Hoje, no Dia do Serviço Público das Nações Unidas, homenageamos todos os homens e mulheres que pelo mundo respondem à vocação mais nobre: o serviço público.
A celebração deste ano ocorre a meio caminho da implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
Os funcionários e as instituições públicas para as que trabalham serão cada vez mais essenciais à medida que o mundo acelera a sua ação para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, cuja implementação está bastante atrasada.
A tecnologia tem de estar no centro desta aceleração.
Todos os dias, surgem novas tecnologias que detêm o potencial de mudar o modo como vivemos e trabalhamos.
Quando explorada por um serviço público informado, qualificado e equipado, a tecnologia pode melhorar o alcance e a eficácia dos serviços públicos, ao mesmo tempo que impulsiona o progresso em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Ao assinalarmos este dia importante, devemos celebrar o trabalho dos funcionários públicos em todo o mundo e encontrar novas formas de aplicar a inovação ao nosso trabalho, de modo a moldarmos um futuro melhor e mais sustentável para todas as pessoas.
Une o corpo e a mente, a humanidade e a natureza, e milhões de pessoas em todo o mundo, para quem a ioga é uma fonte de força, de harmonia e de paz
Num mundo perigoso e polarizado, os benefícios desta prática antiga são especialmente preciosos
Ioga oferece um refúgio de calma. Pode reduzir a ansiedade e promover o bem-estar mental. Ajuda-nos a desenvolver disciplina e paciência. Conecta-nos com o nosso planeta, que tanto precisa da nossa proteção. E revela a nossa humanidade comum – ajudando-nos a entender que, apesar das nossas diferenças, somos um.
Neste Dia Internacional da Ioga, abracemos o espírito de unidade e resolvamos construir um mundo melhor e mais harmonioso para as pessoas, para o planeta e para nós mesmos.
MENSAGEM POR OCASIÃO DO DIA MUNDIAL DOS REFUGIADOS
20 de junho de 2023
Durante a década em que fui alto comissário da ONU para os Refugiados, testemunhei a resiliência e as contribuições dos refugiados em todas as esferas da vida.
A sua perseverança perante a adversidade inspira-me todos os dias.
Os refugiados representam o melhor do espírito humano.
Eles precisam e merecem apoio e solidariedade, não de fronteiras fechadas e de bloqueios.
Ao assinalarmos o Dia Mundial dos Refugiados, confrontamo-nos com uma estatística surpreendente.
Mais de 100 milhões de pessoas que vivem em países abalados por conflitos, perseguições, fome e caos climático foram forçadas a fugir de suas casas.
Estes não são números apenas no papel.
São mulheres, crianças e homens que fazem viagens difíceis – muitas vezes enfrentando violência, exploração, discriminação e abuso.
Este Dia lembra-nos do nosso dever de proteger e apoiar os refugiados – e a nossa obrigação de criar novas formas de apoio.
Isso inclui soluções para realojar refugiados e ajudá-los a reconstruir as suas vidas com dignidade.
Precisamos de maior apoio internacional aos países anfitriões, como prevê o Pacto Global para Refugiados, para aumentar o acesso à educação de qualidade, ao trabalho digno, à assistência médica, ao alojamento e à proteção social.
E precisamos de uma vontade política muito mais forte para fazer a paz, para que os refugiados possam retornar com segurança para as suas casas.
O tema deste ano é “Esperança Longe de Casa”.
Apelo ao mundo para que aproveite a esperança que os refugiados carregam nos seus corações.
Vamos combinar a sua coragem com as oportunidades de que precisam, em todas as etapas do caminho.
@UN Russia/Yuri Kochin. António Guterres durante a reunião com Sergey Lavrov em Moscovo.
O SECRETÁRIO-GERAL
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MENSAGEM SOBRE O DIA INTERNACIONAL PARA A ELIMINAÇÃO DA VIOLÊNCIA SEXUAL EM CONFLITO
19 de junho de 2023
O recurso à violência sexual enquanto tática de guerra, tortura e repressão é comum nos conflitos que afetam centenas de milhões de pessoas em todo o mundo.
Os relatos angustiantes provenientes de todo o mundo recordam-nos de forma terrível como este crime desprezível persiste apesar dos compromissos internacionais para o erradicar.
E muitos dos responsáveis nunca chegam a enfrentar a justiça.
Enquanto o estigma faz com que muitas vezes as vítimas vivam com vergonha, os agressores andam em liberdade.
Hoje, no Dia Internacional para a Eliminação da Violência Sexual em Conflito, solidarizamo-nos com os sobreviventes e todos aqueles que lhes dão apoio.
E comprometemo-nos a redobrar os nossos esforços para prevenir atrocidades e exigir a responsabilização dos culpados.
Isto significa ouvir os sobreviventes.
Significa a integração por parte dos governos da lei humanitária internacional nas suas leis nacionais e nas suas regras e formação militares.
E significa também responsabilizar os agressores, de forma que estes enfrentem a justiça – devemos combater a crença de que os combatentes podem infligir horror com impunidade.
Este ano, o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Sexual em Conflito foca-se na tecnologia e no fosso digital.
O acesso à tecnologia pode alertar as pessoas para o perigo, ajudá-las a encontrar refúgio e apoio e permitir que os abusos sejam documentados e verificados, como um primeiro passo para a responsabilização.
Mas pode também perpetuar a violência, prejudicar as vítimas e inflamar o ódio.
Devemos garantir que a tecnologia apoia os nossos esforços para prevenir e pôr termo a estes crimes, inclusive promovendo o acesso e responsabilizando as pessoas pelas suas ações no mundo digital.
Juntos, devemos transformar retórica em resposta, e os compromissos em ação, de modo a tornar realidade as promessas de acabar com a violência sexual em conflito.
Dependemos da terra para a nossa sobrevivência. No entanto, estamos a tratá-la como lixo.
A agricultura insustentável erode os solos 100 vezes mais rápido do que a capacidade do processo natural em restaurá-los.
E até 40% da terra do nosso planeta está agora degradada: Pondo em risco a produção de alimentos; Ameaçando a biodiversidade; E agravando a crise climática.
Isso atinge mais duramente as mulheres e as meninas. Elas sofrem desproporcionalmente com a falta de alimentos, a escassez de água e a migração forçada que resultam da forma como maltratamos a terra.
No entanto, elas têm menos controle. Em muitos países, as leis e práticas impedem mulheres e meninas de serem proprietárias de terras.
Mas, em todos os lugares onde são proprietárias, as mulheres restauram e protegem as terras: aumentando a produtividade; construindo resiliência à seca e investindo em saúde, educação e nutrição.
Direitos iguais sobre a terra protegem a terra e promovem a igualdade de género. É por isso que este Dia da Desertificação e Seca coloca o foco em “a terra dela, os direitos dela”.
Peço a todos os governos que eliminem as barreiras legais para que as mulheres sejam proprietárias de terras e que as envolvam na formulação de políticas.
Apoiem as mulheres e as meninas a fazerem a sua parte na proteção do nosso recurso mais precioso.
E, juntos, vamos eliminar a degradação da terra até 2030. Muito obrigado.
Em julho próximo, Portugal apresenta junto das Nações Unidas o 2º Relatório Voluntário Nacional sobre a implementação da Agenda 2030 e dos respetivos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A ONU Portugal falou com o Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros que desvendou algumas das principais conclusões deste relatório e explicou como através de uma nova metodologia se alargou a participação dos vários agentes da sociedade civil.
André Moz Caldas adiantou ainda que o Governo de Portugal está já a preparar um roteiro nacional para o desenvolvimento sustentável que traçará as prioridades do país para os próximos anos e contribuirá para as discussões nas grandes Cimeiras internacionais que terão lugar em 2024 e 2025.
Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros é o membro do Governo responsável por coordenar internamente as atividades de reporte da implementação da Agenda 2030 em Portugal.
ONU Portugal: Este ano, assinalamos o meio caminho (midpoint) da implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e Portugal, pela segunda vez, apresenta o seu Relatório Voluntário Nacional às Nações Unidas, em julho, em Nova Iorque. O que é que pode adiantar relativamente a este relatório?
Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros: Este é um relatório que vai apresentar profundas diferenças face ao primeiro relatório voluntário nacional que versava sobretudo sobre o percurso que percorremos desde a adoção, em 2015, da Agenda, a sua entrada em vigor, em 2016, e estava fundamentalmente centrado na ação do governo central e nas políticas públicas.
O relatório que agora pretendemos apresentar partiu da vontade de ter uma dupla abordagem, alinhando todas as camadas do governo nacional, regional e local e de toda a sociedade, trazendo os contributos de todos os atores relevantes para a elaboração do relatório. Por isso, criámos um modelo institucional que permite, de forma permanente, chamar a um órgão de monitorização e de acompanhamento os representantes destes atores, portanto, do Governo da República, dos governos das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, dos representantes dos municípios e das freguesias, dos representantes do Conselho Económico e Social e de personalidades de reconhecido mérito na área do desenvolvimento sustentável. Isto permitiu lançar uma metodologia que trouxe para o processo todos os intervenientes relevantes e, portanto, este já não vai ser apenas um relatório do Governo português, é verdadeiramente um relatório nacional que expressa o empenho de todos os atores públicos e privados no caminho da Agenda 2030.
Aquilo que nós podemos constatar, em primeiro lugar, é que a 62% das metas estão a evoluir no sentido desejado, não obstante os impactos quer da pandemia da covid-19, quer mais recentemente da invasão da Ucrânia pela Rússia. Apenas 11% das metas estão a dirigir-se no sentido contrário àquele que era o desejado, objetivos que continuam a ser centrais para Portugal. Mas acima de tudo, conseguimos um levantamento de informação muito mais alargado, uma vez que o Instituto Nacional de Estatística está a monitorizar muitos mais indicadores para esta edição do relatório, tendo já uma cobertura em torno dos 70% de indicadores e de metas. Portanto, representa uma realidade muito mais sólida, sem prejuízo de termos aprendido que alguns dos indicadores precisam de algum trabalho para melhor expressar verdadeiramente aquilo que é a situação do país.
Para além disso, o que este relatório tem de mais robusto é precisamente responder às limitações do relatório anterior e ter a ambição de o superar largamente. Creio que é um objetivo conseguido porque foi utilizado como catalisador deste novo modelo de acompanhamento e de monitorização da implementação da Agenda, contendo um manancial de informação que vamos poder utilizar durante a segunda metade do ciclo.
ONU Portugal: Em relação às prioridades do Governo de Portugal, o primeiro relatório definia alguns ODS prioritários para a implementação de políticas públicas. É expectável que haja novos ODS que passem a ser também por prioritários?
SEPCM: Não exatamente, mas há uma ligeira diferença de abordagem. Nós não deixamos de considerar prioritários aqueles que em 2017 afirmámos como tal, mas constatamos que, como referencial de políticas, a Agenda 2030 tem características únicas, isto é, não só é altamente abrangente como está construída assumindo quer as interligações entre os diferentes objetivos, quer acima de tudo, as ligações entre eles. Portanto, apresentamos um relatório enunciando os progressos em todos os objetivos, porque, na verdade, alguns são sinérgicos entre si, outros são conflituantes, mas a Agenda do nosso ponto de vista só faz sentido como um todo. Não obstante, podemos apontar aqui e ali algumas apostas que o multilateralismo internacional não permitiu consagrar ainda neste referencial e que Portugal não perdeu a ambição que possam vir a ser consideradas noutras fases da nossa vida coletiva.
No entanto, deixaremos de apresentar os objetivos como mais prioritários uns que outros e faremos uma análise global. Isto, a nosso ver, permite uma leitura mais adequada da natureza da Agenda, mas aquilo que nós conseguimos verificar é que nalguns objetivos prioritários progredimos bem, e temos algum orgulho dos passos que demos e dos resultados que alcançámos, mas há outros onde enfrentamos grandes desafios e por isso também é que eram prioritários, porque permitiam responder àquilo que eram necessidades ainda de desenvolvimento do país.
Acima de tudo, aquilo que constatamos é que a Agenda deve ser acompanhada como um todo, sem deixarmos a descoberto alguns dos objetivos que possam não estar mais no topo da agenda nacional, mas que não podem deixar de ser também considerados, porque a responsabilidade que temos não é com 2, 3, 4 ou 5 objetivos, é com os 17 e, portanto, devemos continuar a olhar, a nosso ver, dessa maneira para o conjunto da agenda.
O Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros adiantou que está a ser elaborado um roteiro nacional para o desenvolvimento sustentável que apontará caminhos concretos para a aceleração do cumprimento da Agenda 2030 e que ajudará a construir as metas intermédias com que Portugal se comprometerá na Cimeira da Sustentabilidade da ONU.
ONU Portugal: Como tem sido, na sua opinião, o contributo da sociedade civil portuguesa para a implementação da Agenda? Como tem corrido a cooperação e a colaboração com o Governo?
SEPCM: Eu estou convencido de que os setores mais dinâmicos da sociedade civil perceberam a importância da agenda bem antes do setor público. Essa é, aliás, uma das forças do relatório que Portugal vai apresentar: o trabalho dos municípios e das freguesias, em particular dos municípios que com a plataforma ODSlocal e com outras iniciativas de grande fôlego, como a criação de uma secção de ODS na Associação Nacional de Municípios Portugueses, que já tem perto de 90 municípios participantes e com quem trabalhámos durante a elaboração do relatório.
Esta análise colocou em evidência a forma como a sociedade civil aborda a sua participação e o seu dever de contribuir para a implementação da Agenda que é ainda relativamente assimétrica. Nas empresas constatámos que os setores mais dinâmicos continuam a acompanhar aquilo que foi a dinâmica inicial, mas que fora do contexto das grandes empresas, e muito em particular das multinacionais, a importância da sustentabilidade e da Agenda 2030 ainda não está incorporada nas estratégias do setor empresarial, muito em particular, nas pequenas e médias empresas. O que no tecido económico como o português, particularmente caracterizado por pequenas e médias empresas, significa ainda um desafio importante para a segunda metade do ciclo.
Na Academia, notámos que os currículos académicos já estão impregnados dos contributos da Agenda 2030, mas a governança das próprias instituições de ensino superior, por exemplo, só agora mais recentemente é que começou a incorporar as preocupações de sustentabilidade, sem prejuízo de algumas universidades que foram pioneiras nesses domínios com iniciativas de grande relevância. Percebemos que existem vários ritmos na sociedade civil de implementação, o setor das organizações não governamentais, e muito bem, incita o Governo a fazer mais e eu acho que um dos desafios, uma das lições aprendidas, é de que modo é que nós construímos ferramentas permanentes de envolvimento das partes interessadas relevantes, de modo a gerar maior capacitação e apropriação da Agenda 2030 sobre todos os agentes públicos e privados que têm responsabilidade na sua implementação.
Estou convencido de que no setor público a dinâmica é crescente e já muito decisiva e que esse elã não se vai perder, muito pelo contrário, este novo modelo de governação até o potencia. No setor privado temos de trabalhar no modo de envolvimento permanente, porque corremos o risco de aqueles que foram mais dinâmicos no início sintam agora que há uma invasão dos poderes públicos do espaço que anteriormente ocupavam e que os demais não se sintam devidamente envolvidos, o que pode atrasar o ritmo de implementação da Agenda no nosso país.
ONU Portugal: As Nações Unidas reconhecem que o ritmo de implementação da Agenda e dos respetivos ODS não está a acontecer a um ritmo desejável, por isso, criou a Década de Ação, numa tentativa de acelerar esta implementação. Neste relatório, Portugal explica de que forma pretende acelerar a implementação da Agenda?
SEPCM: O relatório nessa medida, aponta alguns caminhos e centra-se naquilo que são os nossos planos para a segunda metade deste ano. Nós temos a responsabilidade de construir um roteiro nacional para o desenvolvimento sustentável até ao final do ano. Esse será verdadeiramente um mapa das estradas em que apontaremos caminhos concretos de atuação no sentido de aceleração do cumprimento da Agenda e que ajudarão a construir as metas intermédias com que o país se comprometerá na Cimeira da Sustentabilidade, em setembro próximo, à margem da Assembleia Geral. Portanto, estamos a preparar um documento de estratégia e de aceleração da Agenda e até de revisão e adaptação também de alguns indicadores a uma monitorização mais adequada, mais fina e mais permanente da evolução, da implementação de políticas públicas, mas também do impacto daquilo que são as estratégias do setor privado no sentido de acelerar a Agenda.
Vamos continuar a fazê-lo anualmente no quadro da Cimeira do Futuro, no quadro depois da Cimeira Social Mundial, respetivamente em 2024 e em 2025, e, portanto, vamos ter um caminho plurianual de atuação e momentos próprios de apresentação no quadro do sistema das Nações Unidas, dos nossos progressos. Mas a grande peça nesse domínio não será o relatório, pelo contrário, será o roteiro que preparemos mais no fim do ano e que podemos levantar um bocadinho do véu no Dia Nacional da Sustentabilidade que o Governo aprovou muito recentemente e que será o dia 25 de setembro, que foi o dia em que a Agenda 2030 foi adotada nas Nações Unidas.
ONU Portugal: De que forma é que o Governo se organizou para melhor a coordenação entre os vários ministérios e os vários níveis de administração para assegurar uma melhor implementação e monitorização desta Agenda?
SEPCM: Um dos riscos que nós diagnosticámos para efeitos de monitorização da Agenda era de que um dos 3 pilares do desenvolvimento sustentável pudesse ter a tentação de se sobrepor aos outros. Portanto, procurou-se encontrar uma área governativa, e a escolha recaiu sobre a nossa, que pudesse ter equidistância relativamente aos 3 pilares do desenvolvimento e que pudesse olhar de forma transversal para os 3 com igual importância.
Entendeu-se que, em linha com uma política que já é de concentração de algumas responsabilidades de planeamento nos chamados centros do Governo, a Presidência do Conselho de Ministros era ao nível interno, a área governativa que podia assumir essa posição. Portanto, sem prejuízo das competências da área governativa dos Negócios Estrangeiros, na vertente externa e na vertente da cooperação da Agenda, que são vertentes decisivas, do ponto de vista interno, as responsabilidades foram atribuídas à Presidência do Conselho de Ministros.
Ao mesmo tempo, beneficiámos da circunstância de ter sido recentemente criado um centro de competências de planeamento, perspetiva e avaliação de políticas públicas, o PlanAPP. Este visa dotar a administração pública portuguesa de capacidades nestes domínios e este relatório é um dos mais acabados produtos do sucesso dessa política. Foi o PlanAPP que tecnicamente, coordenou a definição da metodologia, a elaboração do relatório, com o apoio logístico da Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros, naturalmente, e com envolvimento da Direção-Geral de Política Externa, do Instituto Camões e do Instituto Nacional de Estatística.
Ao nível da coordenação política, como dizia, foi criada há pouco a tal comissão de acompanhamento do Governo com a PCM, os Negócios Estrangeiros e a Cooperação e representantes da Associação Nacional dos Municípios Portugueses, da Associação Nacional de Freguesias, dos Governos das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, do Conselho Económico e Social e 3 personalidades com uma vida no domínio do desenvolvimento sustentável. Isto permitiu que todos os atores relevantes estivessem representados e que, de alguma maneira, abrissem portas para os setores que representam.
Fizemos ainda um périplo nacional que foi a todas as regiões com a colaboração das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional e dos Governos das Regiões Autónomas e de alguns municípios visitados, em que fizemos assembleias participativas e visitámos boas práticas e projetos com impacto na implementação da Agenda, mas também depois um ciclo relevante da audições formais na Assembleia da República, que se envolveu, desde logo, com grande entusiasmo, o Presidente da Assembleia da República, mas também uma reunião de Comissão no Conselho Económico e Social e uma reunião plenária da secção de ODS da Associação Nacional de Municípios Portugueses. Portanto, cada um dos membros sentiu como sua responsabilidade criar espaços de intervenção e de acesso aos setores que representavam, alargando o envolvimento das partes interessadas neste processo. Sem prejuízo, obviamente de se terem mantido as reuniões formais nos órgãos colegiais do governo, a reunião de Secretários de Estado e o próprio Conselho de Ministros discutiram mais do que uma vez o relatório. Assim, todas as áreas governativas puderam participar de uma maneira muito viva naquilo que vamos apresentar às Nações Unidas.
Fornecem o ar que respiramos e os alimentos que consumimos.
Regulam o nosso clima e tempo.
Os oceanos são o maior reservatório de biodiversidade do nosso planeta.
Os seus recursos sustentam comunidades, prosperidade e a saúde humana ao redor do mundo.
A humanidade conta com os oceanos.
Mas oceanos podem contar connosco?
Deveríamos ser os melhores amigos dos oceanos.
Mas, neste momento, a humanidade é o pior inimigo dos oceanos.
As mudanças climáticas induzidas pelo homem aquecem o nosso planeta, mudando os padrões climáticos e as correntes oceânicas, e alterando os ecossistemas marinhos e as espécies que aí vivem.
A biodiversidade marinha está sob o ataque da sobrepesca, da superexploração e da acidificação dos oceanos.
Mais de um terço dos estoques de peixes são pescados em níveis insustentáveis.
E poluímos nossas águas costeiras com produtos químicos, plásticos e dejetos humanos.
Mas o Dia Mundial dos Oceanos deste ano lembra que a maré está a mudar.
No ano passado, adotamos uma ambiciosa meta global de conservar e administrar 30% das áreas terrestres, marinhas e costeiras até 2030, bem como um acordo histórico sobre subsídios à pesca.
Na Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos em Lisboa, o mundo concordou em trabalhar por uma ação oceânica mais positiva.
Um acordo global e juridicamente vinculante para acabar com a poluição plástica está em negociação.
E, em março, os países concordaram com o histórico Tratado de Alto Mar sobre a conservação e uso sustentável da biodiversidade marinha em áreas fora da jurisdição nacional.
A concretização da grande promessa destas iniciativas exige um compromisso coletivo.
O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 – conservar e usar de forma sustentável os recursos dos oceanos– está em jogo.
Neste Dia Mundial dos Oceanos vamos continuar a pressionar para que haja ação.
Hoje e todos os dias, vamos colocar os oceanos em primeiro lugar.
Este Dia Mundial do Meio Ambiente é um apelo ao combate à poluição por plásticos. Todos os anos, mais de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas em todo o mundo – um terço desse plástico é usado apenas uma vez.
Todos os dias, despeja-se nos nossos oceanos, rios e lagos uma quantidade de plástico equivalente à carga de mais de 2.000 caminhões de lixo. As consequências são catastróficas.
Os microplásticos entram nos alimentos que comemos, na água que bebemos e no ar que respiramos.
O plástico é feito de combustíveis fósseis. Quanto mais plástico produzimos, mais combustíveis fósseis queimamos e mais agravamos a crise climática.
Mas temos soluções. No ano passado, a comunidade global começou a negociar um acordo juridicamente vinculante para acabar com a poluição plástica. Este é um primeiro passo promissor, mas precisamos da colaboração de todos.
Um novo relatório do Programa da ONU para o Meio Ambiente mostra que poderíamos reduzir a poluição por plásticos em 80% até 2040, se adotarmos medidas imediatas de reutilização, reciclagem, reorientação e diversificação para abandonar o uso de plásticos.
Devemos trabalhar como uma só pessoa – governos, empresas e consumidores – para quebrar o nosso vício em plásticos, defender o desperdício zero e construir uma economia verdadeiramente circular.
Juntos, vamos moldar um futuro mais limpo, saudável e sustentável para todas as pessoas.
Hoje, 5 de junho, assinalamos o Dia Mundial do Meio Ambiente 2023 que constitui uma oportunidade para amplificar o apelo aos governos, cidades, organizações e indústria para que invistam e implementem soluções para acabar com a poluição do plástico.
Liderado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e realizado anualmente em 5 de junho desde 1973, o Dia Mundial do Meio Ambiente é uma das maiores plataformas globais para sensibilização, consciencialização e ação ambiental. É celebrado por milhões de pessoas em todo o mundo.
O plástico era conhecido como um material milagroso, transformou a vida cotidiana. Acessível, flexível e durável, o plástico trouxe muitos benefícios para a sociedade, incluindo avanços na área da saúde, construção, embalagens, energia, transporte, agricultura e têxteis.
Então, qual é o problema?
A humanidade está viciada em plástico. Produzimos cerca de 430 milhões de toneladas de plástico anualmente, sendo dois terços desses produtos de curta duração que logo se tornam resíduos.
Os nossos hábitos de produção, consumo e descarte insustentáveis agravam esses problemas. O plástico é barato e fácil de produzir. Todos os anos, de 19 a 23 milhões de toneladas são despejadas em ecossistemas aquáticos.
A reciclagem, por si só, não está a funcionar. Menos de 10% do plástico dos plásticos produzidos são reciclados. O restante é enterrado, queimado ou descartado, geralmente após uma única utilização.
Anualmente, cerca de 4 milhões de toneladas de resíduos plásticos são exportados de países desenvolvidos para países de baixo e médio rendimento, que possuem infraestruturas limitadas para gerir os resíduos de maneira ambientalmente correta.
O plástico contribui para as alterações climáticas. Cerca de 98% dos produtos plásticos são produzidos a partir de combustíveis fósseis virgens, e os plásticos geram mais de 3% das emissões de gases de efeito estufa.
A poluição plástica está se a tornar um risco global para a saúde. A literatura científica relaciona produtos químicos presentes no plástico e danos à saúde humana em todas as etapas do ciclo de vida do plástico, incluindo trabalhadores e comunidades que vivem próximas das áreas de produção e de descarte de plástico.
A indústria de alimentos e bebidas – o setor que contribui com o maior volume de embalagens de uso único – é a principal fonte de resíduos plásticos em países em desenvolvimento e é responsável por 9 dos 10 itens mais comuns encontrados na limpeza de praias.
A investigação mostra que investir numa nova economia do plástico até 2040 pode criar 700.000 empregos adicionais e melhorar os meios de subsistência de milhões de trabalhadores no setor informal.
Porque é que “soluções para a poluição plástica” é o tema do Dia Mundial do Meio Ambiente 2023?
A poluição plástica é uma grave ameaça para a saúde das pessoas e do planeta, contribuindo para a tripla crise planetária das alterações climáticas, da perda de biodiversidade e da poluição e resíduos.
Este Dia Mundial do Meio Ambiente, mostrará que é possível acabar com a poluição plástica e, ao fazê-lo, podemos adotar uma nova abordagem de ciclo de vida. Sim, o plástico é uma inovação durável e versátil que precisa de ser valorizada na nossa economia. Mas devemo-nos perguntar: precisamos de todo o plástico que produzimos?
É possível eliminar produtos plásticos, especialmente aqueles considerados desnecessários, problemáticos e prejudiciais? De que maneiras podemos reduzir o uso? Como podemos redesenhar produtos para eliminar desperdícios resíduos? Todos devemos trabalhar juntos ao longo do ciclo de vida do plástico, para reduzir, reutilizar, reinventar e redesenhar a nossa relação com o plástico em prol das gerações futuras.
O que é uma abordagem de ciclo de vida?
A crise da poluição plástica decorre principalmente da atual economia linear do plástico: produzir, usar e descartar. Abordar efetivamente a poluição plástica requer uma abordagem que abranja todas as etapas do ciclo de vida do plástico, desde o design do produto até à produção, consumo e gestão de resíduos, reduzindo a poluição e o desperdício em cada etapa.
Essa abordagem de ciclo de vida da poluição plástica considera todos os impactos potenciais causados por produtos, bens, serviços plásticos e as suas alternativas em cada etapa de seu ciclo de vida – desde a extração de matérias-primas e o processamento de materiais secundários até ao design, fabricação, distribuição, manutenção, uso e gestão no final da vida.
De linear para circular
Ao seguir uma abordagem de ciclo de vida, uma conclusão importante é que devemos transformar a forma como a economia funciona, passando de uma economia linear para uma economia circular. Uma economia circular para plásticos:
Reduz resíduos eliminando e substituindo a produção e o consumo de plásticos desnecessários e perigosos.
Evita impactos negativos nos ecossistemas e na saúde humana.
Mantém produtos e materiais na economia através da reutilização e reciclagem.
E gere a poluição plástica de maneira ambientalmente responsável.
Esta mudança requer soluções integradas que abordem aspetos económicos, sociais e ambientais interligados, como investir na pesquisa e design de materiais alternativos, reformar a infraestrutura de gestão de resíduos, desenvolver novas tecnologias para reciclagem, mudar os padrões de consumo e incentivar novos modelos de negócios que promovam o uso seguro, eficiente e circular de plásticos na economia.
A investigação mostra que investir numa nova economia do plástico até 2040 pode criar 700.000 empregos adicionais e melhorar os meios de subsistência de milhões de trabalhadores no setor informal, principalmente em países em desenvolvimento, gerando poupanças superiores a 4.5 biliões de dólares.
A colaboração extraordinária entre disciplinas, setores e escalas local, regional e global é vital para reverter o crescimento massivo do plástico e dos polímeros plásticos.
#CombataAPoluiçãoPlástica – Todos podem fazer a sua parte
Desde 2018, a campanha #CombataAPoluiçãoPlástica liderada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) tem defendido uma transição justa, coletiva e global para um mundo com menos poluição plástica. O legado continuará com o Dia Mundial do Meio Ambiente 2023, apresentando as inovações, tecnologias e soluções políticas para a poluição plástica sob o tema #CombataAPoluiçãoPlástica.
A campanha enfatizará que os indivíduos e as comunidades são impulsionadores importantes da ação ambiental, enquanto governos, cidades, instituições financeiras, sociedade civil e indústrias são entidades que podem investir e implementar soluções em larga escala para combater a poluição plástica.
Governos, cidades e municípios, empresas e o setor financeiro podem agir, comprometendo-se com novas normas e padrões:
Eliminar plástico desnecessário.
Implementar políticas e legislações que incentivem a redução do consumo de plástico, promovam a reutilização do plástico, proíbam embalagens e produtos plásticos desnecessários, invistam em reciclagem e se comprometam com parcerias que combatam a poluição plástica.
Mudar de uma economia linear de plásticos para uma abordagem circular: eliminar, inovar e circular.
Reduzir a necessidade de embalagens plásticas. Garantir que 100% das embalagens plásticas produzidas sejam reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis.
Apoiar iniciativas de reutilização em larga escala com base na responsabilidade estendida do produtor e em sistemas de devolução de depósito.
Desenvolver o produto contido em plástico para que não necessite de embalagens plásticas.
Fornecer incentivos para mobilizar investimentos em infraestruturas de reciclagem e degestão sustentável de resíduos para a recolha e classificação local de resíduos plásticos.
Adotar um quadro comum que inclua metas nacionais, regionais, setoriais e específicas para soluções em padrões de design para reutilização e reciclagem, rotulagem de plásticos e cooperação comercial global.
Comprometer-se com iniciativas como o Compromisso Global pela Nova Economia do Plástico e a Parceria Global para a Poluição Plástica e Lixo Marinho.
Negociações globais para combater a poluição plástica
Os Governos e as partes interessadas de todo o mundo estiveram reunidos em Paris de 29 de maio a 2 de junho de 2023 para a segunda sessão do Comité Intergovernamental de Negociação sobre Poluição Plástica, para avançar nas negociações em direção a um instrumento legalmente vinculativo sobre poluição plástica, incluindo no ambiente marinho.
Indivíduos, grupos e comunidades podem usar sua voz e sua escolha
O Dia Mundial do Meio Ambiente 2023 é um lembrete de que as ações das pessoas em relação à poluição plástica são importantes. As medidas que os governos e as empresas estão a tomar para combater a poluição plástica são consequência dessas ações. As pessoas podem continuar a apoiar o progresso enquanto fazem escolhas sustentáveis em sua vida cotidiana, como:
Escolher produtos reutilizáveis em vez de descartáveis.
Solicitar a supermercados, restaurantes e fornecedores locais a mudança para embalagens e talheres de plástico de uso único, e apoiar inovações para evitar o uso de plástico descartável em produtos e embalagens.
Solicitar às autoridades locais que melhorem a gestão de resíduos.
Solicitar a escolas, universidades ou locais de trabalho que proíbam o uso de plástico descartável e removam plásticos prejudiciais de suas cadeias de abastecimento.
Incentivar os decisores a apoiarem políticas para uma economia circular para plásticos.
Incentivar os decisores a redirecionar incentivos para longe da produção de plástico virgem e em direção ao desenvolvimento e expansão de modelos de reutilização e infraestrutura de coleta e reciclagem.
Incentivar os decisores a comprometerem-se com iniciativas como o Compromisso Global pela Nova Economia do Plástico e a Parceria Global para a Poluição Plástica e Lixo Marinho.
As forças de manutenção de paz das Nações Unidas são o coração do nosso compromisso com um mundo mais pacífico. Durante 75 anos, apoiaram pessoas e comunidades abaladas por conflitos e revoltas em todo o mundo.
Hoje, no Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz, homenageamos as suas extraordinárias contribuições para a paz e a segurança internacionais.
Desde 1948, mais de dois milhões de soldados da paz serviram em 71 missões, ajudando os países a percorrer o difícil caminho da guerra para a paz.
Também são fundamentaiss para proteger os civis apanhados no caos desses conflitos mortais, fornecendo esperança e ajuda em alguns dos contextos mais perigosos imagináveis. Ao realizar esse trabalho essencial, muitos capacetes azuis pagaram o preço mais alto. Mais de 4.200 perderam a vida servindo sob a bandeira da ONU.
Expressamos os nossos pêsames e solidariedade às suas famílias, amigos e colegas.
A sua devoção altruísta à causa da paz sempre nos inspirará. Hoje, mais de 87.000 soldados de paz de 125 países servem em 12 operações, enfrentando tensões e divisões globais crescentes, processos de paz estagnados e conflitos mais complexos.
Apesar desses obstáculos, as forças de manutenção da paz perseveram, trabalhando com uma ampla gama de parceiros, os nossos capacetes azuis representam a esperança para as pessoas que vivem sob a sombra do conflito.
Os soldados da paz apoiam a humanidade. Por isso, devemos apoiá-los e reconhecê-los sempre.
“No Dia Internacional da Biodiversidade, refletimos sobre a nossa relação com o sistema que apoia a vida da humanidade.
Desde o ar que respiramos e a comida que comemos, até à energia que nos alimenta e aos medicamentos que nos curam, as nossas vidas dependem totalmente de ecossistemas saudáveis.
No entanto, as nossas ações estão a arrasar todos os cantos do planeta. Um milhão de espécies estão em risco de extinção – resultado da degradação dos habitats, da poluição crescente e do agravamento da crise climática.
Temos de acabar com esta guerra contra a natureza. O acordo do ano passado sobre o Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal marcou um passo importante – mas agora é a hora de passar do acordo à ação. Isso significa garantir padrões sustentáveis de produção e de consumo.
Redirecionar subsídios de atividades destruidoras da natureza para soluções verdes. Reconhecendo os direitos dos povos indígenas e das comunidades locais, os mais fortes guardiões da biodiversidade do nosso mundo.
E pressionando governos e empresas a tomar medidas mais fortes e rápidas contra a perda de biodiversidade e a crise climática.
Vamos trabalhar juntos entre governos, sociedade civil e setor privado para garantir um futuro sustentável para todos.”
O Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), a agência da ONU que promove os direitos de saúde sexual e reprodutiva, reconheceu e agradeceu a Catarina Furtado os seus “extraordinários contributos” para a organização. Há 23 anos que a apresentadora de televisão trabalha também como Embaixadora da Boa Vontade do UNFPA, lutando por causas como a saúde sexual e reprodutiva e ainda os direitos das mulheres e meninas em todo o mundo.
“Por mais de duas décadas, a Catarina tem sido uma defensora incansável do UNFPA e uma campeã para as mulheres e as meninas” afirmou a diretora Executiva do UNFPA, Natalia Kanem.
Catarina Furtado na Índia onde participou em aulas de educação sexual para adolescentes.
“Nós agradecemos o seu entusiasmo, dedicação e compaixão, e o enorme impacto dos seus esforços para as pessoas que servimos” – explicou ainda a responsável.
A agência da ONU destaca o facto de Catarina Furtado, uma das mais conhecidas personalidades mediáticas de Portugal, usar as suas plataformas para contar ao histórias de mulheres e meninas para o público global.
Desde que foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade do UNFPA, em 2000, Catarina Furtado fez inúmeras viagens para promover programas e projetos do UNFPA, em mais de 10 países, e para dar visibilidade às necessidades e aos direitos fundamentais das mulheres e das meninas.
Neste período, teve a oportunidade de testemunhar como são feitos os exames pré-natais em zonas rurais do Haiti, de conhecer as opções de contraceção das refugiadas rohingyas no Bangladesh, de participar em aulas de educação sexual para adolescentes na Índia e de conversar com sobreviventes de casamento infantil em Moçambique.
Catarina destaca que tem sido “uma honra e um privilégio” colaborar com o UNFPA nos últimos vinte e três anos, sublinhando que este é um mandato que lhe “corre nas veias” o de ajudar mulheres e meninas: “as suas histórias e direitos são a minha motivação”
Catarina Furtado visitou o Bangladesh onde contactou com refugiadas rohingya.
“Das sobreviventes de violência doméstica em Timor-Leste a sobreviventes da mutilação genital feminina na Guiné-Bissau, os programas do UNFPA que visitei enchem-me de confiança e de esperança, pois tenho visto o trabalho incrível que as equipas do UNFPA fazem”, explica Catarina Furtado.
Desde 2006, também a série de documentários televisivos da sua autoria – Príncipes do Nada – dá visibilidade a questões que vão desde a saúde materna à gravidez na adolescência.
Para além disso, a embaixadora da Boa Vontade do UNFPA é ainda presidente e cofundadora da organização não-governamental “Corações Com Coroa”, entidade que nos últimos 10 trabalha incansavelmente para prevenir a violência de género e empoderar meninas e mulheres em Portugal.
O reconhecimento e agradecimento do UNFPA aconteceu em Almaty, no Cazaquistão onde Catarina Furtado participou numa reunião de liderança do UNFPA.
MENSAGEM PARA O DIA INTERNACIONAL CONTRA A HOMOFOBIA, BIFOBIA E TRANSFOBIA
17 de maio de 2023
Ao assinalarmos o Dia Internacional Contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia, deparamo-nos com um facto alarmante. Em todos os cantos do mundo, as pessoas LGBTQI+ continuam a enfrentar violência, perseguição, discurso de ódio, injustiça e até mesmo assassinatos.
Enquanto isso, leis retrógradas continuam a criminalizar as pessoas LGBTQI+ em todo o mundo, punindo-as simplesmente por serem quem são.
Cada ataque às pessoas LGBTQI+ é um ataque aos direitos humanos e aos valores que prezamos.
Não podemos e não iremos retroceder.
As Nações Unidas apoiam firmemente a comunidade LGBTQI+ e continuarão a trabalhar até que os direitos humanos e a dignidade sejam uma realidade para todas as pessoas.
Renovo o meu apelo a todos os Estados-membros para que defendam a Declaração Universal dos Direitos Humanos e acabem com a criminalização das relações consensuais entre pessoas do mesmo sexo e das pessoas transgénero. Ser quem somos nunca devia ser um crime.
De acordo com o tema deste ano – “Juntos sempre: unidos na diversidade” – convoco o mundo a falar a uma só voz para eliminar o estigma, a discriminação, as práticas nocivas e a violência muitas vezes mortal sofrida por pessoas LGBTQI+.
Os direitos humanos não são negociáveis. Pertencem a todos os membros da família humana — não importa quem sejam ou a quem amem.
Vamos continuar a trabalhar para construir um mundo pacífico e justo, no qual todas as pessoas sejam livres e iguais em dignidade e direitos.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, recebeu esta terça-feira o Prémio Europeu Carlos V, no Mosteiro de Yuste.
Segundo o júri deste Prémio, Guterres é “uma figura fundamental para enfrentar um período de mudanças sem precedentes e com terríveis consequências para a Europa e para o mundo”. “Com o seu trabalho tenaz impulsionou ações para responder à pandemia da covid-19, à guerra na Ucrânia, para abordar a emergência climática e para conseguir reformas ambiciosas para enfrentar os desafios do século XXI”.
A cerimónia foi presidida por Sua Majestade o Rei Felipe VI, presidente honorífico da Fundação Academia Europeia e Iberoamericana de Yuste, contando ainda com a presença do Presidente da República, Marcelo rebelo de Sousa, e do primeiro-ministro, António Costa. Foto: Juan Carlos Rojas
O Prémio Europeu Carlos V reconhece o trabalho de “pessoas, organizações, projetos ou iniciativas que contribuíram para o conhecimento geral e o engrandecimento dos valores culturais, sociais, científicos e históricos da Europa, assim como para o processo de construção e de integração europeia.
A cerimónia foi presidida por Sua Majestade o Rei Felipe VI, presidente honorífico da Fundação Academia Europeia e Iberoamericana de Yuste, contando ainda com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do primeiro-ministro, António Costa.
António Guterres é o terceiro português a ser distinguido com este prémio depois de Jorge Sampaio, em 2004, e de José Manuel Durão Barroso, em 2014.
Conflitos
No seu discurso, o secretário-geral da ONU começou por enfatizar a fragilidade da paz no mundo e a galopante violência que se vive em várias regiões do mundo. Guterres começou por referir que “a invasão da Ucrânia pela Rússia, que é uma violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, está a causar enorme sofrimento e devastação ao país e ao seu povo”, sublinhado ainda que “guerras e crises humanitárias propagam-se, às vezes diante de nossos olhos, mas muitas vezes longe dos holofotes.”
Para o líder da ONU estas guerras e crises “são mais complexas e interconectadas, e o seu impacto cresce a cada dia”, mencionando que “regiões inteiras como o Médio Oriente e o Sahel estão a ser devastadas por conflitos prolongados que parecem não ter fim à vista” e enfatizando a escalada do conflito no Sudão: “a situação deteriora-se dramaticamente da noite para o dia, sendo a situação no Sudão o triste exemplo mais recente. (…) Em vez de balas, precisamos de arsenais diplomáticos.”
António Guterres é o terceiro português a ser distinguido com este prémio depois de Jorge Sampaio, em 2004, e de José Manuel Durão Barroso, em 2014. Foto: Juan Carlos Rojas
Paz com a Natureza
O diplomata português lembrou também que também deve ser feita paz com a natureza: “É hora de reafirmar a primazia da paz. Paz entre as pessoas e paz com a natureza. Porque a guerra que travamos contra o nosso planeta põe em perigo a própria sobrevivência da humanidade.” Guterres sublinhou que o atual caos climático está a desencadear incêndios, inundações, secas e outros eventos climáticos extremos em todos os continentes o que está a obrigar à deslocação de “milhões de pessoas que muitas vezes precisam buscar refúgio em países e comunidades igualmente vulneráveis.
Direitos Humanos
Durante a sua intervenção, o líder da ONU abordou também a questão dos direitos humanos, no ano em que se comemora o 75º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, lembrando que “os direitos e liberdades das pessoas – civis e políticas, económicas e sociais – estão a ser corroídos” e que “os princípios democráticos e o estado de direito são frequentemente atacados e minados.”
Numa altura em que o discurso de ódio, racismo e xenofobia se continuam a propagar, Guterres afirma que “devemos olhar para trás e aprender com o nosso passado” e continuar a lutar por estes direitos. “Agora é a hora de exigir os direitos à vida, à liberdade, à segurança e à liberdade de expressão e o direito de buscar asilo, entre outros. Esses direitos são inerentes à vida humana. Diante da crescente xenofobia, racismo e extremismo, devemos defender nossa humanidade comum.”
Desigualdades
O chefe das Nações unidas conclui a sua intervenção denunciando o agravamento das desigualdades, uma situação acentuada pela pandemia da covid-19, dizendo que “longe de diminuir, muitas injustiças estão a agravar-se”, denunciando também a obscena acumulação de riqueza: “desde 2020, quase dois terços da nova riqueza criada em todo o mundo foi para um por cento da população. E 26 indivíduos têm a mesma riqueza que metade da população mundial.”
Uma situação que está a deixar muitos para trás, diz Guterres: “a crise do custo de vida está a empurrar milhões de pessoas para a pobreza”, por isso, defende que “o crescimento económico deve servir para melhorar o bem-estar social geral e construir sociedades mais igualitárias” enfatizando que “precisamos urgentemente construir um novo contrato social baseado na justiça social”.
Todos os olhos estarão voltados para Liverpool esta semana, com a cidade a receber o Festival Eurovisão da Canção 2023 em nome da Ucrânia, país vencedor da edição de 2022.
Milhares de pessoas viajam esta semana até aquela cidade inglesa e muitos milhões vão sintonizar-se para assistir ao espetáculo através da televisão. Liverpool quer aproveitar esta oportunidade para defender o paradigma da sustentabilidade. Pela primeira vez nos seus 67 anos de história, o impacto do evento para o meio ambiente será medido e avaliado.
Presidente da Câmara de Liverpool Joanne Anderson, Foto: cortesia do Liverpool City Council
Sustentabilidade em destaque
A BBC (a emissora anfitriã) e a cidade de Liverpool concordaram em monitorizar o nível de sustentabilidade do Festival da Eurovisão da Canção, que servirá de referência para as cidades que receberão o evento no futuro mas também permitirá que Liverpool obtenha mais dados e conhecimento para eventos que venha a organizar.
“Pela primeira vez, teremos uma compreensão do impacto que eventos desta natureza têm e como podemos fazer escolhas sustentáveis ainda mais positivas para o evento no futuro”, explica a presidente da Câmara Municipal de Liverpool, Joanne Anderson, em entrevista o Centro Regional de Informação das Nações Unidas (UNRIC).
Estão também a ser feitos esforços para tornar o concurso mais amigo do ambiente, desde a forma como a energia é usada, até à prevenção de desperdício e incentivo ao uso do transporte público.
“Está em linha com o compromisso de Liverpool para com o acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que estamos a tentar alcançar como cidade”, explica a autarca.
A principal Arena e Centro de Convenções (ACC), onde os vários eventos terão lugar usa eletricidade verde ,de carbono zero, e está equipada com painéis solares. A água da chuva também é utilizada para abastecer as casas de banho do local. Todas as instalações do concurso são, no entanto, aquecidas a gás. A cidade diz que isso é inevitável no momento, mas que já está a estudar soluções alternativas para o futuro.
Liverpool também visa garantir que o Eurovisão envolva todas as comunidades da cidade e tenha um impacto social positivo.
“Não quero que ninguém sinta que o Eurovisão acontece na sua cidade e não se sinta envolvida”, adianta a presidente da Câmara.
Reduzir, reutilizar, reciclar
A prevenção de resíduos e a circularidade estiveram na vanguarda do planeamento do concurso. O Tapete Turquesa do evento, que será percorrido pelas estrelas do concurso, será reciclado após o encerramento da competição.
As sobras das tintas e dos materiais utilizados no evento serão doadas a uma empresa social local, e os cenários e os adereços serão destinados a escolas, grupos de teatro ou serão vendidos em leilão. Também haverá reciclagem mista para garrafas, latas, papel e cartão, e haverá sinalização clara de resíduos na Eurovision Village. Serão ainda disponibilizados bebedouros para evitar o desperdício de garrafas plásticas.
“Faremos tudo o que pudermos reciclar e reaproveitar, e tentaremos recolher todos os dados relevantes”, acrescenta a autarca.
Em relação às deslocações, estão previstas estudos para calcular os impactos da viagem do pessoal e dos artistas, enquanto os dados da venda de bilhetes estimarão os modos de transporte utilizados pelo público.
Simultaneamente, foram desenhados percursos pedestres entre os locais principais do evento.
“Liverpool é uma cidade onde se pode caminhar muito”, explica Anderson, acrescentando que a cidade também “garantirá que tenhamos boas rotas de transporte, bicicletas e trotinetes elétricas disponíveis”.
A cidade plantou flores para atuar como barreiras passivas de estacionamento e para melhorar a área.
Construir um legado para cidades e futuros concursos de música
Em 2019, todos os partidos políticos da Câmara Municipal de Liverpool concordaram em enfrentar o desafio de tornar Liverpool uma cidade neutra em carbono até 2030. Estima-se que a cidade já tenha eliminado 840.000 toneladas de CO2 da atmosfera desde 2005 e plantou mais da metade um milhão de árvores nos últimos 25 anos.
“A Eurovisão permitiu que nós, como cidade, começássemos a ter conversas mais amplas sobre sustentabilidade, especialmente no setor de eventos”, explica a responsável, concluindo que a cidade espera avançar para eventos neutros em carbono no futuro.