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Dia Mundial contra Tráfico de Pessoas ressalta uso e abuso de tecnologias

Este 30 de julho é o Dia Internacional contra o Tráfico de Pessoas, um crime horroroso e um ataque em cheio aos direitos, segurança e dignidade dos seres humanos.

O tema deste ano é “uso e abuso da tecnologia” na prática desse crime, que atinge milhares de mulheres, crianças e homens todos os anos. Quase todos os países do mundo são afetados pelo tráfico humano como destino, origem ou trânsito.

Tráfico humano está em quase todos os países

O Dia Mundial foi proclamado pela Assembleia Geral numa resolução, em 2013. 

Dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, de 2018 mostram que 50 mil pessoas foram detectadas como vítimas do tráfico humano em 148 países, naquele ano.
Metade dessas vítimas foi traficada para fins sexuais, 38% foram exploradas no trabalho forçado.

Em todo o mundo, uma em cada três vítimas é criança. A quantidade de crianças triplicou, e o de meninos aumentou 500% nos últimos cinco anos.

Meninas e mulheres, as maiores vítimas

Em mensagem, o líder das Nações Unidas, António Guterres, lembra que o problema está se tornando pior, especialmente para meninas e mulheres, que são a maioria das vítimas de tráfico humano em todo o mundo.

Um outro agravante são os conflitos, deslocamentos forçados, crise climática, desigualdade e a pobreza que têm deixado dezenas de milhões de pessoas numa situação de vulnerabilidade.

Muitos desprovidos do mínimo para viver e isolados estão sendo enganados por traficantes de seres humanos principalmente na internet.

Jovens na Malásia usando seus celulares

Unicef/Fara Zahri

Jovens na Malásia usando seus celulares

Guterres lembrou ainda a pandemia da Covid-19 que separou crianças e jovens de seus amigos e pares. Com isso, eles passaram a ficar mais tempo sozinhos online.

Os criminosos estão se aproveitando dessas falhas e fraquezas para rastrear, controlar e explorar as vítimas utilizando tecnologia sofisticada para identificá-las.

Traficantes de pessoas ocultam suas identidades na dark web

Na internet, eles também recrutam e enganam as pessoas com falsas promessas de emprego. 

Menino de 17 anos no leste do Sudão, que sobreviveu ao tráfico humano, expressa seu desejo por liberdade.

Unicef/Osama Idriss

Menino de 17 anos no leste do Sudão, que sobreviveu ao tráfico humano, expressa seu desejo por liberdade.

Esses crimes ocorrem na chamada dark web, a parte da internet de difícil rastreio, que permite aos bandidos ocultarem suas identidades ao mesmo tempo em que espalham material criminoso, que exploram crianças sexualmente.

Para o secretário-geral da ONU, o tema deste ano, a tecnologia, pode ser também uma arma para combater o tráfico de seres humanos.

Para isso, é preciso que os governos, agências reguladoras, empresas e a sociedade civil se juntem em políticas, legislações e soluções que apoiem as vítimas e punam os culpados. 

Espaço seguro para todos e um Pacto Digital Global

A internet, para Guterres, deve ser um espaço seguro e aberto para todos.

No próximo ano, a ONU realizará o Encontro de Cúpula do Futuro. 

A proposta do secretário-geral é um Pacto Digital Global que mobilize o mundo para a necessidade de trazer boa governança para o espaço cibernético.

António Guterres apela neste Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas para o fim desse flagelo de uma vez por todas.

Acordo de grãos não traz perspectivas para fim da guerra na Ucrânia, diz ONU

Subsecretária-geral para Assuntos Políticos e de Consolidação de Paz, Rosemary DiCarlo, falou ao Conselho de Segurança destacando que violência segue impactando vida de civis; assistência humanitária relata dificuldades em acessar áreas controladas por tropas russas.

Relatora quer medidas para frear sequestros na fronteira México-EUA

A relatora especial* sobre a situação de defensores de direitos humanos afirmou que está preocupada com alguns casos na fronteira do México e Estados Unidos. 

Segundo Mary Lawlor, voluntários que trabalham na área estão sob risco de violência. 
 

Rede de refúgio sem fins lucrativos

Mural em Oaxaca, México.

Foto: Primavera Díaz

Mural em Oaxaca, México.

A relatora contou o caso de um pastor da Igreja Batista que, há mais de cinco anos, distribui, de forma voluntária, alimentos e abrigo a migrantes na fronteira dos Estados Unidos com o México.
 
Por fazer esse trabalho, Lorenzo Ortiz foi ameaçado e intimidado por criminosos no passado, mas o risco agora teria aumentado de forma drástica.
 
Em 2 de junho, o pastor Ortiz foi sequestrado por um cartel de traficantes de seres humanos juntamente a outras 10 pessoas que ele acolhia.
 
Ele dirige uma rede de refúgio, sem fins lucrativos, em ambos os lados da fronteira. Com isso, apoia as pessoas que saem do México a caminho dos Estados Unidos e que não têm recursos.

Livre de resgate, mas não de ameaças

 
Os bandidos acusam o pastor de reduzir os “lucros” da rede criminosa e negam o auxílio gratuito. 
 
Para libertar o pastor, os criminosos pediram US$ 40 mil.
 
Segundo Lawlor, graças à mobilização rápida e eficiente das autoridades mexicanas, da sociedade civil e comunidades locais, os criminosos liberaram o religioso sem pagamento de resgate.

Uma jovem que fugia da violência no México foi detida enquanto viajava com sua irmã para encontrar sua mãe nos Estados Unidos

© UnicefAdriana Zehbrauskas

Uma jovem que fugia da violência no México foi detida enquanto viajava com sua irmã para encontrar sua mãe nos Estados Unidos

Mas a situação no terreno não mudou. O pastor continua sob a mira dos sequestradores, que aparecem no abrigo liderado por ele fazendo ameaças.
 
Para a relatora de direitos humanos, é preocupante o risco extraordinário que defensores de direitos humanos têm que correr apenas por apoiar seres humanos que precisam.
 
Mary Lawlor pediu ao governo do México que faça mais para enfrentar a influência dos cartéis em comunidades próximas à fronteira com os Estados Unidos. 
 
*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.

Uma jovem que fugia da violência no México foi detida enquanto viajava com sua irmã para encontrar sua mãe nos Estados Unidos

© UnicefAdriana Zehbrauskas

Uma jovem que fugia da violência no México foi detida enquanto viajava com sua irmã para encontrar sua mãe nos Estados Unidos

VIH/SIDA: 650 mil mortes em 2021

© Unicef/Karin Schermbrucke

O novo relatório do Programa das Nações Unidas para apoio no combate à SIDA, o UNAIDS, conclui que as diferentes crises atuais tiveram um impacto relevante nas pessoas que vivem ou são afetadas pelo VIH e que existem disparidades, entre diferentes países, que foram acentuadas pela pandemia da covid-19. 

Em 2021 surgiram cerca de 1,5 milhões de novas infeções, mais 1 milhão do que o total projetado para as metas mundiais.  

Apesar de existirem tratamentos eficazes para o VIH e ferramentas para prevenir, detetar e tratar infeções, segundo o relatório, o VIH/SIDA provocou uma morte por cada minuto, num total de 650 mil pessoas que morreram por complicações causadas pelo vírus. 

A tendência de queda do número de infeções continua a existir, ainda que em percentagens inferiores a anos anteriores. Entre 2020 e 2021, o número de infeções caiu 3,6%. 

No entanto, em regiões como a Europa de Leste, a Ásia Central, o Médio Oriente, o Norte de África e a América Latina registou-se um aumento das infeções. Na Ásia e Pacífico verifica-se um aumento, contrariando a tendência de decréscimo anterior. 

© UNICEF/Albert Gonzalez Farran

Já regiões como a África Oriental e Austral veem o número de casos abrandarem, na sequência dos avanços alcançados em anos anteriores. O número e casos na África Ocidental e nas Caraíbas caiu substancialmente. 

Na África Subsaariana, mulheres e jovens adolescentes do sexo feminino são três vezes mais propensas a contrair uma infeção por VIH do que jovens adolescentes do sexo masculino. 

Quando se fala em profissionais do sexo, o risco de infeção pode chegar a ser 30 vezes maior, enquanto em mulheres transexuais pode chegar a 14 vezes. Entre homens que fazem sexo com homens o risco de contrair o vírus é 28 vezes mais alto, em comparação com pessoas da mesma idade e género. Entre pessoas que injetam drogas o risco chega a ser 35 vezes superior. 

O relatório aponta ainda falhas nos esforços para garantir que todas as pessoas que vivem com SIDA tenham acesso à terapia antirretroviral. O número de tratados cresceu de forma mais lenta em 2021 do que em mais de uma década. Apenas 52% das crianças recebem os medicamentos, sendo que a disparidade na cobertura de tratamento entre crianças e adultos tem vindo a aumentar em vez de diminuir. 

Relatora quer que Turquia retome acordo sobre direitos femininos

Uma em cada quatro mulheres na Turquia já foi vítima de violência física ou sexual por parte de seus parceiros.

Os dados de 2014 foram utilizados como parte de um alerta às autoridades do país para combater a violência de gênero.

Convenção de Istambul deixa de valer na Turquia

Em um comunicado, emitido na quarta-feira, a relatora especial sobre violência contra mulheres e meninas, Reem Alsalem, disse que a Turquia precisa reverter sua decisão de abandonar tratados internacionais sobre os direitos femininos.

Em março, o presidente Recep Tayyip Erdogan anunciou que a Turquia estava se retirando da Convenção do Conselho de Europa sobre Prevenção e Combate à Violência Doméstica e contra Mulheres.

O acordo conhecido como Convenção de Istambul, foi assinado em 2011, e deixou de ser aplicado na Turquia no início deste mês.

Todos os anos, centenas de mulheres são assassinadas em casos de feminicídio no país. A relatora da ONU afirma que os números estão subestimados porque existe “subnotificação séria” dessas mortes.

Mulheres e crianças em Pazarkule, na fronteira entre a Turquia e a Grécia

OIM/Uygar Emrah Özesen

Mulheres e crianças em Pazarkule, na fronteira entre a Turquia e a Grécia

Aumento da crise econômica e outras pressões

Muitos não confiam no sistema jurídico e nas autoridades para denunciar, uma vez que existe impunidade, discriminação e políticas tendenciosas contra o gênero.

Além disso, o aumento da crise econômica e de abrigar 4 milhões de refugiados, a maioria sírios, agravam a situação da mulher.

No comunicado, a relatora especial da ONU afirma que quase todos os interessados com quem ela se reuniu na Turquia, durante uma visita oficial ao país, reconheciam a importância da Convenção de Istambul no combate à violência contra meninas e mulheres.

Agressores encorajados, vítimas ameaçadas

Paraa Alsalem, o tratado está intrinsicamente ligado à história da Turquia e deve ser reconsiderado pelo governo. A relatora afirma que desde a saída do país da Convenção, a implementação da lei contra violência doméstica ficou enfraquecida.

Já os agressores se sentiram encorajados deixando as vítimas sob maior risco de violência.

Reem Alsalem afirma que nenhuma sociedade pode prosperar se as mulheres e meninas não tiveram direito à igualdade e de viverem sem violência.

*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.

 

ONU no apoio à estabilidade no Médio Oriente

© UNTSO

A resolução 50 de 29 de maio de 1948 do Conselho de Segurança da ONU, ao apelar à cessação das hostilidades na Palestina, decidiu que a trégua deveria ser supervisionada por um mediador da Nações Unidas, com a assistência de um grupo de observadores militares. Assim nasce a Organização de Supervisão de Trégua das Nações Unidas (UNTSO), a primeira missão de paz estabelecida pela ONU e que atua na região de Médio Oriente. 

O conflito surge um ano antes, depois de, em novembro de 1947, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovar um plano para a divisão da Palestina, prevendo a criação de um Estado árabe e de um Estado judeu, com Jerusalém a ser colocado sob estatuto internacional. Esse plano não foi aceite pelos Árabes palestinianos e pelos Estados árabes e com a renúncia do Reino Unido, a 14 de Maio de 1948, ao seu mandato sobre a Palestina, o Estado de Israel foi proclamado. No dia seguinte, os árabes palestinianos, assistidos pelos Estados árabes, abriram hostilidades contra Israel. 

Desde essa altura que as forças militares da UNTSO permaneceram no Médio Oriente para poderem controlar os cessar-fogos, supervisionar acordos de armistício, evitar a escalada de incidentes isolados e ajudar outras operações de manutenção de paz da ONU na região a cumprir os seus respetivos mandatos. 

As pessoas destacadas para esta missão de paz estão capacitadas para, a curto prazo, formarem o núcleo de outras operações de manutenção da paz em todo o mundo. A capacidade dos observadores militares da UNTSO de estarem disponíveis quase imediatamente após o Conselho de Segurança autorizar uma nova missão tem sido um fator relevante para o sucesso dessas operações. 

O número de pessoas alocadas a esta missão é, em 2022, de 393, com 232 civis e 161 especialistas em missões.  

No Médio Oriente, a missão de paz da Organização de Supervisão de Trégua das Nações Unidas está hoje ligada a outras forças de manutenção da paz na região: a Força de Observação da Separação das Nações Unidas (UNDOF) nos Montes Golan e a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL).  

A UNTSO mantém o seu quartel-general em Jerusalém e os seus gabinetes de ligação em Beirute (Líbano), Cairo (Egito) e Damasco (Síria). Os gabinetes de ligação para Israel e Jordânia estão sediados no quartel-general, em Jerusalém. Estes gabinetes trabalham com os agentes nacionais nos respetivos países a análise de tendências e efeitos de estabilidade/segurança, bem como com países que contribuem com tropas, representantes internacionais e organizações regionais da ONU. 

© UNTSO

O que fazem as missões de paz da ONU 

As missões de paz da ONU ajudam os países em cenários de conflito. São estruturas que se pautam pela legitimidade, partilha de encargos e capacidade para destacar tropas e polícias de todo o mundo, integrando-os com as forças civis de manutenção da paz, para dar resposta a uma série de mandatos estabelecidos pelo Conselho de Segurança e pela Assembleia Geral das Nações Unidas 

São três os princípios básicos que distinguem as operações de manutenção da paz da ONU, que estão inter-relacionados e se reforçam mutuamente: o consentimento entre as partes, a imparcialidade e a não utilização da força, exceto em autodefesa e defesa do mandato. 

Ao serem criadas com o consentimento das principais partes em conflito, existe um compromisso político associado. A aceitação destas missões proporciona à ONU a liberdade de ação necessária, tanto política como física, para levar a cabo as tarefas que lhe são atribuídas. 

A imparcialidade, por sua vez, é uma peça-chave para manter o consentimento e a cooperação das principais partes. No entanto, o conceito não deve ser confundido com neutralidade ou inatividade. As forças de manutenção da paz das Nações Unidas devem ser imparciais nas suas relações com as partes em conflito, mas não devem ser neutras na execução do seu mandato. 

As missões de paz da ONU não são consideradas um instrumento de aplicação da lei. Contudo, podem utilizar a força a nível tático, com a autorização do Conselho de Segurança, se agirem em autodefesa e defesa do mandato. 

650 mil pessoas morreram por complicações devido à Aids em 2021

Em 2021, ocorreram cerca de 1,5 milhão de novas infeções de HIV no mundo. O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, Unaids, revela que o número está 1 milhão acima do total projetado para o período nas metas globais. 

O relatório intitulado Em Perigo revela que uma pessoa morreu a cada minuto, totalizando 650 mil mortes por complicações causadas pela Aids no ano passado. Essa realidade ocorreu apesar de haver tratamento eficaz para o HIV e ferramentas para prevenir, detectar e tratar infecções oportunistas.

Desigualdade

As disparidades acentuaram-se dentro e entre países nos dois anos da pandemia. O relatório enfatiza que a crise vem atrasando o progresso na resposta ao vírus que provoca a Aids e está ampliando ainda mais as desigualdades. 

Mulher é testada para HIV na Índia

© UNICEF/Soumi Das

Mulher é testada para HIV na Índia

Em termos de novas infeções, mulheres jovens e meninas adolescentes foram afetadas de uma forma desproporcional. Uma infecção ocorreu a cada dois minutos durante o ano passado.

A realidade da Covid-19 combinada a outras crises globais deteve o progresso ao diminuir os recursos e a ação contra o HIV “colocando milhões de vidas em risco”, destaca o documento lançado antes do início da Conferência Internacional da Aids nesta sexta-feira em Montreal, Canadá. 

O Unaids enfatiza que o mundo não deve seguir na atual trajetória de queda de novas infecções. Entre 2020 e 2021 a queda foi de 3,6%, o menor declínio anual em novas infecções desde 2016. 

Progresso

As novas infeções aumentam em regiões como Europa Oriental e Ásia Central, Oriente Médio, norte da África e América Latina. Na Ásia e Pacífico, a mais populosa do mundo, os casos estão em alta alarmante onde estavam caindo.

Na África Oriental e Austral, o ano passado marcou o abrandamento significativo depois dos avanços consideráveis observados nos anos anteriores. Há boas notícias na África Ocidental e Central e no Caribe, onde ocorre um declínio notável de novos casos de HIV.

Interrupção do tratamento pode gerar complicações, incluindo resistência aos medicamentos contra o HIV

UNAIDS

Interrupção do tratamento pode gerar complicações, incluindo resistência aos medicamentos contra o HIV

O relatório alerta que, mesmo assim, a resposta ainda tem sido ameaçada por uma crise de recursos cada vez mais acentuada. 
Para a diretora executiva do Unaids, Winnie Byanyima, os dados mostram que a resposta global à Aids corre grande perigo. Se o mundo não acelerar no progresso, está perdendo terreno, à medida que a pandemia avança em meio à Covid-19, aos deslocamentos em massa e a outras crises. 

Adolescentes

A chefe da Unaids pediu que o mundo se lembre que há milhões de mortes evitáveis que se tentam travar. 

Enfermeira faz teste de HIV em hospital em Wau, Sudão do Sul.

Foto: © UNICEF/Albert Gonzalez Farran

Enfermeira faz teste de HIV em hospital em Wau, Sudão do Sul.

De acordo com a agência da ONU, o impacto do HIV na questão de gêneros, particularmente para jovens mulheres e meninas africanas, se revela na interrupção do tratamento essencial e acesso a serviços de prevenção. Milhões de meninas ficaram fora da escola devido à pandemia e houve recordes em casos de adolescentes gravidas e vítimas da violência. 

Na África Subsaariana, meninas adolescentes e jovens e as mulheres são três vezes mais propensas a contrair uma infecção pelo HIV do que meninos adolescentes e homens jovens. 

As interrupções que aconteceram nos últimos anos, provocaram revezes em populações de maior atenção na prevenção. Elas sofreram de forma particular em muitas comunidades onde a prevalência tem aumentado.

Entre homens que fazem sexo com homens o risco de contrair o vírus é 28 vezes mais alto, em comparação com pessoas da mesma idade e sexo. Entre pessoas que injetam drogas o risco chega a 35 vezes.

Crianças 

Em relação aos profissionais do sexo, o risco de infecção chega a ser 30 vezes maior, enquanto em mulheres transexuais pode chegar a 14 vezes.

Uma parteira prepara remédios para um bebê HIV-positivo de duas semanas em Uganda.

Unicef/Jimmy Adriko

Uma parteira prepara remédios para um bebê HIV-positivo de duas semanas em Uganda.

As desigualdades raciais também se refletem nos riscos de contrair HIV em nações como Reino Unido e Estados Unidos. A queda de novos casos foi maior entre as populações brancas do que entre os negros. 

As taxas de infecção são mais altas em comunidades indígenas do que em comunidades não indígenas em países como Austrália, Canadá e Estados Unidos. 

O relatório também aponta fracassos nos esforços para garantir que todas as pessoas que vivem com HIV tenham acesso à terapia antirretroviral. O número de tratados cresceu de forma mais lenta em 2021 do que em mais de uma década. 

Estima-se que 75% do total de infetados tenham acesso ao tratamento antirretroviral. Outros 10 milhões não recebem o tipo de terapia. 

A publicação alerta ainda que apenas 52% das crianças recebem os medicamentos. A disparidade na cobertura de tratamento entre crianças e adultos vem aumentando em vez de diminuir.
 

Mulher recebe medicamento para HIV para seu recém-nascido

Unicef/Frank Dejongh

Mulher recebe medicamento para HIV para seu recém-nascido

Estudo mostra impacto da pandemia sobre rotas de cocaína no Brasil

Em todo o mundo, a produção global de cocaína alcançou níveis recordes de 1.982 toneladas em 2020.

As rotas do tráfico internacional são determinadas por locais de produção e consumo. E o Brasil está na rota do tráfico da droga da América do Sul para Europa e África.

Fechamento das fronteiras e apreensões recordes

Mas medidas de combate à crise global de saúde causada pela Covid-19 parecem ter influenciado a produção global de cocaína e seu fornecimento no Brasil e arredores.

A constatação é de um estudo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, divulgado na semana passada.
Com a pandemia e o fechamento das fronteiras para conter a Covid-19, a consolidação interna, redistribuição e gerenciamento de estoques da droga dentro do Brasil foram impactados de forma negativa.

Medidas de fechamento facilitaram a apreensão de droga nas estradas

Unodc/Ioulia Kondratovitch

Medidas de fechamento facilitaram a apreensão de droga nas estradas

O tema é o quarto a ser debatido na série “Cocaine Insights” do Unodc e do Centro de Excelência para a Redução do Fornecimento de Droga Ilícita no Brasil, CoE.

Cadeia regional e transatlântica e distribuição da droga

 
A publicação mostra mudanças no tráfico de drogas e nos padrões do crime organizado por meio de novos contextos da pandemia em relação à cadeia regional e transatlântica de produção e distribuição da cocaína.
 
A compilação também descobriu que atividades, afetadas por medidas legais contra a Covid-19, interromperam a ação dos grupos do crime organizado, atingiram o curso de cocaína e maconha. 
 
As medidas também induziram transformações nas modalidades do tráfico, entre outros impactos, sobre o comércio da cocaína no Brasil e na região.
 
As providências tomadas pelo fechamento permitiram a aplicação da lei e a dedicação de mais recursos para apreensão de drogas. 

 
Estados do oeste do Brasil e fronteiras com países sul-americanos

 
Com isso, subiram os números de várias apreensões de cocaína e cannabis. 
 
O relatório também detalha o alargamento da entrega de maconha pelo país inteiro, enquanto o impacto sobre a cocaína variava pelos estados, apesar de uma queda geral nas quantidades apreendidas.
 
Os dados sobre apreensão de carregamentos de cocaína indicam que desde o início da pandemia, os estados do oeste do Brasil viram uma tendência de aumento de cocaína. 
 
Já os estados do leste registram uma onda de queda combinada à baixa de volumes de portos marítimos fora do país.

Unodc apresenta um quadro da pandemia acelerando tendências existentes no tráfico de cocaína

ONU News/Alexandre Soares

Unodc apresenta um quadro da pandemia acelerando tendências existentes no tráfico de cocaína

 
Grupos de crimes organizados e portos de saída

 
O estudo do Unodc “Cocaine Insights” revela que as medidas de combate à pandemia trouxeram dificuldades para os grupos do crime organizado moverem lotes de cocaína para os portos de saída e áreas de consumo.
 
As barreiras para o transporte entre as fronteiras levaram a uma alta de voos clandestinos e com isso ao aumento de fluxos nos estados do oeste, que fazem fronteiras com outros países sul-americanos.
 
A queda nas apreensões de cocaína nos portos marítimos do Brasil ocorreu em paralelo com as reduções da cocaína apreendida em países de destino, como as nações do oeste e do centro da Europa de malotes que teriam partido do Brasil.

 
Pandemia acelerando tendências existentes

 
A interrupção dos fluxos da droga do Brasil parece ter sido temporária.
 
O estudo do Unodc apresenta um quadro da pandemia acelerando tendências existentes no tráfico de cocaína.
 
Com a pandemia de Covid, as agências reguladoras tiveram que adaptar e impedir algumas ações da polícia.
 
Ao mesmo tempo, medidas de fechamento facilitaram a apreensão de droga nas estradas.

 
Aumento do uso de novas tecnologias por organizações criminosas

O relatório do Unodc detalha também com a oferta de cannabis se expandiu pelo Brasil após o início da pandemia, puxada pelos grandes aumentos de fluxos do Paraguai.
 
O Cocaine Insights 4 também ressalta como organizações criminosas continuam a se especializar ainda mais e aumentar o uso de novas tecnologias.
 

Estados do leste registram uma onda de queda combinada à baixa de volumes de portos marítimos fora do país

Unodc

Estados do leste registram uma onda de queda combinada à baixa de volumes de portos marítimos fora do país

 
Este cenário complexo reforça a necessidade de seguir fortalecendo a cooperação internacional para responder ao crime organizado transnacional de forma articulada. 
 
Para o Unodc, o foco deve ser nas pessoas e na consideração abrangente de aspectos sociais e econômicos.
A série Cocaine Insight foi criada pelo Unodc no quadro do CRIMJUST programme e em colaboração com parceiros nacionais, regionais e internacionais. 

Para o capítulo sobre o Brasil participaram as autoridades do país incluindo o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud.

Varíola dos macacos declarada “Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional”

TEDROS
@WHO.

“O atual surto de varíola dos macacos propagou-se rapidamente por todo o mundo, através de novos modos de transmissão sobre os quais entendemos ‘muito pouco’, e obedece aos critérios de emergência ao abrigo do Regulamento Sanitário Internacional.”

“Por todas estas razões, decidimos que o surto mundial de varíola dos macacos representa uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional”, anunciou o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Gebreyesus, no sábado, durante uma conferência de imprensa.

Tedros indicou que o risco de expansão da varíola dos macacos é moderado a nível mundial e em todas as regiões exceto na Europa, onde o risco é elevado.

Atualmente há mais de 16.000 casos comunicados de 75 países e territórios e cinco mortes.

@CDC. Um jovem mostra as mãos durante um surto de varíola dos macacos na República Democrática do Congo.
Varíola dos macacos em Portugal

A Organização Mundial de Saúde falou com um médico português sobre a sua experiência no tratamento de doentes com varíola dos macacos.

Francisco Silva é médico especialista em medicina geral, em Lisboa, onde trabalha numa clínica de saúde sexual. A sua clínica foi uma das primeiras na Europa a ver um número crescente de pacientes com sintomas semelhantes que foram rapidamente identificados como sendo causados pela varíola dos macacos.

“No início de maio tive vários pacientes que se apresentaram com o que pareciam ser úlceras. Testámo-los para infeções sexualmente transmissíveis, mas os testes voltaram negativos, por isso, sabíamos que algo estava errado. O nosso laboratório relatou os casos através da plataforma online EpiPulse (gerida pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças) e rapidamente descobrimos que tínhamos em mãos os primeiros casos de varíola dos macacos“.

Foi graças à notificação destes casos que foram identificados em clínicas de saúde sexual em Portugal, no Reino Unido, e depois noutros países europeus, que os pontos foram ligados para concluir que se estava a lidar com um surto considerável de varíola dos macacos, numa escala nunca antes vista.

Embora a maioria dos casos examinados por Francisco Silva tenham sido entre homens que fazem sexo com homens, o médico sublinha que esta não é uma doença exclusiva de homens homossexuais, e que não lhe deve ser associado nenhum estigma em resultado disso.

“No início receava que a doença fosse associada à comunidade gay, mas o governo de Portugal fez um excelente trabalho nas redes sociais, elucidando as pessoas sobre a varíola dos macacos e explicando que qualquer pessoa pode contrair a doença”, considera o médico.

Recomendações

A fim de combater o surto de varíola dos macacos, a OMS recomenda aos países que:

  • Implementem uma resposta coordenada para parar a transmissão e proteger os grupos vulneráveis;
  • Protejam as comunidades afetadas;
  • Intensifiquem a vigilância e as medidas de saúde pública;
  • Reforcem a gestão clínica e a prevenção e controlo de infeções em hospitais e clínicas;
  • Acelerem a investigação sobre o uso de vacinas.

Francisco Silva aconselha ainda “a redução do número de parceiros sexuais e, pelo menos por enquanto, que se evitem os clubes sexuais”. “A maioria dos casos que vi – embora nem todos – podem estar associados à presença nesses espaços”.

Saiba mais sobre a varíola dos macacos: Varíola dos macacos I OMS

 

Família Schurmann promove reciclagem em veleiro sustentável Kat

Em expedição pela América do Norte, a família Schurmann deixou Nova Iorque, na quarta-feira, a caminho de Boston como parte do projeto Voz dos Oceanos pelo fim da poluição plástica.

Em entrevista à ONU News, Heloísa Schurmann, a mãe da família, e Erika Cembe Ternex contaram como a tripulação do veleiro Kat adotou fontes limpas de energia e processo de dessalinização para água potável.

Sustentabilidade à vista

Velejando há quase um ano por mares livres de resíduos plásticos, os Schurmann idealizaram uma embarcação sustentável e com ferramentas para que eles pudessem produzir pouco lixo e reaproveitar tudo que fosse possível.

O veleiro Kat, escolhido para essa iniciativa que conta com a parceria do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, foi construído em 2014.

Foi a bordo dele, que a família já chegou aos quatro cantos do mundo. Numa dessas paradas, na Nova Zelândia, o Kat ganhou outra integrante, a italiana Erika Cembe Ternex. 

Responsável pela cozinha e logística da expedição, ela afirma que é possível e simples viver de forma mais sustentável.

Duas pequenas hortas e uma máquina que quebra vidro
 

“A gente quer mostrar que é possível fazer mesmo no cantinho da sua casa, sabe? Você consegue se organizar de um jeito sustentável. A gente também tem duas pequenas hortas […] a gente faz compostagem… É um sistema super fácil e como é anaeróbico, não faz cheiro nenhum. Está na nossa mesa principal e é super prática. Realizamos o sonho de ter um ‘glass crusher’, uma máquina que quebra vidro. Ela quebra de um tamanho tal que você pode até botar a mão, vira areia mesmo.”

Durante a passagem da tripulação por Nova Iorque, eles levaram o vidro triturado de 250 garrafas para um projeto no Instituto de Tecnologia de Nova Jérsei que mistura vidro e plástico para ser usado como concreto.

Uma baita ajuda

Além disso, Erika Cembe Ternex explica que todos os resíduos são separados para que tenham um fim adequado.
“A gente separa até remédio. A gente separa o nosso lixo em papel, plástico e lata e temos também uma compactadora. Depois de separar, a gente consegue compactar em até 80%, porque no barco o desafio do espaço é muito grande, e às vezes, a gente não espera. A gente está no mar por 15 dias seguidos, não tem um lugar para onde você levar o seu lixo, sabe? Então, compactar 80% dá uma baita de uma ajuda.”

A energia utilizada a bordo também vem de fontes limpas, com painéis solares e eólicos. Todas as lâmpadas instaladas no veleiro são LED e as baterias de lítio. 

Família Schurmann

Voice of the Oceans

Família Schurmann

Inovações verdes

Já a velejadora Heloísa Schurmann conta sobre outro processo inovador que a família faz dentro do Kat. O amor pelo oceano é tão grande, que eles buscaram uma tecnologia para poder transformar a água salgada em água potável enquanto navegam.

“Toda a nossa água potável é através de um dessalinizador. Nós bebemos água do oceano, gente! Além disso, toda a nossa água de esgoto […] é tratada. Ela é tratada por um equipamento que foi construído no Brasil e que provou e testou toda a água tratada. Depois que ela passa por esse processo de tratamento sem nenhuma química, ela passa por lâmpadas ultravioletas”

De acordo com informações disponibilizadas no portal da família, o nome do barco é uma homenagem à Kat Schurmann. 

A neo-zelandesa foi adotada por eles aos três anos e morreu em 2006, aos 13 anos de idade, devido a complicações decorrentes do vírus HIV com o qual convivia desde seu nascimento.

Além de Heloísa e Erika, a tripulação do veleiro Kat conta com os filhos de Vilfredo e Heloísa Schurmann: David, Wilhelm e Pierre.
 

“Farol de esperança” no decorrer da guerra na Ucrânia

UN Photo/Levent Kulu

Um “acordo sem precedentes” sobre a retoma das exportações ucranianas de cereais através do Mar Negro no decorrer da guerra é “um farol de esperança” num mundo que precisa desesperadamente dele, afirmou o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, na cerimónia de assinatura, em Istambul, Turquia, na sexta-feira. 

O plano da ONU, que também prepara o caminho para que os alimentos e fertilizantes russos cheguem aos mercados mundiais, vai ajudar a estabilizar os preços dos alimentos e evitar cenários de fome para milhões de pessoas.  

Os ministros russo e ucraniano assinaram a chamada “Iniciativa dos Grãos do Mar Negro”, frente a frente, em extremos opostos da mesa, enquanto o secretário-geral da ONU e o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan se sentaram no centro. 

Esperança e alívio 

“Hoje, há um farol no Mar Negro”, considerou o líder da ONU, antes da assinatura. “Um farol de esperança – um farol de possibilidades – um farol de alívio – num mundo que precisa dele mais do que nunca”.  

Guterres agradeceu ao presidente Erdogan e ao seu governo por terem facilitado as conversações que conduziram ao acordo e elogiou os representantes russo e ucraniano por colocarem de lado as suas diferenças em prol do interesse comum da humanidade. 

“A questão não tem sido o que é bom para um lado ou para o outro. O enfoque tem sido no que é mais importante para os povos do nosso mundo. E que não haja dúvidas – este é um acordo para o mundo”, disse o secretário-geral da ONU. 

A Ucrânia está entre os principais exportadores mundiais de cereais, fornecendo anualmente mais de 45 milhões de toneladas ao mercado mundial, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).   

A invasão russa, que começou a 24 de Fevereiro, trouxe preços recorde aos alimentos e combustíveis, bem como problemas na cadeia de abastecimento, com grandes quantidades de stocks de cereais retidos. 

Além de estabilizar os preços mundiais dos alimentos, o acordo “vai trazer alívio para os países em desenvolvimento e para as pessoas mais vulneráveis”. 

“Desde que a guerra começou tenho vindo a salientar que não existe solução para a crise alimentar mundial sem assegurar o pleno acesso aos produtos alimentares da Ucrânia e aos alimentos e fertilizantes russos”, destacou António Guterres. 

UN Photo

Um longo percurso 

A iniciativa permite volumes significativos de exportação de alimentos comerciais a partir de três portos-chave da Ucrânia no Mar Negro – Odessa, Chernomorsk e Yuzhny.   

O secretário-geral anunciou também a criação de um Centro Conjunto de Coordenação para monitorizar a implementação. Este centro vai ser instalado em Istambul e vai contar com representantes da Ucrânia, Rússia e Turquia. 

Equipas de inspeção vão monitorizar o carregamento de cereais nos três portos. Os navios piloto ucranianos vão guiar os navios através do Mar Negro, que é minado, por um corredor que passa pelo Estreito do Bósforo. 

António Guterres reconheceu “o longo caminho” de semanas de negociações, 24 horas por dia, que conduziram a este acordo “histórico”.   

Em abril, o secretário-geral da ONU encontrou-se com o presidente russo Vladimir Putin e com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy para propor um plano. A ONU tem estado “a trabalhar todos os dias desde então”, disse. 

Duas Forças de Trabalho da ONU foram criadas em paralelo durante as conversações – uma centrada no carregamento de cereais ucranianos através do Mar Negro, liderada pelo chefe dos assuntos humanitários da ONU, Martin Griffiths, e a outra na facilitação do acesso aos alimentos e fertilizantes russos, liderada por Rebecca Grynspan, secretária-geral do organismo de comércio e desenvolvimento da ONU, UNCTAD.

Farol de paz 

O secretário-geral prometeu o total empenho das Nações Unidas no acordo e exortou todas as partes a fazerem o mesmo.  

“Este é um acordo sem precedentes entre duas partes envolvidas num conflito sangrento. Mas esse conflito continua”, disse, observando que pessoas estão a morrer todos os dias à medida que os combates se desenrolam.   

“O farol da esperança no Mar Negro brilha hoje, graças aos esforços coletivos de muitas pessoas. Nestes tempos difíceis e turbulentos para a região e para o nosso mundo, que esse farol oriente o caminho para aliviar o sofrimento humano e assegurar a paz”. 

Campanha online em Portugal apoia extremo leste da África contra fome e seca

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, mobiliza apoio de portugueses para a resposta a uma das piores secas no extremo leste da África. Em plataformas online, a Campanha Alerta Fome pede auxílio para mitigar a situação dos menores de idade.

O Unicef apela por solidariedade para que se chegue “ao maior número de crianças possível com alimentos e água”. A iniciativa que começou este mês promove a responsabilidade junto a qualquer cidadão que queira fazer a doação. 

Fontes contaminadas 

Em visita a áreas afetadas da Etiópia e Somália, o diretor de Operações de Emergência, Manuel Fontaine, ressaltou a falta de água e a fome “que levam menores a caminhar quilômetros e muitas vezes a beber de fontes contaminadas”. Os efeitos são a subnutrição e doenças evitáveis, como a diarreia.

Famílias que não vivem em situação de crise humanitária não conseguem satisfazer as suas necessidades alimentares diárias

Unicef/UN0639245/Sewunet

Famílias que não vivem em situação de crise humanitária não conseguem satisfazer as suas necessidades alimentares diárias

A seca severa segue-se a quatro estações chuvosas consecutivas com pouca chuva em regiões baixas como Afar, Oromia, e a chamada Região das Nações, Nacionalidades e Povos do Sul. Poços de água secaram e milhões de animais morreram provocando deslocações em massa.  

Somente a Somália concentra mais de 900 mil deslocados devido ao fenômeno. Com o aumento alarmante dos índices de subnutrição, pelo menos 600 mil crianças irão precisar de tratamento para casos graves até ao final do ano. 

O total dos menores de cinco anos admitidos para tratamento com subnutrição aguda grave subiu 43% em maio deste ano, em comparação com o mesmo período de 2021.

Situação grave

Para a diretora executiva da Unicef Portugal, Beaatriz Imperatori, a crise alimentar severa e global tem “efeitos absolutamente catastróficos” nas regiões da Etiópia e Somália que já antes eram vulneráveis. Ela alertou que a situação grave muito provavelmente “vai piorar ao longo dos próximos meses.” 

Mãe e filho passam por gado que morreu pela seca no Quênia.

Foto: © UNICEF/Oloo

Mãe e filho passam por gado que morreu pela seca no Quênia.

A guerra na Ucrânia deve agravar ainda mais a situação de famílias e exacerbar a insegurança alimentar em África. Os principais fatores são o aumento dos preços dos combustíveis e a redução da disponibilidade de importações de trigo.

Os custos de óleo alimentar, do pão e da farinha de trigo, por exemplo, atingem novos recordes nos mercados locais. Mesmo as famílias que não vivem em situação de crise humanitária não conseguem satisfazer as suas necessidades alimentares diárias. 

Apoio nutricional 

Manuel Fontaine disse que a crise induzida pelo clima agrava a subnutrição para crianças e não apenas na Etiópia, mas em todo o continente africano. O Unicef atua com seus parceiros no terreno fornecendo apoio nutricional para salvar as vidas de crianças gravemente subnutridas.

O valor do apelo para a resposta à seca em áreas afetadas na Etiópia é de US$ 65 milhões, que se juntam aos US$ 351 milhões que se requerem para fornecer auxílio humanitário global devido a esta realidade.
 

Seca forte afeta Quênia e outros países do leste da África.

Foto: © FAO/Patrick Meinhardt

Seca forte afeta Quênia e outros países do leste da África.

Pandemia agrava pobreza e desigualdade no Brasil e gera desafios para mais vulneráveis

A Covid-19 causou graves estragos no Brasil e em sua economia. Com mais de 33 milhões de casos diagnosticados, o país tem sido o país mais afetado na América Latina e o terceiro em todo o mundo. 

No início da pandemia, aproximadamente 30% dos brasileiros eram pobres e 8% da população vivia na extrema pobreza. 

Dados comparáveis

Neste novo relatório, o Banco Mundial mostra que esses percentuais não mudaram muito desde 2012, 33% e 7,4%, respectivamente, o primeiro ano para o qual há dados comparáveis. 

Especialistas do Banco Mundial lembram que o Brasil não tem uma linha oficial de pobreza. De acordo com a definição utilizada no relatório, estão abaixo da linha de pobreza pessoas com renda per capita inferior a R$ 499 por mês.

Favela no Rio de Janeiro, Brasil

Unicef/Giacomo Pirozzi

Favela no Rio de Janeiro, Brasil

Tendo diminuído substancialmente em 2020, as taxas de pobreza aumentaram, acentuadamente, assim que a assistência do governo minguou, tornando evidente a dependência das famílias brasileiras do suporte do Estado diante de más condições no mercado de trabalho.

No entanto, estima-se que essas taxas tenham sido inferiores em pouco mais de um ponto percentual em 2021 em relação a 2019. O programa Auxílio Emergencial, iniciado em 2020 pelo governo federal para enfrentar a Covid, ajudou a conter o aumento da pobreza naquele ano, informa o relatório.

Tecnologia e capital humano

O baixo acesso à tecnologia e ao capital humano tornou mais difícil para os mais pobres sua adaptação ao mercado de trabalho durante a pandemia. É o que explica Gabriel Lara Ibarra, economista sênior do Grupo de Pobreza e Equidade do Banco Mundial, responsável pelo relatório.

“Segundo o relatório, os pobres e vulneráveis do Brasil sentiram mais duramente as consequências econômicas negativas da pandemia. A deterioração do mercado de trabalho diminuiu a renda domiciliar do trabalho, com os 40% mais vulneráveis da população sendo os mais atingidos. O baixo acesso à tecnologia e ao capital humano é comum entre os pobres, limitando sua capacidade de adaptação ao ambiente de trabalho ocasionado pela Covid-19.

A participação das mulheres na força de trabalho diminuiu significativamente mais do que para os homens, em grande parte devido aos papéis sociais tradicionais de gênero que aumentaram o trabalho doméstico não remunerado das mulheres e os encargos educacionais infantis durante os bloqueios escolares. Entre os jovens, aqueles de baixa escolaridade, os afro-brasileiros e os residentes nas regiões Norte e Nordeste tiveram maior probabilidade de perder seus empregos como resultado da pandemia”.

Norte e nordeste do Brasil

A pandemia gerou um alto custo para a acumulação de capital humano a longo prazo e ampliou a lacuna de desigualdade. Em novembro de 2020, 27,8% das crianças das regiões Norte e Nordeste, as mais pobres do país, não estavam matriculadas ou não tinham acesso às atividades escolares. 

Brasil tem sido o país mais afetado pela pandemia na América Latina e o terceiro em todo o mundo

Aldeias de Crianças SOS Colômbia

Brasil tem sido o país mais afetado pela pandemia na América Latina e o terceiro em todo o mundo

O acesso também foi menor para as crianças que vivem em áreas rurais. Em meados de 2021, o envolvimento em atividades escolares ainda era afetado de forma desigual pela pandemia.

Os dados mostram que apenas metade das crianças que viviam em um domicílio entre os 20% mais pobres da população estava envolvida (presencialmente ou virtualmente) em atividades escolares durante toda a semana, enquanto esse era o caso de três em cada quatro crianças nas famílias mais ricas.

Problemas históricos

O relatório mostra que, apesar do progresso realizado nas décadas anteriores, as profundas divisões socioeconômicas no país são problemas históricos.

Entre 2001 e 2012, o PIB do Brasil cresceu a uma taxa média anual de 2,6% em termos reais, e a diferença de desigualdade de renda diminuiu significativamente à medida que o Brasil experimentou uma redução significativa de 16 pontos percentuais na pobreza geral.

Ainda assim, as disparidades na população brasileira permanecem: quase três em cada 10 pobres são mulheres afro-brasileiras que vivem em áreas urbanas, enquanto três quartos de todas as crianças que residem em áreas rurais são pobres.
Impactos diretos

O documento aponta que é necessária uma visão ampla e renovada para dar aos grupos populacionais mais vulneráveis uma vida decente no futuro. 

Rua Augusta, em Bela Vista, na cidade de São Paulo

Rovena Rosa/Agência Brasil

Rua Augusta, em Bela Vista, na cidade de São Paulo

No curto prazo, as prioridades políticas devem se concentrar na proteção dessas populações contra a erosão (ou esgotamento) dos ativos. As políticas devem abordar os impactos diretos da pandemia: proteger o capital humano das crianças e ajudar os indivíduos a voltar ao trabalho.

No longo prazo, esforços devem ser feitos para construir e promover a acumulação de ativos para a base mais ampla possível. Investimentos em capital humano são necessários para aumentar a produtividade da força de trabalho – presente e futura. 

Deve haver um forte impulso para apoiar a transformação econômica estrutural que está ocorrendo no Brasil. Além disso, investimentos em infraestrutura e acesso a ativos produtivos são necessários para melhor conectar e proteger as populações vulneráveis para que o Brasil possa se orientar para um crescimento inclusivo e resiliente.

*Do Banco Mundial, em Brasília, Sidrônio Henrique.

Brasil: Conselho de Segurança precisa de reforma para retratar realidade global

As Nações Unidas têm um papel importante no mundo, que atualmente é mais diverso que o de 1945, quando a organização foi criada.

Para se ter uma melhor dimensão dessas mudanças geopolíticas, é preciso haver uma reforma do Conselho de Segurança da ONU.

Equilíbrio de poder   

A declaração é do vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão. Na quinta-feira, ele presidiu os trabalhos do órgão e apresentou uma declaração de preocupação com a situação de meninas e mulheres, paz se segurança no Haiti.

Vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão

UN Photo/Manuel Elias

Vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão

Ele disse à ONU News que é hora de  renovar o Conselho.

 “Eu acho que o Brasil tem uma posição papel muito clara em relação ao papel das Nações Unidas, ao papel da ONU e principalmente do Conselho de Segurança. Vamos lembrar que quando as Nações Unidas foram criadas no pós-Segunda Guerra Mundial, tinham 51 membros. Hoje, são 193 praticamente quatro vezes mais. Então, eu acho que nós devíamos ter uma nova dimensão em termos de membros permanente do Conselho de Segurança para que ele retratasse, fielmente, o que é o equilíbrio de poder, a importância que cada região do mundo tem dentro desse concerto de 193 nações.”

Assento permanente e direito a veto

Desde a criação da ONU, cinco países-membros têm direito a assento permanente e veto no Conselho: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.

Os outros 10 membros da casa ocupam assentos rotativos, com direito a um mandato de dois anos, cada.

Hamilton Mourão afirma que as Nações Unidas têm um importante papel a desempenhar na concertação e cooperação entre os países

Reprodução

Hamilton Mourão afirma que as Nações Unidas têm um importante papel a desempenhar na concertação e cooperação entre os países

Para uma resolução ser aprovada ela precisa de nove dos 15 votos e nenhum veto, um direito que pode ser aplicado por qualquer dos cinco membros permanentes.

As negociações para a reforma do Conselho de Segurança são realizadas na Assembleia Geral e já duram mais de duas décadas.

O Brasil ao lado da Alemanha, Índia e Japão formou o grupo G4 que defende a ampliação do Conselho para refletir a ordem geopolítica atual e não a de 1945 quando a ONU foi criada.

O vice-presidente Hamilton Mourão, que foi boina-azul na Missão da ONU em Angola, nos anos 90, afirma que as Nações Unidas têm um importante papel a desempenhar na concertação e cooperação entre os países. Para ele, essas atuações devem sempre buscar o benefício de todas as partes envolvidas.

Leia a íntegra da entrevista com o vice-presidente Hamilton Mourão.

Bachelet preocupada com polarização e movimentos contra direitos no Peru

O Peru está enfrentando desafios na área de direitos humanos. Após ser duramente afetado pela pandemia da Covid-19 com o maior número per capita de mortes no mundo, a nação sul-americana atravessa uma onda de polarização política e de movimentos retrógrados em direitos humanos.
 
A declaração é da alta comissária da ONU, Michelle Bachelet, após encerrar uma visita oficial ao país, na quarta-feira.

Capital do Peru, Lima

Banco Mundial/Franz Mahr

Capital do Peru, Lima

 
Setor privado e povos indígenas

 
Na viagem de 18 a 20 de julho, Bachelet se reuniu com o presidente e vice-presidente do Peru, o chefe da pasta de Relações Exteriores e outros integrantes do governo.
 
A alta comissária foi recebida por membros do Congresso peruano, representantes do Judiciário, da sociedade civil, setor privado, indígenas e vítimas de violações de direitos humanos.
 
Michelle Bachelet conversou com participantes do Acordo Nacional, que é uma plataforma para o diálogo no Peru. Ela também ouviu de perto depoimentos de autoridades eleitorais e da instituição nacional de direitos humanos.
 
O país ainda ser recupera da pandemia que teve efeitos arrasadores para a população. Mais de um em 20 peruanos contaminados pelo novo coronavírus perdeu a vida. Ao todo, foram 213.825 óbitos pela doença. 

Para Bachelet, é encorajador ver que 84% da população no Peru foi vacinada com a segunda dose.

Crianças em áreas remotas e sem internet não tiveram aulas
 

Em entrevistas a jornalistas, no encerramento da visita, ela ressaltou que a Covid evidenciou divisões socioeconômicas profundas na sociedade peruana com efeitos que devem durar por vários anos.
 
As áreas rurais foram mais afetadas assim como os pobres e grupos marginalizados e carentes. A alta comissária informou que, aos poucos, os alunos estão retornando para a escola após dois anos, mas as crianças em zonas remotas e sem internet foram muito prejudicadas com o fechamento.
 

Guerra na Ucrânia, aumento do preço dos combustíveis 
 

Mesmo antes de o país se recuperar, ocorreu a guerra na Ucrânia que está tendo um impacto profundo na retomada após a pandemia. Cerca de 15,5 milhões de peruanos vivem em insegurança alimentar em meio à alta no preço dos combustíveis e dos alimentos.
O Programa Mundial de Alimentos, PMA, estima que a falta de comida venha a aumentar com a escassez de fertilizantes.
 
Michelle Bachelet contou que discutiu os desafios do Peru com todos os interlocutores durante a visita incluindo a urgência de medidas de previdência social que foquem nos mais marginalizados.
Ela disse que o apoio à agricultura local pode ajudar as pessoas saírem da economia informal.
 

Michelle Bachelet defende liberdade e segurança para jornalistas.

ONU//Jean-Marc Ferré

Michelle Bachelet defende liberdade e segurança para jornalistas.

Eleições em outubro

Ao citar a polarização, Bachelet afirmou que o problema está se aprofundando nos últimos meses e que já existem sinais “preocupantes” de movimentos de retrocesso de direitos. Jornalistas estão sofrendo assédio principalmente as mulheres.

As eleições locais e regionais estão marcadas para outubro no Peru.

Segundo Bachelet, o discurso de ódio, atos de discriminação e violência podem aumentar até a votação.

A alta comissária da ONU elogiou ações do governo peruano para evitar um retrocesso em direitos humanos, mas disse que é preciso fazer mais para implementá-las. 

Diversidade cultural e povos indígenas

A chefe de direitos humanos recomendou ao país que continue fomentando o diálogo nacional que representa a rica diversidade cultural do Peru.

Ela lembrou que os povos indígenas e ativistas estão na linha de frente para responder ao impacto das mudanças climática e ameaças como mineração ilegal, desmatamento e tráfico de drogas, principalmente na região da Amazônia peruana.

Michelle Bachelet disse que admira a coragem e a força de defensores de direitos humanos e que eles precisam de proteção para fazer seu trabalho na área ambiental.

Massacre de nove alunos e um professor

A visita da alta comissária da ONU ao Peru coincidiu com o 30º aniversário do massacre de La Cantuta, que matou nove estudantes e um professor universitário. Eles foram sequestrados e assassinados por um pelotão militar. Um outro crime foi o atentado a bomba, realizado pelo Sendero Luminoso, que matou 25 peruanos em Tarata.

Para Bachelet, estar em paz após o período de violência de 1980 a 2000, no Peru, é fundamental para o país ultrapassar as barreiras atuais incluindo os níveis de polarização.

Ela disse que como médica, sabe bem que é preciso sarar as feridas.