Site Página 89

ONU diz que Ucrânia é um exemplo do poder arrasador de minas terrestres

As Nações Unidas marcam o Dia Internacional de Conscientização e Assistência Contra Minas. O lema deste ano é: “Solo Seguro, Passos Seguros, Casa Segura”.

Em mensagem, o secretário-geral aponta o conflito na Ucrânia.  António Guterres defende que “o legado de um único mês de guerra – na forma de munições não detonadas, minas terrestres e bombas de fragmentação – levará décadas, ameaçando vidas muito depois que as armas silenciarem”. 

Emergência 

Guterres lembra que “estes artefatos já restringem a entrega de ajuda humanitária de emergência e impedem que as pessoas fujam para um local seguro.

O apelo aos países é que possam aderir sem demora à Convenção de Proibição de Minas. Ele diz que as cinco nações com assentos permanentes do Conselho de Segurança, em particular, têm uma responsabilidade especial nesta questão. 

ONU pede reflexão sobre o progresso no passado para eliminar as minas terrestres

Numad

ONU pede reflexão sobre o progresso no passado para eliminar as minas terrestres

O tratado que passou a valer em 1997 foi assinado por mais de 160 Estados. Para Guterres, esse número sinaliza que as minas terrestres, a partir de então, tornaram-se quase universalmente inaceitáveis.

De lá para cá, mais de 55 milhões de minas foram destruídas, mais de 30 países declarados livres dos artefatos e houve uma diminuição drástica do número de vítimas.

Explosivos de guerra

Mas o mundo ainda está repleto de milhões de minas terrestres armazenadas em mais de 50 países. São “minas, restos explosivos de guerra e artefatos explosivos improvisados” com milhares de vítimas mortas e feridas incluindo crianças.

Guterres quer mais ações em países como Síria, Somália, Afeganistão, Mianmar e Camboja.
Para ele, a ação contra as minas é um investimento na humanidade e “um pré-requisito para os esforços de ajuda humanitária, além der ser a base para a paz duradoura e o desenvolvimento sustentável.”

Crianças no Iraque passam por zona com aviso que alerta para a presença de minas terrestres.

Foto: ICBL/Sean Sutton

Crianças no Iraque passam por zona com aviso que alerta para a presença de minas terrestres.

Guterres pede que nesse Dia Internacional, haja uma reflexão sobre o progresso no passado para “eliminar as minas terrestres de uma vez por todas” no mundo.

Daniel Craig

Nesta segunda-feira, as Nações Unidas acolhem um simpósio para destacar avanços feitos pela comunidade internacional. 

Em 1997, a Campanha Internacional para Proibir Minas Terrestres, lançada há 30 anos, recebeu o Prêmio Nobel da Paz. 

Em 2019, foi a vez da iniciativa “Campo Seguro” para transformar locais minados em campos de jogos”. 

A ideia é limpar os terrenos destes engenhos e de outros perigos para torná-los seguros e promover o desenvolvimento.

O ator britânico Daniel Craig, que interpretou James Bond, foi o primeiro Defensor Global da ONU para a Eliminação de Minas e Riscos Explosivos. Ele deve participar do evento.
 

Funcionários da ONU fazem trabalho de descontaminação de minas em Torit, Sudão do Sul

Foto ONU: Martine Perret

Funcionários da ONU fazem trabalho de descontaminação de minas em Torit, Sudão do Sul

OMS lança iniciativa para evitar novos surtos de dengue, febre amarela e Zika

Arboviroses são uma ameaça à saúde de 4 bilhões de pessoas que vivem em áreas tropicais e subtropicais; iniciativa foca em monitoramento de riscos, prevenção de pandemia, detecção e resposta.

Unctad: economias menos avançadas são mais afetadas pela guerra na Ucrânia

As decisões de países ricos têm grande importância na redução dos efeitos da crise econômica gerada pela guerra na Ucrânia em nações menos avançadas. Foi o que destacou o chefe da seção dos Países Menos Avançados da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Rolf Traeger. 

Na última semana, a Unctad alertou para a desaceleração da economia global em 1% por conta do avanço nos conflitos no leste europeu. 

Rolf Trager é chefe da Sessão dos Países Menos Avançados da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad

Arquivo pessoal

Rolf Trager é chefe da Sessão dos Países Menos Avançados da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad

Recuperação econômica

Em entrevista à ONU News, de Genebra, Rolf Traeger explicou que medidas como o aumento da taxa de juros e o fim dos estímulos econômicos implementados durante a pandemia afetam a capacidade de recuperação dos países em desenvolvimento. 

“O papel desempenhado pelas políticas adotadas pelos países desenvolvidos tem consequências mundiais. Por exemplo, o fato que os Estados Unidos começaram a aumentar as taxas de juros, isso bate direto no serviço da dívida dos países endividados. Então, uma das recomendações [do relatório da Unctad] é que os países centrais, ou seja, América do Norte, Europa Ocidental, Japão…, se abstenham de prosseguir nessa trajetória de aumento do nível da taxa de juros”.

Traeger lembra que os países mais vulneráveis já vivem em cenário fragilizado há mais de dois anos e que as populações mais pobres, tanto em nações menos avançadas como em países desenvolvidos, são as mais afetadas pela situação macroeconômica, especialmente a alta no preço dos alimentos.

“O primeiro impacto e o mais brutal dessa crise foi o aumento no preço dos alimentos. O que acontece com as camadas de renda mais baixa da população, de qualquer país, é que eles dedicam uma parte muito importante da renda da família na aquisição de alimentos. Como já teve o impacto imediato sobre o preço de alimento, isso vai bater imediatamente no orçamento das famílias pobres. Tem que pensar que em 2022 o nível internacional do preço de alimentos, medido pela FAO é o mais alto desde 1971”

O último índice da FAO, divulgado em março, sinalizou para um aumento recorde em diversos alimentos. 

O alerta da Unctad é para possíveis instabilidades geradas em decorrência da alta dos preços e escassez de alimentos. Citando as crises de 2008 e 2011, Rolf Traeger lembra que foi também o momento de diversas manifestações pelo mundo, como a Primavera Árabe.

Para ele, o problema pode ser agravado pela falta de insumos agrícolas largamente exportados por Rússia e Ucrânia, como os fertilizantes, que deve gerar um impacto na produção da safra corrente e na disponibilidade de alimentos para o próximo ano.

A Escola de Campo de Agricultores em Malanje, Angola, foi implementada pela FAO

©FAO/C.Valencia

A Escola de Campo de Agricultores em Malanje, Angola, foi implementada pela FAO

África

Destacando outra diferença na recuperação econômica entre os países de alta e baixa rendas, Traeger lembrou que a expectativa era que o crescimento de nações menos avançadas levasse mais tempo para voltar aos níveis anteriores ao da crise de saúde. De acordo com o representante da Unctad, a guerra na Ucrânia pode atrasar ainda mais a retomada nestes países.

Sobre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, Palop, ele ressaltou que todos já possuíam “sérios problemas de dívida externa”, especialmente Moçambique e São Tomé e Príncipe. Os demais estavam em risco de entrar em crise, e o conflito na Ucrânia aprofunda as dificuldades de reação em lugares como Cabo Verde e Angola.

“Eles vão sofrer o impacto direto do aumento da taxa de juros acoplados aos problemas de redução do nível do comércio internacional e desaquecimento do nível de atividade econômica. Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau não estavam oficialmente em uma situação de crise de dívida, mas tinham problemas. Mesmo com todo o petróleo que Angola exporta, já teve que recorrer ao Fundo Monetário Internacional. A previsão de crescimento a um ritmo muito mais baixo vai afetar a demanda por petróleo e todas as exportações dos países em desenvolvimento”.

Para Rolf Traeger, da Unctad, as políticas dos países mais desenvolvidos são chave nessa retomada econômica mundial. 

Além de conter a taxa de juros, ele recomenda a cooperação entre Bancos Centrais para evitar o enfraquecimento da moeda de economias menos avançadas e a implementação de medidas mais diversas para conter a inflação em nações desenvolvidas.

Mensagem no Dia Mundial da Consciencialização do Autismo

@UNICEF/Rehab El-Dalil

              O SECRETÁRIO-GERAL AUTISMO 

 

MENSAGEM NO DIA MUNDIAL DA CONSCIENCIALIZAÇÃO DO AUTISMO 

2 de abril de 2022 

As Nações Unidas defendem os direitos das pessoas com autismo de participar plenamente na sociedade, em linha com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. 

Com a sua promessa de não deixar ninguém para trás, a Agenda 2030 constitui um compromisso para reduzir as desigualdades através da inclusão social, económica e política de todas as pessoas, incluindo as pessoas com deficiência.  No entanto, muitas pessoas com autismoyainda vivem isoladas, discriminadas e desligadas das suas comunidades, em instituições ou mesmo nas suas próprias casas. 

A pandemia da covid-19 exacerbou muitas destas desigualdades através da perda ou redução de serviços na escola, nas casas e na comunidade.  Temos de assegurar que os direitos, as perspetivas e o bem-estar das pessoas com deficiência, incluindo as que têm autismo, sejam uma parte essencial para uma melhor recuperação da pandemia. 

A solução consiste em sistemas de apoio comunitários para pessoas com autismo.  Devemos também estabelecer sistemas de educação inclusivos e programas de formação que permitam aos estudantes com autismo aceder a uma via educacional da sua escolha.  E temos de disponibilizar soluções tecnológicas para que as pessoas com autismo possam viver de forma independente nas suas comunidades.  A consulta ativa às pessoas com deficiência e às suas organizações que as representam deve estar no centro destes esforços.  

@UN Photo/Manuel Elias. David Saverese, realizador de documentários na conferência do Dia Mundial da Consciencialização do Autismoyem 2019.

Neste Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, reafirmamos o nosso compromisso para com um mundo inclusivo, equitativo e sustentável para as pessoas com autismo. 

ONU marca Dia Mundial do Autismo pedindo educação inclusiva

Este 2 de abril marca o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. 

Em mensagem, o secretário-geral da ONU lembrou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiências e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para defender a inclusão de quem vive com autismo na sociedade, de forma plena.

Escolha

António Guterres ressaltou que muitas pessoas vivem isoladas, sofrem discriminação e estão desconectadas de suas sociedades e até mesmo da própria casa.

Todos os anos, a ONU marca o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo em 2 de abril

Unsplash/Michal Parzuchowski

Todos os anos, a ONU marca o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo em 2 de abril

E a pandemia só piorou esse quadro ao reduzir serviços de assistência, o contato com a escola e com as pessoas. Para Guterres, a recuperação da pandemia passa pela integração plena das pessoas que vivem com deficiências incluindo com autismo.

Este ano, o tema é educação inclusiva. A ONU está pedindo mais programas educativos, treinamento vocacional e sistemas que ofereçam às pessoas com autismo uma escolha para seus futuros. 
Guterres disse ainda que as soluções tecnológicas são fundamentais para ajudar quem vive com autismo a se movimentar de forma mais independente na sociedade.

O Dia Mundial sobre Autismo foi declarado pela Assembleia Geral com o foco na qualidade de vida e integração.

Primeira infância

O autismo é de origem neurológica e se manifesta na primeira infância independentemente de gênero, raça e condição socioeconômica.

Dia Mundial da Conscientização do Autismo

UNICEF

Dia Mundial da Conscientização do Autismo

A expressão espectro de autismo refere-se a uma série de características. Neste Dia Mundial, a ONU afirma que o apoio adequado, aceitação e acomodação da variação neurológica permitirá o que estão no espectro a desfrutar de oportunidades iguais e de uma plena participação em suas comunidades.

O autismo é marcado principalmente por interações sociais únicas, formas de aprendizado fora dos padrões e por um interesse particular em temas específicos. 

Estigma

Além disso, existe uma tendência para a rotina, desafios e formas de comunicação e maneiras particulares de processar as informações sensoriais.

A taxa de autismo em todas as regiões do mundo é considerada alta e a falta de compreensão sobre o tema tem um grande impacto sobre os indivíduos, suas famílias e comunidades que convivem com o autismo.

O estigma a e a discriminação associados às diferenças neurológicas seguem sendo obstáculos para o diagnóstico e o tratamento. Segundo a ONU, este é um tema que deve ser encarado por legisladores e pelo público em países em desenvolvimento e em nações doadoras.

No Egito, Mahmoud, que tem autismo, participa de uma atividade com letras.

© Unicef/Rehab El-Dalil

No Egito, Mahmoud, que tem autismo, participa de uma atividade com letras.

Agência da ONU diz que calor, chuva e gelo na Antártida são sinais de alerta

OMM aponta registro de temperaturas extremas e queda de massa de gelo como preocupantes; diminuição de glaciares levanta receios de aumento do nível do mar em nível global.

Guterres elogia anúncio de trégua no Iêmen, que deve durar dois meses

Secretário-geral falou a jornalistas na sede da ONU; pausa de combates acordada entre governo iemenita, houthis e Coalizão liderada pela Arábia Saudita deve ser primeiro passo para acordo de paz, diz chefe das Nações Unidas.

Síria: Paradeiro de 100 menores após ataque do Isil preocupa peritos na ONU

Especialistas advertem sobre crime de desaparecimento forçado das vítimas de um ataque na província nordestina de al-Hasakeh, em janeiro; especialistas pedem acesso total e desimpedido às crianças detidas.

Cinquenta anos da Convenção do Património Mundial

A Convenção do Património Mundial celebra este ano o seu 50.º aniversário. Para assinalar esta data, estabelecida na conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, em Paris, de 17 de Outubro a 21 de Novembro de 1972, a UNESCO Portugal organiza o webinar “O Património Mundial e os Desafios da Gestão”.

A iniciativa acontece no dia 5 de Abril, das 14h30 às 17h30 e conta com a participação de vários representantes de locais portugueses classificados como Património Mundial da UNESCO.

Das ilhas ao norte e sul do nosso país, são 17 os bens culturais e naturais que Portugal tem classificados como Património Mundial da UNESCO. Os primeiros locais foram classificados em 1983, sendo que as últimas atribuições datam de 2019.

1983 – Zona Central da Cidade de Angra do Heroísmo nos Açores

1983 – Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém em Lisboa

1983 – Mosteiro da Batalha

1983 – Convento de Cristo em Tomar

1983 – Mosteiro da Batalha

1986 – Centro Histórico de Évora

1989 – Mosteiro de Alcobaça

1995 – Paisagem Cultural de Sintra

1996 – Centro Histórico do Porto, Ponte Luiz I e Mosteiro da Serra do Pilar

1998 / 2010 – Sítios Pré-Históricos de Arte Rupestre do Vale do Rio Côa e de Siega Verde

1999 – Floresta Laurissilva na Madeira

2001 – Centro Histórico de Guimarães

2001 – Alto Douro Vinhateiro

2004 – Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico

2012 – Cidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e suas fortificações

2013 – Universidade de Coimbra – Alta e Sofia

2019 – Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga

2019 – Real Edifício de Mafra – Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Certo e Tapada

O evento da UNESCO Portugal pode ser acompanhado no YouTube

Mensagem sobre as conferências “Modelos das Nações Unidas”

Jovens de todo o mundo vão poder simular o ambiente de diferentes organismos das Nações Unidas e debater os assuntos que estão na ordem do dia como se fossem os responsáveis pelas decisões.

Segundo António Guterres, a ONU precisa da energia, coragem e compromisso dos jovens para que juntos unam esforços e possam construir um mundo mais sustentável, inclusivo e resiliente.

Equador encerra conferência da FAO em busca de agricultura resiliente

Nesta sexta-feira, 33 ministros dos países latino-americanos e caribenhos encerrarão mais uma conferência regional da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO.
 
O encontro em Quito, no Equador, é realizado de forma híbrida pela internet. Enquanto o mundo responde à pandemia da Covid-19, representantes da região buscam formas de tornar o setor agrário mais resiliente e promover uma dieta mais saudável.

Atualização mensal menciona ainda que houve um abrandamento da demanda de alimentos durante o mê

Unsplash/Jed Owen

Atualização mensal menciona ainda que houve um abrandamento da demanda de alimentos durante o mê

 
Preço dos alimentos

O sobrepeso e a obesidade são algumas das preocupações de especialistas latino-americanos e caribenhos devido a mudanças demográficas nos últimos anos. 
 
Pelo menos 23 países da região aprovaram leis que limitam o consumo de alimentos altamente processados que são ricos em açúcar, gorduras e sódio.
 
A guerra na Ucrânia levou a uma alta no preço dos alimentos e dos fertilizantes, numa área que é conhecida como o maior exportador líquido de alimentos do mundo.
 
O presidente do Equador, Guillermo Lasso, afirmou que o evento da FAO é uma “oportunidade de coordenar, de forma concertada, meios de proteção do capital social e da economia que depende da produção agrícola”.
 
Já o diretor-geral da agência da ONU, Qu Dongyu, lembrou que o alimento produzido e exportado por um país influencia na nutrição de centenas de milhões de pessoas.

Relatório mapeia as áreas mais críticas para agricultura e alimentos com o foco na segurança dos alimentos

Foto: Banco Mundial/Maria Fleischmann

Relatório mapeia as áreas mais críticas para agricultura e alimentos com o foco na segurança dos alimentos

 
Setor privado

 
O chefe da FAO elogiou o trabalho dos governos e empresas privadas para manter o setor agroalimentar funcionando em meio aos desafios de uma guerra e da pandemia.
 
A Conferência Regional ocorre a cada dois anos e decide sobre políticas e cooperação de programas no setor da alimentação e agricultura. É também um espaço para os países apresentarem prioridades e áreas de trabalho com a FAO.
 
A agência tem um quadro estratégico de cooperação que vai até 2031 e se baseia nas demandas regionais da América Latina e do Caribe.
 
O diretor-geral da agência afirma que é preciso mudar para sistemas mais inclusivos, sustentáveis e eficientes de agricultura assim como melhorar a produção, a nutrição e o meio ambiente.
 
O ministro equatoriano da Agricultura, Pedro Álava, que presidiu a reunião disse que seu país está atuando para proteger a produção de banana de plantas com doença.

 
 
10 bilhões de habitantes

 
O encontro em Quito debateu também sociedades rurais inclusivas e prósperas.
 
Ao se referir à guerra na Ucrânia e à crise de fertilizantes, o diretor-geral da FAO disse que a paz é fundamental para proteger as pessoas da fome.
A América Latina e o Caribe produzem calorias suficientes para alimentar 1,3 bilhão de pessoas.
 
Até 2050, a população mundial deve ultrapassar a marca de 10 bilhões de pessoas.
 
A FAO está apostando na digitalização do setor agrícola em todos os níveis o que deve fortalecer o comércio internacional. Em pelo menos 14 países, incluindo o Equador, a agência está monitorando a Iniciativa 1,000 vilarejos digitais. 
 

Mulheres e meninas formam 90% dos deslocados pela guerra na Ucrânia

Diretora executiva da ONU Mulheres, Simas Bahous, lembra que ucranianas estão expostas a riscos ligados ao gênero, como tráfico, violência sexual e falta de acesso a bens essenciais; agência da ONU recebeu relatos de casos. 

OMS projeta três cenários de evolução da Covid-19 pelo mundo

Agência da ONU diz que na melhor hipótese, novas variantes seriam menos graves sem requerer doses de reforço ou novas vacinas; mas no pior cenário, variantes do futuro poderiam ser mais virulentas e de rápida transmissão. 

Negócios, investidores e cidades terão regras para apoiar zero emissões  

Especialistas definirão ainda em 2022 como promover compromissos para a neutralização de carbono em entidades fora de governos; medida pretende garantir padrões elevados de integridade e transparência ambiental. 

A crise invisível: a gravidez não intencional

@UNFPA

O relatório anual do Fundo de População das Nações Unidas (FNUAP) foi lançado ontem num evento no Instituto Camões que contou com a participação da diretora do Escritório do FNUAP em Genebra, Mónica Ferro e a embaixadora portuguesa da Boa Vontade do FNUAP, Catarina Furtado. 

Focado na crise das gravidezes não intencionais, o relatório Estado da População Mundial 2022” revela que, por ano, 121 milhões de mulheres e meninas engravidam sem querer. Destas gravidezes, 60% acabam por ser interrompidas, 45% das quais são feitas em condições inseguras. 

@ONU Portugal. A diretora do escritório do FNUAP em Genebra, Mónica Ferro, a embaixadora da Boa Vontade do FNUAP, Catarina Furtado e o Presidente do Instituto Camões, João Ribeiro de Almeida no lançamento do relatório “Estado da População Mundial 2022”.
Crise invisível 

A diretora do escritório do FNUAP em Genebra, Mónica Ferro, afirmou ontem que a crise das gravidezes não intencionais “é uma crise invisível que se desenrola perante os nossos olhos” que implica “custos insuportáveis para as pessoas… para o mundo (…) e para o desenvolvimento. Mas acima de tudo esta crise demonstra um “fracasso mundial na defesa e consideração dos direitos das mulheres e das raparigas.” 

A pobreza, os níveis baixos de escolaridade, a falta de participação no mercado de trabalho e a exposição à violência são fatores que aumentam o risco das gravidezes não intencionais. Adicionalmente, a falta de uso de métodos contracetivos também influencia significativamente o número de gravidezes não intencionais.  

Mundialmente, cerca de 257 milhões de mulheres que querem evitar a gravidez não estão a usar métodos contracetivos modernos e seguros. Enquanto há 40 anos a falta de informação era a maior causa do não uso de contracetivos, atualmente, é “a causa menos invocada”. Hoje, em vez de haver da falta de informação existe um excesso de desinformação e algumas das causas mais evocadas do não uso de contracetivos são a preocupação com os efeitos secundários e a oposição à utilização destes métodos. Nos países da CPLP como o Portugal e o Brasil a taxa de uso de contracetivos é superior a 60% e acima de média global de 49%. Em contraste, os outros países da CPLP estão bem abaixo da média mundial como Timor-Leste onde só 19% das mulheres e raparigas usam métodos contracetivos modernos. 

© UNFPA/Ruth Carr. A falta de informação e conhecimento sobre a saúde sexual e reprodutiva levou à gravidez não planeada desta rapariga de 18 anos no Timor-Leste.

O relatório do FNUAP também revela que alguns países da CPLP têm números muito elevados de casamentos infantis como Moçambique onde 53% dos casamentos ocorrem antes dos 18 anos, muito acima da média mundial de 26%. Adicionalmente, os dados sobre a taxa de natalidade de adolescentes revelam que todos os países da CPLP, com excepção de Portugal e de Cabo Verde, estão acima da média mundial. Em Angola,por exemplo, em cada 1.000 grávidas, 63 são adolescentes. A embaixadora da Boa Vontade da FNUAP, Catarina Furtado, falou sobre as suas próprias experiências nos países da CPLP e comentou especificamente sobre Cabo Verde, onde conseguiu testemunhar os esforços conjuntos do governo e da FNUAP no combate à gravidez não intencional, à desigualdade de génere e à pobreza.

Crises humanitárias  

“Uma em cada duas gestações ocorre no corpo de pessoas que não escolheram deliberadamente a gravidez ou a maternidade, que não estavam abertas à perspetiva de ter uma criança naquele momento, com aquele companheiro, naquela circunstância. Para essas mulheres, a escolha reprodutiva que mais altera as suas vidas – engravidar ou não – não é uma escolha de todo”

Diretora do escritório da FNUAP em Genebra, Mónica Ferro

A falta de autonomia das mulheres sobre os seus próprios corpos e as suas próprias vidas é particularmente evidente na crise das gravidezes não intencionais. Muitas adolescentes não escolhem ser mães jovens e muitas mulheres que vivem em áreas de conflito como a Ucrânia, o Afeganistão e o Iémen não escolhem ser mães nessas circunstâncias e em plena crise humanitária.  

@ONU News/Daniela Gross.
Mónica Ferro, Diretora do Escritório de Genebra do Fundo das Nações Unidas para a População.

O relatório da FNUAP revela que “prevê-se que a guerra na Ucrânia e outros conflitos e crises no mundo aumentem as gravidezes não planeadas, à medida que se interrompe o acesso a contracepção e aumenta a violência sexual.” Para apoiar os afetados pela guerra na Ucrânia, a FNUAP criou linhas de apoio para vítimas de violência de género, abrigos supervisionados e “salas de crise”. Outras agências da ONU como o ACNUR enviaram Coordenadores de Proteção contra a Exploração Sexual e o Abuso (PSEA). Na Ucrânia, cerca de 250 mil mulheres na Ucrânia estavam grávidas quando da invasão começar e desde esse dia mais de 4,300 bebes já nasceram, e estima-se que mais 80 mil bebés mulheres vão dar à luz no espaço de três meses. 

No Afeganistão, a desigualdade de género e a falta de acesso a serviços de saúde devido ao conflito levarão a cerca de 4,8 milhões de gestações não planeadas até 2025, o que “compromete a estabilidade, a paz e a recuperação geral do país”.

A nível mundial, a pandemia covid-19 condicionou o acesso geral a métodos contraceptivos e estima-se que a falta de acesso a contraceptivos modernos levou a cerca de 1,4 milhões de gravidezes não planeadas em 2020. 

Crise de desenvolvimento 

Esta crise invisível não é uma questão de maternidade, mas sim uma “questão de saúde, uma questão de direitos humanos, uma questão de desenvolvimento e uma questão humanitária.” 

O relatório de 2022 do FNUAP relevou que uma taxa elevada de gravidezes não planeadas leva a baixos níveis de desenvolvimento económica e social, uma maior desigualdade de género e a altas taxas de mortalidade infantil. Ao reduzir a taxa de gravidezes não intencionais estamos a “ajudar ao cumprimento dos objetivos de desenvolvimento social (ODS)”, especificamente o ODS 5 que se foca na igualdade de género. 

@UNFPA Angola/Tiril Skarstein. Um funcionário da FNUAP dá aulas sobre saúde reprodutiva e materna a refugiados congoleses em Angola.

Para baixar o número de gravidezes não planeadas, e consequentemente, avançar o desenvolvimento mundial, o FNUAP afirma que devemos: 

  • Garantir o acesso à mais ampla escolha de contraceptivos e cuidados de saúde sexual e reprodutiva de qualidade 
  • Educar a juventude sobre a sexualidade a reprodução 
  • Aumentar o acesso à educação e oportunidades de emprego para mulheres e raparigas e encorajá-las a adiar a gravidez 
  • Investir em investigação no campo de contraceptivos para reduzir os efeitos secundários, a sua aceitabilidade e criar contraceptivos masculinos.