Ações destrutivas de “líderes políticos e financeiros” forçam maioria da população à pobreza, sob violação da lei internacional de direitos humanos; país realiza eleições neste domingo, 15 de maio.
OMS nas Américas lança Comissão de Alto Nível sobre Saúde Mental e Covid-19
Grupo de trabalho desenvolverá recomendações para acelerar ações em favor da saúde mental na região após efeitos da pandemia; levantamentos apontam que número de pacientes com ansiedade e depressão subiu em 25% no primeiro ano da crise sanitária; mulheres devem ser priorizadas no estudo.
Inscrições para prêmio da Unesco no Brasil sobre notícias e fotos de oceanos terminam este domingo
Iniciativa conta com apoio da Fundação Boticário é aberta a profissionais e amadores; temas a serem cobertos incluem mudanças climáticas e resiliência.
Covid-19: OMS relata alta de casos na África e notificações na Coreia do Norte
O sul da África registrou um aumento nos casos de Covid-19, pela terceira semana consecutiva, com o aproximar do inverno na região.
Dados da Organização Mundial da Saúde, OMS, indicam que a a área registrou 46.271 casos até 8 de maio.
Infectados
O Escritório Regional da OMS para a África explicou que a proporção sub-regional corresponde a 87% dos novos infectados em todo o continente nos últimos sete dias.
O número está 32% mais alto em relação ao período anterior. O aumento rompe a tendência de declínio de dois meses em toda a região africana.
Até agora, o continente confirmou 11,7 milhões de casos e cerca de 253 mil mortes devido á pandemia.
O pico na África do Sul é o principal fator que impulsiona o quadruplicar de casos nas últimas três semanas. As mortes, no entanto, não aceleraram de forma tão rápida.
Coreia do Norte
Nesta quinta-feira, o dia foi marcado por notícias de ocorrência de casos da Covid na Coreia do Norte. De acordo agências de notícias, as autoridades decidiram apertar as medidas restritivas.
Em comunicado, o representante da OMS no país, Edwin Salvador, contou que ainda não recebeu informações oficiais do Ministério da Saúde sobre o tema.
A OMS está em contato com o Ministério e outros funcionários da saúde.
A ONU e a Coreia do Norte colaboraram num plano estratégico nacional de preparação e resposta para o Covid-19 com parceiros incluindo o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, a Aliança Global de Vacinas, Gavi para um roteiro de vacinação.
Mecanismo Covax
Com a revisão e adoção do plano envolvendo vários parceiros regionais e a Coreia do Norte, o país passou a ser elegível para receber imunizantes do mecanismo Covax.
A OMS disse que continua empenhada em trabalhar com as autoridades norte-coreanas.
A colaboração seria por meio de informações sobre imunizantes disponíveis através da iniciativa que distribui imunizantes às nações em desenvolvimento.
Situação de crianças na Ucrânia é debatida no Conselho de Segurança
Pelo menos 100 menores perderam a vida na guerra; número de feridos e que sofrem violações de direitos pode ser ainda maior; representante do Unicef repudia ataque a escolas e lembra do compromisso de proteger os civis; vice-chefe do Escritório para Assuntos Humanitários, Ocha, diz que é preciso continuar com evacuação de civis.
Bachelet descreve série de violações de direitos humanos na Ucrânia
Durante sessão do Conselho de Direitos Humanos, alta comissária citou assassinatos de civis, abusos sexuais e desaparecimentos; Michelle Bachelet relatou a tragédia de 10 idosos que morreram após serem obrigados pelas forças russas a ficar no porão de uma escola sem água nem ventilação.
Crises globais requerem soluções de diálogo e cooperação
António Guterres agradeceu à Áustria o apoio às Nações Unidas e o compromisso com o multilateralismo. Numa altura de crise global e de conflito na Ucrânia, o empenho dos Estados é “mais importante que nunca”.
“Agradeço à Áustria por acolher aqueles que fogem da violência na Ucrânia, pela vossa assistência humanitária, tanto através da União Europeia como bilateralmente, e pelo vosso apoio à ação da ONU em todo o mundo”, declarou o chefe das Nações Unidas.
Em visita ao país, onde reuniu com o presidente austríaco, Karl Nehammer e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Alexander Schallenberg, o secretário-geral da ONU reconheceu a Áustria como um aliado forte na procura de soluções e “uma peça fundamental na construção de pontes entre o Oriente e o Ocidente”, esperando que a parceira entre as duas entidades possa ser reforçada e aprofundada.
Guterres aproveitou o facto de estar num país da União Europeia para apelar à comunidade internacional, e em particular à UE, que forneça “apoio maciço, incluindo apoio orçamental, para ajudar a preservar a estabilidade da Moldávia [que está numa situação frágil, pela subida dos preços dos alimentos e energia e pelo fecho de rotas comerciais tradicionais] e prosseguir a sua ambiciosa agenda de reformas”.
Em paralelo, o secretário-geral apelou ao “trabalho em conjunto para proteger os refugiados do tráfico humano, da violência baseada no género, e de outras formas de abuso”.
“No nosso tempo – uma época de conflitos, crise climática e Covid-19 – não existe melhor alternativa que o diálogo, a cooperação internacional e as soluções globais”, rematou.
África pode ajudar a aliviar crise de alimentos causada por guerra na Ucrânia
Conselheira especial do chefe da ONU para a região considera haver condições para maior relevância no mercado global de cereais; Cristina Duarte defende maior justiça no acesso aos mercados internacionais de capital.
Cientistas querem ajustes em estudos sobre acidificação de oceanos
Proposta é que futuras análises levem em conta a variação ambiental; Aiea apoia pesquisa sobre mudanças nos mares com uso de técnicas nucleares e derivadas desta forma de energia para melhorar compreensão científica.
Acnur: choques climáticos podem gerar crise “invisível” em Moçambique
Agência da ONU para Refugiados precisa de US$ 36,7 milhões para ampliar as operações humanitárias; em parceria com o governo, Acnur leva assistência jurídica a 21,5 mil pessoas deslocadas em Cabo Delgado.
Campanha global busca incentivar jovens a entrarem para a política
Está sendo lançada nesta quarta-feira a campanha “Seja Visto e Ouvido”, uma colaboração entre a enviada especial da ONU para a Juventude, Jayathma Wickramanayake, e a marca de cosméticos The Body Shop.
Segundo as Nações Unidas, é preciso ampliar a participação na vida pública das pessoas abaixo dos 30 anos, especialmente num momento de vários desafios: crise climática, conflitos e desigualdades.
Baixa representatividade
Os jovens representam quase metade da população mundial, porém apenas 2,6% dos parlamentares do globo tem menos de 30 anos. Na realidade, a idade média de um líder é: 62 anos.
Ao ampliar as vozes dos jovens na esfera pública, a campanha busca criar mudanças estruturais nos processos de decisão, para que sejam mais inclusivos.
Em conjunto com a iniciativa, é lançado o relatório “Ver e Ser Ouvido: Entendendo a Participação Política dos Jovens”, baseado numa pesquisa feita pela The Body Shop no ano passado com mais de 27 mil jovens de 26 países.
Maioridade eleitoral
A pesquisa mostra que 82% das pessoas que participaram concordam que os sistemas políticos precisam de reformas drásticas. Além disso, 84% acreditam que os políticos são motivados por interesses próprios e 75% acreditam que os políticos são corruptos.
Outro dado do documento: três quartos das pessoas com menos de 30 anos sentem que políticos e líderes empresariais “estragaram as coisas” para as pessoas e o planeta.
A maioria concorda ainda que a idade ideal para poder começar a votar é entre 16 e 18 anos, enquanto na maioria dos países, somente é possível votar após completar 18 anos.
Mudanças com reflexos a longo prazo
Os participantes da pesquisa também defendem que deveria haver mais oportunidades para os jovens terem uma voz no desenvolvimento político ou que seria benéfica uma mudança no sistema político.
A enviada da ONU para Juventude declarou que “as lacunas em influência e confiança estão entre os maiores desafios da atualidade”. Jayathma Wickramanayake afirma que a campanha é uma oportunidade para mudar a situação, com políticas que reflitam as prioridades dos jovens e que “falem sua língua”.
O relatório mostra que a participação dos jovens nas decisões públicas poderia, a longo prazo, contribuir com a redução da idade em que se é permitido votar, com o aumento dos jovens em conselhos, parlamentos e comitês e melhorar ainda as habilidades de liderança entre o grupo.
A campanha começa a ser divulgada em 2,6 mil lojas da The Body Shop em 75 países e mais detalhes estão no site www.beseenbeheardcampaign.com
Em Viena, Guterres ressalta como guerra na Ucrânia atrasa ação pelo clima
Secretário-geral diz que impacto do conflito não seria o mesmo com maior uso de energia e equipamentos renováveis; mundo chamado a intervir com maior demanda e urgência contra crises.
Taxa de inflação global subiu para 9,2% em março
Segundo Organização Internacional do Trabalho, índice mais que dobrou em relação à março de 2021; confinamentos devido à pandemia de Covid-19 e alta nos preços de energia e de alimentos por conta da guerra da Ucrânia empurraram inflação para cima.
Moldávia – “um país pequeno com um grande coração”
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, reuniu-se com a presidente e a primeira ministra da Moldávia e aproveitou também para visitar um centro de refugiados.
De braços abertos
Na conferência de imprensa em Chişinau, Moldávia, o secretário-geral salientou que estava no país “numa missão de solidariedade e gratidão, para agradecer a Moldávia pelo apoio contínuo a paz e pela generosidade dos cidadãos que acolheram quase meio milhão de refugiados ucranianos de braços abertos.”
A Moldávia “não é apenas mais um país a receber refugiados” afirmou Guterres. Considerando o mais frágil e vulnerável dos países vizinhos da Ucrânia, a Moldávia é o país que mais recebeu refugiados, proporcionalmente à sua própria população. Aproximadamente 100,000 de refugiados ucranianos estão agora no país, e subsequentemente 4% da população na Moldávia são refugiados oriundos da Ucrânia.
Mesmo com recursos limitados e instabilidade financeira, o país dá um subsídio de 190$ dólares para quem acolhe refugiados mas muitos moldavos continuam a receber refugiados sem receber nada e atualmente 95% dos refugiados estão a viver em casas. Adicionalmente, uma parte considerável da população trabalha voluntariamente na fronteira e nos campos de refugiados para apoiar os que fogem da guerra. Por fim, as Nações Unidas “saudaram as medidas que a Moldávia e outros países vizinhos estão a tomar para proteger os refugiados do tráfico humano, da violência de género, e de outras formas de abuso.“
Particularmente vulnerável
O secretário-geral da ONU realçou as circunstâncias únicas do país. De todos os países na região, a Moldávia é o único que não pertence à União Europeia e ao falar com a imprensa apresentou uma comparação entre um país da União Europeia, Portugal, e a Moldávia. O meu país “beneficiou enormemente ao ser membro da União Europeia. O investimento massivo da UE no meu país inclui o apoio que recebemos durante a crise da covid-19 e os planos de recuperação que foram aprovados.” Em contraste, países como a Moldávia já estavam a sofrer antes do início do conflito militar na Ucrânia devido à “covid-19 e a recuperação desproporcional que infelizmente ocorre neste país graças à falta de solidariedade efetivo dos ricos para com os pobres.”
Além desta dificuldade preexistente, o impacto da guerra na Ucrânia também se manifestou fortemente na Moldávia. O diretor do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, IFAD, na Moldávia, Samir Bejaoui explicou que “ao mesmo tempo em que apoia os vizinhos necessitados, o país enfrenta a falta de importações e exportações limitadas.” A Moldávia, relembra Bejaoui, é um dos países mais pobres da Europa e depende fortemente da atividade agrícola. Antes da guerra o país importava 90% dos seus cereais, combustível e fertilizantes da Ucrânia e da Rússia. Com a guerra, 33 mil agricultores da Moldávia não têm produtos e ferramentas suficientes para se sustentarem.
Apoio maciço
“A Moldávia precisa e merece um apoio maciço, incluindo apoio orçamental para igualar a sua generosidade e preservar a estabilidade.”
Enquanto se reunia com a presidente da Moldávia, António Guterres salientou a sua preocupação para com o impacto da guerra na Ucrânia no país, felicitou os esforços da nação no acolhimento dos refugiados mas também em áreas como o desenvolvimento sustentável e reiterou o apoio da ONU “não só ao povo da Ucrânia, mas também ao povo da Moldávia durante estes tempos difíceis” enfatizando que a “soberania, independência e integridade territorial” da Moldávia “não devem ser ameaçadas ou comprometidas”. Finalizando a sua reunião o secretário-geral “apelou também à comunidade internacional a demonstrar verdadeira solidariedade e apoio à República da Moldávia.”
Ao responder à questão “de que tipo de apoio precisa a Moldávia nesta crise?”, Guterres respondeu que “antes de mais, a Moldávia precisa de um apoio financeiro maciço. A Moldávia tem uma situação económica muito difícil, os preços da energia alimentar e dos combustíveis aumentaram dramaticamente.”
As Nações Unidas comprometeram-se a ajudar “90,000 refugiados e 55,000 moldavos, em coordenação com o governo e outros parceiros” mas os recursos da organização são limitados. Para poder apoiar os refugiados, os governos e todos os outros afetados pela guerra na Europa, a ONU precisa que os dois apelos humanitários de 2.25$ mil milhões de dólares para as ações humanitárias dentro da Ucrânia e de 1.85$ mil milhões para a resposta aos refugiados sejam “financiados por inteiro”.
Opinião: Estou em África para lembrar a comunidade internacional de agir pela natureza
Por Abdulla Shahid, Presidente da 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU