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OMS envia à Ucrânia carregamento com antirretrovirais para tratamento de HIV

A Organização Mundial da Saúde, OMS, enviou o primeiro lote de medicamentos antirretrovirais para atender a pessoas vivendo com HIV na Ucrânia durante os próximos 12 meses.

O carregamento está entrando no país pela fronteira com a Polônia e deve ser distribuído em postos de saúde e outros centros na Ucrânia. A agência da ONU foi informada da suspensão do tratamento por causa da guerra, um risco à vida de milhares de soropositivos no país.

Plano 

A iniciativa tem o apoio do Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio da Aids, Pepfar, as autoridades ucranianas e ONGs locais.

Para o diretor regional da OMS na Europa, Hans Kluge, a guerra tem o potencial de minar o progresso conquistado nos últimos anos em várias questões de saúde, incluindo o HIV. 

OMS recomenda aos países anfitriões que apoiem a entrega da medicação para quem precisa

Foto Unicef/ Frank Dejongh

OMS recomenda aos países anfitriões que apoiem a entrega da medicação para quem precisa

A meta é evitar esse cenário, quando o país já estava conseguindo vencer etapas na luta contra a doença. A iniciativa inclui entrega de antirretrovirais, diagnóstico e tratamento.

Taxa de infecções 

Em 2020, a Ucrânia registrou a segunda maior taxa de novas infecções na Europa, ou 15% de todos os soropositivos da região. 

Mais da metade das infecções foi por via heterossexual e 38% pelo uso de drogas injetáveis.

A estimativa é que 260 mil pessoas tenham HIV na Ucrânia. Mais da metade, ou cerca de 150 mil pacientes, recebiam o tratamento antirretroviral. Entre eles, 2,7 mil crianças. 

A interrupção do tratamento pode gerar complicações, incluindo resistência aos medicamentos. A situação seria uma séria ameaça à saúde do paciente e pode tornar o tratamento mais difícil e caro.

Combinação

A OMS defende que a iniciativa permite que grande parte das necessidades dos soropositivos na Ucrânia sejam atendidas num ano.  

Os parceiros envolvem o Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária, o Ministério da Saúde da Ucrânia e organizações não governamentais.

Cerca de 36 dos 403 centros de tratamento antirretroviral foram fechados

Unicef/Evgeniy Maloletka

Cerca de 36 dos 403 centros de tratamento antirretroviral foram fechados

A colaboração permitiu a aquisição mais acessível de 209 mil embalagens do medicamento TLD, com a combinação dos remédios tenofovir, lamivudina e dolutegravir.

Terapia 

Quase um mês após o início da guerra, cerca de 36 dos 403 centros de tratamento antirretroviral foram fechados. 

A maioria estava funcionando total ou parcialmente. 

Com mais de 4 milhões de refugiados, a recomendação aos países anfitriões é que apoiem a entrega desta medicação para quem precisa.

Os homens são a maioria dos usuários desses medicamentos, mas grande parte deles está dentro do país devido ao impedimento decretado aos ucranianos com idades entre 18 e 60 anos de deixar o território.

Essa recomendação foi dada pelo governo ucraniano que precisa dos homens para combater na guerra.
 

Jovem de 19 anos, na Ucrânia, que vende drogas e vive com HIV, ficou sem acesso a tratamento

Unicef/Giacomo Pirozzi

Jovem de 19 anos, na Ucrânia, que vende drogas e vive com HIV, ficou sem acesso a tratamento

Dia Internacional do Esporte para Paz e Desenvolvimento destaca sustentabilidade

ONU acredita que a prática de modalidades esportivas ajuda no combate à mudança climática e incentiva ações para um mundo livre de carbono; com poder para mudar o mundo, o esporte é ainda uma ferramenta na luta contra pobreza e fome.

Unodc promove cooperação para combater terrorismo em Moçambique

Além do escritório da ONU e do governo de Moçambique, autoridades portuguesas fazem parte dos esforços; evento que formaliza cooperação trilateral acontece em Lisboa, Portugal, entre 6 e 8 de abril.

Boina-azul morre em novo ataque de milícias na RD Congo

Secretário-geral da ONU quer investigação do incidente e que os responsáveis respondam à justiça; aumento da atividade de grupos armados no leste do país preocupa o Conselho de Segurança. 

No Conselho de Segurança, Guterres alerta que conflito na Ucrânia empurra países para crise

Secretário-geral disse que mais de 1 bilhão de pessoas vive em situação de fragilidade com aumento dos preços de alimentos, energia e fertilizantes; chefe humanitário cita ajuda que alcançou pelo menos 1,5 milhão de ucranianos; organização apura violência sexual, uso de bombas de fragmentação e de prisioneiros de guerra. 

Guterres ao Conselho de Segurança: “guerra na Ucrânia tem de parar agora”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou a guerra na Ucrânia como “um dos maiores desafios de sempre à ordem internacional e à arquitetura de paz global, fundada na Carta das Nações Unidas” devido à sua natureza, intensidade e consequências.

Na sua intervenção ao Conselho de Segurança da ONU, esta terça-feira, Guterres lembrou que esta invasão, em várias frentes, de um Estado-membro das Nações Unidas, a Ucrânia, por outro, a Federação Russa – um Membro Permanente do Conselho de Segurança – em violação da Carta das Nações Unidas, pretende, entre outros objetivos, redesenhar as fronteiras internacionalmente reconhecidas entre os dois países.

Guterres afirmou que jamais esquecerá “as imagens horríveis de civis mortos em Bucha” que o levou a pedir “uma investigação independente para garantir uma responsabilização efetiva”, mostrando-se ainda “profundamente chocado com os testemunhos de violações e de violência sexual que estão a surgir.

Em apenas um mês, a guerra deslocou mais de dez milhões de pessoas, o movimento populacional forçado mais rápido desde a Segunda Guerra Mundial – e levou a aumentos significativos nos preços dos alimentos, da energia e de fertilizantes, porque a Rússia e a Ucrânia são os pilares desses mercados.

O líder da ONU lembrou que estes aumentos nos preços estão já a levar “muitos países em desenvolvimento à beira do colapso da dívida, devido ao impacto da pandemia da covid-19 e à falta de liquidez, por isso, “é cada vez mais urgente silenciar as armas.”

Com efeito, segundo a ONU, 74 países em desenvolvimento, com uma população total de 1,2 mil milhões de pessoas, são particularmente vulneráveis ​​ao aumento dos custos de alimentos, energia e fertilizantes. Só no mês passado, os preços do trigo aumentaram 22%, o milho 21% e a cevada 31%. Para além disso, os preços do petróleo Brent a 1 de abril foram mais de 60% mais altos do que no mesmo período do ano passado.

O líder da ONU terminou a sua intervenção lembrando que “a guerra na Ucrânia tem de parar agora” apelando a “negociações sérias para a paz, baseadas nos princípios da Carta das Nações Unidas e pedindo ao Conselho de Segurança para “fazer tudo o que estiver ao seu alcance para acabar com a guerra e mitigar o seu impacto, tanto no sofrimento do povo da Ucrânia como nas pessoas vulneráveis e nos países em desenvolvimento em todo o mundo.”

A história da Natasha: Uma refugiada ucraniana que teme nunca mais ver o seu marido

@UN News/Leda Letra.

Artigo da autoria da ONU News em português

Natasha, de 33 anos, era professora universitária e fazia também auditoria. No dia da invasão russa, ela, o seu marido, e a sua filha de 4 anos saíram de casa com a esperança de poderem regressar brevemente; não acreditavam que iria haver uma guerra em pleno século XXI . Um mês depois, a Natasha e a sua filha refugiam-se em Portugal, mas o marido da Natasha teve que ficar na Ucrânia a lutar.  

24 de fevereiro de 2022: era uma quinta-feira típica de Inverno em Kharkiv, no leste da Ucrânia. Nataliia Vladimirova estava a dormir quando foi acordada pelo marido, que lhe avisou que tinham começado os ataques russos. Naquele momento, a ex-professora universitária e auditora nem sequer pensou no que iria colocar nas malas. Levou simplesmente o maior número possível de documentos e roupas para a filha Oleksandra, que tem apenas quatro anos. A família da Natasha não tem a menor idea de quanto tempo irá durar o conflito. 

Fuga repentina

@Arquivo pessoal de Nataliia Vladimirova.
A família vivia feliz em Kharkiv até a guerra começar. Deixaram a cidade no dia 24 de fevereiro.

Nesse mesmo dia, a família abandona o apartamento em Kharkiv- o marido só com a roupa desportiva que tem no corpo.  

Antes do ataque russo, as dúvidas e o ceticismo permeavam as conversas de Natasha com o marido. Ela tinha até sugerido antes da guerra começar que comprassem bilhetes de avião no caso que fosse necessário fugir. Mas ele não acreditava que pudesse de fato haver uma invasão russa em pleno século XXI.  

De um momento para o outro, a vida do casal e da sua filha tomou um rumo inesperado: o marido ficou na Ucrânia enquanto a Natasha e a pequena Sasha conseguiram encontrar refúgio em Portugal. Foi em Lisboa que a Natasha contou a sua história à ONU News. Mas até chegarem à capital portuguesa, a família passou por várias cidades. 

Travessia pela Ucrânia
@Nataliia Vladimirova, Arquivo Pessoal.
Natasha, a filha e a sogra ficaram hospedadas em abrigos para refugiados na Ucrânia e Romênia.

A primeira paragem foi em Dnipro, onde vivia um amigo da família. Não ficaram muito tempo pois logo no primeiro dia, soaram as sirenes: um sinal que as explosões estão prestes a começar. A Natasha contou-nos sobre o sue estado emocional e como esse foi rapidamente afetado. Temendo o pior, decidiram ir para outra cidade. 

Chegam a Odessa, onde estão cada vez mais perto das fronteiras. Nessa cidade recebem a confirmação de que o marido não poderá continuar com elas: os homens entre os 18 e 60 anos são obrigados a ficar na Ucrânia. A sogra de Natasha, a Nataliia Rodenko, junta-se ao grupo e juntas seguem rumo a Kvuyry Rih. As sirenes continuam a tocar e a pequena Sasha quer saber o que significa esse barulho. 

Uma criança no meio da guerra

@Nataliia Vladimirova, Arquivo Pessoal.
A família de Natasha no voo para Portugal. Elas já deram entrada na documentação para o estatuto de refugiadas.

De acordo com a Natasha, uma senhora explica a Sasha que deve tapar os ouvidos e abrir a boca. Da próxima vez que soam as sirenes, a menina conta à mãe que já sabe exatamente o que fazer. Mas a especialista em economia comenta que uma criança de quatro anos não deveria ter de aprender o que fazer nessa situação, nunca.  

A família finalmente atravessa a fronteira de carro e chega à Roménia, onde permanecem durante quatro dias. Voluntários da Cruz Vermelha ajudam as três a encontrar abrigo e quando chegam a Bucareste, descobrem que o governo de Portugal está a organizar um voo humanitário para os refugiados ucranianos.  

Pensando no clima ameno de Portugal e na proximidade com o mar, Natasha decide aceitar o desafio de ir buscar refúgio num país onde nunca esteve e onde não conhece ninguem. Chega no dia 14 de março e, novamente, com a ajuda de voluntários, Natasha, a sogra e a filha foram acolhidas por uma família portuguesa que vive em Lisboa e que abriu as portas de sua casa às ucranianas. 

Solidariedade de desconhecidos

Natasha faz questão de contar que as roupas que ela e a sogra estão a utilizar foram doadas pelos amigos da família queas acolhem. Gestos de bondade de desconhecidos que fazem toda a diferença num momento delicado.  

Emocionada, revela o seu maior medo: não se conseguir reunir com o marido, com quem consegue conversar por videochamada duas vezes por dia. A filha já está registada como refugiada junto aos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras de Portugal, SEF, enquanto a Natasha e a sogra estão no processo de conseguir a documentação.  

Os próximos objetivos da Natasha passam por encontrar trabalho e uma vaga numa escola para a filha. A ansiedade que sente quando vê as notícias sobre a Ucrânia é intercalada por momentos de alívio ao saber que estão em segurança. 

 Entre os dias 24 de fevereiro e 27 de março, o SEF forneceu estatuto de proteção temporária a mais de 22,7 mil ucranianos e cidadãos de outros países que estavam a viver na Ucrânia na altura da invasão russa. O governo português está a facilitar a emissão de documentos para os refugiados e criou um site especial de apoio aos refugiados ucranianos, o portal Portugal for Ukraine.
 

FMI amplia linha de crédito para São Tomé e Príncipe apostando na recuperação

O Fundo Monetário Internacional, FMI, vai desembolsar cerca de US$ 2,7 milhões à São Tomé e Príncipe após decisão de ampliar o crédito ao país na última semana. No total, a nação africana deve receber cerca de US$ 15 milhões do órgão.

O apoio do Conselho Executivo do FMI deve ajudar a cobrir as necessidades de financiamento, apoiar as despesas sociais e a impulsionar a recuperação pós-pandemia.

Sede do FMI em Washington, nos Estados Unidos

IMF/Henrik Gschwindt de Gyor

Sede do FMI em Washington, nos Estados Unidos

Avaliações

Segundo o diretor administrativo adjunto do FMI, o desempenho de São Tomé e Príncipe no escopo apoiado pela entidade tem sido “amplamente satisfatório”. 

Bo Li adicionou que a estabilidade macroeconômica foi mantida apesar dos múltiplos desafios e da Covid-19, que atrasou algumas reformas estruturais. Outras dificuldades vieram de fatores externos e resultaram num crescimento menor e aumento da inflação em 2021.

De acordo com os dados do FMI, o crescimento do país foi de 1,8% no ano passado, abaixo dos 3% em 2020. No entanto, as perspectivas econômicas permanecem favoráveis, com previsão de 2,3% de alta este ano e 2,8% em 2023. 

Para o diretor adjunto do Fundo, agora é necessário implementar com rapidez iniciativas para apoiar o crescimento inclusivo e verde e melhorar a competitividade externa.

Instabilidade global

De acordo com o FMI, embora o apoio internacional e as ações de São Tomé e Príncipe estejam ajudando a enfrentar os impactos socioeconômicos e de saúde, a economia deve sentir os efeitos negativos da guerra na Ucrânia.

Além do conflito, as interrupções prolongadas nas cadeias de suprimentos globais podem levar à escassez de bens de consumo intermediários e finais, desaceleração do crescimento e aumentos de preços. 

Outro desafio para a recuperação do país é o aumento dos preços internacionais dos combustíveis, que pode agravar os cortes de energia e a subir as taxas de inflação.

Reformas

O FMI também alerta para os atrasos nas reformas de receitas, que podem reduzir o espaço fiscal para gastos sociais e de desenvolvimento. 

Para Bo Li, os esforços para modernizar os quadros jurídicos monetários e financeiros devem continuar a ser uma prioridade. 

Ele adiciona que, com as pressões inflacionárias, a gestão ativa de liquidez deve ancorar a indexação ao Euro e apoiar o acesso ao crédito e a recuperação econômica. 

Li diz que o Banco Central São Tomé e Príncipe deve reforçar sua capacidade de gestão ativa de riscos e vulnerabilidades no setor financeiro.

São Tomé e Príncipe tem um acordo de 40 meses, aprovado em 2 de outubro de 2019, em cerca de US$ 18,15 milhões, ou 90% da cota do país.  

Além de restaurar a estabilidade macroeconômica, o programa busca reduzir a vulnerabilidade da dívida, aliviar as pressões do balanço de pagamentos e criar as bases para um crescimento forte e inclusivo.
 

Fundo da ONU ajuda a reforçar sistemas alimentares para Timor-Leste 

Portugal está entre doadores do mecanismo internacional de desenvolvimento com diferentes agências; doação de US$ 1 milhão deve promover redução do risco de desastres no país lusófono do sudeste asiático. 

Fórum examina criação de Acordo Azul para economia dos oceanos

Evento, de 6 a 8 de abril, ocorre na sede da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad; especialistas apostam nos mares para criar sustentabilidade e resiliência no pós-pandemia; valor dessa economia deve dobrar até 2030.

Relatório IPCC: As alterações climáticas “não são ficção ou exagero” 

UN Photo/Manuel Elías

O relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) é “uma longa enumeração de promessas climáticas não cumpridas. É um arquivo de vergonha, que cataloga as promessas vazias que nos colocam no caminho para um mundo inabitável”. A dureza das palavras do secretário-geral da ONU, António Guterres, surge na sequência da apresentação deste relatório, que mostra a “emergência climática” que o mundo vive e as consequências “irreversíveis” das ações de alguns líderes governamentais e empresariais.  

Entre 2010 e 2019 a média anual das emissões globais de gases com efeito de estufa atingiu os níveis mais elevados na história da humanidade, apesar de se ter verificado um abrandamento na taxa de crescimento.  

“Sem reduções imediatas e profundas das emissões em todos os setores, a limitação do aquecimento global a 1,5°C está fora de alcance”, afirmaram os cientistas durante a apresentação do relatório que tem como objetivo mitigar a emissão de gases com efeito de estufa.  

“Encontramo-nos numa encruzilhada. As decisões que tomamos agora podem assegurar um futuro habitável. Temos as ferramentas e os conhecimentos necessários para limitar o aquecimento”, defendeu o presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, Hoesung Lee. “Há políticas, regulamentos e instrumentos de mercado que se estão a revelar eficazes. Se estes forem ampliados e aplicados de forma mais ampla e equitativa, podem apoiar reduções profundas de emissões e estimular a inovação”. 

António Guterres: Os investimentos e subsídios que foram até agora atribuídos aos combustíveis fósseis devem transitar para energias amigas do ambiente.

Apostar nas energias renováveis 

A limitação do aquecimento global vai exigir transições no setor energético e vai implicar uma redução na utilização de combustíveis fósseis, eletrificação generalizada, melhoria da eficiência energética e utilização de combustíveis alternativos (como o hidrogénio, por exemplo). 

Os investimentos e subsídios que foram até agora atribuídos aos combustíveis fósseis devem transitar para energias amigas do ambiente. O secretário-geral lembra que, “na maioria dos casos, as energias renováveis são já muito baratas”. Esta medida implica que os governos deixem de financiar o carvão não só no exterior, mas também dentro das suas fronteiras.  

Desde 2010 que se registaram reduções sustentadas de até 85% nos custos da energia solar, eólica e das baterias. Uma gama crescente de políticas e leis tem vindo a aumentar a eficiência energética, a reduzir as taxas de desflorestação e acelerar a utilização de energias renováveis. 

Os países desenvolvidos, os bancos multilaterais de desenvolvimento e as instituições financeiras privadas devem unir-se para apoiar as economias emergentes ou menos desenvolvidas.  

Numa altura em que a recuperação da pandemia de covid-19 acontece a várias velocidades e que a guerra na Ucrânia está a fazer com a que inflação dispare, o aumento da produção de combustíveis fósseis só vai, na perspetiva de António Guterres, piorar as coisas. 

O secretário-geral da ONU pede ações aos líderes mundiais, mas também a todos os cidadãos. “Temos uma dívida com os jovens, a sociedade civil e as comunidades indígenas…a mudança para as energias renováveis vai trazer esperança a milhões de pessoas que sofrem com os impactos das alterações climáticas”. 

Uma ação climática “acelerada e equitativa” na mitigação e adaptação aos impactos das alterações climáticas assume um papel de relevo nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

O relatório do IPCC 

Este relatório pertence ao Grupo de Trabalho III do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas e foi elaborado por 278 cientistas de 65 países. Avalia os progressos e lacunas na limitação das emissões globais de gases com efeito de estufa e analisa as opções de mitigação disponíveis em diferentes setores, incluindo energia, sistemas urbanos, edifícios, transportes, indústria, agricultura, silvicultura e uso dos solos. 

Uma ação climática “acelerada e equitativa” na mitigação e adaptação aos impactos das alterações climáticas assume um papel de relevo nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A mitigação pode ajudar a reduzir os impactos ambientais, aumentar o emprego, melhorar a saúde e criar oportunidades de negócio. 

  

 

Relatório da ONU aponta recorde de emissões de gases de efeito estufa 

Comparação entre duas décadas mostra desaceleração de 0,8%, mas montante não foi suficiente para conter disparada;  Ipcc adverte que manter emissões pode levar a aquecimento global médio de 3,2 °C até 2100, mais que o dobro da meta prevista no Acordo de Paris; secretário-geral ressalta que mundo está a passos rápidos para desastre climático.

População mundial está respirando ar impróprio, afirma OMS

Relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde aponta que exposição ao ar impuro aumenta danos à saúde humana, mesmo em baixos níveis; lançamento do documento antecipa a celebração do Dia Mundial da Saúde, neste 7 de abril; agência afirma que a redução de combustíveis fósseis é chave para reverter cenário.

Mensagem sobre o Dia Internacional de Consciencialização sobre os Perigos das Minas Terrestres

UN Photo/Manuel Elías

O SECRETÁRIO-GERAL  

MENSAGEM SOBRE O DIA INTERNACIONAL DE CONSCIENCIALIZAÇÃO SOBRE OS PERIGOS DAS MINAS TERRESTRES 

4 abril 2022

O Dia Internacional de Consciencialização sobre os Perigos das Minas Terrestres recorda-nos o caminho percorrido para tirar do mundo os vestígios de explosivos de guerra e o que ainda é necessário fazer. 

exactamente trinta anos, ativistas da sociedade civil juntaram-se para lançar a Campanha Internacional para a Proibição das Minas Terrestres. 

Em cinco anos, a Convenção sobre a Proibição de Minas começou a ser ratificada

Hoje, mais de 160 Estados assinaram a Convenção e as minas terrestres são, em quase todos os locaisinaceitáveis. 

Mais de 55 milhões de minas foram destruídas, mais de 30 países em todo o mundo foram declarados livres de minas e o número de vítimas diminuiu drasticamente. 

Mas, o mundo tem ainda milhões de minas terrestres armazenadas e mais de 50 países continuam contaminados com estas armas abomináveis 

Minas, restos de explosivos de guerra e engenhos explosivos improvisados continuam a matar ou ferir milhares de pessoas todos os anosmuitas das quais são crianças. 

Devemos fazer mais para proteger as pessoas que vivem sob a sombra de engenhos explosivos, desde a Síria, Somália e Afeganistão até Mianmar, Camboja, entre outros. 

Na Ucrânia, o legado de um único mês de guerra – sob a forma de engenhos por explodir, minas terrestres e munições de fragmentaçãovai levar décadas a desaparecer, ameaçando vidas muito depois de as armas serem silenciadas. Mesmo neste momento, acabam por restringir a entrega de ajuda humanitária de emergência e impedir as pessoas de fugirem para locais seguros. 

Apelo a que todos os Estados adiram à Convenção, sendo que os membros permanentes do Conselho de Segurança têm uma responsabilidade acrescida. 

Agir contra as minas é um investimento na humanidade. É um pré-requisito nos esforços de ajuda humanitária e a base de uma paz duradoura e de um desenvolvimento sustentável 

Neste Dia Internacional, vamos aproveitar o progresso do passado e livrar o mundo do flagelo das minas terrestres de uma vez por todas. 

A crise humanitária no Afeganistão

14 December 2021, Herat. A young girl at a girls child friendly space for internally displaced children, where activities combine education and play. Credit: UNOCHA/ Sayed Habib Bidel

1 de abril de 2022 Afeganistão

O subsecretário-geral da ONU, Martin Griffiths, inaugurou a Conferência sobre Afeganistão ao contar-nos algumas histórias sobre a sua viagem recente a Cabul. Além de se encontrar com os Talibãs, o enviado especial também teve a oportunidade de visitar o hospital Indira Gandhi onde conseguiu testemunhar com os seus próprios olhos as consequências devastadoras da crise humanitária e alimentar no país.  

O subsecretário-geral da ONU contou-nos sobre uma mãe que estava a tentar salvar a sua filha de três meses tendo já perdido 2 crianças devido à subnutrição. Fala-nos também sobre uma bebé de 5 meses, a Zuleika, que estava tão fraca e desidratada que nem chorar conseguia. A Zuleika, informa a UNICEF, é só uma de milhões de crianças subnutridas no Afeganistão que, sem apoio humanitário, enfrentam níveis de subnutrição fatais.  

@UNOCHA/ Sayed Habib Bidel.

Como constatou o secretário-geral da ONU, António Guterres, “mais de metade das pessoas no Afeganistão estão entre a vida e a morte” e é essencial que as Nações Unidas e a comunidade internacional não se esqueçam das pessoas no Afeganistão. 

Crise em números 

Atualmente no Afeganistão: 

  • 6 em cada 10 pessoas precisam de assistência humanitária 
  • 95% da população não tem o que comer 
  • 9 milhões de pessoas estão em risco de subnutrição 
  • 80% da população está endividada 
  • Mais de 50% das crianças abaixo dos 5 anos sofrem de subnutrição aguda 
  • 75% do país foi afetado pelas piores secas no país há 30 anos 

E, se nada for feito, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estima que 97% dos afegãos estarão abaixo do limiar da pobreza a Junho de 2022. Com a combinação nociva da conflito civil com as secas, o covid-19 e a crise económica, as necessidades humanitárias do país triplicaram desde o ano passado.  

Para ajudar o povo afegão as diferentes agências da ONU têm estado a dar apoio constante no terreno através do financiamento do Fundo Central de Resposta a Emergências (CERF) e do Fundo Humanitário para o Afeganistão. Em 2021, os humanitários conseguiram dar alimentos, água potável, proteção, abrigo e assistência educacional e médica a 20 milhões de pessoas no Afeganistão e o FNUAP entre Agosto e dezembro do ano passado conseguiu prestar serviços de saúde reprodutiva e sexual a 250 mil afegãs.  

Este ano, o Programa Alimentar mundial já providenciou alimentos e apoio nutricional e de resistência a 14 milhões de afegãos. A UNICEF, só no mês de fevereiro, examinou quase um milhão de crianças e 4 milhões de pessoas. A ACNUR, focando-se nos refugiados internos apoiou meio milhão de pessoas nos últimos meses.  

@© WFP/Sadeq Naseri

Estima-se que o apoio humanitário da ONU tenha salvo milhões de pessoas neste inverno. Mas apesar do grande impacto dos esforços dos humanitários da ONU, a situação humanitária no Afeganistão continua a piorar consideravelmente e o Fundo Humanitário para o Afeganistão precisa de ser alimentado se quisermos evitar as mortes desnecessárias no país. 

Apelo  

O secretário-geral das Nações Unidas afirmou ontem que “a comunidade internacional tem de encontrar maneiras de poupar o povo afegão do impacto da decisão de… congelar quase 9 mil milhões de fundos afegãos no estrangeiro”. 

Estes 9 mil milhões de dólares em capital afegão a quais o secretário-geral se refere, foram congelados após a tomada de poder dos Talibãs. No entanto quem mais sofre com esta perca de capital não são os Talibãs, mas sim o povo afegão. 

@OCHA.

Uma forma através da qual a comunidade internacional pode compensar estes 9 mil milhões de dólares ao povo afegão é através de doações para apoiar os esforços humanitários da ONU e dos seus parceiros. 

A ONU argumentou que são necessários 4.4 mil milhões de dólares para apoiar o povo no Afeganistão, um valor significativamente inferior a 9 mil milhões. Com estes fundos, a ONU poderá salvar milhões de vidas e apoiar 22 milhões de pessoas ao providenciar recursos fundamentais como alimentos e água potável.  

No início da Conferência sobre o Afeganistão só se tinha angariado 13% dos fundos necessários. No fim do evento mais de metade dos fundos, 2.44 mil milhões de dólares, tinham sido angariados com doações de vários países, entre os quais os EUA que doaram mais de 512 milhões, e a Andorra que doou 16 mil dólares. Para além de países entidades como o Banco Asiático para o Desenvolvimento (ADB) doaram cerca de 312 milhões de dólares.