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Guterres: vacinação covid-19 “totalmente desigual e injusta” 

António Guterres dirigiu-se ao Conselho de Segurança por videoconferência e apelou a um processo de vacinação que não deixe ninguém para trás. Foto ONU/ /Evan Schneider

O secretário-geral das nações Unidas, António Guterres, descreveu, esta quarta-feira, o objetivo de garantir vacinas para todos como um dos “maiores testes morais à comunidade mundial”, sublinhando que todas as pessoas em todos os lugares devem ser abrangidas.  

Dirigindo-se ao Conselho de Segurança da ONU, Guterres afirmou que “derrotar a covid-19 agora que temos capacidade científica para o fazer, é mais importante do que nunca.” 

No entanto, o líder da ONU alertou que o progresso no processo de vacinação está a ser desigual e injusto, numa altura em que 10 países somam 75% das vacinas administradas, enquanto que 130 países ainda não receberam uma única dose. Aqueles que vivem em cenários de crise e de conflito correm um risco ainda maior de serem deixados para trás.   

Plano de Vacinação Mundial  

A ONU e os seus parceiros estabeleceram o COVAX Facility para que todos os países tenham acesso às vacinas, independentemente da sua riqueza, para tal, o líder da ONU lembrou que é necessário garantir que este seja devidamente financiado.  

No entanto, para Guterres é necessário ir mais longe e deve traçar um Plano de Vacinação Mundial para juntar todos os que têm o poder, o conhecimento científico e capacidade de produção e de financiamento. Para tal, o diplomata português propõe que os países do G20 formem um grupo de emergência para preparar a sua implementação e financiamento e ainda mobilizar as empresas farmacêuticas. 

A diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) explicou que a agência está a apoiar a distribuição de vacinas. Foto ONU/ Evan Schneider

Esforço histórico  

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) está a apoiar alguns países na distribuição das vacinas, com o objetivo de fornecer 2 mil milhões de vacinas até ao final do ano.  

A diretora executiva da UNICEF, Henrietta Fore, apelou aos Estados-membros com assento no Conselho de Segurança que ajudem aquela agência da ONU a “assegurar que a luz ao fundo do túnel brilhe para todos, incluindo as famílias e comunidades que suportam os horrores do conflito.” 

A responsável máxima da UNICEF sublinhou ainda que o apoio do Conselho de Segurança é necessário para que os países garantam que todas as pessoas s\ao incluídas nos planos nacionais de vacinação, independentemente do seu estatuto ou da região onde vivem 

Fore, lembrou ainda a urgência do cessar-fogo mundial para que se possam retomar as campanhas de vacinação contra a pólio, o sarampo e outras doenças que foram interrompidas durante a pandemia.  

Vacinas Covid-19: Guterres pede solidariedade perante avanço “extremamente desigual e injusto”  

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse esta quarta-feira que, neste momento crítico, “a igualdade da vacina é o maior teste moral perante a comunidade global.” 

O chefe da organização participou em um encontro do Conselho de Segurança sobre garantia de acesso às vacinas contra a Covid-19 em locais afetados por conflito e insegurança.  

Progresso 

Segundo António Guterres, “o progresso na vacinação tem sido extremamente desigual e injusto.” 

Apenas 10 países administraram 75% de todas as vacinas. Enquanto isso, mais de 130 Estados não receberam uma única dose. 

Reprodução

Guterres foi um dos participantes no encontro do Conselho de Segurança

Segundo ele, “as pessoas afetadas por conflitos e insegurança correm o risco particular de ficar para trás.” 

Guterres lembrou que, se o vírus se espalhar no Sul Global, sofrerá mutações e as novas variantes podem se tornar mais transmissíveis, mais mortais e ameaçar a eficácia das vacinas.  

Segundo ele, “isso pode prolongar a pandemia significativamente, permitindo que o vírus volte para atormentar o Norte Global” e “atrasará a recuperação econômica mundial.” 

Cessar-fogo 

Guterres disse que o mundo precisa urgentemente de um Plano Global de Vacinação, que reúna todos aqueles com energia, conhecimento científico e capacidade produtiva e financeira necessários.  

University of Oxford/John Cairns

Coalizão de vacinas da OMS, Covax, com o apoio da Aliança Global de Vacinas, Gavi, conseguiu assegurar 2 bilhões de doses de cinco produtores

Segundo ele, o G20 está bem posicionado para estabelecer uma Força-Tarefa de Emergência para preparar esse Plano Global de Vacinação e coordenar sua implementação e financiamento. 

A força-tarefa deve incluir todos os países com capacidade para desenvolver vacinas ou produzi-las, junto com a Organização Mundial da Saúde, OMS, e outras organizações internacionais. 

A força-tarefa deve ter capacidade para mobilizar as empresas farmacêuticas e os principais atores da indústria e logística. Guterres diz que está pronto para galvanizar todo o Sistema das Nações Unidas em apoio a esse esforço. 

Guterres lembrou ainda seu apelo por um cessar-fogo global para aliviar o sofrimento, criar espaço para a diplomacia e permitir o acesso humanitário, inclusive para a entrega de vacinas.  

Foto ONU/Evan Schneider

Chefe do Unicef, Henrietta Fore, pediu apoio para cessar-fogo global

Dificuldades 

Já a diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, lembrou que a agência pretende adquirir 2 bilhões de doses até o final deste ano. Isso se soma aos 2 bilhões de doses de outras vacinas que adquire todos os anos e distribui em cerca de 100 países. 

Henrietta Fore disse que o Unicef encontra maneiras de garantir a distribuição e entrega em contextos logisticamente difíceis, como o Sudão do Sul ou a República Democrática do Congo. Ela destacou ainda ambientes de alta ameaça, como o Iêmen ou o Afeganistão. 

Segundo ela, a agência também tem negociado “o acesso às populações em várias linhas de controle por grupos armados não estatais, áreas onde se estima viveram cerca de 60 milhões de pessoas.” 

Apelo 

Agora, enquanto o Unicef se prepara para este “lançamento histórico” da vacinação contra a Covid-19, Henrietta Fore pediu o apoio do Conselho em três áreas. 

Primeiro, que se junte ao apelo para que todos os Estados-membros incluam todas as pessoas em seus nacionais de vacinação.  

Em segundo lugar, apoiando um cessar-fogo global. Para a chefe do Unicef, no mínimo, é necessária uma pausa humanitária durante a entrega da vacina. 

Por fim, Fore pediu apoio para reiniciar as campanhas de imunização paralisadas para outras doenças como sarampo, difteria e poliomielite.  

Henrietta Fore concluiu dizendo que, no último ano, “a comunidade global se uniu para desenvolver, fabricar, distribuir e entregar esta vacina em tempo recorde.” Agora, ela afirmou que “este esforço histórico merece um apoio histórico.” 

O impacto da pandemia no trabalho e o caminho para a recuperação

A diretora da OIT-Lisboa, Mafalda Troncho, fala à ONU Portugal sobre as conclusões da Organização Internacional do Trabalho (OIT) quanto ao impacto da pandemia da covid-19 na realidade global do trabalho e aponta prioridades para a recuperação sustentável

ONU Portugal: A OIT tem publicado estudos e pareceres sobre o impacto da pandemia no mercado laboral. Que ideias destacaria dentro daquilo que tem sido estudado ultimamente pela OIT?

Mafalda Troncho: A atual pandemia começou por ser uma crise de saúde pública, mas rapidamente se alastrou à economia e aos mercados de trabalho. Nesse contexto, a OIT adequou o plano de trabalho e as suas prioridades, procurando dar resposta às necessidades que se começaram a sentir. O que a OIT tem tentado fazer é partilhar muita informação, boas práticas, produzir estudos e monitorizar em diversos domínios como os sistemas de proteção social ou setores específicos, de forma a compreender bem o impacto da pandemia. Este esforço tem levado à publicação regular de relatórios, números e tendências. Aqui, gostaria de destacar um esforço de monitorização que tem permitido à OIT divulgar, com regularidade, relatórios de monitorização e recomendações de políticas.

 “Há cenários mais otimistas e cenários mais pessimistas. No entanto, todos os cenários têm uma noção comum: nenhum país recuperará desta crise isoladamente, sem um esforço global”

Como principal conclusão, sabemos que esta crise é a crise mais severa que o mundo atravessa desde a grande depressão (1930). O impacto é claramente muito superior ao que vivemos na crise global financeira de 2009. Mais concretamente, o último relatório de monitorização da OIT diz-nos que, face ao último trimestre de 2019, se perdeu um total de 8,8% do número global de horas de trabalho em 2020. Isto equivale ao trabalho de cerca de 255 milhões de pessoas a tempo completo. Outro dado preocupante é: metade desta perda de horas de trabalho resulta da perda de empregos – o que ilustra uma situação sem precedentes. Outro dado a sublinhar: a grande maioria do emprego que se perdeu está a traduzir-se em inatividade. Por outras palavras, são pessoas a sair do mercado de trabalho, ou porque as restrições não lhe permitem fazer uma procura, ou porque simplesmente desistiram de procurar. Esta constatação vai ter implicações nas políticas a seguir e nós sabemos, pela experiência de crises anteriores, que é muito mais difícil reativar os inativos do que reempregar os desempregados. Esta é uma situação que os países têm de olhar com especial cuidado.

Depois, temos outros dados importantes quando se definem as políticas para a recuperação da crise. Os grupos mais atingidos pela pandemia estão a ser os jovens e os mais velhos – e isto não é novo relativamente às crises anteriores. Estes grupos correm maior risco de inatividade e essa questão é muito preocupante. Ao mesmo tempo, os dados mostram-nos que as mulheres trabalhadoras estão a ser desproporcionalmente afetadas face aos homens trabalhadores. Isto pode significar um retrocesso face aos progressos que vinham sendo alcançados na igualdade de género. A crise afeta mais as mulheres porque elas estão sobrerrepresentadas em setores económicos muito afetados pela crise – como o alojamento, a restauração, o comércio, a indústria transformadora -, mas também porque são predominantes nos setores do trabalho doméstico, dos cuidados, da assistência social. As mulheres correm maior risco de perder o posto de trabalho e o rendimento, mas também de serem infetadas, por estarem na “linha da frente”.

“Esta constatação vai ter implicações nas políticas a seguir e nós sabemos, pela experiencia de crises anteriores, que é muito mais difícil reativar os inativos do que reempregar os desempregados. Esta é uma situação que os países têm de olhar com especial cuidado”

Outro grupo que nos merece especial atenção são os trabalhadores migrantes. Nos países para onde imigram, vão frequentemente ocupar áreas que estão a ser muito afetadas pela covid-19: saúde, cuidados a terceiros, distribuição, transportes, agricultura ou construção. Também sabemos que, muitas vezes, estes trabalhadores não têm acesso (ou têm acesso muito limitado) à saúde e que, em situações de crise, são normalmente os primeiros a sofrer com perda de trabalho e rendimento. Aqui, é de sublinhar o exemplo dado por Portugal no início desta crise, destacado pela OIT e por outras entidades internacionais, na adoção de disposições que permitiram tratar os migrantes como residentes permanentes, de modo a que tivessem acesso aos serviços públicos, incluindo ao Serviço Nacional de Saúde. Esta é, não apenas uma questão de justiça para com os migrantes, mas também uma questão de saúde pública.

Para a OIT, é de referir também o seguinte: quanto maior é o estímulo orçamental assegurado por um país, menores são as perdas em termos de horas de trabalho. O problema é que os países não têm a mesma margem orçamental para estimular as suas economias – o que está a fazer agravar as desigualdades entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento. Nesse sentido, o apelo do secretário-geral da ONU António Guterres, e também das agências especializadas como a OIT, à mobilização do sistema multilateral para apoiar as economias mais frágeis é importante, para que ninguém fique para trás. A enorme desigualdade na distribuição geográfica das vacinas expõe esta necessidade de mobilização se, de facto, não quisermos deixar ninguém para trás.

Por último, destacaria a importância dos sistemas de proteção social em contexto de crises. Já tinha sido constatado na última crise (que surgiu em 2008), mas voltamos a perceber que os países com sistemas de proteção social mais sólidos e abrangentes estão em melhor situação para combater e, provavelmente, recuperar desta crise. O nosso diretor-geral sublinhou que a presente crise expôs as lacunas devastadoras na cobertura de proteção social nos países em desenvolvimento, onde a economia informal é dominante e, portanto, não há alternativas à perda de rendimento – mas, também, nos países desenvolvidos. Esta crise vem-nos mostrar que a falta de proteção social não afeta só as pessoas mais pobres. Nas economias desenvolvidas, há pessoas que até estavam a passar relativamente bem, mas que, em pouco tempo, com o acréscimo das despesas médicas ou a perda de rendimento, rapidamente viram décadas de trabalho familiar e poupanças a esgotarem-se. A OIT apela à extensão da proteção social para mitigar os efeitos desta crise, mas também para preparar uma recuperação mais duradoura.

OP: A pandemia vem mudar para sempre o modo como trabalhamos. Como é que a OIT vê o futuro das relações de trabalho, agora que o teletrabalho e o trabalho remoto vão estar tão mais presentes nas nossas vidas?

 MT: Com a pandemia, verificou-se uma massificação do teletrabalho – que deixou de ser uma realidade residual em muitos países. Parte deste movimento será temporário e outro será definitivo. Não creio que teremos os mesmos níveis de teletrabalho depois da pandemia, mas também não teremos uma realidade tão residual como tínhamos até aqui. O teletrabalho introduz alterações claras nas relações laborais e na forma como nos organizamos para trabalhar. Traz oportunidades, mas também traz muitos desafios e levanta muitas questões, como a segurança e saúde do trabalho, a interpenetração entre a vida profissional e a vida familiar, ou o “direito à desconexão”. Se, para alguns, o teletrabalho é um fator de conciliação, para outros é um fator de disrupção. As realidades (da vida profissional e familiar) interpenetram-se. Todas estas questões deverão ser debatidas e estudadas, de modo a garantirmos que, mesmo trabalhando a partir de casa, continuaremos a ter condições de acesso a um trabalho mínimo e com direitos.

OP: Em 2021, a OIT assinala o Ano Internacional da Eliminação do Trabalho infantil. O que está a ser preparado pela OIT e os seus parceiros no âmbito deste Ano Internacional?

MT: Para a OIT, o facto de a Assembleia Geral da ONU ter declarado este ano como o Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil constitui uma oportunidade única para que a comunidade global enfrente os desafios do trabalho infantil, mas também os novos desafios que a pandemia veio colocar neste tema. Sublinho o esforço que a OIT fez, com a UNICEF, por ocasião do Dia Mundial para a Eliminação do Trabalho Infantil, a 12 de junho, com o lançamento de um relatório conjunto sobre o impacto da covid-19 no trabalho infantil, no sentido de perceber o que fazer para evitar que a pandemia constitua um retrocesso face aos progressos significativos que se vinham registando.

Destacaria ainda o esforço do Secretariado Executivo da CPLP, com a UNICEF Portugal, a OIT-Lisboa e o Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, para traduzir este relatório, permitindo a sua disseminação no mundo de língua portuguesa.

A OIT pretende dinamizar este ano Internacional, em colaboração com a Global Alliance 8.7, encorajando os principais intervenientes regionais, nacionais e organizacionais a identificarem iniciativas legislativas e práticas que pretendam tomar para pôr fim ao trabalho infantil, até dezembro de 2021. Isto vai permitir, ainda, preparar o terreno para a 5ª Conferência Global sobre o trabalho infantil que vai ter lugar na África do Sul, em 2022.

Finalmente, a OIT continuará a apoiar os seus Estados-membros a aplicar as convenções fundamentais da OIT, como a C138 sobre a idade mínima de acesso ao emprego e a C182, relativa à Interdição das Piores Formas de trabalho Infantil. As Convenções fundamentais da OIT têm uma particularidade: independentemente de terem sido, ou não, retificadas pelos Estados-membros, estes têm de fazer prova dos seus esforços de aplicação ao nível nacional. Este aspeto é muito importante e a OIT prosseguirá com esse esforço. O facto de se ter alcançado ratificação universal da Convenção 182, num tempo relativamente curto, traduz bem o compromisso que os constituintes tripartidos da OIT – governos, organizações representativas de trabalhadores e empregadores – têm feito relativamente a esta matéria. Há aqui uma nota de esperança.

 

OP: De que forma Portugal tem aplicado estas Convenções? Como tem sido o trabalho desenvolvido pela OIT Lisboa com o Governo português e outros parceiros?

 MT: A OIT-Lisboa tem vindo a trabalhar esta temática com o Secretariado Executivo da CPLP e com os pontos focais nomeados por cada país da CPLP. Temos trabalhado conjuntamente, não apenas em termos de cooperação técnica, mas também através de ações de formação e campanhas que desenvolvemos por altura do 12 de junho. Mais recentemente, temos estado a trabalhar num plano de ação com o objetivo de reforçar o compromisso dos Estados-membros da CPLP no combate ao trabalho infantil.

O grande apoio do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social de Portugal tem-nos permitido traduzir os diversos documentos e manuais de formação, de referência nesta área, em língua portuguesa. Portugal é um importante parceiro neste combate e a sua abordagem à problemática do trabalho infantil, no final da década de 90 início dos anos 2000, mereceu reconhecimento pela comunidade internacional como uma boa prática. Recorde-se que por essa altura surgiu uma queixa no Conselho da Europa contra Portugal. Na altura, muitas vozes internacionais denunciavam os números do trabalho infantil em Portugal e o país decidiu abordar a questão de uma forma muito séria, muito clara, levando a cabo um conjunto de inquéritos nacionais que permitiram desdramatizar os números que eram avançados, mas também desenhar um projeto de combate ao trabalho infantil. Esse projeto foi um sucesso e esta boa prática tem sido disseminada a nível internacional, contribuindo para o trabalho traçado pelos países da CPLP. É, também, por isso, que encontramos, sem surpresa, um foco nos direitos das crianças na agenda da presidência portuguesa da União Europeia. Esta prioridade é ainda apoiada pela centralidade que a presidência está a dar ao modelo social da União Europeia, assente o Pilar Social Europeu, e pelos os esforços desenvolvidos para a adoção de uma garantia europeia para a infância.

OP: De que forma a OIT, nomeadamente a OIT Lisboa, está a colaborar com a Presidência portuguesa do Conselho Europeu?

MT: A União Europeia e a OIT são organizações fundadas com valores muito semelhantes e é, também, justo reconhecer que a UE tem apoiado fortemente a agenda do trabalho digno. Esta cooperação, formalizada em 1958 por via de um acordo de cooperação, tem vindo a evoluir, conhecendo um reforço muito significativo nas últimas décadas. Aqui, destaco o Pilar Europeu dos Direitos Sociais que aprofunda esta convergência de princípios, de valores e prioridades. A OIT e a UE são parceiros importantes também no campo da investigação e posso referir que, neste momento, está a avançar um grande projeto conjunto sobre o trabalho nos setores automóvel e têxtil. Portugal será um dos países incluídos neste estudo.

Neste quadro, é fácil perceber que as presidências do Conselho da União Europeia acabam por constituir um momento importante de diálogo e cooperação entre as duas organizações. Esse acompanhamento é realizado a vários níveis, quer pela nossa sede, quer pelos departamentos técnicos, quer pelo nosso escritório em Bruxelas – que acompanha a Representação Portuguesa junto da eu – quer pelos Escritórios da OIT que eventualmente existam nos países que assumem a Presidência.

No âmbito desta cooperação, a OIT é convidada a participar nas reuniões informais dos Ministros do Emprego e Assuntos Sociais. Isso acontecerá também durante a Presidência portuguesa, já no próximo dia 22. A OIT participou ainda no processo de consulta, lançado pela Comissão Europeia, relativo ao plano de ação para a implementação do Pilar Social. A Presidência Portuguesa está ainda a organizar um conjunto de iniciativas muito relevantes nas nossas áreas de mandato. Como exemplos, dou a conferência de alto nível sobre o futuro do trabalho sob tema «trabalho remoto: desafios, riscos e oportunidades», que terá lugar a 9 de março e a Cimeira Social a ter lugar no Porto, a 7 de maio. A OIT foi convidada a participar em ambas, estando confirmada a participação do nosso Director-Geral, Guy Ryder.

OP: Que mensagem gostaria de destacar no contexto da recuperação da pandemia que agora começa?

MT: Esta mensagem tem sido sublinhada, tanto pelo secretário-geral da ONU, como pelo diretor-geral da OIT: há vários cenários em cima da mesa quanto aos ritmos de recuperação. Há cenários mais otimistas e cenários mais pessimistas. No entanto, todos os cenários têm uma noção comum: nenhum país recuperará desta crise isoladamente, sem um esforço global. Para a OIT, uma recuperação efetiva e sustentável terá de ser uma recuperação centrada nas pessoas. Será impossível recuperar sem políticas macroeconómicas que incluam estímulos orçamentais à economia, sem apoio a rendimentos e sem sistemas de proteção social fortes e abrangentes. As políticas definidas terão de ter atenção aos grupos mais vulneráveis, de forma a prevenirmos o crescimento das desigualdades. Terão de estar desenhadas para os setores mais atingidos e assentar num forte diálogo social, manifestando solidariedade para com os países mais frágeis e menos desenvolvidos, sob pena de não conseguirmos fazer uma recuperação a nível global.

ONU pede eleições transparentes após adiamento no Iraque 

A representante especial do secretário-geral para o Iraque, Jeanine Hennis-Plasschaert, informou esta terça-feira o Conselho de Segurança que as eleições no Iraque serão realizadas em 10 de outubro, quatro meses depois do planeado. 

A representante disse que “mais atrasos não podem ser aceitos” destacando que “a transparência deve reinar e lealdades não podem estar à venda.” 

Voto 

Hennis-Plasschaert disse que “teorias infundadas devem ser refutadas e a intimidação substituída por responsabilidade.” 

Embora o Parlamento tenha aprovado uma legislação de financiamento, ainda não finalizou a lei do Supremo Tribunal Federal, que certifica os resultados eleitorais. 

Unami/Sarmad al-Safy

Representante especial para o Iraque, Jeanine Hennis-Plasschaert, visita protestantes feridos no hospital al-Kindi no Iraque

Segundo ela, eleições confiáveis ​​exigem “um ambiente livre e seguro” para os partidos, candidatos e a mídia.  

A representante pediu a todos os partidos e autoridades que “se unam para chegar a um acordo sobre um código de conduta” para eleições livres “sem medo de intimidação, ataque, rapto ou assassinato.” 

Hennis-Plasschaert lembrou os Estados-membros que o Conselho recebeu um pedido de observação eleitoral e expressou esperança de que os iraquianos possam contar com o “apoio e solidariedade inabaláveis” do órgão.  

Ela repetiu que “as eleições serão lideradas e controladas pelo Iraque em todos os momentos” e que “a ONU não toma partido”, sendo definida por sua independência e imparcialidade.  

Unami

Rua da capital do Iraque, Bagdá

Crise 

O Iraque continua a passar por dificuldades financeiras e econômicas, mas um aumento recente nas receitas do petróleo “aliviou a crise de liquidez”. Os preços, projetados em alta, permitem que o governo avance em questões urgentes como serviços públicos e salários de funcionários públicos. 

Segundo a representante, “muito pouco progresso foi feito” na implementação de medidas de reforma. Ela disse que “o Iraque não pode se dar ao luxo de continuar a depender da extração de recursos, nem ao peso excessivo de um setor público descomunal.” 

Hennis-Plasschaert afirmou que, como sempre, “a luta contra a corrupção econômica e política, a promoção de uma governança robusta, transparência e responsabilidade, devem ser as palavras de ordem.” 

Estabilidade  

O acordo sobre a lei orçamentária de 2021 exige reconciliação e compromisso entre as autoridades nacionais e os representantes da região autónoma do Curdistão.  

As negociações continuam a ser prejudicadas pela falta de leis, incluindo sobre petróleo, divisão de receitas e territórios disputados. 

Segundo a representante, “até o momento, nenhuma agenda ou cronograma foi definido para tratar dessas questões pendentes.” Para ela, “uma relação positiva e estável entre o Iraque federal e a região do Curdistão é absolutamente essencial para a estabilidade de todo o país.” 

Unicef/Sparks

Destruição na cidade de Mossul, no Iraque.

Assentamentos 

Nos últimos três meses, está em andamento o fechamento de campos para iraquianos vivendo como deslocados internos, muitos dos quais são mulheres e crianças. 

Apesar desse avanço, Hennis-Plasschaert disse que “a pressa e opacidade” em torno do processo pode facilmente precipitar outra crise. Segundo ela, “o foco deve ser em medidas seguras e dignas para resolver o deslocamento.” 

A representante disse ainda que “o Iraque tem a responsabilidade de receber de volta seus cidadãos – começando pelos casos humanitários.” Para ela, “muitas promessas foram feitas e agora é hora de cumpri-las.” 

No Brasil, campanha “Todos Pelas Vacinas” ocupa Sambódromo de São Paulo

Espaço onde acontecem os desfiles de Carnaval deu lugar a uma pintura gigante para promover importância e acesso ao imunizante contra Covid-19; iniciativa junta Nações Unidas, instituições científicas, escolas de samba, artistas e outros voluntários. Leia mais em: https://bit.ly/3jOX1sS 

OMS em África marca um ano desde notificação do primeiro caso de coronavírus   

Este 14 de fevereiro marca o primeiro ano desde que o primeiro caso da Covid-19 foi confirmado no continente africano. Passados 12 meses, a agência defende que a região se aproxima das 100 mil mortes e que deve ser reforçada a resposta do sistema de saúde. 

A diretora do Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde, OMS, anunciou que as mortes por Covid-19 em Africa subiram 40% no último mês. Esse aumento acontece numa altura em que continente enfrenta variantes mais contagiosas e se prepara para lançar a maior campanha de vacinação de sempre. 

Pico 

O aumento das fatalidades surge enquanto a segunda vaga de casos, que começou em outubro de 2020, parece ter atingido o pico na primeira semana de janeiro passado. Uma marca da segunda vaga é que se “propaga mais rápido do que a primeira e é muito mais letal.” 

PMA/Damilola Onafuwa

Mulher na Nigéria, onde foi detetada uma nova variante da Covid-19

Mais de 22,3 mil mortes foram relatadas nos últimos 28 dias. O número era de cerca de 16 mil no mês precedente.  
A expetativa é que o continente alcance 100 mil mortos nos próximos dias. O número subiu em 32 países, houve relato de taxas fixas ou decrescentes em 21, e a fatalidade atingiu 3,7% contra 2,4%, estando agora acima da média global.  
Falando em encontro virtual, a diretora regional da OMS para África, Matshidiso Moeti, considerou as crescentes mortes por Covid-19 trágicas, mas “são também sinais de alerta perturbadores que trabalhadores e sistemas de saúde estão perigosamente sobrecarregados. Este marco sombrio deve reorientar todos para erradicar o vírus”. 

Prevenção 

A representante destacou que “a pandemia está muito longe de acabar, e as vacinas são apenas uma ferramenta crucial na nossa luta contra o vírus.”

Uma das prioridades das autoridades sanitárias é “impulsionar o investimento e apoio aos trabalhadores e sistemas de saúde, usando máscaras, limpeza regular das mãos e distanciamento social seguro”. 

Na segunda vaga, conforme os casos ultrapassam o pico da primeira, as instalações sanitárias vão ficando sobrecarregadas.  

A OMS recolheu relatos de 21 países dando conta que 66% assinalaram capacidade inadequada de cuidados intensivos. Em 24% foi relatada combustão entre trabalhadores de saúde, e 15 países apontaram insuficiência na produção de oxigênio. 

O marco de um ano acontece num momento em que o continente enfrenta a propagação de novas variantes do vírus. A que predomina na África do Sul foi detectada em oito países africanos, enquanto a variante do Reino Unido circula em seis. 

Novavax

Várias vacinas já foram aprovadas e estão sendo distribuidas

Imunização 

Autoridades de Pretória anunciam atrasos no lançamento da vacina de Oxford/AstraZeneca por indicações de um estudo realçando ser “menos eficiente em prevenir infeções leves e moderadas da variante B1.351”, dominante no país. 

Para Matshidiso Moeti, “esta é obviamente uma notícia decepcionante, mas a situação é muito dinâmica. Enquanto uma vacina que protege contra todas as formas da Covid-19 é a maior esperança, prevenir casos severos que submergem hospitais é crucial”. 

Variantes  

Esta semana, um painel de cientistas da OMS recomendou os países a usarem a vacina da AstraZeneca para grupos prioritários, mesmo na presença de variantes.  

As conclusões preliminares do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização, Sage, realçam a necessidade urgente de uma abordagem coordenada para vigilância e avaliação de variantes e o seu potencial impacto na eficácia da vacina.

A OMS promete continuar a monitorar a situação e fornecer atualizações na medida que novos dados vão se tornando disponíveis. 
 *Amatijane Candé, de Bissau para a ONU News. 

Covid-19: Mensagem gigante Todos Pelas Vacinas atravessa sambódromo de São Paulo

 Este ano, a mensagem Todos Pelas Vacinas percorre o sambódromo de São Paulo no lugar da folia. Uma pintura gigantesca de quase 1.000 m² promove a confiança no imunizante, após o adiamento da celebração carnavalesca habitual para evitar a propagação do novo coronavírus.  

A iniciativa junta a Campanha Verificado, o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil, Unic-Rio, e milhares de integrantes de escolas de samba que farão a pintura. O propósito é chamar a atenção para a importância da vacinação contra a Covid-19 e o acesso às vacinas.  

Solidariedade 

Falando à ONU News, a diretora do Unic-Rio, Kimberly Mann, declarou que a mensagem de promoção ultrapassa as fronteiras brasileiras.  

Lucas Hilal

Sessão culminou com presença de membros da corte do carnaval no Sambódromo de Anhembi.

“A superação da pandemia depende da nossa solidariedade, de uma cooperação global contra o vírus que seja transparente, equitativa e justa.  Sabemos que só quando todos os países estiverem vacinados, o nosso turismo e a economia voltarão à ativa e poderemos realizar desfiles de carnaval.  A mensagem “Todos Pelas Vacinas” é tão poderosa porque ela reforça o quanto o nosso otimismo frente ao futuro depende de que todos, ao redor do mundo, sejam vacinados”. 

O evento conta com a colaboração de instituições ligadas à divulgação científica. Entre elas estão a Equipe Halo/Nações Unidas, o Observatório Covid-19 Br, NPV/USP e a União Pró-Vacina. 

Velha Guarda  

Neste sábado, a sessão culmina com visitas de duas princesas, um casal da velha guarda do carnaval paulistano e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Vai-Vai.  

Universidade de Oxford/John Cairns

Iniciativa também quer promover o acesso às vacinas

Para a representante do Observatório Covid-19, Flávia Ferrari, o carnaval é um feriado de importância monumental para a economia do país e da cidade de São Paulo, pois tem reflexos inestimáveis no turismo e na cultura.  

Ferrari enfatiza que “o cancelamento dos desfiles, assim como dos blocos de rua e outras festividades, tem um impacto direto no dia a dia e no emocional da população”. 

Voluntários  

Em cooperação por um objetivo em comum, cerca de 80 voluntários de várias agremiações pintarão a mensagem #TodosPelasVacinas na passarela do Anhembi. A coordenação estará a cargo do coletivo de artistas Nós Artivistas.  

Na ação participam a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, a SPTuris,  a Suvinil e a Associação Nacional dos Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental, Anesp. 

Unicef/Fauzan Ijazah

Evento conta com a colaboração de instituições ligadas à divulgação científica

Dia Mundial do Rádio celebra evolução, inovação e conexão  

Este 13 de fevereiro é o Dia Mundial do Rádio. Nesta data, em 1946, a Rádio ONU entrou no ar com sua primeira transmissão sobre o trabalho das Nações Unidas no mundo. Hoje, com o nome de ONU News, o serviço existe em nove línguas incluindo o português. 

“Novo Mundo, Novo Rádio” é o lema da comemoração que desta vez destaca a resiliência do meio de comunicação, a capacidade de se adaptar às transformações sociais, às necessidades das variadas faixas de audiência e a acessibilidade no espaço e tempo.  

Evolução, inovação e conexão  

O ano de 2021 marca ainda 10 anos desta celebração global, enfatizando os subtemas, evolução, inovação e conexão, que têm acompanhado amplamente a história do rádio, segundo a chefe da ONU News em Português, Monica Villela Grayley.  

Foto: ONU News

Equipamento para produção radiofónica.

“Essa maleabilidade, ou essa flexibilidade do rádio, na nossa opinião, é um grande trunfo do meio. Quando a gente fala, por exemplo, da interatividade, que algumas pessoas que talvez não conheçam a história do rádio, pensam que seja uma caraterística das redes sociais. Na realidade, o rádio é o pai ou a mãe da interatividade. Quando os ouvintes ligavam para as emissoras de rádio pedindo sua música e entravam no ar conversando com apresentadores, e isso acontece ainda, esse já era o início, o nascimento da interatividade.”  

A produção multimídia em língua portuguesa nas Nações Unidas foi potenciada em 2006, quando se agregou ao rádio a criação, edição, produção e distribuição de conteúdos para mídias impressas, televisão e internet para centenas de parceiros.   

Em 2009, Português foi a primeira língua da Rádio ONU a entrar nas redes sociais com uma conta no Twitter. Os conteúdos passaram depois a ser disponibilizados em contas no Facebook, YouTube e Instagram como parte da renovação contínua das operações.  A chefe da ONU News lembra o crescimento da audiência durante a pandemia da Covid-19, quando o público em língua portuguesa em todas as partes do mundo buscava informações confiáveis. 

Serviço  

“Nesse momento de pandemia, o rádio presta um grande serviço à população. Um grande serviço com informações corretas, informações verificadas e verdadeiras para que a população obtenha também a sua orientação, Como nos todos sabemos, quando existe qualquer emergência em qualquer parte do mundo onde falta energia elétrica, as pessoas ficam sem acesso à televisão e às redes sociais através do telefone celular com o rádio, de pilha a população é orientada. Viva o Dia Mundial do Rádio e vida longa ao rádio.”  

O leque de parceiros usando os serviços multimídia se estende pelos oito países de língua portuguesa, em veículos de alcance local, nacional e internacional. Na diáspora, a rede inclui parceiros nos Estados Unidos, no Reino Unido, na África do Sul e na França, além de outros países.  

Foi após 2016, que o nome Rádio ONU ou Rádio das Nações Unidas mudou para ONU News para refletir a realidade de uma produção multimídia presente nas mais diversas plataformas.   

Unicef/Habib Kanobana

Criança no Ruanda estudando usando rádio, devido à pandemia

Na redação em Português, essa adaptação que já ocorria durante uma década permitiu o salto de 12 parceiros, quando se tornou serviço multimídia, para os atuais cerca de 700. Muitos usam produtos sem formalizar a parceria.  

Plataformas  

A participação da ONU News em diversas iniciativas globais têm sido uma das marcas da operação. Uma das mais recentes é a Campanha Verificado, que para combater a desinformação incentiva usuários de plataformas digitais a refletir antes de compartilhar “informações e notícias questionáveis”.  

No terreno, o desempenho de forças de paz lusófonas teve destaque após ser acompanhado pela equipe em português em diferentes projetos de parceria e coprodução. As iniciativas foram feitas com representações nacionais, missões de paz e emissoras da ONU em países como Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Haiti, República Centro-Africana, Mali, Sudão do Sul e Líbano.  

A operação multimídia que em nível mais amplo já oferecia produtos em árabe, chinês, inglês, francês, espanhol, russo e suaíle totaliza nove idiomas desde que a estreia da redação em hindi em 2018. 


Angola tem mais três anos para sair da categoria de País Menos Avançado 

A Assembleia Geral das Nações Unidas adiou por três anos a graduação de Angola da categoria de País Menos Avançado, PMA. 

Nesta quinta-feira, o órgão adotou a resolução A/75/L.5 concedendo ao país, “a título excecional, um período preparatório adicional de três anos antes da data efetiva de graduação”. 

Transição Suave  

Durante durante o período de tempo adicional de preparação, Angola continuará tendo a estratégia nacional de transição suave apoiada pelo sistema das Nações Unidas, em cooperação com parceiros de várias frentes. 

Em declarações à ONU News, de Genebra, o chefe da Sessão dos Países Menos Avançados da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, Rolf Traeger, aspetos relevantes considerados na extensão desta transição. 

© MSC shipping

Assembleia Geral incentiva medidas de transição suave.

“As principais razões dessas dificuldades são a concentração excessiva da economia de Angola em poucos setores, especialmente no setor do petróleo que constitui 93% das exportações. Com o fato que houve uma queda brutal dos preços do petróleo ao longo dos anos 2010, Angola foi muito afetada negativamente por isso.” 

Medidas 

Em 2019, a Assembleia Geral estabeleceu fevereiro de 2021 como o prazo para a saída da economia angolana do estatuto de País Menos Avançado. Traeger explica como essa medida tem reflexo para economias no mesmo estágio. 

“Diz-se frequentemente que eles vão deixar de ser Países Menos Avançados para serem Países de Renda Média. Esse não é o caso, porque Angola já deixou de ser País de Renda Baixa em 2003. Quer dizer que a partir de 2004 tornou-se um país de Renda Média. Angola já é um País de Renda Média e espera-se que o continue sendo, apesar de ser um PMA.” 

Pela nova decisão, o maior órgão deliberativo da ONU realça o compromisso com o processo de graduação das nações menos avançadas e incentiva as medidas de transição suave. 

Recessão  

Arquivo pessoal

Rolf Trager é chefe da Sessão dos Países Menos Avançados da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad

A Assembleia Geral considera o fato de Angola, como país menos desenvolvido dependente de commodities, continuar a ser altamente vulnerável às flutuações de preços e enfrentar “uma recessão econômica recorrente por seis anos consecutivos.” 

O documento realça ainda que é importante que o Governo de Angola acelere a diversificação econômica para “reduzir o impacto negativo causado aos principais indicadores econômicos e salvaguardar a redução das vulnerabilidades sociais”. 

A Assembleia-Geral expressa “grande preocupação” com “a redução da receita decorrente da queda nos preços das commodities e o impacto negativo na vulnerável economia de Angola da crise global gerada pela Covid-19.” Esses fatores “perturbaram ainda mais o progresso do desenvolvimento sustentável do país”. 

O órgão declarou ainda ter “profunda apreensão” com a prolongada recessão econômica que Angola tem enfrentado e as vulnerabilidades socioeconômicas agravadas pela crise global desencadeada pela pandemia. 

OMS/Dalia Lourenço

Hospital Geral de Luanda, a capital de Angola

Novos casos de Covid-19 em baixa na Europa há quatro semanas 

Total de mortes também está caindo, mas quantidade de surtos está aumentando; OMS pede vigilância e cautela; número de doses de vacina administradas também excede casos notificados na região.  

ONU diz-se pronta para apoiar Moçambique com iniciativa de contraterrorismo 

As Nações Unidas mencionaram a situação de Moçambique no mais recente relatório do secretário-geral enumerando os desafios que devem ser encarados na área do contraterrorismo. 

Apresentando o documento ao Conselho de Segurança, o subsecretário-geral do Escritório de Contraterrorismo fez alusão à situação moçambicana. Vladimir Voronkov também citou vítimas de ataques terroristas recentes em Estados como Afeganistão, Áustria, França, Iraque, Níger, Nigéria, Paquistão e Somália. 

Mortes  

Voronkov disse que caso Moçambique venha a solicitar, a organização está pronta para prestar assistência ao país com o Programa Global de Processamento, Reabilitação e Reintegração.  

Unicef/Ricardo Franco

Pessoas deslocadas pela violência em Cabo Delgado estão recebendo ajuda humanitária

Projetos na Indonésia, no Burquina Fasso e em nações da Bacia do Lago Chade já são implementados pela parceira entre a Diretoria Executiva do Comitê de Combate ao Terrorismo do Conselho de Segurança e o Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Unodc. 

Desde 2017, ações terroristas na província moçambicana de Cabo Delgado provocaram centenas de mortes e uma situação humanitária que envolve mais de 560 mil deslocados. 

Ataques 

Em relação às prioridades contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, o documento destaca que a primeira é derrotar a ação do grupo no ciberespaço.  

Voronkov apontou ainda a necessidade de preparação para deter novos ataques do grupo em diferentes partes do mundo e de enfrentar a ameaça dos afiliados regionais, especialmente na África. 

OIM/Matteo Theubet

Grupo de deslocados na capital de Cabo Delgado, Pemba

Outra questão urgente é resolver “a prolongada questão dos membros do Isil, especialmente mulheres e crianças associadas, que estão presas na Síria e no Iraque” para evitar o ressurgimento do grupo. 

O destaque do relatório do secretário-geral é a ameaça representada pelo Isil à paz e segurança internacionais e os esforços das Nações Unidas em apoio aos Estados-Membros no combate à ameaça. 

Estrangeiros  

O documento realça que para a iniciativa aberta a Moçambique “esses esforços vão de acordo com os requisitos das resoluções relevantes do órgão, os Princípios Orientadores de Madrid sobre combatentes terroristas estrangeiros e o adendo relacionado”. 

O subsecretário-geral aponta haver um progresso significativo na implementação do Programa das Nações Unidas de Combate ao Terrorismo que implementou a Capacitação Global sobre Combate ao Financiamento do Terrorismo desde 2020. 

Recentemente, a organização lançou um novo Programa Global de Combate a Ameaças Terroristas contra Alvos Vulneráveis. A parceria inclui o uso de sistemas aéreos não tripulados nessas ações. 

Vídeo de arquivo:


Temperaturas globais devem ficar acima do normal entre fevereiro e abril 

A Organização Meteorológica Mundial, OMM, informou esta terça-feira que o evento La Niña 2020-2021 ultrapassou seu pico, mas os impactos nas temperaturas, precipitação e padrões de tempestade continuam. 

Apesar da influência de resfriamento do fenômeno natural, a agência espera que as temperaturas do planeta fiquem acima do normal para a maior parte do globo nos meses entre fevereiro e abril.  

Prevenção 

Segundo a OMM, o evento desse ano teve uma força moderada e há uma probabilidade de 65% de que persistirá nesses meses.  

Em comunicado, o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, lembrou que “o El Niño e La Niña são os principais motores do sistema climático da Terra.” 

OMM/Jordi Anon

OMM acredita que 2020 será um dos três anos mais quentes da história a partir do início dos registros

Apesar disso, ele disse que “todos os eventos climáticos naturais ocorrem agora no contexto da mudança climática causada pelo homem, que está aumentando as temperaturas, exacerbando as condições meteorológicas extremas, afetando os padrões de chuva sazonal e complicando a prevenção e gestão de desastres.” 

Petteri Taalas disse ainda que, graças à capacidade de prever esses eventos com antecedência, a agência e a comunidade humanitária conseguiram fortalecer seu apoio aos governos para mobilizar os preparativos e salvar vidas.  

Temperaturas 

O La Niña tem um efeito de resfriamento global temporário, mas não foi suficiente para evitar que 2020 fosse um dos três anos mais quentes já registrados. 

Os efeitos são normalmente mais fortes no segundo ano do evento, mas ainda não se sabe até que ponto. 

Pnud Somalia

Durante o La Niña ocorrem mudanças associadas a riscos de chuvas fortes, inundações e secas

Exceto em algumas áreas, as temperaturas da terra devem ficar acima do normal entre fevereiro e abril. As maiores probabilidades de temperaturas acima do normal ocorrem no oeste, centro e leste da Ásia e na metade sul da América do Norte. 

Temperaturas acima do normal também são esperadas ​​em grande parte do hemisfério norte, sul, centro e leste da América do Sul e regiões equatoriais e do norte da África. 

Temperaturas abaixo do normal são mais prováveis ​​no norte da América do Sul. 

Chuva 

Em relação a precipitação, até o momento, muitas partes da África Austral tiveram chuvas acima da média, mas Moçambique e Madagascar tiveram pouca ou nenhuma chuva. 

Na América do Sul, grande parte desta região viu chuvas abaixo do normal nos últimos meses, com o Uruguai, o Brasil central e o norte da Argentina tendo chuvas significativamente abaixo do normal. A tendência deve continuar. 

OMS diz que é preciso preparação para manter vacinas eficazes 

A Organização Mundial da Saúde, OMS, pediu esta segunda-feira que os países produzam e distribuam vacinas contra a Covid-19 o mais rápido possível para proteger as pessoas contra novas variantes. 

Falando a jornalistas em Genebra, o diretor-geral da agência, Tedros Ghebreyesus, disse que “o surgimento de novas variantes do vírus levantou questões sobre o impacto potencial dessas variantes nas vacinas.” 

África do Sul 

Tedros deu o exemplo da vacina Oxford-AstraZeneca, uma das imunizações que se mostraram eficazes na prevenção de doenças graves, hospitalização e morte por Covid-19. 

Unicef/Michele Spatari/AFP-Services

Em Joanesburgo, na África do Sul, homens desinfetam mãos. País detetou uma nova variante.

No domingo, a África do Sul anunciou a suspensão temporária dessa vacina depois de um estudo mostrar uma eficácia mínima na prevenção de doenças moderadas causadas por uma variante identificada no país. 

Para Tedros, essa notícia “é claramente preocupante”, mas “existem algumas advertências importantes.” 

Segundo ele, dado o tamanho reduzido da amostra e o perfil jovem e saudável dos participantes, é preciso determinar se a vacina continua sendo eficaz na prevenção de doenças mais graves. 

O chefe da agência disse, no entanto, que esses resultados são um lembrete de que “é necessário fazer tudo o que for possível para reduzir a circulação do vírus.” 

Segundo Tedros, todos tem um papel a desempenhar. Cada vez que alguém decide ficar em casa, para evitar multidões, usar uma máscara ou limpar as mãos, está negando ao vírus a oportunidade de se espalhar e mudar de maneiras que tornam as vacinas menos eficazes. 

ONU/Evan Schneider

Tedros Ghebreyesus disse que vacinas estão dando outra janela de oportunidade para controlar pandemia

Atualização 

Para o chefe da OMS, “parece cada vez mais claro que os fabricantes terão que se ajustar à evolução do vírus, levando em consideração as variantes mais recentes.” 

Ele deu o exemplo das vacinas contra a gripe, que são atualizadas duas vezes por ano para manter sua eficácia contra as cepas dominantes. 

A OMS tem um mecanismo para rastrear e avaliar estas variantes. Agora, a agência está expandindo essa ferramenta para apoiar fabricantes e países sobre mudanças que podem ser necessárias.  

Esta segunda-feira, o Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização da OMS, Sage, na sigla em inglês, se reuniu para avaliar a vacina Oxford-AstraZeneca. Nos próximos dias, a agência deve publicar uma decisão sobre a inclusão dessa imunização na lista de uso de emergência.  

Projeto da FAO melhora gestão da vida selvagem e segurança alimentar na África Austral 

O Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, FAO, e a Agência Francesa de Desenvolvimento, AFD, lançaram um projeto de € 3.5 milhões para melhorar a gestão sustentável dos animais selvagens e segurança alimentar na maior área transfronteiriça de conservação terrestre do mundo.

A Área de Conservação de Kavango-Zambezi estende-se pela Angola, Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe.  Todos os anos, é destino de migração em larga escala de várias espécies animais e é onde 50% da população total dos elefantes Africanos podem ser encontrados.

Megafauna

A área abriga também comunidades rurais pobres que dependem da agricultura, pesca e caça para o sustento. Nem sempre conseguem alcançar este objetivo devido, em parte, a chuva irregular e seca frequente.

FAO/Estevão Benedito

Angola faz parte da área de intervenção da iniciativa que vai criar políticas de promoção do desenvolvimento de comunidades

Através do programa de Gestão Sustentável da Vida Selvagem, o projeto vai, em parceria com os governos do Botswana e Namíbia, mitigar as ameaças de caça insustentável em algumas áreas, o fecho e a fragmentação dos habitats. As práticas podem vedar os animais dos recursos necessários à sua sobrevivência e incluem a caça furtiva e o abate indiscriminado devido ao conflito com homens.

Biodiversidade

Para o Diretor Florestal da FAO, Mette Wilkie, “com o projeto, pretende-se beneficiar a vida selvagem e os ecossistemas na Área de Conservação, e a resiliência das comunidades que deles dependem, pelo menos, para alimentação e renda”. 

O foco do projeto é desenvolver uma rede comunitária de conservação e de organizações baseadas na comunidade, e ajudar na gestão dos territórios comunitários. A ideia é garantir uma conservação e uso sustentável dos recursos naturais, preservando os meios de subsistência locais.

Unep Grid Arendal/Peter Prokosch

Entre 2010 e 2012, 100 mil elefantes foram mortos por seu marfim na África.

A Namíbia dispõe de uma rede de 86 comunidades de conservação, que juntos cobrem 20% do país e albergam cerca de 230 mil pessoas. Em 2018, ações de conservação contribuíram com mais de US$ 10 milhões na renda, remuneração e alimentação. Os benefícios reverteram US$ 62 milhões a favor do tesouro público e criar mais de 5,3 mil empregos. 

Meta

No Botswana, o projeto é implementado com o apoio técnico da Wild Entrust Africa, e na Namíbia, do Fundo Mundial da vida selvagem. As zonas de intervenção são a área dispersa de Khaudum-Ngamiland, a Região de Zambezi e os arredores do Parque Nacional de Khaudum nos dois países respetivamente.

Na Zâmbia e Zimbabwe, uma abordagem semelhante, participativa e baseada nos direitos das comunidades está sendo promovida pelo Programa de Gestão Sustentável dos animais selvagens. A meta é a criação de políticas direcionadas a promoção do desenvolvimento de comunidades de conservação, caça sustentável e reforço dos quadros legal e institucional.

ONU organiza prêmios de cartas, história em quadrinhos e ambiente

Três concursos organizados por agências das Nações Unidas pretendem distinguir cartas escritas por crianças, trabalhos de história em quadrinhos e esforços na área da proteção ambiental.

As candidaturas estão abertas por várias semanas e podem concorrer pessoas de todo o mundo.

Cartas

O Concurso Internacional de Escrita de Cartas da União Postal Universal, UPU, comemora seu 50º aniversário este ano.

Lançada em 1971, a iniciativa tem como objetivo promover a alfabetização entre as crianças do mundo por meio da arte de escrever cartas.

Em 2021, o tema é: “Escreva uma carta a um membro da família sobre sua experiência com a Covid-19.”

Banco Mundial/Henitsoa Rafalia

Cartas devem falar sobre impacto da pandemia de Covid-19

As cartas devem ser manuscritas, com mil palavras no máximo, e apresentadas ao organizador nacional da competição. A data limite para as inscrições é 5 de maio de 2021.

Nos últimos 50 anos, a UPU tem trabalhado com postos nacionais para encorajar jovens escritores de nove a 15 anos a participarem do concurso anual. Em média, mais de 1,2 milhão de jovens participam globalmente a cada ano.

Ao anunciar o vencedor da competição em 2020, o diretor-geral da UPU, Bishar A. Hussein, disse que “no 50º aniversário da competição, seria maravilhoso se todos os 192 países-membros participassem.” 

Quadrinhos

Já a ONU Mulheres está organizando uma competição global de quadrinhos para marcar o 25º aniversário da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim, uma agenda visionária para o empoderamento de mulheres e meninas, em todos os lugares.

Juntamente com a Comissão Europeia, a Bélgica, a França, o México e a ONG Cartoons para a Paz, a agência lançou a campanha “Igualdade de Geração: Realizando os direitos das mulheres para um futuro igual”.

O concurso de história em quadrinhos faz parte da campanha e está aberto a jovens de todo o mundo entre 18 e 28 anos que acreditam na igualdade de gênero e na realização dos direitos das mulheres por um futuro igual.

O quadrinho ou desenho animado deve ser sem palavras, ilustrando como seria um mundo com igualdade de gênero e as inscrições estão abertas até 14 de março.

O primeiro, segundo e terceiro prêmios receberão um valor monetário entre € 500 e € 1,2 mil e terão a chance de participar da abertura virtual do Fórum de Igualdade de Geração, co-presidido pelos governos da França e do México.

ONU News/Daniela Gross

Nomeções estão abertas para prêmio Campeões da Terra

O Fórum terá início na Cidade do México no final de março de 2021 e culminará em Paris, França, no início de junho. Dependendo da evolução da pandemia, acontecerá uma exposição virtual ou presencial com os desenhos de todos os finalistas.

Ambiente

Desde final de janeiro, as Nações Unidas também estão recebendo nomeações para o prêmio Campeões da Terra, a maior homenagem da ONU para indivíduos e organizações que estão protegendo o meio ambiente.

Segundo o secretário-geral, a humanidade está a travar uma guerra contra a natureza com o colapso da biodiversidade, o desaparecimento dos ecossistemas, a poluição do ar e da água e o agravamento da mudança climática.

Nos últimos 15 anos, o prêmio Campeões da Terra destacou o trabalho de pessoas e organizações que dedicaram suas vidas atuando por um planeta mais saudável, justo e sustentável. Os vencedores variam de chefes de Estado e ativistas comunitários, líderes da indústria e cientistas.

Em 2020, a competição recebeu o maior numero de nomeações de sempre, refletindo o interesse crescente das pessoas em questões ambientais.

As indicações estão abertas a todos e os indicados podem ser indivíduos, entidades governamentais, empresas e outras organizações. O prazo para nomeações é 12 de fevereiro.