Mais de mil migrantes já morreram atravessando o Mediterrâneo em 2019
Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares
As armas nucleares representam uma ameaça única e potencialmente existencial para o nosso planeta. Qualquer uso de armas nucleares resultaria numa catástrofe humanitária.
Muito progresso tem sido feito para reduzir os seus perigos, mas hoje temo não apenas que se tenha interrompido esse progresso, mas também que ele avance em sentido contrário.
As relações entre Estados com armas nucleares estão repletas de desconfiança. Está a propagar-se uma retórica perigosa sobre a utilidade das armas nucleares. Está em marcha uma corrida qualitativa ao armamento nuclear. O regime de controlo de armas, tão minuciosamente construído, está a ser erodido. As divisões acerca do ritmo e escala do desarmamento estão a aumentar. Receio que estejamos a voltar aos maus hábitos que irão colocar de novo o mundo inteiro refém da ameaça da aniquilação nuclear.
Com a expiração, no mês passado, do histórico Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio – ou INF, o mundo perdeu um travão indispensável na guerra nuclear.
Encorajo vivamente os Estados Unidos e a Federação Russa a estender o chamado acordo “Novo Começo” para garantir estabilidade e tempo para negociar medidas futuras de controlo de armas.
Repito também o meu apelo a todos as Partes para que trabalhem juntos para que a Revisão 2020 do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares seja bem-sucedida.
O Tratado de Não Proliferação continua a ser a pedra angular do regime de desarmamento nuclear e da não proliferação. O Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares representa as preocupações de muitos Estados sobre a crescente ameaça das armas nucleares. E o Tratado de Interdição Completa de Ensaios Nucleares continua a ser uma medida tardia.
Mais uma vez apelo a todos os Estados para que cumpram inteiramente os seus compromissos. Apelo também aos Estados que possuem armas nucleares para que participem no diálogo urgente e necessário para impedir o uso de armas nucleares e que cheguem a um acordo em relação a medidas práticas de curto prazo para o desarmamento nuclear.
As armas nucleares representam um perigo inaceitável para a humanidade. A única maneira real de eliminar a ameaça das armas nucleares é eliminar as armas nucleares.
ONU pede a manifestantes e autoridades para que se abstenham de violência no Haiti
Segundo agências de notícias, profunda crise econômica levou milhares de pessoas às ruas; porta-voz do secretário-geral afirmou que o povo é que “está sofrendo o impacto desta crise”.
INFORMATION MANAGEMENT OFFICER
Level : P-4
Job ID : 122077
Job Network : Information and Telecommunication Technology
Job Family : Information Management Systems and Technology
Department/Office : United Nations Environment Programme
Duty Station : MONTREAL
Staffing Exercise : N/A
Posted Date : 10/1/2019
Deadline : 10/30/2019
África terá a maioria dos falantes do português ainda neste século, diz ministro
Mais de oito em cada 10 pessoas que falam português são brasileiros. Com cerca de 210 milhões de habitantes, o Brasil tornou-se a maior das oito nações que têm o idioma como língua oficial em todo o globo.
De acordo com o Instituto Internacional de Língua Portuguesa, Iilp, existem cerca de 7 milhões de cidadãos lusófonos que vivem fora de seus países de origem. Mas estes números tendem a mudar ainda neste século, segundo previsões demográficas e estudos do Instituto Camões sobre o crescimento do português.
Plasticidade
Nesta entrevista à ONU News, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse que está otimista com a expansão da língua no mundo.
“Quando olho para os números e pros mapas, o que eu vejo é isto: há, neste momento, mais de 250 milhões de falantes do português como língua materna ou língua segunda. Quatro quintos dos quais são brasileiros. E quando olho para o futuro, ao longo deste século, o que vai acontecer? O número de falantes vai chegar a 500 milhões e a maioria vai passar a ser africanos. Está a ver a plasticidade desta língua? Começou por ser europeia, a língua de Camões. Depois passou a ser brasileira. A língua portuguesa hoje é, sobretudo, uma língua brasileira. É a língua do Chico Buarque ou da Clarice Lispector. E ao longo deste século vai passar a ser uma língua africana. Uma língua de angolanos, moçambicanos, a língua de Mia Couto, a língua do Luandino Vieira ou do Pepetela. É uma língua extremamente dinâmica.
Aliás, a Unesco diz que é uma das três línguas do mundo que mais vai crescer e que mais está a crescer. Isto dá-nos uma enorme responsabilidade.”
O ministro de Portugal afirmou ainda que o Brasil deve lançar um instituto para ensino do idioma, nos mesmos moldes do Instituto Camões.
“Felizmente, o Brasil acaba de anunciar que vai lançar o seu Instituto Camões, que chamem bem de Instituto Guimarães Rosa. Foi ao mesmo tempo um grande poeta e um grande diplomata brasileiro. Isto vai dar mais, digamos assim, mais artilharia, no sentido bom do termo, à promoção internacional da língua portuguesa. Mas deixe-me dizer-lhe isso com três exemplos simples para não me demorar. Primeiro, o sucesso que foi este ano, o início de aulas de português na Escola de Línguas das Nações Unidas com patrocínio luso-brasileiro. Segundo, o facto de este mês de outubro ser anunciada a primeira escola bilíngue em Londres em português e inglês. Terceiro, a informação que recebi hoje, mal acordei. Nós tínhamos feito, ano passado, um protocolo com a Universidade de Sevilha, em Espanha, houve agora as inscrições, havia 30 e passaram a 130.”
Diásporas Lusófonas
Falado em cinco países africanos, no Brasil, Portugal e Timor-Leste, o português tem ainda milhões de falantes em países como Estados Unidos, França e África do Sul, que concentram grandes diásporas lusófonas.
Segundo o Instituto Camões e o Instituto Português no Oriente, Ipor, o interesse pelo aprendizado do idioma na China, principalmente através da Região Administrativa Especial de Macau, tem aumentado.
O interesse do país asiático pela língua portuguesa está ligado ainda às relações comerciais da China com o Fórum Macau, uma plataforma de cooperação econômica com os países de língua portuguesa, que foi fundada em 2003.
Portugal exalta “dupla face” da migração e diz que manterá portas abertas
Ministro dos Negócios Estrangeiros do país fala de contribuição de estrangeiros para demografia, economia e segurança social; base de novo plano nacional é o Pacto Global para a Migração, adotado e promovido pelas Nações Unidas.
Entrevista a Mónica Ferro
Nome: Mónica Ferro
Profissão: Diretora do Escritório de Genebra do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA)
Naturalidade: Porto
Mónica Ferro é, desde abril de 2017, diretora do Escritório do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) em Genebra. Em Portugal, ocupou diversos cargos, tendo sido deputada, Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PSD e Coordenadora do Grupo Parlamentar Português sobre População e Desenvolvimento, assim como docente no ISCSP – Universidade de Lisboa e sócia-fundadora da ONG P&D, a associação portuguesa para a cooperação sobre População e Desenvolvimento. Publicou diversos artigos e contribuiu para livros e coletâneas em várias áreas, mas sempre dedicou especial atenção às questões dos direitos das mulheres e dos jovens. À ONU Portugal, fala sobre o seu percurso, a importância do trabalho desenvolvido pelo UNFPA e os desafios atuais da ONU.
- O que a levou a concorrer ao Sistema das Nações Unidas?
Duas coisas completamente distintas. Por um lado, por ter passado anos a estudar e a ensinar o Sistema das Nações Unidas, tinha uma grande vontade de perceber se tudo o que tinha estudado funcionava de igual maneira na prática. De facto, estudando tanto as Nações Unidas e o seu papel na vida das pessoas, sou muito otimista e tinha muita vontade de participar num sistema no qual acredito. Portanto, tinha uma certa curiosidade académica e uma visão positiva que queria comprovar.
A outra razão que me levou a candidatar foi ser o UNFPA e o mandato com que eu agora trabalho todos os dias. Acredito ser verdadeiramente transformador para a vida de mulheres, raparigas e jovens – no fundo para as sociedades – de todo o mundo.
- O lema do Fundo das Nações Unidas para a População é “Contribuir para um mundo onde todas as gravidezes são desejadas, todos os partos são seguros e o potencial de todos os jovens é atingido”. Em termos práticos, em que consiste o trabalho da UNFPA?
Essa é a nossa declaração universal, a nossa inspiração e mandato. Nós usamos esse lema porque traduz muitas das ações que o Fundo leva a cabo. O UNFPA foi criado em 1969 com um objetivo muito concreto: prestar apoio técnico aos países em tudo o que dissesse respeito a assuntos de população. Portanto, a nossa base inicial de atuação foram os estudos sobre as grandes tendências populacionais. À medida que fomos estudando as populações e que fomos fornecendo dados aos Estados para que pudessem planear os seus projetos de desenvolvimento, percebemos que nada faria sentido se não tivéssemos uma abordagem de direitos humanos. Assim, na Conferência de Cairo de 1994, operou-se uma revolução paradigmática: o UNFPA deixou de se centrar nos números humanos para se focar nos direitos humanos.
A nossa mensagem passou a ser muito centrada em “o que é que é preciso garantir às pessoas para que elas realizem os seus direitos humanos e para que os países possam apoiar o desenvolvimento dessas pessoas?”
Ou seja, o Fundo passa a preocupar-se com a sustentabilidade dos processos, com os direitos humanos. É, pois, no Cairo que se afirma o âmago da nossa agenda: o direito de cada pessoa e de cada casal de escolher se quer constituir uma família, o direito de escolher quando o quer fazer, quantos filhos quer ter e poder fazê-lo livre de qualquer pressão ou coação. E é esta a fundação do planeamento familiar voluntário.
Portanto, o que é que nós fazemos? Tudo o que tenha a ver com promoção da saúde das mulheres e saúde materna, com a remoção dos obstáculos aos direitos sexuais e reprodutivos, luta contra a violência com base no género e as práticas tradicionais nefastas, visando sempre a capacitação de mulheres e jovens. Procuramos remover os obstáculos, aumentar o acesso à informação, o empoderamento e o acesso aos serviços e cuidados de saúde sexual e reprodutiva. Tudo isto com uma forte aposta na geração, recolha e tratamento de dados sobre população.
Um exemplo deste nosso empenho na recolha de dados desagregados e no forte investimento que fazemos nesta área é o facto de, em 2020, muitos países irem realizar censos populacionais e nós prestaremos assistência técnica a alguns destes países. Um censo é de uma das mais complexas tarefas que um Estado leva a cabo e nós estamos lá para prestar apoio. Como pode ver, a agenda do UNFPA é muito complexa e está toda interligada.

- De facto, nos últimos anos, o tema da saúde sexual e reprodutiva das mulheres tem ganho mais importância e visibilidade. Qual é o ponto da situação deste tema ao nível europeu?
O acesso à saúde sexual e reprodutiva na maior parte dos países europeus não só está consagrado do ponto de vista legislativo, como faz parte dos cuidados primários de saúde. Por exemplo, em Portugal, os cuidados de saúde sexual e reprodutiva fazem parte do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Eu diria que no espaço europeu há uma grande consagração, quer a nível legislativo, quer a nível de acesso a estes direitos básicos. Há também um relativo consenso na narrativa de que estes direitos são fundamentais para o desenvolvimento das sociedades.
- Práticas nefastas como a Mutilação Genital Feminina (MGF) são alguns dos tópicos abordados pelo UNFPA. Portugal é considerado um país de boas práticas?
Essa é uma questão muito pertinente e é muito importante que a faça. Existe um mito de prevalência em relação às práticas tradicionais nefastas, como se elas fossem circunscritas a um contexto muito específico. E, de facto, a maior prevalência da MGF está bem documentada, mas também sabemos que, por existirem comunidades praticantes nas diásporas, a mesma tem lugar um pouco por todo o mundo.
Há uma grande condenação global à MGF e existe igualmente um programa global para a erradicação da MGF liderado pelo UNFPA e pela UNICEF. Este programa tem dado resultados muito positivos: temos conseguido apoiar comunidades em ações de sensibilização e educação, através de Declarações Públicas de Abandono da MGF, de criação de quadros legislativos específicos – criminalizando a prática, por exemplo, na criação de mecanismos de monitorização e de financiamento neste sentido… Há uma consciência muito maior do que havia, há uma prática consolidada de bons resultados, mas ainda há trabalho a fazer. Nós publicamos recentemente uma estimativa revista sobre o número de raparigas e mulheres em risco:
Até 2030, a estimativa é que 68 milhões de raparigas e adolescentes possam estar em risco de MGF – são 4,6 milhões todos os anos. E embora tenha sido uma revisão em alta, a verdade é que tal tem a ver com as tendências demográficas. Ou seja, muito já foi feito, mas ainda há tanto para fazer.
Portugal tem desenvolvido boas práticas nesta matéria. Portugal tipificou o crime – logo após a ratificação da Convenção de Istambul, tem levado a cabo estudos de prevalência em vez de trabalhar apenas com extrapolações, tem planos nacionais de combate à MGF, há um grande consenso nacional em torno desta luta, tem desenvolvido campanhas nacionais e trabalhado com as diásporas e tem-se envolvido na partilha de boas práticas a nível internacional. O apoio do parlamento e do governo a esta luta tem sido fundamental, quer através do Grupo Parlamentar sobre População e Desenvolvimento, da Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, de várias ONGs, da Embaixadora de Boa Vontade do UNFPA, Catarina Furtado. Ainda recentemente tive a P&D Factor em Genebra, num dos nossos seminários, partilhando as suas experiências e trabalho no terreno. É, por isto, um país com boas práticas no assumir que a MGF é uma violação dos direitos humanos.
- Nos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), infelizmente, ainda existe muita prevalência de MGF. De que forma contribui a UNFPA para contrariar estas práticas, por exemplo na Guiné-Bissau, onde houve uma clara diminuição da prática nos últimos anos?
O UNFPA tem representação em todos os PALOP, portanto são de facto países com os quais trabalhamos. O escritório na Guiné-Bissau tem feito um trabalho assinalável, quer com a comunidade política – alertando para a criação de legislação específica e para a criminalização da MGF – quer com a sociedade civil – através da difusão de informação e campanhas de sensibilização e esclarecimento. Porque em todos estes crimes há uma série de ideias pré-concebidas que prevalecem nas comunidades praticantes: de que há razões de saúde pública para o fazer; de que é bom para a saúde das mulheres; a ideia de que as mulheres e as raparigas só são consideradas preparadas para o casamento depois de serem submetidas à MGF.
Existem, portanto, uma série de mitos que têm que ser desfeitos. É preciso criar uma consciência pública de maneira a guiar as sociedades a fazer Declarações Públicas de Abandono (quando os diferentes tipos de líderes declaram que a sua comunidade vai abandonar a prática de MGF). O trabalho com os profissionais de saúde também é crucial. Concluindo, trabalhamos com toda a sociedade de maneira transversal para erradicar esta violação dos direitos.
- Quais são, na sua opinião, os grandes desafios que a ONU enfrenta no futuro? De que forma poderá a sociedade civil, nomeadamente os cidadãos, contribuir para esses mesmos desafios?
Vou-lhe responder da perspetiva que tenho aqui, já que o meu escritório tem uma visão global. Aqui em Genebra cobrimos a interação entre os Estados, as organizações internacionais, as agências e as sociedades civis, academia e comunicação social numa agenda global. Nós acompanhamos três grandes temas – saúde, direitos humanos e questões humanitárias.
Quando me perguntam quais os grandes desafios para as Nações Unidas nos próximos anos, vem-me imediatamente à cabeça a questão dos direitos e do empoderamento dos jovens e das mulheres, com tudo o que isso implica.
Não estamos a falar só da vertente legislativa, que em alguns países ainda encontra desafios, mas também da redução de obstáculos à capacitação das mulheres – como a violência contra as mulheres, acesso à saúde sexual e reprodutiva, participação política, etc.. Custa-me imenso dizer que, em 2018, ainda é este o primeiro obstáculo que me vem à cabeça. Depois diria que a outra preocupação tem a ver com o movimento de pessoas, sejam eles fluxos migratórios ou de refugiados. O importante é que independentemente do seu estatudo jurídico, elas são portadoras de um conjunto de direitos. Ligado a tudo isto, as alterações climáticas e o impacto que têm em todas as áreas de que estivemos a falar.
O que é que a sociedade civil pode fazer? Duas coisas: pode ajudar a criar esta consciência global e pode exercer influência junto dos poderes políticos e do setor privado, por exemplo, para que haja uma resposta concertada a estas questões e monitorizar a implementação dos compromissos.
Eu tenho um poster aqui no meu escritório que me relembra todos os dias que viver ou morrer resulta frequentemente de uma decisão política – assim como a saúde ou a consagração dos direitos humanos são decisões políticas.
A reforma do Sistema das Nações Unidas de António Guterres obrigou-nos a fazer uma autocrítica profunda: como a vida não acontece de forma fragmentada, as organizações internacionais não podem responder aos desafios da vida das pessoas de forma fragmentada. Portanto, este apelo para que trabalhemos todos em conjunto, que eliminemos as entropias, que aprendamos uns com os outros, é essencial.
Uma última mensagem: capacitar as raparigas e as mulheres, dar às pessoas o acesso à informação, aos meios e ao poder para poderem decidir sobre a sua saúde sexual e reprodutiva, é a maior força transformadora das nossas sociedades.
Cplp apela que se mantenham condições para conclusão do processo eleitoral na Guiné-Bissau
Ministros dos Negócios Estrangeiros e das Relações Exteriores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, fizeram um apelo para que sejam mantidas as condições indispensáveis à conclusão do processo eleitoral na Guiné-Bissau.
Um comunicado publicado após um encontro realizado esta quarta-feira, em Nova Iorque, destaca que o povo guineense deve escolher livre e soberanamente o seu presidente da República. O país tem agendadas eleições do novo chefe de Estado para 24 de novembro.
Candidaturas
Na quarta-feira terminou o prazo para a entrega das candidaturas junto ao Supremo Tribunal de Justiça para as sextas eleições de um presidente na história da democracia guineense desde 1994. De acordo com agências de notícias, 19 candidaturas já foram entregues ao órgão judicial.
A lei da Guiné-Bissau prevê que dentro de um prazo não superior a três semanas, o órgão deve avaliar as candidaturas e determinar a lista provisória dos concorrentes.
Os chefes de diplomacia destacam que é imperativo que a Guiné-Bissau termine com êxito o atual ciclo político-eleitoral, “conseguindo assim a estabilidade institucional necessária à consolidação da democracia e ao desenvolvimento e bem-estar da sua população”.
Ministra
Na reunião informal que ocorreu por ocasião da abertura da 74ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, os recentes desenvolvimentos políticos do país foram apresentados pela ministra de Negócios Estrangeiros na Guiné-Bissau, Suzi Barbosa.
A Cplp integra o grupo de organizações que apoiam a estabilização da Guiné-Bissau, conhecido por P5, que também é composto pelas Nações Unidas, União Africana, União Europeia e Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, Cedeao.
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Síria: um conflito trágico sem fim à vista
Uma revolta pacífica contra o presidente da Síria, há nove anos, provocou uma guerra civil com proporções nunca antes previstas. Estima-se que o conflito sírio tenha causado mais de 400 mil mortes desde o seu começo, em 2011.
A guerra deixou um rasto de destruição e fez aumentar o número de infâncias roubadas. 8 em cada 10 pessoas na Síria vive abaixo do limar da pobreza e mais de 12 milhões de sírios necessitam de assistência humanitária. O conflito obrigou mais de metade dos habitantes a fugir das suas casas. Cerca de 5,6 milhões de pessoas já deixaram o país e outras 6 milhões vivem como deslocados internos. O número de crianças mortas atingiu um recorde trágico em 2018. Além das inúmeras vidas perdidas, a Síria viu o seu património histórico e cultural ser reduzido a cinzas. Fique a conhecer, com a ONU Portugal, os contornos daquele que é um dos conflitos mais trágicos da actualidade.
Em 2016, o Enviado das Nações Unidas e da Liga Árabe à Síria, Staffan de Mistura, comunicou que, desde 2011, a guerra na Síria fez cerca de 400 mil mortos – 2% da população. No entanto, as últimas estimativas do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (SOHR) calculam que o número de mortos desde o início da guerra tenha chegado aos 560 mil.
“Várias centenas de milhares de crianças, mulheres e homens foram mortos na Síria desde 2011. Foram tantos que não já é possível dar uma estimativa credível” afirmou a alta comissária dos Direitos Humanos, Michelle Bachelet, num comunicado feito em julho de 2019.
Os primórdios do conflito
Os resquícios do conflito sírio remontam a um descontentamento generalizado da população síria que, ainda antes do conflito, protestava contra as altas taxas de desemprego, a corrupção e a falta de liberdade política. A Primavera Árabe, em março de 2011, trouxe à superfície o estado frágil de uma Síria liderada, desde 2000, por um único presidente.
As primeiras manifestações pró-democracia, inspiradas pela revolta árabe, exigiam a deposição do presidente Bashar al-Assad, que sucedeu ao pai em 2000. A oposição violenta de Assad às manifestações pacíficas provocou a eclosão de protestos em todo o país e iniciou oficialmente a Guerra Civil Síria – um dos mais mortais conflitos em curso do mundo.
Em julho de 2011, o mundo assiste à formação do Exército Livre da Síria (ELS), composto por cidadãos e militares que desertaram do Exército Sírio. Estima-se que cerca de 40 mil soldados tenham desertado do Exército nacional para formar aquela que é hoje uma das principais fações da oposição ao governo de Bashar al-Assad.
O conflito começa a ganhar novos contornos depois de fações fundamentalistas de todo o mundo emergirem e consolidarem o seu poder no país[1]. É por volta desta altura que a Síria se torna numa guerra proxy. O conflito sírio opõe a maioria muçulmana sunita, apoiada pelos estados do Golfo, e as forças xiitas alawitas leais ao presidente sírio, apoiadas pelo Irão e pela Rússia – os aliados mais importantes de Assad.

O conflito sírio despoletou uma das maiores violações dos direitos humanos no mundo com graves repercussões regionais e internacionais. A primeira foi a utilização de armas químicas de forma indiscriminada contra civis por parte do governo de Bashar al-Assad e a segunda foi o ataque de grupos armados não-estatais às populações.
A obstrução do acesso à ajuda humanitária, a opressão política e a prática de tortura dentro das prisões estatais fazem parte do legado sangrento de uma guerra sem fim à vista.
Números negros
À medida que a crise na Síria entra no seu nono ano, as necessidades humanitárias aumentam profundamente. A complexidade dos conflitos internos, a luta política entre os Estados influentes na região, o aglomerado de deslocações e a erosão das comunidades locais torna a Síria uma das maiores e mais complexas crises do mundo.
“Os números são assustadores, vergonhosos e profundamente trágicos” afirmou a Alta Comissária dos Direitos Humanos, Michelle Bachelet, ao comentar, em setembro deste ano, as mortes provocadas pelo conflito sírio.
Existem mais de 5,6 milhões de refugiados sírios registados noutros países e mais de 6 milhões de deslocados internos, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Mais de metade da população síria foi forçada a fugir da violência e representa um terço da população total de refugiados no mundo.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) deu conta que 2018 foi o ano mais mortal para as crianças, com mais de mil mortas em combate – o maior número anual de vítimas desde o início da guerra em 2011. Dados das Nações Unidas mostram que, desde 2011 até abril de 2014, foram mortas cerca de 8.803 crianças. Já dados do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (SOHR) dão conta de 21 mil crianças mortas durante o conflito.
O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) estima que 11,7 milhões de pessoas na Síria necessitem de assistência humanitária urgente às quais se juntam 5 milhões de crianças. Cerca de 8 em cada 10 pessoas na Síria vive abaixo do limiar de pobreza. A Síria tem ainda 6,2 milhões de deslocados internos e 5,6 milhões de refugiados registados no país sendo que 2,5 milhões de refugiados são crianças.
Os países vizinhos acolhem a maioria dos refugiados sírios
O aumento da violência e a vulnerabilidade extrema obrigou milhões de sírios a fugir e a refugiar-se nos países vizinhos. A Turquia é o país vizinho com o maior número de refugiados sírios (3,7 milhões), seguindo-se o Líbano (924 mil), a Jordânia (657 mil), o Iraque (228 mil) e o Egito (130 mil), avança a OCHA. Em todo o mundo existem 5,6 milhões de refugiados sírios registados. 33% destes refugiados são homens e 20% são mulheres, ambos com idades compreendidas entre os 18 e os 59 anos.

A eclosão do número de refugiados deu-se em 2015, com um aumento abrupto do número de pessoas a fugir do conflito. A tendência registada a partir desse ano mantém-se até ao ano de 2019.
A destruição generalizada das infra-estruturas civis e as limitadas oportunidades económicas colocam muitos sírios numa situação de vulnerabilidade extrema. As crianças, mulheres grávidas e lactantes, pessoas com deficiência, idosos e outros grupos de indivíduos com necessidades específicas enfrentam uma vulnerabilidade extrema.
Existem 6,5 milhões de sírios com malnutrição e necessidades alimentares agudas – situação essa agravada pela falta de acesso aos cuidados de saúde.
As Nações Unidas na Síria
Desde a eclosão do conflito, as Nações Unidas desempenharam um dos papéis fundamentais na Síria. Ao lado da própria população síria e dos seus parceiros humanitários, a ONU apoiou a população do país através da assistência direta e de programas específicos ao longo de todo o conflito. As organizações humanitárias juntam-se a esses esforços e contribuem com a ONU a uma das maiores respostas do mundo.
Em 2018, a resposta humanitária fez toda a diferença na vida de milhões de sírios:
- 5,3 milhões de pessoas receberam assistência alimentar mensal
- 2,7 milhões de pessoas receberam assistência agrícola
- 6 milhões de pessoas receberam água, kits de saneamento, de higiene e assistência
- 22,8 milhões de pessoas receberam assistência médica de atores humanitários
- 4,3 milhões de crianças e professores beneficiaram de programas de educação
- 838,400 meninas e meninos tiveram acesso a serviços de protecção
A Síria em 2019
Em 2019, prevê-se que o cenário na Síria permaneça complexo e dinâmico. As hostilidades e a insegurança vão continuar, principalmente no noroeste do país, o que pode aumentar o número de deslocações de civis.
Atualmente, a OCHA está a implementar planos de contingência para cerca de 1,2 milhões de pessoas deslocadas ao longo de 2019 e para cerca de 1,5 milhões de pessoas que preveem retornar às suas casas.
As principais preocupações para o ano de 2019 dizem respeito às condições de vida das pessoas que residem em campos de refugiados e de deslocados internos superlotados, particularmente no noroeste e nordeste da Síria; com as necessidades das comunidades anfitriãs e com o impacto das inundações e das secas na segurança alimentar e nos meios de subsistência dos sírios. Além disso, o impacto dos cortes financeiros que apoiam a assistência pode ameaçar diretamente a vida dos refugiados sírios mais vulneráveis da zona da Palestina.
Enquanto os esforços de responsabilização permaneceram inertes no Conselho de Segurança, a Assembleia Geral da ONU estabeleceu, em dezembro de 2016, um mecanismo para auxiliar na investigação de crimes graves, preservar evidências e preparar casos para futuros processos criminais.
Fontes:
https://data2.unhcr.org/en/situations/syria
https://www.hrw.org/world-report/2019/country-chapters/syria
https://www.ohchr.org/EN/NewsEvents/Pages/DisplayNews.aspx?NewsID=24851&LangID=E
https://nacoesunidas.org/acnur-8-fatos-sobre-a-guerra-na-siria/
[1] Em janeiro de 2012 a Al-Qaeda forma um novo grupo jihadista denomiado Jabhat Fateh al-Sham, outrora chamado Frente Al-Nusra. Nessa mesma altura, grupos sírios-curdos, que há muito procuravam autonomia, rebelam-se e separam-se das forças de Assad no norte do país. Em Fevereiro de 2014 há um acontecimento que transforma para sempre a guerra na síria: a criação do Estado Islâmico do Iraque, da Síria e do Levante (EI), um grupo dissidente da Al Qaeda, com base no Iraque que cria um mini-estado ao qual chama Califado. O ISIS não combate directamente contra Assad mas contra outros grupos rebeldes e curdos. Em setembro de 2014, os EUA começam a bombardear o ISIS, tornando-se no inimigo número um dos EUA. A Turquia, por sua vez, começa a bombardear grupos curdos que lutam contra o ISIS na Síria. Este leva a um dos maiores problemas no conflito da Síria: os EUA querem combater o EI mas os seus aliados turcos e do Médio Oriente têm outras prioridades internas.
Iémen: a maior crise humanitária do mundo
A ONU convocou um encontro de Alto Nível sobre a Crise Humanitária no Iémen – país que é atualmente palco para a maior crise humanitária do mundo. 82% da população necessita de ajuda urgente, 16 milhões de pessoas passarão fome este ano e 5 milhões arriscam-se a morrer à fome.
As Nações Unidas reúnem os Estados-membros com o objetivo de fixar compromissos de ajuda internacional para atender às urgências do país. Desde que a guerra civil eclodiu em 2014, a fome aguda, as chuvas torrenciais, as inundações, a crise de combustível, a praga de gafanhotos, a cólera e a Covid-19 devastaram o país. O financiamento insuficiente do Programa Mundial de Alimentos dificulta a assistência a milhões de iemenitas.
O conflito opõe rebeldes xiitas houtis, com predominância no Irão, às forças sunitas leais ao governo, apoiadas pela aliança internacional liderada pela Arábia Saudita, e deixou o Iémen numa situação de crise extrema. Os serviços públicos foram destruídos e o serviço nacional de saúde está em colapso. Conheça os contornos do conflito na República do Iémen.
Os primórdios do conflito
O conflito remonta ao fracasso da transição política após a Primavera Árabe, que forçou o antigo presidente do Iémen, Ali Abdullah Saleh, a entregar o poder ao seu vice-presidente, Abdrabbuh Mansour Hadi, em 2011. No entanto, as raízes do conflito remontam a um Iémen frágil, eclipsado pela linha invisível entre um noroeste xiita, de maioria houthi, e um sul de maioria sunita.
Os Houthis são um grupo rebelde de minoria zaidita (dissidência do xiismo) com predominância no norte do Iémen. O slogan do grupo é: “Deus é Grande, Morte à América, Morte a Israel, Maldição aos Judeus, Vitória ao Islão”
A Primavera Árabe expôs a fragilidade de um Estado liderado, desde 1990, por um único presidente: Ali Abdullah Saleh. O ressurgimento de rebeldes houthis no Norte do país deu-se no início dos anos 2000. Por essa altura, começava a fazer-se sentir a presença da Arábia Saudita no país, que apoiava a luta contra os radicais houthis.
A onda revolucionária evidenciou problemas antigos no Iémen e a vaga de protestos obrigou Saleh a renunciar ao poder, entregando-o ao vice-presidente Mansour Hadi. Esperava-se que a transição política, apoiada pelas monarquias árabes do Golfo, trouxesse estabilidade e crescimento ao Iémen – o país mais pobre da Península Arábica e que, antes da guerra, já importava 90% dos produtos alimentares – mas foi precisamente o contrário.
ACNUR / R. Gangale
Comprometido a voltar ao poder, o antigo presidente autoritário Saleh, aliou-se militarmente aos seus inimigos: os houthis. Em setembro de 2014, os houthis e Saleh avançaram sobre a capital do Iémen, Sana, para levar a cabo um golpe de estado. Com a vitória, Ali Abdullah Saleh proclamou-se como o novo presidente do Iémen.
O conflito ganhou novos contornos depois do assassinato de Saleh, acusado de traição pelos rebeldes houthis por dialogar com a Arábia Saudita
Infiéis a qualquer tipo de poder presidencial no país, os houthis tomaram a capital do Iémen com a cumplicidade de unidades militares. O conflito escalou drasticamente em março de 2015, quando a intervenção de uma aliança regional liderada pela Arábia Saudita, pelos Estados Unidos da América e pelos Emirados Árabes Unidos iniciou uma série de ataques aéreos contra os houthis, com o objetivo de restaurar o governo de Hadi e combater a presença de xiitas no país. De momento, a guerra no Iémen opõe as duas maiores potências regionais do Médio Oriente: a Arábia Saudita, de maioria sunita, e o Irão, de maioria xiita.
Números dramáticos
“Os civis não estão a morrer à fome no Iémen, estão a ser mortos à fome” – secretário-geral do Conselho de Refugiados Norueguês, Jan Egeland
O Iémen está envolvido numa guerra civil, desde a ocupação da capital pelos rebeldes houthis, em 2015. O país enfrenta uma crise humanitária sem precedentes que envolve 80% da população.
Cerca de 20 milhões de pessoas no Iémen precisam de apoio humanitário. Mais de 16 milhões sofrem de insegurança alimentar e 5 milhões está em risco de morrer à fome, de acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
As crianças iemenitas crescem em condições delicadas e sofrem com a escassez alimentar, assim como com o fraco acesso à educação que condiciona o seu futuro. 360 mil crianças com menos de 5 anos sofrem de malnutrição aguda e 30 mil morrem por falta de acesso a cuidados de saúde.

No total, 12 milhões de crianças necessitam de assistência humanitária urgente e 4,7 milhões precisam de assistência na esfera da educação
O acesso a água potável tornou-se um grande desafio e a falta de saneamento adequado aumentou o risco de doenças transmissíveis.
O Iémen arrisca-se a enfrentar “a maior fome do mundo em 100 anos”, alertou a coordenadora humanitária da ONU no Iémen, Lise Grande. Segundo a coordenadora, 13 milhões de civis podem morrer à fome se as forças lideradas pela coligação da Arábia Saudita não puserem fim aos bombardeamentos que assolam o país.
Os números são dramáticos. O Iémen não pode esperar.
As Nações Unidas estão envolvidas na luta em defesa da paz no Iémen.
“Estou solidário com os milhões de iemenitas que sofrem. As Nações Unidas e a comunidade internacional, em geral, estão com vocês a cada passo do vosso caminho. Inshallah (“se Deus quiser”), juntos podemos acabar com o sofrimento no Iémen”, disse o secretário-geral, António Guterres, em declarações na conferência de doadores para a crise no Iémen, realizada em Genebra, a 26 de fevereiro de 2019.
Malnutrição aguda e o aumento da insegurança alimentar
O atual conflito é a principal causa da insegurança alimentar no Iémen. A guerra destruiu meios de subsistência e reduziu a capacidade das famílias para comprar alimentos. Após o início da guerra, o preço médio dos alimentos subiu cerca de 150%. Em 2018, o preço dos combustíveis subiu 200% afetando gravemente os setores da agricultura, o abastecimento de água, os transportes, a eletricidade, a saúde e o saneamento básico.
A segurança alimentar deteriorou-se com a ocupação dos houthis da capital do Iémen, em 2015. 16 milhões de iemenitas sofrem de insegurança alimentar. O OCHA alerta que cerca de metade da população do Iémen (14 milhões de pessoas) enfrenta atualmente “condições de pré-fome”.
Estima-se que 7,4 milhões de pessoas necessitam de serviços para tratar e prevenir a desnutrição. Desses, 2 milhões são crianças com menos de 5 anos e 1 milhão são mulheres grávidas ou em fase de amamentação. Cinco divisões administrativas do Iémen têm taxas de desnutrição aguda que excedem o limite de emergência de 15% definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Os parceiros humanitários das Nações Unidas estimam que a desnutrição aguda entre mulheres grávidas e crianças com menos de 5 anos aumente.

Falta de acesso à água, às condições de higiene e ao saneamento básico
Mais da metade da população do Iémen precisa de assistência para aceder a água potável. A subida dos preços e a redução do poder de compra criaram barreiras económicas no acesso a este recurso fundamental. A falta de acesso ao saneamento básico agrava o risco da propagação de cólera e da covid-19.
O Iémen tem sido palco para graves violações de direitos humanos e ataques bárbaros, quer levados a cabo pela coligação regional da Arábia Saudita, quer pelos rebeldes houthis a civis.
Cuidados de saúde em suspenso
Cerca de 19,7 milhões de pessoas carecem de cuidados de saúde no Iémen, dos quais 14 milhões necessitam de auxílio urgente. A falta de acesso aos serviços de saúde afeta os grupos mais vulneráveis: crianças, mulheres, idosos, deslocados e pessoas marginalizadas.
No Iémen, existem dez trabalhadores de saúde por cada 10 mil pessoas – menos de metade do valor mínimo definido pela OMS de 1 médico por mil habitantes
A maioria dos equipamentos médicos nos hospitais nacionais não funciona ou está obsoleta e muitos profissionais de saúde não recebem salários há vários anos.
“As doenças que têm cura transformam-se em sentenças de morte quando os cuidados de saúde estão suspensos”, – secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, 2019
Aproximadamente 6,7 milhões de pessoas precisam de abrigo e de utensílios domésticos essenciais. Estima-se que 4,3 milhões de pessoas tenham fugido de casa em busca de proteção e segurança. 3,3 milhões mantêm-se deslocados e cerca de um milhão regressou à sua terra para encontrar as suas casas destruídas.
Crianças sem acesso à educação
Cerca de dois milhões de crianças não frequentam a escola: 36% são meninas e 24% são meninos. O acesso à escola é limitado como consequência dos danos causados pelo conflito, mas também devido à ocupação dos espaços letivos por grupos armados ou nacionais deslocados. Em 2017, 2,3 milhões de crianças necessitavam de assistência na esfera da educação. Em 2019, este número já estava nos 4,7 milhões.
“Estas são crianças da escola. Estão ansiosas por aprender. Estão à espera numa fila às 8h”, conta Amina, de 14 anos, no campo de refugiados de Kharaz, no Iémen. ACNUR

Uma crise económica profunda
O conflito prolongado destruiu os meios de subsistência e reduziu a capacidade das famílias para comprar alimentos e outros bens essenciais básicos. A economia do Iémen contraiu 50% desde a escalada do conflito e as oportunidades de emprego diminuíram significativamente. A volatilidade da taxa de câmbio, incluindo a depreciação drástica do Rial do Iémen (YER) entre agosto e outubro de 2018, que afundou o poder de compra das famílias. O défice do orçamento público prejudicou o funcionamento dos serviços sociais básicos e o pagamento dos salários no setor público. Como resultado, o acesso aos serviços essenciais – água, saneamento, saúde, educação e agricultura – restringiu-se ainda mais.
Sem ação urgente, a situação vai piorar
Juntamente com os seus parceiros, as Nações Unidas continuam a ampliar a resposta humanitária, apesar das graves restrições de acesso em muitas das regiões do Iémen.
Sem a tomada de ações urgentes – tal como o financiamento integral do Plano de Resposta Humanitária e a tomada de medidas por parte dos Estados envolvidos para acabar com a guerra e para facilitar a entrada de alimentos no país – a crise piorará, alerta o OCHA
É absolutamente necessário que as partes em conflito respeitem o Direito Internacional Humanitário, permitindo a importação de alimentos e serviços médicos para o Iémen e garantindo a livre circulação de agentes humanitários para alcançar aqueles que mais precisam de ajuda.

O papel da ONU no Iémen
Desde a eclosão do conflito, as Nações Unidas desempenharam dois papéis fundamentais no Iémen. Em primeiro lugar, através do Programa Mundial de Alimentos (PMA) e da UNICEF, que têm proporcionando uma ajuda indispensável às populações e cujo esforço ajudou a aliviar a situação humanitária no país.
Em segundo lugar, a ONU desempenhou um papel político, servindo como intermediário na resolução do conflito iemenita. No final de 2018, a ONU conseguiu reunir as partes interessadas e assinar o “Acordo de Estocolmo” que exigia, entre outras coisas, a cessação das hostilidades em torno de Hodeida – quarta maior cidade do Iémen, com uma população de 400 mil pessoas.
Em janeiro de 2019, o Conselho de Segurança das Nações Unidas atingiu um marco ao aprovar uma nova missão no país. A missão destina-se a supervisionar e ajudar a implementar um acordo de cessar-fogo com o potencial de estabelecer as bases para um acordo político mais amplo, que crie condições para pôr fim ao conflito em curso. Este foi o primeiro grande avanço diplomático e político significativo, em quase quatro anos de guerra, e demonstra o papel que as Nações Unidas podem desempenhar na redução do peso do conflito nas populações civis.
Em 2021, na Conferência de Alto Nível sobre a crise no país, o objetivo é mobilizar toda a ajuda internacional para acudir ao Iémen, onde a fome, o conflito, os desastres climáticos, os surtos de cólera e a pandemia de Covid-19 obrigam a uma resposta urgente.
Nas palavras do secretário-geral da ONU António Guterres, “O Iémen não pode esperar”
Fontes:
https://www.unocha.org/yemen/crisis-overview
http://www.emro.who.int/health-topics/cholera-outbreak/cholera-outbreaks.html
https://www.undispatch.com/a-breakthrough-for-the-united-nations-in-yemen/
87 empresas mundiais comprometem-se com um futuro de 1.5ºC na Cimeira da Ação Climática
Planos ambiciosos foram anunciados para limitar o aquecimento global
87 empresas mundiais com um valor combinado de 2.3 biliões de dólares e emissões anuais diretas equivalentes a 73 centrais elétricas a carvão anunciaram medidas para evitar os piores impactos das alterações climáticas. No conjunto das empresas incluem-se a portuguesa EDP – Energias de Portugal. O seu compromisso de alcançar a neutralidade carbónica até 2050 aplica-se ao nível das operações, fábricas e também cadeias de valor.
No total, as empresas representam mais de 4.2 milhões de funcionários de 28 setores de atividade e estão sediadas em 27 países.
Nas palavras do secretário-geral da ONU, António Guterres, “é encorajador ver não só muitos pioneiros no setor privado a alinharem-se com a sociedade civil, mas também ver governos ambiciosos a intensificar os seus esforços para um futuro de 1,5° C”. “Agora precisamos de muitas mais empresas a aderir ao movimento para enviarmos um sinal claro de que os mercados estão a mudar”, reforçou António Guterres.
Este anúncio surge como resposta ao pedido dos altos funcionários da ONU para uma maior ação no campo das alterações climáticas. Em julho deste ano, 28 empresas já se tinham comprometido a limitar o aquecimento global a 1.5ºC e este número triplica pouco antes do início da Cimeira da Ação Climática, que tem lugar esta segunda-feira em Nova Iorque.
A essas 28 empresas juntam-se agora a ADEC Innovations; América Móvil; ASICS Corporation; Atlassian Corporation; Bharti Airtel Limited; Burberry; City Developments Limited; The Co-operative Group; Croda International; Cybercom Group; Danone; Deutsche Telekom; Dexus; EDP – Energias de Portugal; Electrolux; Elopak; En+ Group; Ericsson Group; Firmenich; Glovo; Grupo Malwee; Guess; Ingka Group; Inter IKEA Group; International Flavors & Fragrances; Intuit; Klabin; L’Oréal; MARUI GROUP; Nestlé; Nokia; Novo Nordisk; NRG Energy; Orange Group; Ørsted; PensionDanmark; Reliance Jio Infocomm Limited; Saint-Gobain; Salesforce.com; Scania; Schneider Electric; Seventh Generation; SkyPower; Sodexo; SUEZ; Swiss Reinsurance; TDC; Viña Concha y Toro, Wipro, entre outras.
Das 87 empresas, as seguintes já aplicaram metas de redução de emissões de gases com efeito de estufa alinhadas com o objetivo de 1.5ºC: AstraZeneca, BT, Burberry Limited, Deutsche Telekom AG, Dexus, Elopak, Hewlett Packard Enterprise, Intuit, Levi Strauss & Co., SAP, Schneider Electric, Signify, Sodexo, The Co-operative Group e Unilever.
À medida que a economia global se adapta para alcançar a neutralidade carbónica em 2050, as empresas que alinhem as suas estratégias com o combate às alterações climáticas estarão melhor posicionadas para crescer e ter sucesso.
Com a aplicação dos objetivos climáticos, as empresas ganharão vantagens competitivas que irão impulsionar a inovação e aumentar a reputação da marca, a confiança dos investidores e a resiliência face a mudanças regulatórias futuras.
O compromisso destas empresas é um sinal de que a transição de uma economia cinzenta para uma economia verde já está a acontecer. As empresas não podem atuar sozinhas e é importante que este compromisso seja reforçado por políticas ambientais promovidas pelos governos de forma a impulsionar a transição energética para um futuro de energias renováveis.
23 de setembro de 2019
ONU oferece “Bilhetes Verdes” para a Cimeira da Juventude para o Clima
As Nações Unidas acreditam que a juventude deve liderar a luta contra as alterações climáticas e convida os jovens de todo o mundo a dar voz a soluções para a emergência climática.
As Nações Unidas convidam os jovens de todo o mundo a participar na Cimeira do Clima da Juventude, realizada na sede da ONU, em Nova Iorque, no dia 21 de setembro. Esta é uma oportunidade para os jovens que querem partilhar uma mensagem importante com a comunidade global sobre as alterações climáticas. Os interessados devem candidatar-se até ao dia 19 de julho.
Para reconhecer o papel fundamental da juventude no combate às alterações climáticas, a ONU anunciou que vai oferecer mais de 100 “Bilhetes verdes” aos jovens, em particular de países em desenvolvimento, para participarem na Cimeira. Os bilhetes são uma oportunidade de financiamento e abrangem os custos da passagem para Nova Iorque através de uma companhia aérea neutra em carbono.
A Cimeira da Juventude para o Clima vai reunir jovens inovadores, empreendedores e ativistas para discutir ideias e apresentar soluções contra as alterações climáticas. Os jovens vão poder dar voz às suas ideias e assumir um papel, no panorama global, como atores relevantes da sociedade capazes de tomar decisões em conjunto com os representantes dos governos, empresas e organizações da sociedade civil, em sintonia com a Estratégia da Juventude da ONU: “Juventude 2030” lançada pelo Secretário-geral, António Guterres, no ano passado.
Candidaturas
A Cimeira destina-se a jovens com idades compreendidas entre os 18 e os 29 anos, que apresentem uma ideia ou um projeto inovador de combate às alterações climáticas.
Os jovens podem inscrever-se até ao dia 19 de julho e todos os candidatos serão considerados para um “Bilhete Verde” rumo a Nova Iorque. As candidaturas podem ser feitas através do site oficial da Cimeira do Clima da Juventude que inclui também informação sobre a participação de jovens com menos de 18 anos. Aqueles que não conseguirem estar presentes na sede da ONU vão poder participar nas atividades da Cimeira virtualmente.
As candidaturas serão selecionadas com base no mérito, incluindo o compromisso demonstrado para com a ação climática e a sua resolução. A alocação dos “Bilhetes verdes” vai garantir que jovens de todas as regiões do mundo tenham uma oportunidade equitativa de participar na Cimeira.
As inscrições serão analisadas por um painel liderado pela enviada especial da ONU para a juventude, Jayathma Wickramanayake. O painel incluirá especialistas das Nações Unidas e da sociedade civil com experiência nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e refletirá a interdependência da ação climática com o desenvolvimento sustentável.
O anúncio dos “Bilhetes verdes” foi feito em Abu Dhabi esta segunda-feira, onde cerca de duas mil pessoas de 160 países se reuniram para uma reunirão preparatória para a Cimeira de Ação Climática, a decorrer no dia 23 de setembro.
A Cimeira da Juventude para o Clima ocorre um dia depois da “Sexta-Feira pelo Futuro do Clima” (20 de setembro) – uma mobilização global sem precedentes com o objetivo de alertar sobre a emergência climática.
“É inspirador ver os jovens a liderar a tomada de ações e soluções para as alterações climáticas. Esta será uma experiência incrível e precisamos de todo o talento da nossa juventude para causar o impacto que precisamos”, afirmou a vice-secretária-geral da ONU, Amina J. Mohammed, ao anunciar a abertura das inscrições.
A vice-secretária-geral da ONU convida membros do setor privado e outros interessados a apoiar a iniciativa e a entrar em contato através de correio eletrónico: youthenvoy@un.org.
2 de julho de 2019
ONU abre Concurso de Empreendedorismo Jovem Cidadão de 2019
Nações Unidas convidam jovens de todo o mundo a apresentar ideias e projetos inovadores com impacto social
A UNESCO quer mobilizar jovens com ideias inovadoras que defendam ou implementem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Todas as grandes conquistas começam com uma ideia. Ideias que podem fazer do nosso mundo um lugar melhor. Grandes ideias emergem, todos os dias, em diferentes lugares do mundo. É por acreditar que as grandes ideias merecem ser ouvidas, que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) convida os jovens de todo o mundo a apresentarem, até 31 de julho, os seus projetos inovadores com impacto social.
O Concurso de Empreendedorismo Jovem Cidadão de 2019 insere-se no Programa de Acão Global da UNESCO da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) e é coorganizado pela Fundação Goi Peace, Stiftung Entrepreneurship e Digital Experts United.
A iniciativa incentiva e mobiliza ações lideradas por jovens para fazer cumprir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Os participantes são convidados a apresentar ideias e projetos inovadores que defendam e implementem um ou mais dos 17 ODS relacionados com desafios sociais, económicos, ambientais, de saúde e de governança da atualidade.
O concurso destina-se a jovens com idade compreendida entre os 15 e os 35 anos de idade, que apresentem uma ideia ou um projeto inovador com impacto social. Os interessados podem submeter até 31 de julho a sua ideia ou projeto através do site oficial.
Seleção dos vencedores
Uma triagem preliminar vai definir quais os candidatos cuja ideia ou projeto irá ser publicado no website oficial do concurso. Uma vez aprovadas pela comissão organizadora, essas ideias receberão comentários e recomendações da comunidade virtual global Entrepreneurship Campus. A partir de 15 de maio, será aberta uma votação para que o público escolha as suas iniciativas favoritas e a mesma manter-se-á até 31 de agosto. Após a votação, irão ser selecionados dez finalistas em cada uma das seguintes categorias: Melhores Ideias e Melhor Projeto.
As ideias ou projetos serão avaliados com base na sua visão empreendedora, viabilidade, inovação, liderança, impacto social e sustentabilidade, entre outros fatores. Os vencedores serão anunciados na Cimeira do Empreendedorismo em Berlim, no dia 19 de outubro. O prémio será atribuído à ideia ou projeto com o maior número de votos.
A Competição de Empreendedorismo Jovem Cidadão de 2019 contribui fortemente para o avanço de uma cultura de empreendedorismo entre jovens e contribui de forma inovadora para a luta contra o desemprego jovem.
Para mais informações sobre o programa consulte: www.entrepreneurship-campus.org
Para participar inscreva-se: www.entrepreneurship-campus.org/register
março de 2019
Projetos da Guiné-Bissau e Brasil recebem prêmio da ONU para meio ambiente
A Associação Indígena Kisêdjê e o Conselho Indígena de Roraima, do Brasil, e o Conselho de gestão da Área Marinha Protegida Comunitária Urok, da Guiné-Bissau, receberam esta quarta-feira o Prémio Equador das Nações Unidas.
Em 2019, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, destacou 22 soluções inovadoras e baseadas na natureza para enfrentar os desafios da mudança climática, meio ambiente e pobreza.
Cerimônia
O prêmio foi entregue em uma gala em Nova Iorque.
Participaram o administrador do Pnud, Achim Steiner, a diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, Inger Andersen, e os atores Oona Chaplin e Nikolaj Coster-Waldau.
Urok
Em nota, o Pnud diz que o projeto de Urok, um grupo de três ilhas no arquipélago das Bijagós, “utiliza o conhecimento tradicional para proteger 54.5 mil hectares de ecossistemas marinhos e de mangais críticos para mitigar as alterações climáticas, reduzir a erosão costeira e assegurar meios de subsistência sustentáveis para os povos indígenas das Bijagós.”
O diretor executivo da associação de defesa do ambiente Tiniguena e membro do Comité de Gestão da AMPC Urok, Miguel de Barros, destacou à ONU News o “facto inédito” para a Guiné-Bissau.
O ambientalista disse que “a comunidade de Urok, as estruturas de gestão local e as instituições de conservação que apoiaram este processo estão de parabéns pela visão, crença e espirito de compromisso.”
Barros lembrou que o processo começou em 1999 “com muito esforço”, foi oficializado em 2006 e “culminou com a construção de um ‘laboratório de resiliência’ portadora de esperanças para o país e de ensinamentos para o continente e o mundo.”
Brasil
No Brasil, a Associação Indígena Kisêdjê fica no estado de Mato Grosso, que o Pnud considera “um dos estados mais desflorestados do Brasil.”
A agência da ONU diz que esta associação de povos indígenas “transformou o status quo recuperando suas terras tradicionais e desenvolvendo um modelo de negócios inovador que utiliza o pequi, uma árvore nativa, para restaurar paisagens, promover a segurança alimentar e desenvolver produtos para o mercado local e nacional.”
Quanto ao Conselho Indígena de Roraima, o Pnud diz que esta aliança indígena “garantiu os direitos de 1,7 milhão de hectares de terras tradicionais para 55 mil povos indígenas.” Ao mesmo tempo, “promove a resiliência ecológica e social por meio da conservação de variedades tradicionais.”
Distinção
Em nota, o administrador do Pnud, Achim Steiner, disse que “cada dia, milhares de comunidades locais e povos indígenas de todo o mundo implementam silenciosamente soluções inovadoras baseadas na natureza para mitigar e se adaptar à mudança climática.”
Segundo o representante, o Prémio Equatorial “é um reconhecimento dessas ideias e uma forma de mostrar o poder das pessoas e das comunidades para conseguir uma mudança verdadeira.”
Os vencedores foram selecionados de um grupo de 847 candidatos de 127 países. Os vencedores recebem US$ 10 mil, numa cerimónia que acontece em Nova Iorque a 24 de setembro durante a 74ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
O prémio, que existe desde 2002, já foi entregue a vencedores do prémio Nobel, como Al Gore e Elinor Ostrom, os ambientalistas Jane Goodall e Jeffrey Sachs, os filantropos Richard Branson e Ted Turner ou as celebridades Edward Norton, Alec Baldwin e Gisele Bündchen.


