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Crise Israel-Palestina: O papel da ONU no terreno

© UNRWA / Mohammed Hinnawi | Um edifício desmoronou-se na rua em Gaza.

Artigo original publicado em inglês pela UN news.  

As Nações Unidas têm trabalhado ininterruptamente na região do Médio Oriente para desanuviar a crise Israel-Palestina, envolvendo os principais intervenientes e prestando assistência de emergência aos civis no terreno. 

Com a intensificação do conflito e a escalada da violência, Israel decretou um bloqueio total de alimentos, água e serviços vitais, à medida que eram noticiadas as operações terrestres israelitas em Gaza, onde vivem mais de dois milhões de pessoas. 

Embora os escritórios da ONU em Gaza tenham sofrido “danos significativos” devido aos ataques aéreos na noite de 9 de outubro, as agências têm-se esforçado por ajudar a população afetada nessa zona e noutros locais, incluindo a Cisjordânia, que conta com 871.000 refugiados registados. 

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente, UNWRA, tem atualmente 13.000 funcionários nacionais e internacionais, a maioria dos quais refugiados, em Gaza e cerca de 4.000 na Cisjordânia. 

Além disso, centenas de funcionários continuam a trabalhar para outras agências da ONU. 

Ao longo da fronteira entre Israel e o Líbano, a missão de manutenção da paz da ONU, a UNIFIL, está a operar com 9.400 tropas terrestres, 900 funcionários civis e 850 membros da marinha na sua Força de Intervenção Marítima. 

Mas de que forma exatamente está a ONU a prestar ajuda no terreno?

© UNRWA | Um edifício que alberga a sede da UNRWA na cidade de Gaza sofre danos significativos na sequência de ataques aéreos nas proximidades.

1. Proteção

Os intensos ataques aéreos efetuados desde dia 7 de outubro de 2023 obrigaram à deslocação de cerca de 190.000 pessoas em Gaza, pelo que a agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos, UNRWA, está a abrigar 175.500 homens, mulheres e crianças em 88 das suas 288 escolas, de acordo com o último relatório da agência sobre a situação. Contudo, estes números continuam a aumentar à medida que prosseguem os ataques aéreos das forças aéreas israelitas. Até ao momento, pelo menos 18 instalações da UNRWA sofreram danos diretos e colaterais de ataques aéreos, tendo sido registados vários mortos e feridos.

© UNRWA / Mohammed Hinnawi | As famílias reúnem-se na New Gaza Boys’ School da UNRWA, procurando abrigo dos intensos ataques aéreos.

2. Contenção do conflito

Os altos funcionários das Nações Unidas, incluindo o gabinete do coordenador especial das Nações Unidas para o processo de paz no Médio Oriente (UNSCO), encontram-se a dialogar com as partes em conflito e com as principais partes interessadas, incluindo os Estados Unidos, o Qatar e a União Europeia, de forma a desanuviar o conflito e a evitar que este se alastre à região do Médio Oriente.  

A missão de manutenção da paz da ONU no Líbano, a UNIFIL, continua a acompanhar o desenrolar da situação de segurança “volátil” ao longo da fronteira entre Israel e o Líbano, emitindo orientações para os civis e atualizações através das redes sociais. 

A UNIFIL afirmou que acionou plenamente os seus “mecanismos de ligação e coordenação a todos os níveis, para ajudar a evitar mal-entendidos entre o Líbano e Israel que possam conduzir a uma escalada do conflito”. “Este é o nosso principal objetivo neste momento e estamos a trabalhar 24 horas por dia, 7 dias por semana para o conseguir”.

UNIFIL / Pasqual Gorriz | As forças de manutenção da paz da ONU patrulham a Linha Azul em El Odeisse, no sul do Líbano.

3. Serviços de emergência

O bloqueio anunciado recentemente por Israel aos alimentos, à água, ao combustível e à eletricidade em Gaza ocorreu numa altura em que as agências da ONU alertavam para a escassez de alimentos e para uma crise iminente. Estão a ser instaladas casas de banho móveis e chuveiros nos abrigos da UNRWA, conforme necessário. Os palestinianos em Gaza só têm eletricidade durante três a quatro horas por dia, o que dificulta o funcionamento das instalações de saúde e o tratamento dos feridos, segundo o gabinete de coordenação da ajuda das Nações Unidas, OCHA.

4. Ajuda alimentar

O Programa Alimentar Mundial (PAM) e a UNRWA estão a coordenar a distribuição de pão às pessoas deslocadas nos abrigos em Gaza. “Cerca de meio milhão de pessoas, ou seja, 112.000 famílias, não puderam receber as suas rações alimentares esta semana, uma vez que os centros de distribuição de alimentos da UNRWA estão encerrados”, declarou a UNRWA. 

O PAM começou a distribuir pão fresco, alimentos enlatados e alimentos prontos a consumir a cerca de 100.000 pessoas nos abrigos da UNRWA, planeando chegar a mais de 800.000 pessoas afetadas em Gaza e na Cisjordânia.

5. Saúde

Continuam a ser prestados serviços de saúde de emergência através da linha direta gratuita em Gaza. Os fundos comuns nacionais das Nações Unidas (CBPF) e os seus parceiros disponibilizaram medicamentos cruciais de emergência e para traumas, bem como material médico para permitir que o sistema de saúde de Gaza responda às necessidades crescentes. Um total de 111 profissionais de saúde estão a trabalhar em turnos rotativos nos centros de saúde da UNRWA, com 11 das 22 clínicas a prestarem serviços de cuidados de saúde primários das 9h00 às 12h30 a pacientes com consultas urgentes recebidas através de uma linha telefónica gratuita. Até ao momento, 1.248 pessoas já telefonaram para esta linha direta gratuita e receberam serviços. 

As linhas telefónicas de ajuda e de serviços sociais já estão operacionais desde dia 10 de outubro e o apoio psicossocial e os primeiros socorros psicológicos estão a ser prestados à distância. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) mobilizou especialistas em apoio psicossocial prontos a prestar assistência a quem dela necessitasse em Gaza e na Cisjordânia. “A comunidade está a apelar à UNRWA para que abra os centros de saúde encerrados devido à elevada procura de serviços”, afirmou a agência. 

© UNRWA / Mohammed Hinnawi | Uma escola da UNRWA que albergava mais de 225 pessoas deslocadas, incluindo muitas famílias, na Faixa de Gaza, foi diretamente atingida, sofrendo graves danos, mas não foram registadas vítimas.

6. Corredores humanitários

O acesso do pessoal e dos fornecimentos humanitários à Faixa de Gaza foi cortado esta semana e a intensidade das hostilidades limitou a capacidade do pessoal de prestar ajuda, de acordo com a coordenadora humanitária  da ONU  para os Territórios Palestinianos Ocupados, Lynn Hastings. Entretanto, a Organização Mundial de Saúde (OMS), outras agências das Nações Unidas e parceiros continuam a trabalhar no sentido de estabelecer um corredor humanitário que permita chegar com fornecimentos essenciais às pessoas em Gaza. 

Para mais informações, assista ao vídeo:

 

Mensagem sobre o Dia Internacional das Meninas

Visita do secretário-geral da NATO aos Estados Unidos. Almoço de Estado oferecido por António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, por ocasião da Assembleia Geral das Nações Unidas.

O SECRETÁRIO-GERAL 

 

11 de outubro de 2023  

A meio caminho do prazo de 2030 para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o mundo está a falhar com as meninas. 

Atualmente, a eliminação do casamento infantil ainda está a 300 anos de distância. Se nada mudar, até 2030, 110 milhões de mulheres e meninas que deveriam estar a estudar, não o estarão e 340 milhões ainda enfrentarão as duras dificuldades da pobreza extrema.   

As antigas formas de discriminação contra as meninas continuam e, em alguns casos, estão a piorar. As meninas no Afeganistão estão impedidas de exercer os seus direitos e liberdades mais básicos, confinadas às suas casas, sem esperança de ter uma educação ou independência económica. 

Estão a surgir novas formas de preconceito e de desigualdade. O fosso digital significa que muitas meninas são excluídas do mundo online. Os algoritmos baseados na experiência de homens e de rapazes estão a digitalizar e a amplificar o sexismo. 

No entanto, em todo o mundo, as meninas estão a reagir – confrontando o sexismo, combatendo os estereótipos e criando mudanças nos campos de futebol, nas escolas e na praça pública. Devemos apoiá-las. 

A minha proposta de um plano de estímulo para os ODS para colocar os Objetivos no caminho certo está a ganhar força. E devemos investir na liderança das meninas – o tema do Dia Internacional das Meninas deste ano – para as apoiar a alcançarem as suas ambições e para impulsionar a igualdade de género. Quando as mulheres e as meninas lideram, podem mudar atitudes, gerar mudanças e promover políticas e soluções que atendam às suas necessidades.  

As mulheres e as meninas podem levar-nos a um futuro mais justo. Neste Dia Internacional das Meninas, vamos amplificar as suas vozes e renovar o compromisso de trabalharmos juntos para construir um mundo onde todas possam liderar e prosperar. 

Médio Oriente: secretário-geral da ONU denuncia a violência e apela à negociação da paz

UN News/Ziad Taleb | Um edifício está em chamas no centro de Gaza.

A violência mortal no Médio Oriente “surge de um conflito de longa data, com uma ocupação de 56 anos e sem nenhuma solução política à vista”, disse o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, aos jornalistas em Nova Iorque. 

António Guterres apelou à facilitação dos esforços de socorro e ao fluxo de ajuda humanitária essencial para Gaza, numa altura em que se intensifica o conflito sangrento que tem tirado a vida a centenas de civis israelitas e palestinianos. 

“É hora de acabar com este círculo vicioso de derramamento de sangue, ódio e polarização.”, defende, alertando para a necessidade de evitar “ações irreversíveis que encorajariam os extremistas e condenariam quaisquer perspetivas de uma paz duradoura.”

O secretário-geral da ONU explica que “somente uma paz negociada que satisfaça as aspirações nacionais legítimas dos palestinianos e israelitas, juntamente com a sua segurança e a visão de longa data de uma solução de dois Estados, pode trazer estabilidade a longo prazo ao povo desta terra e a toda a região do Médio Oriente.” 

Já a Diretora de Relações Exteriores da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), Tamara Alrifai, partilha da mesma opinião, sublinhando que “Só uma resolução pacífica do conflito irá pôr fim aos frequentes surgimentos de conflitos na região.”. 

O presidente da Assembleia Geral da ONU, Dennis Francis acrescenta que “A violência não é um caminho viável. Não oferece nem paz sustentável nem prosperidade para nenhuma das partes envolvidas.” 

Mensagem por ocasião do Dia Mundial da Saúde Mental

Foto: Banco Mundial / Grant Ellis

O SECRETÁRIO-GERAL 

“A saúde mental é um direito humano universal” 

10 de outubro de 2023 

A saúde mental é vital para a humanidade, permitindo-nos viver uma vida plena e contribuir ativamente para as nossas comunidades. 

No entanto, uma em cada oito pessoas em todo o mundo tem problemas de saúde mental, sendo as mulheres e os jovens desproporcionalmente impactados. Três em cada quatro pessoas afetadas recebem tratamento inadequado ou não recebem quaisquer cuidados e muitas enfrentam estigma e discriminação.  

A saúde mental não é um privilégio, mas um direito humano fundamental e deve ser incluída na cobertura universal de saúde. Os governos devem defender os direitos de pessoas com problemas de saúde mental e prestar os cuidados necessários para a sua recuperação. Tal inclui o reforço do apoio comunitário e a integração da ajuda psicológica no pacote de cuidados de saúde e sociais. 

Temos também de combater os abusos e derrubar as barreiras que impedem as pessoas de procurar ajuda e temos de abordar as causas profundas – pobreza, desigualdade, violência e discriminação – e criar sociedades mais solidárias e resilientes. 

No Dia Mundial da Saúde Mental, e todos os dias, vamos reafirmar e defender a saúde mental como um direito humano universal e, juntos, construir um mundo mais saudável onde todos possam prosperar. 

Mensagem por ocasião do Dia Mundial dos Correios

O secretário-geral da NATO junta-se aos líderes mundiais na Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque. O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, assiste à Assembleia Geral das Nações Unidas. Discurso de António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas

O SECRETÁRIO-GERAL 

 

9 de outubro de 2023 

O sistema postal tem sido, desde há muito tempo, a pedra angular da conetividade em todo o mundo. 

No mundo digital de hoje, este seu papel fundamental continua a ser essencial. A rede postal é vasta e chega a muitas comunidades mais remotas.  Podemos maximizar o seu alcance para ajudar a estimular a inclusão digital e a impulsionar o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. 

O tema do Dia Mundial dos Correios deste ano, “Juntos pela Confiança”, apela aos governos, ao setor privado e aos parceiros de desenvolvimento para que façam exatamente isso.  Estou grato à União Postal Universal (UPU) por liderar a iniciativa Connect.Post, que tem como objetivo garantir que todas as estações de correio tenham acesso suficiente à Internet até 2030. 

Neste Dia Mundial dos Correios, celebramos o trabalho da UPU e a contribuição fundamental dos trabalhadores dos correios em todo o mundo. Juntos, podemos alcançar um futuro digital justo e sustentável para todos. 

Olivier De Schutter: “O empobrecimento na Europa é mais visível na frente alimentar”

UN-Photo/ Jean-Marc-Ferre

O jurista belga e professor de direito internacional, Olivier De Schutter é o relator especial da ONU sobre pobreza extrema e direitos humanos desde 2020, mandatado pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas como especialista independente nestas questões.

Anteriormente membro do Comité dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais da ONU entre 2015 e maio de 2020, Olivier De Schutter falou com o UNRIC sobre as questões da inflação, pobreza e poder de compra na União Europeia. No dia 20 de outubro, apresentará à Assembleia Geral das Nações Unidas um novo relatório sobre “Os trabalhadores pobres: uma abordagem aos salários baseada nos direitos humanos”, que concluiu que mais de um em cada cinco trabalhadores no mundo vive em pobreza.

 

UNRIC: Um importante diário económico americano publicou em julho passado que “os europeus estão a tornar-se cada vez mais pobres”, em parte devido à inflação. Os europeus perderam muito poder de compra?

Olivier De Schutter: O centro da questão é se a proteção social e os salários acompanham a inflação. Os salários em 2022 aumentaram 4,2% na zona UE, o que significa uma queda real de mais de 4% no poder de compra, já que a inflação atingiu 8,4% no mesmo ano. As situações são mais graves em determinados países. Em Itália, os salários reais caíram 12% entre 2008 e 2022, uma situação muito preocupante.

Três estados da União Europeia, Bélgica, Luxemburgo e Chipre, têm um sistema de indexação automática dos salários à inflação. Contudo, não vemos nestes países a espiral salarial-inflação temida pelos economistas. Estudos do FMI mostram que quando a inflação é importada, a indexação salarial não conduz a esta espiral.

Em 2022, a inflação resultou do aumento dos preços da energia, ligado ao conflito na Ucrânia, mas também à especulação nos mercados energéticos, bem como ao aumento dos preços dos alimentos, novamente ligado à especulação nos mercados agrícolas. Para proteger os europeus do risco de empobrecimento associado ao regresso da inflação, o sistema de indexação dos salários à inflação é bom e funciona.

E, em qualquer caso, o Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais inclui a obrigação de os Estados garantirem a indexação do rendimento, incluindo os benefícios sociais, ao custo de vida.

Foto ONU/ Loey-Felipe Olivier De Schutter: “Ninguém tem dúvidas de que são necessárias mudanças fundamentais.”

UNRIC: Etiquetas anti roubo apareceram em bifes em supermercados na Alemanha, enquanto se observou um aumento nos furtos em lojas, + 14,7% em França em 2022 e + 25% nos Países Baixos, de acordo com a polícia destes dois países. Um sintoma preocupante para a Europa?

Olivier De Schutter: O furto em lojas é, sem dúvida, um sintoma, com o empobrecimento dos europeus a manifestar-se de forma mais visível na frente alimentar.

As despesas domésticas incluem itens “incompressíveis”, como a renda de casa, transporte, energia para aquecimento, cuidados de saúde, etc., bem como despesas “compressíveis”, como a alimentação.

Como resultado, as pessoas estão a adotar dietas menos diversificadas e menos saudáveis, com impactos muito problemáticos em termos de nutrição, especialmente para as crianças. Todas as doenças não transmissíveis ligadas à “junk food”, como a diabetes tipo B, os cancros gastrointestinais e as patologias ligadas à obesidade, penalizam particularmente os agregados familiares menos favorecidos e onde o nível de escolaridade dos pais é mais fraco. Esta é uma injustiça social mensurável e medida.

 

UNRIC: Segundo um relatório do World Inequality Lab, publicado em 2022, os 10% mais ricos do mundo detêm 52% de toda a riqueza, enquanto a metade mais pobre da população recebe apenas 8,5%. Estes números significam alguma coisa?

Olivier De Schutter: Sim e não. A pobreza tem sido descrita há muito tempo pelas ciências sociais como um rendimento insuficiente para satisfazer as necessidades essenciais para uma vida digna – habitação, saúde, educação. Hoje tomamos consciência de que a pobreza deve ser analisada não como um valor absoluto, mas como um valor relativo. Sentimo-nos pobres e socialmente excluídos quando as disparidades de riqueza aumentam numa determinada sociedade, ao mesmo tempo que se desenvolvem novas expectativas sociais.

No trabalho realizado pela ATD Quart-Monde com a Universidade de Oxford sobre as dimensões ocultas da pobreza, o sentimento de exclusão social, a vergonha que sentimos, não está apenas ligado à capacidade de satisfazer necessidades essenciais. A pobreza moderna também deve ser analisada em relação ao rendimento e às aspirações medianas. Congratulo-me com o facto de a UE ter uma definição abrangente de pobreza, baseada em três critérios: privação material grave para medir a pobreza absoluta, rendimento inferior a 60% do rendimento mediano para medir a pobreza relativa e a situação de um agregado familiar onde ambos os pais não trabalham, para identificar os agregados familiares em maior risco de pobreza.

A definição do salário mínimo na UE é relativa, uma vez que tem em conta o rendimento mediano. Isto é extremamente importante. Os números que citou são globais e significativos. Contudo, os inquéritos de opinião mostram que as disparidades de rendimento afetam principalmente as pessoas da sociedade em que vivem. Devemos, portanto, examinar como as desigualdades progridem ou regridem em cada sociedade, o que deve orientar-nos na escolha das medidas a tomar.

UNRIC: Em 2022, segundo o Eurostat, 8,5% dos trabalhadores na UE corriam o risco de pobreza no trabalho. Como analisa isto?

Olivier De Schutter: A ideia de tirar as pessoas da pobreza através do emprego tem por vezes encorajado a precariedade do emprego com subestatuto, trabalho a tempo parcial, “mini-empregos” acompanhados de proteção social mínima e salários que não protegem contra a pobreza. Basicamente, a insegurança no emprego é o preço que pagamos por nos concentrarmos na melhoria da taxa de emprego, em detrimento do trabalho digno.

O acesso ao emprego é obviamente importante na luta contra a exclusão social, bem como um fator para os desempregados recuperarem a sua dignidade, mas não deve ser feito em detrimento da qualidade do emprego e do nível salarial.

Compreendo que, para encorajar o regresso ao trabalho e para evitar “armadilhas de emprego”, defendemos que os beneficiários da assistência social possam continuar a recebê-la enquanto estiverem ativos. No entanto, isto não deverá resultar em subsídios aos empregadores que cobram “poverty wages”, como dizemos em inglês, o que me parece muito problemático. Temos de progredir na frente da assistência social e do rendimento mínimo, o que a UE está a fazer, e ao mesmo tempo temos de garantir que os salários mínimos sejam fixados a um nível que proteja contra a pobreza.

UNRIC: A luta contra a pobreza em França é seriamente prejudicada pelo fenómeno do não recurso à assistência social. Isto é específico de França ou é o mesmo fenómeno que ocorre noutras partes da Europa?

Olivier De Schutter: Os números mais recentes de investigadores da Universidade de Grenoble-Alpes e do Departamento de Investigação, Estudos e Avaliações Estatísticas (DREES) mostram que o não recurso ao Rendimento de Solidariedade Ativa (RSA) em França está a aumentar em 34%, ou seja mais de um terço dos potenciais beneficiários.

Mas a situação francesa não é excecional. Na Bélgica, este nível atinge 46%. Ou seja, quase metade dos potenciais beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RIS) não beneficia dele. Em Espanha, 57% dos potenciais beneficiários do rendimento “Ingreso Minimo Vital” não beneficiavam dele em 2020, segundo estimativas oficiais; o número é de 35% na Alemanha.

No papel, os benefícios sociais na UE parecem generosos e deveriam abranger a maior parte da população, mas, na prática, são as pessoas mais pobres que não beneficiam, porque não têm um bom acesso à informação, não conseguem ultrapassar obstáculos administrativos, recolher toda a documentação necessária, etc.

Olivier De Schutter : “O acesso ao emprego é obviamente importante na luta contra a exclusão social, bem como um fator para os desempregados recuperarem a sua dignidade, mas não deve ser feito em detrimento da qualidade do emprego e do nível salarial.

UNRIC: Bruxelas, a capital europeia, é a cidade mais pobre da Bélgica – segundo as estatísticas nacionais, 38,8% da sua população está “em risco de pobreza monetária e exclusão social” (AROPE), em comparação com uma média nacional de 18,7%. Trata-se de agregados familiares que vivem abaixo do limiar de pobreza nacional, ou seja, 1.366 euros por mês para uma única pessoa e 2.800 euros por mês para 2 adultos e 2 crianças. Como analisa estes números?

Olivier De Schutter: Este valor de quase 40% para Bruxelas é espetacular, mas reflete sobretudo o facto de haver muita desigualdade na região de Bruxelas. Tal como noutras partes da Europa, o risco de pobreza é definido como um rendimento inferior a 60% do rendimento mediano.

Este número não significa, felizmente, que 40% dos residentes de Bruxelas não consigam satisfazer as suas necessidades básicas, mas é um sinal de alerta que deve ser levado a sério. Significa que devem ser adotadas políticas públicas específicas, em particular no acesso ao emprego para os desempregados de longa duração, e medidas específicas para as populações imigrantes que estão em maior risco.

 

UNRIC: Lutar contra as desigualdades significa necessariamente tributar os mais ricos, lutar contra a evasão fiscal e visar os “superlucros”?

Olivier De Schutter: Faz parte de uma série de ferramentas, mas a fiscalidade não é a única ferramenta, claro. Podemos combater a pobreza e a desigualdade através de um melhor financiamento dos serviços públicos. Paradoxalmente, os serviços públicos que cobrem toda a população são mais fáceis de financiar, mesmo que custem mais, porque a classe média está disposta a pagar por um sistema do qual também beneficiará.

Os sistemas que visam os mais pobres são menos populares politicamente. As pessoas não querem pagar impostos para ajudar os pobres e, nas campanhas eleitorais, os discursos a favor dos pobres não são os que mais atraem o eleitor médio. Por outro lado, nenhum líder político na Europa pode questionar a universalidade do acesso à educação e aos cuidados de saúde.

 

UNRIC: Em maio publicou um ensaio intitulado “Mudar a sua bússola. O crescimento não superará a pobreza.” Vemos que as propostas de mudança de paradigma face à crise climática dificilmente são ouvidas. Sente que está sendo ouvido?

Olivier De Schutter: Sim, as pessoas procuram outra coisa. É dada muita atenção às mensagens de muitos investigadores de todo o mundo sobre a necessidade de mudar a bússola e de deixar de tomar o crescimento do PIB como critério de sucesso.

Os governos estão atrasados, assim como os políticos, seguem o software do século XX focado no crescimento, a torto e a direito. Discutem como criá-lo e distribuir os frutos, como nas décadas de 1960 ou 1970. Os políticos continuam presos à ideia de que a solução para qualquer problema deve passar pelo aumento da riqueza monetária. No entanto, a economia não pode crescer indefinidamente, porque o metabolismo da economia, o seu consumo de energia e recursos, leva-a a atingir os limites planetários. Recebi muitos comentários favoráveis ​​sobre esta ideia de que podemos lutar contra a pobreza de outra forma que não através do crescimento económico. Ninguém tem dúvidas de que são necessárias mudanças fundamentais.

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Resposta da ONU na Arménia

© WHO/Nazik Armenakyan | Carro que transporta artigos na cidade fronteiriça de Goris, na Arménia.

Segundo o Governo da Arménia, chegaram até agora ao país mais de 100.000 pessoas refugiadas provenientes da região de Karabakh. As equipas da ONU têm estado no terreno a prestar assistência humanitária desde que os primeiros grupos de refugiados chegaram à fronteira arménia.

Na sequência do recente êxodo, uma equipa da ONU entrou na região de Karabakh pela primeira vez em cerca de 30 anos. A missão foi acordada pelo Governo do Azerbaijão, pela ONU no Azerbaijão e pelo gabinete de coordenação da ajuda das Nações Unidas (OCHA). O seu principal objetivo é avaliar a situação no terreno e identificar as necessidades humanitárias.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou a que todas as partes envolvidas respeitassem rigorosamente o cessar-fogo, em conformidade com a declaração trilateral de 9 de novembro de 2020 e com os princípios do direito internacional humanitário e dos direitos humanos.

Dado o aumento das necessidades humanitárias, as agências sanitárias e alimentares da ONU estão na zona a prestar assistência a traumas e cuidados a queimaduras após a explosão de um depósito de combustível ao longo da rota percorrida pelas pessoas refugiadas. Estão também a distribuir refeições quentes, alimentos ricos em proteínas, cereais e óleo. 

Alimentos e ajuda de emergência imediata 

O Programa Alimentar Mundial (PAM) forneceu 4.000 pacotes de alimentos para ajudar 16.000 pessoas de etnia arménia deslocadas pelo conflito através do corredor de Lachin e está a distribuir 21.000 refeições quentes nos centros governamentais de registo e triagem do Governo da Arménia. 

“As pessoas que chegam à fronteira estão muitas vezes exaustas e necessitam de ajuda de emergência imediata, incluindo refeições quentes e outra assistência alimentar”, afirmou a agência. 

“Estamos profundamente preocupados com o impacto nas vidas e nos meios de subsistência dos civis. À medida que a situação evolui, é importante que as pessoas afetadas recebam apoio humanitário atempado e contínuo“, afirmou a representante do Programa Alimentar Mundial (PAM) na Arménia, Nanna Skau.

Situações “desoladoras” 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) está a trabalhar urgentemente para apoiar o Ministério da Saúde da Arménia, no âmbito de uma resposta ampla liderada pelo Governo, tanto agora como nos próximos meses. Na sequência da explosão de um depósito de combustível ao longo da rota utilizada pelas pessoas que entram na Arménia, o enviado especial da OMS, Robb Butler, visitou um centro de tratamento de queimados na capital da Arménia, Yerevan, e descreveu o sofrimento como “desolador”. 

“Cada cama deste hospital com 80 camas está ocupada por um sobrevivente da explosão de Karabakh. Os profissionais de saúde estão a lutar para os tratar e reabilitar, mas este é um país pequeno com capacidade limitada e as necessidades são imensas”. 

A agência sanitária das Nações Unidas, por sua vez, está a enviar medicamentos para doenças não transmissíveis que cobrirão três meses de tratamentos para um máximo de 50.000 pessoas.

Esforço coordenado da ONU 

© WHO/Nazik Armenakyan | Área de receção na cidade fronteiriça arménia de Goris

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) criou um espaço seguro para crianças em Goris, que serve diariamente cerca de 300 crianças e os seus pais. Além disso, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), juntamente com a OMS e a UNICEF, está a preparar uma rede de apoio psicossocial para mais de 12.000 refugiados.

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) está a apoiar o Governo com equipamento técnico, incluindo computadores portáteis e tablets, para facilitar o registo das pessoas que chegam e distribuiu 150.000 kits de saúde para apoiar tanto os refugiados como as comunidades de acolhimento.

Além disso, o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) apoiou milhares de mulheres nos centros de trânsito com kits de dignidade, que incluem pensos higiénicos, sabonete, champô, etc.

Missão da ONU na região

É a primeira vez em cerca de 30 anos que as equipas da ONU têm acesso à região. 

Numa declaração emitida após uma missão na região, a 1 de outubro de 2023, liderada pelo coordenador residente das Nações Unidas no Azerbaijão, juntamente com outros altos funcionários da agência, os membros da missão da ONU puderam verificar que, pelo menos na cidade de Khankendi, não havia sinais de danos nos edifícios públicos.

“A missão ficou impressionada com a forma repentina como a população local abandonou as suas casas e com o sofrimento que esta experiência deve ter causado”, afirmou a equipa da ONU.

 

Para mais informações, consulte: 

Biblioteca UNRIC: Conflito de Nagorno-Karabakh

Desperdício Zero: 3 mitos explicados

Foto: Shutterstock | Os governos, as empresas e os indivíduos devem trabalhar em conjunto para reduzir os resíduos e alcançar o 12º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável sobre produção e consumo responsáveis.

Artigo original publicado em inglês pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP). 

Os resíduos estão a tornar-se uma questão cada vez mais urgente: para o nosso ambiente, para as nossas sociedades e para a saúde humana. Fazer a transição para um futuro sem resíduos não é apenas um objetivo ambicioso, mas uma necessidade. E pode ajudar-nos a aproximarmo-nos da realização do 12ª objetivo de desenvolvimento sustentável, que se foca em padrões de produção e consumo responsáveis.  

O conceito de desperdício zero representa uma mudança sistémica que exige repensar os nossos padrões de consumo e métodos de produção para reduzir a poluição, conservar os recursos e minimizar a quantidade de resíduos que geramos.  

Embora a visão de desperdício zero tenha atraído muita atenção, existem alguns equívocos comuns. Vamos desmistificar três desses mitos e compreender melhor como o desperdício zero pode funcionar na prática. 

Mito 1: Desperdício zero significa não produzir absolutamente nenhum resíduo 

Um dos maiores equívocos sobre o conceito de desperdício zero é a crença de que significa não produzir absolutamente nenhum resíduo. Desperdício zero é um objetivo a longo prazo de uma jornada que temos de começar hoje. Embora o objetivo final seja minimizar o desperdício tanto quanto possível, atingir o desperdício zero no seu sentido mais literal é incrivelmente desafiante, se não impossível, nas sociedades atuais. 

O desperdício zero consiste em fazer escolhas conscientes para reduzir os resíduos em todos os aspetos da nossa vida. Tal envolve conceber os possíveis resíduos do processo de produção já desde a fase inicial, a criação de modelos de reutilização e reparação e a reciclagem segura de produtos que não podem ser reutilizados. Embora algumas pessoas possam pensar que esta transição é inconveniente ou dispendiosa, pode efetivamente poupar dinheiro a longo prazo, reduzindo a necessidade de serviços de eliminação e limitando os custos associados à destruição da natureza e aos impactos negativos na saúde. 

Foto: Unsplash | A redução da nossa pegada de resíduos envolve a conceção de resíduos desde a fase de conceção do produto, a criação de modelos de reutilização e reparação e a reciclagem segura de produtos que não podem ser reutilizados.

Mito 2: Desperdício zero tem tudo a ver com reciclagem 

Embora a reciclagem seja uma componente importante da redução de desperdício, devemos ter em conta que, atualmente, menos de 20% dos resíduos são reciclados todos os anos. A maior parte dos resíduos continua a ir parar à natureza ou aos aterros sanitários e lixeiras do mundo. Sem alterações drásticas, prevê-se que, até 2050, a quantidade de resíduos globais produzidos aumente 70% em relação aos níveis de 2016. 

Simplesmente, reciclar não será suficiente para sair desta crise. Em vez disso, temos de resolver o problema na fonte e é exatamente disso que se trata: evitar a produção de desperdício em primeiro lugar, reutilizar materiais e redesenhar produtos e processos para minimizar os resíduos.  

Silke von Brockhausen/UNDP | A gestão dos resíduos na ilhota capital de Tuvalu é uma luta constante devido à falta de espaço e de um separador de resíduos moderno.

Mito 3: O desperdício zero é para os indivíduos, não para as empresas 

A responsabilidade de reduzir o desperdício é frequentemente promovida como uma escolha de estilo de vida para os indivíduos. No entanto, as empresas têm um impacto significativo na produção de resíduos e podem dar contributos substanciais para um futuro sem desperdício. 

As políticas governamentais podem encorajar as empresas a adotarem uma abordagem holística para a eliminação de resíduos, promovendo a conceção de produtos que dêem prioridade à durabilidade, à possibilidade de reparação e à reutilização. Podem também impor objetivos de redução de desperdício às empresas e incentivá-las a adotar práticas sustentáveis. As empresas podem implementar estratégias de desperdício zero concebendo os resíduos desde o início, reavaliando as suas cadeias de abastecimento, reduzindo os resíduos de embalagens e estabelecendo parcerias com fornecedores que dão prioridade à sustentabilidade. 

Alcançar a meta de desperdício zero exige o esforço coletivo dos governos, das empresas e dos cidadãos. Com as políticas e práticas empresariais corretas em vigor, podemos concretizar esta importante visão e criar um planeta mais limpo, mais verde e mais saudável para todos.  

 

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Mensagem por ocasião do Dia Internacional da Não Violência

O SECRETÁRIO-GERAL 

 

2 de outubro de 2023 

Neste Dia Internacional da Não Violência, comemoramos não só o nascimento de Mahatma Gandhi, mas também os valores intemporais que ele defendeu: respeito e compreensão mútuos, justiça e o poder da ação pacífica. 

O nosso mundo enfrenta sérios desafios: desigualdades crescentes, tensões que vão aumentando, proliferação de conflitos e agravamento do caos climático. 

Assistimos também ao aprofundamento das divisões no interior dos países, desde a ameaça à democracia ao aumento do discurso de ódio e da intolerância.  

Podemos ultrapassar estas aflições e traçar um rumo para um futuro mais risonho e pacífico. 

Podemos fazê-lo se compreendermos, como Gandhi compreendeu, que a magnífica diversidade da nossa família humana é um tesouro e não uma ameaça. 

Se investirmos na coesão social e fomentarmos a coragem de chegar a compromissos e a determinação de cooperar. 

Se garantirmos que todos nós, independentemente do estatuto, origem, circunstância ou fé, podemos viver vidas com dignidade, oportunidade e direitos. 

Se nos unirmos em torno da nossa humanidade comum. 

Recordemos o sábio conselho de Gandhi: “A nossa capacidade de alcançar a unidade na diversidade será a beleza e o teste da nossa civilização.” 

Prestemos hoje atenção às suas palavras e comprometamo-nos de novo com este objetivo.

Mensagem por ocasião do Dia Mundial do Habitat 

O SECRETÁRIO-GERAL 

  

2 de outubro de 2023 

Este ano, o Dia Mundial do Habitat centra-se nas “Economias Urbanas Resilientes” e no potencial das cidades enquanto impulsionadoras de um crescimento inclusivo, verde e sustentável.  

Para concretizar esta promessa, as cidades têm de enfrentar uma série de desafios – desde as crises económicas e a escalada das emergências climáticas até ao agravamento das desigualdades. 

Através da nossa Coligação Local 2030, estamos a mobilizar todo o sistema das Nações Unidas para enfrentar estas crises na sua origem e promover a urbanização sustentável. 

As iniciativas locais de “resíduos zero” contribuem para a criação de economias circulares. As iniciativas públicas para expandir os espaços verdes ajudam a refrescar as paisagens urbanas durante as vagas de calor. As ações comunitárias para reduzir o desperdício alimentar e promover a produção local são passos fundamentais para transformar os nossos sistemas alimentares. 

Aumentar a resiliência e proteger melhor as populações vulneráveis exige investimentos muito maiores em infraestruturas sustentáveis, sistemas de alerta precoce e habitação acessível e adequada para todos. 

Ao mesmo tempo, temos de nos esforçar para melhorar o acesso à eletricidade, à água, ao saneamento, aos transportes e a outros serviços básicos, investindo simultaneamente na educação, no desenvolvimento de competências, na inovação digital e no empreendedorismo. 

A ação local é vital e a cooperação global indispensável. 

Neste Dia Mundial do Habitat, vamos comprometermo-nos a construir assentamentos humanos inclusivos, seguros, resistentes e sustentáveis para todas as pessoas, em todo o lado. 

Mensagem por ocasião do Dia Internacional das Pessoas Idosas

O SECRETÁRIO-GERAL 

 

1 de outubro de 2023 

Este ano, o Dia Internacional das Pessoas Idosas coincide com o 75º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. 

Para que a promessa da Declaração seja cumprida, temos de redobrar os nossos esforços para proteger a dignidade e os direitos das pessoas idosas em todo o mundo.  

Os desafios são muitos. O preconceito de idade é generalizado nas nossas sociedades. Da pandemia da covid-19 até à da pobreza ou às emergências climáticas, as pessoas idosas encontram-se frequentemente entre as primeiras vítimas das crises. 

Abordar estas e outras questões é um imperativo de direitos humanos que nos beneficiará a todos. 

As pessoas mais velhas são fontes inestimáveis de conhecimento e de experiência e têm muito a contribuir para a paz, o desenvolvimento sustentável e a proteção do nosso planeta.   

Temos de assegurar o seu empenho ativo, a sua plena participação e os seus contributos fundamentais, nomeadamente através de políticas sociais e laborais que tenham em conta as suas necessidades específicas.   

Temos de promover a aprendizagem ao longo da vida, cuidados de saúde de qualidade e a inclusão digital. 

E temos de fomentar o diálogo e a unidade entre as gerações. 

Juntos, vamos construir sociedades mais inclusivas e adaptadas às necessidades das pessoas idosas e um mundo mais resiliente para todos. 

UNCTAD pede ação global para descarbonizar o transporte marítimo

Artigo publicado pela ONU News

Indústria naval aumentou em 20% nas emissões de gases do efeito estufa em uma década; uso de combustíveis limpos requer altos investimentos;  aumento de custos pode prejudicar nações insulares e menos desenvolvidas, segundo agência da ONU.

 

Mais de 80% do comércio mundial é realizado por navios. Para tornar a indústria de transporte marítimo menos poluente são necessários combustíveis limpos, soluções digitais e uma transição equitativa para combater as emissões de carbono.

Estes dados e conclusões fazem parte da Revisão do Transporte Marítimo 2023, publicado esta quarta-feira pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

 

O papel das novas tecnologias

A meta de descarbonizar a indústria marítima mundial leva em conta que o setor é responsável por 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, sendo que as emissões aumentaram 20% em apenas uma década.

Segundo a diretora de tecnologia e logística da UNCTAD, Shamika Sirimanne, são necessárias “ações globais ousadas para descarbonizar o comércio marítimo.”

De acordo com a responsável, “investir em digitalização e tecnologia melhorará a previsibilidade e a confiabilidade do transporte”.

 

Desafios para criar frotas verdes

A UNCTAD ressalta a importância da colaboração em todo o sistema, das intervenções regulatórias rápidas e dos investimentos robustos em tecnologias e frotas verdes. Hoje, quase 99% da frota mundial depende de combustíveis convencionais.

A agência relata ainda que serão necessários investimentos de 28 mi milhões a 90 mil milhões de dólares anuais para desenvolver infraestruturas para combustíveis 100% neutros em carbono até 2050.

A descarbonização total poderia elevar as despesas anuais de combustível entre 70% e 100%, potencialmente afetando os pequenos Estados insulares em desenvolvimento e países menos desenvolvidos que dependem fortemente do transporte marítimo.

 

Quadro regulatório universal

Nesse sentido, Sirimanne afirmou que incentivos económicos, como taxas ou contribuições pagas em relação às emissões do transporte marítimo, “podem promover a competitividade dos combustíveis alternativos e reduzir a diferença de custos com os combustíveis pesados convencionais.”

Para garantir uma transição equitativa, a UNCTAD defende quadro regulatório universal, aplicável a todos os navios, independentemente das suas bandeiras de registo, propriedade ou áreas operacionais.

Assista ao vídeo:

Mensagem por ocasião do Dia Marítimo Mundial

António Guterres, Secretário-Geral indigitado, a caminho do plenário da setenta e primeira sessão da Assembleia Geral para aprovar a sua nomeação como nono Secretário-Geral das Nações Unidas.
António Guterres, Secretário-Geral indigitado, a caminho do plenário da setenta e primeira sessão da Assembleia Geral para aprovar a sua nomeação como nono Secretário-Geral das Nações Unidas.

O SECRETÁRIO-GERAL 

 

28 de setembro de 2023 

O transporte marítimo é um pilar da economia mundial, um catalisador do desenvolvimento e um elo vital de ligação entre bens, mercadorias e comunidades em todo o mundo. 

Atualmente, o setor marítimo transporta mais de 80% do comércio mundial – e é responsável por quase 3% das emissões mundiais. 

Por essa razão, acelerar a transição do transporte marítimo para a neutralidade de emissões de carbono é fundamental para o nosso futuro coletivo. 

A atualização da estratégia para a redução dos gases com efeito de estufa, acordada na Organização Marítima Internacional no início deste ano, apresenta um plano claro para atingir emissões líquidas zero até 2050.  

Precisamos agora de todos os esforços para implementar as políticas e os investimentos necessários para possibilitar uma transição justa e equitativa em todo o setor marítimo.   

Neste Dia Marítimo Mundial, celebramos o 50º aniversário de um tratado histórico, concebido para prevenir a poluição causada por navios: a Convenção MARPOL. 

Ao longo das décadas, a MARPOL tem contribuído de forma significativa para a proteção do nosso planeta e dos nossos oceanos, tornando o transporte marítimo mais seguro e mais limpo. 

Olhando para o futuro, devemos aproveitar o legado desta convenção e, em conjunto, definir o rumo para um futuro mais sustentável e próspero para esta indústria essencial e um futuro mais seguro para a humanidade. 

Materiais de Ensino

Teacher

É docente e gostaria de promover algumas atividades educativas sobre as Nações Unidas? Nesta secção encontrará alguns materiais da ONU para ensinar o trabalho desenvolvido pela Organização de forma pedagógica e divertida. Do desenvolvimento sustentável aos direitos humanos, pode fazer download de diferentes atividades e envolver os alunos no trabalho da maior organização multilateral do mundo.

História da ONU

Este guia de ensino baseado em fontes das Nações Unidas apresenta aos alunos a história e a missão da ONU. Ao aprender sobre a fundação da ONU e a analisar fontes primárias textuais e visuais dos primeiros anos da Organização, os alunos aprenderão mais sobre a Organização na era pós-Segunda Guerra Mundial. O objetivo é que os alunos compreendam o papel único da ONU em prol de uma vida pacífica e próspera para a humanidade.

Guia sobre a História da ONU

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Paz e Segurança

As Nações Unidas foram criadas em 1945, após a devastação da Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de manter a paz e a segurança internacionais. Tal consta no primeiro artigo do primeiro capítulo da Carta das Nações Unidas.

O Conselho de Segurança é o órgão da ONU que tem como principal responsabilidade a paz e a segurança internacionais. A Assembleia Geral e o secretário-geral também desempenham papeis importantes, juntamente com outros escritórios e órgãos da ONU.

Este guia didático fornece uma visão geral da manutenção da paz da ONU e a sua evolução ao longo dos anos, bem como do trabalho das forças de manutenção da paz em todo o mundo. Este guia de ensino permitirá aos alunos pensar sobre os atuais desafios geopolíticos do mundo e possíveis soluções.

Guia sobre a Paz e Segurança
Paz

Direitos Humanos

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) foi adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948. Foi a primeira tentativa de criar um padrão global de direitos humanos – para definir o que são os direitos humanos e o que abrangem. Como tal, a DUDH é altamente relevante para todos os cidadãos do planeta.

Este guia de ensino foi elaborado para ajudar os alunos a compreender a DUDH nas suas vidas diárias e no mundo ao seu redor. Foi concebido para relacionar os direitos humanos enquanto conceitos abstratos em experiências concretas.

Guia sobre Direitos Humanos

Desenvolvimento Sustentável

Este guia de ensino apresenta uma introdução aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) com foco no ODS 4 (Educação de Qualidade). São fornecidas perguntas-chave juntamente com fontes primárias para facilitar a compreensão e envolver os alunos de forma crítica. Através da análise da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, os alunos compreenderão a importância dos ODS no seu dia a dia e na comunidade internacional.

Guia sobre Desenvolvimento Sustentável

Documento ODS Professores


Consulte mais materiais aqui.

 

 

Qual o impacto das ondas de calor marinhas?

Kadir van Lohuizen / NOOR | Um recife saudável na Baía de Molinere, Área Marinha Protegida, Granada

A temperatura média da superfície do mar desempenha um papel crucial na regulação dos padrões climáticos e dos ecossistemas marinhos. Estas temperaturas atingiram valores recorde, o que está a ter um impacto tanto no ambiente marinho como na economia das regiões afetadas.  

Recentemente, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) publicou uma avaliação exaustiva sobre o estado das temperaturas da superfície do mar e das suas implicações para o nosso planeta.  

Espanha e Portugal são países bastante afetados pelo aumento da temperatura do mar e dos oceanos. Recentemente, o Instituto Hidrográfico confirmou que em junho de 2023, a temperatura à superfície do mar em Faro, em Sines e em Leixões estava acima da média das últimas duas décadas.  

Afinal, porque é que as ondas de calor marinhas se estão a tornar mais recorrentes? Para compreender melhor as mudanças que se avizinham, a ONU falou com uma especialista e professora catedrática de Oceanografia Física na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Regina Rodrigues. 

Regina Rodrigues, professora de Oceanografia Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

ONU: Regina, pode explicar como ocorrem as ondas de calor marítimas?  

Regina Rodrigues (R): Há vários mecanismos que podem gerar ondas de calor marinhas, como a influência das correntes. Estes fenómenos ocorrem quando as correntes trazem água anormalmente quente. No entanto, de acordo com a nossa investigação, verificámos que as ondas de calor marinhas mais intensas são predominantemente causadas pela atmosfera. Por exemplo, o fenómeno de bloqueio atmosférico que ocorre na Europa durante o verão desempenha um papel importante na origem de secas e ondas de calor em terra. 

*(Os bloqueios atmosféricos estão geralmente associados a sistemas de alta pressão de movimento lento que “bloqueiam” os ventos de oeste nos níveis superiores da atmosfera, provocando a paragem da progressão normal dos sistemas meteorológicos para leste. Um bloqueio pode dar origem a longos períodos de calor extremo no verão ou de frio intenso no inverno). 

ONU: Como é que as ondas de calor marítimas afetam o ecossistema?  

R: Normalmente, estas ondas de calor ocorrem durante o verão, quando as temperaturas já são mais elevadas. Os organismos marinhos têm um intervalo de temperatura dentro do qual podem viver. Durante o verão, estes organismos marinhos já se encontram no limite superior da sua gama de sobrevivência. Quando ocorre uma onda de calor marinha, significa que a temperatura ultrapassa este limite. 

Geralmente, as ondas de calor marinhas durante o verão resultam em temperaturas que excedem o limite térmico da maioria dos organismos marinhos. Nalguns casos, isto pode levar à mortalidade em massa e, noutros casos, os organismos sobrevivem e suportam as temperaturas elevadas. No entanto, nestas condições, a primeira coisa que os organismos marinhos param, para conservar energia, é o seu processo reprodutivo. 

Se se tratar de uma espécie de pesca de importância económica, a quota para o ano seguinte pode não ser atingida. Há, portanto, muitas consequências.  

“A própria temperatura pode causar uma doença que pode matar o peixe.” 

Outra consequência visual notória é o aumento da vulnerabilidade dos organismos marinhos às doenças quando sofrem de stress térmico. Por exemplo, durante o evento da cimeira de calor no Canadá em 2021, as imagens mostraram salmões americanos sem pele ou com problemas de pele (como uma cor rosada), que foram causados pelo calor na água e que os tornaram vulneráveis a doenças fúngicas. Os salmões afetados, que migravam rio acima para se reproduzirem, não conseguiam sobreviver e poderiam morrer devido à doença. 

O recife de coral é provavelmente o mais frequentemente mencionado. As ondas de calor marítimas matam os organismos que constituem os corais e provocam o seu branqueamento. 

ONU: No caso de Espanha, como é que as ondas de calor marítimas estão a afetar o país? 

R: Por exemplo, no caso de Espanha, existe um sistema persistente de altas pressões, conhecido como bloqueio atmosférico, que reduz os ventos e provoca condições de seca. Durante o verão, há uma grande quantidade de radiação solar que aquece não só a terra, mas também o oceano. Em consequência, assistimos a estas ondas de calor marítimas no Mediterrâneo que ocorrem simultaneamente com a seca e as ondas de calor em terra. Esta onda de calor conjunta é o que designamos por “extremos compostos”. Assim, quando pensamos num país como a Espanha, o calor afeta a terra e a costa ao mesmo tempo. 

P: Como é que este fenómeno meteorológico irá afetar países como Espanha (e Portugal) no futuro?  

R: Penso que será difícil, porque a frequência destes fenómenos no verão tem vindo a aumentar nos últimos anos, ao passo que, anteriormente, estas ondas de calor eram ocasionais. Em 2003, verificamos uma grande vaga de calor que causou 30.000 mortos e, ao mesmo tempo, houve uma vaga de calor marítima. Só que, na altura, as pessoas não prestavam muita atenção ao oceano. No entanto, foi um acontecimento extraordinário. 

Desde 2018, a Europa tem registado ondas de calor todos os verões. Em geral, se olharmos para a Europa, em particular para a parte sul, como Espanha, temos a extensão dos trópicos. A Península Ibérica (Espanha e Portugal) fica mais a sul, o que, na minha opinião, é um problema. As projeções indicam que a situação irá piorar no futuro e penso que a Espanha irá realmente sofrer.  

A indústria da pesca é muito importante em Espanha e a escassez de água é outro grande desafio.  

Barco de pesca em Peloponeso, Grécia. Sudeste da Europa./ Unsplash

ONU: Que efeito tem a poeira do Saara no aquecimento dos oceanos, especificamente no Mediterrâneo e no Atlântico? 

R: A poeira do Saara ajuda a manter os níveis de calor sob controlo. Normalmente, durante o verão, os ventos, também conhecidos como circulação atmosférica, trazem uma grande quantidade de poeira para a atmosfera. Esta poeira protege do sol, como uma pequena nuvem, e atua como uma forma de “arrefecimento evaporativo” no sistema terrestre. Este ano, registaram-se ventos invulgarmente fracos no Atlântico Norte, sobretudo perto da Europa. Como resultado, estes ventos fracos inibiram o fluxo de poeira do Saara, que atua como um fator de arrefecimento juntamente com o arrefecimento evaporativo. Foi por isso que registámos temperaturas oceânicas excecionalmente elevadas. 

ONU: Quanto tempo duram as ondas de calor e estão a tornar-se mais longas? 

R: As ondas de calor podem variar em termos de duração. Existem ondas de calor de curta duração, que duram entre cinco a dez dias, bem como ondas de calor persistentes. As projeções dos nossos estudos indicam que as ondas de calor serão mais longas no futuro. Os sistemas de bloqueio na Europa também se estão a tornar mais longos. Anteriormente, uma onda de calor em terra (usando uma analogia atual) durava cerca de dois a três dias. No entanto, estamos agora a assistir a ondas de calor que duram entre uma semana e dez dias. 

ONU: Porque é que isto está a acontecer?  

R: Porque os sistemas atmosféricos se tornaram maiores e mais persistentes. À medida que estes sistemas meteorológicos duram mais tempo, a duração das ondas de calor marítimas e terrestres aumenta, contribuindo para as condições de seca. As alterações climáticas são um dos fatores que conduzem ao prolongamento das ondas de calor. 

ONU: Fale-nos mais sobre o efeito que o aquecimento global tem tido nos oceanos.  

R: Algo que as pessoas por vezes não se apercebem é que, devido às alterações climáticas e aos gases com efeito de estufa, o equilíbrio térmico da Terra está desequilibrado.  

90% do calor extra que está a ser retido pelas nossas emissões é absorvido pelo oceano: uns impressionantes 90%! 

A água tem uma capacidade incrível de absorver calor, e é isso que está a acontecer. Se o oceano não absorvesse todo este calor, encontrar-nos-íamos numa situação ainda mais grave. É por isso que atualmente temos apenas um aumento da temperatura global [atmosférica] de 1,1 a 1,2 graus.  

É por isso que dizemos que o aquecimento global atingiu 1,2 graus acima do nível pré-industrial. Estamos a referir-nos à temperatura média da atmosfera ao nível do mar. O aumento de apenas 1,2 graus deve-se ao facto de 90% do calor ir para o oceano. 

“O oceano está a ajudar-nos a reduzir o aquecimento global. No entanto, isto tem um custo significativo para o oceano.” 

Os organismos do ecossistema marinho não tiveram tempo para se adaptar a este aumento de temperatura. As espécies são incapazes de acompanhar a rapidez das alterações climáticas. A plasticidade, a adaptação do ecossistema, é demasiado rápida. 

ONU: Este verão, a Europa registou fenómenos meteorológicos extremos, com calor extremo no Mediterrâneo e chuva e tempestades noutras regiões. Estará isso relacionado com o aquecimento dos oceanos? 

R: De certa forma, pode ser atribuído às alterações climáticas. Trata-se daquilo a que nós, cientistas, chamamos de intensificação do ciclo hidrológico, que é uma consequência das alterações climáticas. Nas zonas quentes e secas, a evaporação aumenta e, consequentemente, ocorrem condições mais secas.  

As zonas com elevada humidade são suscetíveis de receber mais chuva. Isto acontece porque as temperaturas mais quentes têm a capacidade de reter mais humidade.

“O que estamos a ver em Espanha e na Europa é que a estação seca está a tornar-se mais seca e mais longa. Quando chove, chove torrencialmente e num curto espaço de tempo.” 

Esta situação tem graves implicações para os ecossistemas terrestres, para a agricultura e para o ser humano. A estação seca prolongada é prejudicial, porque, quando chove, ocorrem aguaceiros torrenciais. 

ONU: Ainda podemos fazer alguma coisa para travar este processo? 

R: Sim, ainda podemos. As emissões líquidas zero são importantes, especialmente para o oceano. No entanto, não há outra forma senão parar as emissões. Infelizmente, mesmo que eliminemos as nossas emissões agora, o calor observado no oceano persistirá durante muito tempo. Mesmo que consigamos atingir zero emissões, o calor regressará. Haverá um período em que registaremos flutuações, excedendo e depois regressando abaixo do objetivo desejado.  

O oceano desempenha um papel importante, uma vez que absorve uma quantidade considerável de calor. Posteriormente, uma vez cessadas as emissões, estabelecer-se-á gradualmente um equilíbrio que levará à eventual libertação de parte do calor absorvido para a atmosfera. 

Este facto tem dois aspetos. Em primeiro lugar, mesmo que deixemos de emitir agora, o oceano continuará a absorver o calor em excesso e a libertar algum desse calor de volta para a atmosfera. Isto não é do nosso interesse, mas é a realidade e a melhor ação que podemos tomar. Penso que a urgência de agir é evidente, pois, se não pararmos as emissões o mais rapidamente possível, a situação tornar-se-á mais complexa. Eventualmente, a dada altura, o oceano atingirá o limite da sua capacidade de absorver calor e deixará de o fazer. Espero que não cheguemos a esse ponto, porque então estaremos realmente em apuros. 

Para mais informações, consulte: 

Organização Meteorológica Mundial (OMM) 

Cientistas de renome avaliam os últimos impactos do aquecimento dos oceanos