Novo relatório mostra que um em cada quatro adolescentes sente-se nervoso, irritado ou com dificuldades em dormir pelo menos uma vez por semana; tecnologia pode ter benefícios, mas também aumentar vulnerabilidades; consumo de álcool e tabaco continua caindo, mas permanece alto.
Ivete Sangalo e Dilsinho gravam música beneficente com artistas latinos
A empresa Sony Music Latin, em parceria com a ONG Global Citizen, lançaram uma nova versão do tema “Color Esperanza” para arrecadar fundos para a resposta da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, contra a Covid-19.
Os brasileiros Ivete Sangalo e Dilsinho fazem parte de um grupo de 30 artistas convidados, que incluem Ruben Blades, Prince Royce, Carlos Rivera ou Carlos Vives.
Esperança
A gravação do tema de Diego Torres está disponível em todas as plataformas digitais. Em nota, o presidente latino-americano da Sony Music, Alex Gallardo, disse que há quase 20 anos que o tema “brilha como um farol de esperança para os fãs de música em todos os lugares.”
Segundo Gallardo, “a nova versão deste clássico inclui algumas das maiores estrelas da música latina” porque “a música traz esperança quando mais precisamos dela.”
Para o co-fundador da Global Citizen, Hugh Evans, a iniciativa é uma forma de “celebrar os profissionais de saúde em todo o mundo e apoiar a resposta da Opas.” Segundo ele, o mundo “deve continuar trabalhando como uma comunidade global para enfrentar a crise e investir nas soluções necessárias para impedir outra pandemia. ”
Já a diretora da Opas, Carissa F. Etienne, agradeceu as duas organizações, dizendo que “trazem esperança ao povo das Américas.” Etienne afirmou que os fundos arrecadados permitirão que a agência continue apoiando os Estados-membros na sua resposta, sobretudo para as populações mais vulneráveis.
Música
“Color Esperanza” foi escrita pelo compositor argentino Coti Sorokin e pelo produtor Cachorro López, com a colaboração de Diego Torres.
Desde seu lançamento, há quase 20 anos, que oferece uma mensagem de união e paz e esperança. O tema já foi adotado por várias causas e movimentos sociais, devido à sua mensagem sobre mudança.
Além do áudio, foi lançado um vídeo com todos os artistas. Para oferecer suporte, os fãs podem usar as hashtags #streamforhope, #streamforesperanza ou #coloresperanza2020.
Guterres: “covid-19 revelou fragilidades do nosso mundo”
O secretário-geral da ONU alertou que, apesar dos enormes avanços científicos e tecnológicos das últimas décadas, “um vírus microscópico” expôs uma fragilidade que “não se limita aos nossos sistemas de saúde. Afeta todas as áreas do nosso mundo e as nossas instituições.”
Dirigindo-se à Assembleia Mundial de Saúde, que teve lugar esta segunda-feira, António Guterres lembrou que a fragilidade dos esforços globais coordenados é evidenciada pelo fracasso da comunidade internacional na resposta à crise climática, ao desarmamento nuclear e à segurança cibernética.
Neste contexto, a covid-19 pode ser o momento de “acabar com a arrogância” e aproveitar esta ameaça global para exigir “uma nova unidade e solidariedade”, afirmou Guterres, que destacou ainda que “temos visto alguma solidariedade, mas muito pouca unidade, na nossa resposta à covid-19.”
Aos Estados-membros da OMS, Guterres advertiu também que os países “seguiram estratégias diferentes, às vezes contraditórias” e alguns “ignoraram as recomendações da Organização Mundial da Saúde” fazendo com que o vírus se espalhasse pelo mundo, estando agora a mover-se para sul, “onde o seu impacto pode ser ainda mais devastador.”
O secretário-geral relembrou que, desde o início da pandemia, as Nações Unidas tem defendido uma resposta com três eixos: uma resposta de saúde em larga escala, coordenada e abrangente, orientada pela OMS, com ênfase na solidariedade para com os países em desenvolvimento; políticas para lidar com as dimensões sociais e económicas devastadoras da crise e a necessidade de que a recuperação da crise da covid-19 dê origem a economias e sociedades mais iguais, inclusivas e sustentáveis, mais fortes e mais resilientes.
Guterres garantiu que toda a família das Nações Unidas está solidária com os milhares de colegas da Organização Mundial da Saúde que estão a trabalhar em todo o mundo para apoiar os Estados-membros a salvar vidas e a proteger os vulneráveis, sublinhando que “a OMS é insubstituível” e, por isso, “precisa de recursos, principalmente para prestar apoio aos países em desenvolvimento, que devem ser nossa maior preocupação.”
Proteger o mundo em desenvolvimento “não é uma questão de caridade ou generosidade”, afirmou ainda o líder da ONU, mas “uma questão de interesse próprio”, porque o norte não poderá derrotar a covid-19 “a menos que o Sul global o derrote ao mesmo tempo.”
Guterres deixou ainda uma palavra de apreço e de homenagem aos profissionais de saúde que estão na linha da frente e “que são os heróis desta pandemia. De enfermeiros, médicos e parteiras a técnicos e administradores, milhões de profissionais de saúde estão em perigo todos os dias para nos proteger. Devemos a eles o nosso mais profundo agradecimento e solidariedade”, concluiu.
Projeto da Universidade de Coimbra entre finalistas de concurso da ONU
O projeto R€cycler, da Universidade de Coimbra, está entre os seis finalistas do 2030 Campus Challenge. A fase final do concurso, lançado em outubro do ano passado, terá lugar no próximo dia 5 de junho, por videoconferência, e reunirá seis equipas internacionais, formadas por estudantes e professores de diversas instituições universitárias, que terão a oportunidade de apresentar as suas propostas inovadoras para campos universitários sustentáveis e inclusivos perante um júri composto por organizações como a ONU, a AUF, a Enactus, a Groupe SOS e a Impact Campus.
Aberto a equipas de estudantes e/ou professores, a iniciativa, organizada pela Agência Universitária da Francofonia (AUF) com o apoio do Centro de Informação Regional das Nações Unidas (UNRIC) e da start-up francesa Agorize, mobilizou, na sua primeira fase, 283 equipas e 1351 participantes de 97 nacionalidades, 50,2% dos quais eram mulheres, e estudantes em 87 países diferentes.
O desafio principal era a proposta de um projeto que tivesse impacto direto em pelo menos três dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, estando enquadrado num dos seguintes temas: condições de vida estudantil, o campus na cidade, novos desafios na formação e o digital no campus.
Projecto da Universidade de Coimbra entre os seis finalistas
O projeto R€cycler, da Universidade de Coimbra, tem como objetivo principal a sensibilização da comunidade académica para a reciclagem de dois resíduos principais: o plástico e os equipamentos elétricos e eletrónicos (EEE). Segundo uma das responsáveis pelo projeto, a professora Helena Gervásio, “a taxa de reciclagem [do plástico], pelo menos em Portugal, continua a ser muito baixa (os dados mais recentes apontam para uma taxa de reciclagem de embalagens em plástico de 35%) e o seu impacto no meio ambiente é, como todos sabemos, muito grande”. Em relação aos resíduos EEE, alerta não só para o facto de, com o avanço tecnológico, estes serem cada vez mais abundantes, como também para a importância de serem devidamente encaminhados e, em alguns casos, recuperados.
O projeto pretende incentivar a reciclagem “através da colocação de pontos de recolha espalhados pelo campus”, com uma “pequena retribuição económica” para quem colaborar, e de “sessões de esclarecimento e de sensibilização da comunidade académica para a questão da valorização e reciclagem destes e outros resíduos”.
A professora universitária salienta ainda a crescente preocupação com as questões da sustentabilidade e destaca que “estas iniciativas vêm das instituições, mas também dos próprios estudantes”, que cada vez mais se manifestam e introduzem novas práticas na vida universitária.
“A Universidade de Coimbra está fortemente comprometida em promover os ODS e implementar comportamentos mais sustentáveis em todas as suas atividades”, tendo como principal objetivo ser “a primeira universidade portuguesa a alcançar a neutralidade carbónica” e “promover uma cidadania ativa, socialmente responsável e inclusiva”, com metas bem estabelecidas, a curto e longo prazo.
O desafio final
Numa primeira fase de seleção, 30 equipas foram convocadas para continuar a desenvolver os seus projetos, sendo que, após nova seleção, apenas seis propostas serão apresentadas na final do próximo dia 5:
- BIOWAySTE, da Universidade de Balamand, Líbano
- Interdisciplinary Idea, da Universidade Gadjah Mada, Indonésia
- Les strasbourgeois, da EM Strasbourg Business School, França
- Plasma, da Universidade Estadual de Campinas, Brasil
- R€cycler, da Universidade de Coimbra, Portugal
- WE LEARN WE LAB, da Universidade Senghor, Egipto
As seis equipas finalistas serão acompanhadas pela Sparknews, um dos parceiros do UNRIC, na preparação da sua apresentação. O evento consistirá numa mesa redonda com o tema “De que forma estão as universidades a contribuir para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 2030?” e é expectável que cada equipa defenda a sua iniciativa e responda a questões colocadas pelo júri.
A final será transmitida em direto no Youtube e na página de Facebook da AUF no dia 5 de junho, sexta-feira, entre as 13:00 e as 16:00 de Portugal.
Os três melhores projetos ganharão uma semana de “Expedição de Aprendizagem” oferecida pela AUF, válida para dois membros da equipa (com viagem, formação, reuniões profissionais e estadia incluídas).
Com mais de 20 idiomas, Moçambique tenta quebrar barreiras linguísticas
A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, está apoiando um novo programa educativo de promoção do bilinguismo e do ensino das línguas nacionais moçambicanas.
Desde a independência de Portugal, em 1975, e face à variedade linguística do país, Moçambique decidiu adotar o português como língua oficial e de comunicação nacional.
Serviços
Mas em todo território, existem mais de 20 línguas e muitas crianças só aprendem o português quando chegam à idade escolar. Dentre as mais faladas estão macua e xangana.
Num artigo em sua página na internet, a Unesco explica que o conhecimento da língua portuguesa é vital para acessar os serviços públicos, mas a proficiência em línguas locais é crucial para a inclusão comunitária.
Segundo a Unesco, apenas 17% dos moçambicanos falam português como primeira língua. Por isso, se faz necessário incorporar o ensino das línguas nacionais em programa de educação de adultos, num país onde os índices de analfabetismo permanecem altos.
Jovens e adultos
Em 2017, o país do sul da África desenvolveu o novo currículo de educação primária para adultos e jovens.
O projeto foi preparado pelo Diretório Nacional de Educação de Adultos com o apoio do Programa de Desenvolvimento de Capacitação para Educação.
A nova grade cobre seis disciplinas: português, línguas moçambicanas, ciências naturais, ciências sociais, matemática e habilidades para vida.
No ano passado, cinco distritos receberam o currículo num programa piloto em quatro províncias: Gaza, Maputo, Nampula, e Sofala. Professores e formadores de educação para adultos estão utilizando o programa
pelo segundo ano.
Compromisso
Um dos benefícios do ensino bilíngue é um maior compromisso e retenção da educação entre os alunos.
O especialista do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humanos, Alcido Timba, disse que as pessoas se envolvem mais com o que têm familiaridade.
Padronização
Já a professora bilíngue de português e xangana, Zenalda Silvestre Machonga, explica que utiliza a língua local para descrever aspectos que os alunos não entendem bem porque alguns temas são melhor explorados na língua materna. E somente a partir daí, ela passa a discussão ao português.
O programa está implementando material didático em cinco línguas nacionais assim como em português. A iniciativa também apoia a padronização da escrita em 19 línguas.
Atualmente, Moçambique tem 370
mil adultos matriculados no programa.
Em Dia Mundial, Guterres diz que telecomunicações podem ser “farol de esperança”
Este domingo, 17 de maio, marca o Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação. Esse ano, o tema é “Conectando 2030: Tecnologias de Informação e Comunicação para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.
Em mensagem sobre o dia, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que “a tecnologia da informação pode ser um farol de esperança, permitindo que bilhões de pessoas em todo o mundo se conectem.”
Importância
Para o secretário-geral, durante a pandemia de Covid-19, as conexões com entes queridos, escolas e faculdades, locais de trabalho e profissionais da saúde “são mais importantes do que nunca.”
O secretário-geral disse que as novas tecnologias, de 5G à computação em nuvem e inteligência artificial, “são ferramentas poderosas para enfrentar os desafios mais prementes do mundo, incluindo a pandemia.”
Segundo ele, “não deixar ninguém para trás significa não deixar ninguém offline.”
Para o chefe da ONU, o dia mundial lembra que “a cooperação internacional em tecnologia digital é essencial para ajudar a derrotar a Covid-19 e alcançar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.”
Aprovados em 2015, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, reconhecem que a disseminação destas tecnologias e a interconexão global têm um grande potencial para acelerar o progresso humano e diminuir o fosso digital.
Sustentabilidade
O tema desse ano destaca os avanços destas tecnologias na transição para um desenvolvimento mais inteligente e sustentável. A ONU pretende realçar soluções específicas e novas tendências que promovem sustentabilidade econômica, ambiental e social.
A Agenda Connect 2030, criada pela União Internacional das Telecomunicações, UIT, é um plano global para o setor que assenta em cinco objetivos estratégicos: crescimento, inclusão, sustentabilidade, inovação e parceria.
Segundo António Guterres, a UIT está trabalhando com a comunidade da tecnologia da informação e comunicação e com as agências da ONU para ajudar a combater a crise e criar oportunidades durante a recuperação.
Bachelet pede discriminação zero em Dia Internacional contra Homofobia, Transfobia e Bifobia
Este 17 de maio marca o Dia Internacional contra Homofobia, Transfobia e Bifobia.
Em nota, a alta comissária de Direitos Humanos da ONU afirmou que as pessoas Lgbti estão mais expostas a estigmas, discriminação e violência incluindo quando procuram serviços médicos e até mesmo em suas famílias.
Efeito
Para Michelle Bachelet, este ano por causa da pandemia de Covid-19, a situação dessas comunidades está mais difícil.
Ela pediu a todos que se manifestem contra o ódio, os preconceitos e estigmas e a violência sofridos pelos gays, transsexuais e bissexuais.
Bachelet afirmou que essas atitudes têm um efeito arrasador sobre a vida das pessoas.
Décadas
O Escritório de Direitos Humanos da ONU tem liderado e promovido ações de tratamento justo para a comunidade Lgbti.
A alta comissária lembrou que houve progressos nas últimas décadas desde a descriminalização de relações homossexuais até igualdade de matrimônio.
Michelle Bachelet lembrou, no entanto, que os avanços ainda não são universais e por isso ela espera que todos se juntem a sua agência para defender direitos humanos para todos.
Mensagem da OMS para os europeus: “agora depende de nós”
Os europeus estão perante uma bifurcação na luta contra a covid-19 e está nas suas mãos seguirem o caminho de uma nova normalidade, com restrições de movimento e de interações sociais. Em conferência de imprensa, que teve lugar esta quinta-feira em Copenhaga, o diretor do Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Europa, Dr. Hans Kluge, afirmou que “a desconfiança, a resistência às medidas, o desrespeito pelas mudanças comportamentais que todos fizemos para limitar a covid-19, levarão a um caminho que nenhum de nós deseja seguir”. O responsável considera que “o nosso comportamento hoje definirá o caminho para a pandemia”, lembrando que “à medida que os governos levantam restrições, as pessoas serão os principais atores.”
A OMS apela a que todos “sigam as recomendações das autoridades nacionais, que limitem as interações sociais, que continuem a lavar as mãos, que mantenham o distanciamento físico e que reduzam os riscos para os mais vulneráveis, idosos e pessoas com condições crónicas de saúde subjacentes.”
Kuge explicou que houve uma desaceleração geral da pandemia na Europa, que inclui as ex-repúblicas da União Soviética, mas enfatizou também que se registou um aumento de casos na parte oriental do continente. Atualmente, há 1,78 milhões de casos confirmados e 160.000 mortes, representando 43% dos casos e 56% das mortes em todo o mundo.
A Federação Russa, o Reino Unido e Espanha permanecem entre os 10 países em todo o mundo que relatam a maioria dos casos nas últimas 24 horas.
Neste contexto, a OMS enfatiza que “não deve haver espaço para complacência” e que “temos que permanecer vigilantes”, lembra a importância de as autoridades “ouvirem os seus públicos” e reiterou que o público em geral tem um papel a desempenhar para manter a covid-19 à distância.
“O nosso comportamento determinará o comportamento do COVID-19. Agora depende de nós”, afirmou Kluge.
A OMS explica também que “até que uma vacina ou tratamentos estejam disponíveis, limitar o vírus requer uma parceria entre as pessoas e os decisores políticos – um contrato social que se estende além do controle de qualquer funcionário ou líder do governo. A vigilância é uma responsabilidade de toda a sociedade.”
*Texto produzido pela secção dos Países Nórdicos do UNRIC
Em dia internacional, ONU destaca necessidade de proteger famílias durante crise
Esta sexta-feira, 15 de maio, marca o Dia Internacional das Famílias. Esse ano, a ONU diz que a data “acontece durante uma das crises sociais e de saúde mais desafiadoras do mundo.”
Segundo a organização, a pandemia de covid-19 destaca a importância de se investir em políticas sociais que protegem os indivíduos e famílias mais vulneráveis.
Importância
Para as Nações Unidas, “são as famílias que suportam o peso da crise, protegendo seus membros, cuidando das crianças que estão fora da escola e, ao mesmo tempo, continuando suas responsabilidades laborais.”
O aumento da pressão econômica e incerteza aumentam, normalmente, a violência a mulheres e crianças. Por isso, a ONU afirma que “o apoio às famílias vulneráveis, incluindo àquelas que perderam renda, que têm crianças pequenas, idosos e pessoas com deficiência, é mais necessário agora do que nunca.”
Mulheres
Em todo o mundo, as mulheres estão participando cada vez mais da força de trabalho, mas continuam a assumir uma carga desproporcional do trabalho doméstico. Isso torna o equilíbrio entre trabalho e família mais difícil de alcançar.
Segundo a ONU, enquanto o mundo luta para responder à crise, “há uma oportunidade real de repensar e transformar a maneira como nossas economias e sociedades funcionam para promover uma maior igualdade para todos.”
Nesse processo, a organização afirma que “é preciso ficar claro que a igualdade de gênero não será alcançada sem maior igualdade nas famílias.” Por isso, a Plataforma de Ação de Pequim “continua a ser um roteiro visionário.”
O documento internacional, sobre empoderamento de mulheres, celebra em 2020 seu 25º aniversário. A Declaração de Copenhague, sobre desenvolvimento social, também foi aprovada há 25 anos.
Mudanças
As famílias em todo o mundo continuam mudando. Em média, estão se tornando menores e o número de famílias monoparentais continua crescendo. Nesse momento, 65% de todas as famílias são compostas por casais que vivem com seus filhos ou casais com filhos e membros da família alargada, como avós.
Para as Nações Unidas, “o número decrescente de famílias extensas e o número crescente de famílias monoparentais colocam em foco a questão da proteção social.”
Por decisão da Assembleia Geral da ONU, o Dia Internacional da Família é celebrado a 15 de maio desde 1993. Segundo a resolução que criou a data, o dia “oferece uma oportunidade para promover a conscientização sobre questões relacionadas às famílias e aumentar o conhecimento dos processos sociais, econômicos e demográficos que as afetam.”
ONU emite recomendações para promover a saúde mental
A saúde mental e o bem-estar das comunidades têm sido severamente afetados pela pandemia da covid-19. As pessoas estão a ser afetadas pelos impactos imediatos do vírus na saúde, pelo distanciamento social, o receio de infeção, a morte ou a perda de entes queridos.
Numa mensagem especial sobre este tema, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lembra que “a saúde mental está no centro da nossa humanidade” e nos “permite ter vidas enriquecedoras e gratificantes”.
No entanto, o líder da ONU alerta que “o vírus da COVID-19 não está apenas a atacar a nossa saúde física, também está a aumentar o sofrimento psicológico.”
Segundo um policy brief sobre saúde mental lançado, esta quinta-feira, pelo secretário-geral da ONU, os sintomas de depressão e de ansiedade estão a registar níveis acima do normal. Por exemplo, um grande estudo efetuado na Etiópia, em abril de 2020, estima que a taxa de prevalência de sintomas consistentes com transtorno depressivo é de 33%, o triplo em comparação com as estimativas do país antes da epidemia. Dados vindos do Canadá revelam também que 20% da população entre os 15 os 49 anos consome mais álcool durante o período da pandemia.
Neste contexto, a ONU enfatiza que milhões de pessoas enfrentam dificuldades económicas, uma vez que perderam, ou correm o risco de perder, o seu rendimento ou o seu meio de subsistência e identifica os grupos que evidenciam maior grau de sofrimento psicológico relacionado com a covid-19.
Segundo o documento, os profissionais de saúde que estão na linha da frente são dos mais afetados porque lidam com uma grande sobrecarga de trabalho, correm o risco de serem infetados e de disseminarem a infeção, e testemunham a morte de pacientes. Para além disso, a estigmatização destes trabalhadores é comum em muitas comunidades.
As crianças e adolescentes são outro grupo particularmente afetado, devido ao stress familiar, isolamento, interrupção da educação e incerteza sobre o seu futuro, sendo que as crianças, incluindo os adolescentes, correm um risco particular de abuso.
As mulheres, bem como as pessoas com condições de saúde mental pré-existentes, os idosos e pessoas com condições de saúde pré-existentes e as pessoas que vivem em contextos humanitários são outros grupos identificados como sendo muito vulneráveis.
Ainda de acordo com esta publicação da ONU, em situações de conflito, 1 em cada 5 pessoas tem uma condição de saúde mental e os efeitos da covid-19 no cérebro são preocupantes. As manifestações neurológicas como dores de cabeça, perda do olfato e paladar, agitação, delírio, derrames e meningoencefalite têm sido observadas em pessoas com covid-19, em muitos países, sendo que o stress, o isolamento e a violência familiar afetam a saúde e o desenvolvimento do cérebro em crianças e adolescentes. Por outro lado, o isolamento, a falta de atividade física e a reduzida estimulação intelectual aumentam o risco de declínio cognitivo e de demência em adultos mais velhos. No entanto, devido aos constrangimentos gerados pela pandemia, o acesso aos serviços de saúde mental, em muitos países, foi interrompido.
O que deve ser feito
As Nações Unidas alertam que o falta de investimento crónico em saúde mental precisa de ser corrigido sem demora para evitar um aumento maciço das condições de saúde mental e mitigar os custos sociais e económicos de longo prazo para a sociedade.
As necessidades na área da saúde mental devem ser tratadas como um elemento central da resposta de todos os países e da recuperação da pandemia da covid-19, promovendo a redução das adversidades relacionadas com pandemias que prejudicam a saúde mental como, por exemplo, a violência doméstica e o empobrecimento agudo.
Para tal, a ONU enfatiza que é necessário garantir o acesso a serviços de saúde mental de emergência e apoio psicossocial, de maneira a não colocar as pessoas em risco de infeção, por exemplo, investindo em intervenções de saúde mental que podem ser realizadas remotamente e garantir um aconselhamento de qualidade aos profissionais de saúde e a pessoas com depressão e ansiedade.
Adicionalmente, a recuperação da covid-19 deve ser apoiada através da construção de serviços de saúde mental para o futuro, assegurando que a cobertura de distúrbios mentais, neurológicos e de abuso de substâncias são contempladas pelos seguros de saúde.
Neste contexto, o secretário-geral da ONU sublinha que “à medida que recuperamos da pandemia, precisamos transferir mais serviços de saúde mental para a comunidade e garantir que a saúde mental seja incluída na cobertura universal de saúde. Guterres garante também que “as Nações Unidas estão fortemente comprometidas em criar um mundo em que todos, em qualquer lugar, tenham alguém a quem recorrer para ter apoio psicológico” e apela “aos governos, à sociedade civil, às autoridades de saúde e a outros que reúnam com urgência para abordar a dimensão da saúde mental desta pandemia.”
Guterres alerta para efeitos psicológicos da pandemia
O secretário-geral da ONU, António Guterres, publicou na quinta-feira um relatório destacando a necessidade de ação para proteger a saúde mental das pessoas durante a pandemia de covid-19.
Para o chefe da ONU, o novo coronavírus “não está apenas a atacar a saúde física, também está a aumentar o sofrimento psicológico.”
Consequências
António Guterres lembrou as várias formas como a doença afeta o bem-estar dos cidadãos, como luto pela perda de entes queridos, choque com a perda de emprego, isolamento e restrições à circulação, dinâmicas familiares difíceis, incerteza e medo do futuro.
Para ele, “problemas de saúde mental, incluindo depressão e ansiedade, são algumas das maiores causas de miséria no nosso mundo.”
O secretário-geral lembrou depois o seu percurso, dizendo que contatou de perto com médicos e psiquiatras que tratam estas condições ao longo de toda a sua vida.
Como ex-primeiro-ministro de Portugal, e como ex-alto-comissário para os Refugiados, conheceu de perto o sofrimento que causam. Ele diz que “esse sofrimento é frequentemente exacerbado pelo estigma e pela discriminação, o que é absolutamente inaceitável.”
Serviços
Guterres disse que “após décadas de negligência e de investimento insuficiente em serviços de saúde mental, a pandemia está a atingir famílias e comunidades com um estress mental adicional.”
Profissionais de saúde, idosos, adolescentes e jovens, pessoas com condições de saúde mental pré-existentes e todos os que vivem em situações de conflito e de crise estão sob maior risco. Guterres diz que a comunidade internacional deve “ajudá-los e apoiá-los.”
Segundo ele, mesmo quando a pandemia estiver controlada, a dor, a ansiedade e a depressão continuarão afetando pessoas e comunidades. Por isso, as Nações Unidas lançaram um novo resumo de políticas sobre o tema.
O documento afirma que os serviços de saúde mental devem ser uma parte essencial de todas as respostas, sendo expandidos e totalmente financiados. Além disso, os confinamentos e quarentenas não devem discriminar aqueles que têm este tipo de problemas.
Resposta
À medida que o mundo se recupera da pandemia, também é necessário prestar mais serviços de saúde mental e garantir que esses cuidados sejam incluídos na cobertura universal de saúde.
O secretário-geral afirma que “as Nações Unidas estão fortemente comprometidas em criar um mundo em que todos, em qualquer lugar, tenham alguém a quem recorrer para ter apoio psicológico.”
Guterres apela aos governos, à sociedade civil, às autoridades de saúde e a outros que reúnam, com urgência, para abordar esta dimensão da pandemia.
Para o chefe das Nações Unidas, os governos têm uma oportunidade para anunciar “compromissos ambiciosos” durante a Assembleia Mundial da Saúde, que começa na próxima segunda-feira, 18 de maio.
ONU prevê quebra de 8,5 biliões dólares para a economia mundial nos próximos 2 anos
No contexto de uma pandemia devastadora, a economia global deverá contrair 3,2% este ano, de acordo com o relatório intercalar de 2020 sobre a Situação Económica Mundial e Perspetivas das Nações Unidas (WESP), divulgado esta quarta-feira.
Segundo o documento, a economia global deverá perder quase 8,5 biliões de dólares nos próximos dois anos devido à pandemia da covid-19, eliminando quase todos os ganhos dos últimos quatro anos.
A forte contração económica, a maior desde a Grande Depressão da década de 1930, substitui assim as previsões económicas de um crescimento de 2,1% feitas no início do ano.
O relatório estima que o crescimento do PIB nas economias desenvolvidas caia 5% em 2020. Um crescimento modesto de 3,4% – apenas o suficiente para compensar a perda de produção – é esperado em 2021. Prevê-se que o comércio mundial contraia quase 15% em 2020, devido à diminuição da procura global e às perturbações nas cadeias de abastecimento. Quase 90% da economia mundial está sob algum tipo de bloqueio, interrompendo as cadeias de abastecimento, deprimindo a procura dos consumidores e colocando milhões de pessoas sem trabalho. As economias desenvolvidas deverão contrair 5% em 2020, enquanto a produção dos países em desenvolvimento diminuirá 0,7%.
A pandemia está a acentuar a pobreza e as desigualdades
De acordo com estas previsões, a pandemia provavelmente fará com que cerca de 34,3 milhões de pessoas caiam abaixo da linha de extrema pobreza em 2020, com 56% desse aumento a ter lugar nos países africanos. Outros 130 milhões de pessoas podem juntar as fileiras dos que vivem em pobreza extrema até 2030, causando um enorme golpe nos esforços globais para erradicar a extrema pobreza e a fome.
A pandemia, que está a afetar desproporcionalmente os empregos de baixas qualificações e de salários baixos, ampliará ainda mais a desigualdade de rendimentos dentro e entre os países. Perante uma crise sanitária, social e económica sem precedentes, governos em todo o mundo adotaram grandes medidas de estímulo orçamental – equivalentes a cerca de 10% do PIB – para combater a pandemia e minimizar os seus impactos nos meios de subsistência.
No entanto, a profundidade e a gravidade da crise deixam adivinhar uma recuperação lenta e dolorosa. O economista-chefe da ONU e secretário-geral adjunto para o Desenvolvimento Económico, Elliott Harris, considera que
“o ritmo e a força da recuperação da crise não dependem apenas da eficácia das medidas de saúde pública para retardar a propagação do vírus, mas também da capacidade dos países em proteger empregos e rendimentos, principalmente dos membros mais vulneráveis das nossas sociedades.”
A crise provavelmente acelerará a mudança para a digitalização
O relatório destaca ainda que a pandemia poderia promover uma nova normalidade, uma interação humana radicalmente diferente, acelerando a digitalização e a automação. Um rápido aumento nas atividades económicas online provavelmente eliminará muitos empregos existentes, ao mesmo tempo que cria novos empregos na economia digital.
Usuários de tabaco correm mais riscos com novo coronavírus, diz OMS
A Organização Mundial da Saúde revela num estudo que usuários de tabaco e fumantes têm mais chances de contrair coronavírus de forma severa e até de morte.
Na pesquisa, divulgada no fim de abril, a agência sugere que a pandemia afeta fumantes mais fortemente do que os que não fumam.
Pulmões
O tabaco mata mais de 7 milhões de usuários por ano. E cerca de 1,2 milhão de fumantes passivos perdem a vida por causa do produto.
O novo coronavírus ataca principalmente os pulmões.
E o fumo que afeta as funções pulmonares dificulta o corpo a combater o vírus. O tabaco também é o principal fator de risco para doenças crônicas como diabetes, doenças coronárias, câncer e outras enfermidades.
Ligação
A OMS informou que está constantemente avaliando novos estudos para examinar a ligação entre o uso de tabaco e nicotina com a covid-19.
A agência pediu a pesquisadores, cientistas e jornalistas cautela ao reproduzirem notícias infundadas de que tabaco e nicotina poderiam reduzir o risco do novo coronavírus.
A OMS lembra que existem terapias comprovadas para parar de fumar. E quem em somente 20 minutos sem tabaco, o fumante pode perceber queda na pressão arterial e batidas elevadas do coração. Cerca de 12 horas após, os níveis de monóxido de carbono na corrente sanguínea voltam ao normal.
Falta de ar
A partir de um mês, o ex-fumante percebe melhoras na respiração e menos sensação de falta de ar.
A OMS alerta para que usuários de tabaco se orientem por informações científicas relacionadas ao covid-19 sobre complicações para pacientes que fumam.
ONU propõe sete estratégias para África controlar crise causada por pandemia
A Comissão Econômica da ONU para a África, ECA, divulgou um relatório com sete estratégias para os países africanos ultrapassarem a crise causada pela pandemia de covid-19.
Até o momento, pelo menos 42 países do continente aprovaram bloqueios parciais ou totais. Segundo a ECA, essas medidas são necessárias, mas têm “consequências econômicas arrasadoras.”
Consequências
As empresas contatadas pela ECA estão operando em apenas 43%. Cerca de 70% dos moradores de favelas e assentamentos informais já estão ficando sem refeições ou comendo menos devido à pandemia.
Segundo a agência, a situação pode piorar. A propagação do vírus continua se acelerando em muitos países africanos. Em média, os casos estão aumentando 30% por semana.
Um bloqueio total de um mês custaria ao continente 2,5% do seu PIB anual, cerca de US$ 65,7 bilhões. Além disso, o continente sofreria com preços mais baixos das commodities e com uma queda dos fluxos de investimento.
O relatório destaca estratégias para permitir que a atividade econômica continue, embora reduzida. Todas as propostas já foram testadas em outras partes do mundo e têm em conta os possíveis efeitos na mortalidade do vírus.
Propostas
As sete propostas são melhoria de testes, distanciamento até que existam tratamentos ou vacinas, rastreamento de contatos, licenças de imunidade, reabertura por setores e gradual, adaptação permanente e mitigação.
Com um método de adaptação permanente, os países podem facilitar as medidas quando as infecções diminuem e tornar a impor antes de os casos ultrapassarem a capacidade de tratamento intensivo dos hospitais.
Já em relação a mitigação, a ECA explica que permite que a infecção se espalhe pela população lentamente. O método tem sido testado na Suécia, onde entre 25% a 40% da população de Estocolmo já contraiu o vírus, mas depende da boa adesão às medidas de distanciamento e de um forte sistema de saúde. Segundo a agência, isso pode ser “um risco considerável em populações africanas com baixo acesso à assistência médica.”
Quanto aos bloqueios, permitem que países com vulnerabilidades graves preparem suas capacidades de teste e rastreamento de contatos. Também permitem desenvolver medidas preventivas, informando comunidades e minimizando os riscos para grupos vulneráveis.
O relatório pede ainda que os países africanos tirem vantagem do tempo que tiverem em relação aos países da Ásia, Europa e Américas. Segundo a pesquisa, “pode ser uma oportunidade para aprender com as experiências de outras regiões e suas experiências na reabertura.”
Perdas florestais diminuem com aumento de gerenciamento sustentável
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, revela num relatório que houve uma pequena redução nos níveis de desflorestamento no mundo.
Segundo a agência, o resultado se deve ao aumento do gerenciamento sustentável.
Superfície
Quase um terço da superfície terrestre é coberto por florestas. O relatório “Avaliação dos Recursos Florestais Globais 2020” sugere que nos últimos 10 anos, a área florestal do globo sofreu uma redução de 4,7 milhões de hectares.
A agência da ONU lembra que o desmatamento continua ocorrendo. Desde 2015, uma área de 10 milhões de hectares foi desflorestada. Uma média de 2 milhões a menos, se comparado aos anos anteriores.
A vice-diretora da FAO, Maria Helena Semedo, disse que as florestas são uma parte importante da vida dando acesso a alimentos, à mobília, ao ar limpo e outros benefícios. Ela lembrou que cada vez mais florestas estão sendo alvos de planos de gerenciamento sustentável.
Agenda 2030
Esta é uma das prioridades da Agenda 2030 com o Objetivo 15 de Desenvolvimento Sustentável, ODS.
O Objetivo pede proteção, promoção e uso sustentável dos ecossistemas terrestres que nutrem a vida na terra.
Atualmente, existem mais de 2 bilhões de hectares de floresta, ou quase metade da quantidade global de matas, sob planos de gerenciamento.
América Latina
A América Latina abriga a maioria das áreas protegidas para florestas.
E cerca de 18% das florestas do mundo estão plantadas nessas áreas.
A FAO afirma que o mundo alcançou a Meta Aichi de Biodiversidade para proteger pelo menos 17% da área terrestre até 2020.
O relatório ressalta vários pontos:
- A área de florestas do mundo têm diminuído desde 1990 em 178 milhões de hectares. Isso equivale ao tamanho da Líbia.
- Durante a última década as áreas florestais têm aumentado na Ásia, na Oceania e na Europa. O nível mais alto de perda de florestas foi registrado na África, seguida por América Latina.
- Cerca de 30% de todas as florestas são usados para produção de madeira e produtos que não são feitos de madeira florestal.
- A quantidade de florestas designadas principalmente para solo e água tem aumentado.
- A maioria das áreas florestais ou 93% do total consiste de florestas naturalmente regeneradas, o resto é plantado.
- O estoque de carbono total tem diminuído com o declínio das áreas florestais ainda que a densidade do estoque de carbono tenha aumentado levemente nas três últimas décadas.


