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Agências da ONU pedem respeito a migrantes durante crise na fronteira Belarus-Polônia

Porta-voz da alta comissária da ONU para os Direitos Humanos diz que “situação é terrível, com pessoas morrendo e outras enfrentando inverno intenso”; Acnur lembra que respeito aos direitos humanos é questão suprema. 

Covilhã e Santa Maria da Feira já são Cidades Criativas da UNESCO

UN Photo

A Rede de Cidades Criativas da UNESCO anunciou que a Covilhã e Santa Maria da Feira fazem parte dos municípios selecionadas pela Organização.

Interior da sede da UNESCO. © UNESCO/Christelle ALIX

A Rede de Cidades Criativas da UNESCO (UCCN) divulgou os resultados do convite à apresentação de candidaturas de 2021. Após o processo de avaliação, o director-geral da UNESCO designou 49 novas cidades para se juntarem à Rede de Cidades Criativas da Organização, cujos membros se comprometeram a colocar a cultura e a criatividade no centro das suas políticas de desenvolvimento, estratégias e planos de acção.

De entre as novas 49 cidades de todo o mundo, Portugal fica representado na rede pela Covilhã e por Santa Maria da Feira, que foram selecionadas para as categorias de Design e Gastronomia, respetivamente.

Saiba mais sobre esta iniciativa da UNESCO.

100 anos depois, 50% dos diabéticos ainda enfrentam barreiras no acesso à insulina

O mundo tem cerca de 60 milhões de pessoas com diabetes do tipo 2, que precisam de insulina, mas uma entre duas não tem acesso a este tratamento tão essencial. Em um novo estudo, a Organização Mundial da Saúde revela que “preço alto, pouca disponibilidade e poucos produtores dominando este mercado” são as principais barreiras ao acesso universal.  

Outro fator prejudicial aos pacientes são as falhas nos sistemas públicos de saúde. O diretor-geral da OMS lembra que “os cientistas que descobriram a insulina há 100 anos se recusaram a lucrar com o feito e venderam a patente por apenas um dólar”. 

3 empresas controlam o mercado

Paciente diabético na Nigéria precisou ter o pé amputado.

Foto: WHO/A. Esiebo

Paciente diabético na Nigéria precisou ter o pé amputado.

Mas segundo Tedros Ghebreyesus, “infelizmente o gesto de solidariedade foi ofuscado por uma indústria multibilionária, que criou várias lacunas” no acesso à insulina. 

Ele explica que a OMS trabalha com países e fabricantes para expandir o acesso a um medicamento que pode salvar vidas. Mas apenas três multinacionais controlam mais de 90% do mercado da insulina.  

Cerca de 9 milhões de pessoas com diabetes do tipo 1, que precisam da insulina, conseguem ter uma vida normal. Com a insulina e sem o hormônio, a doença poderia ser fatal. 

Já 60 milhões de pessoas no mundo com diabetes do tipo 2 têm na insulina um aliado para reduzir riscos de falhas nos rins, cegueira e até amputação de membros do corpo.  

Recomendações da OMS 

Raghad vive em campo de refugiados na Jordânia e tem diabetes tipo 1.

Foto: WHO/T. Habjouqa

Raghad vive em campo de refugiados na Jordânia e tem diabetes tipo 1.

O relatório da OMS revela também que três entre quatro pessoas vivendo com diabetes do tipo 2 estão fora da Europa e da América do Norte, mas representam menos de 40% das receitas com a venda da insulina.  

O documento é divulgado nesta sexta-feira para marcar o aniversário de 100 anos da descoberta da insulina e também o Dia Mundial da Diabetes, no domingo, 14 de novembro.  

No relatório, a OMS faz uma série de recomendações para ampliar o acesso: acelerar a produção, diversificando a base manufatureira; regulamentar os preços e o mercado produtor e promovendo a transparência nos preços; garantir que a ampliação no acesso à insulina é acompanhada de um diagnóstico rápido, aumentando ainda o acesso a aparelhos para medir os níveis de açúcar no sangue e para injetar a insulina.  

A agência da ONU afirma que já foram realizados nos últimos meses vários diálogos com empresas e fabricantes, sendo que a indústria se comprometeu com algumas ações, incluindo o desenvolvimento de uma política para melhorar o acesso à insulina biossimilar.  

Comitê da ONU critica Geórgia por não proteger mulher acusada de adultério

Khanum Jeiranova foi achada morta, em aparente suicídio, em 2014, após ser agredida a pauladas por parentes do marido; acusada de infidelidade, ela recusou a pressão da própria família para tomar veneno de rato; vítima deixou dois filhos de 7 e 11 anos, que moveram a ação este ano.

As promessas de Glasgow são “encorajantes”, mas não suficientes

No seu discurso de hoje na COP26, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, destacou os compromissos conseguidos durante as negociações e a importância da cooperação internacional para limitar o impacto do aquecimento global, sem deixar de admitir que os planos apresentados pelos diversos países estão longe de ser ambiciosos o suficiente para concretizar a promessa de limitar o aumento de temperatura médio a 1,5ºC.

O secretário-geral da ONU abriu o seu discurso colocando o enfânse na importância da cooperação internacional para combater as alterações climáticas e limitar o seu impacto, mundialmente. Apesar de elogiar a sociedade civil, os jovens e as comunidades indígenas, entre outros, António Guterres realça que os governos ainda têm muito trabalho a fazer e que, para se limitar o aumento de temperatura global média a 1,5ºC, é essencial que se reduzam 45% das emissões de gases de efeito de estufa até 2030, apesar de as estimativas indicarem que as emissões aumentarão até então.

“Apenas juntos poderemos manter o aumento até 1,5ºC dentro do nosso alcance e o mundo equitativo e resiliente do qual precisamos.”

Os atuais planos estratégicos dos vários países irão conduzir-nos a um aumento de temperatura bastante acima dos 2ºC, segundo o secretário-geral da Organização. Guterres parabeniza o acordo estabelecido entre a China e os Estados Unidos, tal como o compromisso de vários países para acabar e reverter a desflorestação e para suprimir o uso de carvão como fonte de energia. Não obstante, não deixa de chamar a atenção para a futilidade de promessas, enquanto se continua a subsidiar com triliões a indústria dos combustíveis fósseis, a construir centrais energéticas de carvão e a continuar a não colocar um preço nas emissões de carbono.

António Guterres apela às instituições financeiras e aos investidores que apoiem o mundo na transição energética e destaca a parceria estabelecida para a África do Sul conseguir deixar de depender energeticamente das suas centrais de carvão, que deverá ser replicada na Indonésia e no Vietname, “para não deixar ninguém para trás”.

“Os anúncios feitos em Glasgow são encorajantes, mas estão longe de serem suficientes.”

O secretário-geral aproveitou para frisar que os atuais défices de emissões e de adaptação colocam em risco os países mais vulneráveis e menos desenvolvidos, exortando os países participantes para serem mais ambiciosos nos seus planos de ação e a transformarem as suas promessas em ações concretas e verficáveis.

Por fim, Guterres termina o seu discurso com a divulgação de que foi criado um Grupo de Peritos de Alto Nível, que irá propôr “normas claras para medir e analisar os compromissos para a neutralidade carbónica de atores não-estatais”, pedindo aos países que cooperem com este grupo.

Assista ao vivo à COP26.

Conflitos e mudança climática impulsionam alta nos deslocamentos forçados

Os deslocamentos forçados continuam em alta neste ano e o mundo tem agora 84 milhões de pessoas nesta situação. Os dados foram divulgados pela Agência da ONU para Refugiados, Acnur, nesta quinta-feira.  

Segundo a agência, mais pessoas estão fugindo da violência, da insegurança e dos efeitos da mudança climática. Até dezembro do ano passado, 82,4 milhões de civis eram considerados deslocados internos e entre janeiro e junho deste ano, mais 1,6 milhão de pessoas se viram obrigadas a abandonar suas casas.  

Falha da comunidade internacional  

Pai e filho caminham por um campo de deslocados internos perto da cidade de Marib, no Iêmen

© PMA/Annabel Symington

Pai e filho caminham por um campo de deslocados internos perto da cidade de Marib, no Iêmen

O Acnur destaca que muitas pessoas fugiram de conflitos, principalmente na África, mas as restrições nas fronteiras devido à pandemia de Covid-19 também limitou o acesso a pedidos de asilo. 

O alto comissário da ONU para Refugiados  declarou que “a comunidade internacional está falhando em prevenir violência, perseguições e violações de direitos humanos”. Filippo Grandi explica que esses fatores tem levado muitas pessoas a abandonar suas casas, além dos impactos da mudança climática, que estão piorando. 

Dos 84 milhões de desalojados, 51 milhões de pessoas estão vivendo como deslocadas internas, principalmente na República Democrática do Congo e na Etiópia. A violência em Mianmar e no Afeganistão também forçou muitas pessoas a saírem de casa.   

Países africanos mais afetados  

Ocha calcula que conflito em Tigray já fez 2 milhões de deslocados

PMA/Leni Kinzli

Ocha calcula que conflito em Tigray já fez 2 milhões de deslocados

O número de refugiados também subiu no primeiro semestre, batendo a marca de 21 milhões de pessoas, sendo que a maioria dos novos refugiados são de cinco países: República Centro-Africana, Sudão do Sul, Síria, Afeganistão e Nigéria.  

O Acnur explica que a maioria dessas pessoas tenta uma vida melhor em outros países em desenvolvimento e acabam sofrendo uma “uma mistural letal de conflitos, Covid-19, pobreza, insegurança alimentar e emergência climática.” 

Ao apresentar os números, em Genebra, a agência da ONU lamenta que existem poucas soluções para as populações nesta situação. 

No primeiro semestre, apenas 1 milhão de deslocados internos e quase 127 mil refugiados conseguiram retornar para casa. Por isso, o chefe da agência, Filippo Grande, pede mais esforços da comunidade internacional, para que a comunidade afetada pelo deslocamento forçado receba mais apoio.  

Ator Daniel Brühl é o novo embaixador do Programa Mundial de Alimentos

Artista se une ao Programa Mundial de Alimentos, PMA, para promover um mundo sem fome; Daniel Brühl, lembrou que o aquecimento global intensifica a insegurança alimentar e tem potencial de impactar até 1,8 bilhão de pessoas em um cenário de elevação da temperatura em 4°C.

ONU alerta para piora de crise alimentar na República Democrática do Congo

As Nações Unidas revelam que a crise de segurança alimentar na República Democrática do Congo está bem longe do fim.

Cerca de 27 milhões de congoleses, ou um quarto da população do país africano, sofrem com uma emergência aguda de falta de alimentos.

Crianças em Kivu Norte, na RD Congo.

Foto: © UNICEF/Olivia Acland

Crianças em Kivu Norte, na RD Congo.

Violência

O alerta do Programa Mundial de Alimentos, PMA, ressalta que agências humanitárias precisam aumentar a assistência à RD Congo para evitar uma piora do quadro nos próximos meses.

Uma análise da Fase de Classificação Integrada de Segurança Alimentar, IPC na sigla em inglês, sugere que fatores como deslocados por violência, fracasso da infraestrutura e baixas colheitas pioraram a fome no país.

O número de pessoas que se encaixam na categoria de insegurança alimentar aguda é maior que em qualquer outro país africano.

O documento mostra áreas ao redor da capital congolesa, Kinshasa, gravemente afetadas, e um aumento da fome em números alarmantes. Uma realidade que deve permanecer até o primeiro semestre de 2022.

A previsão é de piora para grupos mais vulneráveis incluindo crianças de colo, grávidas e mães que amamentam.

Criança com desnutrição sendo observada em Kalemie, na República Democrática do Congo

PMA/Arete/Fredrik Lerneryd

Criança com desnutrição sendo observada em Kalemie, na República Democrática do Congo

Devastação

Muitas pessoas na República Democrática do Congo vivem uma situação desesperadora com vários obstáculos como insegurança, doenças, devastação ambiental e baixo acesso a serviços financeiros.

O representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, Aristide Ongone, disse que a única forma de romper este ciclo para os congoleses é através de assistência para o aumento de resiliência e produtividade.

Já o chefe do PMA no país africano, Peter Musoko, afirma que os dados da análise, divulgada pela ONU, são um abrir de olhos para que haja mudança na estratégia de parceria com o governo, o setor privado e outras partes.

A RD Congo vive uma crise política prolongada há mais de duas décadas com efeitos arrasadores, além de desastres naturais agravados pela Covid-19.

As medidas de contenção da pandemia levaram a uma piora da economia com a desvalorização da moeda e o desemprego de milhões de trabalhadores até mesmo no setor informal.

Um grupo de requerentes de asilo congoleses espera no ponto de fronteira, após cruzar para o Uganda devido aos conflitos

© Acnur

Um grupo de requerentes de asilo congoleses espera no ponto de fronteira, após cruzar para o Uganda devido aos conflitos

200 mil alunos

A FAO informou que precisa de US$ 65 milhões para atender 1,1 milhão de congoleses, mas até o momento pouco mais 5% deste total foram entregues.

Este ano, a agência da ONU levou sementes e instrumentos agrícolas a quase 160 mil produtores rurais facilitando quase 10 mil toneladas de alimentos.

Já o PMA diz precisar de US$ 99 milhões até abril. A agência quer chegar a 8,7 milhões de pessoas na RD Congo ainda este ano com assistência de cupons de alimentos, nutrição e outros recursos.

Os programas de merenda escolar do PMA esperam alcançar 200 mil alunos entre este ano letivo e o próximo. A meta até 2024 é atingir meio milhão de crianças congolesas.

Agências pedem resolução urgente da situação entre Polônia e Belarus

Acnur e OIM estão em contato com governos dos dois países para resolver crise nas fronteiras; Unicef faz apelo por proteção das crianças nas divisas da União Europeia; várias mortes já foram confirmadas nas últimas semanas. 

Pandemia pode causar falta de mais de 1 bilhão de seringas em 2022

O mundo tem a capacidade de fabricar cerca de 6 bilhões de seringas por ano, mas até 2022 poderá enfrentar um déficit de mais de 1 bilhão de unidades. Esta é uma situação provável se a produção continuar no nível atual.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, disse que está também iminente a escassez de agulhas para campanhas regulares de imunização no próximo ano.

Campanhas 

Falando nesta terça-feira a jornalistas, em Genebra, a especialista da agência para o Acesso a Medicamentos e Produtos de Saúde, Lisa Hedman, contou que o cenário causa preocupação.

A representante da OMS explicou que a reutilização de seringas, mesmo depois de esterilizadas, não é aconselhável, pois as bactérias nocivas continuam presentes. 

OMS pediu planejamento das necessidades nacionais com grande antecedência para evitar “acumulação, pânico e falta de equipamento de proteção individual

© Unicef/Ruel Pableo

OMS pediu planejamento das necessidades nacionais com grande antecedência para evitar “acumulação, pânico e falta de equipamento de proteção individual

Ela também observou que as seringas eram particularmente propensas a atrasos no transporte, porque ocupavam 10 vezes o espaço de uma vacina.

Fabricantes 

A especialista alertou que uma geração de crianças pode perder as vacinas programadas, a menos que os fabricantes encontrem uma maneira de fazer mais seringas descartáveis de uso único. 

Segundo ela, considerando a magnitude do número de injeções administradas em resposta à pandemia, não se está em posição “de permitir atalhos, carências ou qualquer coisa que não seja a segurança total para pacientes e profissionais de saúde”.

Mais de 6,8 bilhões de doses de vacinas contra a Covid-19 estão sendo administradas globalmente por ano, o que é quase o dobro do número de vacinas de rotina entregues nesse período.
De acordo com Lisa Hedman, a falta de seringas é uma possibilidade real. 

Proteção individual

O apelo feito às autoridades nacionais de saúde é que planejem as necessidades com grande antecedência para evitar “acumulação, pânico e o tipo de situação” observada no início da pandemia, quando houve falta de equipamento de proteção individual.

A especialista destacou que uma escassez global de seringas  pode levar a problemas sérios, como desaceleração dos esforços de imunização, bem como preocupações com a segurança”.
 

Polícia da ONU: o seu contributo

A Polícia da ONU completa 61 anos, contando durante os anos com dezenas de milhares de mulheres e homens na sua força policial, provenientes de 129 países diferentes, mas unidos naquela que é a missão das Nações Unidas para um futuro próspero e em paz para a humanidade.

A missão da Polícia da ONU é reforçar a paz e a segurança internacionais, apoiando os Estados Membros em situações de conflito, pós-conflito e outras situações de crise. O seu objectivo é a realização de serviços policiais eficazes, eficientes, representativos, reactivos e responsáveis que sirvam e protejam as populações dos Estados. Para o efeito, a Polícia das Nações Unidas constrói e apoia e, por vezes, atua como um substituto da polícia do Estado anfitrião para prevenir e detetar o crime, proteger vidas e manter a ordem e segurança públicas, em conformidade com o Estado de direito e o direito internacional dos direitos humanos.

MINUSMA/Marco Dormino

A Polícia das Nações Unidas tem expandido a sua presença no mundo para cumprir os mandatos do Conselho de Segurança, que são cada vez mais complexos, e para responder às necessidades dos Estados anfitriões. Neste momento, a força policial da ONU conta com 12.400 mulheres e homens, oriundos de mais de 90 países, e está a servir em 15 operações de paz, entre outras missões de pequena escala.

MINUSMA/Marco Dormino

Ao auxiliar as autoridades dos Estados anfitriões a manter a lei e a ordem, a proteger os civis, e a envolver as populações locais através do policiamento comunitário, a Polícia das Nações Unidas ajudou a construir o caminho da paz e estabilidade em algumas das maiores missões de manutenção da paz da ONU, incluindo na Costa do Marfim, Libéria, e no Darfur, garantindo a transição de uma situação de conflito para uma de paz e conseguindo entregar as responsabilidades primárias de segurança aos seus homólogos nos Estados anfitriões.

UN Photo/Nektarios Markogiannis

Num artigo de opinião para a ONU News, o chefe da força internacional das Nações Unidas, Luís Carrilho, afirma que:

“Todos os dias, mantemos a lei e a ordem, protegemos a população e reforçamos a proteção dos grupos sociais mais vulneráveis através da prestação de apoio operacional direto à polícia do Estado-anfitrião e a outras agências de aplicação da lei, ou através do desenvolvimento das capacidades de liderança das atuais chefias, enquanto preparamos a próxima geração de polícias e líderes para assumirem eles próprios essas mesmas responsabilidades.”

A Polícia da ONU é essencial dentro do sistema das Nações Unidas, fornecendo não só serviços de policiamento, como também a sua perícia. Recentemente, a sua assistência incluiu o apoio para garantir a segurança eleitoral no Malawi e no Uganda, a práticas que respondem às questões de género na Libéria e o policiamento baseado nos direitos humanos no âmbito da Covid-19 em Angola, Moçambique, Tanzânia e Zâmbia.

Proteção da saúde contra efeitos da mudança climática esbarra em financiamento

Apenas 25% dos países que participaram de uma análise da Organização Mundial da Saúde, OMS, conseguiram implementar ações para proteger a saúde da população dos efeitos da mudança climática. 

A agência da ONU explica que 77% das nações avaliadas já desenvolveram ou estão criando planos que unem saúde e mudança climática. Mas a falta de financiamento impede que as estratégias sejam de fato colocadas em prática.  

Ponto focal  

Profissional de saúde examina crianças em Mkaka, no Malauí, para determinar se elas são elegíveis para a vacina contra malária

PATH

Profissional de saúde examina crianças em Mkaka, no Malauí, para determinar se elas são elegíveis para a vacina contra malária

Além de não terem dinheiro, os países citam também o impacto da Covid-19 e recursos humanos insuficientes para que as estratégias sejam implementadas.  

A Pesquisa Global da OMS sobre Saúde e Mudança Climática deste ano revela que 85% dos países já tem um ponto focal para o assunto dentro do Ministério da Saúde. Além disso, quase todas as nações pesquisadas incluíram a questão da saúde nas suas Contribuições Nacionalmente Determinadas, CNDs.  

Para a diretora de Meio Ambiente, Mudança Climática e Saúde da OMS, a pesquisa mostra “que muitos países estão despreparados e sem apoio para lidar com os impactos da mudança climática na saúde”. 

Poluição do ar  

Emissões com a queima de carvão contribuem para a poluição em Ulaanbaatar, na Mongólia.

Foto: ADB/Ariel Javellana

Emissões com a queima de carvão contribuem para a poluição em Ulaanbaatar, na Mongólia.

Maria Neira está na COP26, em Glasgow, para “garantir que juntos, os países possam fazer um trabalho melhor em proteger as pessoas das maiores ameaças à saúde humana”. 

A especialista da OMS dá um exemplo: quase 80% das mortes causadas pela poluição do ar poderiam ser evitadas se os níveis atuais de poluição fossem reduzidos, seguindo as recomendações da agência da ONU. 

A pesquisa aponta ainda que minorias étnicas, comunidades mais pobres, migrantes e deslocados internos, idosos e muitas mulheres e crianças são os grupos que mais precisam de proteção.  

Aproximadamente metade dos países reportaram que a pandemia de Covid-19 causou uma lentidão nos progressos de combate à mudança climática, sendo que a situação continua ameaçando a capacidade das autoridades de saúde em planejarem e se prepararem para os choques climáticos.  

Novo lançamento na COP26 detalha como “refrescar” as cidades 

Um guia lançado na 26ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, COP26, acontecendo em Glasgow, contém orientações detalhadas para ajudar cidades a enfrentar o aquecimento global. 

A subida da temperatura em áreas urbanas está duas vezes acima da taxa média de todo o mundo, segundo a publicação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, e parceiros. 

Combinação de fatores 

Com o título “Vencendo o Calor: um Manual de Arrefecimento Sustentável para Cidades”, o guia descreve como centros urbanos aquecem rapidamente devido ao chamado “efeito ilha de calor”. 

A situação é causada pela combinação de fatores como redução na cobertura verde, propriedades térmicas dos materiais comumente usados ​​em superfícies urbanas e resíduos de calor devido às atividades humanas.  

Sugestões para cidades sustentáveis incluem plantar mais árvores nas ruas e prever superfícies frias e reflexivas

Unsplash/chuttersnap

Sugestões para cidades sustentáveis incluem plantar mais árvores nas ruas e prever superfícies frias e reflexivas

O Pnuma alertou que no final deste século, muitas cidades podem aquecer até 4 °C se as emissões de gases de efeito estufa continuarem em altos níveis. O manual oferece perspectivas para refrescar cidades de maneira sustentável e igualitária.  

As novas ideias incluem garantir ainda no planejamento das cidades sugestões de uma área mínima e distribuição de espaços verdes ou azuis, maior ventilação e gerenciamento de calor residual. 

Outras sugestões são prever árvores nas ruas, superfícies frias e reflexivas que impedem a absorção de calor e o uso de edifícios para aumentar sombras em áreas públicas. 

Superaquecimento  

Paris é um dos exemplos ilustrados pelos métodos usados para combater o superaquecimento nas cidades com um sistema de resfriamento urbano desde 1991.  

Escritórios, bancos, lojas, hotéis, museus e outros edifícios da capital francesa são refrescados com água do rio Sena. Com a temperatura da água abaixo de 8 ° C, o líquido é distribuído por torres de resfriamento. 

As chamadas “superquadras” de Barcelona elucidam o sucesso em termos ecológicos no planejamento urbano.  Desde 2016, seis quarteirões da cidade espanhola foram reaproveitados para minimizar o tráfego e oferecer espaço a ser usado pela comunidade.  

Paris já implementa medidas que melhoraram qualidade e segurança do ar

Unesco/M. Ravassard

Paris já implementa medidas que melhoraram qualidade e segurança do ar

A também conhecida como Cidade Luz quer converter 21 ruas e 21 cruzamentos do mesmo distrito entre 2022 e 2032. O projeto compreende uma em cada três ruas de um bairro em Paris, na iniciativa que visa melhorar a qualidade e a segurança do ar. 

Já nos Estados Unidos, foram citados exemplos de uso de serviços de redução de calor com edifícios com árvores na cobertura. Estima-se que o valor das iniciativas urbanas esteja entre US$ 5,3 bilhões a US$ 12,1 bilhões anuais.  

Dias quentes 

Em nível global, calcula-se que investir US$ 100 milhões em árvores de rua daria para que 77 milhões de pessoas se beneficiem com uma redução de 1° C nas temperaturas máximas em dias quentes. 

Seul, a maior cidade da Coreia do Sul restaurou o riacho Cheonggyecheon. O curso de água atravessa a cidade, substituindo 5,8 quilômetros de uma autoestrada que cobria o riacho por um corredor à beira-mar de uso misto.  

O corredor da orla diminuiu a temperatura para uma faixa entre 3,3 ° C e 5,9 ° C em comparação com uma estrada paralela que está a poucos quarteirões de distância. 

Na Colômbia, a cidade de Medellín tem novos corredores verdes que seguem e restauram a geografia da área antes do desenvolvimento recente.  

Corredores verdes 

Entre 2016 e 2019, a cidade criou 36 corredores, 18 ao longo das principais estradas e o mesmo número ao longo das hidrovias. As áreas cobrindo mais de 36 hectares com corredores verdes já tiveram reduções de temperatura de até 4 °C. 

Novas ideias incluem garantir ainda no planejamento das cidades com sugestões de uma área mínima e distribuição de espaços verdes ou azuis

Pnuma GRID Arendal/Peter Prokosch

Novas ideias incluem garantir ainda no planejamento das cidades com sugestões de uma área mínima e distribuição de espaços verdes ou azuis

Em Toronto, Canadá, as autoridades municipais implantaram o maior sistema de resfriamento de uma nascente de um lago. Encomendado em 2004, o Deep Lake Water Cooling usa a água fria do Lago Ontário como fonte de energia renovável. 

Finalmente, a cidade chinesa de Guangzhou usa um sistema de resfriamento centralizado regional como parte de um centro urbano moderno e ecológico na área central do desenvolvimento da Nova Cidade do Rio das Pérolas. 

A temperatura ambiente na área central da Cidade Nova de Zhujiang foi reduzida entre 2° C a 3 ° C em comparação com o uso de sistemas de resfriamento frequentemente usados. 

COP26: Ministro do Mar debate papel dos oceanos na adaptação às alterações climáticas

No Dia de Ação do Oceano na 26ª cimeira da ONU sobre alterações climáticas (COP26) foi
debatida a necessidade de adotar medidas ambiciosas e urgentes para a saúde do
oceano, tendo o ministro do Mar de Portugal, Ricardo Serrão Santos, realçado a
importância do nexo oceano-clima, nas várias intervenções que fez na cimeira, a 5 de
novembro, em Glasgow (Escócia).

“Portugal está empenhado no seu papel de liderança na procura de soluções
cooperativas para promover um oceano saudável e produtivo, destacando o nexo
oceano-climático. O nosso país está muito empenhado na implementação de todos os
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, mas em
particular o ODS 14, dedicado aos oceanos”, disse o ministro do Mar no painel dos “Blue
Leaders”, no qual participaram governantes da Bélgica, Fiji, Espanha, Palau, Nigéria,
Seychelles e Panamá, bem como a oceanógrafa e presidente da Mission Blue, Sylvia
Earle, entre outras personalidades.

A COP26 está a ter lugar em Glasgow até 12 de novembro. Foto: UNFCCC

As alterações climáticas, tema central da COP26, representam grandes desafios para o
oceano: aumento de ondas de calor marinhas, acidificação e mudanças nos padrões de
funcionamento dos ecossistemas marinhos, com sérios impactos na riqueza e
distribuição das espécies, o que tem também consequências sociais e económicas para
os seres humanos.Num painel sobre Áreas Marinhas Protegidas e Adaptação Climática, o Ministro Ricardo
Serrão Santos salientou a necessidade de proteger pelo menos 30% do oceano global
até 2030. Este objetivo está inserido na Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030 de
Portugal e o governo está a preparar legislação para estabelecer uma rede coerente e
resiliente de Áreas Marinhas Protegidas.
“Ao fim de quase dois anos de transformação causada pela pandemia de Covid-19,
devemos mais do que nunca abordar eficazmente a questão da conservação e do uso
sustentável do oceano. Não podemos desperdiçar esta oportunidade, tal como foi
eloquentemente dito pelo “dinossauro” da campanha “Não Escolham a Extinção”,
divulgada, por estes dias, pelo Programa da ONU para o Desenvolvimento”, exortou o
Ministro do Mar.
O oceano proporciona-nos alimento, energia, rotas de comércio e outros valores
económicos. Cobrindo mais de 70% da superfície da Terra, absorve parte das emissões
de dióxido de carbono derivadas da atividade humana e mais de 90% do excesso de calor
criado pelos gases com efeito de estufa. É, por isso, crucial mobilizar meios financeiros
e promover uma governação baseada no conhecimento científico.

A Década das Nações Unidas para a Ciência dos Oceanos, que vai deste ano até 2030,
e os Processos Mundiais de Avaliação dos Oceanos, realinharam a ciência com os
desafios da humanidade. Estamos conscientes de que a segunda Conferência dos
Oceanos das Nações Unidas faz parte desse processo abrangente e convido-vos a virem
a Lisboa, na esperança de podermos cumprir, o mais rapidamente possível, os Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável”, disse o ,inistro Ricardo Serrão Santos, num painel
sobre a conferência que os governos de Portugal e do Quénia coorganizarão, em Lisboa,
de 27 de junho a 1 de julho de 2022.

Em dia internacional, ONU alerta sobre riscos ambientais provocados por conflitos

Este 6 de novembro marca o Dia Internacional da Prevenção da Exploração do Meio Ambiente na Guerra e nos Conflitos Armados com atividades promovidas pela ONU para sensibilizar o público sobre danos nesses casos. 

O secretário-geral António Guterres destaca que para alcançar as metas globais até 2030 é preciso agir com ousadia e urgência para reduzir os riscos que a degradação ambiental e a mudança climática representam para o conflito. 

Vítima  

Destruição causada por furacão na Nicaragua.

Foto: © UNICEF/Inti Ocon/AFP-Services

Destruição causada por furacão na Nicaragua.

O chefe da ONU defende que haja um compromisso para proteger o planeta dos efeitos debilitantes da guerra. 

De acordo com a organização, o meio ambiente “sempre permaneceu como a vítima não divulgada da guerra” quando se avaliam as vítimas de guerra, como soldados e civis mortos e feridos, cidades destruídas e meios de subsistência.  

Exemplos de danos ambientais incluem fontes de água poluídas, plantações incendiadas, florestas cortadas, solos envenenados e animais mortos para ganhar vantagem militar. 

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, revela que nos últimos 60 anos pelo menos 40% dos conflitos internos estiveram associados à exploração de recursos naturais. 

Recorrência de conflitos 

Os recursos podem ser de alto valor, como madeira, diamantes, ouro e petróleo ou escassos, como terra fértil e água.  

A pesquisa observa que conflitos envolvendo recursos naturais também têm duas vezes maior probabilidade de voltar a acontecer. 

A ONU revelou que também atua para garantir que a ação sobre o meio ambiente faça parte das estratégias de prevenção de conflitos, manutenção e construção da paz. O argumento é que “não pode haver paz duradoura se os recursos naturais que sustentam os meios de subsistência e os ecossistemas forem destruídos”. 

A observação do Dia Internacional para a Prevenção da Exploração do Meio Ambiente na Guerra e nos Conflitos Armados foi adotada há 20 anos pela Assembleia Geral das Nações Unidas.