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Moçambique quer experiências inovadoras para pesca sustentável

Moçambique está preocupado por haver dois extremos na captura de pescado: a pesca familiar e a pesca abusiva. Este mês, uma ronda da 5ª. Conferência Intergovernamental em Nova Iorque debaterá o tratado de proteção da biodiversidade do alto mar.

Para a ministra do Mar, Águas Interiores e Pescas, Lídia Cardoso, o país precisa se inspirar em exemplos internacionais. Além de resolver estas questões, a ideia é preservar o oceano e melhorar a qualidade de vida das populações vivendo do mar.

Comunidades

As declarações foram feitas, no mês passado, à ONU News, em Lisboa, na Conferência dos Oceanos. O evento confirmou a aposta global em promover a economia azul para o uso sustentável dos recursos oceânicos.

Lídia Cardoso fez um apelo por fundos para promover uma economia do mar sustentável

Reprodução

Lídia Cardoso fez um apelo por fundos para promover uma economia do mar sustentável

“Moçambique, sendo um país com uma costa muito larga, portanto 2.700 km, e com comunidades pesqueiras que ocupam praticamente 60% da nossa comunidade que vivem junto ao mar, conta com 90% do pescado que provém dos pescadores artesanais. É importante que haja esta troca de experiências. Importa ter todo o conhecimento trazido ao nível conferências deste género, para que possamos aproveitá-las, por um lado, para melhorar a utilização do mar.”

Desenvolvimento

Em paralelo à reunião de Lisboa, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp anunciou uma plataforma de cooperação sobre Pesca Sustentável e Prevenção, Combate e Eliminação da Pesca Ilegal, Não Declarada e Não Regulamentada.

Moçambique quer diminuir os extremos do uso da mão de obra familiar ou a captura no alto mar que esteja além da capacidade natural de reprodução.

Para tal, Lídia Cardoso fez um apelo por fundos para promover uma economia do mar sustentável em países menos desenvolvidos.

Moçambique quer diminuir os extremos do uso da mão de obra familiar ou a captura no alto mar

© FAO/Sylvain Cherkaoui

Moçambique quer diminuir os extremos do uso da mão de obra familiar ou a captura no alto mar

“Há muita inovação dos países mais avançados, que pode ser partilhada, para que não tenhamos que passar por processos de lições já aprendidas neles. Podemos tirar benefícios também. É certo que muitos países menos desenvolvidos, como Moçambique, têm experiências também a partilhar entre eles. Mas nós também esperamos que para estas mudanças, que têm a ver com o uso e utilização do mar, possamos também discutir e trazer financiamento que nos possa apoiar em níveis da capacitação e desenvolvimento de infraestruturas. Para que possamos melhorar as condições de vida e oportunidades para reverter a pesca artesanal e a sobrepesca e promover atividades que possam trazer benefícios às comunidades sem prejuízos.”

Tratado

A ministra ressaltou que existe potencial para uma transformação econômica nas comunidades otimizando o uso de recursos costeiros e marinhos.

A conferência de Lisboa enfatizou que os níveis predatórios de captura de pescado e outros recursos ameaça cada vez mais a saúde dos oceanos.

Oceano é alvo de grandes medidas para mitigar as mudanças climáticas

ICS/Craig Nisbet

Oceano é alvo de grandes medidas para mitigar as mudanças climáticas

Campanha da ONU se une ao enfrentamento da violência contra mulheres no Brasil

Neste 7 de agosto*, o Brasil marca 16 anos da Lei Maria da Penha sobre a violência contra mulheres. As Nações Unidas, por meio da iniciativa global Verificado, lançam no Brasil a campanha #ParaCadaUma, sobre violência doméstica e familiar contra mulheres.

Sol na praia de Ipanema, no Rio de Janeiro.

OMM/Bruno Ipiranga

Sol na praia de Ipanema, no Rio de Janeiro.

Violência contra as mulheres

O primeiro evento será no Santuário Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, com representantes de diversas religiões. No monumento, considerado um cartão postal da cidade, a cantora Kell Smith fará uma apresentação musical.

A campanha #ParaCadaUma pretende falar, tipificar e exemplificar todos os tipos de violência contra as mulheres. O objetivo é fazer com que os cinco tipos de violência – psicológica, moral, patrimonial, sexual e física – sejam identificados e nomeados, abrindo espaço para o enfrentamento a cada uma delas.  

Para Roberta Caldo, do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil, UNIC Rio, a campanha ajudará a esclarecer os tipos de violência, pois somente com informação adequada as mulheres poderão sair de ciclos de opressão.

Ela afirma que a campanha tem o objetivo de nomear e trazer à luz cada um dos tipos de violências caracterizados pela lei, para que homens e mulheres possam identificá-los contribuindo para que as vítimas deixem situações de abuso e sejam donas de suas histórias.

Eventos

Além do evento no Cristo Redentor, a campanha contará com ações no Museu de Arte do Rio, o Museu do Amanhã, e no Teatro Amazonas, em Manaus. As apresentações contarão com a iluminação acompanhando o “Agosto Lilás”, mês de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, como forma de adesão à campanha #ParaCadaUma.

As linhas 4, 5, 8 e 9 de trem e do metrô de São Paulo terão 20 portas de vagões adesivadas e transmissão de mensagens de combate à violência doméstica e familiar nos monitores de vagões e plataformas. O VLT Carioca e a Eletromidia também apoiam a causa com a divulgação do projeto nas telas.

De acordo com a 16ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, uma mulher é vítima de feminicídio no Brasil a cada 7 horas.

Sobrevivente de violência doméstica com seu bebê.

Foto: UNDP.

Sobrevivente de violência doméstica com seu bebê.

Mobilização social

A campanha brasileira #ParaCadaUma é parte da iniciativa global Verificado da ONU e tem apoio institucional do Instituto Maria da Penha e Instituto Avon, além de colaborações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Cnbb), Eletromidia, Farah Service, Grupo CCR, Museu de Arte do Rio, Museu do Amanhã, Nigro Entretenimento, Santuário Cristo Redentor, ViaMobilidade, ViaQuatro e VLT Carioca.

O projeto Verificado é coordenado no Brasil pelo Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil e conta com a colaboração da Purpose, considerada das maiores organizações de mobilização social do mundo.

 Acesse: compartilheverificado.com.br

*Com informações do Unic-Rio.

Em Hiroshima, chefe da ONU pede desarmamento nuclear global

Em cerimônia que marca o 77º aniversário do bombardeio atômico de Hiroshima, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou ser totalmente inaceitável que os Estados detentores de armas nucleares admitam a possibilidade de uma guerra nuclear.

Em seu discurso, no evento que aconteceu na manhã deste sábado na cidade japonesa, ele ressaltou que “as armas nucleares são um absurdo”, e que três quartos de século depois, devemos nos perguntar o que aprendemos com a nuvem em forma de cogumelo que cresceu sob a cidade em 1945.

Hiroshima, ao lado de Nagasaki, foi alvo de um ataque com bomba atômica há 75 anos, no final da Segunda Guerra Mundial.

Foto ONU/Yoshito Matsushige

Hiroshima, ao lado de Nagasaki, foi alvo de um ataque com bomba atômica há 75 anos, no final da Segunda Guerra Mundial.

Corrida armamentista

Com a presença de dezenas de convidados, incluindo pessoas afetadas pela explosão, jovens ativistas da paz, o primeiro-ministro do Japão e outras autoridades locais, Guterres alertou que uma nova corrida armamentista está ganhando velocidade e os líderes mundiais estão aumentando os estoques a um custo de centenas de bilhões de dólares.

Segundo ele, atualmente, quase 13 mil armas nucleares são mantidas em arsenais em todo o mundo.

O Chefe da ONU alertou que “crises com graves implicações nucleares estão se espalhando rapidamente, do Oriente Médio à península coreana, à invasão da Ucrânia pela Rússia”, e que “a humanidade está brincando com uma arma carregada”.

Cerimônia marca o 77º aniversário do bombardeamento atômico de Hiroshima

ONU/Ichiro Mae

Cerimônia marca o 77º aniversário do bombardeamento atômico de Hiroshima

Sinais de esperança

Para Guterres, a atual Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, em Nova York, é um “sinal de esperança”.

Ele pediu aos membros do Tratado que “trabalhem com urgência para eliminar os estoques que ameaçam nosso futuro, fortalecer o diálogo, a diplomacia e a negociação” e que apoiem a agenda da ONU de desarmamento eliminando esses dispositivos de destruição.

Ele ressaltou que os países com armas nucleares devem se comprometer com o “não primeiro uso” delas e garantir a outros estados que não usarão, ou ameaçarão usar, armas nucleares contra eles.

O chefe da ONU afirmou que “devemos manter os horrores de Hiroshima em vista o tempo todo, reconhecendo que há apenas uma solução para a ameaça nuclear: não ter armas nucleares”.

Hora de proliferar a paz

Guterres enfatizou que os líderes não podem se esconder de suas responsabilidades, e devem tirar “a opção nuclear da mesa, para sempre”. Para ele, “é hora de proliferar a paz.

Ele pediu que se preste atenção à mensagem dos hibakusha, como são conhecidas as pessoas afetadas pela explosão: “Chega de Hiroshimas! Chega de Nagasakis!”.

Aos jovens, o chefe da ONU enviou uma mensagem incitando-os a terminar o trabalho que os hibakusha começaram. Segundo ele, “o mundo nunca deve esquecer o que aconteceu aqui”, e que “a memória dos que morreram, o legado dos que sobreviveram, jamais se extinguirá”.

O secretário-geral da ONU passará o final de semana no Japão, onde se reunirá com vários altos funcionários japoneses, incluindo o primeiro-ministro Fumio Kishida.

Ele também vai se reunir com um grupo de vítimas sobreviventes das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, e participará de um diálogo com jovens ativistas que lideram iniciativas sobre desarmamento nuclear, não-proliferação e outras questões globais.

Ondas de calor são o novo normal

Portugal atravessa mais uma onda de calor e é dos países europeus mais expostos a esse tipo de cenário. O aumento das temperaturas tem vindo a fazer-se sentir em toda a Europa, com um mês de julho com temperaturas acima do habitual e assim continua no mês de agosto. 

Receia-se que estas temperaturas se tornem a norma, caso não sejam tomadas diligências. “No futuro, este tipo de ondas de calor vai ser normal. Veremos temperaturas extremas mais fortes” advertiu o secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial, Petteri Taalas. 

Petteri Taalas espera que esta situação seja um alerta para os governos e que tenha um impacto nos comportamentos de voto nos países democráticos. 

De acordo com relatórios do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), a Europa vai ser a região mais afetada a curto prazo pelo aumento das temperaturas. No Mediterrâneo, prevê-se um aumento dos incêndios florestais, secas e subida do nível do mar até 2050. 

Estas ondas de calor têm um impacto nos serviços de saúde que já se encontram enfraquecidos pela pandemia da covid-19. O Relatório Especial do IPCC sobre Extremos mostra também que as ondas de calor vão ser mais frequentes, mais longas e mais intensas no século XXI. Serão necessários sistemas de alerta precoce e sistemas de saúde reforçados. 

 A qualidade do ar está a deteriorar-se, o que afeta, em particular, as pessoas mais vulneráveis. “Quando uma onda de calor acompanha elevados níveis de poluição, aumenta o risco de doenças respiratórias e cardiovasculares, especialmente em grandes espaços urbanos que não estão adaptados para fazer face a estas temperaturas elevadas”, destacou Maria Neira, diretora de Ambiente e Saúde da Organização Mundial de Saúde. 

Preços dos alimentos caem em julho pelo quinto mês consecutivo

Um assombroso terço de todos os alimentos produzidos globalmente é perdido ou desperdiçado.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, publicou nesta sexta-feira o Índice de Preços de Alimentos para julho. O maior declínio percentual foi no preço dos cereais e óleos vegetais.

De acordo com o relatório, houve uma queda de 8,6 % no índice global em relação a junho, marcando o quinto declínio mensal consecutivo desde que atingiu máximas históricas no início deste ano.

Vendedor ambulante vende frituras em sua barraca em Jacarta, na Indonésia. Queda dos preços foi puxada pelos óleos vegetais

© Unicef/Arimacs Wilander

Vendedor ambulante vende frituras em sua barraca em Jacarta, na Indonésia. Queda dos preços foi puxada pelos óleos vegetais

Petróleo e Óleos

Entretanto, o Índice de Preços de Alimentos da FAO permaneceu 13,1% maior se comparado a julho de 2021.

As cotações internacionais para todos os tipos de óleo caíram. Os preços de óleos vegetais diminuíram 19,2% em relação ao mês anterior, marcando uma baixa de 10 meses.

Já óleo de palma ficou mais barato devido às perspectivas de amplas disponibilidades de exportação para fora da Indonésia, as do óleo de colza respondendo às estimativas de maior oferta de novas safras. Os preços do óleo de soja estão em queda devido à demanda lenta e prolongada.

E os consumidores do óleo de girassol também notaram uma queda acentuada em meio à demanda de importação global moderada, apesar das contínuas incertezas logísticas na região do Mar Negro.

Os preços mais baixos do petróleo bruto puxaram os valores do óleo vegetal para baixo.

Primeira remessa de mais de 26 mil toneladas de alimentos ucranianos sob um acordo de exportação do Mar Negro foi liberada para prosseguir para seu destino final no Líbano.

© Unocha

Primeira remessa de mais de 26 mil toneladas de alimentos ucranianos sob um acordo de exportação do Mar Negro foi liberada para prosseguir para seu destino final no Líbano.

Enfraquecimento da Moeda Brasileira

O açúcar caiu 3,8% em relação a junho, em meio a preocupações com as perspectivas de demanda. O motivo são as expectativas de uma desaceleração econômica global, um enfraquecimento do real brasileiro e preços mais baixos do etanol, resultando em maior produção de açúcar no Brasil.

Indicações de maiores exportações, assim como perspectivas favoráveis ​​de produção na Índia também contribuíram para a queda nos preços mundiais do produto.

Já o valor dos cereais caiu 11,5% no mês permanecendo 16,6% acima do preço de julho do ano passado. A queda foi liderada pelo trigo, em parte como reação ao acordo alcançado entre a Ucrânia e a Rússia para desbloquear as exportações dos principais portos do Mar Negro e em parte à disponibilidade sazonal das colheitas no hemisfério norte.

O Brasil é o maior exportador de açúcar

Ocha/ Danielle Parry

O Brasil é o maior exportador de açúcar

Argentina e Brasil

Os preços dos grãos de milho baixaram 10,7%, também devido, em parte, ao acordo do Mar Negro, mas também ao aumento das disponibilidades sazonais na Argentina e no Brasil.

Os preços internacionais do arroz também caíram pela primeira vez este ano.

O Índice de Preços de Laticínios da FAO caiu 2,5% em relação a junho, em meio a uma atividade comercial fraca, mas ainda em média 25,4% acima do valor de julho de 2021.

O leite em pó e a manteiga chegaram mais baratos às prateleiras enquanto o queijo permanece estável, impulsionado pela demanda nos destinos turísticos europeus.

Criadores de frango na Ásia

FAO/Giulo Napolitano

Criadores de frango na Ásia

Segurança Alimentar Global

Os preços internacionais da carne de aves atingiram um recorde histórico, sustentado pela firme demanda global de importação e pela escassez de oferta devido aos surtos de gripe aviária no Hemisfério Norte.

Segundo o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, apesar do declínio neste mês, muitas incertezas permanecem, incluindo os altos preços dos fertilizantes que podem afetar as perspectivas de produção futuras e os meios de subsistência dos agricultores, representando uma pressão para a segurança alimentar global.

OMS: A pandemia da covid-19 está longe de ter terminado

A pandemia da covid-19 continua a ser “uma emergência de saúde pública de preocupação internacional”, declarou o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. 

As novas vagas de propagação mostram que a pandemia da COVID-19 “está longe de ter terminado”. 

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, o número de casos de covid-19 tem aumentado consecutivamente ao longo das últimas semanas. 

Embora a OMS considere que este aumento se deve ao aparecimento de diferentes variantes e da variante Omicron, a organização refere também o levantamento das medidas de distanciamento físico e de saúde pública e as acentuadas reduções nos testes, que resultam numa redução da cobertura e da qualidade da vigilância. 

De acordo com um relatório publicado em julho de 2022, a Organização Mundial de Saúde identificou mais de 561 milhões de casos confirmados de covid-19 a nível mundial, incluindo 235 milhões na Europa, e mais de 6,3 milhões de mortes desde o início da pandemia. 

 

Nações Unidas apoiam busca de acordo de paz mais amplo sobre o Iêmen

As Nações Unidas saudaram a renovação da trégua entre as partes do conflito no Iêmen por dois meses.

O compromisso que está em vigor desde abril passado foi renovado até 2 de outubro.

Compromisso

O enviado especial da ONU para o Iêmen, Hans Grundberg, elogiou o contínuo empenho do governo reconhecido pela comunidade internacional e dos rebeldes houthis.  Ambos concordam em intensificar as negociações para se chegar a um “acordo amplo o mais rápido possível”.

Em comunicado, o mediador disse esperar que a cooperação entre os envolvidos possa ajudar a seguir com os compromissos e implementar todos os elementos da trégua rumo a uma paz sustentável.

Enviado especial Hans Grundberg defende que acordo mais amplo abriria uma nova oportunidade para a negociação de um cessar-fogo

Foto: OSESGY

Enviado especial Hans Grundberg defende que acordo mais amplo abriria uma nova oportunidade para a negociação de um cessar-fogo

Pela proposta de Grundberg,  num acordo mais abrangente as partes devem concordar com um mecanismo para o pagamento regular de salários e pensões dos funcionários públicos.

A negociação inclui questões como a abertura de estradas em províncias como Taiz, novas rotas de voos regulares de e para o aeroporto da capital Sanaa e escoamento de combustível nos portos de Hodeida.

Conflito

Para o enviado, um acordo mais amplo abriria uma nova oportunidade para a negociação de um cessar-fogo nacional, bem como questões humanitárias e econômicas.

Outro benefício seria preparar a retomada do processo político com negociações protagonizadas pelos iemenitas por uma paz sustentável e justa. O processo teria o apoio das Nações Unidas.

Acesso dos navios de combustível para o porto de Hodeida tal como foi definido pelos signatários é outro patamar por atingir

© Unicef

Acesso dos navios de combustível para o porto de Hodeida tal como foi definido pelos signatários é outro patamar por atingir

Os quatro meses desde que o acordo começou a valer marcam o período mais longo de relativa calma no Iêmen, em mais de sete anos de conflito.

Os progressos registrados incluem a redução de 60% nas baixas civis e quase metade nos níveis de deslocamento.

Voos e implementações

As Nações Unidas confirmaram que 26 navios de combustível entraram em Hodeida e um movimento de 36 voos em Sanaa de e para a capital da Jordânia, Amã, e Cairo, no Egito.

O principal  objetivo da trégua continua sendo “proporcionar alívio palpável aos civis e criar um ambiente propício para alcançar uma solução pacífica para o conflito por meio de um processo político abrangente”. 

Mulheres se abraçam no aeroporto de Sana'a, no Iêmen, durante o primeiro voo comercial em quase seis anos

© OSESGY

Mulheres se abraçam no aeroporto de Sana’a, no Iêmen, durante o primeiro voo comercial em quase seis anos

Grundberg garante que nas próximas semanas terá um envolvimento mais intenso com as partes para garantir a plena implementação de obrigações da trégua.

As tarefas incluem garantir uma operação de voos total e mais regular para os destinos acordados de e para o Aeroporto Internacional de Hodeida.

Circulação

O acesso dos navios de combustível para o porto de Hodeida tal como foi definido pelos signatários é outro patamar por atingir.

A ONU quer ajudar a acelerar progressos na abertura de estradas em Taiz e noutras províncias.

O alvo final é facilitar a liberdade de circulação de milhões iemenitas e de mercadorias na região onde fica a terceira maior cidade do Iêmen.

Três irmãs caminham para escola perto de zona de combate no Iêmen, em 2021

© UNICEF/Ahmed Al-Basha

Três irmãs caminham para escola perto de zona de combate no Iêmen, em 2021

As perturbações no mercado mundial de energia estão a afetar governos e pessoas

À medida que o mundo se esforça por dar resposta a uma crise no custo de vida, espoletada pela guerra na Ucrânia, o último relatório do Grupo Mundial de Resposta à Crise sobre Alimentação, Energia e Finanças, lançado a 3 de agosto, centra-se em formas de abordar a crise energética mundial, fornecendo recomendações políticas específicas para gerir os preços da energia que têm vindo a subir e para colmatar o crescente descontentamento social. 

Todos os países estão a ser afetados pela crise energética, com um aumento substancial de preços e uma grande volatilidade nos combustíveis fósseis. Este aumento de preços pode fazer com que vários países em desenvolvimento e cidadãos mais vulneráveis não consigam dar resposta às suas necessidades. Assim, os governos precisam de ser capacitados financeiramente para tomarem decisões eficazes a curto prazo, sem caírem na tentação de aumentarem as emissões para o ambiente e não cumprirem os objetivos climáticos estabelecidos.  

As recomendações deste relatório pretendem ser um balanço entre o que é possível fazer a curto e a longo prazo. Segundo o documento, “quaisquer políticas e medidas de proteção a curto prazo devem ser orientadas para a mitigação da crise em vez de a exacerbar. Aqueles que procuram fornecimento de energia adicional, devem tentar perceber quanto é realmente necessário, por quanto tempo e para onde.” 

O consumo de energias renováveis deve ser priorizado e duplicado, para que seja possível combater a pobreza energética e diversificar a oferta. O secretário-geral da ONU, António Guterres, destaca algumas soluções para esta transição: “acesso equitativo à tecnologia, componentes e matérias-primas das energias renováveis, atribuição de subsídios às energias renováveis em detrimento de combustíveis fósseis e triplicação de investimentos neste setor”.  

O relatório aborda a necessidade de “solidariedade mundial” e defende que “soluções arrojadas” requerem “liderança e visão ousadas”, exortando os líderes a tomarem decisões com impacto nas diversas iniciativas que vão acontecer até ao final do ano. 

Este briefing surge na mesma altura em que o primeiro navio de carga deixa o porto ucraniano de Odessa, a 1 de agosto, para transportar cereais sob o auspício da Iniciativa Grãos do Mar Negro, um acordo assinado pela Ucrânia, Rússia e Turquia, e supervisionada pelas Nações Unidas.  

O Grupo Mundial de Resposta à Crise, composto por vários líderes de agências das Nações Unidas, bancos de desenvolvimento e outras organizações internacionais, foi estabelecido pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, para desenvolver soluções coordenadas para os impactos interligados da guerra na Ucrânia. A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) lidera e coordena o desenvolvimento dos mandatos do Grupo. 

 

Primeira embarcação de grãos vindos da Ucrânia passa por inspeção

Navio que deixou Odessa na segunda-feira foi inspecionado por uma equipe composta por funcionários da Rússia, Turquia, Ucrânia e das Nações Unidas em Istambul; liberação marca a conclusão da operação inicial da Iniciativa de Grão do Mar Negro, assinada em 22 de julho.

Brasil vai incluir na contagem do Censo 2022 refugiados da Venezuela e apátridas

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Ibge, e a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, assinaram um acordo de cooperação técnica e ações conjuntas durante a realização do Censo Demográfico deste ano, lançado nesta segunda-feira.

Com a assinatura do documento, o Acnur apoiará o Ibge na coleta e análise de dados sobre a população refugiada, solicitante da condição de refugiado e apátrida que vive no Brasil, especialmente a população venezuelana nos estados de Roraima, Amazonas e Pará.

Famílias de refugiados venezuelanos Warao chegam a um abrigo da ONU no bairro de Tarumã-Açu, em Manaus, norte do Brasil

Acnur/Felipe Irnaldo

Famílias de refugiados venezuelanos Warao chegam a um abrigo da ONU no bairro de Tarumã-Açu, em Manaus, norte do Brasil

Deslocamento forçado

Um dos tópicos de atuação conjunta é o apoio do Acnur para que o Ibge realize o Censo em um contexto de deslocamento forçado. 

Para isso, a agência da ONU apoiará equipes de recenseadores para garantir acesso a abrigos que acolhem pessoas refugiadas e acompanhará a realização das entrevistas, garantindo o respeito às normas culturais e à organização social, de maneira especial das pessoas refugiadas e migrantes de diferentes etnias indígenas.

No Pará, o Acnur já realizou treinamentos para os coordenadores da pesquisa demográfica deste ano a fim de garantir uma abordagem culturalmente qualificada aos indígenas venezuelanos da etnia Warao. 

Perguntas feitas na língua local e em espanhol

Além disso, apoiou a elaboração de um vídeo sobre o Censo no idioma Warao, com legendas em espanhol, e a identificação de intérpretes que serão contratados para auxiliar a realização do recenseamento no Estado junto a essa população.

No Amazonas, os promotores comunitários e voluntários da Caritas Arquidiocesana de Manaus, capital do estado, estão facilitando o entendimento das pessoas de outras nacionalidades sobre o que é o Censo 2022, traduzindo materiais informativos e apoiando os recenseadores a incluírem pessoas refugiadas na pesquisa. 

Em Roraima, o Acnur forneceu treinamento para recenseadores e apoiará as entrevistas nos abrigos da Operação Acolhida.

Estruturar políticas públicas

O representante interino do Acnur no Brasil, Federico Martinez, comentou sobre os ganhos a serem conquistados pelo compromisso do Ibge de integrar as pessoas refugiadas no Censo 2022.

Para ele, é por meio do levantamento de dados de qualidade que será possível compreender o perfil da população refugiada acolhida no Brasil e estruturar políticas públicas que dialoguem com as demandas de cada segmento. 

Martinez adicionou que, considerando a ampla área do território brasileiro e o potencial de deslocamento das pessoas refugiadas em busca de oportunidades em diferentes cidades, a realização do Censo nos abrigos possibilita expandir o conhecimento de necessidades e contribui para as ações de integração nas cidades de acolhida.

*Com informações do Acnur Brasil
 

UNICEF: Na linha da frente no apoio à infância

UNICEF

A agência das Nações Unidas trabalha em mais de 190 países e territórios para proteger os direitos de todas as crianças. 

A UNICEF é mandatada pela Assembleia Geral das Nações Unidas para defender a proteção dos direitos das crianças, para ajudar a satisfazer as suas necessidades básicas e para expandir as suas oportunidades de alcançar o seu pleno potencial. 

A agência é orientada pela Convenção sobre os Direitos da Criança e esforça-se por estabelecer os direitos da criança como princípios éticos duradouros e padrões internacionais de comportamento. 

A sobrevivência, proteção e desenvolvimento das crianças são para a UNICEF imperativos universais de desenvolvimento e são parte integrante do progresso humano. É assegurada proteção especial às crianças mais desfavorecidas – vítimas de guerra, catástrofes, pobreza extrema, todas as formas de violência e exploração, bem como às que são portadoras de deficiência. 

A UNICEF trabalha com todos os seus parceiros para a realização dos objetivos de desenvolvimento sustentável adotados pela comunidade mundial e a realização da visão de paz e progresso social consagrada na Carta das Nações Unidas.
 

“Não-políticos e imparciais, nunca somos neutros quando se trata de defender os direitos das crianças e salvaguardar as suas vidas e futuro.”

UNICEF/UNI29868/LeMoyne

Apoio no terreno 

A UNICEF opera nos locais mais difíceis do mundo para ajudar as crianças e adolescentes mais desfavorecidos. Mobiliza vontade política e recursos materiais para ajudar os países, particularmente os países em desenvolvimento, a assegurar um primeiro apoio às crianças e a reforçar a sua capacidade de formar políticas apropriadas e de prestar serviços às crianças e suas famílias. 

É o maior fornecedor mundial de vacinas, apoia a saúde e nutrição infantil, fornece água e saneamento seguros, providencia educação de qualidade e desenvolvimento de competências, ajuda na prevenção e tratamento do VIH para mães e bebés, e dá proteção a crianças e adolescentes contra violência e exploração. 

Antes, durante e depois das emergências humanitárias, a UNICEF está no terreno para providenciar ajuda a crianças e famílias. Em coordenação com parceiros das Nações Unidas e agências humanitárias, a UNICEF disponibiliza as suas instalações de resposta rápida para aliviar o sofrimento das crianças e das pessoas que cuidam delas. 

UNICEF/UN0359802/Schverdfinger

Desafios e resultados 

Criada no rescaldo da Segunda Guerra Mundial para ajudar crianças cujas vidas e futuros estavam em risco – independentemente do país de onde vinham, e mais de 75 anos após a fundação da UNICEF, o mundo enfrenta uma variedade de crises, incluindo a pandemia da Covid-19, conflitos armados e alterações climáticas.   

Dia após dia, mesmo perante os desafios que se colocam, a agência continua a trabalhar pelas crianças e adolescentes. “Trabalhamos para salvar as suas vidas. Para proteger os seus direitos. Para os manter a salvo de danos. Para lhes dar uma infância onde possam estar protegidos, ser saudáveis e ser educados. Para lhes dar uma oportunidade justa”. 

A UNICEF já ajudou a salvar mais vidas de crianças do que qualquer outra organização humanitária – 90 milhões desde 1990. É o maior fornecedor mundial de alimentos terapêuticos prontos a usar, uma pasta de alta proteína que pode trazer uma criança subnutrida de volta à saúde dentro de semanas e já conseguiu imunizar doenças a quase 40% das crianças do mundo. 

A agência promove angariação de fundos para ajudar à prossecução dos seus objetivos. Os donativos podem ser feitos aqui. 

Portugal promove avanço sustentável fomentando “diplomacia do mar”

Há exatamente um mês, líderes internacionais se reuniram em Lisboa, capital de Portugal, na Conferência dos Oceanos das Nações Unidas. Empreendedores, jovens, influenciadores e cientistas mundiais debateram um novo modelo de gestão do ecossistema vital para a humanidade.

No evento, Portugal convidou os participantes para se inscreverem no Fórum sobre Economia Azul Sustentável e Investimento em 2023, marcado para o próximo ano no país. A proposta é continuar o debate por uma economia azul sem deixar ninguém para trás.

Futuro do planeta 

No encerramento do evento, em Lisboa, a ONU News conversou com o ministro português dos Negócios Estrangeiros, João Cravinho, que disse defender uma espécie de “diplomacia do mar” para todos os países interessados em promover a recuperação dos oceanos.

Cravinho defende que o evento global em Lisboa deu um novo impulso à questão dos oceanos

ONU/Laura Quinones

Cravinho defende que o evento global em Lisboa deu um novo impulso à questão dos oceanos

“Nós temos mais de 2 mil compromissos que foram firmados na plataforma eletrônica. Mais de 600 são financeiramente quantificáveis. Portanto, não imaginávamos que pudéssemos ter esse tipo de sucesso. A diplomação do mar é fundamental para o futuro do planeta. Nós estamos convencidos de uma evidência: não há transição verde se não houver uma transição azul.  Esta conferência serviu para confirmar essa verdade.”

Neste mês de agosto, os oceanos voltam a ser tema de debate na sede das Nações Unidas sobre um novo tratado sobre biodiversidade na 5ª sessão da Conferência Intergovernamental.

Cravinho defende que o evento global em Lisboa deu um novo impulso à questão dos oceanos ao reunir cerca de 7 mil pessoas.

COP27 e Proteção

Um deles foi canalizar a atenção para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14, que até o momento era o menos financiado. O conjunto de metas promove a ação global para proteger a vida subaquática. 

A ação oceânica tem ainda debates agendados como parte da 27ª Conferência sobre a Mudança Climática, COP27, marcada para novembro.

Em dezembro, a cidade de Montreal, no Canadá, acolhe conversações sobre biodiversidade na 15ª Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica. A meta é que o mundo alcance um acordo global  sobre a proteção da biodiversidade na próxima década.
 

Agências da ONU apoiam o aleitamento materno em Moçambique

A Semana Mundial de Aleitamento Materno marca o início de agosto sob o lema “Fortalecer a amamentação: Educando e Apoiando”. 

A reflexão deste ano enfatiza a promoção da prática em favor da saúde infantil ao redor do mundo.

Campanhas

Em Moçambique, a Organização Mundial da Saúde, OMS, e o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, apoiam os planos nacionais garantir uma amamentação em níveis desejados.  

As autoridades de saúde relatam que a pandemia mudou de forma significativa o nível de atenção dada a esta prática. Muitas mães tiveram o receio de alimentar os bebés para não infectá-los.

Cantora moçambicana, Neyma, embaixadora do Unicef em campanha sobre Semana Mundial do Aleitamento Materno em 2018

Unicef Moçambique/2018/Mário Le

Cantora moçambicana, Neyma, embaixadora do Unicef em campanha sobre Semana Mundial do Aleitamento Materno em 2018

Os trabalhadores da saúde buscam engajar novamente os envolvidos em campanhas de aleitamento materno. 

A pediatra Beatriz Paraxiqueva atua no Hospital Central da Beira, centro de Moçambique. Ela contou que parte do seu dia a dia é incentivar as mães a virem acompanhadas dos parceiros quando são observadas. 

Consultas 

“Nós sabemos que crianças precisam de ser vistas como um todo, então quando estimulamos o aleitamento materno. Nós fazemos que a mãe esteja lá, dar de mamar a sua criança…mas não é só dar de mamar a criança, ela tem que brincar com ela, tem que interagir com a criança. A criança tem que se sentir segura no ambiente em que ela encontra, então os pais têm que estar sempre incluídos no pré-natal e participar nas consultas. Nós pedimos entre as mães que tragam seus maridos que é para a gente explicar.” 

Jeremias Caetano é agente polivalente elementar e partilha momentos da sensibilização sobre a importância do aleitamento materno. 

Atividades previstas para a semana incluem informar os indivíduos sobre seu papel na amamentação

© UNICEF/Helene Sandbu Ryeng

Atividades previstas para a semana incluem informar os indivíduos sobre seu papel na amamentação

“Tenho feito aconselhamento sobre aleitamento exclusivo materno de zero a seis meses em forma de palestras. As mães devem saber que dar aleitamento exclusivo materno de zero a seis meses é muito importante, porque a salva de muitas doenças e a criança cresce saudável.” As agências da ONU apoiam o aleitamento materno como parte das estratégias nacionais de alimentação infantil.

Leite materno

A ação da OMS, do Unicef e parceiros inclui acompanhar o código de comercialização de substitutos de leite materno. 

Especialista de saúde e nutrição no Unicef, Lucinda Manjama detalha como a comunicação ajuda a divulgar a prática.

“Também pela capacitação de técnicos de saúde e não só, também alguns inspetores das atividades econômicas e inspetores de saúde para a promoção do aleitamento materno, trabalhamos a nível da comunidade, treinamos os atores comunitários para divulgação dessas mensagens-chaves para aleitamento materno.” 

As duas agências consideram o aleitamento materno essencial para um avanço sustentável do país, especialmente no pós-pandemia. 

Propósitos

Entre os befenícios estão a melhora da nutrição, da segurança alimentar e a queda do nível de igualdades entre e dentro dos países. 

Manjama apoia a formação de profissionais de informação para o alcance dos propósitos definidos em relação ao aleitamento. 

“O Unicef trabalha também com os órgãos de comunicação social, através da formação de jornalistas que passam a mensagem chave do aleitamento materno nos programas de rádio comunitárias que estabelecem debates entre a comunidade, convidam profissionais de saúde para esclarecer algumas dúvidas e trazem junto ao programa pais, avôs e sogras que são influentes nesta questão do comportamento que a mãe vai adotar para alimentar os seu bebê.” 

Vídeo de arquivo:

As atividades previstas para a semana  incluem informar os indivíduos sobre seu papel na amamentação. 

Durante este período é enfatizada a segurança alimentar e nutricional, a redução das desigualdades e o engajamento de pessoas nos alvos definidos. 

Para Moçambique, questões como informação, gestão e reforço de capacidades são tidas como prioridades para melhorar a amamentação nas famílias. 

*De Maputo para ONU News, Ouri Pota.

Não se pode alcançar fome zero sem considerar o mar, diz comissária africana  

As mulheres compõem 23% dos 12 milhões de pessoas envolvidas na pesca na África.  

A União Africana busca estimular a participação mais ativa do grupo, incluindo as mais jovens, para combater a insegurança alimentar. 

Empresas  

As declarações foram feitas à ONU News, em Lisboa, pela comissária do bloco para a Agricultura e Economia Rural, Josefa Correia. 

Pescas contribuem com cerca de 1,26% para o Produto Interno Bruto dos países africanos

FAO

Pescas contribuem com cerca de 1,26% para o Produto Interno Bruto dos países africanos

“Estamos a trabalhar com as mulheres e a ver quais são as necessidades para elaborar um plano de ação e reforçar a capacidade das mulheres. Os jovens também. Estamos a olhar mais para as jovens raparigas. Temos uma iniciativa do âmbito do negócio. Inclui o engajamento da juventude inclusiva: as meninas e os rapazes para terem oportunidade de criar pequenas e médias empresas nesta área das pescas.” 

Os planos fazem parte do esforço regional para desenvolver a economia do oceano sustentável, considerada a nova fronteira econômica global.  

Josefa Correia frisou que há grande potencial de explorar os recursos no meio marítimo com o apoio de técnicas mais avançadas. A sustentabilidade nesta área estará também debate na 27ª sessão da Conferência da ONU sobre o Clima, COP27, a ser realizada em setembro no balneário de Sharm El-Sheikh, no Egito 

“Nós temos muito pouca tecnologia marítima. Participei num evento paralelo (em Lisboa) e eu apelei aos nossos parceiros para também partilharem conosco a tecnologia e formarem muitos dos nossos jovens nesta área, mesmo da tecnologia e inovação, para que nós possamos adaptar essa tecnologia para as realidades dos nossos países. Fome Zero passa pelo mar.” 

Participação 

Na Agenda 2063 para acelerar o crescimento econômico regional nas próximas quatro décadas, a economia azul é um dos sete pilares pelo vasto potencial marítimo africano. 

O setor pesqueiro garante a segurança alimentar e nutricional para cerca de 200 milhões de habitantes. 

A contribuição das pescas tem uma participação de cerca de 1,26% do Produto Interno Bruto, PIB, dos países africanos. 

Pescador no Quênia.

Foto: © UNDP/Amunga Eshuchi

Pescador no Quênia.

Mensagem sobre o Dia Internacional contra o Tráfico de Seres Humanos

UN Photo/Eskinder Debebe

O SECRETÁRIO-GERAL 

 

MENSAGEM SOBRE O DIA INTERNACIONAL CONTRA O TRÁFICO DE SERES HUMANOS 

30 de julho de 2022 

O tráfico de seres humanos é um crime horrível e um ataque sério aos direitos, segurança e dignidade das pessoas.

Tragicamente, é também um problema que se está a agravar – especialmente para as mulheres e raparigas, que representam a maioria das pessoas traficadas a nível mundial. 

Conflitos, deslocamentos forçados, alterações climáticas, desigualdade e pobreza têm deixado dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo desamparadas, isoladas e vulneráveis. 

A pandemia da covid-19 separou crianças e jovens dos seus amigos e conhecidos, fazendo-os passar mais tempo sozinhos e nas plataformas digitais.

Os traficantes de seres humanos estão a tirar partido destas vulnerabilidades, utilizando tecnologia sofisticada para identificar, seguir, controlar e explorar as vítimas. 

As plataformas digitais permitem-lhes enganar e iludir pessoas com falsas promessas. A chamada “dark web” permite-lhes esconder as suas identidades enquanto propagam os seus materiais mal intencionados, incluindo aqueles que exploram sexualmente crianças, e a tecnologia dá aos consumidores a capacidade de acederem anonimamente a conteúdos cada vez mais perigosos, que alimentam o tráfico humano.   

Como o tema do Dia Internacional contra o Tráfico de Seres Humanos deste ano – “Uso e Abuso da Tecnologia” – nos lembra, embora a tecnologia possa permitir o tráfico de pessoas, também pode ser um instrumento fundamental no seu combate.  

Precisamos que governos, reguladores, empresas e sociedade civil unam forças para investir em políticas, leis e soluções tecnológicas que possam identificar e apoiar as vítimas, localizar e punir os culpados e garantir uma Internet aberta e segura para todos. 

Como parte da Cimeira do Futuro de 2023, propus um Global Digital Compact para reunir o mundo em torno da necessidade de trazer uma boa governação ao espaço digital. 

Neste importante dia, apelo ao mundo que preste atenção a esta questão e desencadeie ações para acabar de uma vez por todas com o flagelo do tráfico de seres humanos.