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Em tempo de pandemia, milhões de pessoas dizem que querem parar de fumar 

Este 31 de maio é o Dia Mundial Sem Tabaco. Eventos em várias partes do globo querem mobilizar o público sobre os perigos do uso do produto e práticas comerciais das empresas de tabaco. 

A Organização Mundial da Saúde, OMS, quer maior consciência sobre os efeitos nocivos do fumo ativo e passivo, além de desencorajar várias formas de uso do tabaco, que causa a morte de 8 milhões de pessoas por ano. 

Direito à saúde 

A OMS lista ainda ações recentes para conter o uso do tabaco e como o mundo pode atuar em favor do direito dos cidadãos à saúde e proteger as gerações futuras.  

Unsplash/Lex Guerra

Uma das medidas para combater a epidemia é um novo compromisso virtual para parar de fumar

Este ano, uma das medidas para combater a epidemia é um novo compromisso virtual para parar de fumar. A agência realça que milhões de usuários vêm expressando esse desejo. 

A médica Tânia Cavalcante, do Brasil, é a única vencedora de língua portuguesa do Prêmio Mundial sem Tabaco, que reconhece ações para ajudar as pessoas a pararem de fumar. Ela está entre os 37 agraciados pelo Reconhecimento Especial do Diretor-Geral da OMS. O galardão é atribuído a representantes das seis regiões cobertas pela agência devido aos avanços no controle do tabagismo. 

Controle do Tabaco 

Tânia Cavalcante, do Instituto Nacional do Câncer é a secretária-executiva do Comitê Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco. 

Em 1987, a data foi proclamada pelos Estados-membros da Organização Mundial da Saúde para chamar a atenção global para a epidemia do tabaco, as mortes e doenças evitáveis causadas pela substância.  

No ano seguinte, a Assembleia Mundial da Saúde adotou a celebração do dia em 31 de maio. 

OMS

OMS lista ainda ações recentes para conter o uso do tabaco

Agência da ONU pede mais apoio para educadores depois de pandemia 

É urgente investir na educação e na formação e no trabalho digno dos profissionais da educação para que possam contribuir para a recuperação após a pandemia.  

Essa foi a conclusão de uma reunião da Organização Internacional do Trabalho, OIT, sobre o futuro para os profissionais na área da educação. 

Responsabilidades 

Segundo a OIT, professores, formadores e pessoal de apoio precisarão dominar novas tecnologias e técnicas, entender as demandas e habilidades do mercado de trabalho e serem apoiados para lidar com suas maiores responsabilidades. 

Acnur/Firas Alkhateeb

A pandemia mostrou a rapidez das mudanças em particular o grande uso de tecnologia

O embaixador de Barbados junto à ONU, Chad Blackman, presidiu o encontro, com governos, organizações de empregadores e de trabalhadores de todo o mundo. Segundo ele, “o futuro exigirá investimento em educação e habilidades e são precisos professores e trabalhadores motivados e bem apoiados para que possam preparar os alunos para a vida e o trabalho.” 

Mudanças 

A pandemia mostrou a rapidez das mudanças em particular o grande uso de tecnologia. 

Essas transformações, além de funções e responsabilidades adicionais, estão revolucionando o trabalho de professores, administradores e pessoal de apoio à educação. 

Outro desafio é conectar a educação às necessidades dos empregadores e investir em formação e treinamento técnico-profissionalizante. 

O vice-presidente de uma associação de empregadores, Santiago García Gutiérrez, contou que “garantir que os sistemas de educação e treinamento atendam às necessidades do mercado de trabalho é uma das principais prioridades.” 

Experiência 

Para ele, “há uma necessidade urgente de conectar o setor privado à educação e treinamento, de modo a fornecer recursos e experiência, e equipar os alunos com as habilidades exigidas pelos empregadores.” 

Os participantes também destacaram a importância do diálogo social para enfrentar os desafios que afetam as condições de trabalho dos educadores.  

O especialista Jelmer Evers disse que este diálogo pode ajudar em áreas como estabilidade no emprego, salários adequados, bem-estar, gestão da carga de trabalho, políticas educacionais e autonomia profissional. 

Unesco/Dana Schmidt

Governos, empregadores e trabalhadores devem investir mais em educação e treinamento para os profissionais desta área

Privacidade 

Evers destacou ainda negociação coletiva sobre o uso de inteligência artificial, proteção de dados e privacidade, dizendo que essas discussões serão importantes para garantir que os educadores tenham voz nesses temas que moldarão o futuro. 

No final do encontro, foram adotadas conclusões pedindo a governos, empregadores e trabalhadores mais investimento em educação e treinamento para os profissionais desta área.  

A reunião também sublinhou o papel do setor privado na oferta de educação de qualidade. 

Para a embaixadora da Etiópia, Mahlet Hailu Guadey, a adoção destas conclusões é muito importante. Segundo ela, “professores e pessoal da educação são o elemento chave em sistemas de educação de qualidade.” 

Papel de jovens boinas-azuis é foco de bate-papo com secretário-geral  

Jovens boinas-azuis discutiram com o secretário-geral da ONU, António Guterres, o poder da juventude na estabilização de países pós-conflito. O encontro virtual celebrou este Dia Internacional dos Boinas-Azuis, marcado em 29 de maio.  

O foco da conversa foi a importância juvenil no processo, o impacto da nessas operações e algumas experiências tanto nos países de origem como de serviço. Atualmente 12 missões integram mais de 90 mil sodados de paz em todo o mundo. 

Processos  

Para o secretário-geral, a juventude não está dando apenas uma “contribuição fantástica para manter a paz, mas desempenha um papel muito importante em relação à integração do grupo em processos dentro dos países”. 

Minusca/Hervé Serefio

Celebração internacional em 2021 destaca a Juventude, Paz e Segurança. 

Este ano, o tema “O caminho para uma paz duradoura: Aproveitando o poder da juventude para a paz e segurança” marca as celebrações. Na conversa com integrantes das áreas militar, policial e civil eles encorajam os outros a seguir seus passos revelando motivações e desafios. 


Instrutora de polícia na Missão da ONU no Mali, Minusma, Sira Bojang atua numa das operações de paz mais perigosas do mundo, por causa do número de mortes de capacetes azuis. Ela analisa as cenas de crimes. Na conversa, disse que tem paixão pela ajuda ao próximo. 

Para Sira, ser boina-azul é uma grande oportunidade para ver como diferentes países funcionam. Ela explicou que observando  como as pessoas podem pensar que são muito diferentes, mas conseguem trabalhar juntas num objetivo comum.   

Em 72 anos, mais de 1 milhão de membros de operações de paz incluindo militares e civis serviram em 71 missões enviadas pelas Nações Unidas

Experiência  

Já o tenente Eric Manz diz que sua missão é levar a paz e evitar que o que ocorreu em sua terra natal, Ruanda, não venha a se repetir em nenhuma parte do mundo. 

O oficial apontou as grandes dificuldades na história enfrentadas por cidadãos ruandeses por causa do genocídio. É essa a razão que o levou a se juntar à manutenção da paz. 

A gestora Carolina Meroni  gere o Banco de dados e relatórios de proteção infantil na Missão da ONU na República Democrática do Congo, Monusco.  É da maior operação do mundo de onde ela vê um lugar para que a juventude atue na área. 

Novas ideias  

Ela realçou que jovens envolvidos na manutenção da paz podem trazer novas ideias para velhos problemas. Para ela, o desafio é que o grupo seja ouvido e envolvido no processo da tomada de decisões e se sentar à mesa.  

Meroni  incentiva  os jovens de todo o mundo a se unirem para atuar por um mundo melhor. 

Em 72 anos, mais de 1 milhão de membros de operações de paz incluindo militares e civis serviram em 71 missões enviadas pelas Nações Unidas com pessoal de 125 países. 

 

ONU preocupada com medidas contra oposição antes de eleições na Nicarágua

Uma reforma eleitoral no Parlamento da Nicarágua, que é alinhado ao governo, descumpriu um apelo da comunidade internacional para aplicar salvaguardas à imparcialidade das eleições, que ocorrerão em 7 de novembro.

Em comunicado, o Escritório de Direitos Humanos da ONU expressou “profunda preocupação” com a lisura do pleito e as chances de que as eleições sejam “livres e genuínas” após as medidas contra partidos políticos, jornalistas e candidatos.

Acnur/Diana Diaz

Após participar de protestos contra o governo, este homem foi forçado a fugir da Nicarágua para a Costa Rica.

Normas e padrões

Segundo a ONU, as mudanças realizadas pelo Parlamento contêm pontos que não cumprem com as normas e padrões de direitos humanos incluindo restrições sobre o direito de liberdade de expressão, reunião e participação política.

Por causa de várias denúncias semelhantes, o Conselho de Direitos Humanos ordenou, em fevereiro, ao Escritório a monitorar de perto o processo eleitoral na Nicarágua, que tem registrado vários desdobramentos preocupantes nas últimas semanas.

As autoridades dissolveram dois partidos políticos sob argumentos de que são contrários à normas e padrões internacionais.

Em 19 de maio, a Nicarágua anunciou que estava investigando informações sobre uma das principais pré-candidatas à Presidência, Cristiana Chamorro, que é filha da primeira mulher a presidir o país, Violeta Chamorro. 

Artículo 66

Nova legislação eleitoral restringe os direitos humanos especialmente o de integrantes de organizações da sociedade civil, defensores, ativistas, jornalistas e líderes sociais e políticos

Irmão

Cristiana é suspeita pela polícia do país de “lavagem de dinheiro” e desvio de fundos através da fundação que leva o nome da mãe.

Na semana passada, funcionários de 12 veículos de mídia independentes foram intimados a depor no mesmo inquérito. E em 20 de maio, a polícia realizou batidas no escritório da empresa de mídia, Confidencial, que é gerida por Carlos Chamorro, irmão da pré-candidata.

Com isso, Cristiana Chamorro pode ser investigada e assim impedida de concorrer à Presidência.

Unicef/Tadeo Gómez

Avó e neta no bairro El Muelle, Bilwi, Puerto Cabezas, Nicarágua

Pilares

A Polícia Nacional está limitando também os movimentos de outros candidatos ao posto ocupado atualmente pelo presidente Daniel Ortega.

Para o Escritório da ONU, a continuação do assédio à imprensa e ao direito à liberdade de expressão mina o direito do público de ser informado, um dos pilares da democracia e fundamental a um período eleitoral.

A nova legislação eleitoral restringe os direitos humanos especialmente o de integrantes de organizações da sociedade civil, defensores, ativistas, jornalistas e líderes sociais e políticos.

O Escritório de Direitos Humanos pediu ao governo da Nicarágua que pare de assediar inclusive com elementos jurídicos os membros da oposição e os jornalistas, e disse que está pronto para fornecer apoio técnico às autoridades nicaraguenses para reformar suas legislações restritivas.
 

Capacetes azuis: há 73 anos a trabalhar pela manutenção da Paz

Apesar de não ser expressamente mencionado na Cartas das Nações Unidas, a manutenção da paz tornou-se parte integrante da missão da ONU para “salvar as gerações vindouras do flagelo da guerra”. As Forças de Paz das Nações Unidas, popularmente conhecidas como “capacetes azuis”, foram criadas em novembro de 1956, embora a primeira missão de paz tenha começado em 1948 no Médio Oriente.

Estas Forças operam em algumas das regiões do mundo que vivem uma situação de conflito e têm como missão acompanhar as disputas entre países e comunidades, evitando confrontos, ao mesmo tempo que conduzem negociações que possam pôr fim às disputas.

O Departamento de Operações de Manutenção de Paz (DOMP) dirige estas operações e cria as condições adequadas para uma paz duradoura nos países afetados por conflitos. Atualmente, as operações de paz são “multidimensionais” uma vez que são constituídas por contingentes militares, agentes de autoridade e civis que trabalham com o objetivo final de proporcionar segurança e apoiar a consolidação de uma paz política.

Desde a sua criação, mais de 128 países têm vindo a contribuir com pessoal para as 69 operações de manutenção da paz mandatadas pela ONU – das quais 14 ainda estão ativas desde 2 de Dezembro de 2014.

Estas missões contam com mais de 122.969 pessoas e têm um orçamento combinado de 7 mil milhões de dólares.

O trabalho destas missões vai desde o controlo de fronteiras, ao fornecimento de segurança e patrulhamento, à realização de operações contra terrorismo, ao fornecimento de apoio civil e político e à protecção de civis.

As operações ativas:

África

Missão das Nações Unidas no Sul do Sudão (UNMISS).

Força de Segurança Interina das Nações Unidas para Abyei (UNISFA).

Missão de Estabilização da Organização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO).

Missão das Nações Unidas-União Africana no Darfur (UNAMID).

Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO).

Missão Multidimensional de Estabilização Integrada das Nações Unidas no Mali (MINUSMA).

Missão Multidimensional de Estabilização Integrada das Nações Unidas na República Centro-Africana (MINUSCA).

América

Missão das Nações Unidas de Apoio à Justiça no Haiti (MINUJUSTH).

Ásia e Zona do Pacífico

Grupo de Observadores Militares das Nações Unidas para a Índia e Paquistão (UNMOGIP).

Europa

Força de Manutenção da Paz das Nações Unidas no Chipre (UNFICYP).

Missão de Administração Interina das Nações Unidas para o Kosovo (UNMIK).

Médio Oriente

Força das Nações Unidas de Observação da Separação (UNDOF).

Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL).

Organização das Nações Unidas de Supervisão da Trégua (UNTSO).

O balanço do DOMP inclui um total de 71 operações em todo o mundo.

Em 1988 a ONU recebeu o Prémio Nobel da Paz pelo seu trabalho na manutenção e consolidação da paz no mundo.

 

 

ONU marca Dia Internacional dos Soldados de Paz enfatizando ação de jovens

O foco do Dia Internacional dos Soldados de Paz deste ano é juventude, paz e segurança.  Para a data, formalmente celebrada a 29 de maio, as Nações Unidas realizaram uma série de eventos antecipados nesta quinta-feira.

O secretário-geral disse que em países que abrigam estas operações, a paz não pode ser alcançada sem a participação ativa da juventude em áreas como desarmamento, desmobilização, reintegração e redução da violência nas comunidades. 

Populações  

Ele realçou o valor de atributos como novas ideias, esperança e energia, além do envolvimento com as populações locais e o apoio local na melhoria do desempenho e cumprimento de mandato destas operações. 

ONU/Mark Garten

Guterres depositou uma coroa de flores em tributo aos boinas-azuis mortos em serviços. 

A ONU News e a Missão de Paz da ONU na República Centro-Africana, Minusca, ouviram dois jovens portugueses que atuam no país africano. 

A soldado Maria Santos se diz honrada de colaborar para que o povo se recupere de um conflito civil. 

“Eu tenho 25 anos. A minha função é diretamente ligada à alimentação. Posso não estar diretamente ligada ao combate, mas garanto que outros soldados consigam assegurar a missão. O meu dia normal é acordar cedo, fazer a preparação, a confecção e a distribuição da alimentação com o resto dos soldados. E fazer treino físico também. É uma experiência única, boa, para que possamos contribuir que este país consiga melhorar.” 

Em ações de patrulhamento e combate, o primeiro-cabo português Leonel Mendes, conta como é viver cada dia a experiência marcada por valorização, empatia e inspiração partilhada com cidadãos centro-africanos. 

Mudança 

“Tenho 26 anos. Os dias aqui na missão nunca são iguais. Nunca sabemos as coisas que podem acontecer e esperar. Mas é sempre passado com agrado, sempre a trabalhar, seja na manutenção do material ou no próprio combater também. Nas populações é onde temos a proximidade, o prazer e a ligação e conseguimos sentir o que o jovem da República Centro-Africana sente. A mensagem que eu tenho para os jovens da República Centro-Africana é que nunca desistam, por eles são a chave para qualquer mudança venha a passar ou a sofrer.” 


O ambiente de iminente ameaça de grupos armados é agravado pela Covid-19. A pandemia acentuou o sacrifício destes homens e mulheres. 

Este ano, a ONU concedeu à major queniana, Steplyne Nyaboga, o Prêmio Defensora Militar da Igualde de Gênero, o mesmo dado a duas brasileiras e a uma indiana nas duas últimas edições. 

Para a major do Quênia, as mulheres devem assumir seu papel como forças de manutenção da paz, tal como os homens.  

Vida  

Na sede da ONU, em Nova Iorque, o secretário-geral António Guterres disse que o Dia Internacional dos Soldados da Paz inspira grande orgulho.  

ONU/Unic Nairobi

Queniana Steplyne Nyaboga é o Prêmio de Defensora Militar da Igualde de Gênero das Nações Unidas em 2020

Guterres depositou uma coroa de flores em tributo aos boinas-azuis mortos em serviços. 

Mais de 4 mil boinas-azuis perderam a vida desde 1948 em operações de paz da organização. 

Entre os desafios e as ameaças enfrentados pelas forças de paz estão o trabalho árduo para proteger os mais vulneráveis de ameaças como conflito e a pandemia global.  

De janeiro de 2020 a janeiro deste ano, 129 capacetes azuis de 44 países perderam a vida servindo sob a bandeira da ONU após ataques, acidentes e doenças, incluindo a Covid-19.  

Conselho de Segurança debate crise no Mali após prisão de líderes interinos

O Conselho de Segurança realiza esta quarta-feira uma reunião a portas fechadas sobre o Mali após a prisão do presidente de transição, Bah N’daw, e do primeiro-ministro, Moctar Ouane, pelos militares do país africano. 

O representante especial do secretário-geral e chefe da Minusma, El-Ghassim Wane, participa do encontro solicitado pela França e pelo grupo A3 +1 que reúne Quênia, Níger, Tunísia e São Vicente e Granadinas. 

Crise 

As Nações Unidas participam da atuação da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, Cedeao, com a União Africana e outros nomes da arena internacional que apoiam a transição política no Mali. 

ONU/Loey Felipe

Sala do Conselho de Segurança da ONU

A operação de paz da ONU anunciou que continua acompanhando os últimos acontecimentos após a ação de segunda-feira, sobre a qual alerta ter consequências graves para o Mali e a região. Uma das prioridades da Minusma é ter acesso aos detidos e verificar as condições em que se encontram. 

A Minusma disse precisar de garantias de observação dos direitos e liberdades fundamentais dos detidos como está previsto no direito internacional dos direitos humanos. 

Profunda preocupação 

Em declaração conjunta, o comitê local de monitoramento da transição expressou profunda preocupação com a situação.   

Na declaração do órgão reunindo a Minusma, Cedeao e União Africana juntou-se a comunidade internacional, incluindo a França, os Estados Unidos, o Reino Unido, a Alemanha e a União Europeia. 

O grupo enfatizou que os militares que realizaram as detenções serão considerados pessoalmente responsáveis pela segurança dos líderes civis. O grupo reafirmou o apoio às autoridades de transição e pediu a retoma do processo e para que seja concluído dentro do prazo. 

Minusma/Harandane Dicko

A missão de paz da ONU em Mali, MINUSMA, apoiou os esforços de paz e reconciliação no país

Bachelet quer que Líbia e União Europeia protejam migrantes no Mediterrâneo 

Alta comissária para os Direitos Humanos disse que grande parte do sofrimento e morte na rota migratória é evitável; somente este ano, pelo menos 632 pessoas já perderam a vida tentando entrar na Europa. 

O impacto do conflito em números

Como os conflitos afetaram os civis em 2020

Os civis, que vivem em zonas de conflito, são mortos e feridos em maior número do que as forças de combate. No ano passado, apenas no Afeganistão, Síria e Iémen, a ONU registou 11.892 vítimas civis. Os civis enfrentam ainda violência sexual, tortura, desaparecimento, migração forçada e fome extrema – associada ao conflito.

Escolas e hospitais, casas e lugares de culto, mercados e aeroportos, cisternas e estações de eletricidade continuam a ser destruídos ou danificados por conflitos, particularmente na República Central Africana, Etiópia, Líbia, Moçambique, Nigéria, territórios palestinianos ocupados, Síria e Iémen.

Aqui apresentamos alguns números que refletem o que 160 milhões de civis que vivem em áreas afetadas por conflitos tiveram que superar em 2020. Estes números provêm do relatório de Proteção de Civis do secretário-geral da ONU, António Guterres, publicado este mês.

88%

Quando armas explosivas são usadas em aldeias e cidades, 88% dos mortos e feridos são civis. Em 2020, o maior número de vítimas civis resultantes desse uso ocorreu no Afeganistão, na Líbia, na Síria e no Iémen. Quando armas explosivas foram usadas nas aldeias e cidades do Iémen, estas afetaram todos os recursos locais, incluindo a habitação, transporte, o abastecimento de água e eletricidade, a saúde e as telecomunicações.

99 milhões

No final de 2020, em 23 países em conflito, mais de 99 milhões de pessoas sofreram de insegurança alimentar extrema. Este valor representa um aumento de mais 22 milhões de pessoas que no ano anterior. A fome extrema aumenta à medida que os conflitos destroem os meios de subsistência e expulsam as pessoas das suas terras. O conflito perturba ainda as redes de transporte e os sistemas alimentares comerciais, o que significa um aumento de preços. Na Síria, onde 60% da população sofre de insegurança alimentar, o custo dos alimentos básicos aumentou 236% no ano passado.

79,5 milhões

Este é o número de pessoas que foram forçadas a migrar até meados de 2020, um valor ligeiramente superior ao do ano anterior. Na sua maioria estas foram mulheres e crianças. No final de 2020, em 59 países e territórios, 48 milhões de pessoas, um número sem precedentes, foi forçado a deslocar-se internamente devido ao conflito e à violência.

182

Foi o número de ataques a profissionais de saúde em 2020. Estes compreendem agressões, ferimentos, aprisionamentos, detenções e ameaças de violência. Cerca de 182 profissionais de saúde foram mortos em 22 países afetados por conflitos, tendo o maior número de vítimas ocorrido no Burkina Faso, República Democrática do Congo (RDC), Somália e Síria. Entre fevereiro e dezembro de 2020, o Comité Internacional da Cruz Vermelha documentou quase 850 incidentes de violência, assédio ou estigmatização contra profissionais de saúde, pacientes, veículos médicos e infraestruturas, devido à covid-19.

No Burkina Faso, 1,2 milhões de pessoas não tiveram acesso a cuidados de saúde devido ao encerramento de instalações médicas. Apenas 12% dos centros de saúde na região de Tigray, na Etiópia, encontravam-se totalmente funcionais no final de 2020. Na Província de Cabo Delgado, em Moçambique, os combates destruíram 36% dos centros de saúde.

1 em cada 4

Em 2020, as crianças representaram um quarto das vítimas civis de minas terrestres, dispositivos explosivos improvisados e resíduos explosivos de guerra. As crianças que sobreviveram a estes dispositivos sofrem agora de lesões permanentes, nomeadamente amputações, paralisia e perda de visão e de audição. A ONU registou 6.766 vítimas civis de minas terrestres, com os valores mais altos registados no Afeganistão, Síria e Iémen.

160 milhões

Mais de 160 milhões de pessoas em áreas afetadas por conflitos correm o risco de serem excluídas da vacinação contra a covid-19. Do Afeganistão a Mianmar, de Moçambique ao Iémen, a ajuda humanitária teve dificuldade em alcançar as pessoas necessitadas – a maioria destes desafios de acesso já eram anteriores à pandemia. As restrições de acesso deveram-se aos conflitos, hostilidades, sanções, políticas de combate ao terrorismo e obstáculos administrativos. No ano passado, pelo menos 169 incidentes, que resultaram na morte de 99 trabalhadores humanitários, foram contabilizados em 19 países afetados por conflitos. Estes incidentes incluíram tiroteios, detonações, agressões corporais e sexuais, sequestros, principalmente durante emboscadas, combates, fogo cruzado e incursões. Cerca de 92% das vítimas eram funcionários nacionais.

UNESCO: educação ambiental deve fazer parte do currículo escolar até 2025

Mais de 80 ministros e vice-ministros, bem como 2,8 mil especialistas envolvidos nos setores da educação e do meio ambiente, comprometeram-se a tomar medidas concretas para transformar a educação ambiental ao adotar a Declaração de Berlim sobre a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS), no final de uma Conferência Mundial virtual realizada de 17 a 19 de maio de 2021.

A Conferência, acompanhada online por mais de 10 mil espectadores, foi organizada pela UNESCO em cooperação com o Ministério Federal de Educação e Investigação da Alemanha e, como parceiro consultivo, a Comissão Nacional da UNESCO da Alemanha.

A UNESCO fez um pedido para que a EDS seja uma componente central de todos os sistemas de ensino, até 2025.

O lançamento de uma nova publicação da UNESCO, que analisou os planos e os currículos escolares de 50 países, mencionou que mais da metade desses programas não fazem qualquer referência às alterações climáticas e apenas 19% dos mesmos tratam questões relacionadas com a biodiversidade.

A Declaração de Berlim sobre Educação para o Desenvolvimento Sustentável descreve uma série de políticas para transformar o ensino, abrangendo escolas, profissionais e sociedade civil. O documento também destaca a necessidade de implementar a EDS com foco nas competências cognitivas, na aprendizagem social e emocional, nas competências.de colaboração, na resolução de problemas e construção de resiliência.

No seu discurso de abertura, a chanceler alemã, Angela Merkel, descreveu a ampla rede de parceiros da Alemanha que trabalham na área da sustentabilidade a todos os níveis de educação e formação.

Ao longo da Conferência, a ministra federal alemã de Educação e Investigação, Anja Karliczek, partilhou os compromissos de 18 países da União Europeia em implementar o quadro da Educação para o Desenvolvimento Sustentável 2030, sublinhando-o como um motor para a realização de todos os ODS.

Laurent Fabius, que presidiu a COP 21, ocasião onde foi celebrado o Acordo de Paris, afirmou que “a luta contra as alterações climáticas começa na escola”. Fabius relembrou os compromissos do Acordo de Paris com a educação e pediu um maior empenho para melhorar a formação de professores nesta matéria e aumentar o seu financiamento. “2021 é o ano em que superaremos a pandemia e embarcaremos num modelo de desenvolvimento sustentável para o futuro, modelo este que deve incluir a EDS. Se perdermos esta oportunidade, perderemos décadas. Esta é uma corrida contra o tempo”.

Ao longo da Conferência, as vozes dos jovens foram, também, ouvidas numa plataforma que os considerou líderes da mudança, para que possam #LearnForOurPlanet.

A adoção da Declaração de Berlim irá criar uma dinâmica para a implementação do Roteiro para a EDS 2030 – o quadro para esta década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável. Cada Estado-membro da UNESCO será chamado a criar uma rede de especialistas que, em conjunto, possam implementar a ambiciosa visão para a educação.

A partir de Berlim, 2021 proporcionará aos governos oportunidades chave para a aplicação deste compromisso, incluindo a Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP 15) e a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26) em Glasgow.

 

Entrevista: África em momento de colocar cultura na equação do desenvolvimento   

A celebração do Dia de África, neste 25 de maio, foi o tema que iniciou a conversa. 

ONU News: Este ano temos o lema “A arte, a cultura, o património: Alavancas para construir a África que nós Queremos”. Como este tema se junta ao momento da recuperação da pandemia? 

Cristina Duarte (CD): Eu tenho vindo a dizer que o tema da União Africana para 2021 não podia ser melhor. Eu costumo dizer que é o melhor tema, no momento certo e no espaço certo.  

Unicef/Ismail Taxta

As Nações Unidas estimam que somente 2% de imunizantes chegaram ao continente africano

Porque é que eu digo isto? Eu venho defendendo esta ideia desde que lançamos o African Dialogue Series: O Covid-19 colocou nas nossas mesas, nas nossas secretárias e nas nossas mentes roturas. Eu acredito que nós africanos temos que processar essas rupturas, essencialmente como oportunidades. Oportunidades de que talvez a Covid-19 e as rupturas, leia-se oportunidades, está a dar uma oportunidade para uma mudança de paradigma. 

E que mudança de paradigma é esta? É trazer a cultura para a equação do desenvolvimento. Eu acredito que, nos últimos 20 anos, antes das crises, África cresceu de forma persistente entre 3% e 4% e às vezes até mais às vezes. Às vezes até 4 e 4,5%. Um forte crescimento económico. Mas esse crescimento económico não gerou um desenvolvimento inclusivo. Então temos que perguntar o que é que faltou nesta equação?  

E uma das coisas, eu acredito, e é um ponto de vista muito pessoal tenho que admitir, é a cultura. E temos que perguntar o que é cultura? Eu aqui estou a ligar ao tema da União Africana. Quando discutimos cultura e desenvolvimento, o conceito de cultura tem que ir para além das demonstrações artísticas. Para além da pintura, para além da dança, da música…. Tem que ser cultura no sentido da nossa alma. Eu tenho dito no sentido do sentimento de pertença a uma comunidade. Eu acho que isso é que é cultura: o sentimento de pertença a uma comunidade com direitos e obrigações.  

Rémi SCHAPMAN @WIA Initiative

Lema do Dia de África este ano é “A arte, a cultura, o património: Alavancas para construir a África que nós Queremos”

E nós exercendo, ou fazendo uso da nossa cidadania, da nossa consciência social, estamos prontos, sim, para exigir os direitos. Mas estamos mais prontos para cumprirmos as nossas obrigações. Porque só assim é que este sentimento de pertença a uma comunidade coloca-nos numa posição, como africanos, de exercer níveis superiores de apropriação. Aquilo que o inglês diz ownership.  

Sem níveis superiores de ownership, que nos permitam tomar nas nossas mãos o nosso destino e o nosso desenvolvimento, não sei se a gente será capaz de fazer este recovery better. E é exatamente nestes termos que eu entendo o tema da União Africana para 2021.   

É um apelo Artes, Culturas e Património: Alavancas para Construir a África que nós Queremos. E eu acrescentaria, que nós merecemos. E é assim que eu vejo. 

ON: Neste momento em que um grande debate está em torno de vacinas, as Nações Unidas estimam que somente 2% de imunizantes chegaram ao continente africano, como é que está a cooperação com a ONU pode ajudar a acelerar o acesso a estes meios para o desenvolvimento que se pretende juntamente com a valorização de artes, de culturas e atividades que se estão a desenvolver neste âmbito? 

CD: A pergunta é extremamente pertinente e está tudo relacionado. Deixe-me usar esta oportunidade para reconhecer, de forma muito clara, que o sistema da ONU tem claramente liderado e está a apoiado África nesta luta pelo acesso às vacinas do Covid-19.  Eu acho que isto reconhecimento é justo. Que o sistema das Nações Unidas no terreno, as equipes-país, o esforço de articulação que as várias agências têm estado a fazer diariamente para aumentar a eficiência dos resultados. 

O que as agências a nível das várias capitais têm tentado fazer para apoiar África, no que diz respeito ao acesso as vacinas, eu penso que tem que ser aqui reconhecido. Mas a verdade é que apesar de todo este esforço, nós estamos a assistir foram de forma um bocado dolorosa, diga-se passagem, aquilo que em inglês tem se chamado de vaccine divide. E é claro que vaccine divide é uma realidade que está aí. Mas se nós pararmos, vamos ver que é só mais um divide numa cadeia. 

Unicef/Jimmy Adriko

Escolas de todo o mundo, como esta no Uganda, tiveram de fechar durante pandemia

Olha o digital divide. Quando o Covid-19, como eu costumo dizer, aterrou em África, em que se teve que tomar todas aquelas medidas de confinamento, é que o digital divide veio à tona. Enquanto outros continentes e outras regiões do mundo rapidamente conseguiram encontrar soluções digitais para compensar o confinamento, a África confirmou mesmo.  

Centenas de milhares de crianças foram colocadas pura e simplesmente fora do sistema educativo. E com consequências que ainda estamos por avaliar. 

Portanto, o vaccine divide é só mais uma nesta cadeia de divides. Eu acho que temos que parar e pensar: não focalizarmos só no vaccine divide, mas focalizarmos na cadeia de divisões porque todas têm a mesma raiz. Todas têm como fonte o mesmo fenómeno.  

Tem a ver com questões de políticas de crescimentos económicos que não têm gerado desenvolvimentos inclusivos. E quando eu digo crescimentos económicos que não tem gerado desenvolvimentos inclusivos, nós estamos a aproximar-nos para reconhecer que talvez as políticas económicas em África não colocaram o capital humano como epicentro. 

Por isso é que a Covid-19 apanha-nos sem sistemas estruturados, sem sistemas de proteção social estruturados e um sistema educativo longe das novas tecnologias. É porque alguma coisa não esteve, no passado, ao implementarmos as políticas públicas de desenvolvimento. Eu acho que é isto que tem que ser visto agora daqui para a frente: colocar o capital humano no centro das políticas públicas. 

Fim da 1ª. Parte. 

Alto Comissariado para Direitos Humanos pede libertação imediata de jornalista da Belarus 

Porta-voz diz que episódio “constitui uma nova fase na campanha das autoridades bielo-russas de repressão a jornalistas e a sociedade civil em geral”; num vídeo, divulgado pela TV estatal, na segunda-feira, Roman Protasevich exibia aparente hematoma. 

UNRIC e Banco de Portugal promovem campanha Segurança Digital para Todos – #istoeconsigo

Numa altura em que a transformação digital é uma das alavancas da recuperação da crise pandémica, o o Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC) e o Banco de Portugal uniram-se para promover a utilização segura dos canais digitais, com a campanha Segurança Digital para Todos – #istoeconsigo.

As Nações Unidas, através do seu Escritório das Tecnologias de Informação, lideram a iniciativa para reforçar a coordenação internacional para responder às ameaças do mundo digital. Perante o crescente uso indevido de tecnologias de informação e comunicação (TIC), em particular através da Internet e das novas tecnologias digitais, o Conselho de Segurança da ONU apelou aos Estados-membros “que estabeleçam parcerias nacionais, regionais e internacionais com entidades, tanto públicas como privadas, para partilhar informações e experiências a fim de prevenir, proteger, mitigar, investigar e responder aos ataques à cibersegurança.”

O Banco de Portugal está empenhado em promover a segurança financeira digital dos portugueses, dando a conhecer as melhores práticas de utilização dos canais digitais e formas de evitar as ameaças financeiras com que os utilizadores se confrontam nestas plataformas.

Neste contexto, durante 5 semanas, o Banco de Portugal e o UNRIC vão usar as suas redes sociais para divulgarem recomendações sobre a utilização segura dos canais digitais, nomeadamente das transações financeiras, e alertarem para os riscos destas plataformas, que podem ir da fraude financeira ao assédio virtual (cyberbullying).

Para conhecer a campanha Segurança Digital para Todos – #istoeconsigo siga-nos no Instagram e Twitter.

Mundo continua “em situação muito perigosa” em relação à Covid-19, diz OMS   

A Assembleia Mundial da Saúde foi aberta esta segunda-feira, em Genebra, na sede da Organização Mundial da Saúde, OMS.  

Delegações dos 194 Estados-membros integram o evento virtual para definir a atuação da OMS e nomear o novo diretor-geral, a um ano do fim do mandato do atual Tedros Ghebreyesus.  

Emergências globais  

Até 1 de junho, a reunião deverá abordar os esforços de combate à pandemia e uma possível reformulação sobre como lidar com futuras emergências globais de saúde. 

Unicef/Raphael Pouget

Doses de vacina contra a Covid-19 sendo distribuídas, através da iniciativa Covax, na Mauritânia

Na abertura do encontro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que seja aplicada uma lógica de urgência de uma “economia de guerra” nos esforços internacionais contra a Covid-19. 

Guterres lamentou o que chama de “tsunami de sofrimento” gerado pela crise do coronavírus, e reiterou a necessidade de mais recursos no que ele indica como uma “guerra com o vírus”. 

Ele lembrou que mais de 3,4 milhões de pessoas já morreram e cerca de 500 milhões perderam seus empregos desde que o vírus apareceu pela primeira vez em 2019, na cidade de Wuhan, na China. 

O secretário-geral indicou que os mais vulneráveis têm sido os que mais sofrem com a crise. O receio é que a situação ainda esteja longe do fim por causa da “resposta global em duas velocidades”.  

Tendências 

Vários líderes mundiais, ministros da Saúde e representantes de alto nível discursam no evento, onde o diretor-geral da OMS descreveu os 17 meses após o início da crise de saúde.  

Tedros Ghebreyesus destacou que o mundo continua em uma “situação muito perigosa” em relação à doença.  

© Unicef/Delfim Mendes

Mais de 3,4 milhões de pessoas já morreram da Covid-19

Os dados de 2021 já apontam mais casos e mortes quando comparados aos do ano passado. O chefe da OMS disse ainda que seguindo as tendências atuais, o número de mortes ultrapassará o total do ano passado nas próximas três semanas. 

O diretor-geral da agência realçou que a pandemia não chegará ao fim, a menos que a transmissão seja controlada em todos os países. Ele disse que a crise da vacina é um “desequilíbrio escandaloso que está perpetuando a pandemia”. 

Covax 

O pedido feito aos Estados-membros é que ajudem a agência a alcançar a meta de vacinar pelo menos 10% da população de todos os países até setembro, e numa campanha para vacinar pelo menos 30%, no mínimo, até dezembro. 

O chefe da OMS mencionou ainda uma proposta do Fundo Monetário Internacional, FMI, de vacinar 40% da população mundial até o final de 2021, e 60% até meados de 2022. 

ONU/Evan Schneider

Tedros Ghebreyesus publicou mensagem de ano novo

Mas destacou que o número de doses disponibilizadas para a iniciativa Covax continua inadequado.  

Até agora, os 70 milhões de unidades despachadas para 124 países e economias chegam para menos de 0,5% de sua população combinada. 

Ele disse haver um pequeno grupo de países que fabrica e compra a maioria das vacinas do mundo, controlando o destino do resto dos países. Estes vacinam grupos de baixo risco às custas dos profissionais de saúde e grupos de alto risco em economias menos favorecidas. 

Garantias 

O chefe da OMS disse que ainda não surgiram variantes da Covid-19 que prejudiquem significativamente a eficácia das vacinas, diagnósticos ou terapêuticas atuais. Mas não há garantias de que isso continuará sucedendo. 

A agência aponta como as três necessidades principais do momento financiar totalmente a iniciativa de produção de vacinas Acelerador ACT, compartilhar as doses da vacina e aumentar a produção de unidades do imunizante. 

Unicef/Dhiraj Singh

Covax despachou 70 milhões de unidades da vacina para 124 países

ONU marca neste 23 de maio Dia Internacional pelo Fim da Fístula Obstétrica 

As Nações Unidas realizam diversas atividades pelo mundo para marcar o Dia Internacional pelo Fim da Fístula Obstétrica.  

Este ano, o 23 de maio é assinalado sob o lema “Os direitos das mulheres são direitos humanos! Fim da fístula agora!” 

Isolamento social 

Entre 2 milhões e 3 milhões de meninas e mulheres sofrem da condição evitável principalmente em regiões como África Subsaariana, Ásia, mundo árabe e América Latina e Caribe.  

Unfpa Tanzania/Bright Warren

Unfpa apoiou cerca de 120 mil intervenções cirúrgicas de reparação

As pacientes sofrem de incontinência urinária constante, que se não for tratada muitas vezes leva ao isolamento social, infecções de pele, doenças renais e até a morte. 

Cerca de US$ 600 é o custo do tratamento individual, que pode reparar a lesão com taxas de sucesso de até 90% em casos menos complexos. O valor cobre cuidados com cirurgia, pós-operatório e apoio à reabilitação. 

A Organização Mundial da Saúde, OMS, ressalta que as dificuldades em estimar o número exato de vítimas estão relacionadas à falta de compromisso de se enfrentar e resolver do problema.  

A agência defende que haja maior consciência nos sistemas de saúde num mundo onde até 100 mil mulheres desenvolvem a fístula obstétrica por ano. 

O Fundo da ONU para a População, Unfpa, apoia a Campanha para Acabar com a Fístula. Presente em mais de 55 países, a iniciativa atua em áreas como  prevenção, tratamento e reabilitação. 

Jovens  

A agência ressalta que corpos de jovens que não estão prontas para a gravidez e o parto, em caso de casamento infantil ou gravidez indesejada, são especialmente vulneráveis.  

Unfpa Yemen

OMS quer maior consciência nos sistemas de saúde para combater a fístula obstétrica

Em momento de pandemia, o problema piorou com a alta taxa de casamentos infantis que violam a autonomia feminina sobre o corpo e interrupções em serviços de planejamento familiar, saúde sexual e reprodutiva além de desequilíbrios nos sistemas de saúde. 

A Unfpa defende a melhora nesses cuidados, incluindo serviços de parteiras qualificadas e atendimento obstétrico de emergência. A agência disse ter apoiado cerca de 120 mil intervenções cirúrgicas de reparação das vítimas.  

Casamentos infantis 

Um manual atualizado lançado pelo fundo oferece orientação aos usuários para que seja possível alcançar a saúde, a igualdade de gênero e os direitos humanos para todos. 

Os serviços de reparação das fístulas sofreram suspensos por serem considerados não urgentes e os hospitais desviaram recursos para cuidar de pacientes com o coronavírus. 

Com o esperado aumento de 13 milhões de casamentos infantis até 2030, aliado aos efeitos econômicos da pandemia, projeta-se um aumento de casos. Por isso, a ONU defende novas estratégias no pós-Covid-19 para a solução do problema.