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Banco Mundial diz que América Latina e Caribe precisam de reformas para recuperação pós-Covid

O Banco Mundial divulgou um novo relatório que revela que as economias na América Latina e no Caribe estão no caminho certo para a recuperação da crise da Covid-19.*

No entanto, as análises alertam que as sequelas persistem tornando ainda mais urgente a necessidade de crescimento mais dinâmico, inclusivo e sustentável. O relatório, em português, pode ser acessado na página do Banco Mundial.

América Latina e Caribe ainda sofrem com os efeitos sociais causados ​​pela crise de saúde, menor espaço fiscal, aumento das pressões inflacionárias e desequilíbrios financeiros

© Pep Bonet/NOOR for FAO

América Latina e Caribe ainda sofrem com os efeitos sociais causados ​​pela crise de saúde, menor espaço fiscal, aumento das pressões inflacionárias e desequilíbrios financeiros

Crescimento regional

Após a recuperação de 6,9% em 2021, a avaliação do Banco Mundial é que o PIB regional deve crescer 2,3% este ano e mais 2,2% em 2023. A maioria dos países espera reverter as perdas no Produto Interno Bruto, PIB, causadas pela crise de saúde.

No entanto, essas projeções posicionam o desempenho regional entre os mais baixos do mundo. O Banco cita fatores que ameaçam a recuperação mundial, como o possível surgimento de novas variantes do vírus, pressão inflacionária e a guerra na Ucrânia.

Após a invasão russa, o Banco Mundial reviu a projeção de crescimento e apontou um declínio de 0,4% para América Latina e Caribe.

A esperança são o avanço da vacinação, o retorno das empresas e a reabertura das escolas.

Pobreza

O Banco Mundial afirma que as sequelas de longo prazo da crise permanecem e exigem atenção. Os índices de pobreza subiram para 27,5% em 2021 e ainda estão acima dos níveis pré-Covid, de 25,6%.

Segundo a instituição, os prejuízos na educação podem levar à redução de 10% em ganhos futuros para milhões de crianças em idade escolar.

Para evitar o retorno às baixas taxas de crescimento da década de 2010, os países da região precisam fazer as reformas estruturais, há muito atrasadas, e aproveitar as oportunidades oferecidas por uma economia mundial cada vez mais verde.   

De acordo com o vice-presidente do Banco Mundial para América Latina e do Caribe, Carlos Felipe Jaramillo, o contexto global de grande incerteza pode afetar a recuperação pós-pandemia.

Sala de aula vazia devido a pandemia

CCO Public Domain

Sala de aula vazia devido a pandemia

Receitas

Ele adicionou que, no longo prazo, os desafios das mudanças climáticas devem se tornar mais preocupantes, o que obriga os países a avançar urgentemente com a agenda de crescimento mais verde, inclusiva, e que aumente a produtividade.

Segundo o relatório, o avanço nas reformas para promover o crescimento em termos de infraestrutura, educação e inovação continua sendo primordial, e os principais investimentos devem ser financiados com maior eficiência de gastos e mobilização de receitas.

O documento destaca que, ao longo das duas últimas décadas, os países da América Latina e do Caribe perderam o equivalente a 1,7% do PIB de um ano devido a desastres relacionados ao clima e até 5,8 milhões de pessoas na região podem ser empurradas para a pobreza extrema até 2030.

Chuva

Os dados apontam que a agricultura pode ser gravemente atingida, com colheitas reduzidas em quase todos os países, e a estabilidade da geração de energia pode ser prejudicada pelas mudanças nas temporadas de chuva.

Para o chefe do Banco Mundial para América Latina e do Caribe, William Maloney, a região detém enormes vantagens verdes, que oferecem oportunidades para novas indústrias e exportações.

Ele afirma que os países têm vasto potencial de energia renovável, além de grandes reservas de lítio e cobre, utilizados em tecnologias verdes, e um capital natural abundante.

Mulheres da América Latina foram as mais afetadas pela crise no mercado de trabalho

Foto: Unsplash/wocintechchat

Mulheres da América Latina foram as mais afetadas pela crise no mercado de trabalho

Propostas

O relatório propõe um conjunto de políticas que podem ajudar a aproveitar as oportunidades verdes de crescimento, como uma política de preço que incentive a adoção de tecnologias de baixo carbono, mudança nos subsídios para combustíveis fósseis, criação de impostos sobre as emissões de carbono e sistemas de comércio de emissões.

Além disso, a análise do Banco Mundial recomenda a criação de mecanismos confiáveis de verificação que facilitem o acesso a prêmios verdes, o que permitiria a exportação de créditos de carbono.

A adoção de sistemas para identificar e adotar tecnologias com o objetivo de mitigar o impacto da região sobre o clima e se adaptar a ele também faz parte da recomendação da entidade.

Segundo a avaliação do Banco Mundial, a agricultura inteligente pode ajudar os países a se adaptarem às mudanças nos padrões de chuva.

A instituição ainda recomenda compromissos com políticas e planos confiáveis de longo prazo, além de investimentos complementares e mecanismos que diminuem a incerteza e aceleram a adoção de tecnologias para acelerar o crescimento enquanto se adaptam e mitigam as mudanças climáticas.

*Informações do Banco Mundial.

Seca no Chifre da África pode afetar 15 milhões de pessoas

Organização Internacional para Migrações, OIM, alerta para agravamento de crise humanitária na região, que já sofre com conflitos, mudança climática e os efeitos da pandemia de Covid-19; entidade pede financiamento adicional para mitigar a situação e evitar emergências no futuro.

Nova pandemia pode ser causada por superbactérias em águas sem tratamento, alerta Pnuma

A exposição desavisada de pessoas à água contaminada com antibióticos pode multiplicar patógenos resistentes a medicamentos e potencialmente gerar uma outra pandemia.

Um relatório do Programa Mundial do Meio Ambiente, Pnuma, chama a atenção global sobre a ameaça da resistência antimicrobiana. Isso ocorre quando antibióticos são jogados no meio ambiente através de banheiros ou defecação a céu aberto.

No Iêmen, pessoas enfrentam escassez de água à medida que poços secam e fontes são contaminadas

UNDP Yemen

No Iêmen, pessoas enfrentam escassez de água à medida que poços secam e fontes são contaminadas

Substâncias ativas

O relatório estima que somente em 2015 foram consumidas 34,8 bilhões de doses diárias de antibióticos.

Até 90% desses medicamentos foram parar no meio ambiente como substâncias ativas.

Num mundo com 80% das águas residuais não tratadas, o perigo é superbactérias possam escapar da medicina moderna e desencadear uma pandemia.

Mesmo nos países desenvolvidos, as instalações de tratamento são muitas vezes incapazes de filtrar bactérias perigosas.

Saneamento

O relatório menciona cinco grandes fontes do tipo de micro-organismos.  A primeira é o saneamento precário, os esgotos e águas residuais. A situação é agravada pela defecação a céu aberto e pelo uso excessivo de antibióticos para tratar a diarreia.

As outras razões de preocupação incluem efluentes da fabricação de produtos farmacêuticos, resíduos de estabelecimentos de saúde, uso de antimicrobianos e o esterco na produção agrícola

Por último, estão os resíduos gerados pelo processamento de animais.

Há ainda uma relação desta ameaça com as mudanças climáticas: a alta de temperaturas é associada a infecções resistentes a antimicrobianos.

OMS: situação ilustra como o mundo está ficando sem opções para combater as chamadas super bactérias.

Banco Mundial/Simone D. McCourtie

OMS: situação ilustra como o mundo está ficando sem opções para combater as chamadas super bactérias.

Disseminação

O relatório fala em várias doenças sensíveis ao clima, às alterações nas condições ambientais e na temperatura.

A situação pode levar a um aumento da propagação de enfermidades bacterianas, virais, parasitárias, fúngicas e transmitidas por vetores.

Em 2019, as infecções resistentes a antibióticos causaram a morte de quase 5 milhões de pessoas.

O informe alerta que, sem ação imediata, essas infecções podem levar causar ao dobro desse total, anualmente, até 2050.

Efeito

Pelo relatório, uma eventual pandemia “com efeito catastrófico” pode ser causada pelo desenvolvimento e alastramento da resistência antimicrobiana.

O principal propósito dos antimicrobianos é matar ou inibir o crescimento de patógenos. São antibióticos, fungicidas, agentes antivirais, parasiticidas e alguns desinfetantes, antissépticos e produtos naturais.

Em caso de resistência antimicrobiana, bactérias, vírus, parasitas e fungos evoluem e ficam imunes a tais medicamentos. Quanto mais micróbios expostos a produtos farmacêuticos, maior é a probabilidade de adaptação a eles.

Para a chefe da Divisão Marinha e de Água Doce do Pnuma, Letícia Carvalho, os antibióticos e outras drogas salvam vidas, mas seu destino ambiental no curso das águas é importante.

É preciso cautela no uso do tipo de remédios “para evitar a resistência antimicrobiana que representa riscos sociais, ambientais e financeiros para empresas e a sociedade”.

A OMS lembra que, em 2016, cerca de 10,4 milhões de pessoas foram infectadas com a bactéria e 1,8 milhão perderam a vida.

Fundo Global/John Rae

A OMS lembra que, em 2016, cerca de 10,4 milhões de pessoas foram infectadas com a bactéria e 1,8 milhão perderam a vida.

Poluição

O relatório recomenda um tratamento aprimorado de águas residuais e uso mais direcionado de antibióticos para travar a ameaça global. Muitas vezes, esses medicamentos são usados sem necessidade.

Outras medidas incluem melhorar os dados e o monitoramento dos remédios antimicrobianos e a forma como eles são descartados, a governação ambiental e os planos de ação para limitar a liberação de antimicrobianos.

Níveis elevados de patógenos resistentes a antibióticos foram encontrados em países de baixa e média rendas. O fenômeno foi associado a áreas com infraestrutura deficiente de águas residuais e de gerenciamento de resíduos, além da fabricação de produtos farmacêuticos.

Eventos climáticos severos e o aumento dos lençóis freáticos podem fazer com que as águas residuais e os esgotos sobrecarreguem as estações de tratamento. O tipo de episódios pode permitir que esgotos com micróbios resistentes a antimicrobianos contaminem as comunidades vizinhas.

O relatório ressalta que mesmo com a diminuição das atividades na pandemia, a crise da Covid-19 é um alerta para que melhore a compreensão e a atuação em todas as áreas de preparação e prevenção de doenças infecciosas, incluindo suas dimensões ambientais.

Como a crise na Venezuela agravou a saúde de um jovem com esquizofrenia

A saúde mental de refugiados é um tema ainda pouco explorado em debates internacionais.

Os traumas vividos por crianças e jovens obrigados a fugir de suas casas por causa de conflitos e guerras deixam marcas por um longo espaço de tempo.

Migrantes entram em barco no Golfo de Uraba, Colômbia

Foto: © UNICEF/Tomás Mendez

Migrantes entram em barco no Golfo de Uraba, Colômbia

Alimentos e medicamentos

Um outro drama humano são tratamentos interrompidos contra doenças graves em momentos de crises políticas e mudanças abruptas na economia e no tecido social de nações inteiras.

Na Venezuela, dos anos 90, o adolescente Leo Medina foi diagnosticado com esquizofrenia. Ele recebia os medicamentos e mantinha a doença controlada. Mas com a crise política agravada no governo de Nicolás Maduro, foi ficando mais difícil continuar o tratamento.

Faltavam medicamentos, alimentos e sobravam dívidas.

Os pais de Leo, Héctor e Yesmaira, foram cortando as doses que se resumiam a quatro comprimidos por dia.

Refugiados venezuelanos no Equador que são apoiados pelo Acnur durante a pandemia

© Acnur/Ilaria Rapido Ragozzino

Refugiados venezuelanos no Equador que são apoiados pelo Acnur durante a pandemia

Depressão e trabalho

Com os remédios no fim, ele começou a ter várias crises, entrou em depressão e perdeu o trabalho.

Ele recorda que perdeu a alegria de viver na Venezuela. Assim como outros 6 milhões de venezuelanos que tiveram que fugir para o exterior nos últimos anos, deixando tudo para trás.

Quando os pais de Leo conseguiram escapar da crise para a Guatemala, o jovem conta que passou um ano e meio numa situação de saúde mental bem precária. Ali, no novo país, os médicos decidiram reexaminar o caso mudando o diagnóstico de esquizofrenia para desordem bipolar.

Muitos migrantes da Venezuela ficaram ainda mais pobres com o confinamento.

Opas/Karen González

Muitos migrantes da Venezuela ficaram ainda mais pobres com o confinamento.

Doces venezuelanos

Hoje, aos 36 anos, ele recorda que após iniciar o tratamento, sua vida começou a melhorar.

A família, que já era empresária na Venezuela, abriu um novo negócio no país centro-americano.

Ali, Leo é quem praticamente gerencia a microempresa de doces venezuelanos, da garagem de casa, nos arredores da Cidade de Guatemala.

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, afirma que as pessoas deslocadas por conflitos, violência, guerras e perseguições têm mais dificuldade para se recuperar de problemas de saúde mental que aquelas não afetadas por essas mudanças.

Refugiada venezuelana trabalhando em uma fábrica de roupas no Brasil

© OIM/Bruno Mancinelle

Refugiada venezuelana trabalhando em uma fábrica de roupas no Brasil

Apoio psicossocial

Em 2019, um estudo da publicação especializada The Lancet mostrou que o “fardo de desordens mentais é pesado em pessoas que vivem em conflito”.

Já uma pesquisa da Plos Medicine ressalta que “refugiados adultos e requerentes de asilo têm taxas mais altas e persistentes de estresse pós-traumático e depressão.”

O Acnur está atuando para tornar o apoio psicossocial e a saúde mental parte integral de seu trabalho, especialmente durante a pandemia da Covid-19. Um momento em que aumentaram perdas, isolamento e incerteza sobre o futuro.

Guerra na Ucrânia faz disparar preço do trigo, milho e óleos vegetais

Índice do Preço dos Alimentos da FAO chegou a 159.3 pontos em março, uma alta de 12,6% se comparado ao mesmo período de fevereiro, um outro mês de recorde desde a criação do Índice em 1990.

Na ONU, ativista brasileira destaca pobreza de mulheres negras e chefes de família

Uma ativista brasileira foi convidada para participar, em março, da 49a. Sessão do Conselho de Direitos Humanos. Este é o evento mais importante do órgão de 47 países-membros, que também ouve representantes da sociedade civil e do setor privado.

Lúcia Xavier, coordenadora geral da ONG Criola, contou que falou ao Conselho para reforçar as vozes que atuam contra o racismo, com destaque para aquele sofrido pelas mulheres, além de resgatar aspectos do Plano de Ação da Declaração de Durban, assinado em 2001. 

Marcha contra o racismo de violência em Brasília.

Pnud/Tiago Zenero

Marcha contra o racismo de violência em Brasília.

Violência racial

Ela disse ao Conselho de Direitos Humanos que a população negra no Brasil aind vive em condições precárias e com muitos desafios. Em seu discurso, Lucia Xavier lembrou que o país é o segundo maior em concentração de afrodescendentes fora do continente africano, somando 54% da população.

Ao conversar com a ONU News, do Rio de Janeiro, sobre sua participação em Genebra, ela citou uma estatística: entre as 41 mil pessoas assassinadas no Brasil em 2021, 77% eram afrodescendentes.  Para ela, o tema merece uma reflexão profunda.

“Não estamos sendo considerados em nenhuma fase da discussão ou dos debates necessários na formação de políticas públicas que permita que tenhamos algum tipo de defesa ou proteção que não se relacione aos crimes tratados por esses órgãos. Mesmo que se relacionasse aos crimes, matar e encarcerar não pode ser a medida pública para uma sociedade como a nossa, que se coloca como democrática.”

Matar e encarcerar não pode ser a medida pública para uma sociedade como a nossa, que se coloca como democrática. – Lúcia Xavier, coordenadora geral da ONG Criola

Lúcia Xavier também destacou a vulnerabilidade das mulheres negras brasileiras e os constantes desafios encontrados por elas, que são as principais vítimas de violência, desde a física até a da falta de recursos e serviços que permitam a mudança do estado delas na sociedade.

“Mulheres negras são aquelas que, num país como o nosso, como mão-de-obra precária. O tipo de trabalho que elas executam não tem nenhum tipo de suporte de serviços que as apoiam. Não tem creche suficiente, pré-escola ou escola em tempo integral para que elas possam ir e vir do trabalho. […] ou mesmo a ampliação da educação de jovens, mesmo aqueles já oferecidos pelas ONGs, mas que sejam constantes nas vidas delas. Para completar, elas são as principais vítimas de violência intrafamiliar, no espaço urbano, nas instituições, por isso colocamos as mulheres negras em prioridade em tudo que fazemos.”

Elas são as principais vítimas de violência intrafamiliar, no espaço urbano, nas instituições, por isso colocamos as mulheres negras em prioridade em tudo que fazemos. – Lúcia Xavier, coordenadora geral da ONG Criola

Segundo Lúcia Xavier, no Brasil, muitas mulheres negras estão abaixo da linha da pobreza e correspondem a 63% das chefes de família com renda de até US$ 87 mensais, o que soma cerca de 8 milhões de brasileiras.

Futuro

A coordenadora da ONG Criola acredita que as mulheres podem ser fundamentais para alcançar mudanças importantes contra o racismo. Ela afirma que a perspectiva feminina pensa no bem comum, importante elemento na construção de “sociedades melhores e mais harmoniosas, pelas causas coletivas”.

Ao afirmar que o racismo é um problema visto em todo o mundo, ela observa de forma positiva algumas ações que foram implementadas no decorrer das últimas décadas para mitigar o problema.

Marcha contra a discriminação racial na Carolina do Norte, EUA.

Unsplash/Clay Banks

Marcha contra a discriminação racial na Carolina do Norte, EUA.

Nas Américas, ela cita os censos, que afirma ser fundamental para avaliar o futuro nesses lugares e prover condições de vida para esses grupos. Segundo a brasileira, as pesquisas também permitem enxergar outros grupos que precisam de suporte e proteção dos direitos humanos.

Cotas

Lúcia Xavier falou ainda da política de cotas no Brasil. Para ela, as medidas fornecem mais conhecimento à população negra e “quebra ciclos de trabalho precário”.

Mas, segundo ela, as iniciativas ainda não são suficientes para impedir o que classificou de “processo de violência do Estado”. 

Ela afirma que é necessária uma mobilização dos governos para a erradicação da violência racial, que ela avalia ser produzida por “práticas institucionalizadas de governos”.

“Ganhamos nessas políticas, mas perdemos na violência, na falta de serviços e na desigualdade”, concluiu a coordenadora geral da ONG Criola
 

Pobreza impede 68% da população da Guiné-Bissau de ter dieta nutritiva

Encontro de Alto Nível do governo e agência da ONU reúne parceiros e decisores políticos para definir e aprovar roteiro de melhoria nutricional; ação alinhada aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável visa erradicar a fome e melhorar a segurança alimentar e a nutrição. 

Inovação da vacina contra Covid-19 deve ser aplicada a desafios do clima 

Novo relatório da Organização Mundial de Propriedade Intelectual, Ompi, ressalta ações de governos, setor privado, instituições de pesquisa e academia para enfrentar crise; Brasil é citado por novidades na agricultura e agro processamento. 

Após atacar Ucrânia, Rússia é suspensa do Conselho de Direitos Humanos

Resolução na Assembleia Geral foi aprovada com 93 votos a favor, 24 contra e 58 abstenções; texto precisava de dois terços dos votos a favor; entre lusófonos, Portugal e Timor-Leste votaram pela adoção da resolução; Brasil e os demais países se abstiveram à exceção de São Tomé e Príncipe que não compareceu.

O que pode a ONU fazer para travar uma guerra? Resposta a cinco questões

© UNICEF/Anton Skyba 

As Nações Unidas foram criadas no final da Segunda Guerra Mundial “para defender as gerações futuras do flagelo da guerra”. Agora, perante um cenário de conflito na Europa, muitas são as pessoas que perguntam o que podem as Nações Unidas fazer para travar a guerra. Seguem-se cinco perguntas e respostas sobre os instrumentos à disposição da ONU nos esforços para garantir a paz e a segurança. 

Pode o Conselho de Segurança pôr fim a uma guerra? 

Em primeiro lugar é importante perceber a sua missão. 

As funções e poderes do Conselho de Segurança estão estabelecidas na Carta das Nações Unidas, o documento fundador da Organização. 

O Conselho de Segurança é composto por 15 membros: cinco membros permanentes – China, França, Federação Russa, Reino Unido e Estados Unidos da América; dez membros não-permanentes que são rotativos por eleição, entre os restantes países membros das Nações Unidas. É a este organismo que é dada a responsabilidade de manter a paz e segurança internacional.  

Nos termos do 25.º Artigo da Carta, todos os membros da ONU têm a obrigação de aceitar e executar as decisões adotadas pelo Conselho de Segurança. Ou seja, as decisões tomadas pelo Conselho são vinculativas para todos os países membros da ONU. 

Quando se trata de lidar com crises, o Conselho, orientado pela Carta das Nações Unidas, pode tomar uma série medidas. 

Ao abrigo do Capítulo VI da Carta, o Conselho pode apelar às partes em litígio uma resolução por meios pacíficos, recomendar métodos de ajustamento ou termos de resolução. Pode também recomendar o recurso ao Tribunal Internacional de Justiça (TIJ). 

Em algumas situações, o Conselho de Segurança pode atuar ao abrigo do Capítulo VII da Carta e recorrer à imposição de sanções. Como último recurso, quando se esgotam os meios pacíficos de resolução de um litígio, pode mesmo autorizar o uso da força pelos Estados-membros, coligações de Estados-membros ou operações de paz autorizadas pela ONU para manter ou restaurar a paz e a segurança internacionais. 

A primeira vez que o Conselho autorizou o uso da força foi em 1950, ao abrigo do que foi definido como uma ação de execução militar, para assegurar a retirada das forças norte-coreanas da República da Coreia. 

© Foto ONU/Loey Felipe 

O que é o “poder de veto” e como pode ser utilizado? 

O processo de votação no Conselho de Segurança é orientado pelo Artigo 27.º da Carta das Nações Unidas, que estabelece que cada membro do Conselho tem direito a um voto. 

Quando se tratam de decisões sobre “questões processuais”, é necessário que nove membros votem a favor para que a proposta possa ser adotada. Todas as outras questões devem ter a concordância dos cinco membros permanentes e, de forma complementar, votos favoráveis de nove membros do Conselho de Segurança. 

Isto significa que um voto negativo de qualquer um dos cinco membros permanentes (China, França, Federação Russa, Reino Unido ou Estados Unidos da América) pode impedir a adoção pelo Conselho de qualquer projeto de resolução relacionado com questões substantivas. 

© UNICEF/Tom Remp 

Pode a Assembleia Geral intervir quando o Conselho de Segurança é impedido de tomar uma decisão sobre a cessação de uma guerra? 

De acordo com a resolução 377A (V) da Assembleia Geral de 1950, amplamente conhecida como “Unir pela Paz”, se o Conselho de Segurança for impedido de agir devido à falta de unanimidade entre os seus cinco membros permanentes com direito de veto, a Assembleia tem o poder de fazer recomendações a todos os membros da ONU para medidas coletivas destinadas a manter ou restaurar a paz e a segurança internacionais. 

Adicionalmente, a Assembleia Geral pode reunir-se em Sessão Especial de Emergência, a pedido de nove membros do Conselho de Segurança ou de uma maioria dos membros da Assembleia. 

No entanto, ao contrário das resoluções do Conselho de Segurança, as resoluções da Assembleia Geral não são vinculativas, o que significa que os países não são obrigados a implementá-las. 

© Foto ONU /Loey Felipe 

Pode a adesão de um país à ONU ser revogada? 

No Artigo 6.º da Carta das Nações Unidas lê-se o seguinte: 

Um membro das Nações Unidas que infrinja constantemente os princípios contidos na presente Carta pode ser expulso da Organização pela Assembleia Geral, mediante recomendação do Conselho de Segurança. 

Isto nunca aconteceu na história das Nações Unidas. 

O Artigo 5.º prevê a suspensão de um Estado-membro: 

Um membro das Nações Unidas contra o qual o Conselho de Segurança tenha tomado medidas preventivas ou de execução pode ser suspenso do exercício dos direitos e privilégios de membro pela Assembleia Geral, mediante recomendação do Conselho de Segurança. 

A menos que concordem com a sua própria expulsão ou suspensão, os membros permanentes do Conselho só podem ser afastados através de uma emenda à Carta das Nações Unidas, tal como está estabelecido no Capítulo XVIII.   

A ONU já tomou, no entanto, medidas contra certos países para pôr fim a injustiças maiores. É exemplo o caso da África do Sul e a contribuição das Nações Unidas na luta global contra o Apartheid. A Assembleia Geral recusou-se a aceitar as credenciais do país entre 1970 e 1974. Na sequência desta proibição, a África do Sul não participou em procedimentos da Assembleia até ao fim do Apartheid, em 1994.  

© Foto ONU /Mark Garten 

O que são os ‘bons ofícios’ do Secretário-Geral? 

Um dos papéis mais importantes desempenhados pelo secretário-geral é a utilização dos seus ‘bons ofícios’ – medidas tomadas publicamente e em privado, recorrendo à sua independência, imparcialidade e integridade, e do poder da diplomacia, para evitar o surgimento, escalada ou propagação de conflitos internacionais. 

No final de março, o secretário-geral, António Guterres, invocou o uso dos seus ‘bons ofícios’ e pediu ao seu subsecretário-geral, Martin Griffiths, coordenador de ajuda de emergência da ONU, que explorasse a possibilidade de um cessar-fogo humanitário com a Rússia e a Ucrânia, e com outros países que querem contribuir para encontrar uma solução pacífica para a guerra. 

Mensagem do secretário-geral para o Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio de 1994 contra os Tutsi no Ruanda

?? Hoje, marcamos o Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio de 1994 contra os Tutsi no Ruanda.

Durante este genocídio, “um milhão de pessoas foram assassinadas em apenas 100 dias… a esmagadora maioria tutsi, mas também hutus moderados e outros que se opuseram ao genocídio.”

28 anos depois, honramos a memória das vítimas deste genocídio, “refletimos sobre os nossos fracassos enquanto comunidade internacional” e comprometemo-nos “a estar sempre vigilantes e a nunca esquecer.”

Como declarou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, “temos grandes testes à nossa frente”, e, refletindo sobre o genocídio no Ruanda, temos de conscientemente “escolher a humanidade em vez do ódio; a compaixão em vez de crueldade; a coragem em vez de complacência e a reconciliação em vez de raiva.”

ONU marca Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio contra os Tutsis no Ruanda  

Este 7 de abril é o Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio contra os Tutsis no Ruanda. 

A data recorda o massacre que em 100 dias matou cerca de 1 milhão de pessoas por autoridades extremistas hutus em 1994. 

Humanidade  

Uma resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a lembrança da data, em 2003. 

Refugiados ruandeses que fugiram do país durante o genocídio voltam para casa em 2005

ONU/John Isaac

Refugiados ruandeses que fugiram do país durante o genocídio voltam para casa em 2005

Em mensagem, o secretário-geral ressaltou desafios como a guerra na Ucrânia, ao lado de situações de conflito no Oriente Médio, na África, e outras partes. 

O chefe da ONU convidou o mundo a refletir sobre os fracassos que levaram à situação ruandesa, que segundo ele não foi um acidente e poderia ter sido evitada. 

Guterres disse que o massacre foi deliberado, sistemático e realizado em plena luz do dia. Segundo ele, ninguém que acompanhasse os assuntos mundiais ou visse o noticiário poderia negar o que chamou de violência doentia que estava a ocorrer. Mas destaca que poucos se manifestaram e menos ainda tentaram intervir. Segundo Guterres, muito mais poderia ter e deveria ter sido feito.  

Ele lembra que 28 anos depois dos acontecimentos a mancha da vergonha permanece. Para o secretário-geral, as escolhas diante da comunidade internacional estão entre a humanidade em vez do ódio, a compaixão em vez de crueldade, a coragem em vez de complacência e a reconciliação em vez da ira.  

Crimes  

O secretário-geral apontou ainda o princípio da responsabilidade de proteger que desencoraja a indiferença perante crimes atrozes.   

Na mensagem, Guterres elogia a atuação do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, que foi o pioneiro na condenação por genocídio. 

Ele ressaltou que a justiça é indispensável para uma paz sustentável.  

Cemitério em Nyanza, na zona rural de Kigali, em Ruanda. Durante o genocídio, 10 mil pessoas foram queimadas e mortas no vilarejo, enquanto tentavam escapar para o Burundi.

Foto: UNICEF/Giacomo Pirozzi

Cemitério em Nyanza, na zona rural de Kigali, em Ruanda. Durante o genocídio, 10 mil pessoas foram queimadas e mortas no vilarejo, enquanto tentavam escapar para o Burundi.

Guterres observou que o Ruanda é atualmente um testemunho poderoso da capacidade do espírito humano de curar até as feridas mais profundas e de emergir das profundezas mais sombrias para reconstruir uma sociedade mais forte. Depois de terem sofrido violência de gênero, as mulheres hoje ocupam 60% dos assentos parlamentares no quarto maior país contribuinte para as operações de manutenção da paz da ONU. 

Guterres acredita que o genocídio contra os tutsis levantou questões que afetam toda a humanidade. 

Unesco 

Entre elas estão o papel do Conselho de Segurança, a eficácia da manutenção da paz, a necessidade de acabar com a impunidade por crimes internacionais ou de lidar com as raízes da violência e a fragilidade do civismo. 

Entre as cerimônias agendadas para marcar a data em nível global está um memorial na sede das Nações Unidas. 

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, Unesco promove, ações educativas sobre genocídios para sensibilizar estudantes para as causas, dinâmicas e consequências de tais crimes. 

A cerimônia oficial em memória das vítimas está marcada para 21 de abril. 

Secretário-geral António Guterres (ao centro) no evento da Assembleia Geral em comemoração do Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio de 1994 contra os Tutsis no Ruanda.

ONU/Eskinder Debebe

Secretário-geral António Guterres (ao centro) no evento da Assembleia Geral em comemoração do Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio de 1994 contra os Tutsis no Ruanda.

Dia Mundial da Saúde quer manter as pessoas e o planeta saudáveis

Somente na África, 56% dos incidentes de saúde pública entre 2011 e 2021 estavam ligados ao clima; aumento dos casos de câncer, asma e doenças coronárias servem de alerta para um planeta cada vez mais poluído.

Premiês de Barbados e Canadá vão liderar grupo de defensores dos ODS

Mia Mottley e Justin Trudeau foram escolhidos para presidir iniciativa que prevê acelerar esforços para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030; ativista de Moçambique, Graça Machel, é a única participante de língua portuguesa.

Diversidade e inclusão são chaves para ambientes de trabalho produtivos

Organização Internacional do Trabalho, OIT, revela que pandemia de Covid-19 expôs desigualdades no ambiente de trabalho; pesquisa da entidade aponta que cargos de liderança são menos diversos, com poucas mulheres e pessoas com deficiência; agência recomenda que ações de inclusão façam parte da estratégia e cultura das empresas.