Site Página 142

Para OMS, benefícios da vacina Astra Zeneca superam riscos de trombose

 A Organização Mundial da Saúde, OMS, e a Agência Europeia de Medicamentos afirmam que a vacina AstraZeneca/Oxford contra a Covid-19 traz mais benefícios que riscos para a saúde.

A declaração ocorre após relatos de que a vacina produziria coágulos sanguíneos e casos de trombose em alguns pacientes.

Universidade de Oxford/John Cairns

A vacina contra o coronavírus desenvolvida pela Universidade de Oxford e AstraZeneca é fabricada pelo Instituto de Soro da Índia.

Embarque

De acordo com a OMS, recentes relatos de suspensão do embarque de doses da vacina, fabricadas na Índia, como parte da parceria Covax, podem afetar países como Nicarágua, Haiti e Costa Rica.

A agência da ONU para a saúde na América Latina e no resto do continente indicou que o recente anúncio da suspensão do embarque de doses da AstraZeneca fabricadas pelo Instituto de Soro da Índia por meio do mecanismo Covax pode afetar a Bolívia, a Nicarágua e Haiti.
O parecer de apoio à AstraZeneca permanece firme, apesar das novas descobertas, publicadas na quarta-feira, pela Agência que vinculam a vacinação a casos raros de trombose.

Unicef/Dhiraj Singh

OMS diz que vacina da AstraZeneca é segura e deve continuar sendo usada

Coagulação

O gerente de Incidentes para Covid-19 da Organização Pan-Americana da Saúde, Sylvain Aldighieri, confirmou a decisão e deu mais detalhes em uma coletiva de imprensa.  

Ele explicou que a avaliação da OMS indica que 62 casos raros de distúrbios de coagulação, coagulação intravascular disseminada ou trombose. Há 62 casos de distúrbios em mais de 30 milhões de doses administradas na Europa .

Aldighieri recomendou um monitoramento estrito da segurança de todas as vacinas e a notificação e investigação de todos os eventos adversos.

A Costa Rica recebeu, nesta quarta-feira, 43.200 doses de vacinas AstraZeneca das quase 220 mil planejadas para a primeira remessa, enquanto na República Dominicana mais de 91 mil doses das mais de 2 milhões que o país espera acabam de chegar pela Covax.

Dada à falta de vacinas, o vice-diretor da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, Jarbas Barbosa, destacou que a AstraZeneca conta com dois novos centros na Europa, um na Itália e outro na Espanha, que serão usados para fornecer mais vacinas para a Covax. Ambos aguardam autorização da OMS, que deve sair em breve.

University of Oxford/John Cairns

Iniciativa Covax é passo importante para a distribuição coordenada de vacinas

América do Sul 

A diretora-geral da Opas, Carissa Etienne, explicou que na semana passada mais de 1,3 milhão de novos casos foram registrados na região, além de 37 mil mortes, mais da metade  no continente americano. 

Etienne contou que na América do Norte os casos e hospitalizações estão aumentando no Canadá, enquanto as taxas de infecção caem nos Estados Unidos e no México. 

Ela destacou que em nenhum lugar as infecções são mais preocupantes do que na América do Sul, onde os casos estão crescendo em quase todos os países. Os casos dobraram na Bolívia e na Colômbia na última semana e os quatro países do Cone Sul viram uma aceleração nos casos de Covid-19. As Unidades de Terapia Intensiva estão se aproximando da capacidade máxima no Peru e no Equador.

Ela acrescentou que, na última semana, Estados Unidos, Brasil e Argentina estiveram entre os 10 países do mundo que registraram o maior número de novas infecções no mundo. 

 
 

OMS apela à construção de um mundo mais justo e saudável no pós-covid-19

A covid-19 afetou mais severamente as populações vulneráveis, exacerbando as desigualdades pré-existentes na saúde ao nível regional e internacional. Neste Dia Mundial da Saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz cinco apelos de ação urgente para melhorar a saúde de todos.

Regionalmente, infeções e mortes por covid-19 têm sido mais proeminentes nos grupos que enfrentam discriminação, pobreza, exclusão social e condições adversas de vida e trabalho – nomeadamente aqueles que vivem em contextos decrises humanitárias. Estima-se que, no ano passado, a pandemia tenha levado 119 a 124 milhões de pessoas à pobreza extrema. Há fortes indícios de que a pandemia aumentou as disparidades de género no trabalho, tendo as mulheres saído da força de trabalho em maior número do que os homens nos últimos 12 meses.

Estas desigualdades nas condições de vida, acesso a serviços de saúde, ao poder, dinheiro e recursos são crónicas. Resultado: as taxas de mortalidade em menores de 5 anos entre as crianças das famílias mais pobres são o dobro das crianças das famílias mais ricas. A esperança média de vida em países de baixo rendimento é 16 anos mais baixa do que nos países de alto rendimento. Por exemplo, globalmente, 9 em cada 10 mortes de cancro cervical ocorrem em países de baixo e médio rendimento.

Mas, à medida que os países continuam a lutar contra a pandemia, surge uma oportunidade única de reconstruir melhor para alcançar um mundo mais justo e saudável, implementando compromissos, resoluções e acordos existentes e, ao mesmo tempo, assumindo novos e ousados ​​compromissos.

“A covid-19 prosperou devido às desigualdades nas nossas sociedades e às lacunas nos nossos sistemas de saúde”, afirma o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “É crucial que todos os governos invistam no fortalecimento dos seus serviços de saúde e na remoção das barreiras que impedem tantos de os usar, de forma a que mais pessoas tenham a oportunidade de viver vidas saudáveis.”

A OMS está, portanto, a fazer cinco apelos à ação:

Acelerar o acesso equitativo às tecnologias de combate à covid-19 ao nível regional e internacional 

Vacinas seguras e eficazes foram desenvolvidas e aprovadas em velocidade recorde. O desafio agora é garantir que estas sejam acessíveis a todos. É crucial apoiar a COVAX, o pilar da vacinação do ACT-Accelerator, que espera chegar a 100 países nos próximos dias.

 

Mas as vacinas por si só não vão acabar com a covid-19. Produtos básicos como oxigénio medicinal, equipamentos de proteção individual, testes diagnósticos ​​e medicamentos, são essenciais para superar esta pandemia. O mesmo é verdade para a criação de mecanismos de distribuição justa de todos estes produtos regionalmente. O ACT-Accelerator visa implementar testes e tratamentos para centenas de milhões de pessoas em países de baixo e médio rendimento que, de outra forma, não teriam acesso aos mesmos. Porém, esta parceria ainda necessita de 22,1 mil milhões de dólares para conseguir fornecer estas ferramentas vitais onde são tão desesperadamente necessárias.

Investir nos cuidados primários de saúde

Pelo menos metade da população mundial ainda não tem acesso a serviços essenciais de saúde; mais de 800 milhões de pessoas gastam pelo menos 10% do seu rendimento familiar em cuidados de saúde e, estas despesas, levam quase 100 milhões de pessoas à pobreza todos os anos.

À medida que os países recuperam da covid-19, é crucial evitar cortes na saúde e noutros setores sociais. Possíveis cortes aumentarão as dificuldades sentidas pelos grupos já desfavorecidos, enfraquecerão o desempenho dos sistemas de saúde, ampliarão os problemas de saúde, aumentarão a futura pressão fiscal e ameaçarão os ganhos no desenvolvimento.

Em vez disso, os governos deverão cumprir a meta recomendada pela OMS de gastar mais 1% do PIB em cuidados primários de saúde (CPS). Os sistemas de saúde orientados para os CPS têm produzido, consistentemente, melhores resultados, maior equidade e eficiência. Ampliar as intervenções dos CPS em países de baixo e médio rendimento poderia, até 2030, salvar 60 milhões de vidas e aumentar a esperança média de vida em 3,7 anos. 

Os governos devem, também, reduzir o défice global de profissionais de saúde.São necessários 18 milhões destes profissionais para alcançar a cobertura universal dos serviços de saúde até 2030. Isso implica a criação de pelo menos 10 milhões de empregos a tempo inteiro e o fortalecimento dos esforços para igualdade de género. As mulheres prestam a maioria dos cuidados de saúde, representando até 70% dos os profissionais de saúde a nível mundial, porém estas não têm as mesmas oportunidades que os homens para ocupar cargos de liderança. Para resolver esta questão é essencial a igualdade de remuneração para reduzir as disparidades salariais de género e o reconhecimento do trabalho de saúde feminino não remunerado.

Dar prioridade à saúde e à proteção social

Em muitos países, os impactos socioeconómicos da covid-19, através da perda de empregos, aumento da pobreza, interrupções na educação e ameaças à nutrição, extrapolaram o impacto do vírus na saúde pública. Alguns países já implementaram medidas extraordinárias de proteção social para mitigar os impactos negativos das dificuldades sociais exacerbadas pela pandemia e iniciaram um diálogo para como apoiar as suas comunidades no futuro. Porém, a muitas nações faltam os recursos para providenciar estes apoios. É crucial garantir que estes investimentos têm o maior impacto nos mais necessitados e que as comunidades mais desfavorecidas estão envolvidas no seu planeamento e implementação.

Construir bairros seguros, saudáveis ​​e inclusivos

Os líderes municipais têm, muitas vezes, sido poderosos impulsionadores de melhorias na saúde – por exemplo, reformando os sistemas de transporte e instalações de água e saneamento. Porém, com muita frequência, a falta de serviços sociais básicos para algumas comunidades aprisiona-os num ciclo de doença e insegurança. O acesso a habitação saudável, em bairros seguros, com instalações educacionais e recreativas adequadas, é a chave para alcançar a saúde para todos.

Aproximadamente 80% da população mundial que vive na pobreza extrema habita em áreas rurais. Hoje, 8 em cada 10 pessoas que carecem de água potável vivem em zonas rurais, assim como 7 em cada 10 pessoas que carecem de serviços de saneamento básico. É essencial intensificar os esforços para fazer chegar às comunidades rurais serviços de saúde e sociais básicos (incluindo de água e saneamento). Estas comunidades necessitam também, urgentemente, de um melhor acesso às tecnologias digitais e a modos de subsistência viáveis e sustentáveis.

Fortalecer os sistemas de dados e de informações de saúde

Aumentar a disponibilidade de dados relevantes e de alta qualidade, desagregados por sexo, riqueza, educação, etnia, raça, género e local de residência, é crucial para descobrir onde existem desigualdades e como combatê-las. A monitorizaçãoda desigualdade na saúde deve ser parte integrante de todos os sistemas nacionais de informação em saúde.

Uma recente avaliação mundial da OMS mostra que apenas 51% dos países incluíram a desagregação de dados nos seus relatórios de estatísticas de saúde nacional. Quando as médias nacionais são utilizadas o estado de saúde desses diversos grupos costuma ser encoberto. Além disso, muitas vezes são os mais vulneráveis, pobres ou discriminados, os que têm maior probabilidade de não ter acesso aos dados.

“Agora é a hora de investir na saúde como motor do desenvolvimento”, declarou odiretor-geral da OMS. “Não precisamos escolher entre melhorar a saúde pública, construir sociedades sustentáveis, garantir segurança alimentar e nutrição adequada, enfrentar as alterações climáticas e ter economias locais prósperas.Todos esses objetivos cruciais andam de mãos dadas.”

Mensagem do secretário-geral da ONU no Dia Mundial da Saúde

UN Photo

Neste Dia Mundial da Saúde, chamamos a atenção para as injustiças e desigualdades dos nossos sistemas de saúde.

A crise da covid-19 expôs o quanto as nossas sociedades são desiguais.

Em todos os países, a doença e as mortes por covid-19 têm ocorrido mais entre as pessoas e comunidades que enfrentam a pobreza, condições de vida e trabalho desfavoráveis, discriminação e exclusão social.

Mundialmente, a grande maioria das vacinas administradas deu-se em países ricos ou países produtores de vacinas.

Graças à iniciativa COVAX, mais nações começam a receber fornecimentos de vacinas, mas a maioria das pessoas em países de baixo e médio rendimento ainda está à espera.

Estas desigualdades são imorais e ameaçam a nossa saúde, as nossas economias e as nossas sociedades.

Enquanto recuperamos da pandemia, devemos implementar políticas e mobilizar recursos para que todos possam desfrutar dos mesmos resultados na saúde.

Isso significa alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.

E significa oferecer cobertura universal de saúde para que todos, em todos os lugares, possam ter sucesso.

Neste Dia Mundial da Saúde, vamos comprometer-nos a trabalhar juntos por um mundo saudável e igualitário.

Agências da ONU alertam para aumento de fome na RD Congo 

Cerca de 27,3 milhões, ou uma em cada três pessoas, sofre de insegurança alimentar aguda elevada na República Democrática do Congo. Desse total, quase 7 milhões estão em um nível de emergência de fome aguda.  

O alerta é da Organização para Alimentação e Agricultura, FAO, e do Programa Mundial de Alimentos, PMA.  O país é agora a nação com maior número de pessoas com necessidade urgente de assistência alimentar em todo o mundo. 

Escala 

Em comunicado, o representante do PMA no país, Peter Musoko, disse que a agência conseguiu analisar, pela primeira vez, a grande maioria da população e por isso teve uma melhor ideia da escala da insegurança alimentar.

Monusco/Michael Ali

Conflito continua sendo a principal causa da crise alimentar na RD Congo

Musoko disse que “este país deveria ser capaz de alimentar sua população e ainda exportar um excedente.” Segundo ele, não se pode “ter crianças indo dormir com fome e famílias não fazendo todas as refeições do dia.” 

O conflito continua sendo uma das principais causas, afetando grandes áreas das províncias orientais como Ituri, Kivu do Norte e do Sul, Tanganica e Kasais. Fatores como a queda na economia e o impacto socioeconômico da Covid-19 estão agravando a crise.  

Para o representante da FAO, Aristide Ongone Obame, os conflitos permanecem uma grande preocupação. Ele disse que “a estabilidade social e política é essencial para fortalecer a segurança alimentar e aumentar a resiliência das populações vulneráveis.” 

Obame afirma ainda que é preciso foco no cultivo de alimentos onde são mais necessários e cuidados com o gado. Segundo o representante, “a principal temporada agrícola está chegando e não há tempo a perder.” 

Vítimas 

As agências destacam histórias de pais que ficaram sem acesso a suas terras, que foram forçados a fugir para salvar suas vidas ou viram seus filhos adoecer por falta de comida. 

Os funcionários das agências encontraram famílias que voltaram para suas aldeias e encontraram suas casas totalmente queimadas e suas colheitas saqueadas. Alguns sobrevivem comendo apenas taro, uma raiz selvagem, ou folhas de mandioca fervidas em água. 

UNICEF/Desjardins

Dois meninos em assentamento em Ituri, na República Democrática do Congo

Os mais afetados são eslocados, refugiados, repatriados, famílias de acolhimento, pessoas atingidas por desastres naturais e famílias chefiadas por mulheres. Populações mais pobres em áreas urbanas ou áreas sem litoral e baixo poder de compra também estão entre as maiores vítimas. 

Ajuda 

A FAO e o PMA estão apelando a uma intervenção urgente para aumentar o apoio. 

A FAO se concentra em aumentar o acesso a ferramentas de cultivo e sementes, proteção do gado de qualidade, apoio no processamento e armazenamento de alimentos e combate às doenças de animais e plantas. 

Este ano, a agência pretende dar assistência a cerca de 1,1 milhão de pessoas.  

Já o PMA, distribui ajuda alimentar para 8,7 milhões de pessoas e atua na prevenção e tratamento da desnutrição, que afeta 3,3 milhões de crianças.  

Nesta fase, a desnutrição impacta as crianças para o resto de suas vidas, prejudicando a capacidade de atingirem seu potencial e contribuir com suas comunidades. 

As duas agências também coopera m soluções de longo prazo, investindo em projetos de construção de resiliência que apoiam a agricultura comunitária para aumentar a produtividade, reduzir as perdas e estimular o acesso aos mercados.  

Semana Mundial dos Trabalhadores da Saúde quer que profissionais sejam ouvidos

 A OMS comemora a Semana Mundial dos Trabalhadores da Saúde até este 9 de abril.  
 
O objetivo é pedir aos legisladores de todo o mundo que escutem o setor ampliando as vozes dos agentes de saúde para maior proteção especialmente após a crise causada pela pandemia da Covid-19.

Unfpa Sudão/Sufian Abdul-Mout

Mulher recebendo serviços de saúde em Hamdayet, no Sudão

Acesso 

A Semana quer destacar ainda a importância do acesso a serviços essenciais de saúde para as comunidades em todo o globo.
 
Este é também o Ano Internacional dos Trabalhadores de Saúde e Cuidados.  
 
Para promover o ano, a Organização Mundial da Saúde, OMS, lançou uma campanha sob o tema: “Proteger. Investir. Juntos”. Para a agência, é preciso investir com urgência em profissionais de saúde distribuindo os dividendos em saúde, empregos, oportunidades econômicas e equidade.

Unicef/Fouad Choufany

Enfermeira mede temperatura de menina em Hospital de Beirut, no Líbano, durante pandemia da Covid-19.

Covid-19

 
Este ano, o pedido é de apoio e ação para garantir que a força de trabalho seja protegida, motivada e equipada para fornecer assistência em todos os momentos, não apenas durante a crise da Covid-19. 
 

Em entrevista à ONU News, o enfermeiro do hospital New York Presbyterian, Rafael Colodetti disse que a pandemia foi um momento duro para as famílias e os profissionais.

“Foi realmente muito difícil. Nós não sabíamos como lidar com essa doença, nós não sabíamos o que esperar e o que iria acontecer com nossos pacientes. Um dos grandes problemas foi que tínhamos muitos pacientes de uma vez só, então a capacidade do hospital foi além do limite. Teve muita pessoa doente, muitas pessoas morrendo sozinhas porque elas não podiam ter os parentes, nenhum ente querido com eles. Então nós realmente fomos as últimas pessoas que essas pessoas tiveram contato humano antes de falecer. Então isso fica gravado na nossa cabeça, é pesado no nosso coração, mas tivemos que fazer o que tivemos que fazer. Foi difícil, mas com essa vacina agora estamos felizes que essa pandemia já esteja com os dias contados e todo mundo fazendo a sua parte, usando a sua máscara e mantendo a distância social, nós vamos realmente sair dessa de uma maneira ou outra. 

Prioridades

 

Entre os objetivos da campanha estão: garantir que os profissionais de saúde e cuidados sejam priorizados para a vacina Covid-19 nos primeiros 100 dias de 2021. E mobilizar compromissos dos países, instituições financeiras internacionais, parceiros bilaterais e filantrópicos para proteger e investir em profissionais de saúde e acelerar a recuperação do Covid-19, entre outros pontos.  
 
A campanha destaca a necessidade urgente de investir nos profissionais de saúde para compartilhar os dividendos em saúde, empregos, oportunidades econômicas e equidade.  
 
Isso significa garantir proteção e condições de trabalho adequadas e exige investimentos adicionais na educação e no emprego dos trabalhadores da saúde e dos cuidados de saúde.  
 
A iniciativa oferece uma visão compartilhada de investir nas pessoas como base da saúde para todos.  

ONU marca Dia Internacional para Conscientização sobre Minas

Este 4 de abril é o Dia Internacional para Conscientização e Assistência na Ação contra Minas. A data foi declarada pela Assembleia Geral em 2005. 

 
Em mensagem, o chefe da ONU, António Guterres, afirmou que é preciso refletir sobre o trabalho realizado para chamar a atenção para os perigos representados pelas minas e renovar o compromisso com um mundo livre desses explosivos. 

ONU/Martine Perret

Comunidade de ação contra as minas das Nações Unidas intensificou os esforços para acabar com a ameaça de artefatos explosivos improvisados.

Soluções pacíficas

Minas terrestres, remanescentes de explosivos de guerra e dispositivos improvisados, afetam de forma desproporcional as pessoas vulneráveis, os deslocados internos e as crianças. 

  

As minas ainda impedem soluções pacíficas e respostas humanitárias além de ser um obstáculo para o desenvolvimento inclusivo e sustentável. 

  

Para marcar o Dia Internacional, as Nações Unidas inauguraram uma exposição retratando sobreviventes e agentes de desminagem de explosivos. 

  

A mostra revela como mulheres e homens vivem desafios diários de encontrar e desarmar minas terrestres para homenagear profissionais de desminagem e sobrevivente.  
 

Foto Unmas

Apesar dos obstáculos impostos pela pandemia, Unmas adaptou-se ao novo cenário e continuou conquistando resultados positivos.

Pandemia

Mesmo durante a pandemia, os agentes de desminagem continuaram trabalhando.  Há 20 anos, as Nações Unidas criaram o Serviço de Ação contra Minas, Unmas na sigla em inglês, que coordena o trabalho de desminagem em todo o globo. O grupo assiste países com tecnologia e estratégias contra a ação de minas. 

  

O chefe da ONU, António Guterres, afirmou que milhares de explosivos foram encontrados e destruídos; centenas de milhares de metros quadrados de terra foram limpos e colocados em uso produtivo, e milhões de pessoas que viviam ou voltavam para áreas contaminadas receberam educação sobre o risco de material bélico explosivo e orientações de prevenção.  

Em apenas 2019, cerca de 2,2 mil pessoas morreram nessas explosões e acima de 5,5 mil pessoas ficaram feridas. Os homens são mais de 80% das vítimas terrestres. 

  

A oposição da sociedade civil ao uso de minas aumentou no início da década de 90, quando ativistas pediram a organizações internacionais que condenassem esse tipo de armamento. Em 1997, a ONU aprovou a Convenção sobre a Proibição de Minas. 

 
Para a organização, o desafio em 2021 para ações contra minas é continuar se adaptando às novas realidades com perseverança para assegurar um mundo inteiramente livre de minas terrestres. 

Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo promove inclusão no mercado de trabalho 

Este 2 de abril é o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. Este ano, a data destaca a importância de inclusão no mercado de trabalho.   

Em mensagem, o secretário-geral disse que após a pandemia, “um dos principais objetivos deve ser construir um mundo mais inclusivo e acessível que reconheça as contribuições de todas as pessoas, incluindo pessoas com deficiência.” 

Oportunidade 

António Guterres afirma que a crise criou novos desafios, mas “os esforços para reacender a economia global são uma oportunidade de repensar o local de trabalho para tornar a diversidade, inclusão e igualdade uma realidade.” 

© Unicef/Rehab El-Dalil

No Egito, Mahmoud, que tem autismo, participa de uma atividade com letras.

A recuperação é uma chance também de repensar os sistemas de educação e treinamentos para garantir às pessoas com autismo oportunidades de concretizar seu potencial. 

Segundo ele, o acesso ao trabalho decente requer a criação de um ambiente propício.  

Guterres citou o objetivo da Agenda 2030 de não deixar ninguém para trás e disse que o mundo deve fazer valer os direitos de todas as pessoas com deficiência, incluindo os que têm autismo, “garantindo sua plena participação na vida social, cultural e econômica.” 

ONU

António Guterres citou o objetivo da Agenda 2030 de não deixar ninguém para trás e disse que o mundo deve fazer valer os direitos de todas as pessoas com deficiência

Evento 

Nesta quinta-feira, 8 de abril, a ONU celebrará a data com um evento virtual, organizado pelo Departamento de Comunicação Global e pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais, em colaboração com a Fundação Specialisterne. 

A Fundação Specialisterne utiliza o conhecimento obtido com o emprego de pessoas com autismo para apoiar a criação de postos de trabalho para um milhão de pessoas. 

O evento incluirá painéis de discussão com indivíduos com autismo e que enfrentaram os desafios no mercado de trabalho, mas mesmo assim conseguiram criar novas oportunidades. 

África: tecnologias emergentes podem ser chave para crescimento econômico

A Comissão Econômica das Nações Unidas para África, ECA destaca que tecnologias emergentes permanecem chave na promoção do crescimento econômico, transformação e expansão do comercio digital em África.

A conclusão do Comitê do Setor Privado, Industria e Tecnologia consta de um relatório sobre o desenvolvimento da economia digital.   

UIT

Continente africano abriga 11,5% do total de usuários mundiais da internet

Integração

O documento assinala uma crescente transformação da tecnologia digital em África ao longo dos anos. O continente abriga 11,5% do total de usuários mundiais da internet e o aproveitamento da tecnologia emergente pode auxiliar a implementação da Zona Continental Africana de Livre Comércio.

A ECA prevê um aumento de exportação interafricana de produtos industriais de 15 a 25% até 2040 devido à Zona Continental Africana de Livre Comércio, Afctfa. Até janeiro deste ano, 37 países haviam ratificado o pacto assinado por todos exceto a Eritreia.

Houve também um aumento de participação africana em tecnologias como parte da transformação do continente e realização dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.  

O chefe da Seção de Integração Regional da ECA. Francis Ikome, alertou sobre o apoio na elaboração de estratégia nacional sobre a Zona Afctfa para facilitar o processo de ratificação e das duas fases de negociações.

Segundo ele, a elaboração de quadros regulamentares da Parceria Público-Privada para financiar o desenvolvimento da infraestrutura é fundamental. Ikome ressalta ainda o recurso a fontes de financiamento alternativas, incluindo fundos de patrimônio privado.

© Unicef/Tanya Bindra

Exclusão digital mantém as desigualdades entre países e comunidades.

Projetos 

A Comissão da ONU afirma que a infraestrutura é um dos principais motivadores do desenvolvimento econômico em África e financiar seus projetos permanece o desafio maior dos estados membros, principalmente na área de eletricidade e energia. 

Para os especialistas, a inclusão do comércio eletrônico no fortalecimento da mulher, a implementação da Zona de Livre Comércio e os investimentos na ciência, tecnologia e inovação são cruciais para a integração regional e o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação enquanto vetores da economia digital.

O continente registrou progressos na implementação da agenda de integração regional, não obstante os desafios de ordem financeira, capacidade humana e segurança, lê-se no relatório que aponta resultados mistos com ritmo lento na implementação do protocolo de livre circulação de pessoas. 

© MSC shipping

Documento enfatiza o apoio das sociedades africanas de responsabilidade limitada na implementação do Plano de Ação de Viena dos Países em desenvolvimento sem litoral

Países sem litoral 

Como recomendação, o documento enfatiza o apoio das sociedades africanas de responsabilidade limitada na implementação do Plano de Ação de Viena dos Países em desenvolvimento sem litoral, e os esforços de integração regional através de avaliação e negociações sobre o processo da Afctfa.

Recomendações incluem o reforço do monitoramento da agenda de integração regional, o aprofundamento do trabalho analítico sobre o impacto e benefícios da Zona Continental de Livre Comércio e o apoio as pesquisas focadas nos impulsionadores basilares da ciência e inovação.

O relatório encoraja ainda as Comunidades Econômicas e estados membros a integrarem o Plano de Ação nos programas com a ECA e parceiros para impulsionar o comércio interafricano e a empenharem-se na implementação das respectivas políticas de industrialização.

   

  
    

Famílias em Moçambique abrigam deslocados pela violência em Cabo Delgado

A violência em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, já causou mais de 670 mil deslocados internos desde o início dos confrontos em 2017. 

Extremistas e grupos não-estatais invadiram a região, na fronteira com a Tanzânia, estão em confrontos com tropas do governo moçambicano.  

Unicef/Mauricio Bisol

Menina de 10 anos em assentamento para deslocados em Metuge. Os pais da menina foram mortos por insurgentes

  

Palma 

  

No último 24 de março, grupos armados não-estatais invadiram a cidade de Palma, ao lado da capital de Cabo Delgado, Pemba, matando dezenas de civis. 

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e outras agências da ONU atuam em Cabo Delgado para socorrer a população do conflito.  

Várias famílias abriram as portas de casa nas províncias de Nampula e Niassa para acolher os moradores que fogem da violência. 

Há relatos de decapitações, sequestros e violência sexual. 

Uma das vítimas, Abdul Selemane, de 44 anos, teve sua casa incendiada pelos terroristas. Ele fugiu com a mãe, esposa e os dois filhos de Mocímboa da Praia, um dos distritos mais afetados pelos ataques.  

FAO/Telcinia Nhantumbo

Abdul Selemane, de 44 anos, teve sua casa incendiada. Ele fugiu com a mãe, esposa e os dois filhos de Mocímboa da Praia, um dos distritos mais afetados pelos ataques.

Cultivo  

Selemane encontrou abrigo no reassentamento de Marrupa, no distrito de Metuge, sendo forçado a abandonar o cultivo repleto de plantações. Em Marrupa, a comunidade cedeu a ele terras para a agricultura.  

Ele e a família acreditam em melhores dias, após a colheita das sementes que recebeu da FAO, no âmbito do programa de emergência.   

Segundo a agência da ONU, mais de meio milhão de pessoas tiveram de deixar para trás quase todas as suas posses, incluindo bens agrícolas e pecuários. 

 Makupe Bahetwe, 41 anos é líder comunitário no bairro de Ntokota, em Metuge, e está hospedando deslocados de áreas afetadas pelo conflito.  

 
Ele conta que a comunidade é solidária com os deslocados que são seres humanos e precisam de terra para o cultivo de sobrevivência. 

Foto ONU/Eskinder Debebe

Distribuição de comida na vila de Nacate, perto de Macomia, em Cabo Delgado

  

Prioridade 

 
A FAO está a trabalhar com as autoridades para monitorar e responder as necessidades das comunidades deslocadas e anfitriãs. Estima-se que o conflito resultou numa queda de 30 % da produção em comparação com a campanha agrícola anterior. 

 Para o diretor provincial das atividades econômicas, Ageu Mário, os conflitos têm um impacto negativo no desempenho de vários setores da economia e na agricultura em particular, onde 86 % da população depende desta atividade.   

Ele disse ainda que o apoio ao restabelecimento dos meios de subsistência continua a ser uma prioridade.  

Recursos 

A FAO esta a implementar projetos em nove distritos que acolhem famílias deslocadas, seis em Cabo Delgado: Ancuabe, Chiure, Namuno, Mecufi, Metuge e Montepuez.  

E três na Província de Nampula: Meconta, Erati e Monapo para ajudar a restaurar os meios de subsistência da população afetada.  

Além de apoiar famílias diretamente afetadas pela violência, a agência está ajudar as famílias que hospedam pessoas deslocadas para aliviar a pressão sobre seus recursos e abastecimento de alimentos.  

OMS na Europa diz que ritmo lento de vacinação pode agravar pandemia no continente 

Até o momento, apenas 4% dos europeus foram vacinados com a segunda dose; novos casos foram notificados na semana passada; diretor-regional diz que início da imunização causou “falsa sensação de segurança.” 

Enviada especial a Mianmar pede ação imediata do Conselho de Segurança  

A enviada especial do secretário-geral a Mianmar, Christine Schraner Burgener, disse esta quarta-feira ao Conselho de Segurança que a situação no país “exige uma resposta internacional firme, unificada e decidida.” 

Ela contou que os militares de Mianmar, no sudeste da Ásia, continuam a desafiar os apelos, inclusive do Conselho, para acabar com as violações dos direitos humanos fundamentais e retornar à democracia. 

Vítimas 

Schraner Burgener citou dados de uma ONG dizendo que cerca de 2.559 pessoas foram presas, acusadas ou condenadas desde a tentativa de golpe em 1º de fevereiro. Até esta quarta-feira, 521 podem ter sido mortas pela junta militar. 

Foto ONU/Loey Felipe

Enviada especial da ONU para Mianmar, Christine Schraner Burgener

No Dia das Forças Armadas de Mianmar, 27 de março, houve cerca de 100 assassinatos brutais por forças de segurança incluindo de crianças, jovens e mulheres. 

A enviada lembrou imagens de civis baleados à queima-roupa e outros assassinatos brutais nas ruas e em casas. Segundo ela, “ataques generalizados e sistêmicos contra a população civil em Mianmar estão ocorrendo diante de nossos olhos.” 

Consequências 

Christine Schraner Burgener detalhou efeitos da crise em vários setores. 

Um colapso bancário parece iminente junto com a escassez de alimentos e falhas na saúde. Ao mesmo tempo, ondas de choque derrubaram a cadeia de suprimentos e afetaram a força de trabalho. 

A enviada lembrou que, antes da ação militar, Mianmar estava se preparando para sair do grau de país menos desenvolvido. Agora, ela diz que “ganhos duramente conquistados com a transição democrática e o processo de paz estão se esvaindo.” 

Banco Mundial/Markus Kostner

Cidade de Rangum, em Mianmar, onde os militares tomaram o poder

Ela contou que grupos vulneráveis, incluindo o povo rohingya, serão os que mais afetados, mas afirmou que “todo o país está à beira de um estado de falência.” 

Ação 

Para Schraner Burgener, “o fracasso em evitar uma nova escalada de atrocidades custará ao mundo muito mais no longo prazo do que investir agora em prevenção.”  

Ela apelou ao Conselho para que considere “todas as ferramentas disponíveis para tomar uma ação coletiva e fazer o que é certo” e “prevenir uma catástrofe multidimensional no coração da Ásia.” 

Segundo a enviada, “os líderes militares mostraram claramente que não são capazes de administrar o país” e, por isso, “o governo civil deve ser restaurado.” 

Ela diz que continua em contato diário com o povo de Mianmar. E, nas últimas semanas, as pessoas mostraram “o quanto estão dispostos a sacrificar por seu futuro.” 

Unicef/Minzayar Oo

No início de 2021, cerca de 1 milhão de pessoas em Mianmar precisava de ajuda humanitária e proteção

A enviada perguntou depois aos Estados-membros como, olhando para trás daqui a dez anos, a história julgará a sua falta de ação. 

Refugiados 

Também esta quarta-feira, a agência da ONU para Refugiados, Acnur, fez um apelo aos países vizinhos para protegerem as pessoas que fogem da violência em Mianmar.  

Segundo a agência, “é vital que qualquer pessoa que atravesse a fronteira, buscando asilo em outro país, tenha acesso a ela.” 

Em toda a região, o Acnur e parceiros estão prontos para aumentar o apoio às autoridades nacionais e locais para garantir que os refugiados recebam a proteção de que precisam. 

ONU: Conferência angaria €5,3 mil milhões para a Síria

© UN Photo

Na 5ª conferência de Bruxelas sobre a Síria, os líderes de várias agências da ONU apelaram aos doadores internacionais para intensificarem o apoio aos milhões de sírios dependentes da ajuda humanitária, ao fim de uma década de conflito no país. Do objetivo pretendido de 8,4 mil milhões de euros, foram angariados 5,3 mil milhões – menos 1,6 mil milhões do que no ano anterior.

Os líderes das agências da ONU para os refugiados (ACNUR), para o desenvolvimento (PNUD) e para a ajuda humanitária (OCHA) apelaram à mobilização internacional com o objetivo de oferecer alimentos, água e saneamento, serviços de saúde, educação, vacinação de crianças e abrigo a milhares de pessoas na Síria. De acordo com o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), 24 milhões de pessoas carecem hoje de ajuda humanitária na Síria e região envolvente: mais quatro milhões do que em 2020.

As Nações Unidas apelaram a €8,4 mil milhões de financiamento, dos quais €3,5 mil milhões para a resposta humanitária no país e €4,8 mil milhões para o apoio a refugiados e comunidades anfitriãs na região. O montante conseguido ficou aquém do objetivo, ascendendo aos 5,3 mil milhões: 3,6 mil milhões para 2021 e 1,7 mil milhões para 2022.

 “Os sírios viveram dez anos de desespero e desastre. Hoje, as condições de vida em colapso, o declínio económico e a covid-19 estão a gerar mais fome, desnutrição e doenças. Há menos guerra, mas nenhuma precipitação para a paz. Hoje, mais pessoas precisam de ajuda do que nunca, desde o início do conflito, e as crianças precisam de voltar para a escola. Investir em generosidade e humanidade é bom, mas manter o padrão de vida básico do povo sírio também é um ingrediente essencial para a paz duradoura. É do interesse de todos”, declarou o subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, na conferência.

Do total angariado, 1,7 mil milhões foram disponibilizados pela Alemanha, 596 milhões dos Estados Unidos da América e 560 milhões da União Europeia, entre dezenas de Estados e doadores privados. A este valor, acrescem 5,9 mil milhões de euros em empréstimos “com condições favoráveis” oferecidos por instituições financeiras internacionais. 

Ao fim de dez anos de guerra, a pandemia de covid-19 tem agravado a situação na Síria. O país enfrenta um aumento da fome e da pobreza, a par de um fluxo crescente de populações deslocadas e ataques contínuos. Em cada cinco refugiados sírios no mundo, quatro estão nos países vizinhos, naquela que se mantém como a maior crise de refugiados do globo. As consequências do conflito são agudizadas pela crise económica sentida no país.

“Após uma década de exílio, a situação dos refugiados foi agravada pelo impacto esmagador da pandemia, perda de meios de subsistência e pobreza. Educação, aumento da fome e desespero. Os ganhos duramente conquistados coletivamente ao longo dos anos já estão em risco. A comunidade internacional não pode dar as costas aos refugiados ou seus anfitriões. Os refugiados e seus anfitriões não devem receber nada menos do que nosso compromisso, solidariedade e apoio inabalável. A falha nesta área será catastrófica para as populações e para a região” – Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi

Iniciada em 2017, a conferência anual de Bruxelas sobre a Síria destina-se a “apoiar o povo sírio e mobilizar a comunidade internacional no apoio a uma solução política abrangente e credível para o conflito sírio”.

ONU-Habitat quer que cidades liderem caminho para futuro mais verde após pandemia

UN/Kibae Park

O relatório “Cidades e pandemias: por um futuro mais justo, verde e saudável”, lançado, nesta terça-feira, descreve como as áreas urbanas têm inovado na crise Covid-19. O documento foi divulgado pelo Programa da ONU para Assentamentos Urbanos, ONU-Habitat.
 
A diretora-executiva do ONU-Habitat, Maimunah Mohd Sharif, disse que 95% de todos os casos foram registrados nas cidades nos primeiros meses da pandemia e que, ao longo da crise global, tem cabido aos governos locais e às comunidades agir de forma rápida e decisiva para impedir a propagação do vírus e garantir uma resposta eficaz.

UN/Kibae Park

As desigualdades foram ainda mais acentuadas devido a fatores como falta de acesso a serviços básicos.

Pressões 

Apesar dessas pressões, muitos governos locais e líderes comunitários agiram de forma rápida e eficaz para mitigar os efeitos da crise.
 
O relatório recomendou ações para uma recuperação sustentável com base em evidências de mais de 1,7 mil cidades.
 
Segundo o estudo,  os padrões de desigualdades devido à falta de acesso a serviços básicos, pobreza e condições de vida superlotadas, têm sido os principais fatores desestabilizadores no aumento da escala e do impacto da Covid-19.
 
O chefe de Conhecimento e Inovação da ONU-Habitat, Eduardo Moreno, informou que, por conta da pandemia, mais 120 milhões de pessoas no mundo serão lançadas para a pobreza e os padrões de vida serão reduzidos em 23%.

Unicef/Panjwani

Governos devem concentrar-se em políticas para proteger os cidadãos e garatir seus direitos básicos.

Comunidades

 
De acordo com o documento, líderes e planejadores urbanos devem repensar a forma como as pessoas circulam nas cidades, a partir das lições aprendidas no último ano. Isso inclui um maior enfoque no nível local no planejamento de bairros e comunidades multifuncionais e inclusivas.
 
O relatório descreve como um “novo normal” pode emergir nas cidades onde saúde, habitação e segurança são priorizadas para os mais vulneráveis, não apenas por necessidade social, mas também por um profundo compromisso com os direitos humanos para todos.
 
Isso exige que os governos concentrem-se em políticas para proteger os direitos sobre a terra, melhorar o acesso à água, saneamento, transporte público, eletricidade, saúde e instalações de educação e garantir conectividade digital inclusiva.

Unicef/Prinsloo

A meta deve ser uma nova economia urbana que respeite a natureza e reduza os riscos de desastres naturais.

Baixo carbono

 
O relatório recomenda fortalecer o acesso ao financiamento municipal para permitir que os líderes das cidades construam uma nova economia urbana que reduza o risco de desastres, bem como abordar as mudanças climáticas, desenvolvendo soluções baseadas na natureza e investindo em infraestrutura sustentável para permitir o transporte de baixo carbono.
 
O documento deixa claro que a maneira como os ambientes urbanos se recuperam da pandemia terá um grande impacto no esforço global para alcançar um futuro sustentável para todos em linha com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

ONU profundamente preocupada com segurança de civis em Palma, Moçambique 

A ONU e parceiros humanitários estão profundamente preocupados com a segurança dos civis na cidade de Palma, no norte de Moçambique, após um ataque por grupos armados.  

A ofensiva ocorreu em 24 de março, e segundo agências de notícias, terroristas e extremistas islâmicos teriam assumido o controle de partes da cidade, que fica perto de Pemba, capital de Cabo Delgado. 

Verificar informações 

Em nota emitida, nesta segunda-feira, o porta-voz do secretário-geral informou que as comunicações na cidade estão interrompidas e é extremamente difícil verificar os detalhes e desdobramentos no país africano de língua portuguesa. 

Acnur/Martim Gray Pereira

Agências da ONU estão apoiando pessoas deslocadas pela violência

Apesar das dificuldades, a ONU recebeu relatos alarmantes de que dezenas de civis podem ter sido mortos durante os ataques. 

A ONU calcula que milhares fugiram de Palma a pé, de barco e pela estrada para escapar da violência. Muitos só levam a roupa do corpo, algumas pessoas entraram pelas matas e precisam de ajuda urgente. 

As Nações Unidas e seus parceiros estão posicionando equipes de assistência humanitária. 

Mas a organização precisa de financiamento adicional para responder a esta nova crise. 

Crise alimentar 

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, expressou preocupação com o agravamento da crise e a situação de segurança alimentar na região.  

A agência está enviando 2 mil rações de resposta imediata para apoiar a população deslocada, caso cheguem a Pemba, Ilha de Ibo ou Mueda. 


Outros 2 mil kits de rações de resposta estão sendo posicionados para apoiar as populações deslocadas na parte sul do distrito de Palma.  

 A assistência alimentar adicional foi temporariamente suspensa como resultado da violência contínua. 

O Serviço Aéreo Humanitário administrado pelo PMA está apoiando a evacuação de civis, incluindo mulheres e crianças e equipes médicas foram mobilizadas para tratar os feridos. 

Reunião virtual com Estados Unidos  

E numa nota separada, emitida pelo seu porta-voz, o secretário-geral da ONU, António Guterres, realizou uma reunião virtual com o secretário de Estado americano, Anthony Blinken.  

Os dois debateram a necessidade de um maior esforço global para conter a pandemia da Covid-19 assim como aumentar as ações de combate à mudança climática. Um passo que para Guterres envia uma mensagem de esperança ao mundo.  

Guterres elogiou o retorno dos Estados Unidos à Organização Mundial da Saúde, OMS, ao Acordo de Paris e o que chamou de “reengajamento” do governo de Washington com o Conselho de Direitos Humanos da ONU.  

Departamento de Estado dos EUA/Freddie Everett

Na semana passada, secretário de Estado dos EUA, Antony J. Blinken, participou em encontro do Conselho de Segurança da ONU

G-20  

O chefe das Nações Unidas afirma que é preciso criar uma força-tarefa de emergência para coordenar um plano global de vacinação.   

Ele sugeriu a proposta ao G-20, o Grupo das 20 maiores economias do mundo que inclui o Brasil, e disse que não será possível alcançar este passo sem a liderança efetiva dos Estados Unidos.  

Ao assumir a palavra, Blinken disse que a ONU é a “âncora do sistema multilateral” e que a cooperação com a organização é vital para os Estados Unidos por ser o lugar onde os países se reúnem para responder aos desafios comuns.  

A embaixadora dos Estados Unidos junto à ONU, Linda Thomas-Greenfield, também participou da reunião virtual.  

ONU pede responsabilização de autores após mortes de pelo menos 100 em Mianmar

As Nações Unidas condenaram, nos termos mais veementes, a morte de dezenas de civis, incluindo crianças e jovens, pelas forças de segurança em Mianmar neste sábado.

De acordo com agências de notícias, o sábado foi o dia mais sangrento desde o início das manifestações de rua no país do sudeste asiático com pelo menos 100 mortos.

ONU/Rick Bajornas

Aung San Suu Kyi, líder da oposição e Prêmio Nobel da Paz

Prêmio Nobel da Paz

Em nota, emitida pelo seu porta-voz, o secretário-geral António Guterres disse que a contínua repressão militar, que causou o maior número de mortes em um só dia desde o início de fevereiro, é inaceitável e exige uma resposta internacional firme, unificada e resoluta.

A crise política em Mianmar ressurgiu em 1 de fevereiro quando os militares dissolveram o governo prendendo a líder da oposição e Prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, e outros integrantes do governo.

Os militares alegam que as eleições do ano passado, vencidas pelo partido de Suu Kyi, a Liga Nacional pela Democracia, foram fraudadas.

Unsplash/Zinko Hein

Pelo menos 400 pessoas já foram mortas em protestos de rua em Mianmar.

Direitos humanos

António Guterres reiterou seu apelo urgente aos militares para que evitem violência e repressão.

Segundo agências de notícias, pelo menos 400 pessoas já foram mortas em protestos de rua desde a intervenção militar.

Para o chefe da ONU, os autores das graves violações dos direitos humanos cometidas em Mianmar devem ser responsabilizados.