A instituição aponta, no entanto, que as perspectivas de médio prazo são desafiadoras e altamente incertas. Os choques causados pela Covid-19 ainda são sentidos nas frentes econômica, de saúde e social.
Depois de quatro anos de recessão, a pandemia abalou a economia criando uma grande contração na produção em 2020. A situação “pressionou de forma severa” os equilíbrios externos e reduziu ainda mais os rendimentos médios da população angolana num contexto de altos níveis de pobreza.
As pressões começaram a diminuir um pouco devido a fatores como alta dos preços globais do petróleo e contenção dos níveis de infecção pela Covid-19, mas a a recuperação “provavelmente continuará parcial” este ano.
O FMI observa que a produção de petróleo, o principal produto exportado pelo país lusófono, permanece baixa. Em tendência oposta seguem a dívida e a inflação.
FAO/ C. Marinheiro
Mercado em Luanda, Angola
Pandemia e clima
O setor não petrolífero deve recuperar apenas de forma gradual. Nestas atividades, o crescimento do PIB deve ser lento, atingindo 2,3% em 2021, com a persistência da pandemia e os choques climáticos adversos recentes que devem ditar a interrupção de algumas ações.
A estagnação do PIB prevista para este ano deve refletir uma queda persistente da produção de petróleo e gás, devido ao investimento moderado e a questões técnicas.
Os riscos em relação ao crescimento de Angola baixam a curto prazo. Mas a recuperação global dos preços do petróleo podem reverter a situação, associados a um possível agravamento da pandemia em níveis global ou nacional e ao mais do que o previsto na economia não petrolífera.
Os efeitos de fatores relacionados ao clima na economia também podem ser maiores do que o esperado. Caso aconteça, essa situação poderia levar a uma contração mais profunda do que o esperado em 2021.
Em março, Angola recebeu 624 mil doses de vacinas contra Covid-19 pela iniciativa Covax
Recuperação
O FMI aponta ainda desafios colocados à dinâmica da dívida de Angola, como a falha na implementação total do programa de reformas do governo. Entre as medidas importantes estão o ajuste fiscal, que poderia afetar a possível recuperação.
Uma situação mais otimista para a economia angolana seria determinada pela maior produção de petróleo, preços mais altos sustentados do produto e uma recuperação mais rápida da economia não petrolífera.
A Pré-Cimeira dos Sistemas Alimentares das Nações Unidas definirá o cenário para a cimeira global em setembro, reunindo diversos atores de todo o mundo para discutir o poder dos sistemas alimentares na concretização dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Em parceria com o Governo da Itália, a Pré-Cimeira decorrerá em Roma de 26 a 28 de julho. O evento, aberto a todos os que desejam participar, terá um formato híbrido, com uma componente presencial e virtual. Através da Pré-Cimeira, a Cimeira dos Sistemas Alimentares da ONU reafirmará o seu compromisso com a promoção dos direitos humanos e assegurará que os grupos mais marginalizados têm a oportunidade de participar, contribuir e beneficiar deste evento
Sob a liderança do secretário-geral da ONU António Guterres, a Pré-Cimeira é uma “Cimeira dos Povos” que reunirá jovens, agricultores, povos indígenas, sociedade civil, investigadores, o setor privado, líderes políticos e ministros da agricultura, meio ambiente, saúde, alimentação e finanças, entre outros participantes. O evento tem como objetivo apresentar as mais recentes abordagens científicas para a transformação dos sistemas alimentares mundiais, criar um conjunto de novos compromissos por meio de coligações de ação e mobilizar novos financiamentos e parcerias. Tudo isto será alcançado promovendo uma participação diversificada de forma a, em conjunto, termos um maior impacto global.
Desde o ano passado, a Cimeira tem sediado reuniões online regulares, fóruns públicos e investigações organizadas em torno dos cinco caminhos de ação da Cimeira de forma a desenvolver sistemas alimentares que beneficiem toda gente. A Cimeira consolidará um plano de ação mundial e os Estados Membros e outros atores começarão a operacionalizar as melhores ideias e compromissos para alcançar os ODS até 2030. A Pré-Cimeira fará um balanço do progresso alcançado nesse processo, criando a base para uma ambiciosa e produtiva Cimeira dos Sistemas Alimentares da ONU.
Neste domingo, 25 de julho, as Nações Unidas marcam o primeiro Dia Mundial de Prevenção do Afogamento. Dados de 2019 mostram que 236 mil pessoas morrem por ano devido a este tipo de asfixia.
Os afogamentos são a terceira causa de morte acidental e representam quase 8% do total de mortes globais. Cerca de 90% das mortes acontecem em países de rendas baixa e média, sendo a região oeste do Pacífico a mais afetada.
Unsplash/Jéan Béller
Rio na província de Guangdond, China. Enchentes também são risco para afogamentos
Estratégia Global
Segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, o índice das vítimas no Pacífico Oeste é até 32 vezes maior do que na Alemanha, por exemplo.
A OMS lembra que esses acidentes são um desafio de saúde pública que poderiam ser evitados, mas que nunca foram alvo de uma estratégia global de prevenção. A agência tem um guia online para prevenir os riscos de afogamento.
China Fire and Rescue
Equipes de resgate retiram moradores das águas das enchentes na província chinesa de Henan
Ações de Prevenção
Para mudar este padrão, a Assembleia Geral declarou, em abril deste ano, 25 de julho como o Dia Mundial da Prevenção do Afogamento. Com a data, a ONU quer destacar o “impacto profundo e trágico dos afogamentos para famílias e comunidades e oferecer soluções de prevenção”.
As Nações Unidas têm uma lista de ações para prevenir que as pessoas se afoguem: instalar barreiras para controlar o acesso à água (como em piscinas); garantir que creches e pré-escolas sejam espaços seguros e longe da água; estimular aulas de natação e práticas de resgate seguro.
A ONU destaca também a importância de haver sempre um salva-vidas bem treinado para operações de resgate e ressuscitação; estipular regulamentações que garantam a segurança durante passeios de barco e de navio e melhorar a gestão de risco de enchentes.
Um acordo entre a Organização Mundial da Saúde, OMS, e o Comitê Paralímpico Internacional, CPI, quer aumentar a participação das pessoas com deficiência no esporte, garantir cuidados e tecnologias para garantir que o grupo realize seu potencial.
O anúncio da iniciativa foi feito no desenrolar das competições olímpicas que acontecem em Tóquio, no Japão. A seguir ao evento, serão realizados os Jogos Paralímpicos, entre 24 de agosto e 5 de setembro.
Esporte para todos
As duas partes querem atuar promovendo a diversidade e equidade. O plano é incentivar iniciativas globais em favor da saúde e do esporte “para todos, em todos os lugares.”
Para a OMS, Jogos Paralímpicos são uma demonstração inspiradora do que as pessoas com deficiência podem alcançar
Entre as metas da parceria estão melhorar o acesso global à reabilitação de qualidade. Outro componente é o reforço do sistema que melhora as capacidades das pessoas com deficiência, também conhecido como tecnologia assistiva.
Com estas medidas se pretende contribuir acelerando a cobertura universal de saúde e baixar as desigualdades quanto ao acesso a esses serviços essenciais.
A parceria realça que esse é um pré-requisito para “garantir oportunidades iguais e a participação pessoas com deficiência em esportes, incluindo os atletas paraolímpicos.”
Plataforma
Para o diretor-geral da OMS, esporte e saúde são aliados naturais com benefícios que se reforçam mutuamente. Tedros Ghebreyesus defende que os Jogos Paralímpicos são uma “demonstração inspiradora” do que as pessoas com deficiência podem alcançar.
A expetativa é que a parceria sirva de “plataforma para que mais pessoas do grupo participem do esporte, mas também demonstrem por que a cobertura universal de saúde é tão importante”. O chefe da agência da ONU ressalta que deve haver garantia de que “todos tenham os cuidados e as tecnologias de que precisam para realizar seu potencial.”
O presidente do CPI, Andrew Parsons, vê no acordo mais benefícios na sociedade com a prática esportiva, que considera “uma ferramenta tremenda para garantir que as pessoas tenham estilos de vida ativos e saudáveis.”
Baixo acesso
Muito além da promoção de estilos de vida saudáveis, ele ressalta o papel que a tecnologia assistiva tem, “criando um mundo inclusivo, especialmente em favor de mais de 1 bilhão de pessoas com deficiência”.
Milos Bicanski
Presidente do CPI diz que parceria é uma ferramenta para garantir estilos de vida ativos e saudáveis
Apesar de a deficiência ser uma questão de saúde pública global, a maior prevalência ocorre em países de baixa renda. Entre os fatores estão o baixo acesso aos cuidados de saúde e à tecnologia assistiva.
Cerca de 15% da população mundial vive com deficiência, um número que está crescendo devido a fatores como mudanças demográficas, incluindo o envelhecimento da população e o aumento global das condições crônicas de saúde.
Reabilitação
Metade das pessoas com deficiência pode pagar os cuidados de saúde, com serviços de reabilitação. Mas somente um décimo tem acesso à tecnologia assistiva.
A pandemia de Covid expôs o grupo a maiores riscos de contrair a doença e ter problemas de saúde. É que as informações e cuidados não foram fornecidos de maneiras facilmente acessíveis.
Para a abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio, esta sexta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas enviou uma mensagem de apoio aos mais de 11 mil atletas, de 206 países, que competem em 33 modalidades.
Segundo António Guterres, “o espírito Olímpico traz o que há de melhor na humanidade: trabalho em equipe, solidariedade, talento e tolerância”.
Reprodução
O secretário-geral enaltece a energia dos atletas
Inspiração
O chefe da ONU afirma que as Olimpíadas “servem de inspiração e nos unem em tempos difíceis”. Ele lembrou que o mundo está em luto pelas vidas perdidas com a pandemia de Covid-19.
António Guterres destaca que todos os atletas que estão em Tóquio “ultrapassaram muitos obstáculos e demonstraram enorme determinação”. O secretário-geral sugere que a mesma energia seja utilizada para combater os desafios globais, para o alcance da paz e de um planeta limpo e verde.
Corredora Anlelina Nadai, do Sudão do Sul, treina em Nairobi. Ela faz parte da Equipe Olímpica de Refugiados
Refugiados
Guterres ressalta que as Nações Unidas estão “honradas em ser integrante dessa equipe”, em todos os passos por um mundo melhor, mais igualitário, onde os mais vulneráveis são apoiados e ninguém seja deixado para trás.
Pela segunda vez, os Jogos contarão com a participação da Equipe Olímpica de Refugiados, com 29 atletas. O time tem o apoio do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur.
Entre os atletas refugiados estão a jovem nadadora síria Yusra Mardin, que agora vive na Alemanha e o judoca congolês Popole Misenga, que buscou refúgio no Brasil.
Segundo a ONU Mulheres, as Olimpíadas de Tóquio têm o maior equilíbrio de gênero da história: 49% dos atletas participantes são mulheres. E todos os Comitês Olímpicos Nacionais têm pelo menos um representante masculino e uma representante feminina. Para a agência da ONU, este é um “marco para a igualdade de gênero nos esportes”.
Onze países da América Latina e Caribe já detectaram todas as quatro variantes da Covid-19: alpha, beta, gamma e delta. A confirmação é da Rede Regional de Vigilância Genômica, que pertence à Organização Pan-Americana da Saúde, Opas.
A região registrou, na última semana, 967 mil novos casos e 22 mil mortes. Os Estados Unidos e o Brasil continuam sendo os dois países da região com mais casos e óbitos.
FMI/Ernesto Benavides
Idoso no Peru recebe a vacina de Covid-19
Divisão Epidemiológica
A diretora-geral da Opas, Carissa Etienne, destaca que apenas 15% da população da América Latina e Caribe já foi totalmente vacinada. Em nações como Honduras e Haiti, o índice é de apenas 1%.
Segundo Etienne, a falta de imunização está “criando uma divisão epidemiológica”, com a região “cada vez mais dividida pelo acesso às vacinas”.
A chefe do Opas explica que nos países onde existem estoques, as infecções estão em declínio. Mas nos locais onde a cobertura ainda é baixa, os novos casos de Covid-19 continuam altos.
Manter a Máscara
Alguns dos países que estão com a vacinação avançada e vem registrando queda nos casos de coronavírus são Uruguai, Chile, Argentina, Canadá e na maior parte dos Estados Unidos. Mas segundo a Opas, os estados americanos que têm um aumento de pacientes são aqueles com as menores taxas de vacinação.
Os casos e os óbitos estão em alta em Cuba, onde várias províncias têm reportado um grande aumento de novas infecções. A diretora-geral da Opas lembra que os vírus têm apenas um objetivo: se multiplicarem.
Etienne lembra que as variantes se espalham com mais facilidade e a única maneira de parar o ciclo é aumentando as taxas de vacinação.
Segundo ela, “as vacinas são críticas” e medidas como distanciamento social, uso de máscaras, evitar aglomerações e testar a população continuam sendo importantes.
Decisão levou em conta as construções que ocorrem na orla marítima da cidade inglesa; Comitê do Patrimônio Mundial entende que obras de desenvolvimento da região prejudicam a autenticidade e a integridade do local.
Uma cooperativa de indígenas do Brasil está entre a série de iniciativas reconhecidas este ano no 12º Prêmio Equador. O anúncio foi feito pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud.
A Cooperativa Mista de Agricultores Familiares, Extrativistas, Pescadores, Vazanteiros, Assentados e Guias Turísticos do Cerrado foi um dos 10 selecionados entre mais de 600 indicações de 126 países.
Biodiversidade
Um comitê independente de especialistas concedeu a distinção a intervenções comunitárias que promovem iniciativas que ajudam a travar a crise de biodiversidade. Outros vencedores são de países como Quirguistão, Bolívia, Camarões, Costa Rica, Equador, Índia, Níger e México.
A CoopCerrado sobressaiu por usar “o marketing criativo de dezenas de produtos orgânicos de origem sustentável da região”, que é uma das mais ricas do mundo em biodiversidade.
Ex-modelo Gisele Bündchen participando da campanha #Wildforlife. Ela também apoia o Prêmio Equador
UNEP
Mais de 4,6 mil famílias do Cerrado são beneficiadas pela melhora da subsistência local, proteção da biodiversidade e apoio à criação de reservas de uso sustentável no que se considera “um exemplo para a economia verde”.
Os vencedores do Prêmio Equador receberão US$ 10 mil e participarão em eventos especiais associados à Assembleia Geral da ONU. Um deles é o Nature for Life Hub, sobre soluções naturais. O outro é a Cúpula da ONU sobre Sistemas Alimentares.
Gisele Bündchen
Governos da Noruega, Alemanha e Suécia apoiam a parceria que integra presidentes e agências da ONU como o Programa para o Meio Ambiente, Pnuma, e a Fundação das Nações Unidas.
Entre as celebridades envolvidas está a ex-modelo brasileira Gisele Bündchen, ao lado dos atores Edward Norton, Alec Baldwin e outros filantropos.
Pelo menos 255 comunidades de mais de 80 países já receberam o Prêmio Equador desde seu início em 2002.
Karina Berbert Bruno
O Cerrado brasileiro é uma das mais ricas do mundo em biodiversidade
O reconhecimento é dado a comunidades locais e indígenas de todo o mundo por soluções locais, inovadoras e baseadas na natureza para combater a perda de biodiversidade e as mudanças climáticas. Outra meta e alcançar seus objetivos de desenvolvimento local, mesmo durante uma pandemia.
Exemplo
Para etapa de retoma após a pandemia, o administrador do Pnud, Achim Steiner, disse que é preciso uma transformação profunda nos modelos econômicos e de desenvolvimento impulsionando a proteção e a restauração da natureza.
O chefe da agência disse que este ano é um exemplo dos tipos de mudanças que são necessários de imediato para fornecer a inspiração para seguir adiante na recuperação.
Um programa-piloto implementado em Pernambuco e na Bahia, que usa uma técnica nuclear para combater o mosquito que transmite dengue e Zika, está sendo elogiado pelo diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea.
Rafael Mariano Grossi visitou o Brasil e declarou que o projeto terá um impacto importante no mundo todo. Além de acompanhar de perto o programa na cidade de Recife, ele esteve também na usina de energia nuclear de Angra dos Reis.
Aiea/Dean Calma
Mosquitos macho nos laboratórios da Aiea, antes de serem esterilizados usando radiação.
Inseto Estéril
Esta foi a primeira vez que o chefe da Aiea esteve em um país da América Latina, desde que assumiu o posto, em 2019. Grossi participou, em Recife, da libertação de mosquitos criados com a técnica do inseto estéril.
Com esta técnica, os machos da espécie são criados em massa, recebem radiação e ficam impossibilitados de se reproduzirem. Depois, os insetos são liberados no ar para se acasalarem com as fêmeas. Mas sem poder gerar filhotes, acaba havendo queda na população dos mosquitos que transmitem a dengue.
A Moscamed Brasil é parceira da Aiea e é uma das primeiras empresas no mundo a utilizar a técnica do inseto estéril. Os alvos são os municípios da Bahia e de Pernambuco, que foram muito afetados pela Zika em 2016.
Opas/OMS
A Aiea lembra que os mosquitos, que transmitem as doenças, estão cada vez mais resistentes a inseticidas
Energia Nuclear
Desde outubro do ano passado, entre 250 mil a 350 mil mosquitos machos estéreis têm sido libertados todas as semanas numa área de 60 hectares. A ação já resultou na redução de 19% na população de mosquitos no local.
Depois de Recife, o chefe da Aieia Rafael Grossi seguiu para Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Ele visitou a estação de energia nuclear com dois reatores com capacidade de 1,884 MW(e), fornecendo pouco mais de 2% da eletricidade do Brasil.
Foto: Aiea
O mosquito aedes aegypti transmite doenças como chikungunya, dengue e zika.
Pesquisas
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica avalia que o Brasil “tem um programa de energia nuclear bem desenvolvido e ambicioso”. No ano passado, o país adotou um plano nacional que prevê, até 2050, um aumento de 10 gigawatts na capacidade nuclear do país.
Grossi destacou que a Aiea continuará cooperando com o país. No fim de semana, ele esteve também no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, Ipen.
Na área funciona o primeiro reator nuclear utilizado pelo Brasil em pesquisas nas áreas da indústria e da saúde, incluindo o uso de radiofarmacêuticos para tratar vários tipos de câncer.
Relatores das Nações Unidas para os Direitos Humanos estão pedindo uma resposta internacional mais forte em relação à situação em Mianmar.
Os especialistas sugerem que seja criada “uma coalizão de emergência de nações”, que imponha ao país asiático sanções econômicas e embargo de armas.
Fuga
A declaração da relatora especial da ONU para os defensores de direitos humanos, Mary Lawlor, e do relator especial para os direitos humanos em Mianmar, Tom Andrews, foi divulgada esta segunda-feira, em Genebra.
John Boal
O relator especial para os Direitos Humanos em Mianmar, Tom Andrews
Para os especialistas, Mianmar está enfrentando “uma campanha de terror com uma força brutal”. Os relatores receberam “informações fidedignas” sobre defensores de direitos humanos que foram forçados a se esconderem após receberem mandados de prisão.
Esses defensores tiveram suas casas invadidas, seus bens apreendidos e houve ameaças e assédios aos familiares. Muitos que não conseguiram fugir acabaram sendo detidos, incluindo defensores dos direitos trabalhistas e ativistas.
Coalizão Internacional
Desde o golpe de Estado em Mianmar, houve ainda a prisão de advogados e de jornalistas que estavam cobrindo os protestos. Segundo a relatora Mary Lawlor, esses profissionais têm documentado as violações em massa por parte dos militares, e por isso, têm sido alvo.
Na declaração conjunta, os relatores da ONU destacam que “o povo de Mianmar precisa, desesperadamente, de ação”. Lawlor e Andrews pedem, a todas as nações,’ o “apoio às pessoas feitas reféns pela junta militar ilegal”.
Os especialistas avaliam ser o momento de “uma ação forte, coordenada e focada, que inclua sanções econômicas e embargo de armas”.
Unfpa
Mulheres em Mianmars sofrem abusos e violência
Violência a Mulheres
Lawlor e Andrews também destacam o trabalho de mulheres que são defensoras dos direitos humanos em Mianmar e estão sob risco, incluindo as que vivem em áreas rurais remotas.
Os especialistas da ONU destacam que essas mulheres geralmente são espancadas e recebem chutes antes de serem levadas à prisão, onde podem ser vítimas de tortura e de violência sexual.
Quase 900 pessoas foram mortas desde o golpe e por isso os relatores querem mais solidariedade internacional com os defensores de direitos humanos, para evitar mais ataques.
Nelson Mandela completaria 103 anos neste domingo, 18 de julho. As Nações Unidas estão lembrando a vida e o legado do líder histórico sul-africano considerado um “defensor global da dignidade, igualdade, justiça e direitos humanos”.
Para celebrar o Dia Internacional de Nelson Mandela, o secretário-geral está prestando tributo “a um homem extraordinário, que personificou as aspirações mais altas das Nações Unidas”.
Biografia
Advogado, Mandela foi líder do movimento contra o apartheid na África do Sul e por isso foi preso, em 1962. Condenado à prisão perpétua, foi finalmente solto em 1990. Três anos depois, foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz.
Nelson Mandela foi o primeiro presidente negro da África do Sul, entre 1994 e 1999. Morreu aos 95 anos, em 5 de dezembro de 2013.
António Guterres lembra que “os apelos de Madiba por solidariedade e pelo fim do racismo são muito relevantes hoje, já que a coesão social no mundo é ameaçada pela divisão”.
O chefe da ONU destaca que as sociedades estão “mais polarizadas, com aumento do discurso de ódio, além da desinformação, que está obscurecendo a verdade, questionando a ciência e minando as instituições democráticas”.
Foto ONU/Pernaca Sudhakaran
Nelson Mandela durante pronunciamento na Assembleia Geral em junho de 1990
Tempos de Crise
Ao marcar o Dia de Mandela, Guterres menciona a Covid-19, que tem prejudicado “anos de progresso na luta global contra a pobreza”. O secretário-geral lamenta que em tempos de crise, os marginalizados e os discriminados são os que mais sofrem”.
Segundo Guterres, a pandemia mostrou a “importância vital da solidariedade humana e da união”, que foram valores transmitidos por “Nelson Mandela na sua luta por justiça”.
O secretário-geral disse esperar que todos fiquem inspirados “com a mensagem de Madiba de que cada um de nós pode fazer a diferença na promoção da paz, dos direitos humanos, na harmonia com a natureza e na dignidade para todos”.
António Guterres pede ainda que todos honrem o apelo de Madiba à ação e fiquem mais fortes graças ao seu legado.
Todos os anos, pelo menos 11 milhões de toneladas de plástico são descartadas nos nossos oceanos. Isso é o equivalente a um camião de lixo a cada minuto. Os oceanos regulam o clima e geram a maioria do oxigénio que respiramos, simultaneamente sustentam setores-chave da economia e são o habitat de grande parte da biodiversidade mundial.
A campanha Mares Limpos visa reunir governos, empresas e indivíduos na luta contra a poluição marinha. Mais de 60 países – com e sem litoral – aderiram a este movimento mundial com promessas e compromissos ambiciosos.
Muitos comprometeram-se a reduzir ou erradicar os plásticos de utilização única através de legislações e regulamentos mais eficaz. Outros a investir nas instalações de reciclagem nacionais e na promoção de planos de ação para prevenir a poluição do ambiente costeiro e marinho.
A próxima fase do Mares Limpos foca-se na origem da poluição marinha. Esta provém principalmente de fontes terrestres e chega ao mar através de lagos, rios e outros corpos de água.
Neste último ano da campanha, os governos têm uma oportunidade única de aderir a esta ação mundial e adotar as políticas necessárias para combater a poluição marinha. Entrevistámos Leticia Carvalho, chefe da secção Marinha e de Água Doce do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), para compreender melhor o que significa aderir ao Mares Limpos, e como os países podem participar.
O Mares Limpos foi lançado em 2017, e desde então, 63 países tornaram-se signatários. O que significa ser um país com Mares Limpos?
Ao aderir ao Mares Limpos, os países tomam medidas para inverter a maré de plástico. Aderir significa concordar com os objetivos da campanha e ter acesso a uma plataforma para encorajar outros a agir. Não há implicações financeiras associadas à adesão. Os signatários podem também solicitar apoio técnico ao PNUA para desenvolver os seus planos de ação nacional de combate à poluição marinha. De momento, os nossos signatários representam 60% das linhas costeiras do mundo. Porém, precisamos de envolver mais governos, particularmente os principais países produtores de plástico, para termos sucesso na nossa missão de proteger as nossas águas, ecossistemas e vida selvagem da poluição marinha.
Porque deveria um país juntar-se ao atual esforço mundial contra a poluição marinha?
A poluição é uma das três crises planetárias que enfrentamos, juntamente com a perda de biodiversidade e a instabilidade climática, devido a uma produção e consumo insustentáveis. Temos de alertar para o impacto negativo da poluição marinha na saúde humana e planetária. Das 11 milhões de toneladas métricas de plástico que chegam ao mar, aproximadamente 80% provêm de fontes terrestres e chegam ao mar através de lagos, rios e outros corpos de água.
Mil rios são responsáveis por quase 80% das emissões anuais globais de plástico fluvial. No entanto, isto é frequentemente negligenciado. Esperamos envolver os governos locais para aumentar a sensibilização e reforçar a legislação para encorajar melhores práticas comerciais. Em última análise, esta é uma questão que afeta a saúde do nosso planeta, as nossas sociedades, e os nossos meios de subsistência. Os governos precisam de desempenhar o seu papel em garantir o direito dos seus cidadãos a um ambiente seguro, limpo, saudável e sustentável, o que pode acontecer através de incentivos e recompensas à inovação no sector privado.
Há algum subgrupo de países que tenha um papel significativo a desempenhar?
Os corpos de água significativos, como rios e lagos, representam o principal fluxo de plásticos e lixo para as nossas costas e oceanos. Por conseguinte, há uma necessidade de participação dos seus governos nos nossos esforços para impedir esse fluxo. Até agora, à campanha juntaram-se dois países sem litoral. O primeiro foi o Paraguai e, o mês passado, aderiu o Uganda.
Os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEID) são também os que mais têm a ganhar e a perder se não enfrentarem rapidamente o problema da poluição, uma vez que a maioria depende fortemente do turismo. Em média, o turismo representa quase 30% do PIB dos PEID. Estes também têm sido dos mais afetados pela pandemia da covid-19, tanto em termos de perda de viajantes, como em termos dos impactos da poluição associada aos equipamentos de proteção pessoal de utilização única. Muitos PEID têm alguns dos regulamentos mais eficazes contra plásticos de utilização única e são verdadeiros líderes nos esforços para salvaguardar os nossos mares e oceanos da poluição humana. Treze dos 39 PEID já aderiram ao Mares Limpos, representando um dos nossos maiores subgrupos de signatários. Esperamos apoiar aqueles que ainda não o fizeram e coordenar os seus esforços verdadeiramente impressionantes com os objetivos da nossa campanha.
Como pode um país aderir à campanha “Mares Limpos”?
É fácil! Um país precisa simplesmente de decidir o nível de compromisso que deseja assumir, de acordo com as suas ambições atuais e futuras para enfrentar este problema, e enviar uma “Expressão de Interesse” ao diretor executivo do PNUA.
O PNUA está pronto a ajudar os governos nacionais neste processo e a fornecer conhecimentos técnicos especializados para desenvolver planos de ação nacionais. A nossa equipa publicou recentemente um livro eletrónico para ajudar os governos interessados. Este apresenta visualmente e interactivamente o que significa ser um país de Mares Limpos, porque é urgente que mais governos se juntem à campanha e que opções estão disponíveis para a tomada de medidas.
As Nações Unidas estão alertando para a falta de acesso a serviços básicos na Síria, principalmente no setor da água. O coordenador residente e humanitário da ONU no país está fazendo um apelo ao fim das interrupções de abastecimento na estação de Alouk.
Imran Riza explica que esta estação, no nordeste da Síria, fornece água potável para 460 mil pessoas, mas o abastecimento já foi interrompido pelo menos 24 vezes nos últimos 18 meses.
Desde junho, a estação de água parou de funcionar devido à falta de energia e o acesso para que técnicos possam fazer reparos está reduzido. No total, 1 milhão de pessoas estão prejudicadas, incluindo muitas famílias que vivem em acampamentos para deslocados.
Relatos indicam que muitos civis estão buscando água de fontes que não são seguras, aumentando os riscos dje doenças que podem ser fatais. As Nações Unidas alertam ainda para os impactos da falta de higiene e saneamento na contenção do coronavírus.
O acesso às vacinas contra a Covid-19 está limitado na Síria, e sem água potável fica ainda mais difícil conter a transmissão do vírus.
Os trabalhadores humanitários entregam, todos os dias, milhões de litros de água às famílias nas áreas afetadas. Mas a estação de Alouk ainda é a única fonte viável para quando as famílias precisam de água com urgência.
A violência também está aumentando no noroeste do país. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, pelo menos três crianças foram mortas durante esta semana em dois ataques separados.
Alemanha e Bélgica somam mais de uma centena de mortos; desaparecidos ainda estão sendo buscados; Organização Meteorológica Mundial realça que precisa ser investigada a conexão para a perturbação em grande escala no Hemisfério Norte.
A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos está pedindo a libertação de todos os manifestantes que foram presos em Cuba nos últimos dias. Nesta sexta-feira, em Genebra, Michelle Bachelet expressou sua preocupação “com o uso excessivo da força contra as pessoas que protestam no país.
Bachelet cita ainda a prisão de manifestantes e de jornalistas e destaca que o paradeiro de muitos continua desconhecido. A alta comissária faz um apelo à libertação imediata de todos os que foram detidos por exercerem seu direito à liberdade de expressão.
Foto: Radmilla Suleymanova
Crianças a caminho da escola em Havana, Cuba
Morte
Michelle Bachelet condena ainda a morte de um manifestante na capital, Havana, e pede que a investigação do caso seja imediata, transparente e eficiente.
Os protestos em Cuba acontecem num momento em que o país enfrenta uma situação econômica difícil. Os manifestantes pedem o fim dos embargos, que dificultam o acesso a bens essenciais, como comida, medicamentos e vacinas contra a Covid-19.
Diálogo
Bachele faz um apelo ao governo cubano para o diálogo e respeito ao direito das pessoas de manifestarem de forma pacífica e respeito às liberdades de opinião e de expressão.
A alta comissária para os Direitos Humanos quer ainda a retomada do acesso à internet e às redes sociais. Bachele também pede o fim das sanções unilaterais, por terem um impacto negativo em várias frentes, incluindo no direito à saúde.