O líder das Nações Unidas, António Guteres se disse horrorizado com um bombardeio a uma escola na cidade de Luhansk, na Ucrânia, que pode ter matado dezenas de pessoas, segundo agências de notícias.
O ataque, que ocorreu no sábado, atingiu a escola de Bilohorivka, onde muitos estavam se protegendo dos combates entre forças da Rússia e da Ucrânia.
Carta da ONU
Para Guterres, o ataque é um lembrete de que numa guerra são os civis que pagam o preço mais alto.
Ele reiterou que a infraestrutura civil que inclui escolas e hospitais tem de ser protegida durante todo o tempo, assim como os civis.
O secretário-geral voltou a pedir o fim da guerra e o retorno à paz estabelecida com base da Carta das Nações Unidas e do direito internacional.
Neste domingo, a ONU realizou a retirada de mais de 170 pessoas da usina de Azovstal e Mariupol com base no acordo de evacuação que realiza em parceria com a organização Cruz Vermelha. Até agora, mais de 600 civis já saíram do local.
Guterres disse que a ONU continuará apoiando os ucranianos com ações humanitárias.
Unicef
Mais cedo, a chefe do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, afirmou num comunicado que as escolas jamais podem ser um alvo de guerra.
Catherine Russell contou que ainda não era possível saber quantas crianças tinham sido mortas no bombardeio, mas que temia que o ataque elevasse o número de centenas de menores que perderam a vida desde a invasão da Rússia em 24 de fevereiro contra a Ucrânia.
Evacuação de civis
Em nota separada, o secretário-geral saudou a evacuação de um outro grupo de mais de 170 pessoas da usina siderúrgica de Azovstal e outras áreas de Mariupol por meio de uma passagem segura.
A operação foi organizada pelo Escritório da ONU para Assistência Humanitária, Ocha, e pela organização Cruz Vermelha.
O grupo chegou este domingo à cidade de Zaporizhzhia. Guterres disse que está com todos os que sofrem nessa guerra na Ucrânia em pensamento.
Ele agradeceu a todos os que participaram da complexa operação de retirada dos civis incluindo os líderes em Kyiv, capital da Ucrânia, e em Moscou, capital da Rússia, por garantirem pausas humanitárias no fogo cruzado.
O secretário-geral aplaudiu a coragem dos trabalhadores humanitários que ajudaram a retirar os civis elevando o número de pessoas evacuadas para mais de 600.
Entre 8 e 9 de maio, a ONU marca Tempo de Recordação e Reconciliação Pelos que Perderam a Vida Durante a Segunda Guerra Mundial; no conflito, cerca de 40 milhões de civis perderam a vida; 20 milhões de soldados também foram vítimas da batalha entre 1939 e 1945.
Para celebrar o Dia das Mães, o Fundo de População das Nações Unidas divulga uma lista de desafios enfrentados por mulheres ao redor do mundo, incluindo conflitos e mudança climática.
O Conselho de Segurança emitiu, nesta sexta-feira, uma declaração presidencial sobre a manutenção da paz e da segurança na Ucrânia.
O texto afirma a preocupação do órgão com a situação no país e recorda que todos os Estados-membros assumiram, nos termos da Carta das Nações Unidas, a obrigação de resolver seus litígios internacionais por meios pacíficos.
Foto: UN Photo/Evan Schneider
António Guterres falou ao Conselho de Segurança sobre suas visitas à Rússia e à Ucrânia.
Apoio ao secretário-geral
O documento também expressa forte apoio aos esforços do secretário-geral da ONU, António Guterres, na busca de uma solução pacífica e solicita ao chefe das Nações Unidas que volte a falar ao Conselho de Segurança após a adoção da declaração.
Guterres falou aos membros do Conselho de Segurança nesta quinta-feira após sua visita à Rússia e à Ucrânia, onde manteve encontros separados com os presidentes Vladimir Putin e Volodimyr Zelensky.
Sobre a declaração do órgão, ele elogiou o avanço, que lembrou ser a primeira vez que houve “uma só voz pela paz na Ucrânia”.
Guterres reforçou que o mundo deve se unir para “silenciar as armas e defender os valores da Carta da ONU”. Ele adicionou que não irá “poupar esforços para salvar vidas, reduzir o sofrimento e encontrar o caminho da paz”.
México e Noruega
Antes do início da sessão, os representantes permanentes do México, embaixador Juan Ramón de la Fuente, e da Noruega, embaixadora Mona Juul, responsáveis pela declaração afirmaram que estão esperançosos com esse avanço.
Após a adoção do texto, eles afirmaram que o Conselho de Segurança deve permanecer unido para a apoiar as Nações Unidas em alcançar uma solução diplomática para o conflito e elogiaram o apoio da ONU a população ucraniana.
O embaixador mexicano reforçou que seu país e a Noruega continuam a pedir um cessar imediato da violência contra a Ucrânia.
Relatório da OMS confirma que práticas como boa higiene das mãos podem evitar muitos casos; atualmente, para cada 100 pacientes internados, entre sete e 15 acabam adquirindo algum tipo de infecção enquanto recebem tratamento.
Secretário-geral da ONU fez um balanço da sua visita à Rússia e à Ucrânia, ocorrida na semana passada e garantiu não ter medido palavras nos encontros que teve com Putin e Zelensky; Nações Unidas continuarão ampliando operações de ajuda humanitária no terreno.
A mensagem do secretário-geral da ONU em Kiev e em Moscovo foi a mesma que tem vindo a ser repetida publicamente: “a invasão da Rússia à Ucrânia é uma violação da integridade territorial ucraniana e da Carta das Nações Unidas” e “para o bem do mundo, da Ucrânia e da Rússia, este conflito tem de terminar”.
António Guterres dirigiu-se ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, reunido ontem, 5 de maio, para explicar que, apesar de saber que estaria na Ucrânia num contexto onde não seria possível um cessar-fogo imediato e onde se verificava uma ofensiva em larga escala a leste do território ucraniano, os seus esforços para se criarem corredores humanitários na zona de Mariupol foram “em certa medida, bem-sucedidos”.
“Insisti convictamente na abertura de um corredor humanitário seguro e eficaz para permitir que os civis saíssem em segurança de Azovstal. Pouco tempo depois, recebi a confirmação de um acordo de princípio” explicou o secretário-geral, que logo de seguida iniciou uma operação humanitária, juntamente com a Cruz Vermelha e com as autoridades ucranianas e russas.
A operação humanitária “de grande complexidade” começou a 29 de abril e, até ao momento, foram abertos dois corredores de passagem. Na primeira operação “concluída a 3 de Maio, 101 civis foram evacuados de Azovstal juntamente com outros 59 de uma área próxima. Na segunda operação, mais de 320 civis foram evacuados da cidade de Mariupol e áreas circundantes”. Guterres adiantou ainda que está em curso uma terceira operação.
“É bom saber que mesmo nestes tempos de comunicações exacerbadas, a diplomacia silenciosa ainda é possível e é por vezes a única forma eficaz de produzir resultados”, considerou o chefe da ONU, que espera que “a coordenação contínua com Moscovo e Kiev possa levar a mais pausas humanitárias para permitir a passagem segura dos civis e ajuda para chegar aos que se encontrem em situação crítica”. “Temos de continuar a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para tirar as pessoas deste inferno”.
As consequências da guerra na Ucrânia já se refletem em várias partes do mundo. “No Senegal, Níger e Nigéria, ouvi testemunhos diretos de líderes e da sociedade civil sobre como a guerra está a desencadear uma crise de segurança alimentar”. Por isso, para o secretário-geral é importante que exista uma “ação rápida e decisiva para assegurar um fluxo constante de alimentos e energia em mercados abertos, levantando restrições à exportação, atribuindo excedentes e reservas àqueles que delas necessitam, e controlando a volatilidade do mercado”.
UN Photo/Manuel Elías
Resposta humanitária assente em três pilares
O subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários e Coordenador da Ajuda de Emergência, Martin Griffiths, explicou ao Conselho de Segurança que a resposta humanitária na Ucrânia se pauta por três aspetos.
O primeiro está relacionado com a assistência e proteção de pessoas deslocadas. “Isto acontece em todo o país, especialmente onde pessoas deslocadas internamente têm procurado segurança, ou no regresso de cidadãos a comunidades gravemente afetadas. O restabelecimento dos serviços básicos necessários à sobrevivência é fundamental nestas áreas. Onde pudermos, trabalhamos também nestes aspetos essenciais”
Uma segunda parte da resposta é trabalhar no fornecimento prévio de materiais nas bases operacionais e aumentar a preparação em áreas “para onde pensamos que a guerra poderá mudar a seguir”.
Por fim, Martin Griffiths explicou que a ONU se compromete, “todos os dias, com as partes em conflito para impulsionar movimentos de apoio a civis em áreas de conflito ativo, ou para negociar a partida de civis para áreas mais seguras”.
“Até agora, temos sido capazes de organizar cinco corredores de ajuda interagências para algumas das áreas severamente atingidas. Têm sido pontos de salvação para os civis, pois trazemos o muito necessário material médico, água, produtos alimentares e não alimentares, sistemas de reparação de água e geradores”.
Consequências para os Direitos Humanos
O uso de mísseis e explosivos em áreas populacionais, as detenções a civis, tortura a cidadãos, violência sexual a mulheres por membros do exército são evidências que constam nas informações recolhidas pelo gabinete de Direitos Humanos da ONU.
A alta-comissária para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, defendeu perante o Conselho de Segurança que “a única forma de acabar com estes horrores é que as forças armadas respeitem plenamente as suas obrigações ao abrigo do Direito Internacional dos Direitos Humanos e do Direito Humanitário Internacional”.
Michelle Bachelet lembrou que apenas um dia de cessar-fogo “pouparia a vida de pelo menos 50 crianças, mulheres e homens, incluindo pessoas mais idosas. Evitaria também que entre 30 a 70 civis ficassem feridos e que milhares de pessoas pudessem deixar em segurança áreas onde estão atualmente presas nas hostilidades”.
“Um cessar-fogo mostraria que o terror na Ucrânia pode ser travado. É fundamental que as hostilidades em curso cessem, de uma vez por todas”, rematou.
Portugal é, juntamente com a Escócia, pioneiro na instalação de parques de turbinas eólicas flutuantes, que vêm permitir a globalização da energia eólica marítima. Este tipo de energia é adequado para países com grandes áreas costeiras e tem um papel relevante na descarbonização e transição para o fornecimento de energia limpa.
Em julho de 2020, a plataforma eólica marítima flutuante de 25 MW – WindFloat Atlantic – instalada nos arredores de Viana do Castelo, começou a fornecer eletricidade. O parque possui três turbinas Vestas e foi desenhado para gerar energia para cerca de 60.000 utilizadores, evitando a emissão de 1,1 milhões de toneladas de CO2 para a atmosfera. No primeiro ano de funcionamento, a WindFloat Atlantic atingiu 75 GWh, um valor suficiente para abastecer 60.000 habitantes.
Em fevereiro de 2022, na conferência “Gerar Energia para o Mundo e Preservar o Planeta”, em Lisboa, os especialistas consideraram esta alternativa como uma solução para gerar energia limpa em Portugal. Tiago Pitta e Cunha, da Fundação Oceano Azul, defendeu que “a energia eólica marítima é especialmente relevante para Portugal, que neste momento está dependente de combustíveis fósseis, sem ter fontes alternativas de energia renovável”.
Energia limpa na Escócia
O primeiro parque eólico flutuante foi instalado em 2017 em Peterhead, na Escócia, e tem tecnologia norueguesa. O parque é constituído por cinco turbinas com uma capacidade total de 30 MW, e atingiu um fator de capacidade média de 57,1% em 2021. O parque Hywind tem sido o parque eólico marítimo com melhor desempenho no Reino Unido consecutivamente durante três anos.
Também na Escócia, o parque eólico flutuante de Kincardine, em Aberdeen, é considerado o maior do mundo. Tem seis turbinas, que totalizam 50 MW. Estima-se que este projeto alimenta mais de 50.000 casas e que poderia ajudar outros países a atingir objetivos energéticos sustentáveis.
Vantagens da energia eólica marítima
Estes parques podem ser considerados exemplos de sucesso de um mercado emergente. A energia eólica flutuante pode atrair mais países a criarem as suas próprias plataformas. Esta iniciativa vai ajudar não só na transição verde, mas também nas economias e no bem-estar de países africanos, por exemplo, que têm largas áreas costeiras.
Esta energia acaba por gerar mais eletricidade do que as eólicas colocadas em terra, devido à maior velocidade do vento nos mares. Há também a questão do espaço e da poluição visual. Neste caso, não é necessário ocupar terras que possam perturbar as populações.
As eólicas marítimas têm uma estrutura fixa que tem vindo a limitar as turbinas de serem colocadas em locais de profundidade baixa. No entanto, não estando as turbinas ancoradas no fundo do mar, abre-se a possibilidade de mais países poderem usá-las, criando um mercado sem barreiras.
Importância da energia
Os combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão, têm sido, nos últimos anos, a principal fonte de energia. Esta atividade humana tem impacto na natureza e no meio ambiente.
De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), a energia é o fator que mais contribui para as alterações climáticas, sendo responsável por cerca de 60% do total das emissões globais de gases com efeito de estufa. Em paralelo, 3 mil milhões de pessoas dependem da madeira, carvão, carvão vegetal ou resíduos animais para cozinhar e aquecer as suas casas.
Com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7 (ODS7), Energias Renováveis e Acessíveis, pretende-se aumentar a utilização da energia renovável no contextomundial. O meio ambiente, que proporciona várias opções de energia renovável, traz-nos, através do vento, por exemplo, uma fonte que pode ser usada em terra e no mar. As turbinas eólicas flutuantes são parte de um futuro mais verde.
Em 98 países, 35% dos trabalhadores têm salários, jornadas diárias e outras condições regidas por este tipo de instrumento; agência da ONU destaca que diálogo entre funcionários e empregadores é bastante importante para a recuperação pós-pandemia.
Quase 60% dos adultos do continente estão acima do peso e problema atinge também quase 30% das crianças; relatório indica aos governos uma série de medidas que podem ser tomadas para mudar situação.
A Organização Mundial da Saúde, OMS, anunciou que cerca de 14,9 milhões de pessoas em todo o mundo morreram como resultado direto ou indireto da Covid-19. Os dados correspondem ao período entre janeiro de 2020 e dezembro de 2021.
Esses números representam um total quase três vezes maior do que o anunciado oficialmente.
Mortalidade
Até agora, a OMS havia contabilizado 5,4 milhões de óbitos que foram relatados à agência da ONU pelas autoridades sanitárias de todo o mundo. Mas com os números divulgados nesta quinta-feira, são acrescidos mais de 9,5 milhões de mortes subnotificadas.
A diretora-geral assistente da Divisão de Dados e Análise de Impacto, Samira Asma, disse que o excesso é a diferença entre o número de mortes registradas e aquelas que seriam esperadas se a pandemia não ocorresse.
Já o diretor-geral Tedros Ghebreyesus considera os dados preocupantes porque “não apenas apontam para o impacto da pandemia, mas também para a necessidade de todos os países investirem em sistemas de saúde mais resilientes que possam sustentar serviços essenciais durante crises, incluindo sistemas de informação mais fortes.”
O chefe da OMS destacou que a agência está empenhada “em trabalhar com todos os países para fortalecer seus sistemas de informação de saúde e gerar melhores dados para melhores decisões e melhores resultados.”
Excesso
O cálculo do excesso de mortalidade é a diferença entre o número de mortes que ocorreram e o número que seria esperado na ausência da pandemia com base em dados de anos anteriores.
A variável inclui mortes diretas associadas à Covid-19 ou óbitos indiretos devido ao impacto da crise nos sistemas de saúde e na sociedade.
ONU/Evan Schneider
Diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus.
Nas mortes indiretamente ligadas ao coronavírus se consideram condições de saúde para as quais as pessoas não tiveram acesso à prevenção e tratamento, porque os sistemas do setor foram sobrecarregados pela pandemia.
A estimativa de mortes em excesso também pode ser influenciada por óbitos evitados na crise devido aos menores riscos de determinados eventos, como acidentes automobilísticos ou acidentes de trabalho.
Homens e idosos
De acordo com a OMS, a maioria das mortes em excesso, ou 84%, está concentrada no Sudeste Asiático, Europa e Américas. Apenas 10 países em todo o mundo apresentam cerca de 68%.
Economias de renda média respondem por 81% das 14,9 milhões de mortes em excesso. Destas, cerca de 53% em nações de rendas média baixa e 28% em países de renda média alta durante os 24 meses.
As estimativas para o período em análise consideram o excesso de mortalidade por idade e sexo. O maior número de vítimas fatais foram homens com 57%, e 43% para o sexo feminino. Grande parte eram idosos.
A contagem absoluta do excesso de mortes é afetada pelo tamanho da população. O total por 100 mil dá uma imagem mais objetiva da pandemia do que os dados relatados de mortalidade por causa da Covid-19.
População
O diretor-Geral assistente para Resposta a Emergências da OMS disse que os dados são a base da atuação para promover a saúde, manter o mundo seguro e servir os vulneráveis.
Unsplash/Vladimir Fedotov
Cerca de 84% das mortes em excesso correspondem ao Sudeste Asiático, à Europa e às Américas
Ibrahima Socé Fall confirmou que já se sabe onde estão as lacunas de dados e deve ser intensificado de forma coletiva o apoio aos países, para que cada um deles “tenha a capacidade de rastrear surtos em tempo real, garantir a prestação de serviços essenciais de saúde e proteger a saúde da população.”
A nova análise foi realizada por especialistas do Grupo Técnico Consultivo para Avaliação de Mortalidade pela Covid-19 e consultas aos países.
Pessoal da OMS e do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas usaram uma nova metodologia “para gerar estimativas de mortalidade comparáveis, mesmo quando os dados estão incompletos ou indisponíveis.”
Novas estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que o número total de mortes associadas direta ou indiretamente à pandemia de Covid-19 (descrito como “mortalidade em excesso”) entre 1 de janeiro de 2020 e 31 de dezembro de 2021 foi de aproximadamente 14,9 milhões (entre 13,3 milhões e 16,6 milhões).
“Estes dados apontam não só para o impacto da pandemia mas também para a necessidade de todos os países investirem em sistemas de saúde mais resilientes, que possam sustentar serviços essenciais durante as crises, incluindo sistemas de informação sanitária mais fortes”, explica o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “A OMS está empenhada em trabalhar com todos os países para reforçar os seus sistemas de informação sanitária, a fim de gerar melhores dados para que se tomem melhores decisões e se tenham melhores resultados”.
A mortalidade em excesso é calculada pela diferença entre o número de mortes que aconteceram e o número de mortes que seriam esperadas caso não existisse uma pandemia, com base em dados de anos anteriores.
UN Photo/Evan Schneider
Os dados incluem mortes associadas à Covid-19 de forma direta, ou seja, morte pela doença, ou indiretamente, o que traduz o impacto da pandemia nos serviços de saúde e na sociedade. Neste caso, são mortes causadas por outros problemas de saúde, mas onde as pessoas não puderam ser tratadas porque os serviços de saúde estiveram sobrecarregados. As estimativas de mortalidade em excesso são também influenciadas pelos baixos riscos de acidentes de viação ou acidentes de trabalho.
A maioria das mortes em excesso (84% foram registadas no Sudeste Asiático, Europa, América do Norte e América do Sul. Cerca de 68% das mortes em excesso estão concentradas em 10 países. Os países de rendimento médio representam 81% das 14,9 milhões de mortes em excesso (53% nos países de rendimento médio inferior e 28% nos países de rendimento médio superior) durante o período de 24 meses, com os países de rendimento elevado e os de rendimento baixo a representarem cada um 15% e 4%, respetivamente.
As estimativas do período entre 2020 e 2021 incluem uma diferenciação por idade e género. O número global de mortes foi mais elevado nos homens do que nas mulheres (57% homens, 43% mulheres) e mais elevado entre os adultos mais velhos. A contagem absoluta das mortes em excesso é afetada pela dimensão da população.
“Medir a «mortalidade em excesso» é essencial para compreender o impacto da pandemia. As mudanças nas tendências da mortalidade fornecem informações aos governantes para que possam orientar as políticas de redução da mortalidade e prevenir eficazmente crises futuras. Devido aos limitados investimentos em sistemas de dados de muitos países, a verdadeira extensão do excesso de mortalidade permanece frequentemente escondida”, explicou a diretora-geral adjunta para os dados, análise e entregas da OMS, Samira Asma. “Estas novas estimativas utilizam os melhores dados disponíveis e foram produzidas utilizando uma metodologia sólida e uma abordagem completamente transparente”.
A passagem segura dos ucranianos que estavam sitiados é organizada pelas Nações Unidas e Cruz Vermelha, com o apoio das partes em conflito; brasileiro representante do Ocha que está na Ucrânia relata tristeza de familiares que se despedem de entes queridos.
A língua Portuguesa é falada por 257,7 milhões de pessoas no mundo, em nove países – Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau e Timor-Leste – distribuídos por quatro continentes. É a língua mais falada no hemisfério sul.
As Nações Unidas estimam que o número de falantes chegue aos 500 milhões até ao final do século XXI. O secretário-geral da ONU, António Guterres, destaca o papel da Comunidade de Países de Língua Portuguesa na promoção da língua. Por sua vez, a CPLP fala de um momento de reafirmação e valorização internacional.
Perante os desafios globais, “deve haver solidariedade e cooperação entre países e povos”, reforçou António Guterres, elogiando os esforços da Comunidade de Países de Língua Portuguesa nessa direção.
Para assinalar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, a 5 de maio, estão a ser organizados em diferentes países eventos presenciais e virtuais, que juntam vários representantes dos países da CPLP, organizações e sociedade civil. “Cultura, Língua, Economia, Ciência e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável” é o tema de 2022.
O Instituto Camões organiza também um evento presencial no Museu do Teatro e da Dança, em Lisboa, e uma sessão solene, com vista à “reafirmação da língua portuguesa enquanto grande língua global, enquanto ativo global”, explicou o Presidente da instituição, João Ribeiro de Almeida.
A língua Portuguesa é descrita como um símbolo de diversidade, de união, de desenvolvimento e de cooperação. Como dizia José Saramago, vencedor do Prémio Nobel da Literatura, “há línguas portuguesas e não só uma língua portuguesa. Essas línguas são, ao mesmo tempo, iguais e diferentes”.
As Nações Unidas estimam que até o fim deste século haverá 500 milhões de falantes da língua portuguesa.
O número pode mudar, uma vez que 280 milhões já se comunicam através do idioma em quatro continentes.
Influência
Na celebração deste 5 de maio, Dia Mundial de Língua Portuguesa, a ONU News conversou com falantes e responsáveis pela promoção do idioma em vários países, onde o português é falado. Qual é a relevância e influência dessa língua?
Em 2022, o lema da comemoração é “Cultura, Língua, Economia, Ciência e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável”.
A mensagem do secretário-geral da ONU para a data enfatiza a força e o crescimento da comunidade de falantes do português.
Desafios
António Guterres reafirma ainda que diante de desafios globais, deve haver solidariedade e cooperação entre países e povos.
É uma língua muito importante em termos culturais e desenvolvimento
O líder das Nações Unidas elogia a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, pelas pontes criadas nesse sentido.
Ele destaca o bicentenário da independência do Brasil, um dos países fundadores da ONU.
Este ano, Nova Iorque acolhe um evento virtual com o apoio da ONU News onde discursa a subsecretária-geral das Nações Unidas para Comunicação Global.
Nova Iorque
Na organização, o Dia da Língua será liderado por Angola, que ocupa a presidência rotativa da CPLP. A embaixadora do país, Maria de Jesus Ferreira, disse que o português tem sempre um espaço destacado na entidade.
“É o veículo principal que se usa para comunicar e desenvolver as relações entre as instituições, os governos e as comunidades. Independentemente de acordos e aquilo que tenha sido decidido pelos governos, os povos desta comunidade sempre se comunicam e continuam a comunicar-se usando este veículo: a língua portuguesa.”
Um dos momentos mais importantes dos festejos será em Paris, com a série de homenagens ao centenário de escritores lusófonos.
São nomes como o angolano Agostinho Neto, o novelista brasileiro Lima Barreto, o moçambicano José Caveirinha e o português José Saramago.
Hemisfério Sul
A gala da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, faz interagir gerações de falantes de português em seus países e diásporas.
UN Photo/Eskinder Debebe
Guterres elogiou a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, pelas pontes criadas
Na celebração de 2022, artistas brasileiros acompanham as performances que vão acontecer na terceira comemoração na agência da ONU na capital francesa.
De Moçambique, a artista Assa Matusse abre o evento com música, um veículo com o qual aprendeu a falar o idioma.
“O primeiro português que eu falei foi através de uma música. Não porque eu não percebia… o poder de cantar em português quando mais nova, com cinco anos e tudo mais, é uma forma de mostrar o poder das artes na transformação e na educação dos mais jovens e não só.”
É o veículo principal que se usa para comunicar e desenvolver as relações entre as instituições, os governos e as comunidades
A língua é a mais falada do Hemisfério Sul, oficial em três organizações regionais incluindo a União Africana, e na Conferência Geral da Unesco.
Camões, I.P.
O Instituto Camões promove há décadas o português pelo mundo
O secretário executivo da Cplp, Zacarias da Costa, disse que a data ressalta a reafirmação e valorização internacional do português.
“A língua portuguesa é a matriz identitária. O elemento de união entre os nove Estados-membros. Um meio através do qual os nossos países constroem em conjunto um espaço político, social, cultural e econômico em nome do bem-estar comum. É através do nosso idioma que os Estados-membros promovem entre si a amizade, a concertação político-diplomática e a cooperação em todos os domínios”.
Já João Ribeiro de Almeida, o presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, festeja o retorno da celebração após dois anos de pandemia.
O português é uno. É um. Mas são muitos também
“Com um cheiro já a normalidade, podemos ter público, vai decorrer no Museu do Teatro e da Dança. Neste dia vai haver também uma seção solene com a presença de altos responsáveis de Portugal e ao fim ao cabo de reafirmação da língua portuguesa enquanto grande língua global, enquanto ativo global que temos e que muitas vezes os próprios falantes da língua portuguesa não têm noção do quanto a língua portuguesa é importante como ativo global e como força que tem no mundo, tendo em conta que se fala em cinco continentes.”
Museu
Para o Camões e Portugal, a língua materna é também um ativo global. O secretário de Estado para os Negócios Estrangeiros e Cooperação do país, Francisco André, vê uma ocasião para se refletir na partilha dos laços, da história, da cultura e impulsionar o desenvolvimento na Cplp.
“É uma língua de criação de cultura. Nós não nos podemos esquecer que o português em que José Saramago escreveu, Chico Buarque canta, em que Cesária Évora cantou, em que continua a escrever Mia Couto e, ainda hoje, ouvimos entrar por nossas casas e para os nossos rádios, porque é a língua também que Matias Damásio canta, por exemplo. É uma língua muito importante em termos culturais e desenvolvimento. Não podemos esquecer que o português é a quinta língua mais falada do mundo.”
Os festejos coincidem com o primeiro ano da retoma das atividades do Museu de Língua Portuguesa, após o incêndio de 2015.
Em São Paulo, o local volta a levar os interessados a experiências da língua após seis anos de fechamento.
Países lusófonos
A curadora Isa Grinspum evidencia a preservação da diversidade para gerações futuras.
“Para pensar sobre a língua portuguesa. Sobre a riqueza da língua portuguesa. Sobre a sua história. Sobre essa diversidade enorme. Porque o português é uno. É um. Mas são muitos também”.
Em todo o mundo, eventos marcam o 5 de maio em Estados-membros, observadores e organizações da sociedade civil associados à Cplp.
Na ONU, a Cplp lidera um evento com os embaixadores dos países lusófonos que será mediado pela editora-chefe da ONU News, Monica Grayley, nesta quinta-feira.
Eleutério Guevane e Monica Grayley também participarão deu uma live com o Sesc em São Paulo sobre o papel da língua portuguesa como canal de notícia nas Nações Unidas. A transmissão ocorre nesta quinta-feira.
ONU News/Alexandre Soares
Gala em Paris inclui homenagem a diversos escritores da Cplp