O Escritório da Organização Mundial da Saúde, OMS, na Europa disse que cadeias de suprimentos para bens e viagens essenciais “devem continuar possíveis” após relatos de casos da variante “VUI – 202012/01” também conhecida como B117 do novo coronavírus.
No Twitter, o diretor da agência, Hans Kluge, disse que especialistas vêm acompanhando de perto a situação.
Clareza
Kluge destaca que o que se sabe até o momento é que aparentemente esta variante não se espalha mais facilmente que o Covid-19. Por não haver clareza sobre a gravidade, ele realça que “maiores medidas preventivas são críticas”.
Unsplash/Gerrie van der Walt
Com a pandemia da Covid-19, o setor de aviação civil foi um dos mais afetados pelas restrições de viagem
Nesta terça-feira, todos os Estados-membros da OMS foram convocados a discutir estratégias de teste, redução de riscos de transmissão e comunicação.
Hans Kluge diz que limitar as viagens não-essenciais para conter a propagação é prudente até que se tenha mais informações.
Ele elogiou o Reino Unido por partilhar dados e intensificar investigações.
Aumento
De acordo cm especialistas britânicos, a variante que seria a responsável pelo aumento de casos no sudeste da Inglaterra não é mais mortal que a Covid-19, mas poderia se espalhar mais rapidamente do que outras formas do vírus num ritmo até 1.5 por pessoa. Ou seja, contaminado uma pessoa e meia a mais que a Covid-19.
Agências de notícias informaram que o “VUI – 202012/01” é mais frequente em partes do Reino Unido como Kent, Essex e Londres. Uma variante do novo coronavírus também foi encontrada em países como Dinamarca, Holanda e África do Sul. A OMS diz que a descoberta não altera em nada as vacinas atuais contra a pandemia e tampouco é mais letal que o novo coronavírus.
Foto: CDC/Hannah A Bullock/Azaibi Tami
Imagem microscópica digitalmente aprimorada mostra uma infecção por coronavírus em azul.
“Penso ser uma boa oportunidade para ver como dois dos pilares essenciais das Nações Unidas nomeadamente o da paz e segurança política, por um lado, que regeram a instalação e o funcionamento da missão de paz da ONU na Guiné-Bissau, e o pilar de desenvolvimento, que é liderado pelo coordenador residente das Nações Unidas por meio do novo sistema de desenvolvimento com a ação do coordenador residente.
Foi um desafio e uma oportunidade. Um desafio porque era preciso alavancar as capacidades e os recursos das duas vertentes para fazer avançar as metas e os objetivos das Nações Unidas neste país. Mas a oportunidade foi mostrar aos guineenses que, na verdade, não há dicotomia entre os trabalhos das Nações Unidas. Que tudo deve estar alavancando os três pilares: paz e segurança política, por um lado, e o desenvolvimento para continuar apoiando o país em sua aspiração de progresso, e também é a ambição de liderar o sucesso na transição política e avançar para uma ideia onde não existe uma missão da ONU.
Todos têm investido nas últimas duas décadas no apoio à estabilidade política, segurança e transição do país.
Penso que foi assim que o processo funcionou. Eu recebi um apoio muito bom de colegas de ambas as vertentes: da Missão, mas também no sistema e dos programas da ONU. E isso é importante no nosso Escritório. É por isso que acho que posso estar diante de vós hoje com um sorriso, dizendo que estamos entrando na transição com a cultura da missão e sentimos que fizemos um bom trabalho.
Se se lembrarem, algumas semanas atrás, tivemos um workshop de três dias com o governo sob os auspícios do Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional e do Escritório do primeiro-ministro, discutindo a validação da análise de conflito e as prioridades de construção da paz. Essa é uma peça central do trabalho que sustentará a transição.
O quadro da cooperação de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, a equipe nacional da ONU, Unct como a chamamos em jargão, é o próximo passo nesse processo de transição em que os fundos e programas das agências desenvolverão um quadro de cooperação com a Guiné-Bissau o qual levará em consideração as prioridades de construção da paz, conforme foi validado pelo país Guiné-Bissau, e também tendo em conta as prioridades de desenvolvimento e as aspirações da Guiné-Bissau que foram delineadas no Hora Tchiga – o programa de desenvolvimento que o governo lançou e colocou no Parlamento um agregado para fundir estas duas abordagens.
Mas a oportunidade foi mostrar aos guineenses que, na verdade, não há dicotomia entre os trabalhos das Nações Unidas.
Para que a Guiné-Bissau continue a construir a transição e a estabilidade política por um lado, mas também a atender as necessidades dos guineenses em termos de desenvolvimento econômico, desenvolvimento sustentável, igualdade e equidade de oportunidades. Não há dicotomia entre os dois. É apenas uma continuação.
As Nações Unidas e os parceiros da Guiné-Bissau estão sendo envolvidos. Todos têm investido nas últimas duas décadas no apoio à estabilidade política, segurança e transição do país.
O encerramento da Missão é a apoteose do empreendimento de sucesso, fazendo com que a Guiné-Bissau se mova com sucesso de um país em cenário de missão, para ser o país que passa a ter a cooperação apenas através do coordenador residente e dos parceiros.
Considero que todos os guineenses precisam se orgulhar dessa transição, da estrutura de cooperação da ONU. E o trabalho da equipe nacional da ONU é continuar a garantir que as prioridades de consolidação da paz e as tarefas de consolidação da paz realizadas pela missão prossigam, para que os ganhos não sejam perdidos, mas também de forma razoável e contínua, apoiar o país na transição para um desenvolvimento de longo prazo.”
Neste 20 de outubro, o mundo marca o Dia Internacional da Solidariedade Humana. As celebrações promovem a união na diversidade, o respeito a acordos sobre a questão e o aumento da consciência pública sobre a importância dessas ações.
A organização incentiva novos debates sobre como promover a solidariedade para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, realçando temas como erradicação da pobreza, ações e iniciativas.
Impacto
As Nações Unidas pediram mais esforços dos países após novas projeções de que a pandemia pode levar 115 milhões de pessoas à pobreza este ano.
A primeira alta em décadas teria maior impacto sobre mulheres que podem perder empregos e não ter proteção social suficiente.
Acnur/ Elisabet Diaz Sanmartin
Assembleia Geral proclamou Dia Internacional após reconhecer a importância de promover a cultura da solidariedade
A organização realça a situação de pessoas sofrendo ou precisando de ajuda dos mais privilegiados pedindo maior solidariedade internacional “no contexto da globalização e do aumento da desigualdade”.
A Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável concentra-se nas pessoas e no planeta. A base das metas globais são os direitos humanos e uma parceria global para baixar número de pessoas em situações de pobreza, fome e doenças.
Partilha
A Assembleia Geral proclamou este Dia Internacional há 15 anos após reconhecer a importância de promover a cultura da solidariedade e do espírito de partilha para combater a pobreza.
Para atingir essas metas, a organização criou Fundo Mundial de Solidariedade em 2002 e incentiva a “cooperação na solução dos problemas internacionais de caráter econômico, social, cultural ou humanitário”.
ONU News/ Anton Uspensky
A Espanha, quinta maior economia da Europa, tem um dos níveis mais altos de pobreza do continente.
A Organização das Nações Unidas Para o Desenvolvimento Industrial, Unido, e o governo guineense pretendem mudar o paradigma de aproveitamento das frutas tropicais no país através da Melhoria da Competitividade da Fileira da Manga na Guiné-Bissau.
Foco
O Projeto lançado na capital Bissau pretende, ao longo dos próximos três anos, apostar seriamente na transformação local da manga em vários subprodutos. A ação é financiada pela União Europeia com 4 milhões de euros e 800 mil euros da Unido.
A agência da ONU vai intervir nos eixos: produção, transformação e exportação.
Falando à ONU News em Bissau, o ponto focal da Unido no país, Nelson Constantino Lopes, explicou o projeto que visa organizar a fileira da manga na Guiné-Bissau.
“Temos dois componentes que vão agregar o projeto: empreendedorismo e mecanismos de financiamento e acesso ao mercado para promover novos empreendedores por forma a contribuir para a dinamização da fileira da manga na Guiné-Bissau”.
Produção
O também coordenador nacional da Wacomp-Gb qualificou o projeto de inovador e desafiante e disse que a Unido vai apoiar o governo, o setor privado e as Organizações Não-Governamentais que trabalham na fileira da manga e outras frutas para que a economia circular ganhe força e seja uma mais valia para o país.
A Guiné-Bissau produz cerca de 35 mil toneladas de manga por ano e acredita-se que 70% da produção é desperdiçada devido à falta de industrialização do produto.
“Com as dificuldades que nós sentimos que o governo tem em relação a estruturação da questão da industrialização no país, a Onudi se predispôs a apoiar o governo na organização de uma Agenda Nacional de Industrialização, isto quer dizer o perfil industrial do país”.
Alexandre Soares.
O Projeto lançado na capital Bissau pretende, ao longo dos próximos três anos, apostar seriamente na transformação local da manga em vários subprodutos
Agenda Nacional
Nelson Lopes disse que a Unido nutre uma cooperação positiva com o governo, tanto assim que este, juntamente com os parceiros, está empenhado na dinâmica de fazer constar a industrialização da agenda nacional. Ele esperar que a parceria seja estratégica e de ganhos mútuos.
A industrialização é, segundo o chefe da Unido, importante para o desenvolvimento da Guiné-Bissau. “Virou uma questão central em África, sobretudo nos países em vias de desenvolvimento, e a Guiné-Bissau não pode ficar à margem deste desafio, desta dinâmica de aproveitar a onda de industrialização que está a acontecer para fazer crescer sua economia”.
Antes deste projeto de agronegócio, a Unido já havia trabalhado com o governo guineense na área das energias renováveis como parte do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 9, construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.
A pandemia de Covid-19 mudou as condições de trabalho, trazendo novos desafios psicossociais para a saúde e o bem-estar de trabalhadores. Um guia da Organização Internacional do Trabalho, a OIT, contém os elementos-chave necessários para proteger a saúde e o bem-estar. Acompanhe nesse vídeo traduzido pela ONU Brasil.
Agências das Nações Unidas pediram que os Estados cumpram as obrigações internacionais, assegurando que pessoas forçadas a escapar da violência de gangues no norte da América Central gozem plenamente de seus direitos.
Esta quinta-feira, uma pesquisa identificou ameaças de morte, recrutamento para gangues, extorsão e outras formas de violência como fatores que levam famílias a seguir além-fronteiras buscando segurança.
Uma refugiada que fugiu da violência de gangues várias vezes em Honduras começa novamente em Belize, em janeiro de 2019
Ameaças
Comunidades em El Salvador, Guatemala e Honduras são as mais afetadas pelo problema, aponta a pesquisa da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, e do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.
A violência foi a principal razão que levou 20% dos mais de 3.100 entrevistados a migrar em família das suas comunidades. O estudo destaca as variações dessa prática como ameaças de morte, extorsão, recrutamento para gangues e trabalho doméstico.
Mais de 30% das crianças migrantes desacompanhadas mencionaram algum tipo de violência como razão que as levou a fugir, causando um impacto no acesso delas a serviços essenciais, incluindo ir à escola.
O estudo recomenda que os países priorizem os direitos de pessoas com necessidades específicas de proteção e assegurem o tratamento de crianças e adolescentes deslocados como menores. O apelo é que os interesses do grupo tenham foco na resposta e decisões que os afetam, estejam viajando sozinhos ou com suas famílias.
Unicef México
Crianças estão entre os migrantes da América Central que caminham em direção à fronteira entre o México e os Estados Unidos
Estados Unidos
No ano passado, houve uma alta de 456% no número de famílias apreendidas na fronteira sul dos Estados Unidos. A pesquisa destaca que o aumento foi de quase 77,8 mil em 2018 para mais de 432 mil.
Para o representante regional do Acnur para a América Central e Cuba, Giovanni Bassu, a mudança na demografia das fugas do norte da América Central reflete uma realidade sombria nos países de origem, onde famílias inteiras estão sob ameaça e fogem juntas para encontrar segurança.
Homens, mulheres e adolescentes são particularmente vulneráveis em comunidades marcadas pela violência extrema, ataques de gangues e atividades criminosas. A violência, especialmente as ameaças de morte associadas ao recrutamento, afetam diretamente crianças e adolescentes.
Acnur/Marta Martinez
Muitos migrantes fogem da violência de gangues de El Salvador
Serviços nacionais
Menores relataram vários fatores de pressão, incluindo diferentes tipos de violência e a falta de oportunidades e serviços nacionais. Já os adultos falaram de ameaças de gangues a famílias inteiras, o que levou muitos a deixarem a comunidade com os filhos para não deixá-los em risco.
Para o diretor regional do Unicef para a América Latina e o Caribe muitos fogem para salvar suas vidas ao serem direcionadas por gangues. Jean Gough disse que os criminosos “não deixam nenhum membro da família para trás porque temem retaliações”.
Em tempo de pandemia e após dois furacões na América Central, o aumento da pobreza e da violência provavelmente “tirará mais dessas famílias de suas casas nas próximas semanas e meses”.
Unicef/Adriana Zehbrauskas
Três jovens, com 13 e 14 anos, nas Honduras, que foram vítimas de assédio.
Drogas
Mais de 800 mil pessoas de El Salvador, Guatemala e Honduras buscaram proteção em seus países ou cruzaram fronteiras em busca de asilo para escapar de ameaças até o final de 2019.
Aliado à crescente violência e perseguição de gangues mulheres jovens e meninas sofrem violência sexual e de gênero. Outros jovens são explorados para fins criminosos, incluindo tráfico de drogas ou totalmente integrados nos grupos criminosos.
Nesses três países, as medidas de confinamento e fechamento de fronteiras pela pandemia limitaram as opções de fuga. Mas várias formas de violência e perseguição persistiram ou até pioraram causando deslocamento forçado.
No dia 14 de dezembro de 2020, a Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, completou 70 anos. O chefe da agência, Filippo Grandi, fez um apelo às lideranças mundiais: ajudar a colocar um fim aos deslocamentos forçados e à necessidade de continuar com a agência, criada em 1950 com planos de durar apenas três anos. Todos os dias o Acnur serve a pessoas refugiadas, deslocadas internas e apátridas. Conheça o trabalho da agência neste vídeo da ONU Brasil.
Em comunicado, Organização Mundial da Saúde na Europa recomenda cultos e missas ao ar livre, menos gente nas estações de esqui e suspensão de mercados de Natal para minimizar risco de novos casos de Covid; agência espera novos casos de Covid-19 na Europa para 2021.
O secretário-geral expressou choque com o número crescente de ataques contra jornalistas e trabalhadores da mídia em todo o mundo.
Em nota emitida esta terça-feira pelo seu porta-voz, António Guterres lembra que neste período da pandemia e de restrições, aumentaram ataques a jornalistas “que apenas fazem o seu trabalho”.
Civis
Em relatório, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas revelou que um recorde de 274 profissionais do setor foram presos até o princípio deste mês no mundo. O documento aponta haver governos reprimindo a cobertura da pandemia ou tentando reprimir notícias sobre manifestações de civis.
Foto ONU/Sylvain Liechti
Principais fatores das prisões são protestos e tensões políticas
No ano passado, o grupo de Nova Iorque registrou 250 detenções. Entre os principais fatores das prisões estão protestos e tensões políticas, a maioria na China, na Turquia, no Egito e na Arábia Saudita.
Em meio à pandemia, o estudo menciona a ação de líderes tentando controlar reportagens e prendendo jornalistas. O documento cita pelo menos duas mortes desses profissionais após contraírem a Covid-19 sob custódia.
Muitos jornalistas foram submetidos a assédio, atos de intimidação, sanções, assassinatos e detenção arbitrária.
De acordo com a nota do chefe da ONU, muitos jornalistas foram submetidos a assédio, atos de intimidação, sanções, assassinatos e detenção arbitrária.
Impunidade
O apelo aos governos é que “libertem imediatamente os jornalistas detidos apenas por exercerem sua profissão”. Guterres reitera apelos anteriores em favor de esforços conjuntos para combater a impunidade generalizada para tais crimes.
Guterres sublinha ainda a relevância na vida cotidiana dos jornalistas e profissionais da mídia para ajudar a tomar decisões previamente informadas.
Em momento em que o mundo combate a Covid-19, o secretário-geral destaca que pode ser observado como essas decisões são cruciais e podem fazer a diferença entre a vida e a morte.
Responsável de Relações Exteriores da Acnur em Moçambique, Juliana Ghazi revela que inúmeros ataques levaram mais pessoas a abandonarem as áreas de origem em Cabo Delgado, no extremo norte. Projeções apontam para o aumento de deslocados nos próximos meses.
O Darfur é palco para um conflito violento desde 2003 e já provocou uma das maiores crises humanitárias de sempre no continente africano. Para além dos milhões de deslocados ainda na região, permanecem no Chade enormes comunidades de refugiados, cuja sobrevivência depende inteiramente da assistência da comunidade internacional. Estima-se que pelo menos 300 mil pessoas tenham morrido neste conflito, ao longo das últimas décadas. A ONU Portugal falou com o Coordenador para a Digitalização do Programa Alimentar Mundial no Sudão, o português Pedro Matos, sobre a atual situação humanitária.
O Darfur é uma região na parte ocidental do território do Sudão, localizada junto à fronteira com a Líbia, o Chade e a República Centro-Africana e tem, aproximadamente, o tamanho da França. UN Photo/Albert González Farran
O conflito começou em 2003, na parte ocidental do Sudão, entre os povos árabes e não-árabes da região do Darfur. Os rebeldes insurgiram-se contra o que alegavam ser o desrespeito do governo sudanês pela região ocidental e pela sua população não árabe e, em resposta, o governo equipou e apoiou milícias árabes – que passaram a ser conhecidas como Janjaweed – para lutar contra os rebeldes no Darfur. Nos confrontos entre o Governo do Sudão e as milícias e outros grupos rebeldes armados, foram cometidas enormes atrocidades, tais como o massacre e a violação em massa de civis.
Nesse mesmo ano, a ONU fez soar o alarme para as violações de direitos humanos e restantes crimes perpetrados pelos Janjaweed, com a conivência do então presidente, Omar al-Bashir. A reação do regime ao alegado genocídio no Darfur passou pela declaração do problema como sendo um conflito “tribal”, negando qualquer envolvimento das suas forças armadas nos massacres e obstruindo e condicionando o acesso das organizações humanitárias ao território, numa tentativa de manter as atenções centradas no processo de paz do Sudão do Norte com o Sul.
Apesar da negação, em julho de 2004, iniciou-se um processo de intensa pressão internacional sobre o governo de al-Bashir para que pusesse fim aos ataques das milícias, que culminou com um cessar-fogo e a chegada das tropas da União Africana (UA). Todavia, a violência continuou a escalar e, em 2007, o conflito e a consequente crise humanitária já tinham deixado centenas de milhares de mortos e mais de dois milhões de deslocados. Assim, a 31 de julho de 2007, o Conselho de Segurança das Nações Unidas autorizou uma missão híbrida de manutenção da paz ONU-UA (UNAMID) para substituir a missão da UA.
A intervenção das Nações Unidas
A UNAMID, que continua ativa até hoje, tem como principal missão a proteção dos civis, tendo também a seu cargo a segurança nos casos de assistência humanitária, o acompanhamento e verificação da implementação de acordos, o apoio a um processo político inclusivo, a promoção dos direitos humanos e do Estado de direito, e a monitorização da situação ao longo das fronteiras com o Chade e a República Centro-Africana.
Membros do batalhão nigeriano da Missão Híbrida das Nações Unidas-União Africana no Darfur (UNAMID) em patrulha durante um encontro comunitário entre funcionários da UNAMID e nómadas árabes. UN Photo/Stuart Price
Membros do batalhão nigeriano da Missão Híbrida das Nações Unidas-União Africana no Darfur (UNAMID) em patrulha durante um encontro comunitário entre funcionários da UNAMID e nómadas árabes. UN Photo/Stuart Price
Sob a alçada da UA e com o apoio da ONU e outros parceiros, o Acordo de Paz do Darfur (DPA) foi assinado, a 5 de maio de 2006. Como foram poucas as partes que o assinaram, um novo processo de paz, desta vez a cargo da UNAMID, teve lugar em Doha, no Qatar, entre 2010 e 2011, tendo sido produzido um documento-quadro. Desde aí, continuam os intensos esforços diplomáticos e políticos para levar os não signatários a concordarem com o Documento de Doha para a Paz no Darfur.
De acordo com a Resolução 2525 (3 de Junho de 2020), o Conselho de Segurança estendeu o mandato da UNAMID até 31 de dezembro de 2020.
Genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade
O envolvimento do Conselho de Segurança das Nações Unidas, no início da crise, ajudou a encaminhar a situação para o Tribunal Penal Internacional (TPI). A investigação do TPI, aberta em junho de 2005, produziu vários casos com suspeitos, desde funcionários do governo sudanês, líderes das milícias (Janjaweed) e líderes dos rebeldes, tendo envolvido acusações que incluem os seguintes crimes:
genocídio: genocídio por matar; genocídio por causar graves danos corporais ou mentais; genocídio por infligir deliberadamente a cada grupo alvo condições de vida concebidas para provocar a destruição física do grupo;
crimes de guerra: homicídio; ataques contra a população civil; destruição de bens; violação; pilhagem; e ultraje à dignidade pessoal; violência contra a vida e a pessoa; dirigir intencionalmente ataques contra pessoal, instalações, material, unidades ou veículos envolvidos numa missão de manutenção da paz; e
crimes contra a humanidade: homicídio; perseguição; deslocação forçada de população; violação; atos desumanos; prisão ou privação grave da liberdade; tortura; extermínio; e tortura.
Esta foi a primeira investigação do TPI a tratar de alegações do crime de genocídio.
A queda do regime
Omar Al-Bashir foi também o primeiro presidente em funções a ser procurado pelo TPI e a primeira pessoa a ser acusada pelo TPI do crime de genocídio. Nenhum dos dois mandados de captura contra ele foi executado e, até hoje, este não se encontra sob a custódia do Tribunal. Em várias ocasiões, Al-Bashir desafiou esse mandato de captura, com deslocações ao estrangeiro, como por exemplo à África do Sul, em 2015, e à Jordânia, em 2017. Em ambas as ocasiões o mandado de captura do tribunal internacional não foi executado pelas autoridades desses países.
Em abril de 2019, depois de 30 anos, o presidente abandou o poder, como consequência das manifestações que foram tendo lugar nos últimos meses contra a política do seu governo.
“A revolução de 2019 trouxe um novo Governo de transição junto com muitas esperanças e expectativas para o povo sudanês.
Este novo governo teve desenvolvimentos positivos, como a assinatura de um acordo de paz com grupos rebeldes, mas os desafios continuam a ser imensos. O Sudão teve inundações históricas em agosto e setembro deste ano que afetaram 875.000 pessoas, e o país enfrenta uma crise económica enorme com os preços dos alimentos 700% mais altos do que há 5 anos atrás.”
Assistência humanitária em tempos de pandemia
Dos 43 milhões de habitantes do Sudão, 7.1 milhões estão em situação de insegurança alimentar. Na foto, dois homens preparam bandejas com comida na Escola Al Tijane em El Fasher para o iftar, a refeição da noite que quebra o jejum muçulmano durante o mês do Ramadão. A UNAMID patrocinou o evento que reuniu cerca de 500 pessoas. UN Photo/Albert González Farran.
De acordo com Pedro Matos, Coordenador de Digitalização do Programa Alimentar Mundial (PMA) no Sudão, a pandemia veio agudizar ainda mais os efeitos das várias crises que afetam a região, desde os conflitos armados até a crise económica, passando pelas mudanças climáticas e as cheias deste ano, pintando de tons ainda mais negros a crise humanitária no Darfur.
Todos estes fatores combinados fazem com que o programa enfrente agora um défice de financiamento de cerca de US$ 150 milhões para os próximos seis meses para atender às necessidades alimentares das pessoas mais vulneráveis no país.
Pedro Matos, Coordenador Digital do PMA no Sudão
No Sudão, o PMA fornece assistência alimentar essencial as famílias mais vulneráveis no país, ao mesmo tempo que trabalha em projetos de comida-por-trabalho para permitir que as aldeias construam infraestruturas de apoio as comunidades. Adicionalmente, apoia o Governo do Sudão no fornecimento de refeições escolares, na formação de pequenos agricultores e na prevenção e tratamento da desnutrição em crianças e mulheres grávidas ou a amamentar.
O PMA apoia ainda o governo e um grande número de organizações humanitárias com aviões e helicópteros para transporte de trabalhadores e carga para as zonas mais remotas do país, e na parte logística do transporte, armazenamento e distribuição de equipamento de saúde para combate à covid-19.
Nas palavras de Pedro Matos, “um dos principais desafios do Darfur é que muitas zonas fora das cidades principais são extremamente difíceis de alcançar por estrada. Uma viagem até a cidade mais próxima pode levar muitas horas num todo-o-terreno, por isso imagine tentar fazer esse percurso com um camião carregado de toneladas de comida!”
Recentemente, o país viu-se também a braços com uma onda de refugiados fugidos da violência no norte da Etiópia. A chegada de 50.000 etíopes a um Sudão em falência, em busca de segurança, alimentos, água, abrigo, medicamentos e outras necessidades básicas, pôs ainda mais pressão sobre o PMA e foi mais uma acha na fogueira da crise humanitária.
O olhar de quem está no terreno
As raparigas das escolas de El Sereif interpretam canções e danças tradicionais durante o evento cultural e desportivo organizado pela UNAMID. UN Photo/Albert González Farran.
Com 12 anos de experiência na assistência alimentar, Pedro Matos explica que “os relatórios que lemos incluem com frequência muitos números e dados sobre os conflitos – crises em grande escala, choques climáticos, instabilidade económica. Esses relatórios muitas vezes deixam para segundo plano aquilo que é a essência do trabalho humanitário: as pessoas que ajudamos.”
O trabalhador humanitário português dá o exemplo da “mãe que faz tudo o que pode para conseguir sobreviver, colocar comida na mesa e juntar algumas poucas economias para mandar os filhos para a escola. As esperanças dos miúdos que chegam às aulas com t-shirts esfarrapadas e que mesmo assim ousam sonhar ser médicos ou advogadas. O agricultor que sorri de orelha a orelha ao mostrar os seus pés de milho saudáveis e o tamanho da sua última colheita”, conclui Pedro Matos, que já passou pelo Iémen, Mali, Quénia, Uganda e Bangladesh.
Encontrar uma resolução duradoura para o conflito do Darfur tem sido uma prioridade máxima para o Conselho de Segurança das Nações Unidas e os dois últimos secretários-gerais da Organização.
O Gabinete do Coordenador Residente do Sistema das Nações Unidas e o Governo da Guiné-Bissau projetam prioridades de cooperação entre as duas partes para o ano 2021. O documento vai ao encontro do novo Plano de Desenvolvimento Nacional, designado “Hora Tchiga” que significa chegou a hora, e o contexto pós Covid-19.
Prioridades
O Quadro de Cooperação, inicialmente assinado em abril de 2016, devia terminar este ano, mas a situação da pandemia levou as partes a estenderem-no até dezembro de 2021. A ONU e o Governo concluíram, esta quinta-feira em Bissau, a formulação de um Plano de Trabalho Anual que cobre o referido período.
O Setor Privado e a Sociedade Civil participaram do evento, promovido pelo Ministério Guineense dos Negócios Estrangeiros. A meta é definir as principais prioridades do novo quadro de cooperação, tendo como referência dois documentos: o Plano de Trabalho 2019/2020 e a Análise do Impacto da Covid-19 na Guiné-Bissau.
Em conversa com a ONU News, o Especialista de Finanças e Parcerias junto a Coordenação do Sistema das Nações Unidas no país, Edmundo Vaz, falou dos objetivos estratégicos do manifesto.
“Em termos das principais prioridades do plano de trabalho 2021 temos quatro objetivos estratégicos: a consolidação da paz e a governança; o crescimento económico e redução da pobreza; o desenvolvimento humano de uma forma abrangente, incluindo a educação, saúde, saneamento; e o ambiente e a biodiversidade.”
Alexandre Soares
Palácio Colinas de Boé, edifício da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau.
Resultados
Vaz qualificou de aceitável o resultado da implementação do Plano de Trabalho que agora termina e disse que a difícil conjuntura política dos últimos três anos não permitiu que alguns resultados esperados fossem alcançados.
Os trabalhos de formulação do Novo Quadro de Cooperação terminam a pouco menos de 24 horas do encerramento do Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau, Uniogbis. O Escritório da ONU foi estabelecido na sequência do conflito político militar de 1998.
ONU News/Alexandre Soares
O Uniogbis atuou na promoção do diálogo político, apoiou o processo de reconciliação nacional e combate ao tráfico de droga e crime organizado transnacional.
Intervenção
Edmundo Vaz esclarece que as Nações Unidas continuam no terreno apesar do Encerramento do Uniogbis que é uma Missão Política Especial.
“Não é que as Nações Unidas estejam deixando o país. As agências vão continuar a operar na Guiné-Bissau, estamos apenas numa fase de reconfiguração da presença da ONU no país com o fecho do Uniogbis e preparação do quadro de cooperação que começa a partir de 2022”.
Mediante mandatos do Conselho de Segurança, o Uniogbis atuou na promoção do diálogo político, apoiou o processo de reconciliação nacional e combate ao tráfico de droga e crime organizado transnacional. A Missão trabalhou ainda na questão do género, promoção e proteção dos direitos humanos e reforço ao estado de direito.
O encerramento do Escritório foi gradual e veio na sequência de uma avaliação estratégica no terreno. Com o estabelecimento de uma reconfiguração no país, a intervenção política da ONU passa a ser menor, dando mais ênfase ao desenvolvimento econômico e social da Guiné-Bissau.
O chefe das Nações Unidas, António Guterres, apelou a líderes em todo o mundo para declarar um estado de emergência climática até que seus países alcancem a neutralidade em carbono.
Ele lembrou que a década passada foi a mais quente da história e que os níveis das emissões que causam o efeito estufa estão batendo todos os recordes.
Desastres naturais
Guterres disse que ninguém mais pode negar que a emergência climática ocorre, e citou exemplos de desastres naturais que se tornam cada vez mais frequentes e com efeitos arrasadores.
Ao todo, 38 países já declararam emergência climática. Segundo Guterres, é hora de todas as nações fazerem o mesmo. Ele contou que ao organizar a Cúpula de Ambição do Clima com Reino Unido, França, Itália e Chile, ele quer ver compromissos e ações mais ambiciosos para salvar o planeta.
Foto ONU/Mark Garten
Vista da destruíção nas Bahamas causada pela passagem do pelo furacão Dorian.
O plano da ONU já para 2021 é lançar a Coalizão Global em Neutralidade de Carbono com o objetivo de atingir zero emissões que causam o efeito estufa, CO2.
E para Guterres, a questão não é mais de promessas, mas sim de credibilidade.
Maldivas e Barbados
O secretário-geral disse que existem o Acordo de Paris e a Agenda 2030 de desenvolvimento sustentável que listam as promessas de líderes internacionais sobre o tema, e que agora, esses mesmos líderes têm que cumprir o que assinaram como num teste de credibilidade.
As Nações Unidas afirmam que até o início de 2021, nações que representam dois terços da produção de CO2 terão acordado com a neutralidade em carbono.
Ele citou os exemplos das Maldivas e de Barbados que, com o devido apoio, poderão estar livre de carbono em 2030.
FAO/Prakash Singh
Maldivas são um Estado-ilha que enfrenta muitos desafios devido à mudança climática
A Cúpula deste sábado ocorre pouco depois do que seria a COP 26, a Conferência sobre Mudança Climática, marcada para a Escócia, em novembro deste ano, mas que teve que ser adiada por causa da pandemia.
Reino Unido e União Europeia
O secretário-geral afirmou que a comunidade científica já avisou que para atingir a rede zero carbono em 2050, o mundo precisa cortar as emissões em 45% comparado com os níveis de 2010.
Reino Unido e União Europeia já prometeram cortes de 68% e 55% até o fim desta década.
Para Guterres, esses são exemplos que devem ser seguidos e os maiores poluentes de CO2 devem liderar este caminho.
Segundo ele, cada país, instituição financeira e empresa deve adotar planos para realizar a transição de uma economia baseada em combustíveis fósseis para uma rede de zero carbono até 2050.
1% mais rico
E com relação ao mundo desenvolvido, ele disse que é preciso liberar os US$ 100 bilhões por ano para os países em desenvolvimento até 2020 para que essas economias possam planejar suas transições. Outra promessa que está bem longe de ser cumprida, segundo um relatório de especialistas convocados pela ONU.
Para Guterres, o setor financeiro e bancário deve pressionar seus investidores e não financiar investimentos em combustíveis fósseis. Segundo ele, o 1% mais rico do mundo cria 15% das emissões de CO2.
(Relembre o apelo do chefe da ONU sobre o tema nesta reportagem):
Ele voltou a dizer que a pandemia da Covid-19 é uma oportunidade de o mundo se reciclar e de se recuperar da crise de forma sustentável.
António Guterres acredita que a recuperação da pandemia e a ação climática são duas faces da mesma moeda.
MG: A sra. falou no chamado dividendo demográfico, ao falar dos jovens. E a senhora também é uma coordenadora jovem. E depois também falou sobre a parceria com o governo. Eu gostaria saber como a sra. vai fazer a parceria com as mulheres angolanas. Muitas com tradição na luta de libertação, engajamento político. Como elas podem ajudar a sra. no seu trabalho, e ao desenvolvimento de Angola, e no trabalho da ONU em Angola como um todo?
ZV: Uma pergunta fantástica. Como mulher é sempre bom pensar nesta questão. Felizmente, aqui em Angola, o governo está a tentar a promover as mulheres. Não tenho aqui a taxa, mas por exemplo, no governo há mulheres ministras, há mulheres secretárias de Estado, diretoras, líderes que estão a liderar, que estão a criar políticas com pensamento de uma mulher. O governo está a tentar, neste momento também a apoiar, por exemplo, a economia de mercado informal. Aqui em Angola, mas em todos os países do mundo, a economia informal é normalmente dominada pelas mulheres. Então, acho que nós aqui nas Nações Unidas, nós temos que trabalhar com as líderes do governo, as mulheres, mas também com os homens que têm este pensamento. Nós devemos trabalhar com ONGs, porque existem ONGs e sociedade civil forte, e devemos trabalhar com eles para promover e dar oportunidades às mulheres, empreendedorismo, proteção social etc. E devemos trabalhar com parceiros. Aqui, nós temos um clube das embaixadoras mulheres. E nós podemos também trabalhar com parceiros, neste sentido. Daqui a pouco, vamos começar aquela campanha contra a violência a mulheres. Os 16 Dias de Ativismo contra a Violência de Gênero. Vamos começar não só com a ONU, mas como parceiros, União Europeia, Estados Unidos, nós todos estamos juntos. Acho que as Nações Unidas podem avançar com o Objetivo de Igualdade de Gênero.
EG: Uma outra questão que deixaria aqui é a pandemia, que não nos poderia escapar. As Nações Unidas estão em Angola, que também está afetada pelo problema. Num momento em que a ONU ajuda a combater a fome no sul, ajuda a campanha contra a pólio, ajuda enfim a promover mais atividades juvenis, a promover a economia. Como é que o Covid veio e interrompeu esta ação? Como é que, neste momento, se está a trabalhar tendo esta realidade, enfim, como algo que veio para ficar?
ZV: Infelizmente, Angola não é o único país. Nós todos estamos no mesmo barco. Infelizmente, Angola tem bastantes desafios. E as agências, o Sistema das Nações Unidas, aqui, temos 19 agências que estão a trabalhar em Angola. E o Sistema está a fazer várias coisas. Sejam atividades de resposta, prevenção e também olhar para a recuperação. Especialmente, a recuperação socioeconômica. A parte de saúde está, claro, liderada pela OMS. E chegou ao país uma nova representante fantástica da OMS, que chegou de Moçambique. Ela está a liderar a OMS, que está a trabalhar com o Ministério da Saúde para dar resposta, e elaborar uma estratégia, uma estratégia de resposta, mas também de mobilizar recursos. O Pnud trabalhou como outras agências, setores no governo e com os parceiros para elaborar o plano de recuperação socioeconômica. Estamos a tentar, neste momento, a mobilizar recursos. Felizmente, há parceiros que vão nos apoiar neste sentido. A Noruega vai apoiar em criar emprego para os jovens juntamente com o Pnud e o Unicef. O Unicef também tem um programa de proteção social. Estão a trabalhar com o governo e também com o Banco Mundial, neste sentido. E nós temos uma coordenação aqui liderada pela coordenadora residente das Nações Unidas que incluem também outros parceiros: Usaid, China, FMI, Banco Mundial. E todos estamos a tentar, pelo menos estamos a tentar a dar uma resposta concreta, coordenada, coordenar as nossas atividades e para olhar em frente para a recuperação socioeconômica também.
FAO/Estevão Benedito
Angola deixa de ser país menos avançado em 2021, a menos que esse prazo seja renegociado pelo impacto da Covid-19
EG: E qual é o espaço de tempo que esse espera desta recuperação pelo menos no plano? Quais são os valores que se esperam para apoiar esta recuperação?
ZV: Eu acho que já começou. Acho que não há linhas distintas entre resposta e recuperação. Então, já começamos porque tudo é interligado, não? Saúde, emprego, educação, tudo é interligado. Então, as agências estão a trabalhar agora mesmo. Nós reprogramamos nossos recursos do programa normal “entre aspas” para dar uma resposta, mas para preparar também o terreno para a recuperação. Então, acho que, neste momento, já começamos com essa recuperação especialmente econômica.
FAO/Celestino Vonjila Essuvo
Agricultora da província angolana do Huambo recebe mensagens sobre propagação da Covid-19.
MG: Em nome da ONU News, eu gostaria de agradecer à Zahira Virani. Ela que é a coordenadora residente, chefe do Sistema ONU, representante das Nações Unidas em Angola. E perguntar se tem mais alguma coisa que a senhora gostaria de acrescentar a esta conversa?
ZV: Não. Só para agradecer à ONU News. Foi um prazer para mim. Espero que tenha sido a primeira vez, mas não última vez que vamos conversar. Então, muito obrigada.
Cinco anos depois da adoção do Acordo de Paris para limitar o aquecimento global, as Nações Unidas apelaram aos países que avancem com novos compromissos, mais ambiciosos, para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e que tomem medidas concretas para prevenir o aquecimento do planeta.
As Nações Unidas, o Reino Unido e França presidem, este sábado, 12 de dezembro, à Cimeira de Ambição Climática num esforço de obter novos e efetivos compromissos a menos de um ano da realização da COP26, que terá lugar, em Glasgow, em novembro de 2021.
A Cimeira acontece numa altura em que a União Europeia, o Reino Unido e mais de 100 países se comprometeram a serem neutros em carbono até 2050. Os líderes europeus anunciaram já que o Velho Continente irá cortar as suas emissões de gases em pelo menos 55% até 2030.
Na véspera da Cimeira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que “sem uma ação climática urgente, encaminhar-nos-emos para uma catástrofe com a subida da temperatura entre 3 a 5 graus centígrados durante este século.”
António Guterres alerta que “sem uma ação climática urgente, encaminhar-nos-emos para uma catástrofe com a subida da temperatura entre 3 a 5 graus centígrados durante este século.”
De acordo com o Relatório de Emissões publicado esta semana pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), apesar das emissões de gases de efeito estufa terem caído devido à pandemia da covid-19, o mundo ainda está “a caminhar para um aumento catastrófico de temperatura acima de 3 graus Celsius durante século.” Este aumento de temperatura excede em muito as metas do Acordo de Paris de 2015, que pretende manter o aquecimento global abaixo de 2 graus Celsius.
No início deste mês, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), informou que 2020 será um dos anos mais quentes desde que há registo, bem como que 2011-2020 será a década mais quente de sempre.
Durante a Cimeira de Ambição Climática, que é organizada em parceria com o Chile e Itália, espera-se que os países anunciem novos compromissos na mitigação, adaptação e financiamento para as suas Contribuições Nacionalmente Determinadas.
Mais de um quarto dos 77 chefes de Estado e do governo que irão participar são europeus, incluindo Portugal.