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Plástico: ONU pede mudança sistémica

Atualmente, 11 milhões de toneladas de plástico são despejadas nos oceanos todos os anos. Com as políticas atuais, a quantidade de resíduos sólidos urbanos de plástico deverá duplicar até 2040, a quantidade de plástico despejado nos oceanos deverá quase triplicar e a quantidade de plástico nos oceanos pode vir a quadruplicar.

Já foi dito antes, mas o novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Pew Charitable Trusts e SYSTEMIQ Breaking the Plastic Wave, veio confirmar: proibir sacos de plástico, apanhar lixo nas praias, reciclar, ou comprar uma garrafa de vidro não será o suficiente para conter a poluição dos nossos oceanos. A redução dos resíduos plásticos requer políticas sistémicas e não ações pontuais.

Embora tenham sido feitos progressos para enfrentar o desafio, os compromissos dos governos e da indústria apenas reduzirão a quantidade de plástico despejado no oceano em 7% até 2040.

O plástico que permanece no oceano durante centenas de anos, não é biodegradável e a quantidade acumulada poderá atingir as 600 milhões de toneladas, o equivalente em peso a mais de 3 milhões de baleias azuis, em 2040.

Globalmente, as políticas nacionais sobre plásticos são poucas e, geralmente, centram-se na proibição ou tributação de produtos plásticos específicos, em vez de se centrarem na mudança sistémica da economia do plástico.

O autor do relatório e membro do Painel Internacional de Recursos (IRP), Steve Fletcher, afirma a necessidade da cooperação internacional para a resolução deste problema mencionando que “é tempo de parar com as ações individuais que não fazem diferença”. Segundo o autor, um país pode implementar a utilização de plástico reciclado, mas se não tiver processo de recolha, sistema de reciclagem e mercado para o material ser reutilizado não existe qualquer impacto significativo na medida.

O relatório, feito a pedido do Grupo dos 20 para avaliar as opções políticas a concretizar na “Visão de Oceano Azul de Osaka”, expõe os inúmeros e complexos desafios que impedem o planeta de alcançar a meta de zero plástico até 2050 e faz uma série de recomendações que incluem a necessidade de mudança na produção e consumo de plástico, a importância de uma economia circular e a urgência na criação de programas de avaliação e monotorização da eficácia das políticas de plásticos.

Acordo com laboratório brasileiro amplia produção de testes rápidos de Covid-19

A produção de testes rápidos de Covid-19 será ampliada de forma intensa na América Latina e na África, graças a investimentos feitos pela agência Unitaid, que pertence à Organização Mundial da Saúde, em parceria com a aliança global para diagnósticos, Find.

O anúncio foi feito esta quinta-feira, em Genebra, sendo que um laboratório brasileiro faz parte do acordo. A Wama Diagnóstica, com sede na cidade de São Carlos, vai receber a tecnologia para a produção e ficará responsável por fornecer os testes de antígeno à América Latina e Caribe.

Testes rápidos são primeira forma de se detectar o vírus

Aeia/Dean Calma

Testes rápidos são primeira forma de se detectar o vírus

Brasil 

Segundo a Unitaid, o laboratório começará por produzir 500 mil testes por mês, mas o volume mensal de testes para a região poderá chegar a 4 milhões por mês, com um preço máximo de US$ 2 por unidade. 

Todos os 144 países da América Latina e Caribe serão beneficiados, sendo que o acordo prevê que o Brasil receba, no máximo, 50% do volume. Estes testes estarão disponíveis no começo de 2022.  

O porta-voz da Unitaid declarou que “os países de renda alta fazem até 60 vezes mais testes de Covid-19” do que as nações menos desenvolvidas.

Parceria prevê também benefícios para a África

Minusma/Harandane Dicko

Parceria prevê também benefícios para a África

Conter o Vírus 

Herve Verhoosel explica que “ampliar a produção a nível regional é essencial para garantir que as nações de rendas baixa e média possam ter programas de testagem eficientes e assim, conter o vírus.” 

Além da participação da brasileira Wama Diagnóstica, o acordo envolve também o Instituto Pasteur de Dakar, no Senegal, que deverá produzir , por mês, 2,5 milhões de testes rápidos de Covid-19 para o continente africano. 

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde divulgou novas diretrizes sobre estratégias para a testagem do vírus SARS-CoV-2, ressaltando a importância dos países fornecerem testes rápidos de alta qualidade. 

Segundo a OMS, eles continuam sendo o primeiro diagnóstico de detecção do coronavírus, principalmente onde os testes moleculares não estão disponíveis. 

Reimaginar as Competências dos Jovens num Contexto Pós-Pandemia

O Dia Mundial das Competências dos Jovens 2021 decorre, novamente, num contexto desafiante devido à presente pandemia da covid-19.

A UNESCO estima que as escolas estiveram, em metade dos países do mundo, total ou parcialmente fechadas durante mais de 30 semanas, entre março de 2020 e maio de 2021. No final de junho, 19 países ainda praticavam encerramentos escolares totais, estes afetaram quase 157 milhões de alunos. 768 milhões de alunos foram ainda impactados por encerramentos escolares parciais.

De acordo com um inquérito às instituições de ensino e formação técnica e profissional (TVET), conduzido pela UNESCO, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Banco Mundial, o ensino à distância tornou-se a norma durante a pandemia. Porém, os educandos e educadores enfrentam dificuldades consideráveis no que diz respeito, entre outros aspetos, à adaptação dos currículos, à formação digital de alunos e professores, à conectividade e aos métodos de avaliação e certificação.

As estimativas da OIT mostram que, globalmente, o emprego jovem caiu 8,7% em 2020, enquanto para os mais velhos esta queda foi apenas de 3,7%, tendo sido mais pronunciada nos países de rendimento médio. As consequências desta perturbação nas primeiras experiências dos jovens no mercado de trabalho têm efeitos a longo prazo.

O Dia Mundial das Competências dos Jovens 2021 prestará homenagem à resiliência e criatividade da juventude durante a crise. Os participantes farão um balanço de como os sistemas TVET se adaptaram à pandemia e à recessão, pensarão em como estes sistemas podem participar na recuperação, e imaginarão que prioridades que deverão adotar para o mundo pós-covid-19.

Por que o Dia Mundial das Competências dos Jovens é importante?

Em 2014, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou 15 de julho o Dia Mundial das Competências dos Jovens, de forma a celebrar a importância estratégica de equipar os jovens com competências para o emprego, o trabalho digno e o empreendedorismo. Desde então, os eventos do Dia Mundial das Competências dos Jovens têm proporcionado uma oportunidade única para o diálogo entre os jovens, instituições de educação e formação técnica e vocacional (TVET), empresas, organizações de empregadores e trabalhadores, políticos e parceiros de desenvolvimento. Os participantes destacaram a importância cada vez maior de consolidar as suas competências à medida que o mundo transita para um modelo de desenvolvimento sustentável.

Qual é o papel da educação e formação técnica e profissional?

A educação e a formação são essenciais para o cumprimento da Agenda 2030. A visão da Declaração de Incheon: Educação 2030 é totalmente compreendida pelo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 “Garantir uma educação de qualidade inclusiva e equitativa e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”. O programa Educação 2030 dedica-se ao desenvolvimento de habilidades técnicas e vocacionais, especificamente no que diz respeito ao acesso a formação técnica e profissional (TVET) de qualidade e acessível; à aquisição de competências técnicas e profissionais para o emprego, trabalho digno e empreendedorismo; à eliminação da disparidade de género e a garantia do acesso dos mais vulneráveis ao trabalho. Nesse contexto, espera-se que a TVET atenda às múltiplas reivindicações de natureza económica, social e ambiental, ajudando jovens e adultos a desenvolverem as competências necessárias para o emprego, trabalho decente e empreendedorismo, promovendo o crescimento económico equitativo, inclusivo e sustentável e apoiando a transição para economias verdes e a sustentabilidade ambiental.

A TVET pode equipar os jovens com as habilidades necessárias para aceder ao mundo do trabalho, incluindo competências para o trabalho autónomo. A TVET pretende ainda melhorar a capacidade de resposta às mudanças nas reivindicações de competências por parte de empresas e comunidades, aumentar a produtividade e aumentar os níveis salariais. A TVET quer reduzir as barreiras de acesso ao mundo do trabalho, por exemplo, através da aprendizagem baseada no trabalho e garantindo que as habilidades adquiridas são reconhecidas e certificadas. A TVET pode também oferecer oportunidades de desenvolvimento de habilidades para pessoas pouco qualificadas que estão subempregadas ou desempregadas, jovens que desistiram da escola e indivíduos que não estudam, trabalham ou recebem qualquer formação.

BILT | Novas Qualificações e Competências na TVET

O projeto Bridging Innovation and Learning in TVET (BILT) fornece às instituições TVET uma plataforma para explorar e apoiar o processo de identificação e implementação de novas qualificações e competências através de uma abordagem ecossistémica.

Histórias da Juventude TVET

Enquanto os jovens continuam a mostrar a sua adaptabilidade e resiliência neste momento desafiante, a UNESCO-UNEVOC apela que todos os jovens da TVET apresentem um vídeo sobre como estão a lidar com a situação e como continuam a aprender durante a pandemia. Estas histórias serão partilhadas como parte da campanha do Dia Mundial das Competências dos Jovens e usadas para sublinhar a importância do desenvolvimento de competências para uma juventude resiliente.

Conte-nos a tua história!

Mortes por afogamento no Mediterrâneo subiram mais de 50% em meio ano

Pelo menos 1,146 pessoas perderam a vida no primeiro semestre de 2021 tentando chegar à Europa pelo mar; Organização Internacional para Migrações destaca que número mais que dobrou, na comparação com o mesmo período do ano passado. 

Aplicativos tentam facilitar viagens internacionais em tempos de Covid-19 

Um relatório da ONU sobre restrições de viagem revela que desde 1 de janeiro, 29% de todos os destinos no mundo continuam com suas fronteiras completamente fechadas para turistas internacionais por causa da pandemia. 

Deste total, mais da metade impede a entrada de viajantes desde maio de 2020. A maioria está em Pequenos Estados-Ilha da Ásia-Pacífico. Apenas três destinos no mundo estão completamente abertos a turistas: Albânia, Costa Rica e República Dominicana sem qualquer restrição. 

Adesão 

Uma das mudanças durante a pandemia foi a adesão em massa a soluções digitais. E de acordo com a Organização Mundial do Turismo, OMT, essas transformações tendem a facilitar o futuro do setor daqui para a frente. 

Quatro países do top 10 do mercados de envio de turistas seguem desaconselhando viagens não essenciais aseus cidadãos

Unicef/UN051302/Herwig

Quatro países do top 10 do mercados de envio de turistas seguem desaconselhando viagens não essenciais aseus cidadãos

Muitas empresas de viagem estão promovendo aplicativos para que os passageiros possam informar sua situação de saúde, incluir resultados de testes e quaisquer sintomas notificados antes da viagem. 

Esses aplicativos oferecem um questionário que pode ser preenchido em média três dias antes da partida facilitando assim o trabalho dos funcionários do check-in e economizando o tempo passado na fila. 

Vacinação 

Um em cada três destinos está parcialmente fechado e 36% requerem testes negativos de Covid-19 para permitir a entrada no país. Alguns também exigem a quarentena.  

Com as novas variantes, 42% dos países iniciaram restrições específicas para viajantes de alguns locais de risco. Uma outra preocupação é o baixo índice de vacinação que tende a ser comum em casos de grandes taxas de contaminação. 

Um em cada três destinos está parcialmente fechado e 36% requerem testes negativos de Covid-19 para permitir a entrada

OMS-Europa

Um em cada três destinos está parcialmente fechado e 36% requerem testes negativos de Covid-19 para permitir a entrada

O chefe da OMT, Zurab Pololikashvili, disse que os governos são cruciais para a recuperação do turismo através de colaboração, uso de dados e soluções digitais. 

Cautela 

As diferenças regionais sobre restrições de viagem permanecem em 70% de todos os destinos da Ásia-Pacífico, na Europa são apenas 13%, 20% na Américas, 19% na África e 31% no Oriente Médio. 

O relatório da OMT revela que a retomada do turismo deve permanecer silenciosa à medida que os governos continuam a exercer cautela. 

Quatro dos 10 maiores mercados de envio de turistas seguem aconselhando seus cidadãos contra viagens não essenciais, esses países geraram 25% de todas as chegadas internacionais em 2018. 

Cresce apelo para reabertura de escolas em véspera de reunião de educação global

Agências das Nações Unidas pedem que políticos e governos priorizem a reabertura segura das escolas em todo o mundo, para evitar uma “catástrofe” nessa geração de estudantes.

Nesta terça-feira, a sede da organização acolhe a Reunião de Educação Global, que acontece às margens do Fórum Político de Alto Nível para o Desenvolvimento Sustentável de 2021. 

Escolas 

Especialistas do Brasil abordaram recentemente o assunto em um encontro que juntou as áreas de saúde e educação, gestão pública municipal, governo federal, sociedade civil, sindicatos, além de estudantes de escolas públicas.

Em vídeo, a representante da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, no Brasil, disse que o momento é para rever currículos. Marlova Noleto defende uma união esforços para compensar a perda de um ano e meio devido a ações para travar a pandemia.

“Nesse momento, é preciso que haja uma comunicação grande entre os serviços de saúde, a vigilância epidemiológica, a área educacional, os professores, as famílias e de toda a comunidade escolar para que juntos nós possamos planejar a reabertura segura das escolas. Nós sabemos também que os nossos alunos, muitas vezes, têm nas escolas a única refeição do dia e têm um ambiente de proteção e de cuidados.”

Em nível global, a Unesco emitiu um comunicado com o Fundo da ONU para a Infância, Unicef. A declaração realça que, passados 18 meses desde o início da Covid-19, a educação de milhões de crianças ainda está interrompida.”

Instalação do Unicef, na sede da ONU em Nova Iorque, alerta para fechamento de escolas em todo o mundo

Unicef/Chris Farber/Unicef via Getty Images

Instalação do Unicef, na sede da ONU em Nova Iorque, alerta para fechamento de escolas em todo o mundo

Frequência 

Escolas primárias e secundárias continuam fechadas em 19 países, afetando mais de 156 milhões de alunos. Para as duas agências, a situação não pode continuar. O comunicado realça que estes centros educacionais devem ser os últimos a fechar e os primeiros a reabrir”.

A declaração realça que houve esforços para limitar a transmissão, mas os governos fecham com muita frequência as escolas e as mantêm encerradas por períodos prolongados, mesmo quando a situação epidemiológica não o justifica.

O comunicado destaca que estas ações foram frequentemente tomadas como um primeiro recurso, e não como o último. Em “muitos casos, as escolas foram fechadas, enquanto os bares e restaurantes permaneceram abertos”.

Para a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, e a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, as perdas que crianças e jovens sofrerão por não frequentarem a escola podem nunca ser recuperadas.

Durante a pandemia, o ensino escolar foi interrompido em média 25 semanas por causa de fechamentos totais ou parciais

UNICEF

Durante a pandemia, o ensino escolar foi interrompido em média 25 semanas por causa de fechamentos totais ou parciais

Envolvimento 

Os efeitos variam desde perda de aprendizagem, sofrimento mental, exposição à violência e abuso, às refeições escolares e vacinações perdidas ou desenvolvimento reduzido de habilidades sociais. Eles serão sentidos no desempenho acadêmico e no envolvimento social infantil, bem como na saúde física e mental.

Ambas as agências apontam que crianças em ambientes com poucos recursos são geralmente as mais afetadas porque elas não têm acesso a ferramentas de aprendizagem remota. O outro grupo é dos mais novos, que ainda está em “estágios importantes de desenvolvimento”.

Fore e Azoulay defendem que perdas para os pais e encarregados são igualmente pesadas. Manter os filhos em casa obriga a deixar seus empregos, especialmente em países com nenhuma ou limitada política de licença familiar”.

A declaração aponta que estes fatores ditam que a reabertura de escolas para aprendizagem presencial não pode esperar.

Quase 24,5 milhões de meninos e meninas na Síria e 750 mil crianças sírias nos países vizinhos estão fora da escola

© Unicef/Khaled Akacha

Quase 24,5 milhões de meninos e meninas na Síria e 750 mil crianças sírias nos países vizinhos estão fora da escola

Transmissão

Para as chefes de agência não se pode esperar que os casos cheguem a zero. Elas apontam haver “provas claras de que as escolas primárias e secundárias não estão entre os principais fatores de transmissão.”

A declaração defende que o risco de transmissão nas escolas pode ser administrado com uma mitigação adequada das estratégias na maioria dos locais. A base para a decisão de abrir ou fechar escolas deve ser “uma análise de risco e considerações epidemiológicas nas comunidades” onde elas se encontram. 

Abordando a questão dos desafios de imunização associada à reabertura das escolas, o comunicado aponta que “não pode esperar que todos os professores e alunos sejam vacinados.”

O argumento é que com a falta global de vacinas que assola os países de baixa e média rendas, “a vacinação dos trabalhadores da linha de frente e dos que correm maior risco de doença grave e morte continuará sendo uma prioridade”.

Mais de 100 milhões de crianças cairão abaixo do nível mínimo de proficiência em leitura devido ao impacto do fechamento de escolas

UNICEF

Mais de 100 milhões de crianças cairão abaixo do nível mínimo de proficiência em leitura devido ao impacto do fechamento de escolas

Barreiras

As duas diretoras defendem que todas as escolas devem oferecer aprendizagem presencial o mais rápido possível, sem barreiras de acesso, incluindo a não- obrigatoriedade de vacinação antes do ingresso.
Elas acrescentaram que fechar escolas hipoteca o futuro em troca de benefícios imprecisos para o presente. A sugestão é que se definam melhor as prioridades reabrindo as escolas com segurança.
 

Alcançar a igualdade para as mulheres para além da pandemia

por Phumzile Mlambo-Ngcuka, subsecretária-geral e diretora-executiva da ONU Mulheres

Mais de 25 anos após a Quarta Conferência Mundial sobre a Mulher, em Pequim, a igualdade de género ainda não foi alcançada. Embora tenhamos assistido a avanços importantes, tais como a diminuição da taxa de mortalidade materna e melhorias na educação das meninas, o progresso tem sido demasiado lento e fragmentado a nível mundial.

A crise da covid-19 também nos mostrou que o progresso pode ser assustadoramente invertido, exacerbando, ainda mais, as desigualdades de género existentes. Durante este período, a violência contra as mulheres aumentou, o emprego diminuiu e os impactos económicos foram devastadores. O encerramento de escolas devido à pandemia fez, também, com que aumentassem os efeitos da divisão digital de género e colocaram quase 10 milhões de meninas em risco de casamento infantil.

Estes dados representam um desafio direto à realização dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A mudança

Apesar destes desafios ubíquos, existem soluções que podemos ter em conta para reconstruir as nossas sociedades. Estas soluções exigem o reconhecimento de alguns obstáculos, anteriormente subestimados, que a pandemia trouxe à luz.

Nesta situação, será fundamental o empenho dos governos em pacotes de apoio que respondam às necessidades das mulheres. De notar que várias administrações já tomaram medidas tais como o reforço do acesso aos cuidados de saúde, empréstimos, licenças por doença pagas e subsídios de desemprego. No entanto, embora algumas destas medidas venham a beneficiar as mulheres, muito poucas estão a ser concebidas ou implementadas tendo em conta os direitos ou necessidades das mesmas.

O Global Gender Response Tracker, criado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e ONU Mulheres, destaca que apenas 18% das soluções governamentais, até ao momento, visaram a segurança económica das mulheres ou abordaram o aumento do trabalho doméstico não remunerado. Desta forma, sem uma mudança de rumo, as previsões atuais são de que mais de 47 milhões de mulheres serão empurradas para a pobreza extrema, invertendo décadas de progresso. Este tipo de recuos não são uma conclusão aceitável: com políticas arrojadas para impulsionar o empoderamento económico das mulheres, podemos mudar de rumo e acelerar o progresso.

Igualdade

Esperamos que os governos se tornem os líderes daquilo a que chamamos a Geração Igualdade. Precisamos de criadores de compromissos que trabalhem em prol do progresso das mulheres através de gerações e setores com foco em questões prioritárias.

Convido todos os países, empresas, organizações da sociedade civil e jovens a aderir ao Plano de Aceleração Global das Nações Unidas (ONU) para a Igualdade de Género. O plano convoca ações coletivas através da “coalização de ações” que se centram em seis temas:

  • violência baseada no género
  • justiça e direitos económicos
  • autonomia sobre o próprio corpo, saúde e direitos sexuais e reprodutivos
  • justiça climática
  • tecnologia e inovação para a igualdade de género
  • movimentos de liderança

Os objetivos destes temas destinam-se a orientar a ação e o investimento para os próximos cinco anos e requerem a criação de novos empregos que reconheçam, reduzam e redistribuam os atuais empregos domésticos não remunerados e que garantam os direitos laborais das trabalhadoras. Porém, tais mudanças necessitam de um ambiente legal e político favorável.

O Canadá prometeu, recentemente, recursos fiscais significativos para conseguir cuidados infantis acessíveis a todos, comprometendo-se especificamente a melhorar os salários e as condições dos trabalhadores deste setor. A administração Biden, dos Estados Unidos, reconheceu que os cuidados são infra-estruturas e prometeu investimentos de 400 mil milhões de dólares.

Todos os países deveriam ter e implementar planos macroeconómicos, reformas orçamentais e pacotes de apoio que incluam a proteção social para que o número de mulheres e meninas que vivem na pobreza seja significativamente reduzido.

Agora é o momento de outros líderes seguirem o exemplo e defender a justiça económica e os direitos das mulheres.

Uma pandemia de injustiças

Durante a pandemia, as mulheres perderam os seus empregos a um ritmo mais rápido do que os homens. Isto teve consequências particularmente devastadoras para a autonomia económica das mulheres prestadoras de cuidados. As vulnerabilidades do mercado de trabalho são ainda piores para as mulheres com deficiência, mulheres migrantes e refugiadas, e pequenos agricultores.

Estudos recentes demonstram que a perda de rendimentos, de emprego, a insegurança alimentar e o abuso de substâncias têm sido associados ao aumento da violência contra mulheres e meninas, em especial, a violência doméstica. As mulheres jovens entre os 15 e 24 anos são frequentemente as mais afetadas e existem receios de que outras formas de violência, tais como a mutilação genital feminina e o casamento infantil, estejam, também, a aumentar.

Convido todos governos que adotem um Plano de Aceleração Global a:

  • combater a violência baseada no género
  • ratificar convenções internacionais e regionais
  • aumentar a implementação e o financiamento de estratégias de prevenção baseadas em factos
  • ampliar a implementação e o financiamento de serviços centrados nas vítimas
  • apoiar organizações de direitos das mulheres, principalmente aquelas que trabalham para combater a violência baseada no género

A Geração Igualdade inclui, também, um pacto sobre Mulheres, Paz Segurança e Ação Humanitária. O pacto exige a aceleração da participação plena, igual e significativa das mulheres em instituições de segurança, proteção e financiamento. Embora tenham sido alcançados progressos, uma análise da ONU Mulheres estima que, ao ritmo atual, serão necessários 30 anos para atingir a paridade nas forças militares de operação de paz da ONU. Assim sendo, convido os Estados-membros, organismos regionais, organizações da sociedade civil, jovens mulheres construtoras da paz e o setor privado a aderir a este pacto global. Convido todos a apoiar a participação significativa de mulheres para que as instituições de segurança se tornem representativas, recetivas e responsáveis perante todos.

Precisamos de uma ação transformadora e ousada

Num momento crítico desta década de ação, estes e os outros elementos do plano vão ajudar-nos a repensar, renovar e revolucionar a forma como organizamos as nossas sociedades e economias.

O progresso dependerá, também, de recursos financeiros, especialmente para os países em desenvolvimento. Têm sido feitos apelos significativos ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para a atribuição de direitos de saque especiais que irão oferecer fundos de emergência para os países em desenvolvimento pagarem dívidas, financiarem vacinas ou investirem na protecção social da sua população. Entretanto, uma nova taxa fiscal mínima global proposta pela ONU irá ajudar a conter a evasão e a fraude fiscal garantindo que todos darão uma contribuição justa para a construção de um mundo melhor.

Crises da magnitude que hoje enfrentamos exigem ideias ousadas, níveis de solidariedade e de cooperação global para serem implementadas. As ações propostas pelo Plano de Aceleração Global para a Igualdade de Género reúnem um vasto leque de ações necessárias para impulsionar o progresso. Juntos criaremos um futuro mais sustentável e justo, a fim de assegurar a prosperidade e apoiar a realização da Agenda 2030.

Número de pessoas em trabalho remoto aumentou 10 vezes na América Latina  

Uma das consequências da pandemia da Covid-19 foi a maior frequência do teletrabalho ou home office em todo o mundo. 

Com a crise global de saúde, muitas empresas puderam manter a produtividade evitando demissões em massa de seus funcionários que passaram a trabalhar a distância. 

Tendências 

Um estudo da Organização Internacional do Trabalho, OIT, sugere que antes da pandemia, a quantidade de pessoas nessa situação era inferior a 3% da mão-de-obra na América Latina e no Caribe, por exemplo. 

Mas com após a Covid, a taxa está entre 20% e 30%. No segundo semestre do ano passado, cerca de 23 milhões de pessoas na região estavam fazendo home office. 

Pai cuidando do filho enquanto trabalha, em Madagáscar

Banco Mundial/Henitsoa Rafalia

Pai cuidando do filho enquanto trabalha, em Madagáscar

O diretor do Escritório Regional da OIT na América Latina e Caribe, Vinícius Pinheiro, diz que a crise acelerou algumas tendências nos mercados de trabalho, dando uma impressão que o futuro do emprego chegou antes do esperado. 

Para ele, o teletrabalho chegou para ficar e aliviar os impactos negativos da pandemia preservando milhões de empregos. 

A diferença é que após a crise, essa será uma opção de empregados e empregadores que já provaram a eficiência do modelo. 

Forma exclusiva 

Pinheiro alerta, no entanto, que os países e as empresas precisam agora se preparar para esta nova fase, ou a uma forma híbrida de produção, que combine o trabalho presencial com aquele a distância. 

Antes da pandemia, muitas pessoas que faziam home office eram trabalhadores autônomos, mas com o confinamento essa ficou sendo a única forma exclusiva de produção. 

Na França, uma professora se conecta com seus alunos remotamente durante a pandemia de Covid-19.

OIT/Marcel Crozet

Na França, uma professora se conecta com seus alunos remotamente durante a pandemia de Covid-19.

Mas para a OIT, essa modalidade foi mais comum para pessoas com empregos estáveis, profissionais da área administrativa e com acesso à tecnologia para realizar as tarefas. 

Essa situação é bem diferente quando o tema são os trabalhadores menos qualificados, informais e que recebem baixos salários que não tiveram a mesma sorte.   

Oportunidade   

Antes da crise, o trabalho remoto era visto como uma oportunidade de se obter maior equilíbrio entre a vida familiar e a vida profissional, mas com a pandemia, surgiu uma outra pressão sobre os empregados: os cuidados com a família e com o gerenciamento do lar. 

A OIT afirma que esse fardo foi maior para as mulheres. 

Irmãos gêmeos na Macedônia do Norte assistem a aula na TV

Unicef/Gjorgji Klincarov

Irmãos gêmeos na Macedônia do Norte assistem a aula na TV

Para a agência da ONU, existem algumas medidas para melhor prosseguir com o teletrabalho como o princípio da voluntariedade e acordo entre funcionários e empregadores, a organização e tempo do trabalho a partir de casa, para que as pessoas tenham tempo de se dedicar aos seus afazeres domésticos, segurança e saúde no trabalho, equipamento adequado, proteção do direito à privacidade dos empregados, papel dos atores sociais, dimensões de gênero e teletrabalho e a relação trabalhista e o cumprimento da legislação. 

A OIT afirma que para abordar esses temas é fundamental promover o diálogo entre governos, empregadores e trabalhadores, 

A agência da ONU lembra que é preciso aprender as lições geradas pela pandemia e utilizar os dados e estatísticas para traçar o caminho do futuro do teletrabalho na América Latina e Caribe. 

Direitos e escolhas em saúde reprodutiva são foco no Dia Mundial da População 

Este domingo, 11 de julho, é o Dia Mundial da População. Neste ano, as Nações Unidas estão chamando a atenção para os serviços de saúde reprodutiva durante a pandemia de Covid-19. 

Estimativas recentes das Nações Unidas indicam que com a crise de saúde, 47 milhões de mulheres e de meninas foram empurradas para a pobreza extrema.

Sistemas de saúde

Em mensagem para marcar a data, o secretário-geral da ONU destaca que desde o início da pandemia, foram desviados recursos que estavam destinados a serviços de saúde sexual e reprodutiva.

Pelo menos 12 milhões de mulheres tiveram problemas no acesso a serviços de planejamento familiar

Unfpa Moçambique/Epidauro Manjate

Pelo menos 12 milhões de mulheres tiveram problemas no acesso a serviços de planejamento familiar

António Guterres considera “inaceitável esta brecha no acesso aos direitos de saúde” e lembra que neste dia mundial, é importante haver um compromisso para garantir os direitos de todos à saúde reprodutiva.

O Fundo da ONU para a População, Unfpa, destaca que a crise nos sistemas de saúde vem causando duas situações bastante distintas.  Segundo o Unfpa, pessoas com acesso a serviços de saúde reprodutiva geralmente optam por adiar uma gravidez.

Por outro lado, falhas no acesso a anticoncepcionais, aliadas a temporadas de confinamento, levam a um aumento da taxa de fertilidade entre as comunidades mais vulneráveis. 

ONU ressalta grandes disparidades entre países de rendas alta e baixa

ONU/David Ohana

ONU ressalta grandes disparidades entre países de rendas alta e baixa

Família

A diretora-executiva do Unfpa, Natalia Kanem, afirma ser alarmante quando as pessoas não conseguem exercer seus direitos à saúde reprodutiva. Segundo ela, a pandemia pode até influenciar nas escolhas, mas o que não muda é o direito de decidir quando ter um bebê ou o direito em querer ou não formar uma família.  

Para mudar essa tendência, seja de aumento ou de queda na fertilidade, o Unfpa ressalta que direitos e escolhas sobre saúde reprodutiva são essenciais. Uma estimativa da agência feita em março mostrou que pelo menos 12 milhões de mulheres estavam enfrentando problemas no acesso a serviços de planejamento familiar.  

No Dia Mundial da População, as Nações Unidas destacam ainda um estudo que mostra o aumento nas taxas de mortalidade materna e neonatal desde o início da pandemia, com grandes disparidades entre países de rendas alta e baixa.  

Mãe e filho são atendidos na Clínica Comunitária de Mobarakpur em Kulaura Upazila, nordeste de Bangladesh.

ONU//Mark Garten

Mãe e filho são atendidos na Clínica Comunitária de Mobarakpur em Kulaura Upazila, nordeste de Bangladesh.

OMS lança novas diretrizes sobre prevenção e tratamento do câncer cervical

Uma estratégia para eliminar o câncer cervical foi endossada pela Organização Mundial da Saúde, OMS, no ano passado. No início deste mês, a agência publicou uma série de recomendações para combater a doença em todo o mundo.

No documento, os países-membros pediram que 70% das mulheres do globo fizessem o exame regular para evitar a doença e que 90% daquelas que precisam de tratamento, recebessem o atendimento.

Professora explica a importância da vacinação contra o câncer de colo do útero

Opas

Professora explica a importância da vacinação contra o câncer de colo do útero

Vacinação

O câncer de colo do útero é arrasador. Em 2020, mais de 500 mil mulheres foram diagnosticadas com ele e quase 342 mil morreram, a maioria em países pobres. Mas esta é uma doença que pode ser evitada com exames e tratamentos acessíveis e eficientes.

Além da vacinação contra o HPV, vírus do papiloma humano, a implementação da nova estratégia pode prevenir 62 milhões de mortes nos próximos 100 anos. 

A OMS afirma que as novas diretrizes guiarão o investimento em saúde pública para melhorar os diagnósticos do câncer cervical fortalecendo processos, opções de exame que possam alcançar mais mulheres e salvar mais vidas.

As novas regras recomendam um teste de DNA de HPV em vez de uma inspeção visual com ácido acético ou por citologia, que é o exame do tecido, conhecido como papa Nicolau, que é mais usado globalmente para detectar lesões pré-cancerígenas.

Em São Paulo, no Brasil, menina recebe vacina contra o câncer cervical.

Foto: Opas/OMS

Em São Paulo, no Brasil, menina recebe vacina contra o câncer cervical.

HIV

O exame de DNA consegue detectar as cepas de alto risco que podem vir a causar todos os tipos de câncer cervical e a margem de erro é muito pequena. O teste é também mais simples e mais barato por ajudar a salvar mais vidas.

A OMS sugere que as amostras que podem ser coletadas pela própria mulher sejam usadas no teste do DNA de HPV, uma vez que as pacientes ficam mais à vontade quando podem fazer o auto exame em casa, sem precisarem ir a um consultório. 

Aquelas pacientes que têm problema de imunidade como as que vivem com HIV são mais propensas ao câncer cervical e a infecções do HPV. Este quadro resulta num risco seis vezes maior entre as soropositivas.

As novas diretrizes incluem recomendações específicas para mulheres com HIV. Para essas pacientes, a sugestão do exame é a partir de 25 anos, um pouco mais cedo que para o resto da população que começa com 30.

Ainda este ano, a OMS deve publicar um relatório sobre a situação do câncer de colo do útero em vários países com base em dados dos respectivos Ministérios da Saúde. A meta é fazer uma análise sobre a situação até 2030.
 

Agência da ONU alerta para impactos de uma “pandemia de tráfico humano” 

Um novo estudo sobre o impacto da Covid-19 ressalta o aumento no número de vítimas de tráfico humano durante a pandemia especialmente na exploração de crianças.  

O relatório do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Unodc, avalia ainda como organizações respondem aos desafios causados pela pandemia e como elas fazem o atendimento a quem precisa apesar de todas as restrições e barreiras impostas desde o ano passado.  

Justiça  

Para a agência da ONU, a situação representa “uma pandemia de tráfico humano” com os criminosos se aproveitando da crise para alvejar as vítimas, adultos e crianças, que passaram a ficar mais tempo na internet.  

Um outro fator são as perdas de renda e o desemprego gerado pela crise.  

Menino de 17 anos no leste do Sudão, que sobreviveu ao tráfico humano, expressa seu desejo de ser libertado

Unicef/Osama Idriss

Menino de 17 anos no leste do Sudão, que sobreviveu ao tráfico humano, expressa seu desejo de ser libertado

A diretora-executiva da agência afirma que com a pandemia, ficou mais difícil detectar o tráfico de pessoas e muitas vítimas não conseguem obter acesso à justiça.  

O estudo ajuda ainda a legisladores e profissionais da justiça penal ao examinar estratégias para investigar e processar os criminosos em épocas de crise.  

Exploração sexual de crianças  

O chefe da Seção de Contrabando de Migrantes e Tráfico Humano do Unodc, Ilias Chatzis, lembrou que esses criminosos atuam em situações de vulnerabilidade enganando as vítimas com falsas promessas. E pessoas desesperadas tendem a acreditar nas mentiras.    

O estudo revela que tem aumentado o número de crianças vítimas dos traficantes que usam as redes sociais e outras plataformas para recrutar os menores. 

Com o aumento de materiais de exploração sexual de crianças, crescem os crimes contra elas.   

Uma vítima de tráfico humano depois de concluir um programa de reintegração

©IOM/S.Desjardins

Uma vítima de tráfico humano depois de concluir um programa de reintegração

Além disso, o confinamento social e as fronteiras fechadas fazem com que as vítimas tenham menos chance de escapar dos traficantes.  

Bandidos  

Os autores do relatório afirmam que mesmo com as dificuldades da pandemia, o crime de tráfico humano não diminuiu, uma vez que os bandidos se adaptam rapidamente à nova realidade.  

Em vez de atuarem em locais públicos, eles passam as atividades para propriedades privadas e para a internet.  

Em alguns países, policiais e investigadores dedicados a essa área foram transferidos para outros setores para ajudar a responder à pandemia.   

Por isso, o Unodc defende que a estratégia de enfrentamento deve incluir atividades de combate ao tráfico humano que possam seguir sem interrupção em tempos de crise com o a de uma pandemia. 

4 milhões de vítimas de covid-19: Mensagem do secretário-geral

Hoje, o número de mortes devido à covid-19 chegou a 4 milhões. Um valor desolador, maior do que a população de um terço dos países mundo. Portugal já registou 17.126 óbitos devido à pandemia, um número que continua numa trajetória crescente.

Neste triste marco da pandemia, o secretário-geral da Nações Unidas, António Guterres, lamenta a trágica perda de vidas humanas. “Muitos de nós conhecem essa perda diretamente e sentem esta dor. Choramos mães e pais que nos orientaram, filhos e filhas que nos inspiraram, avós que partilharam sabedoria, colegas e amigos que elevaram as nossas vidas.” – compadece o secretário-geral.

António Guterres declara ainda que esta pandemia está longe de terminar, tendo metade das vítimas registadas falecido este ano. Porém, já existe uma solução para acabar com a mesma: a vacinação.

O secretário-geral da Nações Unidas reafirma a importância da vacinação inclusiva para conter a propagação dos vírus, impedir a mutação de novas variantes e evitar mais mortes. “Muitos outros milhões estão em risco caso o vírus consiga alastrar-se como um incêndio. Quanto mais se espalha, mais variantes haverá – variantes que são mais transmissíveis, mais mortais e com maior probabilidade de prejudicar a eficácia das vacinas atuais.” – alerta Guterres.

Assim, o secretário-geral incita ao maior esforço global para a saúde pública de sempre para a criação de um Plano Global de Vacinação. Este deverá duplicar a produção de vacinas e garantir uma distribuição equitativa, usando a COVAX como plataforma; garantir a coordenação na implementação e financiamento; apoiar os governos nacionais na implementação de programas de imunização e desencorajar e hesitação na vacinação.

Para que este se concretize Guterres convoca um Grupo de Trabalho de Emergência que reúna todos os países com capacidade de produção de vacinas, a Organização Mundial da Saúde, a aliança global de vacinas GAVI e as instituições financeiras internacionais capazes de lidar com as empresas farmacêuticas, com os fabricantes relevantes e com outras partes interessadas.

“A equidade da vacina é o maior teste moral imediato dos nossos tempos. É também uma necessidade prática. Até que todos sejam vacinados, todos estão sob ameaça. A recuperação mundial requer uma vacinação global. A trágica perda de quatro milhões de pessoas deve impulsionar os nossos esforços urgentes para que esta pandemia acabe para todos, em todos os lugares.” – conclui o secretário-geral da Nações Unidas.

Unaids alerta sobre aumento de contaminação com HIV entre meninas na África

Cinco agências das Nações Unidas unem esforços para garantir acesso igual das meninas e rapazes à educação secundária gratuita até 2025, mitigando os impactos do HIV sobretudo em mulheres.

O alerta é do Unaids, Programa Conjunto sobre HIV/Aids, ONU Mulheres, Unicef, Unfpa e a Organização para Educação, Ciência e Cultura, Unesco.

Redução dos riscos

O roteiro de alto nível foi lançado no Fórum Geração Igualdade, que terminou em 2 de julho, em Paris, para acelerar a ação e o investimento, alargando o acesso à educação secundária a todos os jovens e promovendo a saúde e os direitos das adolescentes e jovens mulheres na África Subsaariana.

Chefe da Unaids, Winnie Byanyima defende liderança política para que crianças possam concluir educação secundária

ONU/Loey Felipe

Chefe da Unaids, Winnie Byanyima defende liderança política para que crianças possam concluir educação secundária

O foco é garantir a participação significativa e liderança das mulheres, em toda sua diversidade, para incluir as excluídas e vulneráveis e envolver homens enquanto aliados e agentes de mudança. A ideia é eliminar as normas de gênero prejudiciais e masculinidades.

O advento da Covid-19 tornou a educação uma preocupação urgente e o seu impacto socioeconômicos aumentou a exposição das meninas e jovens mulheres à violência no gênero, casamento infantil e gravidez indesejada. Os riscos da mortalidade materna elevaram também as vulnerabilidades de contrair o HIV.

A Diretora Executiva do Unaids espera que a manutenção das meninas na escola secundária reduza o risco de infeção em até um terço ou mais, em locais onde o vírus é comum, o casamento infantil, gravidez precoce e violência sexual e do gênero, conferindo-as habilidades e competências para o seu empoderamento econômico.

Perspectivas de gênero

Para Winnie Byanyima, a liderança política ousada e consistente é necessária para garantir que todas as crianças possam concluir uma rodada completa da educação secundária.

Uma parteira prepara remédios para um bebê HIV-positivo de duas semanas em Uganda.

Unicef/Jimmy Adriko

Uma parteira prepara remédios para um bebê HIV-positivo de duas semanas em Uganda.

A Iniciativa defende reformas com perspectiva de gênero nas políticas, leis e práticas para garantir a educação, saúde e outros direitos socioeconômicos dos adolescentes e jovens, incluindo mudanças nos requisitos de consentimento dos pais e eliminação de taxas de acesso aos serviços básicos de HIV e da saúde sexual e reprodutiva.

Os protagonistas convocam os países a fazerem dos sistemas de educação ponto de entrada para fornecer um pacote mais holístico de elementos essenciais que o grupo alvo precisa à medida que vai se tornando adulto. As necessidades incluem uma educação sexual abrangente e o direito e saúde sexual reprodutiva.

Pilar de uma nação

A jovem ativista do Benim, Anita Myriam Kouassi quer dos líderes ações concretas, lembrando que o combate às desigualdades e ao analfabetismo permitiriam as meninas assumirem cedo o comando de suas vidas e o controlo das escolhas em torno de seus corpos e saúde.

Unaids diz ser alto o número de meninas adolescentes e jovens mulheres que contraem e morrem de doenças ligadas ao HIV/Aids

Foto Unicef/ Frank Dejongh

Unaids diz ser alto o número de meninas adolescentes e jovens mulheres que contraem e morrem de doenças ligadas ao HIV/Aids

Ela disse “somos vulneráveis sem saber como nos defender ou fazer as nossas vozes serem ouvidas. Esta é a razão por que não podemos viver sem educação das meninas, a rocha e o pilar de uma nação forte com a para as meninas”.

Cinco países africanos já aderiram a iniciativa que compreende uma ampla gama de compromissos para lidar com o elevado número de meninas adolescentes e jovens mulheres que contraem e morrem de doenças ligadas à Aids, entre outras ameaças a sua sobrevivência, bem-estar, direitos humanos e liberdades.

Educação sexual

Os subscritores prometem intensificar, nos próximos três anos, a consciência da educação sexual através de treinamento e desenvolvimento de materiais pedagógicos dedicados, apoiando meninas gravidas e jovens mães em gravidez precoce, fornecendo instalações sanitárias de qualidade e promovendo acesso fácil a pensos higiênicos nas escolas.

Antes de a Covid-19 atacar, cerca de 34 milhões de meninas em idade do ensino secundário seriam privadas de uma educação integral, e estima-se que 24% de meninas adolescentes e mulheres de 15-24 anos na região africana estivessem fora da educação, formação ou emprego. Nos rapazes, a cifra era de 14,6%.

Segundo os dados, um em cada quatro jovens da mesma idade são analfabetos e o Unicef estima que em 2020 o encerramento de escolas por conta da pandemia tenha afetado cerca de 250 milhões de estudantes e o temor é que milhões deles nunca mais possam voltar a sala de aula.

De Bissau, Amatijane Candé para a ONU News.

Mulher recebe medicamento para HIV para seu recém-nascido

Unicef/Frank Dejongh

Mulher recebe medicamento para HIV para seu recém-nascido

MIT: CAMPANHA “PAUSE” TRAVA DESINFORMAÇÃO

Por iniciativa do secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, foi lançada, durante a pandemia, a campanha “Verified”, uma iniciativa que pretende combater a desinformação no contexto da pandemia covid-19, aumentando a quantidade e o alcance de informação precisa e confiável.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), só nos primeiros três meses de 2020, quase 6.000 pessoas foram hospitalizadas devido à desinformação sobre a pandemia.

Do movimento “Verified”, nasceu a campanha “Pause” que apela às pessoas para que façam um a pausa e verifiquem a veracidade de qualquer informação antes de a partilharem. Um novo estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) diz que esta campanha pode trazer a mudança de comportamento necessária para parar a disseminação de desinformação.

O estudo do MIT, realizado no Reino Unido e nos EUA, concluiu que o simples ato de parar para questionar a origem, credibilidade, relevância e exatidão de qualquer informação antes de a partilhar reduziu, significativamente, a propensão das pessoas em partilhar informações erróneas. De acordo com este estudo, as pessoas familiarizadas com a campanha Pause têm menor probabilidade de partilhar notícias falsas.

A subsecretária-geral da ONU para as Comunicações Globais, Melissa Fleming, considera que o combate à desinformação é um assunto de todos e só unidos é que podemos impulsionar a mudança. Acresce que o estudo do MIT mostra que parar antes de partilhar não só é possível como também uma atitude responsável.

A campanha “Pause”, que envolveu quase mil milhões de pessoas, em 2020, procura redobrar os esforços para que mais pessoas partilhem informação de forma responsável. A nova fase da campanha conta com o hastag #PledgetoPause (#PrometoPausar) e tem como objetivo incentivar os indivíduos a partilhar imagens com o símbolo da campanha.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, considera que a desinformação pode ser mortal e apela ao compromisso de “fazer uma pausa” e ajudar a impedir a disseminação de notícias falsas.

SOBRE A CAMPANHA VERIFIED

Verified é uma iniciativa das Nações Unidas, em colaboração com a agência Purpose, que visa aconselhar os indivíduos com informação baseada na ciência, durante a pandemia.

A campanha cria e distribui informação fiável e precisa encorajando a sociedade civil a mudar as suas práticas de consumo dos meios de comunicação social para reduzir e parar a disseminação de desinformação.

Website: https://shareverified.com/en/

SOBRE A CAMPANHA DE PAUSE

Lançada como parte da iniciativa Verified, a campanha de Pausa recorre a estudos de psicólogos, neurocientistas e cientistas comportamentais cujas investigações indicam que parar e refletir antes de partilhar pode ajudar a reduzir a propagação de informação não verificada e enganosa. A campanha, que foi lançada há um ano, desafia as pessoas a quebrar o hábito de partilhar conteúdos de forma impulsiva e sem questionar a sua exatidão.

Website: https://pledgetopause.org

Distribuir vacinas contra a Covid-19 não é “ato de caridade”

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, pediu mais rapidez na distribuição de vacinas contra a Covid-19, por meio da aliança Covax. 

Em Genebra, Tedros Ghebreyesus lembrou que os países que já saem do confinamento e retomam a vida social são aqueles “que têm um grande estoque de testes, de equipamentos de proteção, de oxigênio e principalmente, de vacinas”. 

A iniciativa Covax já chegou a mais de 100 países. Nesta imagem, doses de vacina chegam a Bukavu, na República Democrática do Congo

Unicef/Chiara Frisone

A iniciativa Covax já chegou a mais de 100 países. Nesta imagem, doses de vacina chegam a Bukavu, na República Democrática do Congo

Distribuição Igualitária 

O chefe da OMS disse por outro lado, que os países sem este tipo de acesso são os que enfrentam uma onda de mortes e de internações, agravada pelas variantes do vírus. 

Tedros declarou que distribuir as vacinas de forma igualitária não é nada fora do alcance “nem se trata de nenhum ato de caridade”. 

Segundo ele, a pandemia está numa fase muito perigosa, apesar de vários esforços para controlá-la. 

Idoso no Peru recebe a vacina de Covid-19

FMI/Ernesto Benavides

Idoso no Peru recebe a vacina de Covid-19

Países de Baixa Renda

O chefe da OMS lembra que é do interesse de todos garantir que as nações de rendas média e baixa tenham vacinas, testes e tratamentos. 

As declarações de Tedros foram feitas na terça-feira, durante um encontro do conselho da agência da ONU responsável por acelerar o acesso aos meios de combate à Covid-19.