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Cerca de 60 mil crianças devem continuar o ensino no norte de Moçambique

Mais de 70%  de alunos nas províncias moçambicanas  de Cabo Delgado e Nampula não completam ensino primário. Metade são meninas e mulheres adolescentes.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e a Embaixada da Noruega, se comprometeram a desembolsar fundos humanitários para resposta à situação em Moçambique. O financiamento aos programas da agência da ONU é de três anos, com foco em atividades de educação e proteção.

Unicef e a Embaixada da Noruega, se comprometeram a desembolsar fundos humanitários para resposta à situação em Moçambique

© Unicef Moçambique/2022/Cláudio Fauvrelle

Unicef e a Embaixada da Noruega, se comprometeram a desembolsar fundos humanitários para resposta à situação em Moçambique

Conflito

No ato da assinatura do acordo, o Embaixador do Reino da Noruega, Haakon Gram Johannessen, lembrou que o conflito armado em Cabo Delgado desestabilizou a província, aumentou o risco de abuso infantil e do tráfico de seres humanos.

Johannessen justificou a importância e a urgência em contribuir com US$ 10 milhões para o projeto intitulado “Apoio a aprendizagem, proteção e empoderamento de crianças e adolescentes no norte de Moçambique”

O grupo alvo conta com um total de 62,4 mil pessoas, das quais aproximadamente 52% são meninas. Para fazer a diferença em sociedades assoladas por conflitos, há necessidade de investimentos a longo prazo que habilitam as crianças e adolescentes como agentes de mudança. Esta é a melhor maneira de garantir que os direitos humanos e a igualdade de gênero sejam a base para a coesão social e a construção da paz.”

Para o governo da Noruega, os direitos das crianças e a igualdade de gênero são prioridades fundamentais.A representante do Unicef, Maria Luísa Fornara diz que recursos disponíveis vão contribuir para concretizar parte dos desafios da agência.

A representante do Unicef, Maria Luísa Fornara disse que recursos disponíveis vão contribuir para concretizar parte dos desafios da agência

Ouri Pota

A representante do Unicef, Maria Luísa Fornara disse que recursos disponíveis vão contribuir para concretizar parte dos desafios da agência

Barreiras

“Os recursos permitirão ao Unicef implementar intervenções com adolescentes vulneráveis, trabalhando através de plataformas comunitárias e enfrentando barreiras sistemáticas que dificultam a aprendizagem e proteção de crianças entre 13 e 18 anos. Através desta combinação de abordagens, o Unicef poderá apoiar os esforços do Governo de Moçambique para garantir a aprendizagem e proteção de quase 60 mil crianças nas zonas rurais de Cabo Delgado e Nampula.”

Apesar dos esforços do governo e parceiros, as crianças em Moçambique enfrentam desafios no que diz respeito à aprendizagem e educação. A região norte está na lista das que apresentam maior fragilidade.

“Mais de 70% das crianças e adolescentes no norte de Moçambique não completam o ensino primário. Os adolescentes entre os 13 e 17 anos de idade, que vivem no norte, têm as taxas de frequência mais baixas e têm poucas oportunidades alternativas de aprendizagem. As províncias do norte têm taxas de abandono escolar mais elevadas, e as raparigas tornam-se mais propensas a abandonar o ensino à medida que envelhecem.”

As intervenções do Unicef fazem parte do Plano de Resposta Humanitária e do Quadro de Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, 2022-2026 para Moçambique.

A agência especializada da ONU atua em temas de Proteção da Criança em Cabo Delgado, implementando programas através de uma colaboração com vários setores do, sociedade civil e comunidades.

De Maputo para ONU News, Ouri Pota

Agência atômica da ONU terá missão permanente em Zaporizhzhia, na Ucrânia

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, falou a jornalistas nesta sexta-feira ao retornar da missão na usina nuclear de Zaporizhzhia. Segundo Rafael Mariano Grossi, uma parte da equipe seguirá nas instalações ucranianas até semana que vem e dois especialistas ficarão permanentes no local.

Ele acredita que a permanência da Aiea na planta contribui para a estabilização e facilita a relação entre as partes do conflito. Em sua primeira avaliação, Grossi destacou a situação da integridade física das instalações nucleares após o aumento da atividade militar.

Grossi afirmou que embora haja danos nas instalações, as operações continuam

Ⓒ Aiea

Grossi afirmou que embora haja danos nas instalações, as operações continuam

Relatório sobre a situação de Zaporizhzhia

O chefe da agência nuclear afirmou ser possível observar que a usina nuclear foi violada diversas vezes. Ele adicionou que os bombardeios na área são “inaceitáveis” e aumentam o risco de acidentes.

Na próxima terça-feira, Rafael Mariano Grossi deve participar de uma sessão no Conselho de Segurança para apresentar um relatório completo sobre a situação em Zaporizhzhia.

Aos jornalistas, ele afirmou que embora haja danos nas instalações, as operações continuam. Uma das maiores preocupações de Grossi é sobre a segurança das equipes trabalhando na usina.

Ele afirma que ucranianos e russos trabalham de forma “profissional” juntos, mas existe uma tensão muito grande. Segundo o diretor-geral da Aiea, as equipes contam com profissionais técnicos, além da força militar russa.

Outro ponto de preocupação é o abastecimento de energia da planta, que sofreu com apagões desde o início da violência na região, e o abastecimento de materiais necessários para garantir o bom funcionamento da usina.

A usina nuclear de Zaporizhzhia é considerada a maior da Europa

Ⓒ Aiea

A usina nuclear de Zaporizhzhia é considerada a maior da Europa

Resultados da visita

Ao ser questionado sobre o acesso a todas as áreas das instalações de Zaporizhzhia, Grossi afirma que sente que sua visita obteve os resultados esperados. Segundo ele, sua equipe teve acesso aos locais que seriam necessários para uma avaliação técnica sobre o funcionamento seguro da usina.

Mesmo com os avanços, Grossi afirma que seguirá preocupado com a estabilidade e segurança, tanto das equipes trabalhando em Zaporizhzhia quanto da integridade física da usina, até que a situação seja totalmente normalizada.

Ação da Polícia da ONU precisa de mais mulheres, tecnologia e estabilidade

Nova Iorque acolhe ministros, líderes de corporação e representantes de organizações regionais na 3ª Cúpula de Chefes de Polícia da ONU.

Nesta quinta-feira, o secretário-geral António Guterres abriu o evento ressaltando os desafios e as contribuições do setor para a paz, a segurança e o desenvolvimento de todo o mundo. Forças possuem cerca de 10 mil integrantes de mais de 90 países.

“Multilateralismo em ação”

O chefe das Nações Unidas disse que os policiais representam o multilateralismo em ação no evento que, até esta sexta-feira, aborda o fortalecimento da atuação internacional. 

Polícia da Unmiss, Sudão do Sul, doando livros para biblioteca

Unmiss\Nektarios Markogiannis

Polícia da Unmiss, Sudão do Sul, doando livros para biblioteca

António Guterres ressaltou que o mundo “enfrenta o maior número de conflitos violentos desde 1945”. Esta realidade se torna mais difícil com a pandemia de Covid-19, a crise climática e as tensões geopolíticas que deixam os conflitos mais complexos e prolongados.

O secretário-geral lembrou que hoje é cada vez mais alto o número de operações de manutenção da paz que são alvo de extremistas violentos e agitadores. A Iniciativa Ação pela Manutenção da Paz atua para que estas missões “sejam mais fortes, seguras e eficazes”.

Guterres destacou que mais conhecimentos especializados de policiamento são necessários para alcançar os propósitos da ONU e sustentar a ordem pública, combater o aumento do crime organizado e o tráfico de recursos naturais. Outra meta é promover práticas de resposta que sejam ambientalmente adequadas.

Timor-Leste é exemplo 

O chefe da ONU apontou o caso de sociedades emergindo de conflitos, da violência e da instabilidade, onde a polícia  está na dianteira da cadeia de justiça como parte das instituições atuando em favor do Estado de direito.

Os desafios do ramo nas Nações Unidas incluem atuar em áreas instáveis, inovar rapidamente as capacidades militares e policiais, além de incluir mais mulheres nas operações de paz, policiais e civis.

Chefe das Nações Unidas disse que os policiais representam o multilateralismo em ação

ONU/Eskinder Debebe

Chefe das Nações Unidas disse que os policiais representam o multilateralismo em ação

Timor-Leste foi é tido como exemplo de êxito da Polícia da ONU por ter capacitado as forças locais para as responsabilidades de segurança local.  As habilidades incluem segurança, proteção e reforço da confiança de civis em instituições estatais. Na mesma linha estiveram forças da Libéria e Côte d’Ivoire, conhecida como Costa do Marfim.

Foi em 1960 que a Polícia das Nações Unidas formou seu primeiro destacamento. Desde então, Guterres diz que a força continuou cumprindo a promessa, a esperança e o otimismo da organização.

O secretário-geral destacou que a vertente policial da ONU precisa de ajuda dos países-membros para aumentar suas capacidades de segurança, incluindo com meios tecnológicos.

Chefe da agência atômica da ONU defende presença permanente em Zaporizhzhia, na Ucrânia

Um grupo de especialistas em energia atômica da ONU chegou à Zaporizhzhia, na Ucrânia, nesta quarta-feira, para conduzir um trabalho de avaliação na usina nuclear da cidade. O anúncio foi feito em entrevista concedida pelo diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea.

Rafael Mariano Grossi declarou que este é um dia muito importante para a missão. Após seis meses de trabalho de negociação, a agência pode enviar funcionários para avaliação do estado da instalação, que vem sofrendo com bombardeios.

Rafael Mariano Grossi lidera a equipe da missão de especialistas da Aiea em sua visita oficial à Usina Nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia

Aiea/Dean Calma

Rafael Mariano Grossi lidera a equipe da missão de especialistas da Aiea em sua visita oficial à Usina Nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia

Missão prolongada

O chefe da agência nuclear afirmou que há muito trabalho técnico a ser feito em Zaporizhzhia. Ele explica que é necessário avaliar a situação, verificar o funcionamento dos sistemas de segurança e conversar com a equipe.

Grossi lembrou que a situação é bastante complicada, já que a usina está sob controle de tropas russas desde o início do conflito na região. A operação segue sendo executada por funcionários ucranianos.

A expectativa do chefe da agência nuclear é que a Aiea tenha “presença permanente” ou prolongada na instalação. Grossi afirmou que trabalhará com as equipes no terreno para esse fim e que o entendimento da ONU é que a instalação é ucraniana.

Nesta visita, ele afirma que a equipe da Aiea ficar “alguns dias”, sem especificar a duração da missão. Ele adicionou que a base legal da estadia no local é o acordo com a Ucrânia.

Grossi se encontrou com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em Kyiv, durante a Missão de Apoio e Assistência da agência a Zaporizhzhia

Serviço de Imprensa Presidencial Ucraniano

Grossi se encontrou com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em Kyiv, durante a Missão de Apoio e Assistência da agência a Zaporizhzhia

Desmilitarização de Zaporizhzhia

Questionado se a desmilitarização da Zaporizhzhia seria possível, o chefe da Aiea avalia que dependerá de “vontade política” dos países envolvidos no conflito, “especialmente a Federação Russa”, que tem suas tropas no local. No entanto, ele reforçou que o papel da presença da agência na instalação é técnica e tem o objetivo de evitar um acidente nuclear na maior usina nuclear da Europa.

Rafael Grossi lidera pessoalmente a missão na Zaporizhzhia, que contou com 13 especialistas. Segundo ele, os peritos da Aiea avaliarão os danos como uma questão de prioridade e verificarão se os sistemas de segurança continuam funcionando.

Na terça-feira, em uma coletiva de imprensa em Nova Iorque, o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric disse que a missão da Aiea deve cruzar a linha de frente do conflito com equipamento especial. Ele acrescentou que a ONU presta assistência aos inspetores da Aiea com logística e segurança. Os detalhes não foram apresentados, mas Dujarric afirmou que as partes que controlam o território onde a missão ocorrerá também devem ser responsáveis por sua segurança.

Ao chegar no país, nesta terça-feira, o chefe da Aiea se reuniu com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Cinco coisas a saber sobre a próxima Assembleia Geral da ONU

UN Photo/Manuel Elías

A duas semanas da abertura da 77ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que acontece de 12 e 27 de setembro, a comunidade diplomática da ONU e os residentes de Nova Iorque preparam-se para a chegada anual de chefes de Estado e de governo de todo o mundo, após dois anos de interregno devido à pandemia da covid-19.  

1 – Presidente húngaro assume a liderança 

Uma nova sessão traz um novo Presidente da Assembleia Geral. O atual PGA – como diz a sigla da ONU – Abdulla Shahid, das Maldivas, vai sair e Csaba Kőrösi, da Hungria, assume o cargo durante os próximos doze meses. 

A sucessão tem lugar na segunda-feira, 12 de Setembro. Abdulla Shahid vai encerrar a 76ª sessão da AG de manhã e a 77ª sessão será oficialmente aberta à tarde, no fuso horário de Nova Iorque. 

Csaba Kőrösi desempenhou várias funções no Ministério dos Negócios Estrangeiros do seu país, sendo o seu cargo mais recente o de diretor de sustentabilidade ambiental no gabinete do presidente da Hungria. Serviu como vice-presidente da Assembleia Geral da ONU durante a 67ª sessão, em 2011-2012. 

UN Photo/Eskinder Debebe

2 – Cimeira ‘Transformar a Educação’ 

A atenção internacional vai estar voltada para a semana do Debate de Alto Nível, que começa na terça-feira, 20 de setembro. 

No entanto, a Cimeira ‘Transformar a Educação’, que acontece na semana anterior, na sede da ONU – na sexta-feira 16, sábado 17 e segunda-feira 19 de setembro – é considerada pela Organização um momento importante. 

Sexta-feira é o “Dia da Mobilização”, que vai ser dirigido e organizado por jovens, que irão apresentar as suas preocupações sobre educação aos decisores políticos, e irá centrar-se na mobilização do público em geral – jovens, professores, sociedade civil e outros, para apoiar a transformação da educação em todo o mundo. 

O segundo dia centra-se em soluções e foi concebido para ser uma plataforma para iniciativas que contribuirão para transformar a educação. A agenda está agrupada em torno de cinco temas (“Percursos Temáticos de Ação”): escolas inclusivas, equitativas, seguras e saudáveis; aprendizagem e competências para a vida; trabalho e desenvolvimento sustentável; professores, ensino e profissão docente; aprendizagem digital e transformação; financiamento da educação. 

O terceiro dia é o “Dia do Líder”, capitalizando o facto de tantos chefes de Estado e de governo estarem em Nova Iorque nessa semana. Espera-se que saiam uma série de Declarações Nacionais de Compromisso por parte destes líderes. O dia vai contar também com a apresentação da Declaração da Juventude e da Declaração de Visão do Secretário-Geral para Transformar da Educação. 

UN News/Abdelmonem Makki

3-Momento ODS 

O Momento ODS deste ano, que terá lugar na segunda-feira, 19 de Setembro, imediatamente antes do Dia do Líder da Cimeira Transformar a Educação, é uma oportunidade para reorientar a atenção para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, um projeto para um futuro mais justo para as pessoas e para o planeta. 

Em palestra no Fórum Político de Alto Nível – um importante fórum anual de desenvolvimento – em julho, a secretária-geral adjunta, Amina Mohammed, afirmou que a transição para as energias renováveis, sistemas alimentares e conectividade digital, juntamente com “investimentos em capital humano, financiando as oportunidades”, são necessárias para transformar múltiplas crises em oportunidades. 

Amina Mohammed considera que o momento deste ano será “uma oportunidade para nos concentrarmos nestas transições profundas e no trabalho necessário para nos colocar de novo no bom caminho. Será também um marco importante no caminho para a Cimeira dos ODS em 2023”. 

O momento ODS do ano passado ficou marcado pela participação da banda coreana BTS e pela reflexão sobre os constrangimentos causados pela pandemia da covid-19. 

UNDP China

4-Os direitos das minorias 

A 18 de dezembro de 1992 os Estados-membros da ONU adotaram a Declaração sobre os Direitos das Pessoas Pertencentes a Minorias Nacionais ou Étnicas, Religiosas e Linguísticas (Declaração da ONU sobre os Direitos das Minorias), descrita pelas Nações Unidas como um instrumento-chave para abordar os direitos políticos, civis, económicos, sociais e culturais das pessoas pertencentes a minorias. 

Na quarta-feira, 21 de Setembro, na Câmara do Conselho de Tutela, há uma Reunião de Alto Nível que faz parte das comemorações do 30º aniversário da Declaração. 

O chefe da Secção dos Povos Indígenas e Minorias dos Direitos Humanos da ONU, Paolo David, disse em junho que embora a adoção da Declaração tenha trazido esperança há três décadas, este sentimento perdeu-se devido ao conflito armado na ex-Jugoslávia. Observou ainda que as minorias continuam a ser instrumentalizadas em muitos conflitos, incluindo na Ucrânia, na Etiópia, no Mianmar, no Sul do Sudão, na Síria e no Iémen. 

Atualmente as minorias enfrentam barreiras e desafios sem precedentes. Muitos países lidam com ameaças “modernas” como o discurso de ódio online e estão a ser despojadas dos direitos de cidadania. 

Este evento é uma oportunidade para fazer um balanço dos constrangimentos e realizações, partilhar exemplos de melhores práticas e estabelecer prioridades para o futuro. 

© UNDP

5-Semana dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 

O Debate Geral vai sobrepor-se à Semana dos ODS que, apesar do nome, é na realidade um programa de nove dias de eventos virtuais e presenciais que decorrem entre 16 e 25 de setembro, envolvendo mais de 170 parceiros da sociedade civil, empresas, universidades e o sistema das Nações Unidas, para acelerar a ação na prossecução dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). 

Alguns dos eventos que acontecem neste contexto incluem a Semana Climática de Nova Iorque, que cobre uma vasta gama de desafios relacionados com o clima; o Fórum do Setor Privado da ONU, dirigido pelo Pacto Global da ONU, que reúne empresas, a ONU e a sociedade civil, para enfrentar crises globais; o lançamento do Projeto de Ação Climática 2022 da Take Action Global, que reúne salas de aula de mais de 140 países, para uma série de entrevistas ao vivo, visitas a escolas e momentos para os meios de comunicação social. 

Vão poder ser vistos muitos vídeos na zona de media durante a Semana dos ODS, que contará ainda com dezenas de oradores, incluindo criadores de conteúdos, influencers, ativistas e parceiros dos media a participarem em painéis de discussão que destacarão ações e soluções de apoio aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. 

Mensagem no Dia Internacional para Pessoas Afrodescendentes

UN Photo/Mark Garten

O SECRETÁRIO-GERAL 

 

MENSAGEM NO DIA INTERNACIONAL PARA PESSOAS AFRODESCENDENTES 

31 de agosto de 2022 

Todos os anos, o Dia Internacional para Pessoas Afrodescendentes celebra a diversidade da herança e da cultura dos afrodescendentes e a sua enorme contribuição para as nossas sociedades ao longo da história. 

No entanto, em todo o mundo, milhões de pessoas de ascendência africana ainda estão sujeitas ao racismo e à discriminação racial profundamente enraizada e sistémica. É por isso que as Nações Unidas continuam a exigir o pleno respeito dos seus direitos humanos e liberdades fundamentais, retificação quando estes são violados e desculpas formais pelos erros flagrantes da escravidão e do colonialismo. 

Em dezembro, o Fórum Permanente das Pessoas Afrodescendentes, cuja criação é uma importante conquista da Década Internacional das Pessoas Afrodescendentes, organizará a sua primeira sessão. Apelo a todas as partes interessadas, incluindo pessoas, comunidades e organizações afrodescendentes, a participar e a impulsionar o trabalho do Fórum. 

A Assembleia Geral das Nações Unidas solicitou ao Grupo de Trabalho Intergovernamental sobre a Implementação Efetiva da Declaração e Programa de Ação de Durban que elabore uma declaração das Nações Unidas sobre a promoção e o pleno respeito dos direitos humanos dos afrodescendentes. O Fórum contribuirá para este trabalho extremamente importante. 

É essencial que continuemos a falar – alto e sem hesitação– contra qualquer noção de superioridade racial e que trabalhemos incansavelmente para libertar todas as sociedades da praga do racismo. 

Faltam serviços básicos de higiene em metade das unidades de saúde do mundo

Em todo o mundo, em metade das unidades de saúde faltam serviços básicos de higiene como água e sabão ou álcool gel. É o que revela um relatório conjunto da Organização Mundial da Saúde, OMS, e o Fundo das Nações Unidas para Infância, Unicef.

Cerca de 3,85 bilhões de pessoas que usam essas instalações correm um risco maior de infecção, incluindo 688 milhões que recebem atendimento em instalações sem nenhum serviço de higiene.

A estimativa global recém-estabelecida revela um quadro mais claro e alarmante do estado de higiene nas unidades de saúde

OMS/Gilles Reboux

A estimativa global recém-estabelecida revela um quadro mais claro e alarmante do estado de higiene nas unidades de saúde

Piora no quadro global

O relatório, lançado esta terça-feira, estabelece pela primeira vez uma linha de base mais global sobre serviços de higiene. São dados de 40 países, que representam 35% da população mundial. A avaliação foi feita em pontos de atendimento e banheiros desses estabelecimentos.

A estimativa global recém-estabelecida revela um quadro mais claro e alarmante do estado de higiene nas unidades de saúde.

De acordo com a análise, uma em cada 11 unidades de saúde não possuem nenhum banheiro, nem instalações para lavagem de mãos. Apenas 51% tinham ambos e, portanto, atendiam aos critérios para serviços básicos de higiene.

Embora houvesse instalações de higiene em 68% dos pontos de atendimento dos estabelecimentos de saúde, em 3% não havia água e sabão nos banheiros.

Equipe de limpeza descarta o lixo em um centro de saúde no distrito de Alirajpur, na Índia

© Unicef/Harikrishna Katragadda

Equipe de limpeza descarta o lixo em um centro de saúde no distrito de Alirajpur, na Índia

Diferentes regiões e grupos de renda

As instalações na África Subsaariana estão aquém dos serviços de higiene. Enquanto 73% dos estabelecimentos de saúde na região em geral têm desinfetantes para as mãos à base de álcool ou água e sabão nos pontos de atendimento, apenas 37% têm instalações para lavagem das mãos com água e sabão nos banheiros.

A grande maioria dos hospitais possui instalações para higienização das mãos nos pontos de atendimento, em comparação com 68% das outras instalações de saúde.

Funcionário de um centro de saúde em Uganda limpa o chão usando uma mistura de cloro e água para prevenir infecções. Serviços adequados de água, saneamento e higiene nas instalações de saúde são vitais para proteger as populações contra infecções.

Unicef/Michele Sibiloni

Funcionário de um centro de saúde em Uganda limpa o chão usando uma mistura de cloro e água para prevenir infecções. Serviços adequados de água, saneamento e higiene nas instalações de saúde são vitais para proteger as populações contra infecções.

Acesso a água e saneamento

Globalmente, cerca de 3% dos estabelecimentos de saúde nas áreas urbanas e 11% nas áreas rurais não tinham serviço de água. Nos países menos desenvolvidos, apenas 53% dos estabelecimentos de saúde têm acesso local a uma fonte de água protegida, em comparação ao número global que é de 78%.

Dos países com dados disponíveis, uma em cada 10 unidades de saúde em todo o mundo não tinha serviço de saneamento. Nas nações menos desenvolvidos, apenas uma em cada cinco tinha serviços de saneamento básico em unidades de saúde. Os dados revelam ainda que muitas unidades de saúde carecem de limpeza ambiental básica e segregação segura e descarte de resíduos de saúde.

A diretora do Departamento de Clima, Meio Ambiente, Energia e Redução de Risco de Desastres do Unicef alerta que se os prestadores de serviços de saúde não têm acesso a um serviço de higiene, “os pacientes não têm uma unidade de saúde”.

Kelly Ann Naylor ressalta ainda que hospitais e clínicas sem água potável e serviços básicos de higiene e saneamento “são uma potencial armadilha mortal” para mães grávidas, recém-nascidos e crianças. Todos os anos, cerca de 670 mil bebês perdem a vida dias para a sepse poucos dias depois do nascimento.

Profissional de saúde prepara vacina de Covid-19 em Luanda, Angola.

Foto: © WHO/Booming/Carlos Cesar

Profissional de saúde prepara vacina de Covid-19 em Luanda, Angola.

Medidas básicas

Segundo a diretora do Departamento de Meio Ambiente, Mudanças Climáticas e Saúde da OMS, Maria Neira, a higiene nas instalações de saúde não pode ser garantida sem aumentar os investimentos em medidas básicas, que incluem água potável, banheiros limpos e resíduos de saúde gerenciados com segurança.

Para ela, a melhoria desses serviços é essencial para recuperação, prevenção e preparação de pandemias. A representante pede aos Estados-membros que intensifiquem seus esforços para implementar seu compromisso da Assembleia Mundial da Saúde de 2019, fortalecendo serviços de água, saneamento e higiene em unidades de saúde.

Uma mãe leva seu bebê de seis meses para um exame de saúde em uma clínica em Chipata, Zâmbia

© Unicef/Karin Schermbrucker

Uma mãe leva seu bebê de seis meses para um exame de saúde em uma clínica em Chipata, Zâmbia

Prevenção

A OMS destaca que as mãos e os ambientes contaminados desempenham um papel significativo na transmissão de patógenos nas unidades de saúde e na disseminação da resistência antimicrobiana.

Por isso, aumentar o acesso à higienização com água e sabão e limpeza ambiental são a base dos programas de prevenção e controle de infecções. Essas medidas também são cruciais para fornecer assistência de qualidade, principalmente para um parto seguro.

O relatório está sendo lançado na Semana Mundial da Água, em Estocolmo, na Suécia. A conferência anual, que acontece de 23 de agosto a 1º de setembro, explora novas maneiras de enfrentar os maiores desafios da humanidade, da segurança alimentar e saúde à agricultura, tecnologia, biodiversidade e clima.

Varíola dos macacos: as perceções das pessoas em risco

* Artigo original da Organização Mundial de Saúde 

Desde que o atual surto mundial de varíola dos macacos surgiu na Europa, a maioria dos casos foram encontrados em homens que fazem sexo com homens (HSH), em particular naqueles que têm parceiros múltiplos e muitas vezes anónimos – e que frequentam locais como saunas, bares e clubes de sexo ou utilizam aplicações de encontros. 

A OMS/Europa tem estado em contacto com ativistas e organizações LGBTQI+, nomeadamente os organizadores dos eventos ‘Pride’, assegurando que recebem a melhor informação e aconselhamento para divulgar à comunidade, inclusive em eventos com grande afluência.

Esforços semelhantes de alcance comunitário e parcerias com alguns governos, como por exemplo em Portugal, resultaram numa elevada sensibilização para a varíola dos macacos, o que provocou alterações no comportamento e precauções acrescidas nas pessoas, reduzindo os riscos para a saúde e ajudando a travar o surto.

Fornecer informações factuais sobre onde o vírus se está a propagar, sem julgamento, é fundamental para ajudar os indivíduos a tomarem medidas para diminuir o risco de exposição. É importante evitar qualquer estigma e discriminação das comunidades afetadas, que precisam de ser envolvidas em soluções para travar a propagação. 

Depois de o surto ter sido declarado como Emergência de Saúde Pública de Preocupação Internacional no final de julho, é agora importante travá-lo, salientou o Diretor Regional a Organização Mundial de Saúde para a Europa, Hans Henri P. Kluge. “A responsabilidade é necessariamente conjunta, partilhada entre instituições e autoridades de saúde, governos, comunidades afetadas e os próprios indivíduos”.  

A OMS falou com homens que interagem sexualmente com outros homens através de uma série de locais ou plataformas, para ouvir a sua perceção sobre o surto de varíola dos macacos e como este teve impacto nas suas vidas.  

Todos têm consciência da doença e dos sintomas a ter em conta – erupções cutâneas ou lesões semelhantes a bolhas – e sabem que este surto é maioritariamente transmitido pelo contacto de pele com pele durante o sexo. 

John, de 52 anos, de Londres, explica como se sentiu quando se inteirou sobre o atual surto: “Inicialmente não estava muito preocupado, porque pensava que tinha de ter viajado para um dos países onde a doença é endémica. Mas depois, ao ouvir mais, percebi que não era este o caso – estava a espalhar-se entre pessoas sem qualquer registo de viagem a África. Isso fez-me ver as coisas de outra forma, particularmente porque na Europa os casos estavam a ser encontrados principalmente entre homens homossexuais e estava a espalhar-se através da prática de sexo”. 

 

Mudar comportamentos 

Os homens entrevistados referiram como o número crescente de casos os levou a reconsiderar seriamente o seu comportamento sexual – pelo menos enquanto a varíola dos macacos estiver em circulação generalizada.  

Alessandro, de 34 anos, da região de Milão, Itália, foi franco acerca dos seus hábitos sexuais habituais: “Costumava ir a um bar ou sauna quase todos os fins-de-semana e conversava com pessoas no Grindr [uma aplicação de encontros] várias vezes por dia. Com o surto de varíola dos macacos já não tenho sexo há um mês e deixei de entrar na aplicação”. 

“Neste momento, penso que todos os HSH que têm múltiplos parceiros precisam de ser mais responsáveis para ajudar a reduzir significativamente o número de casos. Todos devem repensar os seus hábitos sexuais e fazer o que estiver ao seu alcance para se protegerem a si próprios e aos outros”. 

Ryan tem 49 anos, vive em Birmingham, Reino Unido, e decidiu também abster-se de sexo enquanto o vírus é tão prevalente. “No início não pensei que o surto tivesse muito impacto em mim, mas à medida que o número de casos aumentou tornou-se mais assustador e real e fez-me reavaliar o que faço. Costumava ir regularmente a locais de sexo, mas na minha última visita notei uma diminuição do número de pessoas presentes. Por enquanto, decidi que o melhor a fazer é simplesmente não ir”. 

Este comportamento é partilhado pelo Giacomo, 31 anos, de Brescia, Itália, por razões muito pessoais: “Dois dos meus amigos tiveram varíola dos macacos, por isso vi-o em primeira mão. Vivo em casa de família e detestaria que os meus pais descobrissem que eu também a tinha. Portanto, por agora, deixei de ir a clubes de sexo e de ter sexo completamente”. 

 

Medidas temporárias 

No entanto, dado que esta emergência internacional de saúde pública surgiu tão pouco tempo depois de restrições e encerramento de locais no auge da pandemia da covid-19, Giacomo – como muitos dos homens com quem a OMS falou – é honesto quanto ao tempo que sente que pode manter estes comportamentos: “Após dois anos de restrições sociais devido à pandemia da covid-19, todos nós queremos voltar a ter mais da vida que tínhamos antes, e ter a liberdade de poder visitar locais de sexo quando queremos é uma parte importante para mim”. 

A OMS/Europa não defende a abstinência permanente do sexo, mas recomenda que os indivíduos da comunidade HSH considerem seriamente a limitação dos seus parceiros sexuais e interações neste momento, como um meio de evitar a contaminação por varíola dos macacos e de limitar o seu efeito nos indivíduos e na comunidade em geral.  

 

Locais podem ajudar  

A OMS/Europa não recomenda o encerramento de locais de sexo. Estes locais devem ser mantidos abertos e podem ser eles próprios parte da solução para controlar o surto. Podem ajudar a divulgar mensagens às pessoas mais em risco, para as informar sobre riscos, estratégias de prevenção e serviços de saúde disponíveis para testes. Sabe-se que muitos estabelecimentos estão já a fazer isso. 

“Vi informações sobre a varíola dos macacos em muitos dos locais que visitei – é bom e é a coisa certa a fazer”, diz John. “Esperemos que faça as pessoas pensarem duas vezes antes de entrarem, particularmente se tiverem lesões ou uma erupção cutânea”. 

Tomar a vacina 

Os cinco homens entrevistados querem estar vacinados para estarem mais protegidos contra a doença. No entanto, embora uma nova vacina tenha sido aprovada para a prevenção da varíola dos macacos, e acredita-se que a vacina tradicional contra a varíola proporciona um elevado grau de proteção, estas vacinas ainda não estão amplamente disponíveis. Isto significa que muitos países não estão atualmente a oferecer vacinas a HSH e outros grupos de alto risco. 

Ryan está, ainda assim, bem encaminhado para a toma da vacina. “Estou a planear obter a vacina esta semana. Embora não esteja de momento a visitar saunas, diria que, assim que tiver a vacina, voltarei”. 

Alessandro conseguiu tomar a vacina contra a varíola dos macacos enquanto estava de férias em França: “Sou gay e seropositivo e conheço pessoalmente dez pessoas que tiveram varíola dos macacos – algumas delas com dores muito fortes no ânus e na uretra. Isso fez com que me preocupasse muito com a doença. Consegui obter a minha vacina Imvanex [uma vacina aprovada pela Agência Europeia de Medicamentos para uso contra a varíola dos macacos] no início de agosto. É muito importante porque quero ter sexo novamente e reduzir quaisquer sintomas da doença se a apanhar. Mas ainda vou esperar antes de ter novos encontros sexuais, porque sei que o meu corpo precisa de acumular os anticorpos para construir corretamente as suas defesas”. 

A vacinação é um componente importante na resposta à varíola dos macacos, mas não é uma fórmula mágica. A oferta mundial de vacinas disponíveis é atualmente limitada e, em conjunto com o envolvimento da comunidade, os países precisam de conceber mecanismos eficazes de fornecimento de vacinas às populações de maior risco, sem gerar estigma e discriminação. Além disso, embora os estudos sugiram que as vacinas disponíveis são eficazes na prevenção da infeção por varíola dos macacos, os dados sobre a eficácia real ainda estão a surgir. 

  

Receio de estigma  

Como o surto continua a crescer – em números e dispersão geográfica – muitos dos inquiridos estão preocupados com a possibilidade de haver um aumento do estigma contra a comunidade HSH. 

“Isto tem ecos da crise do VIH/SIDA nos anos 80 e 90”, diz John, “e receio que possa haver uma estigmatização dos HSH – ainda que se trate de uma doença que qualquer pessoa possa potencialmente apanhar”. 

“Como se explica ao empregador, parceiro ou família que se tem varíola dos macacos” pergunta Ryan, “particularmente se houve contacto próximo com algum deles? Pode arruinar as relações e pôr em risco a saúde das pessoas. Precisamos de torná-la uma doença não sujeita a culpa e julgamento”. 

  

Mensagem da OMS/Europa  

Aos homens que fazem sexo com homens e especialmente àqueles que têm múltiplos parceiros sexuais, a OMS sugere: 

– Conheça os factos – saiba como a doença se está a propagar e o que as pessoas podem fazer para se protegerem.  

– Pense em limitar o número de parceiros sexuais e as interações neste momento. Esta pode ser uma mensagem dura, mas exercer cautela pode salvaguardar-vos e à comunidade em geral.   

– Embora a vacinação possa estar disponível para algumas pessoas com maiores riscos de exposição, não é uma fórmula mágica. Considere tomar medidas para reduzir esse risco, por enquanto.   

– Se estiver infetado pode estar contagioso – por isso, faça tudo o que estiver ao vosso alcance para evitar a propagação da doença, incluindo isolar-se e fazer uma pausa em encontros sexuais e participação em eventos sociais. 

O fim deste surto pode acontecer, mas apenas com o pleno envolvimento e compromisso dos indivíduos e grupos mais afetados. Embora a responsabilidade de agir seja partilhada, as autoridades de saúde e os governos devem direcionar os recursos e o apoio para onde haja mais impacto. 

 

NOTA: Os nomes dos entrevistados foram alterados para proteger as suas identidades. A OMS agradece a disponibilidade de todos os homens que concordaram em falar. 

 

Boina-azul de Burquina Fasso no Mali é a policial do ano nas Nações Unidas

A subtenente Alizeta Kabore Kinda, de Burquina Fasso, é a vencedora do Prêmio da ONU para Mulher Policial do Ano. O reconhecimento será entregue durante a terceira Cúpula de Chefes de Polícia das Nações Unidas, que acontecerá na sede da ONU em Nova Iorque nesta semana.

A boina-azul atua como ponto focal de gênero na Missão das Nações Unidas no Mali, Minusma, onde apoia as Forças de Segurança do Mali na região de Menaka a promover e melhorar a compreensão de gênero, proteção infantil e civil, bem como de direitos humanos. 

Focal de gênero

Seguindo seus esforços, mais vítimas de violência sexual e de gênero estão se apresentando para relatar seus casos às autoridades locais e receber cuidados médicos.

Atualmente, são relatados três ou mais agressões por mês, enquanto antes do início de seu trabalho não havia denúncias. Ela também se concentra na expansão do número de meninas nas escolas e na redução dos casamentos precoces.

O subsecretário-geral para Operações de paz, Jean-Pierre Lacroix, declarou que a contribuição da subtenente Kinda é um exemplo “brilhante” de como a participação de mulheres policiais em operações de paz afeta diretamente a sustentabilidade da paz, ajudando a trazer diferentes perspectivas para a mesa e tornando o trabalho mais inclusivo.

Ele adicionou que, por meio de suas ações, a boina-azul demonstra um serviço policial mais representativo e eficiente e bem equipado para atender e proteger o público.

Inspiração

Ao receber a notícia de seu prêmio, Kinda afirmou que espera que seja uma inspiração a mulheres e meninas em todo o mundo a seguir carreiras policiais, “apesar dos estereótipos de gênero frequentemente associados à profissão: que os homens são mais adequados para fazer cumprir as leis e proteger a população”.

O conselheiro de polícia das Nações Unidas, Luis Carrilho, afirmou que a premiada demonstra criatividade e compromisso em atender às necessidades específicas de segurança das comunidades que atende.

Segundo Carrilho, ela e sua equipe estão ajudando a aumentar a confiança entre as autoridades e comunidades locais do Mali, o que torna o trabalho da Polícia das Nações Unidas mais eficaz e as pessoas mais seguras.

A carreira da Subtenente Kinda se concentrou na proteção e promoção dos direitos das mulheres e das crianças, inclusive entre 2013 e 2015, quando foi ponto focal de gênero na Missão da Organização das Nações Unidas na República Democrática do Congo, Monusco. 

Em seu país natal, Burquina Fasso, ela desempenhou essas funções no Ministério da Segurança e na Brigada Regional para a Proteção de Mulheres e Crianças.

Na unidade da polícia nacional, ela foi investigadora de violência e exploração sexual.

O prêmio Mulher Policial do Ano das Nações Unidas foi estabelecido em 2011 para reconhecer as contribuições excepcionais para as operações de paz da ONU e para promover o empoderamento das mulheres.
 

Mensagem para o Dia Internacional Contra os Testes Nucleares

UN Photo/Eskinder Debebe

 

Mensagem do secretário-geral por ocasião do

Dia Internacional Contra os Testes Nucleares

29 de agosto de 2022

Das estepes do Cazaquistão às águas cristalinas do Oceano Pacífico e aos desertos da Austrália, os testes nucleares há muito envenenam o meio ambiente do nosso planeta e as espécies e pessoas que o chamam de lar.

O Dia Internacional Contra os Testes Nucleares representa um reconhecimento mundial dos danos catastróficos e persistentes causados ​​em nome da corrida ao armamento nuclear. É uma maneira de lembrar aqueles que sofreram por causa da loucura da provocação atómica. E é um sinal de alarme para o mundo finalmente colocar em prática uma proibição legalmente vinculativa de todos os testes nucleares.

Com os riscos nucleares a atingir novos patamares, é agora hora de o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares entrar em pleno vigor, sustentado por um sistema de verificação eficaz.

As armas nucleares não têm lugar no mundo. Elas não garantem vitória ou segurança. O seu único resultado é a destruição.

O mundo foi refém desses dispositivos mortíferos por tempo suficiente. Neste dia importante, peço ao mundo que aja pela saúde e sobrevivência das pessoas e do planeta.

Vamos garantir o fim dos testes agora e para sempre e consignar as armas nucleares à história, de uma vez por todas.

Novos bombardeios na usina ucraniana de Zaporizhzhia aumentam risco de acidente nuclear

Rafael Grossi afirma que autoridades ucranianas informaram sobre novos ataques na instalação nos últimos três dias; todos os sistemas de segurança permanecem operacionais e não houve aumento nos níveis de radiação; ONU segue negociando envio de missão a maior usina nuclear europeia.

África deve ser vista como região chave, afirma vice-chefe da ONU

A vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, está na Tunísia para a 8ª Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento Africano. 

Ela ressaltou que os países africanos têm todos os pré-requisitos para o caminho do desenvolvimento sustentável, e sua integração na economia mundial superará muitos dos obstáculos atuais. 

Continente jovem

Segundo Mohammed, a comunidade internacional deve mudar sua percepção da África de um continente dependente para uma região chave no cenário global, com os mesmos direitos e posição de outros continentes. .

Mais de 1,2 bilhão de pessoas vivem na África. Aproximadamente 60% da população africana tem menos de 35 anos. A rápida urbanização nos países africanos promete novas oportunidades, inclusive no campo da industrialização do continente.

Amina Mohammed acredita que o continente pode se beneficiar dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 2063 para a África para seguir avançando.

A representante da ONU ressaltou que, para conseguir alcançar essas metas, a comunidade internacional deve, conjuntamente, reduzir as consequências das inúmeras crises.

Ela lembra que a recuperação da pandemia de Covid-19, as consequências da guerra na Ucrânia, a emergência climática e a crise financeira estão colocando populações já vulneráveis em desafios ainda maiores.

Amina Mohammed acrescentou que o conjunto de crises pode criar um terreno fértil para agravar conflitos existentes e gerar agitação, o que mina os esforços coletivos para alcançar os ODS.

A vice-chefe da ONU falou também sobre a Área Africana de Livre Comércio, que contribui para a industrialização, diversificação e digitalização das economias dos países da região, além de ajudar a fortalecer a cooperação regional.

Frentes de atuação

Amina Mohammed convocou a comunidade internacional a trabalhar em três frentes que beneficiariam as economias africanas e ajudariam a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Primeiro, ela afirma que é necessário o acesso universal à energia e uma transição justa e equitativa para a energia renovável. Nesse contexto, o vice-chefe da ONU pediu uma abordagem integrada para orientar os caminhos de desenvolvimento energético da África, baseados em investimentos sustentáveis e parcerias fortes.

Hoje, cerca de 600 milhões de pessoas na África enfrentam a escassez de eletricidade. Isso significa que o continente precisará de mecanismos para o desenvolvimento de fontes de energia limpa. 

O atual aumento dos preços da energia também poderia encorajar os países africanos a aproveitar ao máximo o vasto potencial de energia renovável do continente. Mas isso requer investimentos oportunos em larga escala.

Em segundo lugar, a África precisa urgentemente transformar sistemas alimentares. Na opinião de Amina Mohammed, a Africa precisa aumentar a produtividade na agricultura e nos sistemas alimentares, utilizar novas tecnologias e sistemas modernos de irrigação, alcançar a mecanização agrícola e reduzir as perdas pós-colheita.

Ela concluiu afirmando que os problemas da África causados por crises interconectadas não serão resolvidos sem abordar as desigualdades. 

Nações Unidas

O presidente da Tunísia, Kais Saied, esteve com a vice-secretária-geral e mencionou uma nova era no mundo com o Covid-19 e a guerra na Ucrânia, mas também na Tunísia com uma nova Constituição que estabelecerá uma melhor responsabilidade para todos e a sociedade de direitos para seu povo.

Ele reconheceu que a ONU desempenha um papel importante como “nações unidas”, “nações trabalhando juntas” para enfrentar os desafios. É a principal aspiração da Carta da ONU.

Amina Mohammed lembrou o convite do secretário-geral da ONU ao presidente tunisiano para participar da próxima Assembleia Geral e da importante Cúpula da Educação Transformadora. 

Como professor, o presidente Saied poderia ajudar a redefinir e repensar a educação na África. O presidente confirmou seu interesse em participar e mencionou que é fundamental adequar a educação a esta nova era. Ele disse que um conselho supremo para educação e aprendizado está previsto na nova constituição da Tunísia.
 

Ataques com bombas de fragmentação atingiram 689 civis na Ucrânia

Um novo relatório lançado esta semana pela Coalizão de Munição de Fragmentação destaca o uso extensivo de explosivos de fragmentação pela Rússia desde a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro.

O relatório Monitor de Munição de Fragmentação 2022 mostra que neste período, ataques com esses dispositivos em território ucraniano resultaram na morte ou ferimento de  pelo menos 689 civis, danificando casas, hospitais e escolas.

O documento foi apresentado pelo Instituto das Nações Unidas para Pesquisa de Desarmamento, Unidir, em Genebra.

Ataques com esses dispositivos em território ucraniano resultaram na morte ou ferimento de  pelo menos 689 civis, danificando casas, hospitais e escolas

© UNDP/Oleksandr Ratushniak

Ataques com esses dispositivos em território ucraniano resultaram na morte ou ferimento de  pelo menos 689 civis, danificando casas, hospitais e escolas

Uso por forças russas e ucranianas

Este ano, novos usos de bombas de fragmentação foram relatados apenas na Ucrânia, onde as forças russas realizaram centenas de ataques. Nenhum outro país registrou o uso deste tipo de armamento.

De acordo com relatórios preliminares, esses ataques resultaram em pelo menos 215 mortos e 474 feridos. O uso de explosivos de fragmentação na Ucrânia ocorreu principalmente em áreas povoadas, e também ameaçou os deslocados internos e aqueles que buscavam ajuda humanitária.

O diretor executivo de Humanidade e Inclusão dos Estados Unidos, Jeff Meer, afirmou que esses tipos de explosivos atingem indiscriminadamente e 98% das vítimas são civis.

Ele disse que as forças russas lançaram mão repetidamente deste armamento proibido. Mas que forças ucranianas também usaram várias vezes, e pediu o fim do uso dessas munições. Para ele, os Estados devem pressionar os países para que parem, condenando firmemente e sistematicamente qualquer novo uso e responsabilizando os usuários.

Subsecretária-geral para os Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo, destacou haver alegações críveis de que as forças russas teriam usado munições de fragmentação em áreas povoadas pelo menos 24 vezes

UN Photo/Manuel Elias

Subsecretária-geral para os Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo, destacou haver alegações críveis de que as forças russas teriam usado munições de fragmentação em áreas povoadas pelo menos 24 vezes

Perigo também para o futuro

As bombas de fragmentação são armamentos que contêm várias centenas de mini-bombas chamadas submunições. Projetadas para serem espalhadas por grandes áreas, elas inevitavelmente caem em bairros civis. 

Até 40% dessas bombas não explodem com o impacto, representando uma séria ameaça para a população local nos próximos anos. Assim como as minas, elas podem ser desencadeadas pelo menor contato, matando e mutilando pessoas durante e após os conflitos.

Como não fazem distinção entre civis, propriedades civis e alvos militares, as bombas de fragmentação violam as regras do Direito Internacional Humanitário.

Uso na Síria

De acordo com o relatório, só em 2016 que foi registrado um número tão grande de vítimas desses explosivos, a grande maioria na Síria. O uso de bombas de fragmentação foi usado pelo governo sírio entre 2012 e 2018, e foram amplamente usadas em operações conjuntas sírio-russas.

Em 2021 também foram registradas vítimas de restos desse tipo de armamento, incluindo 37 na Síria, 33 no Iraque e 30 no Laos. Outras foram relatadas no Iêmen, Líbano, Nagorno-Karabakh e Tajiquistão.

Um homem caminha em frente a prédios destruídos em Harasta, Síria.

Foto: © UNICEF/Amer Almohibany

Um homem caminha em frente a prédios destruídos em Harasta, Síria.

Convenção de Oslo

Em vigor desde 2010, a Convenção de Oslo proíbe o uso, produção, transferência e armazenamento de explosivos de fragmentação. Até o momento, mais de 123 países são signatários desta convenção. Os Estados Unidos não é um deles.

Desde que a Convenção entrou em vigor em 1º de agosto de 2010, 35 Estados-membros destruíram 1,5 milhão de estoques de munições de fragmentação, compostas por 178 milhões de submunições. Isso representa 99% de todas os explosivos deste tipo declarados pelos Estados Partes.

ONU apoia campanha de vacinação contra a pólio e outros vírus no Brasil

A Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, participou do lançamento da campanha de vacinação contra a poliomielite e multivacinação organizada pelo Ministério da Saúde do Brasil na última semana.*

Mais de 38 mil postos de vacina no país ficaram abertos para proteger a população de diversas doenças preveníveis. A campanha vai até 9 de setembro.

Em São Paulo, Brasil, menina recebe vacina contra o câncer cervical.

Foto: Opas/OMS

Em São Paulo, Brasil, menina recebe vacina contra o câncer cervical.

Prevenção

O principal objetivo é aumentar as coberturas vacinais, evitando a disseminação de doenças como o sarampo e a reintrodução de vírus já eliminados no Brasil, como o da pólio.

A campanha coincide com a vacinação contra a Covid-19 em andamento. No Brasil, as vacinas contra o coronavírus poderão ser administradas de maneira simultânea ou com qualquer intervalo com os demais imunizantes do Calendário Nacional** de rotina, em pessoas a partir de três anos de idade.

A vacinação é uma das intervenções de saúde pública mais eficazes e custo-efetivas que existem. Salva milhões de vidas no mundo a cada ano e evita a ocorrência de surtos, hospitalizações, sequelas e tratamentos de reabilitação.

Poliomielite

O Brasil é, atualmente, um dos países de alto risco para reintrodução da pólio nas Américas. Para que isso não ocorra, é fundamental aumentar e manter alta (95% ou mais) a cobertura de vacinação contra essa doença no país, além de detectar de maneira oportuna os casos por meio da vigilância de paralisia flácida aguda em menores de 15 anos.

No dia 21 de julho, a Opas emitiu um alerta epidemiológico aos países e territórios das Américas após a notificação pelos Estados Unidos de um caso de poliomielite paralítica em um jovem não vacinado, que foi identificado pelas ações de vigilância do Departamento de Saúde do Estado de Nova Iorque.

*Com a reportagem da ONU Brasil

** As vacinas do Calendário Nacional de Vacinação disponíveis são: Hepatite A e B, Penta (DTP/Hib/Hep B), Pneumocóccica 10 valente, VIP (Vacina Inativada Poliomielite), VRH (Vacina Rotavírus Humano), Meningocócica C (conjugada), VOP (Vacina Oral Poliomielite), Febre amarela, Tríplice viral (Sarampo, Rubéola, Caxumba), Tetraviral (Sarampo, Rubéola, Caxumba, Varicela), DTP (tríplice bacteriana), Varicela, HPV (Papilomavírus Humano), dT (dupla adulto), dTpa e Meningocócica ACWY (conjugada).

Cinco anos após êxodo de rohingyas, Mianmar vive em estado de “catástrofe de direitos humanos”

Uma onda de violência forçou mais de 700 mil rohingyas a fugirem de suas casas em Mianmar e procurar abrigo em Bangladesh, em agosto de 2017. As décadas anteriores já haviam sido marcadas por discriminação sistemática e violência direcionada.

Cinco anos depois, a alta comissária de direitos humanos da ONU, Michele Bachelet, disse que a “catástrofe de direitos humanos em Mianmar continua piorando”, com os militares mantendo operações no sudeste, noroeste e outras regiões.

Refugiados rohingyas fazem fila por comida e outros suprimentos em um campo de refugiados, em Bangladesh

© Unicef/Roger LeMoyne

Refugiados rohingyas fazem fila por comida e outros suprimentos em um campo de refugiados, em Bangladesh

Violações graves de direitos humanos

Ela destaca que o uso do poder aéreo e da artilharia contra vilarejos e áreas residenciais se intensificou. As comunidades rohingyas foram frequentemente capturadas entre os combatentes do exército ou  ainda “alvos diretos das operações”. Mais de 14 milhões precisam de assistência humanitária.

Bachelet afirmou que a ONU continua documentando graves violações graves dos direitos humanos e  do direito internacional humanitário diariamente, incluindo repressão a manifestantes e ataques a civis que podem ser considerados crimes de guerra e contra a humanidade.

Maior campo de refugiados do mundo

Ela lembrou sua visita, na semana passada, ao maior campo de refugiados do mundo em Cox’s Bazar, Bangladesh, que abriga quase 1 milhão de rohingyas. Ainda hoje, não existem as condições necessárias para que pessoas desta minoria étnica possam regressar às suas casas de forma voluntária, digna e sustentável.

A representante especial sobre violência sexual em conflito, Pramila Patten, também citou sua ida a Cox’s Bazar.

Ela disse ter testemunhado em primeira mão “as cicatrizes visíveis em mulheres e meninas da violência sexual que sofreram”.  E que todas as mulheres com quem falou disseram que queriam ver os responsáveis punidos.

Cerca de um milhão de rohingyas vivem em Cox´s Bazar.

Unicef/Patrick Brown

Cerca de um milhão de rohingyas vivem em Cox´s Bazar.

Justiça para crimes sexuais

A representante ressaltou que, desde 2010, os relatórios anuais do secretário-geral sobre violência sexual relacionada a conflitos documentam padrões de crimes de violência sexual em Mianmar.

Patten fez um apelo à comunidade internacional para que continue a agir em solidariedade com o povo rohingya, intensificando os esforços pelos sobreviventes de violência sexual para que haja justiça e responsabilização dos culpados.

Para ela, embora a solução para esta crise esteja em Mianmar, o país está novamente passando por outra turbulência política, agravada pelo golpe militar em fevereiro de 2021, deixando o povo rohingya ainda mais na incerteza.

Quando os militares birmaneses tomaram o poder, 440 mil pessoas deixaram suas casas. Um ano antes, o país já tinha 370 mil deslocados internos. 

Crianças rohingya em Cox's Bazar, Bangladesh, durante a época das monções.

Unicef/UN0213967/Sokol

Crianças rohingya em Cox’s Bazar, Bangladesh, durante a época das monções.

Apoio aos refugiados

No ano passado,  um incêndio em Cox’s Bazar danificou mais de 9,1 mil abrigos de famílias. A clínica médica da Organização Internacional para as Migrações, OIM, no local ficou completamente destruída. No mesmo período, fortes chuvas de monção causaram inundações que fizeram 30 mil vítimas e voltaram  a deslocar  19 mil.

A atual temporada de monções já vem sendo marcada por inundações históricas no nordeste de Bangladesh. As fortes chuvas nos acampamentos podem representar mais riscos para os rohingyas, que vivem em casas temporárias feitas de lona e bambu.

A OIM alerta que embora Bangladesh tenha recebido generosamente esses refugiados nos últimos cinco anos, um país não pode e não deve assumir essa responsabilidade sozinho. Mais da metade dos refugiados em Cox’s Bazar são crianças.

A agência da ONU relata que os próprios rohingyas têm desempenhado um papel central na resposta humanitária. Desde o voluntariado para apoiar a resposta a incêndios e ciclones até a conscientização sobre medidas de prevenção da Covid-19, liderando esforços para apoiarem uns aos outros.

Refugiados rohingya afetados pelo incêndio evacuando com seus pertences

Unicef Bangladesh/2021/Swasti

Refugiados rohingya afetados pelo incêndio evacuando com seus pertences

Redes de Tráfico

Com acesso limitado para sustento próprio, os refugiados rohingyas em Bangladesh continuam totalmente dependentes da assistência humanitária. Alguns grupos ficam vulneráveis ​​ao contrabando e tráfico de pessoas.

As redes envolvidas empregam diferentes táticas para atrair refugiados para trabalhar fora do campo e no exterior usando falsos pretextos, coerção e sequestro. Como uma das principais agências de combate ao tráfico em Cox’s Bazar, a OIM identificou e auxiliou mais de 1,3 mil vítimas de tráfico.

Uma crise que não deve ser esquecida

A enviada especial do secretário-geral para Mianmar, Noeleen Heyzer, disse que continuará defendendo uma maior liderança dos países da região para criar condições propícias para o retorno voluntário, seguro e digno de refugiados.

Ela afirmou que a crise não pode ser esquecida, lembrando os cerca de 1 milhão de refugiados rohingyas em Bangladesh, com dezenas de milhares em toda a região. Mais de 140 mil deslocados internos permanecem confinados em campos na área birmanesa de Rakhine.

A enviada especial destacou a educação e o treinamento vocacional como ferramentas poderosas para preparar o retorno ao Mianmar, aumentar as oportunidades ao longo da vida e equipá-los para contribuir para um futuro mais inclusivo e pacífico.

Noeleen Heyzer, enviada especial do secretário-geral da ONU para Mianmar, visita um centro de aprendizagem em um campo de refugiados de Bangladesh

Escritório da enviada especial para Mianmar

Noeleen Heyzer, enviada especial do secretário-geral da ONU para Mianmar, visita um centro de aprendizagem em um campo de refugiados de Bangladesh

Ajuda humanitária e comunidade internacional

Noeleen Heyzer acredita que a situação atual requer apoio consistente da comunidade internacional para refugiados e comunidades anfitriãs. Ela citou o Plano de Resposta Conjunta de 2022 para a crise humanitária em Bangladesh que até agora recebeu apenas 49% do financiamento.

A representante alerta que gerações inteiras podem ser afetadas se falharem na obrigação de proteger os rohingya e todo o povo de Mianmar, seus direitos fundamentais e dignidade. Para ela, é preciso olhar para soluções sustentáveis ​​e pensar de forma inovadora.