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Nações Unidas lançam iniciativa “Futebol pelos Objetivos”

Futebol for the Goal Banner

Nesta iniciativa liderada e gerida pela ONU, o “Futebol pelos Objetivos” vai explorar o poder do futebol não só para aumentar a sensibilização e o reconhecimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), mas também para alcançar mudanças comportamentais e práticas sustentáveis na indústria do futebol e servir como inspiração aos adeptos. 

É disponibilizada uma plataforma para que a comunidade futebolística mundial se envolva e defenda os ODSs. A UEFA (União das Associações Europeias de Futebol) junta-se à iniciativa como membro pioneiro. 

Agentes do mundo futebolístico – confederações, associações nacionais, ligas, clubes, jogadores, associações de jogadores, grupos organizados de adeptos, meios de comunicação e parceiros comerciais – são convidados a juntarem-se ao “Futebol pelos Objetivos” e a tornarem-se agentes ativos de mudança, comprometendo-se a adotar os princípios do desenvolvimento sustentável e dos direitos humanos, a desenvolver práticas comerciais sustentáveis.

O “Futebol pelos Objetivos” é lançado hoje num evento virtual, às 13h00 de Lisboa, com uma conversa entre a secretária-geral adjunta das Nações Unidas, Amina J. Mohammed, e o presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, que será transmitida no YouTube da ONU e na página Web ‘Futebol pelos Objetivos’.   

Os interessados em aderir à iniciativa e a comprometerem-se com um futuro sustentável são convidados a saber mais na página web ‘Futebol pelos Objetivos’.   

© UNIC Tokyo/Takashi Okano

Parceria de sucesso

“As Nações Unidas reconhecem a poderosa voz que o futebol tem na comunidade internacional e o papel que este pode desempenhar, pela popularidade que tem, na sensibilização para os ODSs. O futebol não só é o desporto mais popular do mundo, como é também o mais acessível”, considera a secretária-geral adjunta das Nações Unidas, Amina J. Mohammed. “Tudo o que é preciso é uma bola para que as pessoas se juntem. Todos os dias, milhões de pessoas em todo o mundo jogam futebol, seja num campo improvisado, num pátio escolar ou num estádio gigante. É por isso que estamos entusiasmados e orgulhosos por lançar esta iniciativa. O “Futebol pelos Objetivos” oferece uma oportunidade única para sensibilizar e galvanizar o mundo para a ação sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Estamos gratos à UEFA pelo seu empenho como membro pioneiro desta iniciativa e esperamos que muitos outros na comunidade do futebol se juntem a este esforço”.   

“Estou satisfeito por as Nações Unidas reconhecerem a voz poderosa que o futebol tem na comunidade internacional, pela sua popularidade, e o papel que podemos desempenhar na sensibilização para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, afirma o presidente da UEFA Aleksander Čeferin. “A UEFA, como membro pioneiro do ‘Futebol pelos Objetivos’, aspira a assumir um papel de liderança como expoente da mudança no desporto, contribuindo para a promoção do desenvolvimento sustentável e introduzindo modelos empresariais e operacionais mais sustentáveis para a indústria do futebol. Estou convencido que, se o futebol unir o seu poder para impulsionar uma mudança sustentável, será capaz de ter um impacto positivo, forte e duradouro. Como UEFA, devemos ser o exemplo de uma mudança sustentável e inspirar outros a seguir o mesmo caminho”. 

O “Futebol pelos Objetivos” segue-se a colaborações bem-sucedidas entre as Nações Unidas e agências criativas, meios de comunicação social, indústria editorial, entre outras, para promover ações pelos ODSs.   

Mais de 30% das gestações em países em desenvolvimento são de adolescentes

Um terço das mulheres que se tornam mães em países em desenvolvimento não tem 17 anos completos.

É o que mostra um estudo do Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, divulgado nesta terça-feira.  No Brasil, esta taxa é de 57%, um pouco menos que nos países da África Subsaariana, onde a média ultrapassa os 60%.

Quase um terço de todas as mulheres nos países em desenvolvimento começam a ter filhos aos 19 anos ou menos.

UNFPA/Thalefang Charles

Quase um terço de todas as mulheres nos países em desenvolvimento começam a ter filhos aos 19 anos ou menos.

Aumento de partos infantis

O Brasil e o Iêmen, na Ásia, possuem o mesmo cenário: além de altos níveis gestações infantis, a tendência tem sido de aumento ao longo do tempo. No período avaliado pelo Unfpa, o Brasil registrou um crescimento de 10% de partos entre meninas.

A líder para meninas adolescentes do Unfpa, Satvika Chalasani, explica que o resultado do Brasil é consistente com pesquisas regionais. América Latina e Caribe é a única região do mundo onde a idade da primeira relação sexual está caindo, ou seja, ficando mais jovem. 

Assim, ela afirma que o acesso ampliado e mais igualitário à educação de qualidade, educação sexual abrangente e serviços de saúde sexual e reprodutiva, incluindo serviços contraceptivos, pode contribuir muito para abordar a questão.

Jovem grávida recebe aconselhamento na RD Congo.

Foto: © UNICEF/Frank Dejongh

Jovem grávida recebe aconselhamento na RD Congo.

Complicações no parto

Segundo o Unfpa, complicações no parto são as principais causas de morte e danos à saúde. 

Além disso, a agência ressalta que ser mãe adolescente também pode levar a outras graves violações de direitos humanos e consequências sociais, incluindo casamento infantil, violência entre parceiros íntimos e problemas de saúde mental. 

Embora o estudo aponte para o crescimento no Brasil, o levantamento mostra que globalmente o número de maternidade na infância e adolescência vem caindo. Para o Unfpa, no entanto, o declínio é “assustadoramente lento”, muitas vezes apenas cerca de 3% por década.

Falta de informação sobre saúde reprodutiva levou a uma gravidez não planejada a esta jovem de 18 anos no Timor Leste.

Foto: © UNFPA/Ruth Carr

Falta de informação sobre saúde reprodutiva levou a uma gravidez não planejada a esta jovem de 18 anos no Timor Leste.

Avanços em Moçambique

Um outro país de língua portuguesa que aparece no relatório é Moçambique, ao lado de Bangladesh, no sudeste da Ásia, por terem visto os dois maiores declínios em pontos percentuais de qualquer país estudado na proporção de primeiros nascimentos de adolescentes entre meninas com 14 anos ou menos. 

Segundo o Unfpa, os países ainda têm níveis muito altos de gravidez na adolescência. Em Moçambique, enquanto o número de gestações caiu entre as crianças moçambicanas de 14 anos ou menos, ocorreu um aumento entre as meninas de 15 a 17 anos.

Para a diretora executiva do Unfpa, Natalia Kanem, o número alarmante de quase um terço de todas as mulheres nos países em desenvolvimento se tornarem mães durante a adolescência, deixa claro que “o mundo está falhando com as meninas”.

Cerca de 1 milhão de meninas não conseguiram regressar à escola na África Subsaariana devido à gravidez

Unicef/Frank Dejo

Cerca de 1 milhão de meninas não conseguiram regressar à escola na África Subsaariana devido à gravidez

Gravidez adicional

De acordo com o relatório do Unfpa, depois de ter seu primeiro filho, a tendência é que a menina tenha mais filhos.

Entre crianças com o primeiro nascimento aos 14 anos ou menos, quase três quartos também têm um segundo parto na adolescência, e 40% das que têm dois filhos progridem para um terceiro antes de sair da adolescência.

Na avaliação de Natalia Kanem, as gestações repetidas são um sinal claro de que as meninas “precisam desesperadamente de informações e serviços de saúde sexual e reprodutiva”.

Enfermeira examina mulher grávida em Shrawasti, na Índia

Unicef/UN0281069/Vishwanathan

Enfermeira examina mulher grávida em Shrawasti, na Índia

Recomendações

O relatório apresenta recomendações para legisladores, incluindo a necessidade de fornecer educação sexual abrangente, apoio social e serviços de saúde de qualidade, além de apoio econômico às famílias e envolver organizações locais.

Segundo o Unfpa, uma política de apoio e estrutura legal que reconheça a direitos, capacidades e necessidades de adolescentes, particularmente meninas adolescentes marginalizadas, também podem contribuir para reduzir as gestações precoces.

Para Natalia Kanem, os governos precisam investir em meninas adolescentes e ajudar a expandir suas oportunidades, recursos e habilidades, ajudando assim a evitar gravidezes precoces e indesejadas.

Ela concluiu afirmando que “quando as meninas puderem traçar significativamente seu próprio curso de vida, a maternidade na infância se tornará cada vez mais rara.”

Com fechamento de escolas no Haiti, crianças ficam na mira de gangues armadas

O aumento da criminalidade de gangues na capital do Haiti, Porto Príncipe, está limitando o acesso à educação e impedindo que milhares de crianças frequentem a escola. Desde 2020, a violência levou ao fechamento de escolas, aumento a vulnerabilidade dos menores, que são muitas vezes recrutados pelos grupos armados.

Steve*, um adolescente de 15 anos, sonhava em se tornar professor. Ele contou sua história desde quando a vida se transformou complemente. Devido ao aumento da violência relacionada a facções em seu bairro, sua escola foi fechada e Steve se viu sem rumo pelas ruas, à mercê de grupos armados. Ele conta que entrou para um grupo criminoso em fevereiro de 2021. 

Desde 2020, a violência levou ao fechamento de escolas, aumento a vulnerabilidade dos menores, que são muitas vezes recrutados pelos grupos armados

© UNICEF/Joseph

Desde 2020, a violência levou ao fechamento de escolas, aumento a vulnerabilidade dos menores, que são muitas vezes recrutados pelos grupos armados

Recrutamento de crianças

De acordo com um relatório publicado por duas organizações locais focadas em jovens, 13% das crianças pesquisadas em um bairro da capital afirmaram que os membros das gangues armadas fizeram contato direto ou indireto com eles para tentar recrutá-los.

Segundo os relatos, eles oferecem muito dinheiro às crianças, enquanto ameaçam matá-las se não obedecerem. 

De acordo com Steve, todos os dias ele era obrigado a vigiar a polícia e ganhava até 2.500 gourdes haitianos, ou US$ 25. Quando decidiu que não queria mais fazer o que mandavam, os membros do grupo armado o ameaçaram de morte. 

Vítimas das gangues e infâncias quebradas

Em 2021, confrontos entre facções rivais eclodiram em algumas áreas urbanas da capital Porto Príncipe. Mais de 19 mil pessoas, incluindo 15 mil mulheres e crianças, foram forçadas a fugir de suas casas devido a atos de violência, como assassinatos e sequestros. Centenas de casas foram queimadas ou danificadas.

Este ano, a guerra de gangues se intensificou. Desde 24 de abril, meio milhão de crianças perderam o acesso à educação em Porto Príncipe, onde cerca de 1,7 mil escolas estão fechadas, como diz o governo.

Steve levava uma vida pacífica como uma criança suburbana. Ele brincava com seu irmão mais novo e duas irmãs mais novas, e aproveitou muito sua infância com sua avó. 

Videogame e bicicleta

Ele lembra que costumava andar de bicicleta, jogar videogame e assistir e filmes até escurecer, buscava água a avó e também limpava a casa.

A violência está impactando um número cada vez maior de escolas e destruiu o sonho de muitas crianças. Uma avaliação do Ministério da Educação entre abril e maio de 2022 de 859 escolas em Porto Príncipe revelou que 31% delas foram atacadas e mais de 50 fecharam suas portas. 

Muitos estabelecimentos de ensino foram ocupados por bandidos. Alguns servem de abrigo temporário para famílias deslocadas pela violência. O número de alunos nas aulas caiu de 238 mil no início da crise das gangues em abril para 184 mil agora.

Mulher prepara refeição no Haiti.

Foto: © UNICEF/Georges Harry Rouzier

Mulher prepara refeição no Haiti.

Violações dos direitos da criança

Violência, fechamento de escolas e ociosidade levam à inclusão de crianças em grupos armados. Steve afirma que onde mora, sempre há tiroteios e muitos sequer podem sair de casa.

Com as escolas fechadas, ele afirma que “estão todos abandonados nas ruas” e as “crianças de rua” são os principais alvos das gangues.

Segundo o representante do Fundo das Nações Unidas para Infância, Unicef, dar armas às crianças para lutar e usá-las como soldados ou espiões é uma violação dos direitos da criança e condenada pelas leis nacionais e internacionais.

Bruno Maes afirma que se entristece que crianças dispostas a aprender e professores dispostos a educar não consigam estar nas escolas porque se sentem inseguras. 

Para ele, as crianças devem poder frequentar a escola com segurança, brincar livremente, gostar de ser criança e ter a chance de desenvolver todo o seu potencial.

Steve, que é um nome fictício, foi preso e aguarda julgamento por acusações relacionadas ao tempo em que participou da gangue armada.

Enquanto está detido, ele está sendo ajudado pela Brigada para a Proteção de Menores, apoiada pelo Unicef.

*O nome de Steve foi mudado por questões de privacidade e segurança.
 

ONU-Habitat elogia decreto de Moçambique para fortalecer escolas contra desastres naturais

Um decreto emitido pelo Governo de Moçambique visa garantir que todas as escolas novas e existentes no país cumpram os padrões de resiliência para combater as mudanças climáticas.

A medida foi aplaudida pelo chefe do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, ONU-Habitat, em Moçambique, Wild do Rosário.

Um decreto emitido pelo Governo de Moçambique visa garantir que todas as escolas novas e existentes no país cumpram os padrões de resiliência para combater as mudanças climáticas

ONU-Habitat Mozambique

Um decreto emitido pelo Governo de Moçambique visa garantir que todas as escolas novas e existentes no país cumpram os padrões de resiliência para combater as mudanças climáticas

Frequência e intensidade

Nesta entrevista à ONU News, em Maputo, ele citou a importância do documento destacando quatro ações que vão capitalizar as diretrizes aprovadas.

“Disseminação e massificação das diretrizes em todos os níveis e o reforço da capacidade técnica e logística local. O reforço da componente não estrutural da resiliência em que os utentes dos edifícios resilientes saibam como agir, antes, durante e pós emergência. O desenho de um programa de intervenção nas questões de resiliência; disseminação e o desenvolvimento para outros setores que constituem os assentamentos humanos.”

Para o chefe do programa na agência, o decreto traz inúmeros ganhos, tendo em conta a frequência e intensidade com que as ameaças naturais atingem o país.

Em Moçambique, foram construídas casas resilientes ao clima, depois que suas cidades costeiras foram atingidas pelas tempestades de Idai na Kenneth

ONU Habitat/Veridiana Mathieu

Em Moçambique, foram construídas casas resilientes ao clima, depois que suas cidades costeiras foram atingidas pelas tempestades de Idai na Kenneth

Abrigo durante emergências

“Estas infraestruturas que de forma cíclica são destruídas pelas ameaças naturais, poderão ter um maior tempo de vida útil e assim também economizar os recursos adicionais que o governo tem que mobilizar cada vez que há uma ameaça natural e incluindo salvar vidas porque estes mesmos edifícios construídos de forma resilientes baseados neste decreto funcionam como abrigo durante a emergência.”

A construção da resiliência das infraestruturas sociais públicas está alinhada com o mandato global do ONU-Habitat, particularmente para ajudar os Estados-membros a lidar com as mudanças climáticas e trabalhar com todos para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Telhado de escola na Beira danificado pleo ciclone Idai

ONU/Eskinder Debebe

Telhado de escola na Beira danificado pleo ciclone Idai

Ameaças naturais e mapas de zoneamento

A partir de agora, a construção de uma infraestrutura escolar, que foi afetada por ciclone ou outra ameaça natural, passa a obedecer padrões mínimos. Wild Rosario detalha algumas vantagens do decreto.

Valida os mapas de zonamento para as ameaças naturais com destaque para o ciclone em função da sua intensidade, o que permite os vários engenheiros civis e arquitetos envolvidos na concepção e dimensionamento das infraestruturas escolares, poderem ter parâmetros mínimos e máximos para que essa infraestrutura possa resistir as ameaças naturais.”

Conhecimento e tecnologia em atividades normativas

O ONU-Habitat em Moçambique alcançou um grande número de realizações no apoio à capacitação e transferência de conhecimento e tecnologia em atividades normativas e operacionais com foco na redução do risco de desastres.

Quando o país foi duramente atingido pelos ciclones Idai e Kenneth, em 2019, as escolas construídas de acordo com os padrões propostos pelo ONU-Habitat conseguiram resistir aos ciclones.

Zonas de alto risco

“Moçambique atualmente tem mais de 13 mil escolas e muitas dessas escolas foram construídas não obedecendo os padrões de resiliência ao longo dos vários anos, por isso a sua destruição em algum momento cíclica em torno dessas infraestruturas, sem referir que também estas escolas estão localizadas em zonas de alto risco.”

O “Decreto para Padrões de Construção Resiliente das Escolas” foi aprovado em 26 de outubro de 2021 pelo Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, Minedh, e Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Mophrh.

A iniciativa que recebeu apoio financeiro do Banco Mundial, está sendo lançada em parceria entre o ONU-Habitat, o Instituto Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres bem como o Minedh e o Mophrh.

 

De Maputo para ONU News, Ouri Pota

Unesco lança relatório sobre a situação dos Oceanos

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco aproveitou o encerramento da Conferência dos Oceanos da ONU, na sexta-feira, para lançar em Lisboa o relatório “O Estados dos Oceanos”.

O projeto piloto é uma iniciativa dos cientistas que integram a Comissão Oceanográfica Internacional da Unesco, COI. Em Lisboa, a ONU News conversou com o chefe de Ciências Oceânicas da agência da ONU, que é também o editor do relatório.

Microplásticos e acidificação 

Henrik Enevoldsen falou sobre a importância de tornar acessível ao público em geral informações científicas sobre as condições atuais dos oceanos.

Ilha Mayotte, no Oceano Índico.

Foto: © Ocean Image Bank/Gaby Barathieu

Ilha Mayotte, no Oceano Índico.

O documento dos cientistas da Unesco, menciona, por exemplo, o lixo marinho, revelando que os microplásticos representam entre 30 a 40% dos objetos que estão nas profundezas dos mares, sendo que 90% deste lixo estão em águas mais profundas do que 6 mil metros. 

O relatório explica ainda o que é, afinal, a acidificação dos oceanos: “ao absorver um quarto das emissões anuais de CO2 da atmosfera, os oceanos acabam sofrendo um declínio do seu pH, quando o dióxido de carbono reage com a água marinha.” 

Dados quantitativos 

Este processo acaba ameaçando os ecossistemas e até a segurança alimentar, reduzindo a biodiversidade e ameaçando os peixes. Ao mesmo tempo em que a acidificação e as temperaturas dos oceanos aumentam, diminui a capacidade dos mares em absorver CO2 da atmosfera. 
Segundo a Unesco, existe uma enorme falta de dados quantitativos sobre o estado atual dos oceanos e este documento pretende ser um passo inicial para que haja também mais partilha de informações sobre o assunto. 
 

Uma tartaruga nada no oceano na Martinica, no Caribe.

Arquivo de Imagens de Recife de Coral / Michel Roux

Uma tartaruga nada no oceano na Martinica, no Caribe.

Conferência dos Oceanos aprova Declaração de Lisboa

© UN Photo / Gonçalo Borges Dias

A Conferência dos Oceanos das Nações Unidas foi uma “oportunidade para explorar questões fundamentais e gerar novas ideias. Também deixou claro o trabalho que ainda falta fazer e a necessidade de aumentar a ambição e a escala desse trabalho para ajudar na recuperação dos nossos oceanos”. 

O subsecretário-geral das Nações Unidas para os Assuntos Jurídicos, Miguel de Serpa Soares, faz um balanço positivo da Conferência e agradece os contributos e experiências dos intervenientes, que “podem ajudar a deixar um legado de oceanos prósperos e saudáveis para as gerações futuras”.   

É um sinal de “esperança sobre a vontade política de salvaguardar o futuro dos nossos oceanos”. Serpa Soares defende que “não é demasiado tarde para quebrar o ciclo de declínio da biodiversidade, aquecimento dos oceanos, acidificação e poluição marinha, mas temos de nos apressar.” 

© UN Photo / Eskinder Debebe

Declaração de Lisboa 

“A declaração política adotada durante esta Conferência envia um forte sinal sobre a necessidade de agir de forma decisiva e urgente para melhorar a saúde, a utilização sustentável e a resiliência dos nossos oceanos”  explica ainda o subsecretário-geral da ONU. 

Miguel de Serpa Soares mencionou os “acordos históricos sobre o desenvolvimento de um instrumento internacional juridicamente vinculativo para acabar com a poluição plástica na Assembleia das Nações Unidas para o Ambiente e sobre a redução de subsídios prejudiciais à pesca na Organização Mundial do Comércio”, considerados pelo subsecretário-geral como “uma prova de como o multilateralismo funciona para os oceanos”.   

Eventos futuros como a Conferência Intergovernamental sobre um Tratado sobre Biodiversidade Marinha de Áreas Fora da Jurisdição Nacional, as negociações do Quadro Global de Biodiversidade Pós-2020 na Convenção para a Biodiversidade COP15 e as negociações para um maior financiamento do clima e ações de adaptação na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas COP27, no Egito, constituem “oportunidades para demonstrar os compromissos e ambição de inverter a maré”.   

O presidente de França, Emmanuel Macron, anunciou a candidatura conjunta de França e Costa Rica para organizar a próxima Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, em 2025. 

Presidente de França, Emmanuel Macron © UN Photo / Rodrigo Cabrita

Foco nas prioridades 

Novos investimentos na restauração e conservação dos ecossistemas costeiros, proteção das mulheres que, apesar de serem parte significativa no setor, continuam a enfrentar desigualdades salariais e aposta em sistemas alimentares sustentáveis, são algumas das prioridades cujo trabalho vai além da Conferência. 

A ciência e a inovação nos oceanos, o mote deste evento, estão no centro de um planeta azul sustentável. Os decisores vão assegurar que todos os países possam empreender investigação científica e participar em colaborações para utilizar de forma sustentável os oceanos no setor económico, social e cultural.   

As áreas marinhas protegidas vão ser geridas de forma a beneficiar as comunidades locais que delas dependem e de forma a aumentar a resiliência dos oceanos e a biodiversidade marinha. 

Parcerias “ambiciosas, transparentes e responsáveis” com as partes interessadas são parte do caminho, que passa ainda por promover a cooperação internacional para encontrar instrumentos de financiamento privado e modelos híbridos para trabalhar em prol da saúde dos oceanos. 

© UN Photo / Gonçalo Borges Dias

Os compromissos de Portugal 

O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, transmitiu quatro compromissos para ajudar que a Conferência se torne “um marco no reencontro da Humanidade com os Oceanos”. 

O conhecimento científico vai estar no “centro da ação”, aproveitando a centralidade atlântica dos Açores e continuando a investir em redes de colaboração científica. O primeiro-ministro anunciou, neste contexto, a criação, até ao final deste ano, do gabinete da Década das Nações Unidas das Ciências dos Oceanos para o Desenvolvimento Sustentável. 

“Dispondo da maior biodiversidade marinha da Europa, comprometemo-nos a assegurar que 100% do espaço marítimo sob soberania ou jurisdição portuguesa seja avaliado em Bom Estado Ambiental e, até 2030, classificar 30% das áreas marinhas nacionais.” 

Não esquecendo a relação entre o clima e os oceanos, Portugal vai “apostar na produção de energias renováveis oceânicas com vista a atingir 10 gigawatts de capacidade até 2030” e na criação de “uma zona piloto de emissões controladas no mar português”. 

O último compromisso está relacionado com a economia azul, “elemento central na estratégia de desenvolvimento”. Costa promete duplicar o número de startups na economia azul, bem como o número de projetos apoiados por fundos públicos. 

© UN Photo / António Pedro Santos

Os esforços dos Estados-membros  

Tal como Portugal, vários países expressaram e anunciaram as suas ambições para ajudar a reverter o declínio da saúde dos oceanos: 

  • Proteger e ter 30% das zonas marítimas nacionais até 2030;  
  • Alcançar a neutralidade carbónica até 2040;  
  • Reduzir para zero a poluição plástica até 2050;  
  • Aumentar a utilização de energias renováveis;   
  • Assegurar que 100% dos stocks de peixe sejam mantidos dentro de limites biologicamente sustentáveis;  
  • Alocar mil milhões de dólares à investigação sobre acidificação, projetos de resiliência climática e monitorização, controlo e vigilância.  
© UN Photo / Rodrigo Cabrita

Conferência em Lisboa termina com promessa de “mudança transformadora” para os oceanos

A Conferência dos Oceanos das Nações Unidas terminou esta sexta-feira, em Lisboa, com a divulgação da declaração final acordada por mais de 150 países-membros da ONU.

Chefes de Estado e de governo afirmam estar “profundamente alarmados com a emergência global enfrentada pelos oceanos”, incluindo “aumento do nível do mar, da erosão costeira, do aquecimento e da acidificação dos oceanos”.

Proteger a vida marinha é meta da Conferência dos Oceanos da ONU.

Foto: © FAO/Kurt Arrigo

Proteger a vida marinha é meta da Conferência dos Oceanos da ONU.

Medidas urgentes

No texto, de sete páginas, as nações citam o “arrependimento profundo” ao reconhecerem a sua “falha coletiva em alcançar” várias das metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14, que foca na vida marinha. 

Ao mesmo tempo, os países renovam o seu “compromisso em tomar medidas urgentes e em cooperar nos níveis global, regional e sub-regional para se alcançar todas as metas o mais rápido possível e sem mais demoras”. 

Na cerimônia de encerramento da Conferência dos Oceanos, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Jurídicos, Miguel Serpa Soares, declarou ter ficado “impressionado com os novos compromissos feitos por muitos países”.

Serpa Soares mencionou alguns dos comprometimentos dos representantes de nações que passaram por Lisboa: proteger pelo menos 30% das zonas marítimas nacionais até 2030; reduzir a zero a poluição causada por plástico até 2050 e garantir que 100% dos estoques de peixes sejam mantidos dentro dos limites biologicamente sustentáveis. 

Durante toda a semana, várias entidades anunciaram investimentos para tornar as promessas realidade: o Desafio Protegendo o Nosso Planeta investirá US$ 1 bilhão para a expansão de áreas marinhas protegidas até 2030; o Banco de Desenvolvimento da América Latina promete investir US$ 1,2 bilhão para apoiar projetos que beneficiem o oceano na região e o Banco de Investimento Europeu repassará € 150 milhões para a Iniciativa Oceanos Limpos, na região do Caribe. 

Na Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, ações de mulheres e jovens serão evidenciadas para a busca de soluções.

© Ocean Image Bank/Ben Jones

Na Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, ações de mulheres e jovens serão evidenciadas para a busca de soluções.

Impacto prejudicial da ação humana

Na declaração final, os Estados-membros da ONU reafirmam que “a mudança climática é um dos maiores desafios do nosso tempo” e citam outros problemas que estão afetando os oceanos, como “derretimento da calota polar, mudanças na abundância e distribuição das espécies marinhas, como os peixes, e impactos em ilhas e comunidades costeiras”. 

Também são mencionados os “impactos humanos para os oceanos, incluindo para a degradação de ecossistemas e extinção das espécies”. 

Os países reconhecem “a necessidade de uma mudança transformadora” e afirmam estar “comprometidos em “combater e reverter o declínio da saúde dos ecossistemas marinhos e em proteger e recuperar sua integridade ecológica.”

Detritos plásticos marinhos impactaram mais de 600 espécies marinhas

© Ocean Image Bank/Vincent Knee

Detritos plásticos marinhos impactaram mais de 600 espécies marinhas

Pesca, plásticos, energia renovável 

Ao destacarem que “ações inovadoras baseadas na ciência” podem contribuir com as soluções necessárias o alcance do ODS 14, os países se comprometem com diversas metas, incluindo:

Compromisso da Conferência dos Oceanos

•    Restaurar e manter os estoques de peixes a níveis que produzam o rendimento máximo sustentável no menor tempo possível, diminuindo perdas nas capturas e devoluções desnecessárias de peixes, além de combater a pesca ilegal e irregular;

•    Monitorar ações para pesca e aquicultura sustentáveis em prol de uma alimentação nutritiva e de sistemas alimentares resilientes;

•    Prevenir, reduzir e controlar todos os tipos de poluição marinha, de fontes terrestres e do mar, incluindo resíduos sem tratamento, descartes de resíduos sólidos, substâncias químicas e emissões do setor marítimo, incluindo poluição por navios e ruídos subaquáticos;

•    Prevenir, reduzir e eliminar o lixo plástico marinho, incluindo plásticos de uso único e microplásticos, por meio da reciclagem, da garantia do consumo e de padrões de produção sustentáveis, e por meio do desenvolvimento de alternativas para consumidores e indústrias, além de conseguir a negociação de um tratado legal internacional sobre poluição plástica;

•    Desenvolver e implementar medidas de adaptação à mudança climática para reverter as perdas, reduzir riscos de desastre e aumentar a resiliência, por meio do aumento do uso de energias renováveis, especialmente com tecnologias baseadas nos oceanos;
 

O texto também reconhece que os países em desenvolvimento, em especial os Pequenos Estados Insulares e as nações menos desenvolvidas enfrentam vários desafios que precisam de solução.

O subsecretário-geral da ONU, Miguel de Serpa Soares, afirmou, em entrevista à ONU News, que a “Declaração de Lisboa” é o princípio de um processo que aponta o caminho:

Início de um processo

“O seguimento dos dois acordos e princípios alcançados este ano: a questão dos plásticos no oceano e a questão da Organização Mundial do Comércio sobre os subsídios à pesca, ou seja, este é o princípio de um longo processo que vai continuar pelos anos. E nós, com esta declaração, assumimos uma vontade política muito forte – os nossos governantes – de prosseguir neste caminho. Portanto, temos que olhar para Lisboa não como um fim, mas como um princípio.”

Na opinião do cientista-chefe da Fundação Oceano Azul, Emanuel Gonçalves, “a Conferência é um passo importante por um conjunto de razões”: 
“Primeiro, porque vemos por parte dos Estados-membros uma vontade de avançar com medidas concretas e não apenas com palavras, mas principalmente porquê vemos da parte da sociedade civil uma enorme mobilização das ONGs, das fundações, dos movimentos de cidadãos, por volta de soluções concretas de coisas que estão a fazer já, hoje. Nós não podemos esperar. Todos os anos, garantir que se monitorize esse progresso, que esse progresso é feito com os melhores standards científicos e que é feito com as metas e alcançando as metas que são necessárias para podermos inverter este padrão de destruição do planeta.”

Estudantes nas margens do oceano enquanto aguardam para receber o veleiro de plástico Flipfloppi que fez várias paradas na costa do Quênia

FlipFlopi/FinneganFlint

Estudantes nas margens do oceano enquanto aguardam para receber o veleiro de plástico Flipfloppi que fez várias paradas na costa do Quênia

Força dos jovens e das crianças 

O documento final da Conferência dos Oceanos também reconhece a “importância das comunidades indígenas” e do seu conhecimento tradicional e pede ainda o “empoderamento de meninas e de mulheres em prol do avanço de uma economia sustentável baseada nos oceanos.”

Os países-membros também querem a garantia de que “crianças e jovens sejam empoderados com o reconhecimento necessário e habilidades que os permitam entender a importância e a necessidade de contribuir com a saúde dos oceanos, por meio da educação de qualidade e da literacia do oceano.”

Por fim, o texto menciona que “restaurar a harmonia com a natureza por meio de um oceano saudável, produtivo e sustentável, é crítico para o planeta, para as nossas vidas e para o nosso futuro.”

ONU pede acesso humanitário urgente na Ucrânia

País sofre com violência há quatro meses; 16 milhões de pessoas precisam de ajuda; coordenadora humanitária da ONU no país, Osnat Lubrani, afirma que partes estão “descaradamente ignorando obrigações previstas no direito internacional humanitário e direitos humanos.” 

Assembleia Geral da ONU busca acordo para reduzir acidentes de trânsito

A Assembleia Geral da ONU se reúne nesta quinta-feira para debater a melhoria da segurança rodoviária. Segundo da líder do Fundo das Nações Unidas para a Segurança Rodoviária, Unrsf, Nneka Henry, a cada 24 segundos alguém morre no trânsito, tornando a segurança nas estradas do mundo um desafio de desenvolvimento global para todas as sociedades, especialmente as mais vulneráveis.

De acordo com os dados apresentados pela líder do Unrsf às vésperas da sessão da Assembleia Geral, 500 crianças morrem em acidentes todos os dias

Foto ONU/Albert González Farran

De acordo com os dados apresentados pela líder do Unrsf às vésperas da sessão da Assembleia Geral, 500 crianças morrem em acidentes todos os dias

Compromisso político

O evento também conta com a participação da Organização Mundial da Saúde, OMS, que avalia como fundamental a declaração política que deve ser adotada pelos Estados-membros durante a reunião de Alto Nível. O documento busca um consenso para reduzir mortes e lesões no trânsito em 50% até 2030, o que seria “um marco para a segurança viária e a mobilidade sustentável”. Segundo o diretor da OMS, “o futuro da mobilidade deve promover a saúde e o bem-estar, proteger o meio ambiente e beneficiar a todos”. Tedros Ghebreyesus avalia que esse futuro exigirá liderança transformadora dos mais altos níveis de governo para agir de acordo com a Declaração Política.

A OMS também destaca que mais de 50 milhões de pessoas perderam a vida nas estradas do mundo desde a invenção do automóvel

Fotos: Unsplash/Yoel J Gonzalez

A OMS também destaca que mais de 50 milhões de pessoas perderam a vida nas estradas do mundo desde a invenção do automóvel

Mortes em acidentes

De acordo com os dados apresentados pela líder do Unrsf às vésperas da sessão da Assembleia Geral, 500 crianças morrem em acidentes todos os dias, e na população adulta, as mulheres têm 17 vezes mais chances de morrer durante um acidente de carro do que os homens, mesmo ao usar cinto de segurança. A OMS também destaca que mais de 50 milhões de pessoas perderam a vida nas estradas do mundo desde a invenção do automóvel, mais do que o número de mortes na Primeira Guerra Mundial ou em algumas das piores epidemias globais. Apesar destas estatísticas, Nneka Henry afrima que a segurança rodoviária não é apenas um desafio para as mulheres ou para os jovens. Para ela, o tema é importante para “cada um de nós que caminha, pedala, anda de bicicleta ou dirige em estradas”. Investimentos para segurança Em paralelo a reunião na Assembleia Geral, também acontece a Conferência de Doadores do Fundo de Segurança Rodoviária da ONU. O Fundo foi criado em 2018 com a visão de “construir um mundo no qual as estradas sejam seguras para todos os usuários, em todos os lugares”. Os investimentos financiam especialmente projetos em países de baixa e média renda, onde ocorrem cerca de 93% das mortes e lesões no trânsito. Um dos trabalhos do Fundo tem sido harmonizar as resoluções padrão dos veículos com os 15 membros da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental. A partir de 1º de julho, todos os veículos importados na região precisam estar abaixo do padrão Euro 4/IV, com baixa emissão de gases de efeito estufa, e não ter mais de oito anos. Entre outras realizações do Fundo estão a legislação no Azerbaijão para ajudar na resposta a emergências pós-acidente, a implementação de fiscalização dos limites de velocidade e outras regras de trânsito no Brasil e na Jordânia, bem como a melhoraria da coleta de dados na Cote d’Ivoire ou Costa do Marfim e Senegal e treinamentos para planejadores urbanos para tornar as zonas escolares mais seguras no Paraguai.

ODS

A segurança nas estradas também está integrada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, de acordo com Unrsf. A melhoria das rodovias poderia permitir acesso mais seguro à educação, acesso das pessoas a mantimentos e reduzir as emissões de carbono na atmosfera. Já a redução pela metade as mortes e lesões no trânsito até 2030 se conecta com a ODS 3, sobre boa saúde e bem-estar.

População mundial deve crescer em 2,2 bilhões até 2050

O Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, ONU Habitat, divulgou um relatório afirmando que a rápida urbanização foi apenas temporariamente atrasada pela pandemia do Covid-19.

O estudo aponta que a população urbana global deve crescer em mais 2,2 bilhões de pessoas até 2050. Atualmente, o planeta tem 9,7 bilhões de pessoas, segundo os dados do Departamento de Assuntos Sociais e Econômicos da ONU, Desa. Em 2019, a previsão de crescimento da população era de 2 bilhões até 2050.

Guterres defende que rápida urbanização é um desafio de direitos humanos.

Banco Mundial/Antony Tran

Guterres defende que rápida urbanização é um desafio de direitos humanos.

Pandemia

Segundo o levamento, a fuga em larga escala das grandes cidades nos estágios iniciais da pandemia percebida no campo ou cidades menores foi uma resposta de curto prazo que não deve alterar o curso da urbanização globalmente.

Apesar da maior incidência do vírus nas áreas urbanas e das dificuldades econômicas criadas pela pandemia, as cidades estão mais uma vez servindo como polos de oportunidade para pessoas em busca de emprego e educação ou para se refugiarem de conflitos, afirma o relatório.

Com as populações urbanas existentes também continuando a crescer naturalmente por meio do aumento das taxas de natalidade, particularmente em países de baixa renda, a população urbana deverá crescer de 56% do total global em 2021 para 68% em 2050.

O relatório conclui que “as cidades vieram para ficar, e o futuro da humanidade é, sem dúvida, urbano”, embora afirme que os níveis de urbanização são desiguais, com o crescimento desacelerando em muitos países de alta renda.

Urbanização como megatendência

Segundo a subsecretária-geral da ONU e diretora executiva da ONU-Habitat, Maimunah Mohd Sharif, a urbanização continua sendo uma poderosa megatendência do século 21. Ela explica que isso traz múltiplos desafios, que foram ainda mais expostos pela pandemia.

Para Maimunah Mohd Sharif, há uma sensação de otimismo de que o Covid-19 deu uma oportunidade de reconstruir de maneira diferente. Ela acredita que com as políticas certas e o compromisso certo dos governos, as crianças podem herdar um futuro urbano mais inclusivo, verde, seguro e saudável.

A publicação do relatório acontece durante o Fórum Urbano Mundial, a principal conferência global sobre desenvolvimento urbano sustentável.

O evento está sendo realizado em Katowice, Polônia, de 26 a 30 de junho, convocado pela ONU-Habitat e coorganizado com o Governo da Polônia e a cidade de Katowice.

‘The Loneliest Whale’ leva centenas de pessoas ao cinema em Lisboa

© Filipe Faleiro

Na sexta-feira que antecedeu o início da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, o Centro Regional de Informação da ONU para a Europa Ocidental apresentou, no Cinema de São Jorge, em Lisboa, o filme ‘The Loneliest Whale: the search for 52’, juntamente com a Embaixada dos EUA em Portugal, a Câmara Municipal de Lisboa e a Fundação Oceano Azul. 

Miguel de Serpa Soares, Randi Charno Levine, Joshua Zeman, Diogo Moura e Tiago Pitta e Cunha. © Filipe Faleiro

A audiência foi saudada pela Chefe do Desenvolvimento Sustentável na ONU, Francyne Harrigan, que moderou o painel de discussão e abriu a sessão com uma menção ao momento oportuno da sessão de cinema e própria Conferência. “A conferência dos oceanos da ONU representa uma oportunidade vital para fazer soar o alarme sobre o que acontecerá se continuarmos a tirar mais do oceano do que ele pode dar”. 

Francyne Harrigan © Filipe Faleiro

O Cine ONU recebeu vários intervenientes que apresentaram o filme e destacaram a importância do tema. A embaixadora dos EUA em Portugal, Randi Charno Levine, elogiou a afluência do público, mais de 500 pessoas, como um farol de esperança para a ação futura nos oceanos, observando que “a força e diversidade deste público mostra que a mensagem está a ecoar, que o público também reconhece a importância dos oceanos e da sua proteção”. 

Randi Charno Levine © Filipe Faleiro

O otimismo da embaixadora foi partilhado pelo subsecretário-geral para os Assuntos Jurídicos das Nações Unidas, Miguel de Serpa Soares, que expressou que “este é um momento de urgência, mas também um momento de possibilidades”. 

Miguel de Serpa Soares © Filipe Faleiro

Para o vereador da Cultura, Economia e Inovação da Câmara Municipal de Lisboa, Diogo Moura,”o azul é o novo verde”. Lisboa desempenha um papel relevante num novo capítulo global de conservação dos oceanos. ”Acreditamos que Lisboa pode ser pioneira como centro europeu para a economia da tecnologia azul”. 

Diogo Moura © Filipe Faleiro

O CEO da Fundação Oceano Azul, Tiago Pitta e Cunha, defendeu que “infelizmente, a ação para os oceanos ainda não está próxima da ação climática”, reiterando a importância de fóruns como a Conferência dos Oceanos da ONU como veículos para “colocar a os problemas dos oceanos no centro das discussões e das prioridades económicas e políticas”. 

Tiago Pitta e Cunha © Filipe Faleiro

Tempo de agir 

A sessão de cinema antecedeu um painel de discussão com o realizador do filme. Refletindo sobre um dos principais temas da sessão, Joshua Zeman partilhou o seu percurso na exploração dos efeitos da poluição sonora nos oceanos na vida marinha. ”Não fizemos o filme por causa da poluição sonora, a questão surgiu a partir do filme. Estes animais não podem escapar, não podem desligar o som que fazemos. Tornou-se uma questão profunda e importante”. 

Francyne Harrigan, Joshua Zeman, Ana Brazão, Pamela Kiamber, Afonso Castanheira

Ana Brazão, da Fundação Oceano Azul, destacou a necessidade de mudanças em larga escala para levar a cabo os compromissos internacionais para melhorar a saúde dos oceanos. ”Compreendemos que as áreas marinhas protegidas por si só, sem alterar a nossa economia, não são suficientes. Temos de substituir o modelo atual por uma economia circular e regenerativa”. 

“Os jovens são muitas vezes deixados de fora e não são ouvidos”, defendeu a campeã da campanha Plastic Tide Turner, do programa das Nações Unidas para o meio ambiente, Pamela Kiambi. “Um importante apelo à ação é ter os jovens no palco com as suas ideias e soluções. Temos um desejo de agir e temos de o fazer”, disse. 

Na entrada para o cinema o público teve oportunidade de ver a instalação artística de Afonso Castanheira, uma baleia feita com plástico tirado dos oceanos. Como este material não pode ser reciclado, “o melhor é tentar usar para ajudar as pessoas a perceberem a quantidade de lixo que vem da indústria pesqueira”, explicou. 

Instalação Artística por Afonso Castanheira © Filipe Faleiro

 

Mês do orgulho LGBTQI+: os Direitos Humanos são de todos/as

SatyaPrem, Pixabay

“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Sem distinções de “raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição”.  

Estes são alguns dos artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos que estabelece a igualdade de direitos, sem discriminações. No entanto, nem sempre esses direitos estão garantidos. O mês do orgulho LGBTQI+, conhecido como o mês do pride, que acontece em junho, assinala essa luta pela igualdade de direitos dos membros desta comunidade.  

Os números indicam que há muito a fazer. Mais de um terço dos países do mundo ainda criminalizam relações amorosas consensuais entre pessoas do mesmo sexo, exacerbando o preconceito e colocando milhões de pessoas em risco de serem chantageadas, detidas e privadas de liberdade.  

Há países que forçam as pessoas transexuais a tratamentos médicos e esterilizações, ou a preencher pré-requisitos penosos para que possam obter o reconhecimento legal da sua identidade de género. Crianças intersexo são submetidas a cirurgias desnecessárias, que causam dor e sofrimento físico e psicológico.  

Em muitos casos, a falta de proteção jurídica adequada, a par de manifestações públicas hostis, leva à discriminação generalizada contra lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans, travestis e intersexo. Há trabalhadores e trabalhadoras que são demitidas dos seus cargos, estudantes que sofrem bullying e são expulsos de escolas e pacientes que veem o acesso a cuidados de saúde básicos negado. 

 

Livres & Iguais 

“Faço um apelo a todos os governos e sociedades… construam um mundo no qual ninguém precise ter receio por causa da sua orientação sexual ou identidade de género” 

António Guterres 

Os dados acima são avançados pela campanha das Nações Unidas contra a homofobia e a transfobia – Livres & Iguais, que nasce em julho de 2013, pelo ímpeto do escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). 

Trata-se de uma campanha de informação pública, global e sem precedentes, com o objetivo de promover direitos iguais e tratamento justo para pessoas LGBTQI+. Em 2017, a ONU Livres & Iguais alcançou 2,4 milhões de publicações nas redes sociais em todo o mundo. Versões nacionais da campanha e vários eventos têm sido organizados em quase 30 países, com apoio das Nações Unidas e de líderes políticos, religiosos e de comunidades, além de celebridades de várias regiões. 

 

Espaço seguro para acolher vítimas de violência LGBTIQ+ 

São várias as associações em Portugal que se juntam à causa e contribuem para a luta pelos direitos da comunidade LGBTQI+. Nos bons exemplos está a Casa Arco-Íris, a primeira e única estrutura de acolhimento de emergência para vítimas de violência doméstica em Portugal,independentemente da sua orientação sexual, identidade ou expressão de género, ou características sexuais”. Surge em 2018, depois de se perceber, através do atendimento a vítimas de violência doméstica e de género, a urgência “em criar um espaço seguro e especializado”. 

Situada em Matosinhos, esta casa tem capacidade para acolher nove pessoas e está, neste momento, lotada. De julho de 2018 a maio de 2022, já passaram por esta estrutura 270 pessoas, com idades compreendidas entre os 18 e os 64 anos. No entanto, como explica a diretora técnica, Paula Allen, a faixa etária predominante é a dos 18 aos 25 anos.  

O período de acolhimento é, geralmente, de três meses, podendo ser prolongado por duas vezes mediante autorização da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.  

 

Desafios à intervenção 

Na gestão de uma estrutura destas há, segundo Paula Allen, “inúmeros desafios relacionados com várias circunstâncias”, que vão desde o espaço físico disponível para as pessoas acolhidas até ao apoio que lhes é prestado. 

A “falta de respostas a nível de saúde mental” constitui um problema, na medida em que “não permite garantir a segurança afetivo / emocional das vítimas”, quando à partida, existe uma “bagagem de vitimização que estas pessoas trazem e que leva a que venham em situação de abandono pela própria família”. 

Existem entraves ao financiamento que não contemplam situações em que as vítimas têm caraterísticas de saúde particulares, como é o caso da terapia hormonal. Neste a contexto, a responsável considera de extrema importância que o Estado e as Autarquias continuem “a financiar e apoiar, mas tentar ver com uma lente mais fina, garantindo que consegue ler as especificidades desta população”. 

Julie Rose, Pixabay

Estratégias de reintegração 

“As pessoas são acolhidas e acompanhadas pelo Centro Gis – em psicologia clínica, psiquiatria, endocrinologia e apoio jurídico, e pelo Centro Comunitário Espaço Livre – apoio psicossocial, apoio em grupo para promoção de competências psicossociais, apoio à procura de casa e de emprego, entre outras”. Nestes projetos da Associação Plano i “as equipas organizam-se com a equipa da casa para melhor responder às necessidades de cada pessoa utente e, acima de tudo, aos seus timings”, explica Paula Allen. 

A procura de apoio surge por diversos motivos. Um dos exemplos realçados pela diretora técnica são as histórias de pessoas agredidas fisicamente, emocionalmente e sexualmente por pais e mães, por terem uma orientação sexual diferente daquela que estes gostariam que tivessem. “Questiono-me muitas vezes onde fica o tão afamado ‘amor incondicional’ – será que fica ‘até que a tua orientação sexual nos separe’?”, lamenta. 

À sociedade civil cabe, para Paula Allen, “o papel de respeitar”. “Cabe ao Estado garantir o apoio às vítimas de violência doméstica e cabe à sociedade civil aceitar operacionalizar esse apoio”, conclui. 

Moçambique anuncia ação concertada para combater lixo marinho

Para Moçambique, o sucesso da Conferência dos Oceanos será ditado pelo desfecho do evento e pela capacidade de se angariar recursos para o cumprimento da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável. 

O país banhado pelo Oceano Indico anunciou que prepara planos para atuar em novas frentes: o combate ao lixo marinho e o avanço da economia azul.

Compromisso 

No evento, a ministra moçambicana do Mar, Águas Interiores e Pescas, Lídia Cardoso, destacou desafios e oportunidades com a faixa do litoral de cerca de 2,7 mil km. Mais de 60% da população vivem em áreas costeiras. 

Cardoso lembrou que as zonas próximas do mar geram rendimento e garantem a sobrevivência de milhares de moçambicanos, mas estão expostas a riscos.

“Para além de proporcionar um manancial de riquezas por explorar. Moçambique é um país exposto às múltiplas ameaças relacionadas com as alterações climáticas, que de forma cíclica, tem fustigado várias regiões do país, com eventos severos como ciclones, secas, inundações. Daí, o compromisso para a criação de resiliência costeira ser imperativo para nós.”

A ministra destacou que as autoridades adotaram vários mecanismos sobre a questão dos oceanos: uma política e estratégia do mar, uma lei sobre o tema, e estratégias para ordenar a pesca artesanal e o desenvolvimento da aquacultura. 

Vegetação costeira 

O conjunto de novas iniciativas faz parte de uma cadeia de valor dos recursos marinhos. Os benefícios são o apoio a prioridades como geração da renda, postos de trabalho, segurança alimentar, nutrição e empoderamento de mulheres e jovens.

“Gostaríamos ainda de enfatizar que, Moçambique assumiu compromissos importantes no âmbito da implementação do ODS 14 e, nesta hora do balanço, apraz-nos partilhar os seguintes progressos a aprovação, do Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo nacional, visando garantir o uso sustentável do mar e a restauração de 75% dos 5 mil hectares de mangal planificados até 2022.”

A representante moçambicana disse que as autoridades seguem empenhadas em criar uma zona exclusiva de até 30% até o fim da década. O principal recurso serão áreas de conservação marinha.

Em Moçambique, foram construídas casas resilientes ao clima, depois que suas cidades costeiras foram atingidas pelas tempestades de Idai na Kenneth

ONU Habitat/Veridiana Mathieu

Em Moçambique, foram construídas casas resilientes ao clima, depois que suas cidades costeiras foram atingidas pelas tempestades de Idai na Kenneth

O mundo está a arder. Precisamos de uma revolução das renováveis.

UN Photo/Eskinder Debebe

Só existe um caminho para garantir segurança energética, preços de energia estáveis, prosperidade e um planeta habitável: abandonar os combustíveis fósseis poluentes e acelerar a transição energética assente em energias renováveis. 

Por António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas 

Artigo de Opinião publicado pelo Público

Nero foi notoriamente acusado de tocar lira enquanto Roma queimava. Hoje, alguns líderes têm atitudes ainda piores. Estão, literalmente, a deitar achas na fogueira. À medida que as consequências da invasão russa da Ucrânia se propagam por todo o mundo, a resposta de algumas nações à crescente crise de energia tem sido reforçar a aposta nos combustíveis fósseis e investir milhares de milhões de dólares a mais no carvão, no petróleo e no gás que são as principais causas do agravamento da emergência climática. 

Enquanto isso, todos os indicadores climáticos continuam a bater recordes, antecipando um futuro de tempestades ferozes, inundações, secas, incêndios florestais e temperaturas insuportáveis em vastas áreas do planeta. O nosso mundo caminha para o caos climático. As iniciativas para financiar novas infraestruturas de exploração e de produção de combustíveis fósseis são demenciais. Os combustíveis fósseis não são a solução, nem nunca serão. Podemos ver os danos que estamos a causar ao planeta e às nossas sociedades. É notícia todos os dias e ninguém está imune. 

Os combustíveis fósseis são a causa da crise climática. As energias renováveis são a resposta para limitar as perturbações climáticas e aumentar a segurança energética. Se tivéssemos investido antes, de forma massiva, em energias renováveis, não estaríamos, mais uma vez, à mercê de mercados instáveis de combustíveis fósseis. As energias renováveis são o plano de paz do século XXI, mas a batalha por uma transição energética rápida e justa não está a ser travada de forma justa. Os investidores ainda estão a apoiar os combustíveis fósseis e os governos continuam a distribuir milhares de milhões em subsídios para carvão, petróleo e gás – cerca de 11 milhões de dólares por minuto. 

Quando se dá prioridade a um alívio a curto prazo em detrimento do bem-estar a longo prazo, fala-se em dependência. Ainda somos viciados em combustíveis fósseis. Precisamos de parar, agora, pela saúde das nossas sociedades e do planeta. Só existe um caminho para garantir segurança energética, preços de energia estáveis, prosperidade e um planeta habitável: abandonar os combustíveis fósseis poluentes e acelerar a transição energética assente em energias renováveis. 

Com esse objetivo, pedi aos governos do G20 que desmantelem as infraestruturas de carvão, com uma eliminação total até 2030 para os países da OCDE e 2040 para todos os outros. Apelei aos atores financeiros que abandonem o financiamento de combustíveis fósseis e invistam em energias renováveis e propus um plano de cinco pontos para impulsionar as energias renováveis em todo o mundo. 

Em primeiro lugar, devemos tornar a tecnologia das energias renováveis um bem público mundial, incluindo a remoção de barreiras de propriedade intelectual à transferência de tecnologia.  

Em segundo lugar, devemos melhorar o acesso mundial às cadeias de fornecimento de componentes e às matérias-primas de tecnologias de energias renováveis. Em 2020, o mundo instalou 5 gigawatts de armazenamento de baterias. Precisamos de 600 gigawatts de capacidade de armazenamento até 2030. É evidente que necessitamos de uma coligação mundial para o conseguir. Os engarrafamentos nos transportes e as limitações nas cadeias de abastecimento, assim como o aumento do custo do lítio e de outros metais para as baterias, estão a prejudicar a implantação dessas tecnologias e materiais, exatamente quando mais os necessitamos. 

Em terceiro lugar, devemos reduzir a burocracia que impede os projetos de energia solar e eólica. Precisamos de aprovações rápidas e de mais iniciativas para modernizar as redes elétricas. Na União Europeia, são necessários oito anos para aprovar um parque eólico e 10 anos nos Estados Unidos. Na República da Coreia, os projetos eólicos terrestres precisam de 22 licenças de oito ministérios diferentes. 

Em quarto lugar, o mundo deve reorientar os subsídios aos combustíveis fósseis para proteger as pessoas vulneráveis de choques energéticos e investir numa transição justa para um futuro sustentável. 

E, em quinto lugar, precisamos de triplicar os investimentos em energias renováveis. Aqui entram em jogo os bancos multilaterais de desenvolvimento e as instituições financeiras de desenvolvimento, bem os como bancos comerciais. Todos devem dar um passo em frente e aumentar drasticamente os investimentos em energias renováveis. 

Necessitamos que todos os líderes mundiais atuem com urgência. Aproximamo-nos perigosamente do limite de 1,5°C que, segundo os cientistas, é o nível máximo de aquecimento para evitar os piores impactos climáticos. Para nos mantermos abaixo desses 1,5°C, devemos reduzir as emissões em 45% até 2030 e atingir zero emissões líquidas em meados do século. No entanto, os atuais compromissos nacionais levarão a um aumento de quase 14% nesta década. Será uma catástrofe. 

A resposta está nas energias renováveis: para a ação climática, para a segurança energética e para o fornecimento de eletricidade limpa para centenas de milhões de pessoas que atualmente carecem deste tipo de energia. As energias renováveis resolvem os três problemas. 

Não há desculpa para alguém rejeitar uma revolução das energias renováveis. Embora os preços do petróleo e do gás tenham atingido níveis recordes, as energias renováveis estão cada vez mais baratas. O custo da energia solar e das baterias afundou 85% na última década. O custo das energias eólicas caiu 55% e o investimento em energias renováveis cria três vezes mais empregos do que os combustíveis fósseis. 

É claro que as energias renováveis não são a única resposta para a crise climática. As soluções baseadas na natureza, como reverter a desflorestação e a degradação da terra, são essenciais, tal como os esforços para promover a eficiência energética. Mas a nossa ambição deve ser a rápida transição para as energias renováveis. 

À medida que nos afastamos dos combustíveis fósseis, os benefícios serão enormes e não apenas para o clima. Os preços da energia serão mais baixos e mais previsíveis, com repercussões positivas para a segurança alimentar e económica. Quando os preços da energia sobem, também aumentam os custos dos alimentos e de todos os bens de que dependemos.  

Em suma, é hora de chegar a um acordo sobre uma revolução rápida das energias renováveis e parar de brincar com as chamas que consomem o nosso futuro. 

Guiné-Bissau aposta em jovens e parcerias para promover ação oceânica

O presidente da Guiné-Bissau Umaro Sissoco Embaló disse esperar que a Conferência dos Oceanos da ONU estabeleça um novo paradigma sobre questões de conservação. Segundo os organizadores, o evento iniciado esta segunda-feira inclui 28 chefes de Estado e do governo. 

Em Lisboa, o líder guineense defendeu que tal modelo iria impulsionar soluções inovadoras para um dos maiores desafios da raça humana: o uso e conservação sustentável dos oceanos e seus recursos.

Geografia

“Não pretendo enumerar aqui o conjunto de problemas que enfrentamos. Basta dizer que nada nos é estranho no que diz respeito ao aumento das mudanças climáticas. O aumento do efeito da erosão nas áreas costeiras e enfim, estando realmente muito expostos a riscos e ameaças que são próprios da nossa geografia  . Por isso o aumento da viabilização do Acordo de Paris é para nós muito importante, muito importante.”

Umaro Sissoco Embaló sugere que planos de desenvolvimento incluam conservação e preservação

FAO Guiné-Bissau / Natalia da Luz

Umaro Sissoco Embaló sugere que planos de desenvolvimento incluam conservação e preservação

Para a Guiné-Bissau, deve se apostar em  novas gerações  para abordar questões partilhadas com outras nações vulneráveis sobre alterações do clima.

Umaro Sissoco Embaló apontou que qualquer pano de desenvolvimento que não inclua a conservação e preservação dos mares poderá fracassar. As autoridades guineenses defendem que edificar uma economia amigável ao oceano seja uma ação  permanente.

Base

“Efetivamente, o futuro pertence à juventude. Quero sublinhar que temos beneficiado muito de parceiros relativamente relevantes, nomeadamente das sempre relevantes agências das Nações Unidas, da União Europeia e de outros amigos numa base bilateral.”

Falando à ONU News, em Lisboa, o ministro guineense do Ambiente e Biodiversidade Viriato Cassamá disse que Lisboa é lugar para fortalecer a colaboração com outros países em relação à gestão dos mares.

“A nossa expectativa nesta Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos é  ter uma parceria estratégica com outros países dependentes dos recursos dos oceanos para que a Guiné-Bissau possa ter a linha de base do estado do nosso oceano, do nosso mar interior e dos nossos rios, de modo a podermos tirar proveito que este grande e incomensurável ecossistema nos dá. Nós pensamos que com um esforço global de todos os países-partes das Nações Unidas iremos com certeza estancar a poluição plástica, promover a ação prática e tomar decisões acertadas e ajustadas no tocante à gestão dos recursos oceânicos.” 

No total, o país tem 88 ilhas de biodiversidade considerada única. O líder da Guiné-Bissau apontou os oceanos como primeiro ecossistema no planeta, tendo lamentado que o país não seja um oásis em conservação.

*Reportagem de Eleutério Guevane e Leda Letra, enviados especiais a Lisboa.