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141 países votam a favor de resolução da ONU que condena agressão à Ucrânia

The United Nations General Assembly overwhelmingly adopted a resolution on Wednesday demanding that Russia immediately end its military operations in Ukraine. A total of 141 countries voted in favour of the resolution, which reaffirms Ukrainian sovereignty, independence and territorial integrity. A view of the General Assembly Hall following the adoption of the resolution.

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou hoje a resolução “Agressão contra a Ucrânia” que condena a invasão da Ucrânia pela Federação Russa e apela a um cessar-fogo efetivo e imediato. A resolução, que precisava de uma maioria de 2/3 para passar, contou com 141 votos a favor, 5 votos contra e 35 abstenções, tendo Portugal votado a favor.  

A reunião de hoje pode ser definida como “histórica”, “excecional” e “extraordinária” tendo sido umas das raras reuniões de emergência da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Em declarações à imprensa, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, constatou que “a resolução de hoje reflete uma verdade fundamental. O mundo quer o fim do terrível sofrimento humano na Ucrânia.”

“Não temos tempo a perder. Os efeitos brutais do conflito são claros. Mas por pior que seja a situação para os cidadãos ucranianos agora, ela ameaça ficar muito, muito mais grave. “

União pela Paz

A resolução 377A(V) define que quando o Conselho de Segurança, devido a uma falta de unanimidade entre os 5 Estados-membros permanentes, falha na sua missão de estabelecer e assegurar a paz e segurança internacionaisl, poderá ser convocada uma reunião especial e de emergência da Assembleia Geral. Nesta reunião os 193 Estados-membros presentes fazem recomendações para ações coletivas, incluindo potencialmente o uso de forças armadas, com o objetivo fundamental de manter ou restaurar a paz e segurança mundial.  

A última vez que uma reunião desta natureza aconteceu foi em 1997, sobre “A Questão da Palestina”, quando os Estados Unidos da América decidiram vetar a resolução proposta pelo Conselho de Segurança. 

Com 141 votos a favor, 5 votos contra e 35 abstenções, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou hoje a resolução intitulada “Agressão contra a Ucrânia”. Foto ONU/ Loey Felipe

Após a reunião do Conselho de Segurança onde a veto russo foi exercido num ato que a representante permanente dos Estados Unidos da América, Linda Thomas-Greenfield, considerou ser um exemplo claro de “abuso de poder“, o órgão decidiu consequentemente convocar esta reunião de emergência. O representante permanente da Ucrânia nas Nações Unidas expressou a sua gratidão pela convocação desta reunião de emergência, que é na ótica do representante permanente de França nas Nações Unidas, absolutamente “necessária“.

“Agressão contra a Ucrânia”

A reunião da Assembleia Geral começou esta segunda-feira com um minuto de silêncio e com as declarações forte do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que “basta”.A guerra na Ucrânia tem de parar” afirma o dignitário. 

“Basta. Os soldados precisam voltar para os seus quartéis. Os líderes precisam de avançar para a paz. Os civis devem ser protegidos. O direito internacional humanitário e de direitos humanos deve ser respeitado.” 

@UN Photo / Evan Schneider. O representante permanente da Ucrânia nas Nações Unidas, Sergiy Kyslytsya, a discursar na reunião de emergência da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Portugal não só votou a favor desta resolução, como também apoiou a resolução antes de ela ter sido proposta para discussão na Assembleia Geral.

O representante permanente de Portugal nas Nações Unidas, António Lopes criticou a “agressão” da Federação Russa e declarou a “solidariedade total” de Portugal para com os cidadãos ucranianos, pedindo aos Estados-membros para adotarem a resolução proposta pois esta adoção é “um passo necessário… completamente justificado pela situação progresssivamente desastrosa” na Ucrânia.

 

 

Assembleia Geral repudia ofensiva militar da Rússia à Ucrânia

A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quarta-feira uma resolução deplorando a ofensiva militar da Rússia à Ucrânia. O resultado foi lido pelo presidente da Casa, Abdulla Shahid.

O presidente informou que o texto recebeu 141 votos a favor, 5 contra e 35 abstenções.

“Unindo pela Paz”

A sessão especial de emergência na Assembleia Geral foi solicitada após a Rússia vetar no Conselho de Segurança uma resolução condenando a ofensiva.

Na decisão desta quarta-feira, a Assembleia citou a resolução 2623 de 27 de fevereiro, no Conselho, que pedia a sessão de emergência “Unindo pela Paz”. Esse mecanismo é acionado quando o Conselho de Segurança não alcança unanimidade sobre um tema crucial para a paz e a segurança internacionais.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também participou do encontro, nesta quarta-feira.

Integridade

O texto da resolução endossou a declaração do secretário-geral de que um ataque dessa natureza repudia os princípios da Carta da ONU e lembra aos Estados-membros sobre sua obrigação com o Artigo 2 do documento “de se absterem de ameaças ou uso da força contra a integridade territorial e a independência política de qualquer nação” resolvendo suas diferenças por meios pacíficos.

A resolução condena a declaração da Rússia sobre uma “operação militar especial” na Ucrânia, feita no último 24 de fevereiro, e expressa preocupação grave com ataques a alvos civis como residências, escolas e hospitais, que estão ferindo e matando incluindo mulheres, crianças, pessoas com deficiências e idosos.

Segundo a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, mais de 875 mil ucranianos já cruzaram as fronteiras com países vizinhos para fugir dos ataques russos.

Dentre os países lusófonos, Angola e Moçambique se abstiveram da votação. Guiné-Bissau se ausentou e os demais países votaram a favor incluindo o Brasil.

Brasil

O embaixador do Brasil na ONU, Ronaldo Costa Filho explicou o voto do país afirmando que as soluções duradouras só podem ser alcançadas à mesa de negociações com compromisso com o diálogo. 

Segundo ele, o Brasil continua pedindo a ambas as partes para reduzir a escalada da violência e renovar os esforços para gerar um acordo diplomático entre Ucrânia e Rússia que leve à segurança e estabilidade da região.

Flagelo de uma guerra

Na resolução, os países-membros da ONU ressaltaram que as operações militares da Rússia dentro do território soberano da Ucrânia estão numa escala que a comunidade internacional não via na Europa há décadas.

A resolução diz que é preciso uma ação urgente para salvar esta geração do flagelo de uma guerra, condena a decisão russa de aumentar suas forças nucleares e expressa grave preocupação com a deterioração da situação humanitária ao redor da Ucrânia, com o aumento do número de deslocados internos e com o impacto global e o aumento da insegurança alimentar no mundo, uma vez que a Ucrânia é considerada um dos maiores exportadores de grãos e produtos agrícolas do planeta.

A resolução da Assembleia Geral também menciona o Memorando sobre Garantias de Segurança em Conexão com a Adesão da Ucrânia ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, conhecido como Memorando de Budapeste, de 1994.

Abaixo os 11 pontos da Resolução:

1- Reafirma o compromisso com a soberania, independência, unidade e integridade territorial da Ucrânia dentro de suas fronteiras internacionalmente reconhecidas estendendo a suas águas territoriais.

2. Deplora, nos termos mais fortes, a agressão da Federação Russa contra a Ucrânia em violação com o Artigo 2 da Carta da ONU.

3. Exige que a Federação Russa cesse imediatamente o uso da força contra a Ucrânia e se abstenha de qualquer outra ameaça do uso da força contra qualquer país-membro.

4. Exige que a Federação Russa retire todas as suas forças militares do território da Ucrânia dentro de suas fronteiras, internacionalmente reconhecidas, de formas imediata, completa e incondicional.

5.  Deplora a decisão da Federação Russa de 21 de fevereiro de 2022 relacionada ao status de certas áreas das regiões da Ucrânia, Donetsk e Luhansk, como uma violação da integridade territorial e da soberania da Ucrânia e como inconsistente com os princípios da Carta.

6. Exige que a Federação Russa reverta, imediatamente, a decisão relacionada ao status de certas áreas das regiões da Ucrânia de Donetsk e Luhansk.

7. Pede à Federação Russa que cumpra os princípios da Carta da ONU e a Declaração de Relações Amistosas.

8. Conclama todas as partes a cumprir os Acordos de Minsk e coopere de forma construtiva em estruturas internacionais relevantes, incluindo no formato da Normandia e do Grupo de Contato Trilateral, em direção a sua implementação integral.

9. Exige que todas as partes permitam a passagem segura e livre a destinos fora da Ucrânia e a facilitar o acesso rápido, seguro e desimpedido à assistência humanitária para todos que precisam na Ucrânia, a proteger civis incluindo o pessoal humanitário e as pessoas em situações vulneráveis entre elas melhores, idosos, pessoas com deficiência, indígenas, migrantes e crianças, e a respeitar os direitos humanos.

10. Deplora o envolvimento da Belarus nesse uso ilegal da força contra a Ucrânia e conclama a Belarus a cumprir com suas obrigações internacionais.

11. Condena todas as violações da lei humanitária internacional e as violações e abusos dos direitos humanos, e pede a todas as partes que respeitem estritamente as provisões relevantes da lei humanitária internacional incluindo as Convenções de Genebra, de 1942.

ONU lança portal exclusivo para monitorar fluxo de refugiados da Ucrânia

Site criado pelo Acnur contém últimas estatísticas sobre civis que fogem da ofensiva militar russa; até a manhã, desta quarta-feira, portal já tinha registrado quase 875 mil refugiados. 

ONU lança apelo para financiar assistência humanitária na Ucrânia e países vizinhos

@DRC/Oleksandr Ratushniak

As Nações Unidas e os seus parceiros humanitários lançaram hoje dois apelos de emergência coordenados num total de 1,7 mil milhões de dólares para fornecer apoio humanitário urgente a pessoas na Ucrânia e a refugiados em países vizinhos.

A escalada do conflito desencadeou um aumento acentuado das necessidades humanitárias. A ONU estima que 12 milhões de pessoas na Ucrânia precisarão de ajuda e proteção, enquanto mais de 4 milhões de refugiados ucranianos podem precisar de proteção e assistência em países vizinhos nos próximos meses.

 Apoio na Ucrânia

O chefe humanitário da ONU, Martin Griffiths, afirma que “Famílias com crianças pequenas estão em porões e estações de metro ou a correr para salvar a vida ao som de explosões e sirenes. O número de vítimas está a aumentar rapidamente. Esta é a hora mais sombria para o povo da Ucrânia. Precisamos de acelerar a nossa resposta agora para proteger a vida e a dignidade dos ucranianos.”

@ OCHA/Yevhen Maloletka. MARINKA, DONETSKA OBLASTA Rapaz ucraniano ao lado de uma vedação marcada por estilhaços.

O apelo da ONU pede 1,1 mil milhões de dólares para ajudar 6 milhões de pessoas na Ucrânia por um período inicial de três meses. O programa inclui assistência monetária para as pessoas mais vulneráveis, assistência alimentar, água e saneamento, apoio a serviços de saúde e educação e assistência em abrigos para reconstruir casas danificadas. O plano também visa fornecer apoio às autoridades para manter e estabelecer centros de trânsito e de acolhimento para pessoas deslocadas e prevenir a violência de género.

Apoio aos países vizinhos

Com mais de meio milhão de refugiados que fugiram da Ucrânia para países vizinhos nos últimos cinco dias, e muitos mais estão esperados, o apoio também é necessário para atender às necessidades críticas daqueles que buscam proteção fora do país.

O alto-comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi, lembra que estamos perante “o que pode se tornar a maior crise de refugiados da Europa neste século. Embora tenhamos visto uma tremenda solidariedade e hospitalidade dos países vizinhos no acolhimento de refugiados (…) será necessário muito mais apoio para ajudar e proteger os recém-chegados”.

O Plano Regional de Resposta a Refugiados (RRP) para a situação da Ucrânia pede 550,6 milhões de dólares para ajudar refugiados na Polónia, Moldávia, Hungria, Roménia e Eslováquia, entre outros países da região, a fim de ajudar os países anfitriões a fornecer abrigo, itens de emergência, assistência em dinheiro, saúde mental e apoio psicossocial para aqueles que fugiram da Ucrânia, incluindo pessoas com necessidades específicas, como crianças desacompanhadas.

@OCHA/Yevhen Maloletka. TRIOKHIZBENKA, LUHANSKA OBLASTA Mulher com a sua filha. A mãe perdeu a sua perna e audição durante um bombardeamento em 2014.

Segundo a agência da ONU para os Refugiados, cerca de 660 mil pessoas já deixaram a Ucrânia, cruzando a fronteira para outros países. A este ritmo, poderá tornar-se a maior crise de refugiados da Europa do século.

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Relatório do clima revela desafios sociais na Amazônia, diz co-autora

Uma das cientistas do estudo do Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudança Climática, lançado esta semana, destaca que é a primeira vez que o documento traz um olhar social sobre a região e como os povos indígenas já estão sendo afetados; Patrícia Pinho explica dificuldades de adaptação em contexto migratório. 

Radiação na Ucrânia segue em níveis normais; forças russas se aproximam de usina nuclear

Tropas da Rússia estariam avançando nas proximidades da Usina de Zaporizhia, maior instalação nuclear da Europa; Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, reforça que ações militares que ameacem segurança nos locais devem ser evitadas; monitoramento mais recente aponta plantas estão operando em segurança. 

Agência da ONU marca Dia de Zero Discriminação promovendo dignidade

Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, Unaids, pede aos países que acabem com leis consideradas discriminatórias que impedem liberdades e direitos fundamentais. 

ONU pede US$ 1,7 bilhão em ajuda humanitária para Ucrânia e países vizinhos

As Nações Unidas e parceiros humanitários lançaram, nesta terça-feira, um apelo emergencial de US$ 1,7 bilhão para levar ajuda humanitária às pessoas na Ucrânia e àquelas recebidas em países vizinhos. 

As agências da ONU estimam que 12 milhões de ucranianos no país devem precisar de ajuda e proteção. A estimativa é que mais de 4 milhões de ucranianos busquem refúgio em nações fronteiriças e precisem de assistência nos próximos meses. 

Em 27 de fevereiro de 2022, pessoas cruzam fronteira da Ucrânia para a Polônia.

© UNICEF/UNIAN

Em 27 de fevereiro de 2022, pessoas cruzam fronteira da Ucrânia para a Polônia.

Crise 

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, explicou que os valores devem ajudar tanto os afetados na Ucrânia como os que estão saindo do território.  

Ele confirmou que as agências da organização seguem no país ajudando com a resposta humanitária e que os primeiros comboios da organização já chegaram para famílias em abrigos de evacuação e outros necessitados. 

Enquanto o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, busca tratar os danos mentais e emocionais, os primeiros carregamentos do Programa Mundial de Alimentos, PMA, visam uma operação de emergência que deve alcançar 3 milhões de pessoas. 

Apelo 

Do total do valor solicitado para levar ajuda aos ucranianos, US$ 1,1 bilhão será destinado para ajudar 6 milhões de pessoas na Ucrânia por um período inicial de três meses.  

O programa inclui assistência monetária, alimentar, água e saneamento, apoio a serviços de saúde e educação e assistência em abrigos para reconstruir casas danificadas.  

O plano também visa fornecer apoio às autoridades para manter e estabelecer centros de trânsito e recepção para pessoas deslocadas e prevenir a violência de gênero. 

Famílias buscam abrigo em estação de metro na capital da Ucrânia, Kiev.

Foto: © UNICEF/Vyacheslav Ratynskiy/UNIAN

Famílias buscam abrigo em estação de metro na capital da Ucrânia, Kiev.

Acesso seguro 

Com mais de 600 mil refugiados da Ucrânia em países vizinhos nos últimos cinco dias, o apoio também é necessário para atender às necessidades críticas daqueles que buscam proteção fora do país. 

Assim, US$ 550,6 milhões serão dedicados a refugiados em países como Polônia, Moldávia, Hungria, Romênia e Eslováquia, e outros da região.  

O valor deve ajudar as autoridades a fornecer abrigo, itens de emergência, assistência em dinheiro e saúde mental para aqueles que fugiram da Ucrânia. 

As agências da ONU destacam que os trabalhadores humanitários vão precisar de acesso seguro e desimpedido a todas as áreas afetadas por conflitos.  

Famílias cruzam a fronteira com a Polônia após deixarem a Ucrânia.

Foto: © UNHCR/Chris Melzer

Famílias cruzam a fronteira com a Polônia após deixarem a Ucrânia.

Refugiados 

Para o chefe da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, a escalada do conflito na Ucrânia pode causar a maior crise de refugiados da Europa neste século. 

Filippo Grandi elogiou a mobilização e solidariedade dos países vizinhos, no entanto, ele afirma que será necessário muito mais apoio para ajudar e proteger os recém-chegados. 

Segundo as agências, pelo menos 600 mil pessoas já fugiram da Ucrânia após os bombardeios russos.   

O chefe humanitário da ONU, Martin Griffiths, afirmou que “famílias com crianças pequenas estão escondidas em porões e estações de metrô ou correndo para salvar suas vidas ao som aterrorizante de explosões e sirenes”.  

Ele alertou que o número de vítimas está aumentando rapidamente, por isso é necessário acelerar a resposta humanitária e proteger a vida e a dignidade dos ucranianos. 

Unicef e Moçambique reforçam parcerias para apoiar primeira infância

País africano tem cerca 4,6 milhões de crianças de 0 a 4 anos; em mesa redonda no fim de fevereiro; agência da ONU afirmou que fase da vida merece investimentos que se traduzem em ganhos para futuras gerações e para a nação.

Prémio da Universidade de Coimbra atribuído a António Guterres

@Reuters

O secretário-geral da ONU, António Guterres, é o vencedor do Prémio Universidade de Coimbra (UC).

O galardão foi entregue a 1 de março, na sessão solene comemorativa do 732.º aniversário da Universidade. A instituição académica justifica a distinção com o facto de António Guterres se tratar “de uma figura excecional, de alcance mundial, que, nos cargos de relevo nacional e internacional que tem desempenhado, ergue permanentemente a voz na defesa da sustentabilidade e da promoção da igualdade, causas nas quais a Universidade de Coimbra também está particularmente empenhada.

“Essa comunhão de visão, estratégia e ações, com destaque para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, leva-nos a acreditar que o engenheiro António Guterres – também Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra – é claramente merecedor desta distinção”, afirma o Reitor da UC, Amílcar Falcão, que preside ao Júri do Prémio.

Na sua mensagem de agradecimento, António Guterres destacou que este prémio é também uma homenagem às Nações Unidas, e que se associa às comemorações dos 732 anos da Universidade de Coimbra – “uma das mais ilustres instituições nacionais e um exemplo, provavelmente único no nosso País, de combinação de tradição com inovação e de história com futuro.”

De Lviv, porta-voz do Unicef descreve tristeza e stress entre milhares de ucranianos que tentam fugir

James Elder confirma que crianças estão entre as vítimas da ofensiva militar russa; Acnur afirma que total de ucranianos que buscaram refúgio em nações vizinhas chega a 660 mil; PMA lança operação de emergência para fornecer assistência alimentar. 

“Cada segundo conta”

@Fadel Senna/AFP

Quase metade do planeta, entre 3.3 a 3.6 mil milhões de pessoas encontram-se “altamente vulneráveis” às alterações climáticas.  

Esta é só uma das muitas conclusões devastadoras do mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC), uma organização das Nações Unidas focada em tornar a ciência e a realidade sobre as alterações climáticas acessível aos legisladores, aos decisores políticos e ao público em geral.  

Este novo relatório do IPCC é dedicado aos “Impactos, Adaptação e Vulnerabilidades” das alterações climáticas e salienta o perigo da inação que de acordo com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres é “criminal”. Na próxima década, se nada for feito teremos aumentado as emissões de gases atmosféricos por 14% enquanto para alcançarmos o objetivo essencial de limitar o aquecimento mundial a 1.5°C o mundo terá de reduzir as emissões por 45% até 2030. Adicionalmente, se o aquecimento global chegar aos 2°C, caminho para qual anda, a recuperação climática será “impossível” e até 3 mil milhões de pessoas irão sofrer de escassez crónica de água, 80 milhões de pessoas irão passar fome e 4.1 milhões de crianças irão ter problemas cognitivos devido à subnutrição. 

@Fabrice Coffrini/AFP. Co-presidente da IPCC avisa que alterações climáticas podem ter impactos “irreversíveis”.
Europa, Portugal e as alterações climáticas 

Na Europa, o relatório acentua os riscos de morte de não só ecossistemas, mas também de uma parte significativa da população devido as temperaturas elevadas, mostrando que sim, a alteração climática mata. Ademais, o IPCC demonstra-se especialmente preocupado com o efeito da seca na agricultura, a falta de água potável e nos níveis preocupantes de subida do mar. 

Na Europa do Sul e em Portugal especificamente o relatório informa que se nada for feito um terço da população sofrerá de escassez de água, e que Portugal será afetado por fatalidades causadas pela seca e pelos incêndios florestais, sendo Portugal o único país na Europa do Sul cujo a área de território queimado está a subir. O relatório também reforça o fato que Portugal foi impactado pela morte prematura de 2100 pessoas em 2017 devido a má qualidade do ar após vários incêndios florestais e que, lamentavelmente, Portugal será um de 49 países que sentirá “secas que decorrerão durante mais de um ano e com uma magnitude para além dos parâmetros históricos”.  

@Miguel Manso/ Santiago do Cacém, onde a seca extrema já é um problema.
Ação, mitigação e adaptação 

O co-presidente da IPCC, Hans-Otto Pörtner, alerta que “precisamos de mobilizar ação e esforços perante uma janela de oportunidade que se está a fechar”. Implementar ação climática urgente, restringir e eventualmente abolir o uso de combustíveis fosseis, e focar-nos na adaptação são as três grandes soluções que o secretário-geral das Nações Unidas apresenta.  

O secretário-geral defende que a ação urgente climática tem de vir principalmente dos países do G20, que contribuem para 80% de todas as emissões atmosféricas, tendo Guterres afirmado que o “G20 têm de liderar o caminho, ou a humanidade irá pagar um preço ainda mais trágico”. Sem os esforços destes 20 países pouco progresso poderá ser feito. 

Adicionalmente, o secretário-geral criticou fortemente a dependência mundial nos combustíveis fosseis indicando que os combustíveis fosseis “são um beco sem saída- para o planeta, para a humanidade, e sim, para as economias mundiais”, um fato que é fundamentando pelos eventos atuais que demonstram como esta forte dependência em energias não renováveis compromete os atuais sistemas financeiros mundiais e a segurança energética que é “vulnerável a choques e crises geopolíticas”.  

Guterres apelou também à adaptação alertando que “a adaptação salva vidas” e que a “mitigação e adaptação climática têm de ser aplicadas com a mesma urgência e força” pedindo aos Estados-membros que dediquem “50% dos seus investimentos climáticas à adaptação”. O relatório foca-se então em propostas para a adaptação climática em todo o mundo, dando por exemplo a sugestão da criação de lagos artificias em Portugal para evitar a seca extrema.  

@fivepointsix / shutterstock. Moçambique é um dos países mais vulneráveis, de acordo com o Índice Global de Risco Climático (IRC).

Finalmente, ambos o relatório e o secretário-geral enfatizaram a urgência da ação, adaptação e mitigação climática pois como o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou “cada segundo conta.” 

 

 

 

Unicef diz que 1 bilhão de crianças estão sob riscos da mudança climática

Em comunicado, diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Catherine Russell, afirma que menores são geralmente ignorados quando se trata do tema e que é hora de colocá-los no centro do debate sobre a emergência climática.

Nações Unidas lançam dois apelos de emergência para Ucrânia e região

Segundo secretário-geral, um foca na escalada das necessidades humanitárias dentro do país e o outro busca responder à demanda dos ucranianos que estão cruzando fronteiras e buscando refúgio em nações vizinhas; família que conseguiu chegar à Polônia revela ao Acnur saga com crianças dentro do carro e três dias sem banheiro ou refeições.  

ONU: número de refugiados da Ucrânia pode subir para 4 milhões nas próximas semanas

Chefe da agência para refugiados, Filippo Grandi, pede fim do conflito durante apresentação ao Conselho de Segurança, que analisa crise humanitária após ataques da Rússia; subsecretário-geral para Assistência Humanitária pede garantias para passagem de ajuda; Brasil diz que é hora de proteger os civis e cessar o conflito.