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Mensagem sobre o Dia Internacional das Competências dos Jovens

O SECRETÁRIO-GERAL 

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MENSAGEM NO DIA INTERNACIONAL DAS COMPETÊNCIAS DOS JOVENS 

15 julho de 2022 

Hoje, salientamos a importância de transformar as competências dos jovens no mundo do trabalho do futuro.   

Os jovens são desproporcionadamente afetados por crises globais interconectadas, desde as alterações climáticas, aos conflitos, até à pobreza prolongada. A pandemia da covid-19 exacerbou essas fragilidades. Só em 2020, o emprego jovem diminuiu em 39 milhões. Hoje em dia, 24 milhões de jovens continuam em risco de não regressarem à escola.   

A pandemia também acelerou a transformação no mercado de trabalho, trazendo incerteza e alargando o fosso digital. Devemos assegurar o direito dos jovens a uma educação eficaz e inclusiva, a formação e a uma aprendizagem ao longo da vida. Isto requer um desenvolvimento acelerado das competências dos jovens, ao mesmo tempo que se investe na Educação e Formação Profissional Técnica, na ligação de banda larga de internet e nas competências digitais.   

É por isso que iremos organizar uma Cimeira sobre Educação em Transformação, em setembro, que vai reunir líderes mundiais, jovens e outros agentes da educação. Os jovens são motores de mudança e devem estar plenamente envolvidos nas decisões que afetam o seu futuro. Orientado pela estratégia das Nações Unidas para a Juventude 2030, apelo a todos a agirem em prol do desenvolvimento das competências dos jovens e a torná-las uma prioridade, tanto na Cimeira, como no futuro.   

Juntos podemos formar uma força de trabalho mais próspera e justa e impulsionar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, sem deixar ninguém para trás.   

Desejo-vos um feliz Dia Internacional das Competências dos Jovens. 

Reunião na ONU debate risco de discurso de ódio e fake news para operações de paz

O Conselho de Segurança debateu, nesta terça-feira em Nova Iorque, a importância da comunicação estratégica em missões de paz das Nações Unidas. 

A sessão, organizada pelo Brasil, foi dirigida pelo ministro das Relações Exteriores do país, Carlos França. A presidência do Conselho este mês é do Brasil.

A missão de paz da ONU em Mali, MINUSMA, apoiou os esforços de paz e reconciliação no país

Minusma/Harandane Dicko

A missão de paz da ONU em Mali, MINUSMA, apoiou os esforços de paz e reconciliação no país

Fonte confiável

Além do secretário-geral da ONU, António Guterres, o comandante da Força de  Paz na República Democrática do Congo, Monusco, também falou aos membros do Conselho de Segurança. O general brasileiro Marcos de Sá Affonso da Costa ocupa a posição desde abril de 2021.

Esta foi a primeira vez que o Conselho de Segurança dedicou um debate ao papel das comunicações estratégicas em operações de paz. Para o chefe da ONU, a comunicação eficiente é uma questão de “vida ou morte” e a diferença entre paz e guerra.

Guterres diz que esse é um meio essencial para o engajamento e apoio à “missão vital” da entidade.

Ele lembra que no atual cenário de instabilidade e aumento de ataques aos boinas-azuis, a desinformação e discurso de ódio são cada vez mais usados como armas de guerra e para justificar “atrocidades”.

Ao afirmar que a ONU deve ser vista como fonte confiável, o secretário-geral pontuou seis ações que estão sendo implementadas para fortalecer a comunicação das missões de paz.

Ações concretas

Segundo o líder das Nações Unidas, uma abordagem integrada entre todas as partes da missão deve ser adotada, tanto no corpo militar como entre os civis. Ele afirma que os líderes das missões devem garantir que as comunicações sejam parte do planejamento e tomada de decisões.

Para Guterres, as melhores ferramentas precisam ser implantadas para combater e o discurso de ódio e o treinamento é crucial nesse contexto.

Ele também pediu um monitoramento contínuo das campanhas de informação da ONU, para avaliar sua eficácia. Por fim, Guterres afirmou que mecanismos devem ser adotados para fortalecer a responsabilidade e acabar com a má conduta, incluindo o combate à exploração e ao abuso sexual.

O secretário-geral explicou que, em um mundo cada vez mais digital, “a comunicação direta continua sendo a maneira mais poderosa de construir confiança e combater narrativas falsas.”

Presença internacional na que é considerada a mais perigosa missão de paz do mundo enfrenta ameaças diariamente

ONU/Marco Dormino

Presença internacional na que é considerada a mais perigosa missão de paz do mundo enfrenta ameaças diariamente

Notícias falsas

Já o comandante da Força Monusco avaliou que um “sentimento antimissão” prevaleceu em partes da República Democrática do Congo, onde grupos armados controlam grandes áreas do território.

Para o general Marcos de Sá Affonso da Costa, mais do que nunca uma força efetiva depende de uma estratégia de comunicação mais forte.

Ele acredita que as notícias falsas, que são difundidas por meio de mensagens e mídias sociais, “são difíceis de distinguir da realidade e em breve serão praticamente indetectáveis”.

População mundial atinge os oito mil milhões em novembro

UN Photo/Gregorio Cunha

Prevê-se que a população mundial atinja os 8 mil milhões a 15 de Novembro de 2022 e que a Índia ultrapasse a China como o país mais populoso do mundo em 2023. Os dados são divulgados por ocasião do Dia Mundial da População, assinalado a 11 de julho. 

“O Dia Mundial da População deste ano coincide com um momento histórico, uma vez que se espera que a população mundial chegue às 8 mil milhões de pessoas. Esta é uma ocasião para celebrar a nossa diversidade, reconhecer a nossa humanidade comum e admirar os avanços na saúde que prolongaram a vida e reduziram drasticamente as taxas de mortalidade materna e infantil”, expressou o secretário-geral da ONU, António Guterres na sua mensagem sobre a efeméride. “Ao mesmo tempo, é um lembrete da nossa responsabilidade coletiva de cuidar do nosso planeta e um momento para refletir sobre o que falta fazer para cumprir os nossos compromissos para com os outros”, acrescentou. 

O ritmo de crescimento da população mundial tem vindo a crescer a um ritmo lento desde 1950, tendo sido de menos de 1% em 2020. As últimas projeções das Nações Unidas indicam que a população mundial poderá crescer para cerca de 8,5 mil milhões em 2030 e 9,7 mil milhões em 2050. Prevê-se que atinja um pico de cerca de 10,4 mil milhões de pessoas durante a década de 2080 e que permaneça a esse nível até 2100. 

 

UN Photo/Martine Perret

Diminuição da natalidade 

Segundo as prospeções para a população mundial 2022, a natalidade tem diminuído de forma acentuada nas últimas décadas em vários países. Atualmente, dois terços da população mundial vivem em países ou regiões onde a natalidade é inferior a 2,1 nascimentos por mulher.  

A previsão é a de que haja um decréscimo da população de 61 países ou regiões em 1% ou mais, entre 2022 e 2050, devido aos baixos níveis de natalidade e, em alguns casos, às elevadas taxas de emigração. 

No campo do crescimento, mais de metade do aumento previsto até 2050 vai estar concentrado em oito países: República Democrática do Congo, Egito, Etiópia, Índia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e República da Tanzânia. Espera-se que os países da África Subsaariana representem mais de metade do aumento previsto até 2050. 

 

Os efeitos da pandemia de Covid-19 

A pandemia de Covid-19 afetou as três componentes da mudança populacional. A esperança média de vida caiu para os 71 anos em 2021 (era de 72,8 em 2019). Em alguns países, vagas sucessivas da pandemia podem ter produzido reduções a curto prazo no número de gravidezes e de nascimentos. Em outros países há poucas evidências nos níveis ou tendências de natalidade. A pandemia restringiu todas as formas de mobilidade humana, incluindo a migração internacional. 

Prevê-se que a percentagem da população mundial com 65 anos ou mais aumente de 10% em 2022 para 16% em 2050. Nessa altura, espera-se que o número de pessoas com 65 anos ou mais a nível mundial seja mais do dobro do número de crianças com menos de 5 anos e aproximadamente o mesmo que o número de crianças com menos de 12 anos de idade.  

Isto significa que os países com populações envelhecidas deverão tomar medidas para adaptar as políticas públicas ao número crescente de pessoas idosas, inclusive estabelecendo sistemas universais de cuidados de saúde e de cuidados a longo prazo e melhorando a sustentabilidade dos sistemas de segurança social e de pensões. 

UN Photo/Staton Winter

A população em Portugal 

Segundo os Censos 2021 a população em Portugal é de 10.347.892 milhões, uma redução de 214.286 habitantes comparativamente a 2011. Em percentagem, o decréscimo foi de 2%. 

Apesar de Portugal ter um saldo migratório positivo, não foi suficiente para colmatar a redução na população. Portugal tem agora 48% de homens, 4.917.794 milhões e 5.430.098 de mulheres, 52%. 

Desde 1970 que não se registavam nos censos um decréscimo da população portuguesa.  

Lisboa continua a ser o município mais populoso, com mais de meio milhão de habitantes, apesar de ter perdido população. Sintra e Vila Nova de Gaia são o segundo e terceiro municípios com mais pessoas. O Porto continua na quarta posição e perdeu também habitantes, uma tendência contrária ao município de Braga, que foi o que mais cresceu, tendo agora mais 12 mil habitantes do que em 2011.  

ONU pede diálogo para garantir transição suave no Sri Lanka

O secretário-geral das Nações Unidas disse que continua a seguir de perto os eventos no Sri Lanka. 

Em nota emitida pelo seu porta-voz, António Guterres expressa solidariedade com o povo do país asiático após protestos causados pela situação financeira que culminaram no sábado.

Crise

Nesta segunda-feira, o chefe da ONU pediu a todas as partes interessadas que se engajem no diálogo para garantir uma transição suave do governo e a busca de soluções sustentáveis para a crise econômica.

No auge das manifestações, as residências de líderes foram invadidas por multidões. Os manifestantes defendem que não irão desistir até que o presidente e primeiro-ministro deixem seus cargos. 

O secretário-geral condena todos os atos de violência e pede que os autores sejam responsabilizados. Guterres destaca a importância primordial de se manter a paz.

Uma mulher vende frutas e vegetais no Sri Lanka.

Foto: Ifad/G.M.B. Akash

Uma mulher vende frutas e vegetais no Sri Lanka.

Agências de notícias citam o gabinete do primeiro-ministro Ranil Wickremesinghe anunciando que o presidente Gotabaya Rajapaksa aceitou renunciar. Antes, o líder do Parlamento informou que a medida seria formalizada em 13 de julho. 

Local seguro

Ainda não se conhece o paradeiro de Rajapaksa, que não aparece em público desde que sua residência foi invadida no fim de semana. As autoridades disseram que ele foi transferido para um local seguro antes que os manifestantes entrassem no palácio.

O secretário-geral fecha a nota destacando a prontidão das Nações Unidas em apoiar o Sri Lanka e seu povo.
 

Milhares de crianças em “condições horríveis” nas zonas de conflito

© UNICEF/Ashley Gilbertson

A escalada de conflitos, golpes militares, conflitos prolongados, novos conflitos e violações ao direito internacional são os principais perigos para as crianças. Os dados são do relatório anual da ONU sobre Crianças e Conflitos Armados, que detalha os impactos negativos que várias formas de conflito tiveram nas crianças de todo o mundo em 2021. 

Foram verificadas quase 24.000 violações graves contra crianças, uma média de cerca de 65 violações por dia. O assassínio e mutilação de crianças foi a violação mais grave registada, seguida do recrutamento e utilização de crianças em conflitos e do impedimento a acesso humanitário.  

Em 2021, estas violações aos direitos das crianças foram registadas maioritariamente em países como o Afeganistão, a República Democrática do Congo, Israel e territórios palestinianos ocupados, a Somália, a Síria e o Iémen. 

© Paddy Dowling

Cicatrizes para a vida 

“Não há palavras suficientemente fortes para descrever as condições horríveis sofridas pelas crianças em conflitos armados”, considera a representante especial do secretário-geral para as Crianças e Conflitos Armados, Virginia Gamba. 

Para a representante, “as crianças que sobrevivem ficam afetadas para a vida, com profundas cicatrizes físicas e emocionais. No entanto, não devemos deixar que estes números desencorajem os nossos esforços. Devem servir de impulso para reforçar a nossa determinação em acabar e prevenir graves violações contra crianças. Este relatório é um apelo à ação para intensificar o nosso trabalho no sentido de melhor proteger as crianças em conflitos armados e assegurar que lhes seja dada uma oportunidade real de recuperarem e de prosperarem”. 

Os rapazes e as raparigas enfrentam com frequência riscos diferentes, um fator que é importante compreender ao desenvolver estratégias de prevenção e resposta. 

 

Ucrânia é novo foco de preocupação 

2021 trouxe um aumento acentuado de dois tipos de infrações: o rapto e a violência sexual, incluindo a violação, que aumentaram cerca de 20%.  

Os ataques a escolas e hospitais também registaram um aumento, que foi agravado pela pandemia. Mais de 2.800 crianças foram detidas pela sua associação real ou alegada com partes em conflito, tornando-as particularmente vulneráveis à tortura, violência sexual e outros abusos.  

A Etiópia, Moçambique e Ucrânia foram acrescentadas ao Relatório Anual do secretário-geral como focos de preocupação, refletindo o impacto das hostilidades sobre as crianças nestas áreas. 

O secretário-geral solicitou, inclusive, um controlo reforçado das violações contra crianças na região central do Sahel, um pedido semelhante ao que foi feito para a região da Bacia do Lago Chade em 2020. 

© Paddy Dowling

‘A paz deve prevalecer’ 

Apesar do cenário pouco animador, há algumas regiões onde foram feitos progressos. No total, 12.214 crianças foram libertadas dos grupos armados em países como a República Centro-Africana, Colômbia, República Democrática do Congo, Myanmar e Síria. 

A representante especial sublinhou a importância de proporcionar às crianças libertadas dos grupos armados o apoio adequado para a reintegração nas suas comunidades.  

“As partes envolvidas em processos e discussões de paz devem considerar a integração dos direitos e necessidades das crianças nas suas negociações, bem como nos seus acordos finais, uma vez que continua a ser a única forma de alcançar uma paz sustentável”, explicou Virginia Gamba, usando como exemplo a atual trégua no conflito do Iémen. 

“Quando a paz desaparece, as crianças são as primeiras a pagar o preço”, disse. “É mais importante do que nunca agir para proteger as nossas crianças e assegurar-lhes um futuro mais seguro”. 

Relatores dizem que sanções ameaçam pesquisa e liberdade acadêmicas

Um grupo de relatores de direitos humanos* emitiu um comunicado expressando preocupações com cientistas e acadêmicos de países que sofrem sanções.

O documento foi assinado por quatro especialistas que apontaram impedimentos para publicação de trabalhos científicos de pesquisadores de países alvos de sanções internacionais.

Em alguns casos, acadêmicos e cientistas palestrantes não puderam participar de eventos

Foto: IAEA/Dean Calma

Em alguns casos, acadêmicos e cientistas palestrantes não puderam participar de eventos

Cautela e represálias

Há relatos de que publicações especializadas foram orientadas a tratar a contribuição de cientistas de países sancionados com “cautela”. Em alguns casos, os trabalhos foram desqualificados.

Os relatores citaram o princípio da não-discriminação e do devido processo contidos nas Diretrizes da ONU de Negócios e Direitos Humanos para pedir às editoras e publicações científicas que se abstenham de cumprir, sem necessidade, as sanções de regimes por medo ou receio de implicações e represálias para seus negócios.

Em alguns casos, acadêmicos e cientistas palestrantes não puderam participar de eventos ou cooperação acadêmica por serem de países alvos de sanções.

Sede do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, em Genebra, na Suíça

Foto: ONU/ Jean-Marc Ferré

Sede do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, em Genebra, na Suíça

Incentivos à pesquisa

O comunicado cita uma redução do engajamento e colaboração com revistas especializadas e sociedades acadêmicas. Os relatores receberam informação sobre cientistas que foram prejudicados financeiramente deixando de obter incentivos à pesquisa.

Por fim, o grupo citou “cláusulas de sanção” em certas empresas editoriais que levam os responsáveis a tratar a pesquisa científica com cuidado.

Uma infração aos princípios do Conselho de Direitos Humanos, segundo o grupo que firmou o comunicado, que não deve existir.

Para eles, políticas de sanções não pode se estender à prática da pesquisa e investigação acadêmicas.

 

 *Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.

Mais de 250 mil famílias rurais tiveram pobreza reduzida entre 2016 e 2022 no Brasil

O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola da ONU, Ifad, afirma que a implementação de seus projetos no Brasil ajudou cerca de 257 mil famílias rurais a vivenciar uma redução da pobreza de 2016 a 2022.*

O Ifad levantou fundos com cofinanciadores nacionais para seis projetos de desenvolvimento rural, investindo um total de US$ 453 milhões, dos quais US$ 141 milhões vieram da agência da ONU.

Menino ajuda família a trabalhar a terra no nordeste do Brasil

Banco Mundial/Scott Wallace

Menino ajuda família a trabalhar a terra no nordeste do Brasil

Foco no Brasil

A diretora regional do Ifad para a América Latina e Caribe, Rossana Polastri, afirmou que o Brasil é o maior programa de país na região, não apenas pelo tamanho da nação e sua economia, mas pelo ciclo virtuoso que criou ao priorizar o desenvolvimento rural.

Em sua avaliação, isso foi possível “devido ao forte compromisso das autoridades federais e estaduais com a agricultura familiar” como forma de tirarem populações rurais da pobreza.

O Ifad destaca alguns resultados dos projetos como a queda da taxa de pobreza entre as famílias participantes de 50% para 36%. Segundo a agência, é um grande resultado especialmente considerando a forte seca que atingiu o semiárido nordestino nos últimos anos e os efeitos da pandemia de Covid-19.

Pobreza

Após uma queda nas taxas de pobreza e extrema pobreza entre os anos 2003 e 2014 de 41,7% para 17,7%, esta tendência inverteu-se nos últimos anos, elevando a taxa de pobreza nacional para 19,4% em 2019. Os dados são do Levantamento Econômico do Brasil da Ocde, de dezembro de 2020.

Segundo o Ifad, embora o Brasil seja a maior economia da América Latina e do Caribe, o país enfrenta uma desigualdade persistente, com grandes bolsões de pobreza remanescentes em todo o país, especialmente no nordeste onde vivem quase 60% dos brasileiros que estão em extrema pobreza.

Por isso, o semiárido nordestino tem sido o foco de projetos apoiados pelo Ifad. O Fundo identificou outras regiões com altas proporções de pessoas que vivem na pobreza e com taxas críticas de insegurança alimentar.

O mais recente, o Projeto de Gestão Sustentável da Amazônia, foi desenvolvido para reduzir a pobreza rural e ao mesmo tempo diminuir o desmatamento e a degradação ambiental naquela região. A iniciativa começará em breve a implantação na região amazônica do Maranhão.

Estratégia

A Estratégia 2016-2022 do Ifad para o Brasil definiu três objetivos principais: melhorar a produção agrícola e o acesso dos agricultores familiares aos mercados para contribuir com a segurança alimentar e nutricional do país; aprimorar as políticas públicas e programas voltados à agricultura familiar; e fortalecer a capacidade de instituições governamentais e organizações rurais para implementar políticas e programas.

Dos seis projetos de investimento implementados no Nordeste, três foram concluídos recentemente, e o Projeto de Gestão Sustentável da Amazônia estará em pleno funcionamento até setembro deste ano. Outros cinco projetos estão em fase de concepção e conceituação.

*Com informações do Ifad, Brasil.

Rússia veta no Conselho de Segurança renovação de resolução sobre ajuda humanitária à Síria

O Conselho de Segurança não conseguiu adotar a renovação do mandato da resolução 2585 que prevê a passagem de ajuda humanitária da Turquia para a Síria.

Numa sessão nesta sexta-feira, quando a ONU marca o feriado muçulmano, Eid Al-Adha, os 15 representantes dos países-membros do Conselho se reuniram para deliberar sobre a proposta. 

Cerca de 2,4 milhões de pessoas, por mês, dependem da ajuda

O texto recebeu 13 votos a favor. A China se absteve e a Rússia vetou o documento, que por isso não pôde ser adotado.

O cruzamento de Bab al-Hawa, na fronteira, é o único ponto por onde a ajuda humanitária pode atravessar e chegar aos sírios. Cerca de 2,4 milhões de pessoas dependem da ajuda no noroeste da Síria, numa área controlada pela oposição.

Crianças estão entre os grupos mais vulneráveis na Síria.

Foto: © UNICEF/Delil Souleiman

Crianças estão entre os grupos mais vulneráveis na Síria.

A resolução foi redigida por Irlanda e Noruega. Este mês, o Brasil preside os trabalhos do Conselho.

Um segundo projeto de resolução, apresentado pela Rússia, pedia a renovação por seis meses com a introdução de uma nova resolução em janeiro, mas o documento não teve o apoio suficiente para ser aceito.

Autorização atual expira neste 10 de julho

Somente a Rússia e a China votaram a favor da proposta. Estados Unidos, Reino Unido e França se opuseram e os 10 membros com assento rotativo no Conselho de Segurança se abstiveram.

Com o impasse, nenhum dos textos foi adiante. Para ser aprovado, um projeto de resolução precisa de nove votos a favor e nenhum veto dos cinco membros permanentes: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.

A adoção da resolução é necessária porque a atual autorização para a entrega de ajuda humanitária pelo cruzamento de Bab Al-Hawa termina neste domingo, 10 de julho. 

Comissão de Inquérito sobre a Síria

Em maio, a Comissão de Inquérito sobre a Síria alertou sobre a falta de acordo para a renovação do mandato de entrega de ajuda humanitária pelo Conselho de Segurança. 

Para o grupo, a falha na adoção seria um “fracasso de primeira ordem”.

Ajuda é entregue à Síria vindo da Turquia, através da passagem de fronteira de Bab El Hawa

© Unocha

Ajuda é entregue à Síria vindo da Turquia, através da passagem de fronteira de Bab El Hawa

Segundo a ONU, existem 14,6 milhões de sírios que estão precisando de ajuda humanitária no país. É o maior número já visto desde o início da guerra em 2011.

Através do cruzamento, pelo menos 2,4 milhões de pessoas são assistidas por mês.
 

Um terço das mulheres nos países em desenvolvimento dão à luz na adolescência

© UNICEF/Patricia Willocq

Os dados são do novo relatório publicado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) que, além de alertar para o facto de quase um terço das mulheres nos países em desenvolvimento começarem a ter filhos antes dos 19 anos, quase metade dos primeiros filhos dessas raparigas acontecem quando estas têm 17 anos ou ainda menos. 

Embora a fertilidade no mundo tenha diminuído, o documento do UNFPA mostra que as mulheres que começaram a ter filhos na adolescência chegaram aos 40 anos com mais de cinco filhos. O período de análise do relatório vai de 2015 a 2019. 

A desigualdade de género e de rendimentos são as causas apontadas para explicar a gravidez na adolescência. Esta situação leva ao aumento do número de casamentos precoces, o que faz com que as jovens desistam da escola e não obtenham informação sobre saúde e relações sexuais seguras e consensuais. 

A esta realidade também não são alheios cenários de conflito, pandemias como a da covid-19 e desastres naturais, que deixam milhões de adolescentes numa situação ainda mais vulnerável.

“O mundo está a falhar” 

“Quando quase um terço de todas as mulheres nos países em desenvolvimento estão a tornar-se mães durante a adolescência, é evidente que o mundo está a falhar com as raparigas”, considerou a diretora executiva do UNFPA, Natalia Kanem. “As gravidezes sucessivas que vemos entre as mães adolescentes são um sinal gritante de que precisam desesperadamente de informação e serviços de saúde sexual e reprodutiva”. 

Entre o número de raparigas que têm o seu primeiro filho com 14 anos ou menos, quase três quartos engravidam uma segunda vez também na adolescência e 40% das que têm dois filhos, têm um terceiro ainda antes de deixarem essa fase da vida. 

Em 54 países em desenvolvimento, é de casamentos ou de uniões que surgem a maior parte destes nascimentos. 

Apesar de mais de metade dessas gravidezes terem sido consideradas “planeadas”, a capacidade das jovens para decidirem se querem ter filhos pode estar limitada. O relatório conclui que a gravidez adolescente é frequentemente – embora nem sempre – impulsionada por uma falta de escolha informada ou mesmo por força ou coerção.   

© UNFPA/Thalefang Charles

Violações de direitos humanos 

As complicações no parto são uma das principais causas de morte de raparigas adolescentes. Além disso, ser mãe adolescente pode levar a violações dos direitos humanos e ter consequências sociais causadas por situações de casamento infantil, violência entre parceiros íntimos e problemas de saúde mental. 

Apesar de a agência da ONU registar um declínio dos níveis de maternidade na infância e adolescência, o ritmo de declínio tem sido “alarmantemente lento”, cerca de 3% a cada dez anos. 

“Os governos precisam de investir nas adolescentes e ajudar a expandir as suas oportunidades, recursos e competências, ajudando a evitar gravidezes precoces e não intencionais”, explicou a diretora executiva do UNFPA. “Quando as raparigas puderem traçar o seu próprio curso de vida, a maternidade na infância tornar-se-á cada vez mais rara”. 

Recomendações 

O relatório apresenta recomendações para decisores políticos, incluindo a necessidade de proporcionar às adolescentes uma educação sexual abrangente bem como a importância da mentoria, apoio social e serviços de saúde de qualidade. 

Para além disso, o documento apela também às famílias para que prestem um maior apoio económico e envolvam as organizações locais, no âmbito de uma política de apoio e enquadramento legal que reconheça os direitos, capacidades e necessidades das adolescentes, em particular, das raparigas adolescentes marginalizadas.  

 

Turismo e consumo interno puxam recuperação em Portugal após Covid

Análise do Fundo Monetário Internacional, FMI, publicada no início deste mês, cita melhoras em 2021 após recessão profunda da economia portuguesa induzida pela pandemia e aposta em reformas estruturais.

Guterres participa de encontro da ONU com União Europeia em Nova Iorque

A humanidade está enfrentando dificuldades em quase todas as frentes, da emergência climática a conflitos, tensões geopolíticas à pandemia de Covid-19. E esses desafios só podem ser resolvidos por um sistema multilateral.

Parceiro vital

A declaração é do secretário-geral da ONU, António Guterres, que participa de um Diálogo de Alto Nível entre as Nações Unidas e a União Europeia, realizado em Nova Iorque com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Para o chefe da ONU, um multilateralismo mais efetivo e bem conectado precisa de parcerias mais fortes. Guterres afirma que o encontro ocorre num momento crítico.  Ele também elogiou a decisão da União Europeia de atingir neutralidade em carbono até 2030.

Segundo Guterres, o UE é um parceiro vital para combater essas ameaças e outras.  O secretário-geral contou que a guerra na Ucrânia e o impacto geopolítico e socioeconômico ao redor do mundo é um dos temas discutidos.

Multilateralismo

Segundo Guterres, é preciso explorar medidas para aliviar os efeitos sobre alimentos, energia e de fundo financeiro, além de responder às necessidades urgentes dos países em desenvolvimento.

Ele acredita que é preciso examinar as mudanças de longo prazo para reduzir a desigualdade, principalmente a de restruturação da dívida e a reforma do sistema financeiro internacional.

Para o secretário-geral, o tempo está se esgotando e é preciso redobrar os esforços para a Década de Ação que resgate os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Parceiro financeiro

O chefe da ONU acredita que é preciso reconstruir a confiança e aumentar as metas para resolver a emergência climática, com alvos mais ambiciosos, antes da realização da COP-27, marcado para o Egito.

Guterres diz que a liderança da União Europeia e apoio do bloco aos países em desenvolvimento é crucial.

Ele encerrou o discurso no evento lembrando que a União Europeia é o parceiro financeiro mais forte, ao lado de outros países, das atividades da ONU no mundo. E mais que apoio financeiro, ambas as organizações têm uma cooperação sólida e aprofundada em temas como paz e segurança, direitos humanos, desenvolvimento sustentável, clima e outros.

“O mundo está a recuar nos seus esforços para acabar com a fome” – As conclusões do novo relatório da ONU sobre a fome

@WFP/Sitraka Niaina Raharinaiv

O número de pessoas afetadas pela fome a nível mundial aumentou para 828 milhões em 2021, um aumento de cerca de 46 milhões desde 2020 e 150 milhões desde o surto da pandemia covid-19, de acordo com o novo relatório das Nações Unidas. O relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo” demonstra claramente que “o mundo está a recuar nos seus esforços para acabar com a fome, a insegurança alimentar e a subnutrição. 

 O relatório que foi publicado hoje conjuntamente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Programa Alimentar Mundial (PAM) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o “Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo” pinta um quadro sombrio sobre a segurança alimentar mundial.  

De acordo com o Presidente do FIDA, Gilbert Houngbo, este documento revela “números deprimentes para a humanidade. Continuamos a afastar-nos do nosso objetivo de acabar com a fome até 2030. Os efeitos da crise alimentar mundial irão muito provavelmente agravar o resultado novamente no próximo ano. Precisamos de uma abordagem mais intensa para acabar com a fome“.   

@WFP/Gabriella Vivacqua. Uma mulher no Sudão do Sul tenta alimentar a sua família inteira após o seu marido, que sustentava a família, falecer devido aos conflitos no país.

Conclusões desanimadoras  

  • Cerca de 828 milhões de pessoas foram afetadas pela fome em 2021 – mais 46 milhões de pessoas em relação ao ano anterior e mais 150 milhões quando comparado com 2019. 
  • Depois de permanecer relativamente inalterada desde 2015, a proporção de pessoas afetadas pela fome saltou em 2020 e continuou a aumentar em 2021, para 9,8 por cento da população mundial. Isto compara com 8% em 2019 e 9,3% em 2020. 
  • Cerca de 2,3 mil milhões de pessoas no mundo (29,3%) enfrentaram insegurança alimentar moderada ou grave em 2021 – mais 350 milhões em comparação com antes do surto da pandemia.  
  • A desigualdade de género na insegurança alimentar continuou a aumentar em 2021, com 31,9% das mulheres no mundo a enfrentar insegurança alimentar moderada ou grave, em comparação com 27,6% dos homens 
  • Quase 3,1 mil milhões de pessoas não puderam pagar uma dieta saudável em 2020, mais 112 milhões do que em 2019, refletindo os efeitos da inflação 
  • Duas em cada três crianças não são alimentadas com a dieta variada de que necessitam para crescer e desenvolver todo o seu potencial. 
@WFP/Bruno Djoyo. Uma criança come bolachas de alta energia num campo de refugiados em Batangafo, na República Centro-Africana.

Estamos agora apenas a oito anos de 2030, mas a distância para atingir muitas das metas do ODS 2 (Erradicar a Fome) está a aumentar a cada ano”, afirma o relatório. Estima-se que cerca de 670 milhões de pessoas (8% da população mundial) continuarão a enfrentar a fome em 2030 – mesmo se for tida em consideração uma recuperação económica global.   

Reformar políticas agrícolas  

Este relatório salienta ainda várias sugestões de políticas que os Estados-membros podem adotar para conseguir atingir as metas do ODS 2. Principalmente, o relatório enfatiza o redireccionamento do apoio alimentar e agrícola para alimentos nutritivos, onde o consumo per capita ainda não corresponde aos níveis recomendados para dietas saudáveis. 

@UN Women/Pornvit Visitoran. A Tailândia tem vindo a trabalhar para a realização dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que inclui objectivos para uma agricultura sustentável.

De acordo com o documento, se os governos reorientarem os recursos que estão a utilizar para incentivar a produção, fornecimento e consumo de alimentos nutritivos, contribuirão para tornar as dietas saudáveis menos dispendiosas, mais acessíveis e equitativas para todos. 

Finalmente, o relatório salienta também que os governos poderiam fazer mais para reduzir as barreiras comerciais para alimentos nutritivos, tais como frutas, legumes e leguminosas. 

Saiba mais: PAM- O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição

Mensagem por ocasião do Dia Mundial da População

   O SECRETÁRIO-GERAL 

 

MENSAGEM POR OCASIÃO DO DIA MUNDIAL DA POPULAÇÃO 

11 de julho de 2022 

O Dia Mundial da População deste ano coincide com um momento histórico, uma vez que se espera que a população mundial chegue às 8 mil milhões de pessoas. 

Esta é uma ocasião para celebrar a nossa diversidade, reconhecer a nossa humanidade comum e admirar os avanços na saúde que prolongaram a vida e reduziram drasticamente as taxas de mortalidade materna e infantil.  

Ao mesmo tempo, é um lembrete da nossa responsabilidade coletiva de cuidar do nosso planeta e um momento para refletir sobre o que falta fazer para cumprir os nossos compromissos para com os outros. 

Entre a covid-19, a crise climática, as guerras e conflitos, as emergências humanitárias, a fome ou a pobreza, o nosso planeta está em perigo. 

Ainda vivemos num mundo de grande desigualdade de género – e estamos a assistir a novos ataques aos direitos das mulheres, incluindo aos serviços essenciais de saúde. As complicações relacionadas com a gravidez e o parto são ainda a principal causa de morte entre as mulheres dos 15 aos 19 anos de idade.
 

Atingir uma população global de oito mil milhões é um marco numérico, mas o nosso foco deve ser sempre nas pessoas. 

No mundo que nos esforçamos por construir, 8 mil milhões de pessoas significam 8 mil milhões de oportunidades para viver vidas dignas e realizadas. 

Quando agimos de acordo com os nossos valores partilhados, contribuímos para o nosso futuro comum. 

Trabalhemos juntos para uma maior igualdade e solidariedade para assegurar que o nosso planeta possa apoiar as nossas necessidades e as das gerações futuras. 

Protejamos os direitos humanos e a capacidade de todos os indivíduos de fazerem escolhas informadas sobre se e quando ter filhos. 

E renovemos o nosso compromisso de implementar plenamente a Agenda para o Desenvolvimento Sustentável de 2030 para um futuro sustentável e inclusivo para os oito mil milhões de nós, não deixando ninguém para trás. 

Casos de varíola dos macacos chega a 6 mil

Doença foi reportada em 58 países; Europa é epicentro do surto, com 80% dos casos; com falta de testes, números podem ser mais altos; nova reunião será convocada para avaliar o progresso do vírus.

Fome cresce no mundo e atinge 9,8% da população global

O relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2022, lançado pela ONU nesta quarta-feira, aponta que o número de pessoas afetadas pela fome em todo o mundo subiu para 828 milhões em 2021, uma alta de cerca de 46 milhões desde 2020 e 150 milhões desde o início da pandemia de Covid-19.

De acordo com os dados apresentados, a proporção de pessoas afetadas pela fome vinha praticamente inalterada desde 2015, próxima de 8% da população global. Com a crise de saúde e a guerra na Ucrânia, o número saltou nos últimos anos e agora já afeta 9,8% das pessoas no mundo.

Maioria das 140 milhões de pessoas que sofrem de fome aguda em todo o mundo está concentrada em 10 países

© WFP/Sitraka Niaina Raharinaiv

Maioria das 140 milhões de pessoas que sofrem de fome aguda em todo o mundo está concentrada em 10 países

Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2022

A edição de 2022 do relatório fornece novas evidências de que o mundo está se afastando, cada vez mais, de seu objetivo de acabar com a fome, a insegurança alimentar e a desnutrição até 2030.

O documento foi feito em parceria pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, FAO, Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, Fida, Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, Programa Mundial de Alimentos, PMA, e Organização Mundial da Saúde, OMS.

Segundo a escala de insegurança alimentar, fome é definida como “privação alimentar”. Já insegurança alimentar moderada é quando as pessoas enfrentam incertezas sobre sua capacidade de obter alimentos e foram forçadas a reduzir a qualidade ou quantidade de alimentos. A insegurança alimentar severa é quando as pessoas ficam sem comida por um ou mais dias.

Seis áreas somalis foram identificadas em risco de fome

Unicef/Sebastian Rich

Seis áreas somalis foram identificadas em risco de fome

Principais resultados

O diretor executivo do PMA, David Beasley, afirma que existe um perigo real de que esses números subam ainda mais nos próximos meses. Ele avalia que os picos globais de preços de alimentos, combustíveis e fertilizantes, agravados pela crise na Ucrânia, ameaçam levar países ao redor do mundo à fome.

Para Beasley, o resultado será a desestabilização global, fome e migração em massa em uma escala sem precedentes.

Além da parcela da população que sofre com a fome, outras cerca de 2,3 bilhões de pessoas no mundo, ou 29,3% da população global, estavam em insegurança alimentar moderada ou grave em 2021. O valor é de 350 milhões a mais em comparação com antes do surto da pandemia de Covid-19.

Os resultados do relatório também apontam que quase 924 milhões de pessoas, ou 11,7% da população global, enfrentaram insegurança alimentar em níveis graves, um aumento de 207 milhões em dois anos.

Preço dos alimentos

Segundo a publicação, quase 3,1 bilhões de pessoas não podiam pagar uma dieta saudável em 2020, 112 milhões a mais que em 2019, refletindo os efeitos da inflação nos preços dos alimentos ao consumidor decorrentes dos impactos econômicos da pandemia de Covid-19.

A disparidade de gênero na insegurança alimentar continuou a aumentar em 2021: 31,9% das mulheres no mundo sofrem com a insegurança alimentar moderada ou grave, em comparação com 27,6% dos homens. A cresceu em 1% em comparação com 2020.

A estimativa apresentada no relatório é que 45 milhões de crianças menores de cinco anos sofriam definhamento, a forma mais mortal de desnutrição, o que aumenta o risco de morte das crianças em até 12 vezes.

Além disso, 149 milhões de crianças com menos de cinco anos tiveram crescimento e desenvolvimento atrofiados devido à falta crônica de nutrientes essenciais em suas dietas, enquanto 39 milhões estavam acima do peso.

Efeito nas crianças

O relatório aponta progressos no aleitamento materno exclusivo, com quase 44% dos bebês com menos de seis meses de idade sendo exclusivamente amamentados em todo o mundo em 2020. A meta para 2030 é atingir os 50%.

No entanto, duas em cada três crianças não recebem uma dieta mínima diversificada que eles precisam para crescer e desenvolver todo o seu potencial.

A diretora executiva do Fundo de Infância das Nações Unidas, Catherine Russell, afirma que a escala “sem precedentes” da crise de desnutrição exige uma resposta a altura.

Para ela, os esforços para garantir que as crianças mais vulneráveis tenham acesso a dietas nutritivas, seguras e acessíveis devem ser redobrados, assim como os serviços para a prevenção precoce, detecção e tratamento da desnutrição.

Futuro e crises atuais

Olhando para o futuro, as projeções do relatório são de que cerca de 670 milhões de pessoas, 8% da população mundial, ainda enfrentarão fome em 2030 mesmo que uma recuperação econômica global seja levada em consideração.

O número volta aos patamares de 2015, quando a meta de acabar com a fome, a insegurança alimentar e a desnutrição até o final desta década foi lançada na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

A avaliação do documento é que a guerra na Ucrânia e os efeitos dos eventos climáticos possuem potencial estão gerando um cenário complexo e ameaçando a segurança alimentar e nutricional global.

No prefácio da publicação, assinado pelos líderes das agências que trabalharam no estudo, destaca que a os principais fatores de insegurança alimentar e desnutrição: conflitos, extremos climáticos e choques econômicos, combinados com crescentes desigualdades.

Para eles, a questão não é se as adversidades continuarão a ocorrer ou não, mas quais devem ser as medidas mais ousadas para construir resiliência contra choques futuros.