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No Conselho de Direitos Humanos, Bachelet pede recuo de militares após golpe no Sudão  

A situação do Sudão é tema de uma sessão de emergência nesta sexta-feira no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra. 

A alta comissária para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, disse que os líderes militares devem recuar após o golpe da semana passada. A situação levaria a retomar os “avanços rumo às reformas institucionais e legais” no país. 

Emergência  

Em várias cidades sudanesas ocorrem protestos envolvendo milhares de pessoas que exigem a reintegração do primeiro-ministro deposto, Abdullah Hamdok. O governo foi dissolvido por uma junta militar que declarou emergência em 25 de outubro. 

Para Michelle Bachelet, a tomada do poder por militares foi “profundamente perturbadora”. A chefe de direitos humanos pede o fim do uso da força por entidades de segurança, incluindo elementos militares, policiais e da inteligência. 

Alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet

Foto: UNOG

Alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet

Até o momento, os atos teriam causado a morte de pelo menos 13 civis e mais de 300 ficaram feridos. Para ela, “o uso desproporcional e mortal da força por militares e apoiantes deve terminar imediatamente” e seus autores devem ser responsabilizados por violações aos direitos humanos. 

A alta comissária destacou ainda relatos de que estariam em curso conversações em Cartum entre as lideranças militar e civil. 

Protestos  

Bachelet destacou que mulheres ativistas foram presas, assediadas, ameaçadas e, em muitos casos, espancadas enquanto participavam em protestos.  

A violência contra o grupo envolveu um episódio de “invasão a um dormitório feminino pela manhã, localizado perto do quartel-general militar em Cartum”. As alunas foram aterrorizadas e espancadas nos atos que causaram feridos.  

São várias as pessoas consideradas “atores-chave no espaço cívico” que têm sido vítimas de abusos. O Escritório Conjunto de Direitos Humanos da ONU documentou prisões e detenções de jornalistas, membros do comitê de resistência e ativistas. 

Nesses atos se destaca a invasão por militares e forças não identificadas do jornal Democrata, em Cartum, e da Agência de Notícias. 

Identidade  

O diretor-geral da rádio e televisão estatal do Sudão foi demitido e várias estações pararam de transmitir, exceto a Televisão Nacional e da Rádio Omdurman controladas pelas autoridades militares. Os jornais deixaram de ser impressos.  

Manifestantes na capital do Sudão, Cartum, durante protestos em 2019.

Foto: UN Sudan/Ayman Suliman

Manifestantes na capital do Sudão, Cartum, durante protestos em 2019.

Os ataques também ocorreram em vários escritórios de organizações da sociedade civil. Houve ainda um apagão da internet em todo o país, que impediu o acesso da população a informações, inclusive sobre os serviços e operação de equipe de direitos humanos.  

Comissões independentes 

O Escritório Conjunto das Nações Unidas para os Direitos Humanos no Sudão continua atuando para verificar a identidade, localização e situação legal de detidos. A meta é permitir visitas, verificar sua situação e condições de detenção. 

Bachelet lamentou que a situação aconteça num país onde nos últimos dois anos foi observado um “progresso valioso” em direção ao estabelecimento de uma Comissão Nacional de Direitos Humanos.  

O processo envolvia a criação de novas comissões independentes previstas no Documento Constitucional para atuação em campos como justiça transicional, terra, mulheres e igualdade de gênero, reformas legais e combate à corrupção. 

Promotor do TPI abre investigação sobre crimes contra a humanidade na Venezuela

Karim A.A. Khan firma memorando de entendimento com presidente Nicolás Maduro para que haja uma colaboração efetiva no processo; meta é investigar uso da força durante manifestações e protestos ocorridos desde 2017.  

Confira 5 gases poluentes que respiramos todos os dias

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, publicou dados sobre cinco gases que poluem o ar e são nocivos à saúde e ao meio ambiente.

A poluição atmosférica é responsável por cerca de 7 milhões de mortes e 90% da população mundial respira ar com níveis de poluentes que excedem os limites indicados pela Organização Mundial de Saúde, OMS.

90% da população mundial respira ar com níveis de poluentes que excedem os limites indicados pela Organização Mundial de Saúde, OMS.

ADB/Ariel Javellana

90% da população mundial respira ar com níveis de poluentes que excedem os limites indicados pela Organização Mundial de Saúde, OMS.

Resultados da poluição

O Pnuma reforça que a poluição do ar também está ligada à mudança climática e gera impacto desproporcional no aquecimento global. A redução da emissão desses gases poderia reduzir a taxa atual de aquecimento pela metade.

O diretor de gestão do Pnuma, Valentin Foltescu, afirmou que o mundo possui a capacidade e o conhecimento necessário para melhorar a qualidade do ar. Ações para diminuir a poluição atmosférica elevariam a expectativa de vida, a saúde humana e do ecossistema.

A poluição do ar pelas usinas de energia contribui para o aquecimento global.

Unsplash/Marek Piwnicki

A poluição do ar pelas usinas de energia contribui para o aquecimento global.

Cinco poluentes atmosféricos mais perigosos

PM2.5

  • O que são: PM2,5 são partículas finas invisíveis a olho nu, embora sejam perceptíveis como névoa em áreas altamente poluídas e presentes dentro e fora de casa.
  • Como são emitidas: As partículas vêm da queima de combustíveis impuros para cozinhar ou aquecer, queimar resíduos e resíduos agrícolas, atividades industriais, transporte e poeira levada pelo vento, entre outras fontes. Elas podem ser emitidas diretamente ou formadas na atmosfera a partir de diversos poluentes emitidos, como amônia e compostos orgânicos voláteis.
  • Quais são os danos: As emissões penetram profundamente nos pulmões e na corrente sanguínea, aumentando o risco de morrer de doenças cardíacas e pulmonares, derrame e câncer.

Ozônio ao nível do solo

  • O que são: O ozônio ao nível do solo é um poluente climático de curta duração e, embora exista apenas por alguns dias a algumas semanas, é um forte gás de efeito estufa.
  • Como são emitidos: Ele se forma quando poluentes da indústria, tráfego, resíduos e produção de energia interagem na presença da luz solar.
  • Quais são os danos: Contribui para formação de fumaça, piora a bronquite e enfisema, desencadeia a asma, danifica o tecido pulmonar e reduz a produtividade agrícola. A exposição ao ozônio causa cerca de 472 mil mortes prematuras a cada ano. Como o gás impede o crescimento de plantas e florestas, ele também reduz a quantidade de carbono que pode ser sequestrado.

Dióxido de nitrogênio

  • O que são: Os óxidos de nitrogênio são um grupo de compostos químicos poluentes do ar, incluindo dióxido de nitrogênio e monóxido de nitrogênio.
  • Como são emitidos: O dióxido de nitrogênio é o mais prejudicial desses compostos e é gerado a partir da combustão de motores a combustível e da indústria.
  • Quais são os danos: Pode danificar o coração e os pulmões humanos e reduz a visibilidade atmosférica em altas concentrações e é um precursor crítico para a formação de ozônio ao nível do solo.
Efeitos da poluição já são responsáveis por 7 milhões de mortes prematuras todos os anos

Unsplash/Alexander Popov

Efeitos da poluição já são responsáveis por 7 milhões de mortes prematuras todos os anos

Carbono Negro

  • O que são: O carbono negro, ou fuligem, é um componente do PM2.5 e é um poluente climático de curta duração.
  • Como são emitidos: Queimas agrícolas para limpar terras e os incêndios florestais que às vezes resultam são as maiores fontes mundiais de carbono negro. Também vem de motores a diesel, queima de lixo e fogões e fornos que queimam combustíveis fósseis e de biomassa. As emissões de carbono negro têm diminuído nas últimas décadas em muitos países desenvolvidos devido a regulamentações mais rígidas de qualidade do ar. Mas as emissões são altas em muitos países em desenvolvimento, onde a qualidade do ar é mal regulada. Como resultado da queima aberta de biomassa e da combustão residencial de combustível sólido, a Ásia, a África e a América Latina contribuem com aproximadamente 88% das emissões globais de carbono negro.
  • Quais são os danos: Causa problemas de saúde e morte prematura e aumenta o risco de demência.

Metano

  • O que são: É um potente gás de efeito estufa. Molécula para molécula, o metano tem mais de 80 vezes o poder de aquecimento do dióxido de carbono.
  • Como são emitidos: O metano vem principalmente da agricultura, especialmente pecuária, esgoto e resíduos sólidos, e produção de petróleo e gás. A redução das emissões desses gases causadas pelos humanos, que responde por mais de metade do total, é uma das as formas mais eficazes de combater as alterações climáticas.
  • Quais são os danos: Ajuda a criar ozônio ao nível do solo e, desse modo, contribui para doenças respiratórias crônicas e morte prematura. A pesquisa do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, Ipcc, mostra que o metano é responsável por pelo menos um quarto do aquecimento global.

Filme português entre os selecionados pelo Mobile Film Festival

Mobile Film Festival

A 17ª edição do Mobile Film Festival anunciou ontem a sua seleção oficial de 50 filmes, provenientes de 34 países diferentes, e que conta com uma curta-metragem portuguesa da artista visual Anna Jarosz.

Mobile Film Festival

O Mobile Film Festival em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com o Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC) e outras agências da ONU lançou um concurso de curtas-metragens, cujo tema é “Fazer as Pazes com a Natureza” (em inglês: “Making Peace with Nature“), com o objetivo de descobrir novos realizadores e ajudá-los a obter oportunidades, a ganhar visibilidade internacionalmente e a ajudá-los com uma bolsa para apoiar os seus futuros projetos cinematográficos.

Mobile Film Festival

No total, foram submetidos 692 filmes vindos de 92 países, oferecendo uma diversidade incrível de perspetivas gráficas e histórias acerca da convivência do ser humano com a natureza. A equipa do festival elegeu os 50 melhores filmes, dos quais destacamos a entrada portuguesa: “The day you were born” (o dia em que nasceste).

Auto-retrato de Anna Jarosz

A artista visual polaca Anna Jarosz, que reside em Portugal, guia-nos por uma história de trabalho de parto e da ligação emocional estabelecida entre uma mãe e o seu bebé, relatando os momentos de ansiedade e pânico causados pelo que lhe é desconhecido.

“Na minha experiência artística, tenho trabalhado principalmente com temas ligado ao género, à sexualidade e à feminilidade. O trauma é uma ligação que uso como ferramenta para contar histórias, já que é uma espécie de experiência humana que todos partilhamos até um certo ponto. Eu estava interessada em encarar o tema do festival com isso em mente e a questão que me pus relacionada com o filme foi ‘qual é uma experiência que todos os animais partilham?’ “, conta-nos Anna Jarosz.

Por fim, o filme termina com a mensagem de que o vínculo emocional entre uma progenitora e o seu filho não é algo exclusivamente humano, alertando para a falta de ética na indústria de laticínios, algo que a informou na sua escolha de seguir uma alimentação vegan há bastantes anos.

Anna Jarosz explica que, na sua opinião, “a perspetiva que partilhei ainda não foi introduzida no chamado debate público. Eu falo sobre a experiência comum de não apenas dar à luz, mas de, mais importante ainda, haver uma ligação emocional entre a pessoa que dá à luz e o bebé. Eu abordo isto como não sendo uma experiência exclusivamente humana e é isso que acredito poder promover toda uma nova discussão e encaixar os seres humanos num espectro muito mais vasto de existência.” 

O filme de Anna Jarosz fica assim nomeado para poder vir a ser premiado na cerimónia da entrega de prémios que decorrerá no dia 8 de Dezembro, em Paris, no Dia Internacional do Clima. Alguns dos prémios distribuídos pelo júri vão incluir bolsas financeiras para a produção e para a elaboração de um roteiro para uma curta-metragem, sendo que os vencedores terão a oportunidade de trabalhar com um produtor escolhido por si, que será o responsável pela execução do filme e pelo uso dos fundos. No entanto, há um prémio que será atribuído pela audiência: entre 2 a 30 de novembro, o público pode votar on-line no seu filme favorito através do site do SensCritique.

Mobile Film Festival

A participante que representa Portugal, Anna Jarosz, é uma artista visual polaca, cujos principais interesses são o trauma de género e corpos abjetos. A arte é usada por ela para reverter terminologias construídas socialmente de género e de normas, colocando ênfase na objetificação dos corpos na cultura ocidental.

Para ver o seu filme, siga este link: https://www.mobilefilmfestival.com/en/?vid=15817

FAO pede liderança firme para erradicar trabalho infantil na agricultura

Acabar com o trabalho infantil até 2025 exigirá ação eficaz e liderança forte, afirmou o diretor geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, Qu Dongyu, durante a abertura de fórum virtual sobre o assunto.

O evento foi promovido com o apoio da Organização Internacional do Trabalho, OIT, e participaram representantes da ONU e do papa Francisco para mobilizar a ação global e buscar soluções para erradicar o trabalho infantil na agricultura.

A OIT tem trabalhado para a abolição do trabalho infantil ao longo dos seus 100 anos de história.

Foto: Unicef/Frank Dejongh

A OIT tem trabalhado para a abolição do trabalho infantil ao longo dos seus 100 anos de história.

Agricultura 

A entidade da ONU informou que o trabalho infantil é uma realidade de mais de 160 milhões de crianças em todo o mundo. O número representa uma em cada dez. De acordo com a FAO, cerca de 70% dessas crianças trabalham na produção agrícola, pecuária, silvicultura, pesca e aquicultura.

A diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, lembrou que o trabalho infantil é uma violação grave dos direitos humanos, mas muitas famílias vulneráveis não têm escolha. Ela disse que as soluções passam pelo o fornecimento de apoio financeiro para comunidades vulneráveis.

Fore afirmou que é preciso concentrar esforços significativos nas áreas rurais, com as famílias, “onde a agricultura é uma importante fonte de sustento”.

O trabalho infantil é geralmente definido como o trabalho que priva as crianças de sua infância, de seu potencial e de sua dignidade, e é prejudicial ao seu desenvolvimento físico e mental. 

Segundo o relatório, 70% do trabalho infantil ocorre na agricultura com 112 milhões de menores. Depois vem o setor de serviços com 20% e a indústria com 10%

OIT/ J. Maillard

Segundo o relatório, 70% do trabalho infantil ocorre na agricultura com 112 milhões de menores. Depois vem o setor de serviços com 20% e a indústria com 10%

Subsistência

No discurso de abertura, o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, disse que o trabalho infantil pode ser evitado. Ele reforçou que a atividade não pode ser vista como uma saída para a pobreza. 

Ryder acredita que o problema pode se transformar em algo “intergeracional” e que as entidades precisam ajudar as pessoas a sair deste círculo vicioso.

Os representantes explicaram que os principais fatores que contribuem para o trabalho infantil nas áreas rurais são baixa renda familiar, poucas alternativas de subsistência, acesso limitado à educação e às inovações.

A pandemia de Covid-19 teve efeitos negativos na subsistência de pequenos agricultores, especialmente nas áreas rurais, aumentando o risco de muitas crianças caírem no trabalho infantil.

Ações

A FAO informou que está promovendo esforços para aumentar a renda das famílias rurais, para que tenham meios de mandar seus filhos para a escola em vez de trabalhar.

O diretor da entidade afirmou que o apoio aos jovens das áreas rurais é fundamental, possibilitando que se “prepararem para o futuro por meio de educação relevante e desenvolvimento de habilidades”, permitindo que tenham oportunidades decentes de emprego.

O evento online é organizado no contexto do Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil e reúne representantes governamentais, produtores e associações, setor privado, sociedade civil, entre outros.
 

COP26: Glasgow minuto a minuto

A COP26 é a maior cimeira sobre o clima organizada pelas Nações Unidas, contando com cerca de 50.000 participantes tanto em pessoa como virtualmente, dos quais 120 são chefes de Estado e de governo e os restantes milhares são participantes e jornalistas reunidos fora do plenário principal para acompanhar os acontecimentos.

OLI SCARFF/AFP/GETTY IMAGES

O secretário-Geral da ONU, António Guterres, reiterou o seu apelo à ação e enviou uma forte mensagem à comunidade internacional, definindo os cinco pontos-chave de ação para os líderes mundiais.

UN / Kiara Worth

Entretanto, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, co-organizador da COP26 (juntamente com Itália), anunciou um pacote de financiamento, como parte da Iniciativa Verde Limpa do Reino Unido, para apoiar a implantação de infraestruturas sustentáveis e tecnologia verde revolucionárias nos países em desenvolvimento.

O Presidente Joe Biden também prometeu que nos próximos dias, os EUA irão anunciar novos compromissos para reduzir as emissões através de medidas nos setores florestal e agrícola, tal como o petrolífero e do gás natural.

PAUL ELLIS/AFP/GETTY IMAGES

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, assumiu também um novo compromisso: o seu país planeia reduzir as suas emissões para o nível zero líquido até 2070.

No entanto, todos os discursos dos últimos dias têm uma coisa em comum: a admiração da força e poder dos jovens no combate às alterações climáticas – apelidados de “Exército do Clima” pelo líder da ONU, António Guterres.

Esse “exército” está claramente presente nas ruas e nos corredores e pavilhões da COP26, alguns deles vestindo os seus traje tradicionais e indígenas. Estão também representados na sala plenária, onde, sentados ao lado de presidentes e de primeiros-ministros, fazem ouvir as suas vozes.

O estado de espírito dos últimos dias é positivo e esperançoso, até ao momento.

Amanhã, os jovens líderes, entre eles a ativista climática sueca Greta Thunberg, deverão apresentar aos líderes mundiais uma carta apelando-lhes para que transformem as suas palavras em ações.

A ação continuará em Glasgow e nós comprometemos-nos a mantê-lo atualizado acerca dos eventos mais importantes!

Para mais informações, consulte o site oficial da COP26 (inglês): https://ukcop26.org

Unicef alerta que futuro de bilhões de crianças depende da COP26

Para a diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, a “COP26 deve ser a COP das crianças”. A mensagem de Henrietta Fore é para os líderes mundiais que estão reunidos em Glasgow, na Escócia, até 12 de novembro, na Conferência da ONU sobre Mudança Climática, COP26.  

A chefe do Unicef lembra que 1 bilhão de crianças correm um risco extremamente alto de sofrer com os impactos da mudança climática, pois vivem em uma das 33 nações mais ameaçadas pelo problema. 

Futuro sem emissões  

1 milhão de árvores foram replantadas em projeto de reflorestação na RD Congo.

Foto: CIFOR/Axel Fassio

1 milhão de árvores foram replantadas em projeto de reflorestação na RD Congo.

Fore declarou que os líderes mundiais que estão na COP26 “tem uma oportunidade importante e urgente de reconduzir o terrível caminho em que nos encontramos”. Ela pediu uma redução rápida e significativa das emissões de gases de efeito estufa, já que o futuro de bilhões de crianças depende disso.  

O Unicef apresenta dados sobre como a mudança climática está impactando a vida das crianças: praticamente todos os menores estão expostos a pelo menos um perigo ambiental, como ondas de calor, ciclones, poluição do ar, enchentes e escassez de água.  

Choques climáticos  

A perda das camadas de gelo acelera o aquecimento global.

Foto: © NASA/Kathryn Hansen

A perda das camadas de gelo acelera o aquecimento global.

O mundo tem ainda 850 milhões de crianças que vivem em áreas onde pelo menos quatro choques climáticos se sobrepõe. A agência lembra que melhorar a resiliência de serviços essenciais é o melhor investimento para reduzir riscos. 

O Unicef apresenta algumas propostas, como aumentar o acesso a serviços de água, saneamento e higiene, o que pode reduzir os riscos para 415 milhões de crianças.  

Crianças em 2050  

Adolescentes limpam praias no Equador.

Foto: © UNICEF/Johanna Alarcón

Adolescentes limpam praias no Equador.

A agência ressalta que ação na COP26 é algo imperativo e por isso faz um apelo aos países desenvolvidos, para que cumpram com a promessa e repassem US$ 100 bilhões por ano para o financiamento climático.  

Segundo o Unicef, sem fortes investimentos em adaptação climática e resiliência de serviços básicos, 4,2 bilhões de crianças que deverão nascer nos próximos 30 anos enfrentarão riscos muito maiores de sobrevivência e de bem-estar.  

A agência lembra que as vozes das crianças e dos jovens precisam ser ouvidas e levadas em conta nas negociações formais da COP26.  

Web Summit começa em Lisboa; ONU destaca “epidemia da desinformação”

Secretário-geral envia mensagem aos quase 40 mil participantes da maior conferência de tecnologia do mundo; António Guterres lembra que informações coletadas online estão sendo utilizadas para “influenciar opiniões, manipular comportamentos e violar os direitos humanos”.  

Guterres na COP26: “É tempo de dizer basta!”

Foto UNFCCC

O Acordo de Paris foi assinado há 6 anos, 6 anos que são também os mais quentes desde que há registo. Foi com esta ideia que o secretário-geral da ONU, António Guterres, iniciou a sua intervenção na Conferência do Clima sobre Alterações Climáticas – COP26 – que começou este domingo em Glasgow, no Reino Unido.

O líder da ONU lembrou que a nossa dependência dos combustíveis fósseis está a levar a Humanidade ao abismo e que “é tempo de parar de brutalizar a biodiversidade, de nos matarmos a nós próprios com carbono, de tratar a natureza como esgoto.”

Guterres sublinhou que o planeta está “a mudar diante dos nossos olhos desde as profundezas dos oceanos até ao cume das montanhas, dos glaciares que se derretem aos impiedosos eventos climáticos extremos.”

Neste contexto, para o diplomata português é uma ilusão pensar que o mundo está no caminho certo para combater a emergência climática, porque os compromissos assumidos até agora para a redução de emissões “ainda condenam o mundo ao aumento calamitoso 2.7 graus”, muito aquém da meta de 1.5 graus.

Foto UNFCCC

Ação climática

Perante este cenário, Guterres explicou o que é necessário fazer para travar o aquecimento global e combater as alterações climáticas: “A ciência é clara. Sabemos o que é necessário fazer. Primeiro, temos de manter viva a meta de 1,5 grau. Isto requer mais ambição na mitigação e ação imediata para reduzir a emissões em 45% até 2030”.

O secretário-geral da ONU evidenciou que os países do G20 têm uma responsabilidade acrescida neste processo, uma vez que são responsáveis por 80% das emissões. E se os países desenvolvidos devem liderar o processo, também os países em vias de desenvolvimento têm que contribuir, lembrou Guterres, apelando que “os países desenvolvidos e as economias emergentes construam coligações capazes de criar as condições financeiras e tecnológicas para acelerar a descarbonização da economia e a eliminação do carvão.”

Para o ex-primeiro-ministro de Portugal, se os compromissos forem insuficientes até ao final desta COP, “os países devem revisitar seus planos e políticas climáticas nacionais.”

Países tentarão acordar metas mais ambiciosas para reduzir emissões e combater as alterações climáticas. Foto; UNFCCC

Proteção e financiamento

No seu discurso, António Guterres enfatizou ainda a necessidade de proteger os mais vulneráveis dos perigos das alterações climáticas, lembrando que na última década 4 mil milhões de pessoas sofreram com desastres relacionados com o clima e que a “devastação só deverá continuar a aumentar.”

O líder da ONU sublinhou ainda que a COP deve ser um momento de solidariedade e que os países desenvolvidos devem honrar o seu compromisso de disponibilizar 100 mil milhões de dólares por ano para financiar a ação climática.

Guterres terminou a sua intervenção lembrando que as sirenes estão a soar e que o Planeta nos está a avisar e fazendo um apelo à comunidade internacional: “escolham a ambição, escolha, solidariedade, escolham salvaguardar o futuro da Humanidade.”

Produção agrícola pode cair 80% até 2050 em países africanos 

As plantações de alimentos básicos podem diminuir em pelo menos 80% até 2050 em oito países africanos. Os dados são do relatório divulgado pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Fida. 

O documento explica que as reduções, causadas pelo aumento da temperatura global, poderiam ter um impacto catastrófico, aumentando a pobreza e limitando a disponibilidade de alimentos. 

Compromissos 

A publicação ressalta que é urgente a necessidade de financiamento para ajudar agricultores vulneráveis ​​na adaptação de seus cultivos. 

Queda na produtividade pode levar ao aumento da fome e da pobreza.

PMA/Bruno Djoye

Queda na produtividade pode levar ao aumento da fome e da pobreza.

O fundo também alertou que a COP26 não terá um impacto duradouro se os líderes mundiais continuarem a priorizar a mitigação e negligenciar os investimentos em adaptação climática. 

O relatório comprova que se nenhuma mudança for feita nas práticas agrícolas ou políticas globais, o aumento de cerca de 2°C na temperatura global terá impacto devastador na produção de alimentos básicos e cultivos de pequenos agricultores em diversos países da África. 

Reforçando a necessidade de investimentos em ações para adaptações às mudanças climáticas, a vice-presidente do Departamento de Estratégia e Conhecimento do Fida, Jyotsna Puri, afirma que a cada US$ 18 gastos em mitigação, apenas US$ 1 atende às iniciativas de adequação aos novos desafios. 

Lacunas 

O estudo do Fida afirma que, embora nenhum país esteja imune aos impactos das mudanças climáticas, os pequenos agricultores dos países em desenvolvimento são os mais vulneráveis ​​e os menos capazes de lidar com a situação.  

Eles produzem um terço dos alimentos do mundo e até 80% em algumas áreas da África e da Ásia, mas recebem menos de 2% dos fundos investidos globalmente em financiamento climático. 

Ifad recomenda investimentos para plantar safras alternativas diversificadas

Unicef/Asselin

Ifad recomenda investimentos para plantar safras alternativas diversificadas

De acordo com o documento, o baixo investimento para a adaptação terá um efeito cascata em todo o mundo.   

A queda na produtividade das safras pode levar à alta dos preços dos alimentos, à diminuição da disponibilidade de alimentos e ao aumento da fome e da pobreza. Isso poderia desencadear um aumento da migração, conflito e instabilidade.  

No último ano, em todo o mundo uma em cada dez pessoas vivia com fome. No continente africano, o número sobe para uma em cada cinco pessoas. 

Adaptação 

De acordo com as conclusões do relatório, o impacto da mudança climática inevitavelmente forçará mudanças fundamentais nas escolhas de safras locais e práticas agrícolas até 2050 nesses países.  

Os investimentos recomendados incluem plantar safras alternativas diversificadas, plantar variedades variadas e adaptadas localmente, utilizar diferentes técnicas de plantio, fortalecer as capacidades e infraestrutura de armazenamento e processamento e cadeias de valor à prova de clima e melhorar o acesso e a gestão da irrigação. 

Puri conclui que a COP26 é “um ponto de inflexão para a humanidade” e que não se pode “desperdiçar a oportunidade de limitar o aumento da temperatura e apoiar agricultores a se tornarem resilientes aos efeitos das mudanças climáticas”. 

COP26 abre com expectativas de ação imediata pelo planeta 

A 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, COP26, abre este domingo em Glasgow, na Escócia. Na segunda e terça-feira, mais de 100 chefes de Estado discursam na Cúpula dos Líderes Mundiais ligada ao evento. 

O secretário-geral também participa da reunião e do evento Ação e Solidariedade – a década crítica. António Guterres exige medidas ousadas e novas políticas para enfrentar a mudança climática, eliminar o carvão e investir em tecnologias limpas.  

Profundas reduções 

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, Ipcc, recomenda que o mundo aposte em profundas reduções de emissões para atingir um aquecimento da temperatura de 1,5 ° C até o final do século como prometido no Acordo de Paris. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, exige medidas ousadas e novas políticas para enfrentar a mudança climática

Foto ONU/Evan Schneider

O secretário-geral da ONU, António Guterres, exige medidas ousadas e novas políticas para enfrentar a mudança climática

A ONU quer solidariedade global para apoiar mudanças em países menos avançados. Antes, Guterres disse que Glasgow pode ser “um ponto de virada” para um mundo mais seguro e verde para futuras gerações, mas que é preciso uma ação imediata para isso. 

Uma das recomendações é reduzir as emissões globais em 45% até 2030. O pedido feito a economias desenvolvidas e de rendimento médio é que acelerem a ação em favor da meta de 1,5 ° C, por serem as maiores responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa. 

A capital escocesa será o centro da mobilização de financiamento público e privado para apoiar os mais vulneráveis na crise climática. Com as alterações do clima outro alvo é enfatizar que é preciso apoiar comunidades e seus habitats. 

Alerta 

Ações nesse sentido incluem apoio à adaptação visando proteger e restaurar os ecossistemas, construindo mecanismos de defesa, sistemas de alerta e infraestrutura resiliente. 

Capital escocesa será o centro da mobilização de financiamento público e privado para apoiar os mais vulneráveis na crise climática

Ocha/Eve Sabbagh

Capital escocesa será o centro da mobilização de financiamento público e privado para apoiar os mais vulneráveis na crise climática

Glasgow deve ainda mobilizar finanças de acordo com promessas das nações ricas de canalizar US$ 100 bilhões por ano para se mitigar o aumento da temperatura. 

Outra grande meta é mobilizar a atuação conjunta para ajudar a cumprir os propósitos globais, reforçando as colaborações entre governos, empresas e sociedade civil. 

Para além de negociações formais que iniciam este domingo, a COP26 deve anunciar novas iniciativas e coalizões para impulsionar ações climáticas. 

Novos recordes 

Neste domingo um relatório destaca que as concentrações de gases de efeito estufa atingiram novos recordes. Enquanto os níveis de dióxido de carbono, CO2, foram de 413,2 partes por milhão, os de metano, CH4, chegaram a 1889 partes por bilhão e do óxido nitroso, N2O, alcançaram a marca de 333,2 ppb. 

Setores de petróleo e gás carecem de regulamentação mais rigorosa das emissões do metano

Banco Mundial/Curt Carnemark

Setores de petróleo e gás carecem de regulamentação mais rigorosa das emissões do metano

Os novos máximos equivalem a 149%, 262% e 123% acima dos níveis pré-industriais. O aumento continuou em 2021, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial. 

As concentrações recordes de gases de efeito estufa e o calor acumulado associado empurram o planeta para um território desconhecido, com repercussões de longo alcance para as gerações atuais e futuras.  

Um resfriamento temporário do fenômeno “La Niña”, que aconteceu no início do ano, colocará 2021 entre o quinto ao sétimo ano mais quente já registrado. Mas a situação não reverte a tendência de longo prazo de aumento das temperaturas. 

Metano na atmosfera 

Em relação ao metano, o Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, alerta que o gás lançado diretamente na atmosfera é mais de 80 vezes mais potente do que o CO2 em um horizonte de 20 anos. Mas a diferença é a vida útil na atmosfera que é relativamente curta: entre 10 a 12 anos. 

A diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, diz que reduções de metano devem acompanhar ações globais para descarbonizar o sistema de energia para limitar o aquecimento a 1,5 ° C, conforme o estipulado no Acordo de Paris. 

As ações para cortar as emissões de metano podem baixar de forma mais imediata a taxa de aquecimento e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade do ar.  

O teste climático de Glasgow

A crise climática é um alerta vermelho para a humanidade. Líderes mundiais serão colocados à prova em breve na Conferência da ONU para o Clima – conhecida como COP26 – em Glasgow. Suas ações – ou a falta delas – mostrarão a seriedade com a qual estão tratando esta emergência planetária.

Os sinais de alerta não passam desapercebidos: em todos os lugares as temperaturas estão aumentando; a biodiversidade está alcançando novas baixas; os oceanos estão se acidificando e sufocando com lixo plástico. O aumento das temperaturas transformará vastas áreas do nosso planeta em zonas mortas para a humanidade até o fim do século.

A cidade escocesa de Glasgow se prepara para acolher milhares de delegados na COP26.

Unsplash/Adam Marikar

A cidade escocesa de Glasgow se prepara para acolher milhares de delegados na COP26.

E a respeitada publicação médica The Lancet acaba de descrever a mudança climática como a “narrativa definidora da saúde humana” nos próximos anos – uma crise definida pela fome generalizada, doenças respiratórias, desastres mortais e surtos de doenças infecciosas que podem ser piores do que a COVID-19.

Apesar destes alarmes assustadores, vemos novas evidências nos últimos relatórios da ONU de que as ações de governos simplesmente não ajudam no que é desesperadamente necessário.

Anúncios recentes para ação climática são bem-vindos e cruciais – mas, mesmo assim, nosso mundo está na rota para que a temperatura global calamitosamente aumente acima de dois graus Celsius.

Esta é uma súplica distante do objetivo de 1,5 grau Celsius com o qual o mundo se comprometeu no Acordo de Paris – uma meta que a ciência nos avisa ser o único caminho sustentável para nosso mundo.
 
Este objetivo é completamente alcançável. Se pudermos reduzir as emissões de carbono em 45%, se comparado aos níveis de 2010 nesta década. Se pudermos alcançar a neutralidade de carbono até 2050. E se os líderes mundiais chegarem em Glasgow com objetivos corajosos, ambiciosos e comprováveis em 2030 e políticas novas e concretas para reverter este desastre.

Os líderes do G20, em particular, precisam oferecer. O tempo já passou para delicadezas diplomáticas. Se governos – especialmente governos do G20 – não se levantarem e liderarem este esforço, rumaremos para um terrível sofrimento humano.

Mas todos os países precisam perceber que o antigo modelo de desenvolvimento de queima de carbono é uma sentença de morte para suas economias e para o nosso planeta.

Precisamos descarbonizar agora, em cada setor de economia e em cada país. Precisamos trocar os subsídios dos combustíveis fósseis por energia renovável e taxar a poluição e não as pessoas. Precisamos colocar um preço no carbono e direcioná-lo de volta para empregos e infraestruturas resilientes.

E precisamos eliminar carbono – até 2030, nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, e até 2040 para todos os demais. Um maior número de governos tem se comprometido a parar de financiar o carbono – e financiadores privados devem fazer o mesmo, urgentemente.

Com razão, as pessoas esperam dos governos que as lideram. Mas todos temos a responsabilidade de garantir nosso futuro coletivo.

Empresas devem reduzir seu impacto climático e alinhar, de maneira completa e crível, suas operações e fluxos financeiros a um futuro de carbono zero. Sem maiores desculpas, sem mais greenwashing. (**)

Secretário-geral dastacou a liderança dos países da América Latina e do Caribe na ação climática

OMM/Shravan Regret Iyer

Secretário-geral dastacou a liderança dos países da América Latina e do Caribe na ação climática

Investidores – públicos e privados – precisam fazer o mesmo. Eles devem se unir, como pioneiros de uma aliança proprietária de recursos de carbono zero, e o próprio Fundo de Pensão da ONU, que em 2021 atingirá os objetivos de investimento de redução de carbono, antes do tempo previsto e acima da meta, com redução de 32% neste ano.

Indivíduos em todas as sociedades precisam fazer escolhas melhores e mais responsáveis sobre o que comem, como viajam e o que compram.

E os jovens – e ativistas climáticos – precisam continuar a fazer o que estão fazendo: demandando ação de seus líderes e os responsabilizando por isso.

Acima de tudo, precisamos de solidariedade global para ajudar os países a fazer esta transição. Os países em desenvolvimento estão lutando com crises de dívida e liquidez. Eles precisam de apoio.

Desastres hídricos ou relacionados ao tempo e ao clima ocorreram praticamente todos os dias, nos últimos 50 anos, matando em média 115 pessoas diariamente

OMM/Daniel Pavlinovic

Desastres hídricos ou relacionados ao tempo e ao clima ocorreram praticamente todos os dias, nos últimos 50 anos, matando em média 115 pessoas diariamente

Bancos públicos e multilaterais de desenvolvimento precisam aumentar significativamente seus portifólios de clima e intensificar seus esforços para ajudar os países na transição para economias resilientes e de emissão zero. O mundo desenvolvido precisa urgentemente chegar ao comprometimento de pelo menos 100 bilhões de dólares de financiamento climático anual para os países em desenvolvimento.

Doadores e bancos de desenvolvimento multilaterais devem alocar pelo menos metade do financiamento climático para adaptação e resiliência.

As Nações Unidas foram fundadas há 76 anos para construir consenso para ação contra as grandes ameaças que a humanidade enfrentava. Mas raramente enfrentamos uma crise como esta – uma verdadeira crise existencial – que, se não for enfrentada, ameaça não apenas a nós, mas as gerações futuras.

Só há um caminho à frente. Um futuro com 1,5 grau Celsius é o único futuro viável para a humanidade.

Os líderes precisam seguir com o trabalho em Glasgow, antes que seja tarde demais. 
 

(*) António Guterres é secretário-geral das Nações Unidas 

(**) prática de maquiagem sustentável para melhorar imagem empresarial
 

COP26: Teste os seus conhecimentos!

Quão bem está realmente informado acerca das alterações climáticas e da COP26? Teste os seus conhecimentos com o nosso quiz e some pontos! (As respostas estão no final do artigo)

UN Photo/Manuel Elias

Está pronto? Vamos a isto!

  1. Quem disse: “Devemos perceber, de uma vez por todas, que, em face de certos fenómenos, como as alterações climáticas e o aquecimento global, a espécie humana encontra-se, ela própria, ameaçada.” (1 ponto + 0.5 ponto bónus se souber o ano)
  1. A ativista sueca, Greta Thunberg
  2. O presidente da república, Marcelo Rebelo de Sousa
  3. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres

    UN Photo/Evan Schneider
  1. Apenas quatro Estados-membros das Nações Unidas é que ainda não ratificaram o Acordo de Paris de 2015 sobre as Alterações Climáticas. Nomeie pelo menos um deles. (1 ponto por país)
  2. A COP15 em Copenhaga foi considerada um falhanço por muitos, mas também foi alvo de conversas devido a uma figura notável que invadiu uma reunião privada entre os líderes da Índia, da China, da África do Sul e do Brasil. Quem foi essa figura? (1 ponto)
  1. O ator e ativista, George Clooney
  2. O famoso atirador de tartes belga Noël Godin, também conhecido por Georges le Gloupier
  3. O antigo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama
  1. O que é que Bombaim, Miami e as Maldivas têm em comum, de uma perspetiva climática? (2 pontos)
  2. A COP26 vai-se realizar na Escócia, um país lindo, mas que não é propriamente conhecido pelo seu clima quente e solarengo. Sabe qual é a a palavra que melhor define o as previsões para o tempo em Glasgow durante a COP26 no dialeto escocês (2 pontos)
  1. Mochie
  2. Dreich
  3. Drookit
  1. Que super poder climático têm todas as algas e florestas? (2 pontos)
  2. Que banda famosa de K-Pop foi nomeada como Embaixadora da Boa Vontade para a COP26? (1 ponto)
  1. BTS
  2. BLACKPINK
  3. XTC
  1. O que significa o acrónimo “COP”? (1 ponto)
  1. Conferência dos presidentes
  2. Conferência das partes
  3. Conferência dos protetores do clima
  1. Quando e onde teve lugar a primeira COP? (2 pontos)
  1. 1995, Berlim
  2. 1992, Estocolmo
  3. 1998, Rio de Janeiro
  1. Como é que o líder da ONU, António Guterres, descreveu as conclusões do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla inglesa) no seu relatório de Agosto deste ano, onde foi demonstrado que se a redução de emissões de gases de efeito estufa não for rápida e em larga-escala, não se conseguirá limitar o aquecimento global médio a 1,5ºC? (5 pontos)
  1. Um ponto de viragem para a ação climática
  2. Em direção a uma catástrofe climática
  3. Um alerta vermelho para a humanidade

 

Respostas:

  1. Marcelo Rebelo de Sousa escreveu uma crítica à “cegueira” mundial face às alterações climáticas, elogiando Portugal como um país que tem avançado rapidamente para as evitar. Na sua mensagem, o presidente da república chama a atenção que:“Devemos perceber, de uma vez por todas, que, em face de certos fenómenos, como as alterações climáticas e o aquecimento global, a espécie humana encontra-se, ela própria, ameaçada. Se nada fizermos, se nada mudarmos, a humanidade corre o risco de extinção. Um risco que se apresenta num horizonte temporal cada vez mais próximo”. Data: 5 de junho de 2019.
  1. Eritreia, Irão, Iraque, Líbia e Iémen.
  2. Perto do fim da COP21, os Estados Unidos ainda não tinham chegado a nenhum acordo com o Brasil, a África do Sul, a Índia e a China. Quando o antigo presidente Barack Obama foi notificado de que os líderes desses países se estavam a reunir à porta fechada, ele decidiu juntar-se à reunião à frente dos média, dizendo apenas “are you ready?” (estão prontos?).
  3. São áreas em risco de ficarem, completamente, submersas, devido à subida dos níveis da água do mar, nas próximas décadas. De acordo com a NASA, Bombaim poderá ficar submersa em 2050 e Miami é das cidades costeiras mais vulneráveis do mundo. As Maldivas, ilhas cuja economia depende do turismo, está alegadamente a construir uma cidade flutuante para se manter à tona.
  4. Segundo as previsões, vai estar a chover torrencialmente, por isso “drookit” é a palavra mais apropriada no dialeto escocês. A palavra “dreich” descreve o tempo nublado e sem sol, por isso se a chuva decidir parar é possível que o tempo possa ser definido por “dreich”. No entanto, o tempo nunca ficaria “mochie”, que define o tempo húmido mas quente.
  1. São soluções naturais para lutar contra as alterações climáticas, porque são considerados “carbon sinks” (ou seja, consumidores de dióxido de carbono).
  2. A banda coreana BLACKPINK foi anunciada como Embaixadora da Boa Vontade para a COP26 em Fevereiro. No entanto, os BTS também são amigos da ONU, tendo participado proeminentemente na semana da Assembleia Geral deste ano. Os XTC não são uma banda de K-POP, mas sim uma banda pop inglesa dos anos 70.
  1. Conferência das partes.
  2. A COP1 foi realizada em Berlim no ano 1995.
  3. Um alerta vermelho para a humanidade.

Se acumulou mais de 15 pontos neste teste, está de parabéns! É um verdadeiro Ás no que toca a assuntos climáticos e está pronto para acompanhar a COP26 a partir de domingo.

 

Consulte o site oficial: https://ukcop26.org

Limitações para aulas remotas afastam pelo menos 200 milhões de crianças das escolas

Um novo relatório publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, afirma que pelo menos 200 milhões de crianças em idade escolar vivem em 31 países que não possuem recursos para implementar aulas remota.

Se forem necessários futuros fechamentos de emergência de escolas, esse grupo de alunos não terá acesso à educação. O estudo destaca que 102 milhões desses alunos vivem em países que tiveram escolas total ou parcialmente fechadas por pelo menos metade da pandemia de Covid-19.

Alunos de uma escola Primária no Camboja, durante o segundo dia de reabertura da escola. Todos os alunos, professores e o diretor da escola usam máscaras, mantêm o distanciamento físico e seguem outras práticas.

Unicef/Seyha Lychheang

Alunos de uma escola Primária no Camboja, durante o segundo dia de reabertura da escola. Todos os alunos, professores e o diretor da escola usam máscaras, mantêm o distanciamento físico e seguem outras práticas.

Países de média e baixa renda

O índice divulgado pelo Unicef mede o tempo de resposta dos países para fornecer aprendizagem remota durante interrupções na educação presencial e cobre quase 90% dos estudantes em países de renda baixa e média-baixa. 

A análise se concentra em três domínios: a disponibilidade de bens domiciliares e os níveis de educação dos pais, a implantação de políticas e capacitação de professores e a preparação do setor de educação para emergências.

Unicef faz apelo por reaburtura de todas as escolas que ainda estão fechadas devido à pandemia

© UNICEF/Pablo Schverdfinger

Unicef faz apelo por reaburtura de todas as escolas que ainda estão fechadas devido à pandemia

A diretora-executiva da agência, Henrietta Fore, alertou que é possível que aconteçam novas emergências e que não está sendo feito “progresso suficiente para garantir que da próxima vez que alunos sejam forçados a sair da sala de aula, eles tenham opções melhores”.

O relatório descreve as limitações da aprendizagem remota e as desigualdades de acesso, alertando que a situação é provavelmente ainda mais negativa do que mostram os dados disponíveis. 

Além dos países avaliados, outros dados revelam que os jovens enfrentaram desafios com a aprendizagem remota em todo o mundo, inclusive em países de renda maior.

Mais de 100 milhões de crianças cairão abaixo do nível mínimo de proficiência em leitura devido ao impacto do fechamento de escolas

Unesco/Dana Schmidt

Mais de 100 milhões de crianças cairão abaixo do nível mínimo de proficiência em leitura devido ao impacto do fechamento de escolas

O relatório afirma não haver substituto para a aprendizagem presencial. Ainda assim, escolas resilientes com sistemas robustos de aprendizagem remota, especialmente aprendizagem digital, podem fornecer um certo grau de educação durante o fechamento das salas de aula em tempos de emergência. 

O Unicef está trabalhando com parceiros públicos e privados para dar às crianças e jovens acesso igual à aprendizagem virtual de qualidade, com o objetivo de atingir cerca de 3,5 bilhões com soluções de aprendizagem até 2030.

Destaques

Entre 67 países avaliados, o Unicef avaliou que 31 não estão prontos para fornecer ensino à distância em todos os níveis de educação, sendo os alunos da África Ocidental e Central os mais afetados.

A educação pré-primária é o nível de educação mais negligenciado, com muitos países não respondendo de forma rápida as limitações durante a pandemia. 

As crises causadas pela mudança climática também podem impactar significativamente o acesso à educação. Choques ambientais colocaram 196 milhões de crianças em idade escolar em maior risco de interrupções escolares em emergências.

Argentina, Barbados, Jamaica e Filipinas foram os países que pontuaram o maior nível de resposta. 

No entanto, mesmo entre essas nações, há disparidades dentro do país e crianças que vivem em famílias mais pobres ou em áreas rurais são as que têm mais chances de faltar durante o fechamento das escolas.

O relatório afirma que países com renda nacional bruta relativamente baixa obtiveram pontuação acima da média no índice, o que indica possibilidade de cooperação internacional e intercâmbio de melhores práticas.
 

Impacto da pandemia no setor do trabalho foi pior do que o esperado

Um novo levantamento da Organização Internacional do Trabalho, OIT, mostra que as horas de trabalho perdidas devido à pandemia de Covid-19 serão maiores do que o previsto. 

A OIT projeta uma queda de 4,3% nas horas de trabalho globais, na comparação com os números de 2019. O total equivale a 125 milhões de empregos em tempo integral.  

Divergências entre países  

Desafio regional é promover recuperação robusta que ofereça oportunidades de trabalho

Unsplash/Dylan Gillis

Desafio regional é promover recuperação robusta que ofereça oportunidades de trabalho

A entidade faz um alerta: sem financiamento nem apoio técnico, haverá uma enorme divergência na recuperação dos empregos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.  

No terceiro trimestre de 2021, o total de horas trabalhadas em países de renda alta foi 3,6% mais baixo do que no quarto trimestre de 2019, antes da pandemia. Mas nos países de renda média-baixa, a lacuna foi de 7,3%.  

A OIT também faz uma avaliação regional, sendo que as menores perdas de horas trabalhadas ocorreram na Europa e Ásia Central. Por outro lado, África, Américas e países árabes sentiram o maior impacto.  

Impactos da vacinação  

Vacinas de Covid-19 são preparadas nas Filipinas.

Foto: ADB/Eric Sales

Vacinas de Covid-19 são preparadas nas Filipinas.

O estudo explica que a divergência aconteceu devido a grandes diferenças em relação a aplicação das vacinas da Covid-19 e de pacotes de estímulo fiscal. Para cada 14 pessoas que receberam a dose completa da vacina, um posto de trabalho em tempo integral foi adicionado ao mercado de trabalho global.  

A OIT confirma que sem a imunização contra o coronavírus, as horas perdidas de trabalho chegariam a 6%, mais do que as 4,8% atuais. Além das vacinas, pacotes de estímulos fiscais continuam sendo outro fator importante para a recuperação do setor.  

Trajetória estável, mas com riscos  

Mulheres da América Latina foram as mais afetadas pela crise no mercado de trabalho

Foto: Unsplash/wocintechchat

Mulheres da América Latina foram as mais afetadas pela crise no mercado de trabalho

Ainda assim, 86% das medidas de estímulo estão concentradas nos países de renda alta. A Covid-19 também teve um impacto na produtividade dos trabalhadores, sendo que a lacuna entre economias avançadas e menos desenvolvidas foi de 17.5:1 para 18:1 em termos reais.  

O diretor-geral da OIT, Guy Ryder, declarou que o mercado de trabalho está numa trajetória estável de recuperação, mas existe uma grande divergência entre economias desenvolvidas e em desenvolvimento.  

Ryder destacou ainda que “de forma dramática, a distribuição desigual de vacinas e de capacidades fiscais estão liderando essas tendências e são dois fatores que precisam ser tratados com urgência”.