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Em evento sobre oceanos, Xanana Gusmão pede mais investimentos para Timor-Leste

Timor-Leste organizou uma sessão de diálogo interativo, a Díli Ocean Talks, apoiada pelas Nações Unidas e pela Embaixada de Portugal.

Xanana Gusmão liderou o grupo de negociação de Timor-Leste do Conselho para a Delimitação Definitiva das Fronteiras Marítimas, que resolveu de forma conciliatória uma disputa com a Austrália.

No evento, em Díli, Xanana explicou porque é relevante buscar progressos com uma mobilização global de forças em favor dos mares, sem tirar da mira a realidade local.

“Tasi tem um significado especial: T de Timor. A para Azul, S para Sustentável e I de Inovador. O que significa que Timor é Tasi. Significa que Timor quer ser azul, sustentável e inovador. Timor é Tasi.”

Xanana Gusmão disse que o mundo unido pode fazer a diferença por um melhor investimento no futuro dos oceanos

ONU Timor-Leste

Xanana Gusmão disse que o mundo unido pode fazer a diferença por um melhor investimento no futuro dos oceanos

Economia azul

Xanana Gusmão disse que o mundo unido pode fazer a diferença por um melhor investimento no futuro dos oceanos.

“Chegou a altura de olhar para os oceanos com os olhos postos no futuro. Com uma visão estratégica. A história de Timor-Leste é de esperança, porque o mar de Timor não tem só recursos minerais e energéticos. Reserva também zonas com a maior concentração de biodiversidade do mundo, como é o caso das águas e ao redor da ilha de Ataúro.”

A região é a aposta do país para abrigar um centro internacional de preservação da vida marinha e da biodiversidade.

Tais, o tradicional tecido feito à mão no Timor-Leste desempenha um papel importante na vida do povo timorense

© Timor Aid

Tais, o tradicional tecido feito à mão no Timor-Leste desempenha um papel importante na vida do povo timorense

Diálogos

No evento sob o lema “Promover e Fortalecer Economias Sustentáveis Baseadas nos Oceanos: O Potencial do Mar em Timor-Leste”, Xanana pediu investimentos inteligentes adaptados ao contexto timorense, para reforçar o avanço da economia azul em países insulares.

Para tal propósito, ele apelou a um compromisso sério com foco “em nações mais ricas, com mais recursos financeiros e capacidades técnicas e científicas, mas também as que mais têm castigado os oceanos”.

A sessão foi selada com a entrega do tais, o pano cerimonial timorense cujo tecido, preservado por gerações, é agora protegido pelo risco de extinção. O símbolo de identidade cultural no colarinho marca o trajeto do grupo para Lisboa e em cor azul-marinho.

Uma mulher planta árvores de mangue em uma área de pântano no Timor Leste

Unpd/Yuichi Ishida

Uma mulher planta árvores de mangue em uma área de pântano no Timor Leste

Conferência dos Oceanos

Representantes do Timor-Leste estão a caminho da Conferência dos Oceanos em Lisboa passando por Bruxelas e Londres. Nessas capitais europeias, o tema é falar de atuação local, sem perder de vista a perspectiva global da agenda pelos mares.

O primeiro-ministro e a chefe da pasta dos Negócios Estrangeiros representam o governo na reunião internacional, que será aberta na segunda-feira.  O primeiro presidente do Timor-Leste, Xanana Gusmão, também estará no evento.

Timor-Leste organizou uma sessão de diálogo interativo, a Díli Ocean Talks apoiada pelas Nações Unidas e pela Embaixada de Portugal

ONU Timor-Leste

Timor-Leste organizou uma sessão de diálogo interativo, a Díli Ocean Talks apoiada pelas Nações Unidas e pela Embaixada de Portugal

Espécies de recifes de corais

Com mais de 70 mil km² de extensão marítima, Timor-Leste integra o chamado Triângulo de Coral, marcado pela riqueza em biodiversidade e recursos naturais.

A área com 500 espécies de recifes distribuídas pelos territórios banhados pelos Oceanos Pacífico e Índico abarca as zonas econômicas exclusivas da Indonésia, das Filipinas, da Malásia, da Papua Nova-Guiné e das Ilhas Salomão.

A região tem um misto de esperanças e desafios. Mesmo com potencial para atrair turistas, esta realidade contrasta com a falta de infraestrutura e com os altos custos de operação da indústria do turismo.

Recentemente, foi enfatizada a riqueza da vida selvagem trazida à região trazida por baleias raras. A situação também destaca a questão da conservação da biodiversidade.

Empregos

O chefe do Sistema das Nações Unidas em Timor-Leste, Roy Trivedy, revelou que no caminho da Conferência de Lisboa é preciso ambição para abraçar oportunidades para melhorar, criar empregos sustentáveis e enfrentar desafios para mudança.

Ele recomendou uma reflexão para melhora de dados relacionados à área marítima que Timor-Leste controla, cruciais para a economia azul.

Outras sugestões são melhorar a capacidade nacional para aproveitar o potencial, incentivar parcerias público-privadas e estabelecer uma tributação favorável a modelos de negócios sustentáveis.

Roy Trivedy revelou que no caminho da Conferência de Lisboa é preciso ambição para abraçar oportunidades

ONU Timor-Leste

Roy Trivedy revelou que no caminho da Conferência de Lisboa é preciso ambição para abraçar oportunidades

Multilateralismo

O representante do Ministério de Negócios Estrangeiros, embaixador Roque Rodrigues associa a ida a Lisboa com a necessidade do Timor-Leste em “manter uma presença ativa em organismos multilaterais”.

“Tanto na região, diante de desafios como a pesca ilegal, o estabelecimento de uma autoridade marítima nacional dotada de meios e competências para fazer face a todo o tipo de atividade ilícita. Perante os desafios que temos que enfrentar, é um imperativo estabelecer parcerias, reforçar o espírito de equipa e estabelecer recursos de coordenação e uma imensa capacidade de diálogos. Timor-Leste sente que é importante fortalecer uma abordagem multilateral.”

Já a embaixadora portuguesa em Díli, Manuela Bairros, disse que o Estado insular não poderia estar ausente deste debate.  Ela citou um documento do Gabinete para as Fronteiras Marítimas ressaltando que para o povo de Timor-Leste os oceanos integram seu modo de vida.

“Os mares têm significado espiritual para o povo timorense. Muitos timorenses dependem do mar para a sua subsistência e para o seu sustento. Através da pesca e colheita de espécies marinhas como o atuam, o polvo e as águas.”

Pesca ilegal e ameaças

A pesca furtiva é uma ameaça. A prática ilegal contrasta com a captura artesanal e mais comum entre a população que carece de meios de segurança e modernização. 

Aliada a outras práticas da economia azul, a atividade é vista como um fator alternativo para o setor petrolífero que domina a economia gerando cerca de 70% do Produto Interno Bruto.

As autoridades do país esforçam-se para diversificar a dependência econômica do petróleo, que representa ainda mais de 90% das exportações e acima de 80% das receitas anuais do Estado.

Timor-Leste continua dependendo da importação de 40% do total de alimentos que consome

Banco Mundial/Alex Baluyut

Timor-Leste continua dependendo da importação de 40% do total de alimentos que consome

Biodiversidade e preservação da vida marinha

A delegação que parte para Lisboa enfatiza a importância de uma transformação econômica com colaboração do mundo com a proximidade aos oceanos, acesso à diversidade de recursos biológicos, geológicos, minerais e geoestratégias bem usados.

A gestão dos mares de forma sustentável e equilibrada é um alvo considerado ainda de alcançará em todo o mundo como parte do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14.

Unicef quer apoio para socorrer 8 milhões de crianças que podem morrer de fome

Às vésperas da cúpula do Grupo dos Sete Países Mais Industrializados do Mundo, G7, agência da ONU pede US$ 1,2 bilhão para levar alimentos e tratamento a crianças em risco grave de inanição; nos 15 países mais afetados pela crise global de escassez de alimentos, a cada minuto um menor passa a sofrer com o problema

Cabo Verde enfrenta insegurança alimentar, diz PMA

Agências da ONU mencionam seca, Covid-19 e crise na Ucrânia como fatores que levaram ao aumento de pessoas passando por situação de insegurança alimentar no país; são 181 mil afetados incluindo crianças num total de 32% da população nacional.

Especialistas da ONU recomendam que Brasil não aprove lei sobre agrotóxicos

Relatores da ONU afirmam que aprovação de texto “teria consequências arrasadoras para saúde e bem-estar, especialmente de grupos marginalizados e que lei apresenta retrocesso às normas ambientais do país”; especialistas recomendam que Brasil adote sugestões de relatório apresentado em 2019.

Dez perguntas ao embaixador Peter Thomson

UN Photo/Ariana Lindquist

Na contagem decrescente para Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, questionámos o enviado especial do secretário-geral da ONU para os Oceanos. 

  1. O mote da Conferência dos Oceanos da ONU é “salvar os oceanos, proteger o futuro”. O que é que estas palavras significam para si?

Resposta: Talvez já tenham ouvido o meu mote diário: “não há planeta saudável sem oceanos saudáveis e a saúde dos oceanos está em declínio mensurável”. Por isso, o mote significa que temos trabalho a fazer para inverter o declínio. Vamos a isso. 

  1. A Conferência vai-se focar na ciência e na inovação para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 – Proteger a Vida Marinha. Qual tem sido a evolução do ODS14 e como estamos a alavancar a ciência e a inovação?

Resposta: O ODS14 procura conservar e utilizar de forma sustentável os recursos dos oceanos. Estamos a fazer progressos razoáveis na conservação dos oceanos e tenho muita esperança que a Convenção sobre Biodiversidade (COP 15) adote a meta proposta de 30 por 30 no final deste ano. Estamos menos bem na utilização sustentável e há alguns setores que têm grandes planos para abrir novas áreas de atividade que são insustentáveis para os oceanos. Se queremos verdadeiramente a sustentabilidade, as decisões futuras sobre a utilização dos recursos dos oceanos devem basear-se num planeamento marinho inteligente em termos climáticos, no princípio da precaução e numa ciência sólida, razão pela qual os Estados-membros mandataram a Década das Nações Unidas para a Ciência dos Oceanos que está atualmente em curso. 

  1. Quais são as principais questões na agenda da Conferência dos Oceanos? Ao que é que as pessoas devem prestar atenção?

Resposta: As Conferências dos Oceanos das Nações Unidas são realizadas para dar suporte ao ODS14, pelo que as principais questões são as dez metas do objetivo – desde a poluição marinha até à implementação do direito internacional. Os Estados-membros da ONU escolheram um tema para a Conferência que se baseia na expansão da ação dos oceanos, inventário, ciência, inovação, parcerias e, mais importante, soluções. Se as pessoas se preocupam com a saúde dos oceanos devem prestar atenção. 

UN Photo/Ariana Lindquist
  1. O que espera de Lisboa? Qual é, para si, um resultado bem-sucedido?

Resposta: Espero testemunhar o lançamento de uma grande frota de soluções inovadoras e baseadas na ciência para os desafios que os oceanos enfrentam. É com isso que vamos trabalhar, nos próximos anos, no sentido de inverter o declínio da saúde dos oceanos.

  1. A Conferência foi adiada em 2020 devido à pandemia da covid-19 e houve ainda mais lixo a entrar no oceano. Em geral, como é que a pandemia afetou o progresso e o impulso da ação para os oceanos?

Resposta: Um novo tipo de poluição plástica – equipamentos de proteção pessoal – entrou na já grande quantidade de plástico que despejamos nos oceanos. Se não houvesse uma luz de esperança em Nairobi na Assembleia do Ambiente da ONU, este ano, com uma resolução para criar um tratado internacionalmente vinculativo para controlar a poluição por plástico, até 2050 teríamos mais plástico do que peixe nos oceanos. Não se enganem, desencadeámos uma praga de plástico sobre a natureza e é tempo de deixar de o fazer. 

  1. Qual o papel que os oceanos desempenham na saúde e bem-estar humano?

Resposta: Para além do facto de 50% do oxigénio do planeta ser produzido nos oceanos, os oceanos são uma fonte de alimentação saudável para milhares de milhões de pessoas. Em termos da transição para as energias renováveis, os oceanos podem fornecer-nos toda a energia que precisamos através do vento, das ondas e da energia das marés. Da mesma forma, a descarbonização da navegação através da transição para o hidrogénio verde vai ter enormes benefícios para a saúde humana. Novas formas de alimentação vão emergir de uma abordagem mais sustentável da nutrição aquática, através de produtos como as algas e uma aquicultura verdadeiramente sustentável. 

UN Photo/Eskinder Debebe
  1. Que papel desempenham os oceanos e a Conferência na abordagem às crises climáticas e de biodiversidade?

Resposta: A ligação entre os oceanos e as alterações climáticas é inseparável. Os oceanos são o maior sumidouro de carbono do planeta e absorveram mais de 90% do excesso de calor atribuído às emissões antropogénicas de gases com efeito de estufa. As taxas de acidificação, onde o CO2 se dissolve na água do mar, estão atualmente a ocorrer a cerca de dez vezes mais depressa do que qualquer outro fenómeno que tenhamos experimentado nos últimos 300 milhões de anos. Os efeitos deste processo em ecossistemas marinhos como os recifes de coral são devastadores, o que constitui uma séria preocupação para o futuro da biodiversidade marinha, uma vez que os recifes de coral albergam cerca de 25% de toda a vida marinha. Abordar esta relação significa ir à fonte do problema e mostra a necessidade de baixar as emissões de gases com efeito de estufa para níveis aceitáveis e, principalmente, a urgência em cessar a utilização de combustíveis fósseis para as nossas necessidades energéticas. Isto pode ser feito.   

  1. Quais são as suas maiores preocupações quando se trata da saúde dos oceanos?

Resposta: O que mais me preocupa é que a maioria de nós continua a viver como se as nossas ações não tivessem consequências para aqueles que vêm depois de nós. Com base no caminho atual da humanidade, estamos destinados a um mundo entre 2 e 3 graus celsius de aquecimento global neste século. Isso afeta as vidas dos nossos filhos e netos e isto torna o mundo em fogo, fome, inundações e pandemias. A justiça intergeracional exige que façamos agora as transições necessárias. 

  1. O que o torna otimista de que o mundo se pode unir para resolver estes problemas? Onde é que fizemos mais progressos?

Resposta: Não sou otimista nem pessimista. Creio que devemos, em vez disso, ser pragmáticos e fazer a coisa certa pelo bem comum. Todos sabemos o que isso significa: a dedicação, o sacrifício e a equidade devem vencer a apatia e a ganância. O progresso e a prosperidade surgirão a partir daí. 

  1. Para terminar, pode partilhar uma memória ou experiência favorita que envolva os oceanos?

Resposta: Certamente que não são as centenas de vezes que sofri de enjoos no mar. Penso que giraria em torno dos tempos da praia com a família e amigos, nadar, mergulhar, velejar, surfar e ensinar os mais pequenos a nadar. Espero fazer tudo isso com eles quanto estiver de volta às Fiji, em outubro próximo. 

 

Ouça o episódio do podcast Time to Turn the Tide com o Embaixador Peter Thomson:

Portugal quer ser exemplo para o mundo na criação de ilhas energéticas

Ministro da Economia e do Mar conversou com a ONU News às vésperas da abertura da Conferência dos Oceanos; António Costa Silva defende produção de hidrogênio de forma massiva como chave para a economia sustentável.

ONU lamenta número recorde de funcionários mortos em ação em 2021

As Nações Unidas organizaram nesta quarta-feira o Memorial Anual para honrar os funcionários que perderam suas vidas ano passado, enquanto trabalhavam para a organização. O secretário-geral da ONU, António Guterres, falou na cerimônia e destacou que no período entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2021 aconteceu o maior número de mortes de servidores em um ano. 

Número recorde de perdas

Ao total, 485 funcionários das Nações Unidas morreram, sendo 414 civis. O chefe da organização adicionou que eles eram de 104 nações de todos os cantos do mundo. Guterres destacou que essas pessoas “trabalharam para fazer a diferença”. Em nome dos servidores, o secretário-geral prometeu continuar com a “mesma dedicação e coragem que definiram seu trabalho”. Ele acrescentou que espera que “a memória deles seja uma bênção e uma inspiração para todos nós”. Segundo a ONU, desde sua fundação, mais de 3,5 mil homens e mulheres perderam a vida enquanto serviam à entidade.

Histórico

Ole Bakke, norueguês servindo na Palestina, foi o primeiro, morto a tiros em julho de 1948. Dois meses depois, Folke Bernadotte da Suécia, mediador da ONU na Palestina, foi o segundo. O secretário-geral Dag Hammarskjöld, junto com outros 15 pessoas, morreu em um acidente de avião na antiga Rodésia, atual Zâmbia, em 1961. Três décadas depois, o número e a escala crescentes de missões de paz da ONU colocam muitos funcionários em risco. Mais vidas foram perdidas durante a década de 1990 do que nas quatro décadas anteriores combinadas. Mais recentemente, a própria ONU se tornou um alvo: suas instalações foram atacadas em Bagdá em 2003, Argel em 2007 e Cabul em 2009. O atentado em Bagdá levou a perda do diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, quando servia como alto comissário para os direitos humanos. De 2013 a 2017, um aumento consistente nas mortes de soldados da paz devido a atos violentos resultou em 195 mortes.

Recordista mundial, surfista Maya Gabeira será embaixadora da Unesco

Agência reconhece ações da campeã brasileira na ação global para proteger os mares; escolha será formalizada na Conferência dos Oceanos de Lisboa; Unesco destaca influência e paixão de Gabeira pela defesa do ambiente marinho.

ONU se mobiliza para apoiar Afeganistão após terremoto de 5.9 de magnitude

Agências de notícias indicam pelo menos 1 mil mortos; Unicef informou que está cooperando com autoridades do país; tremor, registrado a 10km de profundidade, foi sentido nos países vizinhos Paquistão e Índia.

Mais de 2 milhões de refugiados terão de ser reassentados no próximo ano

Projeção é da Agência da ONU para Refugiados, Acnur; total representa aumento de 36% na comparação com necessidades deste ano. 

Dia Mundial das Florestas Tropicais alerta para a preservação do ecossistema

Data, neste 22 de junho, destaca importância das matas para conter o aquecimento global; produção intensa de alimentos, infraestrutura e incêndios são principais ameaças.

“Armas nucleares lembram inaptidão dos países para resolver problemas”

Secretário-geral alerta para possibilidade de conflito nuclear e convida nações a impulsionar diálogo e colaboração na abertura da reunião dos Estados Partes do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares.

Fim da violência na Ucrânia é fundamental para reduzir risco de genocídio

O Conselho de Segurança se reuniu nesta terça-feira para debater a escalada da violência na Ucrânia, desde a invasão russa ao país, em 24 de fevereiro.

A conselheira especial do secretário para a prevenção do genocídio, Alice Nderitu, falou aos membros do órgão e lembrou que o discurso de ódio e a prática de genocídio são contra a lei internacional, e passíveis de punição.

Mulheres e crianças embarcam em trens de evacuação na estação ferroviária de Lviv, na Ucrânia

© UNICEF/Nikita Mekenzin

Mulheres e crianças embarcam em trens de evacuação na estação ferroviária de Lviv, na Ucrânia

Medidas para acelerar o cessar-fogo

Ela lembrou que a prevenção do genocídio bem como crimes contra a humanidade e crimes de guerra também é uma obrigação dos Estados-membros.

Sobre a situação na Ucrânia, Alice Nderitu destacou que diversas medidas foram tomadas para acelerar o cessar-fogo.

Além das resoluções e pedidos do secretário-geral da ONU, António Guterres, ela afirmou que reconheceu a decisão da Corte Internacional de Justiça, CIJ, pedindo medidas no caso de alegações de genocídio.

A conselheira especial também ressaltou sua preocupação com as denúncias de violência sexual e tráfico de pessoas, impactando especialmente mulheres e meninas.

Entre outras medidas, ela destacou que o Conselho de Direitos Humanos estabeleceu uma comissão internacional independente de inquérito que investiga todas as alegações de violações e abusos dos direitos humanos e do direito internacional humanitário.

Segundo ela, em maio, a 34ª sessão especial do Conselho de Direitos Humanos, pediu o fim da violência. O promotor do Tribunal Penal Internacional anunciou a sua decisão de investigar a situação na Ucrânia.

Refugiados ruandeses que fugiram do país durante o genocídio voltam para casa em 2005

ONU/John Isaac

Refugiados ruandeses que fugiram do país durante o genocídio voltam para casa em 2005

Prevenção de genocídios

Como conselheira especial para a prevenção do genocídio, ela afirma que não está na condição de fazer outras investigações, no entanto, tem a responsabilidade de prevenir genocídios. Em sua avaliação, apenas as alegações de crimes internacionais já apontam para a possibilidade de que foram cometidos.

Dessa forma, ela reiterou seu apelo para o fim da guerra, para proteção de civis e pediu que esforços diplomáticos sejam acelerados.

Ela fez um apelo aos membros do Conselho de Segurança e às partes interessadas para que articulem uma visão inclusiva e proponham um roteiro para acabar com o conflito que considere que “a paz é em si um processo que não é indiferente à injustiça”.

Ao repetir o apelo do secretário-geral da ONU, Alice Nderitu observou que a saída diplomática é a única possível. Para ela, a solução é possível com o empenho de todos. “Com cada atraso contínuo, a escalada do sofrimento humano continua”, afirmou.

Relatora da ONU alerta sobre aumento de casos de tráfico no setor agrícola

Siobhán Mullally apresentou ao Conselho de Direitos Humanos números sobre crianças e adultos trabalhando na informalidade e sem proteção; ela citou riscos de violência sexual para mulheres e meninas e o problema de acesso à terra para mulheres indígenas.

Nações Unidas promovem sessão Cine ONU em Lisboa com estreia do filme “The Loneliest Whale: The Search for 52”

Para assinalar a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que terá lugar em Lisboa entre 27 de junho e 1 de julho, o Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC) promove uma sessão do Cine ONU, com a estreia em Portugal do filme The Loneliest Whale: The Search for 52. O evento acontece no dia 24 de junho, pelas 19h00, no Cinema de São Jorge, em parceria com a Embaixada dos Estados Unidos em Portugal, a Câmara Municipal de Lisboa e a Fundação Oceano Azul. 

A sessão de abertura contará com a presença do subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Jurídicos, Miguel de Serpa Soares, da embaixadora dos Estados Unidos em Portugal, Randi Charno Levine, do vereador da Cultura, Economia e Inovação da Câmara Municipal de Lisboa, Diogo Moura e do CEO da Fundação Oceano Azul, Tiago Pitta e Cunha. 

Após a exibição do filme, segue-se um debate com a participação de Joshua Zeman (EUA), realizador, argumentista e produtor do filme, Ana Brazão (Portugal), gestora de projetos da Fundação Oceano Azul, Sneha Shahi (Índia) e Pamela Kiambi (Quénia), ativistas da campanha “Plastic Tide Turner” do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP). O debate será moderado por Francyne Harrigan, chefe de comunicação para o Desenvolvimento Sustentável e Direitos Humanos do Departamento de Comunicações Globais das Nações Unidas.  

The Loneliest Whale é uma aventura cinematográfica para encontrar a baleia “hertz 52”, que os cientistas acreditam ter passado a vida toda a comunicar numa frequência diferente de todas as outras baleias. À medida que o filme embarca nesta viagem cativante, o público poderá explorar os ensinamentos do isolamento desta baleia e a mudança da nossa relação com os oceanos. O filme tem a duração de 96 minutos e conta com a produção executiva de Leonardo DiCaprio e de Adrian Grenier. 

Poderá inscrever-se nesta sessão do Cine ONU aqui

 

Cine ONU 

As sessões de cinema das Nações Unidas, conhecidas pelo nome de Cine ONU, são eventos que oferecem uma oportunidade aos cidadãos de assistirem a documentários aclamados e premiados e de participarem em debates interativos com funcionários da ONU e outras personalidades. Clima, direitos humanos, desenvolvimento sustentável, paz e segurança são apenas algumas das questões globais que têm sido apresentadas nestas exibições.

O que começou por ser um projeto em Bruxelas, organizado pelo Centro de Informação Regional das Nações Unidas para a Europa Ocidental, foi-se alargando a várias cidades. Até ao momento mais de 17 cidades receberam a exibição de mais de 200 filmes, com a participação de mais de 100.000 espectadores, que podem assistir gratuitamente às sessões.