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Ucrânia: uma guerra às portas da Europa

© UNHCR/Maciej Moskwa

Desde 24 de fevereiro de 2022 que a Ucrânia sofre com uma situação de conflito depois da invasão por parte da Rússia. As raízes do problema remontam a anos anteriores e ajudam a explicar este desfecho.  

A Ucrânia pertenceu até 1991, juntamente com mais 14 repúblicas, à União Soviética, também conhecida como a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Com a queda da URSS, a Ucrânia torna-se um Estado soberano. 

Os laços culturais ligam esta nação à vizinha Rússia e as relações entre os dois países continuaram a influenciar a política ucraniana. Em 2014, na sequência de uma crise política na Ucrânia, dá-se a anexação da Crimeia e uma ocupação que gera um conflito nas regiões separatistas pró-russas do Donbass – Donetsk e Lugansk, a leste da Ucrânia. 

Os Acordos de Minsk são assinados em 2014 e 2015 com o intuito de acalmar e resolver os conflitos entre tropas russas e ucranianas nessas regiões. Previam um cessar-fogo e a retirada de armas, mas o conflito foi-se mantendo até ao presente.  

Ao perceber, em finais de 2021, uma aproximação da Ucrânia ao Ocidente e perante uma alegada possibilidade de a Ucrânia se juntar à Organização Tratado Atlântico Norte, a NATO, a Rússia quebra os Acordos de Minsk, em fevereiro de 2022, e proclama independentes das Regiões de Donetsk e Lugansk. Dias depois invade várias cidades ucranianas, agindo contra a Carta das Nações Unidas e as normas do Direito Internacional. 

Números subestimados 

Há mais de 16 milhões de pessoas a precisarem de ajuda. Água potável, alimentos, serviços de saúde, habitação e proteção são as necessidades mais sentidas pelas pessoas. 

Segundo a coordenadora humanitária da ONU na Ucrânia, Osnat Lubrani, os números estão subestimados e, por isso, estão a ser revistos. “O nível de sofrimento humano não pode ser explicado com palavras” e as partes do conflito precisam fazer mais “para proteger os civis e tornar o trabalho possível”. 

Osnat Lubrani considera que “as partes neste conflito estão descaradamente a ignorar as suas obrigações previstas no direito internacional humanitário e direitos humanos” e faz um apelo pelo cumprimento de obrigações e proteção aos civis que já sofrem “imenso por causa da guerra”.   

Proteger as infraestruturas é fundamental, bem como fazer acordos sobre o acesso seguro e desimpedido dos trabalhadores humanitários a todos os sítios onde as pessoas precisem de assistência ou evacuação.   

UN Photo/Eskinder Debebe

Agravamento da situação humanitária  

O país tem mais de 6 milhões de pessoas deslocadas internamente. Cerca de 5 milhões já conseguiram voltar às suas casas, mas com a ameaça de terem que fugir novamente. O número de refugiados que saíram da Ucrânia para outros países ultrapassou os 5,7 milhões.   

A guerra já fez aproximadamente 5 mil mortos e outros 5 mil feridos. Sem dados conclusivos, Osnat Lubrani destacou a quantidade de infraestruturas civis destruídas, como hospitais, escolas e casas.   

Atuação das Nações Unidas  

A representante da ONU afirma que estão a ser feitos todos os esforços possíveis para apoiar “as pessoas cujas vidas foram dilaceradas por causa desta guerra”, pedindo mais colaboração dos governos russo e ucraniano para permitir o trabalho humanitário.  

Desde 24 de fevereiro, a ONU e os parceiros humanitários prestaram assistência a quase 9 milhões de pessoas em todas as regiões da Ucrânia. Cerca de 2 milhões receberam assistência em dinheiro. 

Atualmente, 300 organizações atuam no país, 200 das quais são Organizações Não Governamentais nacionais. A coordenadora humanitária agradece o trabalho de milhares de voluntários, do setor privado e das organizações locais que apoiam o trabalho ou fornecem assistência direta. 

UN Photo/Mark Garten

Impacto da Guerra 

“O impacto é global e sistémico”, dizem os relatórios das Nações Unidas. Este conflito militar não afeta só os ucranianos, afeta também os cidadãos europeus, africanos e de todo o mundo. Afeta a geração atual, podendo vir a afetar a saúde e a qualidade de vida de gerações futuras.   

O Banco Mundial alertou que “a economia da Ucrânia deverá encolher 45% este ano devido à guerra” e que a economia russa caminha para uma “recessão profunda”. Como tem vindo a destacar o secretário-geral da ONU, António Guterres, “a guerra está a provocar uma crise tridimensional- alimentar, energética e financeira, que está a atingir as pessoas, países e economias mais vulneráveis no mundo”. 

De acordo com o Programa Alimentar Mundial (PAM), até 1.7 mil milhões de pessoas – das quais um terço já vivem em pobreza – estão “altamente vulneráveis às perturbações no sistema alimentar, energético e financeiro.” Com aumentos nos preços dos alimentos e da energia, tal como o aumento em 30% no preço do trigo, o PAM está com dificuldades em ajudar a combater a fome na África e noutras regiões do mundo. 

18 anos de progresso socioeconómico perdidos na Ucrânia se a guerra continuar. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) indica que 90% da população ucraniana poderá enfrentar “pobreza e vulnerabilidade económica extrema” se a guerra se prolongar.  

Os bebés e as crianças estão particularmente vulneráveis aos riscos associados à guerra – tráfico humano, por exemplo. Em simultâneo, vão ser afetados pelos ataques às escolas. De acordo com a UNICEF, “uma em cada seis escolas no leste da Ucrânia estão danificadas ou destruídas”. A falta de acesso à educação durante e após a guerra e o trauma associado terão implicações no desenvolvimento cognitivo das crianças ucranianas.   

OMS saúda recorde de 99,2% de imunização contra pólio na Guiné-Bissau

A Organização Mundial da Saúde, OMS, liderou os esforços de aquisição da nova vacina, Pólio Vírus Derivado da Vacina, utilizada na última campanha de inoculação contra a doença na Guiné-Bissau.

Desde 1998 que o país não registava nenhum caso da enfermidade.

Foi estabelecida uma equipa de trabalho no Centro de Operações de Emergência de Saúde que inclui o Programa Alargado de Vacinação

WHO Guinea-Bissau

Foi estabelecida uma equipa de trabalho no Centro de Operações de Emergência de Saúde que inclui o Programa Alargado de Vacinação

Instituto Pasteur de Dacar

O reaparecimento da doença de paralisia infantil foi anunciado nos finais de 2021, quando o foco do país estava centrado no combate a Covid-19. Em resposta a uma solicitação das autoridades, a OMS acionou os parceiros da Iniciativa Global de Erradicação da Poliomielite. 

Os 15 consultores internacionais mobilizados pela agência apoiaram os esforços de resposta ao surto, começando pelo preenchimento de uma vintena de critérios de elegibilidade para que o país pudesse receber a vacina.

De seguida, foi estabelecida uma equipa de trabalho no Centro de Operações de Emergência de Saúde que inclui o Programa Alargado de Vacinação.  

O representante residente da OMS no país, Jean Marie Kipela, explicou à ONU News o papel da agência nesta operação e disse nunca ter visto campanha de vacinação mais bem-sucedida com quase 100% do objetivo alcançado.

Nova vacina PVDV

“A segunda ronda foi um sucesso inédito, nunca vi um país atingir esta cobertura, 99 por cento, confirmado pelo resultado da monitorização independente e os inquéritos FPAS confirmaram este resultado de alta qualidade.”

A campanha culminou com a imunização recorde de mais de 340 mil crianças menores de cinco anos de idade. O país recebeu cerca de 906 mil doses da nova vacina Vpdv, naquilo que foi descrito pelo representante da OMS como experiência piloto com a nova vacina integrada a outros elementos para reforçar a saúde das crianças.

A poliomielite é uma doença viral que provoca paralisia permanente que não pode ser curada, mas pode ser prevenida com uma vacina oral segura e eficaz.

“Na primeira ronda foi integrada a suplementação em vitamina A e desparasitação com Mebendazol. A campanha não só atingiu um grande número de crianças, como também foi de qualidade foi um sucesso que foi também seguido por países como os Camarões.”

O país recebeu cerca de 906 mil doses da nova vacina Vpdv

WHO Guinea-Bissau

O país recebeu cerca de 906 mil doses da nova vacina Vpdv

Experiência Piloto

A OMS refere que a Guiné-Bissau foi o primeiro país no mundo que fez a campanha de pólio usando a nova vacina, junto com a suplementação em Vitamina A e desparasitação com Mebendazol.

A campanha mobilizou 677 equipas de vacinação, num total de 3.385 pessoas. A primeira ronda vacinou 81.89% da população alvo. Segundo a agência, em 2019 casos da poliomielite já circulavam nas zonas fronteiriças entre a Guiné-Bissau, a Guiné-Conacri e o Senegal.

Graças aos esforços da Iiniciativa Global de Erradicação da Ppoliomielite, lançada em 1988, dois dos três tipos de poliovírus selvagem foram erradicados no mundo.

Parceiros da iniciativa público-privada, incluem a Rotary International, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, a Gavi e a Fundação Bill & Melinda Gates.

*De Bissau para a ONU News, Amatijane Candé.

 

Diplomatas querem mais mulheres na conservação e proteção de mares

Os países lusófonos têm duas embaixadoras chefiando missões junto à ONU em Nova Iorque. Maria de Jesus Ferreira, responde em nome de Angola, enquanto Ana Paula Zacarias representa Portugal.

Falando à ONU News, em Lisboa, as representantes permanentes disseram que unem suas vozes aos apelos por mais ação e agilidade na execução das decisões da Conferência dos Oceanos. 

Ecossistemas

Foi no evento realizado na capital portuguesa que líderes mundiais adotaram uma declaração no início deste mês de julho. O documento defende que o mundo alargue a inovação, tendo como base a ciência, abordando a emergência da perda de habitats marinhos, a acidificação dos oceanos e a degradação dos ecossistemas.

A embaixadora de Angola, Maria de Jesus Ferreira, foi uma das vice-presidentes e relatora-geral da 2ª Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos. Ela destacou que depois do consenso conseguido para a adoção do compromisso é necessário mais do que seguir as linhas gerais do documento final.

Maria de Jesus Ferreira lembrou como espécie humana e outras dependem dos oceanos

ONU News

Maria de Jesus Ferreira lembrou como espécie humana e outras dependem dos oceanos

“Não nos podemos limitar à aprovação de um documento sem que, de facto, não haja vontade política de pôr em prática as decisões que foram aqui tomadas. É de todo o interesse que nós acolhemos a declaração, não apenas como um documento aqui, mas também com uma orientação para ação para o futuro. Para nós, como diplomatas, é o nosso dia a dia. Faz parte do nosso trabalho. Esta é apenas uma das conferências em que estamos. É o nosso dia a dia, mas naturalmente é importante participar da discussão e negociação de um tema tão importante não somente da conservação do oceano, mas da espécie humana e de outras espécies que dependem dos oceanos e do mar.”

Por parte de Portugal, a embaixadora Ana Paula Zacarias exaltou o desempenho de mulheres diplomatas para fazer avançar a agenda dos oceanos. Mas destaca que esta ação pode envolver mais campos.

Políticas

Ana Paula Zacarias, representante de Portugal, frisou a necessidade de ter em conta o conhecimento de base local

ONU/Manuel Elias

Ana Paula Zacarias, representante de Portugal, frisou a necessidade de ter em conta o conhecimento de base local

“Políticas, primeiros-ministros, ministras de setores: do ambiente, da energia, ministras dos negócios estrangeiros e muitas cientistas e embaixadoras. Eu acho que as mulheres estão a ter cada vez e, obviamente, o lugar que lhes compete na cena internacional. Mas não é só esse papel das mulheres enquanto negociadoras e enquanto políticas. É também um papel das mulheres dentro das comunidades tradicionais e o papel das mulheres enquanto agentes locais que é fundamental para este tema dos oceanos.”

A diplomata considera que conhecimento de base local possa trazer soluções sustentáveis na atuação em áreas como pescas, turismo sustentável, luta contra a poluição e apoio ao modo de vida das populações que dependem dos mares.

Para ela, a conservação a vida no planeta depende do esforço, força de vontade e ação de todos.
No evento coorganizado pelos governos de Portugal e do Quénia, mais de 150 países concordaram em tomar medidas para reforçar, entre outras questões, o combate à poluição marinha, ao mesmo tempo que o impulso à economia azul e preservação das áreas marinhas.

Problemas

As diplomatas dizem acreditar que mais mulheres atuando nesse campo ajudariam no enfrentamento eficaz dos problemas da economia do mar sustentável, da pobreza e atraso do desenvolvimento e promoção da paz e segurança.

Evento frisou que preservação da vida no planeta depende do esforço colectivo

ONU/Eskinder Debebe

Evento frisou que preservação da vida no planeta depende do esforço colectivo

A Declaração de Lisboa deixa claro que a poluição marinha aumenta a um ritmo alarmante. Um terço dos stocks de peixe são sobre explorados e a biodiversidade continua a diminuir numa realidade de perda de cerca de metade dos corais. 

Espécies invasoras colocam uma ameaça substancial aos ecossistemas marinhos, segundo o documento intitulado O nosso oceano, o nosso futuro, a nossa responsabilidade. No texto, os líderes admitem ainda a falha coletiva em cumprir as metas previstas no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 que já deveriam ter sido alcançadas há dois anos.
 

Mundo lembra liderança e realizações em Dia Internacional de Nelson Mandela 

Este 18 de julho é o Dia Internacional de Nelson Mandela.

Representantes de todo o mundo juntam-se nas Nações Unidas para homenagear o Prêmio Nobel da Paz e ícone  que foi o primeiro presidente da África do Sul democrática entre 1994 e 1999. 

Primeiro chefe de Estado negro

Foi na mesma sala da Assembleia Geral que o símbolo da luta contra o regime segregacionista do apartheid foi ovacionado em 1994 em seu primeiro discurso como primeiro chefe de Estado negro de seu país, que estava inaugurando a era democrática e não racial.
Nelson Mandela agradeceu à comunidade internacional em nome de milhões de sul-africanos porque o respeito pela dignidade humana também inspirou a atuação global e levou a garantir a recuperação da dignidade de seu povo.

Prêmio Nobel da Paz e ícone sul-africano foi presidiu o país entre 1994 e 1999

ONU/C Sattleberger

Prêmio Nobel da Paz e ícone sul-africano foi presidiu o país entre 1994 e 1999

Madiba já tinha sido recebido no órgão em 1990, pouco depois de ser libertado após 27 anos de prisão. 

Em mensagem de vídeo pelo Dia Internacional de Nelson Mandela, o secretário-geral António Guterres disse que o mundo homenageia um gigante da atualidade. 

Cura de comunidades

Para o chefe da ONU, Mandela foi um líder de coragem incomparável, com grandes realizações, além de ser um homem de dignidade serena e profunda humanidade. O chefe da ONU aponta a marca de Nelson Mandela como homem que promoveu a cura de comunidades e foi mentor de gerações. Guterres disse ainda que ele continua sendo uma bússola moral e referência para todos.

Ele lembrou ainda que Madiba percorreu o caminho da liberdade e da dignidade “com determinação de aço e com compaixão e amor”.

Nesse trajeto, ele “demonstrou que cada um tem a capacidade – e a responsabilidade – de construir um futuro melhor para todos”.

Celebração chama o mundo à ação e para explorar o poder individual para transformar o mundo

Unsplash/John-Paul Henry

Celebração chama o mundo à ação e para explorar o poder individual para transformar o mundo

Num contexto de múltiplas crises globais, o líder das Nações Unidas destacou que o modelo do ícone sul-africano ainda é relevante.

Esperança

Guterres diz que se que o mundo de hoje é caracterizado pela guerra, sobrecarregado por emergências e marcado pelo racismo, pela discriminação, pela pobreza e por desigualdades, além de ser ameaçado pelo desastre climático. Ele destacou que se deve encontrar esperança no exemplo de Nelson Mandela e inspiração em sua visão ao apelar a ação no dia a dia em honra ao legado do ex-líder sul-africano.

Para Guterres, a atuação global no presente requer que fale abertamente contra o ódio e defenda os direitos humanos ou abrace a humanidade rica em diversidade, igual em dignidade, unida em solidariedade.

O secretário-geral termina a mensagem destacando que o mundo una esforços por uma situação mais justa, compassiva, próspera e sustentável para todos.

Foi em 2009 que a ONU proclamou a data para homenagear o legado de Nelson Mandela por meio de eventos de voluntariado e serviço comunitário. 

A celebração chama o mundo à ação e a explorar o “poder individual para transformar o mundo e para a capacidade de causar impacto”.
Além de político, Mandela também foi filantropo.

ONU enaltece Nelson Mandela como homem que promoveu a cura de comunidades

ONU

ONU enaltece Nelson Mandela como homem que promoveu a cura de comunidades

Relatores da ONU falam em África no Sul em precipício de “xenofobia explosiva”

Um grupo de relatores de direitos humanos afirma que a violência xenofóbica e a discriminação aumentaram na África do Sul.

Os especialistas citam que a operação dudula, que começou como uma campanha de redes sociais, se converteu num centro de mobilização de protestos violentos.

Assassinatos de estrangeiros

Outros motivos de preocupação são violência de grupos de vigilantes, incêndios criminosos contra casas e negócios de migrantes, além de assassinatos de estrangeiros.

Os relatores alertaram que a mobilização xenofóbica é mais profunda e ampla e se tornou uma estratégia central para vários partidos políticos no país.

Crianças em escola na África do Sul

Trevor Samson/Banco Mundial

Crianças em escola na África do Sul

A narrativa contra migrantes de integrantes sêniores do governo está levando a violência. E outros agentes falham em conter esses abusos e levar os culpados à justiça.

Os relatores disseram que a situação preocupa.

Bodes expiatórios, intimidação de grupos

O governo sul-africano tem que tomar medidas urgentes para conter a figura de migrantes e refugiados como bodes expiatórios, a violência e intimidação desses grupos. Se isso não ocorrer, o país estará à beira de uma xenofobia explosiva. A xenofobia existe especialmente contra migrantes e refugiados de países de renda baixa na África e no sudeste da Ásia. E tem ocorrido há anos na política sul-africana.

Em 2008, mais de 60 pessoas foram mortas e cerca de 100 mil foram obrigadas a sair de suas casas. Em alguns casos, cidadãos sul-africanos são acusados de “serem muito pretos para serem sul-africanos”.

Pai de quatro filhos espancado até à morte e carbonizado

Em abril, um homem do Zimbábue, de 43 anos, e pai de quatro filhos, foi assassinado por um grupo que ia de porta em porta exigindo ver o visto das pessoas.

Os criminosos tiraram o homem de um lugar onde ele buscava asilo, o espancaram até a morte e atearam fogo ao corpo dele.

Os relatores da ONU dizem que a discriminação contra estrangeiros na África do Sul está institucionalizada tanto na política do governo como no resto da sociedade sul-africana.

Terrenos agricolas com fábricas ao fundo, na África do Sul

Banco Mundial/John Hogg

Terrenos agricolas com fábricas ao fundo, na África do Sul

Para os especialistas, a África do Sul não está cumprindo suas obrigações de proteger os direitos humanos à medida que evita a discriminação racial e a xenofobia.

Eles pediram aos atores públicos e privados para honrar os compromissos com a justiça social e os direitos humanos.

*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.

Uruguai tem que aumentar luta por desaparecidos e contra a impunidade

O Uruguai precisa tomar medidas efetivas para acabar com a impunidade de crimes passados.

A declaração é de um grupo de relatores de direitos humanos* que visitou o país para melhor compreender a “verdade em relação às violações de direitos humanos”, cometidas durante a ditadura militar.

Ações ilegítimas do Estado durante a ditadura militar de 1968-85

Na partida, os integrantes do Grupo de Trabalho sobre Desaparecimentos Forçados e Involuntários apresentou resultados preliminares sobre o que classificam de “falta de progresso” na busca de desaparecidos há mais de cinco décadas.

Os especialistas afirmam que os “crimes e as ações ilegítimas do Estado durante a ditadura ocorreram de 1968 a 1985” e durante a operação Condor.

Muitas famílias de pessoas desaparecidas durante o regime do Uruguai seguem buscando “verdade, justiça, a preservação da memória histórica e garantias de que esses atos não se repetirão.”

Luta incansável das famílias e das vítimas na busca pela verdade

Os relatores saudaram a “coragem e luta incansável das vítimas, suas famílias e representantes na busca pelos desaparecidos para garantir justiça e lutar contra a impunidade”.

O Grupo de Trabalho ressaltou de forma positiva as ações da Instituição Nacional de Direitos Humanos, que goza de alta credibilidade e confiança entre as vítimas.

Por conta da iminência da eleição para um novo conselho diretor da entidade, foi pedido que sejam escolhidos candidatos com competência e que representem a sociedade civil envolvida na proteção dos direitos humanos.

Os relatores da ONU expressaram preocupação com reparações às vítimas e parentes que não estariam obedecendo os padrões internacionais.

Crianças e adolescentes não são considerados vítimas da ditadura

Muitas vítimas sujeitas à violência sexual e tortura durante a prisão, estão até hoje sem reconhecimento e por isso não recebem a indenização. E as legislações vigentes não incluem crianças e adolescentes como vítimas de violações de direitos humanos.

Os relatores afirmam que o Uruguai tem que cooperar de forma proativa com outros países na busca da assistência, localização e pessoas desaparecidas, e em caso de morte, e exumação, identificação e restituição dos restos mortais”.

*Os relatores de direitos humanos são independentes da ONU e não recebem salário pelo seu trabalho.

Presidente da República: “Estamos a viver talvez a semana mais difícil do ano”

@ONU News/ Daniela Gross.

O presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, falou com a ONU News sobre os mais de 170 incêndios que lavram de norte a sul de Portugal, comentando que “estamos a viver talvez a semana mais difícil do ano.” De acordo com o chefe de Estado, os fogos florestais e a crise energética causada pela guerra na Europa solidificam a necessidade da transição para as energias renováveis.  

Cada um “deve fazer a sua parte”, argumenta o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, ao falar sobre os incêndios florestais que levaram à declaração do estado de contingência em Portugal. O presidente, que cancelou a sua viagem a Nova Iorque, onde iria falar no Fórum Político de Alto Nível do Conselho Económico e Social da ONU, enfatizou o papel da negligência nestes incêndios. Marcelo Rebelo de Sousa enfatizou a necessidade da “punição, prevenção e dissuasão” da atividade criminosa que leva aos fogos e seguidamente mencionou que é necessário uma “diligência pessoal e coletiva” e a evitação de atividades negligentes como o uso indevido de máquinas agrícolas, piqueniques, e “atividades lúdicas com fogo na floresta.” 

Portugal & alterações climáticas  

@REUTERS/Rodrigo Antunes.Um helicóptero de combate a incêndios trabalha para conter um incêndio florestal em Leiria, Portugal.

O presidente de República comentou que os eventos extremos, como os atuais fogos florestais revelam “a força esmagadora da mudança climática e sua frequência, que nos obrigam a pensar no que se pode fazer melhor.” Lembrando que o país acabou de acolher a Conferência dos Oceanos, realizada em Lisboa, Marcelo revelou que Portugal pretende “proteger 30% de todo o seu mar antes de 2030”, “proíbe a exploração petrolífera na sua zona económica exclusiva” e está a criar novas reservas marítimas “nos Açores, na Madeira e no meio do Atlântico.” Felizmente, indica Marcelo, em Portugal 60% da eletricidade provém de energias renováveis.  

Olhando para o futuro, Marcelo apela ao “financiamento contra a poluição dos oceanos” e pede às instituições internacionais, aos parceiros privados e públicos e às fundações que reforcem os seus compromissos à economia azul antes da próxima Conferência dos Oceanos que será promovida pela França e a Costa Rica.  

“A guerra, mais do que a pandemia, criou um problema que é uma oportunidade, que é substituir as fontes de energia” indica Marcelo, defendendo que os países europeus que dependem fortemente do gás e do petróleo russo (ao contrário de Portugal que depende muito menos nos combustíveis fósseis e cuja fonte principal de gás é a Nigéria) devem focar-se na transição para as energias renováveis para evitar a dependência energética. 

Igualdade de Género 

@ONU/Manuel Elias.
Ana Paula Zacarias, representante de Portugal nas Nações Unidas.

Infelizmente, a pandemia e a guerra na Europa afetaram negativamente vários ODSs. A pandemia, afirma o chefe de Estado, aumentou a pobreza, a desigualdade de género, e feriu os sistemas de saúde. Apesar de Portugal ter um governo paritário, e uma nova embaixadora portuguesa nas Nações Unidas, Ana Paula Zacarias, Marcelo defende que ainda temos “um grande problema no panorama empresarial”. O presidente argumenta que, apesar de ainda haver um défice nos lugares de topo político, nos lugares de topo empresarias este défice “é muito acentuado.” Na “banca”, nos “seguros” e nos “setores chaves da economia” são precisas mais mulheres, e mais mulheres em posições de liderança.   

Portugal aposta em fontes renováveis de energia e na Agenda 2030

Presidente Marcelo Ribeiro de Sousa disse à ONU News que investir numa economia verde é fundamental para a sobrevivência do planeta; na quarta-feira, o chefe de Estado português discursou no Fórum Político de Alto Nível, de forma remota, na sede da ONU, sobre o tema.

Mulheres são maioria na saúde e cuidados, mas ganham 24% menos que homens

As mulheres que trabalham no setor de saúde e cuidados ganham quase 25% menos do que os homens. A diferença salarial, destacada no novo relatório publicado por agências da ONU, é maior que em outros setores econômicos.

O estudo, divulgado nesta quarta-feira, pela Organização Internacional do Trabalho, OIT, e pela Organização Mundial da Saúde, OMS, revela que a lacuna bruta é de 20%, mas fatores como idade, educação e tempo de trabalho fazem o número subir.

Enfermeira na República Democrática do Congo durante campanha de vacinação contra a Covid-19

© UNICEF/Arlette Bashizi

Enfermeira na República Democrática do Congo durante campanha de vacinação contra a Covid-19

Discriminação contra mulheres

Embora grande parte dessa disparidade não tenha uma explicação única, as agências apontam para discriminação contra as mulheres, que representam quase 70% dos profissionais de saúde e assistência médica no globo.

O relatório também revelou que os salários na área da saúde tendem a ser mais baixos em geral quando comparados com outros setores. A análise confirma a constatação de que os pagamentos geralmente são mais baixos em áreas nas quais as mulheres são maioria.

Além disso, mesmo com a pandemia e o papel crucial desempenhado pelos profissionais de saúde durante a crise, houve apenas pequenas melhorias na equidade salarial entre 2019 e 2020.

De acordo com a diretora do Departamento de Condições de Trabalho e Igualdade da OIT, Manuela Tomei, o setor de saúde tem sofrido com os baixos salários em geral, disparidades salariais grandes e condições de trabalho muito exigentes. 

Ela avalia que a pandemia da Covid-19 expôs claramente esta situação, ao mesmo tempo que demonstrou o quão vital o setor e os seus trabalhadores são para manter “famílias, sociedades e economias em funcionamento”.

Enfermeira leva vacinas em ambulância na Índia.

Foto: UNICEF India/Srishti Bhardwaj

Enfermeira leva vacinas em ambulância na Índia.

Mães trabalhadoras 

O relatório também encontrou uma grande variação nas disparidades salariais entre homens e mulheres em diferentes países, indicando que elas não são inevitáveis e que mais pode ser feito para diminuir a lacuna. 

Dentro dos países, os fossos salariais entre homens e mulheres tendem a ser maiores nas categorias financeiramente mais altas, postos ocupados majoritariamente por homens. Já as categorias salariais mais baixas têm mais mulheres.

Segundo o relatório, as mães que trabalham no setor de saúde sofrem desafios adicionais, com a diferença de vencimentos entre homens e mulheres aumentando significativamente durante os anos reprodutivos e persistindo pelo resto de sua vida profissional.

Recuperação pós-pandemia

Manuela Tomei expressou esperança de que o relatório estimule o diálogo e a ação política, pois não haverá recuperação pós-pandemia inclusiva, resiliente e sustentável sem um setor de saúde e assistência mais forte.

Para ela, não podemos ter serviços de saúde e assistência de melhor qualidade sem condições melhores de trabalho, incluindo salários mais justos, para profissionais de saúde e assistência, a maioria dos quais são mulheres.

O diretor da força de trabalho em saúde da OMS, Jim Campbell, acrescentou que o relatório contém histórias de sucesso em vários países, incluindo aumentos salariais e compromisso político com a equidade na remuneração, que apontam o caminho a seguir.

Ele explica que as mulheres constituem a maioria dos trabalhadores no setor de saúde e assistência, mas em muitos países “os vieses sistêmicos” estão resultando em lacunas salariais danosas contra elas.

Campbell acredita que as evidências e análises do relatório devem informar governos, empregadores e trabalhadores para que tomem medidas efetivas contra o problema.

“Passo em frente” nas negociações sobre a exportação de alimentos da Ucrânia alcançado

© FAO/Genya Savilov

Os líderes das Nações Unidas e as delegações da Rússia, da Turquia e da Ucrânia conseguiram dar um “passo em frente” nas negociações para permitir a exportação segura de alimentos da Ucrânia pelo Mar Negro.  

A reunião, que aconteceu em Istambul, Turquia, conseguiu um compromisso de todas as partes envolvidas, sendo considerado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, “um acordo pela humanidade”. 

Para o secretário-geral, o passo alcançado é importante, mas é apenas o primeiro em direção a um acordo abrangente, destacando que deve ser feito mais, tendo em conta as pessoas em situação de conflito e os países em desenvolvimento “atingidas por uma crise alimentar, energética e financeira que não foi criada por elas”.  

Os subsecretários-gerais da ONU, Rebeca Grynspan e Martin Griffiths estão também envolvidos nas negociações e apoiam na preparação do plano de atuação.

© FAO/Oleksandr Mliekov

“Sinal de esperança” 

O secretário-geral da ONU vê estes progressos como um “sinal de esperança”, que pode ajudar a aliviar situações de sofrimento, fome e que pode apoiar os países em desenvolvimento e as pessoas mais vulneráveis, além de ser uma medida em prol da estabilidade ao sistema alimentar mundial. 

O acordo prevê ajudar todas as pessoas que vivem em situação de fragilidade, países com uma situação económica débil ou famílias no limiar da pobreza. 

Desde o início da guerra que António Guterres tem defendido a importância de manter disponíveis produtos alimentares da Ucrânia e alimentos e fertilizantes da Rússia nos mercados mundiais. 

Esperam-se ainda conversas fora do âmbito mediático com várias partes e mais trabalho técnico para materializar os progressos. Para o líder da ONU, a expectativa é obter um acordo que vá além da Russa e Ucrânia e que beneficie todo o mundo. 

 

Presidente de Portugal pede a todos que ajudem a prevenir incêndios rurais

Em entrevista à ONU News, Marcelo Rebelo de Sousa falou sobre “talvez a semana mais difícil do ano país” com a ameaça de fogo nas matas e a forte onda de calor, que atinge a vizinha Espanha; chefe de Estado também crê em urgência de transição para energia renovável.

Relatores da ONU condenam intensificação de restrições à sociedade civil na Rússia

Especialistas em direitos humanos condenaram perseguição a ativistas, defensores de direitos humanos e coletivos pelas autoridades russas; eles pediram ao governo que pare de restringir o espaço cívico; jornal vencedor do Nobel da Paz Novaya Gazeta decidiu fechar as portas para não ser processado.

ONU vê “raio de esperança” em negociação sobre exportação de alimentos da Ucrânia

Delegações da Rússia, da Turquia e Ucrânia além de líderes das Nações Unidas conseguiram dar um “passo adiante” para liberar a exportação segura de alimentos da Ucrânia pelo Mar Negro. A reunião ocorreu em Istambul, na Turquia.

O anúncio foi feito em Nova Iorque pelo secretário-geral António Guterres numa entrevista a correspondentes estrangeiros.

Plano

O chefe das Nações Unidas saudou o compromisso de todas as partes atuando para garantir “um acordo para a humanidade”. Ele garantiu que a organização fará integralmente sua parte para apoiar o processo.

No grupo, os subsecretários-gerais Rebeca Grynspan e Martin Griffiths participam da preparação do Plano da ONU.

Chefe da ONU declarou que desde o início da guerra tem defendido a importância de se obter produtos alimentares da Ucrânia e alimentos e fertilizantes russos

© FAO/Oleksandr Mliekov

Chefe da ONU declarou que desde o início da guerra tem defendido a importância de se obter produtos alimentares da Ucrânia e alimentos e fertilizantes russos

Para Guterres, o passo alcançado nesta quarta-feira é importante, mas é apenas o primeiro em direção a um acordo abrangente.

Ele ressaltou que mais deve ser feito tendo em conta as pessoas nos combates e os países em desenvolvimento “atingidas por uma crise alimentar, energética e financeira que não foi criada por elas”. 

Tarefas

As tarefas incluem ajudar todos aqueles que vivem nas margens do mundo, tal como países à beira da falência e famílias na iminência de passar fome.

Guterres pediu que não seja esquecido que as conversações “acontecem em meio a um conflito sangrento onde pessoas ainda estão morrendo e os combates ainda são intensos.

As Nações Unidas vêm trabalhando com a Turquia em busca de um acordo na sequência do início do conflito na Ucrânia em 24 de fevereiro.

Estabilidade

Guterres aponta os recentes eventos como um “raio de esperança” num mundo enfrentando diversas crises globais, mas também para aliviar o sofrimento humano, a fome e apoiar os países em desenvolvimento e pessoas mais vulneráveis além de ser uma medida em prol da estabilidade ao sistema alimentar global.

O secretário-geral declarou que desde o início da guerra tem defendido a importância de se obter produtos alimentares da Ucrânia e alimentos e fertilizantes russos totalmente disponíveis nos mercados mundiais. Ele disse que a solução dessas questões que o levaram às capitais Moscou e Kyiv.

Ele espera ainda uma conversa intensa nos bastidores com inúmeras partes e mais trabalho técnico para materializar o progresso. Para Guterres, a expectativa é obter um acordo que vá além de Russa e Ucrânia, e beneficie o mundo.

Guterres ressalta que as notícias esperançosas de Istambul mostram a importância do diálogo, sendo um “raio de esperança para ajudar a iluminar o caminho para uma solução negociada” que é necessária para a paz, de acordo com a Carta da ONU e o direito internacional.

Mulheres e crianças embarcam em trens de evacuação na estação ferroviária de Lviv, na Ucrânia

© UNICEF/Nikita Mekenzin

Mulheres e crianças embarcam em trens de evacuação na estação ferroviária de Lviv, na Ucrânia

Mensagem para o Dia Internacional de Nelson Mandela

@UN Photo.

SECRETÁRIO-GERAL 

 

MENSAGEM PARA O DIA INTERNACIONAL DE NELSON MANDELA  

18 Julho de 2022 

Hoje, o mundo honra um gigante dos nossos tempos; um líder de coragem inigualável e realização monumental; e um homem de dignidade tranquila e de profunda humanidade. 

Nelson Mandela trabalhou para ultrapassar divisões nas comunidades e foi um mentor para gerações.

Continua a ser uma bússola moral e uma referência para todos nós. 

Madiba traçou o caminho da liberdade e da dignidade com firme determinação, e com compaixão e amor.   

Mostrou que cada um de nós tem a capacidade – e a responsabilidade – de construir um futuro melhor para todos. 

O nosso mundo de hoje está marcado pela guerra; dominado por emergências; assolado pelo racismo, discriminação, pobreza e desigualdades; e ameaçado pelo desastre climático. 

Encontremos esperança no exemplo de Nelson Mandela e inspiração na sua visão.   

Hoje e sempre, honremos o legado de Nelson Mandela através da ação. 

Denunciando o ódio e defendendo os direitos humanos.   

Abraçando a nossa humanidade comum – rica em diversidade, igual em dignidade, unida em solidariedade.   

E ao tornar o nosso mundo mais justo, solidário, próspero, e sustentável para todos. 

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Pandemia covid-19 “está longe do fim”, alerta chefe da OMS

pandemia covid-19
@Unsplash/Yoav Aziz.

O aumento dos casos de covid-19 não só está a colocar mais pressão sobre os sistemas de saúde e a sobrecarregar os trabalhadores, mas também a desencadear uma “tendência crescente de mortes”, afirmou o líder da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. 

O Comité de Emergência para a covid-19 relatou, na sexta-feira passada, que “o vírus continua a ser uma Emergência de Saúde Pública de Preocupação Internacional“. 

E embora reconhecendo que estamos numa posição muito melhor do que no início da pandemia, lembrou que as novas vagas demonstram que a pandemia covid-19 “está longe do fim”.  

Novos Desafios 

Tedros delineou os vários desafios apresentados pelo coronavírus, começando pelas subvariantes de Omicron, como a subvariante BA.4 e BA.5, que continuam a provocar hospitalizações e mortes a nível mundial. 

O chefe da OMS argumentou que a vigilância reduzida, incluindo a diminuição do uso de testes, tem tornado cada vez mais difícil avaliar o impacto das variantes na transmissão, as características da doença, e a eficácia das medidas para combater a doença.  

Tedros também comentou que existem diagnósticos, tratamentos e vacinas que não estão a ser aplicados eficazmente. 

“O vírus está a circular livremente, e os países não estão a gerir eficazmente a carga da doença com base na sua capacidade, tanto em termos de hospitalização para casos agudos como do número crescente de pessoas com síndrome pós-covid-19, frequentemente referido como covid longo”, disse ele.  

Destacou uma desconexão na perceção do risco da covid-19 entre as comunidades científicas, os líderes políticos e o público em geral, descrevendo esta preocupação como “um duplo desafio de comunicação do risco e de construção da confiança da comunidade nos instrumentos de saúde e nas medidas sociais de saúde pública, como a máscara, a distanciação e a ventilação”. 

Defesa de apoio 

O chefe da OMS defendeu que não devemos tomar por garantido os instrumentos que tenham prevenido as infeções, hospitalizações e mortes e que devemos continuar a usar máscaras, sistemas de ventilação superiores e protocolos de testes e tratamento. 

O responsável sublinhou a importância dos governos, principalmente os governos do G20, financiarem a OMS e o mecanismo de equidade das vacinas, o ACT-Accelerator; rever e ajustar os planos de resposta covid-19 com base na epidemiologia atual; inverter a redução da vigilância e testes; e partilhar eficazmente os medicamentos antivirais. 

“O planeamento e o combate à covid-19 devem também andar de mãos dadas com a vacinação contra doenças mortais como o sarampo, a pneumonia e a diarreia”, defendeu Tedros. “Não é uma questão de um ou outro, é possível fazer ambos”. 

Varíola dos macacos 

Passando à varíola dos macacos, o chefe da OMS disse aos jornalistas em Genebra que existem atualmente 9.200 casos em 63 países. Portugal é o 5º país europeu com mais casos registados (473) e no relatório da DGES de sexta-feira dia 8 de julho, o Estado português anunciou que tinha sido registado o primeiro caso de varíola dos macacos numa mulher no país. 

Nesta próxima semana, a Comissão de Emergência para a covid-19 voltará a reunir-se para examinar as tendências, o sucesso até agora das contramedidas e as próximas medidas para combater o surto. 

Entretanto, a OMS continua a combater o estigma em torno do vírus, a coordenar a partilha de vacinas, e a impulsionar a investigação e o desenvolvimento. 

“Sublinho mais uma vez que temos de trabalhar para parar a transmissão e aconselhar os governos a implementarem o rastreio de contactos para ajudar a localizar e conter o vírus, bem como para ajudar as pessoas no isolamento”, salientou Tedros.