O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz foi escolhido pelas Nações Unidas para liderar uma missão de apuração dos fatos na Ucrânia.
O anúncio do nome do brasileiro Santos Cruz foi feito pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, durante uma conversa com jornalistas ao lado do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, na cidade de Lviv, nesta quinta-feira.
Guterres quer acesso para a Cruz Vermelha ao local
AGORA: chefe da #ONU planeja nomear brasileiro @GenSantosCruz para chefiar missão de apuração dos fatos sobre explosão em detenção de Olenivka, na Ucrânia em 29 de julho, que matou dezenas; Santos Cruz comandou missões de paz no Haiti e RD Congo. Mais detalhes em instantes. pic.twitter.com/nw8JlOqs6r
De Brasília, Santos Cruz disse à ONU News que se sentiu muito honrado por ter seu nome considerado por Guterres.
“Eu tomei conhecimento agora de que o secretário-geral da ONU considerou o meu nome para cumprir uma tarefa na Ucrânia. Eu fico muito honrado e tenho a certeza de que os companheiros que irão também ser selecionados pelas Nações Unidas são pessoas da mais alta qualidade, e isso é uma grande garantia para o nosso trabalho, para que possamos ter um resultado positivo sobre o assunto que vai ser tratado.”
O general brasileiro já comandou duas missões de paz das Nações Unidas, a Minustah, no Haiti, e a Monusco, na República Democrática do Congo, na África.
Ele também produziu um relatório, conhecido como Santos Cruz Report, sobre o funcionamento de missões de paz pelo mundo.
Guterres afirmou que o que aconteceu no centro de detenção foi inaceitável. Ele lembrou que todos os prisioneiros de guerra têm de ser protegidos sob a Lei Humanitária Internacional.
O chefe da ONU também afirmou que a Cruz Vermelha precisa ter acesso aos detentos.
Oficial respeitado com mais de 40 anos de experiência em segurança
A missão de apuração dos fatos, a ser liderada pelo general brasileiro, foi um pedido dos governos da Ucrânia e da Rússia à ONU.
Os termos de funcionamento da missão serão compartilhados com ambos os países assim como a configuração da equipe.
ONU/Sylvain Liechti
General Santos Cruz diz que outros selecionados pelas Nações Unidas são pessoas da mais alta qualidade
Ao mencionar sua intenção de nomear Santos Cruz, Guterres disse que o militar é um oficial respeitado com mais de 40 anos de experiência em segurança pública e militar incluindo o comando de missões de paz.
Para o secretário-geral, é preciso continuar obtendo as garantias necessárias para o acesso seguro aos sítios e locais relevantes para a apuração do que ocorreu em 29 de julho.
Ele finalizou dizendo que uma missão de apuração dos fatos deve ser livre para encontrar os fatos, e que a equipe tem que poder recolher e analisar a informação necessária. De forma segura e com acesso irrestrito às pessoas e às evidências sem interferência de nenhum lugar.
E segundo Guterres, a ONU continuará cooperando para fazer sua parte.
A Organização Mundial da Saúde, OMS, apresentou uma atualização da situação global sobre a varíola dos macacos com cerca de 75 mil suspeitas de infecções em 92 países. Deste total, 35 mil confirmados com 12 óbitos.
O diretor-geral da agência da ONU, Tedros Ghebreyesus, informou que só na última semana, houve um aumento de 20%. A maioria dos casos vem da Europa e das Américas, e ocorrem entre homens que fazem sexo com homens.
Imagem ampliada mostra uma partícula do vírus da varíola do tipo amora, que foi encontrada no fluido de uma bolha humana.
Brasil
Na entrevista a jornalistas, em Genebra, a equipe foi perguntada sobre o Brasil, que está na lista dos 10 mais afetados. A OMS informou que já está trabalhando junto à Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, para apoiar o país.
A agência reforçou a importância da saúde pública brasileira implementar ações e divulgar informações sobre como as pessoas em risco devem se proteger.
Um homem se recupera da varíola em um hospital em Londres, Reino Unido
Vacina
Em julho, a OMS declarou a doença uma emergência de saúde pública de interesse internacional. Para Tedros, é importante que os países estejam preparados, freando a transmissão através de seus sistemas de saúde e informação.
Ele citou a importância da vacina para controlar o surto, mas ressaltou que a disponibilidade da imunização ainda é limitada e os dados sobre sua eficácia são limitados, embora agora eles estejam começando a receber dados de alguns países.
O diretor-geral da OMS disse continuar preocupado que o acesso desigual a vacinas, assim como aconteceu durante a Covid-19 se repita e que os mais pobres continuem sendo deixados para trás.
O vírus da varíola dos macacos pode ser transmitido através da exposição direta a lesões
Novo nome e variantes
O trabalho para renomear a doença e o vírus está em andamento.
Na semana passada, especialistas da agência chegaram a um consenso sobre uma nova nomenclatura para que as variantes estejam de acordo com as melhores práticas, concordando em renomear os dois clados conhecidos do vírus da varíola dos macacos usando algarismos romanos.
Assim, a antiga variante da Bacia do Congo, na África Central, será Clado I e o antigo clado da África Ocidental como Clado dois II.
Este 16 de agosto marca o 5º. aniversario da entrada em vigor da Convenção de Minamata contra o uso do mercúrio. O tratado quer acelerar o combate ao metal tóxico. Até agora, 137 países aderiram à Convenção, gerenciada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma.
O documento inclui a proibição de novas minas de mercúrio e a eliminação do uso em vários produtos. Até 2024, um grupo de trabalho coordenado pela agência da ONU prepara propostas para o painel de política científica sobre o tema.
Ciência
Minamata, a baía japonesa que deu nome à Convenção, é um exemplo da toxicidade do mercúrio. Moradores de várias aldeias de pescadores foram afetados pela poluição em meados do século 20.
Museu Municipal da Doença de Minamata
A Doença de Minamata é neurológica e causada por envenenamento grave por mercúrio
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, OMS, tanto o mercúrio elementar como o metilmercúrio são tóxicos para o sistema nervoso central e periférico. A inalação de vapor pode causar danos potencialmente fatais aos sistemas nervoso e imunológico, ao sistema digestivo e aos pulmões e rins.
Estas questões levaram governos de todo o mundo a concordar em seguir com regulamentações sobre poluição por mercúrio.
No campo científico, pesquisadores se juntaram na primeira Conferência Internacional sobre Mercúrio como Poluente Global, Icmgp. Este ano, a iniciativa somou 15 reuniões realizadas com a publicação de artigos de síntese ressaltando a contribuição do setor para estabelecer políticas.
Mudanças do clima
Para a edição de 2022, o tema foi “Reduzindo as emissões de mercúrio para alcançar um mundo mais verde”. O evento deu início a um processo que deve culminar com a avaliação da eficácia da convenção com base em conhecimento e informações científicas.
ONU News/Laura Quiñones
Alta de incêndios florestais devido às mudanças climáticas pode aumentar essas emissões
A secretária executiva da Convenção de Minamata, Monika Stankiewicz, destaca que “a ciência tem sido uma força motriz por trás da Convenção de Minamata”. A adoção ocorreu em 2013 e entrou em vigor em 2017.
Estima-se que as emissões de mercúrio dos incêndios florestais cheguem a 600 toneladas por ano, ou cerca de um quarto das emissões de mercúrio produzidas pela atividade humana. A alta de incêndios florestais devido às mudanças climáticas pode aumentar essas emissões em 14% até 2050, tendo por base os níveis do ano 2000.
Outra questão com impacto no ciclo do mercúrio é o desmatamento. Nesta questão é destacada a relevância da floresta amazônica, sem a qual a captura de mercúrio atmosférico pode baixar de 650 toneladas para 250 toneladas por ano.
O dia 15 de agosto marcou um ano do regresso dos Talibãs ao poder no Afeganistão. As Agências das Nações Unidas mostram-se apreensivas com o colapso da economia, bem como o agravamento da situação humanitária e dos direitos humanos. Os especialistas pedem maior representatividade no governo para favorecer a reconciliação e a estabilidade.
As Nações Unidas destacam retrocessos em áreas como a economia, a política, a sociedade, os direitos humanos e a igualdade de género. Segundo dados recentemente divulgados, mais de metade dos 41 milhões de afegãos está abaixo da linha da pobreza. Quase 23 milhões enfrentam insegurança alimentar. Cerca de 2 milhões de crianças sofrem de desnutrição e há comunidades que ficaram ainda mais vulneráveis depois do terramoto que abalou o país há seis meses.
Com a ascensão dos Talibãs ao poder, o país da Ásia Central perdeu a ajuda ao desenvolvimento, as reservas de pagamentos internacionais foram congeladas e as sanções foram agravadas.
Unicef/Alessio Romenzi
Desigualdade de género
O responsável da ONU no Afeganistão, Ramiz Alakbarov, considera que o mundo está a assistir a uma reversão significativa de direitos económicos, políticos e sociais e “a uma escalada preocupante de políticas e comportamentos restritivos” de género. “Sem o direito à educação, ao trabalho e à liberdade de movimento, as mulheres são cada vez mais postas à margem da sociedade”, acrescenta.
A UNICEF informou que o custo de ter jovens meninas fora do ensino secundário chega a representar 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) anual. Estima-se que se 3 milhões de alunas concluíssem o ensino secundário e entrassem no mercado de trabalho, contribuiriam com, pelo menos, 5,4 mil milhões de dólares para a economia do Afeganistão.
A diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, enfatiza a ideia de aniquilação de “décadas de progresso em igualdade de género e direitos das mulheres em poucos meses.” Existe um apelo às autoridades para que se abram escolas para todas as raparigas, se removam as restrições ao emprego das mulheres e se revoguem todas as decisões e políticas que as privam dos seus direitos.
O aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis foi agravado pela seca e pela guerra na Ucrânia. A ONU Mulheres estima que 95% da população afegã, e quase todas as famílias chefiadas por mulheres, ficaram sem o suficiente para se alimentarem.
Os especialistas destacam que em nenhum outro lugar do mundo o ataque aos direitos das mulheres e raparigas foi tão “amplo, sistemático e abrangente, com aspetos das suas vidas a serem restringidos sob o pretexto da moralidade e através da instrumentalização da religião”.
UNICEF/Hasinullah Qayoumi
Atentados aos direitos humanos
Execuções extrajudiciais, desaparecimentos, detenções arbitrárias, tortura, riscos elevados de exploração, inclusive para fins de casamento infantil e forçado, são algumas das violações aos direitos humanos que se têm visto no último ano.
Existe uma rutura no Estado de direito, sobre o qual “não se vislumbra qualquer intenção de cumprimento da promessa dos Talibãs em respeitar os direitos humanos”.
Entre as questões que mais preocupam os especialistas estão a abolição de mecanismos e instituições independentes de supervisão de direitos humanos, especialmente a Comissão Independente de Direitos Humanos do Afeganistão.
Os desafios incluem o comprometimento da administração da justiça e a liberdade de imprensa com restrição do acesso à informação. Muitos jornalistas e ativistas saíram do país e abandonaram as suas atividades. O mesmo aconteceu com educadores, professores e artistas.
Verificam-se ainda ataques a minorias religiosas e étnicas, alguns reivindicados pela organização militar do Estado Islâmico Isil-KP. Para os peritos, continua a faltar capacidade ou vontade dos Talibãs em proteger essas pessoas.
Com sinais de deterioração da situação humanitária, o apelo feito à comunidade internacional é de que garanta com urgência ajuda aos afegãos em coisas básicos para viver: comida, água, educação, meios de subsistência e um lar seguro.
No início do período no poder, os Talibãs prometeram que seriam menos radicais. Os especialistas querem que as autoridades cumpram as suas obrigações sob os tratados internacionais, dos quais também o Afeganistão faz parte.
Este 15 de agosto marca um ano da tomada do poder pelo Talibã no Afeganistão. Agências da ONU estão apreensivas com o colapso da economia e o agravamento da situação humanitária e de direitos humanos, principalmente em relação a mulheres e meninas.
O chefe do sistema ONU no país, Ramiz Alakbarov, disse que o mundo assiste à reversão significativa de direitos econômicos, políticos e sociais e “uma escalada preocupante de políticas e comportamentos restritivos” de gênero.
Pobreza
Para ele, “sem o direito à educação, ao trabalho e à liberdade de movimento, as mulheres são cada vez mais relegadas à margem da sociedade”.
Unicef/Alessio Romenzi
Especialistas querem que as autoridades de fato cumpram suas obrigações internacionais sob os tratados internacionais
Segundo a ONU, mais da metade dos 41 milhões de afegãos está abaixo da linha da pobreza. Quase 23 milhões enfrentam insegurança alimentar. Cerca de 2 milhões de crianças sofrem de desnutrição e comunidades ficaram ainda mais vulneráveis depois do terremoto, há mais de seis meses.
O Fundo da ONU para a Infância, Unicef, revelou que o custo de ter meninas fora do ensino médio chega a 2,5% de Produto Interno Bruto, PIB, anual. A estimativa é que se 3 milhões de alunas concluíssem o ensino médio e entrassem no mercado de trabalho, elas contribuiriam com pelo menos US$ 5,4 bilhões para a economia do Afeganistão.
Gravidez
Os dados excluem os impactos não-financeiros da falta de acesso delas à educação como “a futura escassez de professoras, médicas e enfermeiras, o impacto resultante na diminuição da frequência das meninas na escola primária e aumento dos custos de saúde relacionados à gravidez na adolescência”.
Com a ascensão forçada do Talibã ao poder, o país da Ásia Central perdeu a ajuda ao desenvolvimento, as reservas de divisas foram congeladas e as sanções agravadas.
Foto: UNAMA/Freshta Dunia
Homens trabalham em Cabul, capital do Afeganistão.
A diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, falou sobre a aniquilação de “décadas de progresso em igualdade de gênero e direitos das mulheres em poucos meses.”
O apelo às autoridades de facto é que abram escolas para todas as meninas, removam as restrições ao emprego das mulheres e a participação do grupo na política e revoguem todas as decisões e políticas que as privam de seus direitos.
Abusos
O aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis foi agravado pela seca e pela guerra na Ucrânia. A ONU Mulheres estima que 95% da população afegã, e quase todas as famílias chefiadas por mulheres, ficaram sem o suficiente para comer.
Não se vislumbra qualquer intenção de cumprimento da promessa do Talibã de respeitar os direitos humanos
Um grupo de especialistas de direitos humanos destaca que depois de agosto de 2021, a limitação de acesso virtual e a opressão sistemática de mulheres e meninas foram apenas os aspetos mais salientes da “infinidade de violações” de direitos humanos que veem sendo observadas, cometidas pelo Talibã.
Os especialistas destacam que em nenhum outro lugar do mundo o ataque aos direitos de mulheres e meninas foi tão amplo, sistemático e abrangente com “aspectos de suas vidas sendo restringidos sob o pretexto da moralidade e através da instrumentalização da religião”. O documento realça que a discriminação e a violência não podem ser justificadas de forma alguma.
UNHCR/Andrew McConnell
Uma em cada três pessoas no Afeganistão enfrenta níveis de emergência ou crise de segurança alimentar
Eles lamentam haver pouco ou nenhum sinal de que a situação dos direitos humanos mudando. No entender do grupo, “o que ocorrem são relatos diários de violência” no Afeganistão.
Respeito
São casos de execuções extrajudiciais, desaparecimentos, detenções arbitrárias, tortura, riscos elevados de exploração, inclusive para fins de casamento infantil e forçado. Outro desafio é a ruptura do Estado de direito sobre o qual “não se vislumbra qualquer intenção de cumprimento da promessa do Talibã de respeitar os direitos humanos”.
Entre as questões que mais preocupam os especialistas estão a abolição de mecanismos e instituições independentes de supervisão de direitos humanos, especialmente a Comissão Independente de Direitos Humanos do Afeganistão.
Os desafios incluem o comprometimento da administração da justiça, a liberdade de imprensa com restrição do acesso à informação. Muitos jornalistas, defensores e ativistas saíram do país, abandonaram as atividades e se esconderam. O mesmo ocorreu com educadores, acadêmicos e artistas.
Bebê de 18 meses no Afeganistão completamente desnutrido e enfrentando problemas de saúde.
O Afeganistão observa ainda uma alta de ataques a minorias religiosas e étnicas, alguns reivindicados pelo Isil-KP. Para os peritos, continua a faltar capacidade ou vontade do Talibã em protegê-los e com a discriminação o terreno é fértil para esta situação em alvos como locais de culto, escolas e veículos atacados repetidamente.
Reconciliação e estabilidade
Os peritos destacam que com a falta de um governo inclusivo e representativo, as perspectivas de paz duradoura, reconciliação e estabilidade permanecerão em nível mínimo.
Com sinais de piora da situação humanitária, o apelo feito à comunidade internacional é que garanta maior urgência de ajuda aos afegãos em itens básicos para viver, incluindo comida, água, educação, meios de subsistência e um lar seguro.
No início do período no poder, o Talibã prometeu que seria menos radical. Os especialistas querem que as autoridades de fato cumpram suas obrigações internacionais sob os tratados internacionais, dos quais o Afeganistão é um Estado-Parte.
Uma libanesa de 21 anos está participando de uma iniciativa da ONU para promover um discurso positivo e informações verdadeiras.
Dima El-Awar está gravando vídeos para uma série com o apoio da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco.
Mais positiva e determinada
Ela lembra que atrasou seu sonho de se tornar jornalista por receber comentários de ódio sobre sua personalidade e estilo.
Dima foi acusada de falar alto demais, de não ter os padrões de beleza de apresentadores de TV e outros defeitos. Hoje, com a iniciativa para combater discursos de ódio, ela está mais positiva e determinada a lutar contra o comportamento negativo na internet e fora dela.
Ao se juntar ao treinamento da Unesco para se opor ao discurso de ódio e à desinformação, Dima afirma que qualquer pessoa está suscetível a odiar, e por isso é preciso aprender as várias formas desse tipo de discurso e enfrentá-lo.
Fundação May Chidiac – Instituto de Mídia
A estudante de jornalismo Dima El-Awar em uma sessão de treinamento da ONU sobre o combate ao discurso de ódio
Ver a beleza em cada um
Para ela, o ódio expressa o problema da outra pessoa e não o dela. E ao entender isso, ela aprendeu a se aceitar e a aceitar os outros vendo a beleza em cada um.
O treinamento da Unesco também a ajudou a retornar para o jornalismo após estudar tradução para combater a desinformação com correção e positividade.
Para a jovem libanesa é preciso acabar com críticas destrutivas, intimidações e a marginalização de qualquer pessoa baseada na identidade.
Até o momento, a Unesco já formou 15 jovens de diferentes regiões e universidades no Líbano sobre mídia e informação, acesso à informação combate ao discurso de ódio e à informação falsa.
Fundação May Chidiac – Instituto de Mídia
Participantes de uma sessão de treinamento da ONU sobre o combate ao discurso de ódio
Paramédica voluntária
Ao todo, foram produzidos 12 episódios sobre o tema após os jovens terem sido treinados nas técnicas de mídia social e outras plataformas.
Dima El-Awar contou que foi voluntária com a organização Cruz Vermelha, na cidade de Falougha, no Monte Líbano.
Ali, ela foi paramédica em serviços de emergência nos últimos sete anos.
Para a estudante, é importante retribuir à comunidade.
Segundo Dima, ao se formar jornalista, no futuro, ela ajudará outros jovens que têm um papel central no combate ao discurso de ódio para as futuras gerações.
Segundo ela, a juventude também tem o poder de mudar a forma que outros veem o mundo, de se adaptar e de promover a diversidade e a inclusão.
Apesar de resposta robusta à necessidade humanitária no Afeganistão, a realidade do país seguirá trágica a menos que a economia e o sistema bancário sejam restaurados, as meninas possam a estudar e as mulheres participem de todos os aspectos da vida social.
A declaração é do representante das Nações Unidas no Afeganistão, Ramiz Alakbarov. Segundo a ONU, quase 23 milhões de pessoas receberam pelo menos uma forma de assistência humanitária. Isso representa 94% dos 24,4 milhões que precisam de ajuda.
UNICEF
Menino tem circunferência do braço medida em Kandahar, Afeganistão
Ajuda humanitária
Os desafios foram agravados após um terremoto de magnitude 5.9, na escala Richter, e que atingiu o sudeste do Afeganistão afetando milhares de pessoas em 22 de junho.
A ONU e seus os parceiros afirmam ter alcançado cerca de 85 mil pessoas, o que representa 85% dos diretamente atingidos pelo sismo.
As agências levaram alimentos, abrigo de emergência, auxílio médico e outras assistências críticas.
Segundo as Nações Unidas, o Fundo Humanitário e o Fundo Central de Resposta a Emergências desempenharam um papel fundamental na prevenção do colapso dos setores de saúde e educação, garantindo que trabalhadores essenciais continuassem a ser pago.
Até agora, em 2022, o Fundo Humanitário do Afeganistão forneceu US$ 189 milhões a parceiros que prestam assistência para salvar vidas.
Unicef/Azizzullah Karimi
Unicef considera a decisão das autoridades de adiar o regresso à escola das alunas até o 12º ano de grande revés para as meninas
Direitos humanos
Um grupo de relatores de direitos humanos* alerta que um ano após o retorno do Talibã ao poder, a comunidade internacional precisa tomar ações para proteger grupos mais vulneráveis de violações que vem sendo cometidas.
Eles destacam que embora tenham assumido vários compromissos para defender os direitos humanos, o Talibã “não apenas falhou em cumprir suas promessas, mas também reverteu muito progresso feito nas últimas duas décadas”.
Na avaliação dos relatores, se as autoridades de facto buscam reconhecimento e legitimação internacional, elas precisam deixar de violar os ditames de direitos humanos e oferecer respeito aos afegãos comuns, em particular mulheres e meninas.
Para eles, até que o Talibã demonstre passos significativos no respeito aos direitos humanos, incluindo o acesso imediato de meninas à educação de qualidade, as autoridades de facto não devem ser reconhecidas.
Compromissos internacionais
Os relatores apelaram ao Talibã para cumprir todas as obrigações e compromissos internacionais de direitos humanos e leis humanitárias. Eles querem ainda que o país implemente os direitos de meninas e mulheres à educação, emprego e participação na vida pública. Eles pediram a reabertura imediata das escolas secundárias para as alunas, além do fim da restrição de vestuários para mulheres e outras proibições.
As autoridades de facto devem respeitar a anistia geral e cessar todas as represálias a membros das forças de segurança do governo anterior, funcionários e sociedade civil, especialmente defensores de direitos humanos, incluindo mulheres.
O livre acesso de monitores de direitos humanos e atores humanitários em todo o país, incluindo locais sensíveis, incluindo todos as áreas de detenção deve ser garantido e a Comissão Independente de Direitos Humanos do Afeganistão, reestabelecida.
Por fim, o grupo faz recomendações à comunidade internacional para apoiar a situação no país, como o acesso a ajuda humanitária, apoio ao trabalho do Relator Especial para o Afeganistão e aos grupos civis de defensores das mulheres, bem como medidas para a retomada da economia afegã.
*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.
Uma seca arrasadora na Somália atingiu níveis sem precedentes e deixa 1 milhão de pessoas como deslocadas internas. Os números foram divulgados na quinta-feira pela Agência da ONU para Refugiados, Acnur, e pelo Conselho Norueguês para Refugiados.
Apenas nos primeiros sete meses deste ano, a seca deixou mais 755 mil pessoas deslocadas no país. A Somália atravessa um período histórico de seca de dois anos, algo que não se via há 40 anos, além de uma quinta estação com chuvas abaixo dos níveis esperados.
Seca devastadora na Somália atingiu níveis sem precedentes, com 1 milhão de pessoas agora registradas como deslocadas dentro do país
Financimento urgente
Para o diretor nacional do Conselho Norueguês para Refugiados, Mohamed Abdi, o marco de 1 milhão serve como um grande alarme para a Somália. Ele adiciona que a fome agora está assombrando todo o país. E é possível observar cada vez mais famílias, forçadas a deixar tudo para trás, porque não há água ou comida em suas aldeias.
Mohamed Abdi afirma que o financiamento tem que chegar o mais rapidamente possível “antes que seja tarde demais”.
A tendência aponta que o número de somalis em níveis de fome deve subir para mais de 7 milhões nos próximos meses, agravado pelos efeitos das mudanças climáticas e pelo aumento dos preços dos alimentos, após o conflito na Ucrânia.
Apelo à comunidade internacional
Segundo a representante do Acnur na Somália, Magatte Guisse, as comunidades vulneráveis são as mais atingidas pelos efeitos da crise climática, deixando muitas famílias desprotegidas e aumentando o deslocamento.
Ela destaca que a situação no país já era uma das mais subfinanciadas mesmo antes desta crise. Magatte Guisse afirma que o Acnur os parceiros humanitários estão fazendo o que podem para responder a situação, mas não há recursos suficientes.
A representante da agência de refugiados da ONU fez um apelo à comunidade internacional para que esforce a salvar vidas e a apoiar as ações humanitárias na Somália.
Em junho, o Acnur anunciou que precisa de US$ 9,5 milhões para o país africano, como parte de seu apelo regional para o Chifre da África, para ajudar as comunidades deslocadas afetadas pela seca.
O líder das Nações Unidas pediu às forças militares da Rússia e da Ucrânia que cessem, imediatamente, todas as atividades militares perto da usina nuclear de Zaporizhzhia, no sul da Ucrânia.
O local está sendo controlado pela Rússia que atacou a Ucrânia em 24 de fevereiro.
UNICEF/Kate Klochko
Deslocados internos em um centro de recepção em Zaporizhzhia, na Ucrânia
Local não pode ser usado para alvos militares
Em nota, emitida pelo seu porta-voz, António Guterres disse que está “gravemente preocupado” com a situação ao redor da instalação nuclear, que tem se tornado mais tensa nos últimos dias.
Para Guterres, a escalada da tensão pode levar a um desastre. Ele pediu a ambos os lados que exerçam o bom senso e a razão e não tomem nenhuma medida que venha pôr em perigo a segurança e integridade da usina, que é a maior da Europa.
O secretário-geral da ONU apelou a todas as partes a retirar contingentes e equipamentos militares do local e de se absterem de aumentar a presença na usina.
Guterres disse que a instalação nuclear não pode ser usada como parte de nenhuma operação militar.
Missão de agência nuclear da ONU ao local
Segundo agências de notícias, os ministros das Relações Exteriores do G7 apelaram à Rússia para entregar o controle de Zaporizhzhia à Ucrânia.
Na semana passada, as imediações da usina foram alvos de bombardeios. Desde março, a instalação está sob controle russo, mas técnicos ucranianos continuam em parte da operação.
O chefe da ONU pediu um acordo urgente, em nível técnico, para um perímetro de desmilitarização que leve à segurança do local.
Danos à usina são um quadro totalmente inaceitável
A ONU continua apoiando o trabalho da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, para que a usina nucelar de Zaporizhzhia siga operando de forma segura.
Guterres também pediu à Ucrânia e à Rússia que garantam o acesso seguro da missão da Aiea ao local.
Para ele, qualquer dano em potencial para a usina ou a qualquer outra instalação nucelar pode levar a consequências catastróficas para o local, a região e muito além do país.
Segundo o chefe da ONU, esse quadro é totalmente inaceitável.
Hoje, celebramos o Dia Internacional da Juventude, e o poder das parcerias intergeracionais.
O tema deste ano – “Solidariedade Intergeracional: Criar um mundo para todas as idades” – lembra-nos de uma verdade fundamental: precisamos que pessoas de todas as idades, jovens e idosos, unam forças para construir um mundo melhor para todos.
Demasiadas vezes a discriminação e o preconceito impedem esta colaboração essencial. Quando se nega aos jovens uma voz nas decisões que os afetam diretamente, ou quando se nega aos mais velhos a oportunidade de serem ouvidos, ninguém ganha.
A solidariedade e a colaboração são mais essenciais do que nunca, uma vez que o nosso mundo enfrenta uma série de desafios que ameaçam o nosso futuro coletivo.
Desde a covid-19 às alterações climáticas, aos conflitos, à pobreza, à desigualdades e à discriminação, precisamos de toda a ajuda possível para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e para construir o futuro melhor e mais pacífico que todos desejamos.
Precisamos de apoiar os jovens, investindo fortemente na educação e formação, inclusive através da Conferência para a Transformação da Educação que se realizará no próximo mês.
Precisamos também de promover a igualdade de género e proporcionar mais oportunidades para os jovens participarem na vida cívica e política.
Não é suficiente ouvir os jovens – precisamos de os integrar nos meios políticos de tomada de decisão a nível local, nacional e internacional.
Esta é a base da nossa proposta para a criação de um novo Gabinete da Juventude nas Nações Unidas.
Devemos também assegurar que as gerações mais velhas tenham acesso à proteção social e a oportunidade de contribuir para as suas comunidades e transmitir a experiência de vida que adquiriram ao longo das décadas.
Neste dia importante, criemos pontes intergeracionais para quebrar barreiras, e trabalhemos juntos para construir um mundo mais equitativo, justo e inclusivo para todos.
Embarcação teria partido de Anatólia, Turquia, com destino a Itália, e levava entre 60 e 80 pessoas; 29 sobreviventes foram resgatados numa operação do Acnur na ilha de Karpatos.
O subsecretário-geral do Escritório de Combate ao Terrorismo das Nações Unidas afirma que apesar de derrota e sucessivas perdas de liderança, o grupo Daesh continua a ser uma ameaça à estabilidade global.
Vladimir Voronkov falou ao Conselho de Segurança na terça-feira em sessão para debater a ameaça representada pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante, ou Daesh, à paz e segurança internacionais.
UN Photo/Manuel Elias
Subsecretário-geral do Escritório de Combate ao Terrorismo das Nações Unidas, Vladimir Voronkov, afirma que apesar de derrota e sucessivas perdas de liderança, o grupo Daesh continua a ser uma ameaça à estabilidade global
Estrutura do Daesh
Segundo ele, o risco tem aumentado desde o início da pandemia de Covid-19, há dois anos, e que “o Daesh e seus associados continuam a explorar a dinâmica do conflito, fragilidades de governança e desigualdade para instigar, planejar e organizar ataques terroristas”.
Voronkov afirma que os militantes seguem abusando dos espaços digitais para intensificar o recrutamento de simpatizantes e atrair recursos.
Segundo ele, o Daesh também aumentou significativamente o uso de drones no ano passado.
Para o subsecretário-geral, embora a presença e atividade do grupo sejam observadas em sociedades afetadas pela violência, o Daesh e afiliados também procuram influenciar ou direcionar ataques em zonas livres de conflito para incitar o medo e projetar força.
De acordo com Voronkov, “escritórios” decentralizados do grupo operam no Iraque e Síria, mas também em outras áreas fora da zona central de combate, sendo os mais ativos no Afeganistão, na Somália e na bacia do Lago Chade, na África.
Voronkov afirmou que os líderes do Daesh incitam seguidores a cometer ataques, direcionam e controlam o fluxo de fundos para suas afiliadas em todo o mundo.
Avanços contraterrorismo
Segundo Voronkov, na Europa, o Daesh pediu aos simpatizantes que façam ataques aproveitando o vácuo criado pelas restrições da pandemia e o conflito na Ucrânia.
Apesar da ameaça, os esforços conjuntos dos Estados-membros seguem obtendo resultados positivos, na avaliação do subsecretário-geral. O grupo continua sofrendo perdas significativas na liderança, incluindo o líder do próprio movimento em fevereiro.
Voronkov contou que o alto comando do Daesh detém entre US$ 25 milhões e US$ 50 milhões em ativos. O valor é significativamente menor do que as estimativas de três anos atrás.
Mas o repatriamento de combatentes terroristas estrangeiros e seus familiares do terreno ainda é limitado.
Milhares de pessoas, incluindo mais de 27 mil crianças do Iraque e cerca de 60 mil em outros países, continuam sujeitas a desafios de segurança e dificuldades humanitárias, agravadas por relatórios recentes de aumento da violência, incluindo dezenas de assassinatos.
Voronkov pediu aos Estados-membros que considerem as implicações duradouras de não tomar medidas imediatas para lidar com essa situação perigosa.
Unicef/UN041558/Anmar
Crianças familiares de membros do Daesh continuam presas sob um risco crescente de radicalização e recrutamento
Repatriação
Ele também reforçou os repetidos apelos do secretário-geral da ONU, António Guterres, para que os países facilitem a repatriação segura, voluntária e digna de todos os indivíduos presos em campos e outras instalações.
O subsecretário-geral observou que a persistente ameaça representada pelo Daesh, bem como a magnitude desses desafios, ressalta a importância de medidas não militares para combater o terrorismo e lidar com suas consequências”.
Para Voronkov, resolver os conflitos nos quais o Daesh e seus antecessores da Al-Qaeda se aproveitam, é necessário para criar as condições para sua derrota.
Ele explica que é necessário abordar as vulnerabilidades, queixas sociais e desigualdade exploradas pelo grupo em primeiro lugar, além de promover e proteger os direitos humanos e o Estado de direito.
Este ano, julho teve médias inferiores apenas em comparação a 2019 e ligeiramente superiores a 2016; Espanha registrou mês mais quente e onda de calor mais duradoura até agora; nos Estados Unidos, foi o terceiro julho mais quente.
No sábado, foi com orgulho que estive ao lado do primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, e do povo de Hiroshima para recordar uma catástrofe sem precedentes.
Há setenta e sete anos foram lançadas armas nucleares sobre o povo de Hiroshima e de Nagasaki.
Num piscar de olhos, dezenas de milhares de mulheres, crianças e homens foram mortos, incinerados por um fogo infernal. Os edifícios ficaram reduzidos a pó. O sangue correu pelos belos rios destas cidades.
Os sobreviventes foram condenados a um legado radioativo, castigados com problemas de saúde e sujeitos, ao longo da vida, a esse estigma causado pelo bombardeamento nuclear.
Tive a grande honra de conhecer um grupo desses sobreviventes – os hibakusha, cujo número diminui a cada ano – e que me contaram, com inabalável bravura, o que testemunharam naquele dia aterrador em 1945.
É hora de os líderes mundiais serem tão lúcidos como os hibakusha e verem as armas nucleares como elas são. As armas nucleares não fazem sentido. Não podem garantir segurança ou proteção. Por natureza, apenas matam e destroem.
Já passaram três quartos de século desde que nuvens em forma de cogumelo pairaram sobre Hiroshima e Nagasaki. Desde então, a humanidade sofreu uma
Guerra Fria, décadas de loucura absurda e vários quase-acidentes aterradores que colocaram a humanidade a poucos minutos da aniquilação.
Mas mesmo durante os momentos mais críticos da Guerra Fria, as potências nucleares reduziram significativamente os seus arsenais nucleares. Houve uma ampla aceitação dos princípios contra o uso, a proliferação e o teste de armas nucleares.
Hoje, corremos o risco de esquecer as lições de 1945.
Uma nova corrida ao armamento está a ganhar velocidade, com governos a gastarem centenas de milhares de milhões de dólares para atualizar as suas reservas de armas nucleares. Há cerca de 13.000 armas nucleares armazenadas em arsenais em todo o mundo. As crises geopolíticas com graves implicações nucleares estão a disseminar-se rapidamente, do Médio Oriente à Península Coreana, até à invasão da Ucrânia pela Rússia.
Uma vez mais, a humanidade está a brincar com o fogo. Estamos a uma falha, a um mal-entendido, a um erro de cálculo do Armageddon.
Os líderes devem parar de bater à porta do Apocalipse e retirar a opção nuclear da mesa para sempre.
É inaceitável que os Estados detentores de armas nucleares admitam a possibilidade de uma guerra nuclear, o que significaria o fim da humanidade.
Da mesma forma, os países com armas nucleares devem comprometer-se a não tomarem a iniciativa de utilização dessas armas. Devem também assegurar aos Estados que não possuem armas nucleares que não usarão – ou não ameaçarão usar – armas nucleares contra eles, e serem transparentes em todos os aspetos. A ameaça tem de parar.
Na realidade, há apenas uma solução para a ameaça nuclear: não ter armas nucleares. Para tal, é necessário abrir todas as vias de diálogo, de diplomacia e de negociação para aliviar as tensões e eliminar estas armas mortais de destruição em massa.
Estamos a assistir a novos sinais de esperança em Nova Iorque, onde o mundo se reuniu para a 10ª Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares. O Tratado é uma das principais razões pelas quais as armas nucleares não são usadas desde 1945, contendo compromissos juridicamente vinculativos para alcançar o desarmamento nuclear e podendo ser um poderoso catalisador para o desarmamento – a única maneira de eliminar essas armas horrendas de uma vez por todas.
E em junho, os membros do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares reuniram-se pela primeira vez para desenvolver um plano para um mundo livre desses dispositivos apocalípticos.
Não podemos continuar a aceitar a presença de armas que ameaçam o futuro da humanidade.
É hora de prestar atenção à mensagem intemporal dos hibakusha: “Chega de Hiroshimas! Chega de Nagasakis!”
É hora de promover a paz.
Juntos, passo a passo, vamos remover estas armas da face da terra.
Um empréstimo de US$ 10 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências da ONU, Cerf, permitirá que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, amplie a aquisição de fertilizantes para apoiar os agricultores na região de Tigray, no norte da Etiópia.
Desde que o conflito começou em novembro de 2020, Tigray e outras áreas tiveram uma paralisação das atividades agrícolas, níveis elevados de insegurança alimentar aguda e perda de meios de subsistência.
Uma mulher deslocada carrega seu bebê em Mekelle, capital de Tigray, na Etiópia
Resposta rápida
O empréstimo está ajudando a FAO a acelerar a compra e entrega de insumos, principalmente fertilizantes, que devem chegar até o final do mês.
O coordenador sub-regional da FAO para África Oriental e representante interino para a Etiópia, David Phiri, agradeceu aos parceiros e ao Cerf pela ação rápida. Segundo ele, se os produtores receberem os insumos a tempo, poderão colher e começar a consumir esses produtos a partir de outubro deste ano.
Phiri conta que essas colheitas cobririam a demanda por pelo menos seis meses e, na melhor das hipóteses, até a próxima colheita para grande parte das famílias, com alimentos sobrando para a venda.
Já o diretor do Escritório de Emergências e Resiliência da FAO, Rein Paulsen, aponta para as implicações mais amplas.
Para ele, há uma pequena janela de oportunidade para prevenir a fome severa, fornecendo insumos agrícolas críticos e permitindo que os agricultores produzam uma quantidade suficiente de alimentos para a população.
Crianças deslocadas coletam água em Mekelle, capital da região de Tigray, na Etiópia.
Alimentando o país
Segundo a FAO, até 80% dos etíopes dependem da agricultura como principal fonte de subsistência, especialmente aqueles que vivem em áreas rurais. Os alimentos produzidos alimentam o país.
A principal estação conhecida como Meher, entre maio e setembro, é a principal época de plantio em Tigray. A FAO avalia que com o bom desempenho das chuvas, a produção e a disponibilidade de alimentos em toda a região podem melhorar.
A agência da ONU e seus parceiros compraram, até agora, cerca de 19 mil toneladas de fertilizantes, ou 40% da necessidade total. Isso é suficiente para atender 380 mil famílias. Um primeiro lote de 7 mil toneladas já foi distribuído aos produtores.
Necessidades para o plantio
As 12 mil toneladas adicionais resultaram do empréstimo do Cerf e uma alocação da FAO.
Esses financiamentos são garantidos pelos recursos de um doador bilateral, os detalhes serão divulgados quando o acordo for finalizado.
O governo etíope comprou as 19 mil toneladas de fertilizantes e indica que mais pode ser disponibilizado caso a FAO e seus parceiros mobilizem mais financiamento.
A FAO afirma que o objetivo é fornecer 60 mil toneladas para o país, se os fundos permitirem.
A agência já se beneficiou de empréstimos do Cerf em 2017 para evitar o risco de fome na Somália e para apoiar as operações de controle de gafanhotos do deserto no Chifre da África em 2020.