Em entrevista, presidente de Portugal destaca mudança climática, migração e poder da juventude
Para Guiné-Bissau, Declaração Universal da Saúde ajuda a reduzir desigualdades
As Nações Unidas adotaram esta terça-feira a Declaração Universal da Saúde, que prevê meios para garantir que ninguém sofra dificuldades financeiras no mundo para pagar por assistência de saúde.
A Guiné-Bissau expressou apoio ao documento, que foi adotado em Nova Iorque na reunião de alto nível sobre o tema.
Prosperidade
A ministra guineense da Saúde, Magda Robalo, disse à ONU News que a nova medida é um passo importante para fazer chegar a saúde para todos, reduzir as desigualdades nesse setor e promover a prosperidade.
“Eu penso que o dia de hoje representa um passo gigante para nós atingirmos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, nomeadamente o objetivo 3, porque existe uma coalizão mundial de parceiros que está de acordo que a única maneira para nós termos um mundo justo, próspero e melhor saúde é de fato ter uma cobertura para todos e que seja baseada nos cuidados primários de saúde, para que ninguém seja deixado para trás.”
O novo documento prevê intervenções de saúde de alto impacto para combater doenças e proteger a saúde das mulheres e crianças. Para que esse propósito seja alcançado, Magda Robalo disse que é preciso aumentar os investimentos.
“Se nós queremos, de facto, fornecer cuidados de saúde de qualidade para toda a população, nós temos que fazer mais esforços em termos financeiros. O financiamento doméstico é o único que nos vai assegurar sustentabilidade. Nós já sabemos que sim, o apoio de parceiros é importante, mas para ser durável, para ser resiliente para que possa servir a popular. Mas que possa ser um engajamento do governo, para que se possa atingir os objetivos.”
Infraestrutura
A declaração destaca que os países devem reforçar a força de trabalho e a infraestrutura do setor, além de sua capacidade de governação. Os progressos sobre o compromisso devem ser apresentados em 2023 na Assembleia Geral da ONU.
A declaração também prevê duplicar a cobertura de saúde até 2030, permitindo que 5 bilhões de pessoas tenham acesso aos serviços de saúde.
A ministra enumerou os pontos da nova declaração que a Guiné-Bissau pode implementar, destacando a necessidade de engajamento entre diferentes setores.
A representante afirmou que os cuidados de saúde para mulheres e crianças menores de cinco anos já são grátis na Guiné-Bissau. Para ela, a declaração é “um passo enorme para proteger as camadas mais vulneráveis” que precisam deste apoio.
Cobertura
“Nós já estamos a dar alguns passos para a cobertura sanitária universal. O programa do novo governo da 10ª legislatura inclui no eixo 4 o desenvolvimento do capital humano, um acento forte, um foco muito importante no capital para além de que nós estamos a pensar em introduzir o financiamento de cuidados de saúde através dos seguros de saúde. Por isso existe todo um plano para nós marcharmos, e trabalharmos com vista a cobertura universal da saúde na Guiné-Bissau.”
Pelo menos 84 crianças morrem por cada mil nados vivos em território guineense, um índice considerado uns dos maiores de África e do mundo.
Portugal diz que vai reduzir pela metade emissões de CO2 até 2030
Encontro de Cúpula sobre Ação Climática reúne mais de 80 líderes internacionais
Esta segunda-feira, 23 de setembro, mais de 80 de líderes de governo, do setor privado e da sociedade civil anunciam seus compromissos para parar a mudança climática.
As promessas serão feitas em Nova Iorque, durante o Encontro de Cúpula para a Ação Climática, que foi convocado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.
Agenda
O evento começa com um diálogo entre o chefe das Nações Unidas e um grupo de jovens. Seguem-se depois 12 painéis, de 10 a 15 minutos, em que os lideres farão os seus anúncios
Dentre os países lusófonos, apenas participa o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, que irá anunciar os compromissos do país durante uma sessão dedicada à construção de um futuro resiliente.
O primeiro painel será dedicado a um mundo com neutralidade de carbono, seguem-se sessões sobre energias limpas, desenvolvimento dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, Sids, ou ação centrada nas pessoas.
Participantes
Participam mais de 60 de chefes de Estado e de Governo, como a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson.
Também anunciarão suas promessas chefes de organizações internacionais, como o presidente do Banco Mundial, David R. Malpass, do Conselho da União Europeia, Donald Tusk, ou do Banco de Desenvolvimento Africano, Akinwumi Adesina,
Emissões globais de dióxido de carbono estão atingindo níveis recordes e continuam aumentando
Do mundo empresarial, vêm os diretores-executivos das multinacionais Danone, Emmanuel Faber, Allianz, Oliver Baete, ou Iberdrola, Jose Ignacio Sanchez Galan. Por fim, da sociedade civil, discursará o presidente da Fundação Melinda e Bill Gates, Bill Gates, e a diretora executiva da Fundação Fundo de Investimento para Crianças, Kate Hampton.
Emergência
Segundo as Nações Unidas, as emissões globais de dióxido de carbono estão atingindo níveis recordes e continuam aumentando. O impacto da mudança climática já pode ser visto através da poluição do ar, ondas de calor e riscos para a segurança alimentar.
A ONU afirma que “os impactos estão sendo sentidos em todos os lugares e estão tendo consequências muito reais na vida das pessoas.” Apesar disso, a organização diz que “há um reconhecimento crescente de que existem soluções que permitem avançar para economias mais limpas e mais resilientes.”
Soluções
A análise mais recente mostra que, atuando nesse momento, se pode manter o aumento da temperatura média global abaixo de 1,5° C face aos níveis pré-industriais. Para isso, é necessária uma redução de 45% das emissões de gases de efeito estufa até 2030 e atingir a neutralidade de carbono até 2050.
O secretário-geral tem feito três pedidos para alcançar esses objetivos: transferir impostos das pessoas para a poluição, eliminar subsidies a combustíveis fosseis e, por fim, parar com a construção de novas centrais de energia a carvão até 2020.
Em entrevista na semana passada, António Guterres disse que espera “o tipo de ação necessária para cumprir as metas que a comunidade internacional de cientistas diz ser precisa para acabar com a mudança climática.”
O encontro foi precedido pela Cúpula da Juventude sobre o Clima, no sábado, quando jovens líderes apresentaram suas propostas e soluções.
Novos dados
No domingo, um grupo de sete organizações climáticas lançaram um relatório conjunto com o tema “Unidos pela Ciência”.
Últimos cinco anos foram os mais quentes alguma vez registrados
A pesquisa confirma que os últimos cinco anos foram os mais quentes alguma vez registrados. Desde que há registros, a perda de glaciares nunca foi tão grande como a que aconteceu entre 2015 e 2019. O nível do mar subiu 4 milímetros por ano no período entre 1997 e 2016, quando comparado com um aumento de 3,04 milímetros na década anterior. O nível de acidez dos oceanos, que provoca a morte dos corais, aumentou 26% desde o início da era industrial, em meados do século 18.
A pesquisa afirma que existe “um fosso flagrante, e crescente, entre as metas acordadas para resolver a mudança climática e a realidade.”
Segundo o relatório, “há uma necessidade urgente de transformação socioeconômica em setores-chave como uso dos solos e energia para evitar um aumento perigoso da temperatura com efeitos, potencialmente, irreversíveis.”
Guterres diz que cooperação entre Portugal e as Nações Unidas é “exemplar”
Iniciativa da ONU dobra número de refugiados matriculados no Brasil
No Brasil, o número de refugiados e solicitantes de refúgio matriculados em universidades que integram a Cátedra Sérgio Vieira de Mello, Csvm, dobrou em 2019, na comparação com o ano anterior.
A Agência de Refugiados da ONU, Acnur, destaca que 11 universidades brasileiras facilitavam o ingresso de refugiados em 2018. Esse ano, o número passou para 13.
O representante do Acnur no Brasil, Jose Egas, destacou que “possibilitar o acesso de refugiados ao ensino superior é um mecanismo fundamental de assegurar seus conhecimentos e os integrar à sociedade.”
Para Egas, “o ensino superior transforma os alunos em profissionais qualificados que contribuem para o desenvolvimento das cidades brasileiras e do país.”
Trabalho
No âmbito da extensão universitária, 19 instituições promovem serviços de proteção e integração de refugiados e solicitantes de refúgio no Brasil. Desse total, 14 universidades fornecem o serviço de assessoria jurídica em seus projetos de extensão, que, em 2019, contabilizou cerca de 860 atendimentos.
Em relação aos serviços de integração laboral, 11 instituições de ensino superior realizaram 760 atendimentos no período, e 18 instituições ofereceram cursos de português, atendendo cerca de 1,4 mil de refugiados, solicitantes de asilo e migrantes.
Cooperação
Desde 2003, o Acnur atua com a Cátedra Sérgio Vieira de Mello, em cooperação com centros universitários nacionais e com o Comitê Nacional para Refugiados, Conare.
Neste acordo de cooperação com as universidades interessadas, a agência estabelece um termo de referência com objetivos, responsabilidades e critérios para adesão à iniciativa dentro das três linhas de ação, que são educação, pesquisa e extensão.
Formação Acadêmica
Além de difundir o ensino universitário sobre temas relacionados ao refúgio, a Cátedra também visa promover a formação acadêmica e a capacitação de professores e estudantes dentro desta temática.
O trabalho direto com os refugiados em projetos de extensão também é definido como prioridade.
Já no eixo da pesquisa acadêmica, 40 grupos de pesquisa sobre o refúgio e temas relacionados estão atuantes em 18 instituições de ensino superior conveniadas à Csvm, promovendo debates e pesquisas sobre a temática. O Acnur aponta que um dos resultados desses grupos é a publicação “Perfil Socioeconômico dos Refugiados no Brasil”.
Universidades
Veja abaixo as 22 universidades que integram a Cátedra Sérgio Vieira de Mello, do Acnur.
- Fundação Casa de Ruy Barbosa – Fcrb
- Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC-Minas
- Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio
- Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP
- Universidade Católica de Santos Unisantos – Unisantos
- Universidade de Brasília – UnB
- Universidade de Campinas – Unicamp
- Universidade de Vila Velha – UVV
- Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos
- Universidade Estadual da Paraíba – Uepb
- Universidade Estadual do Rio de Janeiro – Uerj
- Universidade Federal da Grande Dourados – Ufgd
- Universidade Federal de Santa Catarina – Ufsc
- Universidade Federal de Santa Maria – Ufsm
- Universidade Federal de São Carlos – Ufscar
- Universidade Federal do ABC – Ufabc
- Universidade Federal do Espírito Santo – Ufes
- Universidade Federal de São Paulo – Unifesp
- Universidade Federal do Paraná – Ufpr
- Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Ufrgs
- Universidade Federal de Roraima – Ufrr
- Universidade Federal Fluminense – UFF
FAO e OIM entregam recursos a milhares de afetados pelo ciclone Idai em Moçambique
Famílias afetadas pelo ciclone Idai em Moçambique receberam sementes e ferramentas agrícolas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, e da Organização Internacional para as Migrações, OIM.
Cerca de 11 mil famílias devem ser beneficiadas pela distribuição que acontece em áreas onde as populações são mais vulneráveis e o governo concedeu lotes de terra para fazer hortas.
Famílias
Domingas Timóteo, vivenciou os danos do ciclone mais forte que passou pelo país em décadas. Em março, ela não perdeu pessoas próximas mas como tudo foi levado pelo vento e pela água. Agora, a expectativa é recomeçar a vida e alimentar a família.
“Vou fazer a minha horta. Recebemos algumas sementes de couve, alface e cebola. Tenho uma filha por alimentar e com os meus irmãos são cinco.”
Já Feliciano, sapateiro de profissão, também vai usar as sementes para alimentar os parentes.
“Nós vamos plantar, embora que sou sapateiro, não posso ter garantia do rendimento da sapataria, vamos fazer as hortas para garantir o sustento.”
Segurança
As sessões de distribuição de insumos agrícolas decorrem nas províncias de Manica e Sofala. O “kit” é composto por sementes de tomate, cebola, repolho, quiabo e couve e ainda enxadas, catanas e regadores.
A colheita destas culturas, que podem ser efetuadas a partir de 90 dias após o plantio, vai contribuir para a segurança alimentar e nutrição das famílias e comunidades.
Manuel Augusto, de 67 anos, elogia o trabalho dos parceiros e das autoridades como parte do reassentamento das vítimas da tempestade.
“Para nós que estamos cá, estamos a ver que o sítio que fomos atribuídos pelo governo e estamos bem. Lá cada indivíduo vivia de qualquer maneira, cercado do rio. Aqui não enche água aqui ou ali. Estamos bem.”
Distribuição
Após a distribuição das sementes, os técnicos dos Serviços Distritais de Atividades Económicas da FAO prestam assistência técnica aos produtores.
A prioridade é para a distribuição em famílias que sofreram danos nas colheitas, perderam alimentos e ficaram sem reservas de sementes, assim como as famílias chefiadas por mulheres, idosos e outros grupos desfavorecidos.
De Maputo para ONU News, Ouri Pota
Equipa de Futsal do Estoril apoia a campanha Act Now da ONU
A equipa de Futsal do Estoril associa-se às Nações Unidas tornando-se embaixadora da campanha mundial contra as alterações climáticas #AgeAgora!
Ao longo da época, o plantel vai usar o slogan “Act Now” nas suas camisolas oficiais.
A iniciativa fez com que a equipa portuguesa se tornasse no primeiro clube do mundo a aderir à Agenda 2030 da ONU e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
A ação conta com o apoio da Junta de Freguesia de Alcabideche que está comprometida a promover diversas ações e sessões de esclarecimento sobre o combate às alterações climáticas.
Dia Internacional da Linguagem Gestual
A linguagem gestual é um meio crucial para um indivíduo se expressar, se relacionar com os outros e participar em todos os aspetos da esfera económica, social, cultural e política. A sua utilização é também fundamental para garantir o acesso à informação e aos serviços, inclusive em situações de emergência, e para assegurar os direitos humanos de mais de 70 milhões de surdos em todo o mundo. A introdução precoce a uma educação inclusiva da linguagem gestual é essencial para a sua participação plena e efetiva, conforme estabelecido pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
Este Dia Internacional reconhece a importância da linguagem gestual para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a sua promessa fundamental de não deixar ninguém para trás.
Este Dia também oferece a oportunidade de apoiar e proteger a identidade linguística e a diversidade cultural de todos aqueles que utilizam a linguagem gestual. Com a adoção, no início deste ano, da Estratégia de Inclusão da ONU de Pessoas com Deficiência, as Nações Unidas estabeleceram uma base para mudanças sustentáveis e transformadoras no que diz respeito à inclusão destas pessoas.
Vamos liderar pelo exemplo. Neste Dia Internacional da Linguagem Gestual reafirmamos o nosso compromisso de promover os direitos dos surdos em todo o mundo.
Dia Internacional da Paz
A paz está no centro de todo o nosso trabalho nas Nações Unidas. Sabemos que a paz é muito mais do que um mundo livre de guerra.
A paz é sinónimo de sociedades resilientes e estáveis, onde todos podem prosperar e desfrutar das suas liberdades fundamentais em vez de terem de lutar pelas suas necessidades básicas.
Hoje, a paz enfrenta um novo perigo: a emergência das alterações climáticas, que ameaça a nossa segurança, os nossos meios de subsistência e as nossas vidas. Por isso, este ano dedicamos o Dia Internacional da Paz à consciencialização climática. Por isso, também convoquei a Cimeira da Ação Climática.
Esta é uma crise global. Apenas unidos podemos tornar o nosso planeta, o nosso único lar, num lugar pacífico, próspero e seguro para as gerações presentes e futuras.
Neste Dia Internacional da Paz encorajo todos a tomarem medidas climáticas concretas e a exigirem mais dos vossos líderes. Esta é uma corrida que podemos e devemos vencer.
Banco Mundial apoia conferência sobre o futuro das cidades
A Plataforma Global para Cidades Sustentáveis, Gpsc, liderada pelo Banco Mundial, a Prefeitura de São Paulo e o Programa Cidades Sustentáveis realizam nesta semana a conferência Catalisando Futuros Urbanos Sustentáveis. O evento será realizado em São Paulo e reunirá prefeitos, gestores municipais e especialistas em cidades de todo o Brasil e exterior.
O objetivo é discutir os desafios trazidos pela rápida urbanização em todo o mundo. Entre eles, estão as mudanças climáticas, que aumentam os riscos de desastres, especialmente para os pobres e vulneráveis.
Soluções
Outra meta do encontro é abrir espaço para o compartilhamento de soluções. Na quarta-feira, uma mesa-redonda reunirá prefeitos de vários locais do mundo.
O diretor da prática global de Desenvolvimento Urbano do Banco Mundial, Sameh Wahba, é um dos que participarão do debate. O egípcio pretende focar nas oportunidades que a conferência pode trazer.
“Estamos ansiosos para trabalhar com nossos parceiros no Brasil e no mundo inteiro para vincular o conhecimento ao investimento na construção das cidades de baixo carbono, cidades resilientes e sustentáveis. O Banco está trabalhando com várias cidades no Brasil para transformar essas cidades em cidades sustentáveis, como as cidades de Fortaleza, de Porto Alegre… O Banco está trabalhando com as cidades nas questões de renovação urbana, na melhoria dos ativos ambientais e melhorar a competitividade das cidades.”
Planejamento e Gestão
Na conferência, nove sessões temáticas discutirão tópicos centrais do planejamento e gestão das cidades, incluindo biodiversidade, financiamento do desenvolvimento urbano sustentável, desigualdades de gênero e raça, geração de oportunidades, trabalho e renda. Também terão como foco dados geoespaciais, inclusão e habitação a preços acessíveis, participação social, desenvolvimento orientado para o trânsito e regeneração urbana.
Esses temas estão alinhados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs das Nações Unidas para 2030 e aos três pilares de conhecimento do Gpsc, que são sustentabilidade, planejamento na gestão urbana integrada e finanças municipais.
A estimativa é de que 800 pessoas participem do evento. Entre elas, estão líderes urbanos, servidores públicos, profissionais do urbanismo, pesquisadores acadêmicos, jornalistas, especialistas de instituições financeiras, organizações internacionais, ONU, líderes do setor privado e organizações da sociedade civil.
*Reportagem: Mariana Ceratti, do Banco Mundial
Os cinco grandes encontros da Assembleia Geral da ONU
Paralelamente aos discursos habituais dos chefes de Estado, cinco importantes cúpulas e reuniões de alto nível ocorrerão durante a 74º Assembleia Geral da ONU. Elas abordarão muitas das principais questões que o mundo de hoje enfrenta.
A ONU News preparou uma lista com algumas das principais informações destes eventos.
1 – Ação Climática
O chefe da ONU, António Guterres, fez da luta contra a crise climática uma de suas principais prioridades. Ao convocar o Encontro de Cúpula de Ação Climática, que ocorrerá no dia 23 de setembro, Guterres pretende aumentar a ambição e manter os países nos compromissos internacionais que assumiram para reduzir o aquecimento global, como parte do Acordo de Paris de 2015.
A Cúpula reunirá governos, setor privado, sociedade civil, autoridades locais e outras organizações internacionais para desenvolver soluções ambiciosas em seis áreas:
- Transição global para energia renovável;
- Infraestruturas e cidades sustentáveis e resilientes;
- Agricultura sustentável;
- Manejo de florestas e oceanos;
- Resiliência e adaptação aos impactos climáticos;
- Alinhamento de finanças públicas e privadas com uma economia neutra de carbono.
O secretário-geral desafiou os líderes a chegar à cúpula com planos concretos, em vez de grandes discursos. Guterres espera que o evento demonstre movimentos maciços na economia para se afastar dos combustíveis fósseis, e em direção a fontes de energia limpas e renováveis.
O chefe da ONU disse que espera “ouvir sobre como iremos parar o aumento de emissões até 2020 e reduzir drasticamente as emissões para atingir as emissões líquidas igual a zero até o meio do século.”
Em reconhecimento à maneira como os jovens estão forçando a ação climática na agenda internacional, uma Cúpula do Clima da Juventude acontecerá no dia 21 de setembro. O evento será uma plataforma para jovens ativistas, inovadores e empreendedores, que estão impulsionando a ação climática.
Será uma oportunidade para que eles possam mostrar suas soluções na sede da ONU e conhecer os responsáveis pelas decisões internacionais.
2 – Tornando a cobertura universal de saúde uma realidade
No mesmo dia do Encontro de Cúpula de Ação Climática, a ONU sediará a primeira Reunião de Alto Nível sobre Cobertura Universal de Saúde. Com o slogan “Movendo-se juntos para construir um mundo mais saudável”, para a ONU, esta será a reunião política mais significativa já realizada sobre a cobertura universal de saúde.
De acordo com as Nações Unidas, pelo menos metade da população mundial não tem acesso aos serviços essenciais de saúde de que precisam. Custos de saúde levam quase 100 milhões de pessoas à pobreza extrema a cada ano.
Por isso, a ONU considerada a reunião a melhor oportunidade para garantir o compromisso político dos chefes de Estado e de Governo de priorizar e investir na cobertura universal de saúde e garantir saúde para todos.
Todos os países se comprometeram a tentar alcançar a cobertura universal de saúde até 2030. Esta inclui proteção contra riscos financeiros, serviços de saúde de alta qualidade e acesso a medicamentos e vacinas essenciais, seguros, eficazes, de qualidade e com custos acessíveis.
3 – Atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que é o projeto mais ambicioso que já existiu para transformar o nosso mundo, aumentar a prosperidade e garantir o bem-estar de todos, enquanto protege o meio ambiente, é dividida em 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os ODSs.
Entre os compromissos estão:
- Acabar com a pobreza e a fome; expandir o acesso à saúde, educação, justiça e emprego;
- Promover crescimento econômico inclusivo e sustentado;
- Proteger o planeta da degradação ambiental e atenuar a crise climática.
Nos dias 24 e 25 de setembro, o Encontro de Cúpula dos ODSs será o primeiro a ser realizado desde que a Agenda foi adotada em 2015. Para as Nações Unidas, o evento será uma chance de acelerar o progresso dos 17 Objetivos e suas metas.
A ONU registrou progresso nos últimos quatro anos, mas alerta que conflitos, mudanças climáticas, falta de acesso a serviços essenciais de saúde, desigualdades crescentes e disparidades significativas de financiamento limitaram o impacto dos esforços globais. Os que foram deixados para trás continuam a sofrer mais, incluindo aqueles nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, Sids, nos Países Menos Desenvolvidos, PMDs, e nos países em desenvolvimento sem litoral.
4 – Financiamento para o desenvolvimento
Nenhuma das metas dos ODSs pode ser alcançada sem dinheiro vivo, mas segundo a ONU obter financiamento suficiente é um grande desafio. Riscos crescentes de dívida e medidas restritivas ao comércio significam que os investimentos críticos para a Agenda 2030 permanecem subfinanciados.
O Diálogo de Alto Nível sobre Financiamento para o Desenvolvimento, que ocorrerá no dia 26 de setembro, reunirá líderes do governo, empresas e setor financeiro, em uma tentativa de desbloquear os recursos e parcerias necessários e acelerar o progresso.
A estimativa é de que sejam necessários investimentos anuais de US$ 5 a US$ 7 trilhões em todos os setores para alcançar os ODSs. O secretário-geral da ONU está pedindo um ambiente que permita investimentos de longo prazo no desenvolvimento sustentável, para promover a saúde e o bem-estar das pessoas e do planeta.
5 Apoio aos pequenos Estados insulares em desenvolvimento
A última das cinco cúpulas é a Revisão Intercalar de Alto Nível do Caminho de SAMOA, que ocorre cinco anos após o alcance de um acordo ambicioso para apoiar o desenvolvimento sustentável em pequenos estados insulares em desenvolvimento.
Esses países estão entre os mais vulneráveis do mundo, enfrentando um conjunto único de questões relacionadas ao seu pequeno tamanho, isolamento, exposição a choques econômicos externos e desafios ambientais globais, incluindo os impactos das mudanças climáticas.
A revisão discutirá os progressos alcançados no combate ao impacto devastador das mudanças climáticas, na construção de resiliência econômica e ambiental e outros desafios. Essas questões também serão destacadas nas outras quatro cúpulas que ocorrem na mesma semana.
Os governos, o setor privado, a sociedade civil, a academia e uma ampla gama de outras partes interessadas serão incentivados a lançar novas parcerias que promovam a implementação de áreas prioritárias do Caminho de Samoa e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em pequenos estados insulares em desenvolvimento.
Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozono
Na próxima semana, o mundo vai reunir-se na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, para a Cimeira da Ação Climática, que tem como objetivo impulsionar um grande avanço na resposta às alterações climáticas. Outro ano de ondas de calor, tempestades e perturbações climáticas diz-nos que não temos escolha a não ser agir agora antes que seja tarde demais.
À medida que nos preparamos para esta reunião crucial, devemos lembrar-nos que o Protocolo de Montreal é tanto um exemplo inspirador de como a humanidade é capaz de cooperar para enfrentar um desafio global, como um instrumento essencial para enfrentar a atual crise climática.
Com base neste tratado internacional, há 32 anos que as nações trabalham para reduzir o uso de produtos químicos que destroem a camada de ozono, amplamente utilizados pela indústria de refrigeração. Como resultado, a camada de ozono que nos protege da radiação ultravioleta do sol está a recuperar.
O Protocolo de Montreal pode oferecer um resultado igualmente significativo sobre as alterações climáticas através da Emenda Kigali, que atua sobre os hidrofluorocarbonetos (HFCs), gases potentes de aquecimento global ainda usados em sistemas de refrigeração. Eliminá-los pode reduzir o aquecimento global até 0,4 ° C, ainda durante este século. À medida que a indústria desenvolve as ferramentas para substituir os HFCs, é essencial aumentar a eficiência energética para reduzir ainda mais o impacto dos hidrofluorocarbonetos no clima.
O Protocolo de Montreal foi um sucesso graças ao apoio global unânime. Congratulo as 81 nações que ratificaram a Emenda Kigali e incentivo todas as outras a seguirem o exemplo.
À medida que nos concentramos no combate às alterações climáticas, devemos ter o cuidado de não negligenciar a camada de ozono e permanecer alerta face à ameaça do uso ilegal de gases que enfraquecem a camada de ozono. A recente deteção de emissões de um desses gases, o CFC-11, lembra-nos que precisamos de sistemas de monitorização e relatórios contínuos, bem como de uma regulamentação eficaz.
A implementação da Emenda Kigali será o centro da ação climática. Precisamos que todos os países desenvolvam Planos Nacionais de Ação de Refrigeração de forma a alcançar uma refrigeração eficiente e sustentável e a trazer serviços essenciais de preservação da vida, como vacinas e alimentos seguros para todas as pessoas.
Estamos a pedir à indústria ações concretas e reforçadas. A liderança das empresas líderes mundiais é essencial para transformar a visão em realidade.
Uma camada de ozono e um clima saudáveis são essenciais para cumprir todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O Protocolo de Montreal continua a proteger as pessoas e o planeta. Que este Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozono seja uma inspiração para uma maior ambição no arrefecimento, na Cimeira de Ação Climática e mais além.
Em Dia Internacional da Democracia, Guterres diz que “confiança é baixa e a ansiedade é alta”
O secretário-geral, António Guterres, disse que o mundo vive “um período em que a confiança é baixa e a ansiedade é alta.”
Em mensagem de vídeo sobre o Dia Internacional da Democracia, marcado este domingo, o chefe da ONU afirmou que “as pessoas estão frustradas com as crescentes desigualdades e abaladas por mudanças radicais da globalização e da tecnologia.”
Apelo
Segundo Guterres, as pessoas também “veem conflitos que não são resolvidos, uma emergência climática sem resposta, injustiças não abordadas e o espaço cívico reduzido.”
O secretário-geral usou a data para pedir a todos os governos que respeitem “o direito à participação ativa, substantiva e significativa.” Ele também saudou todas as pessoas que “se esforçam incansavelmente para fazer que assim aconteça.”
Para Guterres, “a democracia tem a ver com pessoas”. Ela “é construída com base na inclusão, na igualdade de tratamento e na participação” e “é um alicerce fundamental para a paz, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos.”
O secretário-geral diz que “esses valores e aspirações não podem ser considerados como medidas simbólicas ou para fazer discursos.” Segundo ele, “devem ser reais na vida das pessoas.”
Participação
O tema do Dia Internacional da Democracia desse ano é participação e uma oportunidade para lembrar que a democracia é sobre pessoas.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que “a vontade do povo será a base da autoridade do governo”. Este artigo inspirou a constituição de países em todo o mundo e contribuiu para a aceitação global dos valores e princípios democráticos.
Segundo a ONU, a “verdadeira democracia é um caminho de dois sentidos, construída sobre um diálogo constante entre a sociedade civil e a classe política.” A organização diz que “esse diálogo deve ter influência real nas decisões políticas.”
Apesar disso, a organização afirma que é cada vez mais difícil atuar como ativista, defensores de direitos humanos e parlamentares estão sob ataque, mulheres permanecem muito sub-representadas e jornalistas sofrem interferências e, em alguns casos, violência.
A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável inclui a democracia no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16, que reconhece os vínculos indivisíveis entre sociedades pacíficas e instituições efetivas, responsáveis e inclusivas.
Seis meses após ciclone Idai, Moçambique precisa de mais US$ 398 milhões para apoiar afetados por crises
Na noite de 14 para 15 de março, Moçambique foi assolado pelo ciclone Idai que matou mais de 600 pessoas, provocou mais de 1.641 feridos e causou danos de cerca de US$ 773 milhões.
Seis meses depois, pretendem mais US$ 398 milhões para apoiar a população afetada pelo ciclone mais forte ocorrido no oeste de África em 20 anos e também do ciclone Kenneth que passou pelo país seis semanas depois.
Insegurança Alimentar
As necessidades agravadas por secas e inundações consecutivas podem prejudicar a colheita de março de 2020. Cerca de 2 milhões de pessoas podem enfrentar graves níveis de insegurança alimentar.
As Nações Unidas e os parceiros humanitários, em apoio ao Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, Ingc, querem atender às necessidades dos afetados pelas crises climáticas do último ano, incluindo os dois ciclones, secas e inundações.
Um Plano revisto de Resposta Humanitária, HRP, para Moçambique foi apresentado em Maputo pela coordenadora Humanitária para Moçambique, Myrta Kaulard, que apelou ao envolvimento de todos.
Colheita
A representante destacou que apesar de progressos notáveis na resposta aos ciclones, ainda existem áreas em que o acesso a água potável e assistência médica continua sendo um desafio. Afirmou ainda que também são necessários reparos urgentes em casas e escolas.
Com apenas 42% do apelo inicial financiado, até 2 milhões de pessoas podem enfrentar graves níveis de insegurança alimentar entre este setembro e a próxima colheita prevista para março de 2020.
Nas áreas afetadas pelos ciclones Idai e Kenneth, mais de 80% da população é dependente da agricultura como fonte primária de renda. Muitas pessoas perderam colheitas, terras e sementes de plantio.
Apoio
Às vésperas da Cúpula do Clima em Nova Iorque, Myrta Kaulard, exortou a comunidade internacional a apoiar o povo de Moçambique.
A representante enfatizou que mulheres e crianças, especialmente as que vivem nos locais de reassentamento, precisam percorrer longas distâncias para buscar água, recolher madeira para cozinha e procurar serviços de saúde.
O Plano de Resposta Humanitária para Moçambique abrange o período até maio de 2020.
De Maputo para ONU News, Ouri Pota









