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Assembleia Geral da ONU se reúne em memória das vítimas do Holocausto

Nesta segunda-feira, os países-membros das Nações Unidas se reúnem para marcar os 75 anos da liberação do maior campo de extermínio da Segunda Guerra Mundial, o campo de Auschwitz-Birkenau, na Polônia.

Participam do evento, sobreviventes do Holocausto, representantes dos povos Roma e Sinti, do Museu do Holocausto e do Escritório das Nações Unidas sobre Prevenção do Genocídio e Responsabilidade de Proteger.

Humanidade

O secretário-geral da ONU, António Guterres, discursará na cerimônia assim como o presidente da Assembleia Geral, Tijjani Muhammad-Bande. Os embaixadores da Alemanha, Cristoph Heusgen, e o de Israel, Danny Danon,

Numa mensagem de vídeo sobre a data, António Guterres, afirmou que a humanidade prometeu jamais esquecer o Holocausto, o assassinato sistemático de 6 milhões de judeus além de minorias e dissidentes.

Guterres disse que o mundo prometeu contar a história das vítimas de um dos crimes mais hediondos da História e honrá-las ao defender o direito de cada um de viver com dignidade num mundo justo e pacífico.

ONU/ Evan Schneider

O campo de concentração de Auschwitz tornou-se símbolo do terror , genocídio e Holocausto.

Verdade

O secretário-geral lembra que mesmo 75 anos após a liberação de Auschwitz, o antissemitismo e o ódio ressurgem em retóricas inflamadas tentando diminuir o Holocausto, negando ou subestimando a responsabilidade de seus autores.

Para Guterres, o mundo honra as vítimas do Holocausto quando busca a verdade, a educação e quando consolida a paz e a justiça no mundo.

A cerimônia na Assembleia Geral será dirigida pela subsecretária-geral do Departamento de Comunicação Global, Melissa Fleming.

Ainda na segunda-feira, será aberta no lobby de visitantes a exposição “Vendo Auschwitz”. A experiência de refugiados judeus nas Filipinas será o tema de uma mesa redonda na tarde de terça-feira, em Nova Iorque.

No resto do mundo, a organização realiza uma série de eventos em comunidades judaicas incluindo exibições de fotos e debates.

ONU oferece apoio à Turquia após terremoto mortal

Segundo agências de notícias, mais de 1.450 pessoas ficaram feridas e 29 morreram; Guterres estendeu suas condolências às famílias das vítimas, assim como ao povo e ao governo do país. 

Discriminação é tema de Dia Mundial de Combate à Hanseníase

A Organização Mundial de Saúde, OMS, marca este domingo, 26 de janeiro, o Dia Mundial de Combate à Hanseníase, conhecida como lepra.

Em mensagem sobre o dia, o embaixador da Boa Vontade da OMS para a Eliminação da Hanseníase, Yohei Sasakawa, disse que “apesar do progresso da ciência, ainda existem pessoas sofrendo com discriminação injustificada.”

Embaixador da Boa Vontade da OMS, Yohei Sasakawa, à direita, Jacques Baudrier

Discriminação

Neste dia, o empresário japonês e presidente da Fundação Nippon disse que “pensa na vida dura que as pessoas afetadas enfrentam, abandonadas por suas famílias, isoladas da sociedade e privadas de sua liberdade.”

O embaixador da Boa Vontade contou que “existem pessoas que foram separadas de suas famílias, que não conseguiram continuar na escola, que perderam o emprego e que perderam a chance de se casar.”

Mesmo depois de receberem tratamento, Sasakawa disse que elas “são rotuladas como ex-pacientes e continuam enfrentando discriminação.”

Cura

Segundo o empresário, “através dos esforços de muitas pessoas, a hanseníase é hoje uma doença facilmente curável.” Ele disse que “os medicamentos são distribuídos gratuitamente e a detecção e o tratamento precoces ajudam a prevenir a incapacidade” dos pacientes.

A OMS deixou de considerar a doença um problema de saúde pública mundial no ano 2000, depois de 16 milhões de pessoas terem sido tratadas nas duas décadas anteriores. Ainda assim, em 2018 a agência da ONU registrou mais de 208 mil novos casos.

Sasakawa disse que “novos casos ainda estão sendo descobertos em muitos países e regiões, mas as pessoas não vão a uma clínica ou hospital porque pensam na hanseníase como uma doença vergonhosa.” Segundo o especialista, “este é um dos maiores obstáculos ao diagnóstico e tratamento precoces.”

O embaixador termina a sua mensagem dizendo que a hanseníase “não é uma doença do passado.” Neste dia mundial, ele pede que a data marque “um novo começo” que “faça a diferença na vida das pessoas afetadas.”

Guia da OMS revela que não é seguro utilizar cigarros eletrônicos

A Organização Mundial da Saúde, OMS, está alertando para os riscos do uso de cigarros eletrônicos.

A agência diz que existem muitos tipos destes produtos, conhecidos como sistemas eletrônicos de entrega de nicotina, Ends na sigla em inglês, e que os consumidores devem conhecer os riscos.

A OMS publicou uma lista de perguntas e respostas sobre consequências para a saúde, necessidade de legislação, impacto sobre os não-fumantes e outros temas.  

. Os cigarros eletrônicos são perigosos?

Para a agência, “não existem dúvidas” de que estes produtos “fazem mal à saúde e são inseguros, mas ainda é muito cedo para ter uma resposta clara sobre as consequências a longo prazo.”

Mas segundo a OMS, eles são “particularmente perigosos para adolescentes” porque “a nicotina é muito viciante e o cérebros dos jovens não estão completamente desenvolvidos” até por volta de 25 anos de idade. A OMS alerta ainda para o uso de grávidas e fumantes passivos.

Por fim, a agência diz que o líquido destes dispositivos pode causar queimaduras, intoxicação, além de pequenos incêndios e explosões.

. Eles causam danos aos pulmões?

A resposta da OMS é que existem cada vez mais provas desses danos.

No ano passado, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos investigou o tema e concluiu que, até 10 de dezembro de 2019, 2409 hospitalizações e 52 mortes haviam sido registradas. Pelo menos cinco outro países lançaram investigações semelhantes.

. São mais perigosos do que cigarros normais?

Segundo a agência da ONU, isso “depende de um conjunto de fatores, como a quantidade de nicotina e outras substâncias, mas representam riscos claros para a saúde e não são, de forma alguma, seguros.”

.Causam vicio?

A resposta é sim. A nicotina é altamente viciante e cigarros eletrônicos funcionam através da inalação de um aerossol que contém nicotina.

.São perigosos para os não fumantes?

Sim, os aerossóis têm substâncias tóxicas, como glicol, que é usado para fazer anticongelantes. As emissões são perigosas para quem fuma e para quem está perto.

.Devem ser banidos?

A OMS afirma que “os países podem decidir proibir os Ends”. Nesse momento, estes dispositivos estão proibidos em cerca de 30 países e, segundo a agência, “cada vez mais Estados consideram essa opção para proteger os jovens.”

Devem ser regulados?

A agência da ONU diz que sim, mas que “os países devem implementar medidas que se adaptaram melhor ao seu contexto nacional.”

As regulações devem impedir a promoção destes produtos, reduzir os riscos para usuários, proibir a circulação de informação falsa ou não comprovada e proteger os esforços contra tabaco.

Existem cerca de 15 mil sabores destes cigarros, incluindo chiclete e algodão doce, usados para atrair os mais jovens. Segundo a OMS, os governos devem restringir a publicidade e promoção para esta população.

O uso em locais de trabalho e dentro de edifícios também deve ser proibido. Estes produtos devem pagar os mesmos impostos que o tabaco.

.Ajudam a parar de fumar?

A agência afirma que “não existem provas suficientes que apoiem o seu uso para parar de fumar.”

Para quem deseja parar de fumar, a OMS afirma que “existem outros produtos, mais seguros, testados e licenciados”, como substitutos de nicotina.

.O que a OMS está a fazer?

A agência da ONU está avaliando todos os dados sobre estes produtos e oferecendo orientação para governos e para o público.

Esse trabalho inclui o relatório bianual sobre a Epidemia Global de Tabaco, que apresenta os dados mais recentes sobre o consumo e as melhores formas de o combater.

Em Davos, secretário-geral ouve jovens sobre futuro do planeta

António Guterres conversou com quatro jovens ativistas sobre desafios globais; iniciativa marca os 75 anos das Nações Unidas.

Alerta de Fraude

Banner Azul do UNRIC

Cuidado com as burlas que implicam associação com as Nações Unidas

A ONU alerta para a existência de correspondências fraudulentas que usam o nome da Organização e que estão a circular através de websites, e-mails, mensagens de fax e ligações telefónicas, além de contactos em redes sociais e sites de relacionamento. Como o número de denúncias sobre estes casos tem vindo a aumentar em todo o mundo, a ONU alerta o público a respeito de esquemas ilícitos para solicitar dinheiro e, em muitos casos, dados pessoais, usando ilegalmente o nome e o emblema da Organização.

As burlas comuns incluem

Os esquemas românticos:

uma pessoa finge ser uma força de manutenção da paz da ONU ou um trabalhador humanitário e rapidamente desenvolve uma relação profundamente pessoal online, depois pede ajuda com o pagamento de férias, férias difíceis, cuidados de uma criança doente, regresso a casa ou outra assistência pessoal ou financeira.

Esquemas de emprego:

Se se candidatou a um emprego na ONU, por favor note que a ONU não pede dinheiro em nenhuma fase do processo de recrutamento. Certifique-se de que utiliza apenas websites oficiais para se candidatar a empregos da ONU e tenha cuidado ao fornecer informações pessoais. Podem ser criados anúncios de emprego falsos para extrair informações pessoais dos candidatos a emprego.

Alerta de Fraude O público deve saber que:

  • As Nações Unidas não cobram nenhuma taxa durante o seu processo de recrutamento. Um link sobre fraudes de emprego, chamado “Frauds Alert” (Alerta de Fraude), encontra-se disponível na página principal do portal de emprego e carreiras da ONU (http://careers.un.org).
  • As Nações Unidas não solicitam informações de indivíduos em relação às suas contas bancárias ou outras informações particulares.
  • As Nações Unidas não oferecem prémios, recursos, certificados ou bolsas académicas através de e-mails, fax ou telefone, a não ser que tais ofertas tenham sido divulgadas através de canais oficiais.
  • As Nações Unidas não promovem lotarias nem compensam vítimas de fraudes.
  • O próprio funcionário da ONU solicita as suas férias, nunca uma terceira pessoa. E mais importante: este procedimento nunca envolve recursos financeiros, em caso algum.

A ONU recomenda que os destinatários de mensagens acima descritas ajam com extrema cautela e não respondam a pedidos de transferências de dinheiro nem concedam informações particulares. A transferência de fundos ou o fornecimento de informações

A ONU recomenda que os destinatários de mensagens acima descritas ajam com extrema cautela e não respondam a pedidos de transferências de dinheiro nem concedam informações particulares. A transferência de fundos ou o fornecimento de informações particulares podem acarretar prejuízos financeiros ou roubos de identidade. Alvos e/ou vítimas destas solicitações enganosas devem considerar relatá-las às autoridades judiciais nacionais para que as medidas cabíveis sejam tomadas.

Qualquer pessoa com dúvidas sobre a autenticidade de um e-mail, carta ou telefonema em nome das Nações Unidas, pode enviar um e-mail solicitando esclarecimentos clicando aqui. Também poderá pedir informações em português através do email portugal@unric.org.

Caso seja vítima de fraude ou conheça alguma vítima, reporte o incidente junto das autoridades policiais.

Para mais informações, visite www.un.org/en/aboutun/fraudalert.

Relatores da ONU pedem ação urgente para combater o antissemitismo

Um grupo de nove relatores de direitos humanos emitiu um comunicado para marcar o aniversário de 75 anos da libertação do campo de concentração Auschwitz-Birkenau, na próxima segunda-feira.

O relator especial sobre liberdade de religião e credo, Ahmed Shaheed, expressou preocupação com o que chamou de “aumento dramático da retórica antissemita”, na internet e fora dela. Foto: ONU/Manuel Elias

Os especialistas disseram que a data é lembrada por eles com horror, tristeza e alarme. O motivo é a falha de vários países em conter a violência antissemita, discriminação e agressões, além de não assegurarem que seus cidadãos recebam informação apropriada sobre o Holocausto.

Retórica

O grupo, que inclui o relator especial sobre liberdade de religião e credo, c, expressou preocupação com o que chamou de “aumento dramático da retórica antissemita”, na internet e fora dela, além da violência ao redor do mundo. Para os especialistas, esta retórica inflamada, na maioria dos casos, segue livre de controle.

O comunicado sugere que os relatores reconhecem a necessidade de se repudiar o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos, que ocorreram durante o Holocausto.

Logo no início de sua criação, os países e povos proclamaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, e desde então os Estados-membros da organização têm se comprometido em garantir que todos os cidadãos possam desfrutar de seus direitos incluindo da proteção de minorias contra crimes de ódio e discriminação.

Campanha

Os ditames dos direitos humanos são um legado-chave das vítimas do Holocausto incluindo os 6 milhões de judeus, que ao lado de outros grupos alvejados, foram assassinados de forma brutal, sistemática e numa campanha de perseguição e desumanização sancionada por um Estado.

Os relatores especiais lembraram algumas das cidades onde os judeus foram assassinados nos últimos anos como Toulouse, Pittsburg, Bruxelas, Poway e Jersey City.

Em relatórios apresentados à Assembleia Geral da ONU, no ano passado, os especialistas em liberdade de religião e credo e em formas contemporâneas de racismo mostraram o aumento acentuado de incidentes contra judeus, ocorridos em muitos países e também na internet.

ONU/Elizabeth Scaffidi

Outro aspecto de choque para os relatores são notícias documentando, de forma extensa, casos de negação do Holocausto assim como pesquisas que indicam que uma grande parte da população não sabe fatos-chave

Boatos

Para o grupo, todos os líderes devem ler os documentos e implementar as recomendações.

Um outro aspecto de choque para os relatores são notícias documentando, de forma extensa, casos de negação do Holocausto assim como pesquisas que indicam que uma grande parte da população não sabe fatos-chave sobre o Holocausto, e há até mesmo pessoas que nunca ouviram falar do tema.

O comunicado manifesta preocupação profunda com o mau uso da mídia social para espalhar mitos e boatos perpetuando estereótipos e preconceito antissemitas.

“Ao redor do mundo, episódios de violência, discriminação e expressões hostis motivadas por antissemitismo criaram um clima de medo numa parcela considerável da comunidade judaica. Isso fez como que eles não possam desfrutar, inteiramente, de seus direitos à liberdade e à segurança, à igualdade e a não serem discriminados, assim como a liberdade de religião.”

ONU/ Evan Schneider

O campo de concentração de Auschwitz tornou-se símbolo do terror , genocídio e Holocausto.

Tendências

Os relatores pediram ao todos os Estados que responsam a essas tendências com ações urgentes para fazer valer as obrigações de direitos humanos incluindo o monitoramento mais eficaz de incidentes antissemitas garantindo a prestação de contas pelos autores da violência.

No comunicado, o grupo também pede proteção para indivíduos de origem judaica, comunidades e sítios. Para os relatores,  é necessário promover a educação eficiente, treinamento e aumento da consciência da importância de se combater o antissemitismo em todos os setores da sociedade.

Programas educativos para estudantes, professores, funcionários públicos, agentes da lei e outros devem identificar todas as manifestações antissemitas. Estes programas também devem incluir informações corretas sobre o Holocausto.

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, e o Escritório de Direitos Humanos e Instituições Democráticas da Ocde oferecem diretrizes para treinamento de docentes sobre como lidar com o tema nas escolas.

ONU/Mark Garten

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, abre uma exposição na sede da ONU em comemoração aos 75 anos da libertação de Auschwitz.

Ameaça inaceitável

Os relatores especiais finalizam dizendo que o antissemitismo, incitado por líderes políticos e sem punição, não ameaça somente os judeus mas outras minorias e comunidades frágeis e no fundo as bases das sociedades democráticas.

Os especialistas em direitos humanos afirmam que ao lembrar das vítimas do Holocausto, eles também pedem aos países que redobrem seus compromissos em lutar contra esta ameaça que inaceitavelmente passa a existir.

*Os relatores especiais de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.

Assinaram este comunicado os seguintes especialistas:

Ahmed Shaheed, David Kaye, E. Tendayi Achiume, Clement. Clement Nyaletsossi Voule,  Fionnuala Ní Aoláin, Agnes Callamard e Karima Benoumme.

Relator especial sobre pobreza extrema visitará Espanha na próxima semana

Philip Alston chega ao país em 27 de janeiro para uma viagem de trabalho de 10 dias; atualmente 26,1% dos espanhóis vivem sob risco de pobreza ou exclusão social contra 23,8% em 2008; taxa de desemprego representa o dobro da média da União Europeia.

República Centro-Africana enfrenta crise humanitária “terrível e complexa”

O Escritório das Nações Unidas de Assistência Humanitária, Ocha, alertou que mais da metade da população da República Centro-Africana precisa de assistência e proteção humanitária. Ao todo, 2,6 milhões de pessoas estão nessa situação.

O Ocha diz que entre essas pessoas, 1,7 milhão precisam de assistência imediata para sobreviver.

Um pai descansa com o filho no hospital pediátrico de Bangui, na capital da República Centro-Africana. Foto: Unicef/Donaig Le Du

Plano de Resposta Humanitária

O país enfrenta uma crise humanitária “terrível e complexa”.

Para atender as necessidades dos mais vulneráveis, o governo da República Centro-Africana e a equipe humanitária lançaram o Plano de Resposta Humanitária 2020. A meta da iniciativa é ajudar 1,6 milhão de pessoas ​​e para isso busca arrecadar US$ 401 milhões.

Segundo o Ocha, o Plano de Resposta Humanitária visa abordar questões críticas relacionadas ao bem-estar físico e mental, condições de vida e proteção dos mais vulneráveis.

Crise

A agência da ONU diz que as restrições de segurança e acesso no país continuam a dificultar o acesso aos mais carentes. Em 2019, 306 incidentes de segurança afetaram trabalhadores humanitários.

Nessas ações, cinco trabalhadores humanitários foram mortos e 42 feridos.

A coordenadora humanitária na República Centro-Africana, Denise Brown, enfatizou a importância de os trabalhadores humanitários poderem continuar seus esforços e aliviar o sofrimento daqueles que precisam de apoio. Para ela, “se a assistência humanitária não for prestada em escala, a situação que já é grave irá piorar em 2020.”

No ano passado, a comunidade humanitária arrecadou US$ 300,3 milhões e ajudou mais de 1,1 milhão de pessoas vulneráveis.

Ocha/Karen Perrin

Agência da ONU diz que as restrições de segurança e acesso no país continuam a dificultar o acesso aos mais carentes.

OMS faz reunião de emergência sobre coronavírus em Genebra

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Ghebreyesus, convocou uma reunião da Comissão de Emergência sobre uma nova cepa do coranavírus. A reunião ocorre nesta quarta-feira, em Genebra, sede da OMS.

A OMS publicou orientações para detectar e tratar pessoas com o novo vírus. Foto: Unsplash/Michael Amadeus

A Comissão deve decidir se o surto constitui uma emergência de saúde pública de interesse internacional.

Wuhan

Falando a jornalistas, o porta-voz da Organização Mundial da Saúde, Tarik Jasarevic, disse que até esta terça-feira, 21 de janeiro, já haviam sido confirmados 282 casos do novo tipo do coronavírus, nCoV.

De acordo com porta-voz, 278 ocorreram na China, dois na Tailândia, um no Japão e um na Coreia do Sul. Seis pessoas morreram.

Uma equipe da OMS está concluindo uma missão com autoridades de saúde em Wuhan, a cidade chinesa que registrou o primeiro caso do coronavírus.

Estados Unidos

De acordo com agências de notícias, na tarde dessa terça-feira, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, CDC, confirmou a presença do primeiro caso no país, em um homem que teria viajado de Wuhan para a cidade de Seattle. 

O Centro anunciou que começará a triagem de passageiros que voam direta ou indiretamente de Wuhan para os aeroportos internacionais de Atlanta e de Chicago.

Em 17 de janeiro, o CDC começou a rastrear passageiros que chegavam de Wuhan ao Aeroporto Internacional John F. Kennedy em Nova Iorque, seguidos pelos aeroportos de Los Angeles e de São Francisco.

Transmissão

Pelo menos 15 trabalhadores da área da saúde de Wuhan também teriam sido infectados pelo vírus. Um em estado crítico.

O porta-voz da OMS enfatizou que ainda há muito a ser esclarecido sobre o novo coronavírus, a fim de tirar conclusões definitivas sobre como foi transmitido, as características clínicas da doença, gravidade, extensão em que se espalhou ou sua fonte.

A agência explica que uma fonte animal parecia ser a fonte primária mais provável do surto. Com base na experiência anterior com doenças respiratórias e, em particular, com outros surtos de coronavírus, provavelmente teria ocorrido a transmissão de humano para humano. A OMS incentiva todos os países a continuar preparativos.

Comissão

Jasarevic informou que os membros da Comissão de Emergência foram selecionados a partir de uma lista de especialistas. Caso a Comissão decida que o surto constitui uma emergência de saúde pública de interesse internacional, ela emitirá uma recomendação temporária.

De qualquer forma, a Comissão pode emitir um Conselho de Saúde Pública, que também pode incluir restrições de viagem. Até o momento, a OMS não aconselhou nenhuma medida do tipo ou de comércio nesse contexto.

O porta-voz apontou que diferentes aeroportos estavam impondo triagens de viajantes da China, mas isso não representava uma restrição, o que a OMS deseja evitar neste momento. Ele enfatizou a importância de entender a transmissão do vírus e até que ponto ele pode se espalhar rapidamente e que para se chegar a uma conclusão são necessários mais dados.

Números

Ao ser questionado sobre os números estimados, Jasarevic disse que, como em outras doenças, a modelagem da disseminação e as estimativas do número de infectados estavam ajudando a construir cenários e a preparar as respostas.

Ele destacou a importância de um sistema de saúde forte, com que eficiência ele pode detectar, testar e tratar a pessoa infectada e como isso pode ajudar a impedir a transmissão hospitalar.

Por isso, a OMS diz ser essencial preparar os sistemas de saúde e reduzir, tanto quanto possível, o número de pessoas que podem entrar em contato com o vírus.

A OMS está mantendo contato regular e direto com autoridades na China, no Japão, na Coreia do Sul e na Tailândia. A agência da ONU também está informando outros países sobre a situação e fornecendo apoio conforme solicitado.

Coronavírus

Os coronavírus são zoonóticos, ou seja, transmitidos de animais para as pessoas.

As suspeitas surgiram no último dia do ano quando a cidade de Wuhan, que tem mais de 11 milhões de habitantes, informou sobre casos de pneumonia com uma etiologia (o estudo dos tecidos) até então desconhecida.

Uma semana depois, autoridades chinesas informaram que uma nova cepa do coronavírus havia sido detectada. Outros casos foram depois notificados em Pequim, capital da China, Xangai e Shenzen.

A notícia alarmou a Organização Mundial da Saúde, OMS, que chegou a recear o retorno da epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave, Sars, surgida em 2003.

Carne e ovos

A OMS já publicou orientações para detectar e tratar pessoas com o novo vírus, incluindo a lavagem regular das mãos e cobrir a boca e o nariz ao tossir e espirrar.

Outras medidas preventivas incluem cozinhar bem alimentos como carne e ovos e evitar o contato próximo com qualquer pessoa que apresente sintomas de doenças respiratórias, como tosse e espirros.

FAO faz alerta para “potencial destrutivo” de nuvem de gafanhotos do deserto

Nuvens de gafanhotos do deserto na Etiópia, no Quênia e na Somália podem crescer ainda mais e se espalhar para outras áreas do leste da África caso a praga não seja controlada.

O alerta foi feito nesta segunda-feira pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, que diz que essas nuvens são “sem precedentes em tamanho e potencial destrutivo”.

As fêmeas dos gafanhotos do deserto podem colocar até 300 ovos durante a vida. Foto: FAO/G.Tortoli

Ameaça

O diretor-geral da agência, Qu Dongyu, disse que essa é “uma situação de dimensões internacionais que ameaça a segurança alimentar de toda a subregião.” Ele afirmou que a FAO está acionando mecanismos que permitirão “apoiar os governos na realização de uma campanha coletiva para lidar com esta crise.”

O chefe da agência da ONU acrescentou que “as autoridades da região já iniciaram atividades de controle, mas, considerando a escala e a urgência da ameaça, é necessário apoio financeiro adicional da comunidade internacional de doadores para que eles possam acessar as ferramentas e os recursos necessários para realizar o trabalho.”  

Reprodução

De acordo com a FAO, as condições climáticas recentes na África Oriental criaram circunstâncias que favorecem a reprodução rápida dos gafanhotos. Sem o devido controle, o número de insetos que devoram colheitas pode aumentar em 500 vezes até junho.

Estas nuvens, que chegam a conter centenas de milhões de gafanhotos do deserto, podem se mover até 150 km por dia, devastando os meios de subsistência rurais. Um gafanhoto do deserto devora seu próprio peso em alimentos por dia, cerca de dois gramas.

Nuvens

A FAO alerta que as nuvens continuam a chegar ao Quênia, vindos da Etiópia e da Somália, e estão se espalhando rapidamente para o centro do país; segundo a agência, a Etiópia e a Somália não tinham nuvens de gafanhotos do deserto nessa escala há 25 anos.

Já o Quênia não enfrenta uma ameaça de gafanhotos dessa magnitude em 70 anos. No momento, o Sudão do Sul e o Uganda não foram afetados, mas estão em risco.

Propagação

A velocidade de propagação da praga e o tamanho das infestações estão tão além da norma que fizeram com que as capacidades das autoridades locais e nacionais chegasse ao limite.

Dada a escala das nuvens, a FAO diz que o controle aéreo é o único meio eficaz para reduzir o número de gafanhotos.

Dongyu enfatiza que “as operações aéreas precisam ser aumentadas substancialmente e rapidamente na Etiópia e no Quênia.” Fora isso, ele afirma que atividades de controle de pragas “deve incluir esforços para restaurar os meios de subsistência das pessoas.”

Nesta fase, e com base em estimativas iniciais, a FAO busca US$ 70 milhões para apoiar urgentemente as operações de controle de pragas e proteção de meios de subsistência nos três países mais afetados.

Neste vídeo, em inglês, a FAO fala sobre o trabalho de prevenção contra a propagação de gafanhotos no Iêmen.

Mar Vermelho

A Índia, o Irã e o Paquistão apresentam nuvens de gafanhotos do deserto desde junho de 2019, os quais estão se reproduzindo. Alguns dessas nuvens migraram para o sul do Irã, onde chuvas fortes recentes permitiram que eles colocassem ovos e já se reproduzissem na primavera deste ano.

Egito, Eritreia, Arábia Saudita, Sudão e Iêmen também estão observando uma grande reprodução de gafanhotos, que podem se expandir para nuvens nos próximos meses.

Concurso premiará melhor arquitetura e design para Complexo da Maré, no Rio

Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, ONU-Habitat, está apoiando o Concurso Internacional de Ideias Maré-Cidade.

Comunidade no Rio de Janeiro, Brasil. Foto: Agência Brasil/Fabio Pozzebom

A iniciativa premiará projetos com soluções inovadoras de arquitetura e design urbano que promovam a integração das favelas do Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, ao seu entorno, levando em conta os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs.

As inscrições estão abertas até 30 de março.

Congresso

Promovido pela União Internacional dos Arquitetos, UIA, junto ao Instituto dos Arquitetos do Brasil, IAB, o concurso é parte do 27º Congresso Mundial de Arquitetos, UIA2020RIO, que ocorrerá de 19 a 23 de julho na capital fluminense.

Serão oferecidos prêmios em dinheiro, de €1 mil a € 3 mil, para os três primeiros colocados. Outros três projetos serão destacados com menções honrosas.

O anúncio dos vencedores acontecerá em 1º de junho, e as soluções ganhadoras serão apresentadas ao público a partir de 21 de julho em uma exposição durante o congresso internacional.

Tema

A ONU-Habitat destaca que o Complexo da Maré é um dos maiores assentamentos populares do Rio de Janeiro com 16 comunidades e 140 mil habitantes. São mais de 40 mil moradias, que vão desde construções informais até projetos habitacionais estatais.

As propostas inscritas no concurso precisarão ter como objeto uma área localizada entre o conjunto de favelas e a Avenida Brasil. Atualmente, a área é ocupada por armazéns e prédios industriais, a maioria abandonada ou em desuso. O desafio proposto é buscar soluções que considerem a população local e sua conexão com a cidade.

Favelas

A integrante do Comitê Executivo do Congresso Mundial de Arquitetos e uma das organizadoras do concurso, Fabiana Izaga, explica que “as favelas são definidas como territórios informais principalmente pelo não cumprimento dos códigos urbanos locais oficiais.”

Segundo ela, “a visão predominante de uma cidade única, regulamentada e normativa entra em conflito com a realidade constituída pelo crescimento e expansão das favelas.”

Para Izaga, cabe “aos arquitetos e urbanistas o desafio de pensar e propor outro conceito de cidade como espaço de diferenças e diversidade.”

O presidente do Comitê, Sérgio Magalhães, acrescenta que “não há alternativas para lidar com as favelas sem que seja considerada a sua relação espacial com o entorno e com a cidade formalmente construída”.

Construção coletiva

Para definir as bases do concurso, o Comitê Executivo do UIA2020RIO contou com o apoio do Observatório de Favelas, organização da sociedade civil para pesquisa, consultoria e ação pública voltadas à redução das desigualdades sociais.

Para compor o júri, foram convidados o diretor regional do ONU-Habitat para América Latina e Caribe, Elkin Velasquez Monsalve, a  diretora do Programa de Trabalho da UIA Arquitetura Comunitária e Direitos Humanos, Nadia Tromp, e o ex-secretário de Desenvolvimento Urbano de Medellín, Alejandro Echeverri.

Completam a equipe, a doutora em Urbanismo e Ordenação do Território pela Universidade Politécnica da Catalunha, em Barcelona, e autora do livro “Cidades Quadradas, Paraísos Circulares”, Verena Andreatta, e o autor do projeto Moradas Infantis, no Tocantins, Gustavo Utrabo, do escritório Aleph Zero.

Participantes

Poderão participar do concurso estudantes de Arquitetura de todo o mundo desde que estejam cursando regularmente a disciplina.

A competição aceita equipes multidisciplinares de até cinco membros, porém, só poderão assinar os trabalhos como autores ou coautores os estudantes de Arquitetura, Arquitetura Paisagística, Urbanismo, Design Urbano e Planejamento Urbano.

Alunos de outras áreas poderão concorrer como membros de equipe, colaboradores ou consultores. Cada estudante poderá participar de apenas uma proposta.

Todos os trabalhos terão que ser apresentados em inglês, idioma oficial do concurso, e deverão levar em conta a integração entre o Complexo da Maré e o restante da cidade e sua relação com a Avenida Brasil, com propostas de novas conexões e cruzamentos.

O edital do Concurso Internacional de Ideias Maré-Cidade está disponível (apenas em inglês) no endereço https://www.uia2020rio.archi/concurso_en.asp#itemA1.

*Com informações do Unic-Rio

ONU parabeniza ex-secretário-geral Pérez de Cuellar por aniversário de 100 anos

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, enviou uma carta a Javier Péres de Cuellar, um de seus antecessores na liderança da ONU, para parabeniza-lo pelo aniversário de 100 anos de nascimento.

Javier Perez de Cuellar, secretário-geral das Nações Unidas, encontra-se com Madre Teresa em outubro de 1985. Foto: ONU/John Isaac

Pérez de Cuellar, do Peru, foi secretário-geral da ONU de 1982 e 1991. Até agora, o único representante da América Latina a ocupar o posto.

Laços familiares

Na carta, Guterres lembra que o ex-diplomata peruano desempenhou o cargo com “dignidade e compromisso”.

Ele falou sobre o papel decisivo de Pérez de Cuellar nos acordos de paz de El Salvador, em 1991, e destacou o que chamou de “profundo afeto e estreitos laços familiares” que Pérez de Cuellar tem com Portugal, país de Guterres.

O atual chefe da ONU diz que fala em nome de toda a organização ao expressar sua gratidão por tantas contribuições que o peruano prestou à ONU quando comandava a organização incluindo no período da Guerra Fria e durante uma nova era que ajudou as Nações Unidas a se tornarem mais ativas.

Independência

Pérez de Cuellar ajudou a mediar as conversações entre Reino Unido e Argentina durante a Guerra das Ilhas Malvinas ou Falklands, e apoiou a independência da Namíbia.

Em 1988, ele negociou pessoalmente o cessar-fogo para o fim da guerra entre o Irã e o Iraque.

António Guterres encerrou dizendo que a vida de Pérez de Cuellar não cobre somente um século, mas toda a história das Nações Unidas ao se lembrar da participação do peruano na primeira Assembleia Geral da ONU como jovem diplomata.

Uma das frases mais marcantes de Pérez de Cuellar como secretário-geral era que a “paz deve ser uma vitória sem perdedores”.

OMS: “mundo está ficando sem opções para combater super bactérias”

A Organização Mundial da Saúde, OMS, alertou para a falta de novos antibióticos por causa da queda de investimentos privados e da falta de inovação na sua produção.

Em nota emitida, em Genebra, a agência da ONU destaca que essa situação ameaça os esforços para travar bactérias resistentes a medicamentos.

Agência destacou que estão sendo desenvolvidos 60 produtos, sendo 50 antibióticos e 10 produtos biológicos. Foto: Opas/ Joshua Cogan

Superbactérias

De acordo com a OMS, dezenas de milhares de pessoas perdem a vida todos os anos por causa dessa situação.

Esta sexta-feira, a agência publicou dois novos relatórios que destacam  a existência de poucos antibióticos eficazes. Para a agência, essa situação ilustra como o mundo está ficando sem opções para combater as chamadas super bactérias.

Para o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, “nunca antes houve ameaças de resistência antimicrobiana imediata ou necessidade de soluções mais urgentes”.

O representante lembrou de iniciativas em andamento para reduzir a resistência desses remédios, mas disse que é preciso que os países e a indústria farmacêutica contribuam com financiamento sustentável e novos medicamentos inovadores.

Produtos Biológicos

A agência destacou que estão sendo desenvolvidos 60 produtos, sendo 50 antibióticos e 10 produtos biológicos. Mas há poucos benefícios sobre os atuais tratamentos e menos ação para abordar bactérias altamente resistentes.

Para os produtos que já estão na fase inicial de testes  ainda serão precisos anos  antes de chegarem aos pacientes.

A OMS cita o perigo de circulação de bactérias como a Klebsiella pneumoniae e a Escherichia coli. Estes agentes podem causar infecções graves e muitas vezes mortais por representarem um ameaça particular a pessoas com sistemas imunológicos fracos ou ainda não totalmente desenvolvidos.

Entre esta possíveis vítimas dessa situação estão os recém-nascidos, as populações que estão em envelhecimento, as pessoas submetidas a cirurgias e ao tratamento anti-câncer.

Porque é o 1.5ºC tão importante?

“Confrontados com um desafio sem precedente, haveis demonstrado uma liderança nunca antes vista”

Era com esta frase que o então secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, fechava a COP25, a 12 de dezembro de 2015. Durante 2 semanas, líderes de todo o mundo estiveram reunidos em Paris para firmar o maior plano de ação global no combate às alterações climáticas. Foi nesta cimeira que nasceu o Acordo de Paris, assinado por 195 países e pela União Europeia.

Acordo de Paris, assinado em dezembro de 2015. ONU / Mark Garten
A Secretária Executiva da UNFCCC, Christiana Figueres, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-Moon, o Presidente da COP21, Laurent Fabius, e o Presidente de França, François Hollande, celebram a adoção do Acordo de Paris. Foto: ONU / Mark Garten

O Acordo apela à “maior cooperação possível de todos os países” para combater “uma ameaça urgente e potencialmente irreversível para as sociedades humanas e para o planeta”: as alterações climáticas.

Na base dessa cooperação está a vontade e ambição de cada Estado, que deverá preparar, comunicar e cumprir as suas ações climáticas através de Contribuições Determinadas a nível Nacional. Juntas, estas ações permitem calcular quando será atingido o pico de emissões e se o mundo cumprirá com o objetivo estabelecido.

Irreverente na forma de atuação, o Acordo de Paris é também ambicioso na sua meta. O objetivo a atingir é a limitação do aquecimento da temperatura média da Terra a 2ºC acima dos níveis pré-industriais.

No entanto, o Acordo refere que os Estados devem “perseguir esforços para limitar o aumento de temperatura a 1.5ºC acima dos níveis pré-industriais”.

Impactos a 1.5ºC

A cada ano que passa, o planeta aquece mais e novos recordes de temperatura vão sendo batidos. Desde 1980 que as décadas têm sido sucessivamente mais quentes que as anteriores e a década 2009-2019 foi a mais quente registada até hoje. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, também o ano passado bateu recordes, afirmando-se como o segundo ano mais quente já registado à superfície (só perdendo para 2016) e o ano mais quente alguma vez registado nos oceanos. À superfície, a temperatura média foi 1.1ºC superior à média do período de 1850-1900.

Urso polar vagueia pelo Ártico. Foto: OMM / Karolin Eichler
Em 2019, a superfície gelada do Ártico alcançou uma extensão de 14.5 milhões de km2. Este é o segundo valor mais baixo desde que se começou a registar a cobertura do gelo no Ártico, em 1979. Foto: OMM / Karolin Eichler

A importância de travarmos o aumento da temperatura a 1.5ºC está patente no Relatório do Aquecimento Global a 1.5ºC, divulgado pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas. Além de apontar as atividades humanas como as responsáveis pelo aumento da temperatura global, o relatório conclui que os riscos climáticos para os ecossistemas naturais e para as sociedades humanas são significativamente maiores num cenário de aumento de 2ºC do que num cenário de 1.5ºC.

O impacto do aumento da temperatura sentir-se-á rapidamente nas calotes polares. Para um cenário de 1.5ºC, o Oceano Ártico ficará completamente livre de gelo no verão 1 vez por cada 100 anos. Já para um aumento de 2ºC, esse fenómeno deverá acontecer 1 vez a cada 10 anos. A instabilidade das camadas de gelo polares e a expansão térmica dos oceanos resultarão num possível aumento do nível médio das águas do mar de vários metros ao longo dos próximos séculos. Para um cenário de 1.5ºC, o nível das águas deverá subir entre 26 a 77 centímetros até 2100 – 100 centímetros a menos do que os valores registados para um aumento de 2ºC.

O aquecimento da Terra tem impactos severos ao nível da biodiversidade. Perante um cenário de 1.5ºC, 70% a 90% de todos os corais terão morrido, enquanto num cenário de 2ºC, praticamente todos os corais terão desaparecido.

Corais no oceano. Foto: unsplash
Devido ao aumento da temperatura dos oceanos, os corais estão mais sujeitos ao branqueamento e a doenças infecciosas. Além disso, a acidificação das águas reduz as taxas de calcificação dos corais. Foto: Unsplash

Num cenário de 1.5ºC, depois de analisadas 105 mil espécies, 6% dos insetos, 8% das plantas e 4% dos vertebrados perderão mais de metade da sua distribuição geográfica. Para um cenário de 2ºC, essas percentagens sobem para 18% dos insetos, 16% das plantas e 8% dos vertebrados.

Apesar da magnitude destes impactos, o cenário de um aumento de 1.5ºC é o limite mínimo que o mundo conseguirá atingir.

Estamos a fazer o suficiente?

Hoje, apenas 71 países (Portugal incluído) se comprometeram com objetivos de longo-prazo para alcançar a neutralidade carbónica (balanço das emissões de CO2 igual a zero). Estes países representam apenas 15% das emissões globais de gases com efeito de estufa. É preciso que os outros 85% se comprometam também, especialmente os países do G20, que representam 78% do total de emissões.

Julgando o rumo atual de emissões, os cientistas preveem um aumento de temperatura de 3,2ºC em 2100. Para travar o aumento em 1.5ºC, o Relatório sobre a Lacuna de Emissões refere que teremos de reduzir as emissões anuais de CO2 para as 25 Giga toneladas em 2030.

Segundo as previsões atuais, se não alterarmos a trajetória, iremos emitir 56 Gt de CO2 em 2030, mais do dobro do que nos é permitido.

Para alcançar as 25 Gt em 2030, temos de cortar as emissões de CO2 em 7,6% todos os anos, já a partir deste ano. Quanto mais tempo esperarmos, mais difícil é de alcançar essa meta. Se mantivermos o caminho atual, em 2025 iremos precisar de cortar as emissões em 15,5% ao ano.

Árvores numa montanha. Foto: UNEP
Um estudo do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, concluiu que a plantação de meio bilião de árvores poderia capturar 205 Gt de carbono, reduzindo o carbono na atmosfera em 25% e mitigando 20 anos de emissões humanas de carbono ao ritmo atual. Foto: UNEP

Cumprir com o objetivo de 1.5ºC torna-se mais difícil a cada dia, mas é possível alcançá-lo se agirmos agora e com determinação. Há países que já o estão a fazer. A Suécia comprometeu-se a atingir a neutralidade carbónica em 2045, financiando ainda projetos de combate às alterações climáticas no estrangeiro. Marrocos prevê produzir 52% da sua energia a partir de renováveis já este ano, muito graças à recém-instalada maior central fotovoltaica do mundo. A Gâmbia comprometeu-se a atingir a neutralidade carbónica até 2050, preparando-se para construir uma das maiores centrais fotovoltaicas da África Ocidental e com um projeto para replantar 10.000 hectares de floresta, manguezais e savana.

Os outros países devem agora seguir estes exemplos e aumentar as suas ambições nacionais na luta contra as alterações climáticas. Para limitarmos o aquecimento da Terra a 1.5ºC, será necessário alterar por completo as nossas sociedades e todos nos teremos de envolver. É preciso fechar o espaço entre aquilo que dizemos que precisamos de fazer e aquilo que realmente fazemos. “Não podemos dar-nos ao luxo de ser a geração que ignorou esta realidade” (secretário-geral da ONU, António Guterres).

“Vamos fazer de 2020 o ano em que colocamos o mundo em direção a um futuro neutro em carbono”

Fontes:

https://unfccc.int/process-and-meetings/the-paris-agreement/the-paris-agreement

https://www.unenvironment.org/resources/emissions-gap-report-2019

https://www.ipcc.ch/sr15/

https://edition.cnn.com/2019/02/06/motorsport/morocco-solar-farm-formula-e-spt-intl/index.html

https://www.unenvironment.org/news-and-stories/story/gambia-building-resilience-changing-climate

https://unfccc.int/news/sweden-plans-to-be-carbon-neutral-by-2045