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Secretário-geral da ONU sobre 1 milhão de mortes causadas pela covid-19

O mundo atingiu um novo marco: a perda de um milhão de vidas com a pandemia de Covid-19. António Guterres classifica este número de impressionante” mas lembra que “podemos vencer este desafio.” O líder da ONU sublinha ainda, neste contexto, a importância de uma liderança responsável, da ciência e da cooperação.

Veja a mensagem do secretário-geral da ONU, António Guterres, na íntegra.

Líderes mundiais discutem soluções para crise financeira gerada por Covid-19 

Líderes de governos e organizações internacionais discutiram esta terça-feira ações para ajudar países e pessoas a lidar com os impactos financeiros e socioeconômicos causados pela Covid-19. 

O encontro foi convocado pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pelo primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e pelo primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness.  

Segundo António Guterres, é necessário “um compromisso coletivo para evitar uma espiral descendente”, IRC/Schneyder Mendoza

Investimento 

Dos US$ 11 trilhões gastos em todo o mundo para responder aos impactos da pandemia, 88% foram investidos em países de alta renda. Em comparação, apenas 2,5% desse valor foi destinado a economias emergentes e em desenvolvimento. 

Além de uma crise de saúde e humanitária, a Covid-19 tornou-se uma emergência de desenvolvimento global sem precedentes. 

Segundo as Nações Unidas, a pandemia deve levar cerca de 100 milhões à pobreza extrema, o primeiro aumento desde 1998. 

Mais de 265 milhões poderão sofrer com escassez aguda de alimentos até o final do ano. Nessa altura, 12 mil pessoas enfrentam risco poderão de fome relacionada à crise de saúde.  

Impacto 

A Organização Internacional do Trabalho, OIT, estima que o equivalente a 500 milhões de empregos foram perdidos até agora. Isso ampliou as desigualdades econômicas, tendo um impacto desproporcional nos países em desenvolvimento e grupos vulneráveis. 

Mesmo para as nações em desenvolvimento não afetadas pelo vírus, a pandemia aumentou a crise financeira devido à queda nas receitas de exportação, turismo e remessas, ameaçando a capacidade de pagamento. 

União 

O secretário-geral disse que os países desenvolvidos aprovaram um enorme alívio para suas sociedades, mas é preciso “garantir que o mundo em desenvolvimento não caia na ruína financeira, aumentando a pobreza e as crises de dívida.” 

Segundo António Guterres, é necessário “um compromisso coletivo para evitar uma espiral descendente.” 

Pandemia deve levar cerca de 100 milhões à pobreza extrema

Já o primeiro-ministro do Canadá, disse que o encontro deve ajudar a manter o ímpeto em direção à Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs. 

Para Justin Trudeau, o mundo tem agora “a oportunidade de reimaginar sistemas econômicos, reafirmar o entendimento comum de uma recuperação mais sustentável e inclusiva e restabelecer o impulso para alcançar os ODSs.” 

Recuperação 

O primeiro-ministro da Jamaica afirmou que a comunidade internacional está “em um ponto crítico onde, mais do que nunca, a cooperação e colaboração globais são essenciais para a recuperação.” 

Andrew Holness apelou a uma abordagem objetiva e estratégica, com ações ousadas e bem fundamentadas. Para o chefe de governo jamaicano, apenas assim será possível “alcançar uma recuperação verdadeiramente resiliente, inclusiva e sustentável.” 

O impacto da Covid-19 sobre jovens e adultos e educadores dos cursos de alfabetização, e que lições foram aprendidas são alguns dos pontos analisados., by Unicef/Jean-Claude Wenga

A primeira reunião de alto nível sobre este tema aconteceu em 28 de maio. Na altura, seis grupos de discussão foram criados para produzir um conjunto de recomendações. 

Covax 

Esse trabalho foi agora apresentado aos líderes mundiais e inclui várias ações de alto impacto, como a garantia de acesso equitativo à vacina para a Covid-19, através da Iniciativa Covax. 

Também deve ser facilitada liquidez suficiente para os Estados-membros, através de uma nova alocação de US$ 650 bilhões em Direitos Especiais de Saque para países em desenvolvimento e vulneráveis, incluindo países de renda média. 

Os países em dificuldades devem ter mais tempo para fazerem pagamentos de dívida, estendendo e expandindo a Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida e criando uma estrutura comum para resolver questões de solvência.  

Remessas 

Os grupos de trabalho recomendam ainda o fortalecimento do apoio de instituições financeiras internacionais, investimentos em empregos para todos, redução dos custos das remessas e restrição dos fluxos financeiros ilícitos. 

Por fim, os governos nacionais devem alinhar seus orçamentos nacionais com os ODSs e o Acordo de Paris, unindo medidas de emergências de curto prazo com objetivos de longo prazo.  

Íntegra do discurso do primeiro-ministro de Portugal na Assembleia Geral da ONU

Senhor Presidente da Assembleia Geral,

Senhor Secretário-Geral,

Excelências,

Minhas Senhoras e meus Senhores,

Felicito o Embaixador Volkan Bozkir pela sua eleição para presidir à Assembleia Geral no ano de celebração do 75. 0 aniversário da ONU.

A ONU é mais do que nunca indispensável para dar resposta aos desafios que não conhecem fronteiras nem se compadecem com abordagens egoístas.


Como todos sabemos, o sistema multilateral encontra-se sob pressão.

Em primeiro lugar, num quadro de regresso da competição pelo poder, à escala global, verificam-se crescentes limitações na cooperação em resposta a ameaças e desafios comuns.

Em segundo lugar, surgem novas áreas que requerem soluções multilaterais na definição de regimes normativos e de cooperação. A denominada Quarta Revolução Industrial é tanto um desafio como uma oportunidade. Quer se trate da inteligência artificial e robotização, da criação de redes inteligentes e gestão de infraestruturas e dados 5G ou da restruturação de inteiros setores da economia, o impacto das novas tecnologias — na economia, no trabalho, nas relações entre Estados requererá novas regras de conduta internacional. A ONU tem de desempenhar um papel central na sua definição, com soluções de compromisso que defendam o interesse geral.

Em terceiro lugar, as próprias organizações internacionais revelam dificuldades em responder a desafios e ameaças. O caso do Conselho de Segurança é paradigmático. Revela capacidade limitada de reação a crises e conflitos e a sua composição não espelha as realidades geopolíticas do século XXI. É por isso que Portugal defende o alargamento de membros permanentes e não-permanentes, designadamente ao continente africano e, pelo menos, ao Brasil e à Índia.

Não obstante estes desafios, a ONU mantém-se imprescindível para a preservação da paz e segurança mundiais, o desenvolvimento sustentável e a defesa e promoção dos Direitos Humanos. E esta Assembleia a que me dirijo continua a ser o parlamento da Humanidade.

Não há outro.

Portugal continuará, portanto, a apoiar convictamente o sistema das Nações Unidas, tanto ao nível político como financeiro.

Mantemos uma agenda ambiciosa de compromissos para fortalecer a capacidade da ONU e dos seus Estados-membros na resposta às principais áreas da agenda internacional, incluindo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, as alterações climáticas, as migrações, o acolhimento dos refugiados, os assuntos do mar e a sustentabilidade dos oceanos.

A liderança e as reformas introduzidas pelo Secretário-Geral têm sido essenciais para tornar a ação da organização mais eficaz e flexível. Conta, por isso, com todo o nosso apoio.

Senhor Presidente,

Senhor Secretário-Geral,

O quadro de emergência global que hoje vivemos reforça a necessidade de cooperação entre os Estados e as Organizações Internacionais na resposta ao desafio sanitário e às suas consequências socioeconómicas. A ONU é um elemento central desses esforços, incluindo através do “Plano Global de Resposta Humanitária à COVID19”, promovido pelo Secretário-Geral António Guterres. Apoiamos a sua implementação e valorizamos o papel de coordenação da Organização Mundial de Saúde.

A pandemia mostrou muitas das nossas vulnerabilidades, na área da saúde, da economia, da coesão social. Precisamos de recuperar rapidamente o crescimento e o emprego e incrementar a resiliência das economias, das sociedades e do Estado. Essa será uma prioridade essencial de Portugal, quando exercer, no primeiro semestre de 2021, a presidência do Conselho da União Europeia.

É necessário, também, reforçar a cooperação para o desenvolvimento e a capacidade do sistema das Nações Unidas de agir nesse domínio. Portugal reforçou as suas contribuições para as várias agências das Nações Unidas, com destaque para a Organização Mundial de Saúde, a Organização Internacional das Migrações, o AltoComissariado para os Refugiados, o Programa Alimentar Mundial ou a UNICEF.

O combate às desigualdades económicas merece particular destaque pela sua dimensão verdadeiramente transversal. A segurança internacional não é compatível com uma distribuição de recursos tão desigual à escala global, sobretudo em conjugação com os desequilíbrios demográficos e os fenómenos dc degradação ambiental que frequentemente lhe estão associados. Precisamos de um novo compromisso global baseado na dignidade humana, equilibrando o acesso concreto às oportunidades e à esperança.

A crise provocada por esta pandemia não serve, pois, de desculpa para se interromperem as políticas contra a atual emergência climática, que constitui uma ameaça existencial para todos. Pelo contrário. Tem de ser aprofundada a coordenação entre a Agenda 2030 do Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris sobre o Clima, contribuindo para criar sociedades menos vulneráveis aos impactos de eventos climáticos extremos.

Mas também é essencial aprofundar a relação entre Oceanos e Alterações Climáticas, com especial atenção aos pequenos Estados insulares. Por isso mesmo, Portugal reafirma o seu compromisso em coorganizar, com o Quénia, a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, em 2021, e conta com a participação de todos os EstadosMembros da ONU, ao mais alto nível.

Senhor Presidente,

Senhor Secretário-Geral,

A plena realização dos Direitos Humanos pressupõe um processo de melhoria constante. Portugal defende que a discussão aberta, num diálogo crítico entre pares, reforça a promoção e o respeito universal pelos Direitos Humanos. Em conjunto com os nossos parceiros da União Europeia, reafirmamos a defesa de sociedades livres, plurais e tolerantes, que rejeitam o racismo, a xenofobia, a homofobia e o populismo e que trabalham pela inclusão, pela igualdade de género e pela liberdade de expressão.

A pandemia colocou novas exigências à promoção e proteção dos direitos humanos. Portugal respondeu imediatamente a essas exigências, estendendo, designadamente, o acesso ao Serviço Nacional de Saúde a todos os migrantes e refugiados, independentemente do seu estatuto e situação legal, nas mesmas condições previstas para os cidadãos nacionais.

Portugal tem desempenhado um papel ativo no acolhimento de migrantes e refugiados, numa expressão inequívoca de solidariedade.

Reafirmamos o total apoio ao Pacto Global para as Migrações Ordenadas, Seguras e Regulares e, no quadro da Organização Internacional das Migrações, somos um dos países-piloto na sua implementação.

Portugal é um país pioneiro na abolição da pena de morte, opondose à sua aplicação em quaisquer circunstâncias. Nesse contexto, apelo à aprovação da resolução bienal sobre “A moratória da pena de morte” , que será apresentada durante esta sessão da Assembleia-Geral.

No ano em que celebramos os 25 anos da IV Conferência Mundial sobre a Mulher, Portugal reitera o seu compromisso com a promoção dos direitos das mulheres. É importante dar atenção redobrada à Violência Baseada no Género e aos Direitos e Saúde Sexual Reprodutiva, face aos desafios exacerbados pela pandemia.

Senhor Presidente,

Senhor Secretário-Geral,

Apesar da pandemia, persistem muitas guerras e conflitos. Apoiamos, por isso, o recente apelo do Secretário-Gera1 a um cessar-fogo global.

Atualmente, Portugal contribui com contingentes para sete operações de manutenção da paz e missões políticas especiais. A participação nacional na MINUSCA, na República Centro-Africana, é disso um exemplo, especialmente por assegurar a Força de Reação Rápida, crucial para o cumprimento do mandato da missão.

A persistência de elevados níveis de violência no Sahel reforça a necessidade de coordenação internacional, ambição a que Portugal se associa, nomeadamente através da nossa participação na MINUSMA, no Mali.

Acompanhamos os esforços da comunidade internacional para encontrar soluções políticas para os conflitos que afligem várias partes do mundo. Entendemos que a solução dos dois Estados é a única capaz de resolver o conflito israelo-palestiniano; que o acordo nuclear com o Irão deve ser preservado e integralmente cumprido por todas as partes; que os processos de mediação e compromisso liderados pela ONU é que permitirão superar as crises profundas hoje vividas na Síria, no Iémen ou na Líbia.

Apelamos também para uma solução política pacífica e inclusiva na Venezuela.

Os desafios atuais demonstram a importância das parcerias internacionais, em particular a cooperação tripartida entre as Nações Unidas, a União Africana e a União Europeia. Foi sob liderança portuguesa que se procedeu à institucionalização das relações entre a União Europeia e África ao mais alto nível; e Portugal empenhar-se-á, durante a sua presidência da União Europeia em 2021, no aprofundamento da parceria entre a Europa e África. O papel da União Europeia como ator global, aberto ao mundo, defensor do multilateralismo e de trocas económicas benéficas para todos, será uma prioridade da nossa presidência da UE.

Muitas organizações, de diversa natureza, contribuem positivamente para a ordem internacional fundada em regras e na vontade de cooperação. Sublinho entre elas, naturalmente, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que reúne nações de quatro continentes. Sob a atual presidência de Cabo Verde e na futura presidência de Angola, ela demonstra a capacidade de estabelecer parcerias e construir pontes entre países e povos unidos pela partilha de uma língua cujo Dia Mundial, a 5 de maio, foi proclamado pela UNESCO. Saúdo, neste quadro, a superação do impasse pós-eleitoral na GuinéBissau, esperando que inaugure um novo ciclo de estabilidade e de prosperidade para o país; e exprimo uma profunda solidariedade com Moçambique, vítima de ataques terroristas e de tentativas de desestabilização das suas regiões a Norte.

Senhor Presidente,

Senhor Secretário-Geral,

Portugal é um país aberto ao mundo, que defende o diálogo e um sistema de regras justas, com estabilidade e previsibilidade. Sabemos onde nos levou, no passado, o caminho do arbítrio, do nacionalismo agressivo e da lei do mais forte. Há 75 anos, os fundadores das Nações Unidas tiveram a coragem de estabelecer as bases de uma nova ordem mundial, baseada no direito internacional, na igualdade entre Estados soberanos, na dignidade da pessoa humana. Foi uma vitória da esperança. Hoje não podemos sucumbir ao cinismo. Temos o dever de acarinhar e de reforçar as conquistas que juntos alcançámos, garantindo assim um futuro melhor. Uma ONU forte é essencial para o bem de todos nós.

Muito obrigado.

ONU destaca desenvolvimento rural em Dia Mundial do Turismo 

Neste domingo, 27 de setembro, as Nações Unidas marcam o Dia Mundial do Turismo. 

Em mensagem, o secretário-geral, António Guterres, afirmou que o setor “sofreu enormemente durante a pandemia de Covid-19.” 

Perda de receitas de turismo é um dos problemas para estes Estados insulares, by Pnud/Luke McPake

Impacto  

Segundo a ONU, cerca de 120 milhões de empregos estão em risco e os impactos podem levar à perda de 1,5 a 2,8% do PIB global. 

Isso afetará particularmente os países mais vulneráveis, incluindo os pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, as nações menos desenvolvidas e muitas africanas, onde o turismo chega a representar entre 30% e 80% das exportações. 

Para António Guterres, enquanto o mundo procura se recuperar desta crise profunda, “o reinício seguro do turismo é essencial.” 
Para ele, existe “uma oportunidade, sem precedentes, de transformar a relação do setor de turismo com as pessoas, a natureza, o clima e a economia.” 

O chefe da ONU diz que líderes de todo o mundo devem “garantir uma distribuição justa dos benefícios e avançar na transição para uma economia de turismo resiliente e neutra em carbono,” 

Mudanças 

Guterres lembra que, nos 40 anos desde o primeiro Dia Mundial do Turismo, muita coisa mudou. A demanda por viagens disparou. O mundo se abriu, permitindo que mais viajantes conheçam o globo e suas diferentes culturas. 

Hoje, o turismo está incluído na Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável como um motor para o avanço da prosperidade, proteção do planeta e base para a paz e o entendimento entre os povos. 

Lembre a mensagem de António Guterres sobre turismo e recuperação pós Covid-19:


Esse ano, o tema é “Turismo e o Desenvolvimento Rural”. As Nações Unidas afirmam que desenvolvimento por meio do turismo também pode manter vivas as comunidades rurais. 

Estima-se que em 2050, 68% da população mundial viverá em áreas urbanas. Apesar disso, 80% das pessoas que atualmente estão em “pobreza extrema” moram fora das cidades. 

A situação é pior para os jovens. Nas comunidades rurais, eles têm três vezes mais probabilidade de desemprego que os adultos mais velhos. 

Apelo 

O secretário-geral diz que “muitos milhões de pessoas dependem do turismo para obter renda, especialmente mulheres e jovens.” Segundo ele, essas pessoas “poderiam ser esquecidas, mas encontraram um trabalho decente e a chance de uma vida melhor.” 

Além de oferecer oportunidades, o turismo pode desempenhar um papel importante na preservação de culturas, proteção da biodiversidade e ecossistemas. 

Neste ano mais desafiador, António Guterres pede que o mundo se concentre na importância do turismo para as pessoas que vivem em áreas rurais, para que seja possível cumprir a promessa dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de não deixar ninguém para trás. 

Guterres diz que mundo “continua a viver à sombra de uma catástrofe nuclear” 

Em 1946, a Assembleia Geral adotou sua primeira resolução comprometendo as Nações Unidas com a meta do desarmamento nuclear. Quase 75 anos depois, o secretário-geral da ONU afirma que o mundo “continua a viver à sombra de uma catástrofe nuclear.” 

Este sábado, 26 de setembro, as Nações Unidas marcam o Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares. 

De acordo com as Nações Unidas, ainda existem cerca de 13,4 mil armas nucleares, ONU News/Nargiz Shekinskaya

Divisão 

Em mensagem sobre o dia, António Guterres disse que “as relações entre os Estados que possuem armas nucleares são caracterizadas por divisão, desconfiança e ausência de diálogo.”  

Segundo ele, “à medida que cada vez mais optam por buscar a competição estratégica em vez da cooperação, os perigos das armas nucleares estão se tornando mais agudos.” 

Ele afirma que o uso dessas armas afetaria todos os Estados-membros, por isso todos têm a responsabilidade de procurar que esse armamento nunca mais seja usado ​​e seja eliminado dos arsenais nacionais. 

Esforços  

O chefe da ONU disse que a pandemia de Covid-19 expôs uma ampla gama de fragilidades globais. Para ele, a preparação para enfrentar a ameaça das armas nucleares é uma dessas vulnerabilidades.  

Ele diz que o mundo precisa “de um multilateralismo fortalecido, inclusivo e renovado, construído na confiança e baseado no direito internacional, que possa guiar até o objetivo comum de um mundo livre de armas nucleares.”

A única garantia contra o uso dessas armas horríveis é sua eliminação total

O secretário-geral afirma ainda que os Estados-membros que possuem estas armas devem liderar o caminho, “retornando a um diálogo real e de boa fé para restaurar a confiança e a segurança.” 

Para Guterres, estes países “devem reafirmar o entendimento comum de que uma guerra nuclear não pode ser vencida e não deve ser travada.” 

O secretário-geral termina dizendo que a morte, o sofrimento e a destruição causados ​​pelos ataques em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, não devem se repetir. Segundo ele, “a única garantia contra o uso dessas armas horríveis é sua eliminação total.” 

Nações Unidas 

Alcançar o desarmamento nuclear global é uma das metas mais antigas das Nações Unidas.  

Apesar desse compromisso, nos dias de hoje ainda existem cerca de 13,4 mil armas nucleares. Além disso, vários países têm planos de longo prazo bem financiados para modernizar seus arsenais. 

Mais da metade da população mundial ainda vive em países que possuem essas armas ou são membros de alianças nucleares. 

Embora o número de armas tenha diminuído consideravelmente desde o auge da Guerra Fria, nenhum dispositivo nuclear foi fisicamente destruído. Ele ressaltou que não existe, no momento, nenhuma negociação de desarmamento. 

Ruínas de Nagasaki a cerca de 800 metros do hipocentro da explosão da bomba atómica em meados de outubro de 1945., by Foto: ONU/Shigeo Hayashi

Tratados 

Ao mesmo tempo, a estrutura internacional de controle de armas que contribuiu para a segurança internacional desde a Guerra Fria recebe pressão crescente. 

Em 2 de agosto de 2019, a retirada dos Estados Unidos significou o fim do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, no do qual os Estados Unidos e a Rússia se comprometiam a eliminar uma classe inteira de mísseis nucleares.  

O documento com Medidas para a Redução e Limitação de Armas Ofensivas Estratégicas, conhecido como novo Start, também expirará em fevereiro de 2021.  

Se não for renovado, será a primeira vez que os dois maiores arsenais nucleares do mundo ficarão sem restrições desde os anos 1970. 

Íntegra do discurso do presidente do Timor-Leste na Assembleia Geral

Presidente Francisco Guterres Lú-Olo foi o primeiro líder de língua portuguesa a discursar no terceiro dia do debate geral na Assembleia Geral; ele lembrou papel da ONU na independência do país, em 2002, dizendo que relação com Indonésia é hoje exemplo de boa vizinhança e cooperação. Veja o discurso na íntegra. 

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: 5 anos depois

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A 25 de setembro de 2020 comemoramos o 5.º aniversário dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Mas o que mudou? E de que maneira é que a pandemia da covid-19 veio destacar a sua importância?

 

ODS 17

Nesta semana em que decorre a Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) mais ‘diferente’ da história da ONU, temos motivos para festejar: em 2015, durante a 70.ª AGNU, o então secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, lançou o mote para a uma nova agenda para o desenvolvimento. Nascia então a Agenda 2030, a ser assinada pelos chefes de estado e de governo dos 193 Estados-Membros da ONU, durante a Cimeira das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, de 25 a 27 de setembro de 2015, em Nova Iorque. Esta Agenda veio substituir os Objetivos do Milénio e implementar os famosos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com o objetivo de serem alcançados no espaço de 15 anos, tal como os seus antecessores.

75ª Assembleia geral da ONU decorre esta semana Foto ONU/ Rick Bajornas

Estes 17 Objetivos (com um total de 169 metas) da Agenda 2030 surgiram como um apelo global à ação em várias áreas. São, essencialmente, uma resposta aos problemas do nosso planeta: passando pelas dimensões social, económica e ambiental, o objetivo último é alcançar a paz, a igualdade e a sustentabilidade a nível mundial. Mas como são implementados? Através de parcerias globais e responsáveis entre o setor público e privado, e tendo em conta os 5 Os da Agenda: Pessoas, Planeta, Paz, Prosperidade e Parcerias.

5 anos depois: Década de Ação e a covid-19

Cinco ano volvidos, o mundo para, não só para fazer um balanço do que já foi alcançado mas também por força da pandemia da covid-19. Em setembro de 2019, durante a Cimeira dos ODS, António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, declarou a Década de Ação, de modo a acelerar o progresso dos ODS. Apesar das grandes mudanças já registadas, muitos eram os problemas que ainda persistiam. Era necessário fazer mais! As nossas ações deviam passar a ser não só globais mas também locais e pelas pessoas. 2020 foi então o ano escolhido para o começo deste compromisso que reforçará, durante os próximos 10 anos, a luta pelos ODS.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, em evento sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

No entanto, quando menos esperávamos, a pandemia da covid-19 instalou-se, virando o nosso mundo do avesso. De forma inesperada, esta pandemia veio mostrar que o que começou como uma crise de saúde facilmente se transformou numa crise sócio-económica. O impacto devastador nos ODS, especialmente nos países mais pobres e nas pessoas mais vulneráveis, mostra-nos o quão importante mobilizarmo-nos para repensarmos e reconstruirmos o nosso mundo de forma mais justa, igual e sustentável. Nunca os ODS tiveram tanta importância!

Adicionalmente, com o aumento da incerteza face ao futuro, veio ainda aumentar a preocupação face à disseminação de notícias falsas, pelo que os Global Goals ganharam uma nova força: a de combater a desinformação.

Os ODS em Portugal

Portugal teve um papel ativo na elaboração e na consequente implementação da Agenda 2030. Em 2017, reforço o seu compromisso ao ser um dos países que apresentou, de forma voluntária, um “Relatório nacional sobre a implementação da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável”, onde se podia comprovar as ações levadas a cabo a nível nacional relativamente a cada um dos ODS. Em 2019, um relatório da ONU sobre desenvolvimento sustentável, conduzido por cientistas independentes, destacou Portugal como um dos países mais sustentáveis do mundo. Em 26.º lugar (entre 162 países avaliados), Portugal apresentava, à data, um melhor desempenho a nível do ODS número 7: Energias Renováveis e Acessíveis.

MENSAGEM SOBRE O DIA MUNDIAL DO TURISMO 

Nos 40 anos desde que se assinalou o primeiro Dia Mundial do Turismo, muita coisa mudou. A procura por viagens disparou. O mundo abriu-se, permitindo que mais pessoas do que nunca explorem o globo e as suas diferentes culturas. 

Hoje, o turismo está firmemente estabelecido na Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável como um motor para o avanço da prosperidade, protegendo nosso planeta e lançando as bases para a paz e o entendimento entre os povos. 

Muitos milhões de pessoas em todo o mundo dependem do turismo como fonte de rendimento, especialmente mulheres e jovens. Pessoas que poderiam ter ficado para trás encontraram um trabalho digno e a oportunidade de uma vida melhor graças ao potencial único do turismo. 

O turismo sofreu enormemente durante a pandemia da covid-19. Cerca de 120 milhões de empregos estão em risco. Os impactos podem levar à perda de 1,5 a 2,8 por cento do PIB global. Esta perda afetará particularmente os países mais vulneráveis, incluindo os pequenos Estados insulares em desenvolvimento, os países menos desenvolvidos e muitas nações africanas, onde o turismo pode representar entre 30 e 80 por cento das exportações. 

Enquanto tentamos recuperar desta crise profunda, o reinício seguro do turismo é essencial, não apenas para o desenvolvimento rural – o foco do Dia Mundial do Turismo deste ano. Temos uma oportunidade sem precedentes de transformar a relação do setor de turismo com as pessoas, a natureza, o clima e a economia. Devemos garantir uma distribuição justa dos seus benefícios e avançar na transição para uma economia de turismo resiliente e neutra em carbono. 

Para além de oferecer oportunidades às pessoas, o turismo pode desempenhar um papel importante na preservação das nossas culturas únicas e partilhadas, e na proteção da biodiversidade e dos ecossistemas que nos sustentam. 

Neste ano tão desafiante, vamonos concentrar na importância do turismo para as pessoas que vivem em zonas rurais, para que possamos cumprir a promessa dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de não deixar ninguém para trás. 

DIA MUNDIAL DO MUNDO MARÍTIMO

O tema do Dia Mundial do Mundo Marítimo deste ano — navegação sustentável para um planeta sustentável — teve um impacto extraordinário, dado que mais de 80 por cento do comércio mundial continua a ser transportado por via marítima, incluindo material médico essencial, alimentos e outros bens essenciais críticos para a resposta e a recuperação da covid-19.

A pandemia da covid-19 veio também salientar o profissionalismo e o sacrifício dos dois milhões navegadores que compõem a frota mercante mundial.

Continuo muito preocupado com a crescente crise humanitária e de segurança que centenas de milhares destes trabalhadores indispensáveis enfrentam. Apesar das condições sem precedentes que a pandemia trouxe, os navegadores continuam a apoiar de forma incansável, e muitas vezes invisível, a cadeia logística global. Física e mentalmente exaustos, longe das suas famílias e entes queridos, o seu tempo no mar foi agora prolongado muito para além daquilo que está estipulado nas convenções internacionais, com alguns turnos de serviço a durarem mais de 17 meses. Os navegadores cansados não conseguem operar indefinidamente, e perturbações no transporte internacional poderiam ter consequências devastadoras.

Renovo o meu apelo aos governos, para que olhem para este problema, ao designarem formalmente os navegadores e outro pessoal marítimo como “trabalhadores essenciais”, assegurando trocas de tripulação seguras e implementando os protocolos desenvolvidos pelas agências da ONU, bem como pela Câmara Internacional de Navegação e pela Federação Internacional de Trabalhadores dos Transportes, permitindo aos navegadores encalhados que sejam repatriados e a outros que se juntem a navios.

A longo prazo, uma indústria de navegação sustentável é vital. A navegação vai ter um papel central em alcançar a maior parte, se não todos, os dezassete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Mas as atividades de navegação devem ser balançadas com a saúde e a biodiversidade dos oceanos a longo prazo. A Organização Marítima Internacional (OMI) da ONU desenvolveu padrões globais que apoiam uma navegação mais limpa e verde. Os governos e a OMI devem continuar a trabalhar em conjunto para apoiar a descarbonização da navegação e melhorar a eficiência energética; a facilitação da navegação através de uma crescente digitalização, envolvendo os portos; e os esforços para garantir que a sustentabilidade e a proteção da força de trabalho, incluindo a sua diversidade.

A navegação pode e deve continuar a fazer a sua contribuição para a economia global sem perturbar o balanço delicado da natureza. O setor marítimo sustenta o comércio global e vai continuar a ser essencial para contruir um futuro sustentável para as pessoas e para o planeta.

Guterres diz que mundo foi reprovado no teste de cooperação durante pandemia

O secretário-geral, António Guterres, disse que “a pandemia é um teste claro de cooperação internacional” e que a comunidade internacional não passou nesse exame. 

O chefe da ONU discursou ao Conselho de Segurança durante discussão governança global após a crise de saúde. Até esta quinta-feira, a Covid-19 havia infectado mais de 30 milhões de pessoas causando cerca de 1 milhão de mortes. 

Chefe da ONU pediu organizações internacionais mais adaptadas a desafios do século 21, ONU/Eskinder Debebe

Prioridades 

Segundo Guterres, o novo coronavírus “está fora de controle” e “isso foi o resultado de uma falta de preparação global, cooperação, unidade e solidariedade.” 

Para ele, o mundo precisa urgentemente de um pensamento inovador sobre governança global e multilateralismo adequados para o século 21. 

O secretário-geral destacou depois várias mudanças na ONU para alcançar esse objetivo.  

Desde que assumiu o cargo, Guterres tornou a parceria estratégica com a União Africana uma prioridade. Segundo ele, isso é um modelo que a ONU “deve seguir nas relações com outras organizações regionais.” 

Mandatos 

Pedindo que o Conselho aprofunde essa colaboração, ele disse que a União Africana poderia, por exemplo, conduzir operações de paz e contraterrorismo, apoiadas por mandatos do Conselho de Segurança. 

Para Guterres, a comunidade internacional está “em descompasso” com a realidade atual 

Guterres também realçou o foco na prevenção, incluindo a iniciativa Ação para Manutenção da Paz e várias iniciativas para erradicar exploração e abuso sexual em todo o sistema ONU. 

O secretário-geral mencionou a resolução 2532 do Conselho de Segurança, aprovada em julho, sobre um cessar-fogo global imediato. 

Ameaças 

Para Guterres, conflitos, violações dos direitos humanos, crises humanitárias e atrasos no desenvolvimento estão interconectados, mas a resposta global é cada vez mais fragmentada. Para ele, a comunidade internacional está “em descompasso” com a realidade atual. 

Cientistas em todo o mundo continuam trabalhando em vacina. Para Guterres, esta deve ser uma área de cooperação, Universidade de Oxford/John Cairns

O chefe da ONU afirmou que “esta pandemia é um alerta para desastres ainda mais graves que podem ocorrer, começando pela crise climática.” 

Muitos dos desafios de hoje atravessam fronteiras, desde a crise climática até o aumento da desigualdade e o crime cibernético. Também envolvem grupos de interesse, empresas, organizações e setores que estão fora dos conceitos tradicionais de governança global. 

O mundo precisa de uma governança global determinada, coordenada e flexível. Para o secretário-geral, “em um mundo onde as ameaças estão interligadas, a solidariedade é do interesse de todos.” 

Inclusão 

A nova governança global deve, por isso, incluir empresas, sociedade civil, cidades e regiões, universidades e jovens. Guterres destacou ainda as mulheres, metade da população global, têm sido preteridas. 

No próprio debate geral da ONU, a primeira mulher a discursar foi a número 57 na lista de oradores. Para Guterres, “as mulheres que assistem ao Debate Geral têm o perfeito direito de sentir excluídas.”

No próprio debate geral da ONU, a primeira mulher a discursar foi a número 57 na lista de oradores

Pandemia 

O chefe da ONU afirmou ainda que a “a pandemia ilustrou, indiscutivelmente, as lacunas no sistema multilateral.” Segundo ele, “enquanto os países vão em direções diferentes, o vírus vai em todas as direções.” 

Para Guterres, uma abordagem racional e equitativa da vacinação reduziria as mortes, priorizando os trabalhadores da linha de frente e os mais vulneráveis. Apesar dessas vantagens, a organização “tem lutado para mobilizar os recursos necessários.” 

Ele lembrou ainda a “polarização e fragmentação sem mecanismos eficazes de governança multilateral” de há cem anos, que acabou resultando na Primeira e Segunda Guerra Mundiais. 

Agora, “a Covid-19 está lançando uma sombra escura em todo o mundo” e Guterres diz que o mundo “não tem outra escolha” se não agir.  

Para o secretário-geral, ou os Estados-membros se reúnem “em instituições globais adequadas ou serão esmagados pela divisão e pelo caos.” 

Íntegra do discurso do presidente de Angola na Assembleia Geral

Sua Excelência António Guterres,Secretário-Geral das Nações Unidas 

Sua Excelência Volkan Bozkir, Presidente da 75ª Sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas 

Excelências Chefes de Estado e de Governo, Distintos Delegados, Minhas senhoras, Meus senhores. 

Não há memória desde a sua fundação, de uma situação em que os Chefes de Estado ou de Governo dos países membros da ONU ficassem, por razões alheias às suas agendas, todos impedidos de participar pessoalmente na Assembleia-Geral desta organização, que se debruça sobre os grandes temas das relações internacionais e procura delinear soluções para resolver as principais preocupações da Humanidade garantindo a paz, a segurança e a estabilidade do nosso planeta, nossa casa comum. Hoje, apesar das actuais circunstâncias decorrentes da pandemia da COVID19, que impõem a todos nós restrições de movimentos e outros procedimentos adequados ao contexto actual, está a ser possível comunicarmo-nos, com a sensação virtual de estarmos juntos, graças às quase ilimitadas possibilidades que as novas tecnologias colocam ao serviço da Humanidade. Permita-me, senhor Secretário-Geral, que o felicite por ter tomado a oportuna decisão de manter a dinâmica de funcionamento das Nações Unidas com os recursos tecnológicos ao nosso dispor.  Gostaria ainda de ressaltar, a maneira exemplar como tem abordado os problemas que derivam da pandemia da COVID-19, cujos efeitos e consequências teriam assumido proporções mais dramáticas do que as que conhecemos actualmente, se a Organização Mundial da Saúde e outras agências especializadas que integram o sistema das Nações Unidas não tivessem agido com rapidez e produzido recomendações que ajudaram em grande medida a controlar a propagação da doença. 

Excelências,  Esta pandemia veio demonstrar a fragilidade, a nível mundial, das estruturas sanitárias de resposta a problemas de tão elevada magnitude e gravidade. 

Apesar desta constatação óbvia, tem sido possível através da conjugação de esforços, da colaboração e da cooperação entre as nações e do intercâmbio entre as instituições científicas especializadas, fazer face a um problema que era totalmente desconhecido, e que nos obrigou a buscar respostas rápidas para a atenuação dos efeitos da doença.  Este problema sanitário global paralisou toda a dinâmica que se perspectivou em termos de retoma da economia mundial, que após a crise económica iniciada em 2008 dava sinais animadores de recuperação e muito particularmente em países em vias de desenvolvimento, como no caso de Angola. As nossas esperanças de começar a obter resultados positivos depois do esforço de reestruturação da economia nacional, realizado num contexto em que tivemos de aplicar medidas difíceis e com um impacto bastante duro sobre a vida das populações, não se vão concretizar a breve trecho, em razão dos constrangimentos actuais que desarticulam a cadeia produtiva, afectam os preços dos principais produtos de exportação, paralisam os serviços e outros sectores vitais da economia, desencadeando níveis de desemprego bastante altos e uma situação social preocupante. Importa realçar que os recursos de que dispúnhamos para financiar os sectores produtivos da economia dentro da lógica da sua recuperação tiveram que ser desviados face ao contexto actual, para atender às necessidades de biossegurança e outras de carácter epidemiológico urgente, que a pandemia nos colocou. Neste âmbito, fomos obrigados a criar muito rapidamente centros para albergar pessoas em situação de quarentena institucional em todo o território nacional, apetrechar os hospitais do país com equipamentos fundamentais para as urgências médicas ligadas à COVID-19 e não só, criar centros hospitalares com capacidade para atender um eventual surto da pandemia e outras estruturas afins. Devo reconhecer que, para além dos esforços feitos por nós próprios, beneficiamos também da solidariedade de outros países, de organizações internacionais, de empresas e de organizações não governamentais nacionais e estrangeiras, assim como de cidadãos individuais, que desta forma ajudaram a mitigar os impactos da pandemia em Angola, o que desde já agradecemos. 

Excelências,  

Esta virtude humana que sempre foi útil em momentos tão críticos como os que estamos a viver, ajuda bastante mas nem sempre é suficiente para resolver a fundo os problemas que temos que enfrentar, em consequência de situações tão complexas como as que vivemos actualmente. Por isso, manifesto um grande apreço pela iniciativa do G-20, que revelou uma grande sensibilidade para a necessidade de uma acção colectiva no sentido de se aliviar a dívida dos países em vias de desenvolvimento, para atenuar o peso da responsabilidade que recai sobre esse grupo de países. Pensamos ser fundamental que se encare o investimento directo nas economias dos países em vias de desenvolvimento, como a grande equação para o seu crescimento económico e desenvolvimento. Este objectivo pode ser alcançado se os países desenvolvidos se mobilizarem no sentido de criarem fundos de apoio ao investimento em África, a serem utilizados pelos seus investidores interessados em realizar negócios no continente africano, onde poderão produzir bens e serviços para o consumo local e exportáveis. 

Excelências,

A pandemia da Covid-19 veio demonstrar que, nas circunstâncias em que se actúa coordenadamente, reparte-se de modo mais eficaz a responsabilidade por todos e obtém-se, por isso, resultados mais satisfatórios. Esta visão reforça a ideia de que o multilateralismo deve estar sempre presente na abordagem a ser feita sobre as questões internacionais mais candentes que o mundo enfrenta. Por esta razão, ao longo do seu percurso as Nações Unidas têm advogado o multilateralismo na solução dos intrincados problemas da Humanidade. Assim, pensamos que dentro desse mesmo espírito devemos concentrar os nossos esforços na busca de soluções justas e duradouras para os problemas do Médio Oriente, que respeitem as pertinentes resoluções do Conselho de Segurança sobre a matéria, bem como os que afligem o continente africano, onde ainda perduram conflitos e instabilidade como na Líbia, na Região do Sahel, e outros de menor escala noutras regiões do continente. Importa reconhecer que a natureza dos problemas de segurança em África, em muitos casos está associada ao fenómeno do terrorismo internacional, da expansão do fundamentalismo religioso e dos conflitos pós eleitorais, o que requer uma atenção e vigilância redobrada por parte das Nações Unidas, que não devem descurar o apoio a ser prestado aos países que enfrentam essas realidades. Perante os factos referidos, as Nações Unidas devem procurar interpretar com isenção os factores que estão na origem das tensões políticas internas decorrentes dos processos eleitorais e assumir posicionamentos que não ignorem os Governos legitimamente estabelecidos, mas que reforcem também a sua capacidade de intervir para a resolução dos problemas que garantam o funcionamento normal das instituições. 

Excelências,  

As Nações Unidas, no contexto actual do mundo, que configura uma realidade totalmente distinta da que esteve na origem da sua fundação, devem procurar fazer reflectir nas suas estruturas internas, as características da realidade geopolítica dos nossos dias, para se tornar numa organização capaz de salvaguardar com equilíbrio os interesses globais. Neste sentido, reiteramos uma vez mais a necessidade urgente de se reestruturar a organização de modo a que se consiga alcançar uma composição do Conselho de Segurança da ONU que melhor reflicta a representatividade dos povos, das nações e dos continentes. Excelências, Agradeço a atenção que me foi dispensada fazendo votos que esta 75.ª Sessão das Nações Unidas, atinja os objectivos a que se propôs. Muito obrigado 


Em discurso na ONU, Jair Bolsonaro pede combate à “Cristofobia”

O presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, abriu o debate geral das Nações Unidas afirmando que o mundo precisa de verdade para superar os desafios. Ele lamentou a morte das vítimas da Covid-19 e disse que a pandemia e o desemprego deveriam ser tratados com a mesma responsabilidade.

Por uma falha técnica, o discurso, que durou quase 15 minutos, teve de ser reiniciado após alguns segundos. O presidente brasileiro acusou a mídia de “espalhar pânico na população” durante a crise da pandemia.


Saúde e indígenas

Bolsonaro discorreu sobre as medidas tomadas pelo país para lidar com a crise global de saúde. Segundo o presidente, mais de 100 bilhões de dólares foram investidos na saúde, houve socorro às famílias indígenas e investimentos na candidata à vacina contra a Covid-19, desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido. 

Ao apelar aos líderes internacionais por soluções para os desafios do mundo, Bolsonaro afirmou que é preciso promover a liberdade religiosa de todos os cidadãos e combater o que ele chamou de “Cristofobia”.

Além da liberdade religiosa, Bolsonaro saudou o acordo promovido pelos Estados Unidos entre Israel, os Emirados Árabes Unidos e Bahrein.

Agência Brasil/Rovena Rosa

Segundo o presidente, mais de 100 bilhões de dólares foram investidos na saúde, houve socorro às famílias indígenas e investimentos na candidata à vacina contra a Covid-19.

Amazônia e Pantanal

Para o presidente o Brasil, o acordo é uma “excelente notícia” e representa uma visão promissora para retomar o caminho da “tão desejada solução do conflito entre israelenses e palestinos.” 

Ao se referir aos recentes incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal, Bolsonaro disse que o seu país tem sido alvo de uma “campanha brutal” de desinformação com “interesses” escusos.

O chefe de Estado brasileiro voltou a ressaltar que “a floresta é úmida e não permite o fogo no seu interior e que os focos de incêndios acontecem no entorno leste da floresta, onde moradores queimam seus lixos em áreas desmatadas. 

O presidente afirmou que tem uma “política de tolerância zero” a crimes ambientais e que as autoridades buscam os autores desses crimes.

© M & G Therin-Weise

Ao se referir aos recentes incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal, Bolsonaro disse que o seu país tem sido alvo de uma “campanha brutal” de desinformação com “interesses” escusos.

Investimentos externos

Jair Bolsonaro lembrou que a pandemia expôs os perigos da dependência de alguns poucos países para a produção de insumos e afirmou que durante toda a crise, o Brasil permaneceu um grande produtor de alimentos para o mundo.

Ele disse que o país está aberto a investimentos em áreas tecnológicas e outras a todos que “respeitem a soberania” e a proteção de dados brasileiros.

Segundo Bolsonaro, em 2019, o Brasil foi o quarto maior destino de investimentos no mundo e teve um aumento este ano, em comparação com o ano anterior. O presidente garante que o agronegócio continua pujante e que o mundo precisa de seu país para se alimentar.

Bolsonaro afirma que o Brasil tem a “matriz energética mais limpa e diversificada do mundo. E que usa apenas 27% do seu território para atividades de pecuária e agricultura.”

©Acnur/Santiago Escobar-Jaramillo

Jair Bolsorando mencionou a acolhida pelo Brasil de mais de 400 mil venezuelanos que fogem da crise no país vizinho.

Carta da ONU

Ao falar sobre o aniversário da ONU, ele destacou que como membro-fundador, o Brasil continua comprometido com os pilares da paz e segurança, direitos humanos e com os princípios da Carta. E deu como exemplo a acolhida pelo Brasil de mais de 400 mil venezuelanos que fogem da crise no país vizinho. Bolsonaro lembrou do apoio brasileiro às operações de paz e mais de 50 atuações pelo mundo incluindo Angola e Timor-Leste, dois países lusófonos. Ele também ressaltou duas mulheres boinas-azuis brasileiras que receberam prêmios das Nações Unidas pelo trabalho contra violência sexual na República Centro-Africana e na República Democrática do Congo, na África.

Antes do debate, os organizadores do evento lembraram a importância de manter o distanciamento físico, evitar apertos de mão e contribuir com todas as medidas para evitar o contágio com a Covid-19.

Covid-19: Guterres alerta para “vacinacionalismo”

Shaping Peace Together: Celebrating 75 Years of the United Nations. In observance of the International Day of Peace, United Nations Academic Impact (UNAI) is co-hosting a musical commemoration

O secretário-geral da ONU afirmou que o populismo e o nacionalismo falharam em enfrentar a pandemia COVID-19.

O secretário-geral da ONU discursa durante a abertura da 75ª sessão da Assembleia Geral da ONU.Foto ONU/ Eskinder Debebe

No seu discurso durante a sessão de abertura da Assembleia Geral da ONU, António Guterres afirmou que a atual pandemia é uma crise como nunca assistimos sublinhando que “a covid-19 não é apenas um alerta, é um ensaio geral para o mundo dos desafios que estão por vir.”

Pela primeira vez na história de 75 anos das Nações Unidas, os chefes de Estado, de governo e ministros não estavam presentes para participar no debate anual, todos os seus discursos foram pré-gravados.

Guterres afirmou que “num mundo virado de cabeça para baixo, esta sala da Assembleia Geral está entre as imagens mais estranhas de todas. A pandemia da covid-19 tornou a nossa reunião anual irreconhecível. “

Comparando a situação atual à que se vivia no ano de 1945, ano da fundação da ONU, o secretário-geral lembrou que “aqueles que construíram as Nações Unidas há 75 anos haviam vivido uma pandemia, uma depressão global, genocídio e guerra mundial” e sublinhou que  “sabiam o custo da discórdia e o valor da unidade”, por isso, “criaram uma resposta visionária, incorporada na nossa Carta.

de fundação, com as pessoas no centro.”

Guterres apelou à solidariedade global, dizendo que “o populismo e o nacionalismo falharam … e muitas vezes tornaram as coisas manifestamente piores.”

Durante a sua intervenção, Guterres alertou ainda para o facto de “alguns países estarem a fazer acordos paralelos exclusivamente para as suas próprias populações”, avisando que esse “vacinacionalismo” não é “apenas injusto, é contraproducente” porque “nenhum de nós está seguro, até que todos nós estejamos seguros.”

Guterres pintou um quadro pouco otimista do mundo e afirmou que acovid-19 revelou as fragilidades do mundo com o aumento das desigualdades e a catástrofe climática, a ampliação das divisões sociais e a corrupção galopante.

Para Guterres, “a pandemia explorou estas injustiças, atacou os mais vulneráveis ​​e varreu o progresso de décadas. Pela primeira vez em 30 anos, a pobreza está a aumentar, os indicadores de desenvolvimento humano estão diminuindo. Estamos a perder o caminho para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”

O secretário-geral recordou a Assembleia Geral do cessar-fogo global que pediu em março passado, enquanto a pandemia se disseminava, e apelou “a um novo impulso da comunidade internacional para tornar isso uma realidade até o final deste ano.Temos exatamente 100 dias. Há apenas um vencedor do conflito durante uma pandemia: o próprio vírus”, reforçou o líder da ONU.

O Debate Geral começou esta terça-feira, dia 22 de setembro, com o a intervenção do Brasil que, como é tradição, será seguido pelo país anfitrião, os Estados Unidos.

Acompanhe o Debate Geral aqui.

Comissão diz que Espanha violou direitos de uma criança com síndrome de Down 

Em comunicado, especialistas do Conselho de Direitos Humanos criticaram decisão de autoridades espanholas de enviar a criança um centro especial de educação contra a vontade dos pais; análise foi feita pela Comissão sobre os Direitos das Pessoas com Deficiências. 

Pandemia leva ONU a realizar primeiro debate virtual da Assembleia Geral  

A pandemia da Covid-19 levou as Nações Unidas a organizarem o primeiro debate geral virtual de sua história com líderes internacionais. 

Cada país poderá ter um representante no hall da Assembleia Geral, que em muitos casos será o embaixador dos Estados-membros. O objetivo é limitar a ocupação da Assembleia para 200 pessoas, no máximo, evitando assim riscos de contaminação com o novo coronavírus. 

António Guterres fará um dos discursos da sessão de abertura, na terça-feira, by ONU/Eskinder Debebe

Recuperação da Covid-19 

Segundo o porta-voz do secretário-geral, Stephane Dujarric, essa quantidade representa menos de 10% da ocupação normal da Casa no primeiro dia do debate geral, que já chegou a mais de 2 mil pessoas. 

Numa entrevista a jornalistas, às vésperas da abertura do debate, o chefe da ONU, António Guterres, informou que priorizará três temas este ano: o cessar-fogo global, um apelo que ele lançou no início do ano, especialmente por causa das consequências da Covid-19, ação climática e a recuperação do mundo depois da pandemia. 

A ONU também confirmou que devido à crise de saúde pública, este ano não haverá o tradicional almoço dos chefes de Estado e Governo, oferecido pelo secretário-geral, nem os chamados encontros paralelos, que podem alcançar várias centenas entre os líderes internacionais, representantes do setor privado e da sociedade civil, que se reúnem todos os anos na sede da ONU. 

Países de língua portuguesa 

Dentre os países de língua portuguesa Brasil e Angola falam logo no primeiro dia. O Brasil será o primeiro a tomar a tribuna e Angola, o nono da parte da tarde. 

Na lista de quarta-feira encontra-se apenas um país lusófono: Moçambique que fala pela manhã. 

Timor-Leste, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe discursam na tarde de quinta-feira.  Neste mesmo dia, participa um outro país, onde o português é língua oficial: Guiné-Equatorial. 

O novo presidente da Assembleia Geral, Volkan Bozkir, assumiu o posto em15 de setembro, ONU/Eskinder Debebe

Já Portugal será o segundo orador na tarde de sexta-feira, um dia antes de Cabo Verde, o sétimo país da lista na tarde de sábado. 

Protocolos de segurança 

O novo presidente da Assembleia Geral, Volkan Bozkir, que assumiu o posto em15 de setembro, afirmou que encoraja o reinício gradativo de reuniões presenciais na sede da ONU cumprindo todos os protocolos de segurança para a entrada no prédio. 

Até a tarde desta sexta-feira, a organização já havia recebido mais de 20 gravações de discursos e não tinha nenhuma confirmação sobre a presença de chefes e Estado e Governo no hall da Assembleia Geral incluindo o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, o país anfitrião.