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Guterres faz apelo aos líderes globais para acabar com “Seis Grandes Divisões”

“Estou aqui para tocar o alarme. O mundo precisa acordar” – foi assim que o secretário-geral da ONU iniciou seu discurso na abertura da 76ª sessão de alto nível da Assembleia Geral, esta terça-feira, 21 de setembro, em Nova Iorque. 

No palanque do órgão, António Guterres enviou uma mensagem aos líderes globais, lamentando que o mundo “nunca esteve tão ameaçado nem tão dividido”.  

Situação “obscena” com vacinas da Covid 

Assembleia Geral da ONU, conhecida como UNGA, na sigla em inglês .

Foto: UN Photo/JC McIlwaine

Assembleia Geral da ONU, conhecida como UNGA, na sigla em inglês .

O chefe da ONU mencionou fotografias que mostram vacinas contra a Covid-19 no lixo, com prazo de validade vencido e criticou a desigualdade na distribuição dos imunizantes. 

Guterres lembrou que enquanto a maioria dos países ricos está vacinada, mais de 90% dos africanos ainda esperam receber a primeira dose. Para o secretário-geral, “isto é uma obscenidade” e destacou que o mundo “passou no teste da ciência, mas está ganhando nota F em Ética”. 

A mudança climática também foi um dos pontos altos do discurso do secretário-geral. Aos países-membros da ONU, ele lembrou ser preciso cortar 45% das emissões de gases até 2030. 

António Guterres lamentou ainda que ao “invés de um caminho de solidariedade, o mundo caminha para um reta final de destruição”. Mas o chefe da ONU ainda tem esperanças e também afirmou que agora é a hora da verdade e o momento de se restaurar a confiança. 

As seis grandes divisões do mundo  

O secretário-geral vê “Seis Grandes Divisões” mundiais, ou os “Seis Grand Canyons”  (em alusão ao parque nacional americano), que precisam imediatamente de uma ponte. A primeira está ligada à paz, que chamou “um sonho distante” para muitas pessoas no mundo. 

O chefe da ONU mencionou as crises no Afeganistão, na Etiópia, em Mianmar, no Iêmen, na Líbia e na Síria. Para combater a impunidade, Guterres pediu mais investimentos em prevenção de conflitos, combate ao terrorismo e construção da paz. 

António Guterres quer também fez um apelo para que haja pontes para acabar com as divisões climática, entre ricos e pobres, entre os gêneros e digital. Ele pediu que todas as pessoas do mundo tenham acesso à internet até 2030.  

Esperança para os jovens  

O secretário-geral da ONU encerrou o discurso solicitando uma ponte para fechar as divisões entre gerações, uma vez que “os jovens herdarão as consequências das decisões boas e ruins da geração atual. 

Guterres mencionou que muitos integrantes do grupo sofrem de ansiedade e depressão, mais de 60% se sentem traídos por seus governos e precisam de uma “visão de esperança para o futuro”.  

Ele anunciou a criação do Escritório para Juventude das Nações Unidas e informou que vai nomear um Enviado Especial para Gerações Futuras. 

Aos líderes mundiais, o chefe das Nações Unidas afirmou ser a hora da transformação, a era das possibilidades e a era para reacender o multilateralismo. 

OMS anuncia ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown como embaixador 

O ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, foi nomeado embaixador para o Financiamento Global da Saúde. 

Ao anunciar a escolha, a Organização Mundial da Saúde, OMS, realçou que o ex-premiê é largamente reconhecido “por ter evitado uma segunda Grande Depressão” quando aconteceu a Cúpula do grupo das maiores economias mundiais, G-20, em Londres em 2009.  

Crise 

A OMS destaca ainda a mobilização feita por Brown a líderes mundiais para uma promessa adicional de US$ 1,1 trilhão para restaurar o crédito, o crescimento e os empregos em favor da economia mundial na crise financeira global da época. 

A agência da ONU realça ainda o que considera como “campanha incansável” realizada nos últimos meses para que as nações ricas e o setor privado garantam a distribuição equitativa das vacinas da Covid-19.” 

Ex-chefe do governo britânico prioriza trabalho conjunto para incentivar vacinação contra a Covid-19

ADB/Veejay Villafranca

Ex-chefe do governo britânico prioriza trabalho conjunto para incentivar vacinação contra a Covid-19

Nesses esforços, Brown tem defendido “um esforço global combinado para salvar vidas, especialmente nos países mais pobres, para ajudar a acabar com a pandemia e a restaurar os meios de subsistência em todo o mundo”. 

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, expressou satisfação e honra porque o ex-premiê britânico concordou em servir como embaixador da agência que dirige, em defesa do financiamento global da saúde. 

Financiamento 

Ghebreyesus explicou ainda que nas novas funções, Brown elevará e apoiará o trabalho da OMS “para aumentar a consciência internacional sobre a grande necessidade de financiamento sustentado para a saúde global.” A atuação de Brown terá maior foco junto aos países do G-20 e do grupo das economias mais avançadas, G-7. 

A nota anunciando o novo embaixador do Financiamento Global elogia ainda o “intelecto aguçado, o compromisso firme e o profundo senso de justiça” do ex-premiê que carrega para a nova tarefa. 

Maioria dos países teve quedas nas taxas de vacinação infantil na pandemia em 2020

Unicef/Helene Sandbu Ryeng

Maioria dos países teve quedas nas taxas de vacinação infantil na pandemia em 2020

Após aceitar a nomeação, Brown manifestou grande satisfação por poder ajudar o trabalho da agência “na obtenção de financiamento global para garantir que todos tenham acesso à saúde”. 

O ex-chefe do governo britânico aponta que a tarefa imediata será trabalhar em conjunto para que seja incentivada a vacinação em todo o mundo e para “proteger os países mais pobres dos efeitos da Covid-19 e de outras doenças.” 

Guterres deixa alerta a líderes mundiais

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alerta que os líderes mundiais têm de compreender que estamos à beira do precipício e que o mundo se está a movimentar na direção errada. Em vésperas do início da semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU, Guterres lembra a injustiça e a desigualdade na vacinação e os problemas que esta situação causa para combater de forma eficaz o Covid-19.  

Em entrevista à ONU News, Guterres lembrou ainda que não há um acordo em questões essenciais para garantir o êxito da COP-26, o que poderá levar a uma catástrofe climática.

Veja resumo da entrevista em português:

Veja a entrevista em inglês na íntegra aqui.

Semana Mundial para #Act4SDGs

A Semana Mundial para #Act4SDGs tem como objetivo conduzir uma ação coletiva em prol dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) através do registo de ações individuais e coletivas para acelerar a implementação dos ODSs, até 2030.

Realizada durante a semana de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), a mobilização deste ano tem como objetivo impulsionar a ação na Cimeira dos Sistemas Alimentares, a pré-COP em Milão e será mantida no âmbito da COP26, em Glasgow.

Como podemos agir?

Através de uma ação individual de divulgação dos ODSs podemos apelar aos líderes mundiais que tomem ações concretas para acelerar a implementação destes objetivos.

É fundamental que haja uma cooperação entre governos e sociedade civil para mostrar que existe esperança para além da pandemia e que podemos recuperar de forma saudável, justa e sustentável, cumprindo a promessa dos ODSs, até 2030.

 Diálogos “Turning Point

Os Diálogos “turning point” integram a Semana Mundial para #Act4SDGs e têm como objetivo informar e inspirar os participantes sobre questões como a ação climática, a pobreza, os direitos humanos e o combate às desigualdades. Através do diálogo, decisores políticos e agente de mudança alnçarão um apelo à ação para que a sociedade civil alterar o seu quotidiano e  tomar decisões em prol dos ODSs.

Junte-se a nós, entre os dias 17 a 28 de setembro e registe as suas ações.

Guterres aponta “momento de mudar de rumo”, antes da reunião de líderes globais

O secretário-geral, António Guterres, falou à ONU News às vésperas da sessão de abertura da 76ª Assembleia Geral.  

Em mensagem para os líderes globais, o chefe da ONU apontou para a necessidade do fortalecimento das relações multilaterais. Guterres lembrou dos desafios crescentes enfrentados em nível global nos últimos anos. 

Nova direção

O secretário-geral afirma que o mundo deve embarcar para uma nova direção, considerando situações como combate à pandemia, ação climática e instabilidade política. 

Secretário-geral da ONU, António Guterres, em entrevista sobre Nossa Agenda Comum

UN Photo/Eskinder Debebe

Secretário-geral da ONU, António Guterres, em entrevista sobre Nossa Agenda Comum

Para Guterres, o multilateralismo se torna uma importante ferramenta, já que os países não possuem capacidade de resolver desafios globais de forma independente. 

Esse é o principal ponto da Nossa Agenda Comum, relatório publicado este mês pelo secretário-geral. 

A cidade de Glasgow preparava-se para acolher mais de 30000 delegados na COP26.

Unsplash/Adam Marikar

A cidade de Glasgow preparava-se para acolher mais de 30000 delegados na COP26.

Urgência 

Destacando que o mundo está em um momento delicado e sem retorno, ele apela aos líderes, especialmente das principais potências, que tomem frente em redirecionar o planeta. 

O secretário-geral lembrou que ainda não há consenso em temas importantes, como as questões que serão debatidas na Cúpula do Clima, COP-26, agendada para outubro em Glasgow, na Escócia.

Guterres também ressalta a necessidade urgente de se garantir acesso à vacina em todo o mundo e diminuir a desigualdade de imunizados. 

O chefe da ONU também citou o aumento de conflitos que o planeta vem testemunhando e destaca haver uma “sensação de impunidade”. 

Os debates de alto nível devem juntar 104 chefes de Estado e de governo e 23 ministros em nome de seus países. Líderes de várias nações deverão discursar via vídeo, no evento que encerra em 27 de setembro. 

Mensagem do secretário-geral na íntegra 

Creio que este é um momento de tocar o alarme. Creio que este é o momento de fazer com que os líderes compreendam que estamos à beira do precipício e estamos a movimentar-nos na direção errada.  

Vejamos a injustiça e a desigualdade na vacinação com os problemas que isso causa para combater efetivamente o Covid-19.  

Vejamos que ainda não há um acordo em questões essenciais para garantir o êxito da COP-26 e corremos o risco de uma catástrofe do ponto de vista climático.  

Vejamos os conflitos que se têm se multiplicado nos últimos tempos. Guerras e golpes de Estado numa sensação de impunidade. 

É preciso que os líderes, especialmente das potências mais importantes, acordem e compreendam que este é o momento de mudar de rumo e unir esforços para enfrentar os terríveis desafios que o planeta e nós – as mulheres e os homens – estamos a enfrentar. 

OMS pede adoção de 5 Metas no Dia Mundial da Segurança do Paciente

O Dia Mundial da Segurança do Paciente é marcado nesta sexta-feira, 17 de setembro, com a Organização Mundial da Saúde fazendo um apelo à garantia da segurança na hora do parto. 

Segundo a agência da ONU, todos os dias, cerca de 800 mulheres e 6,7 mil bebês morrem durante o parto ou logo após o nascimento. Além disso, o número diário de natimortos chega a 5,4 mil, sendo que 40% dessas mortes ocorrem devido a problemas na hora de nascer.  

Mãe e filho em hospital na Mongólia após o parto

Unicef/Jan Zammit

Mãe e filho em hospital na Mongólia após o parto

Intervenções desnecessárias  

A OMS explica que essas situações acontecem devido a diagnósticos incorretos ou que chegam tarde demais; erros médicos; erros cirúrgicos ou ligados à anestesia; transfusões inseguras; falta de práticas de controle de infecções; intervenções desnecessárias ou maus tratos.  

A segurança materna e neonatal é o tema do dia mundial este ano. A OMS está pedindo a líderes de hospitais e a trabalhadores de saúde de todo o mundo para adotarem um conjunto de cinco metas:  

– Partos seguros e com respeito 

– Reduzir práticas desnecessárias e prejudiciais às mulheres e bebês durante o parto;  

– Reforçar a capacidade e o apoio aos trabalhadores de saúde para cuidados seguros às mães e recém-nascidos; 

– Melhorar o uso seguro de medicamentos e de transfusões de sangue durante o nascimento;  

– Reportar e analisar os incidentes que acontecem durante o parto.  

Em cinco países em todo o mundo: República Dominicana, Brasil, Chipre, Egito e Turquia, as cesarianas agora superam a quantidade de partos normais

Opas

Em cinco países em todo o mundo: República Dominicana, Brasil, Chipre, Egito e Turquia, as cesarianas agora superam a quantidade de partos normais

Cor laranja  

Para marcar o Dia Mundial da Segurança do Paciente, a OMS sugere que monumentos, pontos históricos e outros locais públicos sejam iluminados de laranja neste 17 de setembro.  

A OMS explica que as Cinco Metas do Dia Mundial da Segurança do Paciente buscam também acelerar as ações para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, ODSs.  

Faz parte da Agenda 2030 reduzir a mortalidade materna e acabar com mortes de recém-nascidos que poderiam ser evitadas.  

Venezuela: Inquérito ao judiciário cita papel na “repressão de opositores do governo”

Constatação é de novo relatório apresentado nas Nações Unidas; especialistas querem investigação e punição dos autores de violações dos direitos humanos; mulheres são 16% das pessoas detidas pelas autoridades entre 2014 e 2021. 

Momento crucial para ação climática: está acabando o tempo para evitar um aquecimento catastrófico

Um relatório inédito publicado esta quinta-feira por várias agências das Nações Unidas mostra que as concentrações de gases na atmosfera atingiram níveis recorde e o planeta está caminhando para enfrentar um aquecimento muito perigoso.

“Unidos pela Ciência 2021” é um documento que comprova que apesar das reduções de gases durante os confinamentos da pandemia de Covid, o mundo não está nada perto de atingir as metas do Acordo de Paris.

Incêndio florestal na Califórnia em 2020.

San Francisco Fire Department

Incêndio florestal na Califórnia em 2020.

Um mundo em perigo

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirma que o número de desastres naturais já é cinco vezes maior do que os registros de 1970, incluindo ondas de calor fatais, furacões, enchentes e incêndios.
Segundo Guterres, “essas mudanças são apenas o começo do pior que está por vir”. O chefe da ONU faz um alerta: sem reduções imediatas e em larga escala das emissões de gases, será impossível limitar o aumento da temperatura global a 1,5° C e as “consequências serão catastróficas.”

Vítima do ciclone Idai na Beira.

PMA/Deborah Nguyen

Vítima do ciclone Idai na Beira.

Cenário angustiante 

De acordo com cientistas, o aumento da temperatura global já está causando eventos extremos do clima, com enorme impacto nas economias e nas sociedades. 

O relatório Unidos pela Ciência sugere um cenário angustiante: mesmo com ação ambiciosa para cortar as emissões de gases, o nível do mar continuará subindo e ameaçando ilhas e populações que vivem em áreas costeiras. 

António Guterres é claro: “o tempo está acabando” e “é preciso agir agora para evitar mais danos irreversíveis”. O secretário-geral vê a COP26, em novembro, como a chance de um ponto de virada na situação.

Guterres faz um apelo a todos os países, para se comprometerem em atingir emissões zero até meados do século e para apresentarem estratégias claras, de longo prazo, para que a meta seja alcançada. 

A Conferência 2021 da ONU sobre Mudança Climática, conhecida como COP26, acontecerá entre os dias 31 de outubro e 12 de novembro em Glasgow, na Escócia. A expectativa é de que os líderes mundiais decidam os rumos da ação climática para a próxima década. 

Nas ilhas Seychelles, meta é melhorar a proteção costeiras e impactos do aumento do nível do mar.

Foto: NOOR/Kadir van Lohuizen

Nas ilhas Seychelles, meta é melhorar a proteção costeiras e impactos do aumento do nível do mar.

Descobertas notáveis 

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, OMM, reduzir as concentrações de metano, CH4, na atmosfera a curto prazo poderá ajudar no alcance das metas do Acordo de Paris. Mas a medida não elimina a necessidade de reduções mais fortes e rápidas de CO2 e outros gases. 

Já o Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, alerta que a diferença entre o nível atual de emissões e o nível estipulado pela ciência até 2030 é maior do que nunca. 

Um futuro mais quente 

O relatório explica que a temperatura global será em média 1°C mais quente do que os níveis da era pré-industrial (1850-1900) em cada um dos próximos cinco anos, e é muito provável que fique entre 0,9° e 1,8°C. 

Existe ainda 40% de chance de que a temperatura em um dos próximos cinco anos seja 1,5° C mais quente do que os níveis pré-industriais. No entanto, o relatório destaca que será difícil a temperatura média ultrapassar 1,5 ° C no período 2021-2025.

Regiões de alta latitude e o Sahel provavelmente estarão mais húmidas nos próximos cinco anos. Em relação ao nível do mar, a expectativa é de aumento entre 0,3 e 0,6 m ate 2100, mesmo se as emissões de gases forem reduzidas e o aquecimento global menor do que 2° C. 

Saúde mundial em risco

A Organização Mundial da Saúde, que também assina o estudo, alerta para aumento das mortes por calor extremo. Segundo a agência, 103 bilhões de horas de trabalho foram perdidas em 2019, na comparação com os índices de 2000, com trabalhadores afetados pelo clima. 

Além da Covid-19, ondas de calor, incêndios e má qualidade do ar são fatores que ameaçam a saúde humana, colocando em risco especial as populações mais vulneráveis.

O relatório Unidos pela Ciência foi produzido pela Organização Meteorológica Mundial, OMM; Programa da ONU para o Meio-Ambiente, Pnuma; Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, IPCC; Projeto Global de Carbono, GCP; Programa Mundial de Pesquisa sobre o Clima, WCRP, e Met Office, do Reino Unido. 

Bachelet pede moratória para venda e uso da Inteligência Artificial

Alta comissária da ONU para os Direitos Humanos defende pausa até que políticas adequadas de proteção entrem em vigor; Michelle Bachelet menciona impactos “negativos e catastróficos” da IA. 

UNICEF Portugal lança iniciativa “TENHO VOTO NA MATÉRIA”

Hoje, de 15 de Setembro, assinala-se o Dia Internacional da Democracia, instituído pelas Nações Unidas em 2007, com o objectivo de alertar para a necessidade de defesa nas sociedades e a nível político, de princípios como a igualdade de direitos, paz e desenvolvimento sustentável. Neste dia, a UNICEF Portugal lança uma iniciativa inédita em Portugal com o objectivo de “afirmar que as crianças e os jovens também podem participar na reflexão democrática em período de campanha eleitoral”.

 

Tenho voto na matéria” é o nome da mais recente iniciativa da UNICEF Portugal, que tem como objectivo dar voz às crianças e aos jovens neste período de reflexão e debate de ideias para as eleições autárquicas, sensibilizando para a importância da participação das crianças e jovens na construção de uma cidadania activa e democracia participada. A participação, pilar fundamental de direitos, é também condição para o exercício de governação – autárquico – completo e integrado. Crianças e jovens devem ter na comunidade em que se inserem, condições para que as suas opiniões, desejos e vontades sejam ouvidas e consideradas pelos decisores, de forma regular e permanente.

A UNICEF Portugal lança assim uma auscultação a todas as crianças e jovens que vivem em Portugal, sobre o que querem para as suas comunidades e como gostariam de ser ouvidos, concretamente ao nível local.

A recolha das opiniões e ideias de crianças será realizada através de um inquérito online disponível em www.unicef.pt/tenhovotonamateria, entre 15 e 26 de Setembro. Durante este período a UNICEF vai também promover sessões de discussão com crianças e jovens, através da colaboração com organizações locais, instituições que acolhem crianças, escolas e associações juvenis e outros parceiros essenciais na recolha desta informação. Com vista a esclarecer e apoiar na realização deste inquérito que se quer o mais abrangente possível, a UNICEF disponibiliza também um Guia para as escolas e demais entidades parceiras, com materiais pedagógicos e lúdicos sobre cidadania activa, democracia, participação e direitos da criança.

 

A Diretora Executiva da UNICEF Portugal, Beatriz Imperatori,afirma que “A participação democrática não se resume ao acto do voto. A participação no debate e reflexão que antecede o acto eleitoral do próximo dia 26 é um direito – e dever – das crianças e dos jovens.  Os candidatos devem ouvir aqueles para quem vão governar, as crianças e jovens têm uma perspectiva única do local onde crescem e vivem, que deve ser tida em conta. Esperamos que o resultado desta participação leve à assunção de compromissos concretos para os jovens e crianças. Esta iniciativa tem como objectivo isso mesmo: proporcionar às crianças e jovens de todo o país, a oportunidade de expressarem as suas opiniões e partilharem as suas ideias e sugestões com os titulares do poder público local para que as soluções que desenvolvam considerem também esta perspectiva única que contribui para a qualidade das suas comunidades e o bem-estar de todos”.

 Sobre o Inquérito

O inquérito a que crianças e jovens responderão foi elaborado por um Grupo Consultivo, constituído por crianças e jovens entre os 13 e os 17 anos: 11 raparigas e 7 rapazes, de diferentes partes do país (como, entre outros, Vila Nova de Gaia, Ovar, Porto, Sintra, Estoril ou Alverca do Ribatejo), bem como crianças refugiadas da Síria.

Respeitando o princípio da pluralidade, da inclusão e da diversidade, todos os elementos deste Grupo Consultivo têm contextos e histórias de vida diferentes – desde crianças em acolhimento institucional, a viver em contextos de vulnerabilidade económica e social, de etnia cigana, com deficiência ou crianças refugiadas – o que permitiu um debate e uma partilha de ideias profundos e variados sobre a sociedade e a comunidade, o papel de cada um nestes contextos e o que pode ser melhorado.

Os resultados desta consulta serão compilados num Relatório Final que será publico e divulgado junto de decisores políticos, apelando à realização de um compromisso político para que sejam introduzidas mudanças reais na vida das crianças e dos jovens.

A UNICEF Portugal acompanhará todo este processo, com estratégias que permitam incluir a opinião de todas as crianças e jovens, nomeadamente através do trabalho que já desenvolve com os municípios no âmbito do programa Cidades Amigas das Crianças.

76ª sessão da Assembleia Geral da ONU: resiliência através da esperança

Abdulla Shahid, President of the seventy-sixth session of the United Nations General Assembly, takes the oath of office during the 105th and closing meeting of the seventy-fifth session of the General Assembly.

Começou esta terça-feira a 76ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. O novo presidente eleito do órgão, Abdulla Shahid, das Maldivas, apresentou cinco prioridades a que chamou “cinco raios de esperança”, que irão marcar a nova sessão da Assembleia Geral:  recuperar no pós-pandemia, reconstruir a sustentabilidade, responder às necessidades do planeta, respeitar os direitos das pessoas e revitalizar as Nações Unidas”.

UN Photo/Evan Schneider

Conferências de Alto Nível

Durante as primeiras semanas da 76ª sessão terão lugar várias conferências de Alto Nível que darão ênfase a dias internacionais como o Dia da Eliminação das Armas Nucleares e o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, em memória das vítimas da escravatura e do tráfico transatlântico. Serão, também, realizados encontros de alto nível para comemorar o 20º aniversário da adoção da Declaração e do Programa de Ação de Durban sobre o combate ao racismo e diálogos interativos sobre tópicos ambientais, entre outros.

O Tráfico de Pessoas é tema de destaque e contará com várias sessões especiais de Alto Nível.

Cimeira da ONU sobre Sistemas Alimentares

Um dos eventos mais aguardados da nova sessão será a Cimeira da ONU sobre Sistemas Alimentares, no dia 23 de setembro. A reunião deve preparar o cenário para a transformação do setor com vista a atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), até 2030.

Presidente Marcelo Rebelo de Sousa marca presença

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, marcará presença no debate geral da Assembleia a 21 de setembro.

O encontro reunirá mais de 100 chefes de Estado e de governo.

Dia Internacional da Democracia destaca importância de garantir mais participação

Este 15 de setembro marca o Dia Internacional da Democracia. Em mensagem, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lembrou que o mundo ainda está se recuperando de 18 meses de pandemia que deixou aprendizados. 

Para o chefe das Nações Unidas, essas lições devem ser capazes de fortalecer a democracia e ajudar na superação de crises futuras. 

Eleições em Bangui, capital da República Centro-Africana

Herve Serefio

Eleições em Bangui, capital da República Centro-Africana

Desigualdades 

O chefe da ONU seguiu afirmando que reforço também significa abordar as injustiças sociais geradas pela crise, desde as desigualdades de gênero até ao desequilíbrio no acesso a vacinas e atendimento de saúde. Ele também cita o acesso a conexão à internet e aos serviços online. 

Guterres lembra que os principais impactos são sentidos pelos mais desfavorecidos e que essas desigualdades históricas são uma ameaça à democracia. 

Covid-19 

Com os avanços alcançados contra a pandemia de Covid-19, Guterres faz apelo pelo fim das emergências declaradas pelos países para lidar com a situação.  

O secretário-geral afirma que essas leis extraordinárias não devem ser normalizadas, já que podem representar uma ameaça para o futuro do Estado de direito. 

Ele reforçou que todas as crises representam uma ameaça à democracia, uma vez que os direitos, especialmente dos mais vulneráveis, são rapidamente esquecidos. Por essa razão, ele defendeu a proteção dos direitos humanos como um elemento-chave.  

Eleições na Somália em 2016

Pnud Somalia

Eleições na Somália em 2016

Participação 

O secretário-geral destaca que o fortalecimento da democracia deve passar pela participação genuína de todos nas tomadas de decisão.  

Protestos pacíficos e a participação de mulheres, minorias religiosas e étnicas, comunidades indígenas, pessoas com deficiência, defensores de meio ambiente e jornalistas devem ser levados em conta na formação de sociedades saudáveis. 

Ele afirma que a democracia não sobrevive nem se fortalece em lugares sem espaços cívicos. 

Futuro 

Outro pedido do secretário-geral é que continue o compromisso com um futuro em que os direitos humanos e o Estado de direito sejam fundamentais para a democracia.  

Guterres acredita que os princípios de igualdade, da participação e da solidariedade sejam fundamentais para se enfrentar melhor as futuras crises. 

Ministro da Defesa de Portugal visita missão da ONU na RCA

Foto MINSUCA

O ministro da Defesa de Portugal, João Gomes Cravinho, fez uma visita oficial à República Centro-Africana (RCA), no passado dia 11 de setembro, no âmbito da transição do comando da Missão de Formação da União Europeia (MFUE), do brigadeiro-general Paulo Neves de Abreu, de Portugal, para o brigadeiro-general Jacques Langlade de Montgros, da França.

A cerimónia contou ainda com a presença do chefe de Estado, Faustin Archange Touadera, e do representante especial do secretário-geral das Nações Unidas, Mankeur Ndiaye.

Esta visita constitui também uma oportunidade para o ministro português discutir com o chefe da Missão da ONU na República Centro-Africana, MINUSCA, sobre o contributo de Portugal para a missão, nomeadamente através da Força de Reação Rápida e da formação dada às Forças Armadas Centro-africanas (FACA) pela MFUE.

 

Colaboração

O ministro lembrou que Portugal está presente na RCA há 5 anos e afirmou que “estamos muito felizes por poder trabalhar com as autoridades do país.” Cravinho reconheceu que persistem “algumas dificuldades mas sabemos que é necessário trabalhar mais para a estabilidade política e militar da RCA, de modo que os grandes temas do país dominaram a nossa conversa com o representante especial do secretário-geral das Nações Unidas”, declarou.

O chefe da MINUSCA, Mankeur Ndiaye, sublinhou a importância desta cooperação com Portugal, recordou o trabalho essencial que as suas tropas estão a realizar no terreno e elogiou elogiou o trabalho da Força de Reação Rápida de Portugal afirmando que “é um dos mais dinâmicos e apreciados no terreno”, especialmente quando a MINUSCA viveu a crise de dezembro de 2020. Ndiaye, destacou também que “foi a Força de Reação Rápida Portuguesa que esteve na linha da frente em Bossembele,  desempenhando um papel extremamente importante na implementação do plano integrado para garantir a realização das eleições”.

Reforma na segurança

Por sua vez, o Ministro saudou o trabalho da MINUSCA pelo seu trabalho na reforma do setor de segurança na RCA.

A MINUSCA e a União Europeia (UE) mantêm uma boa colaboração na RCA, que resulta, entre outras coisas, em consultas regulares ao nível da hierarquia e nas atividades desenvolvidas com a MFUE e o Conselho da Missão da União Europeia.

A MFUE na República Centro-Africana é composta por 8 Estados-membros, incluindo Portugal, com o objetivo de dar formação às Forças Armadas Centro-africanas, no âmbito da Reforma do Setor de Segurança.

Líder da 76ª Assembleia Geral lista prioridades da “Presidência da Esperança” 

Em entrevista antes de assumir a presidência da 76ª sessão da Assembleia Geral, neste 14 de setembro, o maldivo Abdulla Shahid assinala que a esperança é hoje “absolutamente necessária” para bilhões de pessoas no mundo.  

Em momento de ação contra a pandemia, a devastação e os conflitos, o novo líder acrescenta que “o órgão mais representativo nas Nações Unidas está em uma posição ideal para dar forma a essa esperança”. 

Caminho  

Segundo ele, o combate à Covid-19 é uma questão que está no topo no mandato que inicia esta terça-feira e termina em setembro de 2022.  

Abdulla Shahid durante discurso, após ser eleito presidente da 76ª sessão da Assembleia Geral

ONU/Loey Felipe

Abdulla Shahid durante discurso, após ser eleito presidente da 76ª sessão da Assembleia Geral

O presidente-eleito apontou como sua grande prioridade convocar um evento sobre a vacina, no início do próximo. A reunião deve juntar os países para fazer um balanço e traçar o caminho a seguir. 

Abdulla Shahid explicou que o evento não será para apontar dedos, mas para comunicar os dizeres da Carta da ONU contidos na mensagem “Nós, os povos”. Ele reiterou que as Nações Unidas assumiram o compromisso político em uma plataforma comum de que “na luta contra a pandemia, o povo vencerá”, e isso será feito no novo mandato por ele acreditar que seja possível.  

As prioridades do ano incluem liderar pelo exemplo para levar a organização a um “padrão-ouro” em questões como a igualdade de gênero. Ele disse que fará valer na própria equipe de trabalho a experiência anterior na frente do Ministério das Relações Exteriores nas Maldivas em favor do equilíbrio entre homens e mulheres.  

Presidência 

O chanceler do país lembrou que muitos cargos altos da instituição são agora ocupados por mulheres e disse ter assumido o compromisso de que ‘não participará de nenhum painel sem equilíbrio’, em termos de participantes de ambos os sexos. 

Shahid realça que dará primazia a questões como mudança climática

OMM/Ahmed Shuau

Shahid realça que dará primazia a questões como mudança climática

Outra aposta serão sessões regulares realizadas com mulheres representantes permanentes em Nova Iorque, para colher seus pontos de vista e “garantir que a questão de gênero continue sendo uma das prioridades durante a presidência.” 

Ao longo da entrevista, Shahid reiterou a importância da cooperação e da ideia de que os desafios globais exigem uma ação global unificada. 

Ele ressaltou que a Assembleia Geral é o único órgão que tem os 193 países representados e que, ao se expressar em unanimidade quando se decide sobre um determinado assunto, é a consciência internacional que se faz ouvir. 

Shahid realçou ainda que dará primazia a questões como mudança climática e o acesso equitativo às vacinas, temas sobre os quais reitera que “nunca perderá a esperança de que a humanidade estará à altura de enfrentar”. 

Poderes de coerção 

Mesmo sem possuir poderes de coerção para os Estados, Shahid disse que a Assembleia Geral “estabelece normas, mostra o caminho a seguir e traça os limites, quanto ao que é aceitável e ao que não é”.  

O chanceler das Maldivas lembrou que muitos cargos altos da instituição são agora ocupados por mulheres

ONU/Rick Bajornas

O chanceler das Maldivas lembrou que muitos cargos altos da instituição são agora ocupados por mulheres

Ele declarou que deste modo, acredita que o órgão mais importante das Nações Unidas e do mundo é a Assembleia Geral das Nações Unidas pela “autoridade moral para definir padrões.” 

Abdulla Shahid contou que concorrer para liderar o órgão foi a melhor decisão que tomou, por essa ser “a única oportunidade para fazer a diferença e “em que um país pequeno como as Maldivas pode fazer a diferença.” 

Para o povo maldivo disse tratar-se de uma grande honra e privilégio ter um cidadão na frente da Assembleia Geral, e que a expetativa é que o legado da “Presidência da Esperança” permaneça por um longo tempo. 

Agenda Comum da ONU: O futuro da humanidade depende do multilateralismo

Eskinder Debebe

O relatório da Agenda Comum das Nações Unidas, realizado no contexto do 75° aniversário da Organização, concluiu que o futuro da humanidade depende da cooperação global e de um multilateralismo mais inclusivo, interligado e eficaz.

As recomendações do relatório, apresentado pelo secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, à Assembleia Geral, identificaram quatro principais áreas de ação multilateral para os próximos 25 anos:

1 – Renovação do contrato social, fundamentada nos direitos humanos, para reconstruir a confiança e a coesão social.

A maioria dos problemas mundiais estão enraizados na pobreza, na fome, desigualdade de acesso a cuidados de saúde, educação e habitação, crescentes disparidades e injustiças, bem como na desinformação e falta de confiança nas instituições.

Neste contexto a ONU considera que é fundamental introduzir um código de conduta global que promova uma comunicação pública mais factual, bem como uma cooperação financeira entre os Estados, proteção social universal que ajude a erradicar a violência contra mulheres e meninas; e determinar novas formas de medição de progresso e de prosperidade.

2 – Apostar no futuro, mostrando mais solidariedade para com os jovens e as gerações futuras.

Aqueles que vão herdar as consequências das decisões de hoje não estão devidamente representados no processo de tomadas de decisões, por isso, são necessárias medidas transformadoras na educação e na aprendizagem ao longo da vida, melhores modelos de previsão do impacto das decisões políticas a longo prazo e a nomeação de um Enviado Especial da ONU para as Gerações Futuras.

3 – Ações urgentes para proteger o mar, a atmosfera, o ártico e o espaço – e os bens públicos mundiais – como a paz, a segurança económica e a saúde.

Esta agenda recomenda ainda a definição de um plano mundial de vacinação contra a covid-19, melhorar os processos de preparação para futuras crises globais, com a criação de uma plataforma de emergência mundial, e a redefinição das preocupações da agenda internacional, nomeadamente relativas à paz, à ação climática após 2030, aos bens comuns digitais e ao espaço sideral.

4 – Uma ONU atual e ajustada a uma nova era, capaz de oferecer melhores soluções multilaterais e relevantes para os desafios do século XXI.

Esta transformação será realizada através do uso de factos e dados científicos, sendo a ONU a principal fonte de informação factual e objetiva, e promovendo um maior envolvimento com governos locais e regionais, a sociedade civil, os parlamentos e o setor privado.

As escolhas que fazemos hoje podem resultar num futuro de crises perpétuas ou num avanço para um futuro melhor, mais sustentável e pacífico. Para alcançar um avanço decisivo, é necessário reconhecer que o futuro da humanidade depende da solidariedade, confiança e da nossa capacidade de trabalhar em conjunto para atingir objetivos comuns.