António Guterres reiterou o seu apelo ao presidente da Federação Russa para que retire as suas tropas da Ucrânia. Foto ONU/Loey Felipe
As Nações Unidas vão disponibilizar de imediato 20 milhões dólares para atender as necessidades urgentes dos civis afetados pelo conflito russo-ucraniano.
Em declarações à imprensa, na sede da ONU em Nova Iorque, o secretário-geral da ONU, António Guterres, explicou que a Organização e os seus parceiros humanitários se comprometem em apoiar as pessoas na Ucrânia neste momento de necessidade: “os funcionários das Nações Unidas estão a trabalhar em ambos os lados da linha de contato, sempre guiados pelos princípios humanitários de neutralidade, imparcialidade, humanidade e independência.”
Guterres adiantou que está a ser fornecida “ajuda humanitária que salva vidas a pessoas necessitadas, independentemente de quem sejam ou onde estejam.”
Para as Nações Unidas a proteção dos civis deve ser a prioridade número um.
A Organização está a pedir financiamento urgente para o Plano de Resposta Humanitária de 2022, sendo necessários 190 milhões de dólares para atender às necessidades de 1,8 milhão de pessoas vulneráveis. Talinclui mais de um milhão em áreas controladas pelo governo da Ucrânia e 750.000 em áreas não controladas pelo governo. Desde o início de 2022, a ONU forneceu 140 toneladas métricas de assistência para salvar vidas através da linha de contato, apoiando milhares de pessoas necessitadas.
APELO
O líder da ONU enfatizou também que as operações militares russas dentro do território soberano da Ucrânia têm uma escala que a Europa não via há décadas e que “tais medidas unilaterais entram em conflito direto com a Carta das Nações Unidas.
A Carta é clara afirma Guterres: “Todos os membros devem abster-se nas suas relações internacionais de ameaça ou uso da força contra a integridade territorial ou independência política de qualquer Estado, ou de qualquer outra forma inconsistente com os Propósitos das Nações Unidas”.
O secretário-geral da ONU reafirmou veemente que a atual ofensiva militar “Está errada. É contra a Carta. É inaceitável. Mas não é irreversível. Repito meu apelo de ontem à noite ao presidente Putin: Pare a operação militar. Traga as tropas de volta para a Rússia. Conhecemos o preço da guerra. Com o aumento das mortes, vemos imagens de medo, angústia e terror em todos os cantos da Ucrânia. Pessoas – pessoas inocentes comuns – sempre pagam o preço mais alto.”
SISTEMA DA ONU
A alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, emitiu uma declaração sobre o ataque militar, afirmando que “esta ação militar viola claramente o direito internacional e coloca em risco inúmeras vidas de civis. Deve ser imediatamente interrompida.” A diplomata chilena lembrou ainda que os Estados que não tomam todas as medidas razoáveis para resolver as suas disputas internacionais através de meios pacíficos “não cumprem a sua obrigação de proteger o direito à vida”.
A UNICEF também pede a todas as partes que “se abstenham de atacar infraestruturas essenciais das quais as crianças dependem – incluindo sistemas de água e saneamento, instalações de saúde e escolas”.
O Programa Mundial Alimentar (PAM) expressou profunda preocupação “pelo impacto das hostilidades nas vidas e meios de subsistência dos civis”, lembrando que “à medida que a situação evolui, é necessário garantir que as comunidades afetadas tenham acesso contínuo a qualquer apoio humanitário de que possam precisar e que a segurança do pessoal humanitário no terreno seja garantida”, sublinha a diretora de emergências do PAM, Margot van der Velden.
Também o alto-comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, expressou grande preocupação com a “situação em rápida deterioração e a ação militar em andamento na Ucrânia”, e pediu aos países vizinhos que “mantivessem as fronteiras abertas para aqueles que procuram segurança e proteção”.
Durante visita à RD Congo, subsecretário-geral da ONU para Operações de Paz, Jean-Pierre Lacroix, afirmou que Nações Unidas e autoridades do país devem cooperar para garantir segurança na parte leste do território congolês.
Maputo acolhe nesta sexta-feira, 25 de fevereiro, uma mesa redonda sobre a importância do aumento de investimento no desenvolvimento da primeira infância em Moçambique.
Dados do Unicef indicam que os primeiros anos de vida de uma criança têm um impacto no desenvolvimento do cérebro, na saúde física e mental.
Dados do Unicef indicam que os primeiros anos de vida de uma criança têm um impacto no desenvolvimento do cérebro, na saúde física e mental
Sociedade civil
Para agência, o investimento nesta área é importante e urgente. Tomoko Shibuya, chefe de educação no Unicef fala da expectativa do encontro que junta para além das agências, o governo e membros da sociedade civil.
“Nós estamos a preparar esta segunda mesa redonda para desenvolvimento da pequena infância, sobretudo para a discussão ao alto nível, para aumentar o investimento. Diferentes lados das sociedades estão convidados para que juntos possam encontrar solução para mobilizar mais investimentos nesta área importante.”
Passam sete meses após a realização da primeira mesa redonda em julho de 2021. Falando à ONU News em Maputo, Tomoko Shibuya citou a importância de investimento na área de desenvolvimento da pequena infância.
“Há evidências que mostram que investido US$ 1 no desenvolvimento da pequena infância terá retorno de US$ 7 a 17. Então como este retorno não é imediato muitas vezes, os países, podem esquecer de fazer este investimento. Investir na primeira infância hoje, pode ter mais impacto sobre o desenvolvimento de pais.”
O evento, pretende elevar as discussões sobre a importância do aumento de investimento no Desenvolvimento da Primeira Infância, DPI, assim como estabelecer uma plataforma de convergência entre setores do Governo e parceiros.
Dentre vários desafios, o Unicef acredita que no final do encontro poderão obter soluções com vista aumentar a consciência sobre a importância de investir em DPI.
“Como Unicef estamos a priorizar a rede de desenvolvimento da primeira infância, estamos a fazer esforço na área de educação de pequena infância, saúde e nutrição, também proteção social para as crianças…então juntando as mãos, esforços, acho que teremos mais possibilidades de Moçambique alcançar as metas do ODS”
A iniciativa da 2ª Mesa Redonda de DPI é organizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e a Rede para o Desenvolvimento da Primeira Infância, Rdpi.
Secretário-geral faz novo apelo ao presidente da Rússia para parar a operação militar contra o país vizinho; António Guterres diz que ONU colocou US$ 20 milhões para socorrer ucranianos afetados.
Coordenadora da organização no país, Osnat Lubrani, expressa solidariedade com a população após entrada de tropas militares russas; alto-comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, menciona as famílias que já começaram a abandonar suas casas à procura de segurança; Unicef destaca que conflito é uma ameaça à vida de 7,5 milhões de crianças.
“Presidente Putin, emnome da humanidade, leve as suastropas de volta para a Rússia. Emnome da humanidadenãopermita que comecena Europa aquela que pode ser a piorguerradesde o início do século, com consequênciasnãosódevastadoras para a Ucrânia, nãosótrágicas para a Federação Russa, mas com um impacto que nãopodemossequerprever.” – António Guterres
Enquanto o Conselho de Segurança da ONU se reunia, para abordar a escalada do conflito russo-ucraniano, o presidente da Federação Russa anunciou uma “missão especial militar” na Ucrânia despertando este apelo urgente do secretário-geral da ONU para que o Prezidente da Rússia.
@UN Photo/Mark Garten. O secretário-geral da ONU após o anúncio de Putin de uma “missão especial militar”.Tendo as autoridades ucranianas aprovado hoje o estado de emergência e confirmado ciberataques de grande escala a instituições públicas, a subsecretária-geral da ONU para os Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo reportou “bombardeamentos… baixas civis e militares…[e] ataques a infraestruturas civis” na Ucrânia, tendo Guterres afirmado que poderemos viver “momentos muito, muito difíceis.”
O Conselho de Segurança
Durante a reunião de emergência do Conselho de Segurança vários Estados-membros clarificaram as suas posições em relação a este conflito.
A representante permanente dos Estados Unidos da América junto das Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, afirma que testemunhamos agora “um momento perigoso” e apela à Rússia que “mande as suas tropas, os seus tanques e as suas frotas de volta” para casa e que “mande os seus diplomatas para a mesa de negociação… antes que seja tarde de mais.”
Esta posição foi igualada pelas posições da França e do Reino Unido. O representante permanente da França junto das Nações Unidas, Nicolas de Revière, chamou o ataque à Ucrânia ‘um golpe injustificado à paz e à segurança no coração da Europa” e a representante permanente do Reino Unido junto das Nações Unidas, Barbara Woodward, defendeu o compromisso do Reino Unido para com a “integridade territorial e soberania da Ucrânia” e com os “propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas” especificando o “princípio base [das Nações Unidas] de que devemos viver todos juntos como bons vizinhos.”
@REUTERS/Carlo Allegri. As representantes permanente do Reino Unido e dos Estados Unidos da América junto das Nações Unidas na reunião de emergência do Conselho de Segurança.
O representante permanente da Ucrânia junto das Nações Unidas, Sergiy Kyslytsya, proclama claramente e fortemente que o presidente russo, Vladimir Putin, “declarou guerra no meu país”, dizendo que “é tarde de mais” e solicitou que a Federação Russa “renuncie as responsabilidades de Presidente do Conselho de Segurança e as transfira para um membro responsável do Conselho que… respeite a Carta das Nações Unidas.” Numa das declarações mais marcantes desta reunião, Sergiy Kyslytsya anunciou que “não há purgatório para os criminosos de guerra. Eles vão diretamente para o inferno.”
@UNTV. O representante permanente da Ucrânia junto das Nações Unidas na reunião do Conselho de Segurança.
As Nações Unidas na Ucrânia
A subsecretária-geral da Nações Unidas para os Assuntos Políticos, DiCarlo, confirmou que os funcionários da ONU permanecerão no terreno para prestarem assistência humanitária ao povo da Ucrânia, acrescentando que as Nações Unidas estão “determinadas em ficar e apoiar” a Ucrânia e os seus cidadãos, reforçando o dever de “todas as partes em assegurarem a segurança e proteção” e de respeitarem o “direito internacional humanitário e o direito internacional dos direitos humanos”.
Por fim, o secretário-geral da ONU apela o Conselho de Segurança a “abordar esta situação” e informa a Rússia que “este conflito tem de parar agora“, citando este momento como “o momento mais triste” do seu mandato como secretário-geral das Nações Unidas.
As exportações de armas para os governantes militares em Mianmar pelos Estados membros da ONU devem parar. Foi o que afirmou o especialista independente da ONU sobre a situação dos direitos humanos no país nesta terça-feira.
Em um relatório ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em Genebra, o relator especial Tom Andrews insistiu que as armas vêm sendo usadas contra civis.
Foto: Asian Development Bank/Lester Ledesma
Residentes de Yangon, Mianmar, em um trem para sair da cidade.
Comércio de armas
Ele também pediu que o Conselho de Segurança da ONU concorde com uma sessão de emergência para votar uma resolução para proibir esse comércio.
Para Tom Andrews, deve ser “incontestável” que as armas usadas para matar civis não sejam mais enviadas para Mianmar. Ele adicionou que a transferência de armamentos ao país é chocante.
Segundo o relator, para cessar os crimes da junta militar, é necessário bloquear o acesso a armas. Ele afirmou que quanto mais tempo demorar, mais inocentes, incluindo crianças, morrerão em Mianmar.
Andrews identificou China, Rússia e Sérvia como países que forneceram armas aos governantes militares de Mianmar desde que tomaram o poder em um golpe, em fevereiro do ano passado.
As armas incluem caças, veículos blindados, foguetes e artilharia.
Famílias na mira
De acordo com o relator, “o povo de Mianmar está implorando à ONU que atue”.
Em sua mensagem, ele ressaltou que a população “merece uma votação em uma resolução do Conselho de Segurança para impedir a venda de armas usadas para matá-los”, independente do resultado.
O relatório também cita países que autorizaram a transferência de armas para Mianmar desde 2018, época em que crimes contra a minoria étnica rohingya foram amplamente documentados.
*Relatores especiais são nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para monitorar e relatar situações específicas de países ou questões temáticas. Eles operam de forma individual e não são funcionários da ONU nem recebem salário da Organização.
Chefe da ONU fez um apelo direto ao líder da Rússia, Vladimir Putin, após o enceramento de reunião de emergência no Conselho de Segurança; países-membros do Conselho pediram diálogo imediato para evitar conflito com Ucrânia; resolução deve ser avaliada nesta quinta-feira.
Relatório do Escritório de Direitos Humanos da ONU aponta que alguns projetos têm causado danos sociais e ambientais; iniciativas devem evitar contribuir com planos que ferem direitos fundamentais; vítimas têm de ser indenizadas.
Pelo menos 84 países devem assumir a tribuna nesta quarta-feira; ministro das Relações Exteriores da Ucrânia afirma que “agressão russa não irá parar na Ucrânia”; secretário-geral diz que crise é a pior dos últimos anos na área da paz e segurança; presidente da Assembleia Geral pede respeito pela Carta da ONU e emprego da diplomacia.
Das zonas maisprofundas dos oceanosaosalimentos e à água que consumimos, osmicroplásticosestãopresentes em todo o lado e apresentam uma ameaça crescente para a saúde humana e do planeta.
Osmicroplásticos, que podemteratécincomilímetros de diâmetro, entram no oceanoatravés da decomposição de lixomarinho, o escoamento das canalizações, as fugas das fábricas e outras fontes.
Quando ingeridos pela vidamarinha, tais como as aves, ospeixes, osmamíferos e as plantas, osmicroplásticostêmefeitostóxicos, causando problemas como a redução do consumoalimentar, aasfixia, as alteraçõescomportamentais e a alteraçãogenética.
Para além de entraremnacadeiaalimentaratravés dos mariscos, os microplásticos podem ser inalados pelo ar, ingeridos através da água ou absorvidos através da pele. Osmicroplásticosforamencontradosemváriosórgãoshumanos, e mesmona placenta dos recém-nascidos.
O relatório de 2021 do PNUMA Da Poluição à Soluçãoadverte que osquímicosnosmicroplásticos “estãoassociados a graves impactosnasaúde, especialmentenasmulheres“. Estes podemincluiralteraçõesnagenéticahumana, desenvolvimento cerebral e frequências respiratórias, entre outros problemas de saúde.
A chefe do Departamento Marinho e de Agua Doce do PNUMA afirma que “os impactos dos químicos perigosos e dos microplásticos na fisiologia tanto dos seres humanos como dos organismos marinhos ainda são incipientes e devem ser uma prioridade nesta Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável“.
A chefe acrescenta ainda que “no entanto, aação que limita a propagação e prevalência dos microplásticosserásemdúvidabenéfica para a nossasaúde a longoprazo e para o bem-estar dos ecossistemasmarinhos e nãosó”.
Para a campanha Mares Limposdo PNUMA, destacarestaquestão é fundamental. Antes do inicio da sessão da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA 5.2) de 28 de Fevereiro a 2 de Março, tera lugarem Nairobi, Quénia, a campanha Mares Limposestá a tomarcomofocoosmicroplásticos para instruir os consumidores sobre umcomportamentoseguro, impulsionarmudançaspolíticas e salvaguardar o ambiente.
“Osimpactos dos químicosperigosos e dos microplásticosnafisiologia tanto dos sereshumanoscomo dos organismosmarinhosaindasão incipientes e devem ser priorizados e aceleradosnestaDécada da Ciência Marina para o DesenvolvimentoSustentável“
As beatas de cigarro libertam microplásticos que têm impacto na saúde e nos serviços dos ecossistemas. Foto: Unsplash / Brian Yurasitis
Filtros de cigarro
Osmicroplásticosconhecidoscomofibras de acetato de celuloseabrangem a maioria dos filtros de cigarro. Com seis bilhiões de cigarros consumidosanualmentepor mil milhões de fumadores, estasfibrasatingemtodosos cantos do mundo. As beatas de cigarro são o lixoplásticomaiscomumnaspraias, tornandoosecossistemasmarinhosaltamentesuscetíveis aosmicroplásticos.
Quando se decompõem, os cigarros libertam microplásticos, metais pesados e muitas outras substâncias químicas que impactam a saúde dos ecossistemas.
A nova parceria da campanha Mares Limpos com o Secretariado da Organização Mundial de Saúde para Convencao-Quadro para o Controlo do Tabaco (OMS FCTC) temcomoobjetivocatalisar a mudançaaonível dos consumidores, decisorespolíticos e empresas. Ao aproveitarosconhecimentosespecializados da OMS FCTC, a campanha Mares Limposencoraja o desenvolvimento de estratégiasreguladoras que abordam o impacto dos cigarros nasaúdehumana e naprodução em massa.
Os peritos recomendam que se volte a usar a roupa com mais frequência e que se a lave com menos frequência. Foto: Unsplash / Dan Gold
Roupa e têxteis
Os plásticos – incluindo o poliéster, o acrílico e o nylon – englobam aproximadamente 60% de todos os materiais utilizados na confeção de vestuário. Devido ao desgaste, o vestuário e os têxteis com estes materiais libertam microplásticos conhecidos como microfibras quando lavados ou usados. De acordo com um relatório do PNUMA de 2020 que mapeia a cadeia global de valor têxtil, cerca de 9% das perdas anuais de microplásticos para o oceano provêm do vestuário e outros têxteis.
Para reduzir estas perdas, os peritos recomendam que se reutilize roupa com mais frequência e que se a lave com menos frequência. Ao comprar novas peças de vestuário e/ou optar por materiais naturais de origem sustentável pode diminuir ou eliminar a ameaça da libertação de microplásticos – embora tal possa gerar outros compromissos ambientais.
A longo prazo, o PNUMA e outras agências da ONU, que participam na Aliança das Nações Unidas para a Moda Sustentável, continuarão a impulsionar uma ação coordenada na indústria. Também defenderão, através da ação governamental, a transição para uma cadeia de valor têxtil sustentável e circular com o mínimo de microplásticos. O PNUMA está a trabalhar num quadro de referência da moda sustentável que destaca as ações principais que as partes interessadas podem tomar, bem como orientações para melhorar as medidas de comunicação para impulsionar a mudança de comportamentos.
Outras organizações, como a Fundação Sopa de Plástico, estão também a contribuir para reduzir a prevalencia dos microplásticos.
De acordo com a chefe da Unidade de Consumo e Produção do PNUMA, Elisa Tonda, é necessário envolver todas as partes interessadas para transformar a indústria têxtil numa indústria circular e para resolver a emanação de microplásticos dos têxteis.
Elisa Tonda defende que “os decisores políticos precisam de implementar uma governação e política mais forte, bem como criar um ambiente político que incentive o design de tecidos e vestuário sustentáveis e promova uma abordagem mais rígida para a determinação da libertação de microplásticos de diferentes produtos têxteis e alternativas adequadas”.
As partículas plásticas dos cosméticos podem ser absorvidas pela pele ou directamente ingeridas. Foto: Unsplash pmv chamara
Cosméticos
Cosméticos e produtos de higiene pessoal são outros produtos de higiene básica que podem estar carregados de microplásticos. Estes produtos contêm frequentemente microplásticos primários, que são intencionalmente fabricados e adicionados, muitas vezes para fornecer textura – desde os higienizadores de mãos e sabão aos desodorizantes e pastas de dentes.
As partículas plásticas destes produtos podem ser absorvidas pela pele ou, no caso de produtos como o batom ou o bálsamo para os lábios, diretamente ingeridas. Os microplásticos que permanecem na pele são eventualmente levados pelo esgoto e podem chegar ao oceano.
De acordo com o relatório Panorama dos Químicos Globais II do PNUMA, quantidades significativas de microplásticos nos cosméticos e outras fontes são mais prováveis de entrar na água corrente em áreas com instalações de tratamento de águas residuais inadequadas.
O relatório observa ainda que alguns agentes esfoliantes contêm mais de 10% de microesferas – um tipo de microplástico primário. Além disso, num estudo recente, a campanha Beat theMicrobead da Fundação Sopa de Plástico descobriu que 83 por cento das 138 marcas de higienizadores e gel para as mãos continham microplásticos.
Segundo o encarregado da campanha de microplásticos da Fundação Sopa de Plástico, MadhuriPrabhakar, a redução do uso, a compra de produtos com o mínimo de embalagem e a análise das listas de ingredientes são algumas formas em que os consumidores podem limitar a sua potencial exposição a microplásticos.
O projeto interativo “O que há na sua casa de banho?” da campanha Mares Limpos mostra a prevalência do plástico nos produtos de cuidados pessoais comuns para encorajar os consumidores a optarem por alternativas amigas do ambiente.
As empresas e os fabricantes também têm a responsabilidade de diminuir o uso primário de microplásticos. Abordar a questão de forma significativa requer ação a partir da fase de conceção do produto, de acordo com o Relatório de Avaliação sobre Questões de Preocupação do PNUMA.
Prabhakar acrescenta que gerar uma “definição à prova de futuro para microplásticos“, será essencial no lobbying de governos e empresas para a mudança e potenciais proibições ou restrições.
Virar a página
Através deste novo foco, a campanha Mares Limpos visa impulsionar a mudança tanto para os consumidores como para os decisores políticos e as empresas.
As suas parcerias com várias organizações e empresas pode encorajar mudanças no estilo de vida e na indústria e levar a uma maior mobilização para a investigação essencial. Pode também reforçar o nosso conhecimento limitado dos verdadeiros impactos dos microplásticos na saúde humana e ajudar a identificar os melhores caminhos para o futuro.
Dada a sua prevalência e nos artigos domésticos quotidianos, encontrar respostas às complexas ameaças dos microplásticos é um desafio crítico e urgente.
Os países e as empresas podem aderir à campanha Mares Limpos, bem como ao Compromisso Global da Nova Economia do Plástico, para fazer promessas e compromissos ambiciosos com o objetivo de combater todos os aspetos do lixo marinho e da poluição plástica. Os indivíduos podem também assumir o compromisso de reduzir a sua pegada de plástico. Juntos, podemos fazer as mudanças necessárias para reduzir os impactos dos plásticos e microplásticos sobre o ambiente e a saúde humana.
A campanha Mares Limpos do PNUA é a maior e mais poderosa coligação mundial dedicada a acabar com a poluição plástica marinha. Conecta e mobiliza indivíduos, grupos da sociedade civil, a indústria e os governos para catalisar a mudança e transformar hábitos, práticas, normas e políticas em todo o mundo para reduzir drasticamente o lixo marinho e os seus impactos negativos.
A Convenção da Organização Mundial de Saúde para a Convenção-Quadro para o Controlo do Tabaco (OMS FCTC) é o primeiro tratado global de saúde pública e é um dos tratados mais rápidamente adotados na história das Nações Unidas. Foi desenvolvido em resposta à globalização da epidemia do tabaco e é um tratado baseado na ciência que reafirma o direito de todas as pessoas ao mais alto padrão de saúde.
A Aliança das Nações Unidas para a Moda Sustentável é uma iniciativa das agências da ONU, incluindo o PNUMA, e organizações aliadas concebidas para contribuir para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável através de uma ação coordenada no setor da moda. Especificamente, a aliança apoia a coordenação entre organismos da ONU que trabalham no setor da moda e na promoção de projetos e políticas.
O UNEP e a Fundação Ellen McArthur co-lideram o Compromisso Global, estabelecendo uma visão partilhada de uma economia circular para o plástico. Tem 500 signatários – incluindo produtores de plásticos, instituições financeiras e governos – que se comprometeram com metas ambiciosas em 2025 para alcançar uma economia circular.
A Parceria Global sobre Lixo Marinho do PNUMA é uma parceria entre partes interessadas que reúne todos os atores que trabalham na prevenção do lixo marinho e da poluição por plásticos. O PNUMA está a desenvolver uma Plataforma Digital para partilhar conhecimentos e experiências e ações catalisadoras.
Natureza para a Saúde Humana e do Ecossistema é um dos temas-chave da sessão retomada da Assembleia do Ambiente da ONU (UNEA5.2) a realizar de 28 de Fevereiro a 2 de Março de 2022. A UNEA é o órgão de decisão ambiental mais importante do mundo. Através das suas resoluções e apelos à ação, a Assembleia proporciona liderança e catalisa a ação intergovernamental sobre o ambiente.
Os incêndios florestais deverão aumentar em 50% até 2100, de acordo com um novo relatório do Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, lançado nesta quarta-feira. Os autores do estudo alertam: os governos não estão preparados e precisam mudar radicalmente a maneira como tentam prevenir este tipo de desastre natural.
O estudo revela ainda que o Ártico e outras regiões que antes não eram afetadas estão agora com um alto risco de enfrentarem incêndios. Segundo os especialistas, o financiamento para prevenção do problema não está sendo aplicado onde deveria.
Reduzir riscos
Foto: Unsplash/Matt Palmer
Mudança climática aumenta o risco de grandes incêndios devido ao clima seco.
A diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen, declarou que “bombeiros e outros trabalhadores da linha de frente estão arriscando suas vidas para combater incêndios florestais e precisam de apoio”.
A chefe do Pnuma destaca também a importância de “minimizar os riscos de fogos florestais extremos” e para isso, preparação é essencial. Andersen pede mais investimentos na redução de riscos de incêndios, trabalho com comunidades locais e reforço do compromisso global de luta contra a mudança climática.
O relatório “Se espalhando como fogo: a crescente ameaça dos extraordinários incêndios florestais” está sendo lançando antes da Assembleia do Meio Ambiente da ONU, que acontecerá em Nairobi, no Quênia, entre 28 de fevereiro e 2 de março. Representantes de 193 países estarão no evento.
Impactos em nações mais pobres
San Francisco Fire Department
Incêndio florestal na Califórnia em 2020.
Segundo o Pnuma, os incêndios florestais afetam as nações mais pobres do mundo de forma desproporcional, com impactos que persistem mesmo após o fogo ter sido controlado. Com isso, os progressos para o desenvolvimento sustentável são prejudicados e as desigualdades sociais aumentam.
O relatório da agência da ONU lembra ainda que a saúde das pessoas é afetada diretamente, uma vez que os incêndios podem causar problemas respiratórios e cardiovasculares. Outro problema é o custo para reconstruir o que foi destruído pelo fogo, principalmente nos países de renda baixa.
Os incêndios florestais também têm causado enormes danos ao ecossistema, colocando diversas espécies de plantas ou de animais em risco de extinção. O estudo do Pnuma menciona os incêndios ocorridos na Austrália em 2020, que acabaram com bilhões de animais domésticos e selvagens.
O documento faz uma ligação direta entre mudança climática e maior risco de incêndios, devido ao aumento das secas, da alta temperatura do ar, da baixa umidade relativa, raios e fortes ventos, que resultam em temporadas de fogo mais quentes, mais secas e mais longas.
Mudança no padrão de investimento
Departamento contra Incêndios de São Francisco
Bombeiros na Califórnia e em outras partes da costa oeste dos Estados Unidos tentaram conter incêndios florestais.
O Pnuma sugere uma combinação de dados e de monitoramento científico juntamente com conhecimentos dos povos indígenas, para uma cooperação regional e internacional mais forte.
Aos governos, é feito um apelo para que adotem a chamada “Fórmula Pronta para o Fogo”, com dois terços do investimento direcionado para planejamento, prevenção, preparo e recuperação, e um terço do dinheiro sendo usado para trabalhos de resposta.
Atualmente, metade das despesas relacionadas ao problema é gasta em trabalhos de resposta, sendo que menos de 1% é utilizado para prevenir incêndios. Os autores do relatório querem que seja também melhorado o padrão global para segurança e saúde de bombeiros, reduzindo as ameçadas enfrentadas durante o combate ao fogo.
O estudo do Pnuma sugere maior conscientização sobre os riscos de inalar fumaça e garantias de que esses profissionais recebam hidratação e nutrição adequadas, além de descanso e tempo de recuperação entre as jornadas de trabalho.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, confirmou o destacamento de tropas da Federação Russa na Ucrânia Oriental para uma alegada “missão de paz” que de acordo com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, representa uma “violação da integridade territorial e da soberania da Ucrânia” e uma clara falta de cumprimento da Carta das Nações Unidas e dos Acordos de Minsk.
De acordo vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, “acordámos hoje perante um dos dias mais negros da história da Europa. Mas como é que chegamos a este ponto? E quais são as potenciais consequências “catastróficas” de um conflito militar na Europa?
CAUSAS
A tensão russo-ucraniana não é um fenómeno recente. O representante permanente da Ucrânia junto das Nações Unidas, Sergiy Kyslytsya, quando questionado pela imprensa sobre a presença de tropas na Ucrânia, afirmou firmemente que a presença de tropas russas naquele país acontece desde 2014: “Basicamente o que temos agora é uma tentativa da Federação Russa de legalizar uma situação que já existe a 8 anos”, explica o diplomata.
@UN Photo/Evan Schneider. O representante permanente da Ucrânia Junto das Nações Unidas, Sergiy Kyslytsya presta declarações à imprensa após a reunião de emergência do Conselho de Segurança.
Mas apesar das tropas russas estarem presentes na Ucrânia só desde 2014, especificamente na Crimeia, a crise russo-ucraniana remonta aos anos 90 – à altura da dissolução da União Soviética- da qual ambas, Ucrânia e Federação Russa, faziam parte. Nessa altura, uma série de protocolos, incluído o primeiro Acordo de Minsk e o Protocolo de Lisboa de 1992, foram desenvolvidos e assinados para assegurar que, em troca da devolução de centenas de armas nucleares de Kiev, Moscovo não iria atacar a Ucrânia. no entanto, em 2014, com a anexação da Crimeia, todos estes acordos foram-se desrespeitados tendo o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia argumentado que “as garantias de segurança [assinaladas no Acordo de Minsk] foram dadas ao governo legítimo da Ucrânia, mas não às forças” atuais. Consequentemente, desde 2014 que os cidadãos ucranianos vivem com um constante receio de uma invasão russa.
Porquê agora? Com a expansão da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) nos últimos anos para os países da Europa do Leste, em 2021, vários membros desta organização, tal como Espanha, a Lituânia e a Letónia demonstraram o seu apoio para a integração da Ucrânia. No entanto, a Rússia expressou que uma integração da Ucrânia seria “inaceitável”. Estas declarações e o possível estatuto da Ucrânia como Estado-membro da NATO agravaram as tensões entre os Estados Unidos, a NATO e a Rússia. Com esta escalada rápida mas progressiva chegamos ao dia de hoje, onde a Federação Rússia confirmou a sua presença na Ucrânia, nas regiões de Donetsk e Luhansk, onde existem movimentos pro-Rússia independentes e onde também se encontram missões das Nações Unidas. As regiões separatistas de Donetsk e Luhansk, onde forças ucranianas e separatistas apoiadas pela Rússia estão em conflito desde 2014, foram reconhecidas ontem pela Federação Russa como soberanas e independentes, num passo final para a transgreção total dos Acordos de Minsk.
CONSEQUÊNCIAS
O secretário-geral das Nações Unidas, no discurso de abertura da Conferencia de Segurança de Munique afirmou que um conflito militar na Europa entre a Rússia e a Ucrânia seria “catastrófico”. Um conflito desta dimensão terá repercussões significativas não só para os países diretamente envolvidos, mas também para a Europa e o mundo inteiro. A representante permanente dos Estados Unidos da América Junto da ONU, Linda Thomas-Greenfield afirmou que as consequências das ações russas serão sentidas “muito para além das fronteiras da Ucrânia“.
@UN Photo/Evan Schneider. Representante Permanente dos Estados Unidos junto das Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield na reunião de emergência do Conselho de Segurança.
Para além das sanções já anunciadas pelo Reino Unido, a Alemanha e os Estados Unidos, há também outros Estados-membros que já declararam a sua intenção de sancionar a Rússia. O que poderá agravar um potencial êxodo massivo de homens, mulheres e crianças ucranianas que fogem das tropas russas. Esta enchente de refugiados impactará toda a Europa e particularmente os Estados-membros europeus, que, de acordo com os princípios das Nações Unidos, definidos na sua Carta, e sublinhados nas declarações do alto-comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, têm a “responsabilidade e obrigação de receber e proteger os refugiados no seu próprio território.”
Guterres, num comunicado publicado horas após o deslocamento de tropas russas para a zona de Donetsk e de Luhansk, apela a “todos os atores relevantes a concentrarem os seus esforços em assegurar a cessação imediata das hostilidades, a proteção dos civis e das infraestruturas civis, a prevenção de quaisquer ações e declarações que possam agravar ainda mais a situação perigosa na Ucrânia e nas suas redondezas e a prioridade da diplomacia na abordagem pacífica de todos os problemas.”
Apoiado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, veleiro Flipflopi navegará por duas semanas no arquipélago de Lamu, no Quênia; além de mapear o impacto dos resíduos plásticos, projeto busca interação com comunidades para criar soluções; agência da ONU avalia que 11 milhões de toneladas são jogadas nos ecossistemas aquáticos, anualmente.
Emília Carlota Dias participou de evento da União Interparlamentar nas Nações Unidas sobre recuperação sustentável; ela falou à ONU News que o tempo de a mulher ficar à margem de processos decisórios acabou; país tem quase 30% de mulheres no Parlamento.