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ONU expressa preocupação com a violência em Jerusalém Oriental

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e outros altos funcionários da organização expressaram a sua profunda preocupação com os confrontos entre palestinianos e as forças de segurança israelitas, que ocorreu passada sexta-feira até à noite de domingo, em Jerusalém Oriental. Várias crianças palestinianas foram feridas.

A violência de sexta-feira foi descrita como um dos piores momentos na história recente de Jerusalém. Cerca de 200 palestinianos e 17 policias israelitas foram feridos em confrontos em Haram Al-Sharif/Monte do Templo. No sábado, os manifestantes alegadamente atiraram pedras à polícia, que respondeu com granadas de atordoamento, balas de borracha e canhões de água. No domingo, estes confrontos continuaram em Jerusalém Oriental, em antecipação de uma marcha planeada por um grupo israelita pela Cidade Velha.

O porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, declarou num comunicado publicado na noite de domingo, que as autoridades israelitas devem exercer máxima contenção e respeitar o direito à liberdade de reunião pacífica.

“Todos os líderes têm a responsabilidade de agir contra extremistas e de se pronunciar contra todos os atos de violência e incitamento à mesma”, prossegue o comunicado. “O secretário-geral reafirma o seu compromisso, inclusive por meio do Quarteto do Oriente Médio, de apoiar palestinianos e israelitas na resolução deste conflito, tendo por base as resoluções pertinentes das Nações Unidas, o direito internacional e os acordos bilaterais”.

Os enviados do Quarteto do Oriente Médio (da União Europeia, Rússia, Estados Unidos e Nações Unidas), divulgaram, no sábado, um comunicado de imprensa no qual expressam a sua preocupação com “as declarações provocativas de alguns grupos políticos, bem como o lançamento de misseis e a retomada do uso de balões incendiários de Gaza em direção a Israel, e os ataques a quintas palestinianas na Cisjordânia”.

Risco iminente de despejo

Os representantes do Quarteto declararam a sua preocupação com os possíveis despejos de famílias palestinianas, que vivem há várias gerações em dois bairros de Jerusalém Oriental – Sheikh Jarrah e Silwan – e a sua oposição a “ações unilaterais, que irão apenas agravar o ambiente já tenso”.

A ONU apelou ao governo israelita para suspender todos os despejos forçados. Na quinta-feira, o porta-voz do Escritório do Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Rupert Colville, alertou que se estes despejos ocorrerem, no caso Sheikh Jarrah, violarão as obrigações de Israel perante o direito internacional.

Os confrontos de sábado, o dia mais sagrado do mês muçulmano do Ramadão, ocorreram em Laylat-al-Qadr após um grande número de fiéis se ter reunido para orar no complexo de Haram Al-Sharif/Monte do Templo. Os Enviados do Quarteto exortaram as autoridades israelitas a exercer moderação e a evitar medidas que agravassem ainda mais a situação durante este período de dias santos muçulmanos. “Apelamos a todas as partes envolvidas que defendam e respeitem o estatuto dos locais sagrados”, declararam.

A declaração foi concluída com uma reafirmação dos Enviados do Quarteto do seu compromisso com uma solução negociada entre os dois Estados.

37 crianças palestinianas feridas e presas

No domingo, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, apelou às autoridades israelitas para evitarem o uso de violência contra crianças e à libertação de todas as crianças detidas.

Numa declaração conjunta, o diretor regional do UNICEF para o Oriente Médio e Norte da África, Ted Chaiban, e a representante especial da UNICEF no Estado da Palestina, Lucia Elmi, afirmaram que 29 crianças palestinianas foram feridas nos últimos dois dias, e mais de 8 foram presas. “Uma criança de um ano estava entre os feridos. Algumas crianças foram levadas para hospitais com ferimentos na cabeça e na coluna. Quase 300 pessoas ficaram feridas na região”.

Os altos funcionários do UNICEF declararam que a agência recebeu relatos de ambulâncias impedidas de chegar ao local para ajudar e evacuar os feridos, e que uma clínica no local teria sido atingida e revistada.

A declaração pede que todas as crianças sejam protegidas da violência e mantidas fora de perigo em todos os momentos, que os direitos das famílias de aceder a todos os locais de culto sejam preservados e que os feridos sejam assistidos sem restrições.

Países adotam resposta de alta tecnologia para combater gafanhotos do deserto

Uma agência da ONU se uniu a parceiros internacionais para utilizar tecnologia de ponta no combate à praga de gafanhotos do deserto na África. 

No ano passado, nuvens do inseto se espalharam pelo leste do continente, pelo Iêmen e também pelo sudoeste da Ásia concentrando até 80 milhões de insetos num espaço de 1 km2.

FAO/Sven Torfinn

Nuvem de gafanhotos em Kipsing, no Quénia

Movimento

Para os agricultores e pequenos produtores da área, os gafanhotos são uma terrível ameaça. Eles podem viajar até 150 km em apenas um dia devorando todas as plantações pelo caminho.

Os riscos à agricultura e à segurança alimentar são imensos. Por isso, a FAO, parceiros e doadores produziram uma série de ferramentas de alta tecnologia para detectar as nuvens de gafanhotos, realizar a vigilância e ajudar os países afetados pela praga.

De início, a agência usa dados da previsão do tempo que são enviados para o Serviço de Informação sobre Gafanhoto do Deserto da FAO. Assim as autoridades nacionais têm como mapear o movimento dos insetos e permanecer um passo à frente das nuvens de gafanhotos.

© FAO/Judith Mulinge

Operação de pulverização aérea contra invasão de gafanhotos do deserto em Samburu, no Quênia.

Emergência

Os dados estão disponíveis num tablet, facilmente transportado, e presente em 20 países participantes.  A última emergência elevou a demanda e não houve tempo hábil para treinar agricultores e pastores.

Até janeiro do ano passado, nuvens de gafanhotos do tamanho de cidade de Paris ou Nova Iorque estavam atravessando a África, uma região já impactada pela pobreza e pela insegurança alimentar.

Com a situação se agravando a cada dia, pesquisadores da Universidade da Pennsylvania, nos Estados Unidos, que fornecem tecnologia para os agricultores e já haviam criado um aplicativo para a FAO, partiram para a ação. Eles decidiram utilizar uma tecnologia já testada na África e adaptá-la contra a praga.

Em menos de um mês, o grupo desenvolveu um aplicativo de telefones celulares para coletar os dados sobre as nuvens.

© FAO/Haji Dirir

Praga dos gafanhotos do deserto continuará aumentando o risco de danos às pastagens e às plantações

Satélite

Mas nem todos os trabalhadores do campo africanos têm celular e muitas áreas do leste do continente estão fora da cobertura. Com isso, a FAO fez uma parceria com a Garmin, empresa de GPS, para modificar um satélite de dados que pudesse ultrapassar os obstáculos da falta de conectividade, assim foi criado o PlantVillage.

Agora, a FAO recebe 2,5 mil dados por dia. Deste total, um quarto não pode ser aproveitado por conter incorreções. Desta forma, os trabalhadores ficam informados sobre os ataques dos gafanhotos do deserto.

Um programa parecido que ajuda o Quênia a conservar a vida selvagem, por sugestão de guardas florestais, Earth Ranger, está sendo usado para monitorar a viagem das nuvens de gafanhotos.

© FAO/Haji Dirir

Invasão de gafanhotos do deserto que estão dizimando as plantações na Somália.

Nasa

A agência da ONU também coopera com especialistas em meteorologia e geógrafos do Reino Unido, da Agência Espacial Europeia e da Nasa, a Agência Espacial Americana.

Com essas operações, a invasão dos insetos está sendo reduzida na Etiópia, no Quênia e na Somália. E no leste da África, evitou-se a perda de 4 milhões de toneladas e cereais além de 800 milhões de litros de leite. 

O total de pessoas que evitaram cair na insegurança alimentar é de 36,6 milhões. 
Mesmo assim, a luta contra a praga de gafanhotos do deserto está longe de terminar.

Especial: Festa da Língua Portuguesa 2021 reafirmou identidade, ritmos e futuro do idioma

O último 5 de maio foi o Dia Mundial da Língua Portuguesa* com celebrações em todos os continentes, onde o idioma é falado, pelos quatro cantos do globo.

De forma presencial ou virtual, falantes e admiradores do primeiro idioma a ser globalizado no mundo se conectaram em debates, mesas redondas e eventos culturais sobre o Dia Mundial da Língua Portuguesa.

Camões – Instituto da Cooperação e da Língua

Camões – Instituto da Cooperação e da Língua celebra o Dia Mundial da Língua Portuguesa

Pandemia

Foi celebrando um idioma que se reinventa, através dos séculos, que os eventos se adaptaram à nova realidade criada pela pandemia do coronavírus. O chefe de Estado de Cabo Verde, que ocupa a presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, Jorge Carlos da Fonseca, falou dos horizontes da lusofonia.

“A língua portuguesa é uma língua de viajantes, andarilha. Dessa pequena interioridade inicial, ela expandiu-se e ganhou horizontes claros e abertos.”

Também o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, cita as qualidades de  uma língua que se tem transportado no tempo e se adapta a diversas realidades após ter nascido em seu próprio país.


Riqueza

“Uma língua de vários continentes, com múltiplos sotaques e variantes, todos de igual valor. O português é uma língua rica e generosa que ao longo dos tempos se ofereceu aos criadores, poetas e romancistas, ensaístas e dramaturgos e que hoje nos dá o privilégio de desfrutar de uma riqueza de tantas obras em português e obras de tantos e tantas autores.”

Para refletir sobre esse universo, as Nações Unidas festejaram o Dia Mundial da Língua Portuguesa num evento patrocinado pela Cplp, que apresentou a descoberta dos estudantes estrangeiros pela língua.

Reprodução

Comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa 2021

Musicalidade

Entre os pretextos para aperfeiçoar a forma como se expressam em português eles confessaram o desejo de apreciar a beleza da língua, aumentar o domínio de comunicação, amigos, ou explorar a musicalidade.

Esses alunos aprendem graças à parceria com a Escola das Nações Unidas, em Nova Iorque, iniciada por Brasil e Portugal. Na plataforma virtual, os participantes tiveram um exemplo de como o idioma que está em projeção inspira outras variantes e ritmos.

O som de Cabo Verde, com Eneida Moniz e Avu Rodrigues, brindou os diplomatas e outros funcionários da ONU na primeira atuação musical. Foi com Nha Nobresa do compositor Betú.

E como todos os anos, não poderia faltar o clássico Aquarela do Brasil.

ONU News/Alexandre Soares

Festa da Língua Portuguesa em 2019 nas Nações Unidas

Continentes

Era a alegria  possível e a porção de esperança em tempos de uma pandemia, que afetou fortemente os músicos e outros trabalhadores das artes. 

Uma crise que não passou despercebida na mensagem do secretário-geral António Guterres. Ele lembrou que o mundo enfrenta desafios e disse que a língua portuguesa é uma via privilegiada para chegar a vastos estratos populacionais. Para Guterres, o Dia Mundial é um reconhecimento justo da importância do português no mundo.

“O sucesso do serviço em língua portuguesa da ONU News é nisso um bom exemplo. Celebramos este Dia Mundial num contexto de desafios complexos. As línguas têm um papel insubstituível enquanto traço da união entre povos, onde a diversidade e a multiculturalidade ganham raízes.”

No evento nas Nações Unidas, a subsecretária-geral para Comunicação Global, Melissa Fleming, realçou o caráter internacional do idioma falado por 285 milhões de pessoas e se despediu em bom português.

ONU/Jean-Marc Ferré

A subsecretária-geral do Departamento de Comunicação Global da ONU, Melissa Fleming, falou no evento sobre a importância e o futuro do português

Cooperação

Para Melissa Fleming, a ONU vislumbra um futuro de maior cooperação com o bloco lusófono e com parceiros para se chegar a mais partes do mundo.

Em Portugal, a festa reuniu acadêmicos e simpatizantes da língua que se juntaram pessoalmente ou e em plataformas digitais num evento da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, em Lisboa.

Ritmos africanos marcaram a celebração sob o lema Celebrar a Língua. O debate focou na Promoção e Difusão da Língua Portuguesa: Estratégias Globais e Políticas Nacionais e juntou vários representantes de nações de língua oficial portuguesa.

Cplp

5 de maio é o Dia Mundial da Língua Portuguesa

Novos Talentos, Novas Obras

Foi nessa ocasião que o brasileiro Leonardo Oliveira recebeu o Prêmio Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa. Este 2021 marca ainda a sexta edição do Prêmio Literário da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa.

O geólogo destacou-se entre 700 candidatos de 21 países com obras literárias inscritas. O segredo da vitória foi ter-se inspirado na própria profissão para escrever o “O Sonho de Amadeu”.

“Na minha opinião, os melhores geólogos são os que, baseados na melhor das evidências científicas, conseguem desvendar os suspiros que há milhões de anos as rochas sopram para nós.”

Numa mensagem à ONU News, o chefe da Cplp, o embaixador Francisco Ribeiro Telles, lembrou que a língua segue o rumo para ter cada vez mais falantes, dois anos após a proclamação do Dia Mundial da Língua Portuguesa, pela Unesco. A data foi comemorada pela primeira vez em 2020.

Camões, I.P.

O Instituto Camões promove o português pelo mundo há 29 anos

Diplomacia

“Representa o reconhecimento do valor do português como língua global de comunicação, cada vez mais presente na inovação, na investigação, no conhecimento científico e tecnológico, nos negócios, na arte, na literatura e também na diplomacia, sendo língua oficial e de trabalho de dezenas de organizações internacionais, incluindo diversas organizações e organismos das Nações Unidas, o Mercosul, a União Europeia ou a União Africana.”

E mais um momento de celebração juntou ritmo, coreografia e poesia no Instituto Camões – da Cooperação e da Língua. A Companhia da Dança Diálogos abriu a programação digital de quatro horas e meia que começou com o poema Tudo Quanto Vi.

O evento marcado pela antologia de 16 escritores de língua portuguesa, uma mesa-redonda com escritores e obras do cinema lusófono teve ainda um concerto da portuguesa Rita RedShoes.

A língua celebrada como ativo num mundo global e competitivo deixa espaço para reflexões, opiniões e experiências de representantes de Estados-membros. O futuro é promissor para o embaixador de Cabo Verde, José Luís Rocha.

“Não só pela visibilidade política que lhes confere, mas também porque amplifica as suas vozes na cena internacional, relativiza as suas fragilidades e potencia as suas potencialidades de afirmação e desenvolvimento econômico e social.”

ONU News / Daniela Gross

Francisco Duarte Lopes disse que o idioma é uma grande ponte de amizade entre povos e culturas

Investimento

Num vídeo para a ONU News, o embaixador de Portugal, Francisco Duarte Lopes, afirma que internacionalizar a língua é um investimento que vale a pena.

“Aqui, no contexto das Nações Unidas, é muito importante celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Como sinal visível do multilinguismo, como testemunho de diversidade, inclusão e solidariedade e também como mais um passo para reforçar o papel da nossa língua no universo das Nações Unidas”.

Já o embaixador do Brasil, Ronaldo Costa Filho, ressalta os interesses compartilhados pela língua comum. 

“Para nós, é de especial relevância aprofundar cada vez mais o intercâmbio cultural e diplomático entre os Estados-membros da Cplp.”

E quem melhor para falar deste intercâmbio que jovens de Cabo Verde, Angola, Timor-Leste, São Tomé e Príncipe e Moçambique sobre o que significa falar esta língua verdadeiramente global e internacional?

*Apresentação: Monica Grayley. Reportagem de Eleutério Guevane, Alexandre Soares e Ana Paula Loureiro com agradecimentos à Cplp, Instituto Camões e Missões Permanentes em Língua Portuguesa nas Nações Unidas.
 

Nações Unidas lembram os mortos da Segunda Guerra Mundial 

Nestes 8 e 9 de maio, as Nações Unidas marcam o Tempo de Recordação e Reconciliação Pelos que Perderam a Vida Durante a Segunda Guerra Mundial. 

Nestes dias, a ONU convida todos os 193 países-membros, organizações não governamentais e indivíduos a prestar homenagem às vítimas do conflito.  

Objetivos 

No total, cerca de 40 milhões de civis morreram durante a guerra, entre 1939 e 1945. Cerca de 20 milhões de soldados, quase metade russos, perderam a vida.  

TASS News Agency/Nikolai Sitnikov

Fogos na Praça Vermelha, em Moscou, em 9 de maio de 1945, comemorando fim da guerra

A resolução que estabeleceu o dia, aprovada em 2014, afirma que este acontecimento histórico estabeleceu as condições para a criação das Nações Unidas, “determinadas a salvar as gerações vindouras do flagelo da guerra”, como diz o preâmbulo da Carta da ONU.  

O documento pede que os Estados-membros unam esforços para enfrentar os novos desafios e ameaças, com as Nações Unidas desempenhando um papel central para resolver as controvérsias por meios pacíficos.  

No texto, a Assembleia Geral lembrou que a Segunda Guerra Mundial “trouxe uma tristeza indescritível à humanidade, particularmente na Europa, na Ásia, na África, no Pacífico e outras partes do mundo”.  

TASS News Agency/Vladimir Lupeiko

Pessoas em Minsk, na Rússia, cumprimentando soldados que regressam no final da guerra

Memória 

Em mensagem publicada no ano passado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que o mundo nunca deve “esquecer o Holocausto e os outros crimes graves e horrendos cometidos pelos nazistas.”  

Segundo ele, “a vitória sobre o fascismo e a tirania em maio de 1945 marcou o início de uma nova era.” 

Guterres lembrou que “uma apreciação pela solidariedade internacional e humanidade compartilhada levou ao nascimento das Nações Unidas, com a missão primordial de salvar as gerações seguintes do flagelo da guerra.” 

A data, 8 de maio, foi escolhida por ser o dia, em 1945, em que as forças nazistas da Alemanha se renderam.  

Unicef pede doações ao mundo para apoiar vítimas da Covid-19 na Índia 

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, enviou para a Índia equipamentos e insumos de saúde para socorrer as vítimas da Covid-19. A lista inclui 3 mil cilindros de oxigênio, testes, kits médicos e outros materiais.  

Nesse momento, a Índia é a nação mais atingido pela Covid-19. Segundo dados da OMS, perto de 4 mil pessoas morreram somente na quarta-feira. No total, mais de 230 mil pessoas já perderam a vida.  

Campanha 

Em comunicado, a representante do Unicef na Índia, Yasmin Haque, disse que são necessárias medidas urgentes para evitar mais perdas trágicas. 

Unicef/Panjwani

Trabalhadora de saúde na Índia ensina menina a lavar as mãos

Segundo ela, a agência está garantindo que os serviços para as crianças mais vulneráveis continuem, mas “muito mais é necessário à medida que o surto continua a espalhar-se rapidamente.”  

Em Portugal, o Unicef lançou um apelo aos portugueses para que se juntem a este esforço global. A diretora-executiva da agência no país, Beatriz Imperatori, disse que “as cenas que chegam diariamente da Índia são simplesmente arrasadoras.” 

Ela conta que o sistema de saúde já colapsou e não tem capacidade para tratar tantos doentes. Como sempre, são as pessoas mais vulneráveis que mais sofrem. 

Imperatori apelou a todos os doadores para que respondam para “evitar uma tragédia ainda maior.” 

Ajuda 

Além dos cilindros, a agência já forneceu mais de 500 cânulas nasais de alto fluxo e 85 máquinas RT-PCR, que realizam os testes de Covid-19. 

O Unicef apoia a compra e instalação de 25 centrais de oxigénio para hospitais no Nordeste e no estado de Maharashtra, e a instalação de mais de 70 scanners térmicos em vários portos de entrada em todo o país. 

A agência também mobilizou peritos de alto nível em Estados mais atingidos, como Maharashtra, para prestar apoio às autoridades estatais e locais para o planeamento e monitorização de respostas de curto prazo.  

Em Childline, foram distribuídos mais de 11 mil kits de proteção pessoal para que os serviços de acolhimento de crianças possam continuar a operar.  

Parceiros 

O Unicef está prestando apoio técnico ao governo e parceiros para ajudar 12,3 milhões de crianças em 17 estados a continuarem a aprender a partir de casa. Por exemplo, os “Centros de Aprendizagem Móvel, em Bihar, estão apoiando 28 mil crianças. 

A agência e outros parceiros estão ajudando o governo na aceleração do lançamento da vacina e no combate à desinformação, com a produção de novos conteúdos multimídia em várias línguas.  

Para continuar esta resposta, o Unicef precisa de US$ 21 milhões para a entrega urgente de equipamentos e mais US$ 50 milhões para outras intervenções de salvamento.  

Unicef/Ruhani Kaur

A Índia foi um dos países que já começou sua campanha de imunização

Como ajudar 

Se vive em Portugal, a página para doar está aqui. 

Se vive no resto do mundo, pode usar esta página. 

Outras formas de ajudar se vive em Portugal: 

MBWay – 919 919 939 

Transferência | Depósito Bancários – IBAN PT50 0033 0000 5013 1901 2290 5 

Multibanco – Entidade 20 467; Referência 777 777 777 

Ser Solidário no Multibanco – Transferências – Ser Solidário- UNICEF 

Donativo por correio — Cheque dirigido a: 

Comité Português para a UNICEF 

Av. António Augusto Aguiar, 21 -3E 

1069–115 Lisboa 

Relator da ONU condena intervenção no Supremo Tribunal de Justiça em El Salvador 

O relator de direitos humanos* da ONU para independência de juízes e advogados criticou a destituição de todos os magistrados da Corte Suprema de Justiça de El Salvador assim como do procurador-geral da nação. 

Em comunicado, Diego García-Sayán disse que está “seriamente preocupado” com a decisão da Assembleia Legislativa do país centro-americano, anunciada no sábado. 

Passos 

Para o relator, a medida executada em poucas horas pelo Congresso de El Salvador não cumpriu as mínimas garantias e trâmites devidos nesses casos. 

ONU/Jean-Marc Ferré

Diego Garcia-Sayan, Relator Especial da ONU sobre a independência dos juízes e advogados.

O especialista em direitos humanos diz que a decisão foi seguida pela seleção e pela nomeação precipitadas. Para García-Sayán, faltou transparência. 

Ele afirma que esses passos contra a independência do Judiciário foram dados “numa intensa interação com a decisão e intervenção política” do próprio presidente do país, Nayib Bukele, cujo “partido controla o Congresso”. 

García-Sayán diz que a decisão de destituir os magistrados viola o artigo 172 da Constituição de El Salvador que garante a independência dos juízes.  

Unicef/UN018627/Zehbrauskas

Para o relator, a medida executada em poucas horas pelo Congresso de El Salvador não cumpriu as mínimas garantias e trâmites devidos nesses casos

Separação 

A medida também fere normas internacionais como o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, os princípios básicos da ONU sobre a independência dos juízes e as diretrizes sobre o papel de procuradores e promotores. 

O relator ressalta que a destituição desrespeita as sentenças da Corte Interamericana de Direitos Humanos. 

Para Diego García-Sayán, as instituições democráticas, a separação de poderes e a independência do Poder Judiciário estão sendo atacadas em El Salvador. 

*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho. 

  

  

  

  

Dia do Patrimônio Mundial Africano realça legado às gerações futuras

Este 5 de maio é o Dia do Patrimônio Mundial Africano. Este ano, a data é comemorada sob o lema “Arte, cultura e patrimônio: Alavancas para construção da África que Queremos”. 

Os eventos desta quinta-feira coincidem com o fim do 5º Fórum Juvenil do Patrimônio Mundial Africano. Um concerto musical ao vivo no Instagram também destacará a data em nível global. 

Promoção  

O patrimônio cultural, natural tangível e imaterial do continente é celebrado pelo sexto ano, para aumentar a consciência sobre os benefícios da sua promoção e preservação. Outra meta é realçar os desafios que o continente enfrenta nessa área. 

_Ouri Pota_

Ilha de Moçambique, designada Patrimônio da Humanidade em 1991.

Entre eles estão as alterações climáticas, os conflitos armados e, mais recentemente, a pandemia. Juntos, estes fatores obrigam a garantir que o patrimônio regional se adapte e cresça nessas circunstâncias.  

Na Lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, o continente tem somente uma representação de 8,5% de todas as propriedades inscritas do planeta.  

A África Oriental tem 34 locais naturais e culturais inscritos na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo, um nível considerado sub-representado diante das ameaças atuais. 

Resiliência 

Com a exploração descontrolada, a caça furtiva e a instabilidade, muitos locais do Patrimônio Mundial em África correm o risco de perder o valor universal.  

Por isso, a data realça a urgência de proteger e preservar esses recursos para as gerações futuras. 

Nesse sentido, a União Africana declarou 2021 como o “Ano das Artes, Cultura e Patrimônio da UA: Alavancas para Construir a África que Queremos”.  

A Unesco comemora e colabora com o Fundo do Patrimônio Mundial Africano e parceiros na série de eventos agendados para o continente destacando a resiliência, as oportunidades, a riqueza e as soluções para desafios que a herança africana enfrenta. 

Unesco/Joost De Raeymaeker

A capital do antigo reino do Congo, M’Banza Kongo, em Angola, está na lista de locais Patrimônio da Humanidade

Eu sou ONU: do sonho à realidade, a história de Ana Catarina de Jesus

Mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Leuven, na Bélgica, Ana Catarina de Jesus conta-nos a sua experiência pessoal e profissional até chegar à ONU. Persistência e força de vontade foram os pontos chaves para este desfecho de sucesso.

ONU Portugal: Poder-me-ia a falar do seu percurso profissional até começar a trabalhar para a ONU?

Ana Catarina de Jesus: Fiz o meu primeiro estágio na área na Embaixada Portuguesa em Pequim enquanto estava a fazer o mestrado em Relações Internacionais e Resolução de Conflitos na Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. Na altura, estava a especializar-me na área da Ásia/Pacífico e como já tinha vivido na China decidi regressar. Quando acabei o mestrado, em 2017, fui aceite no programa Bluebook da Comissão Europeia na Unidade de Foreign Policy and Instruments Partnerships. Após seis meses, decidi voltar a Lisboa e concorri a um estágio de um ano, no Centro de Monitoramento Europeu para Drogas e Toxicodependência (EMCDDA), na área da gestão de projetos.

O meu sonho sempre foi a ONU, sempre quis ir para o terreno, mas como ainda não tinha experiência profissional e técnica, visto que as vagas no terreno são muito especificas, pensei fazer mais seis meses de estágio em Nova Iorque. Concorri e fui aceite em janeiro de 2019 no United Nations Democracy Fund, UNDEF, que lida com projetos no terreno. Trabalhava em gestão de projetos e como adorei Nova Iorque acabei por ficar lá mais cinco meses num outro estágio que cobria assuntos Humanitários e Direitos Humanos na Representação Permanente de Malta junto das Nações Unidas. Entretanto, em junho desse mesmo ano, fui aceite no programa Junior Professional in Delegation, JPD, e fui colocada em Cabo Verde. Apesar de não ter sido a minha primeira opção, visto que queria ter ido para o Sudoeste Asiático, acabei por gostar desta minha primeira experiência de “terreno”. Tendo em conta que não foi a minha primeira opção, comecei a concorrer para o programa de Voluntários das Nações Unidas, UNV, porque apesar de ter gostado de trabalhar na União Europeia (UE) queria ter uma experiência de terreno “a sério”, ou seja, um país onde pudesse trabalhar mais em Direitos Humanos e assuntos políticos de uma forma mais intensa. Concorri a este programa porque é mais fácil entrar no sistema, apesar de termos de ser persistentes, mas é uma experiência interessante.

ONU Portugal: Como foi o processo de entrada e qualificação para as posições que ocupou até agora na ONU?

ACJ: Em termos de qualificações, tenho a licenciatura em Ciência Política pela Universidade de Lisboa e mestrado em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Leuven. Fiz, também, uma pós-graduação em Direitos Humanos e Direito Internacional Humanitário pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e tenho feito cursos online que me ajudam a especializar nas funções que estou a desempenhar. Tirei, também, especialização em gestão de projetos porque acho que é cada vez mais importante nesta área das Relações Internacionais.

Para ser UNV e nesta posição especifica, Associate Political Affairs Officer, só pediam dois anos de experiência anterior, experiência prévia em África, fluência em Inglês e Francês e experiências anteriores em assuntos políticos, nomeadamente, em relatório político e análise de política que eu adquiri quando estive na Embaixada Portuguesa em Pequim e em Cabo Verde.

ONU Portugal: Poderia descrever o seu dia à dia profissional e as funções que desempenha?

ACJ: Ainda estou a aprender a viver neste mundo da diplomacia virtual que é bastante difícil quando se trabalha em assuntos políticos. No dia-a-dia, visto que faço parte da secção de Regiões e Províncias, faço análise política, monotorização política, sobretudo na região leste do Congo que é onde existe conflito. Vou a reuniões com atores políticos ou atores comunitários, por exemplo e como sou portuguesa, às vezes, cubro os assuntos com Angola e Moçambique. O dia à dia é interessante porque é fluido, não existe uma rotina muito estruturada especialmente num país como o Congo que depende dos desenvolvimentos políticos e na área da segurança. Acaba por abordar aquilo que está na agenda, naquele momento.

ONU Portugal: Poderia explicar o que é o political monitoring?

ACJ: O political monitoring é o que fazemos no terreno e como nos envolvemos com os atores políticos de modo a trazer resoluções para os conflitos e problemas que o Congo ainda vive. Neste caso, a divisão política da Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo, MONUSCO, é como se fosse um Think Thank da missão, isto é, enviamos toda a informação para Nova Iorque e, posteriormente, o secretário-geral inclui-a nos seus relatórios em forma de recomendações.

ONU Portugal: O que é que mais a apaixona no seu trabalho com a ONU?

ACJ: Os valores e a missão da ONU. Considero que é a organização que mais espelha aquilo que eu gostava de fazer no futuro e onde me vejo. Claro que como muitas outras também tem problemas com, por exemplo, burocracias que acabam por atrasar processos e projetos. Porém, acredito que o nosso trabalho consegue ter mais impacto porque a ONU está representada em todo o mundo e mais próxima das populações dos países em desenvolvimento.

ONU Portugal: Que recomendações poderia dar a outros a candidatar-se às mesmas posições?

ACJ: No meu caso, sendo que estou no programa de Voluntários da ONU é ir seguindo o website e concorrer até para sítios em que nunca nos imaginamos a trabalhar, como Juba por exemplo. Vim para Kinshasa e muita gente considerou que a cidade é perigosa tendo em que conta que sou mulher, porém encorajo o público feminino a concorrer, pois a ONU teria muito mais a ganhar com mulheres a trabalhar em contextos de conflito porque temos uma aproximação muito mais holística e emocional, no bom sentido, no sentido de querer fazer mudanças positivas. Aconselho, também, a aprendizagem do francês, pois é essencial na organização, o Espanhol e, talvez, a língua local do país. Por exemplo, quando estive em Cabo Verde tentei aprender crioulo porque muitas das populações com quem trabalhava no terreno falavam esta língua.

Quem se candidatar a este programa que esteja de mente aberta porque o processo de recrutamento demora muito tempo, deve-se aceitar o desafio seja em que país for e ver esta oportunidade como uma aprendizagem. A ideia de trabalhar para as sedes da organização ainda está muito enraizada na nossa geração, porém muitas pessoas que trabalham nos escritórios não sabem o que se passa no terreno e depois os projetos acabam por não resultar. Estar no terreno, na minha perspetiva é ter um trabalho muito mais impactante e interessante, aprende-se muito mais e é a porta de entrada para uma posição na sede, no futuro.

Muita gente pensa que o UNV é voluntariado, mas não. O programa é pago e tem pessoas com altas qualificações. Basta ver que existem posições que requerem 5 a 10 anos de experiência, portanto acho que as pessoas não o devem desvalorizar porque, obviamente, será uma vantagem para um dia mais tarde se candidatarem a posições fixas na organização.

Nova publicação da Unesco promove transparência em conteúdos para internet

Aumentar a transparência ao produzir conteúdos publicados por empresas da internet é a meta de uma nova publicação da Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco.

A ideia é ter uma alternativa entre a regulamentação excessiva de conteúdos, que limita direitos humanos, e uma abordagem liberal gerando conteúdos problemáticos, incentivando o discurso de ódio e a desinformação.

UIT

Debate abrange poder das empresas do ramo em esferas econômica, social e política, além de seu papel no contexto das comunicações

Ética

A agência apresentou o novo resumo Deixando o Sol brilhar: Transparência e Responsabilidade na Era Digital, em tradução livre, que será seguido de uma consulta global nos próximos meses.

Junto a várias partes interessadas se pretende que empresas, reguladores e especialistas promovam e protejam os direitos humanos no ambiente digital. Outra expectativa é gerar recomendações sobre ética na inteligência artificial.

A obra do especialista em política da internet, Andrew Puddephatt, coincide com o debate sobre o poder das empresas do ramo em esferas econômica, social e política, além de seu papel no contexto das comunicações. 

O resumo incentiva estes negócios a adotar uma visão comum, desenvolvendo princípios focados em resultados. Estas medidas poderiam ser aplicadas em toda a indústria, independentemente da dimensão, do modelo e engenharia das empresas que têm a internet como plataforma. 

Unsplash/Priscilla du Preez

Aumentar a transparência ao produzir conteúdos publicados por empresas da internet é a meta de uma nova publicação

Dados pessoais 

Os 65 princípios da obra cobrem desde os conteúdos ao processo de produção, destacando áreas como indemnização, capacitação, dimensões comerciais, coleta, uso e acesso a dados. 

Da lista também fazem parte o reconhecimento por estas empresas da obrigação de se proteger os direitos humanos e do dever de ter maior transparência sobre possíveis atuações em contextos eleitorais ou países em conflito. 

A língua portuguesa liga os continentes e promove diversidade, diz Portugal na ONU

Embaixador Francisco Duarte Lopes fala à ONU News sobre o Dia Mundial da Língua Portuguesa, que é celebrado neste 5 de maio; Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, organiza eventos em 44 países com mais de 150 atividades. Acompanhe a cobertura completa e diretamente de Lisboa na página da ONU News.

Em Dia Mundial de Liberdade de Imprensa, ONU diz que jornalismo livre combate desinformação 

Neste 3 de maio, as Nações Unidas comemoram o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa com o tema “Informação como bem público”. 

Em mensagem, o secretário-geral lembra os desafios criados pela Covid-19, que  “sublinham o papel crítico da informação confiável, verificada e universalmente acessível para salvar vidas e construir sociedades fortes e resilientes.” 

Importância 

Guterres disse que, durante a pandemia e em outras crises, incluindo a emergência climática, “jornalistas e profissionais da imprensa ajudam-nos a navegar por um cenário de informações em constante mudança”, ao mesmo tempo em que se enfrenta imprecisões e inverdades perigosas. 


Em muitos países, os profissionais correm grandes riscos pessoais, incluindo novas restrições, censura, abuso, assédio, detenção e até morte, simplesmente por fazerem o seu trabalho. E para ele, “a situação continua a piorar.” 

O impacto da pandemia atingiu duramente muitos meios de comunicação, ameaçando a sua própria sobrevivência. 

O chefe da ONU lembrou que “à medida que os orçamentos apertam, estreita-se também o acesso a informações confiáveis.” Ele citou ainda rumores, informações falsas e opiniões extremas e divisões que surgem para “preencher este espaço.” 

Apelo 

Nesta data, o secretário-geral apelou aos governos que façam tudo ao seu alcance para apoiar a liberdade, a independência e a diversidade dos mídia.  

Guterres acredita que “o jornalismo livre e independente” é um é aliado no combate à desinformação. 

Ele lembrou o Plano de Ação das Nações Unidas para a Segurança de Jornalistas, aprovado em 2013, que visa criar um ambiente seguro para profissionais do ramo em todo o mundo. 

Em 2021, ocorre o 30º aniversário da Declaração de Windhoek para o Desenvolvimento de uma Imprensa Africana Livre, Independente e Plural. 

António Guterres pediu uma reflexão e renovação dos esforços para proteger a liberdade de imprensa, para que “a informação continue a ser um bem público para todos que salva vidas.” 

Foto ONU/Sylvain Liechti

Grupo de jornalistas em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo

Conferência 

Esse ano, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, organiza a Conferência Global sobre a data em parceria com o Governo da Namíbia. 

A iniciativa ocorre até 3 de maio, em Windhoek, com eventos virtuais e presenciais, incluindo palestras, mostras artísticas e exibições de filmes.  

Participam líderes do setor, ativistas, políticos, especialistas em mídia, artistas e pesquisadores de todo o mundo. 

O objetivo é chamar a atenção urgente para a ameaça de extinção enfrentada pela mídia local de todo o mundo, uma crise agravada pela pandemia. 

Serão apresentadas ideias para enfrentar os desafios online, aumentar a transparência das empresas de internet, fortalecer a segurança dos jornalistas e melhorar suas condições de trabalho.  

Unesco entrega Prêmio Guillermo Cano de Liberdade de Expressão à Maria Ressa 

Neste 2 de maio e às vésperas do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a Unesco realiza uma cerimônia em parceria com a Namíbia para entregar o Prêmio Unesco/Guillermo Cano à ganhadora da edição 2021: a jornalista das Filipinas Maria Ressa.   

Ela já foi presa por exercer a profissão de repórter investigativa. Maria Ressa dirige um site informativo, Rappler, que denuncia casos de corrupção e irregularidades.  

A ex-jornalista da CNN na Ásia receberá a distinção no encerramento de um evento, que durou cinco dias, na capital da Namíbia, Windhoek, sobre a situação atual da imprensa. 

Anistia 

Prêmio no valor de US$ 25 mil leva o nome de um jornalista assassinado na Colômbia, by Unesco

Participam o Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, a chefe da Anistia Internacional, Agnes Callamard, e o vice-presidente de Assuntos Globais do Facebook e ex-vice-premiê do Reino Unido, Nicholas Clegg, entre outros. 

Durante toda a semana, jornalistas, executivos de mídia e outros participantes pediram medidas urgentes para combater as ameaças que estão enfraquecendo o jornalismo independente tanto em nível local como global.  

Para os profissionais do ramo, a situação piorou com a pandemia já que muitas autoridades utilizam as medidas de saúde pública como desculpa para fazer oposição ao trabalho dos jornalistas e da mídia. 

Transparência 

O grupo pediu mais transparência em empresas de redes sociais e medidas para melhorar a segurança dos profissionais além de mais apoio ao jornalismo independente. 

O Prêmio Unesco/Guillermo Cano, que leva o nome de um jornalista assassinado na Colômbia, tem o valor de US$ 25 mil e é concedido a profissionais que enfrentam ameaças e correm risco em todo o mundo para produzir notícias e informar aos cidadãos. 

Unesco

Jornalista Maria Ressa receberá a distinção neste domingo

Agência da ONU apoia vítimas de violência de gênero no Afeganistão 

Na província de Herat, no Afeganistão, Sahar*, de 22 anos, foi espancada pelo marido por se recusar-se a fazer um teste de virgindade. 

A jovem acabou no Centro de Proteção à Família, no hospital regional, com ferimentos graves. Este local, e outros espalhados no país, recebe o apoio do Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa, para prestar serviços de saúde, psicossociais e jurídicos para sobreviventes de violência de gênero. 

Proteção 

Falando ao Unfpa, a chefe do centro, a médica Freshta Fahim, disse que “tal violência não é aceitável.” Segundo ela, “é um crime e uma violação dos direitos humanos.” 

Ocha Afeganistão/Fariba Housaini

Aproximadamente nove em cada 10 mulheres em Herat sofreram violência conjugal, de acordo com uma pesquisa de 2015. 

Sahar recebeu serviços de saúde e aconselhamento para se recuperar física e emocionalmente da experiência. O centro também a ajudou a obter apoio jurídico da Direção Provincial dos Assuntos da Mulher. 

O pai da jovem disse que “o centro de proteção à família era o único lugar que poderia dar apoio” à sua filha. Ele contou que os funcionários “não só forneceram serviços de saúde e medicamentos, como orientaram a procurar justiça.” 

Desde 2014, o centro tem trabalhado sem parar para fornecer apoio ao maior número possível de sobreviventes. No primeiro trimestre de 2021, conseguiu atender 254 sobreviventes com serviços psicossociais, de saúde e de referência.  

O Unfpa conta que esta “é apenas uma fração dos necessitados.” Aproximadamente nove em cada 10 mulheres em Herat sofreram violência conjugal, de acordo com uma pesquisa de 2015. 

Segundo o governador da província, Wahid Qatali, “a maioria dessa porcentagem está sofrendo violência física”, como a jovem Sahar. 

Virgindade 

Sahar se casou com Abdul, de 28 anos, por decisão dos pais, como é típico em grande parte do país. 

Nos meses seguintes, ela mostrou sinais crescentes de depressão, bem como hematomas por todo o corpo. Eventualmente, seus pais descobriram que estava sendo agredida todos os dias. 

Quando o pai ligou para Abdul, ele disse que o estava fazendo era porque Sahar “não era virgem.” 

Segundo o Unfpa, a virgindade é altamente valorizada no Afeganistão e em todo o mundo, especialmente para mulheres e meninas. Quando uma mulher é acusada de perdê-la antes do casamento, as consequências costumam ser terríveis. Ela pode até ser assassinada no chamado “crime de honra”. 

A agência da ONU afirma que a virgindade é uma ideia social e cultural, não médica, e não existe uma forma médica de determinar se uma pessoa nunca teve relações sexuais antes. 

No entanto, muitas pessoas continuam a acreditar que a virgindade pode ser “provada” por um “exame invasivo e muitas vezes doloroso sem legitimidade científica”. 

Unama/Eric Kanalstein

No Afeganistão, teste de virgindade só pode ser feito com permissão da mulher

Campanha 

Desde a noite de núpcias, Abdul exigia que Sahar fizesse um teste de virgindade. Quando ela se recusou, ele ameaçou matá-la. 

Os pais de Sahar apoiaram sua decisão. Mesmo que os resultados do teste fossem favoráveis​, o fato de ela ter feito o exame teria causado danos à reputação da comunidade. 

No Afeganistão, o teste de virgindade é permitido apenas quando uma mulher concorda com o procedimento, embora a aplicação dessa regra seja um desafio. 

Um especialista em gênero do Unfpa, Noor Hamid, disse que “há um movimento nacional ocorrendo com o governo para proibir o teste de virgindade em sua totalidade.” 

Segundo ele, todos os exames e testes ginecológicos devem ter valor médico e ser realizados apenas no interesse da paciente, como kits de estupro, para conseguir processar os perpetradores de violência de gênero.  

*Nomes foram alterados para proteger a identidade da vítima. 

Dia Internacional do Jazz celebra estilo musical que incentiva a inovação 

Um único gênero musical concentra atributos como quebrar barreiras, criar oportunidades para tolerância, ser veículo de liberdade de expressão e reduzir tensões entre pessoas, grupos e comunidades. 

Este 30 de abril marca o Dia Internacional do Jazz, o estilo incentivador da inovação, da improvisação, de novas formas de expressão e aberto à inclusão de novos estilos. Também se associa ao gênero jazz o diálogo entre culturas e influência em jovens. 

Celebração 

Os brasileiros Romero Lubambo e Ivan Lins se apresentam no Concerto Global Todas as Estrelas, que assinala a 10ª celebração da data. Para assistir, é só se registrar na página do evento que traz ainda nomes como a beninense Angelique Kidjo, o sul-africano Jonathan Butler e os americanos Dianne Reeves, John Beasley, Andra Day, Michael Douglas, Herbie Hancock e Marcus Miller.  

Kristy Sparow

Celebrações envolvem governos, sociedade civil, instituições educacionais e privadas

Para o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, o jazz se alia à alegria, não apenas da música, mas também da liberdade, da diversidade e da dignidade humana. 

Guterres aponta que desde os seus primórdios que o jazz constrói pontes, num histórico papel na luta contra o racismo e a discriminação que continua a unir culturas em todo o mundo.  

Improvisação 

O secretário-geral ressalta que a ênfase igualitária na improvisação dá aos músicos a liberdade de criar como indivíduos enquanto se apresentam como parte de uma comunidade de som simbiótica.  


O líder da ONU lembra que em plena pandemia, artistas e trabalhadores dependentes das artes criativas estão sofrendo. Por isso, ele considera importante restaurar sociedades vibrantes da maneira mais segura, equitativa e rápida possível. 

O Dia Internacional do Jazz foi proclamado pela Assembleia Geral em 30 de novembro de 2011 para sensibilizar o público sobre as virtudes do jazz como ferramenta educacional e força de empatia, diálogo e cooperação reforçada entre as pessoas.  

Em todo o mundo, as celebrações envolvem governos, sociedade civil, instituições educacionais e privadas que promovem as hastags #JazzDay e # JazzDay10. 

As Nações Unidas destacam ainda a oportunidade de se valorizar mais esse estilo musical pelo fato de contribuir para construir sociedades mais inclusivas. 

ONU

ONU vincula jazz ao diálogo entre culturas e influência em jovens

Após encontro sem acordo sobre Chipre, Guterres diz que não desiste de encontrar solução 

Reunião em Genebra contou com representantes das duas partes da ilha do Mediterrâneo, dividida desde 1974, e membros do governo da Grécia, Turquia e Reino Unido; conversações terminaram sem consenso.