Neste #DestaqueONUNews, secretário-geral da ONU faz alerta sobre a situação de civis na guerra da Síria; refugiados são convidados de honra para um concerto de Natal no Panamá, e na retrospectiva de 2019, vamos relembrar o discurso da ativista sueca Greta Thunberg aqui na ONU sobre a urgência climática.
O secretário-geral das Nações Unidas reiterou que é preciso realizar “uma investigação independente e imparcial” sobre o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, após o anúncio da condenação de suspeitos nesta segunda-feira.
Em nota emitida pelo seu porta-voz, em Nova Iorque, o chefe da ONU destaca que essa apuração deverá “garantir um exame completo e a responsabilização pelas violações de direitos humanos” cometidas no caso.
Assassinato
O jornalista era conhecido como crítico do governo saudita e desapareceu em outubro de 2018 no consulado do país em Istambul, na Turquia.
Relatora especial sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrarias, Agnes Callamard. Foto: ONU/Mark Garten
O representante disse que a organização teve conhecimento de que oito pessoas foram condenadas e sentenciadas pelo Tribunal Criminal de Riade pelo assassinato de Jamal Khashoggi.
De acordo com agências de notícias, cinco pessoas foram sentenciadas à morte e outras três foram presas devido ao ato. Os relatos das agências destacam ainda que 11 pessoas não identificadas teriam sido julgadas no caso.
Execuções
A nota do secretário-geral também reitera o compromisso das Nações Unidas de “garantir a liberdade de expressão e a proteção dos jornalistas, bem como a oposição de longa data à pena de morte”.
Em relatório apresentado à Assembleia Geral em outubro, a relatora especial sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias, Agnes Callamard, destacou não haver dúvidas de que o assassinato de Jamal Khashoggi fazia parte de plano.
A perita esteve à frente de um grupo de investigação internacional sobre o assassinato do dissidente saudita, que também integrava o perito forense português Duarte Nuno Vieira e os investigadores Helena Kennedy e Paul Johnston.
O Festival Internacional de Cinema sobre Migração é realizado pela Organização Internacional para as Migrações, OIM, e ocorre paralelamente em 100 países. Neste final de semana, o Cine Migração tem a sua última etapa no Brasil, com a apresentação de oito filmes neste domingo, 22 de dezembro, em Brasília.
Vai ficar em Brasília neste final de ano? Então, não perca a programação que preparamos para você no Cine Migração – Festival Internacional de Cinema! Anota aí no calendário, dia 22 de dezembro é dia de Festival no Cine Brasília ? ?️ pic.twitter.com/3q2JVgHbSR
Além de assistir aos curtas e longa metragens, quem passar pelo cinema durante o dia poderá aproveitar a exposição de alimentos e artesanato produzidos por migrantes e brasileiros.
Feira Cultura
A feira cultural contará com a participação do coletivo de estilistas africanos do projeto Egalité, apoiado pelo Grupo Mulheres do Brasil, do chef nigeriano Chidera Ifeani, da artista e gastrônoma venezuelana, Damelis Castillo, da editora de livros sobre imigração Csem e das farofas temperadas e solidárias da Vicky, do Templo Budista, que oferecerá oficinas de pintura Sumi-e. O espaço também terá food trucks de sushi do Ricardo e de comida italiana Romanzini e de bike de vinhos.
Segundo a OIM, outro destaque da programação de Brasília é a compilação de vídeos da oficina de audiovisual e histórias para migrantes, a Feitos de Coragem, realizada em 2019 em Brasília e Curitiba. Os migrantes poderão visualizar, junto com o público da capital, o trabalho que eles mesmos colocaram em prática durante os dois dias da capacitação.
Festival
Entre os filmes escolhidos para a edição de 2019 do Cine Migração no Brasil há obras de ficção, documentários e uma animação, todos de origens diversas, incluindo obras realizadas no próprio país.
O intuito da curadoria foi apresentar diferentes aspectos da migração e as situações diversas que os migrantes enfrentam no mundo. Temas como tráfico de pessoas, exploração sexual, inclusão social, fluxo migratório, manejo de fronteira e crianças migrantes são retratados nas telas.
O chefe de missão da OIM no Brasil, Stéphane Rostiaux, destaca que o “Cine Migração apresenta filmes que abordam os desafios da migração e as contribuições únicas que os migrantes trazem para suas novas comunidades.” Ele explica que o “objetivo é fomentar uma discussão mais ampla sobre um dos maiores fenômenos” da atualidade.
Brasil
No Brasil, as mais de 30 projeções do Cine Migração aconteceram em Belo Horizonte, Boa Vista, Brasília, Curitiba, Manaus, São Paulo e Pacaraima, entre os dias 3 e 22 de dezembro.
As exibições são gratuitas e ocorrem em locais variados como cinemas, auditórios e até mesmo nos alojamentos que abrigam os venezuelanos em Pacaraima e Manaus.
A OIM lançou o Festival Global de Cinema sobre Migração em 2016 com 30 filmes inscritos. No ano passado, a iniciativa recebeu 784 submissões de diretores independentes de 98 países, o que tornou a iniciativa um fenômeno global do cinema.
A seleção oficial do festival de 42 filmes em 2018 realizou 558 projeções em 104 países, atingindo uma audiência de mais de 30 mil pessoas e inspirando diretores e amantes da sétima arte.
Serviço
Cine Migração 2019 – Brasília
Data: 22 de dezembro
Local: Cine Brasília, 106/107 Asa Sul (entrada pelo eixo W)
Horário: 10h30 às 20h (início da última sessão)
Filmes
10h30 – Exibição de filmes da oficina de vídeo para migrantes Feitos de Coragem, realizada em Brasília e Curitiba em 2019 e conversa com o cineasta e professor da capacitação Gustavo Castro.
15h – O Ano Novo da Haru, de Alice Shin (19 min)
Três Dias de Agosto, de Madli Lääne (20 min)
A Torre, de Mats Ground (77 min)
17h30 – Nossas Histórias no Muro: Mulheres e Arte na Fronteira Brasil-Venezuela, de Benjamim Mast e Adriana Duarte (6 min) – participação da produtora do filme, Tainá Aragão
Libertai, de Bill Szilagyi (16 min)
As estátuas de Fortaleza, de Fabien Guillermont e Natália Albuquerque (89 min) – participação da co-diretora.
20h – Encerramento
Presentes da Babilônia, de Bas Ackermann (24 min)
Jovens Polacas, de Alex Levy-Heller (96 min)
Oficinas de arte japonesa Sumi-e com a professora Marissol Hiromi
Inscrições no localHorários: 15h; 17h; 19h
Feira cultural nas laterais do cinema de 10h30 às 20h
As Nações Unidas anunciaram que pelo menos 2,5 milhões de pessoas precisam de assistência urgente em Moçambique, após o país ter sofrido desastres consecutivos incluindo secas, ciclones, inundações e episódios de insegurança.
O Escritório de Assistência Humanitária da ONU, Ocha, precisa com urgência de US$ 97,3 milhões nos próximos cinco meses. O montante faz parte dos US$ 424,8 milhões do Plano de Resposta Humanitária lançado para apoiar os necessitados.
Financiamento
O Ocha destacou que esses fundos são “absolutamente vitais” para salvar vidas e aliviar o sofrimento de 2 milhões de pessoas até maio de 2020.
Centenas de milhares de pessoas em todo o país não terão acesso à assistência essencial se esse financiamento não chegar com urgência, alerta a ONU. A meta do Plano de Resposta Humanitária revisto é atender os mais atingidos pelos desastres.
Em 2019, as agências humanitárias aumentaram as operações em Moçambique com cerca de US$ 300 milhões de doadores. Esse valor permitiu fazer chegar ajuda alimentar a cerca de 1,9 milhão de pessoas.
Mais de 704 mil crianças foram testadas com desnutrição aguda, 406 mil pessoas receberam apoio essencial de emergência e outras 765 mil famílias tiveram acesso à água potável e ao saneamento.
Temporadas
O Ocha destaca que apesar desses avanços ainda existem lacunas. Mais fundos são necessários com o aproximar do pico das temporadas de seca e de ciclones.
Os valores devem ajudar a chegar às áreas de difícil acesso, em risco e inseguras, principalmente nas províncias de Sofala, Manica e Cabo Delgado. As três regiões foram as mais afetadas pelos ciclones que abalaram o país este ano.
Nove meses após a passagem do ciclone Idai e oito meses depois do Kenneth essas áreas ainda estão se recuperam num cenário de casas destruídas, danificadas ou abrigos improvisados.
Cerca de 92,5 mil pessoas continuam deslocadas em 71 locais improvisados que precisam de comida, água, educação, abrigo, instituições financeiras, serviços de saúde e proteção.
Deficiência
No auge da chamada temporada de escassez, entre janeiro e março, espera-se que as pessoas em insegurança alimentar enfrentem as piores necessidades após a passagem dos dois ciclones por Moçambique.
O país registrou novos casos de pelagra pela primeira vez em vários anos. Mais de 3,5 mil pacientes desse tipo de deficiência de vitamina B3 foram identificados até o momento.
Espera-se que pelo menos uma grande tempestade venha a atingir o país que em média sofre 1,5 ciclone por ano.
As Nações Unidas destacam ainda que as reservas de emergência esgotaram durante a resposta humanitária em 2019. Para reabastecer os armazéns com esses suprimentos são necessários cerca de US$ 597 mil.
ONU Moçambique
Meninos da cidade da Beira após a passagem do ciclone Idai.
Neste #DestaqueONUNews, com Monica Grayley, piora situação dos civis na Síria. Chefe da ONU se reúne com papa Francisco no Vaticano para marcar a estação de paz; e no final, vamos relembrar alguns dos acontecimentos de 2019 com o escritor Mia Couto, de Moçambique.
Secretário-geral destaca que humanidade deve continuar unida pela paz e harmonia; líderes pediram a países que façam mais para combater crise climática.
O Vaticano deve tomar todas as providências necessárias para acabar com o abuso sexual de crianças. Além disso, a Igreja Católica Apostólica Romana também deve assegurar que os casos serão prontamente investigados e os responsáveis levados à justiça.
A declaração é parte de um comunicado da relatora especial* sobre venda e exploração de crianças.
Relatora especial sobre venda e exploração sexuais de crianças, Maud de Boer-Buquicchio. Foto ONU/Jean-Marc Ferre
Transparência
Maud de Boer-Buquicchio disse que a decisão do papa Francisco de abolir o segredo pontifício para abusos cometidos por clérigos é só o primeiro passo para acabar com esses “crimes abomináveis”.
O segredo impedia as vítimas de obterem justiça e reparações. Para ela, a partir de agora, as vítimas de abuso sexual não terão mais que viver com a agonia da impunidade. A relatora afirma que após o alcance dessa transparência é hora de cobrar responsabilidade penal e civil dos autores.
Dentre as medidas, Boer-Buquicchio sugere denúncias obrigatórias para todos os clérigos e funcionários do Vaticano que tenham conhecimento de casos de abuso.
Supervisão
A relatora especial diz que a igreja tem que exigir tolerância zero para abusos sexuais a crianças em todas as instituições sob sua supervisão. Assegurando inclusive que os responsáveis pelos abusos sejam demitidos imediatamente.
A especialista afirmou que apesar de alguns casos terem sido descobertos e denunciados, a continuação dos abusos de crianças permanece “profundamente preocupante”.
De Boer-Buquicchio diz que todas as vítimas merecem reparação e cuidados com base nos danos sofridos, e no impacto sobre a vida dos sobreviventes e de suas comunidades.
Durante várias décadas o flagelo do abuso a crianças foi inteiramente ignorado, negados ou remarcados como um pecado que poderia ser perdoado.
Dentre as medidas, a relatora quer que a igreja ofereça aconselhamento e apoio social com urgência a quem sofre o abuso por parte dos clérigos e funcionários do Vaticano.
Já os governos também devem complementar essas ações com educação e serviços sociais assegurando o papel que têm de proteger as crianças.
A relatora afirmou que o fardo de denunciar esses crimes não pode ser somente das vítimas, e que o mundo espera que os países e a Igreja Católica possam cumprir seu dever de acabar com esta situação. Para a especialista em direitos humanos, é hora das ações seguirem as palavras.
*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo trabalho prestado.
O Fórum Global para Refugiados, que ocorre em Genebra, na Suíça, reúne governos, organizações e líderes financeiros, agentes humanitários e de desenvolvimento, refugiados e representantes da sociedade civil.
De acordo com a Agência das ONU para Refugiados, Acnur, o evento assegurou compromissos amplos e de inclusão dos refugiados e das comunidades em que vivem.
Compromissos
O Acnur diz que 770 promessas foram feitas até a tarde deste 18 de dezembro. O evento contou com cerca de 3 mil participantes incluindo refugiados e 750 delegações.
Os compromissos vão desde empregos, vagas em escolas para crianças refugiadas, novas políticas governamentais, soluções como reassentamento, energia limpa, infraestrutura e melhor apoio às comunidades e países anfitriões.
Debateu-se ainda o uso de indicadores para avaliar o sucesso na criação de empregos e redução dos níveis de pobreza.
Daqui a dois anos, haverá uma reunião de avaliação.
Crises
O chefe do Acnur, Filippo Grandi, disse que nos últimos anos houve hesitação no “apoio público ao asilo” e que em muitos casos, “as comunidades que acolhem refugiados se sentiram sobrecarregadas ou esquecidas.”
Para Grandi, durante o Fórum, foi possível ver “uma mudança decisiva para a visão de longo prazo.”
Uma análise inicial do encontro sugere grandes compromissos financeiros. O Banco Mundial prometeu mais de US$ 4,7 bilhões em duas iniciativas de financiamento para refugiados e comunidades anfitriãs.
Já o Banco Interamericano de Desenvolvimento, BID, anunciou US$ 1 bilhão.
Criança refugiada um acampamento de deslocados em Idlib. , by Foto: Unifeed
Empregos e oportunidades
Outros US$ 2 bilhões foram prometidos por vários países para o mesmo fim.
De acordo com o Acnur, o setor privado assumiu os compromissos mais abrangentes já feitos para os deslocados à força.
A oferta de oportunidades de emprego para refugiados também teve bastante apoio, o que para a agência da ONU é crucial para permitir que os refugiados recuperem a dignidade e possam contribuir com as comunidades em que vivem.
Além das promessas humanitárias e de desenvolvimento, mais de US$ 250 milhões foram anunciados por grupos empresariais. A estimativa é que pelo menos 15 mil empregos devem surgir dessas iniciativas.
Para o Acnur, o Fórum tem um papel fundamental novo Pacto Global sobre Refugiados que foi aprovado pelos Estados-membros da ONU em dezembro de 2018. De acordo com o Pacto, os Fóruns Globais de Refugiados acontecem a cada quatro anos.
O próximo encontro do tipo está programado para o final de 2023.
Hoje, no mesmo planeta onde cerca de 821 milhões de pessoas sofrem de desnutrição crónica, 30% de todos os alimentos produzidos acabam por ser desperdiçados. A fome continua a aumentar em algumas regiões do mundo e, mesmo assim, 1,3 mil milhões de toneladas de comida por ano vão parar ao lixo. É tempo de refletir. Estamos a fazer o suficiente, em Portugal e no mundo, para garantir que todos têm uma alimentação completa?
Nos últimos vinte anos, o acelerado crescimento económico e o aumento da produtividade agrícola fizeram cair para metade o número de pessoas no mundo que não dispunha de alimento em quantidade suficiente. Nas regiões da Ásia Central e Oriental, da América Latina e das Caraíbas têm-se registado grandes progressos na erradicação da fome extrema.
Apesar desta tendência animadora, a fome ainda persiste, principalmente em África e na América do Sul, onde há indícios que a desnutrição e a insegurança alimentar grave estão a aumentar. Na África Subsariana, o número de pessoas subnutridas aumentou de cerca de 195 milhões, em 2014, para 237 milhões, em 2017. A má nutrição na região é responsável por quase 50% das mortes de crianças com menos de 5 anos, o que perfaz cerca de 3,1 milhões de crianças por ano.
Um grupo de crianças com fome toma uma das duas refeições quentes que recebe todos os dias, no Centro de Nyakabande, no Uganda. ACNUR / Frederic Noy
Atingir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável #2 de Erradicar a Fome continua a ser um grande desafio. Sobretudo se considerarmos o futuro próximo: segundo a ONU, a população global deverá chegar aos 9,7 mil milhões em 2050.
De acordo com um estudo recente do Programa Alimentar Mundial, as causas para o aumento da fome incluem a degradação ambiental, a seca – ambas potenciadas pelas alterações climáticas – e os conflitos.
A falta de biodiversidade na agricultura também é motivo de preocupação e é responsável por dietas homogéneas que limitam o acesso aos alimentos e que, por sua vez, motivam a persistência da desnutrição e da pobreza. Ao olharmos para o total da produção agrícola, descobrimos que este gira em torno de apenas 12 culturas agrícolas e que 60% de todas as calorias consumidas no mundo provêm apenas do arroz, do milho, do trigo e da soja.
Para o Programa Alimentar Mundial, embora não haja soluções mágicas para erradicar a fome, é necessário delinear uma estratégia assente em 5 pilares.
5 Medidas para Erradicar a Fome
Maior proteção para os mais vulneráveis.
Melhorar as infraestruturas.
Reduzir o desperdício alimentar.
Cultivar uma variedade mais ampla de culturas agrícolas.
Concentrar os esforços na nutrição infantil.
Uma voluntária do ACNUR alimenta uma criança no abrigo coletivo de New Kawayan, nas Filipinas. ACNUR / P. Behan
Para além destas medidas, a inovação e a tecnologia estão a ser usadas a nível global para melhorar uma ampla gama de desafios na produção de alimentos. Aqui mostramos alguns exemplos:
Porcos da Papua Nova-Guiné na Cloud
Na Papua Nova-Guiné, onde os porcos desempenham um papel fundamental na cultura e economia do país, não há festa sem um assado de porco. A crescente procura global pela carne significa que os agricultores têm agora a oportunidade de vender os seus produtos para mercados locais e estrangeiros.
No entanto, para tal, eles precisam de comprovar que o seu gado cumpre os padrões internacionais e é aí que a tecnologia mais recente intervém.
Foi implantando um sistema de localização digital online que, pela primeira vez, verifica informações importantes sobre os porcos. Os dados animais incluem o seu pedigree, a sua alimentação e, caso estejam doentes, quais os medicamentos que foram prescritos, comprovando perante os importadores e consumidores a qualidade da carne que compram.
Eliminar os produtos químicos na Índia
Hoje, os fertilizantes e outros produtos químicos estão sobre forte escrutínio na Índia, sendo culpados pela degradação do solo e pela produtividade agrícola estagnada. As consequências socioeconómicas que daí decorrem, levam ao suicídio de milhares de agricultores todos os anos.
Contudo, em Andhra Pradesh, o Programa Ambiental da ONU está a apoiar a iniciativa “Orçamento Zero de Agricultura Natural” (ZBNF), que aproveita os recentes desenvolvimentos científicos e elimina a necessidade de produtos químicos, através, por exemplo, do revestimento das sementes com uma mistura de dejetos de vaca.
Esta dependência dos produtos cultivados em casa e prontamente disponíveis permite que os agricultores envolvidos no programa aumentem a biodiversidade e rejuvenesçam os seus solos, reduzindo os custos e aumentando os lucros. Transformando e protegendo os sistemas alimentares locais, a ZBNF assegura o bem-estar dos agricultores a longo prazo. Com a ampliação do programa, o governo regional pretende fazer de Andhra Pradesh o primeiro estado de “agricultura natural” da Índia.
Não ao desperdício no Egito
O Programa Alimentar Mundial tenta combater este desperdício através de campanhas como a #StopTheWaste, lançada no início de outubro. Esta campanha tem como objetivo a formação de um movimento global, destacando soluções simples que todos nós podemos adotar para combater o desperdício.
No Egito, onde cerca de metade dos tomates e um terço das uvas acabam por ser desperdiçados devido a práticas ineficazes antes de chegarem ao consumidor, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, fez uma parceria com o governo e com as cooperativas egípcias para encontrarem maneiras de limitar as perdas de alimento causadas por produções excedentes e práticas ineficientes. Este vídeo descreve algumas das soluções mais pragmáticas que resultaram dessa colaboração: https://bit.ly/31YBm7A.
Um trabalhador carrega dois cestos de tomates acabados de apanhar na perto de Nubaria, no Egito. FAO / Heba Khamis
O Cenário Português
Em Portugal, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, em 2018, 3,2% da população ainda se encontrava em situação de insegurança alimentar grave. Para além disso, o país ainda desperdiça 17% de todos os alimentos.
Essa percentagem corresponde a 1 milhão de toneladas de comida, o que quer dizer que, por ano, cada português desperdiça 97 kg de comida.
Para combater o desperdício alimentar, surgiram várias iniciativas em Portugal ao longo dos últimos anos.
A Cooperativa de Consumo Fruta Feia insiste que “a qualidade não se mede pela aparência” e pretende aproveitar os 33% de frutas e legumes que são rejeitados em Portugal por causa da sua aparência. A primeira delegação da cooperativa instalou-se no Intendente, em Lisboa, em 2013, e hoje são já 11 delegações que, no total, já evitaram o desperdício de 1.834 toneladas de alimentos.
O método seguido por esta cooperativa consiste na compra de frutas e vegetais aos produtores locais que não os conseguiram vender por razões meramente estéticas. De seguida, esses produtos são vendidos aos consumidores espalhados pelo país que estão registados no site da Fruta Feia.
A FairMeals é mais recente e envolve a tecnologia no processo. Desenvolvida em janeiro de 2018, a FairMeals é uma startup que nasceu da ideia de dois estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto: Christian Wimmler e Tiago Fernandes. Já disponível em formato App, a empresa divulga os excedentes alimentares dos seus estabelecimentos parceiros com descontos a partir de 50%. O cliente só tem de encontrar a sua oferta preferida e deslocar-se ao estabelecimento para pagar e levantar a oferta.
A empresa tem mais de 45 parceiros espalhados pelo Porto, Lisboa e Coimbra e apenas vendem excedentes alimentares que, de outro modo, acabariam no lixo. Além disso, a FairMeals doa 10% de todos os seus lucros a instituições de caridade.
A ONU encerrou esta terça-feira as celebrações do Ano Internacional das Línguas Indígenas com um evento na Assembleia Geral em Nova Iorque.
Falando no evento, o presidente da Assembleia Geral, Tijjani Muhammad-Bande, pediu que o mundo continue promovendo essas línguas, que estão desaparecendo em um ritmo alarmante.
Especialistas alertam que 40% das línguas indígenas correm o risco de desaparecer por completo, Foto: Pnud Filipinas/Orange Omengan
Alerta
Bande disse que todos precisam perceber que “nestas línguas, existem ideias científicas, conselhos de sabedoria e práticas comunitárias que levam as civilizações de uma fase para outra.”
O evento foi organizado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, e pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Desa.
Muhammad-Bande disse que “as Nações Unidas estão claramente na vanguarda dos esforços para enfrentar os desafios colocados às línguas indígenas no mundo moderno.”
Em 2007, a Assembleia Geral adotou a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas. O documento pede que os Estados tomem medidas efetivas, em consulta com os povos indígenas, para combater o preconceito, eliminar a discriminação e promover a tolerância e as boas relações entre os povos indígenas e outros setores da sociedade. Também pede políticas e leis que preservem e fortaleçam as línguas indígenas.
Apesar desses esforços, o presidente da Assembleia Geral disse que “os desafios persistem.” Segundo ele, pelo menos uma língua nativa desaparece a cada duas semanas.
Esforços
Nesse momento, ainda existem cerca de 4 mil línguas indígenas. Mas manter esses números é um desafio. Essas línguas são faladas por apenas 6% da população total do mundo e 15% das pessoas mais pobres do mundo são indígenas.
Para Muhammad-Bande, “a diversidade linguística é essencial para a preservação do patrimônio comum da humanidade.” Ele acredita que infelizmente, “essa diversidade que consideramos essencial está em risco.”
Timor-Leste tem um plano para promover as línguas indígenas nas escolas primárias, Unicef Timor-Leste/2018/Amin
A Unesco destaca vários obstáculos. Nas Filipinas, por exemplo, o governo promove o uso da língua materna nas escolas, mas não financia professores ou materiais. Na Ilha de Páscoa, no pacífico, a língua local está sendo rapidamente substituída pelo espanhol.
Segundo a agência, a sobrevivência de um idioma também depende dos meios de comunicação. Na América Latina, existem leis nacionais favoráveis, mas dificuldades na sua aplicação. Por outro lado, na África são necessárias leis nacionais.
Direito
Segundo o presidente da Assembleia Geral, “em vez de procurar quem é culpado pela extinção dessas línguas, o mundo deve se concentrar no que precisa ser feito para garantir a sua sobrevivência.” Ele diz que as escolas têm um papel importante a desempenha, porque podem “cumprir a missão vital de proteger as línguas da agressão externa e da degradação interna.”
Tijjani Muhammad-Bande terminou pedindo a todas as comunidades indígenas que lutem para preservar suas línguas. Segundo ele, “um povo que abandona sua língua renunciou, de forma consciente ou não, ao seu direito à identidade cultural.”
Neste #DestaqueONUNews, conferência contra a corrupção deve reunir mais de 1,3 mil participantes; inicia em Genebra encontro mundial sobre refugiados; novo relatório da OMS aponta que incidência de obesidade e subnutrição reflete mudanças nos sistemas alimentares.
Dois dias após o encerramento oficial da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP 25, as negociações para se chegar a um documento final terminaram neste domingo.
De acordo com a ONU, o evento que ocorreu em Madri, na Espanha, viu muito progresso feito pelo setor privado e pelos governos nacionais, regionais e locais. No entanto, houve desapontamento pela falta de consenso geral em relação ao aumento da ambição climática.
Guterres
O secretário-geral António Guterres, disse no Twitter que estava “desapontado com os resultados da COP 25”. Para ele, “a comunidade internacional perdeu uma oportunidade importante para mostrar maior ambição em mitigação, adaptação e financiamento para enfrentar a crise climática.”
O chefe da ONU também escreveu que está “mais determinado do que nunca a trabalhar para que 2020 seja o ano em que todos os países se comprometam” a fazer o que a ciência diz ser necessário “para atingir a neutralidade do carbono em 2050 e um aumento de temperatura não superior a 1,5°Cs.”
Negociações
Até o final oficial da conferência na sexta-feira, os negociadores chegaram a um acordo sobre algumas questões importantes. Entre elas, temas como capacitação e um programa de gênero e tecnologia.
No entanto, a ONU aponta que um acordo geral foi procrastinado devido a divergências sobre questões maiores e mais controversas que lidam com perdas e danos causados pelas mudanças climáticas provocadas pelo homem, assim como o financiamento para adaptação.
A pedido do presidente chileno da COP, negociadores trabalharam durante a noite de sexta-feira. Mas, de acordo com relatos, uma versão preliminar do texto final divulgado na manhã do sábado desapontou todas as partes nas negociações.
Representantes de Organizações Não Governamentais, ONGs, e da sociedade civil teriam declarado que o acordo era inaceitável e uma traição aos compromissos assumidos no âmbito do acordo climático de Paris de 2015.
Multilateralismo
No sábado a tarde uma conferência de imprensa foi realizada pelos organizadores da COP explicando que os negociadores ainda estavam trabalhando intensamente com o objetivo de “mostrar ao mundo” que um resultado poderia ser obtido e “que o multilateralismo funciona.”
Na noite de sábado ainda não havia sinal de acordo. No Twitter, a ativista de 16 anos, Greta Thunberg, uma das participantes de alto nível do Encontro de Cúpula de Ação Climática, realizado na sede da ONU em setembro, comentou que parecia que a COP 25 em Madri estava desmoronando e que apesar de ser clara, “a ciência está sendo ignorada.”
Progressos
Apesar da decepção manifestada no conteúdo do documento final, vários anúncios foram feitos durante a conferência de duas semanas que indicam progresso. A União Europeia, por exemplo, se comprometeu com a neutralidade do carbono até 2050, e 73 países anunciaram que apresentarão um plano de ação climática aprimorado.
Uma disposição de ambição por uma economia mais limpa também ficou evidente em nível regional e local, com 14 regiões, 398 cidades, 786 empresas e 16 investidores trabalhando para alcançar emissões líquidas zero de CO2 até 2050.
As discussões realizadas durante a COP 25 ampliaram o entendimento da ciência por trás da crise climática e a necessidade crítica de urgência. O Pacto Global da ONU, que trabalha com o setor privado, anunciou que 177 empresas concordaram em estabelecer metas climáticas baseadas na ciência e que se alinham com o limite do aumento da temperatura global até 1,5°C acima dos níveis pré-industriais e atingindo as emissões líquidas de zero até 2050.
Isso é o dobro do número de empresas que se comprometeram na Cúpula de Ação Climática, representando emissões do setor privado equivalentes ao total anual de emissões de CO2 da França.
COP 26
Como poucos países apresentaram planos com compromissos concretos para reduzir as emissões de acordo com os objetivos do Acordo de Paris, a COP 25 concluiu com um apelo às nações para que apresentem metas mais ambiciosas para reduzir essas emissões na COP 26, que será realizada em dezembro de 2020 em Glasgow, na Escócia.
O evento está sendo apontado como um marco importante na luta contra as mudanças climáticas.
Segundo cientistas, com os atuais compromissos de redução de emissões, o planeta aquecerá mais de 3°C até o final do século em relação aos níveis pré-industriais, criando um cenário desastroso para toda a vida na Terra.
A República Democrática do Congo registrou um aumento no número de casos de ebola devido à violência de grupos armados em comunidades remotas, informou a Organização Mundial da Saúde, OMS.
De acordo com a agência, 27 novos casos foram identificados na semana passada no leste do país. O número representa três vezes mais do que o número médio de contaminações nos últimos 21 dias.
Vítimas do ebola enterradas no cemitério Kitatumba, no Butembo, no leste da República Democrática do Congo, ONU/Martine Perret
Perigos
Falando a jornalistas em Genebra, o especialista da OMS, Michel Yao, disse que a área mais afetada pelo vírus é “infelizmente a área com mais insegurança.”
A OMS afirma que o desenvolvimento é “preocupante”, mas lembra que as taxas atuais de infecção estão bem abaixo dos 120 casos por semana relatados durante o pico do surto, no final de abril.
Além disso, o vírus está agora restrito a quatro zonas de saúde, quando chegou a afetar 29, nos distritos de Kivu do Norte, Kivu do Sul e Ituri.
Ataques
No final de novembro, ataques a profissionais de saúde e clínicas de obrigaram a reduzir, de forma significativa, o trabalho de localizar pessoas que entraram em contato com pacientes e vaciná-las.
O especialista da OMS afirmou que “quando não existe acesso, não se pode vacinar os contatos e outras pessoas em risco.” Também não é possível confirmar novos casos de infecção e prestar assistência médica.
A ONU estima que até 100 grupos armados operem na vasta região florestal do leste do país, na fronteira com Uganda, Ruanda e Burundi. Além de causar problemas na resposta ao ebola, os ataques provocaram uma crise humanitária e ameaçaram a distribuição de ajuda.
Ponte aérea
Para garantir que os cuidados continuem, a OMS lançou esta semana uma operação diária de helicópteros para as comunidades em risco. Os funcionários da agência administraram as primeiras vacinas na quinta-feira;
Desde o início do surto, em agosto do ano passado, 2.210 pessoas morreram da doença.