Autoridades confirmaram pelo menos 203 mortes após operação militar na cidade de Moura; escritório da ONU menciona alegadas execuções sumárias e várias outras violações graves de direitos humanos em ação há três semanas.
OIM em Moçambique faz conferência regional sobre identidade legal
Especialistas de países-membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, Sadc, debaterão ainda mobilidade global, proteção de dados, sistemas de informação e gestão de fronteiras; meta da ONU é que todos tenham registro de nascimento até 2030. *
Chefe da ONU envia cartas para líderes da Rússia e da Ucrânia propondo encontro
António Guterres quer medidas urgentes para o fim da guerra; pedido foi enviado no mesmo dia em que ele lançou um apelo por uma pausa humanitária, começando nesta quinta-feira de Páscoa ortodoxa e terminando domingo.
Fórum na ONU projeta expectativas sobre jovens e ODS
Evento apresentou novo Relatório de Progresso Juventude 2030; chefe de direitos humanos aponta advocacia e ativismo dos jovens como áreas de maior potencial para sustentar recuperação da pandemia; crise causou perda de 8,7% de postos de trabalho do grupo.
Guterres diz que provocações em Jerusalém devem parar imediatamente
Secretário-geral da ONU emite nota expressando “preocupação profunda” com deterioração da situação da segurança na cidade; ele está em contato com líderes de todos os lados para acalmar a tensão.
Conferência dos Oceanos da ONU: lançamento de uma frota de soluções
Milhares de milhões de seres humanos, animais e plantas dependem de oceanos saudáveis, mas a subida das emissões de carbono está a torná-los mais ácidos, enfraquecendo a sua capacidade de sustentar a vida marinha e terrestre.
Os resíduos plásticos estão a sufocar as nossas águas e mais de metade das espécies marinhas do mundo podem estar em risco de extinção até 2100.
No entanto, nem tudo são más notícias. Segundo o enviado especial do secretário-geral da ONU para os Oceanos, Peter Thomson, a oportunidade para uma mudança positiva está a crescer em todo o mundo, com as pessoas, especialmente os jovens, para inverter o declínio da saúde dos oceanos.
A Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que acontece de 27 de Junho a 1 de Julho, em Lisboa, é uma oportunidade crucial para mobilizar parcerias e aumentar o investimento em abordagens orientadas para a ciência.
É também o momento para os governos, indústrias e sociedade civil unirem esforços e agirem.
A menos de 100 dias para a Conferência, a ONU News conversou com o enviado especial para os Oceanos sobre o evento e sobre o estado atual dos nossos oceanos.

ONU News: Qual o propósito da Conferência dos Oceanos da ONU? O que vai acontecer exatamente?
Enviado especial Peter Thomson: Quando o ODS 14 (proteger a vida marinha) foi criado em 2015, juntamente com os outros 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, não tinha verdadeiramente uma base. Não era como o ODS da saúde, que tinha a Organização Mundial de Saúde ou o da agricultura, que tinha a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), entre outros exemplos.
Assim, os defensores do ODS 14, em particular, os pequenos Estados insulares em desenvolvimento, alguns dos Estados costeiros e outros aliados, defenderam que seria necessário criar uma forma de assegurar que a implementação do ODS 14 estivesse no bom caminho e, se não estivesse, encontrar uma maneira de a pôr no bom caminho.
É neste contexto que surge a primeira Conferência dos Oceanos da ONU, em 2017, mandatada pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Este ano, em Lisboa, vamos receber a segunda Conferência dos Oceanos. Este é o processo que mantém o ODS 14 uma realidade. E essa realidade é extremamente importante porque, como diz o mantra, não há planeta saudável sem oceanos saudáveis.
ONU News: Como qualifica os avanços feitos na conservação dos oceanos desde a última Conferência?
Peter Thomson: Definitivamente, não foram suficientes. Existia uma meta para que, em 2020, cerca de 10% do oceano esteja coberto por Áreas Marinhas Protegidas (AMP), mas só atingimos 8% em 2022. Isto mostra que há muito trabalho a fazer nesta matéria, pois as Áreas Marinhas Protegidas são uma parte essencial na preservação da saúde dos oceanos.
Para a Conferência da ONU sobre Biodiversidade, que vai acontecer este ano em Kunming, na China, existe uma proposta, apoiada por cerca de 84 países, cujo objetivo é o “30 por 30”, ou seja, 30 por cento do planeta protegido até 2030, o que inclui, naturalmente, partes dos oceanos. Portanto, é muito mais ambicioso do que o que temos atualmente na nossa meta do ODS 14.5, que é a que estabelece esses 10%. Creio que isto é exequível e estamos a avançar nessa direção.

ONU News: As alterações climáticas são uma questão de sobrevivência para todos nós, mas especialmente para os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento. Como Fijiano, o que diria às pessoas sobre a situação devastadora que milhões de ilhéus do Pacífico estão a enfrentar?
Peter Thomson: As notícias não são boas, como mostra o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC). Sou avô, e o que me interessa a mim e aos meus nas Fiji é a segurança dos nossos netos.
Não são apenas pequenos Estados insulares em desenvolvimento, são as pessoas que vivem nos deltas dos rios – pense-se no Bangladesh ou no Mekong – e são as pessoas que vivem em cidades construídas sobre fundações aluviais baixas. A segurança não é boa para estas pessoas, especialmente num mundo que está dois a três graus mais quente, que é para onde nos dirigimos atualmente.
Os pequenos Estados insulares em desenvolvimento, entre eles as Fiji, estão na vanguarda da batalha para transformar os nossos padrões de consumo e produção, de modo a mitigar o aquecimento do mundo. “1,5 para nos mantermos vivos”, como diz o ditado. Essa continua a ser a nossa ambição. Está a diminuir todos os dias, mas pedimos que essa ambição seja elevada.
É uma questão de sobrevivência não só para os nossos netos, mas também para as nossas culturas, que já existem há milhares de anos nesses locais.
ONU News: Qual é o caminho a seguir? Que ações concretas podem ser tomadas?
Peter Thomson: Veja-se a Conferência da ONU sobre o Clima, a COP26. Veja-se o que resultou disso, e para onde vamos na próxima conferência, a COP 27, em Sharm el-Sheikh, em Novembro deste ano.
Trata-se de reduzir o uso de combustíveis fósseis e as atividades de queima de carvão. Cada partícula que sai de cada uma dessas chaminés é mais um prego no caixão desses países, desses ambientes de que falei há pouco. Por isso, esse é o grande apelo à transformação.
E sejamos honestos: a mudança está em cada um de nós. Ao sairmos desta pandemia da covid-19, vamos simplesmente voltar ao que fazíamos antes? Ou vamos tentar alimentarmo-nos de forma mais sustentável, viajar de forma mais sustentável, comprar de forma mais sustentável? Será que a pandemia nos ensinou alguma lição? Esperemos que sim. E vamos reconstruir não só melhor, como mais verde e mais azul.

ONU News: Pode dar-nos alguns exemplos de ‘soluções para o oceano’?
Existem mil soluções, e uma frota delas vai ser lançada na Conferência dos Oceanos da ONU, em Lisboa. Em vez de entrar em soluções individuais, diria que é importante estar preparado para essa frota.
Uma das soluções que gosto particularmente de falar é a nutrição. Todos sabemos que o mar proporciona uma nutrição muito saudável em comparação com alguns produtos que são produzidos em terra.
Nós não comemos o que os nossos avós comeram. Temos uma dieta totalmente diferente, razão pela qual a obesidade é um problema tão grave em todo o mundo. Mas os nossos netos também vão comer de forma muito diferente da nossa.
Não vão comer peixes grandes, por exemplo. Vão continuar a comer peixe, mas teremos peixes pequenos a serem cultivados em condições de aquacultura sustentável. Vão comer muito mais algas. E isso pode não parecer apetitoso, mas já estão a comê-lo no sushi, algas marinhas.
A maior fonte de alimento do mundo é inexplorada por qualquer outro ser que não as baleias: o fitoplâncton. Vamos comer algum tipo de tofu marinho que é feito a partir do fitoplâncton. Vamos ser agricultores do mar em vez de caçadores-coletores, que é o que ainda somos. Este tipo de transformações estão em curso, mas temos de investir nelas e temos de começar a fazê-lo agora.
ONU News: O que podemos fazer enquanto cidadãos?
Peter Thomson: Temos de ter presente a lógica “da fonte para o mar”, o que é muito importante. Vemos pessoas a atirarem pontas de cigarros para a sarjeta. Não pensam no facto de o filtro desse cigarro ser microplástico e estar a ir numa direção, através do esgoto, para o mar. É mais microplástico a ir para o oceano.
Os microplásticos voltam para as pessoas quando comem o seu peixe ou batatas fritas, porque estão a ser absorvidos pela vida nos oceanos. Este ciclo está a decorrer, quer as pessoas se apercebam ou não.
Portanto, penso que “da fonte para o mar” é realmente importante, mas isso está relacionado com as nossas indústrias, com a agricultura, com os produtos químicos que estão a descer os mesmos esgotos e rios para o mar e a envenenar as lagoas de que dependemos para ecossistemas marinhos saudáveis.
O que podemos nós fazer? Podemos simplesmente adotar um melhor comportamento como seres humanos em termos de poluição. Olhar para o nosso uso de plástico e questionar: precisamos mesmo de todo este plástico na nossa vida? Eu tenho idade suficiente para me lembrar de uma vida sem plástico e era muito bom.
As pessoas podem tomar as suas próprias decisões sobre a sua alimentação. Lembro-me de a minha mulher e eu, quando vivíamos em Nova Iorque, olharmos para o último relatório sobre o que a carne de vaca estava a fazer à Amazónia, e olharmos para uma foto dos nossos netos. A questão foi: do que é que gostamos mais? Os hambúrgueres ou os nossos netos? Decidimos ali, há cerca de cinco anos, desistir da carne de vaca.
As pessoas precisam de ter um carro? Muitas pessoas sim, mas eu e a minha mulher já vivemos em cidades há bastante tempo e não temos carro há décadas. Dependemos dos transportes públicos e das deslocações a pé, que é a melhor forma de nos deslocarmos.
Os cidadãos devem fazer escolhas que fazem deste mundo um lugar sustentável.

ONU News: O que se espera alcançar na próxima Conferência dos Oceanos?
Peter Thomson: Em Lisboa, queremos gerar, fora do processo formal e em eventos paralelos, novas ideias de inovação.
Estou confiante no surgimento de ideias inovadoras, visíveis na atmosfera que se desenvolve em torno do núcleo central da conferência.
As parcerias inovadoras baseadas na ciência estão também em destaque. Públicas, privadas, a norte, a sul, a este e a oeste. Este é um momento universal. Uma conferência da ONU é sempre um momento universal.
A primeira Conferência dos Oceanos, em 2017, foi uma mudança de paradigma e despertou o mundo para os problemas dos oceanos. Esta Conferência, em Lisboa, em Junho, tem como objetivo dar soluções para os problemas do mundo que temos vindo a alertar. Estou muito confiante que as soluções vão emergir quando lá chegarmos.
Países latino-americanos e caribenhos se reúnem no Chile sobre acordo ambiental
A Comissão Econômica para América Latina e Caribe, Cepal, realiza a partir desta quarta-feira em Santiago do Chile, a primeira COP ambiental da região.*
A Conferência das Partes do Acordo de Escazú reúne 24 países latino-americanos e caribenhos que firmaram o tratado, em 2018, na Costa Rica.
Sociedade civil
O presidente do Chile, Gabriel Boric, inaugurará o evento conhecido como COP, que será realizado até este 22 de abril. Primeira Reunião da Conferência das Partes (COP 1) .
O Acordo de Escazú é o primeiro tratado com cláusulas específicas para a promoção e proteção das pessoas que defendem o meio ambiente na América Latina e no Caribe e entrou em vigor no Dia Internacional da Mãe Terra, em 22 de abril de 2021.
O Acordo Regional sobre o Acesso à Informação, à Participação Pública e o Acesso à Justiça em Assuntos Ambientais na América Latina e no Caribe fomenta uma forte participação da sociedade civil no combate à mudança climática e demais ações para mitigar o problema.
Participantes
Esta é a primeira vez que autoridades e representantes dos países revisam a implementação do Acordo. Além do presidente do Chile, participam a vice-presidente da Costa Rica, Epsy Campbell Barr, por videoconferência, a secretária de Mudança Climática, Desenvolvimento Sustentável e Inovação da Argentina, Cecilia Nicolini, representantes do público e da Cepal.
Cooperação
Nesta primeira COP do Acordo de Escazú, no Chile, os países devem definir as regras de participação do público, como prevê o artigo 15 do tratado. Além disso, serão debatidas estratégias para uma implementação eficiente e maior cooperação da região.
Para o encerramento, na sexta-feira, será comemorado o Dia Internacional da Mãe Terra num evento de alto nível. Até o momento, 12 países ratificaram o Acordo de Escazú, o número equivale à metade das nações que firmaram o documento. Qualquer país pode se juntar ao tratado depositando sua assinatura na sede da ONU em Nova Iorque.
*Com informações da Cepal
Cabo Verde reabre para turismo após vacinação maciça contra Covid
Nos primeiros meses da pandemia, Banco Mundial destinou mais de US$ 50 milhões para arquipélago africano; principais áreas de aporte foram saúde, acesso a linha de crédito e inclusão social.
ONU quer força jovem em etapas iniciais de recuperação pós-pandemia
Em Fórum da Juventude, vice-chefe da organização defende que grupo esteja na criação da agenda nos países; Nações Unidas falam de obstáculos para total inclusão do grupo, que representa mais de 1,8 bilhão de habitantes do planeta.
Brasil acolhe mais de 7 mil indígenas venezuelanos, afirma Acnur
Agência da ONU para Refugiados diz que 819 foram reconhecidos como refugiados; metade do grupo espera análise do pedido e 33% possuem residência temporária no país; agência faz campanha para combater xenofobia e discriminação.*
Chefe das Nações Unidas pede pausa humanitária de quatro dias na Ucrânia
Secretário-geral, António Guterres, falou a jornalistas na entrada da organização, em Nova Iorque; nesta quinta-feira, ucranianos e russos celebram a Páscoa, o feriado que une cristãos ortodoxos em ambos os países, assim como católicos ucranianos; número de pessoas que precisam de ajuda deve subir para mais de 15 milhões.
Conselho de Segurança faz sessão sobre movimento de ucranianos que fogem da guerra
O Conselho de Segurança debate, nesta terça-feira, a situação humanitária na Ucrânia com foco em refugiados, deslocados internos e os que retornam ao país.
A crise humanitária, que mais cresce em nível global, afeta cerca de 6 milhões de pessoas.
Emergências
O coordenador de Emergências do Programa Mundial de Alimentos, PMA, na Ucrânia, disse que a situação humanitária no país continua agravando.
Jakob Kern, que visitou áreas da capital Kiev e de Bucha na semana passada, falou a jornalistas antes da reunião do Conselho. Ele descreveu “pessoas que perderam tudo, desde meios de subsistência até membros da família.”
As necessidades “são de todo tipo de apoio”. A agência atua junto aos esforços do governo e das comunidades locais para reconstruir suas cidades, limpar os escombros, instalar serviços básicos e preparar o retorno das famílias forçadas a fugir de suas casas.”
O PMA coordena a assistência com as autoridades ucranianas para socorrer famílias mais vulneráveis, mulheres, crianças e idosos.
Alimentos
A agência aumentou a ação para que a assistência alimentar chegue “a áreas anteriormente inacessíveis, como Bucha, Irpin, Hostomel e Borodianka”.
Com a piora, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, diz que serão necessários agora US$ 115,4 milhões para conter o agravamento da insegurança alimentar e a interrupção do abastecimento.
A agência quer apoiar agricultores ucranianos no plantio de legumes e batatas durante esta estação de primavera, na Ucrânia.
Mas os lavradores, em meio à guerra, precisam de permissão e apoio para “ir aos seus campos e salvar a colheita de trigo no inverno”.
O plano alinhado ao apelo de urgência da FAO mais que dobrou em relação ao pedido inicial para apoiar 1 milhão de pessoas até dezembro.
Novo Plano de Ação visa proteger crianças afetadas por conflito no Iêmen
Iniciativa foi anunciada pela representante especial do secretário-geral da ONU para Crianças e Conflito Armado após ser firmada com interlocutores houthis; partes têm seis meses para identificar e libertar crianças das fileiras de combate.
Estudantes do Brasil premiados por soluções para crise de refugiados
Propostas foram escolhidas em desafio organizado pela Agência da ONU para Refugiados, Acnur, como parte do Modelo Nações Unidas; iniciativa reúnes alunos universitários e secundários em todo o mundo para simular o trabalho da ONU com propostas e soluções.
Banco Mundial e FMI abrem reuniões de primavera ressaltando crises
Preocupação é com condições da economia global na recuperação da Covid-19 conjugada à escassez agravada pela guerra na Ucrânia; especialistas e líderes internacionais comparecem a eventos específicos que debaterão ainda segurança alimentar global.