.

“Nos últimos anos, a situação mudou. Em 2019, 135 milhões de pessoas sofreram de fome aguda, o maior número em muitos anos. A maior parte desse aumento foi causada por guerra e conflito armado ”, afirmou o Comité do Nobel em comunicado.

A pandemia de coronavírus contribuiu para um aumento acentuado no número de pessoas famintas em todo o mundo. As novas estimativas do PMA mostram que o número de pessoas com fome nos países onde opera pode chegar a 270 milhões até ao final do ano, um aumento de 82% em relação ao período anterior à pandemia.

“Perante a pandemia, o Programa Mundial de Alimentos demonstrou uma capacidade impressionante de ampliar os seus esforços” e que  “o mundo corre o risco de uma crise de fome de magnitude inconcebível se o Programa Mundial de Alimentos e outras organizações de ajuda alimentar não receberem o apoio financeiro que solicitaram”, adiantou ainda o Comité.

O Programa Alimentar Mundial participou ativamente do processo diplomático que culminou em maio de 2018 na adoção unânime pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas da Resolução 2417, que pela primeira vez abordou explicitamente a ligação entre conflito e afome. O Conselho de Segurança também destacou a obrigação dos Estados-membros das Nações Unidas de ajudar a garantir que a ajuda alimentar chegue aos necessitados e condenou o uso da fome como método de guerra.

Com o prémio deste ano, o Comité Norueguês do Nobel deseja “voltar os olhos do mundo para os milhões de pessoas que sofrem ou são ameaçadas pela fome”.

O PMA, diz ainda o comunicado, “contribui diariamente para o avanço da irmandade das nações mencionada no testamento de Alfred Nobel. Como a maior agência especializada das Nações Unidas, o Programa Mundial de Alimentos é uma versão moderna dos congressos de paz que o Prémio Nobel da Paz deve promover ”.

“O trabalho do Programa Mundial de Alimentos para o benefício da humanidade é um empreendimento que todas as nações do mundo deveriam ser capazes de endossar e apoiar”, concluiu o Comité.

Portugal investe no ensino da língua portuguesa para integrar migrantes

Em entrevista à ONU News à margem do debate de líderes internacionais da Assembleia Geral, o ministro dos Negócios Estrangeiros do país, Augusto Santos Silva, afirmou que o programa de ensino do idioma é coordenado pelo Ministério da Educação e pela Secretaria de Estado para Igualdade e Integração; brasileiros são 20% dos estrangeiros em Portugal.

Agência da ONU para Refugiados assiste venezuelanos despejados durante pandemia

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, está atuando com autoridades de países latino-americanos para apoiar venezuelanos que fogem da crise política e econômica na Venezuela.

Após meses do início de medidas sociais e econômicas contra a pandemia da Covid-19, muitos estão sendo despejados de suas habitações temporárias por não poderem arcar com as despesas.

Segundo o Acnur, cerca de 4 milhões de refugiados e migrantes venezuelanos foram afetados e não têm para onde ir.

Dra. Edna Patricia Gomez faz um exame de saúde em uma paciente venezuelana em um hospital na Colômbia. Foto: © IRC/Schneyder Mendoza

Parque

Um destes casos é o de Dulce Maria, de 29 anos. Ela vive na cidade colombiana de Riohacha na costa nordeste da Colômbia. Dulce perdeu o primeiro emprego informal que encontrou na Colômbia e que ajudava nas despesas do aluguel de US$ 75. 

Após três meses de atraso, ela foi despejada e passou a dormir ao relento num parque. E para a rua com ela foram a irmã e os cinco filhos. 
Ao saber da história de Dulce, o Acnur ajudou a abrigá-los num hotel por um mês. A partir daí, toda a família obteve apoio para um aluguel de emergência, que levou todos para um apartamento, de forma provisória.

Além disso, o Acnur assiste os venezuelanos com vales de aluguel e ajuda jurídica para combater ordens de despejo.

Aumento 

Os governos de toda a região suspenderam os despejos forçados durante a pandemia. Mas muitas dessas decisões já devem ser canceladas nas próximas semanas com o relaxamento de medidas de confinamento social.  

Um outro venezuelano, Eduardo García, conta que foi despejado de seu apartamento. Vendedor ambulante em Quito, capital do Equador, ele não conseguiu pagar o aluguel durante quatro meses. Ele contou que também ficou sem o tratamento contra o HIV durante a quarentena da Covid-19.

Com a ação do Acnur e de uma organização parceira, Eduardo saiu da rua e foi para um apartamento temporário.  Mesmo assim, a agência da ONU teme que o problema da falta de moradia continue afetando milhões de refugiados e migrantes no período pós-pandemia.
 

Pandemia fez cair renda global obtida pelo trabalho em US$ 3,5 trilhões este ano 

As Nações Unidas revelaram que a pandemia causou uma queda da renda global obtida pelo trabalho na ordem de US$ 3,5 trilhões este ano. O resultado reflete a diminuição de 10,7% ocorrida entre janeiro e setembro. 

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, OIT, as perdas arrasadoras na carga horária causadas pelo novo coronavírus criaram essa “grande queda” nos rendimentos de funcionários em todo o mundo.  

Rendimento 

Na análise, a agência aponta que trabalhadores de economias emergentes e em desenvolvimento foram os que mais sofreram com a situação.  

Foto: FAOALC

Com a pandemia da Covid-19, um dos setores mais afetados pela falta de proteção social foi o de trabalhadores domésticos.

O impacto foi maior em mulheres do que nos homens.  

Em comunicado, o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, disse que assim como é preciso redobrar os esforços para combater o vírus, também é necessário “agir com urgência e em escala para superar seus impactos econômicos, sociais e de emprego. Isso inclui o apoio sustentado empregos, empresas e renda”. 

Nas economias de rendimento médio baixo houve uma queda de 15,1%, ou o equivalente a 5,5% do Produto Interno Bruto, PIB, global nos primeiros nove meses de 2019.  

Previsão 

Os cálculos não incluem o apoio à renda através de medidas governamentais, destaca a 6ª. Edição do Monitor da OIT.  

Em termos regionais, as perdas de renda do trabalho atingiram 12,1% nas Américas, o valor mais elevado. Em economias de rendimento médio alto, a perda  é estimada em 11,4% e em 10,1% nos países de baixa renda.  

Estima-se que os trabalhadores em países de rendimento alto tenham sofrido uma queda de até 9%. 

Banco Mundial/Abbas Farzami

Trabalhadores em Kabul, no Afeganistão. Estimativa do tempo de trabalho global desperdiçado no segundo trimestre deste ano é de 17,3%.

A estimativa do tempo de trabalho global desperdiçado no segundo trimestre deste ano é de 17,3%, o equivalente a 495 milhões de empregos a tempo integral. 

Proteção 

Os altos números devem continuar no terceiro trimestre prevendo-se que cheguem a em 12,1%. A percentagem corresponde a 345 milhões de empregos. No último trimestre chegará a 8,6%, que corresponde, a 245 milhões de postos de trabalho de tempo integral.  

Este seria um aumento em relação à estimativa anterior da OIT de 4,9%, ou 140 milhões de empregos em tempo integral. 

Guy Ryder destacou que além de tudo isso, nos locais mais afetados “existem sistemas de proteção social mais fracos, portanto, há poucos recursos ou proteções para os trabalhadores recorrerem.” 

A agência destaca ainda que uma das causas das perdas de horas de trabalho é que funcionários de economias emergentes e em desenvolvimento “particularmente em empregos eventuais foram muito mais afetados em relação às crises anteriores.” Um dos fatores que mais ditou a queda no emprego é a falta de atividade e não tanto o desemprego, o que acarreta implicações de cobertura. 

Rigor 

A agência destaca que embora tenha sido relaxado em grande número o encerramento mais rigoroso de locais de trabalho, existem variações significativas entre regiões.  

Por exemplo, 94% dos funcionários ainda estão em economias com algum tipo de restrição de local de trabalho. Outros 32% deles estão em países com fechamentos de todos os locais de trabalho, exceto os considerados essenciais. 

OMS

Equipamento de proteção pessoal sendo distribuido a trabalhadores no Afeganistão

OMS aprova dois testes Covid-19 que oferecem resultados em 15 minutos 

A Organização Mundial da Saúde, OMS, aprovou esta semana o uso de emergência de dois primeiros testes de Covid-19 que oferecem resultados confiáveis entre 15 a 30 minutos. 

A informação foi confirmada esta sexta-feira pelo diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus. Segundo ele, também foi garantido o fornecimento de 120 milhões de testes para uso em países de baixa e média rendas.  

Laboratório em Damasco, na Síria, onde testes à Covid-19 são realizados. Novos testes encurtam o tempo de espera, Unicef Síria

Vacinas e testes 

A decisão agiliza o processo para produtos ainda não licenciados serem usados durante emergências de saúde pública. O sistema permite informar os Estados-membros sobre dados de qualidade e segurança. 

Também esta sexta-feira, a OMS pediu que os fabricantes de vacinas se inscrevam para solicitar pré-qualificação para a lista de uso de emergência. 

Tedros destacou a importância das duas ferramentas da OMS, ACT-Acelerador e Covax, quando a imunização estiver disponível. Segundo ele, os dois instrumentos garantem “que todas as vacinas comprovadamente seguras e eficazes são distribuídas equitativamente em todo o mundo.” 

Esta semana, a OMS anunciou que o ACT-Acelerador recebeu US$ 1 bilhão dos US% 35 bilhões necessários. Além disso, 168 países aderiram à Covax e outros 25 irão se juntar em breve.  

Situação 

168 países aderiram à Covax e outros 25 irão se juntar em breve

Tedros lembrou o diagnóstico positivo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-dama, Melania Trump, desejando “uma recuperação completa e rápida.” 

O chefe da OMS disse que, todas as semanas, existem cerca de 2 milhões de novos casos. Esta semana, o mundo também ultrapassou a trágica marca de um milhão de mortes. Mais da metade delas na região das Américas. 

Tedros disse que a agência continua ajudando todos os países para prevenir infecções e salvar vidas. 

OMS investiga alegações de abusos durante combate ao ebola na República Democrática do Congo, Unicef/Tremeau

Eleafirmou que “este é um momento crítico” e que os governos devem permanecer vigilantes e prontos, investindo em seus sistemas nacionais de saúde. 

Ebola 

O chefe da agência também abordou algumas notícias sobre a resposta ao ebola na República Democrática do Congo, que considerou “perturbadoras.” 

A agência investiga alegações de exploração e abuso sexuais por pessoas que se identificaram como trabalhadores da OMS.  

Tedros disse que a agência atua em cenários difíceis “para salvar vidas e espalhar esperança” e, por isso, “a traição das pessoas” nas comunidades que serve é inadmissível. 

A OMS iniciou uma investigação das alegações, bem como questões de proteção mais amplas em ambientes de resposta a emergências de saúde. A agência tem uma política de tolerância zero em relação à exploração e abuso sexuais. 

Romero Britto junta-se à ONU para promover biodiversidade brasileira 

O mundo está vivenciando altos níveis de perda de biodiversidade por várias causas. Conhecida como o complexo de formas de vida envolvendo plantas, animais e micro-organismos, a biodiversidade e sua proteção são motivo de preocupação de líderes internacionais. 

Na quarta-feira, várias personalidades incluindo o príncipe Charles, o herdeiro da coroa britânica, lançaram um apelo por mais iniciativas de proteção em todo o mundo. 


Apelo global 

A urgência de ações chamou a atenção de mais de 20 artistas, entre eles o brasileiro Romero Britto. Ele contou à ONU News, de seu estúdio da Flórida, que decidiu se juntar às Nações Unidas num apelo global para salvar as onças-pintadas, símbolo da biodiversidade no Brasil. 

No próximo ano, Romero Britto colocará sua arte à disposição de uma exibição internacional que começou em São Paulo e terminará em Nova Iorque. Batizado de Jaguar Parade, o evento é inspirado no animal que corre risco de extinção. 

Britto explica que a exposição quer chamar a atenção para a degradação da fauna silvestre, em especial da onça-pintada.  

BRITTO Studios

Trabalho do artista brasileiro quer chamar a atenção para a degradação da fauna silvestre, em especial da onça-pintada.

Matas

ONU News (ON): Qual a sensação de partilhar a sua experiência nesta iniciativa, Romero Britto? 

Romero Britto (RB): Acho que, antes de mais nada, é a importância do meio ambiente e de toda a cadeia do meio ambiente. Onde todos os animais, os seres e as vegetações estão tão interligados. Eu acho importante que esses animais, que precisam de ajuda, possam ser preservados.  

Com todo esse movimento que nós, os humanos, estamos fazendo nesse planeta, ao mesmo tempo há coisas que ajudam e que prejudicam. Não só nos prejudicam, mas aos animais indefesos que não podem fazer nada. Também as matas estão sendo devastadas e outras coisas estão acontecendo. No meio ambiente, esses animais estão perdendo mais e mais espaço. Acho que é importante a conscientização das pessoas e só com projetos como esse, a gente pode levar a conscientização ao grande público.  

As pessoas que estão morando em cidades como Nova Iorque, Paris, Londres e São Paulo não estão sabendo o que está acontecendo no meio da mata ou o prejuízo de todos os dias, ocorrendo aos pouquinhos, chega ao ponto de termos muitos animais em perigo hoje em dia. São espécies que estão ficando extintas pelo fato de  ninguém estar a prestar atenção. Por isso é muito importante essa conscientização. 

BRITTO Studios

Romero Britto participa de exibições que destacam a beleza da onça-pintada, que corre risco de extinção, e é tida como um dos símbolos da biodiversidade no Brasil.

Amazônia e Pantanal 

ON: Exatamente no Brasil, em áreas como a Amazônia e o Pantanal onde agora estão ocorrendo grandes incêndios. Secas estão também a assolar essas áreas. Como é que espera que este seu trabalho tenha impacto em pessoas nesse ambiente, mas também em todo mundo. Pessoas por exemplo que compram suas obras de arte como é que pode fazer chegar até elas esta mensagem? 

RB: Eu acho que pessoas que colecionam, ou não colecionam minha arte, ou que estejam numa cidade, por exemplo, como em Paris, estão adquirindo uma peça de um design usando couro de animal eu acho que aí a conscientização é outra história.  

Há pessoas que dizem ‘não quero comprar nada com pele de um animal’.  Para outras pessoas, isso é uma coisa legal, mas não para os animais que estão quase em extinção. Muita gente, no mercado hoje em dia, tem mais poder de adquirir coisas muito exclusivas que no passado. Então, a demanda é muito maior de produtos com couro de animal. Não somente para os meus patrocinadores, mas para o grande público em geral que na maioria das vezes está adquirindo esses artefatos, na área da moda, onde muitas vezes é usado o couro do animal, é essencial a conscientização e a importância da preservação para as futuras gerações. Para que elas possam ver em algum lugar uma foto de um animal que ainda existe no planeta. 

BRITTO Studios

Romero Britto decidiu se juntar às Nações Unidas num apelo global para salvar as onças-pintadas, símbolo da biodiversidade no Brasil.

ON: E o que dizer mais sobre este desfile ou Parada do Jaguar que começa em 2021. Espera algo em particular para si e para a sua carreira?  

RB: É uma realização pessoal. Como artista, a minha ideia é poder dividir minha arte com as pessoas. Espero que minha arte possa ser fonte de inspiração entre pessoas, em uma pessoa ou entre um grupo de pessoas. E é sempre um desejo fazer algo muito especial e participar de um projeto como esse na Amazônia e passar uma ideia positiva. Isso é importante fazer através da minha arte. Este é realmente um projeto especial. Por isso é que eu estou participando. 

ON: Romero Britto para aos países de língua portuguesa, como seu exemplo pode ajudar artistas a se envolverem mais com a natureza e com a conservação? 

RB: Acho que não só para artistas, mas todas as pessoas, todos os cidadãos e crianças. Acho importantíssimo que crianças, jovens possam interagir mais e ver a importância da natureza na nossa vida no dia a dia. Eu espero que esse projeto possa trazer inspiração para as pessoas e que estas possam entender a importância de animais e da natureza em nossas vidas, Isso é importante. 

ON: E a última palavra: espera participar em mais projetos iguais? 

RB: Espero que sim. E é importante o papel da ONU no cenário global mundial para lidar com as coisas que às vezes poucas organizações têm o prestígio fazer. Eu sempre fico contente por participar em qualquer coisa que a ONU está tocando. 

FIM 

Campus 2030 Challenge: aceita um novo desafio!

Nova edição, novas soluções para o campus sustentável do futuro!

 

Os campus universitários são a casa da inovação, onde se formam os líderes do futuro e se desenham as soluções para os problemas do amanhã. A segunda edição do Campus 2030 surge como a oportunidade para estudantes e professores converterem o seu campus no modelo global de sustentabilidade.

Coorganizado pelo Centro Regional de Informação das Nações Unidas (UNRIC) e pela Agência Universitária da Francofonia (AUF), em parceria com a plataforma de open innovation Agorize, este projeto convida participantes de todo o mundo a proporem soluções para melhorar a sustentabilidade e a inclusão dos campus universitários do futuro, contribuindo assim para a aceleração dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. E habilitam-se ainda a ganhar uma viagem para desenvolver o seu projeto!

Para participar, basta inscrever-se, em equipas de 2 a 5 elementos, na plataforma do desafio e seguir as instruções. Este ano, poderão propor soluções em 3 categorias: Vida Estudantil, Campus na Cidade; e Novos Desafios Educacionais. Todos os detalhes relativos a cada uma das categorias estão disponíveis na plataforma. As propostas poderão ser enviadas até 7 de fevereiro de 2021.

Mais de 1.300 participantes, de mais de 100 países

A primeira edição contou com a participação de mais de 1.300 estudantes, professores e investigadores, de mais de 400 instituições de ensino superior de todo o mundo. Ao todo, pessoas de 97 nacionalidades apresentaram 283 projetos — entre os quais, um projeto vencedor da Universidade de Coimbra!

Este desafio desdobrou-se em várias etapas, entre o dia 25 de setembro, data do aniversário da implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e junho, data da final. Na primeira fase, os participantes recebem apoio, informações e podem questionar diretamente os organizadores do concurso. Na segunda e terceira fases, as 30 equipas selecionadas terão direito a um acompanhamento personalizado de especialistas e mentores, que os ajudarão a melhorar o projeto final.

Uma semana de “expedição”

A final decorrerá, em direto, a meio de junho, frente a um júri composto de representantes da ONU e da AUF e de outros especialistas. As 3 equipas vencedoras partirão numa Expedição de Aprendizagem inclusiva: uma semana paga no estrangeiro (válida para duas pessoas) numa universidade, incubadora ou laboratório, onde poderão dar vida aos seus projetos.

Sê a mudança que queres ver no mundo, expressa a tua criatividade e ajuda a transformar o mundo! O 2030 Campus Challenge espera por ti!

Jordaniana ajuda quase meio milhão de crianças a adquirir gosto pela leitura 

Em 2006, a cientista jordaniana, Rana Dajani, criou o projeto We Love Reading ou Adoramos Ler. Presente em 56 países, a iniciativa já treinou mais de 7 mil leitores voluntários. O empenho de Dajani levou a alegria da leitura a quase 500 mil crianças incluindo dezenas de milhares de refugiados. 

Bióloga molecular, Rana Dajani é a ganhadora regional para o Oriente Médio e Norte de África do Prêmio Nansen Refugiados. A distinção é concedida pela Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur.  Nesta quinta-feira, o Acnur anunciará o vencedor global deste ano. 

Leitura  

Dajani retornou à Jordânia após cinco anos no exterior. Ao voltar à casa, ela começou a se perguntar por que tão poucas crianças jordanianas liam por prazer. 

Com estudos nas universidades americanas de Harvard e Yale, a bióloga passou a pesquisar o tema e percebeu que “a maneira de uma criança se apaixonar pela leitura é tendo um modelo”, como um dos pais lendo em voz alta, por exemplo. 

Foi assim que nasceu o projeto “We Love Reading”. Dajani foi para a mesquita e começou a ler em voz alta para as crianças, todas as semanas na capital do país, em Amã. 

Após três anos de ajustes, ela iniciou um programa de treinamento para adultos e jovens, de 16 a 100 anos de idade. 

Impacto  

Aqueles que recebem o treinamento são conhecidos como embaixadores da leitura e encorajados a estabelecer sessões de leitura em seus próprios bairros. 

Segundo Dajani, todos os anos mais de 4,4 mil sessões são realizadas atualmente pelo globo. Ela diz que os voluntários “estão no comando do programa e o executam onde quer que estejam.” 

A iniciativa teve grande sucesso na Jordânia, que atualmente abriga mais de 658 mil refugiados sírios. Depois, o modelo foi replicado no acampamento de Kule, na Etiópia. 

Dajani diz que a maioria dos refugiados não sabe o que vai acontecer no futuro e isso afeta sua saúde mental. Segundo ela, o projeto, “dá a eles um propósito, algo tangível.” 

Voluntária 

O Acnur falou com uma das voluntárias, Latifa Al-Laham, uma refugiada síria de 55 anos que fugiu do conflito para a Jordânia em 2013.  

Após abandonar a escola na sexta série, ela parou de ler livros. Em janeiro,  completou o treinamento We Love Reading e passou a contar histórias e a ler para seus netos e os filhos dos vizinhos.  

Al-Laham diz que é “uma pessoa diferente depois do treino”, que lhe deu “o poder e a confiança para ser alguém diferente.” 

Rana Dajani admite que está surpresa com a popularidade global do projeto, mas diz que isso apenas a leva a trabalhar ainda mais para promover os benefícios da leitura entre as crianças.