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De Portugal, jornalista brasileira relata declaração de estado de emergência

Na quarta-feira à noite, presidente da República Portuguesa, Marcelo, Rebelo de Sousa, declarou estado de emergência; Leda Letra, que vive em Lisboa há quase dois anos, relata como o novo coronavírus está afetando a vida dos portugueses.   

OIT: novo coronavírus pode causar perda de 25 milhões de postos de trabalho

A crise econômica criada pela pandemia do novo coronavírus, covid-19, pode aumentar o número de desempregados no mundo com a perda de quase 25 milhões de postos de trabalho, segundo uma avaliação da Organização Internacional do Trabalho, OIT.  

Se houver uma resposta política global coordenada, no entanto, como na crise financeira global de 2008 e 2009, o impacto no desemprego poderá ser significativamente menor. 

Medidas 

A agência da ONU defende a adoção de medidas urgentes, em larga escala e coordenadas, baseadas em três pilares: proteger os trabalhadores no local de trabalho, estimular a economia e o emprego e, por fim, apoiar os postos de trabalho e a renda. 

Essas medidas incluem a ampliação da proteção social e o apoio à manutenção de empregos, seja através de trabalho com jornada reduzida, licença remunerada e outros subsídios. Também inclui benefícios fiscais e financeiros, inclusive para micro, pequenas e médias empresas. 

Além disso, a avaliação propõe medidas de políticas fiscal e monetária, além de empréstimos e do apoio financeiro a setores econômicos específicos. 

Cenários  

Com base em diferentes cenários, as estimativas da OIT indicam um aumento no desemprego global entre 5,3 milhões que pode ir até 24,7 milhões.  

Em termos comparativos, a crise financeira global de 2008-2009 aumentou o desemprego global em 22 milhões. 

Também se espera que o subemprego aumente em larga escala, pois as consequências econômicas da pandemia se traduzem em reduções nas horas de trabalho e nos salários. 

O trabalho autônomo nos países em desenvolvimento, que geralmente serve para amortecer o impacto das mudanças, pode não ter esse efeito desta vez, devido a restrições ao deslocamento de pessoas e de bens. 

Consumo 

Quedas no emprego também significam grandes perdas de renda para os trabalhadores. O estudo estima que essas perdas fiquem entre US$ 860 bilhões e 3,4 trilhões até o final de 2020. Isso se traduzirá em quedas no consumo de bens e de serviços 

Mercados financeiros têm mostrado trubulência causada pela vírus, Foto ONU/Mark Garten

Estima-se também que a pobreza no trabalho aumente significativamente, pois “a pressão sobre a renda resultante do declínio da atividade econômica arrasará os trabalhadores próximos ou abaixo da linha de pobreza”. 

A OIT estima que entre 8,8 milhões e 35 milhões a mais de pessoas estarão trabalhando em situação de pobreza em todo o mundo, em comparação com a estimativa original para 2020, que previa uma diminuição de 14 milhões. 

Respostas 

Em nota, o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, disse que esta “não é somente uma crise global da saúde, é também uma grande crise do mercado de trabalho e econômica que está causando um enorme impacto nas pessoas.” 

Segundo Ryder, “em 2008, o mundo formou uma frente unida para enfrentar as consequências da crise financeira global e o pior foi evitado.” Para ele, o mundo precisa “desse tipo de liderança e determinação agora.” 

Grupos 

O estudo da OIT alerta que certos grupos serão afetados desproporcionalmente pela crise do emprego, o que poderia aumentar a desigualdade. 

Isso inclui pessoas com empregos menos protegidos e com baixos salários, principalmente jovens e trabalhadores mais velhos, assim como mulheres e migrantes. 

Esses últimos são vulneráveis devido à falta de proteção e de direitos sociais. Já as mulheres, tendem a estar sobre representadas em empregos mal remunerados e nos setores afetados. 

O chefe da OIT destacou duas ferramentas que podem ajudar a mitigar os danos e a restaurar a confiança pública. Em primeiro lugar, o diálogo social, envolvendo os trabalhadores e os empregadores e seus representantes. Em segundo lugar, as normas internacionais de trabalho. Segundo Ryder, “tudo precisa ser feito para minimizar os danos às pessoas neste momento difícil.” 

Covid-19: União Europeia suspende viagens não essenciais para cidadãos 

A União Europeia (UE) suspendeu todas as viagens não essenciais para os cidadãos de fora da UE por 30 dias em resposta ao surto de COVID-19. O anúncio foi feito esta terça-feira (17 de março) pelo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen.

As restrições, que os Estados-membros da UE implementarão de imediato, estarão em vigor durante um período inicial de 30 dias e poderão ser prolongadas se necessário. Existem excepções para residentes de longa duração na UE, para familiares de cidadãos da UE, diplomatas, pessoas que transportam mercadorias, trabalhadores de serviços fronteiriços e equipas essenciais para lidar com o coronavírus, como médicos ou enfermeiros. A medida será aplicada a quase todos os Estados-membros da UE, bem como à Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.

“Este é um choque externo. Atinge o mundo inteiro. O inimigo é um vírus e agora temos que fazer o possível para proteger o nosso povo e as nossas economias”, disse von der Leyen em conferência de imprensa em Bruxelas.

A Comissão Europeia procura manter o fluxo de mercadorias em todo o seu mercado único, para evitar a escassez e o agravamento das dificuldades sociais e económicas que todos os países europeus já enfrentam.
Os Estados-membros devem sempre admitir os seus próprios cidadãos e residentes e facilitar o trânsito de outros cidadãos e residentes da UE que regressam a casa, anunciou a Comissão. Também se coordenarão para organizar conjuntamente o repatriamento de cidadãos da UE sempre que possível.
“Precisamos garantir a passagem de medicamentos, alimentos e mercadorias, e dos nossos cidadãos que viajam para os seus países de origem”, afirmou Michel.
As medidas também envolvem a triagem de viajantes que chegam e saem nas fronteiras externas da UE.
Os líderes da UE deverão realizar novas discussões nas próximas semanas para discutir possíveis medidas adicionais.

“Estamos prontos para fazer tudo conforme necessário. Não hesitaremos em tomar medidas adicionais à medida que a situação se desenrola ”, afirmou von der Leyen.

Leia aqui as diretrizes da Comissão.
Saiba mais sobre o Covid-19 aqui.

Novos dados do coronavírus, alerta do secretário-geral e crianças sírias vítimas da guerra

Neste Destaque ONU News, apresentado por Eleutério Guevane, conheça os últimos dados sobre coronavírus, a mensagem do secretário-geral, António Guterres, sobre a pandemia e as consequências da guerra de nove anos na Síria na vida das crianças.

Covid-19: Juntos venceremos o vírus

Artigo de opinião pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres

A convulsão causada pelo coronavirus – Covid-19 – sente-se por todo o lado. Sei que muitos estão ansiosos, preocupados e confusos. É perfeitamente normal. Estamos a enfrentar uma ameaça inédita à nossa saúde.

Entretanto, o vírus está a propagar-se, o perigo aumenta e os nossos sistemas de saúde, economias e rotinas estão a ser severamente postos à prova.

Os mais vulneráveis são os mais afetados, particularmente os mais idosos e aqueles com um historial clínico de risco, os que não têm acesso a cuidados de saúde de confiança, os que vivem em situação ou no limiar da pobreza.

Os efeitos sociais e económicos adversos, resultantes da combinação da pandemia com a desaceleração económica, vão-nos afetar durante alguns meses.

No entanto, a propagação do vírus atingirá um pico. As nossas economias irão recuperar. Até lá, devemos atuar em conjunto para desacelerar a sua disseminação e cuidarmos uns dos outros.

É tempo de prudência, não de pânico. De ciência, não de estigma. De factos, não de medo.

Apesar de classificada como sendo uma pandemia, esta situação é controlável. Podemos diminuir as transmissões, prevenir infeções e salvar vidas. Para tal, será necessária a adoção de ações pessoais, nacionais e internacionais, nunca antes implementadas.

A covid-19 é o nosso inimigo comum. Temos de declarar guerra a este vírus. Tal significa que os países têm a responsabilidade de acelerar, reforçar e ampliar a sua ação. Como? Implementando estratégias eficazes de contenção, ativando e reforçando sistemas de resposta a emergências, aumentando significativamente a capacidade de testar e tratar os pacientes, preparando os hospitais, garantindo que têm espaço, recursos e pessoal, e implementando procedimentos médicos que salvam vidas.

Todos nós temos, também, a responsabilidade de seguir os conselhos médicos e de adotar comportamentos simples e práticos, recomendados pelas autoridades de saúde.

Para além de constituir uma crise de saúde pública, o vírus está a infetar também a economia mundial. Os mercados financeiros foram assolados pela incerteza. As cadeias globais de abastecimento foram perturbadas. O investimento e o consumo caíram, constituindo um risco real e crescente de uma recessão global. Os economistas das Nações Unidas estimam que o vírus poderá custar, pelo menos, 1 bilião de dólares este ano, ou até bem mais.

Nenhum país o poderá enfrentar sozinho. Mais do que nunca, os governos devem cooperar para revitalizar as economias, expandir o investimento público, promover o comércio e assegurar apoio às pessoas e comunidades mais afetadas pela doença, ou mais vulneráveis aos seus impactos económicos negativos, incluindo as mulheres, que muitas vezes suportam um peso desproporcional na prestação de cuidados.

Uma pandemia evidencia a interligação da nossa família humana. Impedir a propagação da covid-19 é uma responsabilidade que deve ser partilhada por todos. As Nações Unidas, incluindo a Organização Mundial da Saúde, estão totalmente mobilizadas. Como parte da nossa família humana, estamos a trabalhar 24 horas por dia com os governos, propondo diretrizes internacionais, ajudando o mundo a ultrapassar esta ameaça.

Estamos juntos e juntos venceremos o vírus.

Quase 5 milhões de crianças nasceram na Síria desde o início da guerra

Cerca de 4,8 milhões de crianças nasceram na Síria desde o início do conflito há nove anos e 1 milhão nasceu como refugiadas nos países vizinhos, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.
Segundo a agência, ainda hoje estas crianças “continuam a enfrentar as consequências arrasadoras de uma guerra brutal.”

Escola primária Kansafra, em Idlib, atacada em fevereiro de 2020, Unicef/Ali Haj Suleiman

Marco

Em nota, a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, disse que a data é “um marco vergonhoso.” Ela lembrou que “milhões de crianças estão entrando na segunda década de vida, cercadas por guerra, violência, morte e deslocamento.”

Para Fore, “a necessidade de paz nunca foi tão urgente.”

A agência começou recolhendo dados oficiais em 2014. Desde então, mais de 9 mil crianças foram mortas ou feridas. Cerca de 5 mil, algumas com apenas sete anos, foram recrutadas para lutar. Quase mil instalações médicas e de educação foram atacadas.

Segundo o Unicef, esses são apenas os números verificados, por isso é provável que o verdadeiro impacto seja mais profundo.

Escolhas

Para o diretor regional do Unicef para o Oriente Médio e norte da África, Ted Chaiban, “o contexto na Síria é um dos mais complexos do mundo.”

Infelizmente, a violência e o conflito continuam em vários locais, inclusive no Noroeste, com graves consequências para as crianças. Chaiban disse que os últimos nove anos “levaram o país à beira do precipício.”

O representante ouviu histórias de famílias que tiveram de escolher entre enviar os filhos para combater ou casar cedo. Segundo ele, “nenhum pai deve ser forçado a tomar essas decisões.”

No Noroeste da Síria, a escalada do conflito e as duras condições de inverno pioraram uma crise humanitária que já era terrível. Mais de 960 mil pessoas, incluindo mais de 575 mil crianças, foram forçadas a abandonar suas casas desde 1 de dezembro de 2019.

No nordeste do país, pelo menos 28 mil crianças de mais de 60 condados continuam definhando em campos de deslocados, sem acesso aos serviços mais básicos. Apenas 765 crianças foram repatriadas para seus locais de origem desde janeiro.

Henrietta Fore numa visita a uma escola em Idlib em fevereiro de 2020, Unicef/OMAR SANADIKI

Consequências

Nove anos de conflito tiveram fortes consequências nos sistemas de saúde e educação. 

Duas em cada cinco escolas não podem ser usadas porque estão destruídas, danificadas, abrigando famílias deslocadas ou sendo usadas para fins militares. Mais da metade de todas as unidades de saúde não estão em funcionamento.

Como consequência, mais de 2,8 milhões de crianças estão fora da escola na Síria e nos países vizinhos. Mais de dois terços das crianças com deficiência física ou mental necessitam de serviços especializados que não existem na sua região. 

O conflito também teve um impacto na economia, com os preços dos itens básicos aumentando 20 vezes desde o início da guerra.

Henrietta Fore disse que a mensagem da agência é clara. As partes em conflito devem parar de atingir escolas e hospitais, parar de matar e mutilar crianças e facilitar o acesso necessário para alcançar os mais necessitados.

Resposta

O Unicef atua com uma ampla rede de parceiros na Síria e nos países vizinhos. Apenas no ano passado, vacinou quase 750 mil crianças contra o sarampo, deu apoio psicossocial a mais de 1 milhão e serviços de educação formal e não formal a quase 3 milhões. 

A agência também levou água potável a mais de 5,3 milhões de pessoas através de melhorias nos sistemas de abastecimento de água. Quase 2 milhões de pessoas foram beneficiadas com melhorias nos serviços de saneamento e higiene. 

Atualmente, o Unicef precisa de US$ 682 milhões para manter esses programas. 

Para o diretor regional da agência, “a assistência humanitária não acabará com a guerra, mas ajudará a manter as crianças vivas.”

Um ano após ciclone Idai, milhões de pessoas ainda precisam de ajuda em Moçambique 

Um ano depois de o ciclone Idai atingir três países do sudeste africano, milhões de pessoas ainda precisam de assistência humanitária e apoio à reconstrução de meios de subsistência.  

O ciclone de categoria 4 atingiu Moçambique em 14 de março de 2019, continuando depois para os países vizinhos Zimbábue e Maláui. Seis semanas depois, aconteceu o ciclone Kenneth, que estendeu os danos ao norte do país. 

Vítimas 

Apenas em Moçambique, as Nações Unidas estimam que 2,5 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária devido aos ciclones, secas e inundações. 

Segundo a Organização Internacional para Migrações, OIM, mais de 100 mil moçambicanos continuam vivendo em 76 locais de reassentamento. 

Nos últimos meses, outros desafios pioram a situação humanitária. 

Na parte do sul do país, continua uma seca prolongada. Em outras áreas, incluindo Sofala, uma das mais atingidas pelo Idai, três meses de chuvas afetaram mais de 150 mil pessoas. No total, as chuvas danificaram mais de 4 mil abrigos nos locais de reassentamento. 

Esta semana, o Programa Mundial para a Alimentação, PMA, informou que a falta de financiamento afeta muitas das pessoas mais atingidas.

O problema obrigou o PMA a reduzir pela metade as rações alimentares para 525 mil pessoas na província de Sofala, a mais atingida pelo ciclone. Se a agência não receber mais fundos, em breve, esse apoio será interrompido completamente ainda este mês.

Ajuda 

A OIM presta assistência nos locais de reassentamento e nas comunidades anfitriãs desde o desastre natural. No último ano, ajudou mais de 500 mil pessoas com abrigos e serviços de proteção e saúde. 

À medida que algumas áreas passam da fase de emergência à fase de reconstrução, a OIM distribuiu 2,5 mil kits de recuperação de abrigos para as famílias reconstruírem ou consertarem suas casas. 

A agência afirma que continua sendo “necessário distribuir abrigos de emergência para ajudar milhares de famílias afetadas pelas inundações no centro de Moçambique.” 

Apesar dessa necessidade, o financiamento é limitado e são necessários mais recursos com urgência. 

Zimbabúe 

No Zimbábue, onde o ciclone Idai afetou cerca de 270 mil pessoas, a OIM distribuiu 43 toneladas de itens não alimentares, como lonas e redes mosqueteiras. 

A OIM também trabalhou com o governo e outros parceiros para estabelecer quatro campos de deslocados. Atualmente, 224 famílias ainda vivem nos campos, onde a estação das chuvas piorou a situação. 

Fora dos campos, mais de 43 mil pessoas permanecem deslocadas, a maioria em comunidades de acolhimento, criando pressão para famílias vulneráveis, que enfrentam desafios devido à deterioração da situação econômica e à crise de segurança alimentar. 

Maláui 

No Maláui, o Idai deslocou mais de 50 mil pessoas. A situação foi agravada por chuvas torrenciais que afetaram o país entre novembro de 2019 e final de fevereiro. 

A agência da ONU já apoiou cerca de 53 mil pessoas afetadas pelas cheias no sul do território, mas diz que “há uma necessidade evidente e urgente de apoio e abrigos para as famílias”.  

Segundo a agência, é preciso preparar os locais de reconstrução, construindo diques para controlar os fluxos de água e fortalecendo as atividades de sensibilização e da comunidade. 

Covid-19 é desafio perante limitações do sistema de saúde em Moçambique

A pandemia do novo coronavírus acontece quando países como Moçambique apresentam um sistema de saúde sobrecarregado, segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS.

A agência reconhece que a preparação para uma eventual chegada do covid-19 nessas nações ocorre perante limitações para lidar com doenças transmitidas pela água, HIV, malária, tuberculose e outras infeções.

Controle

Com a nova ameaça de chegada de um vírus altamente contagioso, as autoridades moçambicanas anunciaram esta semana que precisariam de  mais de US$ 5 milhões para melhorar a capacidade de controlo e prevenção do covid-19.

Imagem microscópica digitalmente aprimorada mostra uma infecção por coronavírus em azul., by Foto: CDC/Hannah A Bullock/Azaibi Tami

Falando em Maputo, a representante da OMS em Moçambique explicou que a distância geográfica com a China pode estar atrasando a chegada do coronavírus. Djamila Cabral alertou, no entanto, que mesmo longe de onde foram descobertos os primeiros casos não há razões para baixar a guarda.

“Preparar-se para estar pronto caso haja um caso. Para detectar o caso, proteger esse caso e as outras pessoas e tratar esse caso se for necessário e reduzir a transmissão. Portanto, tudo é feito para que se vier uma pessoa a Moçambique que estiver infectada com o vírus que essas pessoas sejam detectadas, que essa pessoa possa ser posta em isolamento ou quarentena, segundo o caso. Que todas as pessoas que tiverem contato com ela possam ser seguidas e que todas essas pessoas possam ser mantidas em quarentena para evitar a doença.

A questão de proximidade começa a ficar ultrapassada com o aparecimento de casos na África do Sul, onde vive a maior diáspora moçambicana e se registra um grande movimento de população. Os lusófonos Portugal e Brasil também somam novos pacientes do covid-19, que já provocou mais de 5 mil mortes no mundo.

África 

Para a representante, além das condições das instalações de saúde em Moçambique faltam ainda materiais para que todos os aeroportos façam uma vigilância adequada do vírus. O país faz parte de um continente com várias conexões com outras partes do mundo

Djamila Cabral disse que ainda são escassos os conhecimentos para entender por que ainda não há casos em Moçambique. Mas reconhece que o volume de movimento internacional obriga a prestar atenção especial à região africana.

Peritos

A limitação de capacidade de sistemas de saúde levou a agência a enviar mais de 50 peritos que em África atuam em áreas como prevenção, tratamento, infecção do coronavírus. A agência deve continuar a dar as orientações técnicas para lidar com a pandemia.

Em parceria com o Ministério da Saúde, a OMS apoia a gestão da epidemia que inclui melhorar a triagem nas fronteiras do país, a compra de material de proteção, o reforço de material de laboratórios e outras.

A agência da ONU apoia ainda as pessoas que deverão atuar em cuidados em áreas como isolamento dos casos suspeitos e possíveis pessoas notificadas.

ONU News

Médico Santinho Carvalho atende paciente com HIV no Hospital de Macomia, em Cabo Delgado, Moçambique

Guterres: Não podemos permitir que a Síria complete 10 anos de carnificina

As Nações Unidas emitiram uma nota para marcar o nono aniversário da guerra na Síria.

O secretário-geral, António Guterres, disse que a paz continua sendo uma possibilidade ilusória.  Para ele, a mensagem é clara: não pode ser permitido que o conflito entre pelo 10º ano com a carnificina, o mesmo desrespeito dos direitos humanos e da lei internacional e com a mesma desumanidade.

Crueldade

 Guterres afirmou que o conflito tem causado custos e proporções humanitárias “monumentais” com milhões de pessoas enfrentando riscos.

 Durante esses nove anos, metade da população foi obrigada a fugir de suas casas. Atualmente, 11 milhões de sírios precisam de assistência para sobreviver.

 Vários milhões tiveram que se refugiar em países vizinhos.

 Para Guterres, os últimos nove anos foram marcados por atrocidades horrendas incluindo crimes de guerra. Ele ressaltou ainda abusos de direitos humanos e novas profundidades de crueldade e sofrimento.

 O chefe da ONU lembrou que milhares de sírios estão desaparecidos, detidos e sendo vítimas de maus tratos e tortura.

Comboios

 Um outro sem número de pessoas foram mortas e feridas.

Guterres afirmou que não pode haver impunidade para crimes tão terríveis.

 Durante os nove anos do conflito sírio, o sistema humanitário internacional tem lançado mão de todos os seus meios para levar ajuda a quem precisa. Desde operações por ar até a entrega de donativos e outros comboios de auxílio.

 Somente no ano passado, a ONU e seus parceiros conseguiram chegar a 6 milhões de pessoas, todos os meses, na Síria.

 Em janeiro, a assistência alimentar alcançou 1,4 milhão de sírios atendidos pelo mecanismo entre fronteiras. Por ali também passaram suprimentos médicos para quase meio milhão de sírios além de itens não alimentícios a mais de 230 mil pessoas.

 Resolução

 Guterres finalizou dizendo que os passos para acabar com o sofrimento do povo sírio são bem conhecidos. E citou como primeira providência o Protocolo

 Adicional de 5 de março para o Memorando sobre Estabilização em Idlib, no noroeste do país.

 O documento também trata da área de redução da escalada, acordada entre a Rússia e a Turquia, e que deve levar ao fim da violência abrindo caminho para um cessar-fogo permanente em todo o país.

 Em segundo lugar, as partes precisam retornar ao processo político, mediado pela ONU, determinado pela resolução 2254, de 2015.

 Para Guterres, essa continua sendo a única forma viável de acabar com o conflito levando à paz duradoura ao povo sírio.

Tudo o que precisa de saber sobre o coronavírus

O Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental compilou um conjunto de informação relevante sobre o coronavírus – COVID-19.

Saiba mais sobre a doença, como se pode proteger e contribuir para travar a propagação do vírus. Pode ainda aceder à página oficial das Nações Unidas sobre o coronavírus em inglês.

Coronavírus

Os coronavírus (CoV) são uma grande família de vírus que causam doenças que podem ir da constipação comum a patologias mais graves, como a Síndrome Respiratória do Médio Oriente (MERS-CoV) e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV). Um novo coronavírus (nCoV) é uma nova estirpe que não foi previamente identificada em humanos.

Os coronavírus são zoonóticos, o que significa que são transmitidos entre animais e pessoas. Investigações detalhadas descobriram que o SARS-CoV foi transmitido de gatos da cidade para humanos e o MERS-CoV de dromedários para humanos. Há vários coronavírus identificados em animais que ainda não infetaram humanos.

Os sinais comuns de infeção incluem febre, tosse, falta de ar e dificuldades respiratórias. Em casos mais graves, a infeção pode causar pneumonia, síndrome respiratória aguda grave, insuficiência renal e até morte.

As recomendações para impedir a propagação da infeção incluem lavagem regular das mãos, cobertura de boca e nariz ao tossir e espirrar e cozinhar bem a carne e os ovos. Evite estar em contacto próximo com qualquer pessoa que apresente sintomas de doenças respiratórias, como tosse e espirros.

Medidas básicas de proteção contra o coronavírus:

Fique atento às informações mais recentes sobre o surto de COVID-19, disponíveis no site da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Direção-Geral de Saúde. O COVID-19 está já presente em mais de 120 países. A maioria das pessoas infetadas experiencia uma doença leve e recupera, mas pode ser mais grave para outras pessoas. Cuide da sua saúde e proteja os outros:

Lave as mãos frequentemente

Lave regularmente e cuidadosamente as mãos com um líquido à base de álcool ou com água e sabão.

Porquê? Lavar as mãos com água e sabão ou usar álcool mata o vírus.

Manter distância social

Mantenha pelo menos 1 metro de distância com qualquer pessoa que tenha tosse ou esteja a espirrar.

Porquê? Quando alguém tosse ou espirra, pulveriza pequenas gotas líquidas, do nariz ou da boca, que podem conter o vírus. Se estiver muito próximo, poderá respirar as gotículas, incluindo o vírus COVID-19.

Evite tocar nos olhos, nariz e boca

Porquê? As mãos tocam em muitas superfícies e podem ficar contaminadas com o vírus. Uma vez contaminadas, as mãos podem transferir o vírus para os olhos, nariz ou boca. A partir daí, o vírus pode entrar no seu corpo.

Promova a higiene respiratória

Certifique-se de que segue uma boa higiene respiratória. Isto significa cobrir a boca e o nariz com o cotovelo ou um tecido quando tossir ou espirrar. De seguida, descarte de imediato o tecido usado.

Porquê? As gotas espalham o vírus. Ao seguir uma boa higiene respiratória, está a proteger as pessoas ao seu redor contra o vírus.

Se tiver febre, tosse e dificuldade em respirar, procure assistência médica

Fique em casa se não se sentir bem. Se tiver febre, tosse e/ou dificuldade em respirar, procure assistência médica. Siga as instruções da sua autoridade sanitária local.

Porquê? As autoridades nacionais e locais terão as informações mais atualizadas sobre a situação na sua área de residência. Ligar com antecedência permitirá que o seu médico o direcione rapidamente para o centro de saúde mais indicado. Assim ficará mais protegido e ajudará a evitar a propagação do vírus e de outras infeções.

Mantenha-se informado e siga as recomendações do seu médico

Mantenha-se informado sobre os últimos desenvolvimentos sobre o COVID-19. Siga as orientações fornecidas pelo seu médico, pela Direção-Geral de Saúde ou pelo seu empregador sobre como se pode proteger a si e aos outros do COVID-19.

Porquê? As autoridades nacionais e locais terão as informações mais atualizadas sobre a propagação do COVID-19 na sua área de influência.

Medidas de proteção para pessoas que estão ou visitaram recentemente (há 14 dias) áreas em que o COVID-19 se está a propagar

Siga as orientações indicadas acima.

Fique em casa se começar a ter sintomas, mesmo que sejam leves, como dor de cabeça e corrimento nasal leve, até recuperar.

Porquê? Evitar o contacto com outras pessoas e com serviços hospitalares permitirá que estas instalações funcionem com mais eficiência e ajudará a protegê-lo a si e a outras pessoas contra o COVID-19 e outros vírus.

Se tiver febre, tosse e dificuldade em respirar, procure assistência médica imediatamente. Ligue com antecedência e informe o seu prestador de cuidados de saúde de qualquer viagem recente que tenha feito.

Porquê? Ligar com antecedência permitirá que o seu médico o direcione rapidamente para o centro de saúde mais indicado. Isso também ajudará a evitar a possível propagação do COVID-19 e de outros vírus.

Mais informações:

Saiba mais sobre o coronavírus na página da Organização Mundial de Saúde.

Pode acompanhar a evolução do surto na Europa aqui.

Pode acompanhar a evolução do surto a nível mundial aqui.

Consulte as mais recentes informações da Direção-Geral de Saúde aqui.

Saiba mais sobre o vírus e como proteger os seus filhos no site da UNICEF Portugal.

Se tiver sintomas pode contactar a linha Saúde 24 aqui para obter orientações médicas.

Mensagem do secretário-geral sobre o coronavírus

Veja aqui a mensagem do secretário-geral da ONU sobre o coronavírus.

Sistema agrícola da Serra do Espinhaço, no Brasil, torna-se patrimônio global

Um sistema agrícola da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, no Brasil, foi nomeado esta quarta-feira para a lista de patrimônios globais.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, que gerencia os Sistemas Importantes do Patrimônio Agrícola Global, Sipam, afirma que a escolha se deve à contribuição que o sítio natural tem dado à biodiversidade e aos saberes tradicionais.

Distinção da FAO reconhece papel destes agricultores na proteção da biodiversidade,  FAO/João Roberto Ripper

Único

O sistema agrícola é praticado em seis comunidades nos municípios de Diamantina, Buenópolis e Presidente Kubitscheck. As seis ocupam uma área de aproximadamente 100 mil hectares e chegam a manejar mais de 400 espécies. A distinção reconhece o trabalho das famílias apanhadoras das flores “Sempre-Vivas”.

Segundo a agência, os vários ecossistemas constituem “a savana com mais biodiversidade do planeta” e “desempenham um papel crucial na regulagem das chuvas da região.”

Os agricultores, conhecidos como apanhadores de flores sempre-vivas, desenvolveram um sistema que combina coleta de flores, jardinagem agroflorestal, pastoreio de gado e cultivos. Tudo isso acontece em várias altitudes que chegam até 1,4 mil metros.

O sistema requer uma ampla gama de conhecimentos e práticas tradicionais passados ​​de geração a geração, ajudando as pessoas a alcançarem a harmonia com o meio ambiente e, ao mesmo tempo, garantir sua segurança alimentar.

Reconhecimento

Em nota, o coordenador da rede Sipam, Yoshihide Endo, disse que “graças à profunda compreensão dos ciclos e ecossistemas naturais e ao amplo conhecimento da flora nativa, as comunidades locais gerenciam todos os tipos de atividades agrícolas bem adaptadas a cada tipo de solo, características geográficas e climáticas para sustentar suas vidas.”

Segundo ele, “essas atividades também contribuem para preservar valiosas variedades de culturas, vegetação nativa e paisagens da região”.

Movendo-se pelas montanhas, as pessoas enriquecem os campos com uma variedade de espécies, permitindo que os ecossistemas e paisagens se regenerem, diversificando os fluxos naturais de sementes e genes.

O acesso e uso sustentável da flora são controlados por cada comunidade de acordo com os ciclos naturais das espécies e a intensidade de coleta.

Sistema

Com esta nova nomeação, existem agora 59 sistemas distinguidos pelo Sipam em 22 países.

O programa destaca formas únicas desenvolvidas pelas comunidades para promover a segurança alimentar, meios de subsistência, ecossistemas resilientes e altos níveis de biodiversidade.

Novo relatório sobre o clima, um ano do ciclone Idai em Moçambique e Guterres fala sobre coronavírus

Neste #DestaqueOnuNews, novo relatório confirma que 2019 foi o segundo ano mais quente da história; secretário-geral pede que pessoas sigam conselhos de médicos e cientistas sobre o novo coronavírus. No final, saiba o que está a mudar em Moçambique, um ano depois do ciclone Idai.

Clima: 2019 termina a década mais quente de sempre

Photo: WMO

A década passada foi a mais quente alguma vez registada. De acordo com o novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado a 10 de março, a temperatura média global aumentou cerca de 1,1 °C em comparação com o período pré-industrial.

“Atualmente, estamos muito longe de alcançar as metas de 1,5 °C ou 2 °C que o Acordo de Paris estabeleceu”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, durante uma conferência de imprensa na sede da ONU.

Ao longo de 2019, as inundações causaram a morte de milhares de pessoas e a perda de milhares de milhões de dólares. Muitas regiões do mundo sofreram as piores secas de sempre e o número de ciclones e incêndios ficou bem acima da média. A Austrália passou por uma temporada de incêndios excecionalmente longa e severa até ao início de 2020.

O relatório da OMM apresenta as mais recentes pesquisas científicas e ilustra a urgência de coordenar ações climáticas de longo alcance.

Todos os indicadores no vermelho

De acordo com a OMM, não foram apenas as temperaturas médias que aumentaram, mas também todos os fenómenos associados estão a crescer.

A emissão de gases de efeito de estufa subiram 0,6%. O aquecimento do oceano contribuiu para mais de 30% da subida do nível médio do mar, modificando as correntes oceânicas e as rotas das tempestades. A acidificação e desoxigenação dos oceanos estão também a causar mudanças drásticas nos ecossistemas marinhos.

“Acabamos de ter o janeiro mais quente de todos os tempos. O inverno foi incomumente ameno em muitas partes do hemisfério norte. O fumo e as matérias poluentes provenientes dos incêndios devastadores na Austrália causaram um aumento nas emissões de CO2. As temperaturas recordes na Antártica foram acompanhadas pelo degelo em larga escala e pela quebra de massas de gelo que afetará a elevação do nível do mar”, adiantou também o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, que acompanhou António Guterres na conferência de imprensa.

Impacto na saúde, segurança alimentar e deslocação da população

O calor extremo está a ter um impacto crescente na saúde humana. Em França, mais de 20 mil casos de doenças e 1.462 mortes foram causadas pelo calor entre junho e meados de setembro.

A variabilidade climática e os eventos climáticos extremos estão entre os principais fatores do recente aumento da fome no mundo. Após uma década de declínio constante, a fome está a aumentar novamente, afetando mais de 820 milhões de pessoas em 2018.

A insegurança alimentar é particularmente sentida em alguns países do Corno de África que sofreram seca severa seguida por chuvas excecionalmente fortes, o que por sua vez causou inundações. Essas chuvas contribuíram para a devastadora invasão de gafanhotos que estão a destruir as plantações na região.

Acredita-se que as condições climáticas tenham deslocado 22 milhões de pessoas que fogem de inundações, deslizamentos de terra, tempestades e até incêndios em 2019. Em 2018, esse número era de 17,2 milhões.

Ameaça de covid-19 faz diretor-geral da FAO despachar de casa por duas semanas

O aumento de casos do covid-19 na Itália mudou a rotina de trabalho de uma das maiores agências da ONU no país, a Organização para Alimentação e Agricultura, FAO, com sede em Roma.

Nesta segunda-feira, em comunicado, o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, informou que despachará, durante duas semanas, de casa assim como sete outros funcionários de sua comitiva.

Diretrizes

Sede da FAO, em Roma, Foto FAO/Giuseppe Carotenuto

O motivo foi a visita do grupo a um evento da Pontifícia Academia para a Vida, no Vaticano, de 26 a 28 de fevereiro.

Um dos funcionários da Academia foi diagnosticado com a nova cepa do coronavírus levando o chefe da FAO e a demais pessoas que tiveram contato com o paciente a uma quarentena voluntária.

A FAO informou que está tomando medidas de precaução há um mês com base em diretrizes e protocolos da Organização Mundial da Saúde, OMS, e das autoridades italianas.

Vários funcionários que estão em zonas de alto risco de contaminação com o vírus já foram autorizados a trabalhar de casa.

Temperatura

A quarentena do próprio chefe da FAO e sua equipe deve terminar em 14 de março.

O Serviço Médico da agência também está oferecendo apoio aos funcionários e checando a temperatura diariamente.

Durante uma reunião internacional sobre biodiversidade, em Roma, cerca de mil pessoas tiveram suas temperaturas checadas com o apoio também da organização Cruz Vermelha. Esse controle tornou-se obrigatório a todos os funcionários e também visitantes.

A agência também decidiu cancelar ou adiar várias reuniões com grande número de participantes, que estavam programadas para o fim do mês passado e este mês.

Distância

Até mesmo as comemorações para o Dia Internacional da Mulher passaram a um formato virtual para evitar o risco de contaminação.

Os funcionários também estão sendo aconselhados a manterem distância física de seus interlocutores, em elevadores, cantinas e outras áreas compartilhadas.

A mesma orientação está sendo dada a fornecedores da agência, a quem foi pedido tomar medidas de precaução.

A FAO pediu ainda a todos os seus escritórios pelo mundo que revejam os planos de viagem. Após o fechamento de todas as escolas na Itália, muitos funcionários que têm filhos puderam trabalhar de casa.

A agência informou que permanecerá vigilante e monitorando a situação causada pelo covid-19.