As Nações Unidas iniciam esta terça-feira a 76ª sessão da Assembleia Geral. O tema é “Construindo resiliência por meio da esperança – para se recuperar da Covid-19, reconstruir de forma sustentável, responder às necessidades do planeta, respeitar os direitos das pessoas e revitalizar as Nações Unidas”.
Na abertura, o novo presidente do órgão, Abdulla Shahid, das Maldivas, assume o posto em substituição de Volkan Bozkir da Turquia.
Lusófonos
O maior encontro de líderes mundiais reunirá mais de 100 chefes de Estado e de governo no segmento de alto nível. A participação virtual e presencial também marcará diversas reuniões, conferências e encontros paralelos.
ONU/Anton Uspensky
Na semana de alto nível da 76ª sessão da Assembleia Geral haverá ainda diálogos interativos
O 21 de setembro abriga a abertura do Debate Geral com intervenções incluindo a dos presidentes Jair Messias Bolsonaro, do Brasil, e Marcelo Rebelo de Sousa, de Portugal. Segundo as mídias brasileira e portuguesa, ambos viajarão até Nova Iorque.
Na sessão do ano passado, o edifício da Assembleia Geral ficou praticamente vazio devido à pandemia, pela primeira vez em 75 anos da organização.
Um dos eventos mais aguardados da nova sessão será a Cúpula da ONU sobre Sistemas Alimentares. A reunião deve preparar o cenário para a transformação no setor com vista a atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.
Tráfico de Pessoas
Na semana de alto nível serão realizados encontros globais para comemorar o 20º aniversário da adoção da Declaração e Programa de Ação de Durban sobre o combate global ao racismo e à discriminação.
Várias conferências darão ênfase a dias internacionais como da eliminação total das armas nucleares, da discriminação racial, em memória das vítimas da escravatura e do tráfico transatlântico e contra os testes nucleares.
No período também serão realizadas sessões especiais sobre o Plano de Ação Global contra o Tráfico de Pessoas e ainda sobre o combate à prática.
Na semana de alto nível da 76ª sessão da Assembleia Geral haverá ainda diálogos interativos abordando tópicos como harmonia com a natureza e a Nova Agenda Urbana.
O Cerrado brasileiro é considerado a área de maior potencial agrícola do mundo. É nele que estão 60% da produção de grãos do país.
A importância cultural, histórica e social desse bioma também é significativa. Lá vivem comunidades tradicionais, etnias indígenas, ribeirinhos e outros grupos populacionais.
Biodiversidade
O Cerrado, muitas vezes, é considerado um ecossistema de menor importância quando comparado a florestas úmidas brasileiras como a Mata Atlântica e a Amazônia, porém ele é abundante em biodiversidade.
Karina Berbert Bruno
Projeto FIP Monitoramento do Cerrado desenvolveu e disponibiliza dados significativos e públicos sobre o desmatamento
A fauna e a flora são riquíssimas com mais de 11 mil espécies de plantas nativas, 199 espécies de mamíferos e 837 espécies de pássaros.
Também é lá que nascem três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul, rendendo ao Cerrado o apelido de “caixa d’água”.
Preservação
Para conservar a enorme biodiversidade da região, o governo brasileiro criou há 10 anos, o Programa de Investimento Florestal, FIP na sigla em inglês. A iniciativa promove o desenvolvimento sustentável do Cerrado.
O Banco Mundial atua no projeto como ponto focal dos bancos internacionais de desenvolvimento gerenciando os fundos doados por entidades internacionais.
A iniciativa do Governo Federal de trabalhar com diversos parceiros foi uma decisão estratégica.
Illuminati Filmes para Banco Mundial
Cerrado brasileiro é considerado a área de maior potencial agrícola do mundo
Para a especialista-sênior em meio ambiente do Banco Mundial, Bernardete Lange, o destaque desse arranjo institucional é a criação de diálogos com troca de informação e gestão conjunta, “somando esforços para a conservação do Cerrado”.
O projeto FIP Monitoramento do Cerrado desenvolveu e disponibiliza dados significativos e públicos sobre o desmatamento, o risco de incêndios florestais e a estimativa de emissão de gases de efeito estufa, GEE, no Cerrado.
O projeto termina no final deste ano, mas o Banco Mundial pretende continuar com outos projetos FIP para o Cerrado nos próximos anos.
Andrew Young, o primeiro embaixador afro-americano dos Estados Unidos na ONU, ganhou seu lugar na história. Mas ele atribui sua inspiração a outro pioneiro, Ralph Bunche.
Morto há 50 anos, Bunche foi a primeira pessoa de ascendência africana a ganhar o Prêmio Nobel da Paz. Ele também teve um papel importante para as Nações Unidas, ajudando a criar a Carta da ONU e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
A ONU News relembra sua história, no mês em que o mundo celebra os 20 anos da Declaração e Plano de Ação de Durban, um documento histórico na luta contra o racismo, discriminação, xenobofia e intolerância.
Em declarações a ONU News, em julho de 2020, o ex-embaixador Andrew Young relatou suas memórias de Bunche e explicou porquê sua influência continua, tanto na ONU como na luta contra o racismo:
“Ralph Bunche foi um dos meus heróis na infância. Eu o via como um pai, porque Bunche já tinha feito tudo o que eu queria fazer, mas 40 anos antes!”
Em 1939, Ralph Bunche saiu da Universidade de Howard, uma das principais universidades historicamente negras, e seguiu para a África, trabalhando com a inteligência militar dos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial.
“Bunche foi de barco a Marrocos, Tunísia e Egito e depois, atravessou o Canal de Suez até o Quênia e África do Sul. Ele era a única pessoa do Exército dos Estados Unidos que realmente sabia algo sobre o continente, em termos de inteligência militar. Grande parte das doutrinas da ONU sobre descolonização, manutenção da paz, imigração, refugiados e asilo procedem, acredito, dos estudos que ele fez no período”, declarou Young.
Foto: UN Photo/Yutaka Nagata
Embaixador dos Estados Unidos na ONU, Andrew Young, em 1977
Um cidadão americano, marchando pela liberdade
“Durante a época dos direitos civis, e apesar de ser um alto funcionário da ONU e de não estar diretamente ligado a Martin Luther King, não hesitou em encorajar e animar King.
Bunche e Luther King marcharam juntos em Selma (cenário dos protestos pelos direitos civis de 1965 com ativistas não violentos, manifestando contra a repressão ao seu direito constitucional de votar), demonstrando que, além de ser um acadêmico de renome internacional, ele tinha uma ligação direta com a comunidade negra e a liderança dos direitos civis: ele não marchou como um funcionário das Nações Unidas, mas quis estar ali simplesmente como um cidadão americano, marchando pela liberdade em seu país.
Quando conheci Bunche na ONU (em 1967, acompanhando Martin Luther King), ele me disse que não queria criticar King por sua posição sobre o Vietnã, pois ele estava de acordo (Martin Luther King se opunha ao envolvimento dos Estados Unidos na guerra do Vietnã), mas ele disse que detestava ver King envolvido ao mesmo tempo com o movimento dos direitos civis e o movimento pela paz, porque isso o deixava muito exposto.
Luther King respondeu que ele não queria estar envolvido, mas não tinha escolha: “Não quero estar envolvido nisso, mas não posso fugir. Não posso segregar minha consciência. Não posso estar a favor da não-violência entre as raças e as classes no mundo e apoiar a violência em conflitos internacionais”.
Aquele encontro aconteceu um ano antes do assassinato de Martin Luther King Jr. É praticamente como se Bunche estivesse prevendo que os vários papeis que King estava desempenhando fosse algo imprudente, e o estava aconselhando a diminuir um pouco o ritmo e durar um pouco mais.”
Foto: ONU/Yutaka Nagata
Martin Luther King Jr., sua esposa, Coretta Scott King, e Ralph Bunche, na época, subsecretário-geral para Assuntos Políticos na ONU.
Mestre dos contrapontos
Ralph Bunche foi sempre muito racional e lógico, e ele resistiu a todos os tipos de política emocional e de ira que poderia haver entre as raças, ou entre os mundos desenvolvidos e menos desenvolvidos.
Ele foi um mediador mestre, com uma mente fria, lógica, analítica, que aplicava em assuntos voláteis e emocionais. Ele não acreditava em segredos, mas sim que a diplomacia depende de um certo nível de confiança privada: na ONU há um jogo constante de contrapontos.
Este artigo faz parte de uma série de reportagens especiais multimídia sobre os 20 anos da Declaração de Durban, considerada um marco na luta global contra o racismo.
Ralph Bunche, um Homem de Paz:
É difícil exagerar: as conquistas do diplomata foram inúmeras. Nascido em Detroit, em 1904, Ralph Bunche foi o primeiro afro-americano a conquistar o título de Doutor em uma universidade dos Estados Unidos, feito que conseguiu em 1930, época de profundas desigualdades sociais no país.
Após servir na Segunda Guerra Mundial, no setor de inteligência militar, Ralph Bunche foi fazer história nas Nações Unidas: ele ajudou a criar dois documentos cruciais – a Carta da ONU e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Anos mais tarde, tornou-se subsecretário-geral da ONU, servindo de mediador entre Israel e Territórios Palestinos. Foi com este trabalho que Bunche ganhou o Prêmio Nobel da Paz, em 1950, sendo o primeiro afrodescendente a conquistar o título.
Ainda na ONU, Ralph Bunche foi o “arquiteto e diretor” de várias operações de paz das Nações Unidas. Ele liderou, pessoalmente, em 1960, no Congo, a maior e mais desafiadora missão de paz da ONU.
Esta reportagem faz parte de uma série de artigos especiais da ONU News, como parte das comemorações dos 20 anos da Declaração de Durban, considerada um marco na luta global contra o racismo.
Neste mês, os países-membros da ONU realizam um evento, em Nova Iorque, para celebrar a Durban+20. Foi na conferência, ocorrida há duas décadas na África do Sul, que foi criado o documento histórico para eliminar racismo, xenofobia, discriminação e intolerância.
Ex-presidente português faleceu neste 10 de setembro, aos 81 anos; quando assumiu a Presidência da República, em 1996, o atual secretário-geral da ONU era primeiro-ministro do país; Sampaio foi enviado especial das Nações Unidas para a Luta contra Tuberculose.
O relatório da Agenda Comum das Nações Unidas, realizado no contexto do 75° aniversário da Organização, concluiu que o futuro da humanidade depende da cooperação global e de um multilateralismo mais inclusivo, interligado e eficaz.
As recomendações do relatório, que será apresentado pelo secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, identificaram quatro principais áreas de ação multilateral para os próximos 25 anos:
1 – Renovação do contrato social, fundamentada nos direitos humanos, para reconstruir a confiança e a coesão social.
A maioria dos problemas mundiais estão enraizados na pobreza, na fome, desigualdade de acesso a cuidados de saúde, educação e habitação, crescentes disparidades e injustiças, bem como na desinformação e falta de confiança nas instituições.
Neste contexto a ONU considera que é fundamental introduzir um código de conduta global que promova uma comunicação pública mais factual, bem como uma cooperação financeira entre os estados, proteção social universal que ajude a erradicar a violência contra mulheres e meninas; e corrigir determinar novos métodos para medir o progresso e a prosperidade.
2 – Apostar no futuro, mostrando mais solidariedade para com os jovens e as gerações futuras.
Aqueles que vão herdar as consequências das decisões de hoje não estão devidamente representados no processo de tomadas de decisões, por isso são necessárias medidas transformadoras na educação e aprendizagem ao longo da vida, melhores modelos de previsão do impacto das decisões políticas a longo prazo e nomeação de um Enviado Especial da ONU para as Gerações Futuras.
3 – Ações urgentes para proteger o mar, a atmosfera, o ártico e o espaço – e os bens públicos mundiais – como a paz, a segurança económica e a saúde.
Esta agenda recomenda ainda a definição de um plano mundial de vacinação contra a covid-19, melhorar os processos de preparação para futuras crises globais, com a criação de uma plataforma de emergência mundial, e a redefinição das preocupações da agenda internacional, nomeadamente relativas à paz, à ação climática após 2030, aos bens comuns digitais e ao espaço sideral.
4 – Uma ONU atual e ajustada a uma nova era, capaz de oferecer melhores soluções multilaterais e relevantes para os desafios do século XXI.
Esta transformação será realizada através do uso de factos e dados científicos, sendo a ONU a principal fonte de informação factual e objetiva, e promovendo um maior envolvimento com governos locais e regionais, da sociedade civil, dos parlamentos e do setor privado.
As escolhas que fazemos – ou não fazemos – hoje podem resultar num futuro de crises perpétuas ou num avanço para um futuro melhor, mais sustentável e pacífico. Para alcançar um avanço decisivo, é necessário reconhecer que o futuro da humanidade depende da solidariedade, confiança e da nossa capacidade de trabalhar em conjunto para atingir objetivos comuns.
General Assembly Seventy-first session: Opening of the General Debate.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lembra Jorge Sampaio como uma figura “central” da democracia de Abril, um “incomparável homem de Estado” que deixou uma marca “decisiva” na luta pela paz e no diálogo entre civilizações.
Jorge Sampaio, antigo secretário-geral do PS (1989/1992) e presidente da República (1996/2006), morreu esta sexta-feira aos 81 anos.
Em declarações à agência Lusa, António Guterres, que sucedeu a Jorge Sampaio na liderança do PS em 1992 e que desempenhou funções de primeiro-ministro entre 1995 e 2001, disse que ficou “profundamente emocionado e entristecido com a notícia da morte de Jorge Sampaio”.
“Foi um amigo querido e um companheiro de luta em tantos momentos decisivos para a vida do nosso país. Nunca poderei esquecer a forma como juntos trabalhámos noite e dia, em uníssono, para evitar uma terrível tragédia para os timorenses e permitir a independência de Timor-Leste”, observou o secretário-geral das Nações Unidas.
Para António Guterres, Jorge Sampaio “foi uma figura central da democracia de Abril, lutador incansável contra a ditadura desde o seu tempo de estudante, militante ativo de todas as nobres causas e incomparável homem de Estado pela sua integridade, humanismo e permanente devoção pelo interesse nacional”.
“Jorge Sampaio deu um contributo inestimável às Nações Unidas, onde deixou uma marca decisiva na luta pela paz e pelo diálogo entre culturas e civilizações. Jorge Sampaio era um homem bom, um homem generoso, como demonstrou o seu forte empenhamento no acolhimento dos refugiados sírios”, indicou ainda o antigo primeiro-ministro português.
Em maio de 2006, Sampaio foi nomeado pelo então secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, Enviado Especial para o Plano Global de Combate à Tuberculose. Em abril de 2007, o secretário-Geral da ONU Ban Ki-moon nomeou o antigo presidente de Portugal como Alto Representante para a Aliança das Civilizações, cargo que ocupou até setembro de 2012.
A República Democrática do Congo declarou um surto de meningite na província nordeste de Tshopo após testes do Instituto Pasteur de Paris confirmarem que se trata da doença meningocócica, um dos tipos mais frequentes de meningite bacteriana.
A enfermidade tem um histórico de provocar grandes epidemias.
Prevalência
Relatos indicam 261 casos suspeitos e 129 mortes, que corresponde a uma taxa de letalidade de 50%. Em 2019, um surto em Kisangani infetou 214 pessoas e provocou 15 mortes, uma taxa de fatalidade de 8%.
Reprodução
Matshidiso Moeti falou de movimento rápido para entregar medicamentos e enviar especialistas para apoiar o governo
As autoridades sanitárias enviaram uma equipe de emergência inicial, e com o apoio da Organização Mundial da Saúde, OMS, esforços estão em andamento para aumentar rapidamente a resposta.
Um comité de resposta a crise foi instalado em Banalia, a comunidade afetada, e em Kisangani, capital provincial, para acelerar os esforços de contenção do surto.
A OMS forneceu suprimentos médicos e conta enviar mais peritos e recursos.
Transmissão
A diretora regional da OMS para África, Matshidiso Moeti, lembrou que a meningite é uma infeção grave e um grande desafio a saúde publica. Disse estarem a mover-se rápido para entregar medicamentos e enviar especialistas para apoiar os esforços do governo em controlar o surto o mais rápido possível.
Mais de 100 pacientes já estão a receber tratamento em casa e em centros de saúde em Banalia. A doença é transmitida através de gotículas de secreções ou da garganta de pessoas infetadas.
Contato próximo e prolongado ou viver em quartos próximos com uma pessoa infetada facilita a propagação da doença. Embora pessoas de todas as idades possam apanhar a doença, ela afeta principalmente bebes, crianças e jovens.
Cinturão
O representante da OMS na RDC, Amédée Prosper Djiguimdé indicou estarem a aumentar medidas de controlo na comunidade e investigando rapidamente casos suspeitos nas localidades vizinhas para tratar pacientes e reduzir infeções potencialmente generalizadas.
OMS/R. Barry
Assembleia Mundial da Saúde aprovou um roteiro para um mundo livre da meningite nesta década
Mais de 1,6 milhão de pessoas de 1 a 29 anos de idade foram vacinadas numa campanha massiva em 2016 em Tshopo.
A província encontra-se no cinturão de meningite africano que atravessa o continente do Senegal à Etiópia e compreende 26 países, sendo o mais vulnerável globalmente a surtos recorrente.
Letalidade
Meningite é potencialmente fatal e é uma emergência médica.
Internamento é necessário e o tratamento com antibióticos apropriados deve ser começado o mais rápido possível. Ao longo dos anos, grandes melhorias foram feitas nas vacinas, que são específicas para o tipo de meningite.
Em novembro de 2020, a Assembleia Mundial da Saúde, órgão de definição de políticas de saúde global, aprovou um roteiro para um mundo livre da meningite até 2030, com três objetivos chave: a eliminação da meningite bacteriana, redução da meningite bacteriana evitável por vacina até 50 %, e da morte até 70 % e redução de deficiência e melhoria da qualidade de vida após meningite.
Debate online busca ampliar maneiras de reforçar o combate ao comércio ilegal de obras de arte e de ataques a museus e sítios arqueológicos; participam representantes de vários países europeus e do setor privado, incluindo um dos chefes do eBay.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que mesmo com o aparecimento da nova variante “Mu”, a estirpe “Delta” continua a ser a principal preocupação.
A chefe responsável pela resposta à pandemia da OMS, Maria Van Kerkhove, alerta para o carater “duplamente transmissível” desta variante em comparação com as demais.
Vírus em evolução
A OMS anunciou que está a controlar, de perto, a nova variante “Mu”, que foi identificada pela primeira vez na Colômbia, em janeiro de 2021 e que apresenta uma série de mutações que sugere que pode vir a ser mais resistente às vacinas.
Os médicos especialistas relatam que a proporção de casos “Mu” na América do Sul está a aumentar, mas os números estão a diminuir nos países onde a variante Delta está a circular. Esta última evolui de forma acelerada e tende a superar as outras variantes.
Embora sejam de esperar mais variantes, nem todas são perigosas. Os cientistas explicam que cada estirpe tem de ser vista pelas suas características, ou seja, potencial para causar doenças graves, transmissão e resistência a vacina.
Casos ainda bastante elevados
A OMS afirma que, apesar da vacinação ter reduzido o número de hospitalizados, o número de casos ainda é bastante elevado, somando um total de 4,5 milhões, por semana e que resultam em 68.000 mortes. Os especialistas da OMS alertam para a necessidade de uma rápida mudança deste paradigma uma vez que dispomos de todos os instrumentos necessários para impedir o aumento dos casos.
A iniciativa global Covax, que distribui imunizantes a nações em desenvolvimento, pode fechar este ano cumprindo menos 30% da meta de entrega de 2 bilhões de doses da vacina contra a Covid-19.
No balanço de seis meses, o mecanismo aponta, no entanto, que obteve avanços significativos em suas operações. Entre eles estão mais de US$ 10 bilhões de unidades arrecadadas para as nações beneficiárias.
Compromissos
A iniciativa que integra o Acelerador de Acesso a Ferramentas contra a Covid-19 é administrada pela Organização Mundial da Saúde, OMS, pela Coalizão para Inovações de Preparação para Epidemias, Cepi, e pela Aliança Global de Vacinas, Gavi.
UNICEF
Moçambique recebeu lotes de vacinas como parte da iniciativa Covax
Em meio ano, o mecanismo também celebra os compromissos juridicamente vinculativos que permitirão garantir acesso a até 4,5 bilhões de doses de vacina. No período avaliado, mais de 240 milhões de doses foram entregues a 139 países.
No entanto, o cenário global de acesso às vacinas é considerado inaceitável. Apenas 20% de habitantes de países de renda baixa e média-baixa receberam a primeira dose, em comparação com 80% nos países de rendas alta e média-alta.
Em um comunicado conjunto, as entidades que lideram a Covax pedem aos países ricos que compartilhem um maior número de doses.
Restrições
O grupo justifica o corte da meta do mecanismo para 1,425 bilhão de doses por fatores como restrições à exportação do Serum Institute da Índia, SII, tido como um importante fornecedor.
Unicef/COVAX/Carlos César
Funcionário de saúde de Angola recebe vacina através da iniciativa Covax
Espera-se que o marco de 2 bilhões de doses seja atingido no primeiro trimestre de 2022.
Desafios atuais incluem as proibições de exportação, a priorização de acordos bilaterais por fabricantes e países, o contínuo aumento da produção por alguns fabricantes importantes e atrasos no pedido de aprovação regulatória.
O apelo feito aos doadores e farmacêuticas é que se empenhem novamente em fornecer seu apoio e evitem mais atrasos no acesso equitativo, “garantindo a transparência nos planos acordados para permitir que as nações planejem com antecedência”.
Entrega
No caso de países com alta cobertura, o pedido é que cedam seu lugar da fila para permitir o fornecimento e a entrega de vacinas onde estas sejam mais necessárias.
Outro pedido feito pela Covax é para que haja uma expansão, aceleração e sistematização das doações de doses das nações avançadas em programas de vacinação.
De acordo com a OMS, a Covid-19 já infectou 221 milhões de pessoas e provocou pelo menos 4,5 milhões de mortes.
Unicef/Andy Rugema
Iniciativa global Covax faz parte do Acelerador de Acesso a Ferramentas contra a Covid-19
O Dia Internacional da Alfabetização, comemorado em 8 de setembro, ganha um novo destaque neste ano. Os acessos à conexão e a ferramentas digitais também são relembrados, especialmente após a pandemia de Covid-19 que dificultou a escolarização em todo o mundo.
Segundo a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, o fechamento de escolas por conta da pandemia de Covid-19 afetou cerca de 60% dos estudantes. A estimativa é que a população global de estudantes seja de mais de 1 bilhão de pessoas.
Foto: Aldana Loiseau
Jovem acompanha aula online durante a pandemia.
Desigualdade
Além de crianças em idade escolar, muitos jovens e adultos também não tiveram acesso à educação a distância, alternativa que foi adotada em diversos lugares para garantir a continuação do ano letivo.
A falta de conectividade, infraestrutura e habilidades no uso de tecnologias será debatida na série de painéis virtuais que a Unesco fará em celebração a data. De acordo com a agência, a pandemia também ampliou as desigualdades já existentes no acesso a oportunidades de alfabetização. Mais de 770 milhões de jovens e adultos com habilidades de leitura e escrita baixas foram afetados.
A Unesco destaca que ações devem ser tomadas para evitar que esses alunos tenham dificuldades no acesso a saúde, ao trabalho e à qualidade de vida no futuro. A agência reforça que a alfabetização capacita os indivíduos, melhora as suas vidas e é um motor para o desenvolvimento sustentável. Além disso, o acesso à educação básica faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e é peça fundamental do plano de recuperação da pandemia.
ONU/Kibae Park
Criança durante uma aula do jardim de infância em Tachilek, em Mianmar
Premiados
Desde 1967, a Unesco premia nesta data projetos de excelência e inovação no domínio da alfabetização. Já foram reconhecidas mais de 500 iniciativas implementadas por governos, organizações não-governamentais e indivíduos de todo o mundo.
Com a premiação, a Unesco procura apoiar práticas de alfabetização eficazes e incentiva a promoção de sociedades alfabetizadas dinâmicas.Nesse ano, seis projetos foram escolhidos. Programas de educação da Guatemala, Índia, África do Sul, Egito, México e Cote d’Ivoire também conhecida como Costa do Marfim, receberam incentivos e seus representantes participarão do evento promovido pela agência.
Cerca de 90% das pessoas respira ar poluído no seu dia-a-dia. Para assinalar o primeiro Dia Internacional do Ar Limpo para o Céu Azul, a 7 de setembro, explicamos como esta questão é prejudicial e o que está a ser feito para a combater.
1) A poluição atmosférica mata milhões e prejudica o ambiente
A poluição do ar continua a ser um perigo mortal para muitos, pois provoca o aumento de doenças cardíacas, doenças pulmonares, cancro do pulmão e AVCs, que somam um total de sete milhões de mortes prematuras, por ano.
A poluição atmosférica também prejudica o nosso ambiente. Diminui o fornecimento de oxigénio nos oceanos, torna mais difícil o crescimento das plantas e contribui para as alterações climáticas. No entanto, apesar dos danos que causa, há sinais de que o tema não é visto como uma prioridade em muitos países: na primeira avaliação de qualidade do ar divulgada a 2 de setembro pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), foi revelado que cerca de 43% dos países não tem uma definição legal de poluição atmosférica e um terço ainda não adotou normas de qualidade do ar.
Unsplash/Alexander Popov
2) As principais causas
Cinco tipos de atividade humana são responsáveis pela maior parte da poluição atmosférica: agricultura, transportes, indústria, resíduos e agregados familiares.
Os processos agrícolas e pecuários produzem metano, um gás de efeito de estufa que pode causar asma e outras doenças respiratórias. O metano é também um subproduto da queima de resíduos, que emite outras toxinas poluentes, as quais acabam por entrar na cadeia alimentar. Entretanto, as indústrias libertam grandes quantidades de monóxido de carbono, hidrocarbonetos, partículas em suspensão e produtos químicos.
Os transportes continuam a ser responsável pela morte prematura de centenas de milhares de pessoas. Os veículos continuam a lançar partículas para a nossa atmosfera, nomeadamente, carbono negro e dióxido de azoto; estimando-se que os tratamentos das patologias causadas pela poluição atmosférica custem aproximadamente 1 bilião de dólares, por ano a nível mundial.
Embora possa não ser um grande choque saber que estas atividades são prejudiciais à saúde e ao ambiente, algumas pessoas podem ficar surpreendidas ao saber que as famílias são responsáveis por cerca de 4,3 milhões de mortes por ano. Isto deve-se ao facto de muitos agregados fazerem queimadas e utilizarem fogões ineficientes no interior das casas.
WHO / Andrew Esiebo / Panos Pictures
3) Esta é uma questão urgente
A ONU alerta para esta questão numa altura em que os efeitos da poluição atmosférica nos seres humanos estão a aumentar. Nos últimos anos verificou-se que a exposição à poluição atmosférica contribui para um risco acrescido de diabetes, demência, desenvolvimento cognitivo prejudicado e níveis de inteligência mais baixos. Além disso, também está ligada a doenças cardiovasculares e respiratórias.
A preocupação com a poluição atmosférica está ligada à ação global para enfrentar a crise climática uma vez que esta é uma questão ambiental e de saúde, sendo que as ações para “limpar os céus” contribuiriam para reduzir o aquecimento global. Outros efeitos ambientais nocivos incluem o esgotamento do solo e dos cursos de água, fontes de água doce ameaçadas e rendimentos mais baixos das culturas.
ADB/Zen Nuntawinyu
4) A melhoria da qualidade do ar é uma responsabilidade dos governos e do setor privado
No Dia Internacional do Ar Limpo para os Céus Azuis, a ONU apela aos governos para fazerem mais na redução da poluição atmosférica e melhorar a qualidade do ar.
As ações específicas que poderiam tomar incluem a implementação de políticas integradas de qualidade do ar e de alterações climáticas; a eliminação gradual dos automóveis a gasolina e a gasóleo, e o compromisso de reduzir as emissões do setor dos resíduos.
As empresas também podem fazer a diferença, comprometendo-se a reduzir e eventualmente eliminar resíduos; mudar as suas frotas para veículos de baixas emissões ou elétricos; e encontrar formas de reduzir as emissões de poluentes atmosféricos das suas instalações e cadeias de abastecimento.
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5)…e é também nossa responsabilidade
Se mudarmos o nosso comportamento, o custo nocivo das atividades domésticas pode diminuir.
Ações simples podem incluir a utilização de transportes públicos, andar de bicicleta ou a pé; reduzir o lixo doméstico e a compostagem; comer menos carne mudando para uma dieta baseada em plantas; e conservar mais energia.
O website para o Dia Internacional contém mais ideias de ações que podemos tomar e como podemos encorajar as nossas comunidades a fazerem mudanças que contribuam para céus mais limpos: como a organização de atividades de plantação de árvores, a sensibilização com eventos e exposições e o compromisso de expandir espaços verdes abertos.
O quão limpo está o ar no local onde se encontra?
Aceda ao site do PNUMA e descubra o quão exposto está à poluição do ar no local onde vive.
O site indica que mais de cinco mil milhões de pessoas, ou cerca de 70% da população mundial, respiram ar acima dos limites de poluição recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS)
O lixo marinho é um desafio mundial, mas também local. Estima-se que, todos os anos, oito milhões de toneladas de plástico vão parar aos nossos oceanos, ou seja, um total de 80% de todo o lixo marinho provém de fontes terrestres.
A campanha, iniciada no Dia Internacional de Limpezas Costeiras, a 21 de setembro, envolveu até agora 160 milhões de pessoas. A diretora adjunta do Centro de Informação Regional da ONU em Bruxelas (UNRIC), Caroline Petit, afirma que “agir em conjunto para proteger o oceano e o nosso ambiente é a melhor coisa que se pode fazer”.
Este ano, juntaram-se à campanha os centros de informação da ONU, escolas locais e parceiros, incluindo o enviado da juventude da ONU, o Comissário Europeu para os Assuntos Marítimos e a Pesca e os escuteiros.
À medida que o mundo se prepara para uma Década de Ação para atingir os ODS até 2030, espera-se que a campanha seja alargada no próximo ano.
Antecedentes
A UE, líder nesta luta contra o plástico nos oceanos, adotou recentemente legislação de plástico de uso único que são os que mais se encontram nas zonas costeiras. A legislação concentra-se, também, nos materiais de pesca perdidos que representam cerca de 27% de todo o lixo da praia.
Como se sabe, os ODS são um plano para alcançar um mundo mais sustentável para todos, abordando desafios como a pobreza, a desigualdade, o clima e a degradação ambiental. O objetivo 14 inclui o propósito de utilização sustentável e conservação do oceano.
Os Smurfs, criados por Peyo em 1958, juntam-se a esta campanha por serem um símbolo universal de otimismo, amizade e simbolizarem a convivência harmoniosa com a natureza.
No Dia Internacional do Ar Limpo, neste 7 de setembro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lembra que os efeitos da poluição já são responsáveis por 7 milhões de mortes prematuras todos os anos. Desse número, 600 mil são crianças.
O chefe das Nações Unidas reforça que, se nada for feito, a quantidade pode dobrar até 2050.
Clima
De acordo com Guterres, as mortes ocorrem, principalmente, em países de rendas baixa e média, refletindo as desigualdades globais. Em regiões mais pobres, cerca de 3 bilhões de pessoas usam combustíveis fósseis ou querosene para aquecimento, geração de energia e para cozinhar.
Além do impacto na saúde, o chefe da ONU lembra que a poluição do ar também agrava a crise climática.
O secretário-geral afirma que ações como monitoramento e identificação de fontes de poluição, assim como legislações que sigam diretrizes da Organização Mundial da Saúde, devem ser implementadas para melhorar a qualidade do ar.
Renováveis
Guterres lembrou da recente eliminação global da gasolina com chumbo e reforçou que a utilização de carvão deve ser erradicada progressivamente.
Ele também fez um chamado para que o investimento e uso de energias renováveis no lugar de combustíveis fósseis seja mais rápido.
Com essas e outras medidas, estima-se que até 150 milhões de vidas podem ser salvas neste século e ajudar num planeta mais limpo.
Saúde
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, traz dados que evidenciam a urgência em acelerar iniciativas para promover ar limpo para todos. A aceleração no uso de fontes renováveis no transporte, setor chave para as questões ambientais, poderia prevenir um milhão de mortes prematuras.
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Efeitos da poluição já são responsáveis por 7 milhões de mortes prematuras todos os anos
Complicações cardíacas e respiratórias, derrames e câncer de pulmão são as principais causas e ocorrem pela longa exposição a poluição atmosférica. De acordo com a agência, mais de US$ 1 trilhão é gasto anualmente no tratamento dessas doenças.
Além de condições respiratórias, a poluição do ar também aumenta o risco de diabetes, demências e problemas cognitivos.
O Pnuma afirma que buscar por boas condições do ar é importante para atacar os desafios crescentes no meio ambiente e para a saúde humana.
Agência pede aos países da União Europeia para garantir tratamento humano aos civis, que estariam retidos sem acesso à água e à comida; Polônia já declarou estado de emergência após entrada de milhares de afegãos e iraquianos.