Especialistas da ONU em meio ambiente sugerem a criação de um novo mecanismo de recuperação para lidar com os efeitos ambientais que impactaram de forma incalculável as comunidades locais após um vazamento de petróleo no Peru.
Em 15 de janeiro, uma refinaria derramou pelo menos 11,9 mil barris de combustível no mar depois da explosão do vulcão em Tonga. O incidente ocorreu perto da localidade de Ventanilla, a cerca de 20 km ao norte da capital peruana, Lima.
Foto: Presidência do Peru.
Vazamento de petróleo aconteceu no mar e na área costeira na província de Callao.
Fauna
O governo declarou uma emergência ambiental. Mais de 1,4 mil hectares de mar e terra e 500 hectares de reservas de fauna marinha foram atingidos. Todos em áreas naturais protegidas. O acidente contaminou cerca de 80 km da costa. O desastre está sendo considerado o maior na história recente do país. Técnicos internacionais recomendaram gestão dos impactos ambientais, sociais e humanitários do derramamento, além do reforço de estruturas nacionais de preparação e resposta a desastres.
As Nações Unidas prometem continuar apoiando a resposta do Peru pelos próximos meses, em ações como a avaliação do impacto social do desastre. Os efeitos do derramamento se estenderam à vida selvagem e aos recursos naturais resultando em prejuízos a famílias que vivem da pesca e atividades do turismo. De acordo com a missão de especialistas da ONU, ainda não houve uma avaliação dos danos do desastre.
Foto: Presidência do Peru.
Vista aérea da região afetada pelo vazamento de petróleo na costa do Peru.
Danos
O grupo aponta a urgência “para conhecer melhor os danos sofridos, as necessidades atuais, o impacto no modo de vida, e ter uma ideia do gênero, idade e localização da população que passa necessidades.”
A prioridade deve ser para uma análise da demanda dos afetados, que assegure a “possibilidade de realização de mecanismos de comunicação e participação das comunidades em planos de assistência e recuperação socioeconômica”.
O estudo lembra a responsabilidade do Estado de criar canais formais de participação e comunicação com a população que levem implementação de soluções assegurando também altos padrões de prestação de contas e transparência.
Os especialistas foram convidados pelo Peru para uma análise rápida do impacto socioambiental e ajuda às autoridades na gestão e coordenação da resposta de emergência.
Foto: Presidência do Peru.
Acidente ocorreu em Ventanilla, no Peru.
Reduzir o risco
O grupo enfatizou contenção, mitigação e limpeza da área, gestão e coordenação da contingência nas áreas ambiental, socioeconômica e humanitária e recomendações sobre como reduzir o risco de futuros vazamentos de petróleo no oceano.
A análise enfatiza que a contaminação de zonas costeiras e litorais podem ter um efeito negativo, de longo prazo, em mariscos e conchas. Por isso, os técnicos sugerem um plano de monitoramento ambiental que determine quando será mais seguro retornar às praias e consumir os produtos marinhos.
Tendo em conta as possíveis dificuldades nas ações de resposta ao desastre, a recomendação é que o Sistema de Comando de Incidentes fique a cargo desse novo mecanismo e administre futuras emergências com empresas responsáveis pela limpeza.
Os especialistas pedem que entidades nacionais tenham maiores capacidades para finalizar uma avaliação inicial, além de definir necessidades de um novo plano de contingência para enfrentar este tipo de desastres ambientais envolvendo diversos setores nacional.
Heber López Vásquez foi assassinado no dia 10, no estado de Oaxaca; segundo Observatório da agência da ONU, 13 profissionais de Comunicação foram mortos em um ano no país.
por António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas
Enquanto secretário-geral das Nações Unidas, passo muito do meu tempo a conversar com líderes mundiais e a manter-me a par das tendências globais.
Está claro para mim que vivemos um momento decisivo nas relações internacionais.
A tomada de decisão a nível internacional é atormentada por impasses – e na sua origem reside um paradoxo fundamental.
Por um lado, muitos dos líderes mundiais de hoje reconhecem as nossas ameaças comuns – o covid-19, o clima, o desenvolvimento não regulamentado de novas tecnologias. Todos concordam que é necessário agir. No entanto, esse entendimento comum não é acompanhado por uma ação comum.
Na verdade, as divisões continuam a aprofundar-se.
São visíveis em todo o lado: na distribuição injusta e desigual de vacinas; num sistema económico mundial manipulado contra os pobres; na resposta totalmente inadequada à crise climática; na tecnologia digital e numa indústria de media que lucra com a divisão; e numa crescente instabilidade e conflito em todo o mundo.
Então, se o mundo reconhece o diagnóstico destes problemas comuns, porque não é eficiente na sua resolução?
Identifico duas razões fundamentais.
Em primeiro lugar, porque a política externa muitas vezes se torna numa projeção da política interna.
Enquanto ex-primeiro-ministro, sei que, apesar das boas intenções, os assuntos internacionais podem ser desviados pela política interna. Os interesses nacionais subjacentes podem facilmente superar um interesse global maior.
Esse impulso é compreensível, mesmo que seja mal orientado nos casos em que a solidariedade é do interesse próprio de um país.
As vacinas são um excelente exemplo.
Todos percebem que um vírus como o covid-19 não respeita fronteiras nacionais. Precisamos de uma vacinação universal para reduzir o risco do surgimento de novas e mais perigosas variantes que afetarão todos, em todos os países.
Em vez de dar prioridade a vacinas para todos através de um plano global de vacinação, os governos agiram para proteger a sua população. Mas isso é apenas meia parte de uma estratégia.
É claro que os governos devem garantir a proteção da sua população. No entanto, se não trabalharem em simultâneo para vacinar o mundo, os planos nacionais de vacinação podem tornar-se inúteis à medida que surgem e se espalham novas variantes.
Em segundo lugar, muitas das instituições ou estruturas mundiais de hoje estão desatualizadas ou simplesmente enfraquecidas e as reformas necessárias são impedidas por divisões geopolíticas.
Por exemplo, a autoridade da Organização Mundial da Saúde não está mais próxima do que é necessário para coordenar a resposta a pandemias mundiais.
Ao mesmo tempo, as instituições internacionais com mais poder ou estão paralisadas pela divisão – como o Conselho de Segurança – ou são antidemocráticas – como muitas das nossas instituições financeiras internacionais.
Em suma – a governação mundial está a falhar exatamente no momento em que o mundo deveria unir-se para resolver problemas globais.
Precisamos de agir em conjunto pelos interesses nacionais e mundiais, na proteção de bens públicos mundiais essenciais, tais como a saúde pública e um clima habitável, que apoiem o bem-estar da humanidade.
Essas reformas são essenciais se quisermos cumprir aspirações comuns para os nossos objetivos coletivos de paz, desenvolvimento sustentável, direitos humanos e dignidade para todos.
Este é um exercício difícil e complexo que deve ter em consideração as questões de soberania nacional.
Mas a inação não é uma opção aceitável. O mundo precisa desesperadamente de mecanismos internacionais mais eficazes e democráticos que possam resolver os problemas das pessoas.
Como a pandemia nos ensinou, os nossos destinos estão interligados. Quando deixamos alguém para trás, corremos o risco de ficarmos todos para trás. As regiões, os países e as pessoas mais vulneráveis são as primeiras vítimas desse paradoxo da política mundial. Mas todas as pessoas, em todos os lugares, ficam estão diretamente ameaçadas.
A boa notícia é que podemos fazer algo em relação aos nossos desafios globais.
Os problemas criados pela humanidade podem ser resolvidos pela humanidade. Em setembro passado, publiquei um relatório sobre estas questões. A Nossa Agenda Comum é um ponto de partida; um guião que pretende unir o mundo para enfrentar esses desafios de governação e revigorar o multilateralismo para o século XXI.
A mudança não será fácil, nem acontecerá da noite para o dia. Mas podemos começar a encontrar áreas de consenso e a avançar na direção do progresso.
Este é o nosso maior teste, porque muito está em jogo.
Já estamos a ver as consequências. À medida que as pessoas começam a perder a confiança na competência das instituições, também correm o risco de perder a fé nos valores subjacentes a essas instituições.
Em todos os cantos do mundo, vemos uma erosão da confiança e temo uma degradação dos valores que partilhamos.
Injustiça, desigualdade, desconfiança, racismo e discriminação estão a lançar sombras escuras em todas as sociedades.
Devemos reforçar a dignidade e a decência humanas e dar respostas às ansiedades das pessoas.
Perante as crescentes ameaças interligadas, o enorme sofrimento humano e os riscos partilhados, temos a obrigação de as denunciar e agir para apagar o fogo.
O dia do casamento de uma mulher é suposto ser um dos mais felizes da sua vida, celebrando o amor e o compromisso entre ela e a pessoa com quem escolheu casar de livre vontade.
No entanto, para demasiadas raparigas em todo o mundo, as suas capacidades para fazerem essa escolha foram-lhes negadas, sendo forçadas a casarem-se ou a unirem-se informalmente com homens escolhidos por outrem, sem terem tido qualquer palavra a dizer ou meios de escapar. O casamento pode estar entre os piores dias das vidas das cerca de 12 milhões de raparigas que, todos os anos, são forçadas a casarem-se antes de completarem o seu 18º aniversário. Se o progresso para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de acabar com esta prática nociva até 2030 não for acelerado, o mundo terá mais de 150 milhões de raparigas que se tornaram noivas demasiado cedo.
Aos 15 anos, Zulaikha, no Afeganistão, estudava e sonhava em tornar-se médica, mas a sua família, que vivia na pobreza, arranjou o seu casamento com um homem com quase o dobro da sua idade e apesar dos seus protestos e do facto de o noivo pretendido estar desempregado, foi forçada a casar contra a sua vontade.*
Quase imediatamente, Zulaikha deixou de ter autorização para continuar a ir à escola e o seu marido começou a descarregar a sua raiva e frustração nela. Ele batia-lhe quase diariamente e, no Outono de 2019, ela foi ao hospital provincial na província de Laghman por causa de uma fractura da órbita do olho e de uma lesão nas costas. Na ala de emergência, ela foi identificada como vítima de violência baseada no género, por isso, Zulaikha recebeu apoio psicossocial e legal, bem como formação em várias competências. O seu marido acabou por ser condenado por abuso e condenado a seis meses de prisão.
“Nenhuma rapariga deve ser impedida do que ela sonha”, expressou ela. “Este é o direito de todas as raparigas”: de decidir o seu futuro”.
Enraizado na pobreza e na desigualdade de género, o casamento infantil prejudica a saúde e o bem-estar das raparigas. Considerando que os corpos das jovens ainda não estão completamente desenvolvidos, é possível que não estejam preparados para uma gravidez. Nos países em desenvolvimento, complicações relacionadas com a gestação e o trabalho de parto são a principal causa de morte das raparigas entre os 15 e os 19 anos de idade. Adicionalmente, estas jovens estão também em risco de contraírem infeções sexualmente transmissíveis, de sofrerem violência doméstica e de isolamento social. Muitas raparigas são também obrigadas a abandonar a escola, o que limita a sua capacidade de auferir um rendimento.
“Desde jovem que sonho em ser médico de obstetrícia e ginecologia, devido ao número crescente de mortes como resultado do casamento precoce. Quando a guerra irrompeu e o conflito aumentou [no Iémen], muitas famílias sofreram, perdendo os seus empregos e tornando-se deslocadas. [Também] eu me mudei com a minha família em busca de (…) segurança.
Aos 14 anos, fui casada com um primo dez anos mais velho do que eu, numa pequena cerimónia. Deixei a escola, os meus amigos e a minha família. Estava infeliz, mas não tive outra escolha senão aceitar a situação e no espaço de um mês fiquei grávida.
Quando as circunstâncias estabilizaram o suficiente, os meus pais voltaram para a nossa antiga casa, deixando-me sozinha com o meu marido. Para minha surpresa, ele começou a maltratar-me. Começou a duvidar que a criança fosse dele e muitas vezes bateu-me no estômago, numa tentativa de pôr fim à gravidez.
Tentei comunicar com a minha família em vão, até que chegou o dia em que não consegui suportar a violência e as hemorragias e pedi proteção a um espaço seguro [apoiado pela UNFPA] de que tinha ouvido falar.
Após semanas a receber sessões de apoio psicológico no espaço seguro para mulheres e raparigas, melhorei muito e a minha mente estava ocupada com a criança que iria nascer.
O espaço seguro também tinha um programa de formação profissional e eu aprendi a alfaiataria durante três meses para me poder sustentar e eventualmente tornar-me formadora para ensinar outras mulheres.” conta Ibtisam com apenas 16 anos.*
Todos os dias de São Valentim desde 2015, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla inglesa) tem apelado à comunidade internacional a dizer #IDONT (traduzido para “eu não [aceito]”) para mostrar apoio às raparigas de todo o mundo que dizem “eu aceito” no contexto de matrimónios forçados.
Apesar de esta realidade ser mais comum em países em desenvolvimento, em Portugal registaram-se 171 casamentos precoces em 2019, o que revela um aumento desde o ano anterior. Legalmente, é possível um menor de 16 a 18 casar caso obtenha o consentimento dos pais.
O casamento infantil é uma violação dos direitos humanos, que nega a uma rapariga a sua autonomia corporal, marcando o fim da sua infância. O casamento deve ser o alvorecer de um novo começo, mas para estas raparigas, não passa de algo que frustrará os seus sonhos e as fará perder toda a esperança.
Pode contribuir com a sua doação para ajudar os esforços do UNFPA e apoiar jovens e mulheres aqui.
*Nome alterado para proteger a identidade das testemunhas.
Emissões de metano, liberadas em diversos sistemas de produção agrícola, especialmente na pecuária, são até 28 vezes mais nocivas ao meio ambiente quando comparado com outros gases de efeito estufa.
O alerta do diretor da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura para mudança climática e biodiversidade, Eduardo Mansur, disse à ONU News, de Roma, que inovações e acordos, firmados na Conferência sobre Mudança Climática, COP26, no ano passado, podem reverter esse cenário.
Produção sustentável
“40% das emissões que temos saem do setor agrário. Portanto, o desafio que nós temos é ter tecnologias para diminuição das emissões. A boa notícia é que elas existem, para ter uma atividade pecuária de baixo impacto de carbono com uma alimentação que diminua a fermentação entérica de ruminantes, para ter uma produção de arroz em áreas cobertas de água que tenham baixa fermentação e baixa emissão de metano. A redução dentro de uma gestão sustentável do adubo orgânico, incluindo o aproveitamento da fermentação para produção de energia renovável”
O diretor da FAO destacou uma aliança proposta pela União Europeia e Estados Unidos durante a COP26, em Glasgow, na Escócia. O objetivo é reduzir a emissão do gás em 30% até 2030, tanto na criação de gado quanto em outras atividades, como na plantação de arroz em áreas alagadas.
O Pacto Mundial do Metano já tem a adesão de mais de 100 países, incluindo os principais emissores, como Brasil e México. Segundo dados, o cumprimento do acordo ajudaria a reduzir o aquecimento global em até 0,2ºC até 2050.
CIAT/NeilPalmer
La Ninã 2021/2022 será de fraco a moderado, mas setores como agricultura, saúde, recursos hídricos e gerenciamento de desastres serão afetados
Adaptação para pequenos produtores
Com mais nações firmando esse compromisso, o desafio é a extensiva implementação das tecnologias, especialmente em países em desenvolvimento, onde a prioridade de pequenos produtores é garantir formas de adaptação aos crescentes desafios com o aquecimento global.
“Nos faltam mecanismos de disseminação de larga escala. O pequeno produtor já trabalha com uma margem de risco muito grande, aumentar riscos em novas tecnologias tem que haver uma compensação, alguma garantia, para que pequenos produtores também participem desse processo de luta contra as mudanças climáticas e produção de baixo impacto. O pequeno produtor, sobretudo em países em desenvolvimento, tem outra preocupação: como se adaptar as condições de mudanças climáticas. Os países vulneráveis necessitam ter apoio para se adaptar a essas condições porque a mudança climática é inevitável, estão acontecendo numa velocidade que estamos vivendo essas mudanças.”
De acordo com Eduardo Mansur, o setor agrário é responsável por pelo menos um terço das emissões de gases e, por isso, precisa agir como parte da solução. Ele também pontua que os fenômenos climáticos impactam diretamente na produtividade e é de interesse da área que sejam mitigados.
O diretor da FAO ressalta que os últimos anos tem batidos recordes nas oscilações de temperatura, desafiando a agricultura em diversos países. Além da pior seca em anos na região do Chifre da África, Mansur afirma que Portugal também observa falta de chuvas, que prejudicam a produção local.
Com mais de um século de história, a rádio continua a ser um dos meios de comunicação mais fiáveis e amplamente utilizados.
O Dia Mundial da Rádio foi proclamado em 2011 pelos Estados-membros da UNESCO e adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2012.
Para a missão das Nações Unidas, a rádio é um meio essencial de difusão de informação, que permite celebrar a humanidade em toda a sua diversidade e constitui uma plataforma para o discurso democrático.
Apesar da sua ampla extensão, a rádio é um meio de baixo custo especificamente adequado para alcançar comunidades remotas e pessoas vulneráveis, oferecendo uma plataforma para intervir no debate público, independentemente do nível educacional das pessoas. É também um elemento crucial na comunicação de emergência e no socorro em caso de catástrofe.
Durante os seus longos anos de existência, a rádio tem proporcionado um acesso à informação em tempo real e uma cobertura profissional sobre assuntos de interesse público, bem como a garantia de ensino e entretenimento à distância. Fazendo a ponte entre as tecnologias tradicionais e as mais avançadas, a rádio oferece agora uma variedade de conteúdos através de diferentes dispositivos e formatos, tais como podcasts e websites multimédia. Eventos mundiais recentes e a pandemia COVID-19 corroeram a confiança nos meios de comunicação em geral, principalmente devido à circulação de conteúdos falsos que se espalham rapidamente nos meios de comunicação social. No entanto, os estudos revelam que apesar de ter havido um declínio global na confiança na Internet e nas redes sociais, tem havido também um aumento da confiança global nas notícias e, principalmente maior na rádio. O acesso digital à informação está longe de ser igual, permanecendo enormes diferenças entre regiões e entre comunidades. Em comparação, a rádio continua a ser acessível à maioria da população e pode ser ouvida em qualquer lado, até mesmo quando a electricidade ou a conetividade à Internet não são fiáveis.
Para além do mais, a rádio é também diversa e inclusiva. A rádio comunitária, por exemplo, chega às pessoas subrepresentadas nos meios de comunicação social e generalistas, que podem sentir que são melhor compreendidas e retratadas de forma justa pela sua estação local, na qual depositam a sua confiança.
Este domingo, 13 de fevereiro, é o Dia Mundial do Rádio e neste ano, o tema é: “Rádio e Confiança”. Segundo a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, o veículo com mais de um século de história continua sendo “um dos meios de comunicação de maior confiança e de maior uso”.
Ao longo dos anos, o rádio proporcionou um acesso rápido à informação em tempo real, com uma cobertura profissional sobre assuntos de interesse público. E se hoje essa rapidez é ainda maior graças à internet, a situação era bem diferente há 25 anos. Thiago Uberreich, apresentador do Jornal da Manhã, da Rede Jovem Pan, conta como muitas vezes ligou para a emissora para entrar ao vivo, nos tempos em que telefones celulares eram “luxo”.
Fita magnética
“Eu trabalhei por pelo menos dois anos na minha carreira com fita de rolo, com fita magnética. A gente ouvia as entrevistas e colocava uma marca de papel para poder cortar os trechos mais importantes de uma entrevista, ou de uma gravação. Como repórter, na rua, eu ainda entrei muitas vezes ao vivo usando um orelhão (telefone público), a gente ligava a cobrar para a rádio e entrava no ar, entrava ao vivo. São 25 anos desde que eu comecei a minha carreira e o que evolui a tecnologia neste sentido.”
Com ou sem tecnologia, é um meio de comunicação “fácil de fazer e de se entender” – esta é a definição da jornalista Sara de Melo Rocha, ex-radialista da TSF de Portugal, que hoje é apresentadora da CNN no país.
“A rádio é também muito resistente. Numa situação de catástrofe, é o primeiro meio e provavelmente o único que vamos conseguir usar para poder comunicar. E é resistente também à passagem do tempo. Durante os últimos anos, a rádio tem se adaptado, tem enfrentado as novas tecnologias e até mesmo as redes sociais. A rádio acaba por ser quase uma espécie de rede social antes delas terem aparecido. Longa vida à rádio e feliz Dia da Rádio!”
Parcerias internacionais
No Brasil, a equipe da CNN em São Paulo trabalha diariamente para levar informações de confiança sobre assuntos nacionais e internacionais. E para isso, contam com a ajuda da ONU News, como explica a gerente de jornalismo na CNN Brasil Rádio, Joyce Murasaki.
“A gente tem uma preocupação muito grande com a qualidade, claro, do conteúdo que a gente leva diariamente aos nossos ouvintes e dentro disto, vem essa parceria com a ONU News, que agrega ao nosso conteúdo, sempre com informações de qualidade, informações relevantes e direto da fonte.”
Além de informar, o rádio educa, entretém e diverte. A comunicação por áudio se expandiu ainda mais nos últimos anos, com a produção de podcasts, como ressalta a jornalista e apresentadora da emissora de rádio CBN, em São Paulo, Tatiana Vasconcellos.
Podcasts
“Tem muita coisa produzida em podcast que poderia estar no rádio, assim como tem muita coisa que está no rádio, como o que a gente faz, por exemplo, as entrevistas que a gente faz no Estúdio CBN viram podcast depois. É por isso que eu tendo a acreditar que podcast é menos uma linguagem e mais um jeito de consumir conteúdo de áudio.”
A diversidade e a inclusão são outras características marcantes do rádio. A Unesco lembra do papel fundamental do veículo, ao “dar o microfone para minorias por meio das rádios comunitárias”.
É exatamente o que acontece na Ásia, onde a Rádio Rakambia transmite conteúdo para ouvintes do Timor-Leste, com meninas e mulheres no comando, incluindo a jovem Erciana Fernandes Belo.
“Olá, olá, ouvintes! Bom dia da Rádio Rakambia, em Timor-Leste e também no mundo. Hoje é o Dia Mundial do Rádio e minha mensagem aos nossos ouvintes é que continuemos ouvindo rádio e confiando nele. O rádio continua sendo uma das mídias mais confiáveis e ampliamente utilizadas hoje em todo o mundo.”
Companheiro de todos
Produzir conteúdos independentes e de qualidade, com informações credíveis, continua sendo essencial para manter a confiança dos ouvintes, segundo a Unesco. No sul do Brasil, a Rádio Guaíba transmite informações para o Rio Grande do Sul há 65 anos, criando uma relação muito próxima com os ouvintes, como destaca o gerente da emissora, Guilherme Baumhardt.
“Esse veículo entra nas nossas vidas, nas nossas casas, quase que sem pedir licença, de uma maneira muito direta e muito coloquial, muitas vezes torna-se um amigo nosso. O rádio permanece e ele vai, à medida que o tempo passa, se adaptando às novas realidades, às novas tecnologias e isso é fantástico. O rádio é o grande companheiro de todos nós e é um companheiro mundial.”
O rádio como o grande companheiro da população é também uma realidade na África, onde em muitas situações, o sinal da internet é fraco ou até inexistente. De Bissau, capital da Guiné-Bissau, o jornalista e correspondente da ONU News, Amatijane Candé, explica que o veículo continua muito relevante.
“Dadas as deficiências que temos em termos de cobertura da internet e da própria televisão nacional, é só ela que nos consegue acompanhar por tudo quanto é lado. A rádio desempenhou sempre e continua a desempenhar um papel extremamente importante nesta sociedade, não só do ponto de vista informativo, mas também do próprio entretenimento.”
O Dia Mundial do Rádio é celebrado há 10 anos em 13 de fevereiro para marcar a fundação da Rádio ONU, em 1946, que atualmente é uma plataforma multimídia, batizada de ONU News – Perspectiva Global, Reportagens Humanas.
A indústria de jogos plantou mais de 1 milhão de árvores e envolveu 130 milhões de jogadores em temas relacionados ao meio ambiente. Os dados são do relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma.
O documento mostra o progresso do setor na descarbonização e ativações verdes, além de ações futuras de boas práticas em favor da natureza.
Unsplash/Florian Olivo
Unodc avalia que a globalização, grande fluxo de dinheiro, crescimento das apostas esportivas legais e avanços tecnológicos estão fazendo com que mercado seja mais atraente para redes criminosas
Emissões
Até agora, 32 estúdios fazem parte da aliança “Jogando pelo Planeta”. De acordo com o Pnuma, 60% dos membros se comprometeram a zerar as emissões de carbono até 2030.
No ano passado, mais sete parceiros se juntaram ao compromisso, um grupo que reúne mais de 1 bilhão de jogadores.
De acordo com Sam Barratt, Chefe de Juventude, Educação e Advocacia do Pnuma, a indústria de videogames é uma nova aliada na corrida por um planeta sem emissões e positivo para a natureza.
Ele adiciona que, embora ainda haja muito a ser feito, a iniciativa teve grande avanço em apenas dois anos.
O relatório também descreve a nova jogada da Aliança nos próximos meses, que fará parte de um guia com orientações para a indústria sobre como reduzir suas emissões.
O documento que nasceu como um mecanismo de prestação de contas sobre transparência e progresso. E aqueles membros que não cumprirem seus compromissos, serão removidos do grupo.
Agência da ONU para Refugiados amplia resposta de emergência a esses civis; condições de segurança pioram rapidamente no país e sem sinais de que conflitos pausem, Acnur acredita que mais pessoas precisarão abandonar suas casas.
Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência
11 de fevereiro de 2022
Hoje, apenas um em cada três investigadores de ciência e engenharia no mundo é mulher.
Barreiras estruturais e sociais impedem que mulheres e meninas entrem e avancem na ciência.
A pandemia da Covid-19 aumentou ainda mais as desigualdades de género, desde o encerramento de escolas até ao aumento da violência e uma maior carga de cuidados em casa.
Esta desigualdade está a privar o nosso mundo de enormes talentos e de inovação que estão por explorar. Precisamos das perspetivas das mulheres para garantir que a ciência e a tecnologia funcionam para todos.
Podemos – e devemos – agir.
Com políticas que enchem as salas de aula com meninas que estudam tecnologia, física, engenharia, matemática.
Com medidas direcionadas para garantir oportunidades para as mulheres crescerem e liderarem em laboratórios, instituições de investigação e universidades.
Com determinação para acabar com a discriminação e os estereótipos sobre as mulheres na ciência.
E com esforços mais rigorosos para expandir as oportunidades para mulheres oriundas de comunidades minoritárias.
Tudo isto é especialmente importante no campo crucial da inteligência artificial.
Há uma conexão direta entre os baixos níveis de mulheres que trabalham em IA e os algoritmos absurdos de preconceito de género que tratam os homens como padrão e as mulheres como exceção.
Precisamos de mais mulheres que desenvolvem inteligência artificial que sirva a todos e trabalhe pela igualdade de género.
Também precisamos reverter as tendências que impedem as jovens cientistas de seguir carreiras que nos ajudem a enfrentar as crises climáticas e ambientais.
Ensinei engenharia. Sei por experiência própria que mulheres e homens jovens são igualmente capazes e igualmente fascinados pela ciência, repletos de ideias e prontos para levar o nosso mundo adiante.
Devemos garantir que eles tenham acesso às mesmas oportunidades de aprendizagem e de trabalho em condições de igualdade.
Neste Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, peço a todos que criem um ambiente onde as mulheres possam realizar o seu verdadeiro potencial e as meninas de hoje se tornem as principais cientistas e agentes de inovação de amanhã, moldando um futuro justo e sustentável para todos.
A nível mundial, as mulheres e raparigas continuam a ser excluídas da participação plena na ciência. Este facto não só priva o mundo do enorme potencial científico de metade da sua população, como também impede que exista uma verdadeira igualdade de género.
O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência é essencial, porque as estatísticas não mentem: as mulheres continuam a estar sub-representadas nestas áreas de conhecimento e a ter menos oportunidades do que os homens.
Segundo os dados das Nações Unidas, a nível mundial, em média, as mulheres recebem normalmente bolsas de investigação de valor inferior ao dos que os seus colegas masculinos e, embora representem 33,3% de todos os investigadores, apenas 12% dos membros das academias científicas nacionais são mulheres. Adicionalmente, em campos como a inteligência artificial, apenas um em cada cinco profissionais (22%) é mulher.
Apesar da falta de competências na maioria dos campos tecnológicos que conduziram à Quarta Revolução Industrial, as mulheres ainda representam apenas 28% dos licenciados em engenharia e 40% dos licenciados em ciências informáticas, sendo que as investigadoras académicas tendem a ter carreiras mais curtas, com salários mais baixos e o seu trabalho está subrepresentado em revistas de alto nível.
Em Portugal, a situação avizinha-se mais positiva e, em geral, existe uma maior paridade de géneros nas áreas da ciência, da tecnologia, da engenharia e da matemática, segundo o Eurostat.
Eurostat
No entanto, os números não contam histórias nem tomam em consideração se existem partes destas áreas com pouco equilíbrio entre mulheres e homens, por isso a UNRIC convidou a analista de mercado do INFARMED, Inês Henriques, jovem mestre do Curso de Ciências Farmacêuticas da Universidade de Lisboa, para nos dar a sua perspetiva sobre este tópico.
UNRIC: Fala-nos um pouco do teu percurso académico e profissional e o que é que te apaixona na área em que te especializaste?
IH: Quando estava no secundário, não sabia bem que curso escolher, mas sempre soube que queria algo relacionado com a saúde. Encorajada pelos meus professores, segui para o mestrado integrado em Ciências Farmacêuticas, um curso diverso que tem uma saída ampla para diversas áreas, desde a possibilidade de atuar como farmacêutico comunitário e desenvolver um papel fulcral entre os doentes, como a possibilidade de seguir um caminho na investigação em áreas como Farmacologia, Biologia e Química. Mas, na realidade, existem imensas outras valências que um recém-licenciado em Ciências Farmacêuticas tem e sobre as quais dava por si só uma entrevista bastante complexa, mas fascinante.
No meu caso, além de saúde pública sempre fui uma apaixonada por matemática e sabia que o que quer que fizesse de futuro teria de ser uma mistura destas duas áreas. Apesar de para muitos a pandemia ter tido fortes impactos negativos, no meu caso acabou por ser uma oportunidade. Consegui obter uma carreira que me satisfaz como analista de mercado, que além de ter a componente em saúde pública, tem também como elemento principal a análise de dados farmacêuticos, capaz de satisfazer a minha sede por números.
UNRIC: Tens algumas referências de cientistas mulheres que te inspiraram no teu percurso?
IH: Absolutamente. Desde que me lembro sou fascinada pela Mary Curie e, em criança, recordo-me de que sonhava em ser cientista e achava que, tal como ela, iria sofrer uma trágica morte às mãos de um descuido de alguma descoberta científica. Nos tempos da faculdade essa referência deslocou-se, lentamente, para a Rosalind Franklin, devido ao seu contributo nos estudos da estrutura do ADN (trabalho que ficou popularizado por Watson e Crick, deixando-a durante alguns anos na sombra desta descoberta). No entanto, atualmente as minhas referências são pessoas mais próximas de mim, como a minha supervisora e outras investigadoras que conheci no meu âmbito profissional, em conferências e summer schools.
Foto de Inês Henriques
UNRIC: Em relação à paridade de género: sentes que na tua área existe um equilíbrio de género? Se não, a que se deve esse desequilíbrio?
IH: A minha área é fortemente dominada por mulheres, mas ainda existem diversos estereótipos acerca do meu e de outros cursos, como biologia, enfermagem e de tantos outros cuja percentagem de mulheres é superior à dos homens. Tive a infelicidade de conhecer pessoas em áreas das ciências, engenharias, tecnologia e matemática, que colocavam os seus próprios cursos hierarquicamente superiores a outros. Curiosamente, os cursos considerados como superiores e mais desafiantes, eram sempre aqueles com maior disparidade, nomeadamente engenharias, matemáticas, etc…
UNRIC: Relativamente às várias áreas das ciências, engenharias, tecnologia e matemática, quais são as que achas que existe menos paridade e mais paridade? E porque é que algumas são tão dominadas por homens?
IH: De facto, eu considero a matemática, engenharia, informática e física áreas em que existe menos paridade e que são dominadas pelos homens. Na minha opinião, eu acho que isto se deva ao facto de culturalmente ainda termos a perceção de que áreas mais analíticas e mais científicas serem inerentemente “masculinas”. Esta perceção é bastante comum, mesmo em pessoas que ativamente rejeitam estes estereótipos. Este preconceito não afeta apenas a forma como interagimos uns com os outros em sociedade, mas influencia também a probabilidade de raparigas e jovens adolescentes cultivarem o seu próprio interesse em matemática e ciências. Simultaneamente, considero as áreas com mais paridade as áreas das ciências da vida, mas como referi por vezes existe uma tendência de colocar estas áreas como menos desafiantes que outras dentro das STEM*.
UNRIC: Relativamente à investigação académica, consideras que também nas universidades existe um desequilíbrio? Da perspetiva de bolsas de estudo, por exemplo.
IH: Não estou familiarizada com este universo, mas a ideia que tenho dos testemunhos que ouvi é que depende fortemente da área, já que diferentes mulheres descrevem experiências diferentes.
No meu contexto, o das ciências da vida, parece-me que a investigação académica esteja bastante equilibrada e mais dominada por mulheres. No entanto, algumas colegas admitem terem sentido que seria mais conveniente continuar no mundo da investigação académica, por questões relacionadas com o receio do mundo do trabalho e por sentirem que não era tão fácil penetrar no setor privado como era para os seus pares do sexo masculino.
Não obstante, apesar de existir alguma paridade nas pessoas que seguem para um doutoramento, existe ainda a evidência de que quanto mais alto subirmos na hierarquia da investigação académica esta tendência inverte-se, uma vez que professores e líderes académicos são, na sua grande maioria, homens.
UNRIC: Na tua opinião, quais os preconceitos existentes relativos às mulheres que as impedem de singrar certas áreas científicas e/ou sequer tentarem seguir carreira?
IH: Além das pessoas associarem áreas científicas aos homens, no geral, existe uma perceção negativa sobre as mulheres que estão em posições tipicamente “masculinas”. Diversos estudos têm demonstrado que existe a opinião de que as mulheres são menos competentes, a não ser quando são claramente bem-sucedidas no seu trabalho. Permitindo aos homens serem bem-sucedidos sem terem de constantemente justificar o seu valor no local de trabalho.
Adicionalmente, quando uma mulher é claramente competente é logo considerada uma pessoa que é mais difícil de se gostar e mais ameaçadora. Lembro-me perfeitamente de estar no primeiro ano de faculdade e de ouvir que certos cursos tinham as mulheres mais amáveis e simpáticas, enquanto a engenharia tinha apenas mulheres convencionalmente pouco atraentes. Este tipo de pensamento desincentiva ainda mais uma jovem a seguir esta via, contribuindo para a disparidade. Disparidade essa que muitas vezes está associada à clássica ideia de que os homens “naturalmente” se destacam mais nas áreas matematicamente exigentes.
UNRIC: Por fim, tens alguns conselhos, enquanto jovem profissional numa área científica, que gostarias de partilhar com outras raparigas e mulheres que anseiam por também ter uma carreira de sucesso nestas áreas?
IH: Começar primeiro por dizer que a ciência está do nosso lado, não existe nenhuma excelência natural que faça um género ser superior ao outro, existe sim dedicação e trabalho árduo e isso todas nós podemos fazê-lo. Depois, falar que o mais importante é a mudança do nosso próprio pensamento e dos nossos próprios preconceitos. Dei nesta entrevista alguns exemplos de coisas pequenas que nos dizem, às vezes disfarçadas como “piadas”, mas que têm por base um preconceito que eu própria cheguei a acreditar que era verdadeiro. Por esse motivo, acho que todas as jovens se devem rodear por um ambiente de aprendizagem que cultive o interesse e capacidade em áreas científicas. Eu tive a sorte de ter importantes figuras na minha vida que me incentivaram a seguir este caminho, mas sei que nem sempre temos a sorte de ter pessoas que nos incentivem da mesma forma. Para isso, tenho apenas de aconselhar a seguir criadores de conteúdo nas redes sociais (sempre com uma mente crítica) e a lerem o máximo que possam sobre os feitos que diversas mulheres tiverem em múltiplas áreas das ciências, porque, de facto, são imensos e, no entanto, sabemos de tão poucos.
*STEM é o acrónimo para Science, Technology, Engineering & Mathematics (ciência, tecnologia, engenharia e matemática, em português).
Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, instala equipamentos de mamografia em dois navios da Marinha do Brasil; ação pode beneficiar 2 mil pessoas por ano; no Brasil, câncer de mama representa 30% dos casos da doença, sendo que 40% dos pacientes obtêm o diagnóstico tarde demais.
As Nações Unidas marcam neste 11 de fevereiro o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Apesar de esforços recentes, elas continuam a ser minoria no meio, no número de ganhadores de Prêmios Nobel e na liderança de empresas de pesquisa e investigação.
Em mensagem de vídeo, o secretário-geral afirmou que além de oportunidades de aprendizagem e trabalho iguais, meninas e mulheres devem ver garantido seu direito de desenvolver seu verdadeiro potencial para que sejam “cientistas e agentes de inovação do futuro”.
Talentos
De acordo com António Guterres, essa desigualdade impede que o mundo aproveite enormes talentos e inovações que estão por explorar. Ele realça que é preciso ter a perspectiva feminina para garantir que a ciência e a tecnologia funcionem para todos e, para tal, se pode e deve agir de imediato
Guterres ressalta que o mundo tem somente um terço de investigadores de ciência e engenharia do sexo feminino. O que ficou ainda mais grave com a piora das barreiras estruturais e sociais que impedem o avanço delas na ciência.
O chefe da ONU acredita que os efeitos da pandemia pioram a falta de equilíbrio gênero com o fechamento de escolas, alta na violência e maior necessidade de cuidados domésticos.
UNESCO/OWSD
Bernice Armelle Bancole é cientista em Ciências Agrárias de Benin. Ela quer ajudar a erradicar o uso abundante de pesticidas nos países africanos
Engenharia
Segundo a ONU, as mulheres são 28% do total de graduados em engenharia e 40% nas áreas de ciência da computação e informática.
As pesquisadoras também tendem a ter carreiras mais curtas e menos bem pagas, um cenário que tem que ser revertido, segundo António Guterres.
O secretário-geral sugere políticas que preencham as salas de aula com meninas cursando tecnologia, física, engenharia e matemática. Além disso, ele pede medidas direcionadas a oportunidades para as mulheres crescerem e liderarem em laboratórios, instituições de investigação e universidades.
O chefe da ONU quer mais determinação pelo fim da discriminação e dos estereótipos sobre as mulheres na ciência e mais rigor esforços para expandir as oportunidades para aquelas que vivem em comunidades minoritárias, especialmente no campo da inteligência artificial.
Estima-se que essa área particular absorva 22% do total de profissionais.
Para Guterres, existe uma conexão direta entre os baixos níveis de mulheres que trabalham em inteligência artificial e que chama “algoritmos absurdos de preconceito de gênero que tratam os homens como padrão e as mulheres como exceção”.
Jovens
Entre as principais necessidades estão o aumento de mulheres para que estejam ao serviço de todos e trabalhem pela igualdade de gênero.
Em relação aos jovens, Guterres disse que cientistas mais novos precisam seguir esta carreira e apoiar o combate às crises climática e ambiental.
Usando como exemplo seu próprio currículo como ex-professor de engenharia, o secretário-geral disse que homens e mulheres jovens são igualmente capazes e igualmente fascinados pela ciência, cheios de deias e prontos para fazer o mundo avançar.
A pandemia da covid-19 poderá ser derrotada este ano, mas apenas se as vacinas, testes e tratamentos forem disponibilizados a todas as pessoas, disse na quarta-feira o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
O líder da ONU está entre os líderes mundiais que pedem 23 mil milhões de dólares para apoiar o ACT-Accelerator, que corresponde a uma colaboração fundamental que torna as vacinas contra a covid-19 acessíveis a todos os países a nível mundial.
São as pessoas a pagar o preço pela covid-19
“A injustiça [da distribuição] das vacinas é o maior fracasso moral dos nossos tempos – e as pessoas estão a pagar o preço”, explicou Guterres, sublinhando a urgência de agir agora.
“A menos que possamos assegurar o acesso a estes instrumentos, a pandemia não desaparecerá, e a sensação de insegurança das pessoas só se aprofundará”.
O ACT-Accelerator foi estabelecido em Abril de 2020, meras semanas após a declaração de que o coronavírus tinha sido elevado ao estatuto de pandemia, para acelerar o desenvolvimento e o acesso aos testes, tratamentos e vacinas contra a covid-19. A iniciativa mundial de solidariedade relacionada às vacinas COVAX é um dos seus quatro pilares.
A parceria reúne governos, cientistas, filantropos, empresas, membros da sociedade civil e organizações de saúde global, tais como a GAVI (a aliança para a distribuição de vacinas), a Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (CEPI), e a agência de saúde da ONU, a OMS.
Financiamento “Fair share”
A campanha lançada na quarta-feira visa colmatar uma lacuna de financiamento de 16 mil milhões de dólares e de quase 7 mil milhões de dólares para custos de entrega, na tentativa de pôr fim à pandemia como uma emergência global este ano.
Os co-presidentes do Conselho de Facilitação da ACT-Accelerator, que fornecem a liderança política de alto nível para defender a mobilização de recursos, escreveram recentemente a mais de 50 países ricos para encorajar contribuições “fair share” (partilha justa, em português).
O quadro de financiamento é calculado com base na dimensão das suas economias nacionais e no que ganhariam com uma recuperação económica e comercial mundial mais rápida.
Como explicou o secretário-geral: “Se queremos garantir vacinas para que todos acabem com esta pandemia, temos primeiro de injetar justiça no sistema”.
Obtenção de ferramentas para salvar vidas
O financiamento ajudará a refrear a transmissão do coronavírus, quebrar o ciclo de variantes, aliviar os trabalhadores e os sistemas de saúde sobrecarregados e salvar vidas, de acordo com os líderes mundiais, que avisaram que com cada mês de atraso, a economia global estará prestes a perder quase quatro vezes o investimento de que o ACT-Accelerator precisa.
O financiamento será utilizado para adquirir e fornecer ferramentas para salvar vidas e equipamento de protecção pessoal (EPI) para trabalhadores de saúde, com o objetivo de os distribuir por países de baixo e médio rendimento.
Apoiará medidas que incluem o lançamento de vacinas, a criação de uma reserva de vacinas pandémicas de 600 milhões de doses, a aquisição de 700 milhões de testes, a aquisição de tratamentos para 120 milhões de pacientes, e 100% das necessidades de oxigénio dos países de baixos rendimentos.
“Quanto mais tempo o acesso desigual às vacinas, testes e tratamentos contra a covid-19 persistir, mais tempo a pandemia persistirá”, garantiu o presidente Cyril Ramaphosa da África do Sul, que é co-preside do Conselho de Facilitação juntamente com o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre.
A ONU e os seus parceiros continuam a alertar contra os perigos da falta de equidade no acesso às vacinas e aos testes três anos após a pandemia.
A ciência não está à altura da falta de equidade nesta pandemia
Embora mais de 4,7 mil milhões de testes da covid-19 tenham sido administrados a nível mundial até à data, a OMS informa que apenas cerca de 22 milhões, o que equivalente a 0,4%, foram administrados em países de baixos rendimentos.
Além disso, apenas 10% das pessoas nestas nações receberam pelo menos uma dose de vacina.
“A ciência tem consistentemente conseguido responder aos desafios durante a pandemia, mas tragicamente os feitos científicos mundiais ainda não foram igualados pela equidade”, lamentou o Chefe Executivo da CEPI, Richard Hatchett.
“Um ACT-Accelerator totalmente financiado permitirá à COVAX e aos outros pilares do ACT-A a redobrarem os seus esforços para obter vacinas, diagnósticos, tratamentos terapêuticos e outras contramedidas para aqueles que delas necessitam, ao mesmo tempo que continuará a I&D [investigação e desenvolvimento] vital, que abordará as atuais lacunas no conhecimento científico e reforçará as defesas do mundo contra o vírus e as suas variantes”.
Desde a sua criação, o ACT-Accelerator tem financiado a investigação e desenvolvimento vital de novos tratamentos, vacinas e diagnósticos, fornecendo mais de mil milhões de doses de vacinas através do COVAX, entre outros objetivos concretizados.
O mecanismo tem um orçamento global de 23,4 mil milhões de dólares e os doadores são instados a contribuir com 16,8 mil milhões de dólares. Já prometeram 814 milhões de dólares, deixando a lacuna de financiamento de 16 mil milhões de dólares. Espera-se que os restantes 6,5 mil milhões de dólares sejam auto-financiados pelos países de rendimento médio.
Separados do orçamento, outros 6,8 mil milhões de dólares são necessários para a entrega de vacinas e diagnósticos dentro dos países visados.
Partilha e solidariedade
O chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que a rápida propagação da variante Ómicron sublinhou a necessidade urgente de assegurar que os testes, tratamentos e vacinas sejam distribuídos equitativamente a nível mundial.
“Se os países de rendimento mais elevado pagarem a sua justa parte dos custos do ACT-Accelerator, a parceria pode apoiar os países de rendimento baixo e médio a ultrapassar os baixos níveis de vacinação contra a covid-19, de testagem e a escassez de medicamentos”, explicou.
“A ciência deu-nos os instrumentos para combater a covid-19; se forem partilhados globalmente de forma solidária, podemos acabar com a covid-19 enquanto emergência sanitária global este ano”.
A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, está lançando a campanha “Geração Oceano”, um movimento global para ampliar as ações de conscientização sobre preservação dos oceanos.
A meta é conectar pessoas de todo o mundo em prol de medidas de restauração, tendo como base fatos científicos. As iniciativas são compartilhadas em um site especial criado para o projeto “GenOcean” e também nas redes sociais: Twitter, Instagram, TikTok, Facebook, LinkedIn e Trello.
Ocean Image Bank/Umeed Mistry
A campanha “Geração Oceano” faz parte da Década da ONU dos Oceanos para o Desenvolvimento Sustentável
Impactos futuros
O especialista em Comunicação da Unesco explicou à ONU News, de Paris, que esta década é crítica para a saúde dos oceanos. Segundo Vinícius Lindoso, tudo o que for feito até 2030 terá um impacto pelos próximos 100 anos.
“Vou me empoderar para participar desta meta de criar o oceano que queremos até 2030. É uma campanha que dá um menu, um leque de opções, de ações, muito práticas do dia-a-dia para conectar o nosso cotidiano à ciência, a essa grande missão globa de proteger o oceano e de fazer com que seus recursos sejam sustentavelmente manejados.”
Saeed Rashid
Segundo dados da ONU, 80% da poluição dos oceanos saem da superfície terrestre.
Documentários e podcasts
O funcionário da Unesco explica que já é possível se inscrever no site para receber as novidades, mas em abril, o site será interativo e qualquer cidadão poderá relatar sua própria história de engajamento em prol dos oceanos.
Vinícius Lindoso menciona algumas ideias de ações que podem ter um impacto positivo para esta causa e destaca que não é preciso de muito para começar a agir.
“É muito fácil começar: assistindo a um documentário, durante o trânsito para o trabalho ouvindo um podcast. Muita gente conhece o problema do plástico no oceano, mas o problema do plástico no oceano é somente um de inúmeros problemas que afetam hoje o ecossistema marinho. A gente tem a acidificação do oceano, temos a falta de oxigênio no oceano, então uma forma de começar a se interessar, a atuar, é ter as boas informações e saber diferenciar fake news de informações baseadas na ciência.”
A campanha “Geração Oceano” faz parte da Década da ONU dos Oceanos para o Desenvolvimento Sustentável. Ainda no primeiro semestre deste ano, as Nações Unidas, Portugal e Quênia organizam a 2ª Conferência dos Oceanos, que ocorrerá entre os dias 27 de junho e 1 de julho, em Lisboa.