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Manejo florestal sustentável pode tirar milhões da pobreza no pós-pandemia 

Um estudo das Nações Unidas recomenda que soluções de base florestal sejam levadas em conta para a recuperação global da pandemia. O trabalho foi apresentado na 16ª. reunião do Fórum sobre Florestas, que decorre até sexta-feira. 

A especialista em florestas do Departamento Econômico e Social da ONU, Desa, Barbara Tavora-Jainchill, disse à ONU News que todos os Estados-membros veem os efeitos da pandemia como um ponto relevante na definição de políticas na área florestal. 

Resultados 

“Esse estudo que foi pedido à secretaria do fórum pelos membros na 15ª Sessão, no ano passado, é de âmbito mundial e está sendo divulgado durante esta nossa reunião. Os resultados têm sido considerados como muito importantes e significativos. Provavelmente, esse estudo será continuado a fim de dar resultados mais pormenorizados durante a nossa 17ª sessão no ano que vem.” 

Unicef/Vincent Tremeau

Mais 34,3 milhões de pessoas podem ter caído na pobreza extrema no ano passado

O relatório Florestas: no centro de uma recuperação verde da pandemia Covid-19 recomenda os países a considerar ações em níveis nacional e internacional promovendo um manejo florestal sustentável.  

Essa retoma do impulso nas economias teria como base a implementação do Plano Estratégico para Florestas 2030 e o alcance das metas da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável. 

O estudo defende programas de recuperação pós-pandemia para melhorar os meios de subsistência e construir resiliência de pessoas que dependem da floresta para sobreviver, povos indígenas e outras comunidades.  

Reflorestamento  

Uma parte dessas ações seria conter o desmatamento, prevenir a degradação florestal e aumentar a área florestal por meio de investimentos em empregos relacionados à silvicultura. Os pacotes de estímulo à recuperação econômica devem priorizar atividades como reflorestamento, conservação, proteção de bacias hidrográficas,  agrossilvicultura e silvicultura urbana. 

Unesco/Steven Ripley

As florestas são parte integrante do ciclo global da água

Outra medida seria melhorar a aplicação da lei florestal e dos sistemas de governança, inclusive por meio do fortalecimento autoridades florestais e reforço do combate à extração ilegal de madeira e do comércio ilegal da vida selvagem. 

O estudo recomenda ainda o estímulo à produção de estatísticas oficiais desagregadas sobre o estatuto de florestas, incluindo pesquisas e análises do impacto da pandemia sobre avanços no manejo florestal sustentável. 

Pobreza 

De acordo com a ONU, os efeitos da pandemia aumentarão a pobreza global. Com a perda de empregos e rendimentos mais 34,3 milhões de pessoas que podem ter caído na pobreza extrema no ano passado. Na pior das hipóteses, mais 160 milhões de pessoas podem enfrentar a situação até 2030. 

O manejo florestal sustentável é considerado um meio para tirar milhões da pobreza e construir economias e sociedades resilientes “que podem resistir a pandemias, mudanças climáticas e outros desafios globais”.  

Foto ONU/Logan Abassi

Florestas geridas de forma sustentável são essenciais para satisfazer as necessidades energéticas de quase um terço da população mundial.

Cerca de 2,4 bilhões de pessoas dependem da madeira para atender às suas necessidades básicas. O número equivale a terço da população mundial que usa estes recursos para ter energia, cozinha e aquecer suas casas.  

Barreira 

O uso de madeira como combustível, que inclui lenha e carvão vegetal, continua sendo uma das formas de aquisição de fontes de energia acessíveis para pessoas afetadas por desastres naturais e crises humanitárias.  

Neste cenário, cerca de 2,2 bilhões de pessoas têm acesso limitado à água potável que além de uma barreira no uso de um recurso básico torna ineficaz a aplicação de medidas de prevenção da Covid-19.    

As florestas são parte integrante do ciclo global da água. Por meio delas é possível ter acesso a três quartos da água doce do planeta através de bacias hidrográficas nas matas. 

Foto ONU/Mark Garten

Restauração das florestas também evita crises de biodiversidade, geram empregos e melhoram as condições de subsistência das populações que vivem nela ou ao redor das matas

Dia Mundial da Saúde e Segurança no Trabalho foca em preparação para crise 

Esta quarta-feira, 28 de abril, as Nações Unidas marcam o Dia Mundial da Saúde e Segurança no Trabalho.  

Esse ano, o tema é “Antecipar, preparar e responder às crises – investir agora em sistemas de segurança e saúde ocupacional resilientes”.  

Importância 

Desde que emergiu como uma crise global no início de 2020, a pandemia de Covid-19 teve impactos profundos em todos os lugares. 

Banco Mundial/Henitsoa Rafalia

Pai cuidando do filho enquanto trabalha, em Madagáscar

A crise atingiu quase todos os aspectos do mundo laboral, desde o risco de transmissão do vírus até ameaças à segurança e à saúde ocupacional que surgiram como resultado de medidas para mitigar a propagação da doença.  

Mudanças para novas formas de arranjos de trabalho, como a ampla dependência do teletrabalho, têm apresentado muitas oportunidades, mas também representam riscos, incluindo riscos psicossociais e violência em particular. 

O tema deste ano examina como a crise atual demonstra a importância de fortalecer esses sistemas, incluindo os serviços de saúde ocupacional, tanto em nível nacional como empresarial. 

A Organização Internacional do Trabalho, OIT, aproveitará esta oportunidade para aumentar a conscientização e estimular o diálogo sobre a importância de criar e investir em sistemas resilientes, com base em exemplos regionais e nacionais na mitigação e prevenção da Covid-19 no local de trabalho. 

História 

Em 2003, a OIT começou a comemorar o Dia Mundial com o objetivo de destacar a prevenção de acidentes e doenças.  

A celebração faz parte da Estratégia Global de Segurança e Saúde Ocupacional da agência, aprovada em 2003. Um dos principais pilares da estratégia é a advocacia, com a data servindo para aumentar a conscientização sobre o tema.  

O dia 28 de abril é também o Dia Internacional da Comemoração dos Trabalhadores Mortos e Feridos, organizado mundialmente pelo movimento sindical desde 1996. 

Esforços 

Segundo a OIT, todos são responsáveis por impedir mortes e ferimentos no trabalho. 

Os governos devem criar a infraestrutura, como leis e serviços, necessária para garantir que os trabalhadores continuem empregáveis ​​e que as empresas prosperem, como uma política nacional e um sistema de inspeção. 

OIT

Trabalhadora em fábrica em Zhejiang, na China

Os empregadores devem garantir que o ambiente de trabalho é seguro e saudável. Já os trabalhadores, têm a responsabilidade de atuar com segurança, não pôr em perigo os outros, conhecer seus direitos e participar na implementação de medidas preventivas. 

Riscos 

Segundo a OIT, existem sempre novos riscos, que podem ser causados ​​por inovação técnica ou por mudança social ou organizacional.  

A agência dá o exemplo de novas tecnologias e processos de produção, novas condições de trabalho e formas emergentes de emprego.  

Estes riscos podem ganhar destaque com uma melhor compreensão científica, por exemplo, os efeitos dos riscos ergonômicos, ou mudanças nas percepções sobre a importância de certos fatores de risco, como os efeitos dos fatores psicossociais no estresse relacionado ao trabalho. 

Guterres participa de reunião informal para solução duradoura sobre Chipre 

Encontro em Genebra conta com representantes das duas partes da ilha do mediterrâneo, dividida desde 1974, e membros do governo da Grécia, Turquia e Reino Unido; últimas conversações aconteceram em 2017 pouco depois do chefe da ONU iniciar seu mandato 

50 milhões de crianças sem vacinação graças à pandemia

Nova estratégia global de imunização liderada pelas Nações Unidas foi revelada, esta segunda-feira, para chegar às mais de 50 milhões de crianças que não foram vacinadas contra o sarampo, a febre amarela e a difteria, devido à pandemia.

Um estudo da Organização Mundial da Saúde, OMS, revela que os serviços de vacinação estão a recuperar dos atrasos do ano passado, mas milhões de crianças continuam em risco de morte por causa destas doenças.

Semana Mundial da Vacinação

O anúncio ocorre no terceiro dia da Semana Mundial de Imunização, que vai até esta sexta-feira, dia 30 de abril.

Em conjunto com a OMS, UNICEF e Aliança GAVI, apelaram para uma renovação do compromisso na área da vacinação. De acordo com a OMS, apesar do progresso, antes da pandemia, mais de um terço dos países, indicaram atrasos nos seus serviços de vacinação e as campanhas de vacinação ainda se encontram altamente afetadas.

De acordo com os novos dados da OMS, 60 campanhas foram adiadas em 50 países, deste modo, 228 milhões de pessoas, a maioria crianças, correm risco de contrair doenças como sarampo, febre amarela e a poliomielite.

Mais de metade dos 50 países afectados encontram-se em África, afetando cerca de 140 milhões de pessoas.

Perda de vidas

Em comunicado, a diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Henrietta Fore, afirma que “mesmo antes da pandemia, já haviam sinais preocupantes de que estávamos a começar a perder terreno na luta contra doenças infantis, existindo 20 milhões de crianças com falta de vacinação”.

Segundo a UNICEF, as perturbações causadas pela pandemia, no início de 2020, tiveram como consequência o decréscimo do fornecimento de vacinas que, comparado com o ano de 2019, decaíram para menos de dois mil milhões de doses.

Estratégia global 

Para enfrentar esses desafios, a OMS, a UNICEF e a Aliança GAVI lançaram a Agenda de Vacinação 2030, que se centra na vacinação ao longo da vida, desde a infância até à adolescência e idade avançada.

De acordo com a OMS, se for totalmente implementada, esta estratégia evitará cerca de 50 milhões de mortes – 75% delas em países de baixo e médio-baixo rendimento.

 

 O caso português

De acordo com a Direção Geral de Saúde (DGS), “ao reforçar a consciencialização sobre a importância da vacinação, as atividades implementadas na ‘Semana Europeia da Vacinação 2021’ visam aumentar a cobertura vacinal e contribuir para a cobertura universal de saúde”, conclui.

Tendo em conta o contexto pandémico criado pela covid-19, a DGS recorda “a importância que a vacinação tem no controlo da mesma”, tendo já administrado mais de 3 milhões de doses de vacinas contra o vírus.

Este ano, a OMS Europa elegeu como lema da ​Semana Europeia da Vacinação, “as vacinas aproximam-nos”. Será celebrada a diferença que as vacinas fazem na nossa vida, a solidariedade e confiança na vacinação como um bem público que sustenta a nossa sociedade, salva vidas e protege a saúde.

 

 

Unesco pede investigação do assassinato de Toninho Locutor, radialista da Bahia

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, pediu às autoridades brasileiras que investiguem o assassinato do radialista Weverton Rabelo Fróes, conhecido como Toninho Locutor.

Ele foi morto por uma pessoa armada, na frente de sua casa, na cidade de Planaltino, a 300 km de Salvador, capital da Bahia.

ONU/Violaine Martin

Brasil está entre os 10 países do mundo com maior impunidade para assassinatos de jornalistas

Sociedade

O crime ocorreu em 4 de abril e o radialista tinha 32 anos.

O profissional apresentava um programa de humor na rádio local Antena 1.

Em comunicado, a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, condenou o crime e instou as autoridades a esclarecerem o motivo do assassinato. Segundo ela, este é um crime contra um indivíduo e contra uma sociedade inteira.

A chefe da Unesco afirmou que nenhum país deve permitir a impunidade fortalecendo os que usam de violência e minam a liberdade de imprensa, o acesso à informação e o direito fundamental da liberdade de expressão.

Segundo a agência da ONU, Toninho Locutor era também o fundador da emissora local.

Unama/Fardin Waezi

A Unesco promove a segurança de jornalistas e outros profissionais da mídia através de uma série de ações que integram o Plano de Ação da ONU sobre Segurança de Jornalistas e a Questão da Impunidade

Segundo jornalista

A Unesco promove a segurança de jornalistas e outros profissionais da mídia através de uma série de ações que integram o Plano de Ação da ONU sobre Segurança de Jornalistas e a Questão da Impunidade.

Uma outra entidade, a organização Repórteres sem Fronteiras, RSF, também condenou o assassinato do radialista da Bahia Weverton Rabelo Fróes dizendo que vários meios de comunicação no Brasil estão sendo alvos de ameaças e intimidações.

A RSF citou o assassinato de um outro profissional, José Bonfim Pitangueiras, também na Bahia. 
Ele era produtor da TV Record e foi assassinado a tiros em 9 de abril numa rua de Salvador.
 

Acidente nuclear de Chernobyl aconteceu há 35 anos 

Neste 26 de abril, o acidente na usina nuclear de Chernobyl, um dos mais graves da história do ramo, completa 35 anos. Centenas de milhares de pessoas foram afetadas pela radiação em áreas de Belarus, Ucrânia e Rússia.  

Cerca de 350 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas, com um impacto traumático e duradouro em suas vidas. 

Lembrança 

Em mensagem sobre a data, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que “seu sofrimento não deve ser esquecido.” 

Unicef/Giacomo Pirozzi

O desastre continua tendo efeitos na saúde de crianças, como Masha, de 5 anos

Para o secretário-geral, este aniversário é uma ocasião para reconhecer os esforços de recuperação liderados pelos governos de Belarus, da Rússia e da Ucrânia. 

O chefe da ONU também destaca o trabalho de cientistas que trabalharam no local e ajudaram no planejamento de emergência e na redução de riscos. 

Desde 1986, as Nações Unidas têm ajudado a atender às necessidades das pessoas afetadas, primeiro por meio de ajuda humanitária e de emergência e, em seguida, apoiando a recuperação e o desenvolvimento social e econômico. 

Os esforços começaram em 1990 quando a Assembleia Geral aprovou uma resolução pedindo cooperação internacional para lidar com o problema. 

Programas e agências das Nações Unidas juntos com organizações não-governamentais, lançaram mais de 230 projetos de pesquisa e assistência nas áreas de saúde, segurança nuclear, meio ambiente, produção de alimentos e informação. 

Apoio 

Segundo Guterres, os “esforços conjuntos tiveram algum sucesso.” 

O número de pequenas e médias empresas operando em áreas diretamente afetadas pelo desastre aumentou de 2 mil em 2002 para 37 mil atualmente. Milhares de residentes locais, líderes comunitários e médicos foram treinados sobre riscos à saúde e promoção de estilos de vida saudáveis. 

O chefe da ONU lembra ainda o trabalho feito por governos acadêmicos, sociedade civil e outros nas últimas décadas, dizendo que “contém lições importantes para os esforços de hoje para responder à pandemia Covid-19.” 

Segundo ele, “desastres não conhecem fronteiras”, mas o mundo pode trabalhar para preveni-los, contê-los, apoiar todos os que precisam e construir uma recuperação forte. 

Aiea/Petr Pavlicek

Parte da usina nuclear que ficou danificada

Data 

Em dezembro de 2016, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou resolução designando 26 de abril como o Dia Internacional de Lembrança do Desastre de Chernobyl. 

A explosão da usina atômica da cidade em 1986 espalhou material radioativo por uma área de 155 mil km2, envolvendo Belarus, Ucrânia e Rússia. 

Mais de três décadas depois do acidente nuclear ainda persistem consequências sérias de longo prazo. 

Cerca de 8,4 milhões de pessoas foram afetadas pela radiação nuclear, inclusive 600 mil que faziam parte dos combates ao incêndio causado pela explosão e das operações de limpeza. 

As áreas agrícolas, de aproximadamente 52 mil km2, foram contaminadas com césio-137 e o estrôncio-90. Mais de 400 mil pessoas foram realojadas em outras áreas, mas milhões continuaram vivendo em locais onde a exposição à radiação causou uma série de efeitos adversos. 

Cabo Verde e Timor-Leste elogiados por avanços no combate à malária 

Para marcar o Dia Mundial de Combate à Malária, neste 25 de abril, a Organização Mundial da Saúde, OMS, está realçando as conquistas alcançadas em países que se aproximam da eliminação da doença. 

Cabo Verde está entre oito nações que relataram zero casos durante três anos, até o final de 2020. O país fez parte da iniciativa conhecida como E-2020 apoiada pela agência da ONU. 

Auxílio 

Timor-Leste relatou apenas um paciente e faz parte das nações classificadas como tendo chegado a excelentes progressos rumo ao fim de casos. 

Este ano, a OMS anunciou 25 países com potencial para erradicar a malária em um prazo de cinco anos. Eles receberão auxílio especializado e orientação técnica na ação para atingir essa meta.  

Unicef/ Arjen van de Merwe

Pelo menos 11 dos 24 países que anunciaram ter interrompido a transmissão foram certificados como isentos de malária

Em 2019, a doença infectou cerca de 229 milhões e matou 409 mil pessoas em 87 países. Destes, 46 reportaram menos de 10 mil pacientes, em comparação com 26 nações no ano 2000.  

A agência da ONU alerta que somente na África Subsaariana, crianças menores de cinco anos totalizam cerca de dois terços dos óbitos globais pela doença. 

Transmissão  

Todo o continente africano foi o mais afetado no período analisado, com 94% dos casos e mortes globais. Cerca de 3% foram notificados no sudeste asiático, 2% no Mediterrâneo Oriental e 1% o Pacífico Ocidental e nas Américas respectivamente. 

No ano passado, 11 dos 24 países que anunciaram ter interrompido a transmissão foram certificados como isentos de malária pela OMS. 

OMS/Paho

OMS realça a inspiração para várias nações dada por países que se aproximam da eliminação da doença

Com base em sucessos e nas lições aprendidas durante a iniciativa E-2020, a agência realça a inspiração para várias nações.  

Além de tentar erradicar a doença mortal, os países do grupo procuraram melhorar o setor da saúde e a subsistência de suas populações em momento de pandemia de Covid-19. 

Parcerias 

Nas vésperas do Dia Mundial da Malária, a agência reuniu líderes dos países, profissionais de saúde da linha de frente e parceiros globais num fórum virtual realizado na segunda-feira.  

O evento realizado em parceria com a Parceria RBM pelo fim da Malária serviu para compartilhar experiências e reflexões sobre os esforços para alcançar a meta de zero malária. 

Foto: Unicef/UN0303710/Oatway

Mãe e bebé na Beira, em Moçambique, onde criança recebe tratamento contra malária

Em Dia Internacional, Guterres pede multilateralismo em rede e inclusivo  

As Nações Unidas marcam, este 24 de abril, o Dia Internacional do Multilateralismo e da Diplomacia pela Paz.  

Em mensagem, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a pandemia de Covid-19 “é um lembrete trágico” de como todo o mundo está profundamente conectado. 

Desafios 

Ele diz que “o vírus não conhece fronteiras e é um desafio global por excelência”, por isso, o mundo tem de trabalhar em conjunto, como uma família humana, para combatê-lo. 

Foto ONU/Rick Bajornas

Sede das Nações Unidas em Nova Iorque

Guterres afirma que a comunidade internacional deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para salvar vidas e aliviar a crise econômica e social, mas também  aprender algumas lições sobre “as vulnerabilidades e desigualdades que o vírus revelou e mobilizar investimentos em educação, sistemas de saúde, proteção social e resiliência.” 

Para o chefe da ONU, “este é o maior desafio internacional desde a Segunda Guerra Mundial”, e citou outros como profundos perigos transnacionais e a mudança climática. 

Oportunidade 

Segundo o secretário-geral, “o multilateralismo não é apenas uma questão de enfrentar ameaças compartilhadas”, “trata-se de aproveitar oportunidades comuns” e a pandemia oferece “a oportunidade de reconstruir melhor visando economias e sociedades inclusivas e sustentáveis.” 

António Guterres acredita que a cooperação internacional deve se adaptar aos tempos de mudança, porque “não basta proclamar as virtudes do multilateralismo” é preciso “continuar a mostrar seu valor agregado.”  

Ele defende um multilateralismo em rede, fortalecendo a coordenação entre todas as organizações multilaterais globais, com as regionais capazes de dar suas contribuições vitais. 

Sociedade civil 

Para o chefe da ONU, o novo multilateralismo também deve ser inclusivo, baseado em uma interação profunda com a sociedade civil, empresas, autoridades locais e regionais e outras partes interessadas. 

Segundo ele, nesse novo multilateralismo “a voz da juventude é decisiva para moldar o futuro.” 

ONU/Violaine Martin

Para António Guterres, é preciso um multilateralismo renovado para enfrentar os desafios

Lembrando o 75º aniversário das Nações Unidas, marcado no ano passado, Guterres destaca um “momento chave para a cooperação internacional” e pede um esforço para alcançar um futuro saudável, equitativo, pacífico e mais sustentável para todos. 

Data 

O Dia Internacional foi aprovado pela Assembleia Geral em 2018. 

Segundo a resolução, preservar os valores do multilateralismo e da cooperação internacional, que sustentam a Carta das Nações Unidas e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, é fundamental para promover e apoiar os três pilares da ONU: paz e segurança, desenvolvimento e direitos humanos. 

A data também serve para reafirmar os princípios de resolução de disputas entre países por meios pacíficos, reconhecendo o uso da tomada de decisões multilaterais e da diplomacia. 

Dia Internacional dos Delegados 

E neste 25 de abril, a ONU comemora o Dia Internacional dos Delegados como um reconhecimento do trabalho realizado por milhares de diplomatas e integrantes das Missões junto à organização. 

As Nações Unidas dizem que o trabalho deles é fundamental. São eles que negociam os acordos, coordenam o diálogo com seus países de origem, formam alianças e compromissos e assim dão corpo ao multilateralismo defendido pela ONU. 

Foto ONU/Ariana Lindquist

Sede da ONU em Nova Iorque, que acolhe os delegados de todos os Estados-membros

Eles também representam seus países a não ser um que alguém mais graduado na hierarquia diplomática como um ministro de Estado, político, esteja presente, são os delegados que falam e votam nas sessões da Assembleia Geral e outros órgãos. 

Segunda Guerra Mundial 

A data foi escolhida por ser o aniversário do primeiro dia da Conferência de São Francisco, que deu origem às Nações Unidas. Em 25 de abril de 1945, delegados de 50 países, incluindo o Brasil, o único de língua portuguesa na lista, se reuniram na cidade da Califórnia para lançar a organização após a Segunda Guerra Mundial. Com o objetivo de restaurar a paz mundial e apresentar regras e normas a uma ordem global do pós-guerra. 

Naquela época, 850 delegados participaram da conferência que durou dois meses. Eles representavam 80% da população de então. 

Dois meses depois, em 26 de junho, nascia a Carta das Nações Unidas assinada por todos os 50 países. 

Hoje, a ONU tem 193 Estados-membros. 

Em Cúpula sobre o clima, Guterres pede a líderes que deem passo na direção certa  

O secretário-geral das Nações Unidas chamou a atenção internacional para um “mundo à beira do abismo” ao discursar esta quarta-feira na Cúpula de Líderes Globais sobre o Clima. 

António Guterres pediu que o próximo passo seja na direção certa, durante a conferência virtual, organizada pelos Estados Unidos. Ele apelou à ação das lideranças em todos os lugares.  

Finanças  

Guterres defende uma aliança global para zerar as emissões líquidas de carbono até meados deste século, com cada país, região, cidade, empresa e setor. Essa iniciativa “verdadeiramente global” seria acompanhada por um avanço em áreas como finanças e adaptação. 

NASA

Guterres disse que o mundo caminha no rumo certo em direção a Ação Climática, mas seria preciso mais velocidade

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foi o primeiro chefe de Estado lusófono a intervir na Cúpula, que ocorre sete meses antes da 26ª Conferência sobre o Clima, a COP-26, marcada para Glasgow, na Escócia.  Ele realçou que a causa maior do aquecimento global é a queima de combustíveis fósseis dos últimos dois séculos. 

“O Brasil participou com menos de 1% das emissões históricas de gases de efeito estufa, mesmo sendo uma das maiores economias do mundo. No presente respondemos por menos de 3% das emissões globais anuais.” 

 Para o presidente do Brasil, a aposta do país em atingir a neutralidade de carbono, até 2050, se antecipa em 10 anos à meta anterior.  Segundo ele, o governo tem um plano para erradicar o desmatamento ilegal até 2030, reduzindo em quase metade as emissões até essa data, ainda que considere que ação seja uma “tarefa complexa”. 

Captura vídeo

Presidente Jair Bolsonaro disse que o Brasil aposta em atingir a neutralidade de carbono até 2050

Recursos   

O ministro do Ambiente e da Ação Climática de Portugal, João Pedro Matos Fernandes, também deve discursar no evento.   

O chefe das Nações Unidas também propôs que a atual década seja de transformação, com apostas novas e mais ambiciosas das nações em contribuições para mitigação, adaptação e financiamento. As medidas e políticas para os próximos 10 anos estariam em linha e visando a eliminação das emissões de carbono até 2050. 

A terceira proposta é traduzir compromissos nacionais em ações imediatas e concretas. Guterres disse que os trilhões de dólares necessários para recuperar da pandemia sejam usados em políticas que evitem sobrecarregar as gerações futuras de dívidas em um planeta destruído. 

Investimentos 

O secretário-geral realçou ainda que seja tributado o carbono e defendeu o fim de subsídios aos combustíveis fósseis, o aumento de investimentos em energia renovável e da infraestrutura verde. 

ONU/Manuel Elias

Guterres conversou ação climática com jovens ativistas do Brasil e de Madagáscar

Sublinhando que deve acabar o financiamento de usinas de carvão e a construção de novas, o chefe da ONU pediu que se elimine gradualmente o carvão até 2030 em países mais ricos e até 2040 em todos os outros garantiria uma transição justa para os afetados. 

A reunião junta dezenas de líderes tendo como foco a promessa de cortar as emissões de carbono pela metade até 2030 como prevê o Acordo de Paris. 

Os Estados Unidos anunciaram uma nova meta para atingir uma redução de entre 50% e 52% dos níveis de poluição de gases de efeito estufa em 2030. Joe Biden declarou que pretende colocar seu país no caminho para emissões líquidas zero até 2050. 

Acordo de Paris  

Reagindo à promessa norte-americana feita na sequência do retorno do país ao Acordo de Paris, Guterres disse que o mundo caminha no rumo certo em direção a Ação Climática, mas seria preciso mais velocidade de líderes nesse sentido. 

Como parte da celebração do Dia Mundial da Terra, o secretário-geral discutiu virtualmente questões em torno da emergência climática com jovens ativistas do clima do Brasil, Paloma Costa, e de Madagáscar, Marie Cristina Kolo.

A conversa abordou temas como preservação da biodiversidade, a redução das emissões de gases de efeito estufa e as medidas de adaptação sobre as quais apelos a mais solidariedade internacional por um futuro sustentável e inclusivo.

Unesco/Kologrivsky Biosphere Reserve

EUA anunciaram nova meta para atingir uma redução de entre 50% e 52% dos níveis de poluição de gases de efeito estufa

ONU apela ao fim da guerra com a natureza

No Dia Mundial da Terra, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, reafirma o compromisso “de restaurar o nosso planeta e de fazer as pazes com a natureza”.

Neste dia, 40 líderes mundiais reuniram-se virtualmente para uma Cimeira Global sobre o Clima.

A administração americana decidiu regressar ao Acordo de Paris, comprometendo-se a atingir emissões zero até 2050. Este acordo, visa reduzir substancialmente as emissões globais de gases com efeito de estufa e limitar o aumento global da temperatura a 1,5°C.

A Cimeira de Líderes sobre o Clima sublinhou a urgência e os benefícios económicos de uma acção climática mais forte e constitui um ponto de partida fundamental para a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), que terá lugar em Glasgow em Novembro deste ano.

De modo a atingir estes objetivos, são necessários investimentos substanciais para enfrentar as alterações climáticas, tanto para reduzir as emissões, como para financiar a adaptação aos seus impactos. Alguns estudos revelam que os benefícios associados ao investimento em ações climáticas superam quaisquer custos iniciais. Segundo o Banco Mundial, terão de ser feitos investimentos significativos em infraestruturas nos próximos 15 anos – cerca de 90 biliões de dólares até 2030 que, posteriormente, serão recuperados. A ONU estima também que a mudança para uma economia verde pode gerar ganhos diretos de 26 biliões de dólares até 2030 e lembra que soluções baseadas na natureza podem constituir bons negócios, criando cerca de 191 mil milhões de empregos até 2030.

O secretário-geral da ONU, estabeleceu seis áreas prioritárias de ação climática.  Estas prioridades incluem a criação de emprego digno, a proibição de financiamento a empresas poluidoras, o abandono dos combustíveis fósseis e a eliminação do investimento na construção de centrais eléctricas alimentadas a carvão. O líder da ONU apelou, também, ao aumento da cooperação internacional de modo a assegurar uma transição justa e ponderada.

Também a União Europeia (UE), sob os auspícios da Presidência Portuguesa do Conselho Europeu, adotou novos objetivos para travar as alterações climáticas, com o compromisso de os tornar juridicamente vinculativos.

Mudança urgente

Os cientistas sublinham a necessidade de limitar o aquecimento global a 1,5°C, a fim de evitar impactos ambientais ainda mais desastrosos. Este é um dos objectivo-chave tanto da Cimeira de Líderes como da COP26.

Reconhecido como o maior evento anual ambiental, o Dia Mundial da Terra deu origem a uma série de ações e campanhas ambientais, incluindo a aprovação de leis e projectos de reflorestação.

Números da Covid-19 baixam no Brasil, mas OMS adverte para possível reversão 

No fim de semana, o mundo atingiu um marco trágico, com mais de 3 milhões de pessoas perdendo suas vidas para a Covid-19. E quase metade dessas mortes aconteceu na região das Américas e Caribe.  

A informação foi compartilhada pela diretora da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, Carissa Etienne. 

Situação 

Falando a jornalistas em Washington, ela disse que “por trás de cada morte está uma vida interrompida e o sofrimento inimaginável de famílias e entes queridos.” Para ela, isso é um lembrete de que se deve fazer mais, pois o vírus continua sendo uma ameaça em todos os cantos da região. 

OMS/C. Black

Carissa Etienne contou que a Opas ajudou a distribuir mais de 4 milhões de doses de vacinas

Na última semana, a região notificou mais de 1,5 milhão de novos casos e quase 40 mil mortes. 

Após meses difíceis, o Brasil está notificando uma descida, inclusive na região amazônica. Etienne afirmou, no entanto, que “os casos permanecem alarmantes em todo o país e alguns municípios têm sido rápidos em aliviar as restrições, então é provável que essas tendências sejam revertidas.” 

Vacinas 

Etienne contou que a Opas continua com sistemas de vigilância para ver como os medicamentos e vacinas afetam as populações. Segundo ela, os relatos de efeitos colaterais inesperados são muito raros e as decisões de órgãos reguladores apenas mostram que os sistemas de vigilância estão funcionando.  

Ela afirma que “as vacinas estão salvando vidas e contribuirão para controlar a transmissão em um futuro próximo, quando se alcançar uma alta cobertura de imunização.” 

Em Israel, os imunizantes já estão ajudando a reduzir as infecções e dados iniciais do Chile e de algumas cidades do Brasil indicam uma redução nas hospitalizações entre os idosos.  

Até o momento, a Opas já ajudou distribuir mais de 4,2 milhões de doses em 29 países. Milhões serão lançadas nas próximas semanas.  

Lembrando que, próxima semana, a Opas celebra a Semana Mundial de Imunização, Etienne disse que a região precisa de mais doses e precisa que os países administrem rapidamente as doses que têm. Também é necessário construir confiança nas comunidades. 

Informação 

A chefe da Opas também destacou a necessidade informações confiáveis, dizendo que, por mais de um ano, o mundo foi inundado com notícias e informações sobre o vírus.  


Ela lembra que a ciência é um processo colaborativo e em evolução e, por isso, a Opas continua realizando coletivas de imprensa para compartilhar as informações confiáveis mais recentes.  

Etienne afirma que “nem todas as fontes são dignas de confiança e rumores insidiosos e teorias da conspiração continuam se espalhando, causando medo e custando vidas.” 

Segundo a diretora, hoje, “a desinformação é uma das mais graves ameaças à saúde pública.” 

Por isso, o braço regional da OMS está colaborando com empresas de tecnologia como Twitter, Google e Facebook para abordar notícias falsas e garantir que o público possa encontrar facilmente informações precisas 

Segundo ela, “todos têm um papel a cumprir para impedir que esses rumores se propaguem online ou em conversas.”  

Antes de compartilhar algo, todos devem verificar a fonte e confirmar se a informação é verdadeira. Se tiverem dúvidas, não devem compartilhar. 

ONU envia condolências ao Chade após morte do presidente Idriss Déby Itno 

As Nações Unidas expressaram seus pêsames ao povo e ao Governo do Chade pela morte do presidente do país, Idriss Déby Itno, aos 68 anos.  

Segundo agências de notícias, ele morreu durante confrontos com rebeldes no norte da nação africana.  

Sahel  

O secretário-geral António Guterres expressou “profundas condolências” à família do presidente Idriss Déby Itno assim como ao país pelo falecimento.  

Ocha/Federica Gabellini

ONU reitera que permanece ao lado do povo do Chade em seus esforços de construir um futuro pacífico e próspero

Em nota, Guterres disse que o presidente era um parceiro chave das Nações Unidas e que contribuiu de forma significativa para a estabilidade regional, especialmente nos esforços de combater o terrorismo, o extremismo violento e o crime organizado na região africana do Sahel.  

O assassinato ocorreu apenas um dia após os resultados provisórios das eleições presidenciais serem anunciados e que indicavam que o presidente seria conduzido a um sexto mandato. 

Futuro pacífico  

Agências de notícias informam que com a crise, o governo e o Parlamento foram dissolvidos no país que está agora sob toque de recolher.   

Na nota emitida pelo seu porta-voz, o chefe da ONU afirmou que nesses tempos difíceis, a organização permanece ao lado do povo do Chade em seus esforços de construir um futuro pacífico e próspero. 

Moçambique: famílias separadas pela violência precisam de ajuda urgente

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, disse que o número de pessoas deslocadas pelos recentes ataques no norte de Moçambique continua a aumentar. Desde 24 de março, mais de 19 mil pessoas fugiram de Palma para as cidades de Nangade, Mueda, Montepuez e Pemba. Quase 700 mil pessoas, principalmente mulheres, crianças e idosos, estão deslocadas internamente no norte de Moçambique, como resultado de ataques e violência recorrentes por grupos armados não estatais desde outubro de 2017.

Relatório OMM: 2020 foi um dos três anos mais quentes de sempre

A desaceleração económica associada à pandemia não foi capaz de travar as alterações climáticas ou desacelerar os seus impactos. Segundo o novo relatório relativo ao Estado Global do Clima 2020, este foi um dos três anos mais quentes de sempre. A temperatura média global subiu cerca de 1,2 °C acima do nível pré-industrial (1850-1900). A publicação da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e parceiros demonstra que 2011-2020 foi a década mais quente alguma vez registada, os últimos seis anos foram os mais quentes de sempre.

O relatório alerta para a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, o aumento da temperatura terrestre e oceânica, a subida do nível do mar, o desgelo e recuo dos glaciares e uma propensão para condições meteorológicas extremas. Destaca, ainda, os impactos negativos destas alterações climáticas, em conjuntura com a pandemia da covid-19, no desenvolvimento socioeconómico, na migração e deslocamento, na segurança alimentar e nos ecossistemas terrestres e marinhos.

A covid-19 adicionou uma nova dimensão aos perigos associados às alterações climáticas, com um enorme impacto na saúde e bem-estar humano. As restrições à mobilidade, crises económicas e interrupções no setor agrícola, exacerbaram os efeitos dos eventos climáticos e meteorológicos extremos ao longo de toda a cadeia de abastecimento alimentar, elevando os níveis de insegurança alimentar e retardando a entrega de ajuda humanitária. A pandemia interrompeu ainda as observações meteorológicas e dificultou os esforços de alerta e prevenção de desastres.

A publicação da OMM explica como as alterações climáticas representam uma ameaça ao cumprimento de muitos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o que poderá contribuir para reforçar ou agravar as desigualdades já existentes.

De acordo com o secretário-geral da ONU, António Guterres, “Este relatório mostra que não temos tempo a perder. O clima está a mudar e as consequências já são em demasia para as pessoas e para o planeta. Este é o ano para a ação. Os estados precisam se comprometer-se a emissões zero até 2050. Precisam de apresentar planos climáticos nacionais ambiciosos para reduzir coletivamente em 45%, em comparação com os níveis de 2010, as emissões globais até 2030. Precisam de agir agora para proteger as pessoas contra os efeitos desastrosos das alterações climáticas”.

FMI vê obstáculos na recuperação da pandemia para América Latina e Caribe 

Um grupo de especialistas do Fundo Monetário Internacional, FMI, afirma que a recuperação da pandemia na América Latina e Caribe não será livre de dificuldades e dúvidas quanto às perspectivas de curto prazo. 

Num artigo de opinião, divulgado na página do FMI, os economistas Alejandro Werner, Takuji Komatsuzaki e Carlo Pizzinelli lembram que a contração de 7% da região, no ano passado, foi a pior do mundo, superando em muito a desaceleração mundial de 3,3%. 

Crescimento 

O crescimento se recuperou, rapidamente, no segundo semestre de 2020, embora a um ritmo menos intenso que o da economia global e de outros mercados emergentes. 

Agência Brasil/Marcelo Camargo

Apenas dois terços dos que perderam o emprego no Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru conseguiram uma recolocação antes do fim de 2020

A projeção de crescimento de 4,6% para este ano é bem inferior aos 5,8% estimados para os mercados emergentes, excluída a China.  

O retorno a níveis pré-pandemia da renda per capita só deve ocorrer em 2024, o que provocará uma perda acumulada de 30% em relação à tendência anterior à crise. 

Para os especialistas, isso aconteceu apesar das políticas fiscais sem precedentes, forte desempenho dos parceiros comerciais, aumento dos preços das commodities e condições financeiras favoráveis. 

Segundo eles, “as pessoas e as economias ainda precisam de uma dose de reforço a curto prazo para sair da crise da Covid-19, enquanto o agravamento de várias fragilidades estruturais subjacentes impõe desafios significativos a longo prazo.” 

Recuperação 

O grupo do FMI fala em “grau extraordinário de incerteza” quanto ao futuro. 

Do lado positivo, um controle mais rápido da pandemia e apoio econômico mais intenso estimulariam o crescimento. Do lado negativo, o ressurgimento do vírus em países como Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai, somado a um ritmo lento de vacinação, coloca em risco as perspectivas de curto prazo. 

E acreditam que “novos confinamentos provavelmente sejam menos prejudiciais do que no início da pandemia, pois as economias aprenderam a se adaptar.” 

Banco Mundial/Paul Salazar

O plano de resgate dos Estados Unidos impulsionará o crescimento em alguns países da América Central

O Brasil, por exemplo, deve se recuperar em 2022, devido à diminuição do apoio fiscal e monetário, e ao lento avanço da vacinação. Já o PIB do México só retornará ao nível anterior à pandemia em 2023, em virtude da ausência de apoio fiscal interno significativo e da reversão das reformas estruturais. 

O plano de resgate dos Estados Unidos impulsionará o crescimento em alguns países da América Central por meio das remessas dos migrantes e do comércio exterior, ajudando esses Estados a se recuperarem até o próximo ano. Já as economias caribenhas que mais dependem do turismo serão as últimas a sentir melhorias, apenas em 2024, devido à lenta retomada do setor. 

Desigualdade 

A recuperação também tem sido heterogênea dentro de cada país. A indústria se recupera mais rapidamente que os serviços que exigem contato intensivo. 

Masos mercados de trabalho permanecem frágeis. Apenas dois terços dos que perderam o emprego no Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru conseguiram uma recolocação antes do fim de 2020. O setor informal, que sofreu as maiores perdas, impulsionou a recuperação do emprego. 

A renda média do trabalho também caiu. A queda foi menos drástica nos países que implementaram programas de retenção de empregos, como o Brasil. Mesmo no caso de uma recuperação relativamente rápida, como acontece no México, a perda salarial foi maior entre os trabalhadores que conseguiram se recolocar do que entre aqueles que permaneceram empregados durante a crise. 

UN/Kibae Park

As desigualdades foram ainda mais acentuadas devido a fatores como falta de acesso a serviços básicos.

Consequências  

Segundo estimativas, o número de pessoas na pobreza aumentou em 19 milhões na região, e a desigualdade, medida pelo coeficiente de Gini, cresceu 5% em comparação com antes da crise. 

Os especialistas avisam que a pandemia também deixará danos duradouros no capital humano devido ao fechamento das escolas, que foi mais prolongado do que em outras regiões. 

Para eles, “a tarefa mais urgente continua a ser controlar a pandemia, assegurando que os sistemas de saúde dos países disponham de recursos adequados e que todos consigam ser vacinados.” 

Gastos com saúde 

O grupo do FMI acredita que o apoio de políticas fiscal e monetária deve continuar nos países onde há espaço suficiente para tanto.  

Países com orçamentos apertados devem priorizar os gastos com saúde e o apoio às famílias, e trabalhar para gerar mais espaço fiscal.  

Para curar as sequelas de longo prazo, Alejandro Werner, Takuji Komatsuzaki e Carlo Pizzinelli afirmam que os países terão que acelerar as reformas estruturais, ampliar o acesso à educação e saúde de alta qualidade, expandir as redes de proteção social e melhorar o ambiente de negócios.