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ONU-Habitat: favelas e comunidades são próxima frente de batalha contra coronavírus 

A contaminação com covid-19 deve alastrar-se de grandes cidades como Milão, Wuhan, Nova Iorque e Madri para áreas com enormes desafios de resposta à medida que a pandemia chega à África, América Latina e a outros países da Ásia.

E a maior preocupação é com os assentamentos informais, favelas e comunidades em cidades como Rio de Janeiro, Mumbai e Johannesburgo. 

OMS

O alerta é parte de um artigo de opinião da diretora-executiva do ONU-Habitat, a agência das Nações Unidas para Assentamentos Humanos. 

Para Maimunah Mohd Sharif, a chegada da pandemia às favelas será a nova frente global de batalha contra a doença porque ali é difícil aplicar medidas de prevenção recomendadas pela Organização Mundial da Saúde, OMS. 

Existem 1 bilhão de pessoas vivendo em assentamentos informais no mundo. Fontes inseguras de água corrente, falta de sabão e de álcool gel geram dificuldades para a lavagem frequente de mãos. 

Setor informal 

Um outro ponto é a superlotação das casas e a dificuldade de distanciamento social. Muitos moradores utilizam banheiros comunitários e buscam água em fontes compartilhadas. E a subsistência de muitos habitantes depende do mercado e da venda ambulante no setor informal. 

Para Mohd Sharif, as medidas de assistência social anunciadas pelos países desenvolvidos para socorrer a população das consequências econômicas e de saúde da covid-19 têm de ser implementadas pelos países em desenvolvimento, aonde a pandemia se desloca.

Moradia 

Segundo ela, esse deve ser um esforço de governos, setor privado e sem fins lucrativos para fornecerem água, saneamento básico e moradia adequada antes que o novo coronavírus se espalhe descontroladamente por esses assentamentos.

E segundo a chefe do ONU-Habitat, a comunidade internacional deve apoiar esses governos com equipamentos e tanques de água além de outros itens de prevenção e enfrentamento da pandemia.

Ex-prefeita em seu país natal, Malásia, Mohd Sharif diz que as populações de comunidades são resilientes e bem organizadas, e têm interesse em defender a
saúde, o que segundo ela, é uma grande vantagem na luta contra a doença. 

ONU marca Dia Mundial das Aves Migratórias

Este 9 de maio é o Dia Mundial das Aves Migratórias. Lançado em 2006, no Quênia, a data ressalta a importância de conservar e restaurar os ecossistemas que sustentam os ciclos naturais e essenciais para a sobrevivência e bem-estar dessas aves. 

Com a pandemia de coronavírus, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, afirma que a data é uma oportunidade de reavaliar a relação dos cidadãos com a natureza e como reconstruir um mundo ecologicamente mais responsável.

Tema

Este ano, o tema é “Aves conectam nosso mundo”. 

As aves migratórias são parte de um patrimônio natural compartilhado e dependem de uma rede de sítios ao longo de suas rotas de migração para reprodução, alimentos, descanso e hibernação.

Mas muitas espécies de aves estão em declínio e uma das maiores causas são a perda e a destruição dos habitats naturais. 

Espécies 

O Pnuma lembra que a destruição das espécies está ligada a várias doenças infecciosas que estão sendo combatidas agora. 

O Dia Mundial das Aves Migratórias é organizado pela Convenção sobre Espécies Migratórias e parceiros.

Em 5 de junho, o Pnuma celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente.
 

Mensagem do secretário-geral por ocasião do Dia da Europa

Neste momento especial, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressa a solidariedade da ONU para com a União Europeia e a sua luta contra a pandemia da covid-19.

Guterres destaca que as pessoas na Europa e em todo o mundo esperam uma União Europeia forte e comprometida em trabalhar para salvar vidas e liderar a recuperação global.

Veja a mensagem do secretário-geral na íntegra aqui.

Apelo Global para lidar e combater o discurso de ódio relacionado com a covid-19

“À covid-19 não interessa quem somos, onde vivemos, em que acreditamos ou qualquer outra diferença. Necessitamos de toda a solidariedade possível para lidarmos com isto juntos”.
 
Esta é a mensagem de António Guterres, que alerta para o aumento do discurso de ódio no contexto da covid-19 e salienta a importância de parar o “tsunami de ódio e xenofobia” que tem vindo a crescer nos últimos tempos.
 
Veja a mensagem do secretário-geral na íntegra aqui.

Guterres: exemplo da Segunda Guerra Mundial inspira combate contra discurso de ódio

Todos os anos, em 8 e 9 de maio, as Nações Unidas marcam o Tempo de Recordação e Reconciliação pelos que perderam a vida durante a Segunda Guerra Mundial.

Para marcar a data, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que esse momento é uma homenagem às milhões de vítimas do conflito e uma forma de lembrar seus sacrifícios.

Memória 

O chefe da ONU disse que o mundo nunca deve “esquecer o Holocausto e os outros crimes graves e horrendos cometidos pelos nazistas.” Segundo ele, “a vitória sobre o fascismo e a tirania em maio de 1945 marcou o início de uma nova era.”

António Guterres lembrou que “uma apreciação pela solidariedade internacional e humanidade compartilhada levou ao nascimento das Nações Unidas, com a missão primordial de salvar as gerações seguintes do flagelo da guerra.”

O secretário-geral mencionou ainda a pandemia de covid-19, que já atingiu todos os países, com mais de 3,6 milhões de casos confirmados e mais de 251 mil mortes. Segundo ele, mesmo durante essa crise, existem “novos esforços para dividir as pessoas e espalhar o ódio.”

Ao marcarmos o 75º aniversário da ONU, António Guterres diz que é preciso “lembrar as lições de 1945 e trabalhar em conjunto para acabar com a pandemia e construir um futuro de paz, segurança e dignidade para todos.”

ONU lança apelo de 6,7 mil milhões de dólares para travar a covid-19 nos países mais vulneráveis

O subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, apelou a uma ação rápida para evitar os efeitos mais negativos da pandemia da covid-19, lançando um apelo de 6,7 mil milhões de dólares e lançando um plano global atualizado para combater o coronavírus nos países mais vulneráveis.

A covid-19 já atingiu todos os países, com quase 3.596.000 casos confirmados e mais de 247.650 mortes em todo o mundo. O pico da doença nos países mais pobres é expectável que aconteça nos próximos seis meses.

No entanto, já é evidente que os rendimentos estão em queda, há postos de trabalho a serem eliminados, os stocks de alimentos são menores e os preços estão a subir, assim como muitas crianças carecem de vacinas e refeições.

O sistema humanitário da ONU está a tomar medidas para evitar um aumento acentuado de conflitos, fome, pobreza e doenças como resultado da pandemia e da recessão global associada. O Plano Global de Resposta Humanitária atualizado foi ampliado para aumentar a sua capacidade de resposta.

Este Plano inclui mais nove países vulneráveis: Benim, Djibuti, Libéria, Moçambique, Paquistão, Filipinas, Serra Leoa, Togo e Zimbábue e programas que visam responder ao crescimento da insegurança alimentar.

Este plano atualizado de resposta humanitária foi anunciado esta quinta-feira durante um evento virtual organizado por Mark Lowcock, juntamente com o diretor executivo de Emergências em Saúde da OMS, Mike Ryan, a Presidente e CEO da Oxfam America, Abby Maxman, o alto comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi, e o diretor executivo do PMA, David Beasley. O plano foi lançado pela primeira vez pelo secretário-geral da ONU em março passado.

Para o subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, esta pandemia está a prejudicar todos, “mas os efeitos mais devastadores e desestabilizadores serão sentidos nos países mais pobres do mundo” onde “já podemos ver as economias a contraírem à medida que as receitas de exportação, as remessas e o turismo desaparecem. A menos que tomemos medidas agora, devemos estar preparados para um aumento significativo de conflitos, fome e pobreza.”

O responsável sublinha ainda que “se não apoiarmos as pessoas mais pobres – especialmente mulheres, raparigas e outros grupos vulneráveis – enquanto combatem a pandemia e os impactos da recessão global, todos teremos de lidar os efeitos colaterais durante muitos anos. Isso seria ainda mais doloroso e muito mais caro para todos.”

O Plano Global de Resposta Humanitária COVID-19 é o principal veículo de captação de recursos da comunidade internacional para responder aos impactos humanitários do vírus em países de baixo e médio rendimento. O plano reúne necessidades da OMS, de outras agências humanitárias da ONU e de Organizações não-governamentais (ONGs).

Este plano define o apoio e proteção que é necessário prestar aos mais vulneráveis, incluindo idosos, pessoas com deficiência e mulheres e raparigas, uma vez que as pandemias aumentam os níveis existentes de discriminação, de desigualdade e de violência de género.

Covid-19: resposta urgente ao surto de violência doméstica (OMS Europa)

Enquanto a violência doméstica, principalmente contra mulheres e crianças, aumenta durante o confinamento, em muitos países da região, o Escritório da Organização Mundial de Saúde para a Europa recomenda que os governos tomem medidas urgentes para combater este tipo de violência e proteger as vítimas.

Em conferência de imprensa virtual, o diretor da OMS Europa, Hans Kluge, explicou que “os dados mostram que a violência interpessoal tende a aumentar em todos os tipos de emergências. Tal requer uma ação urgente da nossa parte.”

Muitos países europeus, incluindo a Bélgica, a Bulgária, França, a Irlanda, a Federação Russa, Espanha, o Reino Unido, entre outros, reportaram um aumento da violência infligida por um ente querido contra mulheres, homens e crianças.

 

Aumento de 60% nas chamadas de emergência

Ainda de acordo com esta entidade, os Estados-membros da OMS Europa registaram um aumento de 60% nas chamadas de emergência para mulheres vítimas ou ameaçadas com violência por parte dos seus parceiros, em comparação a abril de 2019. Os pedidos de ajuda através da internet ou do telefone para serviços responsáveis por prevenir este tipo de violência aumentou cinco vezes.

Mesmo antes da pandemia de coronavírus covid-19 e do confinamento adotado por muitos países, uma em cada quatro mulheres e uma em cada três crianças foram vítimas de violência física e/ou sexual durante a vida, lembrou Hans Kluge.

Enquanto a maioria das escolas está fechada, as crianças em risco estão fora “do radar educacional e social.” O acesso aos serviços de prevenção e proteção é atualmente limitado e, durante o confinamento, a OMS destaca que “mulheres e crianças estão fora da vista da sociedade e correm maior risco de serem atacadas em casa.”

 

Atuar não é uma opção, mas uma obrigação moral

O diretor da OMS Europa deixou ainda três mensagens:

Aos governos e autoridades locais: “Não deve ser uma opção, mas uma obrigação moral garantir que os serviços que lidam com a violência doméstica estejam disponíveis, tenham os recursos necessários e que os números de emergência e serviços online sejam reforçados”.

Às comunidades e ao público em geral: “A violência não é um assunto privado. Fique ou entre em contacto com seus vizinhos, conhecidos, familiares e amigos, apoie-os. Se souber de alguma coisa, diga! “

Para aqueles que são vítimas de violência: “A violência nunca é culpa sua, nunca! A sua casa deve ser um local seguro. Entre em contacto, com as devidas precauções, com seus parentes, amigos ou associações que possam ajudar”.

“A violência, seja qual for a natureza e as circunstâncias, contra mulheres, homens, crianças ou idosos, não deve ser tolerada”, concluiu Kluge.

*Texto escrito por ONU França e Mónaco

Angola quer usar café para crescimento econômico mais sustentável 

A Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, diz que o excesso de dependência do petróleo criou “um crescimento volátil e desigual” em Angola, mas a produção de café “pode ajudar o país a mudar de rumo.”

Em 2017, Angola produziu apenas 8 mil toneladas deste grão, uma pequena parte das 230 mil toneladas que produzia no início dos anos 70, quando disputava com a Costa do Marfim e Uganda o título de maior exportador de África.

Petróleo

Quando a guerra civil terminou em Angola em 2002, as reservas de petróleo alimentaram um crescimento econômico que durou mais de uma década. O petróleo passou a representar mais de 97% do total das exportações.

O diretor da divisão de África da Unctad, Paul Akiwumi, diz que esse crescimento “foi notável, mas dependia muito de apenas um produto e era insustentável a longo prazo”.

Em 2014, esse crescimento parou, quando os preços do petróleo caíram e a economia entrou em recessão. A esperança de recuperação foi agora afastada pela crise causada pela pandemia de covid-19. 

Segundo a Unctad, os lucros das exportações de petróleo ajudaram a transformar Luanda em uma das cidades mais caras do mundo, mas quase metade dos angolanos ainda vive na pobreza. Apenas cerca de 40% dos 31 milhões de pessoas têm acesso à eletricidade.

Café

O café foi identificado em 2018 como uma prioridade durante a primeira fase da Revisão Nacional de Exportações, conduzida pela Unctad e com financiamento da União Europeia. 

A diretora da divisão de comércio internacional da Unctad, Pamela Coke-Hamilton, disse que o setor “representa uma enorme oportunidade devido às condições ecológicas adequadas e à alta qualidade dos grãos.”

Primeiro, no entanto é preciso reabilitar o setor. Entre 2016 e 2017, menos de 50 mil hectares eram dedicados a este cultivo. Na década de 70, eram 500 mil hectares.

Comunidades

O Unctad diz que a indústria pode ser importante para as comunidades mais rurais e distantes da capital. Quase todos os 25 mil produtores de café angolanos trabalham em pequenas fazendas familiares.

Além do aumento da produção, também deve ser estudado como se pode acrescentar valor ao produto. 

O presidente da Associação de Produtores de Café, Cacau e Palma do país, João Ferreira, disse que “não se deve produzir mais café apenas por produzir, é importante ter em mente o valor que se pode acrescentar.”

Isso é conseguido embalando e comercializando o produto, em vez de apenas produzir. Para ajudar, a Unctad está trabalhando com agricultores, o governo e outros envolvidos para avaliar como o país se pode posicionar na cadeia de valor global.

Além do café, a Unctad está trabalhando para desenvolver o potencial de exportação dos setores de frutas tropicais, mel e madeira do país.
 

Covid-19: ONU pede mais apoio a pessoas com deficiências

As pessoas que vivem com deficiência estão entre os grupos mais excluídos da nossa sociedade e, mesmo em circunstâncias normais, é menos provável que tenham acesso a cuidados de saúde, educação e emprego, estando mais sujeitas a viver na pobreza e a ser vítimas de violência. A covid-19 agrava ainda mais esta situação, principalmente para pessoas com deficiência em contextos frágeis e com necessidades humanitárias.

Num documento apresentado esta quarta-feira pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, as Nações Unidas destacam que as pessoas com deficiência correm maior risco de contrair o vírus e desenvolvem condições de saúde mais graves. Este grupo pode enfrentar obstáculos na implementação de medidas básicas de proteção, como lavar as mãos e manter a distância social, uma vez que necessitam de apoio e contacto físico.

Numa mensagem especial, o secretário-geral começa por destacar “como a pandemia está a afetar as mil milhões de pessoas com deficiências em todo o mundo” e lembra que estas pessoas “correm maior risco de viver na pobreza e estão expostas a taxas mais elevadas de violência, negligência e abuso.” Para Guterres, “a pandemia está a aprofundar estas desigualdades e a gerar novas ameaças”.

A ONU alerta que, em alguns casos, as decisões de racionamento de cuidados de saúde, incluindo protocolos de triagem (como a atribuição de camas de cuidados intensivos e de ventiladores), são baseados em critérios discriminatórios, como idade ou suposições sobre a qualidade ou o valor da vida com base na deficiência.

Por outro lado, o documento constata que as pessoas com deficiência, incluindo idosos com deficiência, representam a maioria das pessoas institucionalizadas a nível mundial, estando mais expostas a contraírem o vírus. Neste contexto, o secretário-geral da ONU salienta que o número de mortes relacionadas com a covid-19 em lares da terceira idade “varia entre 19% e uns impressionantes 72%.”

De acordo com este documento da ONU, as pessoas com deficiência geralmente enfrentam situações de violência em situações de isolamento e correm maior risco de violência doméstica, em particular, as mulheres e as meninas com deficiência.

A ONU destaca ainda que os sistemas de proteção social existentes oferecem pouco apoio, com apenas 28% das pessoas com deficiências significativas a terem acesso a benefícios por incapacidade a nível mundial.

Neste contexto, a Organização propõe uma resposta e recuperação inclusivas para pessoas com deficiência, identificando um conjunto de medidas que devem ser tomadas para garantir o bem-estar destas pessoas. Em primeiro lugar, é necessário garantir que as pessoas com deficiência têm acesso a informações, a comunicações, bem como a bens e serviços. As pessoas com deficiência devem também ter acesso imediato aos serviços de saúde – a informações, testes e tratamentos – e não podem ser discriminadas no acesso a serviços de saúde.

As instituições devem também tomar medidas imediatas para prevenir e responder a possíveis infeções e, sempre que possível, reduzir o número de pessoas com deficiência em todos os ambientes institucionais.

A ONU considera também que é necessário expandir os programas de proteção social convencionais e direcionados para as pessoas com deficiência e respetivas famílias, como aumentar os apoios por incapacidade, alargando a cobertura a pessoas com deficiência, providenciando subsídios complementares de invalidez, inclusive a familiares que precisam parar de trabalhar para dar apoio.

As pessoas com deficiência têm mais propensão a perder o emprego como resultado da crise e terão maiores dificuldades em regressar ao trabalho, por isso, a ONU pede para que sejam criados medidas de estímulo, incluindo para aqueles que promovem a formação e o emprego, sendo também fundamental consultar e envolver pessoas com deficiência, e as organizações que as representam, para uma resposta inclusiva à covid-19.

Neste contexto, o secretário-geral da ONU deixa um apelo aos governos para “que coloquem as pessoas com deficiências no centro das suas respostas à pandemia e dos seus planos de recuperação” lembrando que “quando asseguramos os direitos das pessoas com deficiências, estamos a investir no nosso futuro comum”.

Guia para proteger direitos das africanas em tempos de covid-19

Mulheres e meninas africanas são o público alvo de uma inciativa das Nações Unidas com a União Africana para combater discriminação e promover os direitos delas durante a pandemia.

Em parceria com o Escritório de Direitos Humanos da ONU, a organização regional apresenta sete ações aos países do continente para proteger as mulheres. 

Guia lembra que 74% das africanas atuam na economia informal e estão sendo fortemente afetadas pelas medidas de enfrentamento da pandemia. Foto: ONU/Isaac Billy

Impactos

Um guia semelhante foi criado durante surtos de ebola e zika. Para as duas entidades, o objetivo é aliviar o impacto de curto e longo prazos sobre mulheres e meninas, que são frequentemente mais atingidas pelo vírus.

O Escritório Regional para o Leste da África está promovendo a publicação “Sete Possíveis Ações – Direitos das Mulheres e Covid-19”, que visa assistir Ministérios africanos que participam da resposta à pandemia. O guia também atende à sociedade civil e a defensores de direitos das mulheres.

Para cada categoria de resposta existem recomendações. Na parte sobre trabalho, o guia lembra que 74% das africanas atuam na economia informal e estão sendo fortemente afetadas pelas medidas de enfrentamento da pandemia.

Foto: ONU/ Jean-Marc Ferré

Escritório de Direitos Humanos, em Genebra.

Abusos

Já o Protocolo de Maputo para a Carta Africana sobre Direitos Humanos e das Pessoas e sobre os Direitos das Mulheres na África reconhece os direitos econômicos, culturais e sociais delas e que a negação desses direitos expõe as mulheres a abusos. 

Segundo o guia, os países devem incluir a autonomia econômica das mulheres no setor informal em suas medidas e políticas para mitigar aa consequências da pandemia. O objetivo é fazer com que as mulheres do setor informal recebam assistência financeira. 

As mulheres também correm maior risco de contaminação. Em todo o mundo, 70% dos trabalhadores na saúde e assistência social são do sexo feminino. 

O guia recomenda ações de gênero em áreas como acesso ao alimento, água e saneamento,
processos decisórios, coleta de dados e informação e situação humanitária. 

UNESCO celebra primeiro Dia Mundial da Língua Portuguesa

5 de maio de 2020. Pela primeira vez, a Agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) comemora o Dia Mundial da Língua Portuguesa.

Esta data, oficializada em novembro passado pela UNESCO, coincide com o dia em que desde há uma década se celebrava o dia da língua portuguesa e da cultura da CPLP.

Numa mensagem especial, o secretário-geral da ONU, António Guterres, considera que a proclamação deste dia é um justo reconhecimento da “relevância global” da língua portuguesa que constitui “ela própria uma afirmação de diversidade.”

O líder da ONU constata que “a língua portuguesa vai-se construindo no dia a dia de vários povos, de todos os continentes, num constante enriquecimento da sua multiculturalidade.”

O português é falado por mais de 260 milhões de pessoas nos cinco continentes, ou seja, por 3,7% da população mundial. Atualmente, é língua oficial dos nove países-membros da CPLP (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) e de Macau, sendo também língua de trabalho ou oficial de organizações internacionais como a União Europeia, a União Africana ou o Mercosul.

Esta presença global é destacada pelo secretário-geral da ONU, que sublinha que o português tem vindo a assumir “um papel fundamental na mobilização do conhecimento, com uma presença cada vez mais visível em várias facetas culturais, adicionando valor nas dinâmicas globais da economia, da ciência e das parcerias internacionais.”

Uma língua que se tem projetado para o mundo a partir da CPLP e António Guterres diz estar “especialmente honrado por ter sido um dos fundadores desta comunidade, que se tem aprofundado e fortalecido, congregando agora o interesse de um número cada vez maior de observadores associados.”

A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) declarou, em Novembro do ano passado, o dia 5 de Maio como Dia Mundial da Língua Portuguesa, mediante proposta de todos os países lusófonos apoiada por mais 24 Estados.

A diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, lembra que a celebração deste primeiro dia realiza-se “num contexto particular – o da pandemia da covid-19” e que “nestes momentos de angústia pelo presente e de dúvidas com o futuro, a língua portuguesa pode ser o fermento de uma nova resiliência, através do poder de evocação e de unidade da cultura.”

Para a líder desta agência da ONU, numa altura em que lidamos com um vírus que “ignora passaportes”, a língua portuguesa pode ajudar a forjar a “solidariedade intelectual e moral da humanidade” a que se refere a Constituição da UNESCO.

Para assinalar este primeiro Dia Mundial da Língua Portuguesa, cerca de duas dezenas de personalidades lusófonas da política, das letras, da música ou do desporto vão juntar-se num evento virtual.

Esta iniciativa resulta de uma parceria entre o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), a representação portuguesa na UNESCO, a ONU News e a RTP.

ESPECIAL: Unesco celebra primeiro Dia Mundial da Língua Portuguesa    

Este 5 de maio é o  Dia Mundial da Língua Portuguesa. A celebração global de 2020 marca uma nova etapa: é a primeira que acontece um ano após ser instituída pela Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco.

O idioma de vários sotaques e variantes é oficial numa área de mais de 285 milhões de falantes espalhados pelo mundo.

De Cabo Verde, o estudante Lúcio Ferreira disse que a língua já é usada na política e ciência, mas “será certamente a língua do futuro”. Já a estudante Nelita, de Timor-Leste, destaca que o português é um dos mais importantes instrumentos de união: dos timorenses ao mundo e do mundo aos cidadãos do país.

Chefes de Estado e de governo, políticos, organizações da sociedade civil e celebridades juntam-se em evento virtual coordenado de Paris, sede da Unesco.

União

Durante uma década, o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da Counidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, era marcado por celebrações enfatizando a quinta língua mais falada no mundo, a terceira mais usada no Hemisfério Ocidental e a maior no Hemisfério Sul.

Em mensagem, de Lisboa, o secretário-executivo da Cplp, Francisco Ribeiro Telles, declarou que o atual momento de crise  pelas incertezas devido à pandemia da covid-19 tem impacto na língua portuguesa.

“A situação de estado de emergência em muitos países, incluindo da Cplp, fez surgir termos até então muito pouco utilizados na linguagem corrente: teletrabalho, distanciamento social, isolamento, confinamento domiciliar, quarentena, casos positivos e vítimas mortais, por exemplo, que passaram a fazer parte das nossas conversas diárias e lideram o catálogo das notícias dos principais meios de comunicação internacionais.”
Ribeiro Telles mencionou o reflexo negativo da pandemia em agendas de diversos setores que foram forçados a reduzir o ritmo de atividades em nações lusófonas.

O primeiro evento global na Unesco destaca a cooperação para projetar o português.  O ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares, elogiou a ação diplomática que culminou com a consagração da data. Até este ano, o país detém a presidência rotativa da Cplp.

“Vamos continuar a trabalhar para que na frente diplomática a língua portuguesa seja uma língua de trabalho das Nações Unidas. Já é língua de trabalho dos países da África Ocidental, na União Africana. Vamos continuar a trabalhar para que seja a língua de trabalho normal das Nações Unidas.”

O chefe da diplomacia cabo-verdiana vê a celebração como afirmação do estatuto internacional e universal do português. 

O primeiro Dia Mundial da Língua Portuguesa marca a primeira vez em que um idioma não oficial é celebrado na Unesco.  

A importância cultural da língua presente nos cinco continentes também acontecerá em eventos programados no bloco lusófono que integra Angola,  Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe.

Estudantes

A Cplp também destaca a cooperação como outro marco do momento atual.

Nas celebrações em tempos de quarentena e isolamento, a estudante de Angola aponta o português como língua que permite que “falantes de vários idiomas do povo angolano tenham um veículo de comunicação promovendo o desenvolvimento”.

Jaime Bonga de Moçambique celebra o português como língua que “diariamente se renova, diante da diversidade cultural no imenso território”. Sobre o tema, uma estudante de São Tomé e Príncipe comparou o português a “tijolos que, ao longo do tempo, ajudam a construir o percurso de vida e a moldar a personalidade.”

Segundo a Missão do Brasil junto à ONU, o país  planeja criar o Instituto Guimarães Rosa, coordenado pelo Ministério das Relações Exteriores. Atividades de promoção e ensino de português são realizadas pelo Instituto da Cooperação e da Língua, Camões, e Instituto da Língua Portuguesa Iilp.

Guterres: “nenhum de nós está seguro até que todos estejam seguros”

O secretário-geral da ONU, esta segunda-feira, alertou os governos que “medidas abrangentes e coordenadas de saúde pública são críticas para diminuir a transmissão e salvar vidas” numa altura em que a covid-19 “se espalhou por todos os cantos do mundo, infetando mais de 3,3 milhões de pessoas e reivindicando mais de 230.000 vidas.”

António Guterres participou na sessão de abertura de um evento promovido pela Comissão Europeia para a angariação de fundos para a “Resposta Global ao Coronavírus: Unir Forças para Acelerar a Produção de Desenvolvimento e Acesso Equitativo a Novas Vacinas, Diagnósticos e Terapêuticas.”

Na sua intervenção, o líder da ONU destacou que “num mundo interligado, nenhum de nós está seguro até que todos estejam seguros” e saudou esta iniciativa da União Europeia que tem como objetivo arrecadar 7,5 mil milhões de euros para financiar a resposta à pandemia. Para o secretário-geral da ONU, estas novas ferramentas “podem ajudar-nos a controlar totalmente a pandemia e devem ser tratadas como bens públicos globais disponíveis e acessíveis a todos”, sublinhando ainda que “este é o único caminho para um mundo livre da covid-19.”

Um processo que não se adivinha fácil e que, para Guterres, irá exigir “o maior esforço de saúde pública da história.”

Contudo, apesar deste passo importante, o secretário-geral lembra que, para que esta resposta chegue a todos, em qualquer ponto do mundo, serão necessários mais recursos, apelando a todos os parceiros para que se juntem a esse esforço.

A conferência foi moderada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que anunciou uma contribuição de mil milhões de euros por parte da Comissão Europeia para esforço coletivo de desenvolver tratamentos e instou os países a mobilizar mais fundos.

O evento contou com a participação de vários líderes políticos, entre eles, o primeiro-ministro português. António Costa anunciou uma contribuição de 10 milhões de euros para esta resposta conjunta, destacando que só com uma vacina, tratamento e diagnósticos será possível combater esta pandemia.

Em meio a conflito, covid-19 chega ao Iêmen

Até o momento, existem sete casos confirmados de covid-19 no sul do Iêmen, incluindo duas mortes. A Organização Mundial da Saúde, OMS, acredita que o vírus está circulando ativamente em todo o país.

A agência da ONU afirma que, quando as pessoas estão informadas e existem medidas para testar, rastrear, isolar e cuidar de casos, a transmissão do vírus pode ser controlada.

Riscos

Até o momento, mais de 215 países, territórios e áreas relataram casos do vírus, afetando alguns dos sistemas de saúde mais avançados e sofisticados do mundo.

A OMS lembra que, após cinco anos de guerra, “o sistema de saúde do Iêmen é frágil e enfrenta escassez catastrófica.” Os suprimentos para combater a covid-19 são insuficientes.

Segundo estudos da agência, o vírus pode afetar 16 milhões de homens, mulheres e criança, que representam mais de 50% da população.

A OMS está a trabalhar com parceiros nacionais para maximizar os recursos disponíveis. Também estão sendo mobilizados recursos adicionais, tentando criar uma cadeia de suprimentos mais confiável.

Trabalho

As autoridades estão tentando testar, tratar e isolar casos suspeitos e confirmados, contando com linhas diretas estabelecidas em todo. Cerca de 333 equipes de de resposta rápida estão trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana.

Foram reforçadas as capacidades de quatro laboratórios centrais. Em breve, mais quatro laboratórios terão capacidade de realizar testes para a covid-19.

A OMS afirma que, enquanto existirem casos que não sejam identificados, o vírus “continuará a representar uma ameaça significativa para o povo iemenita e seu sistema de saúde.”

Segundo a agência, mesmo em ambientes com poucos recursos, a ação conjunta entre o governo, grupos comunitários e setor privado pode mitigar o impacto da pandemia.

Mensagem do secretário-geral sobre o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

Os jornalistas e os profissionais dos media são cruciais para nos ajudar a tomar decisões informadas!

Neste dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apela aos governos que garantam aos jornalistas todas as condições para que possam fazer o seu trabalho durante a pandemia da covid-19.

Guterres alerta que à medida que a pandemia se espalha, dá origem  a uma segunda pandemia de desinformação mas lembra também que a  imprensa fornece o antídoto: notícias e análises verificadas, científicas e baseadas em factos.

Veja aqui a mensagem do secretário-geral da ONU na íntegra.