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Agência da ONU utiliza videogame para prevenir violência no México

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, lançou uma parceria digital para prevenir e combater a violência no México.

O jogo Chuka, rompa o silêncio tem como heroína a YouTuber Chuka, de 13 anos.

Ícones

Ela enfrenta monstros e pessoas que odeiam num pesadelo. O objetivo é mostrar às crianças que elas não devem ter medo de denunciar a violência. 

Confira aqui: https://bit.ly/359aPs0 

A programadora do game, Elisa Navarro, explicou que preferiu trabalhar apenas com ícones e encoraja as crianças a falarem sobre a violência e a reconhecerem agressões verbais, físicas e psicológicas.

O Unodc afirma que a violência a crianças e adolescentes é uma triste realidade no México. O confinamento social por causa da Covid-19 só veio piorar a situação.

O vídeogame foi desenvolvido pela Iniciativa Educação para a Justiça, E4J na sigla em inglês, para construir valores como igualdade, respeito e habilidades de pensamento crítico, capacidade de decisão e empatia.

ONU Mexico/Alexis Aubin

O confinamento social por causa da Covid-19 só veio piorar a situação da violência a crianças e adolescente

Ferramenta

Até o momento, o game já foi baixado mais de 250 mil vezes não somente no México, mas em outras partes do mundo.

A agência da ONU organizou mais de 20 treinamentos online para servidores públicos, professores e o público em geral apresentando o game como uma ferramenta útil na prevenção da violência a crianças e jovens no país.

O Unodc também lançou um conjunto de materiais digitais para assistir adultos no auxílio a crianças e como elas gerenciam suas emoções durante a pandemia. 

Declaração da Doha

O Escritório deve continuar disseminando o jogo Chuka em plataformas virtuais para que mais crianças e adolescentes, professores e pais possam aprender como evitar, reconhecer e reagir quando confrontados com episódios de violência.

Em todo o mundo, a Covid-19 se transformou na maior ameaça à educação, paz e justiça especialmente para crianças e jovens.

Apesar desses desafios, a agência continua a apoiar jovens em todo o mundo a aproveitarem o poder da tecnologia e a alcançar a juventude e suas famílias na promoção do Estado de direito, da paz e da Iniciativa Educação para Justiça, que é parte do Programa Global do Unodc para Implementação da Declaração de Doha.

ONU Mexico/Alexis Aubin

Cidade do México durante a pandemia de Covid-19.

Planeta imaginário

Além do videogame no México, o Unodc está investindo em plataformas digitais na Índia para apoiar estudantes carentes e professores na promoção do diálogo e da Agenda 2030.

Já no Senegal, a agência da ONU e o Ministério da Educação do país estão investindo em programas educativos no canal Télé-Ecole para levar as classes a alunos afetados pelo fechamento das escolas.

A animação The Zorbs fala de um planeta imaginário em que os habitantes vencem uma série de desafios ao colocarem em prática valores e habilidades. Mais de 450 mil jovens e crianças entre 6 e 20 anos e mais de 300 mil adultos já participaram do projeto.
 

Conselheira da ONU para África diz que ano foi de desafios e oportunidades 

Leia a íntegra da segunda parte da entrevista concedida a Eleutério Guevane.   

ONU News (ON): Nesta recuperação com que esperança é que o continente deve ultrapassar esta fase? Existe a nova vacina que já é distribuída em alguns países. Mas nessas grandes economias, as primeiras com a vacina, os números têm subido. Na generalidade, em África esse não é o caso. Com que atitude os africanos devem enfrentar os próximos meses? 

Cristina Duarte acredita em aumento na adoção de soluções digitais para os problemas africanos, by Unosaa Reprodução

Cristina Duarte (CD): A questão das vacinas é delicada. É uma uma questão que não se compadece com soluções nacionalistas e individuais porque o Covid-19 é um problema global. Não vai adiantar nada que um país, não vou aqui dizer nomes, açambarcar as vacinas e vacinar toda a sua população. A não ser que esse país se feche para os próximos 10 anos.  

Na questão da vacinas é preciso ver que este vírus não conhece nem reconhece fronteiras, nem raças: é um vírus global. Portanto, a questão das vacinas tem que ser nessa perspetiva. Mas analisar África na questão das vacinas, eu penso que é uma atitude medíocre. Eu acredito que as Nações Unidas já estão a liderar o movimento para garantir a inclusão de África em termos de acesso às vacinas. Aqui põem-se duas questões: de ter dinheiro para as comprar, mas põe-se a questão da capacidade suficiente para as produzir.  

Vamos supor que a partir de agora não há mais nenhum dólar que saia do continente em termos de fluxos ilícitos. Nos próximos três meses, como não há fluxos ilícitos a partir da África, África consegue poupar e consegue arrecadar recursos, por exemplo. Aí teríamos dinheiro para comprar, eventualmente. Em números muitos simples teríamos, eventualmente, dinheiro para comprar. E será que teríamos vacinas?  

Os números dos contagiados são de um nível comensurável nos países que conseguiram produzir a vacina. Há um problema de ter dinheiro para comprar e o problema da produção ser suficiente para chegar à África, porque a África não teve condições de produzir a sua própria vacina.  

ON: Uma questão muito ligada à África é a da paz e segurança e a meta de fazer calar as armas. Recentemente, houve uma visita de uma delegação de alto nível da ONU. Vários funcionários tiveram contato com as populações. Como é que se pode aproveitar este momento para avançar e melhorar nesse aspeto? 

Esta visita era quase como uma obrigação moral. Depois de 2020, com a Covid-19 e todos os problemas não só sociais, económicos e psicológicos, obrigou as famílias em curto espaço de tempo a adotar estratégias de adaptação e de ajustamento. Foi complicado.  

Era difícil que um dos primeiros níveis de liderança do sistema das Nações Unidas não visitasse o terreno antes do fim de 2020. Do ponto de vista estratégico e do ponto de vista humanitário era difícil não o fazer.  

Temos fracas instituições, mas para as fortalecer se precisa de milhões e bilhões e para consegui-los precisamos de instituições fortes. Isto poderá ser uma armadilha.

A missão da vice-secretária-geral foi extremamente oportuna. Ela basicamente levou três grandes pilares na bagagem: o primeiro prestar solidariedade aos países e equipes das Nações Unidas que estiveram no terreno corpo a corpo e dia a dia a tentar apoiar os governos nesta luta. Mas também ela levou na bagagem os ingredientes necessários para permitir iniciar mais depressa possível o pensar o futuro, em termos de recuperar, em termos do build back better.  

Mas também ela levou em sua bagagem, como o terceiro pilar, que lições tiramos deste 2020? O que funcionou? O que temos de fazer melhor? Onde é que temos que melhorar em termos de sistema das Nações Unidas e das suas prestações África? Coerência. Coordenação. O trabalhar mais em equipa. Que lideranças? Que sistemas de seguimento e avaliação? Portanto foi uma viagem extremamente positiva e com um impacto enorme. É só ver ver as redes sociais. 

ON:  No ano em que o secretário-geral pediu um cessar-fogo para combater a pandemia surgiram novos conflitos a ensombrar esta aposta do continente de calar as armas. Que saída vê para a situação atual no continente, principalmente quando surgem novos pontos de fricção? 

CD: Houve, de fato, um aumento de nível de conflitos em África. 2020 é o ano da União Africana em termos de silenciamento das armas. Houve uma cimeira extraordinária que adiou o decénio. Acrescentou mais 10 anos para se atingir o objetivo, porque penso que terão concluído que o objetivo não foi cumprido.  

Eu penso que antes de iniciarmos a próxima década, no que diz respeito ao silenciamento de armas em África, impõe-se uma avaliação para se entender melhor as causas e as raízes do nível relativamente elevado de instabilidade em África, de uma maneira geral. Enquanto as causas do problema não forem incluídas na equação dificilmente iremos resolver este problema. 

Eventos na ONU abordaram movimento contra a corrupção e fluxos ilícitos, by Pnud – Ucrânia

Daí a realização das duas mesas-redondas, pelo meu Escritório como conselheira do secretário-geral das Nações Unidas conjuntamente com a representação da União Africana em Nova Iorque e contamos com dois países africanos patrocinadores: a Nigéria que a nível da União Africana lidera o movimento contra a corrupção, e a África do Sul que a nível da União Africana lidera o movimento em matéria dos fluxos ilícitos.  

A ideia é: com estas mesas redondas trazer uma perspetiva diferente. Eu falei dos US$ 89 bilhões. São fluxos que pura e simplesmente nos escampam. Saem de África sob as mais diversas formas: subfaturação, superfaturação comercial, evasão fiscal, corrupção, lavagem etc. Mas nós agora também temos que começar a dar alguma atenção aos fluxos ilícitos que entram e financiam atividades ilícitas, nomeadamente o terrorismo. Nalgumas zonas em África, não em todas, o aumento da instabilidade está ligado a este fato.  

Eu volto novamente às instituições. Indica, primeiro, que eventualmente as instituições públicas, e não só, não detêm um controlo do território geográfico. E ao não deterem o controlo do território geográfico há estas invasões ou estas infiltrações, passe a expressão. A falta de controlo do território eventualmente esteja ligada novamente à fraqueza de instituições. A fraqueza de instituições, por outro lado, deve estar ligada a outras fraquezas, nomeadamente recursos para o reforço das instituições. A questão que se põe é: Onde começar? 

Temos fracas instituições, mas para as fortalecer se precisa de milhões e bilhões e para consegui-los precisamos de instituições fortes. Isto poderá ser uma armadilha. E aqui coloca-se o problema das lideranças, no sentido de quebrar isto e dizer ‘não, vamos atuar desta forma e vamos ver se de fato com um plano de ação claro e permitir quebrar este ciclo”. Gostaria aqui de sublinhar o quão importante é o papel das lideranças no building back better em África. É determinante. É uma das chaves do problema. E está relacionado com a questão do controlo dos fluxos financeiros e económicos por parte das instituições africanas.  

ON: Tem algo mais a deixar para terminar a conversa. 2020 é para alguns um ano a esquecer … 

CD: 2020 não é para esquecer. Não é para esquecer porque a Covid-19 trouxe desafios, trouxe problemas incomensuráveis para o continente, mas trouxe também na bagagem muitas oportunidades.  

Está a permitir, por exemplo, alargar as redes de proteção social em África que era um do Objetivos de Desenvolvimento do Milénio. Está a provocar um aumento na adoção de soluções digitais para os problemas africanos a um ritmo nunca antes visto.  

Está a dizer de, forma muito clara, que enquanto não colocarmos as pessoas, o capital humanos, no centro do policy making não vamos conseguir. E colocam-se questões profundas da educação, da saúde do acesso à informação, a plataformas digitais e consequentemente o acesso à informação, a acesso à energia que neste momento não pode ser visto como um problema a nível infraestrutural. Mas é uma variável determinante para se colocar o capital humano no centro das políticas públicas.  

Power África: permitir que as populações tenham acesso à energia é dar-lhes um instrumento para gerarem rendimentos familiares e, por esforço próprio, subirem acima da linha da pobreza. Há um conjunto de questões que depois estão interligadas e que têm que ser devidamente equacionadas. 

Banco Mundial/Mariana Ceratti

Duarte defende que populações africanas tenham acesso à energia

Visita solidária da ONU terá impacto na recuperação pós-Covid-19 em África 

Altos funcionários das Nações Unidas realizaram no final de 2020 uma deslocação solidária ao continente africano, que realçou o apoio à região em meio à pandemia. 

Na África Ocidental e no Sahel, a vice-secretária-geral, Amina Mohammed, e dezenas de representantes reiteraram a presença de agências, fundos e programas que formam o Grupo de Desenvolvimento Sustentável.  

Recuperação  

Diversas iniciativas foram anunciadas para apoiar mulheres e populações em situação de fragilidade. As áreas visitadas concentram mais de 200 mil infecções e pelo menos 2,8 mil mortes por Covid-19.  

ONU/Daniel Getachew

Vice-secretáriageral Amina J. Mohammed durante sua visita a Gana

A conselheira do secretário-geral das Nações Unidas para África, Cristina Duarte, contou à ONU News porque considera imperativo manter contacto direto com nações africanas em momento de recuperação.  

Liderança  

“Esta visita era quase como uma obrigação moral. Depois de 2020, com a Covid-19 e todos os problemas não só sociais, económicos e psicológicos, obrigou as famílias em curto espaço de tempo a adotar estratégias de adaptação e de ajustamento. Foi complicado. Era difícil que um dos primeiros níveis de liderança do sistema das Nações Unidas não visitasse o terreno antes do fim de 2020. Do ponto de vista estratégico e do ponto de vista humanitário era difícil não o fazer.   

A vice-secretária-geral  promoveu a retoma socioeconómica, ao mesmo tempo que incentivou a igualdade de género e resiliência. Mas a ação climática e o auxílio de emergência também foram o centro dos contactos.  

Cristina Duarte explicou os pilares da viagem. 

ONU News

Nova conselheira do secretário-geral da ONU, Cristina Duarte ocupou cargos no governo de Cabo Verde.

“Ela basicamente levou três grandes pilares na bagagem: o primeiro prestar solidariedade aos países e equipes das Nações Unidas que estiveram no terreno corpo a corpo e dia a dia a tentar apoiar os governos nesta luta. Mas também ela levou na bagagem os ingredientes necessários para permitir iniciar mais depressa possível o pensar o futuro, em termos de recuperar, em termos do build back better. Mas também ela levou em sua bagagem, como o terceiro pilar, que lições tiramos deste 2020? O que funcionou? O que temos de fazer melhor? Onde é que temos que melhorar em termos de sistema das Nações Unidas e das suas prestações África?  

Impacto 

Duarte também citou a necessidade de se ajustar a atuação da ONU em temas como coerência, coordenação e interação com as lideranças africanas.  

Em momento de recuperação da crise de saúde, os altos funcionários da organização destacaram como veem sendo adaptadas as operações para apoiar os planos de resposta africanos. 

As Nações Unidas têm realçado que esses novos componentes estarão em foco na nova normalidade, ao mesmo tempo que se abordam as desigualdades no continente como parte da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável. 

Em artigo, Nicole Kidman alerta para pandemia paralela de violência às mulheres

Num artigo de opinião, a atriz de Hollywood Nicole Kidman afirmou que “uma pandemia paralela está ocorrendo: a da violência às mulheres.”

Kidman, que é embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres, afirma que as chamadas telefônicas para linhas de apoio aumentaram em até cinco vezes nas primeiras semanas da crise global. Ela lembrou que “uma questão, que já era generalizada, tornou-se mais urgente.”

Unicef/Kate Holt

A cada três meses de bloqueio, mais 15 milhões de mulheres em todo o mundo são atingidas pela violência

Pandemia

A atriz pede que todos imaginem “como é a vida para as mulheres e meninas que, como todas as outras pessoas, precisam se abrigar em casa para ficarem seguras da Covid-19, quando a própria casa não é um lugar seguro.”

A cada três meses de bloqueio, mais 15 milhões de mulheres em todo o mundo são atingidas pela violência, enquanto os serviços de apoio, aconselhamento e abrigos para sobreviventes são severamente afetados.

Junto com a violência doméstica, tem havido um aumento de todos os tipos de violência a mulheres e meninas. A atriz destaca “o assédio nas ruas quase vazias, o bullying cibernético, e jovens que foram tiradas da escola e forçadas a se casar” por causa da falta de dinheiro na família. 

Unama/Eric Kanalstein

Sistema de justiça afegão continua falhando vítimas de violência de gênero

Experiência

Nicole Kidman assumiu o posto de embaixadora da ONU Mulheres, em 2006, na agência anterior chamada Unifem. Ela conta que, de lá para cá, aprendeu muito e viu o impacto arrasador da violência de gênero no mundo.

A atriz ficou “totalmente chocada” quando ouviu, pela primeira vez, que uma em cada três mulheres e meninas sofre ou sofrerá violência durante a vida.

Nesse mesmo ano, ela visitou Kosovo, nos Bálcãs, e ouviu histórias de mulheres vítimas de violência sexual, viúvas e mulheres que buscavam familiares desaparecidos. 

ONU Mulheres/Fahad Kaizer

Mulher em Daka, no Bangladesh, recebendo ajuda. Mulheres sofrem mais com as consequências da pandemia do que os homens

Papel

No artigo, a atriz lembra o papel de Celeste, uma advogada e sobrevivente de violência doméstica no seriado Big Little Lies, dizendo que a produção fortaleceu sua posição sobre o assunto.

Durante as gravações, ela se sentia “muito exposta, vulnerável e profundamente humilhada.” A atriz conta que conseguia demonstrar coragem durante as filmagens, mas ao chegar em casa, percebia o quanto havia sido afetada. 

Nessa altura, ela se lembrava das histórias de força e resiliência que havia descoberto como embaixadora. Segundo ela, “todos têm um papel a desempenhar e o poder de contribuir para acabar com a violência a mulheres e meninas, mesmo durante esta pandemia.”

Para Nicole Kidman, o trabalho começa por ouvir e acreditar nos sobreviventes. A atriz afirma que “quando a pessoa é agredida, sua sobriedade, roupas e sexualidade são irrelevantes.”

Segundo ela, pequenas ações, como denunciar comportamentos tóxicos em um amigo ou compartilhar informações relevantes em um chat podem ser muito úteis.

OIT

Mulheres trabalhando em uma fábrica de roupas em Hai Phong, Vietnam.

Educação 

A embaixadora da Boa Vontade lembra que cresceu com uma mãe feminista e, por isso, nunca lhe ocorreu que pudesse estar em desvantagem por ter nascido menina.

Hoje, como mãe, ela diz que “é importante alimentar a autoestima, desafiar os estereótipos e a discriminação e dar o exemplo para a geração mais jovem.”

A atriz termina com uma série de apelos para que as pessoas aprendam sobre o tema, entrem em contato se estiverem preocupadas com alguém, usem suas redes sociais para aumentar conscientização e, se tiverem essa possibilidade, façam uma doação para organizações de apoio aos sobreviventes. 
 

Unicef estima que 375 mil bebês venham ao mundo neste primeiro dia do ano 

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, estima que 375 mil bebês nascerão neste primeiro dia do Ano Novo.  

O primeiro bebê é esperado em Fiji e o último nos Estados Unidos. 

O Unicef diz que rimeiro bebê é esperado em Fiji e o último nos Estados Unidos, Unicef/Ilvy Njiokiktjien

Índia e China 

Mais de metade desses nascimentos é aguardada em 10 nações. Índia com 59.995, seguida por China com 35.615, Nigéria com 21.439 e Paquistão com 14.161. 

A lista inclui Indonésia com 12.336, Etiópia com 12.006, Estados Unidos: 10.312, Egito com 9.455, Bangladesh com 9.236 e República Democrática do Congo com 8.640.  

De acordo com a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, os primeiros bebês do ano herdarão um “mundo mais justo, seguro e saudável para as crianças”, que começa a ser construído agora. 

Direito  

Em 2021, o Unicef marcará seu 75º aniversário. A agência prevê organizar eventos e anúncios sobre proteção de crianças contra conflitos, doenças e exclusão e  defesa do seu direito à sobrevivência, saúde e educação.  

Em tempos de pandemia, Fore realça a necessidade maior que nunca de combate a  desafios como recessão econômica, aumento da pobreza e desigualdade. 

Ela lembrou que o Unicef tem mais de sete décadas de trabalho em áreas de conflitos, migrações, desastres naturais e crises, renovando o “compromisso de proteger as crianças, defender os seus direitos e garantir que as suas vozes sejam ouvidas onde quer que vivam.” 

Unicef/Francis Emorut

Bebê de um ano, no Uganda, sendo atendido por pessoal hospitalar

OMS pede maior vigilância em África para novas variantes da Covid-19 

A Organização Mundial da Saúde, OMS, pede aos países africanos que aumentem a vigilância para detectar novas mutações do Covid-19 e fortalecer os esforços para conter a pandemia. 

Recentemente, foram notificadas novas variantes que aparentam um maior grau de contaminação na Nigéria e na África do Sul.  

Diretora regional da OMS para África, Matshidiso Moeti, OMS

Casos 

No caso sul-africano, a variante é diferente da identificada no Reino Unido. Neste momento, está sendo realizada uma análise mais aprofundada para compreender a mutação. 

Já a Nigéria investiga uma variante identificada em amostras coletadas em agosto e outubro no país. 

Em comunicado, a diretora regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti, disse que “o surgimento de novas variantes é comum”, mas avisou que “aquelas com maior velocidade de transmissão ou níveis de patógenos são muito preocupantes.” 

Segundo ela, as investigações em curso são “cruciais para compreender de forma abrangente o comportamento do vírus e orientar a resposta adequada.” 

Esforços 

Em setembro, a OMS e os Centros Africanos para Controle e Prevenção de Doenças lançaram uma rede de 12 laboratórios na África para reforçar o sequenciamento do genoma da Sars-CoV-2, conhecida como Covid-19. 

Até 23 de dezembro, 4.948 sequenciamentos haviam sido feitos representando apenas 2% do total global. 

Representação virtual do novo coronavírus, que está sofrendo mutações, NIH

A África do Sul, que realizou a maior parte desse trabalho, identificou 35 cepas do vírus e a Nigéria 18. Segundo a OMS, este esforço é importante para mostrar a ligação e importação do vírus entre países. 

Apoio 

O Escritório Regional da agência está fornecendo orientação técnica e mobilizando apoio financeiro para acelerar o sequenciamento na maioria dos países da região. O Escritório também assiste os Estados-membros que não possuem instalações especializadas no envio de amostras para laboratórios de referência.  

Moeti disse que esse trabalho de vigilância é essencial na resposta à pandemia, mas medidas de saúde pública, como lavagem das mãos, distanciamento físico e uso de máscaras, continuam sendo fundamentais.  

As novas variantes surgem num momento em que as infecções estão aumentando nos 47 países da região, chegando perto do pico visto em julho. 

Nos últimos 28 dias, Argélia, Botsuana, Burkina Fasso, República Democrática do Congo, Etiópia, Quênia, Namíbia, Nigéria, África do Sul e Uganda relataram aumento de casos que concentram 90% de todas as infecções na região. 

Moçambique se prepara para tempestade, que pode afetar 4 milhões de pessoas 

As Nações Unidas juntaram-se às autoridades de Moçambique acompanhando o percurso da tempestade tropical Chalane. Fortes ventos e chuvas são esperados, nesta quarta-feira, principalmente em áreas castigadas pelo ciclone Idai, que matou centenas em 2019.  

 As autoridades declararam alerta vermelho com a aproximação da tempestade que pode se transformar em ciclone. 

 Mobilização   

Falando à ONU News, de Inhambane, a chefe do Sistema das Nações Unidas no país, Myrta Kaulard, disse que o momento é de mobilização humanitária tendo em vista milhões de afetados.  

Foto ONU/Eskinder Debebe

Vista desde a prefeitura de Beira, a cidade moçambicana mais atingida pelo ciclone Idai

“As memórias estão ainda muito frescas. Muitas pessoas estão ainda muito vulneráveis. As autoridades se estão  preparando muito com informação para a  população para evacuar. Muita população já foi retirada na resposta ao Idai, mas sempre há pessoas que voltam a zonas em risco de cheias.  Chalane vai trazer ventos fortes, chuvas e maré alta. A maré vai estar alta e isto vai agravar o problema das inundações.”   

A tempestade passando pelo Canal de Moçambique deverá fortalecer-se antes de atingir a costa do país podendo se tornar um ciclone tropical. O fenômeno pode depois mover-se para os vizinhos Zimbabué e Botsuana depois de passar pela área central moçambicana. 

Ocha / Saviano Abreu

A cidade de Macomia, em Cabo Delgado foi fortemente afetada pelo ciclone Kenneth no dia 25 de abril. Muitas comunidades foram completamente destruídas.

“Estamos trabalhando junto na cidade da Beira. Temos uma equipe das Nações Unidas que vai organizando o preposicionameto de estoque humanitário, fazendo o alerta às populações e vendo quem vai fazer o quê. As previsões são bastante sérias e  poderá haver até 4 milhões de pessoas afetadas pela tempestade.” 

Durante o ciclone Idai, mais de 90% da cidade da Beira foram afetados.    

Vulnerabilidade   

Quando o Chalane passou por Madagáscar, causou danos limitados, de acordo com relatórios preliminares.    

Depois, a tempestade enfraqueceu para uma depressão tropical quando cruzou o arquipélago antes de partir em 28 de dezembro em direção ao continente. Kaulard fala de situação de grande vulnerabilidade.   

“Mais de 6 mil escolas e centros de saúde. Para tudo isto temos que preparar centros para evacuação de pessoas, água e saneamento. Tudo isto está em curso de forma muito ativa. Desde que a informação chegou sobre a trajetória da tempestade Chalane que nós estamos trabalhando de maneira muito intensiva. Estamos muito preocupados porque não temos muitos recursos.”   

Momento   

A ONU foi um dos parceiros que ajudaram na recuperação dos ciclones que abalaram o país em 2019 e fizeram mais de 650 mortos. A organização continua seguindo a situação de insegurança no centro, e de terrorismo no norte.   

ONU/Eskinder Debebe

Ciclones que abalaram o país em 2019 fizeram mais de 650 mortos

Com a depressão tropical formada no Oceano Índico, as autoridades em Madagáscar, Maláui e Zimbábue foram colocadas em alerta e coordenando as atividades de preparação. A chefe da ONU em Moçambique realça que para o país o momento atual tem um caráter excepcional.   

“2020 foi um ano de resposta ao Idai na primeira parte do ano. Houve muito esforço de mobilização de recursos. A segunda parte do ano, recebemos muitos recursos e muita solidariedade da comunidade internacional com Cabo Delgado na resposta aos deslocados vítimas do terrorismo. Mas a vulnerabilidade e necessidades em Cabo Delgado também estão muito elevadas.   

Chuvas   

Com mais de meio milhão de deslocados pela violência, a região  do extremo norte também será afetada por chuvas.    

Pela área, passou o segundo ciclone de 2019, o Kenneth, matou mais de 45 pessoas e levando as autoridades a retirar mais de 30 mil. O ciclone tropical foi o mais forte a atingir a costa de Moçambique desde que há registro de temperaturas. 

Foto: Unhcr/Zinyange Auntony

Fenômeno pode depois mover-se para os vizinhos Zimbabué e Botsuana

Guterres apela à união para combater vírus e alterações climáticas em 2021

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, definiu “a construção de uma coligação global em prol da neutralidade de carbono – emissões líquidas zero – até 2050” como a ambição central das Nações Unidas em 2021.

Na sua habitual mensagem de Ano Novo, o secretário-geral afirmou que “todos os governos, cidades, empresas e cidadãos podem desempenhar um papel ativo ”no cumprimento das metas para a neutralidade de carbono.

O líder da ONU explicou que os desafios das alterações climáticas será o foco do trabalho da ONU ao longo de 2021, até à COP26, a Conferência das Partes sobre as Alterações Climáticas da ONU, que terá lugar em Glasgow, em novembro de 2021.

Após um ano dominado pela pandemia da covid-19 que “mergulhou o mundo no sofrimento e na dor”, o secretário-geral constata que assistiu a sinais de esperança e de solidariedade entre as pessoas, mas também ao desenvolvimento de vacinas e de novos compromissos para prevenir a catástrofe climática.

Guterres convida todas as pessoas a trabalharem juntas para superar os desafios da covid-19 e das alterações climáticas. “Juntos, vamos fazer a paz entre nós e a natureza, enfrentar a crise climática, deter a propagação da covid-19 e fazer de 2021 um ano de cura”, sublinhou o secretário-geral.

Nações Unidas contemplam raios de esperança com chegada de Ano Novo  

Em mensagem de Ano Novo, as Nações Unidas destacam que é preciso atuação conjunta após um ano marcado pela pandemia da Covid-19.  

O secretário-geral António Guterres relembra os desafios de 2020, marcado por várias situações adversas. 

Pandemia  

O chefe da ONU lembra que o ano foi de provações, tragédias e lágrimas. Ele declarou que a pandemia virou do avesso a vida das pessoas e mergulhou o mundo em sofrimento e tristeza. Guterres diz que a Covid-19 levou entes queridos e  continua se espalhando e gerando novas ondas da doença e morte.  

NASA

Ambição central da ONU para 2021 é construir uma aliança global em prol da neutralidade de carbono

O secretário-geral menciona efeitos como aumento da pobreza, desigualdades e fome. Segundo ele, há ainda uma tendência de alta no desemprego, dívidas, crianças com dificuldades, violência nos lares e insegurança em todos os lugares. 

Após nove meses de pandemia, vários países iniciaram a aplicação de vacinas. Guterres vê a chegada no novo ano marcada por movimento e ação. 

O secretário-geral destaca que o Ano Novo está aí. E com ele, raios de esperança como pessoas a estenderem a mão a vizinhos e estranhos, trabalhadores na linha da frente dando o que têm e cientistas criando vacinas em tempo recorde.  

Lição do ano 

O apelo do líder das Nações Unidas é que os países assumam novos compromissos para prevenir “a catástrofe climática”. Com trabalho conjunto, união e solidariedade, ele defende que esses raios de esperança podem chegar a todo o mundo e essa é a “lição deste ano tão difícil”. 


Guterres fala sobre a direção a seguir perante as adversidades.  

Para ele, tanto a mudança climática como a pandemia da Covid-19 são crises que só podem ser enfrentadas por todos, juntos, como parte de uma transição para um futuro inclusivo e sustentável.  

Guterres disse que a ambição central da ONU para 2021 é construir uma aliança global em prol da neutralidade de carbono até 2050. 

O pedido feito a cada governo, cidade, empresa e indivíduo é que contribuam para realizar essa visão fazendo as pazes com a natureza, enfrentando a crise climática, impedindo a disseminação da Covid-19 e fazendo de 2021 “um ano de curas.” 

No momento da virada, António Guterres enfatiza a promessa de se ter foco em problemas que precisam ser curados: o impacto do novo coronavírus, economias e sociedades destruídas, divisões e o planeta. 

MSF/Olmo Calvo

Guterres diz que a Covid-19 levou entes queridos e  continua se espalhando

ONU marca primeiro Dia Internacional de Preparação Epidemiológica 

As Nações Unidas marcam neste 27 de dezembro o primeiro Dia Internacional de Preparação Epidemiológica. 

Num ano castigado pela pandemia da Covid-19, a Organização Mundial da Saúde e outras agências querem chamar a atenção para os efeitos arrasadores que grandes doenças infecciosas têm sobre a vida e a rotina das pessoas. 

Mulheres e meninas 

Além da perda irreparável de vidas, a pandemia causa interrupções, caos, destruições, perdas socioeconômicas e atrasos ao desenvolvimento de sociedades inteiras. 

Dentre os mais afetados estão mulheres e crianças e as economias dos países mais pobres e vulneráveis. 

OIT

ONU alerta sobre progressos perdidos no empoderamento de mulheres e meninas durante a pandemia.

Neste Dia Internacional de Preparação Epidemiológica, a ONU chama a atenção para a necessidade urgente de sistemas de saúde fortes e robustos que atendam aos mais carentes. 

Em mensagem, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lembrou que mais de 1,7 milhão de pessoas morreram da pandemia e que o mundo precisa tirar várias lições das experiências vividas em 2020. 

Louis de Pasteur 

Ele lembra que 75% de todas as infecções emergentes têm origem zoonótica, ou seja são transmitidas de animais para os seres humanos. 

 O Dia Internacional de Preparação Epidemiológica coincide com a data de nascimento do biólogo francês, Louis de Pasteur, que foi o responsável pelo trabalho pioneiro com imunizações. 

 O chefe da ONU enviou uma saudação especial a todos os trabalhadores de saúde e outros empregados considerados essenciais que se mantiveram na linha de frente contra a pandemia este ano. 

Para as Nações Unidas, a falta de atenção internacional pode permitir a futuras epidemias consequências ainda mais graves que as da Covid-19. O mundo precisa aumentar sua troca de informações, conhecimento científico e melhores formas de responder ao problema.  

Oportunidade de uma geração 

É preciso também promover programas educativos sobre epidemias em todos os níveis com medidas eficientes de prevenção. 

A cooperação internacional desempenha um papel importante na resposta assim como solidariedade entre os países e as organizações internacionais e regionais. 

(Relembre a mensagem em português de Michelle Bachelet, alta comissária de direitos humanos da ONU, sobre a recuperação da Covid-19).


A Organização Mundial da Saúde acredita que é preciso reconhecer o papel primário da reponsabilidade dos governos no combate aos desafios da saúde. E é necessário incluir as mulheres na busca de soluções, pois eles representam mais de 70% dos agentes do setor. 

O Dia Internacional de Preparação Epidemiológica foi instituído pela Assembleia Geral que convida a todos os governos, sociedade civil, setor privado e cada indivíduo a transformar a tragédia humana da Covid-19 numa oportunidade para esta geração de se recuperar e reconstruir melhor da crise global gerada pela pandemia. 

Soldados de paz morrem em ataque antes da votação na República Centro-Africana

Três soldados de paz do Burundi foram mortos e outros dois ficaram feridos no sábado, após ataques de “combatentes armados não-identificados” contra forças de defesa e segurança em Dékoa na República Centro-Africana.

Os alvos foram soldados centro-africanos  e da Missão das Nações Unidas no país, Minusca, segundo uma nota da organização. As tensões entre o governo e forças rebeldes têm aumentado quando o país se prepara para realizar eleições presidenciais e parlamentares no domingo.

Solidariedade

Em nota emitida pelo porta-voz, o secretário-geral António Guterres condena com veemência os atos que aconteceram na prefeitura de Kémo, na área central, e mais a sul em Bakouma, na prefeitura de Mbomou . 

Minusca/Hervé Serefio

Soldado de paz egípcio da missão da ONU na República Centro-Africana, Minusca, ajuda a distribuir água na capital Bangui.

O chefe da ONU expressa profundas condolências às famílias dos soldados de paz falecidos, ao povo e ao Governo do Burundi e deseja uma pronta recuperação aos feridos.

O secretário-geral lembra ainda que “ataques contra as forças de manutenção da paz das Nações Unidas podem ser considerados crimes de guerra”. Ele apela às autoridades centro-africanas que investiguem o que consideou “ataques hediondos” e levem rapidamente os responsáveis à justiça.

Guterres termina a nota reafirmando o compromisso contínuo das Nações Unidas de atuar colaborando com parceiros nacionais, regionais e internacionais em apoio à promoção da paz e da estabilidade na República Centro-Africana.
 

Minusca/Igor Rugwiza

Forças da Minusca.

ONU junta-se a Angola para levar alimentos a 1 milhão de crianças em Luanda

O Programa Mundial de Alimentos e o Governo de Angola lançaram uma parceria para apoiar 1 milhão de crianças na capital do país, Luanda. A ação visa atender crianças sofrendo de mal nutrição em comunidades afetadas pela Covid-19.   

Em comunicado, a diretora do Departamento de Saúde Pública de Luanda, Catarina Oatanha, disse que a colaboração com a ONU deve fortalecer o sistema nacional para responder rapidamente a crianças carentes.    

Crescimento   

A desnutrição é uma das maiores causas de morte de crianças menores de cinco anos. Pelo projeto, o PMA realizará treinamentos para agentes de saúde, que farão a avaliação nutricional em mais de 1,1 milhão de menores.   

© Unicef Angola/Carlos Louzada

ONU deve fortalecer sistema nacional para responder rapidamente a crianças carentes

A agência da ONU também fornecerá suplementos altamente nutritivos para serem distribuídos pelas autoridades da província de Luanda a pelo menos 37 mil crianças, com menos de cinco, que estão subnutridas.   

Representando o PMA em Angola, Michele Mussoni, disse que a má nutrição aguda afeta a todos na comunidade, mas bebês e crianças são os que mais sofrem por precisarem da nutrição para o crescimento e o desenvolvimento.   

Amamentação 

Com a pandemia, a principal fonte de sustento das famílias deixou de existir agravando a situação.   

A parceria do PMA com autoridades em Luanda também deve ajudar a melhorar habilidades e conhecimentos de famílias, cuidadores e sobre amamentação, higiene, nutrição e formas de prevenção da Covid-19.   

O programa tem o apoio do Banco Mundial e abrange merenda escolar e avaliação sobre nutrição e segurança alimentar. 

ONU Photo/Loey Felipe

Bandeira de Angola na sede da ONU em Nova Iorque

Portugal anuncia toque de recolher no Natal e Ano Novo para conter Covid-19

Ex-apresentadora da ONU News, Leda Letra, relata de Lisboa como os portugueses deverão passar Natal e Ano Novo e o início da campanha de vacinação, em 27 de dezembro, contra a pandemia; Covid-19 já contaminou pelo menos 378 mil portugueses, desde março, causando mais de 6,2 mil mortes; bares e restaurantes terão de fechar às 10h30 da noite no último dia do ano.

Tensão pré-eleitoral deslocou mais de 55 mil pessoas na República Centro-Africana 

Agências de auxílio estão preocupadas com a escalada das tensões e da violência em várias partes da República Centro-Africana antes das eleições gerais deste 27 de dezembro. 

A coordenadora humanitária da ONU no país, Denise Brown, disse que a insegurança e o medo dos ataques já causaram pânico na população e desalojaram mais de 55 mil pessoas que agora enfrentam maior fragilidade. 

Atendimento 

Agências humanitárias também foram alvo de ameaças e ataques. Na semana passada, houve mais de 17 incidentes. Uma ambulância e um veículo foram roubados de um agente de saúde ferido.  

A situação impede o atendimento urgente a centenas de milhares de pessoas nas regiões oeste e centro do país. 

Foto: ONU/Evan Schneider

Metade da população centro-africana precisa de ajuda humanitária.

Neste domingo, os eleitores da República Centro-Africana saem às urnas em eleições gerais, poucos dias após ataques dos três principais grupos armados. Eles se uniram e disseram que vão retaliar em caso de fraudes. 

A nova coligação contra o presidente Faustin Archange Touadera é formada por elementos das milícias muçulmanas Séléka e do grupo anti-Balaka, que se diz cristão.  

Sofrimento e trauma 

Ambas as facções se confrontaram durante a guerra civil em 2013, após os Séléka terem derrubado o presidente François Bozizé. Milhares de pessoas morreram nos confrontos. 

Minusca/Hervé Serefio

Soldado de paz egípcio da missão da ONU na República Centro-Africana, Minusca, ajuda a distribuir água na capital Bangui.

A chefe humanitária condena com veemência os atos de violência alertando que estes “aumentam o sofrimento e o trauma” dos centro-africanos.  

Ela disse que a assistência tem continuado apesar da insegurança e dos desafios de acesso. Um dos principais setores ativos é o da saúde, que envia equipes de emergência e suprimentos nutricionais por via aérea. 

Comunidades   

Brown ressalta que apesar da violência as agências humanitárias continuam nas comunidades ao lado da população. 

A coordenadora pediu mais fundos de doadores para a resposta humanitária, incluindo para os Serviços Aéreos Humanitários das Nações Unidas.  

Estima-se que 2,8 milhões de pessoas precisem de assistência e proteção na República Centro-Africana.  

O Plano de Resposta Humanitária para 2021 prevê US$ 444,7 milhões para ajudar 1,8 milhão de pessoas. 

Ocha/Yaye Nabo Séne

Menina da República Centro-Africana segura cartaz com o mote nacional, que significa que todas as pessoas são iguais

Entrevista com a Conselheira especial do secretário-geral da ONU para a África

Conselheira especial do secretário-geral da ONU para o continente, Cristina Duarte falou à ONU News sobre desafios e oportunidades para o próximo ano; segundo ela, os africanos têm a chance de reconstruir melhor após a pandemia; ex-ministra de Cabo Verde ressaltou ainda a importância de um grande esforço coletivo para combater fluxos ilícitos em África, que atingem pelo menos US$ bilhões. Leia a íntegra da primeira parte da entrevista da subsecretária-geral à ONU News.