As mulheres no Afeganistão desempenham um “papel crítico” no fornecimento de ajuda humanitária, comunicou o secretário-geral adjunto para os Assuntos Humanitários e Coordenador de Ajuda de Emergência, Martin Griffiths, à liderança taliban em Cabul.
A pedido do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, Griffiths visitou o Afeganistão onde se reuniu com Mullah Baradar, o vice emir do Emirado Islâmico afegão, para discutir os problemas humanitários que afetam o país.
Durante a reunião, o coordenador de ajuda de emergência da ONU pediu a proteção de todos os civis, “especialmente mulheres, meninas e minorias”.
De acordo com o porta-voz do secretário-geral da ONU, Martin Griffiths expressou ainda a sua solidariedade para com o povo afegão e reiterou o compromisso da comunidade humanitária de “fornecer assistência e proteção imparcial e independente” a “milhões de pessoas necessitadas”.
Em resposta, as autoridades talibans comprometeram-se a assegurar a segurança e a proteção das equipas de ajuda humanitária, garantindo o acesso da assistência providenciada a todas as pessoas necessitadas e a liberdade de movimento dos trabalhadores humanitários, tanto homens como mulheres.
“As autoridades comprometeram-se a cooperar com a comunidade humanitária para garantir que a ajuda chega a todos os que dela necessitam.”, garantiu o porta-voz da ONU, revelando que mais reuniões se irão realizar nos próximos dias.
O chefe humanitário das Nações Unidas também irá reunir com representantes de órgãos da ONU e outras organizações humanitárias presentes no país, para expressar gratidão pela sua permanência no Afeganistão e esforço incansável no auxílio de aproximadamente 8 milhões de pessoas este ano.
O porta-voz acrescentou que é necessário um aumento urgente no financiamento para que “as operações humanitárias possam continuar” enfatizando que a Organização continua a expressar a sua “solidariedade para com o povo do Afeganistão”.
O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários esteve reunido com Mullah Baradar e outros líderes do movimento Talibã no domingo, em Cabul. A ida de Martin Griffiths à capital do Afeganistão aconteceu a pedido do secretário-geral António Guterres.
A entrega de ajuda humanitária ao país esteve no centro do encontro com os talibãs. O representante da ONU pediu a proteção de todos os civis, em especial de mulheres, de meninas e das minorias e fez ainda um apelo ao movimento “para garantir seus direitos e bem-estar”.
Compromissos
Griffiths também expressou solidariedade com o povo afegão e destacou que a comunidade humanitária está comprometida em entregar assistência e proteção a milhões de pessoas necessitadas no país, de “forma imparcial e independente”.
Comida e cobertores são entregues em Cabul, capital do Afeganistão
Segundo o porta-voz da ONU, as autoridades to Talibã afirmaram no encontro que estão comprometidas com “a segurança dos trabalhadores humanitários” e deram garantias de permitir “acesso humanitários a todos que precisam e liberdade de movimento de homens e mulheres que trabalham com a entrega de assistência”.
O Talibã teria confirmado ainda estar comprometido em cooperar com a comunidade humanitária para garantir que a assistência é entregue ao povo afegão. Martin Griffiths deverá encontrar-se esta semana com representantes de agências da ONU e de organizações humanitárias no Afeganistão.
Metade da população do país, ou cerca de 18 milhões de pessoas, depende de ajuda para sobreviver e um terço não sabe de onde virá sua próxima refeição.
Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulga relatório onde destaca que mais de quatro mil milhões de pessoas vivem hoje sem qualquer tipo protecção social e destaca como a pandemia fez aumentar as despesas governamentais em cerca de 30%.
Apesar dos esforços dos governos em fazer chegar uma maior proteção social à população, durante a pandemia, mais de 4 mil milhões de pessoas continuam sem qualquer tipo de apoios. Este é o principal tema de um estudo divulgado esta quarta-feira pela OIT.
A entidade destaca que a resposta à pandemia foi “desigual e insuficiente, aumentando ainda mais a lacuna entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.”
Desemprego e pandemia
A OIT explica que a segurança social inclui acesso a cuidados de saúde e segurança salarial, especialmente em relação à idade, ao desemprego, a doenças, a incapacidades, a acidentes de trabalho, licença de maternidade e benefícios para famílias.
O diretor-geral da Organização, Guy Ryder, declarou que os “países estão numa encruzilhada” e acredita que este é um “momento crucial para aproveitar a resposta à pandemia e criar uma nova geração de sistemas de proteção social”. Segundo Ryder, só assim é que “os trabalhadores e as empresas terão a segurança para enfrentar transições futuras com confiança e esperança”.
A OIT destaca que apenas 47% da população mundial recebe cobertura de pelo menos um benefício social. O documento mostra ainda as desigualdades entre regiões, por exemplo, Europa e Ásia Central têm as maiores taxas de cobertura, com 84% das pessoas a receber pelo menos um benefício social. Nas Américas, 64% da população recebe proteção social, porém em África, o índice é de apenas 17,4%.
Proteção dos mais vulneráveis
Na média mundial, apenas uma em cada quatro crianças tem acesso às redes nacionais de segurança sociale somente 45% das mães com recém-nascidos recebe ajuda financeira e apenas uma entre três pessoas com algum tipo de incapacidade recebe algum benefício.
A OIT destaca que em Portugal, por exemplo, as mulheres que não têm direito a licença de maternidade paga pela segurança social recebem um subsídio de maternidade financiado pelos impostos.
O relatório informa ainda que apesar de 77,5% dos reformados receber pensão, existem muitas disparidades entre regiões, entre áreas rurais e urbanas e entre mulheres e homens.
Aumento dos investimentos
O total que os governos gastam em proteção social também varia muito. No geral, os países gastam quase 13% do PIB em benefícios sociais. Mas enquanto a taxa nos países desenvolvidos chega a 16,4%, nos países subdesenvolvidos, o índice é de apenas 1,1% do PIB.
Para garantir pelo menos uma cobertura básica de proteção social, os países em desenvolvimento precisam de investir mais 77,9 mil milhões de dólares , todos os anos, enquanto para os países em vias de desenvolvimento, a indicação da OIT é que seja necessário um investimento extra anual de 750,8 mil milhões de dólares.
A diretora do departamento de Proteção Social da OIT, Shahra Razavi, lembra que os gastos públicos aumentaram muito com as medidas de resposta à crise pandémica, mas segundo a responsável , se os países cortarem na proteção social os danos serão ainda maiores e apela a investimentos por parte dos governos.
Está sendo celebrando neste domingo o Dia Internacional da Caridade, com as Nações Unidas lembrando que o voluntariado e a filantropia criam “um vínculo social verdadeiro e contribuem para sociedades mais inclusivas e resilientes”.
O dia é marcado sempre em 5 de setembro para coincidir com o aniversário de morte de Madre Teresa de Calcutá, Prêmio Nobel da Paz e considerada um exemplo pelo amplo trabalho que realizou na luta contra a pobreza.
Alívio das crises humanitárias
A ONU destaca que ações de caridade podem aliviar os piores efeitos das crises humanitárias e promover os direitos das pessoas marginalizadas e desprivilegiadas.
Além disso, a ajuda ao próximo “espalha a mensagem de humanidade em situações de conflito”.
UNPA
Em 12 de agosto de 2021, o UNPA emitiu um selo definitivo para homenagear Madre Teresa
A própria Agenda 2030 sobre Desenvolvimento Sustentável reconhece a necessidade de se erradicar a pobreza em todas as formas e dimensões e para isso, “pede um espírito mais forte de solidariedade global”.
O Dia Internacional da Caridade também foi criado com o objetivo de sensibilizar pessoas, ONGs, e empresas do mundo sobre a importância de ajudar o outro por meio de atividades filantrópicas e de voluntariado.
As Nações Unidas acabam de anunciar uma conferência de alto-nível para angariar fundos para o Afeganistão. O secretário-geral António Guterres estará em Genebra, participando do encontro, marcado para 13 de setembro.
Segundo o porta-voz de Guterres, a meta da conferência é aumentar o financiamento para as operações humanitárias e garantir acesso completo e desimpedido ao país, para que os afegãos possam continuar recebendo os serviços essenciais de que tanto precisam.
Menina afegã que foi ferida durante ataque a sua escola em Cabul
Catástrofe iminente
O porta-voz Stéphane Dujarric afirma que a ONU continua comprometida em entregar ajuda a milhões de civis no Afeganistão. Segundo ele, o país está “diante de uma catástrofe humanitária”.
O país tem 38 milhões de habitantes e quase metade da população precisa de assistência. Um entre três não sabe de onde virá sua próxima refeição e o porta-voz lembra ainda que a desnutrição aguda deverá afetar metade das crianças menores de cinco anos de idade nos próximos 12 meses.
O Afeganistão tem ainda 600 mil deslocados internos, sendo que 80% são mulheres e crianças.
Uma análise lançada pelas Nações Unidas revela que um terço dos países do globo não possui padrões de qualidade do ar ambiente, exigidos por lei. E pelo menos 31% das nações que podem adotar esses padrões ainda não o fizeram.
As conclusões são do estudo: Regulação da qualidade do ar: primeira avaliação global sobre a legislação da poluição do ar, lançado nesta quinta-feira.
Banco Mundial/Lundrim Aliu
A OMS estima que 92% da população mundial habite em áreas onde a poluição excede os limites de segurança
Tratado
O alerta partiu do Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, e da Organização Mundial da Saúde, OMS, às vésperas do Dia Internacional do Ar Limpo, marcado neste 7 de setembro.
A pesquisa examinou legislações de qualidade do ar em 194 países e na União Europeia. Segundo o Pnuma, o relatório traz informações para um modelo robusto de governança da qualidade para qualquer legislação nacional e propõe um tratado internacional sobre padrões de qualidade do ar ambiente.
A OMS afirma que a poluição do ar é o maior risco para a saúde ambiental. A agência estima que 92% da população mundial habite em áreas onde a poluição excede os limites de segurança.
As maiores vítimas são mulheres e crianças e pessoas na terceira idade, em países de baixa renda.
Na análise, a OMS diz que não existe um alinhamento global e enquadramento jurídico sobre qualidade do ar. E até países que adotam esses parâmetros têm dificuldade de comparar implementações.
Para 49% das nações, a poluição é uma ameaça externa, e os padrões de qualidade variam de acordo com países e regiões. Apenas 33% das nações impõem obrigações para cumprimento dos padrões exigidos por lei. Essa fiscalização é crucial, mas não é exigida por lei em pelo menos 37% dos países. E quando o tema é poluição do ar transfronteiriça, apenas 31% dos países têm instrumentos legais para enfrentá-la.
Unsplash/Gustav Gullstrand
O Pnuma afirma que as árvores são, sem dúvida, um investimento inteligente para manter a temperatura do planeta na medida certa, absorver o dióxido de carbono e filtrar a poluição do ar.
Agenda 2030
O Pnuma lembra que o direito a um ambiente saudável, incluindo ar puro, existe anates da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de saúde, energia limpa e acessível, cidades sustentáveis, produção responsável e vida na terra.
A ONU incentiva todos os países a tomarem medidas para enfrentar o desafio da poluição do ar.
O estudo sugere leis mais robustas que incluam padrões ambiciosos contra poluição do ar interior e ambiente, melhoria dos mecanismos legais para monitorar a qualidade do ar, aumento da transparência, melhoria significativamente dos sistemas de fiscalização e da coordenação de políticas e regulamentações sobre poluição do ar a nível nacional e transfronteiriço.
A agência da ONU lembra do Programa de Legislação Ambiental de Montevidéu para expandir sua assistência aos países que enfrentam a crise de poluição do ar. Neste 7 de setembro, as Nações Unidas marcam o Dia Internacional do Ar Limpo para um Céu Azul.
Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer revela que colocar informações na frente do produto, divididas por categorias e cores pode ajudar os consumidores a reduzir riscos de doenças crônicas; investigadores pedem que sistema seja adotado em toda a União Europeia.
Milhões de pessoas, de agricultores a caixas de supermercados, até aquelas que monitorizam a segurança alimentar ou instalam tecnologias de irrigação, contribuem para os sistemas alimentares mundiais. Esta rede de pessoas e processos interligados é central para a segurança alimentar e nutricional da crescente população mundial. Em preparação para a Cimeira de Sistemas Alimentares deste mês, aqui estão quatro factos que deveria saber sobre sistemas alimentares mundiais:
Os sistemas alimentares são fundamentais para alcançar todos os 17 ODS
O Relatório de Desenvolvimento Sustentável Global de 2019 identificou os sistemas alimentares como um dos seis pontos de interligação dos ODS, pelo qual a implementação de ações coordenadas poderá ter repercussões positivas entre Objetivos e Metas. Ações nos sistemas alimentares podem promover a ação climática e a igualdade de género, reduzir a fome e a pobreza, criar empregos e gerar crescimento económico.
Não estamos no caminho certo para cumprir os ODS relacionados com a alimentação
No futuro, os sistemas alimentares precisarão de fornecer alimentos nutritivos a uma população mundial de 9 a 10 mil milhões de pessoas, com impactos ambientais bastante reduzidos. É um enorme desafio. Mesmo antes da pandemia da covid-19, a fome estava a aumentar após anos de declínio (cerca de 811 milhões de pessoas passaram fome em 2020). assim como a obesidade.
Fazer mais do mesmo não alimentará o mundo e pode destruir o nosso planeta
As práticas existentes em todos os sistemas alimentares estão associadas à perda de biodiversidade, desflorestação e degradação da terra (o que pode contribuir para a disseminação de doenças). A agricultura está associada a 70% do uso de água doce e 29% das emissões de gases de efeito estufa.
Parcerias, ciência e tecnologia podem transformar os sistemas alimentares
São necessárias abordagens coordenadas e coesas para a transformação e unir as empresas, o governo, a ciência, os indivíduos e a comunidade. A ciência e a tecnologia têm um enorme potencial para lidar com negociações nos sistemas alimentares, porém há uma necessidade de maior partilha de conhecimento, maior acesso a tecnologias. Alguns recursos já estão disponíveis para facilitar esses intercâmbios, incluindo o Mecanismo de Facilitação de Tecnologia Global e a plataforma online para a partilha de tecnologia e de conhecimento – 2030 Connect.
A Cimeira de Sistemas Alimentares é uma oportunidade para mobilizar recursos e planear ações inovadoras e transversais com base no conhecimento e no diálogo.
A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, e o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Ghebreyesus, inauguraram um centro de inteligência para o controle de pandemias e endemias. A meta é preparar e proteger a população dessas ameaças a saúde global.
A iniciativa recebeu um investimento inicial de US$ 100 milhões do governo alemão e conta com parcerias de profissionais em diversas disciplinas. Com tecnologia avançada, o centro terá a capacidade de conectar dados, ferramentas e comunidades, levando mais conhecimento para o bem comum.
ONU/Evan Schneider
Diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, participou da inauguração de um centro de inteligência para controle de pandemias e endemias
Esforço
Segundo Tedros, o mundo precisa ser capaz de detectar novas doenças com potencial pandêmico e acompanhar as medidas de controle em tempo real para criar uma gestão eficaz do risco de pandemia e epidemia. Para ele, o centro será a chave para esse esforço, utilizando inovações em ciência de dados para monitorar e reduzir o tempo de resposta na saúde pública, criando sistemas para compartilhar e expandir o conhecimento global nesta área.
Localizado em Berlim, o centro terá a liderança Chikwe Ihekweazu, atualmente diretor-geral do Centro de Controle de Doenças da Nigéria. Parte do Programa de Emergências da OMS, o projeto conta com a colaboração de países e parceiros em todo o mundo.
“A preparação para uma pandemia e epidemia deve ocorrer antes do início de um surto”, disse o Tedros. “Geração e análise de dados, e a capacidade de detectar e avaliar melhor os riscos de eventos de doenças em seus estágios iniciais antes que eles amplifiquem e causem morte e perturbação social, é o foco do Centro da OMS”, conclui o chefe da OMS.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressa a sua preocupação com o agravamento da crise humanitária e económica no Afeganistão.
Quase metade da população do Afeganistão – 18 milhões de pessoas – precisa de ajuda humanitária para sobreviver. Um em cada três afegãos não sabe quando poderá tomar a sua próxima refeição. Estima-se que, até ao próximo ano, mais de metade de todas as crianças com menos de cinco anos estará gravemente desnutrida. A população está a perder o acesso a bens e serviços básicos.
Em comunicado, o secretário-geral da ONU adverte que “se aproxima uma catástrofe humanitária” e que “agora, mais do que nunca, as crianças, mulheres e homens afegãos precisam do apoio e da solidariedade da comunidade internacional.”
António Guterres reafirma o compromisso do sistema humanitário da ONU para com o povo afegão, relembrando que este ano a Organização já ajudou 8 milhões de pessoas. Na última quinzena, as Nações Unidas providenciaram alimentos a 80.000 pessoas e pacotes de ajuda humanitária a milhares de famílias deslocadas. Ontem, a organização transportou 12,5 toneladas de equipamento médico para o país.
“O Afeganistão atravessa uma seca severa e com um difícil inverno pela frente, alimentos extras, abrigo e equipamento médico devem ser enviados com urgência para o país.” – acrescenta Guterres – “Apelo para que todos facilitem o acesso seguro à ajuda humanitária, bem como a todos os trabalhadores humanitários – homens e mulheres.”
Guterres deixou ainda um apelo para que “todos os Estados-membros a pensem no povo do Afeganistão neste momento difícil e de extrema necessidade.”
Desastres hídricos ou relacionados ao tempo e ao clima ocorreram praticamente todos os dias, nos últimos 50 anos, matando em média 115 pessoas diariamente. A informação está em um atlas lançado pela Organização Meteorológica Mundial, OMM, nesta quarta-feira, englobando o período de 1970 a 2019.
Com a mudança climática, o número de desastres aumentou nas últimas décadas, mas o total de mortes diminuiu, graças a melhorias nos sistemas de alerta e de gestão dos riscos de desastres.
ONU Mulheres/Mohammad Rakibul Hasan
As enchentes estão aumentando no mundo todo por conta da mudança climática
Prejuízos
O Atlas da Mortalidade e das Perdas Econômicas por Extremos Climáticos, Hídricos e do Tempo registra mais de 11 mil desastres do tipo pelo mundo, que causaram mais de 2 milhões de mortes e geraram perdas de US$ 3,64 trilhões.
Segundo a OMM, o documento é o mais abrangente já feito. 91% das mortes por eventos climáticos entre 1970 e 2019 ocorreram em países em desenvolvimento.
Unicef/Mukwazhi
Seca ocorrida em 1981 em Moçambique foi o sétimo desastre natural mais fatal do mundo com 100 mil mortes
Seca em Moçambique
A seca ocorrida em 1981 em Moçambique foi o sétimo desastre natural mais fatal do mundo com 100 mil mortes. Em primeiro lugar, está uma outra seca, ocorrida em 1983, na Etiópia, que causou a morte de 300 mil pessoas.
Temperaturas extremas na Rússia, em 2010, também estão entre os eventos mais fatais, quando mais de 55 mil pessoas morreram. No geral, as secas (650 mil mortes), as tempestades (577 mil óbitos), as enchentes (58,7 mil mortes) e as temperaturas extremas (55,7 mil mortes) estão entre os desastres mais fatais.
ONU News/Anton Uspensky
Temperaturas extremas na Rússia, em 2010, também estão entre os eventos mais fatais, quando mais de 55 mil pessoas morreram
Furacões nos Estados Unidos
Em relação às perdas econômicas, as tempestades geraram prejuízos de US$ 521 bilhões e as enchentes, de US$ 115 bilhões. No topo da lista, estão seis furacões ocorridos nos Estados Unidos, incluindo Katrina (em 2005, com prejuízo de US$ 163 bilhões), Harvey, Maria e Irma, em 2017. Juntos causaram 35% das perdas econômicas entre os 10 piores desastres naturais do mundo.
O secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, prevê que os eventos extremos do clima serão cada vez mais frequentes em várias partes do mundo. Com isso, haverá mais ondas de calor, secas e incêndios florestais.
NASA
Furacão Dorian visto da Estação Espacial Internacional, em 2 de setembro de 2019
Recomendações
Segundo a Organização Meteorológica Mundial, apenas metade dos 193 países-membros têm sistemas de alerta precoce sobre eventos climáticos. A OMM confirma que muitas vidas têm sido salvas assim, mas pede mais cooperação internacional para “combater o problema do grande número de pessoas que ficam desalojadas, todos os anos, devido a enchentes, tempestades e secas”.
A OMM também quer mais investimentos em programas de gestão de risco de desastres e faz ainda uma série de recomendações. Uma delas é reforçar os sistemas de financiamento de riscos, especialmente para os países menos desenvolvidos e as pequenas ilhas em desenvolvimento. Outra indicação é para a criação de políticas integradas para desastres que ocorrem de forma lenta, como as secas.
Pnud/Arjen van de Merwe
As nações do leste e do sul da África enfrentaram um aumento nas enchentes, secas e outros eventos relacionados ao clima nos últimos anos.
Situação na África e Europa
O atlas da OMM também traz informações sobre os continentes. A África teve mais de 1,6 mil desastres naturais entre 1970 e 2019, ou 15% do total mundial.
As enchentes estão no topo da lista, mas foram as secas que causaram 95% das mortes no continente. Na América do Sul, as cheias representaram 59% dos desastres naturais, causando a maior parte das mortes e dos prejuízos financeiros na região. Já na América do Norte, os furacões estão no topo da lista.
A Europa enfrentou principalmente enchentes e tempestades, mas foram os eventos extremos do clima que causaram mais mortes: 93%, com mais de 148 mil vidas perdidas nos 50 anos.
Nos últimos 50 anos ocorreu todos os dias, em média, um desastre meteorológico, climático ou hídrico, matando 115 pessoas todos os dias e causando perdas diárias de 202 milhões de dólares.
De acordo com um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o número de desastres naturais quintuplicou nas últimas cinco décadas devido às alterações climáticas e à melhoria do registo dos mesmos. Porém, graças a sistemas de prevenção e alerta, o número de mortes é quase três vezes inferior.
Segundo o Atlas de Mortalidade e Perdas Económicas de Eventos Extremos de Tempo, Clima e Água da OMM (1970-2019), houve mais de 11.000 desastres naturais registados em todo o mundo, com mais de 2 milhões de mortes e perdas de 3,64 biliões de dólares.
Este relatório é o estudo mais abrangente, alguma vez realizado, da mortalidade e perdas económicas resultantes de desastres naturais. Para além de uma avaliação geral de todo o período de 50 anos, este também providencia uma análise por década.
O estudo mostra que entre 1970 e 2019, os desastres meteorológicos, climáticos e hídricos foram responsáveis por 50% de todos os desastres, por 45% de todas as mortes e por 74% de todas as perdas económicas.
Mais de 91% dessas mortes ocorreram em países em desenvolvimento.
Dos 10 principais desastres, foram as secas (650 000 mortes), as tempestades (577 232 mortes), as inundações (58 700 mortes) e as temperaturas extremas (55 736 mortes) que mais vítimas provocaram.
A mortalidade associada a desastres naturais é quase três vezes inferior em 2019 face a 1970. O número de mortes caiu de mais de 50.000 na década de 1970 para menos de 20.000 na década de 2010. As décadas de 1970 e 1980 registaram uma média de 170 mortes por dia, na década seguinte essa média caiu para 90 mortes por dia, e continuou a diminuir em 2010.
Em relação às perdas económicas, os 10 principais eventos incluem tempestades (521 mil milhões de dólares) e cheias (115 mil milhões de dólares).
Durante este período de 50 anos, foram registados 202 milhões de dólares em danos, em média, todos os dias. As perdas registadas entre 2010 e 2019 foram sete vezes superiores à quantia registada de 1970 a 1979. As tempestades foram a causa mais comum dos danos registados, sendo responsáveis pelas maiores perdas económicas em todo o mundo. Com efeito, este é o único desastre para o qual as perdas económicas atribuídas aumentam continuamente.
“O número de desastres naturais continuará a aumentar e estes tornar-se-ão mais frequentes e perigosos devido às alterações climáticas”, assegura o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.
A OMM alerta que apesar da evolução ainda muito tem de ser feito uma vez que apenas metade dos 193 membros da OMM possuem sistemas de alerta multirriscos. Há ainda graves falhas nas redes de observação meteorológica e hidrológica em África, em algumas partes da América Latina e nos Estados insulares do Pacífico e das Caraíbas.
Este 30 de agosto é o Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados. Num comunicado, o Grupo de Trabalho da ONU sobre o tema afirma se tratar de um crime complexo que viola todas as áreas do direito.
Segundo os relatores de direitos humanos existe uma clara ligação entre direitos econômicos, sociais e culturais das vítimas e de seus parentes com os desaparecimentos.
Julgamento
A falta de proteção é um dos fatores que levam a essa situação. Pessoas vivendo na pobreza, expostas a riscos e desprovidas de recursos legais e assistência jurídica para recorrer contra prisões arbitrárias, ou até mesmo detenção e julgamento.
Pnud/ Guatemala/Caroline Trutmann Marconi
O Museu Comunitário da Memória Histórica em Rabinal, Guatemala, dignifica a memória das vítimas de assassinatos e desaparecimentos forçados na área
As vítimas dessa violação são na maioria, marginalizadas. Residem em áreas sem a presença do Estado, e geralmente suas famílias tampouco têm meios para buscar a justiça.
As crianças sem acesso à educação, que vivem na pobreza, nas ruas e foram deslocadas de seus lares correm riscos ainda maiores de serem sequestradas, traficadas ou recrutadas como crianças-soldado.
O mesmo se dá com migrante e pessoas com deficiência devido à falta de dinheiro, proteção e participação política.
Punição
Os especialistas em direitos humanos afirmam que o desaparecimento forçado é utilizado como arma de intimidação, represália e punição ilegal.
Naçoes Unidas
Grupo de Trabalho sobre Desaparecimentos Forçados ou Involuntários.
Neste Dia Internacional, o grupo pede aos países que assistam as famílias vítimas desse crime, que passam a uma situação extremamente difícil quando o provedor financeiro desaparece. O crime impacta a todos na família principalmente mulheres e crianças.
Em alguns países, existem leis de reparação, mas às vezes existem barreiras como a ausência de uma certidão de óbito.
Para os relatores, os países têm que prestar atenção ao impacto multidimensional dos desaparecimentos forçados para melhor responder às vítimas e à sociedade.
Em dezembro passado, a ONU marcou o décimo aniversário da entrada em vigor da Convenção Internacional para Proteção de Todas as Pessoas de Desaparecimento Forçado.
*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem pagamento pelo seu salário.
Neste 29 de agosto, as Nações Unidas assinalam o Dia Internacional contra os Testes Nucleares. A data foi proclamada por ocasião do fechamento da área de Teste Nuclear de Semipalatinsk, na ex-República Soviética do Cazaquistão.
O local, também conhecido como O Polígono, era utilizado para estes fins até 1991.
Livre
Por quatro décadas foram detonados 456 dispositivos nucleares, na área de cerca de 18,5 mil metros quadrados.
ONU News/Nargiz Shekinskaya
De acordo com as Nações Unidas, cerca de 2 mil testes nucleares já ocorreram desde que iniciou este tipo de atividade em 16 de julho de 1945.
A Assembleia Geral das Nações Unidas adotou uma resolução para marcar a data sob proposta do Cazaquistão em 2009.
O documento pede maior consciência e educação “sobre os efeitos das explosões de teste de armas nucleares ou quaisquer outras explosões nucleares e a necessidade de seu fim como um dos meios de alcançar a meta de um mundo livre de armas nucleares”.
Sobre a data, o secretário-geral disse que a ameaça nuclear está crescendo cada vez mais. Para António Guterres, a “proibição total dos testes nucleares é um passo essencial para evitar a melhoria qualitativa e quantitativa das armas nucleares e para alcançar o desarmamento atômico”.
Sociedade civil
Desde 2010, o Dia Internacional contra os Testes Nucleares acolhe atividades como simpósios, conferências, exposições, concursos, publicações, palestras, transmissões de mídia e outras iniciativas.
Governo EUA
Teste nuclear no Atol Enewetak, nas ilhas Marshall, Estados Unidos, em 1 de novembro de 1952
As Nações Unidas defendem que aumentou a causa da proibição dos ensaios desde a proclamação da data através de eventos em nível governamental bilateral e multilateral, bem como pela sociedade civil.
Com outras iniciativas e ações, a data pretende continuar a impulsionar um ambiente global defendendo um mundo livre de armas nucleares.
Em 1996 foi adotado o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares. O instrumento internacional para pôr fim aos ensaios ainda não entrou em vigor.
Se já esteve num campo com vacas, é provável que tenha notado um odor característico. O que está a sentir é o metano e este é mais do que apenas desagradável. É um potente gás de efeito estufa. Molécula por molécula, o metano tem um poder de aquecimento da atmosfera 80 vezes superior ao do dióxido de carbono.
As emissões dos animais – do estrume e libertações gastro entéricas – são responsáveis por cerca de 32% das emissões de metano causadas pelo homem. O crescimento populacional, o desenvolvimento económico e a migração urbana estimularam uma procura sem precedentes de proteína animal. Com a população global a aproximar-se dos 10 mil milhões, espera-se que esta procura aumente em 70% até 2050.
Em Portugal, de acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente, 43% do metano emitido provem da agropecuária e são as vacas para a produção de carne as que mais emitem.
Porém, o metano agrícola não provém apenas de animais. O cultivo de arroz com casca – no qual os campos inundados evitam que o oxigénio penetre no solo, criando condições ideais para bactérias emissoras de metano – é responsável por 8% das emissões causadas pelo homem.
Qual é o problema do metano?
O metano é o principal responsável pela formação de ozono ao nível do solo, um perigoso poluente atmosférico e gás de efeito estufa, cuja exposição causa 1 milhão de mortes prematuras todos os anos. O metano também é um poderoso gás de efeito estufa. Num período de 20 anos, é 80 vezes mais responsável pelo aquecimento do que o dióxido de carbono.
O metano foi responsável por cerca de 30% do aquecimento global desde os tempos pré-industriais e, atualmente, está a proliferar-se mais rapidamente do que em qualquer outra época. Na verdade, de acordo com dados da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, mesmo com a redução das emissões de dióxido de carbono devido à pandemia de covid-19, o metano atmosférico aumentou.
Como podemos reduzir as emissões de metano?
O Conselheiro de Sistemas Alimentares e Agricultura do PNUMA, James Lomax, considera que o mundo precisa de começar a “repensar as abordagens ao cultivo agrícola e à produção pecuária”. Isso inclui a implementação de novas tecnologias, a adoção de dietas ricas em vegetais e o consumo de fontes alternativas de proteína. Lomax acrescenta ainda que tal é fundamental se a humanidade quiser reduzir as emissões de gases do efeito estufa e limitar o aquecimento global a 1,5 ° C, uma meta do acordo de Paris.
Os agricultores podem ajudar na campanha para reduzir as emissões de metano?
Sim. Estes podem dar aos animais alimentos mais nutritivos para que estes fiquem maiores, mais saudáveis e mais produtivos, produzindo efetivamente mais com menos. Os cientistas também estão a testar tipos alternativos de ração que reduzam o metano produzido pelas vacas. Os agricultores podem usar estrume de forma mais eficiente: cobrindo-o, compostando-o ou usando-o para produzir biogás.
Quando se trata de culturas básicas como o arroz com casca, os especialistas recomendam abordagens alternativas de humedecimento e secagem que podem reduzir em metade as emissões. Em vez de permitir a inundação contínua dos campos, os arrozais poderiam ser irrigados e drenados duas a três vezes durante a estação de cultivo, limitando a produção de metano sem afetar a produtividade. Este processo também exigiria um terço da água, tornando-o mais económico.
Quanto poderemos reduzir as emissões de metano?
As emissões de metano causadas pelo homem poderiam ser reduzidas em 45% numa década. Isso evitaria cerca de 0,3°C de aquecimento global até 2045, ajudando a limitar o aumento da temperatura global em 1,5 ° C e colocando o planeta no caminho certo para atingir as metas do Acordo de Paris. Todos os anos, a redução subsequente do ozono ao nível do solo evitaria também 260.000 mortes prematuras, 775.000 visitas hospitalares associadas à asma, 73 mil milhões de horas de trabalho perdidas devido ao calor extremo e a perda de 25 milhões de toneladas de produtos agrícolas.
O que é que as Nações Unidas estão a fazer para ajudar a limitar as emissões de metano?
Bastante. O secretário-geral da ONU, António Guterres, convocará a cimeira dos Sistemas Alimentares da ONU em setembro de 2021. Esta visa ajudar a tornar a agricultura e a produção de alimentos mais ecológica.