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Conselho de Segurança debate consequências da guerra na Ucrânia

Nesta quarta-feira, o Conselho de Segurança se reuniu mais uma vez para discutir sobre a situação na Ucrânia. O dia 24 de agosto é simbólico por coincidir com a  independência do país e com os seis meses da invasão russa.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, falou aos membros do órgão e destacou o aprofundamento da crise alimentar global causada pela violência no leste europeu.

O dia 24 de agosto é simbólico por coincidir com a independência do país e com os seis meses da invasão russa.

© UNDP Ukraine/Krepkih Andrey

O dia 24 de agosto é simbólico por coincidir com a independência do país e com os seis meses da invasão russa.

Consequências da guerra na Ucrânia

Ele celebrou os avanços da Iniciativa de Grão do Mar Negro, que já embarcou 720 mil toneladas de alimentos nas últimas semanas. O chefe da ONU pediu que os mesmos esforços de negociação sejam aplicados para uma solução diplomática na região.

Guterres voltou a ressaltar sobre os perigos de ataques próximos a Usina Nuclear de Zaporizhzhia, afirmando que a escalada da violência na região poderia levar a ‘autodestruição’.

Ele concluiu seu discurso pedindo pela paz na Ucrânia e pelo compromisso dos Estados-membros com a Carta da ONU.

Também esteve na reunião a subsecretária-geral para Assuntos Políticos, Rosimary DiCarlo. Na terça-feira, ela já havia falado ao Conselho sobre a ameaça nuclear na usina ucraniana.

Na sessão, ela destacou a questão humanitária, que vem se deteriorando com a continuação dos bombardeios em diversas cidades do país. A subsecretária-geral afirmou que 40% da população precisa de ajuda e que o acesso desimpedido deve ser garantido por todas as partes do conflito.

A participação do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, de forma remota na sessão foi levada a votação e aprovada por 13 membros do órgão, mesmo com o voto contrário da Rússia e a abstenção da China.

Outras análises

Outros representantes da ONU também falaram sobre as consequências da violência, tanto dentro quanto fora das fronteiras ucranianas.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, alerta para os desafios da chegada do inverno. O diretor regional da OMS para Europa, Hans Kluge, condenou os ataques a instalações hospitalares, afirmando que é uma violação à lei humanitária internacional.

Já o Programa Mundial de Alimentos, PMA, destaca o agravamento da fome, tanto global quanto entre os ucranianos.

A agência, com papel estratégico na Iniciativa de Grãos do Mar Negro, acredita que as embarcações que deixaram os portos do país nas últimas semanas podem ajudar a estabilizar o mercado internacional e aliviar a insegurança alimentar no mundo.

A chefe da Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, Matilda Bogner, também ressaltou a questão humana.

Segundo ela, o número de civis presos e desaparecidos, bem como os casos de tortura, entre outras violações aos direitos humanos e crimes de guerra, vem subindo desde o início do conflito.

Os dados do Escritório para os Direitos Humanos apontam que já são mais de 13,5 mil vítimas civis: sendo pelo menos 5,6 mil mortos e 7,9 mil feridos.

Os dados são baseados em incidentes verificados e estima-se que a quantidade de vítimas pode ser consideravelmente maior.

Cinco anos desde o êxodo em massa dos Rohingya para o Bangladesh

© UNICEF/Siegfried Modola

Esta semana marca cinco anos desde que mais de 700.000 pessoas de etnia Rohingya fugiram da perseguição militar no Myanmar para o Bangladesh. A agência de refugiados da ONU, o ACNUR, apela à comunidade internacional maior apoio. 

Desde o início da crise humanitária que o Governo do Bangladesh, as comunidades locais e as agências de ajuda têm sido rápidos a ajudar os refugiados que chegam ao que é agora o maior campo de refugiados do mundo, em Cox’s Bazar.   

Muitos Rohingya dizem querer regressar a Myanmar, desde que estejam reunidas as condições para um regresso seguro, digno e sustentável e que possam usufruir de liberdade de movimentos, acesso a documentação e cidadania. Salientam ainda a importância do acesso a serviços e atividades remuneradas. 

Para quase um milhão de refugiados Rohingya sem Estado há uma total dependência da assistência humanitária para sobreviver e o Bangladesh está sobrelotado. 

Desafios e necessidade de assistência 

“Com financiamento reduzido, as pessoas enfrentam muitos desafios na sua vida quotidiana” explicou a porta-voz do ACNUR, Shabia Mantoo, fazendo referência a inquéritos humanitários que dizem que uma nutrição adequada, abrigo, instalações sanitárias e oportunidades de subsistência são necessidades parcamente respondidas. “Alguns tiveram de recorrer a perigosas viagens de barco para procurarem um futuro melhor”. 

A violência contra crianças e mulheres, violência de género, está “envolta em estigma”. As sobreviventes não têm voz e são muitas vezes incapazes de aceder a apoio legal, médico ou psicossocial. 

 Shabia Mantoo defende que deve ser dada especial atenção ao apoio à educação e desenvolvimento de competências e oportunidades de subsistência, lembrando que esse esforço vai preparar os refugiados para um eventual regresso e também os vai ajudar a permanecer seguros e produtivos durante a sua estadia no Bangladesh. 

Embora cerca de 10.000 crianças Rohingya no Bangladesh já estejam inscritas no sistema escolar de Myanmar, ensinado na língua do país, é necessário apoio para um acesso sustentado e alargado ao programa escolar. 

© UNHCR/Amos Halder

Financiamento e apoio internacional 

O apoio internacional e o financiamento, apesar de crucial na prestação de serviços de proteção e assistência aos refugiados Rohingya, está ainda muito aquém das necessidades. 

O plano de resposta de 2022, que pede mais de 881 milhões de dólares para mais de 1,4 milhões de pessoas, incluindo refugiados Rohingya e mais de meio milhão de pessoas das comunidades de acolhimento mais afetadas, é apenas financiado a 49%, com 426,2 milhões de dólares recebidos.  

“A comunidade internacional deve fazer mais para assegurar que os Rohingya não tenham uma deslocação difícil”, salientou a porta-voz do ACNUR, pedindo que os esforços sejam “redobrados” para um maior diálogo político e empenho diplomático para criar condições para um regresso voluntário, seguro, digno e sustentável. 

Ebola ressurge na província de Kivu do Norte, na RD Congo

As autoridades de saúde da República Democrática do Congo, RD Congo, declararam um ressurgimento do ebola na segunda-feira, após a confirmação de um caso na província de Kivu do Norte.

Segundo informações da Organização Mundial da Saúde, OMS, uma mulher de 46 anos morreu em 15 de agosto de 2022 em Beni, localizada no Kivu do Norte. Ela recebeu atendimento no Hospital de Referência de Beni, inicialmente para outras doenças, mas posteriormente exibiu sintomas consistentes com o ebola.

Civis visitam familiars em centro de tratamento de ebola na RD Congo

Foto: Banco Mundial/Vincent Tremeau

Civis visitam familiars em centro de tratamento de ebola na RD Congo

Ressurgimento do vírus

As filiais de Beni e Goma do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica do país confirmaram o vírus ebola em amostras coletadas. As análises mostram que o caso estava geneticamente ligado ao surto de 2018-2020 nas províncias de Kivu do Norte e Ituri, que foi o maior e mais longo do país.

Segundo a diretora regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti, o ressurgimento do ebola está ocorrendo com maior frequência e causa preocupação. 

No entanto, ela adiciona que as autoridades de saúde do Kivu do Norte conseguiram impedir com sucesso vários surtos de ebola e, com base nessa experiência, a situação deve ser controlada rapidamente.

Funcionários da OMS e autoridades de saúde estão monitorando 160 contatos. As investigações querem determinar o status vacinal do caso confirmado.

Vacinação em Mbandaka, na República Democrática do Congo, durante o último surto de ebola.

OMS/Lindsay Mackenzie

Vacinação em Mbandaka, na República Democrática do Congo, durante o último surto de ebola.

Imunização

Existem 1 mil doses das vacinas rVSV-ZEBOV Ebola disponíveis no estoque do país e 200 serão enviadas para Beni esta semana. 

A imunização em anel, em que são vacinados os contatos e outros possíveis infectados com o objetivo de evitar a propagação do vírus, deve começar em breve.

O último surto na zona de saúde de Beni, no Kivu do Norte, foi controlado em cerca de dois meses, terminando em 16 de dezembro de 2021. 

Foram reportados 11 casos, sendo oito confirmados e três prováveis, além de seis mortes.
 

Varíola dos macacos atinge os 35 mil casos

© WHO/Khaled Mostafa

As infeções por varíola dos macacos continuam a aumentar a nível mundial, com mais de 35.000 casos em 92 países e territórios e 12 mortes, informações adiantadas pelo diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus. 

Foram noticiados quase 7.500 casos na semana passada, um aumento de 20% em relação à semana anterior. 

Em Portugal, desde que foi detetada a presença do vírus, a 3 de maio de 2022, e até 17 de agosto de 2022, foram identificados 810 casos de varíola dos macacos. 729 desses casos foram reportados no Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE). Segundo os dados da Direção Geral de Saúde, a maior parte dos casos pertence ao grupo etário entre os 30 e 39 anos (308; 42%). A maioria dos casos são do sexo masculino (723; 99,2%), havendo 6 casos (0,8%) reportados no sexo feminino. 

A maioria dos casos mundiais estão a ser detetados na Europa e América do Norte e do Sul, principalmente entre homens que têm relações sexuais com homens. 

“A prioridade dos países deve ser garantir que estão prontos para a varíola dos macacos e parar a transmissão, utilizando instrumentos eficazes de saúde pública, incluindo o reforço da vigilância da doença, o rastreio cuidadoso dos contactos, a comunicação de risco e o envolvimento da comunidade em medidas de redução de risco”, explicou o líder da OMS. 

Atualmente, o fornecimento de vacinas contra a varíola dos macacos é limitado, bem como os dados sobre a sua eficácia. A OMS está em contacto com fabricantes e com países e organizações dispostas a partilhar doses.   

Tedros Ghebreyesus disse estar preocupado com o acesso desigual às vacinas, como se assistiu na pandemia da covid-19, e que os mais pobres continuem a ser deixados para trás. 

 

@CDC. Um jovem mostra as mãos durante um surto de varíola dos macacos na República Democrática do Congo.

Como se manifesta o vírus 

A infeção pela varíola dos macacos, conhecido em inglês como Monkeypox, é uma doença zoonótica, o que significa que se pode transmitir de animais para humanos e também se pode transmitir entre pessoas. 

De acordo com a Direção Geral de Saúde, a infeção humana manifesta-se de forma súbita através de sinais e sintomas como lesões na pele ou mucosas, febre (superior a 38.ºC), queixas ano-genitais, dores de cabeça, cansaço, dores musculares ou gânglios linfáticos aumentados, poucos dias antes da erupção de lesões. 

As lesões cutâneas podem estar numa determinada região do corpo ou generalizadas, atingindo habitualmente a face e boca, membros superiores e inferiores ou região ano-genital podendo, em certos casos, atingir as palmas das mãos ou dos pés. 

Em caso de infeção os sintomas ou sinais começam a aparecer entre 5 a 21 dias após contacto com o vírus.  

O contacto com as lesões da pele, bem como com fluídos corporais como secreções genitais e anais podem levar à transmissão da doença. Deve também ser enviado contacto com vestuário pessoal, roupas de cama, toalhas e objetos como talheres, pratos ou outros utensílios de uso pessoal contaminados. 

Novos nomes para as variantes 

Um grupo de peritos convocados pela Organização Mundial de Saúde acordou em novos nomes para as variantes do vírus, como parte dos esforços para alinhar os nomes da varíola dos macacos enquanto doença, vírus e variantes com as melhores práticas atuais. Vai ser usada para o efeito numeração romana.  

O vírus da varíola dos macacos foi nomeado aquando da primeira descoberta em 1958, antes de serem adotadas as melhores práticas atuais em matéria de nomeação de doenças e vírus. As principais variantes foram identificadas pelas regiões geográficas onde era conhecida a sua circulação. 

A melhor prática atual é de que vírus recém-identificados, doenças relacionadas e variantes do vírus recebam nomes que evitem causar ofensas a qualquer grupo cultural, social, nacional, regional, profissional ou étnico, e minimizar qualquer impacto negativo no comércio, viagens, turismo ou bem-estar animal. 

Guterres pede consenso global pela paz e segurança coletivas

Em sessão no Conselho de Segurança sobre manutenção da paz e segurança internacionais, o secretário-geral da ONU voltou a destacar as ameaças à estabilidade global e afirmou que o caminho para a paz é feito de diálogo e cooperação. 

Nos últimos dias, António Guterres visitou Ucrânia, Turquia e Moldávia, onde avaliou os progressos da Iniciativa de Grãos do Mar Negro. Para ele, os avanços do acordo são um exemplo concreto de como o diálogo e a cooperação podem trazer esperança, mesmo em meio a um conflito.

Conselho de Segurança debate paz e segurança

ONU/Manuel Elias

Conselho de Segurança debate paz e segurança

Avanços do diálogo

O chefe da ONU pediu que esse compromisso seja aplicado à situação na Usina Nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia. A instalação é a maior da Europa. Guterres reforçou que as Nações Unidas têm as capacidades logísticas e de segurança para apoiar uma missão da Agência Internacional de Energia Atómica, Aiea, ao local.

O secretário-geral também citou a ameaça nuclear, destacando a necessidade de acelerar os esforços durante a Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, este mês, em Nova Iorque.

Citando outros desafios globais para a manutenção da paz e segurança, Guterres afirmou que é necessário restabelecer um consenso global em torno da cooperação para garantir a segurança coletiva, o que inclui o trabalho da ONU.

Na opinião dele, o Conselho de Segurança representa uma parte vital do processo de paz e prevenção, mas o sistema de segurança coletiva de hoje está sendo testado como nunca. Guterres ressaltou que “a confiança é uma mercadoria em falta”.

Ele adicionou que diferenças persistentes entre as grandes potências do mundo, incluindo as com assento no Conselho de Segurança, continuam a limitar a capacidade de responder coletivamente.

Agenda Comum

Ao afirmar que é necessário revitalizar os pontos que evitam um conflito de escala global, ele falou de recomendações de seu relatório “Nossa Agenda Comum”. 

Além de explorar formas de mediação para acabar com os conflitos, o secretário-geral afirma que devem ser levadas em conta a prevenção e a construção da paz. Para ele, isso inclui fortalecer a previsão de ameaças futuras e antecipar a escalada de conflitos.

Guterres adicionou que os direitos humanos devem ser colocados em primeiro lugar nos investimentos políticos e financeiros e avaliar o que pode resolver causas profundas do conflito. 

Contrato social e laços de confiança

O líder da ONU reforçou a necessidade de um novo contrato social que construa e fortaleça os laços de confiança entre as pessoas que habitam as mesmas fronteiras, bem como esforços conjuntos para reunir os países em torno da necessidade de reduzir os riscos decorrentes da guerra cibernética e das armas autônomas.
 
Por fim, ele voltou a pedir que mais esforços sejam feitos para eliminar todas as formas de ameaça nuclear. Guterres acredita que os países com armas nucleares devem ser os primeiros a se comprometer a não usar essas armas.

O secretário-geral encerrou sua participação lembrando aos representantes dos Estados-membros sobre sua responsabilidade com o futuro da humanidade e pedindo engajamento nas ferramentas de paz: diálogo, diplomacia e confiança. 
 

Guterres alerta: “sem fertilizantes em 2022, poderá não haver alimentos suficientes em 2023”

UN Photo/Mark Garten

Depois da visita ao Porto de Odessa, na Ucrânia, onde pôde testemunhar uma “operação notável e inspiradora” de partida dos navios com carregamentos de alimentos, o secretário-geral da ONU, António Guterres, esteve em Istambul, na Turquia, onde destacou a importância do acesso dos alimentos aos mercados globais. 

Mais de 650.000 toneladas métricas de cereais e outros alimentos estão a caminho dos mercados em todo o mundo. “Vi, em primeira mão, o carregamento de uma carga de trigo. Fiquei tão emocionado ao ver o trigo a encher o porão do navio. Foi o carregamento de esperança para tantos em todo o mundo”, considerou o líder da ONU. 

Uma emoção que não esquece que este processo é apenas uma parte da solução. Guterres alerta para a importância da outra parte do acordo, o acesso livre aos mercados globais de alimentos e fertilizantes russos, não sujeitos a sanções.  

UN Photo/Mark Garten

“É importante que todos os governos e o setor privado cooperem para os trazer para o mercado. Sem fertilizantes em 2022, poderá não haver alimentos suficientes em 2023. Tirar mais alimentos e fertilizantes da Ucrânia e da Rússia é fundamental para acalmar os mercados de mercadorias e baixar os preços para os consumidores”, afirmou o secretário-geral. 

António Guterres congratulou todos os envolvidos no Centro de Coordenação Conjunta, garantindo “total apoio e empenho” nas Nações Unidas neste processo.  

Um dos navios prontos para partir do Porto do Centro de Coordenação Conjunta, em Istambul, é uma embarcação do Programa Alimentar Mundial (PAM), O Brave Commander, que vai transportar toneladas de trigo ucraniano para o Nordeste Africano.  

Esta região atravessa uma situação de seca sem precedentes. A crise deixou cerca de 22 milhões de pessoas em toda a Etiópia, Quénia e Somália em situação de fome aguda. Os animais estão a morrer e há escassez de água e de alimentos. Mais de um milhão de pessoas fugiram das suas casas e estão agora a viver em campos superpovoados, onde os agentes humanitários atuam para tentar satisfazer as necessidades que se fazem sentir. 

 

Mensagem no Dia Internacional de Homenagem às Vítimas dos Atos de Violência Baseada na Religião ou Crença

O SECRETÁRIO-GERAL

MENSAGEM NO DIA INTERNACIONAL DE HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS DOS ATOS DE VIOLÊNCIA BASEADA NA RELIGIÃO OU CRENÇA

22 de agosto de 2022

Neste dia, homenageamos aqueles que perderam a vida ou que sofreram por simplesmente porcurarem exercer os seus direitos fundamentais à liberdade de pensamento, de consciência e de religião ou de crença. Reitero a minha firme solidariedade com essas vítimas.

Apesar da preocupação da Assembleia Geral das Nações Unidas, que instituiu esta data em 2019, há pessoas e comunidades em todo o mundo que continuam a enfrentar intolerância e violência com base na religião ou credo.

O discurso de ódio, online ou offline, continua a alimentar a violência contra membros vulneráveis ​​da sociedade, incluindo minorias étnicas e religiosas. Devemos fazer mais para apoiar as vítimas e examinar as condições que impulsionam a intolerância e o ódio. Iniciativas como o meu Apelo à Ação pelos Direitos Humanos e a Estratégia e Plano de Ação da ONU contra o Discurso de Ódio são ferramentas que podem ser usadas para abordar essas questões complexas e urgentes.

Os Estados têm a responsabilidade de prevenir e de enfrentar a discriminação e a violência infligidas em nome da religião ou da crença através de políticas abrangentes que promovam a inclusão, a diversidade, a tolerância e o diálogo inter-religioso e intercultural. As violações de direitos humanos perpetradas em nome de religião ou crença devem ser investigadas e punidas, e as vítimas devem ser compensadas, em conformidade com o direito internacional dos direitos humanos.

É essencial que todos os Estados, líderes religiosos e outros atores influentes condenem todo incitamento ao ódio e à violência com base na religião ou crença. Somente um esforço coletivo, inclusivo e de toda a sociedade pode resultar em uma coexistência segura para todos e acabar com essa praga nas nossas sociedades.

 

Mensagem para o Dia Internacional em Memória e Tributo às Vítimas do Terrorismo

UN Photo/Mark Garten

O SECRETÁRIO-GERAL 

 

MENSAGEM VÍDEO PARA O DIA INTERNACIONAL EM MEMÓRIA E TRIBUTO ÀS VÍTIMAS DO TERRORISMO 

21 de agosto de 2022 

O Dia Internacional em Memória e Tributo às Vítimas do Terrorismo é um dia de reflexão, de reconhecimento e de ação.

Refletimos sobre a dor e o sofrimento daqueles que perderam entes queridos; e decidimos ouvi-los e aprender com eles. 

Comprometemo-nos a apoiar os sobreviventes marcados por atos hediondos de terrorismo, amplificando as suas vozes, protegendo os seus direitos e buscando justiça. 

E mobilizando os Estados-membros para fornecer o apoio legal, médico, psicossocial ou financeiro de que precisam para ultrapassar e viver com dignidade. 

O tema deste Dia Internacional centra-se na importância das memórias. 

Muitas vezes as vítimas sentem-se abandonadas após o choque inicial de um ataque terrorista. 

É nossa responsabilidade conjunta lembrar e homenagear as vítimas e os sobreviventes. 

Quero aprender e ouvir diretamente com os sobreviventes sobre as suas necessidades e desafios, no Congresso Global de Vítimas do Terrorismo no próximo mês. 

Neste Dia Internacional, e todos os dias, vamos assegurarmo-nos de que as vítimas e os sobreviventes sejam sempre ouvidos e nunca esquecidos. 

E vamos fazer tudo o que pudermos para evitar mais vítimas no futuro. 

Muito obrigado. 

ONU marca Dia Internacional em Memória e Homenagem às Vítimas do Terrorismo

Este 21 de agosto é o Dia Internacional em Memória e Homenagem às Vítimas do Terrorismo. Este ano, os eventos ressaltam a importância das memórias e lembranças.

Para o secretário-geral, a data é de reflexão, reconhecimento e ação. Ele espera aprender e escutar diretamente os sobreviventes falando de necessidades e desafios que participam no Congresso Global de Vítimas do Terrorismo. O evento está marcado para o próximo mês.

Dignidade 

Guterres destacou o compromisso de todos em apoiar os sobreviventes que sofreram atos hediondos de terrorismo, ampliando suas vozes, protegendo seus direitos e buscando justiça. Outra prioridade é mobilizar os Estados-membros para fornecer os apoios legal, médico, psicossocial ou financeiro de que precisam para o processo de cura e para que possam viver com dignidade.

Muitos países continuam enfrentando ameaças de terrorismo

Unodc

Muitos países continuam enfrentando ameaças de terrorismo

O chefe da ONU disse que, muitas vezes, as vítimas se sentem abandonadas após o choque inicial de um ataque terrorista.

Por isso, a mensagem destaca que lembrar e homenagear as vítimas e sobreviventes é uma responsabilidade de toda a humanidade.

Guterres defende que estes sejam sempre ouvidos e nunca esquecidos.

Futuro

Em nome das Nações Unidas, o secretário-geral disse que será feito todo o possível para evitar mais vítimas no futuro.

Este ano a data é observada pela quinta vez após ter sido proclamada pela Assembleia Geral. 

Entre os objetivos estão promover e proteger direitos humanos e liberdades fundamentais dos que sofreram o tipo de atos.

Em 2020, António Guterres publicou o relatório sobre o “Progresso do sistema da ONU para apoiar os Estados-membros na assistência às vítimas do terrorismo”.

O documento apela ao reforço da cooperação internacional para ajudar as vítimas.

Em Istambul, Guterres adverte ao mundo sobre falta de comida em 2023

Em visita ao porto do Centro de Coordenação Conjunta em Istambul, na Turquia, o secretário-geral António Guterres destacou que o movimento no local e no porto ucraniano de Odessa é a parte mais visível da operação para colocar grãos aos mercados mundiais.

Para ele, desbloquear o acesso aos mercados globais de alimentos e fertilizantes russos é o outro elemento do pacote que pretende levar esperança a milhões de pessoas no mundo.

Comida em 2023

Guterres disse que é importante que todos os governos e o setor privado cooperem para que os produtos sejam levados  aos mercados, ao ressaltar que “sem fertilizantes em 2022, pode não haver comida suficiente em 2023.”

O líder das Nações Unidas considera essencial ter mais alimentos e fertilizantes da Ucrânia e da Rússia para sossegar ainda mais os mercados de commodities e baixar os preços para os consumidores.

Antes, o chefe da ONU esteve no  Mar de Mármara. No local, ele acompanhou as inspeções realizadas por equipes ucranianas, russas, turcas e das Nações Unidas ao movimento de e para portos ucranianos de navios passando pelo Mar Negro. 

Guterres disse aos funcionários do Centro de Coordenação Conjunta que mostraram o potencial desse acordo crítico para o mundo no início do processo muito mais longo. Ele pediu garantiu a impulso da ONU ao trabalho essencial.

Em águas turcas, Guterres esteve próximo a dois navios. O Brave Commander transporta toneladas de trigo ucraniano do Programa Mundial de Alimentos, PMA, com destino ao extremo leste da África. Já o SSI Invincible 2 transportará da Ucrânia “a maior carga de grãos já exportada sob a Iniciativa de Grãos do Mar Negro”.

ONU “muito preocupada” após batida policial em casa de bispo na Nicarágua

O secretário-geral da ONU, António Guterres, está “muito preocupado” com ações recentes contra organizações da sociedade civil incluindo da Igreja Católica, na Nicarágua.

O anúncio foi feito pelo vice-porta-voz do secretário-geral, Farhan Haq.

O secretário-geral citou o fechamento severo do espaço democrático e cívico na Nicarágua incluindo de entidades da Igreja Católica

Acnur/Diana Diaz

O secretário-geral citou o fechamento severo do espaço democrático e cívico na Nicarágua incluindo de entidades da Igreja Católica

Liberdades e direitos

Ele citou o fechamento severo do espaço democrático e cívico na Nicarágua incluindo de entidades da Igreja Católica. O porta-voz falou da batida policial à residência do bispo de Matagalpa, e que esse tipo de incidente só aumenta as preocupações.

O secretário-geral da ONU reiterou seu apelo ao governo da Nicarágua, liderado pelo presidente Daniel Ortega, para assegurar a proteção e os direitos humanos de todos os cidadãos.

Guterres ressaltou a importância do respeito aos direitos universais como de reunião pacífica, e a liberdades de associação, pensamento, consciência e religião.

Ele terminou a nota pedindo que todos aqueles que foram presos, de forma arbitrária, sejam postos em liberdade.

 

 

“Trabalhar em prol da comunidade é gratificante”

Começou a trabalhar em emergência humanitária com 14 anos. Passou por vários locais até chegar ao seu “trabalho de sonho”, o OCHA, o escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários. Vera Goldschmidt Ferreira é portuguesa e está, neste momento, em missão na Guatemala. No âmbito do Dia Mundial da Ajuda Humanitária, assinalado a 19 de agosto, falou com a ONU Portugal sobre o seu percurso, sobre o trabalho do OCHA e sobre os desafios que os trabalhadores humanitários enfrentam. Dá ainda alguns conselhos a quem queira seguir esse caminho. 

Veja, aqui, a entrevista na íntegra. 

Como descreve o seu percurso até chegar à OCHA? 

Comecei no OCHA em janeiro de 2016, mas desde 2006 que quis trabalhar ali, desde que fiz um curso para pertencer às equipas de resposta a catástrofe das Nações Unidas, as UNDAC, ainda em Portugal. Nessa altura apaixonei-me pelo OCHA e pelo seu mandato. Trabalho em emergências desde os meus 14 anos. Fui fundadora da Juventude da Cruz Vermelha com essa idade e, portanto, tenho uma paixão por tudo o que se relacione com emergência nas suas várias fases. Sou da Proteção Civil Portuguesa, estive no INEM, estive na Proteção Civil Europeia, estive na Organização Internacional para as Migrações (OIM) até chegar à OCHA. Era o meu grande sonho trabalhar nesta organização e trabalhar nas Nações Unidas, que é um orgulho enorme.  

O que destacaria do trabalho deste escritório das Nações Unidas? 

Somos um pequeno escritório, estamos inseridos no secretariado das Nações Unidas e o nosso grande papel é garantir que os esforços humanitários são prestados de forma coordenada, de maneira a evitar duplicações e, sobretudo, a evitar brechas, ou seja, que haja zonas que não são cobertas. Cabe-nos garantir que nos sentamos todos à mesma mesa, temos uma visão comum sobre qual é a situação. Garantir que se prepara a resposta de forma coordenada. Isso permite cobrir mais e melhor as necessidades. Somos um escritório neutral, que nos permite ser coordenadores do sistema. Recolhemos também dados: como está a situação, onde estão as pessoas afetadas, onde estão as populações mais vulneráveis. Esse trabalho de preparação de relatório sobre as situações humanitárias também é feito. Outra parte é a advocacia. Damos voz a quem não a tem, seja a nível nacional, seja a nível do Conselho de Segurança. É o subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários que vai ao Conselho de Segurança dar informação aos Estados-membros sobre as situações humanitárias e alertar, muitas vezes, para a gravidade das situações.  

O financiamento do OCHA depende da generosidade de governos, sociedade civil, setor privado, etc. Estas contribuições têm sido suficientes para apoiar os países que mais precisam? 

O orçamento da OCHA é pequeno comparativamente ao que é necessário para todos os anos prestar ação humanitária. No final de cada ano lançamos o panorama das necessidades humanitárias globais. Vem sempre um valor associado de quanto custa responder às necessidades humanitárias. Este ano, estamos a pedir 48,73 mil milhões de dólares para atender a 205.2 milhões de pessoas, que são as mais necessitadas, porque o número total de pessoas necessitadas é de 303 milhões, em 69 países. Neste momento, temos 32,5% de financiamento só, temos 15,85 mil milhões de dólares disponíveis. O que a OCHA também faz é trabalhar em grandes eventos com doadores e os lançamentos dos planos de resposta humanitária. Quando fazemos o levantamento de necessidades e o plano de resposta é exatamente para poder dar elementos à comunidade internacional.  

Os doadores, em geral, têm sido bastante generosos. O que tem acontecido é que, fruto do estado em que está o mundo, as necessidades humanitárias aumentaram de forma exponencial.

Quais são, na sua opinião, os principais desafios que os trabalhadores humanitários enfrentam atualmente? 

Das maiores dificuldades que temos é a tentativa politização da ajuda humanitária. Trabalhamos com base em quatro princípio e um deles é precisamente a independência e a neutralidade. Portanto, quando há esta politização tornamo-nos um alvo e nós não somos um alvo. Nós, trabalhadores humanitários, existimos para servir as populações em necessidade onde que quer que elas estejam. E temos várias vezes dificuldades de acesso a essas populações, por várias razões: questões de insegurança e ataques. Em 2021 morreram 140 colegas meus e a maior parte são nacionais, são pessoas dos países em que estão a trabalhar. Isso dificulta muito o nosso trabalho. Mas não nos pára. 

Que conselhos daria às pessoas que almejam ter uma carreira humanitária? 

Nós não deixamos de fazer as coisas por elas serem difíceis. O trabalho humanitário é necessariamente um trabalho difícil. Estamos sempre em lugares complicados. Mas trabalhar em prol da comunidade, seja ela a nossa, seja a dos outros, é gratificante. Os conselhos que dou é que se preparem. É um trabalho que requer profissionalismo. Ajudar as pessoas tem regras, é preciso saber fazê-lo. Para garantir que a ajuda que estamos a prestar não seja só bem-intencionada, mas que sirva o seu propósito. Venham trabalhar connosco, venham ser humanitários nas suas vinte vertentes. Eu não faria outra coisa! 

Mensagem sobre o Dia Mundial da Ajuda Humanitária

UN Photo/Levent Kulu

O SECRETÁRIO-GERAL 

 

MENSAGEM SOBRE O DIA MUNDIAL DA AJUDA HUMANITÁRIA  

Nova Iorque, 19 de agosto de 2022 \

 

Há um ditado que diz: “É preciso uma aldeia para criar uma criança”. 

Também é preciso uma aldeia para apoiar as pessoas que vivem em situação de crise humanitária.   

Esta aldeia inclui pessoas afetadas, sempre as primeiras a responder quando acontecem desastres – vizinhos que ajudam vizinhos.

Inclui a comunidade mundial, que se une para apoiar as pessoas na sua recuperação e reconstrução.

E inclui centenas de milhares de ajudantes humanitários – tanto voluntários como profissionais.

Prestam cuidados de saúde e educação. Alimentação e água. Abrigo e proteção. Ajuda e esperança.

Longe dos holofotes e fora das manchetes, os agentes humanitários trabalham 24 horas por dia para tornar o nosso mundo um lugar melhor.

Desafiam as probabilidades, muitas vezes com grande risco pessoal e aliviam o sofrimento em algumas das circunstâncias mais perigosas que se podem imaginar.

O número de pessoas que necessitam de assistência humanitária nunca foi tão elevado, devido a conflitos, às alterações climáticas, à pandemia da covid-19, à pobreza, à fome e a níveis de mobilidade forçada sem precedentes.

No Dia Mundial da Ajuda Humanitária deste ano, celebramos os trabalhadores humanitários em toda a parte.

Saudamos a sua dedicação e coragem e prestamos homenagem àqueles que perderam as suas vidas em prol desta nobre causa.

Eles representam o melhor da humanidade. 

Tornar o mundo um lugar melhor: o legado dos trabalhadores humanitários

Photo: OCHA / Yasmina Guerda

Da mesma forma que, como diz o ditado, é preciso uma aldeia para criar uma criança, é preciso uma comunidade inteira para ajudar pessoas necessitadas. Em caso de emergência, as primeiras pessoas a responder são sempre as próprias afetadas pela crise. A elas juntam-se voluntários, serviços de emergência, autoridades locais e nacionais, Organizações Não Governamentais (ONG), agências da ONU, Cruz Vermelha, entre muitas outras. 

Neste Dia Mundial da Ajuda Humanitária importa lembrar os inúmeros desafios sem precedentes que o mundo enfrenta. Uma combinação de conflitos – as alterações climáticas, a geopolítica, a pandemia da covid-19, a pobreza e uma guerra – fez com que o número de pessoas que necessitam de assistência humanitária atingisse um recorde de 303 milhões. 

De acordo com dados do Programa Alimentar Mundial (PAM), o número de pessoas que sofrem de insegurança alimentar duplicou nos últimos dois anos: pelo menos 345 milhões de pessoas têm agora fome aguda, 50 milhões das quais em risco de subnutrição. A guerra na Ucrânia, agora no seu sexto mês, está a piorar este cenário, ao provocar o aumento dos preços dos combustíveis, fertilizantes e alimentos e ao causar enormes ruturas nos abastecimentos. 

À medida que esta crise se desenvolve, os trabalhadores humanitários assumem a dianteira para dar resposta aos problemas que vão emergindo, fornecendo todos os dias alimentos e dinheiro, saúde e água potável, serviços de proteção e educação de emergência a milhões de mulheres, crianças e homens. 

Como diz o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, “longe dos holofotes e fora das manchetes, os agentes humanitários trabalham 24 horas por dia para tornar o nosso mundo um lugar melhor”. 

Vidas em risco 

A ação humanitária acontece em contextos perigosos e instáveis. Os agentes humanitários “desafiam as probabilidades, muitas vezes com grande risco pessoal e aliviam o sofrimento em algumas das circunstâncias mais perigosas que se podem imaginar”, expressa António Guterres.    

Os números ilustram esses riscos. Em 2021, 268 ataques provocaram cerca de 461 vítimas: 141 trabalhadores humanitários foram mortos, 203 gravemente feridos e 117 raptados. É o maior número de mortes de trabalhadores humanitários desde 2013. 

Cerca de 98% dos trabalhadores humanitários que morreram eram funcionários nacionais e 2% eram funcionários internacionais. Mais de metade trabalhava com ONG nacionais. A maioria foi morta por armas pequenas em contexto de tiroteio, sendo a segunda maior causa de morte conhecida os ataques aéreos e os bombardeamentos, a maioria deles na Síria. Estima-se que as fatalidades aumentem em 2022 devido à guerra na Ucrânia, onde os ataques e os bombardeamentos ameaçam igualmente civis e agentes humanitários. 

Neste cenário de violência no recente conflito da Ucrânia, por exemplo, o subsecretário-geral dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas, Martin Griffiths, destaca o trabalho dos milhares de voluntários que prestam apoio a pessoas presas em zonas de guerra e a generosidade das comunidades que acolheram refugiados ucranianos. São pessoas que “com sacrifício pessoal, salvam vidas em locais que o mundo esquece e onde os riscos são reais”. 

No ano de 2022, até ao momento, 168 trabalhadores humanitários foram atacados, registando-se 44 mortes, 42 das quais trabalhadores humanitários nacionais. 

O contexto mais violento para os trabalhadores humanitários continua a ser o Sudão do Sul, seguido do Afeganistão e da Síria – uma classificação que se mantém para o número de ataques, vítimas e fatalidades, de acordo com os dados do programa Humanitarian Outcomes. 

Sobre o Dia Mundial da Ajuda Humanitária 

Em 2008, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou uma resolução que designa o dia 19 de agosto como o Dia Mundial da Ajuda Humanitária, uma data que na altura serviu para lamentar a morte de 22 trabalhadores humanitários num ataque bombista ao Hotel Canal em Bagdade, no Iraque, a 19 de agosto de 2003. Entre as vítimas estava o Representante Especial da ONU para o Iraque, Sérgio Vieira de Mello.  

Todos os anos, a 19 de Agosto, o Dia Mundial da Ajuda Humanitária defende a sobrevivência, o bem-estar e a dignidade das pessoas afetadas por crises, bem como a segurança e proteção dos trabalhadores humanitários.  

Um dia que celebra o que o secretário-geral da ONU diz ser “o melhor da humanidade”. 

Guterres na Ucrânia: retoma de exportação de trigo é uma vitória da diplomacia

UN Photo/Mark Garten

Líder da ONU considera que este é um momento positivo para a Iniciativa do Mar Negro que pretende ajudar pessoas vulneráveis a ter acesso a alimentos e representa uma “vitória da diplomacia” que beneficia tanto os que estão a ser afetados pelo aumento dos preços dos alimentos como os produtores ucranianos.

 

Ao lado dos presidentes Volodymyr Zelenskyy e Recep Tayyip Erdoğan, António Guterres agradeceu a oportunidade de visitar a Ucrânia “novamente durante um período tão difícil”. Apesar da Iniciativa do Mar Negro ter sido assinada há algumas semanas, o chefe da ONU reiterou que “não há solução para a crise alimentar global sem garantir o acesso global total aos produtos alimentares da Ucrânia e aos alimentos e fertilizantes russos”.

Em menos de um mês, 21 navios partiram dos portos ucranianos e 15 embarcações deixaram Istambul para a Ucrânia para carregar grãos e outros alimentos, recapitulou Guterres: “Enquanto falamos, mais de 560.000 toneladas cúbicas de grãos e de outros alimentos produzidos por agricultores ucranianos estão a chegar aos mercados em todo o mundo”, afirmou, incluindo o primeiro navio fretado pela ONU que transporta trigo ucraniano para pessoas no Corno de África que vivem a pior seca em décadas.

Entretanto, surgem sinais de que os mercados mundiais de alimentos estão a começar a estabilizar, já que os preços do trigo caíram até 8% após a assinatura dos acordos e o Índice de Preços de Alimentos da FAO recuou 9% em julho – o maior declínio desde 2008.

Embora a maioria dos produtos alimentares esteja atualmente a ser negociados a preços abaixo dos níveis pré-guerra, os preços continuam muito altos.

“Não tenhamos ilusões – há um longo caminho a percorrer antes que isso se traduza na vida quotidiana das pessoas, na sua padaria local e nos seus mercados”, explicou Guterres, lembrando que “as cadeias de abastecimento ainda estão interrompidas [ e] os custos de energia e transporte permanecem inaceitavelmente altos”.

O líder da ONU destacou ainda a fragilidade inerente dos acordos, defendendo que estes devem ser “constantemente nutridos” e à medida que o Centro de Coordenação Conjunta (JCC) continua a trabalhar profissionalmente e de boa fé para manter o fluxo de alimentos, Guterres apelou que os envolvidos “superem todos os obstáculos com espírito de compromisso e resolvam permanentemente todas as dificuldades”.

“Retirar alimentos e fertilizantes da Ucrânia e da Rússia em maiores quantidades é crucial para acalmar ainda mais os mercados e baixar os preços”, e essencial para aliviar os mais vulneráveis”.

O chefe da ONU destacou também a urgência de reverter a turbulência no mercado internacional de fertilizantes, que atualmente ameaça as próximas colheitas – incluindo um alimento básico mundial: o arroz.

Enquanto isso, a ONU continuará solidária com o povo ucraniano e com os seus parceiros nacionais para ajudar a fornecer apoio humanitário às pessoas necessitadas “onde quer que seja necessário”, explicou o diplomata português, acrescentando que “faremos o possível para ampliar as nossas operações para enfrentar as dificuldades do próximo inverno”.

“O cerne do problema que nos traz aqui continua a ser a guerra”, lembrou o secretário-geral, reiterando que a invasão russa é “uma violação da integridade territorial da Ucrânia” e da Carta da ONU.

O conflito causou inúmeras mortes, destruição maciça, deslocamentos e violações dramáticas dos direitos humanos, afirmou ainda Guterres, acrescentando que, de acordo com a Carta e o direito internacional, “as pessoas precisam de paz”.

 

Ameaça nuclear

O alto funcionário da ONU expressou a sua grave preocupação com a situação no interior e ao redor da maior central nuclear da Europa, em Zaporizhzhia.

“O bom senso deve prevalecer para evitar quaisquer ações que possam colocar em risco a integridade física, segurança ou proteção da central nuclear”, disse, acrescentando que esta infraestrutura “não deve ser usada como parte de uma operação militar”.

Guterres defendeu a necessidade urgente de um acordo para “restabelecer Zaporizhia como infraestrutura puramente civil” e garantir a segurança da área.

Depois de fazer uma avaliação, com o acordo da Rússia e da Ucrânia, o Secretariado da ONU determinou que pode apoiar o superintendente nuclear da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), na condução de uma missão à Central Nuclear de Zaporizhzhia de Kyiv.

O chefe da ONU destacou que o equipamento e o pessoal militar devem ser evacuados desta central, nenhuma outra força ou equipamento deve entrar e a área deve ser desmilitarizada.

“Qualquer dano potencial a Zaporizhzhia é suicídio”, concluiu.

Durante a sua segunda visita à Ucrânia desde o início da guerra, Guterres irá visitar um dos três portos que estão a operar no contexto da Iniciativa do Mar Negro que promoveu a retoma de exportação de trigo. Antes do início do conflito, a Ucrânia exportava 6 milhões de toneladas por mês.

Ainda durante esta deslocação à Europa, António Guterres irá a Istambul, Turquia, para visitar o Centro Conjunto de Coordenação, o mecanismo que apoia a a implementação da iniciativa liderada pela ONU – Iniciativa do Mar Negro – para retomar a exportação de grãos.