Uma nova publicação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, e da União Africana quer impulsionar o comércio agrícola regional em apoio ao acordo de Zona de Comércio Livre Continental.
Em vigor deste 1º de janeiro deste ano, a área de comércio livre é a maior do mundo em termos de número de países participantes, representando um mercado de 1,2 bilhão de consumidores.
Colaboração
A FAO destaca que seja incentivado o comércio agrícola entre os países africanos, tendo em conta que é importante colaborar para aumentar a segurança alimentar e nutricional na região do mundo que mais importa alimentos.
Pescadores senegaleses descarregam peixes de seus barcos para vender nos mercados locais e exportar para outros países
Por ano, África gasta US$ 80 bilhões em produtos agrícolas e alimentícios comprados em outras regiões do mundo. O destaque vai para cereais, carnes, laticínios, gorduras, óleos e açúcar.
Com o Quadro para Impulsionar o Comércio Intra-Africano de Produtos e Serviços Agrícolas, a ideia é reduzir ou eliminar as barreiras ao comércio para facilitar e expandir essas atividades.
Crescimento
Entre as principais limitações para essas trocas estão medidas não tarifárias, incluindo processos alfandegários complicados, diversos padrões alimentares ou conflitantes e políticas que incentivam a informalidade.
Com o novo quadro também se pretende desbloquear o potencial do setor agrícola em favor de um crescimento continental sustentável e inclusivo.
Banco Mundial/John Hogg
Terrenos agricolas com fábricas ao fundo, na África do Sul
De acordo com a publicação, os países da África consomem menos de 20% do total dos produtos agrícolas vendidos na região.
Liberalização
A agência da ONU realça a aposta dos países africanos de baixar em 90% os impostos e mais de 5 mil linhas tributárias, além de liberalizarem os serviços.
Somente na fase de transição, essa liberalização tarifária permitiria gerar até US$ 16,1 bilhões e um crescimento de 33% no comércio de mercadorias, o equivalente a mais do dobro da proporção atual.
ONU
Alcca deve favorecer a industrialização, o crescimento de empresas e crescimento do comércio entre países da África.
O Conselho de Segurança aprovou, esta sexta-feira, por unanimidade, o envio de até 60 monitores para acompanhar o cessar-fogo na Líbia.
Pela proposta do secretário-geral da ONU, António Guterres, ao órgão, os especialistas serão despachados à cidade de Sirte após o cumprimento dos requisitos para uma presença permanente, incluindo pontos de segurança, logística, médicos e operacionais.
Novo mecanismo
O mecanismo de monitoramento de cessar-fogo é um dos pontos mais importantes no acordo de cessar-fogo na Líbia assinado em outubro passado.
ONU/Violaine Martin
Governo interino foi escolhido no Fórum de Diálogo Político da Líbia
A resolução apela ao novo governo de unidade que se prepare para realizar eleições livres, justas e inclusivas em 24 de dezembro deste ano.
O Conselho enfatiza ainda necessidade de uma “participação plena, igualitária e significativa das mulheres e a inclusão da juventude” no pleito.
Administrações
No relatório apresentado ao Conselho em princípios de abril, Guterres sugere uma presença inicial de monitores em Trípoli, assim que as condições o permitam.
Desde 15 de março, o país do norte de África é administrado por um governo de unidade na sequência de confrontos entre administrações rivais que controlavam as regiões leste e oeste.
ONU/Manuel Elias
Conselho enfatiza a necessidade de uma participação plena de mulheres e jovens no pleito de dezembro
Embora, em grande parte, poupados do impacto físico da covid-19, os jovens, em todo o mundo, permanecem entre os mais afetados pela pandemia.
As restrições de contato social associadas à covid-19 levaram ao fecho das escolas. Para muitos jovens, isso resultou numa enorme mudança: a aprendizagem na sala de aula passou para o quarto, a sala de estar ou a cozinha.
A ansiedade dos exames e os impactos na educação e nas perspectivas de carreira são agravadas por oportunidades limitadas de conectar e socializar com amigos.
Para outros, a sua educação foi interrompida repentinamente e, em alguns casos trágicos, esta situação deixou-os em risco de violência física e sem apoio.
Entre os mais velhos, os que estão prestes a iniciar o ensino superior ou os recém-formados à procura de oportunidades de emprego, espera-os um futuro incerto.
Os impactos sociais e económicos da pandemia nas gerações futuras ainda não conseguem ser compreendidos na sua totalidade.
Dá a tua opinião!
A pandemia da covid-19 exacerbou as desigualdades já existentes na sociedade. Para resolver este problema temos de repensar as prioridades políticas e isso requer a visão a longo prazo das gerações futuras. Se fazes parte de uma organização da juventude que tem algo a dizer sobre como construir um futuro sustentável, a Comissão Pan-Europeia de Saúde e Desenvolvimento Sustentável quer ouvir-te.
Como podes participar?
São convidadas a apresentar as suas ideias as organizações de jovens formalmente estabelecidas como entidades não governamentais com objetivos sem fins lucrativos e de interesse público. Isso pode incluir, por exemplo, organizações comunitárias, grupos e redes da sociedade civil, organizações baseadas na fé e grupos profissionais com membros de idade inferior a 30 anos.
A tua organização é convidada a:
considar a declaração da Comissão “Repensando as prioridades políticas à luz da pandemia”;
refletir sobre como as ações propostas nesta declaração servem as necessidades das gerações futuras;
consultar os seus membros de forma a consolidar o seu feedback para esta iniciativa;
inserir as propostas da organização no SurveyMonkey;
Se tens uma história que desejas partilhar, entra em contato connosco através do e-mail eurofuturegenerations@who.int
Se tiveres alguma dúvida contacta toeurofuturegenerations@who.int .
O processo de consulta
Este processo está a ser conduzido pelo Secretariado da OMS da região europeia da OMS para e em nome da Comissão Pan-Europeia independente de Saúde e Desenvolvimento Sustentável.
A consulta virtual decorrerá de 15 de abril a 5 de maio de 2021. Após a consulta, todos os participantes serão convidados a participar numa sessão de esclarecimento de dúvidas de forma a conhecerem os resultados do processo e as reflexões dos membros da Comissão. Mais detalhes serão providenciados no futuro.
A consulta virtual será conduzida com base na transparência, inclusão, responsabilidade, integridade e respeito mútuo.
O que é a Comissão Pan-Europeia de Saúde e Desenvolvimento Sustentável?
Presidida pelo Professor Mario Monti, a Comissão é um grupo independente e interdisciplinar de líderes convocado pela OMS Europa para repensar as prioridades políticas face à pandemia.
É composta por ex-chefes de Estado e de governo, ilustres cientistas e economistas, chefes de instituições de saúde e de assistência social e líderes da comunidade empresarial e das instituições financeiras de toda a região europeia da OMS.
O objetivo da Comissão é aprender através das diferentes maneiras como os sistemas de saúde nacionais responderam à pandemia, de forma a fazer recomendações sobre investimentos e reformas para melhorar a resiliência dos sistemas de saúde e assistência social.
O trabalho da Comissão culminará num relatório que deverá ser publicado em setembro de 2021 com recomendações sobre investimentos e reformas para melhorar os sistemas de saúde e assistência social.
A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, pediu aos países da região para adotarem uma “estratégia abrangente” contra a Covid-19 que vá além das vacinas.
Falando a jornalistas em Washington, Carissa F. Etienne informou que as entregas dos imunizantes diminuíram na região e que “para a maioria dos países, as vacinas não vão parar esta onda de pandemia.”
Estratégias
Segundo a chefe da Opas, “simplesmente não há doses disponíveis suficientes para proteger todas as pessoas nos países em maior risco.” Por isso, ela diz que é preciso “interromper a transmissão por todos os meios possíveis com as ferramentas que existem.”
OMS/C. Black
Carissa Etienne contou que a Opas ajudou a distribuir mais de 3 milhões de doses de vacinas
Segundo Etienne, isso exige estratégias para acelerar a distribuição de vacinas e controlar o vírus usando medidas como uso de máscaras, distanciamento social e higiene das mãos.
Nas últimas semanas, restrições aos produtores de vacinas diminuíram as entregas e não se espera que os suprimentos se normalizem por mais algumas semanas.
Distribuição
Desde março, a Opas ajudou a distribuir mais de 3 milhões de doses de vacinas adquiridas pela Covax em 28 países.
A Opas tem um Fundo Rotativo que negocia, compra e organiza a logística para o envio de vacinas aos 36 países da região que participam da Covax.
Até o momento, nas Américas, mais de 247 milhões de vacinas foram administradas, inclusive por meio de acordos com países feitos individualmente com produtores de vacinas.
A Opas também está trabalhando com os Estados-membros para garantir mais doses para complementar o que os países adquiriram por meio de acordos bilaterais e por meio da Covax.
Aumento
Os números da pandemia continuam aumentando nas Américas. Na semana passada, mais de 1,3 milhão de pessoas foram infectadas e quase 36 mil pessoas morreram da doença.
Desde o início da Covid-19, 57 milhões de casos foram registrados na região, com mais de 1,3 milhão de mortes.
Carissa Etienne afirmou, no entanto, que as Américas “não estão agindo como uma região em meio a um surto que se agrava.”
Segundo ela, “apesar da transmissão contínua em muitos lugares, as restrições diminuíram, as multidões estão de volta e as pessoas estão se reunindo dentro de casa e usando o transporte público, muitas vezes sem máscara.”
Variantes
A chefe da Opas informou ainda que as novas variantes altamente transmissíveis estão alimentando a aceleração.
Descrevendo a América do Sul como o “epicentro” da crise de saúde, ela disse que novos casos estão aumentando drasticamente no Brasil, Colômbia, Venezuela, Peru e algumas áreas da Bolívia. Paraguai, Uruguai, Argentina e Chile também tiveram aumentos contínuos de infecções.
Segurança
Etienne reiterou a segurança das quatro vacinas autorizadas pela OMS, a Pfizer/BioNTech, duas versões da Oxford-AstraZeneca e a Janssen, dizendo que todas provaram ser seguros e eficazes.
Segundo ela, “relatos raros de coágulos sanguíneos estão sendo analisados por agências regulatórias, que devem fazer recomendações em breve.”
Entretanto, a chefe da Opas afirmou que “é importante continuar a administrar vacinas AstraZeneca onde estiverem disponíveis.”
A representante lembrou que quase 200 milhões de pessoas em todo o mundo receberam a vacina da AstraZeneca e os relatos de efeitos adversos são muito raros. Ela terminar dizendo que “essas vacinas podem salvar sua vida e a vida de seus amigos e familiares.”
Iniciativa em parceria com Nações Unidas marca presidência portuguesa do Conselho da União Europeia; setor agrícola responde pela produção de mais de 80% dos alimentos do mundo em termos de valor.
O ator Mateus Solano divulgou um vídeo para apoiar uma iniciativa cidadã de combate à poluição plástica.*
A campanha #DeLivreDePlástico pede aos aplicativos de entrega e restaurantes que reduzam a quantidade de plástico descartável que acompanha os alimentos. A proposta estabelece metas específicas para a eliminação dos plásticos.
Ação
Solano, que é Defensor da Campanha Mares Limpos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, desde 2018, afirma que chegou a hora de agir e diz que o momento é de união.
Foto: ONU Meio Ambiente
Plástico vai parar nos lixões, aterros e no meio ambiente chegando aos oceanos onde polui e mata os animais marinhos
“Os aplicativos são grandes vetores fazendo a ponte entre os restaurantes e os consumidores. Segundo uma pesquisa do Ipec, 86% dos consumidores acredita que os aplicativos têm responsabilidade em promover entregas livres de plástico descartável sendo que parte dessas pessoas acha que essa responsabilidade é compartilhada com os bares e restaurantes.
Por isso, queremos que eles se tornem parte da solução. Comprometendo-se com metas de redução e promovendo um diálogo setorial para que a gente possa receber as nossas refeições livres de plástico descartável.”
Segundo uma pesquisa da Ipec, Inteligência em Pesquisa e Consultoria, 72% dos consumidores não querem mais receber entregas de alimentos que contenham plástico descartável. A consulta foi realizada na internet, no início de março.
Como maior produtor de plásticos na América Latina, estima-se que no Brasil sejam lançadas 325 mil toneladas de plástico no oceano, todos os anos.
E a pandemia só agravou a situação com o aumento do movimento de plásticos nas entregas, como explica, o defensor da Campanha Mares Limpos, Mateus Solano.
Animais marinhos
“A pandemia trouxe mudança de hábitos e um aumento drástico na demanda por entregas de refeições. Os aplicativos cresceram 187%, no último ano, e com isso o volume de plástico descartável, que no Brasil, raramente é reciclado.
Esse plástico vai parar nos lixões, aterros e no meio ambiente chegando aos oceanos onde polui e mata os animais marinhos.”
A poluição plástica também está gerando danos à economia. Pela pesquisa da Ipec, 15% dos consumidores entrevistados já deixaram de pedir comida por aplicativo por se incomodarem com o excesso de plástico.
A pesquisa “Percepções sobre o plástico entre usuários de aplicativos de delivery” foi encomendada pelo Pnuma e pela Oceana.
Sacolas e embalagens
A Oceana é considerada a maior organização no Brasil destinada à conservação dos oceanos.
Dia Mundial dos Oceanos da ONU/Renee Capozz
Estima-se que no Brasil sejam lançadas 325 mil toneladas de plástico no oceano todos os anos
Mais da metade dos entrevistados pela pesquisa, gostaria que as sacolas de plástico (59%) e os recipientes de isopor (52%) fossem substituídos por materiais alternativos e menos poluentes que o plástico.
Mais de oito em cada 10 pessoas consultadas pela Ipec dizem que as empresas deveriam fornecer itens plásticos apenas quando solicitadas. E 88% reprovam qualquer uso de plástico em suas entregas.
Internautas
“Os dados da pesquisa mostram que o consumidor quer alternativas livres de plástico, mas para isso é necessário que as empresas as ofereçam seu serviço sem plástico sem custo adicional. É direito de cada cidadão optar por não poluir e ajudar a preservar o meio ambiente”, afirma a gerente da campanha pela redução da poluição por plásticos na Oceana, Lara Iwanicki.
A consulta foi feita com mais de mil internautas brasileiros de 16 anos entre 6 e 14 de março de 2021.
Para o coordenador da campanha Mares Limpos no Pnuma, Vitor Leal Pinheiro, “os aplicativos de entrega de refeição têm papel fundamental na transição para uma economia circular do plástico e na eliminação dos itens descartáveis desnecessários. Além de serem vetores da intensificação do delivery, sua capacidade de influência sobre a cadeia de valor coloca os aplicativos como importantes agentes dessa mudança.”
Leia o depoimento de Mateus Solano na íntegra:
“A pandemia trouxe mudança de hábitos e um aumento drástico na demanda por entregas de refeições. Os aplicativos cresceram 187%, no último ano, e com isso o volume de plástico descartável, que no Brasil, raramente é reciclado.
Esse plástico vai parar nos lixões, aterros e no meio ambiente chegando aos oceanos onde polui e mata os animais marinhos.
Os aplicativos são grandes vetores fazendo a ponte entre os restaurantes e os consumidores.
Segundo uma pesquisa do Ipec, 86% dos consumidores acredita que os aplicativos têm responsabilidade em promover entregas livres de plástico descartável sendo que parte dessas pessoas acha que essa responsabilidade é compartilhada com os bares e restaurantes.
Por isso, queremos que eles se tornem parte da solução. Comprometendo-se com metas de redução e promovendo um diálogo setorial para que a gente possa receber as nossas refeições livres de plástico descartável.
Afinal, 72% dos consumidores gostariam de receber a delivery sem plástico descartável e 15% já deixou de fazer um pedido por conta do incômodo com o plástico.
Precisamos nos unir para demandar uma mudança concreta.
Por isso, pedimos aos aplicativos que se comprometam, publicamente, com as propostas da campanha #DeLivreDePlástico. “
Apenas 55% das meninas e mulheres, dos 15 aos 49 anos, possuem autonomia corporal de acordo com o relatório “Situação da População Mundial 2021: O meu corpo é meu – Reivindicando o direito à autonomia e à autodeterminação”. Pouco mais de uma em cada duas mulheres e meninas tem o poder de decidir se e quando procurar atendimento médico, incluindo serviços de saúde sexual e reprodutiva, se ou qual método contracetivo usar, e se ou quando fazer sexo com seu parceiro ou marido. Porém, esta média mundial esconde as disparidades regionais. No Mali, Níger e Senegal, 90% das mulheres não possuem autonomia corporal.
Nos últimos 10 anos, as tendências positivas estão associadas à autonomia médica e as negativas ao poder de negar sexo, este diminuiu 20% na última década. O estudo revela que no Azerbaijão, Ruanda e México, algumas mulheres concordam em perder o direito de negar sexo em troca de maior autonomia noutras esferas da sua vida, como na tomada de decisões familiares ou capacidade de decidir se ou quando sair de casa. Os dados qualitativos indicam que as mulheres também podem satisfazer os pedidos sexuais dos homens como moeda de troca para mais independência nos seus empreendimentos económicos e pessoais. Essas compensações foram relatadas no Azerbaijão, México, Níger e Nigéria.
A publicação o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) a agência da ONU para a saúde sexual e reprodutiva reforça a importância da autonomia corporal como direito universal, revelando as graves consequências da ausência da mesma. Estas consequências têm sido exacerbadas pela pandemia da covid-19, levando a que um número recorde de mulheres e meninas esteja em risco de violência de género, pobreza, casamento precoce, mutilação genital feminina e abandono escolar. A pandemia exacerbou a desigualdade de género, levando a que novas restrições na saúde e nos direitos sexuais e reprodutivos ameacem o progresso em direção à autonomia corporal feminina.
A publicação define o direito à autonomia corporal como o poder de fazer escolhas, sem medo de violência ou de que outra pessoa decida em seu lugar. Associado a esta autonomia está o direito à integridade física, o direito de viver livre de atos físicos não consentidos.
O relatório aponta como principais fatores decisivos da autonomia corporal as circunstâncias socioeconómicas, estando um maior poder de tomada de decisão associado a níveis mais altos de educação e poder económico; as relações interpessoais, nomeadamente com parceiros e familiares; a vida comunitária, a noção de autonomia corporal pode ser vista como incompatível com as normas e os valores locais; e as barreiras de acesso aos serviços de saúde, destacando-se a ausência de serviços que satisfaçam as necessidades adolescentes e jovens, a escassez de métodos de contracepção, serviços de má qualidade ou mal administrados, preconceito e falta de privacidade.
“Alcançar a autonomia corporal depende da igualdade de género e da expansão das escolhas e oportunidades para mulheres, meninas e grupos excluídos.”, declarou a diretora da UNFPA em Genebra, Mónica Ferro, que apresentou o relatório esta quarta-feira.
De acordo com o UNFPA, outro fator limitador da autonomia corporal é o casamento infantil. As estimativas indicam que existem, hoje, 650 milhões de mulheres que casaram antes dos 18 anos e, todos os anos, outras 12 milhões de meninas casam antes de se tornarem adultas. Estima-se que até 2030 mais 120 milhões de mulheres e meninas terão casado antes de completar os 18 anos. O Níger, por exemplo, tem a maior taxa de prevalência de casamento infantil do mundo, 76% das meninas casam antes dos 18 anos. A redução da educação formal destas crianças trás graves implicações económicas para as mesmas e para as suas comunidades. O casamento infantil tem um impacto enorme na sua saúde sexual e reprodutiva, e na sua capacidade de tomar decisões de forma autónomas.
Espelhando leis que discriminam, especialmente as mulheres, dentro do casamento ou as forçam a assumir casamentos indesejados, existem também restrições legais generalizadas a relações sexuais entre adultos do mesmo sexo e com consentimento mútuo. São também prevalentes restrições restrições para parceiros do mesmo sexo que contraem matrimónio legal. Atualmente existem 69 países no mundo onde as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo são ilegais. Estas leis limitam a autonomia dos, aproximadamente, 300 milhões de membros da comunidade LGBTI. Ambientes legais punitivos, combinados com estigma, discriminação e elevados níveis de violência, colocam homens que fazem sexo com outros homens em alto risco de contrair VIH. Estes são forçados à clandestinidade e, consequentemente, não recebem a educação sexual adequada e dificilmente procuram serviços de saúde, testes e tratamento.
Esta publicação realça o papel fundamental do Estado na garantia da autonomia corporal. Apenas 75% dos países providenciam legalmente acesso igual e completo à contraceção. Apenas 80% dos países têm leis que apoiam a saúde e o bem-estar sexual. Apenas 56% dos países possuem leis e políticas de apoio à educação sexual abrangente. 20 países possuem enquadramentos legais onde um homem pode evitar um processo criminal caso se case com a mulher ou menina que violou. 43 países não possuem legislação que condene a violação no casamento. Mais de 30 países restringem o direito das mulheres a sair de casa. Os governos nacionais devem remover as barreiras à tomada de decisão individual, defender os direitos dos mais vulneráveis e estabelecer sistemas para prevenir violações destes direitos.
A falta de autonomia corporal resulta, principalmente, em perdas individuais profundas para mulheres e meninas. Todavia, esta também contribuiu para défices mais amplos, afetando a produtividade económica, a riqueza de mão de obra e impondo custos extras a serviços de saúde e judiciais, inclusive de forma a responder à violência de género. Para algumas mulheres e meninas, o impacto da desigualdade de género é amplificado por múltiplas fontes de discriminação com base em idade, raça, etnia, orientação sexual, deficiência ou mesmo localização geográfica.
“Não há nada mais transformador para a vida das meninas e mulheres do que o poder de decidir”, afirmou a embaixadora da boa vontade do UNFPA, Catarina Furtado, que também participou na apresentação desta publicação inédita do UNFPA.
De acordo com este relatório, nenhum país do mundo hoje pode afirmar ter alcançado a igualdade de género na sua totalidade. Se assim fosse, não haveria violência contra mulheres e meninas; não haveria diferenças salariais, nem de liderança; nem carga injusta de trabalho não remunerado; nem falta de serviços de saúde reprodutiva, nem falta de autonomia corporal. A UNFPA defende que as nossas comunidades e países só florescem quando todos os indivíduos têm o poder de tomar decisões sobre os seus próprios corpos e de traçar o seu próprio futuro.
“As nossas comunidades e países só florescem quando todos os indivíduos têm o poder de tomar decisões sobre os seus próprios corpos e de traçar o seu próprio futuro.”, acrescentou a diretora da UNFPA.
A Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, irá ajudar o Japão a liberar um milhão de toneladas de água do mar contaminada usada para resfriar a usina nuclear de Fukushima.
Em comunicado, o diretor geral da Aiea, Rafael Mariano Grossi, disse que a solução do Japão é “tecnicamente viável e em linha com a prática internacional.”
Ambiente
A decisão acontece 11 anos depois que um tsunami inundou os reatores da usina, causando uma série de explosões e forçando a evacuação de mais de 60 mil pessoas.
IAEA/Giovanni Verlini
Tanque danificado em Fukushima Daiichi
Grossi informou que a agência está pronta “para fornecer suporte técnico no monitoramento e revisão da implementação segura e transparente do plano”.
Segundo a agência, descargas de água controlada no mar são prática de rotina para operar usinas nucleares no mundo após avaliações de impacto ambiental e de segurança.
Complexidade
O chefe da Aiea afirmou, no entanto, que “a grande quantidade de água” envolvida torna este caso “único e complexo”.
Grossi lembrou que tanques com água ocupam grandes áreas do local. Segundo ele, “a gestão, incluindo o descarte da água tratada de forma segura e transparente envolvendo todas as partes interessadas, é de fundamental importância para a sustentabilidade das atividades” que irão encerrar a usina.
Para o chefe da agência, a decisão do governo do Japão “é um marco que ajudará a pavimentar o caminho para o progresso contínuo no descomissionamento da usina nuclear de Fukushima Daiichi.”
Planos
Segundo agências de notícias, o Japão planeja começar a liberar 1,25 milhão de toneladas de água do mar contaminada no Oceano Pacífico em dois anos, mas somente depois de filtrada e retirada da maior parte do material radioativo.
Esse processo deve eliminar os isótopos radioativos de estrôncio e césio, mas não o trítio, que está ligado ao hidrogênio e representa pouco risco para a saúde em baixas concentrações.
Aiea/Giovanni Verlini
Comitê da ONU disse que a radiação libertada pelo acidente parece não estar aumentando os casos de câncer em Fukushima
A China e a Coreia do Sul já denunciaram publicamente a medida, juntamente com o grupo Greenpeace Japão. Para a ONG ambientalista, a decisão é “totalmente injustificada” e os perigos da radiação seriam menores armazenando e processando a água a longo prazo.
Confiança
A liberação de toda a água do mar contaminada levará três décadas.
O diretor-geral da Aiea, que visitou a usina no ano passado, disse que a agência irá “atuar em estreita colaboração com o Japão antes, durante e depois do despejo da água.”
Segundo ele, essa parceria “ajudará a aumentar a confiança, no Japão e além, de que o descarte de água é realizado sem um impacto adverso na saúde humana e no meio ambiente.”
A Organização Mundial da Saúde, OMS, alertou para o aumento do número de contaminação e mortes por Covid-19 entre jovens.
No briefing desta segunda-feira a jornalistas, por internet, o diretor-geral da agência, Tedros Ghebreyesus, diz que é falsa a impressão de que se um jovem pegar a doença será facilmente curado.
Unicef/Naua
Jovens voluntários na Jordânia estão apoiando suas comunidades durante a crise da Covid-19
Ansiedade
Segundo ele, pacientes jovens e saudáveis estão morrendo com Covid-19. E ainda não se sabe, ao certo, quais são as sequelas da doença para os que sobrevivem.
Em todo o mundo, foram aplicadas até o momento, 780 milhões de doses de vacinas contra a Covid. Mesmo assim, o número de novas contaminações tem subido pela sétima semana consecutiva. E há um mês, a taxa de óbitos não pára de aumentar.
Muitas pessoas que pegaram Covid relatam efeitos a longo prazo como: fadiga, fraqueza, tontura, desorientação, tremores, insônia, depressão, ansiedade, dor nas articulações, aperto no peito e outros.
UN Mulheres
Em alguns países, onde o vírus foi controlado, a população já está retornando as atividades sociais.
Eventos desportivos
Tedros voltou a dizer que o vírus pode ser interrompido e contido com medidas comprovadas de saúde pública e respostas rápidas e consistentes. Ele citou o exemplo de alguns países, onde a população já está retornando a eventos desportivos, shows, restaurantes e a visitas de familiares.
Já em outros países, os hospitais operam acima da capacidade e, apesar da contaminação, os restaurantes, casas noturnas e mercados continuam abertos e lotados e as pessoas sem precaução.
Para o chefe da OMS, mesmo com a vacina é preciso manter o distanciamento físico, máscaras, higienização das mãos, ventilação, vigilância, teste, rastreamento de contato, isolamento, quarentena e cuidado são fatores de prevenção e ajudam a salvar vidas.
Tedros contou que a pandemia provou que que a capacidade de fabricação global não é suficiente. A OMS está discutindo com os países o aumento da produção e de insumos que cheguem a quem precisa de forma rápida e equitativa.
Américas
Banco Mundial/Jairo Bedoya
Fila de supermercado em Bogotá, na Colômbia, um dos países beneficiados pela iniciativa Covax.
Investir em capacidade de produção doméstica sustentável e segura e em autoridades regulatórias nacionais é fundamental para fornecer imunização e sistemas de saúde fortes e resilientes contra futuras emergências.
As vacinas distribuídas pela parceria Covax, da OMS, já levaram 3 milhões de doses desde 1º de março, mas a chefe da Organização Pan-Americana da Saúde, Carissa Etienne, diz que a região ainda está longe de cobrir todos os grupos vulneráveis.
Ao todo, foram alcançados 49 países e territórios nas Américas com mais de 210 milhões de doses de todas os laboratórios com base nos acordos de governos com farmacêuticas.
BioNTech
A meta da Covax é vacinar cerca de 100 milhões de pessoas na região até o final de 2021.
Covax
A meta da Covax é vacinar cerca de 100 milhões de pessoas na região até o final de 2021, com todos os países recebendo vacinas suficientes para imunizar 20% de suas populações.
Etienne diz que as Américas, a região com o maior índice de casos e óbitos, tem de ser uma prioridade. Ela está preocupada com a escassez de doses para os países latino-americanos e caribenhos. Em todo o mundo já foram aplicadas 36 milhões de doses de imunizantes como parte da parceria Covax.
O lixo plástico tem efeitos arrasadores para os oceanos, a vida marinha e a saúde humana. A poluição também afeta as indústrias de pesca e transporte marítimo.
Um projeto internacional quer ajudar a reduzir o lixo plástico marinho com 30 países em regiões: Ásia, África, Caribe, América Latina e Pacífico.
Foto ONU: Martine Perret
De acordo com a ONU, se a tendência atual continuar, até 2050, a quantidade de plástico nos oceanos pode ser maior do que a de peixes.
Noruega
O Projeto de Parcerias GloLitter é implementado pela Organização Marítima Internacional, OMI e pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, com financiamento inicial do Governo da Noruega por meio da Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento, Norad.
A iniciativa ajudará o setor com a redução de lixo marinho, incluindo equipamentos de pesca perdidos ou descartados, em uma tentativa de salvaguardar os recursos costeiros e globais.
O chefe do Departamento de Parcerias e Projetos da OMI, Jose Matheickal, disse que o lixo marinho é um flagelo nos oceanos e no planeta.
Já o diretor de Pesca e Aquicultura da FAO, Manuel Barange, afirm que a iniciativa é um passo importante para lidar com o problema e ajudará a proteger o ecossistema, bem como a subsistência daqueles que dependem do oceano.
Foto ONU: Martine Perret
De acordo com a ONU, se a tendência atual continuar, até 2050, a quantidade de plástico nos oceanos pode ser maior do que a de peixes.
Países Líderes e Parceiros
Dez países foram confirmados como Países Parceiros Líderes, PPL, e mais 20 foram selecionados como Países Parceiros, PCs, do Projeto GloLitter.
Os PPL assumirão papéis de liderança em suas respectivas regiões para defender ações nacionais no contexto de apoio ao Plano de Ação da OMI sobre Lixo Marinho e as Diretrizes Voluntárias da FAO para a Marcação de Artes de Pesca. Os LPCs e PCs trabalharão juntos, por meio de um acordo de trabalho de geminação, para construir o suporte regional para o projeto. Entre os 10 principais parceiros estão Brasil, Índia, e Quênia.
Cabo Verde, Moçambique e Timor-Leste, de língua portuguesa, também integram a parceria ao lado da Tailândia, Sri Lanka e outros.
Ocean Cleanup/Pierre Augier
A iniciativa está de acordo com o Plano de Ação da OMI para lidar com o lixo plástico marinho dos navios.
Ação global tangível
Nos próximos meses, as Unidades de Coordenação do Projeto na OMI e na FAO trabalharão com os LPCs para desenvolver Planos de Trabalho Nacionais adaptados às necessidades de cada país.
O Projeto GloLitter equipará os países parceiros com conhecimentos e ferramentas que incluirão documentos de orientação, material de treinamento e metodologias para ajudar a fazer cumprir os regulamentos existentes. O projeto também promoverá a conformidade com os instrumentos relevantes da FAO.
A iniciativa facilitará o estabelecimento de parcerias público-privadas para estimular o desenvolvimento de soluções de gerenciamento de baixo custo para lixo plástico marinho, incluindo a análise de como diminuir o uso de plásticos nessas indústrias e a análise de oportunidades de reutilização e reciclagem de plásticos.
Este trabalho para reduzir o lixo plástico está de acordo com o Plano de Ação da OMI para lidar com o lixo plástico marinho dos navios.
A crise global causada pela Covid-19 teve um impacto arrasador também sobre o turismo internacional.
Dados da Organização Mundial do Turismo, OMT, revelam que houve uma queda de 87% no número de chegadas internacionais em janeiro deste ano, se comparado ao mesmo período do ano anterior.
Unsplash/Lukas
Muitos países ao redor do mundo estão considerando desenvolver um passaporte de vacinação Covid-19.
Protocolos
Para a OMT, uma coordenação mais forte dos protocolos de viagens entre os países pode garantir o reinício seguro do turismo e evitar mais um ano de perdas massivas para o setor.
Após um final de 2020 difícil, o turismo global continua a registrar perdas e reduções no início deste ano, à medida que os países aumentaram as restrições de viagens em resposta a novas fases de contaminação com a Covid.
De acordo com a agência da ONU, a queda drástica nas chegadas de turistas afetou todos os países.
Testes obrigatórios contra Covid, quarentenas e, em alguns casos, o fechamento completo das fronteiras, dificultaram a retomada das viagens.
Além disso, a velocidade e a distribuição da vacinação têm sido mais lentas do que o esperado.
TTB Video screenshot
O turismo em zonas rurais, como neste parque natural na Tanzânia, é uma importante fonte de empregos
Medidas urgentes
Para a OMT, a comunidade internacional precisa tomar medidas fortes e urgentes para garantir um ano com melhores resultados, já que muitas pessoas e empresas dependem do setor para sobreviver.
A região da Ásia-Pacífico continua a ter o maior nível de restrições a viagens e registrou a maior redução nas chegadas internacionais em janeiro: 96%. Europa e África tiveram queda de 85% nas chegadas, enquanto o Oriente Médio sofreu uma redução de 84%.
As chegadas internacionais nas Américas também diminuíram 77% em janeiro, após resultados um pouco melhores no último trimestre do ano.
O secretário-geral da OMT, Zurab Pololikashvili, afirma que também uma melhor coordenação entre os países e protocolos harmonizados de viagens e saúde são essenciais para restaurar a confiança no turismo e permitir a retomada com segurança antes do auge da temporada de verão no Hemisfério Norte.
ONU News/Vibhu Mishra
Turistas, como estes no Aeroporto de Bangkok, ainda enfrentam muitas restrições de viagem devido às medidas de controle da pandemia
Destinos fechados
Com 32% de todos os destinos globais ainda completamente fechados para turistas no início de fevereiro, a OMT espera um primeiro semestre de desafios no setor.
As chegadas internacionais devem baixar cerca de 85% já no primeiro trimestre de 2021 em relação ao mesmo período de 2019.
Isso representaria uma perda de cerca de 260 milhões de chegadas internacionais se comparado ao período antes da pandemia.
A OMT traçou dois cenários para este ano, que considera uma possível retomada das viagens internacionais no segundo semestre.
Captura de imagem do vídeo TTB
A OMT considera uma possível retomada das viagens internacionais no segundo semestre. Aqui, funcionário de parque na Tanzânia cumpre procedimento operacional para combater o Covid-19.
Vacinação
Eles são baseados numa série de fatores, como suspensão das restrições de viagem, o sucesso dos programas de vacinação ou a introdução de protocolos harmonizados, como o Certificado Verde Digital planejado pela Comissão Europeia.
O primeiro cenário aponta para uma recuperação em julho, o que resultaria em um aumento de 66% nas chegadas internacionais para o ano de 2021 em comparação com as mínimas históricas de 2020.
Nesse caso, as chegadas ainda estariam 55% abaixo dos níveis registrados em 2019.
O segundo cenário considera uma potencial recuperação em setembro, levando a um aumento de 22% nas chegadas em relação ao ano passado.
Centenas de moçambicanos que tiveram que escapar da violência dos recentes ataques de grupos armados e extremistas islâmicos, em Palma, estão encontrando abrigos temporários com apoio do governo, da ONU e parceiros internacionais.
A Organização Internacional para Migrações, OIM, informou que até a quinta-feira, quase 14 mil pessoas foram cadastradas num Centro de Trânsito e Acolhimento em Pemba, capital da província de Cabo Delgado. As chegadas aumentam a cada dia.
Centenas de milhares de pessoas foram deslocadas pelo conflito nas províncias do norte de Moçambique
Sobrevivência
Os sobreviventes estão chegando por ônibus, barco, avião e até a pé. Milhares escaparam pelas matas e enfrentaram dias de caminhada por densas florestas.
As crianças representam mais de 40% por cento dos deslocados e pelo menos 170 chegaram descompanhadas de responsáveis.
Os confrontos em Cabo Delgado começaram em 2017 quando extremistas islâmicos e grupos armaos não-estatais entraram em choque com tropas do governo moçambicano.
A OIM está apoiando a mais de 1 mil deslocados com apoio psicossocial e assistência de proteção. Também facilita os encaminhamentos para serviços sociais e de saúde, além de distribuir cadeiras de rodas, muletas e outras ajudas em espécie.
Fuga
A chefe da missão da OIM em Moçambique, Laura Tomm-Bonde, disse que as equipes da OIM ajudam os sobreviventes a chegar a áreas mais seguras de Cabo Delgado depois de sua angustiante experiência de fuga destes ataques.
Quase 700 mil pessoas foram deslocadas internamente no norte de Moçambique desde o início da violência em outubro de 2017.
A cidade de Pemba e outros locais estão além da sua capacidade de fornecer serviços básicos.
A OIM assiste mais de 900 mil afetados por desastres e conflitos em Moçambique desde 2019, quando dois ciclones Idai e Kenneth atravessaram o país.
Em nota, secretário-geral, António Guterres, homenageou o trabalho ativo do marido da Rainha Elizabeth II, do Reino Unido, para melhorar a humanidade; ele também elogiou a dedicação do príncipe a mais de 800 organizações de caridade
O governo dos Estados Unidos da América anunciou a reposição do financiamento à agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina no Médio Oriente (UNRWA), mobilizando 150 milhões de dólares de apoio aos refugiados palestinianos.
Segundo a UNRWA, a reposição do apoio surge após a mais grave crise financeira da história da agência, que se agravou com a pandemia da covid-19. Os EUA foram o maior financiador desta organização desde a sua fundação, em 1949, tendo reduzido drasticamente a sua contribuição em 2018. A decisão agora tomada pela administração de Joe Biden será essencial para que a UNRWA continue a ser capaz de prestar assistência humanitária aos refugiados da Palestina, até que uma solução política justa e duradoura para o conflito seja alcançada.
“Os Estados Unidos têm o prazer de retomar o apoio aos serviços da UNRWA, incluindo o apoio à educação de mais de 500.000 meninos e meninas, proporcionando esperança e estabilidade nos cinco focos de operação da UNRWA no Líbano, na Jordânia, na Síria, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza” – secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken.
Anunciado esta quarta-feira, 7 de abril, o financiamento dos EUA apoiará o orçamento geral da UNRWA – que, em grande parte, será canalizado para a assistência a mais de 700 escolas, responsáveis pela educação de mais de meio milhão de crianças, mas também a 150 clínicas de saúde primária, que recebem 8,5 milhões de pacientes por ano. A ação da UNRWA procurará responder igualmente às emergências humanitárias na Síria, em Gaza e na Cisjordânia (Jerusalém Oriental inclusive), prestando assistência alimentar e de emergência, apoio psicossocial e de saúde, acesso à água, saneamento básico e na resposta à covid-19.
O comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, manifestou a sua gratidão pela renovada relação com os EUA, congratulando-se com a retoma do financiamento.
“A UNRWA e os EUA são parceiros históricos no trabalho conjunto, com outros generosos Estados-membros da ONU, para garantir que os refugiados da Palestina podem prosperar. A UNRWA não poderia estar mais satisfeita por retomar a parceria com os Estados Unidos para prestar assistência crítica a alguns dos refugiados mais vulneráveis do Médio Oriente, cumprindo o nosso propósito de educar e fornecer cuidados básicos de saúde a milhões de refugiados todos os dias. Nenhuma outra instituição faz o que a UNRWA faz, e temos o compromisso de proteger a segurança, a saúde e o futuro dos milhões de refugiados que auxiliamos. A contribuição dos EUA chega num momento crítico, enquanto nos ajustamos aos desafios que a pandemia covid-19 apresenta. Encorajamos todos os Estados-membros a contribuírem para a UNRWA”
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO informou que os preços dos alimentos, em março, subiram pelo décimo mês consecutivo.
A média de 118,5 pontos de março registrou uma alta de 2,1 pontos se comparada a fevereiro. Este é o índice mais alto desde 2014.
Oceania
A agência da ONU revela que o aumento foi provocado pelo preço do óleo vegetal e dos laticínios.
O Índice de Preços dos Alimentos da FAO acompanha as mudanças mensais nos preços internacionais dos alimentos da cesta básica. Com a disparada no valor do óleo vegetal, o mercado notificou a maior alta dos últimos 10 anos do produto.
Já os derivados de leite ficaram 3,9% mais caros em relação a fevereiro incluindo a manteiga. O leite em pó também está custando mais por causa do aumento das importações pela Ásia e à queda na produção da Oceania.
Amisom/Omar Abdisalan
As importações da China e da Europa impulsionaram o aumento do preço da carne.
Carnes e cereais
Os consumidores de carne também notaram uma subida de 2,3% em média nos mercados com relação ao que pagavam em fevereiro. O aumento de importações pela China e da venda na Europa, antes do feriado de Páscoa, causaram a alta. O preço da carne bovina permanece estável.
Já os cereais registraram leve queda de 1,8% mesmo assim o preço é 26,5% mais alto que em março do ano passado. As perspectivas de safras favoráveis de trigo este ano assim como milho e arroz estão evitando a alta. Já o valor do sorgo aumentou.
Uma outra queda foi registrada no preço do açúcar após estimativas de exportações da Índia, mesmo assim a média é 30% acima do valor cobrado em 2020.
ONU/M Kobayashi
Produções acima da média também são esperadas para o trigo, o milho e o arroz.
Brasil e Índia
A FAO espera que esta produção mundial de cereais aumente pelo terceiro ano consecutivo e prevê que a produção global de trigo deva atingir um novo recorde de 785 milhões de toneladas em 2021, 1,4% a mais que em 2020, impulsionada por uma provável recuperação acentuada na maior parte da Europa e pelas expectativas de uma safra recorde na Índia.
Produções acima da média também são esperadas para o milho, com uma colheita recorde prevista no Brasil e uma alta em vários anos na África do Sul, de acordo com a FAO.
O consumo de cereais está previsto agora em 2.777 milhões de toneladas, 2,4% maior do que no ano anterior.
A proporção global de estoque de cereais para uso para 2020/21 está prevista para sofrer uma baixa de sete anos de 28,4%.
A FAO também aumentou sua previsão para o comércio mundial de cereais em 2020/21 para 466 milhões de toneladas, 5,8% a mais que o ano anterior. Também para o arroz, a previsão é que o comércio internacional cresça 6% com relação ao ano anterior.