Clément Nyaletsossi Voule viajará a Brasília, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, de 28 de março a 8 de abril; ele se reunirá com representantes do governo, das forças de segurança, ativistas do clima e comunidades indígena e afrodescendente.
Iémen: 7 anos de maior crise humanitária do mundo
Hoje, marcamos os 7 anos desde o início da guerra e da crise humanitária no Iémen que, infelizmente, não mostra sinais de abrandar. O país enfrenta atualmente a pior crise humanitária no mundo com mais de 80% da sua população, ou seja, 23.4 milhões de pessoas, a precisar de assistência humanitária.
Génese
A guerra no Iémen começou há 7 anos, em 2015, mas para percebermos bem as origens deste conflito temos de recuar até 2011. Entre 2010 e 2011, uma onda revolucionária de motins, protestos e rebeliões intitulada “Primavera Árabe” espalhou-se pelas nações árabes, incluindo o Iémen. A revolução iemenita de 2011-2012 começou com protestos contra a corrupção e o desemprego e acabou com a renúncia do presidente autoritário Ali Abdullah Saleh, que liderava o país há 23 anos. O vice-presidente Mansour Hadi foi declarado o novo presidente do Iémen.
O âmbito desta revolução era tornar o Iémen num país pacífico, estável e próspero, mas teve o efeito contrário, e hoje o país mais pobre da Península Arábica enfrenta uma crise política, humanitária e de desenvolvimento.

O ex-presidente Saleh, comprometido a voltar ao poder, aliou-se militarmente aos seus inimigos: os Houthis, que são um grupo de rebeldes xiitas que surgiram no norte do Iémen no início dos anos 2000 e fomentaram o conflito preexistente no país entre os muçulmanos xiitas e sunitas. Em 2014, os Houthis e o ex-Presidente Saleh invadiram a capital do Iémen, Sana, e durante meses o conflito político continuou a escalar até que no dia 25 de março de 2015 uma aliança regional liderada pela Arábia Saudita, pelos Estados Unidos da América e pelos Emirados Árabes Unidos iniciou uma série de ataques aéreos contra os Houthis, com o objetivo de restaurar o governo de Hadi. Estes ataques levaram à declaração oficial de guerra pelo líder dos Houthis, Abdul-Malik al-Houthi.
Desde esse dia, o Iémen e a sua população de 30.5 milhões de pessoas vivem num “estado crónico de emergência, marcado pela fome, doença e outras misérias.”
Crise agora
Se no Iémen vivessem apenas 100 pessoas, 80 precisariam de assistência humanitária, 66 não teriam acesso a alimentos, 67 não teriam acesso a água, 59 não teriam acesso a cuidados de saúde e 11 estariam subnutridas. Mas no Iémen vivem 30.5 milhões de pessoas.
Esta é a conclusão de uma campanha de solidariedade do Programa Alimentar Mundial que, em 2022, tenciona alimentar 13 milhões de iemenitas, dar apoio a 3.7 milhões de mulheres grávidas e crianças abaixo dos 5 anos e apoiar os projetos de desenvolvimento de 1.5 milhões de pessoas.
As Nações Unidas acreditam que o Iémen “está à beira da catástrofe” e enfrenta uma crise alimentar, económica e de saúde.
2021 foi um dos anos mais difíceis para o Iémen que, com a hiperinflação e com desvalorização da moeda, viu os preços dos alimentos duplicar. Atualmente, 13 milhões de pessoas precisam de assistência alimentar urgente e 17.4 milhões de iemenitas estão subnutridos. Se nada for feito estima-se que este número aumente para 19 milhões de pessoas subnutridas no fim de 2022. A situação é particularmente grave nas crianças e mulheres grávidas com 1.3 milhões grávidas ou a amamentar e 2.2 milhões de crianças abaixo dos 5 anos a precisarem de tratamento para a desnutrição aguda. Devido à subnutrição muitas crianças enfrentam problemas “físicos e cognitivos” e o impacto desta guerra será pressentido nas gerações futuras.
Para além da crise alimentar, o Iémen enfrenta uma dais maiores crises de escassez de água e de higiene com mais de 16 milhões de pessoas e 8.47 milhões de crianças a precisarem urgentemente de acesso a água e cuidados de saneamento e higiene. Só um terço da população do Iémen tem acesso a uma fonte de água constante. A falta de saneamento e higiene no país levou a propagação de doenças. Infelizmente, cerca de 20.1 milhões de pessoas não têm acesso a serviços de saúde básicos o que leva à disseminação de doenças como a cólera, a difteria e mais recentemente a covid-19. A Organização Mundial da Saúde (OMS) determinou que nestes últimos 7 anos o Iémen sofreu o “maior surto de cólera do mundo”. Adicionalmente, a taxa de mortalidade do covid-19 foi uma das maiores no mundo com 1 em cada 4 infetados a sucumbir ao vírus. Para além disso, o Iémen é um dos países com a menor taxa de vacinação contra a covid-19 com só 2% da população vacinada.

Todos estes números e estatísticas pintam um quadro mórbido e trágico do Iémen, mas as Nações Unidas estão empenhadas em ajudar e a apoiar o país.
Conferência sobre o Iémen
A Conferência sobre o Iémen, que ocorreu na semana passada, contou com a presença e os apelos do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, o enviado especial da ONU para o Iémen, Martin Griffiths, e a enviada especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Angelina Jolie.
Com o agravamento do conflito militar, a propagação de novas doenças como a covid-19 e o aumento de preços alimentares devido à guerra na Ucrânia, a necessidade de assistência humanitária aumentou significativamente e no dia 16 de março durante a Conferência sobre o Iémen vários Estados-membros e entidades comprometeram-se a doar 1.3 mil milhões de dólares para o apoio humanitário no Iémen.
No entanto isto vai muito aquém do valor necessário de 4.3 mil milhões.

Ao olhar para o futuro Martin Griffiths relembra-nos que não podemos deixar que a crises humanitária na Europa ofusquem as crises no Médio Oriente e na África como a crise no Iémen e que não nos podemos esquecer do Iémen.
Dia sobre Vítimas da Escravidão e Escravatura pede reflexão contra discriminação racial
Este 25 de março marca a Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos; secretário-geral da ONU apelo por igualdade de oportunidades e acesso à justiça; evento online das Nações Unidas debate igualdade entre raças.
Estudo da OMS revela como mulheres são tratadas na hora do parto
Uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde, OMS, que acaba de sair na publicação especializada BMJ Journals, mostra como mulheres e recém-nascidos são tratados durante o parto.
O estudo menciona “cada vez mais evidências comprovando que mulheres ao redor do mundo enfrentam tratamento inaceitável durante o nascimento de seus filhos.” Entre os problemas, estão violações aos direitos à privacidade, ao consentimento informado e em ter uma pessoa de confiança durante todo o parto.
Aumento da confiança
A OMS destaca que os maus-tratos podem “prejudicar seriamente a confiança no hospital ou centro de saúde” e assim, “as mulheres podem evitar esses locais antes, durante e depois do parto”, gerando consequências sérias para a saúde e bem-estar de mães e bebês e até colocando vidas em risco.
A pesquisadora do Departamento de Saúde Reprodutiva da OMS, Ozge Tunçalp, explica que “melhorar a experiência das mulheres durante o nascimento dos bebês é essencial para aumentar a confiança nos centros de saúde e garantir acesso a cuidados de qualidade no pós-parto”.
Abusos físicos
Mais pesquisas são “necessárias com urgência” para se entender melhor as experiências das grávidas na hora de dar à luz e melhorar o tratamento. A análise feita pela agência da ONU mostra, por exemplo, que mulheres que não podem ter acompanhante são geralmente as que mais relatam “abuso físico, procedimentos médicos não-consensuais e falhas na comunicação”, na comparação com as que entraram na sala de parto acompanhadas.
A pesquisa mostra ainda a importância de se entender melhor as experiências das mulheres para melhorar os cuidados, avaliando a satisfação delas e tendo em conta também responsabilizar aqueles que cometem maus-tratos.
Baseada em observações na hora do parto, um dos estudos mostra a importância crucial “da boa comunicação e de processos claros de consentimento”, especialmente durante exames vaginais, sendo necessária “reduzir a exposição da mulher e aumentar a privacidade, sempre com o uso de cortinas”.
Respeito é essencial
No caso das adolescentes grávidas, os maus-tratos contribuem para a “insatisfação e perda de oportunidade de engajamento com esse grupo”.
A pesquisa comprova ainda que “o desenvolvimento de medidas confiáveis e concisas em todo o mundo ajuda a promover iniciativas de melhorias duradouras na qualidade” dos serviços de saúde na hora do parto.
A pesquisadora da OMS, Ozge Tunçalp, lembra que “quando mulheres e seus bebês recebem cuidados respeitosos, de qualidade e centrados na pessoa, existem mais chances delas buscarem cuidados de saúde e procurarem seus médicos”. A especialista acredita que essas novas evidências farão com que medidas sejam tomadas para reduzir os maus-tratos em todo o mundo.
Assembleia Geral adota resolução sobre situação humanitária na Ucrânia
Redigido por França e México, documento recebeu 140 votos a favor, 5 contra e 38 abstenções; texto pede corredor humanitário e exige fim dos combates e retirada das tropas russas do país.
Parceria entre Barcelona FC e Acnur vai ajudar crianças refugiadas
Acordo prevê uso de logotipo solidário pelo time principal, financiamento de projetos e doação de equipamento esportivo; iniciativas e programas já estão em curso em países como Grécia, Líbano, Itália e Espanha.
Em um mês, conflito na Ucrânia deslocou metade das crianças no país
Segundo Unicef, 4,3 milhões de menores tiveram que abandonar suas casas; 1,8 milhão fugiram para outros países; OMS diz que houve pelo menos 64 ataques ao sistema de saúde; 1 entre 3 deslocados internos sofre com alguma condição crônica de saúde.
O apoio humanitário da ONU na Ucrânia
Desde o dia 24 de fevereiro, as Nações Unidas têm mais de 10 agências no terreno a dar apoio humanitário, financeiro e médico aos civis prejudicados pela guerra na Ucrânia.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), a UNICEF e a Organização Mundial da Saúde (OMS) são só algumas das entidades que estão agora a concentrar os seus esforços na crise na Ucrânia.
Os funcionários destas instituições estão atualmente presentes na Ucrânia, incluindo em Kiev e nas regiões de Donetsk e Lugansk e nos países vizinhos como a Polónia, a Moldávia e a Roménia.
Apoio humanitário e ao refugiado: ACNUR, OIM, OCHA & UNICEF
O secretário-geral da ONU, António Guterres, confirmou hoje que “10 milhões de ucranianos foram forçados a sair de suas casas” e a tornarem-se refugiados. Destes 10 milhões, 3.5 milhões encontram-se nos países vizinhos. Para além dos ucranianos que fugiram do país existem ainda 6.5 milhões de refugiados internos, pessoas que tiveram de sair de suas casas e das suas cidades, mas que por vários motivos ainda não atravessaram a fronteira. Todas estas pessoas precisam de apoio humanitário.
O ACNUR e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que estão a focar-se agora nas necessidades dos refugiados ucranianos, mostram-se especialmente preocupadas com o risco de tráfico humano. Como salientou o secretário-geral da ONU, António Guterres, “para os predadores e os traficantes, a guerra é uma oportunidade.” A maior parte dos refugiados são crianças que são particularmente vulneráveis à violência sexual e ao tráfico humano. Das 1.5 milhões de crianças que fugiram, muitas encontram-se sozinhas e correm um risco elevado se sofreram de violência e abuso.
O ACNUR, tendo isto em consideração, apelou com o apoio da UNICEF, à implementação de medidas de proteção para as crianças e à criação de processos de identificação e registo de crianças não acompanhadas. Adicionalmente, o ACNUR enviou Coordenadores de Proteção contra a Exploração Sexual e o Abuso (PSEA) e peritos em proteção de crianças para a Polónia, Moldávia, Hungria e Roménia.

A OIM, incomodada com a situação dos refugiados internos, criou linhas de apoio na Polónia e nos outros países vizinhos para assegurar que os refugiados internos estão a par dos corredores humanitários e dos melhores caminhos para saírem da Ucrânia. Atualmente, as linhas de apoio da OIM já receberam mais de 12,000 chamadas.
Em conjunto, o ACNUR e a OIM doaram mais de 16,000 colchões, 54,000 latas de comida, 18,000 mantas térmicas e 8,000 kits higiénicos para pessoas para pessoas em Lugansk, Dnipro, Lviv.
Num dos maiores sucessos humanitários, no dia 18 de março uma missão conjunta da ONU e dos seus parceiros conseguiu-se enviar apoio humanitário urgente a Sumi, uma das cidades mais afetadas pelo conflito. Este esforço foi possível devido ao trabalho do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) que mediou a comunicação entre o Ministério de Defesa da Ucrânia e a Federação Russa para garantir a passagem segura deste apoio urgente.
Apoio médico e alimentar: OMS, PAM & FAO
O secretário-geral das Nações Unidas apelou à “cessação imediata de todos os ataques aos cuidados de saúde na Ucrânia… que estão a matar e a ferir gravemente os doentes e trabalhadores da saúde”, a destruir “infraestruturas vitais” e a “negar serviços de saúde essenciais a milhares de pessoas, incluindo crianças.”
A Organização Mundial da Saúde já entregou mais de 100 toneladas métricas em kits cirúrgicos, material médico e geradores de oxigénio. Ademais, a OMS destacou funcionários para os países vizinhos para providenciar apoio psicossocial aos refugiados, serviços de saúde mental e para monitorizar os surtos de doenças como o sarampo, a poliomielite e o covid-19.
Além de tentar evitar uma potencial crise de saúde pública, a ONU também está a tentar evitar uma crise alimentar na Ucrânia e o mundo. O Programa Alimentar Mundial (PAM) enviou nos camiões enviados para Sumi no dia 18 de março água, comida pré-preparada e comida enlatada que irá alimentar cerca de 35,000 pessoas. Adicionalmente, o PAM já ajudou mais de 3.1 milhões de pessoas através do seu sistema de distribuição de comida.

81 peritos da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) estão atualmente na Ucrânia nas zonas rurais a trabalhar para garantir que o ganha pão dos agricultores não seja afetado pelo conflito. O grão e o trigo da Ucrânia são essenciais não só para a alimentação dos ucranianos, mas também para a alimentação do mundo inteiro. O PAM compra mais de metade do seu trigo à Ucrânia e com a escassez deste recurso muitas países vulneráveis, que têm as suas próprias crises humanitárias, serão afetados, como o Afeganistão e o Iémen. Para apoiar o trabalho do PAM e da FAO o secretário-geral anunciou a criação de um “Grupo Mundial de Resposta à Crise da Alimentação, Energia e Financeira.”
Apoio financeiro: CERF & Banco Mundial
De acordo com um apelo publicado no início da crise ucraniana, as instituições da ONU precisam de 1.7 mil milhões de dólares para apoiar os ucranianos. 1.1 mil milhões são necessários para apoiar os ucranianos dentro da Ucrânia e 551 milhões para apoiar os países vizinhos. Ontem, 38% destes 1,7 mil milhões já tinha sido angariado.
Em termos de apoio humanitário e financeiro, as Nações Unidas afirmaram que o “método preferencial” para providenciar apoio é através de transferências de dinheiro. Estas transferências de dinheiro, que em inglês são categorizadas como “multipurpose cash transfers” ajudam os ucranianos e os refugiados a cobrir as despesas básicas como a alimentação e a fazer pagamentos essenciais.
Através destas transferências de dinheiro o Fundo Central de Resposta de Emergência (CERF) vai dar 60 milhões de dólares às populações mais vulneráveis e o Banco Mundial 700 milhões de dólares para pagar os salários dos médicos, dos enfermeiros e as pensões. Adicionalmente, os 3 milhões de dólares em doações que foram angariados de pessoas de mais de 140 países também vão ser distribuídos parcialmente neste método de transferências de dinheiro que ajuda não só os ucranianos, mas como também a economia local.

No entanto independentemente da quantidade de apoio humanitário, financeiro e médico, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) afirmou que se a guerra não acabar, 90% dos ucranianos enfrentaram pobreza. Mesmo os 1.4 mil milhões cedidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para “mitigar o impacto económico da guerra”, poderão não ser suficientes com o aumento exponencial nos preços dos alimentos, da energia e dos fertilizantes que ameaçam uma crise energética e alimentar mundial.
Como o secretário-geral confirmou “esta guerra é invencível” e a humanidade poderá “pagar um preço elevado devido a esta guerra”.
Conselho de Segurança rejeita resolução proposta pela Rússia sobre situação humanitária na Ucrânia
Votação teve dois votos a favor, da Rússia e China, enquanto os demais 13 membros do órgão se abstiveram; na Assembleia Geral vota nesta quinta-feira duas resoluções que também focam na ajuda humanitária.
Com apoio da ONU, agricultores do Haiti tentam construir resiliência ao clima
Padrões extremos de temperatura têm levado à perda de plantações e propriedade; maioria de incidentes é ligada a desastres naturais; situação causa crise de fome para grande parte dos haitianos que vivem no norte do país.
No Dia do Direito à Verdade, ONU fala da importância de reparar vítimas
Secretário-geral António Guterres afirma que data internacional mostra que a verdade é uma luz poderosa sobre violações de direitos humanos que os perpetradores preferiam manter escondidas.
Meninas fora da escola no Afeganistão são “extrema frustração” para ONU
A partir desta quarta-feira, as escolas do Afeganistão estarão fechadas para a entrada de meninas a partir da 6a. série. A ordem é do movimento Talibã, que governa o país desde agosto passado.
Logo após a decisão, o secretário-geral da ONU, António Guterres, exortou as autoridades afegãs a “abrirem as escolas para todos os alunos sem mais delongas”.
Fracasso
Em nota emitida pelo seu porta-voz, Guterres lembrou que “o início do novo ano letivo foi antecipado por todos os alunos, meninas e meninos, pais e famílias”.
Para ele, o fracasso das autoridades de facto em reabrir as escolas para meninas acima da sexta série, apesar das promessas, é uma profunda decepção e muito prejudicial para o Afeganistão.
O chefe da ONU declarou que a restrição às alunas “não apenas viola os direitos iguais de mulheres e meninas à educação, mas também põe em risco o futuro do país em vista das enormes contribuições das mulheres e meninas afegãs”.
Recuperação
Já a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, lembrou os compromissos reiterados inclusive durante a visita feita há duas semanas a Cabul com a educação das meninas. Para ela, a recusa em garantir o direito igual à educação deixa o grupo “mais exposto à violência, pobreza e exploração”.
Em comunicado, Bachelet diz que o tema levanta “grande preocupação, em um momento em que o país precisa superar várias crises que se cruzam de forma urgente”. A alta comissária afirma que “tirar o poder de metade da população do Afeganistão é contraproducente e injusto”.
Crises
Bachelet visitou a capital afegã por um dia no início deste mês. Ela conversou com mulheres que relataram ter informações, soluções e capacidade de ajudar a definir uma saída para as atuais crises econômica, humanitária e de direitos humanos no Afeganistão.
A expectativa era que as meninas voltassem às aulas em todos os níveis de ensino.
Bachelet apelou às autoridades afegãs que respeitem os direitos de todas as meninas à educação e que “abram escolas para todos os alunos sem discriminação ou mais atrasos”.
E o Unicef também se manifestou dizendo que a decisão das autoridades de adiar o regresso à escola das alunas até o 12º ano é “um grande revés para as meninas e para o seu futuro”.
Para Catherine Russell, com esta medida é negado a toda uma geração das adolescentes o direito à educação, e “a oportunidade de adquirirem as competências de que necessitam para construir o seu futuro.”
No Dia Mundial da Meteorologia, ONU prioriza sistemas de alerta precoce
Um terço da população mundial ainda não tem cobertura de mecanismos de aviso prévio; secretário-geral chama a atenção para dimensão de prejuízos globais dos fenômenos climáticas causados pela ação humana.
Insegurança alimentar afeta 45% da população do Haiti
Segundo Programa Mundial de Alimentos, PMA, 1,3 milhão de pessoas precisam de apoio emergencial; cesta básica com arroz, feijão, farinha, óleo e açúcar custava US$ 20 mas já subiu para US$ 30 e preços devem disparar.
Mensagem do secretário-geral da ONU para o Dia Mundial da Meteorologia 2022
O SECRETÁRIO-GERAL
—
MENSAGEM DE VÍDEO PARA O DIA MUNDIAL DA METEOROLOGIA
23 de março de 2022
As perturbações climáticas causadas pelo Homem já estão a danificar todas as regiões.
O relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas detalha o sofrimento que já está a acontecer.
Metade da humanidade já está na zona de perigo.
Cada aumento do aquecimento global agravará ainda mais a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos.
É por isso que devemos limitar o aumento da temperatura global a 1,5 grau.
Manter 1,5 grau uma realidade exige uma redução de 45% nas emissões globais até 2030 para atingir a neutralidade de carbono em meados do século.
Mas, de acordo com os atuais compromissos nacionais, as emissões globais devem aumentar quase 14% nesta década.
O mundo deve acabar com o vício dos combustíveis fósseis, especialmente do carvão.
Ao mesmo tempo, devemos investir igualmente em adaptação e resiliência.
Isso inclui as informações que nos permitem antecipar tempestades, ondas de calor, inundações e secas.
Hoje, um terço da população mundial, principalmente nos países menos desenvolvidos e nos pequenos estados insulares em desenvolvimento, ainda não são cobertos por sistemas de alerta precoce.
Em África é ainda pior: 60% das pessoas não têm cobertura.
Isto é inaceitável, principalmente com os impactos climáticos que certamente irão piorar.
Alertas precoces e ações salvam vidas.
Para esse fim, hoje anuncio que as Nações Unidas liderarão novas ações para garantir que todas as pessoas na Terra sejam protegidas por sistemas de alerta precoce dentro de cinco anos.
Pedi à Organização Meteorológica Mundial para liderar esse esforço e apresentar um plano de ação na próxima conferência climática da ONU, ainda este ano no Egito.
Devemos aumentar o poder de previsão para todos e garantir a sua capacidade de agir.
Neste Dia Mundial da Meteorologia, reconheçamos o valor dos alertas precoces e da ação precoce como ferramentas críticas para reduzir o risco de desastres e apoiar a adaptação climática.
Os sistemas de alerta precoce salvam vidas.
Vamos garantir que estes trabalham para todos.