O Bangladesh atravessa um dos períodos mais críticos da sua história recente, marcado por protestos estudantis que se intensificaram em 2024. Os manifestantes, maioritariamente jovens, exigem reformas profundas, acusando o governo da primeira-ministra Sheikh Hasina de corrupção, repressão à liberdade de expressão e manipulação do processo eleitoral
Em agosto de 2024, após a escalada dos protestos, Hasina renunciou. A situação agravou-se com uma repressão violenta às manifestações. Mais de 1.400 pessoas morreram, incluindo várias crianças, segundo o Escritório de Direitos Humanos da ONU (ACNUDH). A violência e a repressão geraram uma onda de indignação tanto no país como junto da comunidade internacional.
Atualmente, o país é governado por um executivo interino liderado pelo laureado com o Prémio Nobel da Paz, Muhammad Yunus, que enfrenta o desafio de organizar eleições gerais e implementar reformas institucionais para fortalecer a democracia e combater a corrupção. Em paralelo, o Partido Nacionalista do Bangladesh (BNP), liderado pela ex-primeira-ministra Khaleda Zia, tornou-se uma voz proeminente na exigência de eleições livres e justas, acusando o governo anterior de promover uma repressão sistemática para assegurar a permanência no poder.
A comunidade internacional tem acompanhado de perto a evolução da situação, com várias organizações de direitos humanos a exigir investigações independentes e responsabilização pelos atos de violência. O futuro político do Bangladesh permanece incerto, com o risco de novas ondas de instabilidade caso as reivindicações da população e da oposição não sejam atendidas. As Nações Unidas, através do ACNUDH levou a cabo uma investigação para apurar responsabilidades.
Num contexto de tensão crescente, o governo interino enfrenta uma tarefa difícil: restaurar a confiança nas instituições, garantir a realização de eleições credíveis e responder às exigências de justiça por parte das vítimas da repressão. O desenrolar dos próximos meses será determinante para definir o rumo do país e a sua trajetória democrática.
OMS | Extensa destruição na Faixa de Gaza após 16 meses de guerra.
O regresso da guerra em Gaza deve ser evitado a todo o custo, insistiu o secretário-geral da ONU, António Guterres, nesta terça-feira, numa altura em que se receia que o cessar-fogo de três semanas entre combatentes do Hamas e Israel esteja prestes a terminar.
“Devemos evitar a todo o custo a retoma das hostilidades em Gaza, que levaria a uma imensa tragédia”, afirmou o líder da ONU, num comunicado transmitido aos jornalistas pelo porta-voz da ONU em Genebra, Rolando Gomez.
“Apelo ao Hamas para que prossiga com a libertação planeada de reféns no próximo sábado. Ambas as partes devem cumprir integralmente os seus compromissos no acordo de cessar-fogo e retomar negociações sérias em Doha para a segunda fase.”
O apelo surge numa altura em que há relatos de que o Hamas suspendeu a libertação de reféns de Gaza agendada para sábado, alegando que palestinianos continuam a ser mortos no enclave devastado pela guerra e que pouca ajuda humanitária está a entrar na Faixa de Gaza.
Operações da UNRWA continuam
A agência da ONU para refugiados palestinianos, UNRWA, afirmou esta terça-feira que as suas operações continuam sem interrupções em Gaza e na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental.
“As nossas clínicas em toda a Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, estão abertas, enquanto a operação humanitária em Gaza continua. Estamos comprometidos em permanecer e fornecer assistência”, declarou a UNRWA numa publicação online.
O Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) destacou que um aumento significativo na entrada de ajuda em Gaza foi possível “graças às condições geradas por este acordo [de cessar-fogo]” iniciado a 19 de janeiro.
Em Genebra, o porta-voz do OCHA, Jens Laerke, declarou que a ONU já entregou alimentos, recursos médicos, materiais para abrigos e mais nos últimos 21 dias “que nos permitiram prestar um espetro de serviços essenciais à população necessitada por toda a Gaza e iniciar reparações”.
Apelo de António Guterres: “Apelo ao Hamas para que prossiga com a libertação planeada de reféns no próximo sábado. Ambas as partes devem cumprir integralmente os seus compromissos no acordo de cessar-fogo e retomar negociações sérias em Doha para a segunda fase.”
Aumento na assistência humanitária
De acordo com a atualização humanitária mais recente do OCHA, mais de 1,5 milhões de pessoas em Gaza receberam pacotes de alimentos desde o início do cessar-fogo.
O Programa Alimentar Mundial (PAM) distribuiu pacotes de alimentos, refeições quentes e dinheiro por mais de 860.000 pessoas em Gaza, revelou a OCHA, enquanto os seus parceiros continuam a fornecer refeições à medida que cozinhas comunitárias são abertas em novas áreas.
As reparações de poços de água continuam em toda a Faixa de Gaza. No entanto, a destruição generalizada da infraestrutura e a escassez de peças de reposição, geradores e painéis solares dificultam os esforços para aumentar a produção de água.
Atualmente, quase 60 organizações de saúde oferecem serviços primários e secundários em Gaza, garantindo o acesso a cuidados essenciais.
A agência da ONU para a saúde reprodutiva, UNFPA, está a distribuir produtos de ajuda humanitária que beneficiarão mais de 65.000 pessoas nas próximas três semanas.
Além disso, a UNFPA apoiou outra organização de saúde que abriu três centros temporários de atenção médica primária em Gaza e um ponto médico temporário em Jabalya, no norte.
O OCHA relatou que as recentes tempestades de inverno destruíram pelo menos cinco espaços infantis em Khan Younis e na região central de Gaza.
“As necessidades são enormes”, disse Gomez aos jornalistas. “O cessar-fogo está em vigor, mas isso não significa que as necessidades não sejam imensas, e elas continuam a ser a nossa prioridade.”
A resposta, nas palavras do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, é clara: não. “Podemos nem estar prontos para o presente.”
A Inteligência Artificial (IA) já não é ficção científica; tornou-se uma força poderosa a moldar a forma como vivemos, trabalhamos e interagimos. Esta tecnologia tem o potencial de impulsionar avanços na educação, na saúde e na sustentabilidade, mas também coloca em risco os nossos valores e direitos fundamentais.
Para Guterres, o poder da IA “está nas mãos de poucos”, o que aprofunda desigualdades e cria um mundo de “privilegiados e excluídos”. Por isso, apela a uma ação global: “Devemos trabalhar juntos para que a IA seja uma ponte entre países desenvolvidos e em desenvolvimento – e não um fator de divisão.”
A ONU lidera este esforço através do Pacto Digital Globale da criação de um Painel Científico Internacional Independente sobre IA. A missão é clara: garantir que a IA serve a humanidade, respeita os direitos humanos e promove o desenvolvimento sustentável, enquanto se evita o abuso e a concentração de poder.
Além disso, Guterres sublinha a necessidade de construir infraestruturas digitais sustentáveis, formar talentos globais e reduzir o impacto ambiental da IA: “Os sistemas de IA devem ser alimentados por energias sustentáveis, para que ajudem a construir um futuro mais verde.”
Por fim, Guterres deixa-nos uma reflexão urgente: “Quem decide como a IA é usada? Quem beneficia mais? E quem paga o preço pelos erros?”
A IA está a avançar rapidamente. Não podemos ficar para trás. “Devemos moldar uma IA criada por toda a humanidade, para toda a humanidade”, sublinha o líder da ONU.
Há dez anos, o primeiro Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência reconheceu uma verdade fundamental: a participação das mulheres é essencial para a construção de um mundo melhor através da ciência e da tecnologia. Testemunhei esse enorme potencial em primeira mão quando lecionei engenharia e vi o talento, a criatividade e a determinação notáveis de inúmeras cientistas.
No entanto, atualmente, as mulheres ainda representam apenas um terço da comunidade científica global. Privadas de financiamento adequado, oportunidades de publicação e posições de liderança nas universidades, as mulheres e as raparigas continuam a enfrentar uma batalha desafiante para construir carreiras nas áreas da ciência, da tecnologia, da engenharia e da matemática (STEM).
Basta olhar para o desenvolvimento das novas tecnologias digitais. Os homens dominam o setor em todos os níveis, incluindo na Inteligência Artificial. O resultado é um aumento de algoritmos tendenciosos e de desigualdades impregnadas, correndo o risco de inaugurar uma nova era de machismo digital.
Quanto mais as mulheres forem excluídas das STEM, mais limitamos o nosso poder coletivo para enfrentar desafios globais urgentes, como as alterações climáticas, a segurança alimentar, a saúde pública e a transformação tecnológica.
Nós podemos e devemos fazer mais para garantir igualdade de oportunidades.
Aumentando as bolsas de estudo, de estágios e de oportunidades de mentoria para abrir portas para as mulheres e as raparigas nas STEM; criando ambientes de trabalho que atraiam, retenham e promovam mulheres na ciência; incentivando o interesse das raparigas pelas STEM desde a infância; destacando líderes femininas na ciência através dos media e desmantelando estereótipos de género.
O Pacto para o Futuro, acordado em setembro passado pelos Estados-membros, confere um novo impulso a esses objetivos, comprometendo-se a eliminar os obstáculos que impedem o acesso pleno, igualitário e significativo das mulheres e raparigas às áreas científicas.
No décimo aniversário deste dia importante e ao refletirmos sobre os 30 anos desde a Declaração de Pequim, vamos ajudar a abrir caminho para que as mulheres e raparigas tenham as carreiras STEM que merecem e de que o nosso mundo precisa.
Estabelecido em 1946, o Comité sobre Organizações Não Governamentais (ONG) é um órgão permanente do Conselho Económico e Social das Nações Unidas (ECOSOC). É a principal porta de entrada para que as ONG, enquanto representantes da sociedade civil, possam fazer ouvir a sua voz nas Nações Unidas. O Comité é composto por 19 Estados-membros e opera de acordo com a Resolução 1996/31 do ECOSOC.
Através dos seus dois relatórios, um da sessão regular realizada no fim de janeiro e um da sessão de continuação em maio, o Comité apresenta ao Conselho as suas recomendações sobre a concessão do estatuto consultivo às ONG. A 31 de dezembro de 2024, havia 6.468 ONG com estatuto consultivo junto do ECOSOC.
A sessão regular de 2025 do Comité das ONG decorre atuallmente até 11 de fevereiro. Durante esta sessão, o Comité analisa um número significativo de candidaturas e de relatórios quadrienais apresentados por ONG, incluindo 213 novas candidaturas para estatuto consultivo e 326 candidaturas adiadas de sessões anteriores.
Para além destas candidaturas, o Comité está também a avaliar 500 novos relatórios quadrienais por ONG já portadoras de estatuto, bem como 131 relatórios quadrienais adiados de sessões anteriores.
Devido ao aumento significativo do número de organizações a solicitar o estatuto consultivo, bem como as que já possuem estatuto consultivo junto do ECOSOC, o número de novas candidaturas quintuplicou de 143 em 2009 para 845 em 2023, enquanto o número de relatórios quadrienais aumentou quase seis vezes de 202 para 1.215.
Para gerir de forma eficiente esta crescente carga de trabalho e melhorar a sua eficácia, o Comité das ONG adotou, durante a sua sessão de continuação em 2024, a decisão intitulada “Melhoria do Trabalho do Comité pelas Organizações Não Governamentais” (Decisão 2024/342). Aprovada pelo Segmento de Gestão do ECOSOC em julho de 2024, esta decisão visa melhorar os métodos de trabalho do Comité das ONG para que este possa cumprir de forma mais eficaz o seu mandato.
Neste Dia Internacional da Fraternidade Humana, celebramos os valores da igualdade, da unidade e do respeito mútuo.
No entanto, assistimos hoje a uma onda de discriminação, xenofobia e intolerância por todo o mundo, levando ao afastamento das pessoas e à rutura do tecido social.
Todos temos o dever, incluindo os líderes religiosos, de procurar o diálogo em detrimento da divisão, e enfrentar o ódio onde quer que o encontremos, antes que este se instale e espalhe.
A Declaração “Fraternidade Humana para a Paz Mundial e a Convivência Comum”, da coautoria de Sua Santidade o Papa Francisco e de Sua Eminência o Grande Imã de Al-Azhar, Sheik Ahmed El-Teyeb, oferece diretrizes para a harmonia interconfessional e a coexistência pacífica. É um poderoso lembrete de que o nosso compromisso comum para com os direitos humanos e a dignidade é a base para um futuro melhor para todos.
Inspirados pela Declaração, reconheçamos que somos uma única família humana, rica em diversidade, igual em dignidade e direitos, e unida na solidariedade.
Juntos, podemos abrir caminho para um mundo mais pacífico, inclusivo e justo para todas as pessoas.
A UNRWA foi criada imediatamente após a primeira guerra israelo-árabe em 1948-1949 e à Declaração de Independência de Israel pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Iniciou as suas operações a 1 de maio de 1950.
Hoje, cerca de 5,9 milhões de refugiados palestinianos são elegíveis para assistência da UNRWA. Os 33.000 funcionários da agência da ONU prestam serviços públicos aos refugiados palestinianos que vivem em Gaza, na Cisjordânia – incluindo Jerusalém Oriental – no Líbano, na Síria e na Jordânia. Os serviços da UNRWA abrangem a educação para mais de meio milhão de crianças, cuidados de saúde primários para 2 milhões de doentes, assistência e serviços sociais, infraestruturas, microfinanças e resposta a emergências.
O Governo de Israel fez alegações em janeiro de 2024 de que alguns funcionários da UNRWA podem ter participado nos ataques terroristas de 7 de Outubro de 2023 em Israel. O comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, rescindiu os contratos dos funcionários em causa, enquanto o secretário-geral da ONU encarregou o Gabinete dos Serviços de Supervisão Interna (OIOS) das Nações Unidas de conduzir uma investigação.
Paralelamente, um grupo de revisão independente liderado por Catherine Colonna, ex-ministra dos Negócios Estrangeiros de França, concluiu que “a UNRWA possui uma abordagem mais desenvolvida à neutralidade do que outras entidades semelhantes da ONU ou de ONG”. A UNRWA endossou todas as recomendações feitas por Colonna e começou a implementá-las.
A 28 de outubro de 2024, o Parlamento israelita (Knesset) aprovou duas leis para cessar as atividades da UNRWA em Israel. A proibição, que entrará em vigor a 30 de janeiro de 2025, terá múltiplas consequências e levará a mais incertezas, explica a diretora do Gabinete de Representação da UNRWA para a Europa, Marta Lorenzo.
Marta Lorenzo. é a diretora do Gabinete de Representação da UNRWA para a Europa.
Estará a proibição da UNRWA por parte de Israel a estabelecer um precedente perigoso?
Marta Lorenzo: O primeiro projeto de lei proíbe a UNRWA de operar no Estado soberano de Israel – proíbe de facto qualquer operação em Jerusalém Oriental, que, segundo o direito internacional, está sob ocupação. O segundo projeto de lei proíbe o contacto entre a UNRWA e as autoridades israelitas. Isto tornará extremamente difícil para a UNRWA coordenar o seu trabalho e operar em Gaza e na Cisjordânia. Esta proibição não tem precedentes. Um Estado-membro da ONU contradiz o mandato concedido à UNRWA pela Assembleia Geral da ONU. Vai contra a Carta da ONU e as obrigações de Israel ao abrigo do direito internacional e do direito internacional humanitário.
Estabelece também um precedente terrível para qualquer Estado-membro poder desafiar o mandato das agências da ONU noutros locais. Talvez a diferença aqui seja que a UNRWA tem o mandato único de sustentar os serviços públicos na ausência de uma solução política. Se nos pedirem para sair, quem poderá gerir um sistema educativo? Se olharmos para a dimensão e as competências da equipa da UNRWA, especialmente em Gaza, onde temos 13.000 funcionários, como é que os vão substituir? Qualquer transferência de serviços da UNRWA deve ser realizada de forma ordenada para uma entidade palestiniana funcional até que exista uma solução política duradoura e justa.
A educação será perdida para sempre?
A educação está agora perdida. Há quase dois anos que as crianças não vão à escola. Isto soma-se a uma perda de aprendizagem que ocorreu durante a Covid. O bem mais valioso de que os palestinianos nunca foram privados foi o direito à educação. Agora, podemos restaurar os serviços públicos e ajudar a reconstruir o tecido social através da educação para 660.000 crianças em Gaza. Na Cisjordânia, 50.000 crianças estão atualmente matriculadas nas nossas escolas. Se já não os conseguirmos manter abertos, estas crianças ficarão nas ruas.
Quais serão as principais tarefas da UNRWA após a proibição?
Estamos totalmente empenhados em permanecer e a entregar o máximo de tempo possível. Temos uma responsabilidade moral, mas também um mandato que só pode ser alterado pela Assembleia Geral. A partir de 30 de janeiro, o nosso primeiro desafio será garantir vistos para os nossos colaboradores internacionais. Se não tiverem vistos, terão de abandonar não só Jerusalém Oriental, mas também Gaza e a Cisjordânia. A interpretação da legislação é importante para saber se podemos sustentar os serviços em Gaza e na Cisjordânia. Se a UNRWA já não puder operar, haverá vácuo. Qual será o impacto? Quem se vai enquadrar? É difícil de imaginar, sabendo que representamos mais de 50% da resposta humanitária na área. Neste momento, as pessoas em Gaza estão a tentar regressar às suas casas. Para muitos, o que resta das suas casas são escombros. As necessidades são inimagináveis. Nenhuma agência pode satisfazer sozinha as necessidades humanitárias em Gaza. Os esforços coordenados são indispensáveis e a UNRWA é uma parte essencial dos mesmos. Confiamos no compromisso da comunidade internacional para com a solução dos dois Estados, para a qual precisamos que o cessar-fogo se mantenha e que haja uma transição política. A UNRWA é uma peça fundamental nisso. Fomos criados como uma agência temporária e estamos prontos para entregar os nossos serviços a uma entidade palestiniana dentro dos parâmetros de um processo político justo e duradouro.
A UNRWA também trabalha na Jordânia, no Líbano e na Síria?
Sim, e para continuar a trabalhar na região, precisamos de estabilidade financeira. Temos duas grandes incertezas neste momento: seremos capazes de continuar a trabalhar em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental e teremos recursos financeiros suficientes para sustentar as operações de toda a agência na região? As questões surgem no meio de necessidades crescentes, conflitos interligados, crises económicas e múltiplas deslocações dentro e através das fronteiras da região. Acabámos de lançar um apelo de 464 milhões de dólares para proporcionar uma resposta humanitária e de proteção regional abrangente aos refugiados palestinianos na Síria, no Líbano e na Jordânia.
Crianças palestinianas vasculham os destroços de casas destruídas por ataques israelitas no norte da Faixa de Gaza. Foto: ONU / Shareef Sarhan
O nível atingido pela ajuda humanitária nos últimos dias é suficiente para satisfazer as necessidades de Gaza?
Talvez precisemos de definir o que significa “suficiente”. Estamos a olhar para o número de camiões que entram na Faixa de Gaza? Assistimos ao colapso total da saúde pública e dos serviços sociais. O setor comercial foi totalmente interrompido. Não há empregos em Gaza. Temos de olhar para o sistema como um todo, e não apenas para o número de camiões que entram em Gaza. Se retirar a UNRWA da Faixa de Gaza no contexto de um colapso dos serviços públicos, isso criará um vazio. Estamos a oferecer 16.000 consultas médicas por dia e, desde o início da guerra, 7 milhões de consultas na Faixa de Gaza. É isso que está em causa agora. Para ampliar as entregas humanitárias, precisamos de um acesso humanitário rápido, sem restrições e ininterrupto para chegar às pessoas onde quer que estejam. As violações das leis humanitárias e internacionais foram inúmeras desde o início da guerra. Acha que os perpetradores serão algum dia levados à justiça? O facto de todas as regras terem sido quebradas nesta guerra é bem conhecido. Todo o mundo já disse isso. Testemunhámos isto com os nossos próprios olhos, especialmente como as instalações da ONU que, segundo o direito internacional, são invioláveis, foram atingidas. Dois terços das nossas instalações foram total ou parcialmente destruídas. Mais de 270 dos nossos colegas foram mortos. Nos nossos abrigos, onde as pessoas procuravam proteção e assistência, as pessoas deslocadas foram mortas ou feridas, incluindo crianças. O exemplo que me ocorre sempre é o das campanhas de vacinação contra a poliomielite. Todos nos sentimos extremamente orgulhosos por termos conseguido vacinar crianças no meio de um conflito ativo num período de tempo tão curto, mas algumas dessas mesmas crianças foram mortas quando a pausa humanitária terminou. Solicitamos repetidamente a criação de uma comissão de inquérito para investigar todos estes incidentes. Esperamos que os padrões sejam os mesmos, seja em Gaza, no Sudão, na Somália ou em qualquer outro conflito. Devemos manter estes padrões, porque as exceções criam precedentes perigosos.
O nível atingido pela ajuda humanitária nos últimos dias é suficiente para satisfazer as necessidades de Gaza?
Talvez precisemos de definir o que significa “suficiente”. Estamos a olhar para o número de camiões que entram na Faixa de Gaza? Assistimos ao colapso total da saúde pública e dos serviços sociais. O setor comercial foi totalmente interrompido. Não há empregos em Gaza. Temos de olhar para o sistema como um todo, e não apenas para o número de camiões que entram em Gaza. Se retirar a UNRWA da Faixa de Gaza no contexto de um colapso dos serviços públicos, isso criará um vazio. Estamos a oferecer 16.000 consultas médicas por dia e, desde o início da guerra, 7 milhões de consultas na Faixa de Gaza. É isso que está em causa agora. Para ampliar as entregas humanitárias, precisamos de um acesso humanitário rápido, irrestrito e ininterrupto para chegar às pessoas onde quer que estejam. As violações das leis humanitárias e internacionais foram inúmeras desde o início da guerra. Acha que os perpetradores serão algum dia levados à justiça? O facto de todas as regras terem sido quebradas nesta guerra é bem conhecido. Todo o mundo já disse isso. Testemunhámos isto com os nossos próprios olhos, especialmente como as instalações da ONU que, segundo o direito internacional, são invioláveis, foram atingidas. Dois terços das nossas instalações foram total ou parcialmente destruídas. Mais de 270 dos nossos colegas foram mortos. Nos nossos abrigos, onde as pessoas procuravam proteção e assistência, as pessoas deslocadas foram mortas ou feridas, incluindo crianças. O exemplo que me ocorre sempre é o das campanhas de vacinação contra a poliomielite. Todos nos sentimos extremamente orgulhosos por termos conseguido vacinar crianças no meio de um conflito ativo num período de tempo tão curto, mas algumas dessas mesmas crianças foram mortas quando a pausa humanitária terminou. Solicitamos repetidamente a criação de uma comissão de inquérito para investigar todos estes incidentes. Esperamos que os padrões sejam os mesmos, seja em Gaza, no Sudão, na Somália ou em qualquer outro conflito. Devemos manter estes padrões, porque as exceções criam precedentes perigosos.
Na sua opinião, qual foi a pior coisa que já aconteceu em Gaza?
Se é criança, define pior como perder os pais, perder a educação, perder a casa, perder os sonhos. Como define o que é pior para um refém que foi mantido em cativeiro durante 15 meses e como define isso para os seus familiares? Lembro-me sempre da minha colega, a Mai. Era funcionária de tecnologias de informação da UNRWA, tinha uma deficiência permanente. Estava numa cadeira de rodas e era a melhor da turma nos estudos universitários, quando foi morta juntamente com toda a sua família. O que é pior? Temos visto tragédias a desenrolarem-se de muitas formas e temos de analisar as consequências a longo prazo para as crianças que foram amputadas, que viverão com uma deficiência permanente, para as pessoas que estão traumatizadas. Crianças, pais, professores, profissionais de saúde… Todos em Gaza estão traumatizados. A depressão ou perturbação de stress pós-traumático é algo que não se ultrapassa da noite para o dia apenas com sessões de aconselhamento. E fornecemos aconselhamento durante a guerra e tentamos levar as crianças a algum tipo de aprendizagem ou a algum tipo de espaço positivo. Mas será que isso vai resultar? São precisas gerações para curar essas feridas. Como lida com os traumas coletivos? Como ajuda a passar para a fase seguinte? Como fazer com que as pessoas acreditem que há esperança? É por isso que a manutenção do cessar-fogo é tão importante. O povo palestiniano não deve ser abandonado pela comunidade internacional.
Quanto tempo levará a reconstruir Gaza na hipótese de um cessar-fogo duradouro?
Gaza é agora uma enorme montanha de escombros. Quando fui a Gaza pela primeira vez, no início dos anos 90, os indicadores de desenvolvimento humano, incluindo a paridade de género na educação, eram muito semelhantes aos dos países de rendimento médio. Agora os serviços públicos entraram em colapso. A governação é incerta. O PNUD indicou que foram perdidos 69 anos de desenvolvimento. Ninguém sabe como a situação se vai desenrolar, mas talvez a parte mais intangível da reconstrução seja o tecido social. Como se vai unir a sociedade civil? Em que condições? Leva tempo. Precisamos de proteger o que resta em Gaza, incluindo as organizações humanitárias que estão ativas. Precisamos de salvaguardar o gozo dos direitos fundamentais, incluindo o direito à educação, à saúde e a condições de vida dignas. Não são negociáveis.
Qual é a amplitude atual da anarquia em Gaza?
É difícil saber porque não foi feita nenhuma avaliação adequada. A avaliação é muito difícil de fazer. Mas diria que o que vimos, especialmente desde que a fronteira de Rafah foi encerrada em maio, foi o caos total. A lei e a ordem são essenciais e precisam de ser restabelecidas. Os nossos colegas disseram-nos que houve menos saques desde que os camiões começaram a entrar em quantidades suficientes. Há muitos e muitos meses que pedimos ajuda sem restrições, sustentada e previsível. E como disse antes, a ajuda é muito mais do que camiões.
Acha que o conflito está a começar a ser deslocado de Gaza para a Cisjordânia?
Ela esteve sempre lá na Cisjordânia. Quando mais de 47.000 pessoas são mortas em Gaza, a atenção do mundo está em Gaza. Mas isso não significa que não tenha havido problemas na Cisjordânia. 2024 foi um ano em que vimos um número sem precedentes de pessoas a serem mortas ali. A violência dos colonos aumentou, as demolições de casas e os danos nas infraestruturas nos campos de refugiados continuam a ser uma grande preocupação. Por exemplo, no campo de Jenin, desde dezembro de 2024, não conseguimos fornecer educação porque não é seguro para as crianças e para a nossa equipa.
Como é que a integridade da informação se destaca no seu trabalho?
Parte do nosso trabalho na Europa é explicar quem somos, o nosso mandato único e temporário, o nosso papel essencial para os refugiados palestinianos e a estabilidade regional, bem como combater a desinformação e as campanhas de desinformação. Houve uma campanha de descrédito muito dura contra a UNRWA, e eu diria que contra a ONU, não apenas contra a UNRWA.
UNRWA distribui alimentos e artigos não alimentares em Gaza.
Hoje, qual seria a sua mensagem para as instituições da UE?
A proibição da UNRWA por Israel é um erro histórico. A UE e os seus Estados-membros estão empenhados numa solução de dois Estados, o respeito pelos direitos humanos e o direito internacional humanitário. É extremamente importante que nos atenhamos aos nossos princípios. O direito internacional humanitário é importante, não apenas no contexto de Gaza, mas em todo o lado e em todos os momentos. Sair do vácuo pode criar muitos obstáculos adicionais com consequências indesejadas que são muito difíceis de prever agora.
Como vê as perspetivas que se abrem no futuro próximo?
Se olhar para isto de onde estou sentada, em Bruxelas, talvez nos ajude a ver o panorama geral. Vemos, pelo menos na Europa, os Estados-membros europeus e a União Europeia empenhados na solução dos dois Estados. Assistimos ao lançamento da Aliança Global para a Solução dos Dois Estados, onde a União Europeia lidera juntamente com o Reino da Arábia Saudita e a Liga dos Estados Árabes numa proposta de paz e segurança na região. Este é um caminho concreto que pode trazer esperança aos palestinianos e aos israelitas e, na verdade, a toda a região.
“Este ano assinala-se o octogésimo aniversário do fim do Holocausto.
Lembramos os seis milhões de judeus assassinados pelos nazis e pelos seus colaboradores, que procuraram destruir todo um povo.
Lembramos as pessoas de etnia roma e sinti, as pessoas com deficiência e todas as outras pessoas escravizadas, perseguidas, torturadas e mortas.
Apoiamos as vítimas, os sobreviventes e as suas famílias. E reiteramos a nossa determinação de nunca esquecer. Permitir que o Holocausto desapareça da memória seria desonrar o passado e trair o futuro.
A memória é um ato moral e um apelo à ação. Conhecer a história do Holocausto é saber até onde pode chegar a humanidade.
Compreender como os nazis foram capazes de cometer os seus crimes hediondos, com a cumplicidade de outros.
E perceber que cada um de nós tem um dever solene: advogar contra o ódio e defender os direitos humanos de todas as pessoas.
Após o inferno do Holocausto, os países uniram-se e consagraram a dignidade de cada pessoa na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Em tempos obscuros, este documento continua a ser um farol. Oitenta anos após o fim do Holocausto, o antissemitismo continua presente, alimentado pelas mesmas mentiras e ódio que tornaram possível o genocídio nazi. E está a aumentar.
A discriminação é generalizada… O ódio está a ser instigado no mundo inteiro… Factos históricos indiscutíveis estão a ser distorcidos, diminuídos e negados… E estão a ser feitos esforços para reformular e desculpabilizar os nazis e os seus colaboradores.
Devemos travar estes ultrajes. Nestes dias de divisão, e mais de um ano desde os terríveis ataques terroristas de 7 de outubro por parte do Hamas, devemos ser firmes na nossa humanidade comum.
Devemos condenar o antissemitismo, tal como devemos condenar todas as formas de racismo, preconceito e intolerância religiosa. E devemos reafirmar a nossa determinação em defender a dignidade e os direitos humanos de todas as pessoas.
Estas causas estão no cerne das Nações Unidas. Nunca esqueceremos e nunca vacilaremos nesta luta.
Este relatório conclui também que, para se a alcançar a neutralidade carbónica até 2050, os investimentos em energias sustentáveis devem triplicar até lá.
O SECRETÁRIO-GERAL
26 de janeiro de 2025
Este ano, prevê-se que as energias renováveis se tornem pela primeira vez a maior fonte mundial de geração de eletricidade. Enquanto isso, os seus preços continuam a cair.
No Dia Internacional das Energias Limpas, celebramos esta revolução mas também reconhecemos os desafios que temos pela frente.
O fim da era dos combustíveis fósseis é certo mas os governos devem garantir que acontece de forma rápida e justa. Isto é crucial para nos salvar do pior da crise climática e ligar todas as pessoas às energias limpas, tirando milhões da pobreza.
Este ano oferece uma oportunidade incomparável para os países alinharem as suas ambições climáticas com as suas estratégias energéticas e de desenvolvimento nacionais. Todos os países se comprometeram a produzir novos planos nacionais de ação climática alinhados com a limitação do aumento da temperatura global a 1,5 graus Celsius. Devem entregar planos que abranjam todos os gases com efeito de estufa e setores; mapear uma eliminação gradual dos combustíveis fósseis; e contribuir para a meta global de triplicar a capacidade de energias renováveis até 2030.
O G20 tem as maiores capacidades e responsabilidades – deve liderar. Tudo isto deve ser conseguido em conformidade com o princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas. No entanto, todos os países devem fazer mais.
Precisamos também de ações para fazer fluir o financiamento para a revolução das energias renováveis nos mercados emergentes e nas economias em desenvolvimento. Isto inclui aumentar a capacidade de empréstimo dos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento, fazer face ao elevado custo do capital e tomar medidas eficazes sobre a dívida.
No Dia Internacional das Energias Limpas, vamos comprometer-nos com uma era internacional de energias limpas com rapidez, justiça e colaboração no seu cerne.
Especialista da agência afirma que tragédia na Califórnia revela limites de modelo focado apenas no combate às chamas e sublinha que o Brasil e Portugal são focos de eventos climáticos extremos e devem reforçar políticas integradas.
O mundo vive uma nova era de incêndios florestais catastróficos, alimentados pelas alterações climáticas. A afirmação é da chefe da Equipa de Florestas e Clima da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
Em entrevista à ONU News, Amy Duchelle afirmou que a abordagem para lidar com estes eventos extremos precisa de ser diferente, referindo-se à tragédia em curso no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, mas também a episódios recentes no Brasil e em Portugal.
Tentar apagar incêndios não basta
“Temos visto que os incêndios têm aumentado rapidamente em intensidade, escala e duração em todos os países realmente, inclusive no Brasil e Portugal. E as causas deste aumento são várias, mas muito devido às mudanças climáticas e às mudanças no uso da terra. E para enfrentar este desafio é necessária uma mudança de paradigma, de uma abordagem focada no combate ao fogo, que vemos nesse caso de Los Angeles que tem os seus limites, para uma abordagem mais holística e integrada de gestão de manejo do fogo”.
Para a especialista, os incêndios de Los Angeles revelam os limites da tentativa de apagar chamas que estão fora de controle, mesmo no contexto de um sistema muito bem equipado e preparado, como é o caso da Califórnia.
A representante da FAO enfatizou que os países precisam investir mais em prevenção, redução e prontidão, inclusive para evitar gastos excessivos com o combate ao fogo e reconstrução pós-incêndio.
Aumento na intensidade, frequência e escala
“Brasil, Portugal e outros países têm políticas nacionais sobre gestão integrada de incêndios, que se concentram em elementos que são a revisão e a análise das causas dos incêndios, redução de risco, preparação para combater os incêndios, o combate mesmo quando temos incêndios que estão fora de controle e, finalmente, a recuperação de paisagens e infraestruturas, de todos os danos e perdas que acontecem com estes incêndios”.
Amy sublinha que as projeções mostram aumentos substanciais na intensidade, frequência e escala dos incêndios florestais nos próximos anos.
A especialista explicou que além de serem alimentados por condições mais quentes, as chamas também libertam CO2 na atmosfera, contribuindo ainda mais para a crise do clima, criando “um ciclo vicioso do qual é difícil sair”.
Nesta quarta-feira, o secretário-geral da ONU referiu-se à devastação causada pelo fogo em Los Angeles, como um exemplo inequívoco da crise climática. Durante o seu discurso na Assembleia Geral, António Guterres disse que a cidade “passou de ser o lar dos filmes de desastre para uma cena de desastre”.
Guterres questionou quem paga o preço da destruição climática em todo o mundo, enfatizando que não é a indústria dos combustíveis fósseis, responsável por tantos estragos, e sim as pessoas, que pagam com as suas vidas e meios de subsistência.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho, as tensões geopolíticas, os custos crescentes das alterações climáticas e os problemas da dívida por resolver estão a colocar os mercados de trabalho sob pressão.
A economia mundial está a abrandar, o que dificulta a recuperação total dos mercados de trabalho, de acordo com a atualização do relatório World Employment and Social Outlook 2025, (Perspetivas Sociais e de Emprego no Mundo) lançado hoje.
Em 2024, o emprego global manteve-se estável, tendo aumentado apenas em resultado do crescimento da força de trabalho, o que contribuiu para a manutenção da taxa de desemprego nos 5 por cento refere o relatório. O desemprego jovem registou ligeiras melhorias, mas mantém-se elevado nos 12,6 por cento. O trabalho informal e o número de trabalhadoras e trabalhadores pobres regressaram aos níveis anteriores à pandemia e os países de baixo rendimento foram os que sentiram maiores dificuldades na criação de empregos dignos.
Os desafios da recuperação
O relatório destaca os desafios tais como as tensões geopolíticas, os custos crescentes das alterações climáticas e as questões da dívida por resolver, que estão a pressionar os mercados de trabalho.
Embora a inflação tenha diminuído, continua a ser elevada, reduzindo o poder de compra dos salários. Os salários reais só aumentaram em algumas economias avançadas e a maioria dos países ainda está a recuperar dos efeitos da pandemia e da inflação.
A participação no mercado de trabalho está a diminuir, em especial entre os jovens
De acordo com o relatório, as taxas de atividade diminuíram nos países de baixo rendimento e aumentaram nos países de elevado rendimento, principalmente entre os trabalhadores mais velhos e as mulheres. No entanto, as disparidades entre homens e mulheres continuam a ser acentuadas, com menos mulheres na população ativa o que limita os progressos no nível de vida. Entre os rapazes jovens, a taxa de atividade diminuiu drasticamente e muitos não estudam, não trabalham nem seguem qualquer formação (NEET). Esta tendência é particularmente acentuada nos países de baixo rendimento, onde as taxas de NEET entre os rapazes jovens aumentaram quase 4 pontos percentuais em comparação com a média histórica antes da pandemia, deixando-os vulneráveis aos desafios económicos.
Segundo o relatório da OIT, o número estimado de pessoas que querem trabalhar mas não têm emprego – atingirá 402 milhões em 2024.
As taxas de NEET nos países de baixo rendimento aumentaram em 2024, com os rapazes jovens a atingirem 15,8 milhões (20,4 por cento) e as mulheres jovens 28,2 milhões (37 por cento) representando aumentos de 500 000 e 700 000, respetivamente, em comparação com 2023. Em todo o mundo, 85,8 milhões de rapazes jovens (13,1 por cento) e 173,3 milhões de raparigas jovens (28,2 por cento) eram jovens NEET em 2024, um aumento de 1 milhão e 1,8 milhões, respetivamente, em relação ao ano anterior.
O défice global de postos de trabalho ascende a 402 milhões
O défice global de empregos – o número estimado de pessoas que querem trabalhar mas não têm emprego – atingirá 402 milhões em 2024. Este número inclui 186 milhões de pessoas em situação de desemprego, 137 milhões de trabalhadores de pessoas desencorajadas e 79 milhões de pessoas que gostariam de trabalhar mas têm responsabilidades familiares, como cuidar de crianças, que as impedem de ter um emprego. Embora o fosso tenha diminuído gradualmente desde a pandemia, espera-se que estabilize nos próximos dois anos.
Novas oportunidades nos setores verde e digital
O estudo identifica o potencial de crescimento do emprego nos setores da energia verde e das tecnologias digitais. Os postos de trabalho no setor das energias renováveis aumentaram para 16,2 milhões em todo o mundo, graças aos investimentos em energia solar e hidrogénio. No entanto, estes empregos estão distribuídos de forma desigual, com quase metade deles na Ásia Oriental.
As tecnologias digitais também oferecem oportunidades, mas muitos países não dispõem das infra-estruturas e das competências necessárias para tirar pleno partido destes avanços, observa o relatório.
Soluções inovadoras
O diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo, sublinhou a necessidade urgente de agir. “O trabalho digno e o emprego produtivo são essenciais para alcançar a justiça social e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Para evitar o agravamento da já difícil coesão social, a escalada dos impactos climáticos e o aumento da dívida. Temos de agir agora para enfrentar os desafios do mercado de trabalho e criar um futuro mais justo e sustentável. Qualquer atraso pode agravar a crise e deixar milhões de pessoas para trás”, afirmou.
O relatório apresenta uma série de recomendações para responder aos desafios atuais:
– Aumentar a produtividade: investir na formação profissional, na educação e nas infra-estruturas para apoiar o crescimento económico e a criação de emprego.
– Desenvolver a proteção social: oferecer um melhor acesso à segurança social e a condições de trabalho seguras, a fim de reduzir as desigualdades.
– Utilizar eficazmente os fundos privados: os países de baixo rendimento podem aproveitar as remessas e os fundos da diáspora para apoiar o desenvolvimento local.
No verão excecionalmente quente de 2016, uma bactéria que causa o antraz matou mais de 2.500 renas na remota Península de Yamal, na Sibéria, de acordo com um estudo recente.
Normalmente preso numa camada de terra permanentemente congelada, ou permafrost, o agente patogénico anteriormente adormecido acabou por atingir humanos, tirando a vida a um rapaz de 12 anos e fazendo com que dezenas de outros adoecessem.
Alguns investigadores acreditam que o surto é um sinal do que está para vir. À medida que as alterações climáticas aquecem rapidamente o Ártico, os cientistas dizem que este fenómeno pode desencadear uma onda de micróbios potencialmente mortais que ficaram presos no gelo durante séculos.
“O facto de estes micróbios estarem presentes no permafrost significa que é difícil dizer quão generalizado ou perigoso pode ser este problema”, afirma o cientista-chefe do PNUMA, Andrea Hinwood, que alerta também que “há motivos para preocupação.”
O Ártico, que se estende por 14 milhões de quilómetros quadrados em oito países, está coberto por uma espessa camada de permafrost, uma mistura congelada de solo, rochas, gelo e material orgânico. No entanto, o Ártico está a aquecer quatro vezes mais rápido do que o resto do globo, com o degelo do permafrost a libertar potencialmente bactérias e vírus antigos, dizem os especialistas. De acordo com um estudo publicado na revista Environmental Sustainability, estima-se que quatro sextilhões de micróbios — um quatro com 21 zeros — sejam libertados anualmente devido ao degelo do permafrost.
Alguns investigadores estão especialmente preocupados com o descongelamento de animais do Ártico mortos há muito tempo, cujos corpos podem albergar micróbios adormecidos. O surto na Sibéria foi rastreado até um cemitério de renas; muitos destes animais morreram há mais de 70 anos de carbúnculo.
Hinwood diz que o que está a acontecer no Ártico tem vindo a ocorrer em climas mais quentes há séculos, com agentes patogénicos a circular entre pessoas e animais, muitas vezes com resultados mortais.
“Este não é um fenómeno novo, mas está a acontecer num novo lugar.”
À medida que o aquecimento abre o Ártico ao transporte marítimo, à mineração e a outras indústrias, Hinwood diz que isto pode colocar mais pessoas em proximidade com o permafrost derretido e os seus micróbios residentes.
“Poderíamos estar a testemunhar uma mudança completa no uso da terra no Ártico e isso pode ser perigoso”, lembra.
A propagação de doenças não é o único problema com o degelo do Ártico.
Estima-se que o permafrost mundial contenha o1.500 gigatoneladas de carbono, cerca do dobro da atmosfera. À medida que o permafrost derrete, o seu carbono é decomposto e libertado para a atmosfera como dióxido de carbono ou metano. Estes gases com efeito de estufa aquecem ainda mais o planeta, derretendo mais permafrost num ciclo potencialmente catastrófico.
Para evitar alterações climáticas descontroladas e surtos de doenças, Hinwood diz que o mundo deve controlar os gases com efeito de estufa que provocam as alterações climáticas. Os países também precisam de continuar a monitorizar o recuo do permafrost e a investir no mapeamento dos tipos de micróbios que aí residem.
“Neste momento, estamos num cenário de ‘se e talvez’”, diz ela. “Há muita incerteza e o melhor que podemos fazer é usar as ferramentas e a ciência que temos para nos informarmos.”
Artigo originalmente publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)
Mensagem de Ano Novo do secretário-geral das Nações Unidas
António Guterres
Ao longo de 2024, a esperança tem sido difícil de encontrar. As guerras estão a causar enorme dor, sofrimento e deslocações.
As desigualdades e as divisões são graves – alimentando as tensões e a desconfiança. E hoje posso informar oficialmente que acabamos de suportar uma década de calor mortal.
Os dez anos mais quentes já registados ocorreram nos últimos 10 anos, incluindo 2024. É a degradação do clima – em tempo real. Temos de sair deste caminho para a ruína – e não temos tempo a perder.
Em 2025, os países devem colocar o mundo numa trajetória mais segura, reduzindo drasticamente as emissões e contribuindo para a transição para um futuro renovável. É essencial – e é possível. Mesmo nos dias mais sombrios, vi a esperança abrir caminho à mudança.
Vejo esperança nos ativistas – jovens e idosos – que erguem as suas vozes em prol do progresso. Vejo esperança nos heróis humanitários que superam enormes obstáculos para apoiar as pessoas mais vulneráveis.
Vejo esperança nos países em desenvolvimento que lutam pela justiça financeira e climática. Vejo esperança nos cientistas e inovadores que abrem novos caminhos para a humanidade.
E vi esperança em setembro, quando as lideranças mundiais se reuniram para adotar o Pacto para o Futuro. O Pacto é um novo impulso para construir a paz através do desarmamento e da prevenção. Reformar o sistema financeiro mundial para que apoie e represente todos os países. Impulsionar a criação de mais oportunidades para as mulheres e jovens. Construir barreiras de proteção para que as tecnologias coloquem as pessoas acima dos lucros e os direitos acima dos algoritmos descontrolados.
E, sempre, a respeitar os valores e os princípios consagrados pelos direitos humanos, pelo direito internacional e pela Carta das Nações Unidas. Não há garantias para o que está por vir em 2025. Mas comprometo-me a apoiar todas as pessoas que estão a trabalhar para forjar um futuro mais pacífico, igualitário, estável e saudável para todas as pessoas.
Juntos, podemos fazer de 2025 um novo começo.
Não como um mundo dividido. Mas como nações unidas.
MENSAGEM PARA O DIA INTERNACIONAL DE PREPARAÇÃO PARA EPIDEMIAS
Nova Iorque, 27 de dezembro de 2024
A COVID-19 foi um alerta para o mundo. Milhões de vidas perdidas, economias destruídas, sistemas de saúde levados ao limite e a vida quotidiana de toda a humanidade perturbada.
A crise pode ter passado, mas continua a ser uma dura lição: o mundo está lamentavelmente impreparado para a próxima pandemia. Os surtos de varíola dos macacos, cólera, poliomielite e Marburg são lembretes surpreendentes de que as doenças infecciosas continuam a ser um perigo real e presente para todos os países.
Neste Dia Internacional de Preparação para as Epidemias, apelo aos países para que prestem atenção às lições das emergências sanitárias do passado para ajudar a prepararem-se para as próximas.
Isto significa construir sistemas de cuidados de saúde públicos e primários resilientes e cumprir a promessa da Cobertura Universal de Saúde. Significa fazer investimentos ousados na monitorização, deteção e resposta a pandemias. E significa garantir o acesso equitativo a ferramentas que salvam vidas, como vacinas, tratamentos e diagnósticos.
Acima de tudo, significa solidariedade internacional. Apelo aos países para que cumpram o histórico Acordo sobre a Pandemia para garantir que o mundo funciona melhor, em conjunto, para prevenir e conter futuras pandemias.
Hoje, e todos os dias, vamos comprometer-nos a trabalhar em conjunto para um mundo mais seguro e saudável para todos, em todo o lado.
“Neste Dia dos Direitos Humanos, enfrentamos uma dura verdade: os direitos humanos estão sob ataque.” – António Guterres, secretário-geral da ONU, 10 de dezembro de 2024
Na sua mensagem para o Dia Internacional dos #DireitosHumanos, o líder das Nações Unidas pede união para resgatar e defender os direitos humanos de todas as pessoas, em todos os lugares:
“Devemos defender todos os direitos – sempre. Sanar as divisões e construir a paz. Enfrentar os flagelos da pobreza e da fome.”
O Dia dos Direitos Humanos é comemorado anualmente a 10 de dezembro, celebrando o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Proclamada pela Assembleia Geral da ONU reunida em Paris, em 10 de dezembro de 1948, a #DeclaraçãoUniversal consagra os direitos inalienáveis a que todas as pessoas têm direito como seres humanos, independentemente de raça, cor, religião, sexo, idioma, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, propriedade, nascimento ou outra condição.
Como um “padrão comum de realização para todos os povos e todas as nações”, a Declaração é um modelo global para Constituições, leis e políticas nacionais e locais e um alicerce da #Agenda2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
Disponível em 577 idiomas, do abkhaz ao zulu, a #DeclaraçãoUniversal é o documento mais traduzido do mundo.