Site Página 196

Mais dois monumentos de Portugal integram Lista do Património Mundial da Unesco

O Real Edifício de Mafra e o Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga, de Portugal, estão na Lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco.

A decisão foi tomada este domingo na 43ª Sessão do Comité do Património Mundial, que é realizada até quarta-feira em Baku, no Azerbaijão. 

Coimbra

No evento também foi aprovado o alargamento do “Sítio Universidade de Coimbra – Alta e Sofia” para passar a incluir o Museu Nacional Machado e Castro. O local foi inscrito na Lista do Património Mundial em 2013.

O Real Edifício de Mafra que engloba o Palácio, a Basílica, o Convento, o Jardim do Cerco e a Tapada é tido como uma das mais magnificentes obras do rei D. João V e tornou-se atração pelas “privilegiadas condições culturais e económicas em relação a outras monarquias europeias”.

A obra foi concebido em 1711 envolvendo o arquiteto alemão Johann Friedrich Ludwig, sendo considerada “uma das mais notáveis realizadas pelo monarca por ilustrar o poder e o alcance do Império Português”. 

Segundo a Unesco, João V adotou modelos arquitetónicos e artísticos barrocos romanos e italianos e encomendou obras de arte que tornam Mafra “um exemplo excecional do barroco italiano”.

Santuário do Bom Jesus

Outra deliberação do Comité foi a inscrição do Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga na na Lista do Património Mundial da Unesco.

O santuário em arquitetura barroca foi desenvolvido durante mais de 600 anos e ilustra a tradição europeia de criar montanhas sagradas, promovida pela Igreja Católica no Concílio de Trento no século XVI, em reação à Reforma Protestante. 

O complexo do Bom Jesus é inspirado no Caminho da Cruz, que leva até a encosta oeste do monte e inclui uma série de capelas que abrigam esculturas que evocam a Paixão de Cristo, além de fontes, esculturas alegóricas e jardins formais. 

O trajeto culmina na igreja, que foi construída entre 1784 e 1811, onde edifícios de granito têm fachadas de gesso caiadas de branco, emolduradas por rochas. 

Elementos 

O local exibe ainda ainda a célebre Escadaria dos Cinco Sentidos, com paredes, degraus, fontes, estátuas e outros elementos ornamentais pelas quais é considerada “a obra barroca mais emblemática da propriedade”.

Portugal conta agora com 17 locais inscritos na Lista do Património Mundial da Unesco que no total tem 1.092 sítios em 167 países.  
 

© CMM/ALTHUM

Órgãos da Basílica de Mafra em Portugal

Dia Internacional das Cooperativas destaca fontes de rendimento de mais de 279 milhões de pessoas

As Nações Unidas marcam este 6 de julho o Dia Internacional das Cooperativas, sob o lema  Cooperativas peloTrabalho Decente. #Coops

Todos os anos, a celebração desta forma de associação acontece no primeiro sábado de julho para destacar as organizações que empregam ou são a principal fonte de renda de mais de 279 milhões de pessoas no mundo. Esse número corresponde a 10% do total da população laboral do planeta.

Posições

Desde 1995, as Nações Unidas e a Aliança Cooperativa Internacional unem políticos, organizações da sociedade civil e o público em geral para refletir sobre a contribuição das cooperativas para um ambiente de trabalho decente.

Através dos dias internacionais a ideia é  educar o público sobre questões de interesse, mobilizar a vontade política e os recursos para enfrentar problemas globais e marcar conquistas da humanidade.

Ocha/Anthony Burke

O chefe humanitário da ONU, Mark Lowcock, visitou uma cooperativa na província de Hwanghae Sul, na Coreia do Norte.

A ONU considera os empregos no setor cooperativo mais sustentáveis ao longo do tempo. Nessas associações também se observa um menor fosso em relação a ganhos entre posições mais altas e mais baixas, sendo distribuídos de forma mais uniforme entre as áreas rurais e urbanas.

O objetivo desta celebração é aumentar a consciência sobre as cooperativas, sublinhando as contribuições deste movimento associativo para resolver os principais problemas enfrentados pelas Nações Unidas.

Movimento

 A outra meta é fortalecer e ampliar as parcerias entre o movimento cooperativo internacional e outros atores.

Num momento em que a desigualdade de renda aumenta pelo mundo, as Nações Unidas recordam que existem soluções para a desigualdade.

Segundo a organização, o modelo cooperativo é o mais importante entre soluções de problemas atuais, pois contém aspectos ligados ao desenvolvimento sustentável desde sua essência e é baseado em valores e princípios éticos.

O Dia Internacional das Cooperativas é celebrado desde 1923. Apesar de ter sido proclamado antes da fundação das Nações Unidas, a organização destaca que adotou a data como uma poderosa ferramenta de defesa de direitos.

Relatório pede medidas imediatas para deter e remediar violações graves na Venezuela

Visita

A chefe dos direitos humanos da ONU disse que durante a visita ao país, teve a oportunidade de “ouvir em primeira mão os relatos das vítimas da violência do Estado e suas demandas por justiça”. Ela disse ainda que comunicou fielmente as suas vozes e as da sociedade civil, assim como as violações dos direitos humanos documentadas no relatório às autoridades competentes.

Bachelet apontou que tem esperança de que o acesso concedido a ela, “em conjunto com a subsequente aceitação pelas autoridades de uma presença contínua de dois oficiais de direitos humanos para realizar monitoramento, e começar a prestar assistência técnica e aconselhamento, significam o início do envolvimento positivo sobre as muitas questões de direitos humanos do país.”

Ataques

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos disse que, no entanto, como o “relatório deixa claro, instituições essenciais e o estado de direito na Venezuela foram profundamente desgastados.” Ela  acrescentou que “o exercício da liberdade de opinião, expressão, associação e reunião e o direito de participar da vida pública implicam risco de represálias e repressão.”

A representantes destacou que o “relatório registra ataques contra reais ou possíveis oponentes e defensores dos direitos humanos, desde ameaças e campanhas de difamação até detenções arbitrárias, tortura e maus-tratos, violência sexual e assassinatos e desaparecimentos forçados.” Ela adicionou que “forças excessiva e letal têm sido repetidamente usadas contra manifestantes.”

Crise

O relatório, mandatado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, afirma que na última década, especialmente desde 2016, o governo e suas instituições implementaram uma estratégia “visando neutralizar, reprimir e criminalizar opositores políticos e pessoas críticas ao governo”.

Uma série de leis, políticas e práticas teriam restringido o espaço democrático, desmantelado os controles e equilíbrios institucionais e permitido padrões de violações graves.

O relatório também destaca o impacto do agravamento da crise econômica, que deixou as pessoas sem os meios para cumprir seus direitos fundamentais à alimentação e saúde, entre outros.

Entrevistas

Com base em 558 entrevistas com vítimas e testemunhas de violações de direitos humanos e na deterioração da situação econômica, na Venezuela e em outros oito países, além de outras fontes, o relatório abrange o período de janeiro de 2018 a maio de 2019.

Bachelet disse que “o povo venezuelano está passando por um colapso econômico.” Desde 2013, a contração acumulada do Produto Interno Bruto, PIB, foi de 44,3%, e a inflação acumulada desde 2013 alcançou um dramático índice de 2.866.670% no final de janeiro de 2019.

Nos últimos dois anos, a receita pública caiu com a drástica redução das exportações de petróleo. Dados publicados pelo Banco Central da Venezuela, em 28 de maio de 2019, mostram que os principais indicadores econômicos começaram a declinar muito antes de agosto de 2017.

Venezuelanos na fronteira entre Equador e Peru, by Acnur/Hélène Caux

Sanções

A chefe dos direitos humanos da ONU acrescentou que “independentemente disso, as últimas sanções econômicas estão exacerbando ainda mais essa situação, já que a maior parte dos ganhos em divisas estrangeiras do país derivam das exportações de petróleo, muitos dos quais estão ligadas ao mercado dos EUA.”  Ela disse ainda que fora isso, “os efeitos dessas sanções parecem estar afetando a capacidade do Estado de fornecer serviços básicos de saúde à população.”

Bachelet enfatizou que “a assistência humanitária das Nações Unidas e outros atores tem sido gradualmente aceita pelo governo.” No entanto, o nível da crise é tal que “é difícil responder plenamente às necessidades das pessoas.”

A situação teria tido um impacto negativo nos meios de subsistência das pessoas e inclusive, no tempo de vida deles, especialmente daqueles mais vulneráveis. A alta comissária disse que durante a visita ao país conheceu “muitas pessoas que estão sofrendo”.

O salário mínimo, que é estimado em cerca de US$ 7 por mês, “não pode cobrir nem 5% da cesta básica para uma família de cinco pessoas” e  houve relatos de “mortes por desnutrição”, embora os dados sobre isso, como muitos outros tópicos, não tenham sido divulgados.”

Recursos

Bachelet lembrou que “a Venezuela é um país com muitos recursos valiosos, incluindo reservas formidáveis ​​de petróleo e ouro, uma população jovem e vibrante, localização chave e sistemas que por muitos anos forneceram saúde universal gratuita, educação e outros serviços públicos.” Ela disse ainda que a “atual e dramática crise tem um impacto dramático nos direitos econômicos, sociais e culturais, assim como nos direitos políticos e civis.”

Uma avaliação das necessidades humanitárias realizada em março pelo Escritório das Nações Unidas de Assistência Humanitária, Ocha, concluiu que cerca de 7 milhões de pessoas na Venezuela precisam de assistência humanitária, o que representa um quarto da população.

Fome e privação levaram muitos a se tornarem migrantes ou refugiados. Muitos são forçados a sair doentes, sem recursos econômicos de qualquer espécie. Para Bachelet, a proteção dos direitos humanos dessas pessoas “deve ser considerada uma questão urgente”.

Indígenas

A chefe de direitos humanos da ONU disse que também está preocupada “com a situação dos povos indígenas na Venezuela.” Em particular, ela disse notar a “perda de controle sobre suas terras, territórios e recursos tradicionais, militarização, violência, falta de acesso a comida e água adequadas e os efeitos da mineração.”

Membros de comunidades indígenas estariam sendo explorados em condições de escravidão pela extração ilegal de ouro. Também teria ocorrido violência contra algumas autoridades e líderes indígenas, e declarações de várias autoridades teriam sido relatadas, sugerindo a intenção de eliminar membros da comunidade de Pemón, que se opõem ao governo.

Diálogo

Bachelet destacou que em Caracas disse para todos os líderes políticos, que “a única maneira de sair desta crise é se unir, em diálogo.”

A representante apontou que incentivou “o governo a considerar os defensores da oposição e dos direitos humanos como parceiros na causa comum dos direitos humanos e da justiça e a plantar as sementes para um acordo político duradouro que conduza à reconciliação.”

A alta comissária contou que “entre outros pontos, o governo concordou em permitir realizar uma avaliação da Comissão Nacional para a Prevenção da Tortura, incluindo um compromisso de acesso total a todos os centros de detenção.”

Bachelet disse que “a situação é complexa, mas o relatório contém recomendações claras e concretas para o caminho a seguir”. A expectativa é “sinceramente, que as autoridades tenham em conta essas recomendações no espírito construtivo em que são feitas.”

OIT mostra que apenas 10% dos trabalhadores recebem quase metade do salário global

Dez por cento dos trabalhadores recebem 48,9% do total do salário global, enquanto os 50% dos trabalhadores mais mal pagos recebem apenas 6,4%.  As informações constam em uma nova base de dados da Organização Internacional do Trabalho, OIT, divulgada esta quarta-feira em Genebra.

Além disso, os 20% de trabalhadores com rendas mais baixas, equivalentes a 650 milhões de trabalhadores, ganham menos de 1% da renda global do trabalho. Esse número quase não mudou em 13 anos.

A OIT destaca que os países mais pobres tendem a ter níveis muito mais altos de desigualdade salarial., by Banco Mundial/ Jonathan Ernst

Dados

O novo conjunto de dados indica ainda que a desigualdade global de renda do trabalho global caiu desde 2004. No entanto, essa situação não ocorre devido a reduções na desigualdade dentro dos países pois a desigualdade salarial está, na verdade, aumentando.

Pelo contrário, a razão é o aumento da prosperidade em grandes economias emergentes, mais especificamente na China e na Índia. Mas no geral, os resultados dizem que a desigualdade de renda continua difundida no mundo do trabalho.

Indicadores

A Base de Dados de Compartilhamento e Distribuição de Renda do Trabalho, desenvolvida pelo Departamento de Estatísticas da OIT, contém informações de 189 países. Ela é produzida através da maior coleção do mundo de dados de pesquisa de força de trabalho harmonizada.

A análise oferece dois novos indicadores para as principais tendências no mundo do trabalho, nos níveis nacional, regional e global. Um deles fornece os primeiros números internacionalmente comparáveis ​​da parcela do Produto Interno bruto, PIB, que vai para os trabalhadores, em vez de capital, através de salários e rendimentos.

Resultados

Os principais resultados mostram que, globalmente, a parcela da renda nacional destinada aos trabalhadores está caindo, de 53,7% em 2004 para 51,4% em 2017.

Analisando a distribuição de remuneração média entre os países, constata-se que a participação da classe média diminuiu entre 2004 e 2017, de 44,8% para 43%. Ao mesmo tempo, os ganhos dos 20% que recebem mais aumentou de 51,3% para 53,5%.

Lusófonos

No Brasil, em 2017, 10% dos trabalhdores que ganham mais receberam 41, 36% do total da participação salarial no país. Os 10% seguintes ficaram com 15,45% e os restantes 80% dos trabalhadores ganharam 43,19% do total da participação de renda do trabalho.

Em Angola, no mesmo ano, 10% dos trabalhadores que ganham mais receberam 52,97% do total da participação salarial no país. Em Moçambique, este valor foi de 64,70%. Em Cabo Verde, foi de 37,10%, na Guiné-Bissau 59,01%, em São Tomé e Príncipe foi de 44,23% e em Timor-Leste foi de 51,96%.

Rendimentos

Os países em que estes trabalhadores com as maiores rendas tiveram um aumento de pelo menos um ponto percentual na sua parcela de remuneração nacional inclui Alemanha, Indonésia, Itália, Paquistão, Reino Unido e Estados Unidos.

Para o diretor de Produção de dados da OIT e Unidade de Análise, Steven Kapsos, “os dados mostram que, em termos relativos, os aumentos nos rendimentos daqueles que ganham mais estão associados a perdas para todos os outros, com trabalhadores de classe média e baixa renda vendo um declínio na sua participação da renda.”

Kapsos aponta que, “no entanto, quando as participações de renda do trabalho dos trabalhadores de renda média ou baixa aumentam, os ganhos tendem a ser generalizados, favorecendo todos, exceto os que recebem mais.”

Desigualdade

A OIT destaca que os países mais pobres tendem a ter níveis muito mais altos de desigualdade salarial, algo que exacerba as dificuldades das populações vulneráveis. Na África Subsaariana, metade dos trabalhadores que ganham menos recebem apenas 3,3% da renda do trabalho, em comparação com a União Europeia onde o mesmo grupo recebe 22,9% da renda total paga aos trabalhadores.

O economista do Departamento de Estatística da OIT, Roger Gomis, explicou que “a maior parte da força de trabalho global recebe salários surpreendentemente baixos e, para muitos que têm um emprego, isso não significa ter o suficiente para viver.”

Gomis acrescentou que “a remuneração média da metade inferior dos trabalhadores do mundo é de apenas US$ 198 por mês e os 10% mais pobres precisariam trabalhar mais de três séculos para ganhar o mesmo que os 10% mais ricos em um ano.”

O lançamento da nova base de dados segue uma recomendação feita no relatório da Comissão Global da OIT sobre o Futuro do Trabalho. O estudo destacou a necessidade de novos indicadores para rastrear com mais precisão o progresso no bem-estar, sustentabilidade ambiental, igualdade e na agenda de desenvolvimento centrada no ser humano.

A nova análise também será usada para monitorar o progresso em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, das Nações Unidas.

ONU: ataque fatal a centro de migrantes na Líbia “pode ser considerado um crime de guerra”

A Missão das Nações Unidas na Líbia, Unsmil,  condenou com veemência um  ataque que esta terça-feira provocou pelo menos 44 mortes e mais de 130 feridos graves num complexo de detenção de migrantes em Tajoura.

Agências de notícias informaram que as autoridades reconhecidas pela comunidade internacional disseram que o local situado a leste da capital, Trípoli, foi alvo de um ataque aéreo. De acordo com os relatos, as forças antigovernamentais lideradas pelo general Khalifa Haftar acusam as forças do governo de ter realizado o ato.

Michelle Bachelet disse que o ataque pode corresponder a um crime de guerra. Foto: ONU/ Laura Jarriel

Travessia

Avaliações preliminares apontam que a maior parte dos mortos são migrantes africanos que tentavam chegar à Europa atravessando o mar por vias clandestinas através da Líbia.

De acordo com a Missão das Nações Unidas na Líbia, esta é a segunda vez que a instalação com cerca de 600 migrantes foi atacada.

O representante especial do secretário-geral no país, Ghassan Salamé, chamou o ato de “covarde” acrescentando que “claramente, pode ser considerado um crime de guerra, por terem matado pessoas civis inocentes apanhadas de surpresa, cujas condições terríveis os forçaram a ficar naquele abrigo.”

A alta comissária dos Direitos Humanos, Michelle Bachelet, disse que o fato de ter sido comunicada as coordenadas desse centro de detenção e o conhecimento de que ele abrigava civis envolvidos no conflito indica que esse ataque pode, dependendo das circunstâncias precisas, corresponder a um crime de guerra.

Civis

O apelo é que as partes em conflito cumpram suas obrigações sob o Direito Internacional Humanitário e tomem todas as medidas possíveis para proteger civis e infraestrutura civil, incluindo escolas, hospitais e centros de detenção.

Bachelet destaca que os princípios da distinção, da proporcionalidade e da precaução devem, em todos os momentos, ser plenamente respeitados.

Ela ressaltou que as partes de um conflito são obrigadas a tomar todas as precauções possíveis para proteger a população civil sob seu controle contra os efeitos do ataque, inclusive evitando localizar objetivos militares próximos a objetivos civis.

A Organização Internacional para Migrações, OIM, e a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur, consideram “terrível” o número de feridos e das vidas perdidas no ataque.

Unicef/Alessio Romenzi

Migrantes num centro de detenção em Tripoli, na Líbia.

Centros de detenção

As agências destacaram que vêm levantando preocupações repetidamente sobre a questão de pessoas em centros de detenção.

Em relação ao último ato de violência, a agência destaca que esse perigo foi alertado quando abordaram o retorno de migrantes e refugiados à Líbia, após serem interceptados ou resgatados no mar Mediterrâneo.

A mensagem destaca a condenação veementemente deste e de qualquer ataque à vida de civis e pede o fim imediato da detenção de migrantes e refugiados. O apelo das duas agências é que seja garantida a proteção dessas pessoas na Líbia.

Ocha/Giles Clarke

Antiga Câmara dos Oradores do Parlamento em Trípoli, na Líbia

Hospitais

Em nota separada, a Organização Mundial da Saúde, OMS, refere que bombardeios contínuos e confrontos armados prejudicam as equipes de ambulância em hospitais e áreas afetadas pela onda de violência que piorou em abril.

No último trimestre, pelo menos 910 pessoas morreram vítimas da violência somente em Trípoli. Especialistas da agência realizaram 58 cirurgias maiores e 150 menores mesmo com necessidades, desafios e lacunas na área de saúde.

Em muitos distritos falta combustível e várias agências do setor enfrentam intimidação de grupos armados estatais e não estatais durante sua ação para salvar vidas.

A OMS destaca que em três ocasiões diferentes o acesso dos parceiros foi bloqueado, o escritório de um dos parceiros foi invadido, revistado e saqueado e também foi preso um membro da equipe cirúrgica apoiando um hospital da linha de frente.

OMM: mês de junho foi o mais quente já registrado na Europa

Continente teve temperatura média com 2°C acima do normal; OMM aponta que tais ondas de calor são consistentes com cenários climáticos que preveem eventos do tipo mais frequentes, prolongados e intensos.

1,44 milhão de refugiados em 60 países precisarão de reassentamento em 2020

Mais de 1,44 milhão pessoas que pediram abrigo em mais de 60 países precisarão de reassentamento em 2020, anunciou a Agência da ONU para Refugiados, Acnur.

O alto comissário para os Refugiados, Filippo Grandi, disse que é preciso “urgentemente que os países avancem e reassentem mais refugiados.”

Necessidades

De acordo com a pesquisa, as pessoas com maiores necessidades de reinstalação incluem refugiados sírios, cerca de 40%. A seguir estão cidadãos que deixaram o Sudão do Sul, 14%, e da República Democrática do Congo, 11%.

Grandi lembrou que “a esmagadora maioria, 84%, dos refugiados do mundo estão hospedados em regiões em desenvolvimento que enfrentam seus próprios desafios económicos e de desenvolvimento e cujas populações podem viver abaixo da linha de pobreza.” Para o representante, “simplesmente tem que haver uma divisão mais equitativa das responsabilidades pelas crises globais.”

O representante afirmou que a ” história mostrou que, com um forte senso de propósito, os Estados podem se unir para responder coletivamente às crises de refugiados e ajudar milhões a alcançar a segurança, encontrar casas e construir futuros em novas comunidades.”

Regiões

A região do leste e nordeste de África é onde se encontram as maiores necessidades de reassentamento, quase 450 mil pessoas. Segue-se a Turquia, 420 mil, o Oriente Médio e Norte da África, 250 mil, e a região central de África e região dos Grandes Lagos, onde quase 165 mil pessoas precisam de um novo local para viver.

Devido à lacuna entre o número de refugiados que precisam de reassentamento e os lugares disponibilizados pelos governos em todo o mundo, ele está disponível apenas para uma fração dos refugiados do mundo.

No ano passado, 25 países admitiram 92,4 mil refugiados. Cerca de 55,6 mil foram transferidos através de programas facilitados pelo Acnur.

Estratégia

A agência e os parceiros apresentaram esta semana uma Estratégia de Três Anos sobre Reassentamento e Caminhos Complementares, para 2019-2021.

A estratégia visa aumentar o número de lugares de reassentamento e a disponibilidade de caminhos complementares para admissão, assim como expandir o número de países que oferece reassentamento

Grandi disse que esta iniciativa “representa uma oportunidade única para traduzir as aspirações de maior solidariedade e partilha de responsabilidades em resultados tangíveis na forma de soluções para os refugiados.”

A estratégia pretende que, até 2028, 3 milhões de refugiados se beneficiem de proteção e soluções eficazes através de reassentamento em 50 países.

“Desajuste climático acontece agora e para todos”, diz Guterres em Abu Dhabi

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reafirmou que o mundo enfrenta “uma grave emergência climática” durante a reunião sobre o clima que acontece em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Ao discursar este domingo na abertura do evento, o chefe das Nações Unidas destacou que o desajuste climático acontece agora e para todos.

Mudança

Para Guterres, esta situação avança ainda mais rapidamente do que o previsto por grandes cientistas do mundo e “supera os esforços para resolvê-la”. Ele sublinhou que “a mudança climática avança mais rápido do que nós”.

O representante declarou ainda que a cada semana ocorre uma nova devastação relacionada ao clima, tendo  mencionado inundações, secas, ondas de calor, incêndios e grandes tempestades.

O secretário-geral disse haver algum movimento para ação climática em nível mundial, que no entanto ainda não é suficiente.

A expectativa é que essa situação venha a mudar com a Cúpula de Ação Climática marcada para setembro, em Nova Iorque.

A mudança climática avança mais rápido do que nós

Impostos

O chefe da ONU disse que sua mensagem é que “soluções existem”. A primeira é que sejam transferidos os impostos de salários para o carbono, tributando a poluição e não às pessoas.

Em segundo lugar, Guterres defende o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis. Para ele, “o dinheiro dos contribuintes não deve ser usado para aumentar os furacões, espalhar as secas e as ondas de calor e derreter os glaciares”.

Por último, Guterres defende o fim da construção de novas centrais de carvão até 2020. Ele propõe que haja lugar para “uma economia verde, não uma economia cinza.” Ele quer ainda que a nova infraestrutura seja inteligente e favorável ao clima.

Energia

O secretário-geral disse que é preciso fornecer energia sustentável, limpa e acessível aos mais de 800 milhões de pessoas que ainda vivem sem acesso à eletricidade.

PresseBox.de flickr

Energia solar é uma das áreas que deve receber investimento.

O secretário-geral pede “uma mudança rápida e profunda” na forma como se fazem negócios, é gerada energia, são construídas cidades e alimentado o mundo. Para o chefe da ONU, na última década foram reveladas as ferramentas para isso.

O apelo a todos os líderes, de governos e do setor privado, é que estes “apresentem planos para reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 45% até 2030”. Isso deve ocorrer na cúpula de setembro ou o mais tardar até dezembro de 2020.

As Nações Unidas pretendem também que seja alcançada a neutralidade do carbono até 2050.

Guterres pede mais ação pelo clima e cita calor na Europa, secas e tempestades

O secretário-geral das Nações Unidas e os ministros das Relações Exteriores da França e da China lançaram uma declaração conjunta pedindo ações contra a mudança climática, em sessão que aconteceu este sábado em paralelo à reunião do G20 em Osaka, no Japão.

A reunião que juntou António Guterres e os chefes da diplomacia francesa, Jean-Yves Le Drian, e chinesa, Wang Yi,  marcou o segundo dia da cimeira dos lideres das 20 maiores economias mundiais.

Ambição

Na reunião trilateral, Guterres chamou a atenção para a  “situação difícil”  na ação climática, e agradeceu os compromissos dos dois países com o Acordo de Paris em prol de uma abordagem multilateral da questão.

António Guterres disse que a situação atual é pior do que o esperado. Ele apontou exemplos como a  onda de calor na Europa, as secas e as tempestades que acontecem em momento marcado pela “vontade política que está desaparecendo” no mundo.

Para o secretário-geral é preciso um impulso na vontade política, quando as alterações climáticas ocorrem mais depressa do que a ação para trava-la, existem falhas em nível de políticas em “algumas áreas do mundo” e houve “pouco sucesso” na reunião recente sobre o tema realizada em Bona, na Alemanha.

Guterres disse estar claro que deve ser limitado o aumento da temperatura a 1,5º C até o final do século e definido o roteiro para atingir esse objetivo, segundo recomenda o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, Ipccc.

Finanças

O chefe da ONU afirmou ainda que é preciso um aumento significativo na ambição em áreas como mitigação, ambição, adaptação e finanças para o clima.

Ele defendeu os esforços para ajudar a alcançar a meta de US$ 100 bilhões por ano dos setores privado e público para apoiar os países em desenvolvimento, através do Fundo Verde para o Clima.

Guterres destacou ainda que a Cúpula do Clima em setembro, em Nova Iorque, vai acontecer um ano antes da revisão dos compromissos sobre as contribuições determinadas pelos países. Para ele, essas medidas serão absolutamente decisivas para  aumentar a ambição antes da COP25 no Chile.

G20 Osaka Summit 2019

Líderes mundiais na reunião do G20 em Osaka no dia 28 de junho de 2019.

Europa tem a primeira onda de calor do ano

Aquecimento provocado por massas de ar quente da África, estabelecem novos recordes de temperatura diurna e noturna para junho; para Organização Meteorológica Mundial, OMM, calor representa um risco para a saúde das pessoas e para o meio ambiente.

“Temos de lembrar que crimes de ódio são precedidos por discurso de ódio”

O Conselheiro Especial para a Prevenção do Genocídio, Adama Dieng, disse que “todos temos de lembrar que crimes de ódio são precedidos por discurso de ódio.”

Adama Dieng foi o autor da Estratégia e Plano de Ação das Nações Unidas contra o Discurso de Ódio, lançada este mês em Nova Iorque.

História

Em entrevista à ONU News, o representante lembrou vários exemplos históricos de violações de direitos humanos que começaram com palavras contra grupos étnicos ou religiosos.

O representante disse que “todos têm de lembrar que o genocídio dos tutsis em Ruanda começou com discurso de ódio.” Ele acrescentou que “o Holocausto não começou com as câmeras de gás, mas muito antes, com discurso de ódio e que “o que é observado em Mianmar contra a população rohingya também começou com discurso de ódio.”

Atualidade

Na atualidade, Dieng vê um aumento do extremismo no mundo e defende que é necessário combater este tipo de incitação.

O enviado disse que “o que é visto pelo mundo, com a subida de extremistas, seja na Europa, na Ásia, em toda a parte, quando se nota um número crescente de grupos neonazistas, grupos neofascistas, e quando é observada a forma como os migrantes e refugiados estão sendo vilificados, é preciso fazer todos os esforços para abordar este discurso de ódio.”

Combate

Dieng diz que deve ser lembrado que palavras matam. Segundo ele, “palavras matam assim como balas.”

Por essa razão, o conselheiro defende que sejam feitos todos os esforços para investir em educação e na juventude “para que a próxima geração entenda a importância da vida em conjunto.

Para o alto funcionário da ONU, é necessário “fazer todos os esforços para que ataques, como aquele no Sri Lanka, quando igrejas foram atacadas, na Nova Zelândia, em Pittsburgh, tudo tenha de parar.”

Para isso, Adieng sugere “um investimento em mobilizar a juventude, usar o verbo para que se torne uma ferramenta para a paz, para o amor, para aumentar a coesão social e a harmonia no mundo, em vez de ser uma ferramenta para continuar a cometer genocídio e crimes contra a humanidade.”

Estratégia

A Estratégia e Plano de Ação das Nações Unidas contra o Discurso de Ódio foi lançada este mês pelo secretário-geral da organização, António Guterres.

No lançamento, o chefe da ONU considera que esse ato de comunicação “é um ataque direto” aos valores centrais de tolerância, da inclusão e do respeito pelos direitos humanos e pela dignidade humana.

O secretário-geral afirmou também que as Nações Unidas, os governos, o setor privado, a academia, a sociedade civil e a comunidade internacional precisam de intensificar esforços.

Veja aqui a entrevista de Adama Dieng em inglês:

Micro, Pequenas e Médias Empresas responsáveis por entre 60% a 70% do total de empregos

Esta quinta-feira, 27 de junho, marca o Dia das Micro, Pequenas e Médias Empresas. O tema desse ano é Dinheiro grande para negócios pequenos: Financiando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS”.

De acordo com o Conselho Internacional para Pequenas Empresas, estas organizações, formais e informais, representam mais de 90% de todas as empresas. Além disso, são responsáveis, em média, por 60% a 70% do total de emprego e 50% do Produto Interno Bruto, PIB.

Importância

Em algumas comunidades, as pequenas empresas que usam os recursos das florestas são essências para sua subsistência, FAO/Giuseppe Bizzarri

Em nota, a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, disse que “são chave para criar os 600 milhões de empregos necessários até 2030 para acompanhar o ritmo do crescimento da população em idade ativa.”

O dia é marcado desde 2017, em reconhecimento ao seu impacto nas economias locais e globais. As Nações Unidas dizem que essas empresas, que geralmente empregam menos de 250 pessoas, “são a espinha dorsal da maioria das economias e desempenham um papel fundamental nos países em desenvolvimento.”

Segundo a organização, “são responsáveis ​​por oportunidades significativas de geração de emprego e renda em todo o mundo” e foram identificadas como “um dos principais impulsionadores da redução da pobreza e do desenvolvimento.”

Também tendem a empregar uma parte maior dos setores vulneráveis ​​da força de trabalho, como mulheres, jovens e pessoas de famílias mais pobres, e podem, às vezes, ser a única fonte de emprego nas áreas rurais.

Tema

Em 2019, o tema do dia é Dinheiro grande para negócios pequenos: Financiando os ODS”.

A ONU diz que “as empresas menores podem ser ágeis em resposta a um mundo em mudança, mas o seu tamanho também as torna vulneráveis.”

A organização afirma que “o acesso ao financiamento é um obstáculo primário” e que “identificar as oportunidades do mercado internacional e navegar pelos procedimentos relacionados ao comércio pode ser mais difícil do que para os concorrentes maiores.”

Com o objetivo de superar esses desafios, o International Trade Center, uma entidade das Nações Unidas, trabalha na internacionalização de micro e pequenas e médias empresas.

Agenda 2030

Micro, pequenas e médias empresas são vitais para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em particular na promoção de inovação, criatividade e trabalho decente para todos.

As metas 8.3 e 9.3 dos ODS apelam para o aumento do acesso aos serviços financeiros. Além disso, estas empresas são um elemento importante na implementação do ODS 8, de trabalho decente e crescimento econômico, e ODS 9, sobre indústria, inovação e infraestrutura.

O discurso de ódio, um incêndio arrasador

O ódio está a ganhar terreno em todo o mundo. Uma onda ameaçadora de intolerância e violência baseada no ódio tem como alvo fiéis de muitas religiões em todo o mundo. Infelizmente, estes cruéis incidentes estão a tornar-se frequentes.

Guterres Hate speech

Nos últimos meses, vimos judeus assassinados em sinagogas, as suas lápides profanadas com suásticas, muçulmanos mortos a tiros em mesquitas, os seus locais de cultos vandalizados, cristãos mortos durante as orações e as suas igrejas incendiadas.

Além destes ataques horríveis, uma retórica cada vez mais repugnante está a ser dirigida contra grupos religiosos, mas também contra minorias, migrantes, refugiados, mulheres e os chamados “outros”.

À medida que o fogo do ódio se propaga como um incêndio arrasador, as redes sociais estão a ser exploradas para promover a intolerância. Os movimentos neonazis e a supremacia branca ganham adeptos e a retórica incendiária está a ser utilizada para proveito político.

O ódio está a deixar de ser residual, tanto nas democracias liberais como nos regimes autoritários, lançando uma sombra sobre a humanidade.

As Nações Unidas têm um longo historial em mobilizar o mundo contra o ódio de todos os tipos através de uma ampla ação na defesa dos direitos humanos e na promoção do estado de direito.

De facto, a própria identidade e a fundação da Organização estão enraizadas no pesadelo que surge quando o ódio viral não tem oposição durante muito tempo.

Reconhecemos o discurso do ódio como um ataque à tolerância, inclusão, diversidade e à própria essência das nossas normas e princípios de direitos humanos.

De um modo mais geral, o ódio prejudica a coesão social, corrói os valores partilhados e pode lançar as bases para a violência, fazendo retroceder a causa da paz, estabilidade, desenvolvimento sustentável e dignidade humana.

Nas últimas décadas, o discurso de ódio tem sido precursor de crimes atrozes, incluindo o genocídio, do Ruanda à Bósnia, até ao Camboja.

Temo que o mundo esteja a chegar a outro momento agudo na luta contra o ódio.

Por isso, lancei duas iniciativas de resposta das Nações Unidas.

Em primeiro lugar, apresentei recentemente uma Estratégia e Plano de Ação sobre o Discurso de Ódio para coordenar esforços em todo o sistema das Nações Unidas, abordando as causas profundas e tornando a nossa resposta mais eficaz.

Em segundo lugar, estamos a desenvolver um Plano de Ação para que a ONU esteja plenamente envolvida nos esforços para apoiar a salvaguarda dos locais religiosos e garantir a segurança das casas de culto.

Aos que insistem em usar o medo para dividir as comunidades, devemos dizer que a diversidade é uma riqueza, nunca uma ameaça.

Um espírito profundo e sustentado de respeito e recetividade mútuos pode transcender publicações e tweets disparados numa fração de segundo. Nós nunca devemos esquecer, afinal de contas, que cada um de nós é um “outro” para alguém, em algum lugar. Não pode haver ilusão de segurança quando o ódio é generalizado.

Como parte da humanidade, é nosso dever cuidar uns dos outros.

Naturalmente, todas as ações destinadas a abordar e a confrontar o discurso do ódio devem ser consistentes com os direitos humanos fundamentais.

Abordar o discurso do ódio não significa limitar ou proibir a liberdade de expressão. Significa impedir que o discurso de ódio se transforme em algo mais perigoso, particularmente incitação à discriminação, hostilidade e violência, o que é proibido pelo direito internacional.

Precisamos de tratar o discurso do ódio como lidamos com todos os atos maliciosos: condenando-os, recusando amplificá-los, combatendo-os com a verdade e incentivando os perpetradores a mudar o seu comportamento.

É hora de intensificar a luta contra o antissemitismo, o ódio antimuçulmano, a perseguição aos cristãos e todas as outras formas de racismo, xenofobia e intolerância.

Os governos, a sociedade civil, o setor privado e os órgãos de comunicação social têm papéis importantes a desempenhar. Os líderes políticos e religiosos têm uma responsabilidade especial de promover a coexistência pacífica.

O ódio é um perigo para todos e, portanto, esta luta deve ser uma tarefa de todos. Juntos, podemos apagar o fogo do ódio e defender os valores que nos unem numa só família humana.

Progresso ou caos? A urgência da cooperação digital

Press Encounter by the President of the General Assembly on the SDG Action Event on Innovation. The PGA will be joined by Dr. Astro Teller, Google X CEO; Peter Diamandis, XPRIZE Foundation Chairman; and Dr. Justine Cassell from Carnegie Mellon University CEO of Google X, Dr. Astro Teller

Artigo de opinião pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres

Progresso ou caos? A urgência da cooperação digital.

As novas tecnologias oferecem enormes oportunidades para dinamizar o trabalho das Nações Unidas em prol da paz, do desenvolvimento sustentável e dos direitos humanos. O progresso científico está a ajudar, como nunca, a curar doenças mortais, a alimentar uma população em crescimento, a impulsionar o crescimento económico e a aproximar empresas, comunidades, famílias e amigos em todo o mundo. O rápido desenvolvimento de áreas como a inteligência artificial, a tecnologia blockchain e a biotecnologia oferece um grande potencial para melhorar o bem-estar e gerar soluções inovadoras para os desafios globais.

O ritmo da mudança é notável. As novas tecnologias estão a sair dos laboratórios para serem utilizadas globalmente a um ritmo sem precedentes. Mais de 90% de todos os dados que existem hoje foram produzidos nos últimos dois anos. Como um líder tecnológico me disse recentemente, embora o setor já avance à velocidade da luz, o progresso no futuro nunca mais será tão lento como hoje.

Devemos tirar o maior partido destes avanços que salvam e melhoram vidas. À medida que o mundo se esforça para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o plano acordado internacionalmente para a construção de um mundo melhor para todos, as tecnologias digitais podem ser especialmente úteis nas áreas em que o mundo está mais atrasado. Devemos procurar abordagens inclusivas que reúnam todas as partes interessadas. Devemos ainda tomar medidas firmes para promover a participação significativa das mulheres e a capacitação das jovens na ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Ainda que para muitos seja difícil lembrar como vivíamos sem Internet, continua a existir um enorme fosso digital. Para mais de metade da população mundial, o acesso é caro, lento ou simplesmente inexistente. Este desequilíbrio está a exacerbar desigualdades noutras áreas importantes, como a educação, a saúde e a riqueza. As oportunidades digitais devem chegar a todos para o benefício de todos.

No entanto, também devemos reconhecer as ameaças que resultam das novas tecnologias. Armas que podem identificar e matar de forma autónoma estão mais

próximas de se tornarem realidade, uma inovação moralmente repugnante. As redes sociais estão a ser utilizadas para espalhar o ódio e a mentira. A tecnologia está a ser aproveitada por terroristas e redes criminosas organizadas escondem-se na dark web, aproveitando-se da criptografia e de pagamentos anónimos feitos com criptomoedas para o tráfico de pessoas e drogas ilegais. Por outro lado, embora a inovação continue a gerar novas oportunidades laborais, muitos trabalhadores temem que os seus empregos sejam vítimas da automação, o que evidencia a necessidade de se apostar em formação profissional em larga escala, ampliar os sistemas de proteção social e promover educação que, desde os primeiros anos, enfatize a aprendizagem ao longo da vida.

Podemos e devemos fazer mais para garantir que as tecnologias digitais sejam uma força ao serviço do bem comum. Por isso, estabeleci um Painel de Alto Nível sobre Cooperação Digital, que acaba de publicar o seu primeiro relatório. Liderado por Melinda Gates, da Fundação Gates, e por Jack Ma, da Alibaba, o Painel reuniu diversos especialistas que recolheram opiniões em todo o mundo, debateram energicamente, analisaram um grande leque de desafios e apresentaram recomendações detalhadas para aproveitar o melhor que as novas tecnologias têm para oferecer.

O Painel recomendou formas para eliminar o fosso digital, aumentar a cooperação e melhor governar o desenvolvimento da tecnologia digital através de modelos abertos, ágeis, com a participação de múltiplas partes interessadas. Modelos clássicos de governação não se aplicam. A tecnologia avança tão rápido que, no momento em que os decisores se reúnem para preparar, discutir, aprovar, ratificar e implementar uma convenção ou um novo acordo, o cenário mudou completamente. A definição de políticas analógicas não funcionará num mundo digital.

Saúdo o facto do Painel de Alto Nível ter reconhecido as Nações Unidas como o único fórum, legítimo e dinâmico, onde os governos, a sociedade civil, o meio académico, a comunidade científica e o próprio setor tecnológico se podem unir para discutir o caminho a seguir. Para além da capacidade de mobilização da ONU, os nossos esforços na definição de padrões, capacitação e recolha de dados também poderão ser contributos valiosos. Vou elaborar um plano de ação sobre o papel da ONU e promover qualquer debate considerado útil pelas partes interessadas.

É urgente ter esta conversa. A era da interdependência digital aprofunda-se com cada transmissão em direto, transação digital e plataforma inovadora. Tal como acontece com outros fenómenos globais por excelência, como o comércio, comunicações,

alterações climáticas e mobilidade humana, a cooperação internacional pode ser a diferença entre o progresso e o caos. Devemos atuar agora para criar confiança, adiantarmo-nos aos novos problemas e promover um futuro digital pacífico, próspero e positivo para todos.

Opinião

Inivitation_Unsplash
Inivitation_Unsplash

Fique a conhecer os últimos artigos de opinião do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

8 mil milhões de pessoas, uma Humanidade

Expresso, 11 de novembro, 2022

A minha mensagem de Hiroshima

Expresso, 7 de agosto, 2022

O mundo está a arder. Precisamos de uma revolução das renováveis

Público, 26 de junho, 2022

Lembrar a importância do desarmamento nuclear

Público, 15 de dezembro, 2021

Combatendo uma desigualdade epidémica: um novo contrato social para uma nova era
Público, 19 de julho, 2020

Um alerta à escala global
Público, 3 de julho, 2020

Covid-19: ameaças aos direitos das mulheres prejudicam-nos a todos
Observador, 29 de abril, 2020

Unidos na luta contra uma pandemia sem precedentes
The Guardian e Público, 3 de abril, 2020

Covid-19: Juntos venceremos o vírus
Público, 14 de março, 2020

A (des)igualdade de género e o (des)equilíbrio de poder
Expresso, 3 de março, 2020

Progresso ou caos? A urgência da cooperação digital
Expresso, 22 de junho, 2019

O discurso de ódio, um incêndio arrasador
18 de junho, 2019