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Angola destaca que Conferência dos Oceanos é oportunidade para acabar com “triste cenário”

Presidente da República, João Lourenço, lembra que os oceanos são fonte de riqueza e importantes para integrar diferentes culturais e trocas comerciais entre nações; ele pede urgência para resolver “triste cenário”. 

Conferência dos Oceanos inicia com apelo a uma ação urgente para enfrentar ‘Emergência nos Oceanos’

@UN Photo/Eskinder Debebe

“Infelizmente, tomámos os oceanos como garantidos e hoje enfrentamos o que eu chamaria de “Emergência nos Oceanos”, declarou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, aos delegados, hoje, na abertura da Conferência dos Oceanos da ONU. “Temos de inverter a maré. Oceanos saudáveis e produtivos são vitais para o nosso futuro comum”.

Neste primeiro dia da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que tem como tema “Intensificar a ação nos oceanos tendo por base a ciência e inovação, para a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14: balanço, parcerias e soluções”, o secretário-geral da ONU deu nota de boas notícias: a criação de um instrumento juridicamente vinculativo sobre a conservação e a utilização sustentável da biodiversidade marinha de áreas fora da jurisdição nacional; um novo tratado que está a ser negociado para enfrentar a crise mundial de plásticos que está a sufocar os nossos oceanos; e um acordo da Organização Mundial do Comércio alcançado há uma semana sobre o fim dos subsídios prejudiciais à pesca. No entanto, António Guterres sublinhou que há ainda muito a fazer.

Fotografia de família © Twitter State House Kenya

“Os oceanos são fundamentais no balanço geopolítico do poder”, declarou o presidente da República de Portugal, Marcelo de Rebelo de Sousa, na sessão de abertura, reforçando a mensagem do secretário-geral. “Cuidados de saúde, recursos económicos, energia, mobilidade, migrações, desenvolvimento científico e tecnológico, alterações climáticas, tudo isto está presente no contexto ou em resultado da pandemia, da guerra ou da crise […] Temos de recuperar o demasiado tempo que perdemos e dar uma oportunidade à esperança, uma vez mais, antes que seja tarde”.

Já o presidente da República do Quénia, Uhuru Kenyatta, destacou que “a criação, pelas Nações Unidas, da Década dos Oceanos para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030) mobiliza esforços para inverter o ciclo de declínio da saúde dos oceanos e reúne partes interessadas do mundo inteiro num quadro comum que vai assegurar que a ciência dos oceanos possa apoiar plenamente os países na criação de melhores condições para o desenvolvimento sustentável dos oceanos”.

Soluções arrojadas e inovadoras

Na Conferência dos Oceanos das Nações Unidas mais de 25 chefes de Estado e de Governo, juntamente com milhares de jovens, empresários, cientistas e representantes da sociedade civil, vão apresentar soluções novas, arrojadas e inovadoras para impulsionar uma mudança transformacional para enfrentar eficazmente os desafios que os oceanos enfrentam.

@UN Photo/Eskinder Debebe. A Conferência dos Oceanos das Nações Unidas decorre no Altice Arena, em Lisboa.

Além das sessões plenárias, a Conferência conta com oito diálogos interativos, que vão aprofundar áreas relevantes como a poluição marinha, a acidificação, a desoxigenação, o aquecimento dos oceanos e a promoção e reforço de economias sustentáveis baseadas nos oceanos, em particular para Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e Países Menos Desenvolvidos.

Adicionalmente, estão previstos quatro eventos especiais e mais de 250 eventos paralelos. Os eventos especiais abordam projetos de inovação liderados por jovens, economia azul sustentável, ligações entre água doce e salgada e ação para os oceanos a nível local e regional.

Para Portugal, este é o melhor momento para abrigar a Conferência dos Oceanos

Presidente do país, Marcelo Rebelo de Sousa, diz que pandemia e guerra não podem servir de pretexto para se adiar busca de soluções; já chefe da diplomacia portuguesa, João Cravinho, fala de momento para agir em fase de grande convergência de vontades. 

Chefe da ONU abre Conferência dos Oceanos com quatro recomendações aos países

António Guterres pede que acordo global que será negociado em Lisboa envolva investimentos na economia azul, redução de todo o tipo de poluição marinha, investimentos em infraestruturas costeiras e mapeamento de 80% do fundo do mar.

Guterres pede desculpas aos jovens do mundo pela degradação dos oceanos

No Fórum dos Jovens e da Inovação, na Praia de Carcavelos, secretário-geral da ONU falou a mais de 100 estudantes de todo o mundo; ator do filme Aquaman, Jason Momoa esteve no local para receber o bastão da natureza; jovens de Portugal e do Brasil compartilham suas ideias inovadoras para mudar rumos e salvar a vida marinha.

Abuso de entorpecentes e tráfico têm impacto sobre crises humanitárias e de saúde

A ONU marca neste 26 de junho o Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico Ilícito de Drogas. O problema impacta, de forma negativa, as crises de saúde e humanitárias.

Desastres climáticos, conflitos e deslocamento forçado além da pobreza extrema são condições que levam ao abuso de entorpecentes. A pandemia da Covid-19 só fez piorar uma situação que já era grave.

Acesso a tratamento necessário

Em mensagem, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que os criminosos lucram com o sofrimento das pessoas. A produção de cocaína aumentou, e as apreensões de metanfetamina quintuplicaram durante a última década.

O líder das Nações Unidas disse que as pessoas vivendo em emergências humanitárias têm menos chance de acesso a tratamento necessário.

Para Guterres, o mundo precisa renovar o compromisso de acabar com o flagelo do abuso e tráfico de drogas e apoiar aqueles que se tornam vítimas do problema.

Pessoas vivendo com HIV e hepatite

Ele defende soluções que não discriminem e que ponham as pessoas no centro das respostas. Assim como direitos humanos e de saúde como base na cooperação internacional de combate ao tráfico e abuso de entorpecentes.

Ele quer que serviços de apoio e tratamento para os usuários de droga sejam fortalecidos, uma vez que essas pessoas precisam de cuidados e não estigmas. Dentre eles estão pessoas vivendo com HIV e hepatite.

Para António Guterres é preciso responsabilizar quem lucra com a miséria e sofrimento alheios.

Nações Unidas celebram Dia Internacional do Marinheiro

O mundo conta com os marinheiros e marinheiras e sem eles não teria como funcionar e poderia passar forme.

A declaração é do secretário-geral António Guterres para marcar o Dia Internacional do Marinheiro neste 25 de junho.

Covid-19 e duração de contratos

Segundo as Nações Unidas, 90% das mercadorias e comércio global são feitos pelo mar. Desde grãos até bens de energia. E sem o trabalho desses homens e mulheres, o mundo não funcionaria.

Guterres lembra que com a pandemia da Covid-19, os profissionais do setor naval passaram por enormes desafios que vão desde a duração de seus contratos que tiveram que ser estendidos antes da data de expiração e longas jornadas.

Muitos tiveram dificuldades com vacinação, atendimento médico e folgas em terra firme.

Este ano, o Dia Internacional do Marinheiro tem como lema “Sua Viagem, Antes e Agora”.

Tecnologia digital

Para o secretário-geral da ONU, é muito importante ouvir diretamente do marinheiro sobre os desafios encontrados no setor.

Uma das preocupações é a expansão da previdência social, com melhores condições de trabalho, soluções para a troca de tripulação e adaptação para as novas tecnologias digitais para aumentar a segurança e eficiência do trabalho em alto mar.

O objetivo da ONU é fazer da indústria naval, que é essencial para a economia global, um espaço mais verde e sustentável.

Especial: Vivendo da Pesca, Preservando a Cultura

A ONU News viajou até New Bedford, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, que abriga uma grande comunidade de pescadores portugueses. Eles estão resistindo à mudança climática e impulsionando a economia azul. Confira o vídeo.

Relatora quer ação e vontade políticas para proteger jornalistas no mundo

A segurança e liberdade de jornalistas em todo o mundo podem ser alcançadas com mais ação e vontade políticas. A declaração é da relatora especial* das Nações Unidas para a promoção e proteção do direito à liberdade de opinião e expressão, Irene Khan.

Segundo ela, num clima de “autoritarismo emergente e retrocessos democráticos, líderes populistas buscam demonizar e desacreditar jornalistas independentes e muitos governos estão impondo restrições à liberdade de expressão o que é uma contravenção do direito internacional.”

A veterana jornalista palestina Shireen Abu Akleh passou um quarto de século cobrindo a vida sob o regime militar israelense

Al Jazeera

A veterana jornalista palestina Shireen Abu Akleh passou um quarto de século cobrindo a vida sob o regime militar israelense

Assassinato de jornalistas e impunidade

Irene Khan apresentou um relatório ao Conselho de Direitos Humanos, com sede em Genebra, indicando que a liberdade da mídia e a segurança dos jornalistas estão caindo perigosamente em todo o mundo com efeitos negativos sobre os direitos humanos, a democracia, e o desenvolvimento.

O relatório examina oportunidades, desafios e ameaças à mídia na era digital. A especialista se concentrou em três grandes áreas de preocupação: ataques na internet e fora dela, assassinatos de jornalistas e a impunidade, criminalização do jornalismo e assédio legal e jurídico de profissionais da imprensa.

Irene Khan citou ainda outros efeitos como a erosão da independência, da liberdade do pluralismo e a viabilidade de uma mídia estatal e atores corporativos incluindo de empresas digitais.

Cortejo fúnebre de Shireen Abu Akleh em Jerusalém

Maisa Abu Ghazaleh

Cortejo fúnebre de Shireen Abu Akleh em Jerusalém

Ataques a jornalistas mulheres online e offline

Para a relatora da ONU “silenciar jornalistas por assassinatos é a forma mais atroz de censura”. Ela conclamou o Conselho de Direitos Humanos a pensar em medidas robustas para enfrentar a impunidade incluindo a criação de uma força tarefa internacional sobre prevenção, investigação e condenação de ataques contra jornalistas.

Irene Khan acredita que a prática antiga de usar a lei para reprimir reportagens está sendo revitalizada de forma feroz na era digital. A relatora da ONU citou o aumento de legislações sobre notícias falsas, as fake news, para criminalizar a liberdade de expressão e punir jornalistas com multas pesadas e até prisão ao acusa-los de “notícias falsas”, que na realidade são notícias contra determinados interesses de governos e grupos.

O relatório de Khan também chama a atenção para a tecnologia digital que facilitou tanto o jornalismo inovador como criou novas ameaças desde ataques a mulheres jornalistas à vigilância e espionagem de jornalistas na internet. Também surgiram as campanhas de desinformação e as plataformas digitais como controladoras do que o público pode consumir sem nenhuma prestação de contas e com pouca transparência por parte dos que reprimem a informação.

Cartaz de um protesto em Londres em apoio à jornalista palestina Shireen Abu Akleh

© Unsplash/Ehimetalor Akhere Unuabona

Cartaz de um protesto em Londres em apoio à jornalista palestina Shireen Abu Akleh

Assassinatos de Dom Phillips e Shireen Abu Akleh

Para a relatora da ONU, o problema não é falta de leis internacionais, mas as falhas na implementação que são causadas pela falta de vontade política.

O relatório recomenda que os países tomem ações urgentes e concretas, assim como organizações internacionais e empresas para responder as ameaças múltiplas e complexas e que estão geralmente interconectadas de formas física, legal e digital.

Para Irene Khan sem ação concreta e vontade política, o futuro será sombrio para a segurança e liberdade de profissionais da imprensa.

Ela encerra dizendo que uma imprensa independente, livre e plural é fundamental para a democracia, para a prestação de contas e transparência. E que por isso mesmo deve ser defendida pelos Estados e pela comunidade internacional como um bem público.

O relatório de Irene Khan é apresentado poucas semanas após o assassinato da jornalista palestina Shireen Abu Akleh, morta na Cisjordânia, em 11 de maio durante uma reportagem para a TV Al Jazeera, e do assassinato do jornalista britânico Dom Phillips, correspondente freelance do The Guardian, que foi morto na Amazônia, em 5 de junho, ao lado do indigenista Bruno Araújo Pereira, no Brasil.

 

*Os relatores de direitos humanos são independentes da ONU e não recebem salário pelo seu trabalho.

Lisboa finaliza preparativos para abordar oportunidades geradas por oceanos

Mundo chega ao Altice Arena, conhecido por acolher maiores eventos da capital portuguesa; ONU News acompanha últimos retoques no local, em Lisboa, às vésperas da abertura da 2ª. Conferência dos Oceanos.

ONU lança Agenda de Ação sobre Deslocamento Interno

Em vídeo, secretário-geral António Guterres lembra que o dever de acabar com o problema é primordialmente dos governos; número de pessoas deslocadas internamente dobrou nos últimos 10 anos com mulheres, crianças e grupos marginalizados enfrentando os maiores impactos.

Cinco lições da pandemia sobre como inserir gênero na resposta a crises

A Covid-19 aprofundou o trio de crises correlatas que ameaçam mulheres e meninas no mundo; altas taxas de violência de gênero, grandes perdas de emprego e um aumento incontrolado de cuidados não pagos.

Lisboa acolhe sessão do Cine-ONU que destaca “a baleia mais solitária do mundo”

@Thomas Kelley

Lisboa acolhe esta sexta-feira, dia 24 de junho, o Cine-ONU que nesta edição irá apresentar um documentário sobre a “baleia mais solitário do mundo”. Antecedendo a exibição deste filme, a ONU News conversou em Lisboa com o realizador do filme, Joshua Zeman, onde o próprio comentou no paralelismo entre o sentimento de solidão da baleia dos 52 Hertz e das pessoas durante o confinamento. Esta sessão de cinema marca o início da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que começa segunda-feira, dia 27 de junho, e acaba no dia 1 de julho.  

A capital portuguesa está em rubro. A dias do início da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas começam agora a pletora de eventos culturais ligados à proteção marinha que irão inundar Lisboa até o fim do mês. Um destes primeiros eventos é a exibição do filme ‘The Loneliest Whale: The Search for 52’ no Cinema São Jorge às 19 horas do dia 24 de junho.  

História sobre a solidão    

A procura pela baleia dos 52 Hertz, “que os cientistas acreditam ter passado a vida toda a comunicar numa frequência diferente das outras baleias” é a história central do documentário que conta com a produção-executiva do ator e mensageiro de Paz da ONU, Leonardo DiCaprio, e do embaixador do Programa da ONU para o Meio Ambiente, Adrian Grenier.  

A ONU News foi até o bairro de Alfama conversar com o realizador do filme, Joshua Zeman, que está pela primeira vez em Lisboa. O cineasta explicou que, a história desta baleia, é de fato uma história sobre o isolamento e solidão.  

Zeman explica que falar sobre a solidão era um tabu até a pandemia covid-19. No entanto, num mundo pós-covid, este tabu está a desmoronar-se e agora, Zeman espera, mais pessoas entendem o seu fascínio por baleias que demonstram “uma maneira de se expressarem emocionalmente, mesmo estando isoladas pela escuridão do mar, através de frequências que viajam longas distâncias”.  

Empatia do público   

O realizador do documentário lembra que o mesmo acontece com as pessoas, que conseguem comunicar apesar das distâncias, através das redes sociais e da internet. 

Joshua Zeman destaca que, apesar da vida ter começado nos oceanos, conscientizar as pessoas sobre a importância dos oceanos continua a ser um grande desafio. A baleia dos 52 Hertz aproxima as pessoas dos oceanos pois desencadeia um sentimento de empatia por este animal gigante, que se simplesmente se sente só. 

A sessão do Cine ONU em Lisboa é organizada pela ONU Portugal, pela Câmara Municipal de Lisboa, pela Embaixada dos Estados Unidos em Portugal e pela Fundação Oceano Azul.   

Após a exibição do filme, que começa às 19h e durará 96 minutos, segue-se um debate com a participação de Joshua Zeman (EUA), realizador, argumentista e produtor do filme, Ana Brazão (Portugal), gestora de projetos da Fundação Oceano Azul, Sneha Shahi (Índia) e Pamela Kiambi (Quénia), ativistas da campanha “Plastic Tide Turner” do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP). 

Lisboa recebe sessão do Cine ONU com documentário sobre baleia solitária

Diretor do filme The Loneliest Whale conversou com a ONU News na capital de Portugal, fazendo uma comparação entre a história do mamífero e a solidão sentida pelas pessoas durante o confinamento; evento é um dos destaques da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, onde líderes de todo o mundo devem firmar tratado global para a proteção da vida marinha.  

Novos estudos indicam urgência de medidas contra crise de aprendizagem causada por pandemia

Relatórios lançados por Banco Mundial, Unicef e Unesco, entre outras agências, mostram o quanto a pandemia impactou crianças mais novas e vulneráveis na América Latina e no Caribe.