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António Guterres apela à diplomacia na Conferência de Segurança de Munique

@Reuters

No discurso de abertura da Conferência de Segurança de Munique, o secretário geral das Nações Unidas, António Guterres, , realçou a necessidade de “um reforço da diplomacia, da vontade política e do investimento pela paz”.

A Conferência de Segurança de Munique (CSM), realizada anualmente no Hotel Bayerischer Hof em Munique, na Alemanha, decorre este ano de 18 a 20 de fevereiro e conta com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, e de vários representantes do governo norte-americano, tal como a vice-presidente norte-americana, Kamala Harris, a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi e o secretário de estado, Antony Blinken.

Grandes desafios para a paz e segurança global
@Hannah Neumann

No seu discurso na abertura desta conferência focado na Cooperação Internacional em Tempos de Crises, o secretário-geral destacou 5 ameaças à segurança global:as divisões geopolíticas, a proliferação de guerras e conflitos civis, a “alarmante propagação do terrorismo”, a ameaçadora combinação das alterações climáticas e da pandemia da covid-19 e, por fim, a emergência da ciberguerra.

Crise russo-ucraniana

Destacando a atual crise russo-ucraniana, o secretário-geral salientou o potencial “catastrófico” de um conflito militar na Europa, entre a Rússia e a Ucrânia, apelando à diplomacia como a única solução para a gestão de conflitos geopolíticos, por mais insuperáveis que eles aparentem ser.

“Frequentemente perguntam-me se estamos numa nova Guerra Fria. A minha resposta é que a atual ameaça à segurança global é agora mais complexa e provavelmente maior do que nessa altura.”

Reconhecendo a capacidade de uma pequena falha de comunicação em transformar um pequeno incidente numa crise “fora de controlo, causando danos incalculáveis”, Guterres cita A Carta das Nações Unidas fundamentando a necessidade de evitar o uso de força no conflito e a integridade da paz internacional.

O líder da ONU também relembra a presença das Nações Unidas na zona de Donestk e Luhansk na Ucrânia.

Covid-19, as alterações climáticas e a desigualdade: As novas ameaças à segurança

Segundo Guterres, para além das ameaças tradicionais à segurança -os conflitos geopolíticos, o terrorismo e as guerras civis – surgiu uma nova ameaça à segurança global em forma da combinação da pandemia, a “falência moral do sistema financeiro global” e as alterações climáticas. A combinação de todos estes fatores, afirma Guterres, levou a desigualdades socioeconómicas, à discriminação e à exclusão do Sul Global.

“A crise climática está descontrolada, causando um aumento da devastação que conduzirá a níveis inéditos de deslocação forçada. Isto poderá desestabilizar ainda mais regiões inteiras.”

@UN Photo/Evan Schneider

Para evitar a insegurança e a instabilidade nestas regiões, o secretário-geral apela os Estados-membros das Nações Unidas a implementarem o “Acordo de Paris sobre alterações climáticas, a estratégia de vacinação da Organização de Saúde Internacional (OMS) e reformas urgente no sistema financeiro global” para garantir o acesso a recursos e meios essenciais aos cidadãos do Sul Global.

A segurança digital

Por fim, António Guterres, expressa ao sua preocupação sobre a falta de segurança digital mencionando o preocupante aumento de ciberataques, o novo uso de inteligência artificial nas armas autónomas e a disseminação de propaganda maliciosa na internet.

“As comunicações digitais permitem que a propaganda e as teorias da conspiração se espalhem como fogo. O discurso de ódio e o racismo só põem mais lenha na fogueira.”

@MunSecCof / Annalena Baerbock, Minister of Foreign Affairs for Germany at the Security Conference in Munich

Para combater os novos perigos digitais, o secretário-geral acentua o valor de políticas e protocolos como o Pacto Global Digital para combater a divulgação de disinformação e facilitar o desenvolvimento de um universo digital seguro e benéfico para todos.

ONU no Brasil expressa solidariedade após cheias que mataram pelo menos 120

Chuvas intensas em Petrópolis causaram deslizamentos de terras e desabamentos; mais de 110 pessoas continuam desaparecidas; agências das Nações Unidas oferecem assistência.

Unicef alerta para uma geração de crianças no leste da Ucrânia prejudicada pela violência

Ataques a jardins da infância e escolas tem sido realidade nos últimos oito anos, com mais de 750 estabelecimentos destruídos pelo conflito; segundo agência da ONU, crianças no leste do país vivem em uma das regiões do mundo com mais minas terrestres.  

Comércio global deve desacelerar, após recorde de US$ 28,5 trilhões em 2021

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, anunciou que o comércio mundial movimentou cerca de US$ 28,5 trilhões no ano passado. O número representa um aumento de quase 13% em relação ao nível pré-pandemia de 2019.

Mesmo com o recorde em 2021, as previsões dos economistas da ONU apontam que uma nova desaceleração deve acontecer este ano por diversas razões, incluindo atrasos contínuos nas cadeias de suprimentos globais.

Sucesso do tratado é considerado uma esperança para africanos vivendo na pobreza

Unsplash/Maksym Kaharlytskyi

Sucesso do tratado é considerado uma esperança para africanos vivendo na pobreza

Tendências

De acordo com os dados da Unctad, a tendência positiva para o comércio internacional em 2021 foi em grande parte resultado do aumento nos preços das commodities, subsidiando restrições causadas pela pandemia e uma forte recuperação na demanda devido a pacotes de estímulo econômico.

O escritório da ONU aponta que o setor de serviços retornou aos níveis pré-pandemia no quarto trimestre de 2021. Já o comércio de bens permaneceu forte, aumentando quase US$ 200 bilhões e fechando em cerca de US$ 5,8 trilhões, batendo novo recorde.

A Unctad também observou que as exportações das nações de baixa renda superaram as dos países mais ricos no último trimestre de 2021, em comparação com o mesmo período em 2020. 

O crescimento do comércio Sul-Sul também ficou acima da média mundial no final de 2021, com um aumento de cerca de 32%.

Segundo a Unctad, os resultados regionais de crescimento do comércio no último trimestre permaneceram muito forte, embora tenha sido menor na Europa, América do Norte e leste da Ásia. As regiões exportadoras de insumos se saíram melhor, com o aumento dos preços das commodities.

Previsões

Sobre as previsões para este ano, o escritório da ONU afirma que os impulsionadores econômicos do ano passado provavelmente serão menores. A Unctad explica que “o crescimento do comércio continuará desacelerando durante o primeiro trimestre de 2022”. O escritório cita preocupações com a inflação persistente nos Estados Unidos e com o setor imobiliário da China.

As cadeias de suprimentos globais, elementos-chave no comércio mundial, também continuarão enfrentando pressões negativas criadas pela pandemia de Covid-19.
Isso ocorre apesar dos esforços do setor marítimo de frente em melhorar a confiabilidade e o gerenciamento de riscos.

Acordo comercial

A Unctad também avalia que o comércio global pode ser afetado por um novo acordo comercial entre as economias da região do Leste Asiático e do Pacífico, a Parceria Econômica Regional Abrangente, Rcep. 

O bloco entrou em vigor no primeiro dia do ano e deve aumentar o comércio entre os membros, “desviando o comércio de países não membros”.

O escritório das Nações Unidas adiciona que a Área de Livre Comércio Continental Africana também pode resultar em mudanças na dinâmica conhecida.

Conselho de Segurança debate “situação extremamente perigosa” na Ucrânia

Países-membros ressaltaram importância de cumprir acordos e Carta da ONU para alcançar solução pacífica; subsecretária-geral das Nações Unidas para Assuntos Políticos e Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, reforçou que conflito ameaça segurança europeia; possível violação de cessar-fogo por Rússia preocupa.

Guterres: é essencial garantir a “inclusão” dos deficientes

© UN Photo / Evan Schneider

Cerca de 15% da população mundial, ou seja, mil milhões de pessoas, vivem com algum tipo de deficiência, compondo a maior minoria de todo o mundo. No entanto, a pandemia da covid-19 veio agravar as desigualdades e criar novos problemas.

Durante os dias 16 e 17 de fevereiro deste ano, a Aliança Internacional para a Deficiência (International Disability Alliance, em inglês), juntamente com os governos da Noruega e do Gana, estão a organizar a 2ª Cimeira Mundial sobre Deficiência, com o objetivo de mobilizar esforços para a implementação da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CRPD), para “Não Deixar Ninguém para Trás” (em inglês: Leave No One Behind) e para aproveitar a oportunidade que a covid-19 nos concede de reconstruir um mundo melhor e mais inclusivo.

© UNICEF

No seu discurso na abertura desta cimeira, o secretário geral das Nações Unidas, António Guterres, sublinha o facto da pandemia ter trazido novos desafios e ameaças às vidas das pessoas com deficiências, que “estão a perder a vida a taxas muito mais elevadas devido a barreiras persistentes nos sistemas de saúde.”

O encerramento das escolas e a pressão sobre os empregadores, causados pela covid-19, também contribuem para a exclusão e marginalização desta maioria, que deixa de ter acesso a uma educação com tecnologia e ferramentas que permitam uma aprendizagem eficaz. e são frequentemente os primeiros a perder os seus empregos.

O líder da ONU salienta também a questão do género, já que, com a atual crise sanitária, as “mulheres e raparigas com deficiência – que já estavam a sofrer uma dupla discriminação – enfrentam um risco ainda maior de violência e abuso.”

© UN Photo / Evan Schneider

A cooperação é a única solução plausível para tornar a comunidade internacional mais inclusiva para as pessoas com deficiências, sendo essencial que o mundo se desenvolva de forma a abranger os interesses e necessidades destas pessoas.

Considerando que, estatisticamente, é mais frequente os deficientes se encontrarem “entre os membros mais pobres e mais desfavorecidos” das sociedades, como nos relembra Guterres, é necessário que no combate à pobreza sejam considerados e que os se encontrem na mira dos esforços e medidas.

“Precisamos de agir com determinação para realizar e promover os direitos das pessoas com deficiência em todos os cantos do mundo e em todas os apetos da vida.”, apela o secretário-geral.

Mais uma vez, António Guterres enfatiza a necessidade de reformar o sistema financeiro mundial, para que permita investimentos muito mais significantes para a inclusão das pessoas com deficiência e para criar mais oportunidades e ambientes acessíveis.

“Todos, em todo o lado, devem ser livres de ir à escola, de aceder aos cuidados de saúde, de constituir uma família, de ter um trabalho digno e de participar plenamente em todas as esferas da vida económica, social, cultural e política.”, relembra o líder das Nações Unidas.

Para Guterres, só será possível atingir os objetivos da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável de 2030 e cumprir a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, caso se trabalhe em conjunto, a nível local e internacional, com a cooperação de governos, organizações internacionais, da sociedade civil, e do setor privado.

© WHO

No entanto, a liderança deste movimento precisa que pessoas com deficiência (particularmente, mulheres) esteja incluída nos processos de tomada de decisão, durante consultas ativas, para que se possa garantir uma plena diversidade e inclusão nos mesmos.

“As Nações Unidas estão empenhadas em liderar pelo exemplo.”, declara o secretário-geral.

A ONU lançou a 1ª Estratégia das Nações Unidas para a Inclusão da Deficiência em 2019, para transformar os processos e o trabalho da Organização em todos os seus programas e operações. Esta Estratégia forneceu os parâmetros para a promoção da inclusão de pessoas com deficiências de forma abrangente e coordenada, tanto em relação ao campo humanitário, como ao dos direitos humanos e ao do desenvolvimento sustentável.

Não obstante, António Guterres admite que ainda há muito mais que as Nações Unidas planeiam fazer para melhorar as condições de vida dos deficientes e que um dos objetivos para os próximos anos é o de reforçar a Organização para “assegurar que estamos aptos para [garantir] a inclusão da deficiência [nas nossas ações] e para apoiar os governos a alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável para as pessoas com deficiência.”

© Unmiss / Isaac Billy

O secretário-geral termina numa nota positiva o seu discurso na abertura da cimeira, expressando que em conjunto as barreiras e as mentalidades se poderão quebrar e alterar, tal como novas portas se abrirão.

“Liderados por pessoas com deficiência, podemos – e iremos – forjar parcerias, expandir o acesso a educação inclusiva, de qualidade e trabalho decente, assegurar vidas saudáveis, e criar um mundo mais inclusivo, justo e sustentável para todos.”, reitera.

É importante relembrar que, apesar de 80% dos deficientes viverem em países em desenvolvimento, em Portugal existiam, em 2011, 1.792.719 pessoas com pelo menos uma incapacidade, sendo que destas quase meio milhão não conseguem de todo executar uma ação (ver, ouvir, andar, memorizar, tomar banho, vestir-se sozinho e até compreender os outros ou fazer-se compreender). A inclusão destes indivíduos na sociedade portuguesa também não está garantida e ainda existem muitas barreiras, segundo a investigação do jornal Diário de Notícias.

Incêndios, poluição sonora e desordens no ciclo da vida ameaçam meio ambiente

As alterações climáticas podem exacerbar os episódios de poluição por ozono na superfície, levando a impactos prejudiciais à saúde de centenas de milhões de pessoas.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, publicou nesta quinta-feira a nova edição do “Relatório Fronteiras”. O documento revela que “os incêndios estão acontecendo, de forma mais severa e com mais frequência, a poluição sonora urbana está se tornando um problema global de saúde e as desordens nos ciclos de vida na natureza estão causando consequências ecológicas”.  

A diretora-executiva do Pnuma declarou que o Relatório Fronteiras “identifica e oferece soluções para três questões ambientais que merecem a atenção e ação de governos e do público em geral”. 

Pandemia 

Poluição sonora causada pelo trânsito torna-se problema de saúde.

Foto: Banco Mundial/Trinn Suwannapha

Poluição sonora causada pelo trânsito torna-se problema de saúde.

Segundo Inger Andersen, “poluição sonora urbana, incêndios e mudanças nos processos biológicos são problemas que destacam a urgência de se tratar da tripla crise planetária: mudança climática, poluição e perdas da biodiversidade.” 

Esta é a quarta edição do relatório, sendo que a primeira, publicada quatro anos antes da pandemia de Covid-19, em 2016, alertava para o risco crescente das zoonoses.  

Sobre a poluição sonora urbana, o documento destaca que barulhos causados pelo tráfego, por ferrovias ou por atividades de lazer impactam de forma negativa a saúde e o bem-estar. Muitas pessoas acabam tendo problemas no sono, o que pode resultar em desordens metabólicas, incluindo diabetes, falhas na audição e baixa saúde mental.  

União Europeia 

Incêndio florestal na Califórnia em 2020.

San Francisco Fire Department

Incêndio florestal na Califórnia em 2020.

A poluição sonora já é responsável por 12 mil mortes prematuras por ano na União Europeia, afetando um entre cinco cidadãos do bloco. O barulho em excesso também ameaça os animais, alterando a comunicação entre espécies e os comportamentos de pássaros, insetos e anfíbios.  

Uma das soluções propostas pelo Pnuma é para que projetos de planejamento urbano levem em conta a redução do barulho na fonte e que as infraestruturas urbanas criem “paisagens sonoras” como cinturões de árvores, paredões verdes, jardins nos topos de edifícios e mais espaços verdes nas cidades.   

Em relação aos incêndios, o Pnuma revela que a situação irá piorar: projeções mostram que as queimadas serão mais intensas e frequentes, graças à mudança climática, com temperaturas mais quentes e clima mais seco. Além dos perigos para a saúde humana, haverá grandes perdas de biodiversidade, ameaçando mais de 4,4 mil espécies terrestres e aquáticas  

Continente africano 

Entre 2002 e 2016, por exemplo, cerca de 423 milhões de hectares de terra, uma área equivalente ao tamanho da União Europeia, foi queimada, sendo mais comum em florestas mistas ou savanas. O Pnuma calcula que 67% de todos os tipos de queimadas aconteceram no continente africano.  

O relatório pede mais investimentos para reduzir riscos de incêndios; desenvolvimento de programas de prevenção e resposta que incluam comunidades rurais e indígenas e utilização de satélites e radares.  

O terceiro alerta feito pela agência da ONU está relacionado com a fenologia, termo utilizado para os estágios dos ciclos de vida que ocorrem graças às forças ambientais.  

Ninhos 

Espécies migratórias como os pássaros sofrem impactos da mudança climático.

Foto: UNDP India/Siddharth Nair

Espécies migratórias como os pássaros sofrem impactos da mudança climático.

O Pnuma explica que plantas e animais de todos os tipos utilizam temperaturas, duração dos dias ou chuvas para saber quando desabrochar folhas e flores, dar frutos, fazer os ninhos, produzir pólen ou migrar.  

As alterações climáticas estão afetando esses ciclos, fazendo com que plantas ou animais fiquem fora de sincronia com seus ritmos naturais. O problema atinge principalmente espécies migratórias de longa distância, que podem deixar de prever com precisão quais serão as condições do clima no local de destino.  

O Pnuma revela que mais pesquisas são necessárias sobre o fenômeno, mas destaca ser essencial limitar as taxas de aquecimento global por meio da redução das emissões de CO2. 

Covid-19: Casos caem em todo o mundo, mas número de mortes segue subindo

Organização Mundial da Saúde afirmou que média de novas infecções caiu em 19% na última semana; mortes seguem em tendência de alta; agência ressalta que subvariante da Ômicron, BA.2, é até 84% mais contagiosa; diretor da OMS destaca que lacuna vacinal na África segue preocupante.

Chefe da ONU para Migração diz que pandemia evidenciou contribuição dos migrantes

António Vitorino falou à ONU News após briefing sobre o primeiro Fórum de Revisão sobre Migração, marcado para 17 a 20 de maio; em encontro na Assembleia Geral, líderes da ONU pediram mais iniciativas nacionais e ações de melhorias para 281 milhões de migrantes no mundo. 

Haiti: um apelo pelo futuro

© UNICEF / Georges Harry Rouzier

Nos últimos anos, o Haiti viveu múltiplas crises: políticas, climáticas e humanitárias. Em 2021, este país das Caraíbas, já enfraquecido por ciclos de instabilidade, também não foi poupado.

“Foi a aceleração destas crises que levou o país ao ponto em que se encontra agora”, explica o representante especial adjunto do secretário-geral e coordenador residente e humanitário no Haiti, Bruno Lemarquis.

© UN Haiti / Jonathan Boulet-Groulx

Entre 2018 e 2019, “houve uma agitação sociopolítica que se chamou ‘Peyi Lok’, o que significa fechar o país. O país encontrava-se bloqueado devido a estes problemas sociopolíticos, mesmo antes da chegada da covid-19. O país estava completamente bloqueado”.

Mas acima de tudo, 2021 representou “uma série negra” de crises para o Haiti.

“Todos os meses desde Junho, tem havido uma crise”, sublinha o funcionário da ONU. “Em junho, houve confrontos de gangues a um nível sem precedentes; em julho, o assassinato do Presidente Jovenel Moïse; em agosto, outro terramoto, com consequências dramáticas no sul do país; em setembro, o repatriamento de migrantes haitianos, particularmente dos Estados Unidos; e em outubro e novembro, a crise dos combustíveis, com gangues a bloquearem os dois portos petrolíferos do Haiti durante várias semanas.

Esta acumulação de crises está a ocorrer num contexto de “grande instabilidade política e de uma situação de segurança e económica muito deteriorada”.

O Terramoto

© WFP / Marianela González

O Haiti foi atingido por um terramoto de 7,2 graus de magnitude a 14 de Agosto de 2021, que causou uma destruição generalizada em zonas predominantemente rurais. Para além dos mortos e feridos, milhares de casas foram danificadas ou destruídas, juntamente com infraestruturas fundamentais, incluindo escolas, hospitais, estradas e pontes, que perturbaram serviços essenciais relacionados com logística, agricultura e comércio. Segundo as Nações Unidas, cerca de 800 mil pessoas foram afetadas de uma forma ou de outra (incluindo 300 mil crianças, que deixaram de poder ir à escola).

Imediatamente a seguir à catástrofe natural, o Governo haitiano, juntamente com as Nações Unidas e outras organizações, entrou em ação para prestar ajuda humanitária de emergência à população afetada.

O sistema de resposta urgente a catástrofes naturais foi, evidentemente, melhorado depois do terramoto devastador de 12 de Janeiro de 2010, no qual cerca de 220.000 pessoas morreram, em grande parte na capital, Port-au-Prince, e zonas circundantes. Ao contrário de 2010, o governo em 2021 estava mais preparado para coordenar uma resposta de emergência de grande escala, mas continua a ser essencial que o governo melhore e introduza medidas mais robustas para a redução do risco de catástrofes.

© IOM / Kettie

Seis meses após o terramoto devastador, que causou a morte de 2.200 pessoas e feriu mais 12.700, a comunidade internacional quer juntar-se ao Governo do Haiti para angariar até 2 mil milhões de dólares para a recuperação e reconstrução a longo prazo do país. Um pouco mais de três quartos desse montante, o equivalente a cerca de 1,5 mil milhões de dólares, irão ser utilizados no relançamento dos serviços sociais, incluindo habitação, saúde, educação e programas de segurança alimentar, enquanto que o restante será gasto na dinamização da agricultura, comércio e indústria, bem como na reparação de infraestruturas fundamentais.

As outras crises do Haiti

Do ponto de vista humanitário, a situação no Haiti continua a deteriorar-se, segundo Bruno Lemarquis. “Para além do terramoto de Agosto de 2021, a maioria das necessidades humanitárias dos últimos anos deve-se a crises provocadas pelo homem”.

O país tem elevados níveis de pobreza e ocupa o lugar 170º na lista composta por 189 países do mundo inteiro, no Relatório de Desenvolvimento Humano 2020 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Aproximadamente, 4,9 milhões de pessoas (o equivalente a 46% da população haitiana) necessitarão de ajuda humanitária em 2022, um aumento de cerca de 10% em relação ao ano passado.

A economia do Haiti encontra-se numa situação difícil, que piorou durante o recente bloqueio das entregas de gasolina por bandos armados que quase paralisou o país. O sentimento de insegurança é generalizado, devido aos aumentos dos raptos e da expansão do poder de controlo dos gangues em muitos bairros da capital do país.

© UNICEF / Manuel Moreno Gonza

A taxa de insegurança alimentar também continua a aumentar, sendo que os números relativos à mesma são mais ou menos equivalentes aos da República Centro-Africana e aos do Sudão do Sul, onde 46% e 48% da população estão em situação de insegurança alimentar, respetivamente.

Para colmatar este cenário, o Haiti também enfrenta a ameaça permanente e destabilizadora da pandemia da covid-19, tal como o resto do mundo

No entanto, Bruno Lemarquis considera que, em termos de financiamento, o Haiti é frequentemente deixado de fora. “É uma crise um pouco negligenciada. Há muito cansaço da parte dos doadores. O plano de resposta humanitária do ano passado foi financiado por cerca de um terço [deles]. Foi lançado um apelo relâmpago após o terramoto de Agosto, que foi mais bem financiado. Mas há cansaço”, explica.

Um plano para a recuperação

A 16 de Fevereiro, o Governo haitiano vai organizar uma conferência internacional em Port-au-Prince, na qual espera angariar pelo menos 1,6 mil milhões de dólares dos 2 mil milhões de dólares de que necessita para a recuperação do país.

As perspetivas não são as melhores, já que muitos dos países doadores a nível mundial estão a debater-se com a carga financeira adicional que a pandemia tem colocado sobre os seus recursos. Além disso, o Haiti está, na realidade, a competir por fundos com outras crises humanitárias que se estão a desenrolar em todo o mundo, tais como a do Afeganistão e a da região etíope de Tigray.

Um dos trunfos do Haiti pode ser a sua enorme diáspora, especialmente nos Estados Unidos, que se espera que venha a contribuir para o esforço de angariação de fundos, tal como os filantropos sediados nesse mesmo país.

É fundamental sublinhar que se o país não obtiver o apoio de que necessita, então a sua recuperação, desenvolvimento e capacidade de resistir a outras catástrofes naturais serão todos negativamente afetados.

Se quiser contribuir para a recuperação do Haiti, poderá fazer a sua doação aqui.

Confrontos no Iêmen estão saindo do controle, alerta enviado das Nações Unidas

Hans Grundberg menciona ataques recentes dos Emirados Árabes e da Arábia Saudita e pede mais esforços do lado iemenita e da comunidade internacional; conflito começou há sete anos e último mês foi marcado por recorde de vítimas civis.  

Reconstruindo o Haiti: o caminho para a recuperação pós-terremoto

A vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, está na capital do Haiti, Porto Príncipe, para participar, nesta quarta-feira, do Evento Internacional para o Financiamento da Reconstrução da Península Sul do país. 

A conferência busca angariar fundos seis meses depois de um terremoto ter atingido a área, em agosto passado. Amina Mohammed terá encontros com autoridades do governo da ilha caribenha, funcionários da ONU e outros parceiros. 

Eleições 

Segundo as Nações Unidas, este é um momento crítico para o Haiti, que além de se recuperar do terremoto, segue em busca de um caminho para eleições, estabilidade e desenvolvimento sustentável.  

Amina Mohammed também aproveitará a passagem pela ilha para fazer reuniões sobre os progressos de combate ao cólera. Ela ficará no Haiti até quinta-feira. 

O governo haitiano calcula que US$ 2 bilhões são necessários para reconstruir todas as áreas atingidas pelo terremoto. Deste total, US$ 1,5 bilhão será direcionado a serviços sociais, incluindo habitação, saúde, educação e programas de segurança alimentar.  

Entenda, a seguir, todos os detalhes sobre a situação:  

A ONU calcula que 800 mil pessoas foram afetadas pelo terremoto.

Foto: WFP/Alexis Masciarelli

A ONU calcula que 800 mil pessoas foram afetadas pelo terremoto.

 

O que aconteceu? 

Um terremoto de magnitude 7.2 atingiu o sudoeste da ilha caribenha em 14 de agosto de 2021, causando muita destruição, principalmente em áreas rurais. Além dos mortos e feridos, milhares de casas ficaram danificadas ou destruídas. Escolas, hospitais, estradas e pontes também foram atingidos, interrompendo serviços essenciais como transportes, agricultura e comércio. A ONU calcula que 800 mil pessoas foram impactadas de alguma maneira, incluindo 300 mil crianças cujas escolas foram danificadas.  

PMA ampliou distribuição de alimentos no Haiti.

© PMA/Alexis Masciarelli

PMA ampliou distribuição de alimentos no Haiti.

Qual foi a resposta ao terremoto? 

Logo após o sismo, o governo, as Nações Unidas e outros parceiros começaram a fornecer assistência humanitária de emergência. O Escritório da ONU para Assuntos Humanitários, Ocha, teve um papel central na coordenação da resposta. A Organização Internacional para Migrações, OIM, entregou abrigos temporários para pessoas que ficaram sem casa, além de comida e outros itens.  

Já o Programa Mundial de Alimentos, PMA, distribuiu refeições para as crianças em idade escolar, uma maneira de incentivá-las a continuarem frequentando as aulas nos estabelecimentos de ensino que não foram danificados. Cerca de 60 centros de saúde também foram destruídos, então o Unicef, e o Fundo de População da ONU, Unfpa, criaram enfermarias de emergência. Grávidas receberam cuidados e muitas vezes, deram à luz em tendas.  

Seis meses depois do terremoto, o Haiti já ultrapassou a fase emergencial e está focado na recuperação a longo prazo. Em novembro, o governo publicou um levantamento sobre a quantia necessária para reconstruir a região afetada – cerca de US$ 2 bilhões. Deste total, US$ 1,5 bilhão será direcionado para serviços sociais, incluindo habitação, saúde, educação e programas de segurança alimentar. O restante será gasto para melhorar agricultura, comércio e indústria e também para reparar serviços de infraestrutura essenciais. Programas ambientais também serão contemplados.  

O terremoto de 2010 já havia causado destruição na capital haitiana, Porto Príncipe.

Foto: MINUSTAH

O terremoto de 2010 já havia causado destruição na capital haitiana, Porto Príncipe.

Quais são as lições tiradas dos desastres naturais? 

O Haiti já tem experiência com desastres naturais incluindo o terrível terremoto de 12 de janeiro de 2010, que matou 220 mil pessoas incluindo o vice-chefe da Missão, o brasileiro Luiz Carlos da Costa. A maioria das mortes ocorreu na capital Porto Príncipe e áreas adjacentes. A maior lição tirada com aquela catástrofe foi a de que liderança nacional é crucial.  

Em 2010, o governo haitiano foi diretamente impactado pelo desastre e estava mal equipado e despreparado para coordenar uma resposta de emergência em larga escala. O Haiti também precisa melhorar no sentido de introduzir medidas mais robustas para a redução de riscos de desastres.  

No Haiti, milhares de pessoas ficaram deslojadas após o terremoto.

Foto: IOM/Monica Chiriac

No Haiti, milhares de pessoas ficaram deslojadas após o terremoto.

Quais outras crises o Haiti enfrenta?  

O terremoto de 2021 aconteceu em um momento em que o país enfrentava múltiplas crises, de naturezas econômica, política, de segurança, humanitária e de desenvolvimento. O Haiti tem um alto índice de pobreza e ocupa a posição 170 no ranking de 189 nações do mundo apresentadas no Relatório de Desenvolvimento Humano 2020, do Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud. A economia está em apuros, sendo que recentemente bandidos armados bloquearam entregas de petróleo, uma situação que quase paralisou o país. Insegurança, sequestros e gangues controlando vários bairros da capital Porto Príncipe são realidade. Em julho de 2021, o presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi assassinado dentro de casa e o inquérito continua ocorrendo. 

Além de tudo isso, a ilha caribenha também enfrenta a ameaça de Covid-19.  

Crianças nas zonas rurais do Haiti ajudam nos trabalhos agrícolas.

Foto: © UNICEF

Crianças nas zonas rurais do Haiti ajudam nos trabalhos agrícolas.

Como o Haiti pode se recuperar desta última adversidade? 

Na quarta-feira, 16 de fevereiro, o governo promoverá uma conferência internacional em Porto Príncipe com a meta de angariar pelo menos US$ 1,6 bilhão dos US$ 2 bilhões necessários para colocar o país novamente nos trilhos depois do terremoto.  

Muitos países doadores no mundo todo estão enfrentando um impacto financeiro causado pela pandemia de Covid-19.  

Além disso, o Haiti está competindo com o financiamento de outras crises da atualidade, como Afeganistão e a região de Tigray, na Etiópia. A enorme diáspora haitiana, especialmente nos Estados Unidos, pode ser um trunfo para o Haiti, com a expectativa de que essas comunidades ajudem no financiamento. Entidades filantrópicas sediadas nos Estados Unidos também são alvo.  

A comunidade internacional no Haiti já foi alertada de que se o país não conseguir o apoio necessário, sua recuperação, seu desenvolvimento e sua habilidade de enfrentar futuros desastres naturais serão afetados de forma negativa.  

  

OMS alerta sobre desigualdades no acesso ao tratamento contra câncer infantil

No Dia Internacional do Câncer Infantil, agência destaca que 80% dos casos entre crianças podem ser curados; globalmente, 400 mil menores são diagnosticados com todos os anos; países de baixa renda sofrem com desigualdade no acesso ao tratamento.

Um olhar sobre a migração

"Filming" IOM - UN Migration Flickr
IOM - UN Migration Flickr

O número estimado de migrantes internacionais tem vindo a aumentar ao longo das últimas cinco décadas. No entanto, a grande maioria das pessoas continua a viver nos países onde nasceram, sendo que só apenas 1 em cada 30 pessoas são migrantes.

De acordo com os últimos dados disponíveis, estima-se que, em 2020, houvesse cerca de 281 milhões de migrantes internacionais no mundo, o equivalente a 3,6% da população global. Este número reflete um aumento de 128 milhões de pessoas a viver num país que não é o seu país de nascimento desde 1990 e é três vezes mais elevado do que o número estimado de migrantes em 1970.

Apesar das perturbações na mobilidade causadas pela pandemia da covid-19 em todo o mundo, as tendências migratórias mantiveram-se, sendo que a Europa e a Ásia foram as regiões que mais acolheram migrantes (cerca de 87 e 86 milhões de migrantes internacionais, respetivamente, o que equivale a 61% do volume global de migrantes internacionais).

Rede das Migrações das Nações Unidas

Devido a esta expansão constante de migrantes, em 2019, após a ratificação do Pacto Global para as Migrações, o secretário-geral lançou oficialmente a Rede das Migrações das Nações Unidas, cujo objetivo é mobilizar toda a Organização e conhecimento especializado para apoiar os Estados-membros na abordagem da migração. A rede conta com uma estrutura inclusiva agindo como um ponto de ligação entre os Estados-membros, as partes interessadas e o sistema das Nações Unidas promovendo os seus valores, como a diversidade e a abertura para trabalhar com todos os parceiros, a todos os níveis.

Pacto Global para a Migração Segura, Ordenada e Regular

Considerando o aumento do número de migrantes a nível mundial, tornou-se essencial criar um instrumento para regular a cooperação internacional nesta área e assegurar a segurança e o respeito dos direitos humanos dos migrantes.

Foi neste contexto que surgiu o Pacto Global para a Migração Segura, Ordenada e Regular (Global Compact for Safe, Orderly and Regular Migration), que é o primeiro acordo negociado entre governos e preparado sob os auspícios das Nações Unidas, que abrange todas as dimensões da migração internacional de uma forma holística e abrangente. Apesar de não ter poder vinculativo, este documento estabelece o respeito pelo direito soberano de cada Estado de determinar quem entra e quem permanece no seu território, demonstrando enorme empenho na cooperação internacional em matéria de migração.

Louise Arbour - UN Photo/Mark Garten
UN Photo/Mark Garten – Louise Arbour, Representante Especial para a Migração Internacional no conferência do Pacto Global das Migrações em Marraquexe, Marrocos.

O Pacto Global entrou em vigor em 2018 e enquadra-se de forma coerente com o objectivo 10.7 da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável de 2030, no qual os Estados-membros se comprometeram a cooperar internacionalmente para facilitar uma migração segura, ordenada e regular. Os seus principais objetivos são:

  • Apoiar a cooperação internacional na governação das migrações internacionais;
  • Fornecer uma pamnóplia de opções para os Estados a partir da qual possam seleccionar opções políticas para abordar algumas das questões mais prementes em torno da migração internacional; e
  • Dar aos Estados o espaço e a flexibilidade para prosseguir a implementação com base nas suas próprias realidades e capacidades migratórias.
Fórum Internacional de Revisão da Migração

O Fórum Internacional de Revisão da Migração (IMRF, na sigla inglesa) foi criado pelo Pacto Global para a Migração Segura, Ordenada e Regular, tratando-se de um fórum em que os Estados-membros das Nações Unidas participam, tal como outras partes interessadas, para discutir a implementação do Pacto Global e orientar o trabalho da ONU em áreas relacionadas com a migração.

O IMRF servirá como a principal plataforma intergovernamental mundial para os governos discutirem e partilharem os progressos na implementação de todos os aspetos do Pacto Global, inclusive no que diz respeito à Agenda para o Desenvolvimento Sustentável de 2030, e terá lugar de quatro em quatro anos, sendo que cada edição do Fórum Internacional de Revisão das Migrações resultará numa Declaração de Progresso acordada a nível intergovernamental.

O primeiro Fórum Internacional de Revisão da Migração deverá ter lugar de 16 a 20 de Maio de 2022.

Semana da Migração das Nações Unidas
@Migration Network

Sob o tema a Cooperação e Parceria: Implementação do Pacto Global das Migrações, de 14 a 18 de Fevereiro de 2022, a Rede das Nações Unidas sobre Migração acolherá a Semana das Migrações onde parceiros da Rede a nível global, regional e nacional, irão participar em eventos e atividades enquanto se preparam para a IMRF. 

Durante esta semana, estarão disponíveis para as partes interessadas, mas também para o público em geral palestras sobre a importância da integração no desenvolvimento de políticas de migração, tertúlias sobre o nexo entre as alterações climáticas, o tráfico de pessoas e contrabando, migrantes e até um curso online que aborda o direito internacional da migração.  

Pode aceder a todos estes eventos através deste link.

FAO: tempo para evitar uma catástrofe no Chifre da África está acabando

Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura afirma que é necessário US$ 130 milhões para ajudar pelo menos 1 milhão de pessoas em insegurança alimentar e resgatar atividade agrária na região; entidade afirma que mais uma seca em países como Quênia, Etiópia e Somália teria consequências catastróficas causando mais de 20 milhões de vulneráveis.